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Leis e normas fundamentais sobre a psicologia Seção 2 de 3 Em 1962, a Lei 4.119 regulamentou a profissão de psicólogo no Brasil. Desde então, esses profissionais contribuem para o entendimento geral sobre o comportamento humano. A psicologia possui caráter de responsabilidade social perante indivíduos, contextos e relações. Dentre as competências concernentes à categoria, há um caráter científico e atribuições pautadas em fundamentos tanto teóricos quanto técnicos, os quais embasam as intervenções e promovem credibilidade no meio profissional. O conhecimento de todo o contexto histórico e arcabouço legal é de fundamental importância no processo formativo dos psicólogos. Ainda, é preciso conhecer os regulamentos sobre a profissão. MARCO LEGISLATÓRIO DA PROFISSÃO Seja qual for o contexto de análise, é necessário compreender a dinâmica de hierarquias associadas às normas e leis do país. Entendê-las ajuda o profissional a identificar e reconhecer a finalidade de cada regulamento disposto. Doravante, ele se torna capaz de compreender o contexto normativo promotor da organização social. Nesse sentido, a teoria de Hans Kelsen (1881–1973), muito discutida no âmbito do Direito, possibilita um entendimento didático da ordenação dessa dinâmica regulamentar. O referido teórico buscou fundamentar a validade das normas jurídicas dentro da perspectiva teórica do juspositivismo. Para tanto, explicitou, por meio da ilustração de uma pirâmide, a hierarquia das regulamentações vigentes existentes no Brasil. EXPLICANDO O juspositivismo é uma temática filosófica do âmbito do Direito. Os juspositivistas, como são chamados, defendem que as leis escritas pelo Estado, isto é, União e Federação, são a fonte única do Direito. Ainda, ele se caracteriza como um conjunto de normas e leis, com caráter coercivo, que o Estado impõe à coletividade. Para Almeida (2017), esses recursos legais são suficientes para fazer cumprir a manutenção da justiça social. CLIQUE AQUI Figura 1. Hans Kelsen, jurista filósofo. Fonte: SCHMIDT, 2020, [s.p.]. (Adaptado). Hans Kelsen desenvolveu sua teoria no início do século XX, período em que o pensamento científico se encontrava em ascensão, principalmente no que tange à ideologia positivista, a qual se originou no período do Iluminismo e teve como precursor o filósofo Augusto Comte durante o século XIX. EXPLICANDO De suma importância para o desenvolvimento do pensamento científico, o Iluminismo era uma corrente filosófica que considerava a razão em detrimento do pensamento religioso. Conforme Kury (2007), estimulava-se o questionamento como uma maneira de compreensão das coisas. CLIQUE AQUI Figura 2. Ilustração de Augusto Comte. Fonte: CIVITA, 1978, p. 8. De acordo com Guimarães e Coelho (2001), o positivismo entende que todo o conhecimento se embasa na ciência. Para essa corrente ideológica, as metodologias sem bases científicas não possuem credibilidade. Kelsen (2009), portanto, postula que a evolução da sociedade se dá somente por meio da inteligência humana, que deve se embasar no conhecimento científico existente. Para Kelsen (2009), a vontade do Estado impõe a ordem jurídica. Em suas palavras: Se o Direito é concebido como uma ordem normativa, como um sistema de normas que regulam a conduta de homens, surge a questão: O que é que fundamenta a unidade de uma pluralidade de normas, por que é que uma norma determinada http://anais.unievangelica.edu.br/index.php/cifaeg/article/view/824 http://books.scielo.org/id/8327j/pdf/kury-9788575416037.pdf pertence a uma determinada ordem? E esta questão está intimamente relacionada com esta outra: Por que é que uma norma vale, o que é que constitui o seu fundamento de validade? (KELSEN, 2009, p. 215). O teórico busca entender os fundamentos da ordem jurídica que preservam o Direito como ciência, validando, assim, uma normatização universal. Em outras palavras, o Direito é a única forma de entender a ordenação da hierarquia das regulamentações impostas pelo Estado. Na visão do autor, é possível entender a norma fundamental, que se encontra no topo da hierarquia das normas regulamentares existentes, como a noção essencial de cada pessoa em estar consciente de seu dever ético, como cidadão, de obedecer e agir conforme os princípios promotores da ordem pública social. Kelsen (2009) ainda infere que a Constituição Federal (CF) é a norma superior que valida todas as outras normas do ordenamento jurídico de um país. É possível considerá-la como a instância de mais elevada autoridade legal, que rege a ordem social de um Estado e que possui credibilidade para validar todas as outras normas, leis ou resoluções que o país desenvolva posteriormente. CURIOSIDADE Também se denomina a Constituição Federal do Brasil como Carta Magna ou Constituição Cidadã. Esta última se deu pelo fato de que a CF de 1988 foi a primeira a contar com a participação da população, que, na época, lutava pela retomada dos direitos sociais fundamentais que lhe eram restritos, dados atos militares que governavam o Brasil. Ao entrar em vigor, a CF, além de garantir os direitos sociais fundamentais, estabeleceu o processo de redemocratização do País. Figura 3. Assembleia Constituinte de 1988. Fonte: CYSNE, 2008, [s.p.]. Desse modo, Gonçalves (2018), baseado na teoria de Kelsen, aponta que o dever individual e coletivo dos seres humanos deve se pautar fundamentalmente em seus próprios valores éticos e estar de acordo com os princípios existentes na Constituição Federal de um país, dado que ela é o elemento oficial de maior da ordem jurídica, administrativa e social de uma nação. Partindo desse entendimento, reconhece-se que as normatizações vigentes seguem uma ordem hierárquica, como ilustra a Figura 4. Entende-se, portanto, que o ordenamento jurídico oficial do Brasil provém da CF. Ressalta-se, porém, que é possível complementar, alterar ou modificá-la por meio de emendas constitucionais. Estas permitem que a CF se adapte às mudanças do contexto social. Ainda, reconhece-se as leis complementares como dispositivos legais que complementam a Carta Magna. Já as leis ordinárias regem o arcabouço jurídico nos diversos contextos da sociedade. Em âmbito federal, os parlamentares da Câmara dos Deputados (deputados federais) e do Senado Federal (senadores) aprovam as leis. No âmbito estadual, os deputados estaduais aprovam as leis nas assembleias legislativas. Por fim, na esfera municipal, os vereadores aprovam as leis na Câmara Municipal, também denominada Câmara dos Vereadores. Uma autoridade legalmente constituída, com poderes para determinar o cumprimento de uma ordem, estabelece os decretos. São emanados por: chefe do poder executivo, na esfera federal, ou seja, o presidente da república; governador, na esfera estadual; e prefeito, na esfera municipal. Nota- se que o decreto deve estar de acordo com a Lei. Reconhece-se as resoluções como atos de efeito interno de caráter político, processual, legislativo ou administrativo. Destaca-se as resoluções administrativas, pois elas se caracterizam como uma ordem estabelecida pelo responsável de um serviço público. Considerada como uma norma de cumprimento obrigatório, ela se limita ao contexto do serviço correspondente. Geralmente, formula- se uma resolução administrativa com objetivos específicos. Por exemplo: para que se faça cumprir uma função ou atribuição em consonância com o que a lei estipula. Por fim, têm se as portarias, documentos referentes aos atos administrativos por qualquer autoridade pública. Seu conteúdo pode se referir a: recomendações; normas de execução de serviços; nomeações; demissões; e punições, entre outros. Entender a pirâmide de Kelsen, que ilustra a hierarquia das regulamentações oficiais que regem a dinâmica social de um país, auxilia a compreensão tanto das normatizações existentes quanto da autoridadeque cada ordenamento exerce no contexto social em questão. Ainda, promove-se uma reflexão que parte da esfera ampla para o contexto profissional dos psicólogos. A psicologia se constituiu oficialmente como profissão no Brasil no início da década de 60, por meio da Lei 4.119, de 27 de agosto de 1962. Tal marco legislativo dispõe sobre os cursos de formação em psicologia e regulamenta a profissão do psicólogo. DICA A psicologia perpassa por diversos contextos e âmbitos da sociedade. Considerando uma postura ética e a hierarquia jurídica do país, o profissional deve fundamentar a prática de acordo com o âmbito legal. Assim, recomenda-se a consulta das leis e regulamentações em sites oficiais sempre que necessário. Ainda, quando for preciso a consulta de um marco legislativo, isto é, leis, orienta-se a pesquisa no endereço eletrônico oficial. CLIQUE AQUI De acordo com a Lei 4.119/1962, a formação em psicologia se dá nas faculdades de filosofia, por meio das modalidades bacharelado, licenciado e psicólogo. Os requisitos para início do curso de bacharel são: idade mínima de 18 anos e conclusão no ensino secundário, isto é, ensino médio. Ao formando que concluir o curso nessa modalidade, concede-se o título de bacharel em psicologia. Para o ingresso na modalidade de licenciatura e psicólogo, exige-se o diploma de bacharel em psicologia. Concede-se, então, os diplomas de licenciado em psicologia e psicólogo no ato da formação. Ressalta- se que, independentemente da modalidade de formação, deve-se registrar o diploma no Ministério da Educação e Cultura (MEC) a fim de efetivar o profissional. Conforme essa lei, os bacharéis em psicologia são capazes de ensinar em cursos de nível médio. Já ao licenciado, cabe o direito de lecionar psicologia. O psicólogo, por sua vez, pode tanto ensinar psicologia nos diversos cursos quanto exercer a profissão. As funções do profissional psicólogo se referem à utilização de métodos e técnicas psicológicas que objetivam: diagnóstico; orientação e seleção, seja profissional ou psicopedagógica; solução de problemas de ajustamento; e colaboração com outras ciências no tocante a assuntos relacionados à psicologia. https://www.gov.br/planalto/pt-br Ainda, a referida lei observa quanto aos serviços clínicos, também conhecidos nas instituições de ensino como clínica escola. Tais serviços, obrigatórios nas faculdades que ofertam cursos de psicologia e orientados e dirigidos pelo Conselho dos cursos superiores, aplicam-se à educação e o trabalho, sendo abertos ao público na condição gratuita ou remunerada às pessoas que solicitarem o serviço. Posteriormente, promulgou-se o Decreto 53.464, de 21 de janeiro de 1964, que regulamenta a Lei 4.119/1962. Suas principais complementações se referem à determinação de que o exercício da profissão se realiza livremente em todo o País, desde que observadas as disposições legais. Em outras palavras, torna-se necessário que a atuação profissional do psicólogo esteja de acordo com a regulamentação. Podem exercer a profissão de psicólogo no Brasil: Quem possui diploma de psicólogo expedido por faculdade de filosofia oficial. Diplomados em psicologia em outros países, desde que tenham seus diplomas validados conforme a legislação brasileira em vigor. Portadores de diploma ou possuidores de certificado de especialista reconhecidos legalmente. Doutores em psicologia, psicologia educacional, filosofia, educação, pedagogia, que tenham defendido tese sobre assuntos relacionados a psicologia. Ainda, pessoas que se enquadravam em certas condições antes de 5 de setembro de 1962, data em que a Lei 4.119/1962 entrou em vigor, também podiam exercer a função de psicólogo no Brasil. São elas: Funcionários públicos efetivos promovidos a cargos ou funções com denominação de psicólogo, psicologista ou psicotécnico. Militares portadores de diploma conferido por curso criado pela Portaria 171, de 25 de outubro de 1949, do antigo Ministério da Guerra. Pessoas que exercem atividades profissionais de psicologia aplicada por mais de cinco anos. Ressalta-se que os profissionais psicólogos podem: dirigir serviços de psicologia em órgãos públicos ou privados; lecionar disciplinas de psicologia nos diversos níveis de ensino existentes; supervisionar profissionais e alunos no campo da psicologia; realizar assessoramento técnico em órgãos e estabelecimentos públicos ou privados; e efetuar perícias e pareceres psicológicos. A Lei 5.766 de 20 de dezembro de 1971 foi outro importante marco legal. Ela criou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e os Conselhos Regionais de Psicologia (CRP). Dotados de personalidade jurídica de direito público, possuem autoridade administrativa e financeira e autonomia para orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional da categoria, zelando pelos princípios éticos e disciplinares da profissão. Dentre as atribuições concernentes ao CFP, reconhece-se a elaboração de regimento próprio e a aprovação dos regimentos dos CRPs. Ainda, destaca-se as funções de expedir resoluções necessárias referentes às competências e atribuições do psicólogo e em conformidade com as leis vigentes; e elaborar e aprovar o código de ética profissional da referida categoria. Ainda, o CFP exerce poder consultivo e de tribunal superior de julgamento sobre condutas éticas e recursos deliberativos advindos dos CRP e divulga os relatórios das atividades realizadas pelo órgão, bem como a relação dos psicólogos registrados. Aos conselhos regionais competem atribuições equivalentes ao conselho federal. Entretanto, a jurisprudência regional se insere em sua respectiva área de competência, ou seja, na região em que exerce sua função. Para a atuação profissional, exige-se como pré-requisito a inscrição do psicólogo no conselho de classe, realizada por meio do CRP estabelecido no território que abrange a área de atuação do profissional. O psicólogo deve comprovar sua formação profissional por meio de documentação emitida por instituição de ensino superior, bem como as demais exigências constantes na lei. 4.119/62. Ainda, deve provar que não está impedido de exercer a profissão e goza de boas reputação e conduta pública. No tocante ao poder fiscalizatório dos conselhos, esses versarão sobre as infrações cometidas pelos profissionais. São elas: transgressão ao código de ética profissional; atuação profissional mesmo quando impedido por quaisquer motivos legais ou éticos; conceder benefícios ao cliente de maneira ilícita; praticar, durante o exercício profissional, contravenções ou atos criminosos; e estar inadimplente. As punições para tais infrações incluem: advertência; multa; censura; suspensão; ou cassação do exercício profissional, concedida mediante aprovação do CFP. Em 17 de julho de 1977, o Decreto 79.822 entra em vigor regulamentando a lei discutida anteriormente. Dente as principais alterações, o decreto vinculou os conselhos federal e regional ao Ministério do Trabalho. Torna-se possível, então, a proposição de alterações da legislação do exercício profissional do psicólogo e da instituição ou modificação do modelo da carteira de identidade profissional da categoria. Expede-se os registros profissionais nas categorias de psicólogo e psicólogo especialista. O profissional que atua em mais de uma jurisdição deve se inscrever em ambas. Tomemos o exemplo de um psicólogo atuante no estado de Pernambuco e inscrito no conselho regional do estado que iniciará seus atendimentos no estado da Paraíba. Ele deverá solicitar sua inscrição no CRP do estado da Paraíba. Ao psicólogo devidamente inscrito no conselho regional de sua respectiva jurisdição competirá o pagamento de anuidade, com prazo máximo até o último dia do primeiro trimestre de cada ano, sendo a primeira anuidade paga no ato da inscrição no CRP. No dia 25 de setembro do ano de 2008, promulgou-se a Lei 11.788, que dispõedo estágio de estudantes e dá outras providências. Considerado como ato educativo e de caráter supervisionado no ambiente de trabalho, a finalidade do estágio é a preparação dos estudantes para o aprendizado das competências e práticas concernentes à atividade profissional. O estágio supervisionado é aquele que dispõe do acompanhamento de um professor orientador vinculado à instituição de ensino, bem como um supervisor no campo prático vinculado ao serviço em que ocorre a atividade. O estágio se configura como componente no projeto pedagógico dos cursos superiores e pode ser obrigatório ou não. Em conformidade com as diretrizes curriculares do curso, o estágio obrigatório é aquele requisitado como carga horária necessária para a aprovação no curso e obtenção do diploma. Já o não obrigatório pode ser dispensado a depender da intenção do estudante. O estágio não gera vínculos empregatícios de qualquer ordem e tem como requisitos mínimos: comprovação da matrícula em curso devidamente regulamentado; e celebração de termo de compromisso entre o aluno, a instituição de estágio e a instituição formadora. As atividades desenvolvidas no estágio devem ser compatíveis com as dispostas no termo de compromisso efetivado no ato do acordo, bem como com as atribuições da atividade profissional da categoria. Dentre as principais obrigações das instituições de ensino para com a efetivação dos estágios e o compromisso com o estudante, estão: celebração de compromisso de estágio que esteja em conformidade com as competências e proposta pedagógica do respectivo curso de formação; avaliação das instalações da instituição onde acontecerão as atividades de estágio, tendo em vista que elas devem oferecer condições adequadas de atuação conforme preconiza a Lei; indicação de professor orientador que acompanhará e avaliará as atividades do estudante durante o período de estágio; estipulação de prazo e periodicidade da apresentação de relatório das atividades desenvolvidas no estágio; e elaboração de normas e instrumentos avaliativos das atividades. Dentre as principais obrigações da parte concedente, ou seja, instituição ou serviço público ou privado, onde ocorrerá o estágio, têm-se: celebração de termo de compromisso entre a instituição de ensino e o estudante; instalações adequadas para o desenvolvimento das atividades de aprendizagem; indicação de profissional do quadro da instituição que supervisionará as atividades do estudante e deverá possuir formação e experiência correspondente ao curso do estagiário; e contratação de seguro, em favor do estagiário, contra acidentes pessoais ocorridos durante o desenvolvimento das atividades de aprendizagem no serviço. Das responsabilidades do estagiário: deverá cumprir jornada de atividades e carga horária acordada conforme termo de compromisso; poderá receber bolsa, benefícios ou auxílios conforme acordado entre as partes envolvidas, mas que não caracterizarão vínculo empregatício; aos estágios com duração igual ou superior a um ano, será assegurado ao estagiário período de recesso de 30 dias, preferencialmente concedidos durante suas férias escolares e permanecendo a remuneração, quando for o caso. No caso de estágios com duração inferior a um ano, os dias de recesso serão proporcionais. De acordo com a Lei 11.788/2008, em seu art. 15, “a manutenção de estagiários em desconformidade com esta Lei caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária”. ATRIBUIÇÕES PROFISSIONAIS DO PSICÓLOGO O CFP enviou oficialmente essas atribuições ao Ministério do Trabalho em 17 de outubro de 1992 a fim de integrar a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). O documento na íntegra encontra-se disponível no site oficial do CFP. A CBO representa uma listagem das possíveis profissões reconhecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Para cada ocupação, existe um código nacional específico de identificação. Atualizada periodicamente, essa lista serve como referência para cadastro administrativo das categorias profissionais nos serviços e instituições, sejam públicas ou privadas. O governo utiliza as informações empregatícias relacionadas à CBO do profissional para atribuir benefícios, como os de seguridade social, e direitos trabalhistas, quando cabíveis. Pautado no respeito, integridade e dignidade, o psicólogo pode atuar em diversos âmbitos sociais: saúde; justiça; educação; segurança; e organizações empresariais. As atribuições de competência dizem respeito à compreensão do comportamento humano, seja tanto no nível individual ou coletivo quanto no contexto pessoal, familiar ou social. Ao aplicar conhecimento técnico e teórico da psicologia, o profissional busca identificar e intervir nos determinantes que influenciam a conduta humana. Quanto à produção de conhecimento científico na área da psicologia, o profissional contribui por meio da observação, análise e descrição dos processos de desenvolvimento cognitivo e comportamental humano. Essas competências auxiliam o tratamento, pois favorecem a produção de intervenções, psicodiagnósticos, aplicação de técnicas, promoção de saúde mental, prevenção de agravos e encaminhamentos para atendimento apropriado. Ainda, incentivam condutas que promovem um cuidado resolutivo conforme a necessidade de cada caso. Ressalta-se, porém, a importância de se considerar a influência de fatores relevantes, como condições hereditárias, psicológicas, sociais ou ambientais, pois elas se relacionam com o funcionamento intrapsíquico e relacional entre o indivíduo e o meio. A pesquisa científica em entidades devidamente reconhecidas, como instituições acadêmicas e governamentais, permitem ao psicólogo elaborar e adaptar instrumentos e técnicas psicológicas. Ainda, ele pode compartilhar experiências e conhecimentos no campo científico e para a população em geram, visto o compromisso social da profissão. As funções do psicólogo se desenvolvem de forma individual ou com o auxílio de equipes, seja no meio público ou privado. Já a atuação profissional evolui especificamente no contexto clínico e nos ambientes de trabalho, trânsito, educacional, jurídico, esporte, social e licenciatura, seja no ensino médio ou superior. Psicólogo clínico A psicologia clínica se relaciona à área da saúde e envolve a compreensão dos processos intrapsíquico e interpessoal, seja em caráter preventivo ou curativo. É possível realizá-la de modo individual ou em equipes multiprofissionais. Nessa especialidade de cuidado, o psicólogo deve se fundamentar em uma abordagem teórica que embase tanto suas intervenções quanto todo o processo psicoterapêutico, seja ele individual ou de ordem grupal. Detalhadamente, as atribuições clínicas envolvem: avaliação e diagnóstico psicológicos; entrevistas; orientação; observação; testes; e dinâmicas. O atendimento psicoterapêutico serve para indivíduos das mais diversas faixas etárias, bem como para famílias, casais e gestantes. Compete ao psicólogo atuar em situações de agravo ou fragilidade emocional, físico ou mental. Psicólogo do trabalho No trabalho em equipes multiprofissionais, o psicólogo participa e colabora nas tomadas de decisão quanto às condutas a serem adotas interdisciplinarmente pela equipe. Ele também participa na elaboração de pesquisas, execução, coordenação e acompanhamento de qualificação ou treinamento de equipes, bem como dissemina conhecimento em saúde mental em diversas instituições, sejam elas formais ou informais. Além disso, nota-se que, em conjunto com uma equipe multiprofissional, o psicólogo colabora com o planejamento da política de saúde e coordena e supervisiona atividades de estágio na área da psicologia. Ainda, ele também promove atividades culturais, de lazer e de reinserção social de indivíduos egressos de instituições psiquiátricas. Compete aopsicólogo do trabalho atuar nas organizações, individualmente ou em equipe multiprofissional. Seu objetivo é compreender as relações intra e interpessoais dos envolvidos a fim de intervir, embasado nos conhecimentos da psicologia. Esse profissional colabora com as ações administrativas da organização em que atua por meio do planejamento, elaboração e avaliação dos processos de trabalho. Para tanto, ele descreve os comportamentos requeridos para o desempenho dos cargos e funções existentes na organização. Com seus conhecimentos e técnicas no processo de recrutamento e seleção de pessoal, assessora a administração organizacional na identificação do candidato que melhor se adeque às competências do cargo. É o psicólogo do trabalho que elabora, executa e avalia treinamentos e capacitações da área de Recursos Humanos. Ele estrutura os instrumentos avaliativos necessários para o processo de promoção ou construção do plano de carreira dessa área. Além disso, promove programas e projetos organizacionais, define requisitos e critérios de produtividade, remuneração, incentivo e que favorecem a identificação de necessidade e promoção de qualidade de vida do trabalhador. Finalmente, ele promove pesquisas, emite pareceres, facilita processos de intervenção em grupo, atua em situações de conflitos e participa nos processos de admissão, qualificação, preparo para aposentadoria e desligamento. Psicólogo do trânsito O psicólogo do trânsito desenvolve pesquisas quanto ao comportamento humano no trânsito e realiza exames psicotécnicos para indivíduos que se propõem ao processo de habilitação automotiva. Ele também participa na elaboração e implantação de sistemas de sinalização de trânsito e atua em equipes multiprofissionais a fim de desenvolver estratégias de prevenção de acidentes de trânsito. Além disso, esse profissional elabora projetos promotores de educação no trânsito, avalia os fatores envolvidos em ocorrências de acidentes e sugere estratégias atenuantes. Finalmente, também é função sua emitir laudos e pareceres solicitados pelo Poder Judiciário. Psicólogo educacional Já o psicólogo educacional atua nas instituições educacionais. Ele colabora com a compreensão comportamental do processo de ensino-aprendizagem, tanto de educandos quanto de educadores e auxilia o desenvolvimento das relações intra e interpessoais, considerando as dimensões socioeconômicas, políticas e culturais. Ademais, realiza intervenções, pesquisas, diagnósticos individuais ou grupais e participa na elaboração de planos e políticas educacionais que visam à efetivação e qualidade do ensino. Ao compartilhar seus conhecimentos de psicologia, os psicólogos educacionais contribuem com os educadores, permitindo-os refletir sobre seus papeis e compromisso profissional de suas próprias competências. Além disso, esses psicólogos promovem estratégias tanto de relações e dinâmicas interpessoais harmônicas no ambiente educacional quanto as preventivas de identificação, orientação e resolução de problemas que interferem no processo de aprendizagem, direcionando, assim, as intervenções aos alunos, equipe e familiares. Participar de modo interdisciplinar no planejamento político pedagógico curricular da instituição de ensino também é função desse tipo de psicólogo. Ele direciona seu olhar para os aspectos cognitivos, comportamentais e psicossociais do desenvolvimento humano. Além disso, ele desenvolve programas de orientação profissional e diagnostica dificuldades de aprendizagem dos alunos, buscando uma articulação com os educadores e realizando encaminhamentos necessários conforme os casos. Psicólogo jurídico Compete ao psicólogo jurídico atuar no âmbito judicial, auxiliando no planejamento e execução de políticas relacionadas aos direitos humanos, bem como na prevenção da violência e promoção da cidadania. Ele também contribui com o assessoramento da formulação de leis compartilhando seus conhecimentos psicológicos no campo do Direito e avalia condições emocionais e intelectuais de indivíduos envolvidos em processos de adoção, guarda e crimes. Esse profissional atua como perito judicial, elaborando laudos, relatórios e pareceres que servem de subsídios ao processo judicial nas diversas varas, quando solicitado por autoridade jurídica competente. Ele também participa de audiências com vistas a esclarecer aspectos técnicos relacionados a documentos psicológicos existentes nos autos dos processos. Dado o dever do psicólogo de promover saúde mental a quem necessitar, ele poderá atender ou orientar os envolvidos nos processos judiciais, sejam eles vítimas, familiares, réu ou até mesmo detentos. Esse profissional elabora e executa programas e tarefas socioeducativas em estabelecimentos institucionais ou penais e assessora autoridades jurídicas. Por fim, também participa no desenvolvimento de políticas penais e treinamento de pessoal que as executa. Psicólogo do esporte Já o psicólogo do esporte observa e diagnostica as características psicológicas dos esportistas. Ele também desenvolve estratégias e técnicas psicológicas que auxiliam na contribuição de otimização e melhoria do desempenho esportivo, técnico e interpessoal. Ademais, orienta e oferece atendimento psicológico, seja individual ou grupal, presta assessoramento e acompanha as variáveis psicológicas que possam interferir no desempenho esportivo dos atletas. O profissional também realiza pesquisas e elabora programas e estudos buscando o bem-estar dos esportistas. Além disso, também emite pareceres. Quando necessário, realiza encaminhamento para outros profissionais, dada a complementaridade de intervenções multiprofissionais. Por fim, ele poderá ministrar aulas de psicologia no esporte nos cursos de psicologia e educação física. Psicólogo social Ao psicólogo social, cabe a compreensão sócio-histórica do indivíduo, promovendo estudos, pesquisas e intervenções em caráter psicossocial. Ele diagnostica, planeja e executa programas sociais e assessora órgãos e/ou entidades públicas ou privadas na elaboração de projetos e programas sociais. Finalmente, para que o professor de psicologia lecione no ensino médio, deverá possuir no mínimo o diploma de bacharel em psicologia. Caso queira lecionar no nível superior de ensino, precisará do diploma em licenciatura ou de psicólogo. Independentemente do nível, porém, compete- lhe lecionar conteúdos teórico-práticos relacionados ao campo da psicologia e em conformidade com o projeto pedagógico do curso ao qual leciona. Finalmente, ele também supervisionará estágios no âmbito interno ou externo à instituição de ensino superior. Ética profissional na atualidade O conceito da ética perpassa os contextos pessoal, social e profissional. Ao longo do tempo, promove diferentes modos de reflexão variantes de acordo com os costumes sociais e condutas humanas. Assim, entende-se que o contexto ao qual nos vemos inseridos sofre impactos condizentes tanto com o processo evolutivo quanto o de desenvolvimento científico e tecnológico da atualidade. Portanto, vale a pena promover uma reflexão acerca das condições relacionadas com o processo profissionalizante do psicólogo desde os primórdios até os tempos atuais, entendendo as condições éticas envolvidas nesse seguimento. Salienta-se que o compromisso ético da psicologia se baseia no que preconiza a declaração universal dos direitos humanos. Isso significa que se deve reconhecer: dignidade humana; direitos igualitários e inalteráveis; liberdade; justiça; e respeito. Além disso, dado que uma das atribuições do psicólogo é a realização de pesquisas nos mais variados âmbitos de atuação, vale a pena entender os fundamentos da bioética, caracterizada como um campo científico intrinsecamente relacionado aos processos de pesquisa. Apesar de estabelecida no ano de 1927, com o passar do tempo, a bioética se estabeleceu como essencial nacontemporaneidade, pois remete ao caráter de responsabilidade individual, ambiental e coletivo. REFLEXÕES SOBRE O PROCESSO DE PROFISSIONALIZAÇÃO DO PSICÓLOGO O período entre 1833 e 1890 compreende a pré-profissionalização da psicologia, visto que a psicologia não era uma prática reconhecida no Brasil. Com a chegada da família real e, posteriormente, a independência do Brasil, o século XIX trouxe mudanças e evoluções sociais ao País. De acordo com Pessotti (1988), estabeleceu-se o interesse dos estudantes de medicina pelo conhecimento da psicologia, bem como a aplicação desses saberes nos problemas sociais e psiquiátricos. Massimi (1990) aponta que, durante o século XIX, a psicologia se relacionava a outros campos de saberes, como filosofia, medicina e teologia. Além disso, ela se vinculava às discussões sobre a subjetividade ou o comportamento humano. Como conta Anastasi (1965), porém, ao final desse século, com o advento do positivismo, a psicologia se estabelece como ciência no meio internacional e se direciona ao método experimental de compreensão dos processos cognitivos, que resultam em descrições gerais, isto é, sem considerar características individuais. Anastasi (1965) ainda afirma que, no início do século XX, constituiu-se o interesse pelas diferenças individuais na psicologia. No entanto, as características da ciência experimental ainda se faziam presente. Surgem, então, os primeiros testes e escalas de inteligência e, nos Estados Unidos, cria-se o termo quociente de inteligência (QI). Pereira e Pereira Neto (2003) consideram o período entre os anos de 1906 e 1975 como de profissionalização da psicologia. Para os autores, a educação e a medicina promoveram esse processo no Brasil e, em 1906, criou-se o primeiro laboratório de psicologia experimental no Rio de Janeiro, denominado Laboratório da Colônia de Psicopatas do Engenho de Dentro - RJ. Atrelado às atividades do curso de medicina, desenvolvia-se atividades de psicologia experimental, testes e psicoterapia nesse lugar. Ainda, como aponta Penna (1992), ele atendia necessidades práticas e sociais relacionadas às pesquisas científicas. Essas práticas recebiam influência da filosofia positivista e da medicina em suas dimensões mensurativas, classificatórias e adaptativas. Vale salientar que, nessa época, não se via a psicologia como ciência. Não havia nenhum profissional psicólogo e as práticas psicológicas realizadas pertenciam ao campo da medicina. Em outras palavras, as atividades psicológicas inicialmente exercidas no Brasil se subordinavam a esse campo. Mesmo nessas condições, o século XX foi fundamental para o reconhecimento do papel que a psicologia poderia desempenhar, pois propulsionou a implantação da psicologia como profissão oficial. A partir de 1930, a psicologia deixa de subordinar à medicina e começa a mostrar sua relevância científica. Como diz Pessotti (1988), ela passa a mostrar sua relevância científica e se consagra como disciplina obrigatória nos cursos de licenciatura em filosofia, ciências sociais e pedagogia. No ano de 1946, a formação de psicologia se institui no Brasil por meio do Decreto 9.092. Penna (1992) aponta que o psicólogo deve frequentar os três primeiros anos dos cursos de filosofia, biologia, fisiologia, antropologia ou estatística e, posteriormente, especializar-se em psicologia. Somente após essa formação, ele poderia exercer a profissão de psicólogo. No ano de 1957, a formação dedicada exclusivamente à psicologia estabeleceu-se nas instituições de ensino superior tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo. No mercado de trabalho, a psicologia começa como um campo de atuação nas áreas da educação e do trabalho. Neste último, apontam Pereira e Pereira Neto (2003), ela foca nos processos de promoção de desempenho e recrutamento e seleção, dada a industrialização da época. Os autores ainda mencionam que, em 1962, o Parecer 403 do Conselho Federal de Educação estabeleceu currículo e período mínimo dos cursos de psicologia no País e a Lei 4.119/1962 regulamentou a psicologia como profissão oficial no. Para os autores, a década de 1970 concluiu o processo de profissionalização da psicologia e definitivamente estabeleceu-a como profissão no Brasil. O primeiro Encontro Nacional de Psicologia no País ocorreu em São Paulo e possibilitou discussões acerca da necessidade da instituição de conselhos profissionais, definidos por meio da Lei 5.766/1971, que dispõe sobre a criação do Conselho Federal de Psicologia e conselhos regionais de psicologia. No ano de 1975, a resolução CFP 8 instituiu o primeiro código de ética do psicólogo. Apesar de a psicologia se instalar no campo da educação e do trabalho no início, a década de 80 viu o campo ampliar sua atuação para a área clínica nos centros urbanos, graças ao estabelecimento da psicoterapia. Afinal, na época, ofertava-se os cursos de psicologia apenas em algumas capitais do País. No entanto, direcionava-se tais práticas para uma classe média alta, vista como a elite social da época. Da década de 1970 para os dias atuais, reconheceu-se a credibilidade e autonomia da profissão de psicólogo no campo profissional, pois ela tem caráter ético e compromisso individual e social. Desde a implantação dos cursos superiores de psicologia, observou-se o crescente número de psicólogos no País. Além disso, é possível notar o quão numerosas e diversas são as demandas nesse campo. Tais constatações legitimam a ampliação dos âmbitos de atuação profissional que se estendem para as diversas áreas da sociedade na atualidade. PRINCÍPIOS BASILARES DA BIOÉTICA Reconhecida como campo teórico, científico e acadêmico, a bioética se relaciona com a prática profissional em todos os contextos. Entretanto, nota-se um contato especial com a saúde e as pesquisas científicas. Afinal, ela detém um processo de desenvolvimento social e profissional que demanda modos de atuação condizentes com as variações sociais e pautados na responsabilidade com a proteção e preservação da vida. Essa ciência se conecta intrinsecamente com as posturas éticas e morais dos profissionais, bem como com seus comportamentos, atitudes, posturas e condutas práticas no contexto de atuação. De acordo com Rego, Palácios e Siqueira-Batista (2009), a bioética se pauta em princípios fundamentais e absolutos, os quais todo profissional deve considerar durante as discussões, decisões e procedimentos, prezando sempre pela responsabilidade e defesa do bem humano e social. Diagrama 2. Síntese dos princípios da bioética. Koerich, Machado e Costa (2005) detalham os princípios: Beneficência Relacionada com a promoção do bem e redução do mal. Por meio de análise e avaliação prévia dos riscos e benefícios que resultam da atuação do profissional, ele definirá sua conduta intervindo da maneira que melhor se adeque à promoção de benefícios e redução dos danos e riscos, seja ao indivíduo ou o coletivo atendido; Não maleficência Refere-se ao comprometimento do profissional de analisar, avaliar e evitar qualquer atuação cuja finalidade seja a promoção do mal, dano ou agravo a outrem; Autonomia Diz respeito ao poder de decisão do indivíduo ou coletivo atendido sobre si mesmo. Em outras palavras, esse princípio aponta para a garantia do direito de liberdade na tomada de decisão sobre o aceite ou a recusa de procedimentos. Entretanto, ressalta-se que, em situações que o bem público se sobrepõe ao individual, é possível violar eticamente este princípio; e Justiça ou equidade Atrelado à distribuição adequada de benefícios. Em outras palavras, deve-se disponibilizar mais recursos àquele que mais precisa. A Figura 5 ilustra a diferença entre igualdade e equidade. A ideia de igualdade remete à distribuição igualitária para os indivíduos ou coletivos. Nessa modalidade, não se considera as necessidades das pessoas. Já na ótica daequidade, a noção de justiça e direito prevalece e a distribuição dos benefícios se pauta no que os indivíduos precisam de fato. Isso possibilita uma distribuição equânime entre os envolvidos. SINTETIZANDO A compreensão da legislação que regulamenta e institui a psicologia como profissão em nosso País contribui para o entendimento da importância dessa ciência nos contextos individual e social. A regulamentação profissional deve sempre se alinhar ao marco jurídico que fundamenta a ordem pública do país. A teoria de Hans Kelsen, que trata sobre a hierarquia das normas jurídicas, favoreceu o entendimento dinâmico da justaposição das normas comuns. As principais ocorrências do reconhecimento da psicologia como profissão no Brasil ocorreram em meados da década de 1970. Destaca-se: instituição dos cursos de psicologia no ensino superior; reconhecimento da área como profissão oficial no país; e vinculação ao Ministério do Trabalho dos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, que exercem total jurisprudência perante a categoria profissional. A psicologia compõe o catálogo brasileiro de ocupações e integra um conjunto de atribuições, as quais se deve observar durante a atuação profissional, seja no nível individual ou coletivo e nos diversos âmbitos, como clínica, saúde, assistência social, justiça, educação, esporte, segurança, organizações empresariais e instituições de ensino. Dentre as principais atribuições dos psicólogos, têm-se: competência para a observação, análise, compreensão e descrição do comportamento humano; realização de estudos e pesquisas científicas; participação em nível multiprofissional na construção das políticas públicas, intervenções, avaliação psicológica, psicodiagnósticos e emissão de documentos psicológicos; aplicação de técnicas e testes; promoção de saúde mental; prevenção de agravos; e encaminhamentos para atendimento apropriado. A compreensão dos princípios basilares da bioética é fundamental. Afinal, as práticas profissionais em psicologia devem se fundamentar na ética e o profissional deve ter competência para atuar com seres humanos. Esse campo científico preconiza que toda conduta profissional deve se pautar na proteção e responsabilidade para com a vida e o contexto socioambiental. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, B. Jusnaturalismo e juspositivismo: as duas correntes do direito. 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