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Capítulo 16404 O experimento que acabamos de descrever é um exemplo de onda mecânica. Onda mec‰nica é a perturbação de um meio material elástico que se propaga por esse meio, transportando energia e quantidade de movimento. A palavra “mecânica” serve para diferenciar esse tipo de onda de outro tipo, que veremos mais adian- te e que pode se propagar no vácuo: onda eletro- magnética. Vejamos um outro exemplo. Na figura 4 temos uma mola helicoidal presa a um pistão P inicialmente em repouso. Façamos o pistão sofrer um rápido mo- vimento de vaivém para a direita e para a esquerda. Observamos que se forma um pequeno trecho C no qual a mola está mais comprimida. Daremos a C o nome compressão. Teremos a impressão de que esse trecho C move-se para a direita com velocidade v . Porém, não são os pontos da mola que se movem para a direita com velocidade v . Cada ponto, como o ponto A, executará um pequeno movimento de vai- vém na direção horizontal e depois voltará à posição inicial de repouso. O que se move para a direita, com velocidade v , é a forma comprimida, isto é, a com- pressão. Podemos também observar, imediatamente atrás de C, um trecho R em que a mola está mais esticada do que na posição inicial. A esse trecho R damos o nome rarefação. Pulso e trem de ondas Nos dois exemplos apresentados, consideramos uma única perturbação do meio material em cada caso: um movimento de sobe e desce na corda es- ticada e um movimento de vaivém no pistão ligado à mola. Nessas situações, costuma-se dizer que a onda é formada por um único pulso. No entanto, na maioria dos casos de interesse prático, temos mais de uma perturbação, isto é, mais de um pulso. Por exemplo, imaginemos uma corda esticada horizon- talmente. Nela podemos executar, com a mão, vários movimentos de sobe e desce (fig. 5), obtendo desse modo vários pulsos. Teremos, então, um trem de ondas. Na figura 5, as flechas verticais indicam os sentidos das velocidades instantâneas dos pontos da corda. Quando as perturbações são produzidas periodi- camente, temos um trem de ondas periódicas ou, simplesmente, uma onda periódica. (a) (g) (d) (c) (b) (e) (f) Figura 4. Figura 5. il u sT r A ç õ es : zA PT A P A P A P A P A P A P (a) (c) (d) (e) (f) (b) C R C R C R C R C Ondas 405 Em uma onda periódica, todas as partículas do meio vibram com o mesmo período e a mesma frequência da fonte de perturbações. O caso mais importante de ondas periódicas é o das ondas harmônicas. Dizemos que uma onda é harmônica (ou senoidal) quando as partículas do meio vibram em MHs. Ondas transversais e longitudinais Há uma diferença importante entre os dois exemplos apresentados nas figuras 4 e 5. No exemplo da figura 5 cada ponto da corda executa uma oscilação na direção vertical enquan- to a propagação da onda ocorre na direção horizontal (fig. 6a), isto é, a direção de oscila ção é perpendicular à direção de propagação. Já no caso da figura 4 cada ponto da mola oscila na mesma direção em que se dá a propagação (fig. 6b). No caso da figura 6a dizemos que a onda é transversal e no caso da figura 6b dizemos que a onda é longitudinal. As ondas mecânicas longitudinais podem se propagar através de sólidos, líquidos ou gases. Porém, em geral, as ondas mecânicas transversais só conseguem se propagar nos meios sólidos, pois, em líquidos e gases, as moléculas não têm as ligações necessárias à transmissão de perturbações transversais. (Há uma exceção que veremos a seguir.) Ondas superficiais As ondas que nos são mais familiares são certamente aquelas formadas na superfí- cie da água, como, por exemplo, as ondas do mar, num lago (fig. 7) ou mesmo numa poça de água. Na figura 7 vemos ondas circulares produzidas por “algo” no centro das ondulações. esse “algo” pode ser uma haste vertical ou alguma pedra jogada na água. um fato interessante sobre as ondas formadas na superfície da água é que elas não são longitudinais nem transversais. propagação oscilação movimento da onda r eT r O Fi le C r eA Ti V e/ G eT Ty iM A G es isso pode ser verificado facilmente. Coloquemos sobre a água de um lago (ou uma piscina ou um tanque) uma rolha boiando (fig. 8). Ao produzirmos ondas na superfície da água, quando as ondas atingirem a rolha, esta descreverá um movimento aproxima- damente circular, isto é, ao mesmo tempo em que sobe e desce, executa um pequeno movimento de vaivém na horizontal. Podemos dizer que essa onda é uma mistura de longitudinal com transversal e, por isso, alguns autores a chamam de onda mista. Figura 8.Figura 7. Figura 6. propagação oscilação (a) Onda transversal. (b) Onda longitudinal. il u sT r A ç õ es : zA PT Capítulo 16406 Vale a pena repetir que no interior de líquidos (e gases) as ondas transversais não se propagam. Porém, na superfície podemos ter uma onda que é mistura de longitu- dinal com transversal. Nesse caso, a componente transversal da onda não é ocasionada pelas propriedades elásticas do meio, mas sim pela gravidade e, em parte, pela tensão superficial. Ondas sísmicas Há situações em que temos vários tipos de ondas que se propagam simultaneamen- te em um mesmo meio. um exemplo são as ondas produzidas por terremotos, chama- das de ondas sísmicas (do grego seismós, que significa “abalo”, “tremor de terra”). Os terremotos produzem em geral quatro tipos de ondas simultaneamente: longitudi- nal, transversal vertical (as partículas oscilam verticalmente), transversal horizontal (as partículas oscilam horizontalmente) e superficial (como na superfície da água). Exercícios de Aplicação 1. A figura a representa um pulso triangular, movi- mentando-se para a direita, com velocidade v , ao longo de uma corda esticada. Para essa situação, represente as velocidades vetoriais dos pontos A e B. A B v Figura a. Resolu•‹o: A figura b, a seguir, representa as posições do pulso em dois instantes próximos, t1 e t2, com t2 > t1. A' B' A B t 2 > t 1t1 v Figura b. Observando a figura b, notamos que, no intervalo de tempo considerado, o ponto A desceu para a posição A' e o ponto B subiu para a posição B'. Portanto, as velocidades vetoriais instantâneas dos pontos A e B são representadas na figura c. A B v v B v A Figura c. É conveniente ressaltar que vA e vB são as velo- cidades instantâneas dos pontos A e B da corda, enquanto v é a velocidade de propagação do pulso. 2. Classifique como verdadeira (V) ou falsa (F) cada sentença a seguir. a) Uma onda transversal pode se propagar em gases. b) Uma onda longitudinal pode se propagar em gases. c) Uma onda transporta matéria. d) Uma onda transporta energia e quantidade de movimento. e) Tanto as ondas transversais como as longi- tudinais podem se propagar no interior de sólidos. 3. Nas figuras a seguir representamos um pulso que se propaga ao longo de uma corda esticada, com velocidade v . Em cada caso, represente as veloci- dades vetoriais instantâneas dos pontos D e E. a) ED v b) ED v 4. Uma onda periódica transversal propaga-se ao longo de uma corda esticada, de modo que cada ponto da corda tem MHS de período T. Nas duas figuras a seguir, representamos o perfil da corda em dois instantes, t1 e t2, tais que t2 – t1 = 0,5 s < T. v t 1 D 6 3 10 12 (cm) (cm) 0 2 4 6 8 il u sT r A ç õ es : zA PT