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Principais técnicas utilizadas na fitoterapia Vimos na aula anterior que o desenvolvimento de fitoterápicos constitui um processo multidisciplinar que envolve várias etapas de pesquisa e de controle de qualidade. A transformação de determinada espécie vegetal em um fitoterápico requer o emprego de técnicas analíticas e tecnológicas capazes de preservar a integridade química e farmacológica da planta e de garantir a constância de sua ação terapêutica. Vamos conhecer as principais técnicas analíticas utilizadas em fitoterapia? Entre as técnicas de extração, destacam-se: 1. Digestão: realizada por meio do aquecimento brando (35 a 40 °C) da droga vegetal junto ao líquido extrator (solvente), que pode ser a água ou uma mistura desta com adjuvantes. Ao final da extração, a mistura da droga vegetal com o solvente é coada. Essa técnica pode ser aplicada a drogas termolábeis e sublimáveis, cujos constituintes sejam facilmente solubilizados pelo solvente. 2. Infusão: realizada por meio do aquecimento do solvente (água) que, sob ebulição, é vertido sobre a droga vegetal. A mistura é mantida em recipiente fechado durante 15 a 30 minutos e depois coada. Essa técnica pode ser aplicada no preparo de chás de drogas aromáticas (alecrim, alho, canela, cravo, entre outras). 3. Decocção: realizada por meio do aquecimento concomitante da droga vegetal e do solvente (água), mantendo-se a fervura por 10 minutos. Ao final da extração, a mistura da droga vegetal com o solvente é coada. Essa técnica pode ser aplicada no preparo de chás de drogas constituídas de substâncias termorresistentes ou difíceis de serem extraídas, tanto pela baixa solubilidade como pela resistência dos tecidos vegetais (rizomas, raízes, cascas etc.). 4. Maceração: nessa técnica, a droga vegetal é colocada em contato com um solvente durante um período de tempo previamente estabelecido e revolvida em intervalos regulares. Após esse período, a droga é transferida para um filtro de tecido ou papel montado dentro de uma prensa de acionamento manual, mecânico ou hidráulico, onde é coada e prensada, repetindo-se o processo até a obtenção do volume esperado. A maceração pode ser aplicada a todas as drogas cujas substâncias ativas sejam facilmente extraíveis e como ponto de partida para a extração por percolação. 5. Percolação: nessa técnica, faz-se passar um solvente através da droga vegetal já macerada, com o mesmo solvente, ou não, complementando o processo de maceração e resultando em um extrato mais rico em substâncias ativas. A operação é realizada em um recipiente adequado, denominado percolador, composto por tampa, corpo, separador, torneira e suporte. Ocorre sob velocidade previamente estabelecida, com a adição sucessiva de solvente na parte superior do percolador e recolhimento do extrato na parte inferior, por meio da abertura da torneira. 6. Spray drying: a secagem por nebulização, ou spray drying, é uma das técnicas mais utilizadas pela indústria farmacêutica para a obtenção de extratos secos. O processo de secagem é realizado em um equipamento denominado spray dryer, composto basicamente por um atomizador, uma câmera de secagem e um sistema de separação ar – pó seco. Primeiramente, um produto líquido contendo sólidos em solução, suspensão ou emulsão é bombeado para o atomizador, onde é atomizado por meio de um sistema centrífugo ou de alta pressão. Em seguida, na câmera de secagem, as gotículas atomizadas imediatamente entram em contato com um fluxo de ar quente, permitindo uma rápida evaporação da água e a separação dos sólidos. Ao final do processo, no sistema de separação ar – pó seco, o produto é recuperado na forma de pó. As principais vantagens dessa técnica são: o pequeno tempo de secagem, que evita a degradação térmica do produto; a possibilidade de obtenção de produtos diretamente na forma de pó, eliminando etapas posteriores de moagem e a estabilidade e possibilidade de controle das características do produto final. Principais técnicas utilizadas na fitoterapia