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2020 - 2022
AUTORES DE LÍNGUA PORTUGUESA
1. Camões
2. Machado de Assis
Neste módulo você vai conhecer alguns dos principais autores que marcaram a história 
da literatura de Língua Portuguesa.
Esta subárea é composta pelos módulos:
3www.biologiatotal.com.br
CAMÕES
CAMÕES
Luís Vaz de Camões, principal autor português do Classicismo, escreveu tanto em medida 
velha, quanto em medida nova. De vida aventureira, usou as redondilhas maiores em 
seus primeiros poemas líricos e a medida nova nas obras da maturidade. Além disso, 
Camões escreveu três peças teatrais em forma de autos como os de Gil Vicente. 
Sua poesia lírica foi publicada postumamente. Alguns poemas foram escritos com 
versos decassílabos sob a forma de sonetos, com várias referências ao amor platônico 
e à natureza. No final de sua carreira, escreveu também poemas maneiristas, já com 
traços do Barroco. Este, sem dúvidas, é o mais conhecido soneto de Camões:
Luís Vaz de Camões
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s Amor é fogo que arde sem se ver, 
é ferida que dói, e não se sente; 
é um contentamento descontente, 
é dor que desatina sem doer. 
 
É um não querer mais que bem querer; 
é um andar solitário entre a gente; 
é nunca contentar-se de contente; 
é um cuidar que ganha em se perder. 
 
É querer estar preso por vontade; 
é servir a quem vence, o vencedor; 
é ter com quem nos mata, lealdade. 
 
Mas como causar pode seu favor 
nos corações humanos amizade, 
se tão contrário a si é o mesmo Amor.
Observe que Camões emprega diversas antíteses ao longo do poema, e que sua forma 
de soneto é influenciada por Petrarca, famoso poeta italiano. 
A principal obra de Camões é o poema épico Os Lusíadas, uma epopeia publicada em 
1572 que conta como Portugal se tornou pioneiro nas Grandes Navegações.
Os Lusíadas
Assim como as epopéias gregas - das quais se destacam a Ilíadia e a Odisseia, ambas 
de Homero - Os Lusíadas se divide em cinco partes:
 f Proposição (três primeiras estrofes do Canto I): apresentação dos objetivos 
do poema épico:
As armas e os barões assinalados, 
Que da ocidental praia Lusitana, 
Por mares nunca dantes navegados, 
Passaram ainda além da Taprobana, 
Em perigos e guerras esforçados, 
Mais do que prometia a força humana, 
E entre gente remota edificaram 
Novo Reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas 
Daqueles Reis, que foram dilatando 
A Fé, o Império, e as terras viciosas 
De África e de Ásia andaram devastando; 
E aqueles, que por obras valerosas 
5www.biologiatotal.com.br
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sSe vão da lei da morte libertando; 
Cantando espalharei por toda parte, 
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio Grego e do Troiano 
As navegações grandes que fizeram; 
Cale-se de Alexandro e de Trajano 
A fama das vitórias que tiveram; 
Que eu canto o peito ilustre Lusitano, 
A quem Neptuno e Marte obedeceram: 
Cesse tudo o que a Musa antígua canta, 
Que outro valor mais alto se alevanta.
 f Invocação (estrofes 4 e 5 do Canto I): chama as Tágides, ninfas do Rio Tejo, 
para que lhe inspirem.
 f Dedicatória (estrofes 6 a 16 do Canto I): dedicatória da D. Sebastião, rei de 
Portugal quando a obra foi publicada.
 f Narrativa (da estrofe 19 do canto I até a estrofe 144 do Canto X);
 f Epílogo (estrofes 145 a 156 do Canto X): encerramento em tom pessimista.
Cada canto funciona como um capítulo. Os Lusíadas tem, no total, 1102 estrofes no formato de 
oitava-rima (esquema de rimas ABABABCC), e todos os seus 8816 versos são decassílabos.
Há dois heróis neste poema épico: o primeiro e mais evidente é Vasco da Gama, que 
comandou a expedição que atravessou o então chamado Cabo das Tormentas no 
extremo sul da África - a partir daí, o local ficou conhecido como Cabo da Boa Esperança. 
Há também, além deste herói individual, um herói coletivo: o próprio povo português. Do 
mesmo modo, há dois planos de ação: as ações históricas, que são a viagem marítima em 
si, e a ação mitológica, que compreende a ação dos deuses da mitologia greco-romana 
sobre os personagens, algo que aproxima Os Lusíadas dos grandes poemas épicos da 
antiguidade, como a Ilíada e a Odisseia de Homero. 
Vasco da Gama, navegador e explorador português.
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s Estes são os principais episódios de Os Lusíadas:
Concílio dos Deuses
Ainda no Canto I, os deuses greco-romanos se reúnem em um concílio, onde debatem 
acerca da ajuda aos portugueses. Os deuses Baco e Netuno são contra os aventureiros, 
enquanto Vênus e Marte se mostram a favor deles. A influência dos deuses se dá através 
das forças da natureza que ajudam ou atrapalham os portugueses durante a viagem. 
A história de Portugal e o episódio de Inês de Castro
No Canto III, Vasco da Gama conta a história de Portugal ao rei de Melinde, uma das 
paradas da esquadra na viagem. Dentro da história está o trágico episódio de Inês 
de Castro, assassinada pelo rei Dom Afonso IV, que não aprovava seu relacionamento 
com o príncipe Dom Pedro. Este episódio, acontecido no século XIV, é a parte de maior 
lirismo de Os Lusíadas.
Representação de Baco
7www.biologiatotal.com.br
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s
Episódio do Velho do Restelo
Este episódio do Canto IV dá voz a um personagem que se opõe às Grandes Navegações. 
Em Lisboa, antes de embarcar, a tripulação encontrou este velho, que condenou a 
missão por ir contra os princípios cristãos e ser movida por ambição e cobiça.
Pintura de Inês de Castro.
Velho do Restelo (Columbano).
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s O Gigante Adamastor
O gigante é uma figura mitológica, tendo sido titã no Monte Olimpo e condenado a vagar 
pela Terra após cobiçar uma deusa. No Canto V de Os Lusíadas, o Gigante Adamastor 
simboliza o próprio Cabo das Tormentas e as dificuldades no caminho da esquadra de 
Vasco da Gama. 
Ilha dos Amores
Após uma missão bem-sucedida, os portugueses chegam à Ilha dos Amores no Canto 
IX, onde experimentam todos os prazeres possíveis. Ao experimentarem estes prazeres, 
eles alcançam a condição de semideuses.
Representação de Adamastor.
Ilha dos Amores, de José Malhoa.