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Movimento plano em trajetória curva 323 F y F N P F x θ θ θ y x Figura c. Projeção da força normal sobre os eixos x e y. Projetamos as forças sobre os eixos e impomos a condição de a resultante ser a força centrípeta. No triângulo colorido temos: sen θ = Fy FN ⇒ Fy = FN · sen θ cos θ = Fx FN ⇒ Fx = FN · cos θ 1 Na direção x a força F x é a resultante, portanto, ela faz o papel da força centrípeta: Fx = Fc = m · v2 R 2 Na direção y as forças F y e P se anulam: Fy = P = m · g 3 Dividindo-se a equação 2 pela 3 , obtemos: Fx Fy = m · v2 R m · g ⇒ Fx Fy = v 2 R · g 4 Substituindo-se as equações 1 em 4 : FN · cos θ FN · sen θ = v 2 R · g Assim: sen θ cos θ = R · gv2 ⇒ tg θ = R · g v2 35. Um automóvel, de dimensões desprezíveis e de massa m = 1 000 kg, percorre com velocidade escalar constante de 10 m/s uma circunferência de raio 100 m, contida num plano horizontal. Esse movimento ocorre numa pista sobrelevada, isto é, a margem externa é mais elevada que a margem interna. F N P θ θ 1 Figura a. 33. Um cilindro oco, de raio R = 2,0 m, gira em torno de seu eixo, que é vertical, com velocidade angular ω = 10 rad/s. Um corpo gira juntamente com o cilindro, “preso” em sua superfície interna. Determine o menor coeficiente de atrito necessá- rio para que não haja deslizamento do corpo na superfície do cilindro. É dado g = 10 m/s2. R ω 4º. caso: Movimento circular em pistas cônicas 34. Na figura temos um cone invertido, de eixo vertical, oco, fixo no solo. No seu interior uma partícula se movimenta em uma trajetória plana, horizontal, circular de raio R (um anel), com velocidade escalar v, constante. As paredes inter- nas são perfeitamente lisas. Sendo m a massa da partícula, g o módulo da aceleração da gravidade, determine o ângulo θ, através de uma função trigonométrica, para que a partícula se mantenha no anel em movimento circular uniforme. g trajet—ria θ θ Figura a. Resolução: A trajetória é circular e, portanto, a força resul- tante é centrípeta. Inicialmente vamos desenhar as duas únicas forças atuantes na partícula: o peso e a força normal. Esta é perpendicular à superfície (fig. b). P F N Figura b. Forças atuantes sobre o corpo. Uma estratégia consiste em se usar dois eixos de projeção: um deles, o eixo x, passando pelo centro da trajetória, e o outro, o eixo y, perpen- dicular ao primeiro (fig. c). Il U sT R A ç õ Es : zA PT Capítulo 17324 θ R 1 Figura b. Determine o ângulo θ de sobrelevação da pista com a horizontal para que o automóvel consiga efetuar a curva independentemente da força de atrito. É dado g = 10 m/s2. O ângulo θ pode ser dado pela tg θ. Resolução: Poderíamos usar a mesma estratégia do exercício anterior, projetando-se as forças no eixo radial e no eixo vertical. No entanto, vamos aprender uma nova estratégia: usaremos a regra do para- lelogramo. Vale lembrar que temos um MCU e, portanto, a força resultante é centrípeta. Ao desenharmos o paralelogramo, a resultante obtida será a força centrípeta. F N F c Ptrajetória O horizontal θ θ 1 Figura c. Da figura podemos obter: tg θ = m · v2 R m · g tg θ = v 2 R · g Sendo: v = 10 m/s; R = 100 m e g = 10 m/s2, teremos: tg θ = 10 2 100 · 10 tg θ = 0,10 36. Nas corridas de fórmula Indy é muito comum o uso de circuitos “ovais” com sobrelevação para permitir maior velocidade dos carros nas curvas. Numa dessas corridas chovia muito e o atrito praticamente desapareceu. Na curva da figura mostrada a seguir, o raio da trajetória é de 50 m e o ângulo de sobrelevação é 27° (tg 27° = 0,51). Sendo g = 10 m/s², determine: θ 1 a) a máxima velocidade atingida pelo carro sem derrapar; b) a intensidade da força normal, estimando-se a massa do carro em 1 500 kg. 37. (Unesp-SP) Curvas com ligeiras inclinações em circuitos automobilísticos são indicadas para aumentar a segurança do carro a altas velo- cidades, como, por exemplo, no Talladega Superspeedway, um circuito utilizado para corridas promovidas pela NASCAR (National Association for Stock Car Auto Racing). Considere um carro como sendo um ponto material percor- rendo uma pista circular, de centro C, inclinada de um ângulo α e com raio R, constantes, como mostra a figura, que apresenta a frente do carro em um dos trechos da pista. raio : R C α 1 Se a velocidade do carro tem módulo constante, é correto afirmar que o carro: a) não possui aceleração vetorial. b) possui aceleração com módulo variável, dire- ção radial e no sentido para o ponto C. c) possui aceleração com módulo variável e tan- gente à trajetória circular. d) possui aceleração com módulo constante, direção radial e no sentido para o ponto C. e) possui aceleração com módulo constante e tangente à trajetória circular. 5º. caso: Pêndulo simples e pêndulo cônico Pêndulo simples é aquele que oscila num plano ver- tical. Pêndulo cônico é aquele cuja esferinha realiza um movimento circular uniforme num plano hori- zontal e cuja figura de seu movimento se assemelha a um cone. 38. No esquema a seguir, temos um pêndulo simples de comprimento ℓ = 1,0 m e com uma esfera de massa m = 0,50 kg, oscilando entre os pontos A e B. A velocidade escalar da esfera ao passar pelo ponto C indicado é v = 4,0 m/s. Il U sT R A ç õ Es : lU Iz A U g U sT o R Ib EI R o Movimento plano em trajetória curva 325 B C ℓ A v θ Figura a. Dados: g = 10 m/s2; sen θ = 0,60; cos θ = 0,80. Determine: a) a intensidade da força que traciona o fio, quando a esfera passa pelo ponto C; b) o módulo da aceleração tangencial da esfera em C. Resolução: a) As forças que agem sobre a esfera são o peso P e a tração T . A tração tem a direção da nor- mal à trajetória e o peso foi decomposto nas direções da normal e da tangente à trajetória. P P sen θ P cos θ normal centro trajetória tangente a c a t θ C T θ Figura b. Nessas condições, a resultante centrípeta tem intensidade: T – P · cos θ Sendo |F c | = m · |a c |, vem: T – P · cos θ = m v2 R T – m · g · cos θ = m v2 R Sendo m = 0,50 kg, g = 10 m/s2, cos θ = 0,80, v = 4,0 m/s e R = ℓ = 1,0 m, vem: T – 0,50 · 10 · 0,80 = 0,50 · (4,0)2 1,0 T = 12 N b) A intensidade da resultante tangencial é: P · sen θ Portanto: |F t | = m · |a t | P · sen θ = m · |a t | m · g · sen θ = m · |a t | |a t | = g · sen θ ⇒ |a t | = 10 · (0,60) |at| = 6,0 m/s 2 39. No esquema, temos um pêndulo simples de com- primento ℓ = 0,60 m e com uma esfera de massa m = 1,0 kg, oscilando entre os pontos A e B. A velocidade escalar da esfera ao passar pelo ponto C é v = 6,0 m/s. B C 30º 60º A g v Determine a intensidade da força que traciona o fio e o módulo da aceleração tangencial nos pontos A e C. (Dados: sen 30° = cos 60° = 0,50; sen 60° = cos 30° = 0,87; g = 10 m/s2.) 40. Uma pequena esfera, de massa m = 0,40 kg, sus- pensa por um fio, descreve um movimento circular uniforme em torno do centro C, em um plano horizontal, constituindo o chamado pêndulo côni- co. Sendo o raio da trajetória R = 0,30 m, g = 10 m/s2, sen θ = 0,60 e cos θ = 0,80, determine a intensidade da força que traciona o fio e a velocidade escalar da esfera. Resolução: As forças que agem sobre a esfera são o peso P e a tração T do fio. Como a esfera realiza MCU, a resultante dessas forças é centrípeta. O triângulo colorido, que está redesenhado na figura b, per- mite calcular T e v: cos θ = m · g T 0,80 = 0,40 · 10 T T = 5,0 N tg θ = m · v2 R m · g tg θ = v2 R · g v2 = R · g · tg θ Sendo R = 0,30 m, g = 10 m/s2 e tg θ = sen θ cos θ = 0,60 0,80 , vem: v2 = 0,30 · 10 · 0,60 0,80 v2 = 9,0 4,0 v = 3,0 2,0 v = 1,5 m/s C R θ Figura a. θ C θ T P F c Figura b. v2 R T P = mg F c = m θ Figura c. Il U sT R A ç õ Es : zA PT