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Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOCARCINOMA GÁSTRICO SUBTIPO INTESTINAL Renata Bittar MEDICINA UNIT O tipo intestinal teria origem em células gástricas mucosas que sofreram previamente metaplasia intestinal. Macroscopicamente tende a ser exofítico ou polipóide. Microscopicamente é bem diferenciado, formando glândulas. Renata Bittar MEDICINA UNIT SUBTIPO DIFUSO Renata Bittar MEDICINA UNIT A origem do tumor é a mucosa gástrica, onde muitas células produzem muco. As células neoplásicas também produzem muco, que pode ser observado no citoplasma na forma de um grande vacúolo, que desloca o núcleo para a periferia. A célula pode parecer um anel, onde o núcleo forma a pedra, daí a comparação clássica com anel de sinete. Contudo, as células são soltas, não constituem agregados com luz. Por isso, ficam arredondadas e podem ser confundidas, a primeira vista, com macrófagos. O que diferencia é o aspecto do núcleo, que é hipercromático e volumoso em relação ao citoplasma (perda da relação núcleo-citoplasma, uma das características das neoplasias malignas). O tumor infiltra difusamente todas as camadas do estômago, da mucosa à serosa. O melhor lugar para identificar a infiltração é a camada muscular, onde as células neoplásicas contrastam com as fibras musculares lisas. Macroscopicamente, temos a chamada linite plástica. O tumor causa espessamento difuso da parede gástrica, tornando-a rígida, e leva à perda das pregas da mucosa. Este tipo parece originar-se diretamente de células gástricas mucosas (sem passar por metaplasia intestinal). Renata Bittar MEDICINA UNIT NORMAL X ADENOCARCINOMA GÁSTRICO Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOMA GÁSTRICO Displasia epitelial Renata Bittar MEDICINA UNIT PÓLIPOS INFLAMATÓRIOS HIPERPLÁSICOS A: pólipo hiperplásico contendo glândulas foveolares em forma de “saca-rolha” B: Pólipo hiperplásico com ulceração. Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT PÓLIPOS DE GLÂNDULA FÚNDICA Pólipo de glândula fúndica composto de glândulas dilatadas cisticamente revestidas por células parietais, principais e foveolares. Renata Bittar MEDICINA UNIT PÓLIPOS HIPERPLÁSICO DE CÓLON Possui arquitetura serrilhada, porém, diferentemente do adenoma serrilhado séssil que alcança toda a cripta do cólon, o pólipo hiperplásico só chega até a metade da cripta. Composto por células absortivas e caliciformes. Mutações nos genes K-ras e BRAF. Geralmente estão no cólon sigmoide e reto. NÃO APRESENTAM DISPLASIA. Renata Bittar MEDICINA UNIT PÓLIPOS HAMARTOMATOSOS DE CÓLON POLIPOSE JUVENIL Hamartoma tecido maduro nativo da localização anatômica disposto de forma desorganizada. Criptas desordenadas, dilatadas e especialmente císticas. Estroma com denso infiltrado inflamatório, hemorragia e angiogênese. A displasia não é frequente, exceto no contexto na polipose juvenil. Condição hereditária relacionada ao gene SMAD4 e BMPR1A. Alto risco de malignização. Renata Bittar MEDICINA UNIT SÍNDROME DE PEUTZ-JEGHERS Como todos os pólipos hamartomatosos, são pedunculados e apresentam componentes estromal e epitelial. Sua característica distintiva é a proliferação arbórea de músculo liso que divide o pólipo em lóbulos. São benignos mas pode-se encontrar focos de displasia convencional. Síndrome autossômica dominante associada ao gene LKB1/STK11. Renata Bittar MEDICINA UNIT PÓLIPOS INFLAMATÓRIOS OU REATIVOS DE CÓLON Criptas distorcidas, às vezes dilatadas recobertas por epitélio com núcleos reativos. Estroma com denso infiltrado inflamatório. A proporção entre cripta e estroma pode variar. Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOMAS COLÔNICOS Adenomas são pólipos compostos por epitélio displásico proveninentes de mutações nos genes APC e β-Catenina. O risco de malignização depende do tamanho tumor, nível de displasia e tipo de arquitetura (vilosa). TUBULAR Renata Bittar MEDICINA UNIT Constituído por glândulas de arquitetura tubular. O ápice das células está voltado para a luz da glândula. O estroma conjuntivo-vascular forma o interstício entre as glândulas. Renata Bittar MEDICINA UNIT VILOSO Renata Bittar MEDICINA UNIT Longas projeções em dedos de luva, com células cilíndricas assentadas sobre eixos conjuntivo-vasculares. O ápice da célula está voltado para a superfície da vilosidade. DIPLASIA DE ALTO GRAU: Arquitetura complexa: Amontoado e irregularidade das glândulas, padrão cribiforme e fragmentação proeminente Atipia citológica: perda da polaridade nuclear, núcleos aumentados com nucléolo, mitoses atípicas e apoptose proeminente. Renata Bittar MEDICINA UNIT TUBULOVILOSO Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOMA SERRILHADO SÉSSIL Pólipo hiperplásico comum, porém com arquitetura serrilhada mais complexa. A arquitetura serrilhada é mais proeminente, alcançando a base das criptas, o que gera uma imagem tipo “T” ou “Y” invertido. Encontrados frequentemente no cólon direito. NÃO APRESENTAM DISPLASIA CITOLÓGICA, APENAS ARQUITETURAL. Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOCARCINOMA COLÔNICO Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Na mucosa normal, as glândulas (também chamadas de criptas glandulares) têm estrutura regular e, em cortes transversais, lembram um 'canteiro de margaridas'. As glândulas são compostas por células colunares e células caliciformes, indicando diferenciação em dois tipos celulares morfologica e funcionalmente distintos. No adenocarcinoma há perda da arquitetura normal organizada. Na maior parte das áreas, as células formam glândulas com luz (diz-se que o tumor nestas áreas é bem diferenciado). Porém há perda da diferenciação em células colunares e caliciformes, notam-se atipias nucleares e mitoses. Em algumas glândulas nota-se o aspecto cribriforme (há várias pequenas luzes lembrando um crivo ou peneira). O tumor infiltra todas as camadas, da mucosa (onde se originou), passando pela submucosa, muscular até a serosa, onde se observam células neoplásicas junto aos adipócitos. Nesta região nota-se a chamadareação desmoplásica (desmo = conjuntivo; plasia = produção), que é a produção de tecido fibroso induzida pelas células neoplásicas. Este fenômeno é observado em muitos tumores, e depende da secreção pelas células tumorais de fatores hormonais locais que estimulam a proliferação de fibroblastos e produção de colágeno, dando ao tumor consistência dura. Renata Bittar MEDICINA UNIT CÓLON NORMAL ADENOCARCINOMA BEM DIFERENCIADO Renata Bittar MEDICINA UNIT PRÓSTATA NORMAL Conjunto de 30 a 50 glândulas tubuloalveolares ramificadas Glândulas (ductos e ácinos) com superfície luminal ondulada e projeções papilares, revestidas por 2 camadas de células: - Camada de células colunares secretoras/células neuroendócrinas - Camada basal: epitélio cubóide baixo - Estroma fibromuscular abundante Influência hormonal: andrógenos testiculares Renata Bittar MEDICINA UNIT HIPERPLASIA NODULAR DA PRÓSTATA Hiperplasia do estroma e do epitélio prostáticos Origem: zona de transição Estreitamento e obstrução do canal uretral Etiologia e patogênese -Testosterona -Diidrotestosterona (DHT) -Enzima 5α – redutase tipo 2 -Receptores nucleares de androgênios -Transcrição de fatores de crescimento epitelial e estromal -Contração do músculo liso uretral (receptor adrenérgico α 1) Macroscopia - 60 a 100gr - Nódulos grandes, relativamente nítidos, na região periuretral - Não encapsulado - Coloração e consistência variadas: Tecido rosa-amarelado, consistência macia, líquido leitoso = proliferação glandular Tecido cinza pálido, menos demarcado, sem exsudação de líquido = predomínio estroma fibromuscular Na hiperplasia nodular, a próstata apresenta nódulos hiperplásicos bem delimitados, em sua maior parte constituídos por estroma e glândulas (nódulos estrômato- glandulares). Podem também, menos freqüentemente, ser puramente estromatosos ou glandulares. As células epiteliais são colunares, com citoplasma claro de aspecto mucoso, e são mais altas que as da próstata normal. As dobras do epitélio glandular são também mais pronunciadas que na glândula normal. Em muitos lugares é possível observar que as glândulas são formadas por uma dupla camada de células epiteliais: a mais interna, de células colunares proeminentes, e uma camada periférica de células basais achatadas, que pode ser descontínua. O encontro da dupla camada tem importância para definir a benignidade do processo (ou seja, que se trata de hiperplasia, e não neoplasia) já que nos carcinomas há perda da dupla camada. Na próstata, ao contrário da mama, as células basais não são mioepiteliais. Pode haver infiltrado linfocitário no estroma dos nódulos e entre os nódulos. Renata Bittar MEDICINA UNIT - Nódulos puramente estromais fibromusculares até nódulos fibroepiteliais com predomínio glandular Glândulas pequenas, proliferadas e cisticamente dilatadas, revestidas por dupla camada - Focos de metaplasia escamosa reativa: infartos prostáticos Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOCARCINOMA DA PRÓSTATA Antígeno prostático específico (PSA) plasmático: - Produzido pelo epitélio prostático e secretado no sêmen - Órgão-específico - Não é câncer-específico: HNP, prostatite, infarto, instrumentação da próstata, ejaculação*, exercícios*. - Utilidade: Detecção do câncer de próstata Avaliação da resposta à terapia Macroscopia -Zona periférica, localização posterior (palpável ao TR) -Tecido neoplásico é áspero e firme -Difícil visualização, mais aparente à palpação - Disseminação direta (extensão local): vesículas seminais, base da bexiga -Disseminação hematogênica: esqueleto axial (metástases osteoblásticas) -Disseminação linfática: linfonodos obturadores, perivesicais, hipogástricos, ilíacos, pré-sacrais e paraórticos Microscopia Critérios diagnósticos: 1.Desarranjo arquitetural (com ou sem infiltração) 2.Atipias nucleares 3.Ausência de células basais Outros critérios: invasão perineural, micronódulos colágenos, arranjo glomerulóide Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Graduação histológica de Gleason Marcador prognóstico - Aspectos arquiteturais - Considera o padrão predominante (primário) e o secundário de acordo com a extensão (não pelo pior padrão) - Graus 1 a 5 Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT PRÓSTATA NORMAL HBP ADENOCARCINOMA PROSTÁTICO Renata Bittar MEDICINA UNIT CARCINOMA BASOCELULAR DE PELE O tumor destruiu a epiderme e ocupa o derme como blocos celulares arredondados, formados por células que lembram as da camada basal da epiderme (núcleo ovalado, cromatina densa, citoplasma escasso e basófilo). Em cada bloco o centro é sólido (totalmente preenchido por células). Na periferia, as células tendem a formar uma camada mais nítida, em que os núcleos estão arranjados perpendicularmente à superfície do agrupamento (disposição em paliçada), um aspecto muito próprio do carcinoma basocelular. O limite com a derme na profundidade é nítido, indicando que a capacidade infiltrativa do tumor é pequena. Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Renata Bittar MEDICINA UNIT Agregado de células basalóides neoplásicas ligadas à epiderme ou ao epitélio de um anexo cutâneo. Estes agregados são organizados como lóbulos, ilhas, ninhos ou cordões celulares que apresentam disposição ordenada das células na periferia dos blocos tumorais, denominada arranjo em paliçada. Ocasionalmente observamos necrose central ou padrão cístico nos lóbulos tumorais. A presença de pigmentação melânica abundante nas células tumorais ou nos macrófagos dérmicos se correlaciona frequentemente com lesões clínicas pigmentadas, geralmente do tipo nodular ou superficial. As células tumorais têm núcleo hipercromático, uniforme, redondo ou oval e padrão monomórfico, raramente exibindo características anaplásicas. Podem ser encontradas células apoptóticas ou necróticas nas massas tumorais. O citoplasma é escasso ou inexistente, o que dá o aspecto basalóide às células. As pontes intercelulares, características dos ceratinócitos maduros, não são observadas no CBC. As massas de células tumorais penetram na derme, onde ocorre retração do estroma ou formação de lacunas ao redor do tumor, uma característica dos CBCs. Nestas lacunas observou-se a presença de laminina, colágeno tipo IV e mucopolissacarí- deos ácidos, pela imunoistoquímica7. O estroma que envolve os ninhos celulares deste tumor é bastante característico, composto de inúmeros fibroblastos jovens, dispostos em bandas paralelas e demonstrando aspecto mucinoso. Podem ainda ser observados ocasionalmente: esclerose do colágeno e depósitos amilóides oriundos da degeneração de células tumorais. Ocorre infiltrado inflamatório peritumoral, de intensidade variável. Elastose solar é frequentemente observada e pode ocorrer ulceração. Os cinco tipos histológicos de CBCs mais frequentes são reconhecidos pelo padrão da arquitetura dos agregados celulares e da reação do estroma ao tumor. Podemos dividi-los em menos e mais agressivos. MENOS AGRESSIVOS: nodular e superficial. MAIS AGRESSIVOS: micronodular, infiltrativo e esclerodermiforme. Renata Bittar MEDICINA UNIT CBC NODULAR CBC SUPERFICIAL CBC MICRONODULAR CBC ESCLERODERMIFORME (Grandes blocos de células tumorais e o arranjo celular em paliçada na periferia, invadindo a derme) São observadas ilhas arredondadas de tumor na derme, estendendo-se desde a epiderme até a derme reticular ou arredores. Com o tempo ocorre frequentemente ulceração do tumor e degeneração necrótica ou cística de alguns. (Pequenos blocos celulares tumorais na derme papilar, aderidos à camada basal como brotamentos. Apesar de parecerem isolados, há comunicação entre os brotamentos tumorais). É uma lesão caracterizada pela presença de pequenos brotamentos celulares tumorais estendendo-se da epiderme à derme papilar, sob a epiderme atrófica. Estes brotamentos eram considerados multicêntricos, porém estudos de imagem tridimensionais mostraram que eles estão conectados entre si, em um padrão reticular, tendo origem em um único local da epiderme7,18. As extensões laterais tênues desta variante levam a uma grande dificuldade na delimitação das margens cirúrgicas desta lesão (Pequenos blocos tumorais arredondados e o padrão infiltrativo deste tumor, que explicasua maior agressividade clínica). Apresentam padrão infiltrativo de crescimento mal delimitado. Reação do estroma tende a ser esclerótica em vez de fibroblástica ou mixóide. O infiltrado perineural é mais comum nestas variantes de CBC. Elementos presentes nos subtipos menos agressivos como paliçada e área de retração são menos frequentes. As ilhas de tumor são menores e mais uniformes que as encontradas no CBC nodular e têm tamanhos aproximados de um bulbo folicular. (Arranjo em cordões estreitos e espiculados das células tumorais, a fibrose do colágeno entre os blocos tumorais e o caráter infiltrativo desta neoplasia. Seu aspecto histológico demonstra suas extensões subclínicas e sua agressividade). Apresentam padrão infiltrativo de crescimento mal delimitado. Reação do estroma tende a ser esclerótica em vez de fibroblástica ou mixóide. O infiltrado perineural é mais comum nestas variantes de CBC. Elementos presentes nos subtipos menos agressivos como paliçada e área de retração são menos frequentes. Ilhas pequenas e alongadas ou cordões de células tumorais, com apenas uma a duas células de largura, que se localizam na derme, entre feixes de colágeno esclerótico. OBS: CBC infiltrativo é caracterizado por pequenas ilhas espiculadas e irregulares de células basalóides que invadem toda a derme. Renata Bittar MEDICINA UNIT CARCINOMA EPIDERMOIDE/ESPINOCELULAR DE PELE Renata Bittar MEDICINA UNIT ÁREA BEM DIFERENCIADA Renata Bittar MEDICINA UNIT As células espinhosas têm contorno estriado dado pelas junções intercelulares ou desmossomos, indício de diferenciação celular Área bem diferenciada. As células imitam as camadas normais da epiderme, porém de forma anômala e desorganizada. Há clara diferenciação para células escamosas queratinizadas, que freqüentemente tomam arranjo concêntrico no interior dos blocos celulares, formando as pérolas córneas Renata Bittar MEDICINA UNIT Área menos diferenciada e infiltração da derme na profundidade. As células aqui formam blocos sólidos e se assemelham às células das camadas intermediárias da epiderme. Há desorganização da arquitetura em camadas e invasão da derme profunda. Na derme próxima ao tumor observa-se infiltrado inflamatório crônico inespecífico misto, onde predominam linfócitos, fibroblastos e eosinófilos. Renata Bittar MEDICINA UNIT O carcinoma epidermóide (isto é, semelhante à epiderme) é constituído por células que imitam as da epiderme normal, mas têm arquitetura desorganizada, pleomorfismo, atipias nucleares e mitoses típicas e atípicas. Em áreas melhor diferenciadas as células tentam imitar a epiderme normal, com poucas atipias e presença de corneificação. Na camada de Malpighi é possível observar desmossomos (organelas que mantêm as células unidas). Dão um aspecto estriado ou espinhoso ao contorno celular, daí o termo camada espinhosa. É comum a formação de queratina condensada no centro dos agrupamentos celulares, constituindo aspérolas córneas, indício de boa diferenciação do carcinoma epidermóide. Em áreas menos diferenciadas a corneificação é observada somente em células isoladas, ou mesmo é ausente. Há maior grau de atipias. O índice mitótico é maior, notando-se mitoses atípicas. Na que está documentada aqui, a placa metafásica é irregular, dispondo-se em mais de um plano. O grau de diferenciação histológica pode variar de uma área para outra do mesmo tumor. Habitualmente, o grau histológico de um carcinoma epidermóide é dado pelo maior grau encontrado nas várias áreas examinadas (variando de I a IV, sendo o I para o mais diferenciado e IV para o menos diferenciado), porque a área de maior grau histológico provavelmente tem o maior potencial agressivo (maior malignidade), independente de sua extensão. O tumor infiltra a derme na forma de lingüetas rombudas. Porém, as margens laterais e profunda do corte estão livres de neoplasia (notar que estão pintadas de preto com tinta nanquim; ver lâmina anterior para quadro a este respeito). O carcinoma epidermóide, como o carcinoma basocelular, é um dos tumores mais comuns da pele. Sua freqüência aumenta a partir da meia idade e predomina em pessoas de pele clara e em áreas da pele expostas ao sol, mas pode ocorrer em qualquer região cutânea. Ao contrário do carcinoma basocelular, que quase nunca dá metástases, o carcinoma epidermóide tende a metastatizar por via linfática para linfonodos próximos. Tumores mais agressivos podem também dar metástases hematogênicas a órgãos distantes (fígado e pulmão, por exemplo). http://anatpat.unicamp.br/lamneo10.html#NANQUIM Renata Bittar MEDICINA UNIT MELANOMA DE PELE PELE NORMAL Os melanócitos são células derivadas da crista neural. Caracterizam-se porcitoplasma claro, e geralmente contêm pouca melanina, pois injetam nos queratinócitos próximos a melanina que sintetizam (processo dito de secreção citócrina). Os melanócitos se localizam de forma espaçada entre os queratinócitos da camada basal da epiderme. Em geral, para cada 10 queratinócitos há um melanócito, mas a concentração é maior na porção apical dos cones epiteliais (fig. embaixo e à E.). O número de melanócitos varia nas diferentes regiões da pele, mas independe da raça; a diferença está na capacidade de produção de melanina. Transição para a pele normal Renata Bittar MEDICINA UNIT Parte Melanótica Parte Amelanótica Renata Bittar MEDICINA UNIT I - restrito à epiderme (melanoma in situ ) II - derme papilar III – derme papilar totalmente ocupada IV – derme reticular V - hipoderme Renata Bittar MEDICINA UNIT ÍNDICE DE BRESLOW • Espessura máxima do melanoma medida a partir da camada granulosa • Melanoma ulcerado medida a partir da base da úlcera Renata Bittar MEDICINA UNIT O melanoma é um tumor altamente maligno que se origina de melanócitos na camada basal da epiderme e infiltra a derme. A porção central do tumor é espessa e ulcerada, já que a epiderme foi destruída pela neoplasia. Esta região é chamada de área de crescimento vertical do tumor. Aí vemos uma área pigmentada (melanótica), onde as células neoplásicas produzem abundante melanina, e outra onde a melanina é escassa (área amelanótica). Pode haver casos em que não há produção de melanina em nenhuma parte do tumor (melanomas amelanóticos). Notar que a produção ou não de melanina não está relacionada ao prognóstico do melanoma. De cada lado da porção central, há uma região onde a epiderme ainda está preservada, mas as células neoplásicas crescem na junção dermo-epidérmica. É chamada área de extensão radial do tumor, e faz transição para a pele normal. Neste caso, as margens cirúrgicas estão livres de neoplasia. Núcleos hipercromáticos e citoplasma basófilo. O nucléolo é geralmente evidente e não raro eosinófilo. Há numerosas mitoses. Há uma região melanótica e outra amelanótica. Nesta última, as células neoplásicas produzem muito pouca ou nenhuma melanina. O aspecto das células no melanoma pode ser muito variável. Pode lembrar células epiteliais, imitando um carcinoma; podem ser células fusiformes, lembrando um sarcoma; podem ser arredondadas e com pouco citoplasma, sugerindo um linfoma, etc. Em casos de melanoma amelanótico indiferenciado o diagnóstico pode ser muito difícil na hematoxilina-eosina, particularmente se o tumor é metastático e não se sabe o local do primário. Nestes casos são utilizadas técnicas imunohistoquímicas para tentar demonstrar antígenos próprios do melanoma. Entre eles estão o HMB-45 e a proteína S-100 (presente em células originadas na cristaneural), entre outros. No melanoma, as células neoplásicas podem apresentar dois tipos de crescimento, radial e vertical. Na fase inicial, o crescimento é radial ou horizontal. As células crescem na junção dermo- epidérmica, como observado nas lesões chamadas lentigos (daí o termo padrão lentiginoso). Clinicamente a lesão é plana, não elevada. Esta fase pode durar muito tempo (até anos) sem que o tumor dê metástases. Com o tempo porém inicia-se a fase de crescimento vertical, em que as células infiltram tanto a epiderme acima, causando sua ulceração, como a derme mais profunda, atingindo vasos linfáticos e sanguíneos. A partir daí a ocorrência de metástases é praticamente certa. Clinicamente esta fase se caracteriza por aparecimento de um nódulo saliente na lesão que era plana, e corresponde à emergência de um clone de células mais agressivas (através de mutações gênicas, aberrações cromossômicas, etc.). A profundidade atingida pelas células neoplásicas quando do diagnóstico tem boa correlação com o prognóstico, por isso é medido pelos índices de Clark e de Breslow. Renata Bittar MEDICINA UNIT AMELOBLASTOMA MULTICÍSTICO Renata Bittar MEDICINA UNIT PADRÃO FOLICULAR PADRÃO PLEXIFORME Células anguladas e frouxas que são bastante semelhantes ao retículo estrelado do órgão do esmalte, essas, são circundadas por células colunares hipercromáticas exibindo polaridade reversa (semelhantes aos ameloblastos). Formação de microcistos em meio as células centrais, presença de uma ilha de células angulares frouxamente arranjadas circundadas por células cilíndricas e a formação de microcistos em meio as células centrais. Presença de cordões anastomosantes de células ameloblásticas que são delimitados por células colunares que circundam células angulares e frouxas. Basicamente é bem semelhante ao padrão folicular, o que diferencia é a anastomose das ilhas epiteliais formando longos cordões celulares. Células ameloblásticas exibindo uma porção central de células semelhantes ao retículo estrelado e uma porção periférica de células cilíndricas que lembram ameloblastos. Renata Bittar MEDICINA UNIT PADRÃO ACANTOMATOSO PADRÃO DESMOPLÁSICO PADRÃO DE CÉLULAS GRANULARES Ameloblastoma folicular que sofreu metaplasia escamosa, ou seja, suas células centrais se transformaram em ceratinócitos. Presença de ceratina no interior da ilhas. Presença de finos cordões (com o aspecto semelhante ao descrito no plexiforme) em um estroma densamente colagenizado. Cordões de células ameloblásticos se encontram mais finos e em menor quantidade (comparando ao padrão plexiforme) devido ao estroma de tecido conjuntivo bastante denso. Células claras e de citoplasma granular eosinofílico, as células periféricas são semelhantes aos ameloblastos (colunares altas). Presença de células com citoplasma claro e com conteúdo granular. Renata Bittar MEDICINA UNIT AMELOBLASTOMA UNICÍSTICO Apresenta 3 variantes: Luminal, Intraluminal e mural (ou intramural). A variante luminal é caracterizada pela presença de uma parede cística contendo células epiteliais ameloblásticas em sua superfície (ou seja, células semelhantes ao retículo estrelado e aos ameloblastos). No intraluminal, essa parede cística é observada invadindo o lúmen cístico, no entanto, não é observada qualquer invasão celular no tecido conjuntivo subjacente (capsula cística) ao epitélio ameloblástico. O padrão mural é considerado mais invasivo e clinicamente mais agressivo, pois nesse caso, há invasão de células lesionais no interior da cápsula de tecido conjuntivo. PADRÃO MURAL PADRÃO INTRALUMINAL PADRÃO LUMINAL Presença de ilhas ameloblásticas (padrão folicular) no interior da capsula cística. Na superfície também podemos notar o mesmo tipo de células. Invasão das células ameloblásticas (padrão plexiforme) para o interior do lúmen cístico. As células lesionais estão presentes na superfície do lúmen cístico. Camada basal de células cúbicas ou levemente cilíndricas com núcleos hipercromáticos e acima células frouxamente arranjadas (típico epitélio ameloblástico) Renata Bittar MEDICINA UNIT AMELOBLASTOMA PERIFÉRICO Células lesionais ameloblásticas (apresentando um padrão folicular plexiforme ou os outros menos comuns já comentados) localizadas na lâmina própria do tecido epitelial sobrejacente. Normalmente essas células ameloblásticas se ligam as células basais do epitélio, por isso, uma das teorias de patogênese do ameloblastoma seja a partir das células da camada basal do epitélio oral. Presença de células do epitélio odontogênico no tecido conjuntivo da mucosa oral. Ilhas células ameloblásticas em meio a um tecido conjuntivo contendo células fusiformes, ovoides e fibras colágenas. Renata Bittar MEDICINA UNIT ADENOMA PLEOMÓRFICO Arranjos das células com diferenciação epitelial formando lençois, cordões e estruturas ductiformes Células com diferenciação epitelial (seta escura) exibem citoplasma eosinófilico e revestem internamente as estruturas que lembram ductos glandulares. Na periferia desses, observase-se células com diferenciação mioepitelial contendo citoplasma claro (seta azul). Mais externamente nota-se áreas hialinizadas. Basicamente, se observa a proliferação de células com diferenciação epitelial, morfologia cuboide ou basaloide, arranjadas em lençóis, cordões e estruturas ductiformes. Na periferia dessas estruturas há células com diferenciação mioepitelial formando principalmente áreas mixoides, hialinas ou condroides. As células com diferenciação mioepitelial apresentam morfologia fusiforme, e plasmocitoide; e quando localizadas na periferia dos ductos, exibem citoplasma claro. O tumor apresenta cápsula de espessura variável, com áreas de invasão por projeções de células neoplásicas. Renata Bittar MEDICINA UNIT CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS Renata Bittar MEDICINA UNIT CARCINOMA MUCOEPIDERMOIDE À direita: baixo grau de diferenciação células mais claras e com citoplasma mais claro (mucosas) e células poligonais (epidermoides). Algumas estruturas em forma de ductos também podem ser observadas. ESQUERDA - CME de baixo grau - Grande quantidade de células mucosas (citoplasma claro) e uma menor quantidade de célula epidermóides e intermediárias. DIREITA - CME de alto grau - maior proporção de células epidermóides e intermediárias, além de atipia celular. As setas de coloração branca indicam uma célula intermediária (seta menor) e uma célula epidermoide (seta maior). A seta preta indica uma célula mucosa. Renata Bittar MEDICINA UNIT O CME é formado basicamente por três tipos celulares, as células mucosas, epidermóides e intermediárias. As células mucosas apresentam citoplasma claro e espumoso. Essas células se coram positivamente com colorações específicas, como o mucicarmim. As células epidermóides são semelhantes as escamosas do epitélio oral, apresentando formato poligonal e junções intercelulares. O terceiro tipo de célula, a célula intermediária apresenta forma variada que vai desde um aspecto basaloide, de núcleo pequeno, até células poligonais. Acredita-se que essas células são precursoras das mucosas e epidermóides. A partir de caraterísticas como a quantidade de formação cística, grau de atipia celular e aproporção do tipo celular, os tumores são classificados em alto, intermediário e baixo grau. As lesões de baixo grau apresentam um curso clínico mais brando e microscopicamente observamos uma maior quantidade de formação cística, pouca ou nenhuma atipia celular e uma maior proporção de células mucosas, demonstrandoum alto grau de diferenciação do tumor. Já nos tumores de alto grau, a formação cística e as células mucosas são vistas menos frequentemente. É visto um alto grau de atipia celular (pleomorfismo celular, muitas figuras de mitoses e mitoses atípicas). Muitas vezes o componente epidermoide é visto em tamanha quantidade que a lesão pode ser semelhante a um Carcinoma de células escamosas. O CME esclerosante é uma variante microscópica rara onde podemos observar intensa esclerose em meio as células tumorais. Quanto ao diagnóstico diferencial histopatológico, podemos citar lesões como o adenocarcinoma de células acinares e os cistadenomas, embora essas lesões não apresentem células mucosas e epidermóides em tamanha proporção quanto o mucoepidermóide. javascript:;