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Alexandre Couto Cardoso Márcia Maria Guimarães Onaldo Chaves Raciocínio Lógico Alexandre Couto Cardoso Márcia Maria Guimarães Onaldo Chaves RACIOCÍNIO LÓGICO Belo Horizonte Julho de 2016 COPYRIGHT © 2016 GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO Todos os direitos reservados ao: Grupo Ănima Educação Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização por escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros. Edição Grupo Ănima Educação Vice Presidência Arthur Sperandeo de Macedo Coordenação de Produção Gislene Garcia Nora de Oliveira Ilustração e Capa Alexandre de Souza Paz Monsserrate Leonardo Antonio Aguiar Equipe EaD Conheça a Autora Marcia Maria é Doutora em Ciência em Engenharia / Recursos Hídricos pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós Graduação e Pesquisa de Engenharia - COPPE/UFRJ (2006), Mestre em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG (1997), e graduada em Matemática pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Belo Horizonte (1980), e em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da FUMEC (1984). Pesquisadora em Ciência e Tecnologia pela Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC, tem grande experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Engenharia de Sedimentos, atuando principalmente nos temas: Recursos Hídricos, Chuvas Intensas, Produção de Sedimentos em Ambientes Fluviais, Desenvolvimento de Modelos Matemáticos Determinísticos Aplicados ao Movimento de Sedimentos e Poluentes em Escoamentos com Superfície Livre, Análise Regional de Frequência de Eventos Extremos e Modelos Hidrológico e Hidrodinâmico. Trabalha como docente há mais de 10 anos, atuando como professora nas áreas de engenharia, gestão ambiental e gestão de recursos hídricos. Atualmente é professora convidada do Curso de Especialização “Gerenciamento de Recursos Hídricos” do ICB/ UFMG e professora contratada da UNATEC, e do Instituto Politécnico do Centro Universitário UNA. Conheça o Autor Onaldo Chaves é mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa, concluído em 2002, Engenheiro Mecânico com especialização em Engenharia Termo Nuclear pela UFMG em 1980, Pós-graduado em Análise de Sistemas, convênio SERPRO/ UNA em 1985. Trabalhou durante 12 anos como analista de suporte técnico em teleprocessamento, na empresa “Fertilizantes Fosfatados S.A – Fosfértil”, e na “Companhia de Saneamento de Minas Gerais – COPASA MG”. Ampla experiência docente de 38 anos, sendo 25 anos lecionando no Centro Universitário UNA em Belo Horizonte. Conheça o Autor O Prof. Alexandre Couto Cardoso é mestre em Administração (FEAD-Minas, 2005), especialista em Padrões Internacionais de Auditoria (UCB, 2010) e em Análise de Sistemas (UFRJ,1990), bacharel em Ciências Contábeis (UFMG, 1988) e possui Licenciatura em Administração, Contabilidade e Tecnologia da Informação (CEFET/MG, 2000). Tem mais de 30 anos de experiência profissional, sendo mais de 20 relacionados à área de Tecnologia da Informação e Comunicação, com ênfase no desenvolvimento de sistemas, governança de TI, COBIT, workflow, sistemas de auditoria. Trabalhou também na análise da gestão de negócios para fins de crédito, com ênfase em plano de negócios, análise de demonstrações financeiras, análise de investimentos, de fluxo de caixa e gerenciamento de processos de negócio (BPM) em geral. É professor universitário desde 2002, atuando em diversas disciplinas de Contabilidade e Administração, na graduação à distância (EAD) e presencial, bem como na pós- graduação do Centro Universitário UNA, UNIBH e do SENAC em Minas Gerais. Foi auditor interno da Caixa Econômica Federal, com certificação internacional (CISA - Certified Information Systems Auditor, 2007), onde atuou prioritariamente com Auditoria de Processos, de TI e Auditoria Eletrônica utilizando ferramentas de Business Intelligence. É coautor da metodologia de Auditoria de Processos da CAIXA e autor de material didático sobre Contabilidade na EAD da UNA. Disciplinas ministradas: Auditoria de TI; Auditoria Fiscal; Auditoria Contábil; Governança; Contabilidade; Contabilidade Rural; Estrutura e Análise das Demonstrações Financeiras; Formação do Custo e do Preço de Venda; Gestão da Liquidez; Teoria dos Jogos para Finanças; Microeconomia; Análise de Cenários Econômicos; Matemática Financeira; Métodos Financeiros; Análise e Interpretação de Dados; Estatística; Raciocínio Lógico. Raciocínio Lógico é uma das disciplinas essenciais não apenas para aqueles que trabalhavam com Matemática, Computação ou até mesmo Filosofia, como antigamente se pensava, mas também para todos os profissionais que precisam, em seu dia a dia, tomar decisões rápidas, organizar ideias, argumentar de forma clara e precisa, além, é claro, de ser uma atividade desafiadora e que desenvolve o raciocínio. Desde a antiguidade, o homem vem sendo forçado a analisar todos os fatos à sua volta, mesmo em ambientes hostis e seletivos. A sua sobrevivência somente ocorreu pela habilidade desenvolvida em reconhecer seus predadores naturais, as fontes alimentares adequadas e compreender os fenômenos da natureza. Hoje, com toda a tecnologia disponível e todo o conhecimento acumulado, procuramos respostas mais precisas para fatos que desafiam a espécie humana e sua constante luta pela vida, ainda que pensar seja uma atividade espontânea e natural, inerente ao ser humano. Para raciocinar, porém, temos que nos concentrar e nos esforçar para organizar nossas ideias de maneira lógica e coerente, e somente conseguiremos desenvolver essa habilidade se nos prepararmos adequadamente. Esta disciplina tem como objetivo capacitar você com conhecimentos sobre raciocínio lógico, facilitando o desenvolvimento do seu raciocínio frente a argumentações, buscando formular conclusões e representações a partir das premissas apresentadas. Nossa expectativa é que você desenvolva a competência de interpretar, entender e aplicar técnicas formais da lógica, para desenvolver o raciocínio lógico e dedutivo, que lhe permitirá enunciar e resolver Apresentação da disciplina situações-problema, antecipando tendências e planejando ações futuras. Esta disciplina lhe proporcionará as ferramentas necessárias para que você possa aplicar o raciocínio lógico na solução de problemas da vida pessoal e profissional, otimizando o tempo na tomada de decisões e na organização das atividades, a partir do estabelecimento de relações formais entre proposições, premissas e conclusões, dentre outras habilidades. Sabe-se que pessoas mais criativas têm maior facilidade para entrar em contato com suas emoções e imaginação e processar, rapidamente, as informações, relacionando-as de forma automática às experiências adquiridas. Assim, para desenvolver habilidades que o capacitarão a entender melhor o mundo ao seu redor, pretendemos, com essa disciplina, o ajudar a mesclar suas intuições, inspiradas em conhecimentos e experiências subjetivas, com o raciocínio lógico e objetivo, por meio de leituras, jogos, curiosidades e arte, como a música, a pintura, o canto, a dança – o que lhe permitirá ser mais criativo e inovador em sua vida pessoal e profissional. Bons estudos! UNIDADE 3 068 Introdução ao estudo da lógica 069 Um pouco da história do pensamento lógico 070 A lógica na vida do tecnólogo 076 Revisão 087 UNIDADE 4 089 Proposição e suas operações lógicas 090 Conceitos de proposição 092 Valores lógicos das proposições 101 Conectivos lógicos 102 Revisão 110 UNIDADE 2 032 Problemas de correlacionamento 031 Aprendendo a identificar varíaveis do contexto 035 Técnicas para resoluçãode problemas de correlacionamento 038 Revisão 066 UNIDADE 1 003 Desafios lógicos 004 Introdução 006 Jogos 009 Revisão 028 UNIDADE 5 112 Operações lógicas e resultados 113 Operações lógicas sobre proposições 117 Tabelas-verdade para proposições simples 119 Tabelas-verdade para proposições compostas 128 Revisão 141 UNIDADE 6 142 Tautologias, contradições e contingências 143 Definição de tautologia 145 Definição de contradição 153 Definição de contingência 156 Revisão 162 UNIDADE 7 165 Inferência ou implicação lógica 166 Proposição condicional 169 Inferência ou implicação lógica 174 Propriedades das operações entre operandos 177 Propriedades das relações de inferência ou implicação lógica 180 Proposições associadas a uma condicional: recíproca, contrária e contrapositiva 183 Revisão 188 UNIDADE 8 190 Equivalência lógica 191 Equivalência lógica 193 Propriedades da relação de equivalência lógica 194 Proposições associadas a uma condicional que apresentam equivalência lógica 195 Álgebra das proposições de equivalência lógica 197 Revisão 212 REFERÊNCIAS 214 Desafios lógicos • Desafios lógicos • Jogos • Revisão Introdução Desde a nossa infância somos desafiados a descobrir como as coisas são formadas e qual a explicação lógica para cada fenômeno da natureza. A palavra “desafio” tem um sentido profundo de nos forçar a encontrar uma solução para um problema aparentemente complexo. Essa mesma palavra assume um contexto ainda mais interessante quando assume uma visão competitiva de, efetivamente, vencer o desafio diante de um oponente forte que deve ser superado. Neste cenário, para vencer o desafio, o jogador deve preparar estratégias claras e previamente articuladas. A Teoria dos Jogos, um estudo recente, muito importante no meio econômico e no mundo dos negócios, consiste no estudo das tomadas de decisões entre indivíduos, quando o resultado de cada um depende das decisões dos outros, numa interdependência permanente, semelhante ao que acontece em um jogo. Vale a pena ressaltar que esse jogo é similar às situações rotineiras que ocorrem frequentemente na vida das pessoas. É importante frisar que a Teoria dos Jogos não se aplica à decisões pessoais, como a decisão sobre a viagem a ser realizada nas próximas férias ou a melhor alternativa para comprar um carro novo para a família. Essa teoria estuda o cenário no qual existem várias situações que visam aumentar lucros, mas que, muitas vezes, gera conflitos diretos entre cada alternativa. Assim, o resultado de ganho ou perda de uma decisão dependerá da movimentação do mercado, de seus concorrentes, de política governamental, de cenários externos e de um número expressivo de possibilidades de combinações entre esses fatores. Por isso, o jogador necessita saber quais são os ganhos e perdas de cada combinação, e identificar quais são as iniciativas de seus concorrentes. Então, antes de tomar qualquer decisão, recomenda-se que se tenha em mente qual seria a ação tomada por todos os agentes que interferem no seu desempenho. Pensar na forma de agir do concorrente e dos outros agentes externos pode parecer fruto da intuição, mas a Teoria dos Jogos mostra que antes de tudo é uma atitude racional, baseada na observação e na análise das alternativas, e de suas probabilidades. Assim como existem várias teorias da administração que ajudam a estruturar o seu pensamento nas decisões competitivas, a Teoria dos Jogos possui modelos de estudos formais e exemplos que facilitam o entendimento nas decisões interdependentes. É fácil perceber, então, a importância de um pensamento estruturado e lógico para visualizar todas as variáveis e as suas implicações imediatas, de modo a decidir acertadamente, e obter os melhores resultados possíveis, ou seja, vencer o desafio proposto. Vamos agora ilustrar essas possibilidades e estudar essa interdependência por meio de jogos lógicos que se tornaram populares, e são ferramentas importantes no desenvolvimento do pensamento lógico racional. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 006 Um desafio bastante interessante consiste em “adivinhar” um número pensado por uma pessoa de maneira rápida a partir da leitura de seis cartões contendo vários números. Desafios lógicos Desde nossa infância somos desafiados o tempo todo a provar alguma coisa, desde as brincadeiras mais simples que envolvem atividades físicas, como correr, pular corda, subir em árvores, jogar bola, até aquelas atividades que envolvem conhecimentos anteriores, como lembrar uma música que tenha alguma palavra específica, recitar uma poesia ou falar sobre algum personagem. Um desafio em forma de jogo é a famosa brincadeira da forca, conforme ilustrado na Figura 1. Nela os jogadores devem acertar a palavra “oculta” para escapar da forca, tendo como dica o número de letras e o tema ligado à palavra. A cada letra que o jogador erra é marcada uma parte do “enforcado”. O jogo termina com o acerto da palavra ou com o enforcamento do seu parceiro, ou parceiros. FIGURA 1 – Jogo da forca Fonte: Elaborada pelos autores. Outro desafio bastante interessante consiste em “adivinhar” um número pensado por uma pessoa de maneira rápida a partir da leitura de seis cartões contendo vários números. Vamos apresentar esse desafio. São apenas seis cartões, apresentados nas TABELAS 1 a 6, que deverão ser lidos pelo desafiado. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 007 TABELA 1 – Desafio dos números – Primeiro Cartão Fonte: Elaborado pelo autor. 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 49 51 53 55 57 59 61 61 TABELA 2 – Desafio dos números – Segundo Cartão TABELA 3 – Desafio dos números – Terceiro Cartão TABELA 4 – Desafio dos números – Quarto Cartão Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. 2 3 6 7 10 11 14 15 18 19 22 23 26 27 30 31 34 35 38 39 42 43 46 47 50 51 54 55 58 59 62 63 4 5 6 7 12 13 14 15 20 21 22 23 28 29 30 31 36 37 38 39 44 45 46 47 52 53 54 55 60 61 62 63 8 9 10 11 12 13 14 15 24 25 26 27 28 29 30 31 40 41 42 43 44 45 46 47 56 57 58 59 60 61 62 63 RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 008 Cada cartão inicia com uma potência inteira de 2, que são os números 1, 2, 4, 8, 16 e 32. TABELA 5 – Desafio dos números – Quinto Cartão Fonte: Elaborado pelo autor. 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 TABELA 6 – Desafio dos números – Sexto Cartão Fonte: Elaborado pelo autor. 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 O desafio consiste em pedir que uma pessoa pense um número entre 1 e 63. Em seguida, você deverá descobrir qual número foi pensado. A chance matemática de acertar o número pensado é muito baixa, é igual à fração de uma chance em 63 possibilidades (1/63), ou seja, alguma coisa menor do que 2% de chance de acerto. Entretanto, bastaria pedir que a pessoa indicasse em quais cartões estava escrito aquele número que ela havia pensado. De posse dessa informação, a “adivinhação” ocorre em pouquíssimo tempo. Vamos exemplificar. Suponha que a pessoa tivesse pensado no número 41. Ao procurá-lo, ele estaria presente em três cartões. No primeiro, no quarto e no sexto cartão. Observe que o número 41 não aparece em nenhum dos outros três cartões. Ao dizer que o número pensado estava presente somente nesses três cartões, a “adivinhação” ocorreria rapidamente e a resposta estaria correta. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 009 Esses números não se repetem em nenhum outro cartão e a montagem dos demais números em cada cartão obedece a um princípio matemático relativamente simples. Como? Mágica? Não, apenas a execução de uma operação aritmética. Uma simples soma dos primeiros números que aparecem no 1º, 4º e 6º cartões, ou seja, 1 + 8 + 32 = 41. O que são esses números 1, 8 e 32,e de onde eles surgiram? São os números iniciais do primeiro, do quarto e do sexto cartão. Isto funciona com absoluta precisão para qualquer número. Vamos verificar? Suponha então que o número pensado fosse 34. Observe que esse número somente aparece no 2º e no 6º cartão e a soma seria, então, 2 + 32 = 34. E se fosse o número 1? Mais fácil ainda, pois ele está presente somente no primeiro cartão. Que "mágica" é essa? Bom, na verdade não é nenhuma mágica, mas apenas um exercício simples de mudança de base entre os números da base 10 para as potências de base igual a 2. Observe que cada cartão inicia com uma potência inteira de 2, que são os números 1, 2, 4, 8, 16 e 32. Esses números não se repetem em nenhum outro cartão e a montagem dos demais números em cada cartão obedece a um princípio matemático relativamente simples. Enfim, essa "mágica" nada mais é que a aplicação imediata do raciocínio lógico aplicado sobre os números. Jogos Vamos agora mostrar alguns desafios lógicos encontrados nos jogos. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 010 A “adivinhação” ocorre somando-se o primeiro número de cada cartão que a pessoa indicar como tendo o número que ela pensou. A “adivinhação” ocorre somando-se o primeiro número de cada cartão que a pessoa indicar como tendo o número que ela pensou. Podemos simular muitas situações utilizando apenas papel e caneta, ou alguma estrutura que possa ser desenhada com facilidade. Vamos mostrar três jogos interessantes que necessitam apenas que utilizemos o nosso raciocínio lógico. Jogo da velha Vamos iniciar a descrição dos jogos abordando um jogo lógico de muita simplicidade, que é conhecido popularmente por “jogo da velha”. Esse jogo é baseado na demarcação de um tabuleiro quadrado, construído em uma folha de papel por uma estrutura matricial 3 x 3, ou seja, formada por três colunas e três linhas, conforme exemplificado na TABELA 7 a seguir. TABELA 7 – Jogo da velha Fonte: Elaborado pelo autor. 1,1 1,2 1,3 2,1 2,2 2,3 3,1 3,2 3,3 Os números colocados no interior de cada célula estão definindo a identificação dessa célula. O primeiro número indica a linha em que a célula se encontra, e o segundo a coluna. O jogo inicia com o primeiro jogador fazendo a sua marcação em uma das nove células da matriz. Normalmente, as marcações típicas são: o “X” para o primeiro jogador e o “0” para o segundo jogador. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 011 Uma jogada típica é iniciar com a marcação na célula central (2,2), que é uma posição estratégica na matriz (ou tabuleiro). Por ocupar a posição central, essa célula está presente na formação de quatro sequências, que são as seguintes: a) TABELA 7.1 – Jogo da velha b) TABELA 7.2 – Jogo da velha c) TABELA 7.3 – Jogo da velha d) TABELA 7.4 – Jogo da velha Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. 1,1 2,2 3,3 2,1 2,2 2,3 1,3 2,2 3,1 1,2 2,2 3,2 O segundo jogador repete o procedimento fazendo a sua marcação em outra célula da matriz. Vamos também supor que esse jogador faça a sua jogada marcando a posição 2,3, ou seja, segunda linha e terceira coluna. Esta não é uma boa jogada. Observe que, das quatro alternativas possíveis de formação de uma sequência, essa marcação inibe somente uma delas, que é a quarta possibilidade (2,1, 2,2, 3,2). O primeiro jogador, então, fará a sua segunda jogada, fazendo a sua marcação na posição 1,1 (linha 1, coluna 1). Essa marcação forçará o segundo jogador a fazer a sua marcação na posição 3,3 (terceira linha e terceira coluna), para impedir que o primeiro jogador complete a sequência na linha diagonal (posições 1,1, 2,2 e 3,3), conforme veremos na sequência: X X 0 X X 0 TABELA 8 - Jogo da velha – Jogador 1 – 1ª jogada TABELA 8.1 - Jogo da velha – Jogador 2 – 2ª jogada TABELA 8.2 - Jogo da velha – Jogador 1 – 3ª jogada TABELA 8.3 - Jogo da velha – Jogador 2 – 4ª jogada X X 0 0 RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 012 Fonte: Elaborado pelo autor.Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. Fonte: Elaborado pelo autor. X X 0 X X 0 TABELA 8 - Jogo da velha – Jogador 1 – 1ª jogada TABELA 8.4 - Jogo da velha – Jogador 1 – 5ª jogada (duplo ataque) TABELA 8.1 - Jogo da velha – Jogador 2 – 2ª jogada TABELA 8.5 - Jogo da velha – Jogador 2 – 6ª jogada (o jogo está perdido) TABELA 8.2 - Jogo da velha – Jogador 1 – 3ª jogada TABELA 8.6 - Jogo da velha – Jogador 1 – 7ª jogada (vence o jogo) TABELA 8.3 - Jogo da velha – Jogador 2 – 4ª jogada X X 0 0 X X X 0 0 X 0 X X 0 0 X 0 X X 0 X 0 Ao marcar a posição (1,3), o primeiro jogador, além de se defender, terá conseguido efetuar um ataque duplo em seu adversário. Observe que na próxima jogada ele terá a sua disposição duas alternativas para completar a série sequencial, que seria a primeira linha, posições (1,1), (1,2) e (1,3), ou na diagonal secundária, posições (1,3), (2,2) e (3,1). Considerando que o segundo jogador poderia se defender de apenas uma dessas jogadas, o primeiro jogador venceria esse desafio com facilidade. O desafio apresenta, entretanto, uma defesa bastante simples para evitar ser surpreendido. Vamos supor que o primeiro jogador marque a célula central (posição 2,2). Existe uma defesa simples que irá definir a continuidade do jogo. Se o segundo jogador marcar uma célula de esquina (1,1 ou 1,3 ou RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 013 3,1 ou 3,3), ele não será surpreendido por um ataque duplo como no jogo anterior. Vejamos então a sequência: O primeiro jogador joga na célula (2,2), o segundo jogar, em resposta, marca a célula de esquina (1,1). Qualquer que seja a próxima jogada do primeiro jogador, o segundo jogador deverá se defender da possibilidade de formação de uma sequência de três células do primeiro jogador. Se o primeiro jogador marcar a célula (1,3), o segundo jogador, obrigatoriamente, terá que marcar a célula (3,1) para se defender. Isso criará uma situação de ataque para o seu oponente, conforme mostrado na TABELA 9. TABELA 9 – Jogo da velha – Jogador 2 ataca Fonte: Elaborado pelo autor. 0 X X 0 Assim, quem está sendo atacado é o primeiro jogador, que terá que cobrir a possibilidade de formação de uma sequência na primeira coluna (1,1, 2,1 e 3,1), ocupando a célula (2,1). O segundo jogador, então, irá se defender da possibilidade de uma sequência na segunda linha, cobrindo a célula (2,3). Nesse caso, a única possibilidade de formar uma sequência para o primeiro jogador será a formação sequencial na segunda coluna. Entretanto, essa sequência seria facilmente defendida pelo segundo jogador, uma vez que não caracterizaria um ataque duplo, como o que ocorreu no desafio anterior, conforme podemos observar na TABELA 10. Assim, quem está sendo atacado é o primeiro jogador, que terá que cobrir a possibilidade e formação de uma sequência na primeira coluna (1,1, 2,1 e 3,1), ocupando a célula (2,1). RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 014 TABELA 10 – Jogo da velha – Termina sem vencedores Fonte: Elaborado pelo autor. 0 0 X X X 0 0 X Esse desafio estará então terminado sem vencedores. Trata-se de um jogo simples e perfeitamente previsível para jogadores com raciocínio lógico mais desenvolvido. Sudoku O jogo de Sudoku é muito popular no Brasil, não somente por ocupar as páginas das revistas de entretenimento, mas também por fazer parte das edições diárias dos principais jornais do país. O nome Sudoku é uma abreviação para a frase japonesa “os dígitos devem permanecer únicos”.É um jogo de lógica muito simples, não envolvendo nenhum tipo de cálculo, baseando-se apenas na colocação dos números nas células próprias. Existem especulações não comprovadas de que esse jogo teria sido inventado no século XVIII pelo famoso matemático Euler (1707- 1783). Porém, o primeiro jogo desse tipo foi encontrado em uma revista americana em 1979 (SUDOKU History. In: Site "Conceptis puzzles") e foi criado pelo arquiteto aposentado Howard Garns. O passatempo foi publicado com o nome “Number Place” (lugar dos números), porém apareceu em uma revista japonesa com o nome “Sudoku”. Um Sudoku é formado por um quadrado bidimensional, dividido em 16 casas na versão 4x4, 36 casas na versão 6x6 e 81 casas na sua versão mais comum, a 9x9. Essas casas, ou células, ficam agrupadas em quadrados menores (submatrizes), e a quantidade de quadrados varia de acordo com a versão do jogo. A RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 015 Um Sudoku é formado por um quadrado bidimensional, dividido em 16 casas na versão 4x4, 36 casas na versão 6x6 e 81 casas na sua versão mais comum, a 9x9. TABELA 11 – Jogo inicial do Sudoku Fonte: Elaborado pelo autor. 8 2 4 5 7 4 1 5 6 9 2 7 9 5 1 8 9 6 4 8 3 2 8 5 2 7 versão 4x4 contém 4 agrupamentos de 4 quadrados cada. A 6x6 contém 6 agrupamentos com 6 quadrados cada e a versão 9x9, 9 agrupamentos de 9 quadrados cada. Vamos considerar a versão mais comum utilizada no Brasil. Conforme vimos anteriormente, o jogo desenvolve-se em uma matriz principal de dimensões 9x9, dividida em 9 submatrizes menores, de dimensões 3x3. Alguns valores são preenchidos previamente, como pode ser observado na TABELA 11. O jogador deverá preencher todas as casas ou células vagas, observando a colocação dos números em todas as linhas, colunas e submatrizes com os números de 1 a 9. Obviamente, todos os números de 1 a 9 deverão estar presentes e, consequentemente, não haverá repetição de nenhum desses números, seja na linha, seja na coluna ou em qualquer submatriz interna. Tenha em mente que a solução a ser apresentada é única e que qualquer número colocado de maneira equivocada em alguma célula irá promover uma situação de erro ao final do jogo. Ou RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 016 Um Sudoku é formado por um quadrado bidimensional, dividido em 16 casas na versão 4x4, 36 casas na versão 6x6 e 81 casas na sua versão mais comum, a 9x9. seja, colunas, linhas ou submatrizes com números repetidos e, consequentemente, com a ausência de outros números. Vejamos então como poderíamos solucionar o Sudoku que foi apresentado na TABELA 11 precedente. Situação inicial proposta para análise. A definição dos números a serem colocados em cada célula obedece apenas à observação e à análise das possibilidades de colocação de cada número. O jogador deverá preencher todas as casas ou células vagas, observando a colocação dos números em todas as linhas, colunas e submatrizes com os números de 1 a 9. Para facilitar o trabalho de colocação de cada número em cada célula, observe as seguintes dicas, a. Para terminar mais rápido, localize o número que aparece mais vezes na grade e procure, nas células livres, onde esse número poderia ser colocado. b. Cruze linhas com colunas, buscando identificar que posição em uma linha ou coluna possa conter um determinado número por um processo de eliminação. c. Tente começar pelas linhas, colunas ou submatrizes que tenham a maior quantidade de números inicialmente marcados. d. Evite utilizar o processo de tentativa e erro, e marque somente os números quando tiver certeza absoluta. e. Em estruturas com maior grau de dificuldade, quando não existir a certeza absoluta para a colocação de um número e existir a dúvida entre dois números, marque a lápis a sua escolha e tente prosseguir com as outras marcações. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 017 O jogador deverá preencher todas as casas ou células vagas, observando a colocação dos números em todas as linhas, colunas e submatrizes com os números de 1 a 9. Nesse jogo observa-se, por exemplo, que a oitava submatriz (a segunda na última linha) apresenta uma maior concentração de números previamente preenchidos. Provavelmente, nessas situações será possível identificar, pela observação, a colocação dos primeiros números do Sudoku. Observe também, nesta mesma submatriz, que a primeira coluna está toda preenchida com os números 6, 2, 7 e sua segunda coluna tem um preenchimento parcial com os números 4, 8, x. O elemento x, inicialmente, poderia ser qualquer número ainda não colocado na submatriz, que são os números 1, 3, 5 e 9. Observando a sexta coluna da matriz principal, é possível identificar a presença do número 9, posicionado na quarta linha . Logo, não podemos ter uma repetição do número 9 na sexta coluna. A única possibilidade, então, de posicionar o número 9 na submatriz é na quinta coluna, abaixo do número 8, conforme mostrado na TABELA 12. TABELA 12– Jogo do Sudoku Fonte: Elaborado pelo autor. 8 2 4 5 7 4 1 5 6 9 2 7 9 5 1 8 9 6 4 8 3 2 8 5 2 7 9 Sabemos agora que na sexta coluna da submatriz teremos os números 1, 3 e 5, não necessariamente nessa ordem. Veja agora que na oitava linha os números 3 e 5 já aparecem. O número 3 está na oitava linha e terceira coluna, e o 5 na oitava linha e sétima coluna. Essa observação então garantirá que o número 1 RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 018 Sabemos agora que na sexta coluna da submatriz teremos os números 1, 3 e 5, não necessariamente nessa ordem. irá figurar nessa oitava linha e sexta coluna, conforme ilustrado na TABELA 13 abaixo. Outra observação simples pode ser feita com o número 2, pois ele ainda não foi posicionado na submatriz formada pelas linhas 7, 8, 9 e colunas 7, 8, 9. Observe que o número 2 já está presente na oitava linha, quarta coluna, e também está na nona linha, segunda coluna. Consequentemente, ele deverá ocupar alguma posição na sétima linha da última submatriz. Essa sétima linha já tem o número 8 ocupando a oitava coluna. Ainda teríamos então duas opções para colocar o número 2, que seriam nas colunas 7 e 9 respectivamente. Porém, se observarmos na terceira submatriz, já encontramos o número 2 na primeira linha e sétima coluna. Logo, a única maneira de colocarmos o número 2 nessa última submatriz será na linha 7, coluna 9, conforme mostrado na TABELA 13. TABELA 13 - Jogo do Sudoku Fonte: Elaborado pelo autor. 8 2 4 5 7 4 1 5 6 9 2 7 9 5 1 8 9 6 4 8 2 3 2 8 1 5 2 7 9 À medida que os números vão sendo colocados adequadamente na matriz, novas conclusões vão sendo estabelecidas, o que permitirá a colocação de outros números até o seu preenchimento completo, conforme mostrado na TABELA 14. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 019 TABELA 14 – Jogo final do Sudoku Fonte: Elaborado pelo autor. 7 9 5 1 3 8 2 4 6 3 1 2 4 5 6 7 9 8 4 8 6 9 2 7 1 5 3 8 6 1 3 7 9 4 2 5 2 5 7 8 6 4 9 3 1 9 3 4 5 1 2 8 6 7 1 7 9 6 4 5 3 8 2 6 4 3 2 8 1 5 7 9 5 2 8 7 9 3 6 1 4 Observe agora, na solução completa do desafio, que todas as nove colunas, as nove linhas e as nove submatrizes contém os números de 1 a 9; todos utilizados e sem repetições. Lembre-se que nenhum cálculo matemático foi utilizado para o preenchimento dessa tabela, apenas a capacidade de observação e a visualização das possibilidades. Com a grande popularidade desse desafio, outras formas de jogar estão sendo apresentadas, como o mini Sudoku, com números de 1 a 6 em uma matriz 6x6 ou ainda menores, como em uma matriz 4x4, até estruturas de dupla entrada, com matrizes encadeadas de maior complexidade. Batalha naval A “Batalha Naval” é um jogo que também utiliza uma matriz um pouco maior, simulando dois camposde jogo em que a frota naval dos dois jogadores deverá ser distribuída. Existem formas variadas de definir o “cenário” para jogar a Batalha Naval. A matriz típica é de tamanho 15x15, embora existam versões menores no tamanho 10x10 ou 8x8. Na montagem maior, que RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 020 A “Batalha Naval” é um jogo que também utiliza uma matriz um pouco maior, simulando dois campos de jogo em que a frota naval dos dois jogadores deverá ser distribuída. vamos discutir nesta seção, as células recebem identificações de linhas e colunas, utilizando letras e números (de A até P e de 1 até 15), conforme TABELA 15, que apresenta a estrutura necessária para o jogo Batalha Naval. TABELA 15 – Batalha Naval Fonte: Elaborada pelos autores. São quatro matrizes para jogar, duas para cada jogador. Na primeira matriz o jogador irá distribuir a sua frota e na segunda matriz será o seu campo de ataque, em que ele tentará localizar e, consequentemente, “afundar” a frota de seu adversário. Essas matrizes são conhecidas como “seu jogo” e “jogo do adversário”. Cada frota é composta pelos equipamentos mostrados no QUADRO 1. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 021 QUADRO 1– Frotas do Jogo “Batalha Naval” Fonte: Elaborado pelos autores. Preparação do jogo: 1. Cada jogador distribui suas armas pelo tabuleiro. Isso é feito marcando-se na matriz intitulada "seu jogo" os quadradinhos referentes às suas armas. 2. Não é permitido que dois equipamentos se toquem. 3. O jogador não deve revelar ao oponente as localizações de seus equipamentos, uma vez que o objetivo do jogo é, exatamente, identificar o mais rápido possível a localização de cada peça do jogador oponente. O jogo: Cada jogador, na sua vez de jogar, seguirá o seguinte procedimento: 4. “Disparará” três tiros, isto é, indicará três coordenadas do alvo, através do número da linha e da letra da coluna que definem a posição atingida. Para que o jogador tenha o RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 022 controle dos tiros disparados, deverá marcar cada um deles no reticulado intitulado "seu jogo". 5. Após cada um dos tiros, o oponente avisará se acertou e, nesse caso, qual a arma que foi atingida. Se ela for afundada, esse fato também deverá ser informado. 6. A cada tiro acertado em um alvo, o oponente deverá marcar em seu tabuleiro, para que possa informar quando a arma for afundada. 7. Uma arma é afundada quando todas as casas que formam essa arma forem atingidas. 8. Após os três tiros e as respostas do oponente, será a vez do outro jogador efetuar as suas jogadas. 9. O jogo terminará quando um dos jogadores afundar todas as armas do seu oponente. Vamos agora trabalhar a ideia lógica desse jogo. A lógica do jogo já começa com a distribuição adequada de suas peças no tabuleiro, visando dificultar as ações de seu adversário. Observe que a matriz em que se realiza a “Batalha Naval” é uma matriz 15x15, totalizando 225 posições possíveis. As 15 embarcações totalizam a ocupação de apenas 38 posições. Os primeiros “tiros” são realmente aleatórios e a probabilidade de acertos nas primeiras tentativas é bastante reduzida. Observamos, entretanto, que após cada sequência de tiros, a componente aleatória vai sendo substituída pela componente lógica. No momento de identificação de um tiro que acertou um elemento da frota, essa informação deverá ser processada pelo jogador de forma a definir qual foi o tiro certo e qual a sequência correta de tiros para “afundar aquele elemento”. Por exemplo, digamos que o jogador anuncie os seus três tiros Os primeiros “tiros” são realmente aleatórios e a probabilidade de acertos na primeiras tentativas é bastante reduzida. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 023 como sendo E5, F11 e G8, e ele tenha como resposta um acerto em um cruzador e dois tiros na água. Essa informação não o permitirá saber qual dos três tiros acertou o cruzador, fato esse que imediatamente irá gerar nada menos que 12 possibilidades a serem investigadas. Vejamos então quais são essas 12 possibilidades. Observe: Se o cruzador, que ocupa duas posições sequenciais, está na posição E5, existirão quatro possibilidades de sua localização, E4- E5, E5-E6, E5-F5 ou D5-E5. O mesmo aplica-se para as outras possibilidades de F11, que seriam F10-F11, F11-F12, E11-F11 ou F11-G11, e ainda de G8, sendo G7-G8, G8-G9, G8-H8 e F8-G8. Não basta afundar a peça. É importante saber a sua localização exata para não gastar tiros em posições em que é impossível existir uma peça. Vamos supor que o cruzador ocupe as posições E4-E5. Nesse caso, não poderá existir nenhuma outra peça encostada no cruzador. Essa informação garantirá que as posições em volta do cruzador (E3, D4, D5, E6, F5, F4) não estão ocupadas por peça alguma e, certamente, não precisarão ser usadas para novos disparos. Se a peça alvejada na tentativa fosse um porta-aviões, que ocupa cinco posições sequenciais, o número de possibilidades de localização do porta-aviões aumentaria consideravelmente. Vamos analisar somente uma possibilidade. Se o porta-aviões ocupar a posição E5, poderíamos pensar que o navio estaria na vertical, gerando cinco possibilidades: a. E1-E2-E3-E4-E5 b. E2-E3-E4-E5-E6 c. E3-E4-E5-E6-E7 RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 024 d. E4-E5-E6-E7-E8 e. E5-E6-E7-E8-E9 Ou na posição horizontal, que gerariam também cinco possibilidades: a. A5-B5-C5-D5-E5 b. B5-C5-D5-E5-F5 c. C5-D5-E5-F5-G5 d. D5-E5-F5-G5-H5 e. E5-F5-G5-H5-I5 Ou seja, existem 10 possibilidades somente para E5 e outras 10 possibilidades para F11 e G8, totalizando 30 possibilidades. Quando se consegue acertar dois ou três navios diferentes, a análise torna-se ainda mais complexa, pois as previsões devem ser feitas alternando o tipo de equipamento atingido para se ter a certeza de como fazer as novas tentativas. Como será declarado vencedor aquele jogador que afundar a frota inimiga mais rapidamente, a componente lógica deverá ser ativada para garantir que não se perca tempo atirando onde não existe possibilidade de existir alguma peça. Trata-se, efetivamente, de um jogo de múltiplas possibilidades e que, embora se inicie dando tiros puramente aleatórios, terá o seu desenvolvimento pautado na melhor estratégia lógica. Na realidade esse jogo apresenta estratégias somente de ataque, já que a frota é estática e, uma vez estabelecida, não poderá sofrer nenhuma alteração de posicionamento, embora as peças possam ser distribuídas de modo a confundir o adversário, quando as suas peças são atingidas. Trata-se, efetivamente, de um jogo de múltiplas possibilidadese que, embora se inicie dando tiros puramente aleatórios, terá o seu desenvolvimento pautado na melhor estratégia lógica. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 025 Uma forma muito conhecida de confundir o adversário é colocar dois hidroaviões da sua frota bastante próximos. Exemplificando, poderia se posicionar um hidroavião nas posições F12-G11-H12 e o outro as posições J12-K13-L12. Eventualmente, ao atirar em H12 e existir a possibilidade de ser um hidroavião, o adversário poderia ser induzido a pensar que o disparo certo em J12 seria no mesmo hidroavião. Esse equívoco poderia custar ao seu adversário o desperdício de uma série de disparos inúteis. Assim como em qualquer desafio na vida, o conhecimento das estratégias utilizadas pelo adversário e a maneira de forçá-lo a tomar decisões erradas poderá definir a melhor localização da sua frota dentro do campo de jogo, e ser um fator decisivo para a sua vitória. Os jogos aprimoram as habilidades cognitivas Hérica Ribeiro (Graduada em Letras Educadora SUPERA Uberlândia/MG) Publicado em: 10/05/2014 Os jogos fazem parte da cultura dos povos desde os primórdios das civilizações. Para além de um passatempo, trazem em si o objetivo RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 026 de auxiliar o homem na educação do corpo e da mente para enfrentaros possíveis desafios cotidianos. Embora tenham surgido com tal preocupação, a popularização, o comércio dos jogos e os avanços tecnológicos deram enfoque à função recreativa, secundarizando o aprimoramento das habilidades que podem ser desenvolvidas a partir da prática do jogo. O método SUPERA utiliza os jogos como ferramenta de estímulo cognitivo. Sendo assim, cada jogo que compõe o acervo utilizado no curso de ginástica cerebral foi cuidadosamente selecionado para garantir que o aluno seja desafiado de maneira prazerosa, a fim de potencializar suas capacidades, manter seu cérebro ativo e sua saúde mental. Os jogos e o cotidiano Jogos milenares como o Gammon e o Jarmo são provenientes de histórias lendárias de antigos povos. São desafios de tabuleiro que exigem que o jogador adote uma estratégia para defender as suas peças e vencer seu oponente. Para tanto, é preciso fazer uso da atenção, do foco, do pensamento contínuo, da memória, do raciocínio lógico e do pensamento estratégico. Assim, essas habilidades são aprimoradas e exercitadas, de modo que, quando for necessário solucionar um problema que exija tais habilidades, o cérebro automaticamente busca as referências de experiências anteriores, consolidadas nas reservas cognitivas da pessoa. Consideremos o aperfeiçoamento do raciocínio lógico – capacidade de estabelecer relações, análises e comparações, a fim de refletir e elaborar uma solução para o problema apresentado – por meio do jogo. Um empresário, por exemplo, recorrerá a esta habilidade quando precisar resolver questões de seu cotidiano que exijam análises e reflexões, como elaborar estratégias para a captação de novos clientes. Portanto, os benefícios conquistados estão além da saúde mental e qualidade de vida, já que também têm influência no desempenho profissional e escolar dos envolvidos. Ainda que a difusão das tecnologias tenha propagado a criação de jogos com finalidade exclusiva de passatempo, também trouxe ganhos. Alguns jogos tradicionais ganharam versões tecnológicas, com variações RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 027 de regras que podem ser ainda mais desafiadoras e convidativas. E os desafios como sudoku, arukone e o pic a pix estão disponíveis em aplicativos para smartphones e tablets, dispensando o uso de papel e caneta, e flexibilizando o tempo, atualmente tão escasso. É importante ressaltar que, para conquistar os benefícios que os jogos podem proporcionar, os desafios precisam ser resolvidos a partir de reflexões, tirando o cérebro da zona de conforto. Solucioná-los à base de tentativas e erros não resultará em desenvolvimento cognitivo, pois a ação é proveniente de automatismos e possibilidades irrefletidas que não geram os estímulos necessários ao cérebro. Deste modo, é imprescindível dominar as regras do jogo em questão, para que estas subsidiem as estratégias que serão elaboradas, permitindo a busca de certezas por meio de análises lógicas e reflexivas. Nesse sentido, além dos jogos serem envolventes e prazerosos, também desenvolvem as capacidades cognitivas e emocionais, contribuindo para manter a saúde mental. Referência RIBEIRO, Hérica. Os jogos aprimoram as habilidades cognitivas. In: Site “Supera”. Disponível em: <http://metodosupera.com.br/saude-mental/os-jogos-aprimoram- as-habilidades-cognitivas/>. Acesso em: 13 jul. 2015. http://metodosupera.com.br/saude-mental/os-jogos-aprimoram-as-habilidades-cognitivas/ http://metodosupera.com.br/saude-mental/os-jogos-aprimoram-as-habilidades-cognitivas/ RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 028 Revisão Chegamos ao final desta unidade e, certamente, a etapa mais e divertida. Sem dúvida alguma, a vontade de vencer um desafio nos motiva a aprimorar nossos conhecimentos e desenvolver estratégias para não sermos surpreendidos em nenhuma situação. Esta é a essência dos jogos. Antecipar os movimentos de seu adversário constitui um importante passo para atingir os seus objetivos. Desde criança somos treinados a competir. Segundo uma frase popular, nenhuma pessoa gosta de perder, nem uma disputa “par ou ímpar”. É inegável que somente podemos ganhar se soubermos jogar. Se conhecermos com detalhes as regras do jogo, se dominarmos e utilizarmos toda a potencialidade de nossas armas e, principalmente, se conhecermos o nosso adversário e a forma como ele pretende nos derrotar, as nossas chances de vitória serão infinitamente maiores. Em todos os jogos da vida, sejam esses jogos disputados no campo pessoal ou profissional, o desenvolvimento de nossas estratégias lógicas certamente será decisivo para alcançarmos a vitória. Nessa unidade aprendemos, então, a utilizar as técnicas do raciocínio lógico para buscar resultados satisfatórios e vencer qualquer tipo de desafio que a vida nos impor. Não importa que o desafio seja uma questão muito simples, como o antigo “jogo da velha”, em que basta aprender a não perder, ou uma situações de alta competição, como na Batalha Naval, em que somos atacados e temos que contra-atacar de maneira mais incisiva, ou como o Sudoku, tendo oportunidade de exercitar a nossa capacidade de analisar todas as alternativas possíveis e escolher a única que se adapta ao nosso problema específico. Independente do desafio apresentado, teremos sempre de ter em mente a nossa necessidade, e principalmente, a capacidade de saber enfrentá-lo. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 029 A Teoria dos Jogos e o Dilema das Pontes A "Teoria dos Jogos" apresenta várias analogias bastante interessantes que merecem uma atenção especial para compreendermos adequadamente as ações das pessoas num cenário de alta competitividade, como o que estamos vivendo neste momento. O significado real da "Teoria dos Jogos" poderia ser sintetizado de várias formas. Vejamos uma situação hipotética que representa bem esse pensamento. Imagine que você deseja atravessar um rio de uma margem a outra e que existem três pontes distantes entre si. Também é certo que não exista outra forma de atravessar o rio, senão utilizando uma das três pontes. Vejamos as particularidades de cada ponte. A primeira ponte não oferece nenhum tipo de perigo e sua travessia é absolutamente tranquila e sem obstáculos. A segunda ponte está posicionada embaixo de um penhasco e existe uma grande possibilidade de queda de grandes pedras sobre ela. Já a terceira ponte é habitada por uma colônia de cobras venenosas. Imagine agora que você queira classificar as três pontes segundo o seu grau de dificuldade para atravessá-la. A primeira ponte é, certamente, a melhor e mais simples de se definir, mas e as outras duas? Num cenário de extrema competição elas não poderão ser simplesmente abandonadas. Ao contrário, faz-se necessário obter mais informações sobre elas para um eventual uso. Seria necessário estudar durante algum tempo a frequência de queda de pedras sobre a segunda ponte, a força e velocidade do vento, o volume de pedras soltas e as condições do piso. Para a terceira, seria importante conhecer a quantidade existente de cobras, os hábitos alimentares e o deslocamento frequente dessas cobras durante o dia e a noite. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 030 Imagine então que esses estudos concluam que o risco de ser atingido por uma pedra durante a travessia da segunda ponte, durante um período de tempo bom e ventos de baixa velocidade, seja da ordem 10%. Já para a terceira ponte, considerando os aspectos estudados, a probabilidade de ser atacado por alguma cobra chegaria a 20%, ou seja, o dobro da chance de um acidente observado na travessia da segunda ponte. Por mais que se conheçam essas estatísticas, a utilização da segunda e terceira pontes continuaria apresentando um grau de perigo significativo, se comparado com a travessia da primeira ponte, que continuaria sem apresentar nenhum tipo de risco. Parece óbvio que as recomendações apontariam para travessia segura sempre pela primeiraponte. Vamos agora colocar outras variáveis em nossa análise. Suponha, então, que você esteja diante da segunda ponte e que, conforme sabe, os seus estudos indicam uma chance de 10% de ser atingido por uma pedra, e que você esteja distante da primeira ponte numa distância de um dia de caminhada. Você poderia então escolher entre retardar a travessia por algumas horas e fazer a travessia pela primeira ponte, ou assumir o risco, 10% de possibilidade de ser atingido por pedra ao atravessar pela segunda ponte. A sua decisão ainda seria relativamente fácil, pois com esses parâmetros você ainda poderia optar pela sua total segurança passando pela primeira ponte. Vamos agora realmente complicar mais um pouco o cenário de escolha. Suponha que além de tudo isso, do outro lado do rio exista um atirador que deseja matá-lo. Porém esse atirador somente terá condições de atirar em você se ele souber em que ponte você irá passar. Caso contrário, você atravessaria a ponte que escolhesse e escaparia do atirador, que estaria posicionado na saída de uma outra ponte. À medida em que você pensa, o atirador está do outro lado tentando antecipar o seu raciocínio e se encaminhando para a ponte que ele imagina que você irá atravessar. RACIOCÍNIO LÓGICO unidade 1 031 Parece um erro se você tentar passar pela ponte mais segura e o atirador estiver do outro lado te esperando. Então, nesse caso, valeria a pena correr o risco de ser atingido por uma pedra, passando pela segunda ponte, ou ainda, assumir a possibilidade de um risco ainda maior executando a travessia pela terceira ponte. Mas o atirador é, certamente, muito inteligente para prever essas outras possibilidades e poderia ficar esperando na saída da segunda ou da terceira pontes. Situação difícil!... O que o tranquilizará é saber que o atirador também pode estar indeciso em antecipar a sua decisão. São nesses tipos de situações que a "Teoria dos Jogos" se interessa. O resultado final depende da decisão conjunta dos jogadores, cada um tenta antecipar o movimento do outro jogador e aí definir a sua ação. Os teóricos do jogo sempre acham que existe uma saída racional para cada jogador. Interessante destacar que atualmente existem modelos matemáticos que são capazes de equacionar esse tipo de situação. E o mais importante legado da "Teoria dos Jogos" é o raciocínio lógico, da antecipação dos movimentos que ajuda a modelar o pensamento e facilita a tomada de decisões em cenários de alta complexidade. Problemas de correlacionamento • Aprendendo a identificar variáveis do contexto • Técnicas para resolução de problemas de correlacionamento • Revisão Introdução O raciocínio lógico é a capacidade de lidar mentalmente com as informações disponíveis, encontrando associações, semelhanças e diferenças entre elas. Isso torna possível tomar decisões adequadas às situações em que se quer interpretar ou solucionar. A capacidade de resolver problemas está diretamente associada ao raciocínio lógico, que permite também estabelecer metas e traçar estratégias para atingi-las, sendo mais uma ferramenta de apoio em sua vida pessoal e profissional. O raciocínio lógico é, portanto, uma habilidade fundamental a qualquer cidadão, que poderá atuar em problemas variados, desde a organização da sua agenda até o planejamento e a execução de grandes projetos. Nesta unidade você irá aprender técnicas de raciocínio lógico que o ajudarão na resolução dos mais variados tipos de estruturas lógicas: Verdadeiro e Falso; Verdade e Mentira, dentre outras associações de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, coisas ou eventos fictícios. Das relações fornecidas nessas estruturas serão deduzidas novas informações e serão avaliadas as condições usadas no estabelecimento da estrutura original. Esse tipo de problema exige muita rapidez de raciocínio e de sua capacidade de estabelecer correlações. Para isso, iremos aprender como construir tabelas, associando os diversos elementos envolvidos na questão. Finalizaremos a unidade indicando a leitura de um interessante texto de Fernando Gasparetto, intitulado: “Seu cérebro comanda o seu sucesso”, na seção “Para Saber Mais”. unidade 2 035 RACIOCÍNIO LÓGICO Variável pode ser entendida como qualquer qualidade, quantidade ou grandeza de determinada característica, que poderá ou não assumir valores numéricos. Aprendendo a identificar variáveis do contexto Na nossa vida pessoal e profissional encontramos diversas situações em que precisamos identificar duas ou mais informações para chegarmos a uma terceira. Para isso, precisamos ser ágeis e precisos, pois, na maioria das vezes, temos de resolver situações complexas, sem que tenhamos muito tempo disponível para essa tarefa. Para chegarmos a um nível de respostas rápidas e precisas, de excelência em raciocínio lógico e rápido, considerando várias variáveis (ou informações) complexas, precisamos treinar para que nosso raciocínio lógico estruturado funcione quase que como um “reflexo condicionado” (ROCHA e AIRES, 2010, p. 147). Define-se variável como sendo uma característica observada ou medida em cada elemento de uma amostra (subconjunto), obtida de uma população4 (ou conjunto). Como o nome diz, seus valores variam de elemento para elemento. Assim, variável pode ser entendida como qualquer qualidade, quantidade ou grandeza de determinada característica, que poderá ou não assumir valores numéricos. As variáveis quantitativas são as características que podem ser medidas em uma escala quantitativa, tais como altura, peso, nota, extensão do salto, largura dos tubos produzidos. As variáveis qualitativas são as características que não possuem valores 4 “População é uma coleção de unidades observacionais, que podem ser pessoas, animais, objetos ou resultados experimentais, com uma ou mais características em comum que se pretendem analisar.” Disponível em: http://wikiciencias. casadasciencias.org/wiki/index.php/Popula%C3%A7%C3%A3°_(Estat%C3%ADstica) . Acesso em: 25/06/2015. http://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Popula%C3%A7%C3%A3o_(Estat%C3%ADstica) http://wikiciencias.casadasciencias.org/wiki/index.php/Popula%C3%A7%C3%A3o_(Estat%C3%ADstica) unidade 2 036 RACIOCÍNIO LÓGICO A questão mais clássica de associação de variáveis é conhecida como “Teste de Einstein”. quantitativos, mas são definidas por várias categorias, ou seja, representam uma classificação dos indivíduos, como sexo, cor dos olhos, nacionalidade, time, escola, religião, etc. Já o contexto é a relação entre a variável e a situação em que ele ocorre dentro do texto. Envolve questões em que você precisará correlacionar elementos, baseando-se em informações pré-definidas. Assim, para “identificar variáveis do contexto”, você precisará identificar quais elementos relacionam entre si num grupo (ou amostra) de uma determinada população. A questão mais clássica de associação de variáveis é conhecida como “Teste de Einstein”. Foi elaborada no século passado pelo renomado físico e matemático alemão Albert Einstein. Segundo ele, 98% da população mundial, na sua época, não seria capaz de resolvê-la. Trata-se de um problema de correlacionamento, em que você terá que identificar a posição e as cores das casas de cinco pessoas de nacionalidades diferentes, seus tipos de bebidas e cigarros, e ainda, quais seus animais de estimação. Deixamos esse teste como um “desafio” a ser solucionado por você! A princípio, pode parecer de difícil solução. Mas, ao final dessa unidade, após você aprender as técnicas de associação entre elementos que apresentaremos no próximo tópico, esperamos que você consiga resolver o desafio proposto. As regras básicas para resolver o “Teste de Einstein” são: 1. Há cinco casas de diferentes cores. 2. Em cada casa mora uma pessoa de uma diferente nacionalidade. unidade 2 037 RACIOCÍNIO LÓGICONenhum deles têm o mesmo animal, fumam o mesmo cigarro ou bebem a mesma bebida. 3. Esses cinco proprietários bebem diferentes bebidas, fumam diferentes tipos de cigarros e têm um certo animal de estimação. 4. Nenhum deles têm o mesmo animal, fumam o mesmo cigarro ou bebem a mesma bebida. As “pistas” para resolver o “Teste de Einstein” são: 1. O Norueguês vive na primeira casa. 2. O Inglês vive na casa Vermelha. 3. O Sueco tem Cachorros como animais de estimação. 4. O Dinamarquês bebe Chá. 5. A casa Verde fica do lado esquerdo da casa Branca. 6. O homem que vive na casa Verde bebe Café. 7. O homem que fuma Pall Mall cria Pássaros. 8. O homem que vive na casa Amarela fuma Dunhill. 9. O homem que vive na casa do meio bebe Leite. 10. O homem que fuma Blends vive ao lado do que tem Gatos. 11. O homem que cria Cavalos vive ao lado do que fuma Dunhill. 12. O homem que fuma BlueMaster bebe Cerveja. 13. O Alemão fuma Prince. 14. O Norueguês vive ao lado da casa Azul. 15. O homem que fuma Blends é vizinho do que bebe Água. Muito desafiante esse problema, não? Ficou com vontade de saber resolvê-lo? Na próxima seção veremos as técnicas para resolução de problemas de correlacionamento, tais como o Teste de Einstein. unidade 2 038 RACIOCÍNIO LÓGICO A questão que foi apresentada em concurso público para o cargo de Analista de Finanças e Controle (AFC) da Secretaria Federal de Controle (SFC) - Escola de Administração Fazendária (ESAF), utiliza o Raciocíno Lógico para a resolução de problemas de correlacionamento. Técnicas para resolução de problemas de correlacionamento Iniciaremos este tópico apresentando a solução de uma questão muito solicitada em provas de concurso, que classificamos como fácil. Sua resolução segue passos propostos por Rocha e Aires (2010, p.149-159). A questão foi apresentada no concurso público para o cargo de Analista de Finanças e Controle (AFC) da Secretaria Federal de Controle (SFC) - Escola de Administração Fazendária (ESAF), no ano 2001 (Disponível em: https://www.tecconcursos.com.br/ conteudo/concursos/144. Prova AFC-A1.pdf. Questão 31. Acesso em 26/06/2015). Exemplo 01: (AFC-SFC 2001 ESAF). Os cursos de Márcia, Berenice e Priscila são, não necessariamente nesta ordem, Medicina, Biologia e Psicologia. Uma delas realizou seu curso em Belo Horizonte, a outra em Florianópolis, e a outra em São Paulo. Márcia realizou seu curso em Belo Horizonte. Priscila cursou Psicologia. Berenice não realizou seu curso em São Paulo e não fez Medicina. Assim, cursos e respectivos locais de estudo de Márcia, Berenice e Priscila são, pela ordem: a. Medicina em Belo Horizonte, Psicologia em Florianópolis, Biologia em São Paulo. b. Psicologia em Belo Horizonte, Biologia em Florianópolis, Medicina em São Paulo. c. Medicina em Belo Horizonte, Biologia em Florianópolis, Psicologia em São Paulo. d. Biologia em Belo Horizonte, Medicina em São Paulo, Psicologia em Florianópolis. unidade 2 039 RACIOCÍNIO LÓGICO Devemos preencher essa tabela à medida em que as associações entre as variáveis são identificadas. e. Medicina em Belo Horizonte, Biologia em São Paulo, Psicologia em Florianópolis. 1° passo: identificação das variáveis a serem correlacionadas A primeira coisa a fazer é identificar as variáveis do problema que deverão ser correlacionadas. Neste caso, nossas variáveis são: alunas, cursos e cidades. Assim, para resolver a questão, precisaremos correlacionar: • três alunas: Márcia, Berenice e Priscila; • três cursos: Medicina, Biologia e Psicologia; e • três cidades: Belo Horizonte, Florianópolis e São Paulo. 2° passo: construção da tabela de correlacionamento Identificadas as variáveis, para facilitar a resolução do problema, iremos construir uma tabela de correlacionamento em função dessas. Temos três grupos de informações: aluna, curso e cidade. Escolhemos como grupo inicial de referência os nomes das alunas e criamos as colunas para cada elemento dos outros grupos (cursos e cidades), conforme TABELA 16. Devemos preencher essa tabela à medida em que as associações entre as variáveis são identificadas. unidade 2 040 RACIOCÍNIO LÓGICO É fácil verificar que, se Márcia estudou em Belo Horizonte, ela não pode ter estudado em Florianópolis (n) ou São Paulo (n). TABELA 16 – Tabela de correlacionamento do exemplo 1 (2° passo) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila Fonte: Elaborada pelos autores. 3° passo: preenchimento da tabela de correlacionamento Antes de iniciarmos o preenchimento da tabela de correlacionamento, iremos identificar no problema as informações mais lógicas ou "óbvias", como: 1. Márcia realizou seu curso em Belo Horizonte. 2. Priscila cursou Psicologia. 3. Berenice não realizou seu curso em São Paulo e não fez Medicina. Identificadas as "dicas" do problema, iremos agora transferir as informações para a tabela de correlacionamento. Assinala-se com um S (de Sim) a informação de que "Márcia estudou em Belo Horizonte" e com um "n" (de não) as demais células, conforme TABELA 17. unidade 2 041 RACIOCÍNIO LÓGICO A mesma análise anterior foi feita, isto é, se Priscila estudou Psicologia, ela não (n) poderia ter estudado Medicina nem Biologia. TABELA 17 – Tabela de correlacionamento do exemplo 1 (3° passo - a) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila S n n n n Fonte: Elaborada pelos autores. É fácil verificar que, se Márcia estudou em Belo Horizonte, ela não pode ter estudado em Florianópolis (n) ou São Paulo (n). E, se Márcia estudou em Belo Horizonte, então Berenice e Priscila não (n) estudaram em Belo Horizonte (n). A próxima informação é a de que "Priscila cursou Psicologia". Da mesma maneira anterior, iremos assinalar a correlação dos nomes "Priscila" e "Psicologia" na tabela de correlacionamento (TABELA 18), marcando com um S o cruzamento do curso "Psicologia" com o nome da aluna "Priscila". A mesma análise anterior foi feita, isto é, se Priscila estudou Psicologia, ela não (n) poderia ter estudado Medicina nem Biologia. TABELA 18 – Tabela de correlacionamento do exemplo 1 (3° passo - b) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila n n n n S S n n n n Fonte: Elaborada pelos autores. unidade 2 042 RACIOCÍNIO LÓGICO Se Berenice não fez Medicina, nem Psicologia, ela só poderá ter feito Biologia, pois o problema só relaciona essas três informações de "cursos". A próxima informação é a de que "Berenice não realizou seu curso em São Paulo e não fez Medicina". Essas informações são transferidas para a tabela de correlacionamento, assinalando-as com um "n" (TABELA 19). TABELA 19 – Tabela de correlacionamento do exemplo 1 (3° passo - c) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila n n n n n S S n n n n n Fonte: Elaborada pelos autores. 4° passo: análise final da tabela de correlacionamento Analisemos agora as "marcações" que realizamos na Tabela 19. Se Berenice não fez Medicina, nem Psicologia, ela só poderá ter feito Biologia, pois o problema só relaciona essas três informações de "cursos". E, se Berenice não estudou em Belo Horizonte, nem em São Paulo, ela só poderá ter estudado em Florianópolis. Assinaladas essas informações e anuladas as combinações para Biologia e para Florianópolis, obtemos a TABELA 20. unidade 2 043 RACIOCÍNIO LÓGICO Concluímos que, se Márcia não fez Biologia nem Psicologia, ela só poderá ter feito Medicina. TABELA 20 – Tabela de correlacionamentodo exemplo 1 (4° passo - a) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila n n n S n n n S S n n n S n n n Fonte: Elaborada pelos autores. Iremos agora finalizar o preenchimento da tabela. Concluímos que, se Márcia não fez Biologia nem Psicologia, ela só poderá ter feito Medicina. E se Priscila não estudou nem em Belo Horizonte, nem em Florianópolis, ela só poderá ter estudado em São Paulo. Registrando essas informações, obtemos a TABELA 21. TABELA 21 – Tabela de correlacionamento do exemplo 1 (4° passo - b) ALUNAS M ED IC IN A BI O LO GI A PS IC O LO GI A BE LO H O RI ZO N TE FL O RI AN O PO LI S SÃ O P AU LO Márcia Berenice Priscila S n n n S n n n S S n n n S n n n S Fonte: Elaborada pelos autores. Ou seja, Márcia estudou Medicina em Belo Horizonte, Berenice estudou Biologia em Florianópolis e Priscila estudou Psicologia em São Paulo. Logo, a alternativa correta da questão apresentada mais acima é a letra C. unidade 2 044 RACIOCÍNIO LÓGICO A saída para sua tomada de decisão na escolha do aluno que será agraciado com a Bolsa de Iniciação Científica será utilizar as anotações feitas pelo professor que o acompanhou nas bancas. Veja agora uma questão adaptada de Rocha e Aires (2010, p.159- 185), que classificamos como de média a difícil resolução. Os autores propuseram os passos a serem seguidos quando o problema envolver um número de variáveis maior que três. Exemplo 2: Imagine que você seja Orientador do "Projeto Aplicado" interdisciplinar da UNA e tenha participado de bancas finais de apresentação no EXPOUNA. Imagine, também, que em cada uma delas, você tenha que identificar os melhores alunos, com o intuito de selecionar um deles para fazer um Projeto de Iniciação Científica no próximo semestre letivo. Você foi acompanhado por outro professor e pediu que ele fizesse os registros das apresentações, como nomes dos alunos, cursos, métodos de apresentação, etc. Mesmo prestando toda atenção ao que foi dito e mostrado por cada um deles, ao fim das quatro bancas, você apenas se lembrava de que tinha escolhido o aluno que cursava "Análise e Desenvolvimento de Sistemas". A saída para sua tomada de decisão na escolha do aluno que será agraciado com a Bolsa de Iniciação Científica será utilizar as anotações feitas pelo professor que o acompanhou nas bancas. O professor fez as seguintes anotações: 1. Luíza fez demonstração do produto de uma confecção localizada nas proximidades do campus Barro Preto. 2. José Maria falou Inglês durante sua apresentação. 3. O que fez a apresentação em PowerPoint cursa Mecatrônica – MTR. 4. O que falou em Alemão, que não é Alexander, estuda Redes de Computadores – REC. unidade 2 045 RACIOCÍNIO LÓGICO Observe que a primeira linha foi preenchida com os nomes dos grupos (alunos, idiomas, cursos e métodos de apresentação). 5. Quem falou Português apresentou gravação de alguns depoimentos de clientes de um restaurante, localizado na cidade de Nova Lima. 6. Pedro estuda Logística – LOG e não falou em Francês. 7. Alexander fez sua apresentação baseando-se nos projetos pessoais que realizou. 8. Um deles vai formar em Análise e Desenvolvimento de Sistemas – ADS. 9. Um deles apresentou uma síntese dos projetos pessoais. 1° passo: identificação das variáveis a serem correlacionadas Identificamos no problema as seguintes variáveis: alunos, idiomas, cursos e métodos de apresentação, abaixo relacionados: Alunos: Alexander, José Maria, Luíza e Pedro, Idiomas: Português, Inglês, Francês e Alemão. Cursos: Mecatrônica – MTR, Redes de Computadores – REC, Análise e Desenvolvimento de Sistemas – ADS, e Logística – LOG. Métodos de apresentação: PowerPoint, depoimentos, demonstração de produtos e projetos pessoais. 2° passo: construção da tabela-gabarito Identificadas as variáveis, iremos construir uma tabela de correlacionamento, aqui denominada tabela-gabarito, conforme as variáveis identificadas no problema (TABELA 22). Observe que a primeira linha foi preenchida com os nomes dos grupos (alunos, idiomas, cursos e métodos de apresentação). Nas unidade 2 046 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 22 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (2° passo) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO A tabela-gabarito não serve somente como gabarito, mas, em alguns casos, ela é fundamental para que você enxergue informações que ficam meio escondidas na tabela-principal, cuja construção será mostrada a seguir. A tabela-gabarito também poderá ajudá-lo a elaborar conclusões sobre determinados elementos dos grupos. Por exemplo, no caso de você ter quatro possibilidades e três delas já terem sido definidas na tabela-gabarito, restando somente a última opção a ser preenchida. Devemos preencher essa tabela na medida em que formos identificando as associações entre as variáveis. Ela deverá ser preenchida juntamente com a tabela-principal, apresentada a seguir. 3° passo: construção da tabela-principal Para facilitar a resolução do problema, será construída a tabela- principal. Temos quatro grupos de informações: alunos, idiomas, cursos e métodos de apresentação. Escolhemos como grupo inicial de referência os nomes dos alunos e criamos as colunas para cada elemento dos outros grupos, conforme TABELA 23. demais linhas foram colocados os elementos do grupo de referência inicial da tabela principal, neste caso, o grupo dos alunos. unidade 2 047 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 23 – Tabela-principal do exemplo 2 (3° passo-a) TABELA 24 – Tabela-principal do exemplo 2 (3° passo-b) ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODO APRESENTAÇÃO ALUNOS IN LG ÊS IN LG ÊS FR AN CÊ S FR AN CÊ S AL EM ÃO AL EM ÃO PO RT U GU ÊS PO RT U GU ÊS AD S AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M TR M EC AT RÔ N IC A LO G LO GÍ ST IC A RE C RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S DE PO IM EN TO S PR O JE TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC Fonte: Elaborada pelos autores. Agora, tomaremos os dois últimos grupos de colunas, dos cursos e dos métodos de apresentação, e os repetiremos na primeira coluna, criando uma linha para cada elemento, conforme TABELA 24. De acordo com Rocha e Aires (2010, pg.151), a regra de transferência das informações das colunas para as linhas é válida para qualquer unidade 2 048 RACIOCÍNIO LÓGICO Em resumo, um grupo será a referência para as linhas iniciais, no nosso exemplo, escolhemos o grupo “nome dos alunos". número de grupos de variáveis. Em resumo, um grupo será a referência para as linhas iniciais, no nosso exemplo, escolhemos o grupo “nome dos alunos”. Os outros serão distribuídos nas colunas. Depois disso, da direita para a esquerda, os grupos serão copiados na forma de linhas. No nosso exemplo, primeiro foi transferido o grupo do "método de apresentação, em seguida, o grupo "cursos”, exceto o primeiro grupo, aqui, o grupo de idiomas. 4° passo: preenchimento das tabelas gabarito e principal Antes de iniciarmos o preenchimento da tabela-principal, iremos identificar no problema as informações mais "óbvias", como: 1a informação do problema: "Luíza fez demonstração do produto" Identificada a "dica" do problema, iremos agora transferir essa informação para a tabela-principal, assinalando com um S (de Sim) a informação de que "Luíza fez demonstração do produto", e marcando com um "n" (de não) as demais células, conforme destacado (TABELA 25). Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 25 – Tabela-principaldo exemplo 2 (4° passo-a) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n n n S n unidade 2 049 RACIOCÍNIO LÓGICO Essa informação, por ser conclusiva para o método de apresentação de uma aluna, é imediatamente registrada na tabela-gabarito (TABELA 26). TABELA 26 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (4° passo - b) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Demonstração de produto ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO 2a informação do problema: "José Maria falou Inglês" Conforme feito anteriormente, a coluna onde o nome do aluno José Maria e o idioma "Inglês" são cruzadas, serão marcadas com um S. As demais serão assinaladas um "n", conforme TABELA 27. Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 27 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - c ) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n S n n n n n n n n n S n unidade 2 050 RACIOCÍNIO LÓGICO 3a informação do problema: "O que apresentou PowerPoint cursa Mecatrônica – MTR" Essa informação é assinalada na tabela (TABELA 28), marcando com um S o cruzamento do método de apresentação "PowerPoint" e o curso "Mecatrônica". As demais são assinaladas com um "n". Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 28 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - d) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n S n n n S n n n n n n n n n n n n S n 4a informação do problema: "O que falou Alemão, que não é Alexander, estuda Redes de Computadores – REC" Essas informações são assinaladas na tabela (TABELA 29), marcando com um S o cruzamento do idioma "Alemão" e o curso "Redes". As demais são assinaladas com um "n". unidade 2 051 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 29 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - e) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n S n n n n S n n n n n n n n S n n n n n n n n n n S n 5a informação do problema: "Quem falou Português apresentou gravação de depoimentos de clientes de um restaurante" A informação do idioma "Português" x "Depoimentos" é assinalada com um S na tabela (TABELA 30). As demais são assinaladas com um "n". unidade 2 052 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 30 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - f) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n S n n n n n S n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n n n S n 6a informação do problema: "Pedro estuda Logística – LOG e não falou Francês" As informações de que Pedro estudou Logística – LOG e não falou Francês são assinaladas na tabela de correlacionamento (TABELA 31) com um S e um "n", respectivamente. unidade 2 053 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 31 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - g) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n S n n n n n n n S n n n n n n S n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n n n S n 7a informação do problema: "Alexander fez sua apresentação baseando-se nos projetos pessoais que realizou" A informação de que Alexander fez sua apresentação baseando-se em projetos pessoais é marcada com um S na TABELA 32, e com um "n" para os demais alunos. unidade 2 054 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 32 – Tabela-principal do exemplo 2 (4° passo - h) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n S n n n n n n n S n n n n n n S n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n S n n n n n S n Analisando as "marcações" que realizamos na tabela-principal, podemos já repassar algumas delas para a tabela-gabarito (TABELA 33). TABELA 33 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (4° passo - i) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Inglês Logística Projetos Demonstração de produto ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO unidade 2 055 RACIOCÍNIO LÓGICO 5a passo: análise final da tabela de correlacionamento Agora nós iremos procurar informações que nos ajudarão ao preenchimento final das tabelas (gabarito e principal). Muitas vezes, encontramos informações que já foram marcadas na tabela- principal. Isso não é problema. O importante é irmos marcando todas as "dicas" que nos ajudarão a esclarecer o problema. Assim, vejamos na 1a linha da tabela de correlacionamento a informação de que quem faz projetos (Alexander) e não fala nem Inglês, nem Alemão. Marcaremos na tabela-principal um "n" para as colunas "Projetos x Inglês" e "Projetos x Alemão" (TABELA 34). Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 34 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo - a) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n S n n n n n S n unidade 2 056 RACIOCÍNIO LÓGICO Na linha de José Maria, temos o idioma do Inglês marcado com S e as informações de “Logística", "Demonstração de produtos" e "Projetos" marcados com "n". Assim, quem falou Inglês não Estuda Logística e não fez demonstração. Marquemos então na tabela-principal um “n”, o cruzamento de "Inglês x Demonstração" e "Inglês x Logística" (TABELA 35). Na linha da Luíza, ela usou “Demonstração”, não cursa “Logística” e não fala Inglês. Assim, quem fez “Demonstração” não cursou “Logística” e não fala Inglês. Marquemos com um “n” os cruzamentos dascolunas “Demonstração x Logística” e “Demonstração x Inglês” (que já estava assinalada). Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 35 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo - b) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n n n S n n n n n n S n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n S n n n n n S n n S n n n n n n Analisemos agora a 4a linha, do Pedro, que tem S marcado para “Logística” e “n” marcado para Inglês, Francês, Demonstração unidade 2 057 RACIOCÍNIO LÓGICO e Projetos. Se quem cursou Logística não fala nem Inglês, nem Francês, não fez Demonstração, nem Projetos. Marquemos, então com um “n” os cruzamentos “Logística x Inglês” (que já estava assinalada), “Logística x Francês”, “Logística x Demonstração” (que já estava assinalada) e “Logística x Projetos”. Após todas essas marcações, chegamos ao seguinte preenchimento da tabela-principal (TABELA 36). Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 36 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo - c) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n n n S n n n n n n S n n n n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n n S n n n n n S n n S n n n n n n Analisando a TABELA 36, chegamos a duas informações importantes: • a linha de Logística indica que quem faz esse curso só poderá ter falado em Português; • a coluna de Logística indica que quem faz esse curso só poderá ter apresentado com Depoimentos. unidade 2 058 RACIOCÍNIO LÓGICO Marquemos, então, com um S os cruzamentos “Logística x Português” e “Depoimentos x Logística”, e preenchemos com “n” os demais cruzamentos (TABELA 37). Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 37 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – d) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n n n n n n S n n n n n n S n n S n n n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n n n S n n n S n n n n n S n n S n n n n n n Atualizaremos, também, a tabela-gabarito (TABELA 38). TABELA 38 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (5° passo - e) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Inglês Português Logística Projetos Demonstração de produto Depoimentos ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO unidade 2 059 RACIOCÍNIO LÓGICO Verificamos, na tabela-gabarito, que José Maria só poderá ter feito sua apresentação utilizando PowerPoint, pois os outros métodos de apresentação já foram preenchidos. Repassemos, então, essa informação para a tabela-gabarito (TABELA 39) e para a tabela principal (TABELA 40). TABELA 39 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (5° passo - f) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Inglês Português Logística Projetos PowerPoint Demonstração de produto Depoimentos ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 40 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – g) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n S n nn n n n S n n n n n n S n n S n n n n n n n n n n n n n n n n n S n n n S n S n n n n S S n n n n n S n n S n n n n n n unidade 2 060 RACIOCÍNIO LÓGICO A primeira linha mostra que Alexander falou Francês, levando à conclusão de que Luíza só poderia ter falado Alemão, já que José Maria falou Inglês e Pedro, Português. Atualizaremos então a tabela-gabarito (TABELA 41) e a tabela-principal (TABELA 42). TABELA 41 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (5° passo - h) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Francês Inglês Alemão Português Logística Projetos PowerPoint Demonstração de produto Depoimentos ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO Vejamos na coluna "Inglês", da TABELA 42, a seguir, que se José Maria falou Inglês, ele não fez Demonstração nem Projetos, nem fez os cursos de Logística ou Redes. Ao marcarmos essas conclusões na tabela-principal, observamos que o único cruzamento que ainda não havia sido marcado é "José Maria x Redes de Computadores", assinalado com “n” na TABELA 43. Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 42 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – i) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n S n nn n n n S n n n n n n S n n S n n n n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n n S n n S n n n S n n n n S S n n n n n S n n S n n n n n n n unidade 2 061 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 43 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – j) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n S n nn n n n S n n n n n n S n n S n n n n n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n n S n n S n n n S n n n n S S n n n n n S n n S n n n n n n n Vamos interpretar agora a coluna "Alemão". Verificamos que Luíza falou Alemão e fez o curso de Redes de Computadores. Marquemos essa informação na tabela-principal (TABELA 44) e na tabela- gabarito (TABELA 45). unidade 2 062 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 44 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – l) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n S n n n S n n n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n n S n n S n n n S n n n n S S n n n n n S n n S n n n n n n n TABELA 45 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (5° passo - m) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Francês Inglês Alemão Português Rede de Computadores Logística Projetos PowerPoint Demonstração de produto Depoimentos ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃOAo atualizarmos a tabela-gabarito, percebemos que Luíza falou Alemão, estudou Redes de Computadores e fez Demonstração de produto. Assim, atualizaremos a tabela-principal com essas informações (TABELA 46). unidade 2 063 RACIOCÍNIO LÓGICO Fonte: Elaborada pelos autores. TABELA 46 – Tabela-principal do exemplo 2 (5° passo – n) ALUNOS IN LG ÊS FR AN CÊ S AL EM ÃO PO RT U GU ÊS AN ÁL IS E DE S. SI ST EM AS M EC AT RÔ N IC A LO GÍ ST IC A RE DE S DE CO M PU TA DO RE S PO W ER PO IN T DE M ON ST RA ÇÃ O DE PO IM EN TO S PR O JE TO S Alexander José Maria Luíza Pedro PowerPoint Demonstração Depoimentos Projetos ADS MTR LOG REC n S n n n n n n n n n S n n n n n n S n n S n n n S n n S n n S n n n n n n n n S n n n n n n S n n n S n n S n n n S n n n n S S n n n n n S n n S n n n n n n n Analisando a TABELA 46, concluímos que quem fez Análise e Desenvolvimento de Sistemas apresentou "Projetos". Mas, pela TABELA 45, verificamos que quem apresentou Projetos foi Alexander. Restando agora o curso de Mecatrônica, que só poderá ter sido cursado por José Maria. Com essas conclusões, preenchemos finalmente a nossa tabela-gabarito (TABELA 47). TABELA 47 – Tabela-gabarito do exemplo 2 (5° passo - o) Fonte: Elaborado pelos autores. Alexander José Maria Luíza Pedro Francês Inglês Alemão Português Análise e Desenvolvimento de Sistemas Mecatrônica Rede de Computadores Logística Projetos PowerPoint Demonstração de produto Depoimentos ALUNOS IDIOMAS CURSOS MÉTODOS DE APRESENTAÇÃO unidade 2 064 RACIOCÍNIO LÓGICO Pelo enunciado proposto, de que o aluno escolhido era aquele que cursava Análise e Desenvolvimento de Sistemas, concluímos que o aluno escolhido para fazer o Projeto de Iniciação Científica foi o Alexander. Essa conclusão foi possível ao seguirmos os passos de análise propostos por Rocha e Aires (2010, p. 159-185). Segundo os mesmos (2010, p. 185), "existe uma forma de não perder o foco ou a concentração durante um problema de correlacionamento de variáveis". Isso se deu, conforme vimos, por meio do uso de técnicas eficazes de análise, isto é, construindo e interpretando ao mesmo tempo as duas tabelas: principal e gabarito. Você conseguiu fazer o "Teste de Einstein", desafio apresentado a você na introdução dessa unidade? Antes de consultar nossa solução e após ter aprendido a técnica que mostramos para solucionar esse tipo de problema, tente fazê-lo, construindo as tabelas gabarito e principal, e fazendo os cruzamentos das informações ou "dicas" dadas na introdução do teste. Após isso, veja como nós fizemos os correlacionamentos das suas informações para chegarmos à seguinte tabela-gabarito (TABELA 48). TABELA 48 - Tabela-gabarito do Teste de Einstein Fonte: Elaborado pelos autores. Cor Nacionalidade Bebida Cigarro Animal Amarela Norueguês Água Dunhill Gatos Azul Dinamarquês Chá Blends Cavalos Vermelha Inglês Leite Pall Mall Pássaros Verde Alemão Café Prince Peixes Branca Sueco Cerveja Bluemaster Cachorros 1a CASA 2a CASA 3a CASA 4a CASA 5a CASA unidade 2 065 RACIOCÍNIO LÓGICO Revisão Vimos nessa unidade algumas particularidades interessantes em nosso estudo de raciocínio lógico. Na montagem das tabelas-principal e gabarito, assim como na grande parte de nossos processos decisórios, devemos estar atentos a uma grande variedade de resultados possíveis. Escolher o melhor caminho a ser percorrido, com vistas a atingir o resultado desejado, exigirá muita atenção na hora de interpretar as informações ou "dicas" dadas no problema. Você poderá pensar que nunca iria deparar com um problema que fosse exigir raciocínio lógico de tamanha complexidade, como o Exemplo 1, em que tivemos que escolher um aluno para fazer um Projeto de Iniciação Científica. Assim, a metodologia que apresentamos o ajudará a entender os caminhos de solução em cenários complexos. E também fará com que você esteja pronto para resolver situações menos complexas. Porém, é necessário que você exercite seu raciocínio lógico por meio da resolução de diversas situações-problema para que, com esse treino, seu raciocínio estruturado funcione quase que "de imediato" na busca de soluções. Esse treinamento é fundamental, pois na nossa vida pessoal e profissional, muitas vezes, não temos chance de anotar as hipóteses, nem tempo suficiente para construirmos tabelas (principal e gabarito) para resolvermos nossos problemas. Na realidade, na maioria das vezes somos chamados a deduzir situações complexas quase que de imediato, o que exige que sejamos ágeis e precisos. unidade 2 066 RACIOCÍNIO LÓGICO A necessidade de rapidez e precisão nas nossas respostas são diferenciais profissionais muito importantes. Afinal, se falarmos sem pensar e não dermos soluções, seremos identificados como "criadores de caso" e não como "solucionadores de problemas". Há um ditado popular que diz que "quem fala muito dá bom dia a cavalo". Indicamos a leitura de um interessante texto de Fernando Gasparetto, intitulado: "Seu cérebro comanda o seu sucesso", Publicado em: 24/06/2015 no endereço eletrônico: <http://metodosupera.com.br/ artigos-sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/> . Acesso em: 29 jun. 2015. De acordo com esse artigo, o psicólogo americano Abraham Maslov criou uma pirâmide de hierarquia das necessidades que nos levaria à situação de "felicidade". Segundo a reportagem, (...)Cada necessidade humana influencia na motivação e na realização do indivíduo, que por sua vez o faz prosseguir para outras necessidades, marcando assim uma pirâmide hierárquica.”(MÉTODO SUPERA, 2015). http://metodosupera.com.br/artigos-sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/ http://metodosupera.com.br/artigos-sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/ unidade 2 067 RACIOCÍNIO LÓGICO De acordo com Método Supera (2015), o site americano “TheMuse” listou sete conselhos que te ajudarão a alcançar o sucesso: 1. Agir para aumentar a autoconfiança. 2. Ser autêntico. 3. Conquistar novos amigos, sempre. 4. Aprender a abrir mão de pequenas coisas. 5. Ser determinado. 6. Abrir a mente. 7. Não deixar o amor de lado. FIGURA 2 - Pirâmide Hierárquica da Felicidade Fonte: [Pirâmide Hierárquica da Felicidade]. In: Site “Supera”. Disponível em: <http://metodosupera.com.br/artigos- sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/>. Acesso em: 29 jun. 2015.). http://metodosupera.com.br/artigos-sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/ http://metodosupera.com.br/artigos-sobre-o-cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/ Introdução ao estudo da lógica • Um pouco da história do pensamento lógico • A lógica na vida do tecnólogo • Revisão Introdução Nesta unidade vocês irão conhecer um pouco da história do pensamento lógico e sua aplicação, desde o primeiro livro da Bíblia Sagrada (Gênesis), passando pela Grécia antiga e Aristóteles, até os dias atuais. É mostrada, também, a importância do raciocínio lógico na vida profissional em diversas áreas do conhecimento. Ao final da unidade são apresentados dois “desafios”, além da sugestão de jogos, disponibilizados em sites de raciocínio lógico, que o ajudará a se exercitar. unidade 3 070 RACIOCÍNIO LÓGICO O raciocínio lógico é, então, um processo de estruturação do pensamento de acordo com princípios e conceitos que, uma vez analisados, permitem chegar a conclusões diretas ou resolver problemas propostos. Um pouco da história do pensamento lógico A história do pensamento lógico no mundo confunde-se com a própria história do homem na terra. Desde os primórdios de sua existência, o homem procura estruturar o seu pensamento em busca de uma definição clara sobre como deve agir em função da observação dos fatos e sobre como as lembranças e os registroshistóricos interferiam na formulação de processos. A origem da palavra lógica vem do termo grego “logiké” cujo significado é: razão, palavra, discurso, ou ainda, ciência do raciocínio. O raciocínio lógico é, então, um processo de estruturação do pensamento de acordo com princípios e conceitos que, uma vez analisados, permitem chegar a conclusões diretas ou resolver problemas propostos. Podemos encontrar vários exemplos do uso do raciocínio lógico na própria história da humanidade. Na Bíblia Sagrada, logo no seu primeiro livro, Gênesis, na conhecida história da Arca de Noé e do dilúvio, encontramos uma narrativa que demonstra claramente como a utilização do raciocínio lógico esteve presente nesse episódio. Vejamos alguns trechos extraídos da Bíblia Sagrada, versículos 6 a 8 do livro do Gênesis: Durante quarenta dias o dilúvio se abateu sobre a terra (...). Passados mais quarenta dias, Noé abriu a janela que tinha feito na arca e soltou um corvo que voava indo e vindo até que secassem todas as águas sobre a terra. Depois soltou uma pomba para ver se as águas já haviam diminuído na face da terra, mas a pomba não achou onde pousar e voltou para a arca (...). Pela tardinha, a pomba voltou com uma folha de oliveira recém-arrancada no bico. Assim, Noé compreendeu que as águas haviam se retirado da terra. Ele esperou então outros sete dias e soltou a pomba e ela não voltou mais (...). Noé então abriu o teto da arca olhou e viu que a superfície da terra estava seca. (BÍBLIA SAGRADA. A.T. Gênesis. cap. 7-8). unidade 3 071 RACIOCÍNIO LÓGICO Noé precisava saber se as águas já haviam baixado o suficiente para que ele pudesse providenciar o desembarque seguro de sua embarcação. Ora, em um claro exercício de uma aplicação do pensamento lógico dedutivo1, baseado em conhecimentos anteriormente assimilados, o protagonista dessa narrativa pôde fazer diversas observações e análises pertinentes, até chegar à conclusão definitiva que seria a resolução de seu problema. Noé precisava saber se as águas já haviam baixado o suficiente para que ele pudesse providenciar o desembarque seguro de sua embarcação. Observem a sequência de suas ações e as respectivas conclusões: Noé observou tanto pela reação do corvo que ele havia enviado para fora da arca, como pela reação da primeira pomba, que as águas ainda não haviam baixado suficientemente, pois as aves voavam em círculos e não dispunham de nenhum lugar seco para pousarem. Entretanto, como a segunda pomba que ele enviou regressou com um ramo de planta no bico (que não estava submersa pelas águas do dilúvio), ele concluiu, com base nessas evidências, que as águas já haviam baixado. Isso mostra que, de um modo geral, para chegar a qualquer conclusão é necessário dispormos das informações prévias que constituem a base para os nossos estudos e de uma série de fatos que, uma vez observados corretamente, nos permitem chegar às conclusões que desejamos. Tomando por palco a Grécia antiga, pode-se dizer que os gregos foram, sem dúvida alguma, os grandes responsáveis por incontáveis realizações no desenvolvimento intelectual do mundo. E os avanços dos estudos do raciocínio lógico não ficaram fora desse escopo. Grandes expoentes do pensamento grego, como Tales de Mileto e Pitágoras, garantiram o desenvolvimento do pensamento lógico na Matemática. Enquanto Sócrates e Platão desenvolveram 1 Conforme iremos estudar mais a frente, o pensamento lógico dedutivo é um tipo de raciocínio lógico, no qual se parte de uma hipótese (premissa maior) para estabelecer relações com outras proposições (premissas menores), para chegar à verdades (conclusões). Exemplo: Todos os metais pesados causam efeitos nocivos aos seres vivos por serem cumulativos (premissa maior). Alguns metais são mutagênicos (premissa menor), como o Mercúrio e o Chumbo (conclusão) e até cancerígenos (premissa menor), como o Cromo, Cádmio e o Arsênio (conclusão). unidade 3 072 RACIOCÍNIO LÓGICO Aristóteles definiu o funcionamento de um argumento lógico, com o objetivo de auxiliar os filósofos a entenderem melhor o mundo em que viviam. o pensamento lógico em importantes questões da Filosofia. Entretanto, coube a Aristóteles o reconhecimento de “Fundador da Lógica Clássica”. Antes desses pesquisadores, o pensamento lógico grego era aplicado de forma intuitiva na Matemática, Ciências Naturais e na Filosofia. Aristóteles viveu entre 384 e 322 a.C. Em seu trabalho denominado “Organom”, ele definiu o funcionamento de um argumento lógico, com o objetivo de auxiliar os filósofos a entenderem melhor o mundo em que viviam. Utilizando a geometria como o modelo de estudo prático, verificou que o mundo precisava de provas claras e absolutas para sustentar qualquer conclusão. Para Aristóteles, a lógica teria como objeto de estudo o pensamento, assim como as leis e demais regras que o controlam. Aristóteles trabalhou, então, com estruturas chamadas silogismos, em que sua forma de apresentação demonstrava ser incontestavelmente válida. A estrutura de um silogismo conduz a uma linha clara que estabelece uma conexão entre premissas, aceitas como verdadeiras, e que nos levam a considerar uma conclusão de forma absolutamente correta. Observem um dos clássicos exemplos de um famoso silogismo de Aristóteles. Tomemos as duas premissas abaixo (itens a e b) e a sua consequente conclusão. Exemplo 1: Premissas: a. Todos os homens são mortais. b. Sócrates é homem. Conclusão: Sócrates é mortal. Podemos criar com facilidade outras estruturas de silogismo igualmente lógicas e conclusivas, conforme o exemplo a seguir. unidade 3 073 RACIOCÍNIO LÓGICO As estruturas que usam o princípio da totalidade (todos) eram chamadas universais, ou seja, aplicavam- se a todas as situações, enquanto que algumas outras estruturas, que se aplicavam para casos específicos (alguns), eram chamadas de particulares. Exemplo 2: Premissas: a. Todo piloto de aviação comercial estudou Física. b. Renato é piloto da aviação comercial. Conclusão: Renato estudou Física. Esse estudo permite também utilizar estruturas ligeiramente diferentes, porém mais amplas. As estruturas que usam o princípio da totalidade (todos) eram chamadas universais, ou seja, aplicavam- se a todas as situações, enquanto que algumas outras estruturas, que se aplicavam para casos específicos (alguns), eram chamadas de particulares, como apresentado no exemplo a seguir. Exemplo 3: Premissas: a. Alguns cachorros são agressivos. b. Nem todos os cachorros são agressivos. c. Existem cachorros que não são agressivos. Conclusão: A primeira premissa (item a) assume que vários cachorros são agressivos, mas que nem todos os cachorros são e que existem cachorros que efetivamente não são. Nesse caso, poderíamos modificar a estruturação dessa premissa utilizando uma estrutura de negação, como na segunda e na terceira premissas (itens b e c). Isso também permitiria concluir que existe pelo menos um cachorro que é agressivo ou, da mesma forma, que existe pelo menos um cachorro que não é agressivo. unidade 3 074 RACIOCÍNIO LÓGICO Esse tipo de pensamento lógico é muito utilizado nos dias atuais em questões de aplicações jurídicas. Ao analisar todas essas estruturas, Aristóteles percebeu a existência de uma outra forma de pensamento, conhecida como o princípio da contradição, muito utilizado no desenvolvimento do raciocínio lógico: uma segunda proposição nega a veracidade de uma primeira proposição. Obviamente, nesse caso, é fácil concluir que, no mínimo, uma das duas proposições que se contradizem é falsa, ou em última análise, que ambas as proposições poderiam ser falsas. As contribuições de Aristóteles para o desenvolvimento do raciocínio lógico impulsionaram outros expoentes da Matemática daquela época que, seguidamente, complementariam o seutrabalho. O matemático Euclides (325, 265 a.C.), baseado nos estudos de Aristóteles, organizou toda a estrutura da chamada Geometria Euclidiana em axiomas e teoremas. Os axiomas eram estruturas simples, óbvias o bastante para dispensarem provas e serem aceitas como verdadeiras. A partir dos axiomas poder-se-ia provar, com relativa simplicidade, questões mais complexas e que necessitavam ser demonstradas, conhecidas como Teoremas. Euclides avançou com a lógica matemática por meio da chamada Prova Indireta, em que a linha de pensamento iniciava-se do oposto daquilo que se desejava provar. Esse tipo de pensamento lógico é muito utilizado nos dias atuais em questões de aplicações jurídicas, por exemplo: o empregado é o autor da fraude, então há um registro de acesso ao sistema no dia do fato, mas o RH informa que, neste dia, o empregado estava ausente do trabalho por motivo de férias. Também foram surgindo outras estruturas lógicas, como a estrutura condicional desenvolvida pelo grego Crisipo (279, 206 a.C.), baseada na estrutura conhecida como Se, então. Exemplificamos essa estrutura de forma simples, conforme apresentado a seguir. unidade 3 075 RACIOCÍNIO LÓGICO As contribuições de Aristóteles para o desenvolvimento do raciocínio lógico impulsionaram outros expoentes da Matemática daquela época que, seguidamente, complementariam o seu trabalho. Exemplo 4: Premissas: a. Se o céu está com espessas nuvens escuras, então poderá chover. b. O céu está com espessas nuvens escuras. Conclusão: Há chances de chover. Após essa fase inicial, bastante densa em termos de desenvolvimento do pensamento lógico, poucos avanços aconteceram nos séculos seguintes. Somente a partir do século XVI da nossa era outros trabalhos foram desenvolvidos. Grandes nomes desse tempo, como o cientista inglês Isaac Newton, os astrônomos Copérnico e Galileu, além de pensadores, como Renné Descartes, despertaram uma retomada significativa na história do pensamento lógico no mundo. O famoso matemático Gottfried Leibniz (1646-1716) é considerado o maior lógico do movimento renascentista na Europa. Inspirado nos trabalhos iniciais de Aristóteles e nas contribuições que se seguiam, Leibniz percebeu a necessidade de utilizar os princípios da lógica para compreender e explicar as leis que regem o mundo. Leibniz percebeu que seria necessário criar símbolos para melhor exprimir o pensamento de Aristóteles e criou, então, uma estrutura de escrita conhecida como Lógica Simbólica. Os trabalhos de Leibniz, embora altamente significativos, também não tiveram o desenvolvimento que se esperava nos anos seguintes. Somente no século XIX George Boole (1815-1864) aperfeiçoou as ideias de Leibniz e desenvolveu a chamada Álgebra Booleana, utilizando os números binários 0 e 1 para expressar as respostas às proposições. unidade 3 076 RACIOCÍNIO LÓGICO É necessário que você tenha em mente que é possível conseguir resolver a mais diversa gama de problemas da sua vida pessoal e profissional com o uso da estrutura do pensamento lógico. É importante lembrar de estudos posteriores, como os do matemático George Cantor que apresentou os pilares para a aplicação da importante Teoria dos Conjuntos, em 1870. Podemos também citar outras linhas de estudo, que continuam sendo desenvolvidas por grandes nomes do pensamento matemático e filosófico em nosso tempo, como a Lógica Sentencial, a Lógica Proposicional, a Lógica Quantitativa e a Lógica Predicativa. A partir da segunda metade do século XX, com o crescente desenvolvimento dos computadores e a consequente utilização desses recursos pelos cientistas, as novas teorias passaram a surgir numa grande velocidade, demonstrando que é possível continuar avançando nesse fascinante campo de estudo. A maneira como as pessoas estudavam no passado não é a mesma deste século. Embora os fundamentos das disciplinas não tenham se modificado, as mudanças ocorridas até os dias atuais foram significativas, haja vista a rapidez da disseminação de redes sociais, celulares ultramodernos e Internet, e o próprio ensino por meio da educação a distância. É necessário que você tenha em mente que é possível conseguir resolver a mais diversa gama de problemas da sua vida pessoal e profissional com o uso da estrutura do pensamento lógico. Porém, precisará praticar continuamente os exercícios de lógica, que irão contribuir para a evolução de algumas de suas habilidades mentais. A lógica na vida do tecnólogo Pensar é uma atividade espontânea e natural, inerente ao ser humano. Para raciocinar, porém, temos que nos concentrar e nos esforçar em organizar nossas ideias de maneira lógica e coerente. O pensamento poderá ocorrer por indução, dedução, inferência e intuição. unidade 3 077 RACIOCÍNIO LÓGICO A indução é uma forma de raciocínio através de conclusões genéricas, baseando em características particulares. Deve-se tomar o cuidado para que não se generalizem inverdades. A indução é uma forma de raciocínio através de conclusões genéricas, baseando em características particulares. Deve-se tomar o cuidado para que não se generalizem inverdades, como mostrado no exemplo a seguir. Exemplo 5: Premissas: a. Mangueiras, laranjeiras e macieiras são árvores. b. Mangueiras, laranjeiras e macieiras produzem frutos. Conclusão: Por indução, conclui-se que todas as árvores produzem frutos. O que é uma inverdade. Ou seja, tentou-se generalizar uma característica particular de determinadas árvores, a capacidade de produzir frutos, chegando-se a uma conclusão não verdadeira. A indução científica também generaliza relações de causa e efeito para se chegar a uma lei, conforme exemplificado a seguir. Exemplo 6: Premissa: a. O aumento do desmatamento da floresta amazônica reduz a quantidade de umidade atmosférica. b. A umidade atmosférica da floresta amazônica interfere na da região sudeste. Conclusão: Pode-se concluir que o desmatamento na Amazônia tem ocasionado alterações climáticas na região sudeste, com períodos de intensas precipitações e anos de recessão hídrica. unidade 3 078 RACIOCÍNIO LÓGICO Na dedução, parte- se de uma hipótese universal (premissa) para formular uma conclusão lógica específica. Na dedução, parte-se de uma hipótese universal (premissa) para formular uma conclusão lógica específica. Ou seja, só se pode deduzir quando o caso específico estiver contido num grupo mais geral. Como na teoria dos conjuntos, um subconjunto pertencerá a um conjunto se e somente se possuir características gerais do mesmo. Exemplo 7: Premissas: a. Todo número par é divisível por dois (premissa geral). b. Dezesseis é divisível por dois. Conclusão: Dezesseis é um número par (conclusão lógica específica). De acordo com Cervo et al. (2007), uma premissa verdadeira é seguida da veracidade da conclusão. Exemplo 8: Premissas: a. O Sistema Solar compreende o conjunto constituído pelo Sol e todos os corpos celestes que estão sob seu domínio gravitacional (premissa geral). b. O subconjunto constituído pelos planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte descreve órbitas praticamente elípticas ao redor do Sol. Conclusão: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte estão sob o domínio gravitacional do Sol (conclusão verdadeira). unidade 3 079 RACIOCÍNIO LÓGICO A inferência é a habilidade de analisar, comparar e tirar conclusões lógicas de fatos e acontecimentos a partir de informações implícitas. Ainda de acordo com Cervo et al. (2007), uma premissa falsa pode ser seguida da veracidade ou da falsidade da conclusão Exemplo 9: Premissas: a. Todos os seres que realizam fotossíntese são plantas (premissa geral falsa). b. A jabuticabeira realiza fotossíntese. Conclusão: A jabuticabeira é uma planta (conclusão verdadeira). Exemplo 10: Premissas: a. Todos os seresque realizam fotossíntese são plantas (premissa geral falsa). b. A lesma do mar (molusco), Elysia chlorotica faz fotossíntese. Conclusão: A lesma do mar é uma planta (conclusão falsa). A inferência é a habilidade de analisar, comparar e tirar conclusões lógicas de fatos e acontecimentos a partir de informações implícitas num texto com significado oculto. A inferência faz parte do nosso dia a dia, mais do que possamos imaginar. Podemos encontrar inferência em propagandas, músicas, textos literários, entre outros. Na propaganda, por exemplo, a inferência serve como uma estratégia de venda, conforme exemplificaremos a seguir. A indústria da cerveja investe, todos os anos, milhões de dólares em publicidade e campanha para suas marcas, para que consiga tocar unidade 3 080 RACIOCÍNIO LÓGICO o público com mensagens variadas como, por exemplo, mensagens ligadas ao futebol (cerveja + futebol é uma combinação perfeita?). Com as atuais restrições impostas nas propagandas de bebidas alcoólicas e cigarros, é difícil pensar que algumas marcas já incentivaram seu consumo no trabalho. Chegou-se a ressaltar supostas propriedades benéficas desses produtos, nocivos a nossa saúde, dizendo que eram energéticos e/ou calmantes. No passado era comum propagandas utilizando imagens que nos dias de hoje nos causariam grande indignação, como as mostradas abaixo, de um Papai Noel fumando, de mulheres feitas apenas para cuidar do lar e de uma criança usando lâmina de barbear (Figura 1). FIGURA 1 – Exemplos de propagandas antigas com “falsas inferências” Fonte: Imagem disponível em: FREITAS, Aiana. Mulher submissa e Papai Noel fumante: lembre anúncios antigos e polêmicos. 16 Jul. 2013. In site “uol-economia”. Disponível em:<http://economia.uol.com.br/noticias/ redacao/2013/07/16/papai-noel-fumante-e-mulher-submissa-veja- personagens-de-propagandas-antigas.htm>. Acesso em 13 maio 2015. A intuição é um processo pelo qual os seres humanos passam, às vezes e involuntariamente, para chegar a uma conclusão lógica sobre determinado tema. O raciocínio que se usa é puramente inconsciente. Seu funcionamento e até mesmo sua existência são um enigma para a ciência. Apesar de já existirem muitas teorias http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/07/16/papai-noel-fumante-e-mulher-submissa-veja- personagens-de-propagandas-antigas.htm http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/07/16/papai-noel-fumante-e-mulher-submissa-veja- personagens-de-propagandas-antigas.htm unidade 3 081 RACIOCÍNIO LÓGICO O computador é uma máquina cuja função é ler e executar as instruções, ou rotinas, desenvolvidas em linguagens de programação, sendo que tais rotinas só existem no “mundo” do raciocínio lógico. sobre o assunto, nenhuma é dada ainda como definitiva, levando muitos a não reconhecer sua importância. Acreditamos que pessoas mais criativas são mais intuitivas e têm maior facilidade de entrar em contato com suas emoções e imaginação, processando rapidamente as informações e relacionado, de forma automática, as experiências do presente com aquelas adquiridas no passado. Esperamos que você saiba mesclar o raciocínio lógico e objetivo, aprendido nessa unidade, com suas intuições e que estas sejam inspiradas em conhecimentos subjetivos, por meio da leitura, de jogos e de curiosidades, e por meio da arte, como a música, a pintura, o canto, etc., permitindo-os ser mais criativos e inovadores em suas profissões. Qual a importância do estudo de raciocínio lógico na vida do tecnólogo? Para que você conheça as diversas aplicações do raciocínio lógico em sua vida pessoal e profissional, consultamos alguns professores. Veja as respostas. O professor Thiago Hofman do Bom Conselho acredita que “não há como existir os cursos de Análise e Desenvolvimento de Softwares e Redes de Computadores sem o raciocínio lógico. O computador é uma máquina cuja função é ler e executar as instruções, ou rotinas, desenvolvidas em linguagens de programação, sendo que tais rotinas só existem no “mundo” do raciocínio lógico, ou seja, um programa só existe nas relações lógicas entre as suas rotinas. Infelizmente, na estrutura atual da escola de base, as disciplinas de matemática não são capazes de estimular ou desenvolver o raciocínio lógico dos nossos alunos. Caso fossem, ajudariam a suprir tal defasagem. ” unidade 3 082 RACIOCÍNIO LÓGICO O tecnólogo precisa de raciocínio lógico para sua carreira profissional, pois irá ajudá-lo a definir estratégias de precificação, de investimentos, de cargos e de salários. A professora Leia Fernandes de Assis disse que “o profissional que fará o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas precisará muito do raciocínio lógico para exercer suas funções. Desenvolver essa habilidade é essencial para sua carreira. Esse profissional vai constantemente lidar e procurar soluções para problemas diversos. Visando a atingir esse objetivo, terá que procurar e investigar hipóteses, e alternativas. A sua eficiência na solução de tais problemas dependerá diretamente da sua habilidade com a lógica.” Para a professora Iracema Campelo Maia, coordenadora dos cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e Sistemas de Informação “o raciocínio lógico é a capacidade específica de lidar mentalmente com as informações disponíveis, encontrando associações, semelhanças e diferenças entre elas, as quais torna possível tomar decisões adequadas às situações. A capacidade de resolver problemas está diretamente associada ao raciocínio lógico, que permite também estabelecer metas e traçar estratégias para atingi-las. Portanto, o raciocínio lógico é uma habilidade fundamental de qualquer cidadão, apoiando-o em sua vida cotidiana e profissional, permitindo-o atuar em problemas variados, como a organização da sua agenda até o planejamento e a execução de grandes projetos.” A professora Andréa de Oliveira, coordenadora de Cursos Tecnológicos da Área Financeira, afirma que “qualquer profissional que utilize o raciocínio como ferramenta de trabalho para resolver problemas de ordem administrativa ou financeira, problemas matemáticos, de planejamento ou de estratégia, entre outros, utiliza como matéria prima para o seu trabalho a arte de pensar. Utilizar o pensamento exige cada vez mais o estudo de disciplinas voltadas ao aprimoramento, treinamento e aplicabilidade do pensamento. O tecnólogo precisa de raciocínio lógico para sua carreira profissional, pois irá ajudá-lo a definir estratégias de precificação, de investimentos, de cargos e de salários. Bem como auxiliará na análise de cenários econômicos e mercadológicos. Será de suma importância para seu melhor desempenho acadêmico nas unidade 3 083 RACIOCÍNIO LÓGICO “Na Gestão de Recursos Humanos temos, o tempo todo, que tomar decisões e resolver problemas com argumentações.” disciplinas de Matemática Financeira, Análise de Dados (Estatística), Análise de Cenários, Estratégia Organizacional, Administração Mercadológica, Custos e Administração Financeira, Contabilidade, Pesquisa Operacional e Gestão Financeira, dentre outras.” Para o professor Ricardo Saraiva Diniz, coordenador dos cursos de Processos Gerenciais e Gestão Comercial, “deve-se estudar raciocínio lógico, porque essa “ferramenta” tornar-lhe-á capaz de organizar e clarear as situações cotidianas, preparando- os para circunstâncias mais complexas. A utilização do raciocínio lógico na formação educacional de alunos gera pessoas críticas, com senso argumentativo, e é com essa característica que desenvolvemos alunos capazes de criar, interpretar, responder e explicar situações cotidianas.” O professor Fernando França Monteiro de Barros espera que “a disciplina de Raciocínio Lógico contribua para os alunos de Logística e Gestão da Produção Industrial, no desenvolvimento das Competências eHabilidades de dedução, indução e abdução, aplicadas como ferramentas para melhorar o desempenho profissional.” Para Cleiton Geraldo Mendes Miranda, coordenador dos cursos de Automação Industrial, Manutenção Industrial, Gestão da Qualidade e Gestão da Produção Industrial, “a disciplina de Raciocínio Lógico deverá permitir o aluno a trabalhar a abstração, auxiliar na compreensão, interpretação e argumentação, expressar ideias de forma lógica e organizada e tomar decisão baseando em critérios lógicos.” “Na Gestão de Recursos Humanos temos, o tempo todo, que tomar decisões e resolver problemas com argumentações. ” – afirma a coordenadora desse curso, professora Patrícia Augusta de Alvarenga. E complementa: “Quando precisamos solucionar problemas e envolvermo-nos em discussões ou argumentações, buscamos uma compreensão a respeito da situação, analisando unidade 3 084 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo é o caso de recrutamento e seleção, em que utilizamos critérios para evitar ir por afinidades e sim pela realidade. cada uma das possibilidades de forma a tirar conclusões de maneira mais exata e precisa. Embora estejamos lidando com emoções e percepções. Temos que utilizar o raciocínio lógico para evitar ao máximo levarmo-nos por vivências e crenças próprias ao invés de utilizar argumentação prática, lógica e sustentável. Exemplo é o caso de recrutamento e seleção, em que utilizamos critérios para evitar ir por afinidades e sim pela realidade. ” A professora Priscilla dos Santos Gomes acredita que “a disciplina raciocínio lógico pode colaborar para que o aluno de Gestão Comercial desenvolva o pensamento, que auxilie o desenvolvimento de cálculos de retorno de investimento de projetos de expansão e novos negócios, custos e administração financeira”. Segundo a professora Ana Karine Faria Senra “para o tecnólogo em Gestão Pública, a disciplina de Raciocínio Lógico contribuirá na preparação para os principais concursos públicos, já que é uma das disciplinas mais cobradas nos certames. E ainda permitirá ao aluno avaliar as melhores condições na tomada de decisões. O professor Marcos Arrais e Silva, coordenador do curso de Jogos Digitais disse que “uma característica muito importante do profissional de Jogos Digitais é a capacidade de abstrair conceitos e cenários, e criar soluções lúdicas e interativas para problemas reais ou simulados. Nesse contexto, o domínio de técnicas de proposições lógicas, sistemas de tomada de decisão, operadores relacionais e raciocínio tornam-se habilidades imprescindíveis. A disciplina de raciocínio lógico é um grande diferencial curricular, pois vai estimular o pensamento crítico e analítico do aluno, ajudando a projetar jogos digitais mais imersivos e com uma carga de significado mais expressiva.” Ainda de acordo com esse professor, “em diversas áreas do Design Gráfico, o profissional é confrontado a trabalhar com grandezas, unidades de medida, sistemas numéricos e proposições de lógica. Seja para a área de mídia impressa, em que a demanda é unidade 3 085 RACIOCÍNIO LÓGICO emergente, ou mesmo para as mídias digitais, em que é demandado um conhecimento de regras de proporção e operações relacionais. A disciplina de Raciocínio Lógico apresenta os instrumentos necessários para lidar com as necessidades do mercado e da sociedade, e forma um profissional mais crítico.” Para o prof. Luiz Eduardo Carneiro, “a importância do Raciocínio Lógico na vida do tecnólogo em Mecatrônica Industrial começa com o desenvolvimento da habilidade relacionada à interpretação de problemas. De posse do problema, elaborar soluções de forma estruturada, visando a solucioná-lo. Para isso, precisa saber utilizar a tabela verdade e as noções matemáticas. De forma geral, a disciplina deve estimular o desenvolvimento de soluções por meio de passos determinados. ” O professor Marco Túlio Carvalho de Souza Andrade, coordenador da Área da Gestão, reforça que o “Raciocínio Lógico deve contribuir para a tomada de decisão e para a avaliação de riscos ao longo da vida do aluno. É algo para a vida, para contribuir nos diversos processos de escolhas que temos ao longo de nossas vidas pessoal e profissional. Eu ainda chamaria a disciplina de “Lógica para a Vida”, completou. Enfim, achamos que a disciplina de Raciocínio Lógico contribuirá muito no desenvolvimento de habilidades de “identificar as aplicações práticas em suas atividades profissionais”, além de estimular “percepção, descrição, análise e proposições para resolução de questões e problemas.” Os jogos de raciocínio lógico auxiliam diretamente na aplicação da teoria apresentada nessa unidade, como os “desafios”, apresentados a seguir. unidade 3 086 RACIOCÍNIO LÓGICO DESAFIO 1: Qual conclusão podemos chegar, partindo das premissas a seguir? Premissas: a. Se impermeabilizarmos o solo, asfaltando e cimentando, então não recarregaremos o lençol freático e faltará água. b. Belo Horizonte tem hoje a maioria de seu território impermeabilizado por cimento e asfalto. DESAFIO 2: Quais conclusões podemos chegar, partindo das premissas a seguir? Sentadas uma ao lado da outra em três cadeiras do auditório da UNA do campus Barro Preto, três calouras aguardam as palestras de “Boas-vindas à UNA”. Qual caloura está sentada em qual cadeira? Premissas: a. A caloura do Curso de Gestão Comercial está sentada à direita da aluna que veste blusa vermelha. b. A aluna de Estética veste blusa azul. c. Uma delas veste blusa preta. d. A aluna de Gestão Ambiental está sentada na cadeira do meio. Sugestão para resolução: Procurem resolver o desafio montando uma estrutura em tabela, como a apresentada a seguir, preenchendo as colunas de acordo com as premissas do problema, até encontrar a solução final: Cor da roupa Curso CALOURA 1 CALOURA 2 CALOURA 3 Belo Horizonte sofre constantemente no período chuvoso com as inundações urbanas e possui subsolo cada vez mais seco. unidade 3 087 RACIOCÍNIO LÓGICO Conclusão do desafio 1: Belo Horizonte sofre constantemente no período chuvoso com as inundações urbanas e possui subsolo cada vez mais seco. Se o solo foi impermeabilizado com cimento e asfalto, na época da chuva a água não poderá infiltrar e escoará pelas ruas com grande velocidade, provocando problemas de inundações urbanas. Se a água não infiltrar, ela não poderá “recarregar” o subsolo, ou o lençol freático, que é o grande responsável por ter água nas nascentes e rios no período da estiagem, quando não chove. Esses impactos ambientais (inundação no período da chuva e falta de água no período da estiagem) são devidos ao grande percentual de áreas impermeáveis. Daí a necessidade de um bom Planejamento Urbano e do Uso do Solo e dos Recursos Hídricos, para que não tenhamos problemas de excesso nem de falta de água. Solução do desafio 2: Cor da roupa Curso Estética Azul Vermelha Preto Gestão Ambiental Gestão Comercial CALOURA 1 CALOURA 2 CALOURA 3 Revisão Nessa unidade vimos um pouco da história do pensamento lógico, sua aplicação, e também a importância do raciocínio lógico na vida do profissional de diferentes áreas do conhecimento. Ao final da unidade apresentamos dois “desafios”, para que vocês iniciem o exercício de resolução dos problemas de lógica. unidade 3 088 RACIOCÍNIO LÓGICO Indicamos o seguinte site que contém uma variedade de jogos, para que os alunos treinem a teoria aqui aprendida e se exercitem com as técnicas de resolução de problemas lógicos: https://rachacuca.com.br/logica/ problemas/ Proposição e suas operações lógicas • Conceitos de proposição • Valores lógicos das proposições • Conectivos lógicos • Revisão Introdução Desde os tempos mais remotos que os seres humanos procuravam se comunicar de forma eficiente e clara. Muitas vezes as formas mais simples e concisas de comunicação tornavam-se ineficientespor transmitirem mensagens com conteúdos vagos e imprecisos, permitindo uma gama de interpretações e, é claro, bastante diferentes entre si. Outras vezes o problema situava-se em uma estrutura de comunicação mais complexa que dificultava a compreensão correta do que se queria transmitir. Não é nenhum exagero afirmar que o desenvolvimento da comunicação entre as pessoas constituiu um dos mais importantes avanços da história humana. Permitiu a formação dos primeiros grupos, das primeiras comunidades estruturadas, o desenvolvimento dos meios de defesa contra agressores naturais, a compreensão da extração dos meios que garantiam o necessário à subsistência, etc. Tudo isso encaminhando a humanidade gradativamente para o progresso, pela possibilidade de transmissão dos conhecimentos adquiridos ao longo do tempo. O desenvolvimento de uma linguagem clara e adequada norteou a evolução da formulação das regras que descrevem o raciocínio lógico. Conforme estudamos, o grego Aristóteles concentrou grande atenção no entendimento adequado das proposições e na forma como cada grupo dessas deveria ser apresentado. Sem essa preocupação, certamente, a formulação dos princípios dessa teoria seria bem mais difícil de ser entendida. Agora vamos discutir as Regras Básicas utilizadas atualmente na formulação das questões de Raciocínio Lógico. Apresentaremos os modelos de escrita padronizados, os significados de cada estrutura empregada e os resultados possíveis de cada uma delas. Compreendendo esse novo “idioma” e as suas implicações, certamente o estudo de Raciocínio Lógico ficará mais simples. Assim, ao final desta unidade vocês estarão aptos a: a. Estabelecer propriedades de relações formais entre proposições, premissas e conclusões; b. Conceituar os princípios básicos do raciocínio lógico, como as proposições simples e compostas e os conectivos lógico; c. Identificar a ocorrência de equivalência lógica em proposições compostas. unidade 4 092 RACIOCÍNIO LÓGICO Conceitos de proposição Um curso de raciocínio lógico deve começar exatamente com a estruturação dos meios pelos quais a realidade será expressa, possibilitando uma compreensão única para todos os leitores. Assim, o domínio completo da linguagem a ser utilizada é o primeiro pré-requisito para avançarmos nesta unidade. Nos manuais de linguagem escrita aprendemos que um texto precisa ter em si uma mensagem para ser considerado um texto e que uma mensagem precisa necessariamente de um texto para ser considerada uma mensagem. Consequentemente, para se compreender exatamente o sentido de uma mensagem é preciso conhecer os elementos utilizados para construir o texto e transmiti- la adequadamente. Torna-se então necessário estabelecermos algumas definições e conceitos para avançarmos neste trabalho. O termo argumento significa um embasamento na defesa de qualquer ideia que se pretenda apresentar ou, ainda, como um conjunto de palavras ou de símbolos definidos especificamente com essa finalidade, que conseguem expressar um sentido de compreensão completo. Portanto: O termo argumento é um conjunto de palavras, símbolos ou sentenças declarativas, acompanhado de uma outra frase declarativa conhecida como conclusão. Argumento é o conjunto de palavras, símbolos ou sentenças declarativas, acompanhado de uma outra frase declarativa conhecida como conclusão. unidade 4 093 RACIOCÍNIO LÓGICO Proposição é toda oração declarativa, ou conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo. Exemplo 11: Argumento Proposições: a. Todos os mineiros são brasileiros. b. Todos os brasileiros são latino americanos. Conclusão: Todos os mineiros são latino americanos. Dentro dos princípios utilizados no estudo do raciocínio lógico, argumento pode ser entendido como uma expressão definida que, ao ser avaliada, poderá receber somente respostas do tipo das que estão contidas nos dois conjuntos a seguir: a. Bom, Consistente, Válido ou Verdadeiro. b. Ruim, Inconsistente, Inválido ou Falso. Dessa forma, em uma estrutura argumental, chamaremos de premissas, ou proposições, as duas sentenças declarativas, como “todos os mineiros são brasileiros” e “todos os brasileiros são latino americanos” e à análise final daremos o nome de conclusão, como “todos os mineiros são latino americanos”. Proposição é toda oração declarativa, ou conjunto de palavras ou símbolos que exprimem um pensamento de sentido completo. Por ser uma oração, na maioria das vezes, uma proposição deve possuir sujeito e predicado. Por ser declarativa, não poderá nunca ser interrogativa, exclamativa ou imperativa. Nem permitir duplo sentido, ter sentido vago ou ser paradoxal, ou contrário à opinião comum, ou algo que entra em contradição. As proposições transmitem pensamentos formados a respeito de determinado assunto. A verdade de uma proposição é expressa pela unidade 4 094 RACIOCÍNIO LÓGICO Pelo Princípio da Não Contradição cada premissa ou proposição tem somente uma única resposta. comprovação dos fatos. Pode ser que uma proposição seja tomada como verdadeira até que novas informações/comprovações mostrem o contrário, como as proposições verdadeiras exemplificadas a seguir. Exemplo 12: a. O Estado de Minas Gerais não é banhado pelo mar. b. Montes Claros é a maior cidade do norte de Minas. c. No campus do Barro Preto da UNA podemos fazer os Cursos de Graduação Tecnológica em Pilotagem e Manutenção de Aeronaves. d. 81 = 9 e. π = 3,1416... Já nos exemplos a seguir as proposições são todas falsas. Exemplo 13: a. Campo Grande é a capital da Bahia. b. A praia de Copacabana é banhada pelo Oceano Pacífico. c. Todos os mineiros torcem por times de futebol de São Paulo. d. 24=8 e. 2+2=5 Nos exemplos a seguir não temos proposições e sim várias sentenças abertas (itens a ao c). Ao substituirmos os valores de x ou y, essas passarão a serem proposições. No item d temos uma sentença vaga. O item e mostra um exemplo de duplo sentido. O item f mostra o mais conhecido dos paradoxos, escrito por Camões, que constituem afirmações aparentemente sem lógica. unidade 4 095 RACIOCÍNIO LÓGICO Pelo Princípio do Terceiro Excluído descartamos completamente a possibilidade de uma resposta diferente de “falso” ou “verdadeiro”. Exemplo 14: a. x + y = 5 b. x + 1 = y c. x + 2 = 4 d. Ele é magro. e. A égua da minha sogra é nova. f. “Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer.” Dois princípios ou axiomas básicos devem ser estabelecidos como regras fundamentais. 1º Axioma ou Princípio da Não Contradição Esta regra exige que cada premissa ou proposição tenha somente uma única resposta, ou seja, uma proposição não poderá ser “verdadeira” e “falsa” ao mesmo tempo. 2º Axioma ou Princípio do Terceiro Excluído Este axioma, como o próprio nome diz, descarta completamente a possibilidade de uma resposta diferente das apresentadas anteriormente. Simplificando, um argumento é formado por uma ou mais proposições que devem nos conduzir a uma única conclusão, com respostas claras e esperadas, as quais podem ser Verdadeiras (V) ou Falsas (F). É importante deixar claro a diferença entre uma proposição e outras formas de expressão utilizadas em nosso idioma, como as perguntas e estruturas indefinidas. Observem a formulação apresentada no exemplo a seguir. unidade 4 096 RACIOCÍNIO LÓGICO A estrutura em forma de pergunta ou questão, não caracterizando uma proposição (Quantos anos Maria tem?), assim como a questão indefinida (Não sei se vou viajar). Exemplo 15: a. Quantos anos Maria tem? Essa estrutura comporta uma gama variada de valores possíveis para ser respondida. O indivíduo ao respondê-la deverá ter conhecimento sobre a pessoa em questão e poderá responder dizendo 2, 18,20, 21, 30 anos, ou qualquer outro valor que corresponda à idade atual de Maria. Esse tipo de estrutura tem o nome de pergunta ou questão, e não é classificada como uma proposição. Outro tipo de estrutura bastante utilizada no nosso cotidiano, às vezes, denota uma questão indefinida e também não é caracterizada como uma proposição. Nessa mesma situação podemos analisar as seguintes expressões: Exemplo 16: a. Será que vai chover? b. Não sei se vou viajar. São formas de expressões excessivamente vagas que não conduzem a respostas únicas e conclusivas. A caracterização de uma proposição deverá indicar como resposta somente duas possibilidades: Falso ou Verdadeiro, como exemplificado a seguir. Exemplo 17: a. A capital de Minas Gerais é Belo Horizonte (Proposição Verdadeira). b. A soma dos ângulos internos de um triângulo é 180º (Proposição Verdadeira). unidade 4 097 RACIOCÍNIO LÓGICO Para dar respostas às proposições o raciocínio lógico pode requerer conhecimentos prévios, desenvolvimento matemático, atualidades e até mesmo aspectos da formação moral do indivíduo. c. O Brasil foi descoberto por Cristóvão Colombo (Proposição Falsa). d. A raiz quadrada de 64 é igual a oito (Proposição Verdadeira). e. Pelé foi o maior jogador de basquete do Brasil (Proposição Falsa). Às vezes, observamos proposições parcialmente verdadeiras, porém a resposta a esse tipo de estrutura não deverá apontar para uma estrutura verdadeira. Exemplo 18: a. O Brasil foi descoberto por Pedro Álvares Cabral em 1492. Essa proposição é falsa. Embora o Brasil tenha sido descoberto por Pedro Álvares Cabral, existe um complemento não verdadeiro que se refere ao ano do descobrimento que foi em 1500 e não em 1492, como escrito na proposição. É necessário, obviamente, o acúmulo de uma série de conhecimentos prévios para responder corretamente questões como essas apresentadas acima. Para dar respostas às proposições o raciocínio lógico pode requerer conhecimentos prévios, desenvolvimento matemático, atualidades e até mesmo aspectos da formação moral do indivíduo. Vamos analisar as duas proposições a seguir. Exemplo 19: a. Floresta é um bairro próximo ao centro de Belo Horizonte. b. Dirigir alcoolizado é sempre errado. Aparentemente, é muito fácil para qualquer cidadão que more em Belo Horizonte verificar que a primeira proposição é verdadeira. Entretanto, é necessário ter em mente que o fato de saber que a Floresta é nome de um bairro tradicional na região Leste de Belo unidade 4 098 RACIOCÍNIO LÓGICO Existem proposições, no entanto, que, por serem bastante óbvias, irão produzir a mesma resposta lógica, não importando a quem tenha sido formulada a proposição Horizonte, a poucos quilômetros do centro da cidade, é simples para pessoas que residem em Belo Horizonte. Mais simples ainda para aqueles que moram ou já moraram nessa região da cidade. Se pensarmos em uma pessoa que nunca esteve em Belo Horizonte, ou ainda para um indivíduo estrangeiro que nunca esteve no Brasil, verificar corretamente se essa proposição é falsa ou verdadeira pode ser algo absolutamente complexo, e que demandaria um longo tempo em pesquisas em livros de geografia, mapas da cidade ou outras fontes de pesquisa. A resposta correta à segunda proposição, que em uma primeira análise seria verdadeira para qualquer indivíduo, poderá não ser tão clara como parece, se considerarmos valores pessoais ou o contexto da situação. As pessoas que se preocupam com a segurança física, própria e de todas as pessoas a sua volta, com a preservação de seus bens materiais e de terceiros, além, é claro, do efetivo cumprimento das leis vigentes no nosso país, considerarão que essa é uma proposição verdadeira. Outras pessoas, entretanto, não têm necessariamente essa mesma visão e podem ter uma resposta diferente, haja vista a imensa quantidade de pessoas que morrem no Brasil por dirigirem alcoolizadas. Em outras palavras, a resposta a essa questão dependeria do comportamento e da formação moral de cada indivíduo. Além disso, qual seria a resposta caso soubéssemos que o motorista estava dirigindo alcoolizado para salvar a vida de outra pessoa, porque era o único habilitado? Existem proposições, no entanto, que, por serem bastante óbvias, irão produzir a mesma resposta lógica, não importando a quem tenha sido formulada a proposição, conforme veremos nos próximos exemplos. Exemplo 20: a. Aquele carro é verde ou não é verde. b. André chegou a sua casa ou não chegou. unidade 4 099 RACIOCÍNIO LÓGICO Há situações em que um conjunto de premissas verdadeiras pode levar a conclusões absurdas. c. Maria fez o exercício de Contabilidade ou não fez. Todos esses exemplos conduzirão a uma resposta verdadeira única, não importando quem vai responder a essas proposições, ou ainda, quais conhecimentos anteriores essa pessoa deverá possuir. A coerência de um conjunto de proposições também pode levar a respostas não necessariamente corretas. Observem a sequência destas três proposições e a conclusão a elas atribuída: Exemplo 21: Proposições: a. João Pedro não tem problemas físicos. b. João Pedro é jogador de futebol. c. Somente os atletas em boas condições físicas serão escalados para o jogo de futebol no próximo domingo. Conclusão: João Pedro será escalado para o jogo de futebol do próximo domingo. Essa conclusão não apresenta consistência suficiente para ser considerada verdadeira. Mesmo diante dos três argumentos verdadeiros, a conclusão apresentada não tem elementos suficientes para ser caracterizada como verdadeira, uma vez que as proposições a a c não conduzem a uma conclusão verdadeira. Em outras palavras, não se definiu a obrigatoriedade de escalar para o jogo todos os atletas que estivessem em perfeitas condições físicas. Também encontramos situações em que um conjunto de premissas verdadeiras pode levar a conclusões absurdas. Vejamos o exemplo apresentado a seguir. unidade 4 100 RACIOCÍNIO LÓGICO A negação de uma proposição é então algo que merece ser analisado. Exemplo 22: Proposições: a. Os tomates maduros são vermelhos. b. A casa de Paulo é vermelha. Conclusão: A casa de Paulo é um tomate. Embora as duas proposições sejam verdadeiras, a maneira como foi induzida a formulação da conclusão não foi adequada. Outro aspecto importante na linguagem das proposições é a maneira conveniente de como negar uma proposição. A negação de uma proposição é então algo que merece ser analisado. O que é negar uma proposição? Negar poderia ser definido como a ação de considerar falsa uma premissa anterior. Vamos utilizar um exemplo prático para explicar essa questão. Exemplo 23: Premissa: Geraldo é nascido em Alagoas. Trata-se de uma proposição simples que afirma que Geraldo nasceu em Alagoas. Essa premissa naturalmente pode assumir dois valores ou dois resultados conhecidos por nós, que são: falso ou verdadeiro. O que poderemos fazer é negar a premissa diretamente usando a estrutura “É falso que” ou a utilização da negativa “não” antes do unidade 4 101 RACIOCÍNIO LÓGICO A negação de uma proposição é então algo que merece ser analisado. verbo principal da proposição. Assim sendo, as negativas dessa proposição poderiam ser: Premissas: É falso que Geraldo nasceu em Alagoas. Ou, Geraldo não nasceu em Alagoas. Obviamente a negativa de uma proposição, invariavelmente, terá a resposta invertida se comparada com a proposição inicial. Observe que, mesmo que tivéssemos certeza de que Geraldo não nasceu em Alagoas, não fazemos a negativa da premissa informando o local conhecido do nascimento de Geraldo, ou seja, não podemos dizer: “Geraldo nasceu em Pernambuco” ou “Geraldo nasceu na Bahia”. Exemplo 24: Se para a proposição “Vitor trabalha em Brasília” a resposta é “Falso”, obrigatoriamente para a sua negativa “É falso que Vitor trabalhaem Brasília”, a resposta a essa última será “Verdadeiro”. Valores lógicos das proposições Nós trabalhamos, até agora, somente com proposições simples. É importante analisarmos agora a estrutura de proposições compostas, ou seja, estruturas formadas pela junção de duas ou mais proposições. Vamos trabalhar inicialmente com duas proposições simples referentes a assuntos independentes entre si, como no exemplo a seguir. unidade 4 102 RACIOCÍNIO LÓGICO Essa nova estrutura composta de proposição deverá também ter uma única resposta. Exemplo 25: a. A capital do Estado do Espírito Santo é Vitória. b. A nascente do rio São Francisco situa-se no Estado de São Paulo. Observando independentemente as duas proposições e utilizando os nossos conhecimentos básicos de geografia brasileira, sabemos que a primeira proposição é verdadeira e a segunda proposição é falsa. Para fazermos a junção dessas duas proposições, vamos inicialmente utilizar os conectivos, que têm como função dar sentido à nova estrutura, conforme apresentado a seguir. Conectivos Lógicos Chamamos de conectivos algumas palavras utilizadas para formar novas proposições a partir de outras, proposições como, as disjunções inclusivas “ou”, a conjunção “e”, a disjunção exclusiva “ou ... ou, mas não ambos”, a condicional “se ... então”, a negação “não”, e a bi condicional “se e somente se”, conforme veremos. A conjunção e como conectivo lógico: “A e B” O primeiro conectivo que vamos utilizar é a conjunção “e”. No exemplo apresentado anteriormente, nossa estrutura composta ficaria assim: unidade 4 103 RACIOCÍNIO LÓGICO O conectivo “e” significa a obrigatoriedade das duas proposições isoladamente serem verdadeiras para que a estrutura composta também seja verdadeira. Exemplo 26: Proposição 1: A capital do Estado do Espírito Santo é Vitória. Proposição 2: A nascente do rio São Francisco situa-se no Estado de São Paulo. Proposição 3: A capital do estado do Espírito Santo é Vitória e a nascente do rio São Francisco situa-se no estado de São Paulo. Nesse caso, o conectivo “e” significa a obrigatoriedade das duas proposições isoladamente serem verdadeiras para que a estrutura composta também seja verdadeira. No entanto, a resposta a essa estrutura composta é “Falso”, pois a segunda proposição é falsa, a nascente do rio São Francisco não se situa no Estado de São Paulo. A disjunção inclusiva ou como conectivo lógico: “A ou B” Vamos verificar, agora, como opera a disjunção “ou”. No exemplo apresentado anteriormente, nossa estrutura composta ficaria assim: Exemplo 27: a. A capital do Estado do Espírito Santo é Vitória ou a nascente do rio São Francisco situa-se no estado de São Paulo. Temos acima uma estrutura única, que agregou duas proposições independentes por meio da palavra, disjunção ou conectivo “ou”. Essa nova estrutura composta de proposição deverá também ter uma única resposta. Como o conectivo empregado é o “ou”, a estrutura composta será considerada verdadeira a partir de uma única resposta verdadeira para uma das proposições isoladamente. Em outras palavras, unidade 4 104 RACIOCÍNIO LÓGICO Basta que uma das duas proposições seja verdadeira para que a estrutura composta pelo conectivo “ou” seja verdadeira. basta que uma das duas proposições seja verdadeira para que a estrutura composta também seja verdadeira. Se, por exemplo, tivéssemos uma estrutura composta formada por cinco proposições, todas unidas pelo conectivo “ou”, sendo quatro delas falsas e apenas uma verdadeira, a resposta final para essa estrutura seria também verdadeira. Para estruturas compostas separadas pelo conectivo “ou”, somente teríamos como resposta final “Falso” se todas as proposições isoladamente fossem falsas. Como vimos anteriormente, nas estruturas compostas com a utilização do conectivo “e”, bastaria existir uma proposição falsa para que toda a estrutura composta também fosse falsa. Porém, com a utilização do conectivo “ou” a situação é inversa, pois basta uma única proposição verdadeira para que a proposição composta também seja verdadeira. A disjunção exclusiva ou como conectivo lógico: “ou A ou B, mas não ambos” Uma estrutura particular de utilização do conectivo “ou” é o chamado “ou exclusivo”. Isso acontece numa situação simples em que é totalmente impossível que as duas proposições sejam verdadeiras ao mesmo tempo. Exemplo 28: Proposição 1: Mateus é solteiro. Proposição 2: Mateus é casado. Proposição 3: Ou Mateus é casado ou Mateus é solteiro. Vamos então analisar a estrutura composta. Podemos ter isoladamente cada uma das proposições simples como verdadeira e, obviamente, a proposição composta como falsa. unidade 4 105 RACIOCÍNIO LÓGICO A “Estrutura Condicional” é montada com a expressão “se ... então”. Nesse caso, como as proposições são excludentes, ou seja, Mateus não poderia ser solteiro e casado ao mesmo tempo, a estrutura então seria verdadeira. Também se pode concluir que se Mateus tiver outro estado civil diferente dos dois apresentados nas duas proposições (viúvo por exemplo), a resposta final para essa estrutura composta também seria falsa. O condicional se como conectivo lógico: “se A então B” Estruturas que estabelecem condições para uma segunda proposição são também muito importantes. Dentre elas, a “Estrutura Condicional” é montada com a expressão “se ... então”, conforme exemplificado a seguir. Exemplo 29: Proposição 1: A caminhonete de Marcos está na garagem de casa (Verdadeira). Proposição 2: Marcos já chegou da fazenda (Verdadeira). Proposição 3: Se a caminhonete de Marcos está na garagem da casa então Marcos já chegou da fazenda (Verdadeira). Essa estrutura condicional demonstra que existe dependência entre as duas proposições (1 e 2). Facilmente podemos concluir que a primeira proposição é uma evidência da segunda proposição, o que torna a sentença composta (3) como verdadeira, na medida em que tanto a primeira como a segunda proposições também são verdadeiras. Vamos agora observar outras possibilidades, utilizando as mesmas informações do exemplo anterior, alterando, porém, a veracidade dos fatos. unidade 4 106 RACIOCÍNIO LÓGICO É uma proposição composta cujo valor lógico é sempre o oposto da proposição original, independente de seus valores lógicos. Inicialmente vamos admitir que a primeira proposição seja verdadeira, ou seja, a caminhonete de Marcos está na garagem da casa. Na hipótese da segunda proposição ser falsa, ou seja, Marcos ainda está na fazenda, haveria uma dificuldade para explicar a permanência da caminhonete na garagem da casa enquanto Marcos ainda esteja na fazenda. Nessa hipótese, a estrutura composta seria falsa, uma vez que a presença do carro na garagem não permitiria que Marcos ainda estivesse na fazenda, conforme mostrado a seguir. Exemplo 30: Proposição 1: A caminhonete de Marcos está na garagem de casa (Verdadeira). Proposição 2: Marcos já chegou da fazenda (Falsa). Proposição 3: Se a caminhonete de Marcos está na garagem da casa, então Marcos já chegou da fazenda (Falsa). Caso a primeira proposição fosse falsa, ou seja, a caminhonete de Marcos não estivesse na garagem da casa, poderíamos admitir inicialmente duas hipóteses: (a) que ele ainda estivesse na fazenda como uma possibilidade verdadeira, ou seja negando a segunda proposição de que Marcos já tivesse retornado da fazenda; ou, (b) que a proposição 1 fosse verdadeira, ou seja, que Marcos já poderia ter chegado da fazenda. Assim, concluímos que a proposição “condicional” assume o valor “falso” quando a primeira proposição é “verdadeira”, mas a segunda proposição é “falsa”, nas demais situações a proposição condicional é sempre “verdadeira”. A negação “não” como conectivo lógico: “não A” É uma proposição composta cujo valor lógico é sempre o oposto da proposição original,independente de seus valores lógicos. Se unidade 4 107 RACIOCÍNIO LÓGICO Caso a primeira proposição seja verdadeira e a segunda proposição seja falsa, ou ainda que a primeira proposição seja falsa e a segunda proposição seja verdadeira, a resposta final obviamente será falsa. negarmos uma proposição verdadeira, estaremos produzindo uma proposição falsa, e vice-versa. Exemplo 31: Proposição 1: Eu amo minha família. (Verdadeiro). Negação 1: É falso que eu amo minha família (Falso). Proposição 2: Eu não gosto de estudar raciocínio lógico (Falso). Negação 2: Não é verdade que eu não gosto de estudar raciocínio lógico (Verdadeiro). O bicondicional “se” como conectivo lógico: “A se e somente se B” Uma última montagem, também muito importante, é a chamada estrutura bicondicional. Nessa estrutura iremos utilizar uma sequência que unirá duas proposições, assim: (proposição 1) se e somente se (proposição 2), conforme exemplo: Exemplo 32: Proposição 1: Um número inteiro é ímpar. Proposição 2: Se a divisão por dois não for exata. Estrutura composta 1: Um número inteiro é ímpar se e somente se a divisão por dois não for exata. Estrutura composta 2: Um número não é ímpar se e somente se a divisão por dois for exata. A Estrutura composta 1 é um tipo de estrutura que permite uma análise mais simples. Observem que, se as duas proposições forem verdadeiras, essas conduzirão à formação de uma estrutura composta, obrigatoriamente verdadeira. unidade 4 108 RACIOCÍNIO LÓGICO Da mesma forma, se negarmos as duas proposições, tornando- as falsas, como na Estrutura composta 2, a estrutura então será verdadeira. Ou seja, a estrutura que nega as duas proposições, ou que tornariam as duas proposições iniciais como falsas, produzirá um resultado final verdadeiro para a estrutura composta. Dentro da mesma situação proposta acima, caso a primeira proposição seja verdadeira e a segunda proposição seja falsa, ou ainda que a primeira proposição seja falsa e a segunda proposição seja verdadeira, a resposta final obviamente será falsa. As proposições são muito utilizadas em questões de concursos, como o exemplo de uma questão de prova de concurso do INSS, apresentado a seguir. TEXTO-BASE (CESPE/INSS/2008) Proposições são sentenças que podem ser julgadas como verdadeiras ou falsas, mas não admitem ambos os julgamentos. A esse respeito, considere que A represente a proposição simples "É dever do servidor apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função", e que B represente a proposição simples "É permitido ao servidor que presta atendimento ao público solicitar dos que o procuram ajuda financeira para realizar o cumprimento de sua missão". ENUNCIADO Considerando as proposições A e B, julgue os itens I e II, com respeito ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal1 e às regras inerentes ao Raciocínio Lógico. 1. BRASIL. Lei nº 6029, de 01 de fevereiro de 2007.Institui Sistema de Gestão da Ética do Poder Executivo Federal, e Dá Outras Providências.. Brasília, Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6029.htm>. Acesso em: 14 maio 2015 unidade 4 109 RACIOCÍNIO LÓGICO ALTERNATIVAS I. A proposição "Se A então B" é necessariamente verdadeira. II. Sabe-se que uma proposição na forma "A ou B" tem valor lógico falso quando A e B são ambos falsos; nos demais casos, a proposição é verdadeira. Portanto, a proposição composta "A ou B", em que A e B são as proposições acima referidas, é verdadeira. INTERPRETAÇÃO Análise do item I: Como vimos anteriormente, a proposição condicional "Se A então B", simbolicamente representada por A → B, é falsa somente quando A é verdadeira e B é falsa. Em qualquer outro caso, A → B é verdadeira. De acordo com o texto, no que se refere ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, a proposição A é verdadeira e a proposição B é falsa. Logo, A → B é uma proposição falsa. Análise do item II De acordo com o que estudamos sobre a disjunção "A ou B", simbolicamente representada por A v B, será verdadeira se ao menos uma das proposições A ou B for verdadeira. Se A e B forem ambas falsas, então A v B será falsa. Vimos pela análise do texto que A é verdadeira e B é falsa. Logo, A v B é uma proposição verdadeira. unidade 4 110 RACIOCÍNIO LÓGICO Revisão Nessa unidade foi apresentada uma padronização da estrutura de linguagem, que será utilizada nos capítulos seguintes, e as análises iniciais dos tipos de resposta que cada uma dessas formas de descrever os fatos nos permite concluir. Descrevemos então a formulação de toda a argumentação de uma ideia e a maneira adequada de narrar os fatos, que serão analisados por meio do uso de premissas. Estas são estruturas de linguagem bastante simples e concisas. Analisamos as premissas isoladamente e os respectivos conectivos que iremos empregar para conectar duas ou mais proposições. Foram estudadas cinco estruturas, a saber: 1. conjunção – conectivo “e” 2. disjunção e disjunção exclusiva – conectivo “ou” 3. condicional – estrutura “se ... então” 4. bi condicional – estrutura “se e somente se” 5. Negação Para cada uma das cinco situações foram consideradas as análises das respostas às proposições simples e seus resultados de análise final. Isso vai facilitar o nosso estudo nas unidades seguintes. unidade 4 111 RACIOCÍNIO LÓGICO Livros e filmes de suspense, e também policiais, são sempre bons para ativar nossa curiosidade e, consequentemente, nosso raciocínio lógico. Assim, aproveitamos para sugerir a vocês que assistam ao seguinte filme: "Shutter Island ou Ilha do Medo". É um filme americano dirigido por Martin Scorsese, lançado em fevereiro de 2010 e protagonizado por Leonardo DiCaprio e Mark Ruffalo. O filme é baseado no livro "Paciente 67" do consagrado autor Dennis Lehane. Sinopse: Edward Daniels (Leonardo DiCaprio) investiga o desaparecimento de um paciente no Shutter Island Ashecliffe Hospital, em Boston. No local, ele descobre que os médicos realizam experiências radicais com os pacientes, envolvendo métodos ilegais e antiéticos. Teddy tenta buscar mais informações, mas enfrenta a resistência dos médicos em lhe fornecer os arquivos que possam permitir que o caso seja aberto. Quando um furacão deixa a ilha sem comunicação, diversos prisioneiros conseguem escapar e tornam a situação ainda mais perigosa. Dirigido por Martin Scorsese, o longa traz mais uma grande atuação de Leonardo DiCaprio, numa trama que prende a atenção do começo ao fim. Um suspense eletrizante, onde nada é o que parece. (Fonte: ALMEIDA, Diego. 5 melhores filmes de suspense da Netflix. 15 mar. 2015. In: site “cine pop”. Disponível em: <http://cinepop.virgula.uol.com.br/5-melhores-filmes-de-suspense- da-netflix-90623>. Acesso em 14 maio 2015). Operações lógicas e resultados • Operações lógicas sobre proposições • Tabelas- verdade para proposições simples • Tabelas- verdade para proposições compostas • Revisão Introdução Nesta unidade vamos estudar as operações lógicas e os resultados delas decorrentes. Numa operação matemática o resultado é numérico. Nas operações lógicas os resultados, assim como as proposições simples, só podem assumir os valores V (verdadeiro) ou F (falso), conforme vimos pelo Princípio do Terceiro Excluído. Vejamos o que acontece numa operação envolvendo o operador “e” com duas proposições simples. Suponhamos que Maria Augusta irá a uma festa no próximo sábado à noite e que ela tenha algumas opções de roupa para usar nessa ocasião, dependendo das condições do tempo. Inicialmente, a única questão que influenciará na escolha dela é a análise de uma única proposição, identificada pela letra p. p: tempo chuvoso Nesse caso, podemos ter duas possibilidades: 1. tempo chuvoso 2. temponão chuvoso Essas duas possibilidades de ocorrência da proposição p podem ser apresentadas em forma do que é denominado como tabela- verdade, conforme TABELA 1. TABELA 1 – Tabela-verdade do exemplo 34 com uma proposição Fonte: elaborada pelos autores. 1a 2a V F Possibilidades PROPOSIÇÃO p Como aprendemos anteriormente, por meio do “Princípio do Terceiro Excluído”, as duas possibilidades possíveis para p são verdadeiro (V) ou falso (F), como mostrado na tabela. Assim, a decisão de Maria Augusta se dará pela resposta a essa proposição p, caso p = V (tempo chuvoso), Maria Augusta escolherá, por exemplo, entre algumas opções de vestuário, casaco, capa de chuva galochas etc.; caso p = F (tempo não chuvoso) Maria Augusta escolherá outras opções de roupas. Imaginemos agora que a escolha seja composta por dois fatores, representados pelas proposições p e q. p: tempo chuvoso q: tempo frio Nesse caso, existem quatro possibilidades a serem analisadas: 1ª. existência de tempo chuvoso e existência de tempo frio; 2ª. existência de tempo chuvoso e inexistência de tempo frio; 3ª. inexistência de tempo chuvoso e existência de tempo frio; 4ª. inexistência de tempo chuvoso e inexistência de tempo frio. Também de acordo com o "Princípio do Terceiro Excluído", essas quatro possibilidades de ocorrência das proposições p e q poderiam ser apresentadas, conforme mostrado na TABELA 2. Fonte: elaborada pelos autores. 1a 2a 3a 4a V V F F V F V F Possibilidades PROPOSIÇÕES p q TABELA 2 – Tabela-verdade do exemplo 34 com duas proposições Observemos que, no caso de uma proposição (p) a tabela-verdade possuía duas linhas e no caso de duas proposições (p e q) a tabela-verdade ficou composta com quatro linhas, que se referem às quatro possibilidades existentes. Se evoluirmos nesta análise, verificaremos que o número de linhas da tabela-verdade de uma proposição composta depende do número de proposições simples que a integram, em que n é igual ao número de proposições simples, conforme definição de Alencar Filho (2002, p.29) apresentada a seguir: "A tabela-verdade de uma proposição composta com n proposições simples contém 2n linhas". Portanto, quanto mais proposições simples existirem para serem analisadas, mais alternativas existirão em uma escala exponencial. Assim, se 10 proposições forem analisadas existirão 210 = 1024 possibilidades; para 11 proposições, esse total será de 211 = 2048. Isso é importante porque a construção prática da tabela-verdade, de uma proposição composta, inicia-se contando o número de proposições simples que a integram. Ao final do estudo desta unidade, você deverá estar capacitado a construir tabelas-verdade para proposições que representem operações lógicas. E, desta forma, habilite-se a resolver problemas do cotidiano, pessoal e profissional, que possam ser expressos por este tipo de linguagem. unidade 5 117 RACIOCÍNIO LÓGICO Conjunção: p ∧ q Disjunção: p q Disjunção exclusiva: p ∧ q Condicional: p → q Bicondicional: p ↔ q Negação: não p ou ~ q QUADRO 1 - Simbologia dos conectivos lógicos Fonte: Elaborado pelos autores. Conectivos Símbolos Tipo de estrutura lógica Exemplos e ou ou ... ou se ... então se e somente se não < < < < < < Márcia é professora e engenheira. Amanhã eu irei à Una ou ao teatro. Ou Onaldo é professor ou estudante da Una, mas não ambos. Se é meia noite, então o sol já se pôs. Aprenderei raciocínio lógico se e somente se me dedicar a este estudo em EAD. Não é verdade que estudar é fácil. ou Estudar não é fácil. ou ainda É falso que estudar é fácil. ~ → ↔ Operações lógicas sobre proposições No QUADRO 1 apresentamos alguns símbolos adotados para indicar as estruturas lógicas compostas formadas por conectivos, bem como alguns exemplos de suas aplicações. Nós vimos que as proposições simples possuem um único valor lógico, Verdadeiro (V) ou Falso (F). Agora, iremos aprender alguns critérios para sabermos se uma proposição composta, formada por duas outras proposições simples, terá valor lógico Verdadeiro (V) ou Falso (F). Chamemos duas proposições simples de p e q, respectivamente. Construiremos novas proposições compostas a partir delas, utilizando os conectivos lógicos, assim: p conectivo q, conforme ilustrado no Quadro 2, a seguir. unidade 5 118 RACIOCÍNIO LÓGICO QUADRO 2 - Critérios de análise dos valores lógicos de proposições compostas 1o critério: a conjunção p ʌ q será verdadeira se p for verdadeira e q for verdadeira. Se ao menos uma delas for falsa, ela será falsa. 2o critério: a disjunção p v q será verdadeira se ao menos uma das proposições p ou q for verdadeira. Se p e q forem ambas falsas, então p v q será falsa. 3O critério: a disjunção exclusiva p v q será verdadeira se uma das proposições for verdadeira e a outra for falsa. Nos demais casos, ou seja, quando ambas forem verdadeiras ou ambas forem falsas, a disjunção exclusiva será falsa. 4O critério: a condicional p → q é falsa somente quando p é verdadeira e q é falsa. Em qualquer outro caso, p → q é verdadeira. 5O critério: a bi condicional p ↔ q é verdadeira somente quando p e q são ambas verdadeiras ou ambas falsas. Em qualquer outro caso, a bicondicional é falsa. 6O critério: dada uma proposição p, podemos obter outra proposição ~p (não p) chamada de negação da proposição p, cujo valor lógico será sempre oposto ao de p. Fonte: LOYOLA, 2011, p.16-21. Vejamos algumas aplicações do uso de conectivos lógicos na formação das proposições compostas. Exemplo 33: Proposição p: O Galo foi campeão da Libertadores em 2013. Proposição q: Onaldo venceu a corrida "Volta na Pampulha", em 2014. Estrutura composta p (conectivo) q: O Galo foi campeão da Libertadores em 2013 (conectivo) Onaldo venceu a corrida "Volta na Pampulha", em 2014. Análise: p: essa proposição simples é verdadeira (V). q: essa proposição simples é falsa (F), pois quem venceu, pela terceira vez consecutiva, foi o brasileiro Giovani dos Santos. unidade 5 119 RACIOCÍNIO LÓGICO Valores lógicos das proposições compostas: 1a) p ʌ q: esta conjunção é falsa (F) porque a proposição q é falsa.(1o critério do Quadro 2). 2a) p v q: esta disjunção é verdadeira pois uma delas é verdadeira. (2o critério do Quadro 2). 3a) p v q: esta disjunção exclusiva é verdadeira, pois uma delas é verdadeira. (3o critério do Quadro 2). 4a) p → q: esta condicional é falsa (F), por ser p verdadeira e q falsa. (4o critério do Quadro 2). 5a) p ↔ q: esta bi condicional é falsa (F), pois só será verdadeira se ambas forem verdadeiras ou falsas. (5o critério do Quadro 2). 6a) ~p: Não é verdade que o Galo foi campeão da Libertadores em 2013: falsa porque está negando a proposição verdadeira p. ~q: Onaldo não venceu a corrida "Volta na Pampulha" em 2014: verdadeira pois está negando a proposição falsa q. Esses símbolos serão muito úteis na Unidade 3, em que iremos analisar as combinações de todas as estruturas e as respostas por meio da construção do que chamamos de Tabelas-Verdade. Tabelas-verdade para proposições simples Nesta unidade, utilizaremos uma das mais importantes ferramentas na definição de estruturas lógicas, que é a tabela-verdade. unidade 5 120 RACIOCÍNIO LÓGICO Tabela-verdade é uma forma simplificada de organizar as informações que passaram da linguagem formal para a linguagem simbólica, permitindo concluir se um argumento apresentado ou um conjunto de proposições é válido ou inválido. Uma tabela-verdade é, portanto, uma maneira de representação dos valores possíveis que uma proposição poderá assumir: verdadeiro (V) ou falso (F). Como vimos, são os seis conectivos lógicos utilizados em tabelas- verdade. a) Conjunção b) Disjunção c) Disjunção exclusiva d) Condicional e) Bicondicional f) Negação de uma proposição A seguir, na TABELA 4, apresentamos um resumo desses conectivos e suas representaçõessimbólicas. TABELA 4 – Simbologia dos conectivos lógicos Fonte: Elaborada pelos autores. Conjunção: p Λ q Disjunção: p v q Disjunção exclusiva: p v q Condicional: p → q Bicondicional: p ↔ q Negação: não p ou ~p ou ¬p e ou ou ... ou se ... então se, e somente se não V V → ↔ ~ ou ¬ V TIPO DE ESTRUTURA LÓGICA Conectivos Símbolos Vamos ver agora alguns exemplos para ilustrar a construção de tabelas-verdade com o uso desses conectivos lógicos. unidade 5 121 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 34: Conjunção de duas proposições A palavra ‘conjunção’ nos dá a ideia de duas coisas juntas, isto é, devemos escolher uma E outra coisa, como o exemplo aqui apresentado. Sejam as proposições p e q a seguir: p: Denise é nascida em Belo Horizonte. q: João Miguel é analista de sistemas. A conjunção indicada pelo conectivo lógico “e” é estruturada na linguagem formal da seguinte forma: Denise é nascida em Belo Horizonte e João Miguel é analista de sistemas. Na linguagem simbólica, teremos: p ʌ q. A tabela-verdade para a conjunção é apresentada a seguir (TABELA 5). Em sua construção, foi considerado o primeiro critério apresentado no QUADRO 2, a saber: 1º critério: uma conjunção só será verdadeira se todas as proposições simples que a originaram forem também verdadeiras. Assim, basta que uma das proposições simples seja falsa para que a conjunção seja – toda ela – falsa. Desse modo, obviamente, o resultado falso também ocorrerá quando ambas as proposições componentes forem falsas. TABELA 5 – Tabela-verdade do exemplo 34 V V F F V F V F V F F F p q p q Fonte: elaborada pelos autores. V A palavra disjunção nos dá a ideia de coisas separadas, no contexto do raciocínio lógico significa, que devemos escolher uma OU outra coisa, como veremos a seguir unidade 5 122 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 35: Disjunção de duas proposições A palavra disjunção nos dá a ideia de coisas separadas, significando, no contexto do raciocínio lógico, que devemos escolher uma OU outra coisa, como veremos a seguir. Sejam as seguintes proposições: p: Rosângela mora em Vitória. q: Wagner é economista. A conjunção indicada pelo conectivo “ou” é estruturada na linguagem formal da seguinte forma: Rosangela mora em Vitória ou Wagner é economista. Na linguagem simbólica teremos: p v q. Conforme já estudamos, a tabela-verdade para essa estrutura será montada conforme consta na TABELA 6. Na sua construção, foi considerado o segundo critério, apresentado no QUADRO 2. 2º Critério: uma disjunção será verdadeira se ao menos uma das proposições simples que a originaram forem também verdadeiras. Se ambas forem falsas, a disjunção também será falsa. TABELA 6 – Tabela-verdade do exemplo 36 V V F F V F V F V V V F p q p v q Fonte: Elaborada pelos autores. Exemplo 36: Disjunção exclusiva de duas proposições É possível que você um dia concorra a uma única vaga de gerente da empresa na qual trabalha. Nesse caso, você poderia dizer a um colega seu, que também tem as competências para ser nomeado: "ou eu serei o novo gerente, ou você será o novo gerente". É uma disjunção porque utiliza o "ou" e é exclusiva porque não aceita que as duas proposições sejam verdadeiras ao mesmo tempo. unidade 5 123 RACIOCÍNIO LÓGICO Essas sentenças têm os seguintes significados: a. um de nós dois irá ocupar a vaga de gerente (não ambos); b. só um de nós poderá ocupar a vaga de gerente (nunca seremos, juntos, gerentes da mesma vaga, pois este cargo só admite um gerente. Dessa forma, quando usamos a estrutura da disjunção exclusiva, "ou p ou q", estamos representando uma situação em que as duas proposições precisam ter valor lógico diferentes, para que o "p v q" seja verdadeiro. Isto é, se uma das proposições for verdadeira, a outra, obrigatoriamente, terá que ser falsa. É uma disjunção porque utiliza o "ou" e é exclusiva porque não aceita que as duas proposições sejam verdadeiras ao mesmo tempo. Assim, as expressões a seguir têm valores lógicos completamente diferentes. a. Eu serei o gerente ou você será o gerente. b. Ou eu serei o gerente ou você será o gerente. Na primeira frase, temos um exemplo da disjunção: tanto faz se eu for o nomeado, se você for o nomeado ou se nós dois formos os nomeados – a proposição composta será verdadeira (veja a tabela 6, apresentada anteriormente). No caso da segunda frase, em que temos uma disjunção exclusiva, as duas sentenças terão que ter valor lógico diferentes, para que a proposição seja verdadeira. Vejamos, então, outro exemplo de fácil entendimento: p: Hugo é mineiro. q: Hugo é paulista. No caso da segunda frase, em que temos uma disjunção exclusiva, as duas sentenças terão que ter valor lógico diferentes, para que a proposição seja verdadeira. unidade 5 124 RACIOCÍNIO LÓGICO Nesse sentido, utilizamos uma das ferramentas de argumentação mais poderosa que existe, que é a implicação lógica. A disjunção exclusiva, também indicada pelo conectivo “ou...ou” será estruturada na linguagem formal da seguinte forma: ou Hugo é mineiro ou Hugo é paulista. Na linguagem simbólica teremos p v q. Como você sabe, não existe a possibilidade de Hugo, uma única pessoa, ser mineiro e paulista ao mesmo tempo. A tabela-verdade para a disjunção exclusiva é montada da seguinte forma (TABELA 7). Na sua construção, foi considerado o terceiro critério, apresentado no QUADRO 2. 3º Critério: uma disjunção exclusiva será verdadeira se uma das proposições simples for verdadeira e a outra, falsa. Nos demais casos, quando ambas forem verdadeiras ou ambas forem falsas, a disjunção exclusiva será falsa. TABELA 7 – Tabela-verdade do exemplo 37 V V F F V F V F F V V F p q p qV Fonte: elaborada pelos autores. Exemplo 37: Estrutura condicional Em diversas situações da vida profissional e pessoal em que é preciso resolver problemas, devemos estar atentos em nossas decisões, para não errarmos em nossos diagnósticos como, por exemplo, identificar as relações de causa-efeito entre dois ou mais elementos. Nesse sentido, utilizamos uma das ferramentas de argumentação mais poderosa que existe, que é a implicação lógica. Assim, dizer que uma coisa implica outra é dizer que a segunda é consequência obrigatória da primeira. Por isso, se for usada intuitivamente pode conduzir a numerosos erros. unidade 5 125 RACIOCÍNIO LÓGICO A estrutura bicondicional "se, e somente se" cria uma dependência de duas vias, isto é, se uma das coisas acontecer, é certo que a outra acontecerá. Para a montagem dessa estrutura condicional, trabalharemos o seguinte exemplo: p: Lúcia terminará o seu trabalho até 19 horas. q: Lúcia irá ao cinema. A estrutura condicional utiliza a sequência “se ... p então q”. Aplicando o exemplo acima, teremos: Se Lúcia terminar o seu trabalho até 19 horas, então ela irá ao cinema. Simbolicamente teremos p → q. Na construção da tabela-verdade (TABELA 8), foi considerado o quarto critério, apresentado no QUADRO 2: 4º Critério: a estrutura condicional será falsa somente quando a 1ª proposição simples for verdadeira e a 2ª for falsa. Em qualquer outro caso, essa estrutura será verdadeira. TABELA 8 – Tabela-verdade do exemplo 38 V V F F V F V F V F V V p q p → q Fonte: elaborada pelos autores. Exemplo 38: Estrutura bicondicional A estrutura bicondicional "se, e somente se" cria uma dependência de duas vias, isto é, se uma das coisas acontecer, é certo que a outra acontecerá. E o inverso disso também é verdadeiro, ou seja, se uma das coisas não acontecer, a outra não acontecerá. Para a montagem dessa estrutura, analisaremos as seguintes proposições: p: Edna viajará de férias. unidade 5 126 RACIOCÍNIO LÓGICO A estrutura bicondicional "se, e somente se" cria uma dependência de duas vias, isto é, se uma das coisas acontecer, é certo que a outra acontecerá. q: Carlos comprará um carro novo. A estruturabicondicional utiliza a sequência “p se, e somente se, q”. Aplicando o exemplo acima, teremos: Edna viajará de férias se e somente se Carlos comprar um carro novo. Na linguagem simbólica, teremos p ↔ q. Na construção da tabela-verdade (TABELA 9), foi considerado o quinto critério, apresentado no QUADRO 2. 5º Critério: a bicondicional será verdadeira somente quando as proposições simples forem ambas verdadeiras ou ambas falsas. Em qualquer outro caso, a bicondicional será falsa. TABELA 9 – Tabela-verdade do exemplo 39 V V F F V F V F V F F V p q p ↔ q Fonte: elaborada pelos autores. Exemplo 39: Negação de uma proposição simples p: Maria Lúcia é dentista (linguagem formal). Uma proposição simples acarretará numa tabela-verdade de apenas duas linhas (TABELA 10). Essa tabela-verdade indica que, se Maria Lúcia realmente é dentista, a primeira possibilidade é a de a resposta ser verdadeira (V); caso ela não seja dentista, a segunda opção é de a resposta ser falsa (F). TABELA 10 – Tabela-verdade do exemplo 40 com uma proposição p V F Fonte: elaborada pelos autores. unidade 5 127 RACIOCÍNIO LÓGICO Na negação de p, utiliza-se o símbolo (~) ou o símbolo (¬), escrevendo: ~p ou ¬p. Assim, a tabela-verdade para a negação da proposição p inverte todos os valores lógicos obtidos na anterior (TABELA 10), que ficam definidos conforme a TABELA 11. Nela foi considerado o sexto critério apresentado no QUADRO 2. 6º Critério: dada uma proposição p, podemos obter outra proposição ~p, ¬p (não p), chamada de negação da proposição p, cujo valor lógico será sempre oposto ao de p. TABELA 11 – Tabela-verdade do exemplo 40 com negação da proposição p V F ~p ou ¬p F V Fonte: elaborada pelos autores. O que é negar uma proposição? Observe que, na tabela-verdade, a negação de p (~p ou ¬p) é “Maria Lúcia não é dentista”. Ora, se Maria Lúcia realmente for dentista, negar essa proposição será, consequentemente, uma proposição falsa. Por outro lado, se Maria Lúcia não for dentista, a negação dessa proposição estará efetivamente afirmando que “Maria Lúcia não é dentista”. Logo, essa negação da proposição inicial será verdadeira. Sintetizando, a tabela-verdade de uma negação consiste em inverter todos os valores lógicos da proposição inicial. A seguir, o QUADRO 3 apresenta um resumo das relações entre as proposições simples estudadas. unidade 5 128 RACIOCÍNIO LÓGICO QUADRO 3 - Resumo das relações entre proposições simples Fonte: elaborada pelos autores. Conjunção (E): p Λ q Disjunção (OU): p v q Disjunção exclusiva (OU...OU): p v q Condicional (SE...ENTÃO): p → q Bicondicional (SE E SOMENTE SE): p ↔ q Negação (NÃO): ~p ou ¬p ambas são verdadeiras uma das duas é verdadeira se uma for verdadeira e a outra falsa demais casos as duas tiverem valores lógicos iguais p é falsa uma delas é falsa as duas são falsas ambas verdadeiras ou ambas falsas p é verdadeira e q é falsa as duas tiverem valores lógicos diferentes p é verdadeira TIPO DE ESTRUTURA LÓGICA É verdadeira quando É falsa quando Tabelas-verdade para proposições compostas Já conhecemos as regras principais a serem utilizadas na formulação das questões simples. Quando utilizamos estruturas compostas, é necessário combinar na ordem em que se apresentam e obter a resposta adequada para todas as possibilidades. Dessa forma, aprendemos a construir, pelo menos, seis tabelas- verdade de proposições compostas: conjunção, disjunção, disjunção exclusiva, condicional, bicondicional e negação. Com esse conhecimento prévio, estamos aptos a construir tabelas-verdade de qualquer outra proposição formada por duas proposições componentes (p e q). Designaremos tal proposição composta da seguinte forma: P (p, q). Para efeito prático, consideremos três proposições para o desenvolvimento do exemplo 41. unidade 5 129 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 40: Proposição composta por três proposições simples Considere estas três proposições simples: p: Bárbara é médica. q: Cibele fala inglês. r : Eugênio mora na Bahia. 1. Considere a seguinte proposição composta: Bárbara é médica ou Cibele fala inglês e Eugênio mora na Bahia. 2. Inicialmente, devemos converter os termos da linguagem formal para a linguagem simbólica: p v q Λ r. 3. Conforme vimos anteriormente, a montagem de uma tabela-verdade de três proposições deverá ter 23 = 8 linhas e contemplar todas as possibilidades de montagem existentes, conforme TABELA 13. 4. A coluna 1 refere-se à proposição p: consideramos as quatro primeiras possibilidades como V e as quatro seguintes como F. 5. A coluna 2 refere-se à proposição q e a montagem é realizada com duas alternativas V, seguidas por duas alternativas F. 6. A coluna 3 refere-se à proposição r, e colocamos alternadamente V e F em todas as posições da coluna. 7. A coluna 4 é a resolução (p v q). Nesse caso, a coluna 3, que contém as alternativas da proposição r, não é utilizada. 8. E, finalmente, temos a resposta final na coluna 5. 9. Essa resposta é construída com a resposta da coluna 4, o conectivo “e” e a coluna 3, resultando em (p v q) ʌ r. unidade 5 130 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 12 – Tabela-verdade do exemplo 41 Fonte: elaborada pelos autores. Linha 1 Linha 2 Linha 3 Linha 4 Linha 5 Linha 6 Linha 7 Linha 8 V V V V F F F F V V F F V V F F V F V F V F V F V V V V V V F F V F V F V F F F p q r (p v q) (p v q) Λ r Coluna 2Coluna 1 Coluna 3 Coluna 4 Coluna 5 Exemplo 41: Outra possibilidade para o exemplo 41 Seja a seguinte proposição composta: Bárbara não é médica ou Eugênio mora na Bahia se, e somente se, Giovane estuda Filosofia e Eugênio mora na Bahia. p : Bárbara é médica. r : Eugênio mora na Bahia. s : Giovane estuda Filosofia. 1. Seguindo o mesmo roteiro utilizado no exemplo 41, passaremos da linguagem formal para a linguagem simbólica. Assim: ~p v r ↔ s Λ r. 2. São também três proposições (p, r, s) utilizadas nessa estrutura, embora a proposição “r” apareça duas vezes. 3. Logo, teremos novamente uma tabela-verdade com oito linhas, pois a tabela-verdade de três proposições deverá ter 23 = 8 linhas, conforme mostra a TABELA 13. 4. Teremos sete colunas, que são as seguintes: 5. Coluna 1: proposição p. unidade 5 131 RACIOCÍNIO LÓGICO São também três proposições (p, r, s) utilizadas nessa estrutura, embora a proposição “r” apareça duas vezes. 6. Coluna 2: negação da proposição p ( negação da coluna 1). 7. Coluna 3: proposição r. 8. Coluna 4: proposição s. 9. Coluna 5: ~p v r ( coluna 2 ou coluna 3). 10. Coluna 6: s Λ r ( coluna 4 e coluna 3). 11. Coluna 7: ~p v r ↔ s Λ r ( coluna 5 se, e somente se, coluna 6). 12. O desenvolvimento das alternativas em cada coluna é executado numa ordem natural das operações. 13. A coluna 1 são as possibilidades existentes para a proposição p. 14. A coluna 3 são as possibilidades existentes para a proposição r. 15. A coluna 4 são as possibilidades existentes para a proposição s. 16. Para facilitar a construção dessa tabela, optamos por apresentar a negação de “p”, alterando todos os operadores lógicos da coluna 2. 17. Os dois resultados intermediários estão apresentados nas colunas 5 e 6, e o resultado final, destacado na coluna 7. unidade 5 132 RACIOCÍNIO LÓGICO Utilização de parêntesis para proposições compostas Para evitar ambiguidade, é necessário colocar parêntesis na simbolização das proposições. Observe que a expressão p v q Λ r poderia conduzir a duas expressões que apresentariam resultados diferentes em suas respectivas tabelas-verdade: 1ª opção: (p v q ) Λ r 2ª opção: p v (q Λ r) Essas expressões não têm o mesmo significado, pois na 1ª opção, o conectivo principal é o “Λ”, e, na 2ª opção, o conectivo principal é o “v”. Ou seja, a 1ª é uma conjunção e a 2ª, uma disjunção. Outro exemplo é dado pela seguinte expressão: p Λ q → r v s. Aocolocar parêntesis, obtêm-se diferentes expressões que, por sua vez, produzem diferentes resultados: 1ª opção: ((p Λ q) → r) v s TABELA 13 – Tabela-verdade do exemplo 42 Fonte: elaborada pelos autores. Linha 1 Linha 2 Linha 3 Linha 4 Linha 5 Linha 6 Linha 7 Linha 8 V V V V F F F F F F F F V V V V V V F F V V F F V F V F V F V F V V F F V V V V V F F F V F F F V F V V V F F F p ~p r s ~p v r s Λ∧r ~p v r ↔ s∧Λ r Coluna 2Coluna 1 Coluna 3 Coluna 4 Coluna 5 Coluna 6 Coluna 7 unidade 5 133 RACIOCÍNIO LÓGICO Por outro lado, em muitos casos, os parêntesis podem ser suprimidos, a fim de simplificarmos as proposições simbolizadas, desde que não apareçam ambiguidades. 2ª opção: p Λ (( q → r) v s) 3ª opção: (p Λ ( q → r)) v s 4ª opção: p Λ (q → (r v s ) 5ª opção: (p Λ q ) → (r v s) Por outro lado, em muitos casos, os parêntesis podem ser suprimidos, a fim de simplificarmos as proposições simbolizadas, desde que não apareçam ambiguidades. Para que possamos suprir parêntesis, estabeleceremos algumas convenções. I. A ordem de precedência para os conectivos é: 1ª) Bicondicional: ↔ 2ª) Condicional: → 3ª) Conjunção v e Disjunção: Λ 4ª) Negação: ~ Assim, podemos dizer que o conectivo “mais fraco” é a negação, e o “mais forte” é a bicondicional. Por exemplo: a proposição p → q ↔ s Λ r é uma bicondicional, e nunca uma condicional ou uma conjunção. Para convertê-la numa proposição condicional, temos que usar parêntesis: p → (q ↔ s Λ r) Para convertê-la numa conjunção, colocamos o parêntesis da seguinte maneira: (p → q ↔ s) Λ r II. Quando um mesmo conectivo aparecer várias vezes repetidamente, supriremos os parêntesis, fazendo associações a partir da esquerda. unidade 5 134 RACIOCÍNIO LÓGICO Identificamos, nessa estrutura, quatro proposições e cinco conectivos, incluindo uma negação. Assim, de acordo com essas duas convenções, a proposição ((~(~(p ʌ q))) v ( ~p )) poderá ser simplificada em: ~~(p ʌ q) v ~p. Dessa forma, para evitar possíveis ambiguidades, utilizaremos o parêntesis em nosso curso, conforme demonstrado no exemplo 42.. Exemplo 42 Vamos agora estudar uma estrutura um pouco mais extensa, que utilizará todos os conectivos aprendidos até o momento: p → q Λ r ↔ ~p v s Identificamos, nessa estrutura, quatro proposições e cinco conectivos, incluindo uma negação. Sem a utilização de parêntesis, essa estrutura necessitaria do estabelecimento da hierarquia de execução citada acima. A operação principal é, então, uma bicondicional que divide toda a estrutura. Obedecendo a essa hierarquia e utilizando adequadamente os parêntesis, temos a seguinte estrutura: (p → (q Λ r)) ↔ (~p v s). A ordem então das operações é a seguinte: a) negação de p b) conjunção e disjunção: (q Λ r) e (~p v∧s) c) condicional: (p → (q Λ r)) d) bicondicional: (p → (q Λ r)) ↔ (~p v s) Criemos a tabela-verdade (tabela 14), que conterá 16 linhas e 9 colunas, sendo estas assim distribuídas: Coluna 1 – Proposição p (8 linhas iniciais V e 8 linhas F). Coluna 2 – Proposição q (2 conjuntos de 4 linhas iniciais V e 4 linhas F). Coluna 3 – Proposição r (4 conjuntos de 2 linhas iniciais V e 2 linhas F). unidade 5 135 RACIOCÍNIO LÓGICO Coluna 4 – Proposição s (V e F alternadamente). Coluna 5 – Negação de p (coluna 1). Coluna 6 – Conjunção das colunas 2 e 3. Coluna 7 – Condicional da coluna 1 com a coluna 6. Coluna 8 – Disjunção da coluna 5 com a coluna 4. Coluna 9 – Bicondicional da coluna 7 com a coluna 8. TABELA 14 – Tabela-verdade do exemplo 43 Fonte: elaborada pelos autores. Linha 1 Linha 2 Linha 3 Linha 4 Linha 5 Linha 6 Linha 7 Linha 8 Linha 9 Linha 10 Linha 11 Linha 12 Linha 13 Linha 14 Linha 15 Linha 16 V V V V V V V V F F F F F F F F V V V V F F F F V V V V F F F F V V F F V V F F V V F F V V F F F F F F F F F F V V V V V V V V V V F F F F F F V V V V V V V V V F V F V F V F V F V F V F V F V V F F F F F F V V F F F F F F V F V F V F V F V V V F V V V V V F F V F V F V V V V F V V V V p q r s ~p (q ʌ r) (p → (q ʌ r)) (~p ∧ s) (p→(q Λ r)) ↔(~p v s) Coluna 1 Coluna 3 Coluna 5 Coluna 7Coluna 2 Coluna 4 Coluna 6 Coluna 8 Coluna 9 V Essas regrinhas que acabamos de aprender deverão ser bem compreendidas. Mas, não se preocupe, pois não é preciso decorar as tabelas-verdade. Elas servirão apenas para tirar uma conclusão sobre algum resultado. No nosso dia a dia, estamos, a todo tempo, tomando decisões, e fazemos isso com base em análises de determinadas situações. unidade 5 136 RACIOCÍNIO LÓGICO Entre as aplicações práticas que podemos citar como exemplo encontra-se o caso de descobrir se um empregado perpetrou uma fraude no sistema. Para que esta suspeita seja verdade pode ser necessário definir e verificar determinadas proposições tais como: p: O empregado tinha permissão para acessar o sistema na data da fraude. q: O empregado tinha permissões que lhe permitiam alterar a informação fraudada. r: O próprio empregado acessou e adulterou os dados na data em questão. Embora talvez não seja necessário elaborar a tabela verdade para combinar as proposições anteriores, fica claro que estamos usando o mesmo tipo de raciocínio para chegar a uma conclusão. Em casos mais complexos, com mais proposições ou operações variadas, a construção da tabela verdade poderá ser indispensável e o conhecimento aqui adquirido será muito útil. Na próxima unidade, utilizaremos esses conhecimentos para estudarmos as diferenças entre proposições classificadas como tautologias, contradições ou contingências. unidade 5 137 RACIOCÍNIO LÓGICO Às vezes, é bastante útil saber usar a tabela-verdade para uma dada proposição, pois a resposta de uma questão de prova pode ser obtida de forma segura e confiável. E, por esse motivo, vamos aprender a construí- las passo a passo, por meio do exemplo 44, apresentado abaixo. Exemplo 43 Suponhamos que, numa questão de prova, seja solicitada a construção de uma tabela-verdade para a seguinte proposição: P (p, q, r) = (p Λ ~q) → (q v ~r) A leitura dessa proposição é a seguinte: SE p E NÃO q, ENTÃO q OU NÃO r. Vamos fazer esse exercício? Primeiramente, montamos a tabela-verdade e suas possíveis linhas e colunas (TABELA 15). Em seguida, começamos a preenchê-la, seguindo os seguintes passos: 1o passo: preenchimento da estrutura inicial da tabela-verdade para as três proposições p, q e r TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 1o passo V V V V F F F F V V F F V V F F V F V F V F V F q r ~q (p Λ ~q) (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r)~rp Fonte: elaborada pelos autores. unidade 5 138 RACIOCÍNIO LÓGICO Para iniciar as soluções, começaremos pelos parênteses, pois temos que seguir uma ordem de precedência. Começaremos pela quinta coluna. 2o passo: negação da preposição q (não q ou ~ q ou ¬q) TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 2o passo TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 3o passo V V V V F F F F V V V V F F F F V V F F V V F F V V F F V V F F V F V F V F V F V F V F V F V F q q r r ~q ~q (p Λ ~q) (p Λ ~q) (q v ~r) (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r) ~r ~r p p Fonte: elaborada pelos autores. Fonte: elaborada pelos autores. F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V 3o passo: conjunção do primeiro parêntese Lembremos das regras resumidas no quadro 3: a conjunção será verdadeira somente se as duas proposições forem verdadeiras. Assim, temos: unidade 5 139 RACIOCÍNIO LÓGICO 4o passo: negação da proposição r TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 4o passo V V V V F F F F V V F F V V F F VF V F V F V F q r ~q (p Λ ~q) (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r)~rp Fonte: elaborada pelos autores. F F V V F F V V F F V V F F V V F V F V F V F V 5o passo: disjunção do segundo parêntese Lembremos que a disjunção só será falsa se as duas proposições forem falsas. TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 5o passo V V V V F F F F V V F F V V F F V F V F V F V F q r ~q (p Λ ~q) (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r)~rp Fonte: elaborada pelos autores. F F V V F F V V F F V V F F V V F V F V F V F V V V F V V V F V 6o passo: disjunção do segundo parêntese Finalmente preencheremos a coluna da condicional. Lembre-se de que a condicional será falsa somente se o primeiro parágrafo for verdadeiro e o segundo, falso. Assim, finalizamos o preenchimento da tabela-verdade: unidade 5 140 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 15 – Construção da tabela-verdade do exemplo 44 – 6o passo V V V V F F F F V V F F V V F F V F V F V F V F q r ~q (p Λ ~q) (q v ~r) (p Λ ~q) → (q v ~r)~rp Fonte: elaborada pelos autores. F F V V F F V V F F V V F F V V F V F V F V F V V V F V V V F V V V F V V V V V Você pode estar se perguntando como poderia aplicar essa metodologia que acabou de aprender em situações de trabalho, entrevista de emprego etc. A resposta é: basta que você analise cada proposição, construa a tabela-verdade com seus conectivos lógicos e interprete os valores lógicos das proposições (verdadeiro ou falso). Lembre-se de que, em todas as situações do dia a dia ou da nossa vida profissional ou estudantil, uma das coisas mais importantes é a precisão na sua comunicação. Agora você já está apto a construir tabelas-verdade para proposições compostas de várias proposições. Porém, sugerimos que você faça o maior número possível de exercícios, a fim de ter uma boa capacidade de compreensão e de transmissão – entender bem o que você transmite, o que é transmitido e transmitir aos outros com precisão. unidade 5 141 RACIOCÍNIO LÓGICO Revisão Nesta unidade, vimos os diferentes tipos de proposições simples e compostas e como se constrói uma tabela-verdade, a partir de estruturas lógicas usadas nessas tabelas, a saber: 1) conjunção – conectivo “e” 2) disjunção – conectivo “ou” 3) disjunção exclusiva – conectivo “ou ... ou” 4) condicional – estrutura “se ... então” 5) bicondicional – estrutura “se, e somente se” 6) negação Com o emprego das operações lógicas fundamentais, foi possível construir as tabelas-verdade correspondentes a qualquer proposição composta, mostrando os casos em que são verdadeiras (V) ou falsas (F) – lembrando sempre que seus valores lógicos dependem dos valores lógicos das proposições simples componentes. Para cada uma das seis situações de estrutura lógica e suas combinações, foram consideradas as análises das respostas às proposições simples e seus resultados de análise final, o que facilitará o nosso estudo nas unidades seguintes. Indicamos o site Rachacuca, que disponibiliza uma variedade de jogos, que podem ser usados para treinar a teoria aqui aprendida, aplicando as técnicas de resolução de problemas lógicos. Rachacuca. Disponível em: <http://rachacuca.com.br/logica/problemas/>. Acesso em 26 maio 2015. http://rachacuca.com.br/logica/problemas/ Tautologias, contradições e contingências • Definição de tautologia • Definição de contradição • Definição de contingência • Revisão Introdução Já estudamos nas unidades anteriores as regras para formulação das proposições, a sintaxe da linguagem simbólica e a montagem de tabelas-verdade para cada proposição, e também para estruturas completas, formadas por várias proposições e conectivos lógicos diferentes. Nesta unidade, vamos trabalhar com alguns conceitos muito importantes em nosso estudo, que são as tautologias, as contradições e as contingências. Quando estamos buscando encontrar a solução para um problema, devemos analisar todas as alternativas possíveis e tomar a nossa decisão baseada nas consequências de cada elemento envolvido na formulação do problema. A nossa decisão da forma como iremos resolver esse problema será uma consequência de uma análise criteriosa de todas as possibilidades existentes para a construção de um roteiro a ser seguido. São escolhas e caminhos que teremos de percorrer para solucionar o problema. Entretanto, existem situações em que o resultado final será sempre o mesmo, não importando as etapas intermediárias a serem seguidas. Existe um antigo e conhecido ditado popular que pode perfeitamente explicar esse fato: “Todos os caminhos levam a Roma”. Isso significa que não importam as etapas intermediárias que iremos percorrer, o resultado final será sempre o mesmo. O estudo das estruturas tautológicas, como também das contradições, nos levará, invariavelmente, ao mesmo tipo de resposta final. As tautologias sempre conduzirão a um tipo de resposta, enquanto as contradições levarão a outra resposta, porém respostas idênticas em cada caso. Do outro lado teremos as contingências, estruturas que apresentarão respostas diferentes para as várias possibilidades. Então, vamos iniciar aqui o estudo particular dessas três importantes estruturas que compõem o nosso curso de Raciocínio Lógico. unidade 6 145 RACIOCÍNIO LÓGICO Definição de tautologia Define-se tautologia como sendo toda a proposição composta cuja última coluna da sua tabela-verdade apresenta somente valores lógicos verdadeiros, independente dos valores lógicos das proposições simples que a originaram. Nas unidades anteriores, aprendemos as principais regras que utilizamos na formulação de estruturas simples, na sua combinação, formando estruturas compostas por meio dos conectivos lógicos. Também aprendemos a construir, pelo menos, seis tabelas-verdade de proposições compostas. As tabelas-verdade da conjunção, da disjunção, da disjunção exclusiva, da condicional, da bicondicional e da negação. Aprendemos também a verificar se as proposições compostas teriam valores lógicos Verdadeiros (V) ou Falsos (F), em função dos conectivos lógicos que as formavam, conforme QUADRO 4, a seguir. TIPO DE ESTRUTURA LÓGICA É VERDADEIRA QUANDO É FALSA QUANDO Conjunção: p ˄ q Disjunção: p ˅ q Disjunção exclusiva: p ˅ q Condicional: p → q Bicondicional: p ↔ q Negação: não p ou ~ p ou ¬ p ambas são verdadeiras uma das duas é verdadeira se uma for verdadeira e a outra, falsa ambas são verdadeiras ambas são falsas p é falsa e q é verdadeira as duas tiverem valores lógicos iguais p é falsa uma delas é falsa as duas são falsas ambas verdadeiras ou ambas falsas p é verdadeira e q é falsa as duas tiverem valores lógicos diferentes p é verdadeira QUADRO 4 – Resumo das relações entre proposições simples Fonte: Elaborado pelos autores. unidade 6 146 RACIOCÍNIO LÓGICO Define-se tautologia como sendo toda a proposição composta cuja última coluna da sua tabela- verdade apresenta somente valores lógicos verdadeiros, independente dos valores lógicos das proposições simples que a originaram. Para a construção da tabela-verdade e sua análise, devemos seguir os seguintes passos: 1. Começar sempre pelas proposições simples e suas negações, se houver; 2. Resolver os conteúdos dos parênteses, colchetes e chaves, nessa ordem, se houver; 3. Resolver conjunções, disjunções, condicionais e bicondicionais, nessa ordem; 4. A última coluna da tabela-verdade deverá conter toda a proposição; 5. Analisar a última coluna da tabela verdade, para verificar em qual tipo ela se enquadra: tautologia, contradição ou contingência. As tautologias são também chamadas de proposições tautológicas ou proposições logicamente verdadeiras. Exemplo 45 Verificar se a seguinte proposição é tautológica: “Amanhã vou viajarou amanhã não vou viajar”. Temos duas possibilidades: p: amanhã vou viajar ~p: amanhã não vou viajar. Em linguagem lógica, temos p v ~p, cuja tabela-verdade (TABELA 16) é apresentada a seguir. Lembrando que uma disjunção será verdadeira quando uma das proposições simples for verdadeira, conforme QUADRO 4, precedente. unidade 6 147 RACIOCÍNIO LÓGICO Como na última coluna só temos valores verdadeiros, essa proposição é uma tautologia. p ~p p ˅~p V F F V V V tautologia TABELA 16 – Tabela-verdade do exemplo 45 Fonte: Elaborado pelos autores. Evidentemente que uma das situações irá acontecer: Amanhã vou viajar ou amanhã não vou viajar. Como na última coluna só temos valores verdadeiros, essa proposição é uma tautologia. Portanto, dizer que uma proposição ou é verdadeira, ou é falsa, é sempre verdadeiro. Isso se constitui no “Princípio do terceiro excluído”, (ALENCAR FILHO, 2002, p.44) Exemplo 46 Verificar se a proposição “É falso que Geraldo vai casar e que Geraldo não vai casar” é uma tautologia. Temos duas possibilidades: p: Geraldo vai casar. ~p: Geraldo não vai casar. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: ~(p ˄ ~p). Na construção da tabela-verdade (TABELA 17) foi considerada que a conjunção é verdadeira quando ambas as proposições simples são verdadeiras (QUADRO 4). unidade 6 148 RACIOCÍNIO LÓGICO Verificar se a proposição “Heloisa é chata ou não é verdade que Heloisa é chata e Helena é gente boa” é tautológica. p ~p p ˄ ~p ~ (p ˄ ~p) V F F V F F V V tautologia TABELA 17 – Tabela-verdade do exemplo 46 Fonte: Elaborado pelos autores. Verifica-se que uma proposição não pode ser, ao mesmo tempo, V e F. É sempre verdadeiro. Isso se constitui no “Princípio da não contradição”, (ALENCAR FILHO, 2002, p.43) Exemplo 47 Verificar se a proposição “Heloisa é chata ou não é verdade que Heloisa é chata e Helena é gente boa” é tautológica. Temos duas possibilidades: p: Heloisa é chata. q: Helena é gente boa. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p∧˅ ~ (p ˄ q)). Para a construção da tabela-verdade (TABELA 18) foi consultado o QUADRO 4, em que consta que a conjunção será verdadeira quando ambas as proposições simples forem verdadeiras. Já a disjunção será verdadeira quando uma das proposições simples for verdadeira. unidade 6 149 RACIOCÍNIO LÓGICO Verificar se a proposição “Se Fernanda é a filha e Márcia é a mãe, então Fernanda é a filha se e somente se Márcia é a mãe” é tautológica. p q p ˄ q ~ (p ˄ q) p ˅(~ (p ˄ q)) V V F F V F V F V F F F F V V V V V V V tautologia TABELA 18 – Tabela-verdade do exemplo 47 Fonte: Elaborado pelos autores. Exemplo 48 Verificar se a proposição “Se Fernanda é a filha e Márcia é a mãe, então Fernanda é a filha se e somente se Márcia é a mãe” é tautológica. Temos duas possibilidades: p: Fernanda é a filha. q: Márcia é a mãe. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˄ q) → (p ↔ q)) Nesse caso, além da conjunção, temos uma implicação lógica (condicional) e uma bicondicional. Para a construção da tabela- verdade (TABELA 19), foi consultado o QUADRO 4, em que consta que uma condicional só será falsa se a 1ª proposição for verdadeira e a 2ª falsa. Nos demais casos, ela será sempre verdadeira. E uma bicondicional será sempre verdadeira se as duas proposições tiverem valores lógicos iguais. unidade 6 150 RACIOCÍNIO LÓGICO Tabela 19 – Tabela-verdade do exemplo 48 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˄ q (p ↔ q) (p ˄ q) → (p ↔ q)) V V F F V F V F V F F F V F F V V V V V tautologia Exemplo 49 Verificar se a proposição “Se Bernardo é lindo e Ana Luíza é linda, Bernardo é lindo ou Ana Luíza é linda “ é tautológica. Temos duas possibilidades: p: Bernardo é lindo. q: Ana Luíza é linda. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˄ q) → (p ˅ q)). Para a construção da tabela-verdade (TABELA 20) foi consultado o QUADRO 4, em que consta que a conjunção será verdadeira quando ambas as proposições simples forem verdadeiras. A disjunção será verdadeira quando uma das proposições simples for verdadeira. Já a condicional só será falsa se a 1ª proposição for verdadeira e a 2ª falsa. TABELA 20 – Tabela-verdade do exemplo 49 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˄ q (p ˅ q) (p ˄ q) → (p ˅ q)) V V F F V F V F V F F F V V V F V V V V tautologia unidade 6 151 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 50 Verificar se a proposição “Se Bernardo é namorado de Camila ou Camila é bonita e Camila é feia, se e somente se Bernardo é namorado de Camila” é tautológica. Temos três possibilidades: p: Bernardo é namorado de Camila. q: Camila é bonita. ~q: Camila é feia (é o mesmo que dizer que Camila não é bonita). Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˅ (q ˄∧~ q) ↔ p)). Na construção da tabela-verdade (TABELA 21) foi considerado o QUADRO 4, em que consta que a conjunção será verdadeira quando ambas as proposições simples forem verdadeiras. A disjunção será verdadeira quando uma das proposições simples for verdadeira. Já a bicondicional será sempre verdadeira se as duas proposições tiverem valores lógicos iguais. TABELA 21 – Tabela-verdade do exemplo 50 Fonte: Elaborado pelos autores. p q ~q (q ˄∧~ q) p∧˅ (q ˄∧~ q) (p ˅ (q ˄∧~ q) ↔ p) V V F F V F V F F V F V F F F F V V F F V V V V tautologia unidade 6 152 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 51 Verificar se a proposição “Se Naime é pedagoga e Wanderson é gerente, então Naime não é atriz ou Wanderson é gerente “ é tautológica. Temos três possibilidades: p: Naime é pedagoga. ~q: Naime não é atriz. r : Wanderson é gerente. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˄ r) → (~q ˅ r) Na construção da tabela-verdade (TABELA 22) foi considerado o QUADRO 4, em que consta que a conjunção será verdadeira quando ambas as proposições simples são verdadeiras. A disjunção será verdadeira quando uma das proposições simples for verdadeira. Já a condicional só será falsa se a 1ª proposição for verdadeira e a 2ª falsa. V V V V V V V V tautologia TABELA 22 – Tabela-verdade do exemplo 51 Fonte: Elaborado pelos autores. p q r q (p ˄ r) (~q ˅ r) (p ˄ r) → (~q ˅ r) V V V V F F F F V V F F V V F F V F V F V F V F F F V V F F V V V F V F F F F F V F V V V F V V unidade 6 153 RACIOCÍNIO LÓGICO Define-se contradição como toda a proposição composta cuja última coluna da sua tabela-verdade apresente somente valores lógicos falsos, independente dos valores lógicos das proposições simples que a originaram. Definição de contradição Define-se contradição como toda a proposição composta cuja última coluna da sua tabela-verdade apresente somente valores lógicos falsos, independente dos valores lógicos das proposições simples que a originaram. Exemplo 52 Verificar se a proposição “Cristina é feliz e Cristina é infeliz” é uma contradição. Temos duas possibilidades: p: Cristina é feliz. ~p: Cristina é infeliz (é o mesmo que dizer que Cristina não é feliz). Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˄ ~p) Na construção da tabela-verdade (TABELA 23) foi considerada que a conjunção é verdadeira quando ambas as proposições simples são verdadeiras (QUADRO 4). p ~p p ˄ ~p V F F V F F contradição TABELA 23 – Tabela-verdade do exemplo 52 Fonte: Elaborado pelos autores. Verifica-se que é uma inverdade dizer que “Cristina é feliz e infeliz”. Isto é, dizer que uma proposição pode ser ao mesmo tempo V e F é sempre falso. unidade 6 154 RACIOCÍNIO LÓGICO Verifica-se que é uma contradição dizer que Carol ser rica é a condição necessária para Carol ser pobre. Exemplo 53 Verificar se a proposição “Carol é rica se e somente se Carol é pobre” é uma contradição. Temos duas possibilidades: p: Carol é rica. ~p: Carol é pobre (é o mesmo quedizer Carol não é rica). Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ↔ ~p). Na construção da tabela-verdade (TABELA 24) foi considerada que a bicondicional será sempre verdadeira se as duas proposições tiverem valores lógicos iguais. (QUADRO 4). p ~p p ↔ ~p V F F V F F contradição Tabela 24 – Tabela-verdade do exemplo 53 Fonte: Elaborado pelos autores. Verifica-se que é uma contradição dizer que Carol ser rica é a condição necessária para Carol ser pobre. Exemplo 54 Verificar se a proposição “Gabriel fala alemão e Raimundo fala inglês e é falso que Gabriel fala alemão ou Raimundo fala inglês” é uma contradição. Temos duas possibilidades: p: Gabriel fala alemão. q: Raimundo fala inglês. unidade 6 155 RACIOCÍNIO LÓGICO Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˄ q) ˄ ~(p ˅ q). Na construção da tabela-verdade (TABELA 25) foi consultado QUADRO 4. TABELA 25 – Tabela-verdade do exemplo 54 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˄ q p ˅ q ~(p ˅ q) (p ˄ q) ˄ ~(p ˅ q) V V F F V F V F V F F F V V V F F F F V F F F F contradição Exemplo 55 Verificar se a proposição “Valéria não é mãe do Cristiano e Valéria é mãe do Cristiano, e Luciano não é pai do Cristiano“ é uma contradição. Temos três possibilidades de: p: Valéria é mãe do Cristiano. ~p: Valéria não é mãe do Cristiano. ~q: Luciano não é pai do Cristiano. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: ~p ˄ (p ˄ ~q). Na construção da tabela-verdade (TABELA 26) foi consultado QUADRO 4. unidade 6 156 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 26 – Tabela-verdade do exemplo 55 Fonte: Elaborado pelos autores. p q ~p ~q (p ˄ ~q) ~p ˄ (p ˄ ~q) V V F F V F V F F F V V F V F V F V F F F F F F contradição O que comprova a contradição, pois Valéria e Luciano são os pais de Cristiano. Definição de contingência Uma proposição composta se constituirá numa contingência sempre que não for nem tautologia, nem contradição. Ou seja, ela terá tanto valores verdadeiros quanto falsos na última coluna da sua tabela-verdade. As contingências são também denominadas de proposições contingentes ou proposições indeterminadas. Exemplo 56 Verificar se a proposição “Se está chovendo ou está frio, então está chovendo” é uma contingência. Temos duas possibilidades: p: Está chovendo. q: Está frio. unidade 6 157 RACIOCÍNIO LÓGICO Verificar se a proposição “Se a música sertaneja é universitária ou o blues tem pós- doutorado, então a música sertaneja é universitária e o blues tem pós- doutorado” é uma contingência. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: p ˅ q → p. Na construção da tabela-verdade (TABELA 27) foi consultado o QUADRO 4. p q (p ˅ q) p ˅ q → p V V F F V F V F V V V F V V F V contingência TABELA 27 – Tabela-verdade do exemplo 55 Fonte: Elaborado pelos autores. Exemplo 57 Verificar se a proposição “Se a música sertaneja é universitária ou o blues tem pós-doutorado, então a música sertaneja é universitária e o blues tem pós-doutorado” é uma contingência. Temos duas possibilidades: p: A música sertaneja é universitária. q: O blues tem pós-doutorado. Na linguagem lógica, temos a seguinte proposição: (p ˅ q) → (p ˄ q). Na construção da tabela-verdade (TABELA 28) foi consultado QUADRO 4. unidade 6 158 RACIOCÍNIO LÓGICO O conhecimento das regras de montagem de tabelas-verdade é imprescindível para, nestas, analisar e identificar tautologias, contradições e contingências. TABELA 28 – Tabela-verdade do exemplo 57 Fonte: Elaborado pelos autores. p q (p ˅ q) (p ˄ q) (p ˅ q) → (p ˄ q) V V F F V F V F V V V F V F F F V F F V contingência Conforme vimos, o conhecimento das regras de montagem de tabelas-verdade é imprescindível para, nestas, analisar e identificar tautologias, contradições e contingências. Essas regras que acabamos de estudar, de como montar e analisar tabelas-verdades, deverão ser muito bem entendidas, pois serão muito úteis quando você precisar tirar alguma conclusão sobre algum resultado. Ou seja, o nosso dia a dia é repleto de situações em que unimos duas ou mais informações para chegarmos a uma outra. Devemos, então, comparar duas ou mais proposições com o intuito de eliminar uma delas, pois nenhuma proposição pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo. unidade 6 159 RACIOCÍNIO LÓGICO Você pode ter que interpretar questões de raciocínio lógico, em provas de concurso, ou outras situações de sua vida profissional e pessoal. Para os ajudar nessa tarefa, já aprendemos as regras de formação de proposições, a sintaxe dos conectivos lógicos e a montar, e analisar, tabelas-verdade de estruturas completas, formadas por várias proposições e conectivos lógicos diferentes. Nesta unidade, aprendemos a classificar essas tabelas em tautologias, contradições e contingências. Esses conceitos serão bastante úteis na solução de questões de concurso, como a questão apresentada no Exemplo 58, a seguir. Exemplo 58 Num concurso para “Analista de Sistemas” foi apresentada a questão a seguir (ABDALA, 2014, p. 28). (CESGRANRIO/CAPES, 2008) Chama-se tautologia a proposição composta que possui valor lógico verdadeiro, quaisquer que sejam os valores lógicos das proposições que a compõem. Sejam “p” e “q” as proposições e “~p” e “~q”, as suas respectivas negações. Em cada uma das alternativas abaixo há uma proposição composta formada por “p” e “q”. Qual corresponde a uma tautologia? a. p v q b. p ʌ ~q c. (p v q) → (~p ʌ q) d. (p v q) → (p ʌ q) e. (p ʌ q) → (p v q) Apresentamos a seguir a análise da questão, e a resposta correta. Porém, sugerimos, que você tente resolver a questão, aplicando os conceitos aprendidos nesta e nas unidades anteriores. Assim, poderá verificar sua unidade 6 160 RACIOCÍNIO LÓGICO habilidade na construção e na interpretação de uma questão de concurso , como essa acima descrita. Solução da questão apresentada no Exemplo 58 • Análise das alternativas (a) e (b) Nas questões de concursos públicos, é importante ficar atento às “respostas impossíveis”, para não perder tempo com elas. Assim, as duas primeiras alternativas (a) e (b), já conhecemos e não definem uma tautologia. São definições simples e caracterizam contingências elementares. Portanto, analisaremos as demais alternativas construindo tabelas- verdade de quatro linhas a partir da alternativa (c). • Análise do item (c) Na TABELA 29, a seguir, apresentamos a tabela-verdade do exemplo 58, para a opção (c) da questão. Ela foi montada aplicando os conceitos que aprendemos anteriormente. Verificamos na última coluna que a alternativa (c) também não caracteriza uma tautologia. TABELA 29 – Tabela-verdade do exemplo 58 - opção (c) Fonte: Elaborado pelos autores. p ~p q p∧˅ q ~p∧˄ q (p ˅ q) → (~p ˄ q) V V F F F F V V V F V F V V V F F F V F F F V V • Análise do item (d) Vamos analisar agora a alternativa (d) de montagem bastante semelhante à anterior. unidade 6 161 RACIOCÍNIO LÓGICO Assim, na TABELA 30, a seguir, mostramos a tabela-verdade do exemplo 58 para a opção (d) da questão. Podemos comprovar, nessa tabela, que a alternativa (d) também não é um caso de tautologia, pois, na última coluna, observamos valores lógicos verdadeiros e falsos, o que constitui uma contingência. TABELA 30 – Tabela-verdade do exemplo 58 – opção (d) Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˅ q p ˄ q (p ˅ q) → (p ˄ q) V V F F V F V F V V V F V F F F V F F V • Análise do item (e) Vamos certificar, por efeito prático, a alternativa (e). A montagem da TABELA 31, relativa à tabela-verdade do exemplo 58, para a opção (e) é bastante parecida com a anterior. Verificamos, entretanto, que na última coluna dessa tabela, todos os valores são verdadeiros e, portanto, a alternativa “e” caracteriza uma tautologia. TABELA 31 – Tabela-verdadedo exemplo 58 – opção (e) Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˄ q p ˅ q (p ˄ q) → (p ˅ q) V V F F V F V F V F F F V V V F V V V V unidade 6 162 RACIOCÍNIO LÓGICO Na montagem das tabelas-verdade, assim como na grande parte de nossos processos decisórios, devemos estar atentos a uma grande variedade de resultados possíveis. Revisão Na montagem das tabelas-verdade, assim como na grande parte de nossos processos decisórios, devemos estar atentos a uma grande variedade de resultados possíveis. Escolher o melhor caminho a ser percorrido, com vista a atingir o resultado desejado, exigirá muita atenção e conhecimento para alcançar de forma natural esse objetivo. Existem, entretanto, algumas situações que conduzirão invariavelmente para uma mesma resposta final e outros casos em que tal resposta poderá ser diferente. Encontramos então três situações possíveis, que são as tautologias, as contradições e as contingências. Uma tautologia caracteriza-se quando uma resposta lógica verdadeira se apresenta para todas as possibilidades existentes. Analogamente em uma contradição, vamos encontrar uma resposta negativa para todas essas possibilidades. São situações raras, porém importantes e que vão definir um resultado final absolutamente previsível. As contingências são as situações mais rotineiras, mais presentes em nossa vida em que se torna necessário observar as alternativas que irão conduzir a resultados finais variados. Além de conhecer bem todas essas possibilidades e identificar previamente cada uma delas, caberá, entretanto, a um bom gestor escolher o melhor caminho a ser percorrido. Ainda que, com a prática e o conhecimento adquirido, já se possa saber antecipadamente qual será a resultado final a ser atingido. unidade 6 163 RACIOCÍNIO LÓGICO Sugerimos a leitura do livro “O homem que calculava” ddo famoso e importante professor brasileiro Júlio César de Melo e Souza, mundialmente conhecido como Malba Tahan, conforme sugerido por Sá (SÁ, 2008; pg. 169-173). Link no seguinte endereço: TAHAM, Malba. O homem que calculava. Disponível em: <http://www. coordenacaopedagogica.com.br/file.php/1/PAS_2009/Livro_-_Malba_ Tahan_-_O_homem_que_calculava_ilustrado_.pdf>. Acesso em 25 maio 2015. O livro conta a história de Beremiz, jovem árabe que descobre uma enorme habilidade matemática ao pastorear ovelhas e calcular folhas de árvores. Ao encontrar o bagdali (natural de Bagdá) Hank Tade-Maiá, eles iniciam uma viagem à Bagdá. Ao longo da jornada, Beremiz vai conhecendo pessoas e lugares e solucionado diversas situações por meio de suas habilidades matemáticas: a partilha de 35 camelos por 3 herdeiros, a divisão de 21 vasos, com conteúdo diferentes, entre 3 sócios, dentre outras questões. O protagonista encontra muitas pessoas importantes e a todos impressiona com sua inteligência e a forma prática e simples de resolver questões relacionadas à matemática. Chegando a Bagdá, Beremiz cai nas boas graças do Califa e também se torna professor de matemática da jovem Telassim, cujo rosto ele não pôde ver. Mesmo assim se apaixonam. Após vencer brilhantemente um desafio proposto por sete sábios, Beremiz diz ao califa que deseja casar-se com Telassim. Para isso, é submetido a um último desafio: decifrar a cor dos olhos de um grupo de escravas, apenas ouvindo as suas declarações, que poderiam ser verdadeiras ou não. Vencido o desafio, Beremiz se casa com Telassim, que já era cristã, e converte-se também ao cristianismo. Faz questão, no entanto, de ser batizado por um bispo que conhecesse a teoria de Euclides. Beremiz e Telassim vão morar em Constantinopla e têm três filhos. Você também ficou curioso em conhecer a Teoria de Euclides? unidade 6 164 RACIOCÍNIO LÓGICO Para isso, consulte o seguinte endereço: WIKIÉDIA. Enciclopédia livre e gratuita. Disponível em: <http://pt.wikipedia. org/wiki/Teorema_de_Euclides>. Acesso em 25 maio 2015 Inferência ou implicação lógica • Proposição condicional • Inferência ou implicação lógica • Propriedades das operações entre operandos • Propriedades das relações de inferência ou implicação lógica • Proposições associadas a uma condicional: recíproca, contrária e contrapositiva • Revisão Introdução Aprendemos, nas unidades anteriores deste curso, que a lógica proposicional ou lógica sentencial estuda as sentenças, suas relações e conexões. Vimos também que proposição é uma sentença declarativa (conjunto de palavras e símbolos) que exprime um pensamento de sentido completo, podendo ser classificada como verdadeira ou falsa. Aos termos verdade e falsidade, demos o nome de valores lógicos das proposições. Nessa classificação, adotamos dois princípios: (1) da não contradição: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo; (2) do terceiro excluído: toda proposição ou é verdadeira ou é falsa, ou seja, verifica-se sempre esses dois casos e nunca um terceiro. Aprendemos que proposições simples (também chamadas de atômicas) formam proposições compostas (ou moleculares), utilizando para isso os conectivos lógicos. Esses conectivos são: “não”, não é verdade que (negação); “e” (conjunção); “ou” (disjunção); “ou ... ou” (disjunção exclusiva); “se ... então” (condicional); “se e somente se” (bicondicional). Vimos como combinar as proposições simples, mediante o uso de conectivos, com o objetivo de formar novas proposições, denominadas ‘proposições compostas’. Aprendemos também que, a partir de valores lógicos das proposições simples, podemos determinar o valor lógico da proposição composta resultante, a qual foi obtida por meio de algum conectivo. Vimos ainda como saber o “resultado” de operações entre conectivos e proposições da lógica sentencial. Nessa análise, você aprendeu a construir tabelas-verdade e classificá-las como sendo tautologias, contradições e contingências. Agora, nesta unidade, você aprenderá a identificar a ocorrência de implicação lógica em proposições compostas. Ou seja, aprenderá que, dizer que uma proposição p implica logicamente ou, simplesmente, implica uma proposição q, se q for verdadeiro, sempre que p também o for. Essa condicional também pode ser lida como: “p somente se q”, “q, se p”, “p é condição suficiente para q”, “q é condição necessária para p”. Em consequência dessas definições, você aprenderá que p ⇒ q, significa que a condicional p → q é tautológica, isto é, p ⇒ q, se e somente se, p → q for verdadeiro. Você também saberá que na condicional p → q, p é chamado de antecedente e q é o consequente. E que uma condicional não afirma que o consequente se “deduz” do antecedente p, ou seja, pode não haver uma relação intrínseca entre p e q – é o caso da relação bicondicional, que aprenderemos na próxima unidade (equivalências lógicas). Veremos, portanto, que o que a condicional afirma é unicamente que existe uma relação entre os valores lógicos de p e q, de acordo com a definição dada, isto é, a condicional p → q é uma operação. Antes de considerarmos as operações e propriedades da lógica sentencial, lembraremos de algumas propriedades da aritmética (comutativa, associativa e distributiva). Em seguida, apresentaremos as operações e propriedades da lógica sentencial, às quais também se aplicam essas propriedades aritméticas. Provaremos que as regras de inferência têm as propriedades reflexiva e transitiva, utilizando para isso a construção de tabelas- verdade e verificando se são tautológicas. Mostraremos as proposições associadas a uma condicional, quais sejam: recíproca, contrária e contrapositiva. Em “Aplicação na Prática”, será demonstrado como você poderá analisar “premissas” ou “proposições”, ou seja, como “mapear” as possíveis causas, quando tiver que propor e demonstrar a resolução de um problema ou dizer que um determinado resultado é válido, com base lógica. Ao finalda unidade, sugerimos a leitura de um interessante artigo sobre a lógica booleana, denominado “Lógica booleana? Saiba um pouco mais sobre esta lógica e como ela funciona”. Bons estudos! unidade 7 169 RACIOCÍNIO LÓGICO Na condicional p → q, dizemos que p é condição suficiente para q; e q é condição necessária para p q aconteça. Proposição condicional Dadas as duas proposições simples p e q, dizemos que a condicional é “se p então q” quando temos p →∧q. A recíproca é q →∧p. Na condicional p →∧q, dizemos que p é condição suficiente para q; e q é condição necessária para p. A expressão p →∧q é chamada condicional de p e q; a proposição p é chamada antecedente e a proposição q, consequente da condicional. A operação de condicionamento indica que o acontecimento de p é uma condição para que q aconteça. Algumas expressões da linguagem que podem indicar a presença da condicional (p →∧q) são, dentre outras: • se p então q • se p, q • q se p • p supõe q • em caso de p, então q • p só se q • p é condição suficiente para q • q é condição necessária para p unidade 7 170 RACIOCÍNIO LÓGICO Lembre-se também que a proposição condicional é uma proposição composta que só admite valor lógico Falso se a antecedente for verdadeira e a consequente for falsa, sendo Verdadeiro nos demais casos. Exemplo 59: proposição condicional Sejam as proposições: p: respirar q: estar vivo Podemos construir a proposição composta (condicional) de várias formas. • Se respiro, então estou viva. • Se respiro, vivo. • Estou viva se respiro. • Estar vivo supõe respirar. • Em caso de estar viva, então respiro. • Respiro só se estou viva. • Respirar é condição suficiente para estar viva. • Estar viva é condição necessária para respirar. Lembre-se também que a proposição condicional é uma proposição composta que só admite valor lógico falso se a antecedente for verdadeira e a consequente for falsa, sendo verdadeiro nos demais casos. Uma condicional não afirma que o consequente q se “deduz” do antecedente p, isto é, pode não haver uma relação intrínseca entre p e q. O que a condicional afirma é somente a relação entre os valores lógicos de p e q, de acordo com a definição dada, ou seja, a condicional é uma operação também chamada “implicação”. Pode lhe parecer estranho que a propriedade condicional seja verdadeira até nos casos em que a antecedente é falsa. unidade 7 171 RACIOCÍNIO LÓGICO Já aprendemos que p e q juntas podem assumir quatro combinações possíveis entre seus valores lógicos. Apresentaremos o exemplo a seguir, com o intuito de esclarecê-lo melhor sobre esses casos. Exemplo 60: proposição condicional Suponha que você chegue ao Campo do Independência e encontre o seguinte aviso deixado na portaria: “Se você é torcedor do América, pode entrar”. Em termos lógicos, temos duas proposições simples e uma composta. Na composta, a segunda frase, “pode entrar”, tem o mesmo significado de “então pode entrar”. Assim, temos essas proposições: p: ser torcedor do América q: poder entrar composta: Se você é torcedor do América, pode entrar. “Se p então q” ou (p →∧q). Já aprendemos que p e q, juntas, podem assumir quatro combinações possíveis entre seus valores lógicos. Para recordarmos como se definem os valores lógicos de p → q, começaremos construindo a sua tabela-verdade (TABELA 32), representando as diferentes combinações. TABELA 32 – Tabela-verdade do exemplo 60 Fonte: Elaborado pelos autores. LINHAS p q p → q 1 2 3 4 V V F F V F V F V F V V unidade 7 172 RACIOCÍNIO LÓGICO De acordo com a proposição composta, ser atleticano é logicamente falso e ter entrado é logicamente verdadeiro. Na interpretação dessa tabela, observe que, na primeira linha, temos que as duas proposições simples são verdadeiras, e a condicional é também verdadeira, ou seja, na frase composta do exemplo temos "você é torcedor do América, então pode entrar". Na segunda linha, temos o único caso em que o valor da condicional é falso, pois o antecedente é verdadeiro (você é torcedor do América), mas o consequente é falso (você não pode entrar). Na terceira linha, temos que o valor lógico do antecedente é falso, do consequente é verdadeiro e da condicional é verdadeiro. No exemplo, temos que você não é torcedor do América, mas poderá entrar Aqui surge a primeira "cilada" de interpretação, pois nossa tendência é pensar que o valor lógico p → q deveria ser falso. Não ser torcedor do América não implica não poder entrar! Em nenhum momento foi dito o que deveria acontecer se você não fosse americano, deixando em aberto as duas possibilidades (poder ou não poder entrar). Por exemplo, digamos que você seja atleticano e tenha entrado. De acordo com a proposição composta, ser atleticano é logicamente falso e ter entrado é logicamente verdadeiro. Nesse caso, a condicional p∧→ q é verdadeira. Na quarta linha, temos uma situação semelhante à anterior: você não é americano (F) e não entrou (F) e a proposição condicional também é verdadeira, conforme linha 4 da tabela. Aqui surge a segunda "cilada" de interpretação, pois nossa tendência é pensar que o valor lógico p → q deveria ser falso. Da mesma maneira, nada foi dito sobre o que deveria acontecer na proposição ‘se você não fosse americano e não tivesse entrado’. unidade 7 173 RACIOCÍNIO LÓGICO No entanto, embora pareça um absurdo, ela tem valor lógico verdadeiro, pois a antecedente é falsa e a consequente também é falsa. Ou seja, uma condicional p → q não afirma que o consequente se "deduz" do antecedente p, ou seja, pode não haver uma relação intrínseca entre p e q. Exemplo 61: proposição condicional Seja a seguinte frase: "Se a alface é mineral, então o quiabo é um mineral". Essa frase é conceitualmente falsa, pois alface e quiabo não são minerais. No entanto, embora pareça um absurdo, ela tem valor lógico verdadeiro, pois a antecedente é falsa e a consequente também é falsa. E de acordo com 4a linha da tabela-verdade mostrada no exemplo 58, a condicional "se p então q" ou p → q é verdadeira. Exemplo 62: proposição condicional A condicional "se p então q" tem vários sinônimos. A seguir, mostraremos alguns deles. Se considerarmos as seguintes proposições: p: adoecer q: ter febre A condicional p → q pode representar as seguintes frases: • Se você adoecer, então você terá febre. • Se você adoecer, terá febre. • Você terá febre, se adoecer. • O fato de você adoecer implica ter febre. • Você adoecer é condição suficiente para ter febre unidade 7 174 RACIOCÍNIO LÓGICO O símbolo →→ é utilizado para relacionar duas proposições por meio de uma proposição condicional. Inferência ou implicação lógica Dadas duas proposições simples p e q, dizemos que "p implica q" quando não temos, simultaneamente, que p é verdadeira e q é falsa, isto é, quando na tabela-verdade de p e q não ocorre a sequência VF em nenhuma de suas linhas. Ou, dito de outra forma, q é verdadeira toda vez que p for verdadeira. Indicamos a implicação lógica por p ⇒ q, que pode ser lida como p, logo, q. É importante destacar que os símbolos → e ⇒ são distintos. O símbolo → é utilizado para relacionar duas proposições por meio de uma proposição condicional. Assim, para relacionarmos p e q por meio de uma proposição condicional, escrevemos p → q. Nesse caso, não estamos querendo aferir valor lógico à proposição composta, mas apenas relacionar p com q condicionalmente. Por outro lado, o símbolo ⇒ é utilizado para representar uma implicação lógica, na qual se deseja aferir valor lógico. Assim, apenas se p é verdadeira e q é falsa, a implicação lógica p ⇒ q é falsa. Ou seja, ocorrerá a implicação lógica p ⇒ q quando a condicional p → q for verdadeira, isto é, quando não ocorrer valores falsos na condicional ou quando a implicação lógica for uma tautologia. Em casode validade comprovada de uma implicação da forma p ⇒ q, tal implicação lógica passará a ser utilizada como recurso lógico para obtenção e prova de outros resultados válidos. Vejamos a seguir alguns exemplos sobre implicações lógica e tautologias. unidade 7 175 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 33 – Tabela-verdade do exemplo 63 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ˅ qp ˄ q (p ˄ q) → (p ˅ q) V V F F V F V F V F F F V V V F V V V V Taulogia Como em nenhuma linha ocorre de a proposição p ˄ q ser verdadeira e, simultaneamente, a proposição p ˅ q ser Falsa, a última coluna, referente à proposição (p ˄ q) → (p ˅ q), é uma tautologia. Assim, a implicação lógica (p ˄ q) ⇒ (p ˅ q) é verdadeira. Exemplo 64: implicação lógica (p ˄ ~p) ⇒ q Para mostrarmos que a condicional (p ˄ ~p) → q é uma tautologia, ou seja, que a implicação lógica (p ˄ ~p) ⇒ q é verdadeira, construímos a sua tabela-verdade (TABELA 34). Exemplo 63: implicação lógica (p ʌ q) → (p v q) Verifiquemos se a implicação lógica (p ʌ q) → (p v q) é verdadeira. Para tanto, basta construir a tabela-verdade (TABELA 33) da proposição (p ʌ q) → (p v q) e observar se ela é uma tautologia. TABELA 34 – Tabela-verdade do exemplo 64 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p ↔ p~p (p ˄ ~p) → q V V F F V F V F F F V V F F F F V V V V Taulogia unidade 7 176 RACIOCÍNIO LÓGICO Note que, na última coluna dessa tabela, na qual colocamos a proposição condicional (p ʌ ~p) → q, só temos valores lógicos verdadeiros, constituindo a implicação numa tautologia. Logo, podemos escrever que "a proposição (p ʌ ~p) implica q", isto é, (p ʌ ~p) ⇒ q. Exemplo 65: implicação lógica (p → q) ⇒ (p ↔ q) Para verificar se a implicação lógica (p → q) ⇒ (p ↔ q) é verdadeira, construiremos a tabela-verdade (TABELA 35) da proposição condicional (p → q) → (p ↔ q), a fim de saber se essa proposição é tautológica. TABELA 35 – Tabela-verdade do exemplo 65 Fonte: Elaborado pelos autores. p q p → q p ↔ q (p → q) → (p↔q) V V F F V F V F V F V V V F F V V V F V Observe que, nessa tabela-verdade, a terceira linha apresenta valor V para p → q e valor F para p ↔ q. Dessa forma, a última coluna representada pela condicional (p∧→ q) → (p∧↔ q) apresenta valor F na terceira linha. Portanto, trata-se de uma contingência, pois existe, pelo menos, um valor lógico na última coluna, que é F. Conclui-se então que a implicação (p → q) ⇒ (p ↔ q) é falsa, pois não e uma tautologia, e sim uma contigência. unidade 7 177 RACIOCÍNIO LÓGICO Por ser simbólica, a LS possui a vantagem de permitir o cálculo de acordo com regras e fórmulas precisamente determinadas. Propriedades das operações entre operandos Aprendemos neste curso que os argumentos lógicos são construídos sob a forma de linguagem ou sintaxe1. E para evitar que esses argumentos lógicos tenham duplo sentido, foi desenvolvida a lógica sentencial (LS) – uma linguagem especialmente criada para expressar argumentos lógicos com precisão e clareza. Por ser simbólica, a LS possui a vantagem de permitir o cálculo de acordo com regras e fórmulas precisamente determinadas. Tal como acontece na Matemática, para garantir a resposta certa, basta seguir as regras corretamente. Antes de considerarmos as operações e propriedades da LS, lembremos algumas propriedades da aritmética. Nesse sentido, representaremos duas operações aritméticas pelos símbolos “•” e “ο” e três operandos por a, b e c, conforme as propriedades de operações aritméticas nos itens a seguir. 3 “A sintaxe é a parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e a das frases no discurso, bem como a relação lógica das frases entre si. Ao emitir uma mensagem verbal, o emissor procura transmitir um significado completo e compreensível. Para isso, as palavras são relacionadas e combinadas entre si. A sintaxe é um instrumento essencial para o manuseio satisfatório das múltiplas possibilidades que existem para combinar palavras e orações”. (Disponível em: http://www.soportugues.com.br/secoes/sint/. Acesso em 28/maio/2015). unidade 7 178 RACIOCÍNIO LÓGICO A adição e a multiplicação são comutativas, pois substituindo os símbolos das operações (• e ο) pelos símbolos da adição e da multiplicação (+ e x), respectivamente, obtemos: Comutatividade: a • b = b • a, quaisquer que sejam a e b A adição e a multiplicação são comutativas, pois substituindo os símbolos das operações (“•” e “ο”) pelos símbolos da adição e da multiplicação (+ e x), respectivamente, obtemos: a + b = b + a, quaisquer a e b a x b = b x a, quaisquer a e b Exemplo 66: comutatividade da adição e da multiplicação Adição: 2 + 3 = 3 + 2 5 = 5 A subtração e a divisão não são comutativas, pois, a - b ≠ b - a (lê- se, a menos b é diferente de b menos a). Essa diferença só será igual se a for igual a b. Exemplo 67: não-comutatividade da subtração e divisão Subtração: 2 - 3 ≠ 3 - 2 -1 ≠ 1 Multiplicação: 2 x 3 = 3 x 2 6 = 6 Divisão: 6 / 3 ≠ 3 / 6 2 ≠ 0,5 Associatividade: a • (b • c) = (a • b) • c, para quaisquer a, b e c A adição e a multiplicação são associativas, pois, conforme fizemos anteriormente, substituindo os símbolos das operações (• e ο) pelos símbolos da adição e da multiplicação (+ e x), respectivamente, observamos que: a + (b + c) = (a + b) + c = a + b + c, para quaisquer a, b e c unidade 7 179 RACIOCÍNIO LÓGICO Na aritmética, temos que a multiplicação é distributiva em relação à adição, e a multiplicação é distributiva em relação à subtração. a x (b x c) = (a x b) x c = a x b x c, para quaisquer a, b e c Exemplo 68: associatividade da adição e da multiplicação Associatividade da adição 2 + (1 + 3) = ( 2 + 1) + 3 2 + 4 = 3 + 3 6 = 6 Distributividade de • em relação à o: a • (b o c) = (a • b) o (a • c), para quaisquer que sejam a, b e c Na aritmética, temos que a multiplicação é distributiva em relação à adição, e a multiplicação é distributiva em relação à subtração. Assim, substituindo, temos: a x (b + c) = (a x b) + (a x c) a x (b - c) = (a x b) - (a x c) Exemplo 69: distributividade da multiplicação em relação à adição e à subtração Multiplicação em relação à adição 2 x (1 + 3) = (2 x 1) + (2 x 3) 2 x 4 = 2 + 6 8 = 8 Multiplicação em relação à subtração 2 x (3 - 1) = (2 x 3) - (2 x 1) 2 x 2 = 6 - 2 4 = 4 Associatividade da multiplicação 2 x (3 x 1) = (2 x 3) x 1 2 x 3 = 6 x 1 6 = 6 unidade 7 180 RACIOCÍNIO LÓGICO As regras de implicação lógica são formas válidas de raciocínio lógico, ou seja, são formas que nos permitem concluir o consequente (q), uma vez que consideramos o antecedente (p) verdadeiro. Propriedades das relações de inferência ou implicação lógica As regras de implicação lógica são formas válidas de raciocínio lógico, ou seja, são formas que nos permitem concluir o consequente “q”, uma vez que consideramos o antecedente “p” verdadeiro. É possível mostrar que as regras de inferência têm as seguintes propriedades: reflexiva: p ⇒ p transitiva: Se p ⇒ q e q ⇒ r, então p ⇒ r Para provar essas regras, basta construir as tabelas-verdade da condicional correspondente. Se a condicional for tautológica, teremos uma implicação lógica, conforme mostrado a seguir. Exemplo 70: propriedade reflexiva Essa propriedade diz que qualquer proposição p implica ela própria: p ⇒ p. Não é difícil perceber que, se a primeira proposição p for verdadeira, a segunda proposição p não será falsa, pois isso seria uma contradição. Por exemplo, a proposição “Isabella é dançarina” implica que “Isabella é dançarina”; ou “2 + 2 = 4” implica que “2 + 2 = 4”; cujos resultados são mostrados na TABELA 36. unidade 7 181 RACIOCÍNIO LÓGICO A propriedade transitiva diz que se a proposição p implica a proposiçãoq, e a proposição q implica a proposição r, então a proposição p implica a proposição r. TABELA 36 – Tabela-verdade da propriedade REFLEXIVA da implicação lógica do exemplo 70 Fonte: Elaborado pelos autores. p p p → p V V V Taulogia Exemplo 71: propriedade transitiva A propriedade transitiva diz que se a proposição p implica a proposição q, e a proposição q implica a proposição r, então a proposição p implica a proposição r. Um exemplo textual é dado pelas relações "Se eu ingerir fibra meu intestino funciona bem e se meu intestino funciona bem, sinto-me saudável. Logo, se ingerir fibra, sinto-me saudável.". As proposições são: p: eu ingerir fibra q: meu intestino funciona bem r: sinto-me saudável Para verificar a veracidade dessa implicação ((p ⇒ q) ʌ (q ⇒ r)) ⇒ (p ⇒ r), vamos construir a tabela-verdade (TABELA 37) da condicional ((p → q) ʌ (q → r)) → (p → r) e verificar se é uma tautologia. unidade 7 182 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 37 – Tabela-verdade da propriedade TRANSITIVA da implicação lógica do exemplo 71 p q V V V V F F F F V V F F V V V V V F V V V F V V V F V F V V V V V F F F V F V V V V F F V V F F V V F F V V F F V F V F V F V F V V V V V V V V Tautologia r p → q q → r p → r (p → q) ˄ (q → r) ((p → q) ˄ (q → r)) → (p → r) Fonte: Elaborado pelos autores. Considerando que a 1ª linha produz o resultado óbvio, vamos analisar a 8ª linha da tabela em que, partir dos opostos, demonstramos a validade da propriedade: Coluna 1: eu ingerir fibra é Falso; Coluna 2: meu intestino funciona bem é Falso; Coluna 3: sinto-me saudável é Falso; Coluna 4: a proposição “Se eu ingerir fibra (F), então meu intestino funciona bem (F)” possui resultado final Verdadeiro; Coluna 5: a proposição “Se meu intestino funciona bem (F), então sinto-me saudável (F)” também possui resultado final Verdadeiro; Coluna 6: a proposição “Se eu ingerir fibra (F), então sinto-me saudável (F) ”, da mesma forma, terá resultado final Verdadeiro, pelas regras da condicional já conhecidas; Coluna 7: combinando as colunas 4 e 5 com a conjunção “e” obtemos valor Verdadeiro; unidade 7 183 RACIOCÍNIO LÓGICO Coluna 8: e, por fim, combinando as colunas 7 e 6, por meio de uma condicional, obtemos novamente o valor Verdadeiro, demonstrando, por esta linha e por toda a tabela, que a proposição inteira só produz resultados verdadeiros e, portanto, é uma tautologia. Logo, podemos concluir que a propriedade transitiva se aplica às implicações lógicas. Proposições associadas a uma condicional: recíproca, contrária e contrapositiva Dada a condicional p → q, chamamos de proposições associadas à p → q as três proposições condicionais que contêm p e q: 1 proposição recíproca da condicional: p ∧→ q : q →∧p 2 proposição contrária da condicional: p → q : ~p ∧→ ~q 3 proposição contrapositiva da condicional: p ∧→ q : ~q →∧~p Exemplo 72: recíproca, contrária e contrapositiva da condicional Consideremos a seguinte proposição condicional: p → q: Se um triângulo é equilátero, então ele é isósceles . A recíproca da condicional é: q → p: Se um triângulo é isósceles, então ele é equilátero. A contrária da condicional é: ~p → ~q: Se um triângulo não é equilátero, então ele não é isósceles. A contrapositiva da condicional é: ~q → ~p: Se um triângulo não é isósceles, então ele não é equilátero. unidade 7 184 RACIOCÍNIO LÓGICO A tabela-verdade (TABELA 38) dessas proposições são apresentadas a seguir. Observe, nessa tabela-verdade, algumas importantes propriedades. Observe, nessa tabela-verdade, algumas importantes propriedades, conforme apresentado abaixo. 1a) Condicional p → q e a sua contrapositiva ~q → ~p são equivalentes, pois possuem os mesmos valores lógicos. (colunas 5 e 8 da tabela 38). 2a) Recíproca q → p e a contrária ~p → ~q da condicional p → q são equivalentes, pois possuem os mesmos valores lógicos (colunas 6 e 7 da tabela 38). 3a) Condicional p → q e a sua recíproca q → p ou a sua contrária ~p → ~q não são equivalentes. 4a) Contrária ~p → ~q da condicional p → q também é denominada a inversa de p → q. 5a) Contrapositiva ~q → ~p da condicional p → q nada mais é do que a contrária da recíproca q → r e, por causa disso, é denominada contra recíproca de p → q. TABELA 38 – Tabela-verdade do exemplo 72 Fonte: Elaborado pelos autores. p q ~p ~q q → p ~p → ~q ~q → ~pp → q V V F F V F V F F F V V F V F V V F V V Condicional V V F V Recíproca V F V V Contrapositiva V V F V Contrária unidade 7 185 RACIOCÍNIO LÓGICO 6a) Também se diz que p → q é a direta em relação às associadas. Destacamos que existem alguns teoremas na Matemática que são da forma p → q, isto é, uma condicional p → q tautológica, na qual p é chamada de "hipótese" e q é a "tese". Se p → q é um teorema e se q → p é verdade, temos que a recíproca do teorema é verdadeira; se p → q é um teorema, ~q → ~p é um teorema (contrapositiva). Condições necessárias e condições suficientes Se, em sua empresa, você tiver que propor e demonstrar a resolução de um problema ou dizer que um determinado resultado é válido, você precisará mapear as possíveis causas do problema. Nesse sentido, quando deduzimos ou demonstramos algum resultado, utilizamos "premissas" ou "proposições" com base lógica para validarmos nosso resultado. Se você tiver que escolher alguma ação ou diretriz a ser adotada no futuro de sua empresa, deverá ter habilidade para antever as possíveis consequências dessa ação ou diretriz. Ou seja, na escolha da ação ou diretriz, você terá que ser capaz de identificar relações verdadeiras de causa-efeito entre as "premissas" que dispõe. Para isso, a implicação lógica é uma das ferramentas de argumentação mais poderosas que temos. Quando uma implicação lógica é verdadeira, podemos concluir que o raciocínio desenvolvido foi correto, isto é, que a nossa "premissa" verdadeira tem como consequência uma outra, também verdadeira. unidade 7 186 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 73: Condições necessárias e condições suficientes (adaptado de ROCHA E AIRES, 2010, pg. 102-103) Imagine que você seja o coordenador de um projeto de pesquisas financiado pela FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa de MG) cujo título é "A qualidade da água na Pampulha". Você precisa elaborar um programa de treinamento para os técnicos que elaborarão as amostragens de água em campo. Como sua equipe é reduzida, será preciso convidar técnicos de outras áreas. Então você decidiu convidar uma técnica da área biológica, Valéria, para fazer parte do seu grupo, ao que ela lhe respondeu: Se a Helena participar, eu participo (condicional: se p então q; p → q). O que podemos entender dessa "premissa"? Que inferências (deduções) podemos fazer? O fato de Helena participar garante a participação da Valéria? Sim, e essa é a conclusão mais fácil de ser obtida, já que deriva da observação direta da formulação da sentença-referência. O fato de Helena não participar garante a participação de Valéria? A primeira tendência é pensar que Valéria também não participará. Para saber se esse pensamento está correto, lembre-se do que Valéria disse. Será que quando ela disse que participaria se Helena participasse, ela também disse que não participaria se Helena não participasse? A resposta é não! “Quando tiramos uma conclusão fundamentada na construção de algum raciocínio lógico, só podemos usar aquilo que, de fato foi enunciado como regra” (ROCHA e AIRES, 2010, pg. 102-103). Ou seja, em nenhum momento Valéria disse o que ela fará se Helena não participar. Ela deixou isso em aberto, podendo participar ou não! E se, com base na premissa anterior, concluíssemos que, se Helena não participar, Valéria também não participará? Nesse caso, Valéria poderá participar ou não. E quem poderá dizer ao certo isso é apenas ela.Ninguém! Só poderíamos garantir qualquer coisa unidade 7 187 RACIOCÍNIO LÓGICO a esse respeito se tivéssemos uma segunda premissa (ou regra) que determinasse a consequência para o caso de Helena não participar. Valéria disse que participará. O que você pode concluir sobre a participação da Helena? Podemos pensar que Helena participará, porque Valéria disse que participaria se Helena participasse. Como sabemos que Valéria participará, podemos concluir a participação da Helena? Se você pensar que sim, mais uma vez estará "infringindo" a regra, isto é, estará criando uma segunda premissa que não foi dada como referência. É verdade que Valéria disse que participaria se Helena participasse. Contudo, em nenhum momento a participação de Valéria foi apresentada como causadora de alguma decisão de Helena. Isso equivale dizer que a participação de Helena foi enunciada como forte o suficiente para garantir a participação de Valéria. Por outro lado, nada na afirmação de Valéria coloca sua participação como causa para alguma escolha de Helena. Logo, pela regra embutida na afirmação de Valéria, nada podemos concluir a respeito da participação da Helena. Valéria disse que não participará. O que você pode concluir sobre a participação da Helena? Pela regra enunciada, Valéria disse que se Helena participasse, ela também participaria. Ao sabermos que Valéria não participará, podemos sim garantir que Helena também não participará. Por quê? Porque se Helena participasse, Valéria com certeza participaria! Assim, quando dissermos que uma proposição p implica uma proposição q, estamos afirmando que "se p ocorrer (V), podemos garantir que q também ocorrerá" (será V). Na sua vida profissional e pessoal, na hora de tomar decisões, lembre- se de diferenciar dois tipos de condições: a necessária e a suficiente. Dizer que uma situação é condição necessária para outra acontecer, é afirmar que se a primeira não acontecer, a segunda não acontecerá. No nosso exemplo, se Valéria não participar do projeto, Helena não participará. Quando uma coisa é condição suficiente para outra, podemos afirmar que a ocorrência unidade 7 188 RACIOCÍNIO LÓGICO da primeira garante a ocorrência da segunda. Ou seja, no nosso projeto, se Valéria participar, Helena participará! Revisão Nesta unidade, você aprendeu como identificar a ocorrência de implicação lógica em proposições compostas. Ou seja, você aprendeu que, dizer que uma proposição p implica logicamente ou, simplesmente, implica uma proposição q, e q será verdadeiro, sempre que p também o for. Em consequência dessas definições, mostramos por meio de tabelas-verdade que p → q significa que a condicional p → q é tautológica, isto é, p → q se, e somente se, p ⇒ q for verdadeiro. Você também aprendeu que na condicional p → q, p é chamado de antecedente e q é chamado de consequente. Antes de considerarmos as operações e propriedades da lógica sentencial, revemos algumas propriedades da aritmética (comutativa, associativa e distributiva). Em seguida, apresentamos as operações e propriedades da lógica sentencial, às quais também se aplicam as propriedades aritméticas. Provamos que as regras de inferência têm as propriedades reflexiva e transitiva, por meio de tabelas-verdade e da verificação da hipótese tautológica. Mostramos as proposições associadas a uma condicional: recíproca, contrária e contrapositiva. E, finalmente, vimos a análise de possíveis causas de um problema, quando você tiver que propor e demonstrar a resolução dele ou dizer que um determinado resultado é válido, com base lógica. unidade 7 189 RACIOCÍNIO LÓGICO Você também aprendeu que uma condicional p → q não afirma que o consequente se "deduz" do antecedente p, ou seja, pode não haver uma relação intrínseca entre p e q. Na próxima unidade, aprenderemos que, ao contrário da condicional, poderá haver uma relação intrínseca entre p e q. Para isso, estudaremos a relação bicondicional e as equivalências lógicas. George Boole (Lincoln, 2 de novembro de 1815 — Ballintemple, 8 de dezembro de 1864) foi um matemático e filósofo britânico, criador da álgebra booleana – disciplina fundamental para o desenvolvimento da computação moderna. Hoje em dia, a "Álgebra de Boole", é utilizada na construção das rotinas computacionais, sendo uma das razões fundamentais da revolução que os computadores provocaram no mundo moderno. É aplicada igualmente à pesquisa de Inteligência Artificial e na ligação dos telefones, entre muitas outras atividades. Para entender o significado da lógica booleana, indicamos a você a leitura de um texto de Elaine Martins, disponível na internet, denominado: "Lógica booleana? Saiba um pouco mais sobre esta lógica e como ela funciona". Está disponível no seguinte endereço: MARTINS, Eliane. Lógica booleana? Saiba um pouco mais sobre esta lógica e como ela funciona. 09 fev. 2009. In: site “Tecmundo”. Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/programacao/1527-logica-booleana- saiba-um-pouco-mais-sobre-esta-logica-e-como-ela-funciona.htm>. Acesso em 16 jun. 2015. Equivalência lógica • Equivalência lógica • Propriedades da relação de equivalência lógica • Proposições associadas a uma condicional que apresentam equivalência lógica • Álgebra das proposições de equivalência lógica • Revisão Introdução Desde a antiguidade, o ser humano busca encontrar a explicação correta para os fenômenos que observa. À medida que expande essas observações, ele aumenta o seu conhecimento e amplia a sua capacidade de estabelecer novas conclusões sobre quaisquer outras situações que vão se apresentando. Em nossos tempos, um fato que se repete diariamente na vida das pessoas é a necessidade de tomar decisões a partir de situações que nos desafiam a cada manhã. Entretanto, é interessante observar que muitas dessas situações, embora observadas de uma maneira diferente, podem conduzir a uma mesma conclusão final. Em nosso estudo de raciocínio lógico, chamamos esse tipo de situação de “equivalência lógica”, e são exatamente esses aspectos do nosso pensamento que discutiremos nesta unidade. Exemplificando, analisaremos uma proposição simples relacionada à jornada de trabalho de um indivíduo qualquer. “João Pedro trabalha somente de segunda a sábado”. Poderíamos dizer: “Se hoje é domingo, então João Pedro não vai trabalhar”. Da mesma forma, poderia ser concluída outra situação baseada nessa mesma premissa: “Se hoje não é domingo, então João Pedro vai trabalhar”. São observações distintas, obtidas pela mesma premissa básica e que, por análises diferentes, produziram o mesmo significado lógico. Em outras palavras, são observações diferentes que possuem o mesmo significado. Como podemos perceber, essa forma de conduzir o nosso pensamento e estabelecer conclusões diferentes poderá ser muito útil em nossa vida estudantil, profissional e cotidiana. Vamos então iniciar mais essa etapa de nosso estudo aprendendo um pouco mais sobre essas estruturas diferentes, mas equivalentes entre si. Iniciaremos a unidade mostrando o que é uma equivalência lógica e como identificá-la por meio de uma tabela-verdade. Em seguida, apresentaremos propriedades da equivalência lógica, a saber: reflexiva, simétrica e transitiva. Mostraremos que as proposições associadas a uma condicional (recíproca, contrária e contrapositiva) são logicamente equivalentes. No item “Álgebra das proposições de equivalência lógica”, aprenderemos diversas regras, como da idempotência, da dupla negação, da comutatividade de Clavius, da associatividade, da distributividade, de Augustus De Morgan, da absorção, da condicional e da bicondicional. Como “Aplicação na Prática”, apresentaremos a resolução de questões de concurso relacionadas à teoria aprendida nesta unidade. E, por fim, será sugerida a consulta a três livros. O primeiro apresentadiversos exercícios de concurso sobre o tema “equivalência lógica”. Os outros dois destinam-se àqueles alunos que precisam se aprofundar na Matemática, ou seja, na relação entre a ‘teoria dos conjuntos’ e a ‘lógica sentencial’. unidade 8 193 RACIOCÍNIO LÓGICO Equivalência lógica Duas proposições p e q são logicamente equivalentes, ou equivalentes, se as tabelas-verdade dessas duas proposições forem idênticas. Em termos textuais, duas proposições são equivalentes quando traduzem a mesma ideia, diferindo apenas na forma de apresentar essa ideia. Uma expressão proposicional da forma bicondicional p ↔ q, que é também uma tautologia, é chamada ‘equivalência’ (ou equivalência lógica). As proposições p e q são ditas equivalentes, e escrevemos p ⇔ q, conforme ilustrado no exemplo a seguir. Exemplo 74 Neste exemplo, verificaremos se a expressão p → q ↔ ~q → ~p é uma equivalência, conforme podemos observar na TABELA 39, a seguir, referente à sua tabela-verdade. Para sua construção, já aprendemos neste curso que o conectivo lógico bicondicional (↔) é verdadeiro se, e somente se, seus componentes têm os mesmos valores lógicos. Observa-se nas quinta e sexta colunas que as proposições têm valores lógicos iguais, ou seja, são simultaneamente verdadeiras e falsas. TABELA 39 – Tabela-verdade do exemplo 74 Fonte: Elaborado pelos autores. p ~pq ~q (~q → ~p)(p → q) (p → q) ↔ ( ~q → ~p) V V F F V F V F F F V V F V F V V F V V V F V V V V V V Taulogia unidade 8 194 RACIOCÍNIO LÓGICO Podemos concluir então que, se duas proposições são equivalentes, é porque possuem a mesma tabela- verdade e, reciprocamente, se duas proposições possuem a mesma tabela-verdade, elas são equivalentes. Então, (p → q) ↔ (~q → ~p) é uma tautologia, o que acarreta a equivalência lógica. Por tratar-se de uma equivalência lógica, a notação é: p → q ∧ ~q → ~p . Como essa expressão é também uma tautologia (é V em todos os casos), seus componentes têm o mesmo valor lógico em todos os casos, isto é, têm a mesma tabela-verdade. Podemos concluir então que, se duas proposições são equivalentes, é porque possuem a mesma tabela-verdade e, reciprocamente, se duas proposições possuem a mesma tabela-verdade, elas são equivalentes. Decorre dessa definição que todas as tautologias e contradições são equivalentes entre si. Cabe destacar que os símbolos ↔ e ⇔ são distintos. Quando (p ↔ q) for uma tautologia, escrevemos sua relação de equivalência (p ⇔ q). Propriedades da relação de equivalência lógica A relação de equivalência lógica entre proposições possui as propriedades reflexiva, simétrica e transitiva apresentadas abaixo. • Reflexiva: p ⇔ p A propriedade reflexiva significa que uma proposição é logicamente equivalente a ela mesma, ou ao seu idêntico. unidade 8 195 RACIOCÍNIO LÓGICO Uma relação é simétrica se a relação bicondicional de p com q implicar a relação bicondicional de q com p. Exemplo 75 A proposição “Alexandre é professor” é (e será sempre) equivalente a “Alexandre é professor”, que é a proposição idêntica à primeira. • Simétrica: Se p ⇔ q então q ⇔ p Uma relação é simétrica se a relação bicondicional de p com q implicar a relação bicondicional de q com p. Exemplo 76 A relação “João é irmão de Pedro” é simétrica, pois “se João é irmão de Pedro, então Pedro é irmão de João”. • Transitiva: Se p ⇔ q e q ⇔ r então p ⇔ r Uma relação é transitiva se p implica q e q implica r, então p implica r. Exemplo 77 A frase “Se Fernanda é mãe de Bernardo, e Bernardo é pai de Ana Luíza, então Fernanda é avó de Ana Luíza”, é uma proposição transitiva. Proposições associadas a uma condicional que apresentam equivalência lógica Dada a condicional p → q, chamamos de proposições associadas à p → q às três proposições condicionais que contêm p e q. 1. Proposição recíproca da condicional: p → q: q → p 2. Proposição contrária da condicional: p → q: ~p → ~q unidade 8 196 RACIOCÍNIO LÓGICO 3. Proposição contrapositiva da condicional: p → q: ~q → ~p Exemplo 78 Classificação dos triângulos quanto ao tamanho dos lados: Equilátero: apresenta os três lados com a mesma medida, ou seja, os três lados têm o mesmo tamanho (a=b=c). Isósceles: apresenta dois lados com a mesma medida, ou seja, dois lados de tamanhos iguais (a=b≠c). Escaleno: apresenta os três lados com medidas diferentes, ou seja, três lados de tamanhos diferentes (a≠b≠c). Seja a seguinte proposição condicional: p → q: Se um triângulo é equilátero, então ele é isósceles. A recíproca da condicional é: q → p: Se um triângulo é isósceles, então ele é equilátero. A contrária da condicional é: ~p → ~q: Se um triângulo não é equilátero, então ele não é isósceles A contrapositiva da condicional é: ~q → ~p: Se um triângulo não é isósceles, então ele não é equilátero. A tabela-verdade (TABELA 40) dessas proposições é apresentada a seguir. TABELA 40 – Tabela-verdade do exemplo 78 Fonte: Elaborado pelos autores. p q ~p ~q q → p ~p → ~q ~q → ~pp → q V V F F V F V F F F V V V F V F V F V V Condicional V V F V Recíproca V F V V Contrapositiva V V F V Contrária unidade 8 197 RACIOCÍNIO LÓGICO Conforme será demonstrado, a validade dessas regras pode ser comprovada facilmente, construindo- se a respectiva tabela-verdade da bicondicional lógica associada à equivalência lógica em questão. Observamos, nessa tabela-verdade, algumas importantes propriedades, destacadas a seguir. 1a) A condicional p → q (direta) e a sua contrapositiva (contrarrecíproca) ~q → ~p são equivalentes, isto é, simbolicamente tem-se: p → q ⇔ ~q → ~p. 2a) A recíproca q → p e a contrária (inversa) ~p → ~q da condicional p → q são equivalentes, isto é, simbolicamente tem-se: q → p ⇔ ~p → ~q. 3a) A condicional p → q não é equivalente à sua recíproca q → p nem à sua contrária ~p → ~q. Álgebra das proposições de equivalência lógica Apresentamos, nos exemplos a seguir, algumas das regras de equivalência lógica mais importantes da lógica proposicional. Conforme será demonstrado, a validade dessas regras pode ser comprovada facilmente, construindo-se a respectiva tabela-verdade da bicondicional lógica associada à equivalência lógica em questão. Como vimos no estudo de implicações lógicas, não é necessário decorar as regras de equivalência. O importante é que você entenda o mecanismo de verificação da veracidade das equivalências e observe que, apesar da complexidade de algumas, cada uma tem por base as proposições que estamos estudando desde o início desta disciplina. Regras da idempotência Refere-se à possibilidade de aplicar, várias vezes, algumas operações, sem que o valor do resultado se altere após a aplicação inicial. unidade 8 198 RACIOCÍNIO LÓGICO A regra da dupla negação afirma que, se negarmos a negação de uma proposição, o resultado será (logicamente equivalente a) a proposição original. Exemplo 79: Regras da idempotência As proposições p e p são equivalentes, isto é, simbolicamente: p ʌ p ⇔ p ou ~p v p ⇔ p conforme demonstrado na TABELA 41. TABELA 41 – Tabela-verdade do exemplo 79 Fonte: Elaborado pelos autores. p ~p v p p ʌ p ⇔ pp ʌ p p v q ⇔ p V F V F V F V V V V Taulogias Regra da dupla negação Já estudamos que a negação de uma proposição é utilizada para alterar seu valor lógico, dando sentido contrário. Assim, se p é uma proposição verdadeira, ~p é falsa, e vice-versa. A regra da dupla negação afirma que, se negarmos a negação de uma proposição, o resultado será (logicamente equivalente a) a proposição original. Assim, se formos negar ~p (citada acima), trocaremos seu valor lógico de falso para verdadeiro, obtendo a proposição original, ou seja, p. Essa lógica pode ser aplicada a exemplos cotidianos, tais como “eu não vi ninguém”, que é equivalente a “eu vi alguém”; “eu não quero nada”, que é equivalentea “eu quero alguma coisa”; “eu não pedi nada”, que é equivalente a “eu pedi alguma coisa”; “eu não gosto de ninguém”, logicamente equivalente a “eu gosto de alguém”, dentre outros exemplos. Lembrando que, embora seja a lógica, na prática esses não os significados correntes no português usado no Brasil. unidade 8 199 RACIOCÍNIO LÓGICO A comutatividade é uma propriedade de operações binárias, ou de ordem mais alta, em que a ordem dos operandos (termos) não altera o resultado final. Exemplo 80: Regra da dupla negação Para mostrar que as proposições ~~p e p são equivalentes, isto é, ~~p ⇔ p, construímos sua tabela-verdade, apresentada na TABELA 42. Por tratar-se de uma tautologia, as proposições ~~p e p são equivalentes. TABELA 42 – Tabela-verdade do exemplo 80 Fonte: Elaborado pelos autores. p ~~p p ⇔ ~~p~p V F F V V F V V Tautologia Leis da comutatividade A comutatividade é uma propriedade de operações binárias, ou de ordem mais alta, em que a ordem dos operandos (termos) não altera o resultado final. Exemplo 81: leis da comutatividade Essas leis da comutatividade são bastante conhecidas na multiplicação matemática, popularmente expressa por meio da frase: “a ordem dos fatores não altera o produto”, ou seja, p ʌ q ⇔ q ʌ p e p v q ⇔ q v p Conforme ilustrado na TABELA 43. unidade 8 200 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 43 – Tabela-verdade do exemplo 81 p q V V F F V F V F V F F F V F F F V V V F V V V F V V V V V V V V Tautologias q ˄ pp ˄ q p ˅ q q ˅ p (p ˄ q) ↔ (q ˄ p) (p ˅ q) ↔ (q ˅ p) Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: • Fui à praia e ao supermercado. É logicamente equivalente à: • Fui ao supermercado e à praia. • Fui à praia ou ao supermercado. É logicamente equivalente à: • Fui ao supermercado ou à praia. Regra de Clavius A implicação lógica da negativa da proposição nela mesma é equivalente a ela mesma. Exemplo 82: Regra de Clavius As proposições (~p → p) e p são equivalentes, ou seja, simbolicamente temos: ~p → p ⇔ p, conforme demonstrado na TABELA 44. unidade 8 201 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 44 – Tabela-verdade do exemplo 82 Fonte: Elaborado pelos autores. p ~p → p (~p → p) ↔ p~p V F F V V F V V Tautologia Leis da associatividade Essas leis mostram que a ordem das operações aplicadas não altera o resultado, conforme expressões da associatividade da conjunção (p ʌ q) ʌ r ⇔ p ʌ (q ʌ r) e da associatividade da disjunção (p v q) v r ⇔ p v (q v r). Exemplo 83: Leis da associatividade Nesse exemplo, foram construídas as tabelas-verdade das leis de associatividade da conjunção (p ʌ q) ʌ r ⇔ p ʌ (q ʌ r) (TABELA 45 A) e da associatividade da disjunção (p v q) v r ⇔ p v (q v r) (TABELA 45 B). TABELA 45 A – Tabela-verdade do exemplo 83 p q V V V V F F F F V V F F F F F F V F F F V F F F V V F F V V F F V F V F V F V F V F F F F F F F V V V V V V V V V F F F F F F F Tautologia r p ˄ q q ˄ r(p ˄ q) ˄ r p ˄ (q ˄ r) (p ˄ q) ˄ r ↔ p ˄ (q ˄ r) Fonte: Elaborado pelos autores. unidade 8 202 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 45 B – Tabela-verdade do exemplo 83 p q V V V V F F F F V V V V V V F F V V V F V V V F V V F F V V F F V F V F V F V F V V V V V V V F V V V V V V V V V V V V V V V F Tautologia r p ˅ q q ˅ r(p ˅ q) ˅ r p ˅ (q ˅ r) (p ˅ q) ˅ r ↔ p ˅ (q ˅ r) Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: • Cristina comprou um livro e um pen-drive e um DVD. Equivale à: • Cristina comprou um livro, um DVD e um pen-drive. • Cristina comprou um livro ou um pen-drive ou um DVD. Equivale à: • Cristina comprou um livro ou um DVD ou um pen-drive. Leis da distributividade A distributividade é uma propriedade de duas operações binárias. Nela, a ordem em que as operações são efetuadas podem, de certa forma, serem trocadas. unidade 8 203 RACIOCÍNIO LÓGICO Exemplo 84: Leis da distributividade Neste exemplo, foram construídas as tabelas-verdade das leis da distributividade p ʌ (q v r) ⇔ (p ʌ q) v (p ʌ r), conforme ilustrado na TABELA 46 A e p v (q ʌ r) ⇔ (p v q) ʌ (p v r), conforme ilustrado na TABELA 46 B. TABELA 46 A – Tabela-verdade do exemplo 84 Tabela 46 B – Tabela-verdade do exemplo 84 p q V V V V F F F F V V V V F F F F V V F F F F F F V V V V V V F F V F V F F F F F V V V V V F V F V V V F V V V F V F F F V F F F V V V F F F F F V V V V V F F F V V V F F F F F V V V V V F F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V F F V V F F V F V F V F V F V F V F V F V F V V V V V V V V V V V V V V V V Tautologia Tautologia r p ˄ q p ˄ r q ˅ r p ˄ (q ˅ r) (p ˄ q) ˅ (p ˄ r) p ˄ (q˅r) ↔ (p˄q) ˅ (p˄r) Fonte: Elaborado pelos autores. Fonte: Elaborado pelos autores. p q r p ˅ q p ˅ r q ˄ r p ˅ (q ˄ r) (p ˅ q) ˄ (p ˅ r) p ˅ (q˄r) ↔ (p˅q) ˄ (p˅r) unidade 8 204 RACIOCÍNIO LÓGICO Assim: ~(p ˄ q) ⇔ ~p ˅ ~q e negar a ocorrência de, pelo menos, p ou q é afirmar nem p e nem q, cuja expressão é: ~(p ˅ q) ⇔ ~p ˄ ~q. Textualmente, temos: • O carro é azul e Mariana o comprou ou o ganhou. Equivale à: • O carro é azul e Mariana o comprou ou o carro é azul e Mariana o ganhou. Leis de Augustus De Morgan (1806-1871)(4) Da autoria do ilustre matemático inglês Augustus De Morgan, essas leis dizem que negar a simultaneidade de p e q é afirmar, pelo menos, não p ou não q. Assim: ~(p ˄ q) ⇔ ~p ˅ ~q e negar a ocorrência de, pelo menos, p ou q é afirmar nem p e nem q, cuja expressão é: ~(p ˅ q) ⇔ ~p ˄ ~q. De acordo com ALENCAR FILHO (2002, pg.73), pelas regras de Augustus De Morgan, a negação transforma: 1. a conjunção em disjunção 2. a disjunção em conjunção Exemplo 85: Leis de Augustus De Morgan Essas leis são demostradas por meio de suas respectivas tabelas- verdade, conforme ilustrado na TABELA 47 A e na TABELA 47 B, respectivamente. 4- ALENCAR FILHO, 2002; pg.73. unidade 8 205 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 47 A – Tabela-verdade do exemplo 85 p q ~p ~q ~p ˅ ~q~(p ˄ q) ~(p ˄ q) ↔ (~p ˅ ~q)p ˄ q V V F F V F V F F F V V F V F V V F F F F V V V V V V V Tautologia F V V V Fonte: Elaborado pelos autores. TABELA 47 B – Tabela-verdade do exemplo 85 p q ~p ~q ~p ˄ ~q~(p ˅ q) ~(p ˄ q) ↔ ~p ˄ ~qp ˅ q V V F F V F V F F F V V F V F V V V V F F F F V V V V V Tautologia F F F V Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: 1a expressão: ~(p ˄ q) ⇔ ~p ˅ ~q • Não é verdade que Thiago não é engenheiro e estuda. É equivalente a: • Thiago é engenheiro ou estuda. 2a expressão: ~(p ˅ q) ⇔ ~p ˄ ~q A frase “É FALSO que Michel Temer é presidente do Brasil OU foi eleito democraticamente pelo voto popular” é logicamente equivalente a “Michel Temer NÃO é presidente do Brasil ou não foi eleito democraticamente pelo voto popular”. unidade 8 206 RACIOCÍNIO LÓGICO Lei da absorção A regra estabelece que se p implica q, então p implica p ˄ q. A regra torna possível introduzir conjunções em provas. Isso é chamado de lei de absorção, visto que o termo q é "absorvido" pelo termo p na consequência. Assim temos: (p → q) ⇔ p → (p ˄ q). Exemplo 86: Lei da absorção Demonstra-se, por meio da tabela-verdade, que as proposições (p → q) e p → (p ˄ q) são logicamente equivalentes, ou seja, simbolicamente temos: (p → q) ⇔ p → (p ˄ q) , conforme mostrado na TABELA 48. TABELA 48 – Tabela-verdade do exemplo 86 p q p ˄ q p → (p ˄ q) (p → q) ↔ (p → (p ˄ q))p → q V V F F V F V F V F F F V F V V V F V V V V V V Tautologia Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: • Se João é casado com Maria então João é marido de Maria (p → q). • João é casado com Maria e João é marido de Maria (p ^ q).Então podemos dizer que: • João é casado com Maria, então João é marido de Maria implica em João é casado com Maria então João é casado com Maria e é marido de Maria (p → q ⇔ p → (p ^ q)) unidade 8 207 RACIOCÍNIO LÓGICO Lei da condicional Essa equivalência lógica é de grande importância, pois permite transformar a condicional por uma disjunção, ou seja, (p → q) ⇔ (~p ˅ q). Exemplo 87: Lei da condicional A condicional (p → q) e a disjunção (~p ˅ q) têm tabelas-verdade idênticas e são simbolicamente equivalentes. Conforme mostrado na tabela 49, temos: (p → q) ⇔ (~p ˅ q). TABELA 49 – Tabela-verdade do exemplo 87 p q ~p ~p ˅ q (p → q) ↔ (~p ˅ q)p → q V V F F V F V F V F V V V F V V V F V V V V V V Tautologia Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: • Se a chuva continua, o rio vai inundar suas margens. Equivale a: • A chuva NÃO continua ou o rio vai inundar suas margens. Lei da bicondicional e a conjunção Essa equivalência lógica também é de grande importância, pois permite transformar a bicondicional numa conjunção, conforme a seguinte expressão: (p ↔ q) ⇔ (p → q) ˄ (q → p). unidade 8 208 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 50 – Tabela-verdade do exemplo 88 p q V V F F V V F V V F V F V F F V V F V V V V V V V F F V Tautologia (p ↔ q) ↔ ((p → q) ˄ (q → p)) Fonte: Elaborado pelos autores. p ↔ q p → q (p → q) ˄ (q → p)q → p Textualmente, temos: • Um número é divisível por dez se, e somente se, ele terminar em zero. p: um número é divisível por zero q: um número é múltiplo de dez Equivale a: • Se um número terminar em zero, então ele é múltiplo de dez e Se um número for múltiplo de dez, então ele termina em zero. Lei da bicondicional e a disjunção Como no item anterior, essa equivalência lógica também é de grande importância, pois permite transformar a bicondicional numa disjunção, conforme a seguinte expressão: (p ↔ q) ⇔ (p ˄ q) ˅ (~p ˄ ~q). Exemplo 88: Lei da bicondicional e a conjunção A bicondicional (p ↔ q) e a conjunção (p → q) ˄ (q → p) têm tabelas-verdade idênticas e são simbolicamente equivalentes. Conforme TABELA 50, temos: (p ↔ q) ⇔ (p → q) ˄ (q → p). unidade 8 209 RACIOCÍNIO LÓGICO TABELA 51 – Tabela-verdade do exemplo 89 p ~pq ~q V V F F F V F V V F F V V F F F F F F V V F F V V F V F F F V V V V V V Tautologia p ˄ q(p ↔ q) ~p˄~q (p˄q)˅(~p˄~q) (p ↔ q) ↔ (p˄q)˅(~p˄~q) Fonte: Elaborado pelos autores. Textualmente, temos: • Um número é divisível por dez se, e somente se, ele terminar em zero. E logicamente equivale a: • Um número é divisível por dez e termina em zero ou não é divisível por dez e não termina em zero. Regras de equivalência lógica Em alguma situação de sua vida pessoal ou profissional, você talvez tenha que interpretar questões de raciocínio lógico, por exemplo, nas provas de concursos e exames de admissão. Para isso, aprendemos neste curso as regras de formação de proposições; sintaxe dos conectivos lógicos; montagem e análise de tabelas-verdade de estruturas completas, formadas por várias proposições e conectivos lógicos diferentes; identificação das Exemplo 89: Lei da bicondicional e a disjunção A bicondicional (p ↔ q) e a disjunção (p ˄ q) ˅ (~p ˄ ~q) têm tabelas-verdade idênticas e são simbolicamente equivalentes. Conforme TABELA 51, temos: (p ↔ q) ⇔ (p ˄ q) ˅ (~p ˄ ~q). unidade 8 210 RACIOCÍNIO LÓGICO QUADRO 5 - Propriedades e regras da equivalência lógica p ↔ q (p ↔ q) → (q ↔ p) (p → q) ↔ (q → p) (p → q) ↔ (~p → ~q) (~p → p) ↔ p ~(p ˄ q) ↔ (~p ˅ ~p) ~(p ˄ q) ⇔ (~p ˅ ~p) ~(p ˅ q) ↔ (~p ˄ ~p) ~(p ˅ q) ⇔ (~p ˄ ~p) (~p → p) ⇔ p (p → q) ↔ (~q → ~p) (p → q) ⇔ (~p → q) (p → q) ⇔ (~q → ~p) p → q ⇔ q → p (p ↔ q) ˄ (q ↔ r) → (p ↔ r) (p ˄ p) ↔ p (p ˄ q) ↔ (q ˄ p) ((p ˄ q) ˄ r) ↔ (p ˄ (q ˄ r)) p → (p ˄ q)) ↔ (p → r) (p → q) ↔ (~p ˅ q) (p → q) ⇔ (~p ˅ q) p → (p ˄ q) ⇔ (p → r) p ˄ (q ˅ r) ↔ (p ˄ q) ˅ (p ˄ r) (p ↔ q) ↔ ((p → q) ˄ (q → p)) (p ↔ q) ↔ (p ˄ q) ˅ (~p ˄ ~q) (p ↔ q) ⇔ ((p ˄ q) ˅ (~p ˄ ~q)) (p ↔ q) ⇔ ((p → q) ˄ (q → p)) p ˄ (q ˅ r) ⇔ (p ˄ q) ˅ (p ˄ r) p ˅ (q ˄ r) ↔ (p ˅ q) ˄ (p ˅ r) p ˅ (q ˄ r) ⇔ (p ˅ q) ˄ (p ˅ r) (p ˄ q) ˄ r) ⇔ (p ˄ (q ˄ r) ((p ˅ q) ˅ r) ↔ (p ˅ (q ˅ r)) (p ˅ q) ˅ r) ⇔ (p ˅ (q ˅ r) p ˄ q ⇔ q ˄ p (p ˅ q) ↔ (q ˅ p) p ˅ q ⇔ q ˅ p (p ˄ p) ⇔ p (p ˅ p) ↔ p ~~p ↔ p ~~p ⇔ p (p ˅ p) ⇔ p (p ⇔ q) ˄ (q ⇔ r) → (p ⇔ r) (p ⇔ q) → (q ⇔ p) p ⇔ p Fonte: Elaborado pelos autores. Propriedades e regras Bicondicional Equivalência Reflexiva Simétrica Transitiva Recíproca Contrária Contrapositiva Idempotência Dupla negação Comutatividade de Clavius Associatividade Distributividade de Augustus De Morgan Absorção Condicional Bicondicional e a Conjunção Bicondicional e a Disjunção equivalências lógicas e também de algumas propriedades, regras e leis. Tudo foi exposto resumidamente no QUADRO 5 a seguir. unidade 8 211 RACIOCÍNIO LÓGICO Esses conceitos serão bastante úteis na solução de questões de concurso, como as questões apresentadas no exemplo 89 e 90 a seguir. Exemplo 89: (ESAF-AFC, 2002 apud Rocha, 2006, pg. 86-87). Dizer que "não é verdade que Pedro é pobre e Alberto é alto", é logicamente equivalente a dizer que é verdade que: a) Pedro não é pobre ou Alberto não é alto; b) Pedro não é pobre e Alberto não é alto; c) Pedro é pobre ou Alberto não é alto; d) se Pedro não é pobre, então Alberto é alto; e) se Pedro não é pobre, então Alberto não é alto. Primeiramente, lembremos que a sentença "Dizer que não é verdade" é o mesmo que negar a frase seguinte, ou seja, é o mesmo que negar a sentença "Pedro é pobre e Alberto é alto". Identifiquemos, então as proposições: p: Pedro é pobre q: Alberto é alto proposição composta: p ˄∧q Negar p ˄∧q é o mesmo que escrever ~(p ˄∧q) e, conforme aprendemos anteriormente, pela regra de Augustus De Morgan, a negação transforma uma conjunção em disjunção. Assim, teremos: ~(p ˄∧q) ↔ ~p ˅ ~q. Textualmente temos: "Pedro não é pobre ou Alberto não é alto". Essa resposta é dada pela letra "a" do gabarito. unidade 8 212 RACIOCÍNIO LÓGICO Revisão Nesta unidade, aprendemos a reconhecer uma equivalência lógica e a refletir sobre a sua utilização prática. Por uma definição clássica, já sabíamos que ‘equivalência lógica’ é uma situação em que as tabelas-verdade de proposições compostas diferentemente estruturadas podem ser idênticas. O conhecimento da existência dessa possibilidade nos permite, então, estudar as diferentes maneiras lógicas de se obter um resultado almejado. São ocorrências que nos permitem interpretar, de forma particular, situações em que podemos obter respostas lógicas idênticas, percorrendo trajetórias diferentes. Nosso estudo começou com o entendimento dessas situações práticas e prosseguiu à medida que procuramos estudar as suas características principais. Analisamos suas propriedades e características principais, como as proposições recíproca, contrária e contrapositiva; as regras da idempotência e da dupla negação; as leis da comutatividade, da associatividade, da distributividade, da absorção; o estudo das leis da estrutura condicional e da bicondicional com a conjunção e a disjunção. Após este estudo, podemos considerar uma ampla possibilidade de analisarmos proposições de diversas formas e obter, por etapas diferentes, as conclusões necessárias, conforme os exemplos apresentados ao longo desta unidade. unidade 8 213 RACIOCÍNIO LÓGICO A lógica da teoria dos conjuntos Para aprofundar no tema e saber mais sobre as teorias dos conjuntos e da equivalência lógica matemática, indicamos três livros. 1 - Raciocínio Lógico para Concursos, de Samuel Liló Abdalla. Editora Saraiva, 1a edição, 2012. Como o próprio nome diz, apresenta diversos exercícios sobre o tema desta unidade. Esse livro encontra-se disponível na biblioteca virtual da UNA, em: "Minha biblioteca". ABDALLA, SamuelLiló. Raciocínio Lógico para Concursos. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2012. 2 - Como desenvolver o raciocínio lógico - soluções criativas na teoria dos conjuntos, de Vera Syme Jacob Benzecry e Kleber Albanêz Rangel. LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., 3a edição, 2008. É um livro indicado para quem pretende aplicar o seu conhecimento matemáticos na área de programação computacional, desenvolvendo algoritmos. Disponível na biblioteca virtual da UNA, em: "Minha biblioteca” BENZECRY, Vera Syme Jacob; RANGEL, Kleber Albanêz. Como desenvolver o raciocínio lógico - soluções criativas na teoria dos conjuntos. 3 ed. Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora S.A, 2008. 3 - "Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos Conjuntos", de Jaime Campos Ferreira (2001). Trata-se de uma publicação do Departamento de Matemática do Instituto Superior Técnico de Portugal. Esse livro está disponível no seguinte endereço eletrônico: FERREIRA, Jaime Campos. Elementos de Lógica Matemática e Teoria dos conjuntos. Instituto Superior Técnico de Portugal, 2001. Disponível em: <http://www.math.ist.utl.pt/~jmatos/ltc/full.pdf>. Acesso em 16 jun. 2015. RACIOCÍNIO LÓGICO 214 ABDALA, Samuel Liló. Raciocínio Lógico e Informática – Coleção preparatória para concurso de Delegado de Polícia. São Paulo: Saraiva, 2014. Alencar Filho, Edgard de. Iniciação à Lógica Matemática. São Paulo: Nobel, 2002. BÊRNI, Duilio de Avila; FERNANDEZ, Brena Paula Magno. Teoria dos Jogos. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2014. 312p. BIERMAN, H. Scott; FERNANDEZ, Luis. Teoria dos jogos. Trad. MARQUES, Arlete Simille; Rev. Técnica: KADOTA, Décio Katsushigue. 2 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. (Livro Eletrônico) Cervo, Amado Luiz; Bervian, Pedro Alcino; Silva, Roberto da. Metodologia Científica. 6 ed. Pearson Prentice Hall, 2007. p. 176. Loyola, Ronilton. Raciocínio lógico para concursos: teoria e questões. São Paulo: Método, 2011. MARIANO, Fabrício. Raciocínio lógico para concursos: teorias e questões. 4 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 368 p. (Provas e concursos). RIBEIRO, Hérica. Os jogos aprimoram as habilidades cognitivas. In: Site “Supera”. Disponível em: <http://metodosupera.com.br/saude-mental/ os-jogos-aprimoram-as-habilidades-cognitivas/>. Acesso em: 13 jul. 2015. ROCHA, Enrique. Raciocínio lógico/teoria e questões. 2 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Referências http://metodosupera.com.br/saude-mental/os-jogos-aprimoram-as-habilidades-cognitivas/ http://metodosupera.com.br/saude-mental/os-jogos-aprimoram-as-habilidades-cognitivas/ RACIOCÍNIO LÓGICO 215 Rocha, Enrique; Aires, Marcos. Lógica do Cotidiano: como o Raciocínio Lógico contribui para o seu desenvolvimento profissional. São Paulo: Impetus, 2010. p.214 SÁ, Ilydio Pereira de. Raciocínio Lógico: Concursos públicos/formação de professores. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda, 2008. Site “Supera” – Ginástica para o cérebro. Desenvolvido por: Método Supera. Disponível em: <http://metodosupera.com.br/artigos-sobre-o- cerebro/seu-cerebro-comanda-seu-sucesso/>. Acesso em: 03 jul. 2015. Zegarelli, Mark. Lógica para leigos. Rio de Janeiro, RJ: Alta Books, 2013. 384 p.:il; 24 cm. www.animaeducacao.com.br