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GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 1 2 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR LENDO CARTAS E MAPAS: ENTENDENDO A CARTOGRAFIA BÁSICA E O GEOPROCESSAMENTO Cartografia "A Cartografia apresenta-se como o Conjunto de estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que, tendo por base os resultados de observações diretas ou da análise de documentação, voltam-se para elaboração de mapas, cartas e outras formas de expressão ou representação de objetos, elementos, fenômenos e ambientes físicos e socioeconômicos, bem como a sua utilização" O processo cartográfico, partindo da Coleta de dados, envolve estudo, análise, composição e representação de observações, de fatos, fenômenos e dados pertinentes a diversos campos científicos associados às superfícies terrestres. Da paisagem para o mapa Em Geografia, como vimos na Introdução, a observação da paisagem é o primeiro procedimento para a compreensão do espaço geográfico, seguido do registro do que foi observado – daí a importância do mapa. Em um mapa, os elementos que compõem o espaço geográfico são representados por pontos, linhas, texturas, cores e textos, ou seja, são usados símbolos próprios da Cartografia. Diante da complexidade do espaço geográfico, algumas informações são sempre priorizadas em detrimento de outras. Seria impossível representar todos os elementos (físicos, econômicos, humanos e políticos) num único mapa. Orientação espacial O ser humano sempre necessitou de referências para se orientar no espaço geográfico: um rio, um morro, uma igreja, um edifício, à direita, à esquerda, acima, abaixo, etc.; também, por muito tempo, orientou-se pelo Sol e pelas estrelas. Mas, para ter referências um pouco mais precisas, inventou os pontos cardeais e colaterais, como mostra a figura ao lado. A rosa dos ventos indica os pontos cardeais e colaterais e aparece no mostrador da bússola, que tem uma agulha sempre apontando para o norte magnético (veja a foto abaixo). Informações do mapa ƍ Além das coordenadas geográficas ou alfanuméricas (localização) e da indicação dos pontos cardeais (orientação), um mapa precisa ter: ƍ Título: informa os fenômenos representados; ƍ Legenda: mostra o significado dos símbolos utilizados; ƍ Escala: indica a proporção entre a representação e a realidade, e permite calcular as distâncias no terreno com base em medidas feitas no mapa. Fonte: Reprodução Mudeu de Bagda, Iraque. GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 3 Símbolos e convenções cartográficas Representação da Terra ƍ Os mapas correspondem à representação, aproximada, em um plano dos aspectos – geográficos, naturais, culturais e antrópicos - em proporção reduzida de toda superfície terrestre ou de parte dela. ƍ Para confecção de um mapa, é necessária a aplicação de um conjunto de procedimentos que visa relacionar os pontos da superfície terrestre a pontos correspondentes no plano de projeção (mapa). ƍ Estes procedimentos consistem em: ƍ Adotar um modelo matemático simplificado que melhor represente a forma da Terra; ƍ Projetar os elementos da superfície terrestre sobre o modelo de representação selecionado; ƍ Relacionar, através de um processo projetivo ou analítico, pontos do modelo matemático de referência ao plano de projeção, selecionando a escala e o sistema de coordenadas. A Forma da Terra ƍ A superfície terrestre é totalmente irregular, não existindo, até o momento, definições matemáticas capazes de representá-la sem deformá-la. ƍ O modelo que mais se aproxima da sua forma real, e que pode ser determinado através de medidas gravimétricas, é o geoidal. ƍ A forma da Terra se assemelha mais a um elipsóide, o raio equatorial é aproximadamente 23 km maior do que o polar, devido ao movimento de rotação em torno do seu eixo. ƍ Neste modelo, a superfície terrestre é definida por uma superfície fictícia determinada pelo prolongamento do nível médio dos mares, estendendo-se em direção aos continentes. Esta superfície pode estar acima ou abaixo da superfície topográfica, definida pela massa terrestre. Fonte:IBGE Geoide. Fonte:https://www.aprh.pt/rgci/glossario/geoide.html 4 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Representação Cartográfica Para representar a superfície terrestre em um plano, é necessário que se adote uma superfície de referência, que corresponda a uma figura matematicamente definida. O elipsóide de revolução, gerado por uma eclipse rotacionada em torno de eixo menor, é a figura geométrica que mais se aproxima da forma real da Terra. Para representações em escalas muito pequenas – menores do que 1:5.000.000 a diferença entre o raio equatorial e o raio polar apresenta um valor insignificante, o que permite representar a forma a Terra, em algumas aplicações, como uma esfera. Este modelo é bastante simplificado e o mais distante da realidade, pois os elementos da superfície terrestre apresentam-se bastante deformados em relação às suas correspondentes feições reais e à posição relativa. As projeções podem ser classificadas em conformes, equivalentes, equidistantes ou afiláticas, dependendo das propriedades geométricas presentes na relação globo terrestre/mapa-múndi. Além disso, podem ser agrupadas em três categorias principais, dependendo da figura geométrica empregada em sua construção: cilíndricas (as mais comuns), cônicas, azimutais ou planas. Projeção Cônica e Projeção Cônica de Albers Projeção Cilíndrica e Projeção Cilíndrica de Peters. Projeção Plana ou Azimutal e Projeção Plana Polar. Fonte:https://cienciahoje.org.br/artigo/nem-plana-nem-redonda-definir-a-forma-exata- da-terra-e-um-desafio/ Fonte: Internet Fonte: IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. Fonte: IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. Fonte: IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 5 Projeções conformes Projeção conforme é aquela na qual os ângulos são idênticos aos do globo, seja em um mapa-múndi, seja em um mapa regional. Nesse tipo de projeção, as formas terrestres são representadas sem distorção, porém com alteração do tamanho de suas áreas. Apenas nas proximidades do centro de projeção, neste caso o equador, é que se verifica distorção mínima. Quanto maior o distanciamento a partir dessa linha imaginária, maior é a distorção. Por essa razão, quando se utiliza esse tipo de projeção, geralmente só são reproduzidos os territórios situados até 80° de latitude. Projeção de Mercator é uma projeção conforme cilíndrica. Projeções equivalentes Num mapa-múndi ou regional com projeção equivalente, as áreas mantêm-se proporcionalmente idênticas às áreas do globo terrestre, embora as formas estejam de formadas em comparação com a realidade. Projeção de Miller é uma projeção equivalente cilíndrica. Projeção afilática Atualmente, é comum a utilização de projeções com menores índices de distorção para o mapeamento da superfície terrestre, como a de Robinson (observe o mapa abaixo). Essa projeção afilática não preserva nenhuma das propriedades de conformidade, equivalência ou equidistância, mas, em compensação, não distorce o planeta de forma tão acentuada como as projeções que vimos anteriormente; por isso, tem sido uma das mais utilizadas para mostrar o mundo em atlas escolares e mapas de divulgação. Projeção de Robinson é uma projeção afilática Projeção equidistantes A projeção equidistante mais comum é centrada em um dos polos, como podemos ver no mapa ao lado. No centro da projeção, pode-se situar a capital de um país, uma base aérea, a sede de uma empresa transnacional, etc. Entretanto, ela apresenta enormes distorções nas áreas e nas formas dos continentes, que aumentam com o afastamento do ponto central. Fonte:IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. Fonte:IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. Fonte:IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento deCartografia. Fonte:IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. 6 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Projeção Plana ou Azimutal e Projeção Plana Polar. Escala Inicialmente, é importante fazer uma distinção entre escala geográfica e escala cartográfica. A escala cartográfica e suas relações matemáticas vamos perceber sua permanente relação com a escala geográfica. Por exemplo, a análise de fenômenos locais necessita de plantas em escala grande, já a análise de fenômenos mundiais exige mapas em escala pequena. Ou seja, quanto maior a escala de análise geográfica, menor a escala cartográfica, e vice-versa. Tipos de produtos cartográficos ƍ Os mapas podem ser classificados em topográficos (ou de base) e temáticos. ƍ Num mapa topográfico, representa-se a superfície terrestre o mais próximo possível da realidade, dentro das limitações impostas pela escala pequena. Na carta topográfica, feita em escala média ou grande, há mais precisão entre a representação e a realidade. Fonte:IBGE, Diretoria de Geociências, Departamento de Cartografia. Brasil em escala cartográfica e numérica. Fonte: http://ead.bauru. sp.gov.br/efront/www/content/lessons/43/CARTOGRAFIA.pdf Mapa de relevo com curvas de nível. Trecho de carta Recife. Fonte:IBGE. Legenda da carta Recife. Fonte: IBGE GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 7 Trecho de carta Recife Mapa temático Um mapa temático contém informações selecionadas sobre determinado fenômeno ou tema do espaço geográfico: naturais – geologia, relevo, vegetação, clima, etc. – ou sociais – população, agricultura, indústrias, urbanização, etc. Nesse tipo de mapa, a precisão planimétrica ou altimétrica tem importância menor; as representações quantitativa e qualitativa dos temas selecionados são mais relevantes. Sistemas de Coordenadas Terrestres ƍ Para o elipsóide, é empregado o sistema de coordenadas geodésicas. Por fim, para o plano pode ser empregado um sistema de coordenadas cartesianas ou planas (x,y) e topográficas locais. ƍ O globo terrestre pode ser dividido por uma rede de linhas imaginárias que permitem localizar qualquer ponto em sua superfície. Essas linhas determinam dois tipos de coordenada: a latitude e a longitude, que, em conjunto, são chamadas de coordenadas geográficas. Num plano cartesiano, como você já deve ter aprendido ao estudar Matemática, a localização de um ponto é determinada pelo cruzamento das coordenadas x e y; numa esfera, o processo é semelhante, mas as coordenadas são medidas em graus. Legenda com hipsometria (altitude) da carta Recife. Fonte:IBGE. Mapa temático. Fonte: Serviço Veterinário 8 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Paralelos - Latitude Meridianos - Longitude Como referência, convencionou-se internacionalmente adotar como meridiano 0° o que passa pelo Observatório Real de Greenwich, nas proximidades de Londres (Inglaterra), e o meridiano oposto, a 180°, foi chamado de “antimeridiano”. ƍ Esses meridianos dividem a Terra em dois hemisférios: ocidental, a oeste de Greenwich, e oriental, a leste. Assim, os demais meridianos podem ser identificados por sua distância, medida em graus, ao meridiano de Greenwich. Essa distância é a longitude e varia de 0° a 180° tanto para leste (E) quanto para oeste (W). ƍ A partir do equador, podemos traçar círculos paralelos que, à medida que se afastam para o norte ou para o sul, diminuem de diâmetro. A latitude é a distância em graus desses círculos, chamados paralelos, em relação ao equador, e varia de 0° a 90° tanto para o norte (N) quanto para o sul (S). Fonte: IBGE Fonte: IBGE Observatório Real de Greenwich. Fonte: Heitor Salvador Fonte: http://www.dpi.inpe.br/spring/usuario/cartogrf.htm#projecoes Fonte: http://www.dpi.inpe.br/spring/usuario/cartogrf.htm#projecoes GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 9 ƍ O trópico de Câncer e o trópico de Capricórnio são linhas imaginárias situadas à latitude aproximada de 23° N e de 23° S, respectivamente. Os círculos polares também são linhas imaginárias, situadas à latitude aproximada de 66° N e de 66° S. Na figura, o círculo polar Antártico não aparece por causa da posição da representação da Terra. ƍ Conhecer apenas a latitude de um ponto, porém, não é suficiente para localizá-lo. Se procurarmos, por exemplo, um ponto a 20° ao sul do equador, encontraremos não apenas um, mas inúmeros pontos situados ao longo do paralelo 20° S. Por isso, é necessária uma segunda coordenada que nos permita localizar um determinado ponto. ƍ Para determinar a segunda coordenada, a longitude, foram traçadas linhas que cruzam os paralelos perpendicularmente. Se procurarmos, por exemplo, um ponto de coordenadas 51° N e 0°, será fácil encontrá-lo: estará no cruzamento do paralelo 51° N com o meridiano 0°. Consultando um mapa, verificaremos que esse ponto está muito próximo do Observatório de Greenwich, na Inglaterra. ƍ Para localizar com exatidão um ponto no território, indicam-se as medidas em graus (°), minutos (’) e segundos (”). As coordenadas geográficas do Observatório de Greenwich, por exemplo, são 51° 28’ 38’’ N e 0° 00’ 00’’. Perceba que, sem a latitude, é possível identificarmos o meridiano de Greenwich, mas não o observatório inglês que foi utilizado como referência para a definição do meridiano zero. ƍ Também podemos utilizar as coordenadas alfanuméricas para localizar algo em um mapa ou em uma planta. Elas não são tão precisas como as coordenadas geográficas, mas auxiliam na localização de elementos da paisagem, como uma rua, uma praça, um teatro, uma estação de trem ou de ônibus, na planta de uma cidade. Exemplo: Mapas turísticos. Mapa turístico do centro de São Paulo Fonte: http://www.dpi.inpe.br/spring/usuario/cartogrf.htm#projecoes Fonte:IBGE Atrativos turísticos. Fonte: Cidade de São Paulo, mapa Centro Bom Retiro. http://cidadedesaopaulo.com/v2/institucional/downloads-landing-page/ 10 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Fuso horário As horas mudam, uma a uma, à medida que passamos de um fuso a outro. No entanto, como as linhas que os delimitam atravessam várias unidades político-administrativas, os países fizeram adaptações, estabelecendo, assim, os limites práticos dos fusos. Com a adoção dos limites práticos, em alguns territórios, os fusos podem medir mais ou menos que os tradicionais 15°, como se pode verificar no mapa desta página. Observe que as horas aumentam para leste e diminuem para oeste, a partir de qualquer referencial adotado. Isso ocorre porque a Terra gira do oeste para o leste. Como o Sol nasce a leste, à medida que nos deslocamos nessa direção. Linha internacional da mudança da data A Linha Internacional da Data é uma linha imaginária localizada nos extremos leste e oeste do planeta a qual marca a mudança da data. Ela está localizada no chamado antimeridiano de Greenwich, ou seja, no ponto 180° de longitude terrestre. A sua história está atrelada à necessidade do estabelecimento de um marco para a passagem dos dias. O seu funcionamento se relaciona à mudança da data. Sendo assim, essa linha possui fundamental importância para a definição dos fusos horários e dos calendários civis. A Linha Internacional da Data serve para marcar a mudança de data por meio do estabelecimento de uma linha imaginária de passagem entre um dia e FUSOS HORÁRIOS Fonte: IBGE outro. Sendo assim, ela auxilia na demarcação dos calendários e na operacionalização dos fusos horários. A sua função é predominantemente política, sendo fundamental para o desenvolvimento de diversas atividades civis. Quem disse que não é possível voltar no tempo? Voo que decola de Tóquio, nas primeiras horas de 2019, cruza Linha Internacional da Data e pousa em Los Angeles na tarde do dia 31 de dezembro 2018. GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 11 ENTENDENDO O GEOPROCESSAMENTO Sensoriamento Remoto Sensoriamento remoto é o conjunto de técnicas de captação e registro de imagens à distância, sem contatodireto com o elemento registrado, por meio de diferentes tipos de sensor. O olho humano é um tipo de sensor e serviu de referência para a construção de sensores eletrônicos que equipam satélites, por exemplo. Em qualquer tipo de sensor, as imagens são captadas por meio da radiação eletromagnética que se situa entre o espectro visível e o de micro-ondas. Isso também se aplica a fotografia e a fotogrametria. Sensoriamento Remoto O espectro eletromagnético é a distribuição da intensidade da radiação eletromagnética com relação ao seu comprimento de onda ou frequência. Como se observa no esquema ao lado, entre todas as ondas do espectro da radiação eletromagnética, os raios gama são os que apresentam a maior frequência e o menor comprimento. Os sensores podem ser passivos ou ativos. Sensor passivo Um sensor é considerado passivo quando só recebe radiação, como as máquinas fotográficas e os imageadores que equipam a maioria dos satélites; e é considerado ativo quando emite ondas e as recebe de volta, como o radar. A energia solar é refletida pela superfície da Terra como ondas de calor, que podem ser captadas por sensores de satélites, e como ondas visíveis em cores, que podem ser fotografadas por câmeras acopladas a aeronaves, registrando, assim, seus elementos naturais e sociais. Funcionamento da imagem no olho humano. Fonte: Mundo da educação Espectro eletromagnético. Fonte: INFORMATICA.HSW.UOL.COM.BR O sensor ótico tem funcionamento similar ao olho humano. Fonte: https://blog.emania.com.br/sensor-de-imagem/ Tipos de sensores Fonte:https://www.geografiaopinativa.com.br/2019/07/ sensoriamento-remoto-definicao-e-principios.html 12 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Uma ortofoto é uma fotografia que mostra imagens de objetos em suas posições ortográficas verdadeiras. As ortofotos são geometricamente equivalentes a mapas convencionais planimétricos de linhas e símbolos, os quais também mostram as posições ortográficas verdadeiras dos objetos. Sensor ativo Existe, ainda, outra possibilidade de sensoriamento remoto: um radar acoplado a um avião ou satélite emite micro-ondas, que são refletidas de volta pela Terra, permitindo o registro de sua superfície pelo mesmo equipamento, como ilustra o esquema abaixo. As micro-ondas sofrem menos interferência das nuvens do que as ondas do espectro visível e infravermelho, possibilitando fazer imagens de radar mesmo em dias nublados ou à noite, algo impossível para sensores passivos. O LIDAR (Light Detection and Ranging) é um sensor remoto ativo a bordo de plataformas (tripuladas ou não tripuladas) e um método direto de captura de dados, ele possui sua própria fonte de energia, neste caso, uma fonte de luz, o laser. O LIDAR emite feixes de laser na banda do infravermelho próximo (IV) e é capaz de modelar a superfície do terreno tridimensionalmente. Embora as primeiras imagens aéreas da superfície da Terra tenham sido tiradas de balões, ainda no século XIX, o sensoriamento remoto só se desenvolveu a partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a utilização de aviões. O levantamento aerofotogramétrico é um dos métodos Satélite passivo. Fonte:http://parquedaciencia.blogspot.com/2013/07/como- funciona-e-para-que-serve-o.html Ortofoto. Fonte:https://blog.droneng.com.br/ortofotomosaico- verdadeiro-e-convencional-entenda-a-diferenca/ Exemplo de sensoriamento remoto ativo. Fonte: FITZ, Paulo Roberto. Geoprocessamento sem complicação. Exemplo de satélite ativo com LASER.Fonte: Projeção artística do ICESat2, da NASA (Foto: NASA). Imagem infravermelha com perdas agrícolas Imagem LIDAR. Fotografia Aérea. Fonte:http://www.dsr.inpe.br/DSR/areas-de-atuacao/sensores-plataformas/lidar GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 13 No mapa, quanto mais afastadas as curvas de nível, menor é a declividade, isto é, menos íngreme é o terreno. Ao contrário, quanto mais próximas as curvas, maior é a declividade do local. O LANDSAT-1 foi o primeiro satélite e também o primeiro desenvolvido para atuar diretamente em pesquisas de recursos naturais, foi lançado em 1972 e denominado ERTS-1 ou LANDSAT-1. Foi o primeiro satélite de sensoriamento remoto no mundo e levou duas câmeras bordo. Operou por um período de cinco anos, adquirindo mais de 300.000 imagens, com repetidas coberturas da superfície da Terra. Até hoje foram lançados 8 satélites da série, todos com imagens multiespectrais. utilizados para o mapeamento da superfície terrestre. O voo fotogramétrico é realizado por uma aeronave, na qual é acoplada uma câmera fotogramétrica que cobre toda a área a ser mapeada. Para obter uma cobertura completa do terreno a ser representado, as fotografias aéreas são tomadas de modo sobreposto. Com o auxílio de um aparelho fotogramétrico, realiza-se a restituição, processo de confecção do mapa, através de um modelo tridimensional. Atualmente, as fotos aéreas são feitas com câmeras digitais, e os equipamentos de restituição e produção de imagens são computadorizados, o que contribui para deixar o processo mais rápido e mais preciso, além de mais barato. Curvas de nível Em cartografia, as curvas de nível são representações do relevo produzidas através da utilização de linhas imaginárias (chamadas de linhas altimétricas, quando na superfície, e linhas batimétricas, quando abaixo do nível do mar). Elas possuem o mérito de representar em uma superfície plana os desníveis e a declividade topográfica. Fotografia aérea realizada por avião. Fonte:http://www.geografia.seed. pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=1066&evento=1#menu- galeria. Fotografia aérea realizada por drones o aviões não tripulados Fonte: Retirado da internet. Novas tecnologias para levantamento topográfico. Fonte:https://www. lojadoplotter.com.br/blog/2016/10/impressao-de-curvas-de-nivel-em- plotter.html Representação de um perfil topográfico em curvas de nível . Imagem de satélite. Fonte:https://brasilescola.uol.com.br/geografia/curvas-nivel.htm 14 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR CBERS - Programa brasileiro O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite ou Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) foi implantado em 1988 após parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), num convênio técnico-científico binacional envolvendo Brasil e China. CBERS-1 (lançado em 1999 e inativo desde 2003), o CBERS-2 (lançado em 2003 e inativo desde 15 de Janeiro de 2009, período em que produziu 175 mil imagens), CBERS-2B (lançado em 2007 e operante até o início de 2010), CBERS-3 (lançado em 2013 e perdido no lançamento devido a falhas do veículo lançador) e o CBERS-4 lançado em dezembro de 2014. Missão Amazônia A Missão Amazônia irá fornecer dados (imagens) de sensoriamento remoto para observar e monitorar o desmatamento especialmente na região amazônica e, também, a diversificada agricultura em todo o território nacional com uma alta taxa de revisita, buscando atuar em sinergia com os programas ambientais existentes. Imagem de satélite A utilização de satélites para sensoriamento remoto apresenta outra grande vantagem: a de registrar a sequência de eventos ao longo do tempo. Imagens de uma mesma área podem ser registradas em intervalos regulares, o que permite acompanhar a ocorrência de muitos fenômenos e monitorar riscos. Um dos exemplos mais conhecidos da utilização de imagens de satélites é a previsão do tempo. Satélites meteorológicos captam imagens das massas de ar, visíveis por meio das formações de nuvens, em intervalos regulares de tempo. Tempo de atividade dos LANDSAT. Fonte:https://adenilsongiovanini. com.br/blog/landsat/ Imagem do Landsat Composição colorida mostrando a região metropolitana do Rio de Janeiro e seu entorno. Fonte:https://www.gov.br/mcti/pt-br/ acompanhe-o-mcti/noticias/2021/03/inpe-mcti-divulga-as- primeiras-imagens-do-amazonia-1 Cor verdadeira mostrando o reservatóriode Sobradinho, Rio São Francisco, e seu entorno.Fonte:https://www.gov.br/mcti/pt-br/ acompanhe-o-mcti/noticias/2021/03/inpe-mcti-divulga-as- primeiras-imagens-do-amazonia-1. GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR 15 Sistema de posicionamento por satélite Um sistema global de posicionamento e navegação é composto de três segmentos: ƍ Espacial: constelação de satélites em órbita da Terra; ƍ Controle terrestre: estações de monitoramento e antenas de recepção na superfície; ƍ Usuários: aparelhos receptores móveis ou acoplados a veículos terrestres, aéreos ou aquáticos. ƍ Sistemas: GPS - Global Positioning System dos EUA. O Glonass-Global Navigation Satellite System, Russo. O Galileo - União Europeia. E o Compass ou Beidou-2, da China. Sistema de informação geográfica - SIG Um sistema de informações geográficas (SIG) é composto de uma rede de equipamentos (hardware) e de programas (software) que processam dados georreferenciados, isto é, situados no território, localizados por coordenadas geográficas e identificados por GPS. Entretanto, o mais importante nesse sistema são as pessoas: os técnicos que alimentam o banco de dados, processando-os e produzindo informações a partir deles, assim como os usuários finais que utilizam essas informações para tomada de decisões. Os SIG permitem coletar, armazenar, processar, recuperar, correlacionar e analisar diversos dados espaciais, a partir dos quais são produzidas informações geográficas expressas em mapas, gráficos, tabelas, etc. Imagem de satélite sendo utilizada para previsão do tempo. Fonte INPE/CPTEC Funcionamento do sistema de geolocalização por satélite Fonte:www. institutopristino.com. acesso em maio de 2021 Camada (layers) do sistema de informação geográfica (SIG) Constelação de satélite de posicionamento global. FONTE:https://www. researchgate.net/figure/FIGURA-2-Conceito-da-correcao-diferencial-em- tempo-real-adaptada-de-MORGAN-ESS_fig1_262711771 16 GEOGRAFIA COM HEITOR SALVADOR Principais SIG Tela com software de geoprocessamento. Fonte: QGIS