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Modelo de desenvolviMento Nos países desenvolvidos, que compõem o centro da economia capitalista, como Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia, Austrália e vários países europeus, o crescimento econômico apoiado na produção industrial e na produtividade agrícola foi acompanhado, em certo período1, de melhorias nas condições de vida da população. Os governos desses países fizeram grandes investimentos em saúde e educação; implantaram mecanismos de distribuição de renda, com base na arrecadação de impostos e na elevação de salários; e reestruturaram gastos e investimentos com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais. No entanto, os impactos ambientais não fizeram parte da preocupação das políticas econômicas implantadas nesse grupo de países. A partir de meados do século XX, parte dos países em desenvolvimento seguiu o mesmo modelo de cresci- mento industrial, porém desvinculado dos benefícios sociais que a ele pode- riam estar associados. Desconsiderou- se, nesse grupo de países, que o desen- volvimento não deve se limitar ao bom desempenho da economia: conquistas sociais, culturais e ambientais devem ser contempladas nesse processo. Não foi diferente nos países socia- listas. O modelo de crescimento e do produtivismo industrial e agrícola, par- ticularmente na ex-União Soviética e em parte do Leste Europeu, estava presente nos países que adotaram o sistema socialista no século XX, com objetivo de se igualar aos padrões econômicos conquistados pelos países capitalistas mais desenvolvidos. Em todos os casos, as políticas econômicas orientadas no sentido de aumentar a produção colocaram em risco o equilíbrio da natureza. O atual padrão de crescimento econômico, quantificado pela produção de mer- cadorias e pela geração de serviços, exige dos sistemas naturais muito além de sua capacidade de renovação. Se a maioria da população mundial atingisse a mesma capacidade de consumo da população dos países desenvolvidos, a poluição seria insustentável e muitos dos recursos usados como matéria -prima e fonte de energia desaparece- riam em pouquíssimo tempo (figura 5). 1 A partir da década de 1930 – como reflexo da grande crise econômica mundial ocorrida em 1929 – e ao longo dos séculos XX e XXI, várias reformas foram realizadas nas políticas econômicas dos países desenvolvidos. Em muitos países, o estado de bem-estar social tem sido revertido com a adoção de medidas econômicas voltadas para a elevação da competitividade no mercado internacional, por meio da redução de impostos e, consequentemente, do menor investimento dos governos nas áreas sociais. Trata-se do modelo neoliberal, que será discutido no Volume 2 desta coleção. M A r L E N E B E r g A M O /F O L h A p r E S S Figura 5. Vista aérea de multidão na Marcha da Cúpula dos povos na Avenida rio Branco, no centro do rio de Janeiro (rJ), que fez parte do evento rio +20, organi- zado pela ONU (Organização das Nações Unidas), em 2012. 228 Unidade 5 | Natureza, sociedade e meio ambiente TS_V1_U5_CAP12_222-241.indd 228 5/7/16 1:30 PM 1. A Revolução Industrial pode ser considerada um marco para a questão ambiental. Explique a relação entre a Revolução Industrial e essa questão. 2. Leia os textos e responda às questões. Texto 1 “O primeiro ponto de transformação trazido pela Revolução Industrial, com reflexos no meio ambiente, foi a relação entre o homem e a natureza. O pro- gresso trazido pelas máquinas fez emergir um novo conceito de progresso, no qual a aceleração é valori- zada, bem como a capacidade humana de se sobrepor aos ambientes naturais. Podemos encontrar também neste momento as raízes do consumismo que, hoje, é um dos principais obstáculos para a preservação do planeta, sobretudo nos países ricos. Lembremos: quanto mais consumo, mais indústrias!” Pensamento Verde. Disponível em: <www.pensamentoverde. com.br>. Acesso em: nov. 2015. Texto 2 “Há anos, sinaliza-se que a principal causa dos proble- mas sociais e ambientais são os padrões insustentáveis de produção e consumo. Mas a verdadeira revolução no cenário econômico mundial e o equilíbrio entre o poder produtivo e a preocupação com o impacto no meio ambiente dependem de diversos fatores. Nesse ponto, temos mais perguntas do que respostas. A primeira questão diz respeito a quem é o responsá- vel por criar novos padrões de consumo: o governo, as empresas ou os consumidores? Avaliando a condução dessas mudanças, percebe-se que as empresas já trabalham para oferecer aos con- sumidores produtos sustentáveis e que os próprios consumidores já buscam alternativas aos produtos tradicionais. No entanto, o consumo gera resíduos e sua administração ainda é tema de debates sobre a eficiência das políticas públicas. De um lado, a indústria geradora; do outro, o cliente/consumidor. Quem deve se responsabilizar pela correta destinação dos resíduos sólidos, incluindo embalagens, caixas e restos orgânicos?” Instituto Ethos. Disponível em: <www.ethos.org.br>. Acesso em: nov. 2015. a) Em que medida os dois textos convergem? b) Em que medida eles divergem? c) De acordo com o texto 2, qual problema ainda temos a resolver? Quem são os envolvidos nessa problemática? Faça no caderno 1. (Etec-SP 2015) A peça teatral O Reino das Futi- lidades, texto escrito por Berenice Gehlen Adams e Marina Strachman, discute a questão da moder- nização e do aumento do consumo de futilidades. O texto pretende despertar a consciência para a valorização dos recursos naturais e alertar o quanto somos induzidos a consumir em excesso. Sobre esse tema, podemos afirmar corretamente que a) a rapidez da inovação tecnológica não induz ao aumento de consumo, pois as mercadorias produ- zidas há mais tempo não conseguiriam ser vendi- das, levando a um colapso do mercado varejista. b) a ampliação do consumo não leva a uma crise ambiental, pois a quantidade de matérias-primas disponíveis no planeta aumenta na mesma pro- porção que a fabricação de produtos industriais. c) o desenvolvimento tecnológico não gera o aumento da vida útil dos produtos, levando a um aumento considerável da produção e a consequente dimi- nuição da retirada de matérias-primas da natureza. d) o aumento do consumismo não impacta o meio ambiente, uma vez que, ao realizarmos o descarte de um determinado objeto, o meio ambiente cuida para que este retorne à natureza, reiniciando o ciclo. e) ao praticar o consumismo, as pessoas não estão agindo coletivamente, pois não levam em conta o impacto que o consumo exagerado provoca sobre o meio ambiente, bem como suas consequências para o futuro da humanidade. 2. (UFG-GO 2004) O meio ambiente urbano dos países ricos apresenta problemas ambientais que mobili- zam a sociedade civil desses países. Esses proble- mas decorrem a) do consumismo aliado à grande produção de mercadorias. b) da vasta produção de lixo oriundo de embalagens de material plástico. c) do uso intenso de propaganda interferindo no efeito visual dos sítios urbanos. d) do uso dos produtos descartáveis articulados ao modismo veiculado pela mídia. e) do incentivo do poder público para a instalação de estabelecimentos industriais. 229capítulo 12 – Questão socioambiental e desenvolvimento sustentável TS_V1_U5_CAP12_222-241.indd 229 5/7/16 1:30 PM