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As belas cores na cauda de um pavão, por exemplo, são explicadas pela interferência da luz. Como é um fenômeno complexo, vamos analisar a interferência com o mínimo de abordagem matemática. O fenômeno da interferência é consequência de um princípio simples chamado de Princípio da Superposição. Nesta Coleção, vamos tratar apenas das ondas para as quais esse princípio é válido. A superposição ocorre quando dois ou mais pulsos ocupam, num dado instante, o mesmo lugar no espaço. Princípio da Superposição O Princípio da Superposição pode ser usado tanto para as ondas transversais quanto para as longitudinais. Vamos começar com a superposição de dois pulsos unidimensionais numa corda elástica, por exemplo. Quando dois pulsos se cruzam, numa certa posição e num dado instante, os seus efeitos se sobrepõem. Assim, cada ponto do meio deve deslocar-se, naquele instante de acordo com a “resultante” dos efeitos individuais de cada pulso. O efeito resultante pode fazer com que o deslocamento de cada ponto da corda seja maior ou menor do que aquele que ela teria se apenas um pulso se propagasse. Sejam x a elongação resultante da corda com os pulsos superpostos e x1 e x2 as elongações da corda devido a cada pulso individual. Se os pulsos têm: 1 – Elongações de mesmo sinal ⇒ |x| = |x1| + |x2| 2 – Elongações de sinais opostos ⇒ |x| = |x1| – |x2| A interferência, que acontece devido à superposição dos pulsos, pode ser de dois tipos. Se as elongações de um determinado ponto do meio, devido a cada comando individual, são somadas, a interferência é chamada de construtiva. Se as elongações são subtraídas, ela é chamada de interferência destrutiva. Um fato importante da interferência diz respeito ao que acontece com cada pulso após a superposição deles. Independentemente do tipo de interferência (construtiva ou destrutiva), após a superposição dos pulsos, cada um segue o seu caminho com as mesmas características originais. Ou seja, cada pulso mantém inalterados a forma, a fase, a velocidade, a frequência e o comprimento de onda. Veja a seguir a superposição de dois pulsos transversais em fase (a) e em oposição de fase (b). (a) (b) (a) (b) Considere dois pulsos completos, com a mesma amplitude e em oposição de fase, que se propagam em sentidos opostos ao longo de uma corda elástica, em cinco instantes de tempo. Considere cada quadriculado da figura a seguir com dimensões 2 cm . 2 cm, e que a velocidade de cada pulso seja igual a 1,0 cm/s. Dessa forma, a cada segundo, os pulsos caminham 1,0 cm. Cada figura da direita, em cada um dos instantes, mostra a onda resultante e, claro, a forma que a corda assume devido à superposição dos pulsos. t = 0 t = 1 s t = 2 s t = 3 s t = 4 s No instante t = 2 s, as cristas e os vales dos dois pulsos se superpõem. Dessa forma, a onda resultante apresenta amplitude igual a 4,0 cm. Nos instantes t = 1 s e t = 3 s, a crista de um pulso se sobrepõe ao vale do outro, e vice-versa. Assim, o efeito resultante é uma amplitude nula. Nesse caso, a interferência é destrutiva total. Você deve desenhar, em casa, as ondas resultantes, nos cinco instantes mostrados anteriormente, para dois pulsos em concordância de fase. Interferência de ondas bidimensionais Da mesma forma que ocorre com ondas unidimensionais, as ondas bidimensionais (ou tridimensionais) também sofrem interferência quando ocorre a superposição dos pulsos, no mesmo instante e em cada ponto do meio, gerados por uma ou por mais de uma fonte de ondas. Difração e Interferência de Ondas FÍ SI C A 37Bernoulli Sistema de Ensino A figura a seguir mostra duas ondas, geradas por duas fontes F1 e F2, que se propagam na água contida em uma cuba de ondas. Considere que as fontes sejam coerentes, ou seja, que elas produzam ondas com a mesma frequência e em concordância de fase. Assim, o comprimento de onda é o mesmo para as duas ondas. As linhas cheias e pontilhadas representam, respectivamente, as cristas e os vales das ondas. Considere que as duas ondas foram geradas com a mesma amplitude (A). F1 F2 Essa figura mostra um padrão de interferência. Observe que os pontos pretos indicam posições em que a interferência é destrutiva total (cristas e vales superpostos). Nesses pontos, a todo instante, a amplitude é sempre nula. A linha que une tais pontos (linha preta na figura) é chamada de linha nodal. Em todos os pontos dessas linhas, temos sempre uma interferência destrutiva total e, portanto, a água permanece em repouso. Uma rolha, por exemplo, colocada em qualquer ponto da linha nodal não oscila, ou seja, existe um padrão ou um modelo para a interferência. As bolinhas brancas mostram pontos do meio em que a interferência é totalmente construtiva (superposições de crista com crista ou de vale com vale). Nesses pontos, a amplitude resultante é máxima, e a água tem a sua maior oscilação. Um objeto flutuante, colocado em qualquer um desses pontos, oscila para cima e para baixo com uma amplitude 2A. A região compreendida entre duas linhas nodais é chamada de região ventral. Nela, a água está oscilando, para cima e para baixo, com variadas amplitudes. A fotografia a seguir mostra o padrão de interferência discutido na figura anterior. Is to ck ph ot o Observe que a fotografia mostra várias linhas nodais. Na linha central das regiões ventrais, podemos ver cristas e vales. Na região ventral, temos a noção do deslocamento das ondas no sentido radial. As ondas tridimensionais também apresentam padrão de interferência semelhante. A diferença está no fato de que elas, por se propagarem nas três dimensões do espaço, podem formar superfícies nodais (em vez de linhas) e regiões ventrais espaciais (e não planas). Devido à dificuldade de se desenhar tais padrões, eles serão omitidos. Condições de interferência Vamos tratar apenas das interferências construtiva ou destrutiva total. Considere duas fontes F1 e F2 emitindo ondas em concordância de fase e que se deslocam pelo meio de propagação com comprimento de onda (λ). Essas ondas se superpõem em um ponto P, como mostra a figura a seguir. Observe que o ponto P é atingido, simultaneamente, por duas cristas e, dessa forma, a interferência é construtiva. Observe que cada onda percorre uma distância igual a 4λ até o ponto P. Se nesse ponto chegassem à crista de uma das ondas e o vale da outra, a interferência seria destrutiva. Portanto, o que define se num ponto existe interferência construtiva ou destrutiva, além da fase da onda, é a distância percorrida por cada uma delas até esse ponto. Sejam L1 e L2 as distâncias das fontes 1 e 2 até o ponto P, respectivamente. F1 F2 P Para fontes que geram ondas em concordância de fase, a interferência será: 1 – Construtiva, se |L1 – L2| = nλ 2 – Destrutiva, se |L1 – L2| = (n + ½)λ Para fontes que geram ondas em oposição de fase, a interferência será: 1 – Construtiva, se |L1 – L2| = (n + ½)λ 2 – Destrutiva, se |L1 – L2| = nλ Nessas relações, n = 0, 1, 2, 3, ... OBSERVAÇÃO Se um ponto é atingido por uma onda que chega diretamente de uma fonte e por outra emitida pela mesma fonte, mas que sofreu uma reflexão com inversão de fase, devemos usar as relações de interferência para fontes em oposição de fase. Frente B Módulo 16 38 Coleção 6V