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Língua Portuguesa - Realismo/ Naturalismo IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 11 33. Uneb-BA “Rita, essa noite, recolhera-se aflita e assustada. Deixara de ir ter com o amante e mais tarde admirava-se como fizera semelhante imprudência; como tivera coragem de pôr em prática justa- mente no momento mais perigoso, uma coisa que ela, até aí, não se sentira com ânimo de prati- car. No íntimo respeitava o capoeira; tinha-lhe medo. Amara-o a princípio por afinidade de tempe- ramento, pela irresistível conexão do instinto luxurioso e canalha que predominava em ambos, depois continuou a estar com ele por hábito, por uma espécie de vício que amaldiçoamos sem poder largá-lo; mas desde que Jerônimo propendeu para ela, fascinando-a com a sua tranqüila seriedade de animal bom e forte, o sangue da mestiça reclamou os seus direitos de apuração, e Rita preferiu no europeu o macho da raça superior. O cavouqueiro, pelo seu lado, cedendo às imposições mesológicas, enfarava a esposa, sua congênere, e queria a mulata, porque a mulata era o prazer, era a volúpia, era o fruto dourado e acre destes sertões americanos, onde a alma de Jerônimo aprendeu lascívias de macaco e onde seu corpo porejou o cheiro sensual dos bodes.” AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: FTD, 1993. p. 169. (Coleção Grandes Leituras). Considerando-se o fragmento transcrito no contexto de O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, pode-se afirmar: a) Jerônimo representa, para Rita, a possibilidade de ascensão social. b) Os personagens do texto são enfatizados em seus traços psicológicos. c) O relacionamento de Rita Baiana com Firmo fundamenta-se no respeito mútuo. d) Rita e Jerônimo são personagens que sofrem os efeitos do determinismo socioeconô- mico. e) O narrador, ao justificar a atração de Rita por Jerônimo, evidencia uma visão precon- ceituosa. Texto para as questões 34 e 35: “Amanhecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia de abril. Muita luz e pouco calor. As tinas estavam abandonadas; os coradouros despidos. Tabuleiros e tabuleiros de roupa engo- mada saíam das casinhas, carregados na maior parte pelos filhos das próprias lavadeiras. (...) Mulheres ensaboavam os filhos pequenos debaixo da bica, muito zangadas, a darem-lhes murros, a praguejar, e as crianças berravam, de olhos fechados, esperneando. (...) Os papagaios pareciam também mais alegres com o domingo e lançavam das gaiolas frases inteiras, entre gargalhadas e assobios. (...) Dentro da taverna, os martelos de vinho branco, os copos de cerveja nacional e os dois vinténs de parati ou laranjinha sucediam-se por cima do balcão, passando das mãos do Domingos e do Manuel para as mãos ávidas dos operários e dos trabalhadores, que os recebiam com estrondosas exclamações de pândega. A Isaura, que fora num pulo tomar o seu primeiro capilé, via-se tonta com os apalpões que lhe davam.” AZEVEDO, Aluísio. O Cortiço. São Paulo: Klick, 1997. p. 48-9. (Coleção Ler é Aprender) 34. F. Católica de Salvador-BA É uma característica naturalista evidenciada no texto: a) Prevalência dos meios sobre os fins. b) Denúncia das desigualdades sociais. c) Preferência por grupos sociais marginalizados. d) Ênfase na satisfação de necessidades instintivas. e) Similaridade entre o comportamento humano e o instinto animal. 35. PUC-RS A expressão ficcional machadiana pode ser dividida em duas fases. Na segunda delas, ……… e ……… constituem o eixo temático que conduz obras como ……… . a) ironia pessimismo Memórias Póstumas de Brás Cubas b) traição idealização Dom Casmurro c) desconfiança traição Helena d) pessimismo desconfiança Ressurreição e) idealização ironia Esaú e Jacó Língua Portuguesa - Realismo/ Naturalismo IM PR IM IR Voltar GA BA RI TO Avançar 12 INSTRUÇÃO: Para responder às questões de 36 a 38, ler o texto que segue. “E aquilo se foi constituindo numa grande lavanderia, agitada e barulhenta, com as suas cercas de varas, as suas hortaliças verdejantes e os seus jardinzinhos de três e quatro palmos, que apare- ciam como manchas alegres por entre a negrura das limosas tinas transbordantes e o revérbero das claras barracas de algodão cru, armadas sobre lustrosos bancos de lavar. E os gotejantes jiraus, cobertos de roupa molhada, cintilavam ao sol, que nem lagos de metal branco. E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a mi- nhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.” 36. PUC-RS A expressão sublinhada no texto exemplifica uma característica do romance ………, que é ……… . a) realista o descritivismo exaustivo b) naturalista o determinismo do meio ambiente c) pré-modernista a crítica social desvelada d) naturalista a patologia das personagens e) realista o determinismo da hereditariedade INSTRUÇÃO: Para responder à questão 37, analisar as afirmativas que seguem, sobre o texto. I. Mostra a formação de aglomerados humanos em um centro urbano. II. Retrata a vida de seres que habitam ambientes degradados. III. Compara a vida humana à vida animal. IV. Expressa uma visão saudosista em relação à vida. 37. PUC-RS Pela análise das afirmativas, conclui-se que está correta a alternativa: a) I. b) II. c) II e III. d) III e IV. e) I, II e III. 38. PUC-RS No texto: a) o individual prevalece sobre o coletivo. b) o tempo não se apresenta em uma seqüência linear. c) a visão do mundo aparece influenciada pelo determinismo biológico. d) a análise do comportamento humano marca a condução da narrativa. e) a descrição do mundo objetivo predomina sobre os elementos narrativos. 39. Emescam-ES O Realismo e o Naturalismo, estilos de época contemporâneos na literatura brasileira, têm características que os aproximam e características que os distinguem. Das opções abaixo, há uma que não é verdadeira. Isso ocorre em: a) Enquanto o Realismo tende para uma visão biológica do homem, o Naturalismo tem uma acentuada tendência e preferência por temas da patologia social. b) O Naturalismo considera o homem uma máquina guiada pela ação das leis químicas e físicas e pela hereditariedade. c) Os personagens, tanto das obras realistas, quanto das obras naturalistas, são tipos con- cretos, vivos, frutos da observação. d) Os autores realistas e naturalistas privilegiam em suas obras a descrição, em vez da narração. e) Os autores realistas e naturalistas preferem retratar, em suas obras, a vida contemporâ- nea, a sua época, a retratar o passado.