Prévia do material em texto
Algumas propriedades das ondas 503 Para n = 0, a equação 18 fica: |F 1 X – F 2 X| = 0 ⇒ F 1 X = F 2 X O conjunto de todos os pontos X tais que F 1 X = F 2 X está contido na reta s (fig. 74), que é a mediatriz do segmento de reta F 1 F 2 . Assim, na figura 74, temos: F 1 X = F 2 X; F 1 X' = F 2 X'; F 1 X" = F 2 X" Para n ≠ 0, a equação 18 define uma linha que você estuda- rá nas aulas de Matemática e cujo nome é hipérbole. Para cada n ≠ 0 existe uma hipérbole diferente. Na figura 75 representa- mos a reta s e as hipérboles correspondentes a n = 1 e n = 2. As hipérboles e a reta s são denominadas linhas ventrais pelo fato de conterem os ventres, isto é, os pontos que oscilam com amplitude máxima. Os pontos F 1 e F 2 , que representam as fontes, são os focos das hipérboles. Interfer•ncia destrutiva Na figura 76 representamos trechos de algumas cristas (linhas cheias) e vales (linhas tracejadas) das ondas emitidas por F 1 e F 2 . Se C 1 e C 2 são cristas emitidas ao mesmo tempo, a distância b entre F 1 e C 1 é igual à distância entre F 2 e C 2 . Consideremos o ponto X, que está sobre uma crista emitida por F 1 e um vale emitido por F 2 . Portanto, nesse ponto há inter- ferência destrutiva. Da figura, tiramos: d = F 2 X – F 1 X = b + 5 λ 2 – b + 2 · λ 2 = 3 · λ 2 ↓ ímpar É fácil perceber que, em geral, para haver interferência des- trutiva em um ponto X qualquer, devemos ter: d = |F 1 X – F 2 X| = i · λ 2 19 em que i = 1, 3, 5, 7, ... Para cada valor de i, a equação 19 definirá uma hipérbole chamada de linha nodal, pois nela ficam os nós, isto é, os pontos onde há interferência destrutiva. Na figura 77 dese- nhamos algumas linhas ventrais (linhas cheias) e algumas li- nhas nodais (linhas tracejadas). Observe que elas se alternam. É importante ressaltar que os pontos que formam as li- nhas nodais não estão totalmente em repouso. Como vimos no capítulo 16, à medida que a onda se afasta da fonte, a am- plitude vai diminuindo. Assim, no caso da figura 76, o ponto X está mais próxi mo de F 1 do que de F 2 . Dessa forma, a elon- gação da crista de F 1 é maior que a do vale de F 2 e, portanto, embora seja uma interferência destrutiva, não há no ponto X um anulamento completo. Figura 74. F 1 X s X' X'' F 2 d d 2 d 2 Figura 75. F 1 s n = 2 n = 2 n = 1 n = 0 n = 1 F 2 Figura 76. b F 1 C 1 b F 2 C 2 d X λ 2 λ 2 λ 2 λ 2 λ 2 λ 2 λ 2 Figura 77. d = λ d = λd = 0 F 1 F 2 d = 3λ 2 d = 3λ 2 d = λ 2 d = λ 2 IL U St RA ç õ eS : Z A Pt Capítulo 17504 Interferência de fontes em oposição de fase Continuemos com o caso de duas fontes produzindo ondas circulares na água, de modo que as duas ondas tenham a mesma amplitude e a mesma frequência. Porém, suponhamos que agora as fontes oscilem em oposição de fase. Nesse caso, enquanto uma haste está entrando na água, a outra está saindo, de modo que, enquanto uma está produzindo uma crista, a outra está emitindo um vale. É fácil concluir que, nesse caso, as condições de interferências construtiva e destruti- va são opostas àqueIas válidas para fonte em fase (equações 18 e 19 ). Para fontes em oposição de fase, temos: I. Interferência construtiva: |F 1 X – F 2 X| = i · λ 2 (i = 1, 3, 5, ...) 20 II. Interferência destrutiva: |F 1 X – F 2 X| = nλ (n = 0, 1, 2, 3, ...) 21 Há inversão também em relação às linhas nodais e ventrais. Observando a figura 77, se for o caso de oposição de fase, as linhas cheias serão linhas nodais, e as linhas tracejadas serão linhas ventrais. 13. Batimentos Nos itens anteriores analisamos a interferência de duas ondas de mesma frequência. Quando as frequências são diferentes, a análise é, em geral, complexa, e não a faremos aqui. Há, porém, um caso particular sim ples: quando temos duas ondas de frequências diferentes, mas muito próximas. Sendo f 1 e f 2 as frequências das duas ondas, a onda resultante da superposição das duas tem frequência f dada por: f = f 1 + f 2 2 22 Porém, a amplitude da onda resultante não permanece constante. ela aumenta e diminui periodicamente, como exemplificado na figura 78. esse fenômeno recebe o nome de batimento. O período do batimento (T b ) é o intervalo de tempo entre duas ocorrências suces- sivas de amplitude máxima. A frequência do batimento (f b ), que é o inverso de T b , é o número de amplitudes máximas que ocorrem por unidade de tempo. Pode-se demons- trar que, sendo f 1 > f 2 , temos: f b = f 1 – f 2 23 Quando ocorrem batimentos de ondas sonoras, ouvimos um som que aumenta e diminui de intensidade, com frequência f b . A orelha humana consegue perceber bati- mentos de frequência até, aproximadamente, 10 Hz. ZA Pt Figura 78. T b x t Algumas propriedades das ondas 505 74. Duas fontes sonoras puntiformes, F 1 e F 2 , emitem sons de mesma ampli tude e mesma frequência f = 85 Hz, num momento em que a velocidade de propagação no ar é v = 340 m/s. 32 m 56 m x F 1 F 2 Verifique que tipo de interferência ocorrerá no ponto X em cada caso a seguir: a) as fontes emitem em fase; b) as fontes emitem em oposição de fase. Resolução: a) v = λf ⇒ 340 = λ(85) ⇒ λ = 4 m d = F 2 X – F 1 X = 56 m – 32 m = = 24 m = 6(4 m) ⇒ d = 6λ (I) ↓ natural Para fontes em fase, a condição (I) implica interferência construtiva. Uma pessoa nesse ponto ouvirá um som mais forte do que ela ouve separadamente de cada fonte. b) Para fontes em oposição de fase, a condição (I) implica interferência destrutiva. Como expli- camos na teoria, pelo fato de as distâncias F 1 X e F 2 X serem diferentes, em X não haverá um anulamento total. Porém, nesse ponto uma pessoa ouviria um som mais fraco do que ela ouviria, separadamente, de cada fonte. 75. Na figura a seguir, F 1 e F 2 representam duas fon- tes sonoras que emitem ondas de mesma ampli- tude e mesma frequência 57 Hz. 45 m 60 m P F 1 F 2 Sabendo que a velocidade do som no ar é 342 m/s, deter mine o tipo de interferência que ocorre no ponto P nos seguintes casos: a) as fontes oscilam em fase; b) as fontes oscilam em oposição de fase. Exercícios de Aplicação 76. Na figura representamos dois alto-falantes, A e B, que emitem sons de mesma amplitude e mesma frequência f = 170 Hz, numa região em que a velocidade do som no ar é v = 340 m/s. 6,0 m 4,5 m A B P Determine o tipo de interferência ocorrida no ponto P, nos seguintes casos: a) os alto-falantes emitem em fase; b) os alto-falantes emitem em oposição de fase. 77. Duas fontes sonoras, X e Y, emitem em fase sons de mesma amplitude A e mesmo comprimento de onda λ = 8 m. X 3,6 m 7,6 m P Y A amplitude da onda no ponto P será aproxima- damente igual a: a) 2A b) A c) 0 d) A 2 e) A 2 78. Na figura representamos uma pessoa que rece- be ondas sonoras de duas fontes, F 1 e F 2 , cujas frequências são f 1 = 432 Hz e f 2 = 428 Hz. Determine: a) a frequência da onda ouvida pela pessoa; b) a frequência dos batimentos percebidos pela pessoa. Resolução: a) f = f 1 + f 2 2 = 432 Hz + 428 Hz 2 ⇒ f = 430 Hz b) f b = f 1 – f 2 = 432 Hz – 428 Hz ⇒ f b = 4 Hz F 1 F 2 d Z a p t Z a p t Z a p t L u iZ a u g u s t o R ib e iR o