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Língua Portuguesa - Interpretação de texto I
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto a seguir e julgue os itens da questão 126:
“Eiros
A leitora Elza Marques Marins me escreve uma carta divertida estanhando que “brasileiro” seja
o único adjetivo pátrio conhecido em “eiro” que, segundo ela, é um sufixo pouco nobre. Existem
suecos, ingleses e brasileiros, como existem médicos, terapeutas e curandeiros. (...)
É a diferença entre jornalista e jornaleiro ou entre músico ou musicista e roqueiro, timbaleiro ou seres-
teiro. Há o importador e há o muambeiro. “Se você começou como padeiro, açougueiro ou carvoeiro” –
escreve Elza – “as chances são mínimas de acabar como advogado, empresário, grande investidor ou
latifundiário, a não ser que se dê o trabalho de ser político antes”. Aliás, há políticos e politiqueiros. (...)”
VERÍSSIMO, Luís Fernando. Jornal do Brasil, 7/10/95.
126. UFMT
( ) Segundo a leitora, alguns morfemas funcionariam como indicadores de status.
( ) O jornalista apresenta argumentos que contrariam a hipótese levantada pela leitora.
( ) De acordo com o texto, suecos e ingleses estão para médicos e terapeutas, assim
como brasileiros estão para curandeiros.
( ) A teoria da leitora ganharia força, caso se recorresse ao par banqueiro/bancário.
( ) Na opinião da leitora de Veríssimo, o ciclo da pobreza poderia ser rompido por
meio da carreira política.
Texto para as questões 127 a 129.
“Disputam-se “play-offs”, atualmente, no campeonato nacional. “Play-off” é um termo importa-
do do basquete americano que ultimamente passou a integrar o repertório da crônica esportiva. A
Confederação Brasileira de Futebol, CBF, resolveu rotular as finais de “play-offs”, no regulamento do
atual campeonato, e os basbaques foram atrás. A história do futebol, no Brasil, é, entre outras
coisas, uma história de triunfo da língua portuguesa. O futebol, esporte inglês, introduzido por
ingleses no país, no início era jogado em inglês. Entrava, em campo não o goleiro, mas o “goalkee-
per” não o zagueiro, mas o “back”. A aclimatação deu-se às vezes por simples aportuguesamento
das palavras, como no “goal” que virou “gol”. Algumas poucas palavras inglesas ainda não caíram
em completo desuso, como “corner”, mas “corner” já está perdendo feio para “escanteio”.
O triunfo da língua reflete o triunfo o futebol. Mostra que o futebol se enraizou a tal ponto,
nestas terras, que o povo acabou por revesti-lo com o que tem de mais particular e íntimo, que é
o idioma. Eis que agora se tenta entregar o futebol de volta à língua inglesa – e, por cúmulo, não
à língua inglesa da Inglaterra, mas dos Estados Unidos, um dos únicos países do mundo que não
tem nada a ver com futebol, e com termos emprestados de outro esporte, o basquete. (...) Isto se
dá quando nem estão nos pedindo nada. Nós é que nos oferecemos, em virtude de irrefreável
impulso de submissão. Seria um caso incurável de carência de colonizador. Não, não compli-
quemos. Chamemos o fenômeno por seu nome. É bobeira mesmo.”
TOLEDO, Roberto Pompeu. Entre a assistência e o play-off. Veja, 09/12/1998, p. 198.
127. UFPE No texto, o autor admite que os brasileiros:
a) reagem contra todo tipo de submissão;
b) rompem, facilmente, com a cultura colonizadora;
c) acabaram por subverter, definitivamente, a imposição de estrangeirismos no campo
do futebol;
d) retrocederam na sua disposição de incorporar o vocabulário do futebol à língua portuguesa;
e) rejeitam influências do inglês europeu sobre o vocabulário do futebol.
128. UFPE Leia os enunciados abaixo, referentes às idéias expressas no texto.
1. O tema da submissão brasileira à cultura estrangeira foi abordado sob o ponto de vista
da prática esportiva.
2. A escolha de expressões como “um caso incurável de carência do colonizador” e “é
bobeira, mesmo” confere um tom de repreensão, embora um tanto jocoso, ao texto.
3. Coube à Confederação Brasileira de Futebol a adaptação dos termos ingleses à língua
portuguesa.
4. O texto demonstra que, ao longo de algum tempo, houve mudanças de atitude do
brasileiro em relação ao uso de termos estrangeiros no futebol.
Estão corretos apenas:
a) 1, 2 e 4. b) 1, 3 e 4. c) 1 e 3. d) 2 e 3. e) 2 e 4.
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129. UFPE Assinale a alternativa em que se faz uma afirmação inaceitável em relação aos
recursos gramaticais em negrito no texto.
a) Na expressão ‘outro esporte’, a palavra em negrito constitui um recurso de coesão
que relaciona o núcleo da expressão a ‘futebol’, referido anteriormente.
b) Nesse trecho, o pronome de 1ª pessoa do plural, ‘nós’, tem como referente os brasilei-
ros em geral.
c) Em “Seria um caso incurável de carência de colonizador”, o verbo ser, no futuro do
pretérito, indica que o autor preferiu não ser taxativo em sua apreciação.
d) O verbo ‘chamar’ encontra-se no modo subjuntivo, indicando que o autor não tem
certeza de que a ação possa realizar-se.
e) Na última oração do texto, ‘mesmo’ foi aí inserido para reforçar a avaliação do autor.
130. Uneb-BA Este exercício, refere-se também ao texto “A Janela e o Menino” (das ques-
tões de 110 a 113).
“Nesta triste masmorra,
de um semivivo corpo sepultura,
inda, Marília, adoro
a tua formosura.
Amor na minha idéia te retrata;
busca, extremoso, que eu assim resista
à dor imensa, que me cerca e mata.
Quando em meu mal pondero,
então mais vivamente te diviso:
vejo o teu rosto e escuto
a tua voz e riso.
Movo ligeiro para o vulto os passos:
eu beijo a tíbia luz em vez de face,
e aperto sobre o peito em vão os braços.”
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu.
São Paulo: Círculo do Livro, s/d. p. 127.
Relacionando-se as situações vividas pelo menino do texto de Carlos Heitor Cony e pelo
eu-lírico do poema de Tomás Antônio Gonzaga, constata-se que:
a) ambos se sentem aprisionados e tristes;
b) os dois se mostram desiludidos em face da impossibilidade de amar;
c) um e outro sofrem pela incapacidade de romper as barreiras que os isolam do mundo;
d) a condição do menino é fruto de sua opção existencial, enquanto a do sujeito poético
é resultado de uma imposição circunstancial;
e) o menino vivencia uma experiência de opressão social; já o eu-lírico se sente subjuga-
do pela tirania do amor.

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