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SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 1
2 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
RACISMO, EXCLUSÃO E 
REPRESENTATIVIDADE
SILVIO ALMEIDA E O RACISMO 
ESTRUTURAL / DJAMILA RIBEIRO E O 
LOCAL DE FALA
O não ouvir é a tendência a permanecer 
num lugar cômodo e confortável daquele 
que se intitula poder falar sobre os Outros, 
enquanto esses Outros permanecem 
silenciados.
Djamila Ribeiro
SILVIO ALMEIDA 
Nascido em 1976, é advogado, 
filósofo e professor universitário 
paulista, conhecido por 
tratar de questões sobre 
desigualdades e minorias 
sociais na perspectiva jurídica, atentando ao papel dos 
poderes e da educação e a atuação policial. No campo 
acadêmico, formou-se em Direito pela Universidade 
Presbiteriana Mackenzie (1999) e em Filosofia pela 
Universidade de São Paulo (2011), é mestre em Direito 
Político e Econômico e doutor em Filosofia e Teoria 
Geral do Direito. Tem influência teórica de autores 
como Sartre e György Lukács. Além de presidir o 
Instituto Luiz Gama, publicou as obras “Racismo 
Estrutural” (2019), “Sartre: Direito e Política” (2016) e 
“O Direito no Jovem Lukács: A Filosofia do Direito em 
História e Consciência” (2006). 
Surgimento do conceito de Raça
A partir das reflexões de Silvio Almeida (2018), 
é possível entender que o conceito de raça como 
entendemos hoje, foi criado não pela natureza, mas 
sim pela sociedade (branca) — que, nos seus moldes, 
não possui raça —, forjando interesses de dominação e 
exploração dos “inferiores”, os racializados. No Brasil, 
o termo racializado se aplicaria aos afrodescendentes, 
quilombolas e indígenas, além de imigrantes “não-
brancos”, como árabes, africanos e até latinos; 
tratando-se, portanto, de um conceito político, social 
e mental de alteridade. 
Surgida na modernidade, a ideia de raça foi 
desenvolvida com base nos ideais iluministas, no 
colonialismo e escravidão, bem como o surgimento do 
Estado, do Direito e da própria Educação formal; dessa 
forma, percebe-se como tais fatores são estruturais e 
também estruturantes do racismo. Dito isso, Almeida 
(2016; 2018) reforça que a identificação com a raça 
pode se manifestar como um conjunto de fenótipos 
e características biológicas ou um sentimento de 
pertencimento; sendo também, por sua construção, 
um conceito atrelado a um momento histórico (tempo, 
local e contexto) e, consequentemente, mutável.
Para Mbembe (2017), a raça foi inventada para 
satisfazer a superioridade dos brancos, não passando 
de uma projeção ideológica, que cria o racismo 
e estrutura um imaginário social responsável 
pelo fortalecimento de narrativas e discursos que 
animalizam as pessoas negras, tidas como “outro”, 
uma figura vazia e pré-humana.
Racismo Estrutural e Educação
Almeida (2018) entende que se não fosse a educação, 
não existiria o racismo, pois ela o naturaliza e o 
reproduz, devendo ser entendida, antes de tudo, 
como um projeto político. Partindo do princípio 
que o racismo corresponde a todo um processo 
para reproduzir e manter a desigualdade, através 
SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 3
O QUE É LOCAL DE FALA?
O lugar social não determina uma 
consciência discursiva sobre esse lugar. 
Porém, o lugar que ocupamos socialmente 
nos faz ter experiências distintas e outras 
perspectivas.
Djamila Ribeiro
Em suas obras, Djamila (2017) discorre 
sobre qual é o lugar de fala da 
mulher negra e sobre seu 
silenciamento ao longo da 
história, inclusive dentro 
dos próprios movimentos 
feministas que negaram e 
ainda negam a importância de um 
debate intersecional que considere 
questões raciais e socioeconômicas.
Assim, o “lugar de fala” está relacionado ao “não-
espaço” ocupado pelos grupos marginalizados 
na sociedade, as minorias. Tal situação é, por sua 
vez, resultado de uma hierarquização construída 
e legitimada por séculos, que faz com que a 
participação política, os conhecimentos, saberes e 
vozes dos “grupos inferiores” sejam estruturalmente 
silenciados e colocados num lugar marginal. 
Em contrapartida, a ideia do lugar de fala tem 
como objetivo oferecer visibilidade a sujeitos cujos 
pensamentos foram desconsiderados, enfatizando a 
importância da vivência e do caráter subjetivo para o 
debate e construção de novas cosmovisões sobre um 
determinado tema.
da construção de condições objetivas e subjetivas, a 
Educação corrobora a sua manutenção por se utilizar 
das estratégias de naturalização das desigualdades.
Carvalho (2016) destaca que, apesar das cotas serem 
um avanço por abrir as portas à população negra 
e indígena à universidade, os currículos seguem 
reproduzindo os saberes eurocêntricos e racistas. 
Assim, a Educação formal, enquanto instituição, coloca 
o conhecimento branco, o homem branco e o estilo 
de vida branco e colonizador como padrão natural 
e ideal. Na maioria das universidades brasileiras, 
por exemplo, a epistemologia que predomina é a 
ocidental-europeia, nutrindo a hierarquização e 
preconceitos com a colonialidade do poder.
(CARBONIERI, 2016)
Um detalhe: ainda que existam cotas para as populações 
negras e indígenas nas universidades, não existem 
cotas raciais no Brasil (são subcotas), pois são ofertadas 
apenas cotas econômicas, baseadas na renda. 
DJAMILA RIBEIRO 
Filha de empregada doméstica, 
a filósofa, feminista negra e 
escritora, é pesquisadora e 
mestra em Filosofia Política 
pela Universidade Federal 
de São Paulo, tornando-se 
conhecida no país por seu 
ativismo na Internet, que 
hoje soma 1,2 milhões de 
seguidores só no Instagram. Atualmente, é colunista 
do jornal Folha de S. Paulo, ministra aulas na PUC-SP e 
consultora de diversas marcas e programas da mídia. 
Em 2016, foi nomeada secretária-adjunta de Direitos 
Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo.
Considerada pela ONU uma das 100 pessoas mais 
influentes do mundo abaixo de 40 anos, é autora das 
obras como “O que é Lugar de fala?” (2017), “Quem 
tem medo do feminismo negro?” (2018) e “Pequeno 
Manual Antirracista” (2019), que venderam, juntos, 
mais de 500 mil exemplares no país. Também 
criou o Selo Sueni Carneiro, que publica livros de 
autores negros com preços mais acessíveis. Em 
2021, Djamila Ribeiro se tornou a primeira pessoa 
brasileira a ser laureada no BET Awards, o maior 
prêmio da comunidade negra estadunidense, sendo 
consagrada na categoria Global Good.
4 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
Segundo Ponchirolli (2020), “ao tratarmos de 
assuntos específicos a um grupo, como racismo e 
machismo, pessoas negras e mulheres possuem, 
respectivamente, lugar de fala. Isto é, podem oferecer 
uma visão que pessoas brancas e homens podem 
não ter. Desse modo, o microfone é passado para as 
pessoas que realmente vivenciam aquela realidade”.
Tal fala não significa que outros grupos não possam 
participar do debate, mas reforçam que, para torná-
lo mais justo, é necessário abrir espaço para uma 
“escuta silenciosa”, onde o diálogo é equilibrado 
entre os grupos historicamente oprimidos e os 
grupos privilegiados. Como diria Giselle Marques, 
Coordenadora Regional da Rede Estadual de 
Afroempreendedorismo em Santa Catarina, citada 
por Ponchirolli (2020),
O lugar de fala traz, na sua essência, a 
consciência do papel do indivíduo nas 
lutas, criando uma lucidez de quando 
você é o protagonista ou coadjuvante 
no cenário de discussão. (...) Traz uma 
liberdade para cada grupo se reconhecer 
e entender em qual espaço se encontra 
conforme o processo de organização e 
falar com propriedade a partir dele.
EXERCÍCIOS
1. (UECE 2019)
SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 5
Atente para as seguintes informações sobre o texto:
I. Trata do posicionamento de dois autores (Djamila 
Ribeiro e Antônio Prata) acerca do racismo e de 
suas implicações.
II. Apresenta o negro e o branco como opostos em 
um sectarismo prejudicial aos brancos, porque 
estes perdem privilégios.
III. Afirma que a falta de diversidade na literatura e no 
cinema é prejudicial para o crescimento do Brasil.
É correto o que se afirma somente em
a) II.
b) I e II.
c) III.
d) I e III.
2. O feminismo negro nãoé uma luta meramente 
identitária, até porque branquitude e masculinidade 
também são identidades. Pensar feminismos negros 
é pensar projetos democráticos. Hoje afirmo isso 
com muita tranquilidade, mas [5] minha experiência 
de vida foi marcada pelo incômodo de uma 
incompreensão fundamental. Não que eu buscasse 
respostas para tudo. Na maior parte da minha 
infância e adolescência, não tinha consciência de 
mim. Não sabia por que sentia vergonha de levantar 
a mão quando a professora fazia uma [10] pergunta 
já supondo que eu não saberia a resposta. Por que eu 
ficava isolada na hora do recreio. Por que os meninos 
diziam na minha cara que não queriam formar par com 
a “neguinha” na festa junina. Eu me sentia estranha e 
inadequada, e, na maioria das vezes, fazia as coisas no 
[15] automático, me esforçando para não ser notada.
Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?.
 
O trecho que melhor define a “incompreensão 
fundamental” (L.6) referida pela autora é:
a)“não que eu buscasse respostas para tudo” (L.6‐7). 
b) “não tinha consciência de mim” (L.8).
c) “Por que eu ficava isolada na hora do recreio” (L.10-11).
d) “me esforçando para não ser notada” (L.15).
e) “sentia vergonha de levantar a mão” (L.8-9).
3. EUMA 2021) Leia o texto a seguir para responder à 
questão. 
Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas 
ninguém acha que é racista, diz Djamila Ribeiro
 
Em entrevista à BBC News Brasil, a autora do Pequeno 
Manual Antirracista diz o que deve ser feito por quem 
quer combater o racismo e sobre o papel dos pais 
na educação antirracista de seus filhos. Segundo 
a escritora: "Não basta só reconhecer o privilégio, 
precisa ter ação antirracista de fato. Ir a manifestações 
é uma delas, apoiar projetos importantes que visem à 
melhoria de vida das populações negras é importante, 
ler intelectuais negros, colocar na bibliografia. Quem a 
gente convida para entrevistar? Quem são as pessoas 
que a gente visibiliza?"
Djamila Ribeiro é mestre em filosofia política 
pela Unifesp e uma das vozes mais influentes do 
movimento pelos direitos das mulheres negras no 
Brasil. Ela está na lista da BBC de 100 mulheres mais 
influentes e inspiradoras do mundo.
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/brasil (Adaptado)
A fala da escritora Djamila Marques, citada no texto, 
é encerrada com duas interrogativas que corroboram 
seu argumento contra o racismo.
As interrogativas retóricas, em relação ao argumento, 
produzem no texto, um sentido de
a) retificação, ao denunciar a presença de 
personalidades negras em programas de entrevista.
b) ratificação, ao retratar, equanimemente, o acesso 
de brancos e de negros nos meios de comunicação.
c) negação, ao destacar a ausência de uma postura 
racista em eventos de maior visibilidade social. 
d) indefinição, ao sugerir, de modo vago, os indivíduos 
sociais ausentes na mídia brasileira.
e) reiteração, ao chamar a atenção para a invisibilidade 
de pessoas negras na sociedade.
4. (UECE 2021) Nos últimos anos, uma expressão 
conceitual passou a ser bastante difundida e discutida 
publicamente para tratar da discriminação racial: 
6 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
racismo estrutural. Sílvio Almeida, jurista e filósofo, em sua obra sobre esta conceituação, procura demonstrar 
como o racismo na sociedade brasileira, por exemplo, é naturalizado e/ou normalizado, e está incrustado nas 
relações sociais cotidianas.
ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. São Paulo: Sueli Carneiro/Pólen, 2019.
Afirmar que “o racismo é estrutural” significa dizer que o racismo
a) é uma decorrência da própria estrutura social, que é constituída pelas relações políticas, econômicas e 
culturais.
b) está incorporado na Constituição brasileira, que submete os negros à inferioridade.
c) existe devido à estrutura fisiológica das raças, embora se saiba que as diferenças culturais são diversas das 
diferenças biológicas.
d) está na subjetividade das pessoas que, sem a devida orientação mental, discriminam negros de brancos.
5. (FCC 2018) Leia o texto abaixo para responder a questão.
(Adaptado de: Entrevista de Achille Mbembe a Séverine Kodjo-Grandvaux. Trad. de C.F., Novo Jornal, 17 jan. 2014, p. 7)
Em resposta à segunda pergunta, Achille Mbembe
SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 7
a) ilustra, por meio da comparação com o apartheid, 
uma consequência cultural da discriminação norte-
americana, que culminou nos desastres do 11 de 
Setembro, acirrando ainda mais disputas de caráter 
colonialista.
b) compara o apartheid ao que ocorre no mundo 
atualmente, em função de uma política orquestrada 
pelos Estados Unidos, a qual se contrapõe ao sonho 
de uma comunidade em que ninguém seja visto como 
estrangeiro.
c) refere-se às decorrências do 11 de Setembro, em 
termos de política de segurança antiterrorismo, como 
repetição de um mesmo mecanismo segregacionista 
semelhante ao apartheid.
d) critica a política externa norte-americana que, 
após o 11 de Setembro, passou a intensificar a 
vigilância discriminatória contra negros imigrantes, 
provenientes de outras matrizes culturais, daí a 
expressão “racismo sem raça”.
e) aponta para a série de acontecimentos desencadeados 
pelo 11 de Setembro, que rompeu com o sonho norte-
americano, relacionado visceralmente ao apartheid, 
de não haver estrangeiros nos Estados Unidos. 
6. (UNICAMP 2021) Lélia Gonzalez (1935–1994) 
teve um papel pioneiro na criação de uma teoria do 
feminismo negro brasileiro. O momento mais intenso 
de sua militância ocorreu durante a Ditadura Militar 
(1964–1985), que coibiu a organização política da 
sociedade civil. A Lei de Segurança Nacional, de 
setembro de 1967, estabelecia que era crime “incitar 
publicamente ao ódio ou à discriminação racial”. 
O que, na verdade, poderia ser usado contra o 
movimento negro, uma vez que denunciar o racismo 
e expor o mito da democracia racial poderia ser 
considerado uma ameaça à ordem social, um estímulo 
ao antagonismo e uma incitação ao preconceito.
(Adaptado de Raquel Barreto, “Memória – Lélia Gonzalez”. Revista 
Cult 247. São Paulo, julho, 2019. Disponível em https://revistacult.
uol.com.br/home/ leliagonzalez-perfil/. Acessado em 01/05/2020.)
A partir do excerto sobre Lélia Gonzalez e seu contexto 
histórico, assinale a alternativa correta.
a) A Ditadura Militar perseguiu o feminismo negro 
no Brasil por ele pregar a supremacia das mulheres 
negras.
b) A Ditadura Militar criou mecanismos para recolher 
denúncias contra a discriminação e combater o 
racismo estrutural no país.
c) A Lei de Segurança Nacional criou instrumentos 
jurídicos que possibilitavam a criminalização de 
denúncias contra o racismo.
d) A Lei de Segurança Nacional possibilitou a harmonia 
das relações étnico-raciais e a igualdade de gênero no 
Brasil.
7. (FUNDATEC 2019) Sobre a interseccionalidade e a 
perspectiva do feminismo interseccional, importante 
tema que permeia o trabalho do(a) assistente social 
com as diferentes expressões da questão social, 
analise as assertivas abaixo:
I. O feminismo interseccional é uma abordagem 
teórica que tem sido utilizada por muitas teóricas 
negras feministas.
II. O cruzamento entre raça e gênero, tal qual 
formulado pela abordagem interseccional, ainda 
é periférico na produção do Serviço Social.
III. A perspectiva do feminismo interseccional permite 
a ampliação do olhar sobre específicas opressões 
vivenciadas pelas mulheres, cujas identidades e 
experiências sociais são marcadas por exclusivos 
marcadores sociais de gênero e raça/etnia.
IV. A proposta do feminismo interseccional possibilita 
uma análise dos marcadores sociais de gênero e 
de raça/etnia através do seu entrecruzamento, 
não sendo vistos de forma isolada, ou através de 
uma visão somatória ou aditiva de opressões.
Quais estão corretas?
a) Apenas I e II.
b) Apenas II e IV.
c) Apenas II e III.
d) Apenas I, II e III.
e) Apenas I, II e IV.
Gabarito: 
1. D 5. C
2. B 6. C
3. D 7. E
4. A

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