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ParTE i Estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual 1 ApreNDiZAGem orGANiZAcioNAL: umA estrAtÉGiA pArA muDANÇA? Claudia Cristina Bitencourt inTrOdUÇãO O longo (e infinito) caminho visando a uma melhor performance é tri- lhado individualmente pelas empresas na busca de um alvo móvel, ou seja, as metas e resultados a serem atingidos estão em acelerado e constante processo de aperfeiçoamento (Bitencourt, 1995). Neste contexto, “[...] a mudança de comportamento é considerada o critério primordial para o desenvolvimento efetivo de pesquisadores e praticantes” (Argyris, 1992, p. 7), isto é, a apren- dizagem torna-se realidade a partir da constatação de mudanças no compor- tamento, seja em nível do indivíduo ou da organização. Conforme Marquardt (1996), para ser bem-sucedida na promoção de rápidas mudanças, a organi- zação deve ter a capacidade de aprender continuamente a partir de suas expe- riências e de traduzir este conhecimento em práticas que contribuam para um melhor desempenho. Assim, a capacidade de aprender é encarada como um grande diferencial sustentável a ser perseguido pelas empresas. A aprendizagem organizacional traz uma nova proposta em termos de mudança – ênfase no processo em detrimento ao produto, ou seja, não é con- OOOObjetivos deaprendizagem compreender a mudança organizacional como um processo necessário para odesenvolvimento das pessoas e das organizações. conhecer os principais autores e ideias relacionadas à aprendizagem organizacional e à organização de aprendizagem, sabendo diferenciar as duas abordagens. identifi car situações de aprendizagem em práticas de trabalho através da análise do estudo de caso proposto. conhecer os benefícios e as difi culdades de aplicar estratégias de aprendizagem nas organizações. Ver mAteriAL No cD 18 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual cebível a ideia de programas ou de modelos pré-concebidos desprovidos de uma contextualização ou que não respeitem a individualidade e a realidade de cada organização (especificidade). Nesse sentido, o que faz a diferença em um processo de mudança é a forma com que essa mudança é concebida e implementada, ficando em segundo plano o programa adotado. Acredita-se que empresas que possuam o “germe do conhecimento” (Fleury, 1994) sejam capazes de se adaptar mais rapidamente às constantes transformações que são realidade nos dias atuais por estarem constantemente em processo de aprendizagem (mudança). Tendo como base a aprendizagem, as organizações desenvolvem uma pos- tura mais flexível, onde o erro é visto como uma experiência positiva e como oportunidade na construção do conhecimento. Portanto, torna-se fundamental que as organizações aprendam a aprender, ou seja, que a partir de uma mudan- ça de mentalidade, atitude e percepção elas aprendam a construir novos cami- nhos baseados na “aquisição, disseminação e interpretação de informações que são a base para a construção de uma learning organization” (para nós, traduzida como organização de aprendizagem) (Slater; Narver, 1995). O conceito de organização de aprendizagem1, conforme Garvin (1992) refere-se a “[...] organizações capacitadas em criar, adquirir e transferir co- nhecimentos e em modificar seus comportamentos para refletir estes novos conhecimentos e insights”. O conceito abordado centraliza-se na visão interna da organização (am- biente interno). Para esta análise, prevalecem as práticas organizacionais que são construídas conforme a cultura e o clima organizacional da empresa. As- sim, fatores como espírito empreendedor, orientação para mercado, estrutura orgânica, liderança, estratégia descentralizada, entre outros, são de importân- cia fundamental nesta configuração. O tema será discutido no decorrer do capítulo por tratar-se de uma ten- dência e por ser uma prática observável em qualquer tipo de organização, ainda que se trate de um processo informal. Por tratar-se de uma abordagem que inclui diversas correntes e formas de pensar, tornam-se necessários alguns esclarecimentos e reflexões sobre sua necessidade e viabilidade. a aPrEndizagEM naS OrganizaÇõES A aprendizagem organizacional pode ser considerada uma resposta alter- nativa às mudanças enfrentadas pelas empresas, pela qual se busca desenvol- ver a capacidade de aprender continuamente a partir das experiências orga- nizacionais e traduzir estes conhecimentos em práticas que contribuam para um melhor desempenho, tornando a empresa mais competitiva. Para tanto, a aprendizagem organizacional tem como pressuposto básico o desenvolvimento contínuo de estratégias e de procedimentos para que se atinja melhores resulta- dos contando com a participação efetiva das pessoas no processo de aquisição e disseminação de conhecimento, fato esse que se relaciona diretamente à ques- tão do desenvolvimento de habilidades e atitudes (Bitencourt, 2001). Por este motivo, o tema é retomado nesta seção, buscando esclarecer al- guns conceitos e práticas tendo em vista a multiplicidade de enfoques. Assim, 19Aprendizagem organizacional pretende-se esclarecer alguns aspectos conceituais, diferenciar as abordagens aprendizagem organizacional e organização de aprendizagem e levantar algu- mas reflexões e contradições sobre o tema. a noção de aprendizagem organizacional – aspectos esclarecedores Quando o assunto é aprendizagem organizacional, a questão inicial refe- re-se ao conceito de aprendizagem: [...] um processo pelo qual adquirimos experiências que nos levam a au- mentar a nossa capacidade, que nos levam a alterar disposições de ação em relação ao ambiente, que nos levam a mudança de comportamento. Pode-se dizer ainda que a aprendizagem seria uma modificação relativa- mente permanente na disposição ou na capacidade do homem, ocorrida como resultado de sua atividade e que não pode ser simplesmente atri- buída ao processo de crescimento e maturação ou a outras causas como doença, mutações genéticas etc. (Bordanave apud Boog, 1995, p. 239). Destaca-se, nesse conceito, a importância da vivência e da ação, isto é, de vivenciar experiências e oportunizar a mudança de comportamento, e não, apenas de adquirir conhecimentos. Apesar de a literatura referente ao tema ser vasta e crescente, existe muita discordância em relação ao que é e como ocorre a aprendizagem. Con- forme Dodgson (1993, p. 376-377), “os economistas tendem a ver a aprendi- zagem como simples melhorias quantificáveis nas atividades ou como formas abstratas e definidas vagamente como resultados positivos”. A ênfase, para este grupo, recai sobre a quantificação de resultados. Para os administradores, contudo, a aprendizagem pode ser vista como a base para uma “vantagem competitiva sustentável”, e a literatura aborda o tema como uma estratégia inovadora eficiente. Os psicólogos, por sua vez, encaram a aprendizagem exa- minando o processo, ou seja, a “maneira como as organizações constróem e organizam seus conhecimentos e suas rotinas, observando suas atividades e cultura organizacional, e adaptando e desenvolvendo a eficiência organizacio- nal por meio da melhoria de habilidades em relação à força de trabalho”. Uma abordagem interessante seria a integração dessas visões interdisciplinares. Stata (apud Wick; León, 1996, p. 128) destaca pelo menos dois pontos básicos que fazem a diferença: Primeiro, o aprendizado organizacional ocorre por meio de insights, co- nhecimento e modelos mentais compartilhados[...] A mudança fica blo- queada a menos que todos os principais tomadores de decisão aprendam juntos, venham a compartilhar crenças e metas, e empenhem-se em tomar as providências necessárias para mudar. Em segundo lugar, o aprendizado assenta-se no conhecimento e na experiência passados – ou seja, na me- mória. A memória organizacional depende de mecanismos institucionais (por exemplo, políticas, estratégias e modelos explícitos) usados para re- ter o conhecimento[...] O desafio, portanto, é descobrir novasferramen- 20 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual tas e métodos de gestão para acelerar o aprendizado organizacional, criar consenso para a mudança e facilitar o processo de mudança. Acredita-se ser relevante neste momento discorrer sobre o tema organiza- ção de aprendizagem (learning organization) para, posteriormente, diferenciá-lo de aprendizagem organizacional (organizational learning). É importante desta- car, entretanto, que a maioria dos autores apresentados transita por um e outro lado dessa polêmica. Em outras palavras, existem autores que, embora defen- dam a organização de aprendizagem (learning organization) em suas exposições e construções, acabam necessariamente passando pela aprendizagem organiza- cional (organizational learning). Retomaremos este assunto na seção seguinte. Na tentativa de compreender melhor e de resgatar a essência da organi- zação de aprendizagem, pode-se destacar que se trata de um lugar onde ocor- re um aprendizado humano de alta qualidade. Mais que isso, é uma espécie de sistema social diferente daquele vislumbrado pelo conceito dominante da te- oria organizacional. Conforme Vaill (1996, p. 64), “a organização que apren- de não se movimenta com má vontade de um estado para outro enquanto o mundo muda à sua volta. Como está aprendendo constantemente, ela está permanentemente fora de seu estado estável”. Portanto, a questão da tensão criativa é fundamental para a construção de modelos desse tipo. Weick e Westley (apud Clegg; Hardy; Nord, 1999) diferenciam uma or- ganização de aprendizagem de uma organização comum destacando que o diferencial de uma organização de aprendizagem é a sua capacidade de con- frontar o que a história da organização mostra com a história de desordem na qual a realidade perigosamente é mascarada, sendo sinônimo de segurança e ordem. Portanto, a questão da reflexão vem à tona questionando constante- mente as práticas vigentes na organização, onde o controle assume um novo significado e a ordem e a desordem ocupam o mesmo espaço organizacional. O paradoxo passa a ser tratado como uma questão de busca do equilíbrio, e não mais de polos opostos. A questão dos paradoxos é retomada na seção Im- plicações e reflexões acerca da aprendizagem organizacional. Partindo de um conceito mais genérico e simplificado, Senge (apud Ray; Rinzler, 1993, p. 125) destaca que “uma organização capaz de atuar de ma- neira ativa e produtiva que continuamente aprimora sua capacidade está na condição de aprendizado”. Na tentativa de complementar a questão, apresen- ta-se, no Quadro 1.1, a configuração de uma organização de aprendizagem baseada na proposta de Swieringa e Wierdsma (1992). As características distintivas têm a seguinte função dentro da organiza- ção de aprendizagem: Estratégia – orientação por uma missão de forma ativa, utilizando o racio cí nio e a intuição na busca do desenvolvimento contínuo. Estrutura – formação de equipes fl exíveis, tendo em vista as necessidades do mer- cado e do produto, descentralizando suas atividades e mesclando as tarefas entre os membros de staff e de linha, sendo a coordenação mantida por meio de discus- são, buscando construir redes orgânicas. 21Aprendizagem organizacional Cultura – predomínio de fl exibilidade, criatividade e focalização na reso lu ção de problemas, tendo em vista a orientação às tarefas. Sistemas – predomínio da informação para refl exão (questionamentos sobre o sis- tema), para atuação (adaptabilidade ao sistema) e para trabalho com o complexo, tendo em vista a formação de sistemas de apoio. QUadrO 1.1 CaraCTErÍSTiCaS diSTinTiVaS da OrganizaÇãO dE aPrEndizagEM estratégia Desenvolvimento contínuo estrutura redes orgânicas cultura cultura orientada para as tarefas2 sistemas sistemas de apoio fonte: swieringa e Wierdsma (1992, p. 79) A característica, e também a dificuldade básica, que permeia as orga- nizações de aprendizagem centraliza-se no “aprender a aprender”. As or- ganizações, quando aprendem a aprender, desenvolvem uma postura mais flexível, em que o erro é visto como uma experiência positiva e uma oportu- nidade na construção de um novo conhecimento. Portanto, torna-se funda- mental a mudança de mentalidade, atitude e percepção visando a construir novos caminhos baseados na “[...] aquisição, disseminação e interpretação de informações que são a base para a construção de uma learning organiza- tion” (Slater; Narver, 1995). Conforme Swieringa e Wierdsma (1992, p. 77), “[...] em essência, as organizações que aprendem são capazes, não somente, de aprender, mas também de aprender a aprender. Em outras palavras, não só podem tornar-se competentes mas também manter-se assim”. Segundo Morgan (1996, p. 91), “[...] trata-se de uma habilidade de autoquestiona- mento e auto-organização”. Para tanto, torna-se fundamental que se mude o sistema de pensamento da organização (conforme Hamel e Prahalad, 1995, “pensar diferente”), para que o primeiro passo seja “aprender a acreditar” (Mariotti, 1995). Alguns autores afirmam que para mudar o sistema de pensamento em uma organização torna-se necessário desaprender. Para Hamel e Prahalad (1995, p. 71), trata-se de esquecer o passado. Segundo os autores, [...] o que impede as empresas de criar um futuro é uma base instalada de ideias – as convenções inquestionáveis, a visão míope das oportunidades e ameaças e os precedentes não desafiados que constituem a estrutura gerencial existente. 22 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual Trata-se dos modelos mentais que, segundo Senge3 (1990, p. 201), “[...] são imagens internas profundamente arraigadas sobre o funcionamento do mundo, imagens que nos limitam a formas bem conhecidas de pensar e agir”. Para Hedberg (apud Nonaka; Takeuchi, 1997), o desaprender refere-se a questionamento e reconstrução das perspectivas existentes, das estruturas conceituais de interpretação ou das premissas decisórias, ou seja, trata-se do aprendizado em duplo circuito (Argyris, 1992), conceito abordado posterior- mente. Marquardt (1996, p. 136) afirma que “[...] as organizações que apren- dem criam o conhecimento a partir da revisão sistemática de suas experiências passadas de sucesso e fracasso e transferem e relembram estes aprendizados para tirarem o benefício máximo da situação”. Pereira e Fonseca (1997, p. 252), afirmam que “[...] desaprender é condição para reaprender, para mu- dar, para transformar a nós e ao mundo. Implica fazer novas escolhas, tomar decisões”. Talvez seja possível considerar a questão do “desaprender” em uma perspectiva de longo prazo, tratando-se de uma fase fundamental dentro de um processo de aprendizagem e de melhoria contínua. Paradoxalmente, as rupturas desencadeadas pelo “desaprender” podem ser compreendidas como etapas de um processo de melhoria contínua. Os conceitos relacionados à aprendizagem organizacional e às organizações de aprendizagem Na tentativa de contribuir com o entendimento sobre a aprendizagem no contexto organizacional, resgataremos as suas principais correntes. O quadro conceitual apresentado traz à tona a questão da multiplicidade de enfoques em relação ao tema. Neste sentido, alguns autores focam mais a questão do processo de aprendizagem (organizational learning), como Argyris (1992), Kim (1993), Vaill (1996), Nonaka e Takeuchi (1997), Kolb (1971), Probst e Büchel (1997), enquanto outros, o produto da aprendizagem (lear- ning organization), como Senge (1990), Morgan (1996), Garvin (1993), Mar- quardt (1996) e Swieringa e Wierdsma (1992). Entretanto, como destacado anteriormente, esses autores, apesar de sua ênfase, transitam por ambas as abordagens. É importante observar a diferença entre os termos aprendizagem orga- nizacional e organização de aprendizagem que, muitas vezes, são utilizados indiscriminadamente. Quando a referência é a organização de aprendizagem, o foco refere-se a questionamentos do tipo “o que” e descreve os sistemas,princípios e características da organização que aprende como uma entidade coletiva (perspectiva descritiva). A aprendizagem organizacional, por sua vez, refere-se ao “como” a aprendizagem na organização acontece, isto é, às habilidades e aos processos de construção e utilização do conhecimento (perspectiva processual). Segun- do Marquardt (1996, p. 19), a “aprendizagem organizacional é uma das di- mensões ou elemento da organização de aprendizagem”. 23Aprendizagem organizacional QUadrO 1.2 COnCEiTOS E ênFaSES da aPrEndizagEM OrganizaCiOnaL autores Conceito ênfase4 1. peter senge “Lugar onde as pessoas expandem continuamente sua metanoia (mudança (1990, p. 11). capacidade de criar os resultados que realmente desejam, de mentalidade), onde surgem novos e elevados padrões de raciocínio, cinco disciplinas onde a aspiração coletiva é liberada e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender em grupo”. 2. chris Argyris “Aprendizagem organizacional é um processo de rotinas defensivas e (1992, p. 132). detectar e corrigir erros. o erro é visto como um desvio ciclos de cometido entre nossas intenções e o que de fato ocorreu”. aprendizagem 3. Gareth morgan “organizações são sistemas de processamento de organizações como (1996, p. 84). informações capazes de aprender a aprender”. cérebro e organização holográfica 4. David Garvin “organizações capacitadas em criar, adquirir e transferir técnicas de qualidade (1993, p. 80). conhecimentos e em modificar seus comportamentos total para refletir estes novos conhecimentos e insights”. 5. Daniel Kim “Aprendizagem organizacional é definida como Aprendizagem (apud starkey, incremento na capacidade de tomar ações efetivas”. operacional e 1997). conceitual 6. peter Vaill “Aprendizado organizacional é uma jornada exploratória Liderança e cultura (1996, s/n). que corrige seu curso à medida que prossegue”. 7. marquardt “organizações de aprendizagem são empresas que estão estratégias de (1996, p. 230 e p. 2). continuamente se autotransformando utilizando tecnologia, mudança e de empowerment e expandindo o aprendizado para melhor comprometimento se adaptarem e terem sucesso em um ambiente mutável”. 8. Nonaka e “A internalização é o processo de incorporação do Apropriação e takeuchi conhecimento explícito no conhecimento tácito. disseminação do (1997, p. 77). É intimamente relacionada ao aprender fazendo. conhecimento; Quando são internalizadas nas bases do conhecimento conhecimento tácito dos indivíduos sob a forma de modelos mentais ou explícito e tácito know how técnico compartilhado, as experiências através da socialização, externalização e combinação tornam-se ativos valiosos”. 9. Kolb (apud “A capacidade de aprender, nos níveis individual e Aprendizagem starkey, 1997, organizacional, é a base da capacidade de se adaptar às vivencial p. 312). circunstâncias em constante mudança e de dominá-las; essa capacidade é, portanto, a base da estratégia eficaz”. 10. swieringa e “trata-se de uma organização edificada em torno de mudança Wierdsma (1992, processos cooperativos, na qual as pessoas aprendem organizacional, níveis p. 28 e p. 162). mediante a cooperação e cooperam para aprender de aprendizagem e coletivamente”. competências (continua) 24 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual Destaca-se que, para este trabalho, interessam os conceitos relacionados à aprendizagem organizacional (organizational learning). Assim, tomando como base os conceitos apresentados anteriormente e a reflexão a partir da dos trabalhos desenvolvidos nesta área, observa-se que existem alguns pontos básicos referentes ao conceito de aprendizagem organizacional: processo (em termos de continuidade). transformação (baseado na mudança de atitude). Grupo (enfatizando o coletivo). criação e refl exão (sob a ótica da inovação e da conscientização). Ação (apropriação e disseminação do conhecimento, tendo como referência uma visão pragmática). Tendo em vista o desenvolvimento de competências gerenciais, os au- tores que mais se dedicam a esta questão são Kolb (1971), Senge (1990), Argyris (1992), Swieringa e Wierdsma (1992) e Nonaka e Takeuchi (1997). No contexto da aprendizagem, é importante destacar a necessidade de compartilhar insights, conhecimentos, crenças e metas para que o coletivo pre- valeça e a organização aprenda, isto é, para que a empresa construa sua pró- pria realidade e memória, as quais servirão de base para aprendizados futuros. Neste momento, a aprendizagem individual é transformada em coletiva, e o conhecimento individual é incorporado às práticas organizacionais. QUadrO 1.2 COnCEiTOS E ênFaSES da aPrEndizagEM OrganizaCiOnaL (Continuação) autores Conceito ênfase 11. DiBella e Nevis a) “A aprendizagem organizacional somente a) perspectiva (1998, p. 4) acontece tendo em vista uma série de condições”. normativa b) “A organização de aprendizagem representa um b) perspectiva de estágio avançado de desenvolvimento organizacional”. desenvolvimento c) “A aprendizagem é inata a todas as organizações, e c) perspectiva de não existe uma melhor forma de fazer uma capacitação organização aprender”. 12. easterby-smith “A aprendizagem organizacional necessariamente Análise de autores et al. (1999, p. 137) conduz a organização de aprendizagem, e a organização reconhecidos, de aprendizagem, por sua vez, resulta de um processo refl exões, sínteses, prévio de aprendizagem organizacional”. questionamentos. 13. probst e Büchel “Aprendizagem organizacional é a habilidade de uma conhecimentos, (1994, p. 167) instituição em descobrir erros e corrigi-los, mudando a valores, mudança. base de conhecimento e valores para que novas habilidades em solucionar problemas e novas capacidades através da ação sejam possíveis”. fonte: Bitencourt, 2001 25Aprendizagem organizacional Finalizando esta seção, destacam-se algumas ideias básicas que se refe- rem ao que não é aprendizagem, na tentativa de esclarecer os conceitos apre- sentados anteriormente. Conforme Marquardt (1996, p. 9), [...] aprendizagem não consiste em separar as atividades que ocorrem antes ou mesmo durante as atividades diárias no trabalho e expô-las em aulas eventuais. Nem é uma atividade reservada ao grupo gerencial [...]. O comportamento que define a aprendizagem são aqueles que definem a produtividade. Assim, a aprendizagem é o coração da atividade produti- va. Simplificando, aprendizagem é a nova forma de trabalho. a PrOPOSiÇãO dE UM FraMEwOrK BaSEadO na aPrEndizagEM: da inTUiÇãO à inSTiTUCiOnaLizaÇãO Mary M. Crossan, Henry W. Lane e Roderick E. White, da Richard Ivey School of Business, publicaram em 1999 um artigo bastante interessante no Academy of Management Review, um dos mais respeitáveis periódicos na área de gestão. Os autores sugerem um modelo para trabalhar o processo de apren- dizagem nas organizações, os 4 Is. A proposta baseia-se na ideia de integrar a aprendizagem nos diferentes níveis: indivíduos, grupo e organização. Os 4 Is estão relacionados a um processo integrado que é alimentado seguindo duas vias: feedback e feed-foward; em outras palavras, trata-se de uma via de mão dupla, onde tanto o retorno quanto o ponto de partida são fundamentais para a compreensão do modelo. Os 4 Is representam as iniciais dos elementos centrais do modelo: intui- ção, interpretação, integração e institucionalização. A intuição refere-se a um processo de aprendizagem individual, já que é um atributo humano, e não, organizacional. A interpretação, seguindo a mesma lógica da intuição, também é um processo de aprendizagem individual que privilegia o refinamento e o desenvolvimento de insights intuitivos. Este processo pode ocorrer de maneira individual, mas é mais rico se instigado por um processo interativo. A integração, por sua vez, dedica-se à compreensaõ da mudança e às ações, focalizando a ação coletiva. Trata-se de um processo de desenvolvimentoda compreesnão compartilhada, onde o diálogo e a ação conjuntos exercem um papel fundamental. E, finalmente, a institucionaliza- ção refere-se a um processo de absorção de aprendizagem individual e grupal no intuito de formalizar e disseminar o aprendizado na organização. Portanto, focaliza ações rotineiras, definição de tarefas e mecanismos organizacionais. O Quadro 1.3 sintetiza os 4 Is e o foco da aprendizagem: indivíduo, gru- po, organização. As implicações do modelo apresentado sugerem importantes reflexões sobre o processo de aprendizagem organizacional. Neste sentido, a aprendi- zagem organizacional é mais que a transferência de informações ou de co- nhecimentos. Ela privilegia ações que envolvem os indivíduos e grupos num processo de apropriação por parte da organização das aprendizagens signi- ficativas. 26 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual iMPLiCaÇõES E rEFLExõES aCErCa da aPrEndizagEM OrganizaCiOnaL A aprendizagem organizacional implica o desenvolvimento de novas e di- versas interpretações de eventos e situações (Fiol, 1994). Esta seção busca levan- tar algumas considerações sobre paradoxos e aparentes contradições envolvidas nessa abordagem. Destaca-se que “[...] as concordâncias e discordâncias são im- portantes para a incorporação de esforços inovativos” (Fiol, 1994, p. 403). A questão da divergência e da convergência – A base para a aprendizagem organi- zacional é a aquisição de informações diversas e, também, a visão comum. Assim, a convergência e a divergência de signifi cados é importante para essa construção (fiol, 1994). unifi cação e diversidade – É necessário estabelecer trade-off s no processo de apren- dizagem, ora privilegiando a unifi cação, ora a diversidade. conforme fiol (1994, p. 403), “[...] a única forma de alcançar ambos é enfatizando cada um deles em um determinado momento”. compartilhamento de signifi cado não é necessariamente uma ação organizada – o signifi cado não é construído de maneira unidimensional, ele enfatiza múltiplas dimensões. conforme fiol (1994, p. 405), “[...] o signifi cado reside no conteúdo da comunicação que por sua vez refl ete categorias do que é expresso”. modelos incrementais e radicais de aprendizagem – Ambos os conceitos são de importância signifi cativa para a aprendizagem, embora a teoria tenda a enfatizar o valor incremental (miner; mezias, 1996). A questão da descrição ou prescrição – Através de dois questionamentos pode- se compreender a questão: como as organizações aprendem (foco no processo)? como as organizações deveriam aprender (foco nos resultados)? A primeira ques- tão enfatiza a abordagem descritiva (organizational learning), enquanto a segunda refere-se à prescritiva (learning organization). Ambas são possíveis e dependem ex- clusivamente dos propósitos e orientações sobre a aprendizagem organizacional (easterby-smith et al., 1998). Aprendizagem envolve criação contínua ou sistemática? – A natureza da apren- dizagem organizacional depende, em parte, do que se considera a “essência da organização” (easterby-smith et al., 1998). uma das possibilidades é enxergar a or- ganização como um sistema, focalizando os canais e fl uxos de informações e o fe- edback. por outro lado, ao se conceber a organização como uma criação contínua, o foco transfere-se para construção de signifi cados, comunicação, histórias, mitos, poder formal e informal (easterby-smith et al., 1994). QUadrO 1.3 PrOCESSO 4 is E nÍVEL dE aPrEndizagEM Processo – 4 is nível de aprendizagem intuição indivíduo interpretação indivíduo integração Grupo institucionalização organização 27Aprendizagem organizacional A aprendizagem organizacional considera que as aparentes contradições ou respostas únicas são apenas uma forma restrita de enxergar a realidade. Existe uma multiplicidade de interpretações e de possibilidades para se cons- truir a abordagem em questão. Se, por um lado, isso é tranquilizador por mostrar que a realidade não é única, por outro, gera inseguranças e incerte- zas, principalmente com base na visão positivista que tende a gerar ou buscar respostas absolutas. O paradoxo reside no fato de que aspectos aparentemente opostos são complementares. aS COMUnidadES dE PráTiCa E a ênFaSE na aPrEndizagEM inFOrMaL A expressão comunidades de prática foi criada por Etienne Wenger e Jean Lave, em 1987, no Institute for Research on Learning, Palo Alto, Califórnia. De lá pra cá, o tema vem sendo incorporado à área de gestão como uma al- ternativa para trabalhar a aprendizagem organizacional, valorizando aspectos voltados à informalidade e a questões que envolvem a emoção. A base para a formação de uma comunidade de prática está no desejo de aprender e de compartilhar o conhecimento tácito, seguindo uma abordagem social na busca e na construção do conhecimento. Para Wenger, McDermott e Snyder (2002), a comunidade de prática en- volve basicamente quatro elementos centrais: domínio, significado, comunida- de e prática. Conforme o autor, “[...] o domínio cria uma base comum e a iden- tidade. Uma boa definição do domínio legitima a comunidade afirmando o propósito e os valores de seus membros e stakeholders” (Wenger; McDermott; Snyder, 2002, p. 27). O domínio refere-se à área de conhecimento que reúne a comunidade, representa a sua identidade e define os assuntos fundamentais a serem conduzidos pelo grupo. Esse domínio, por sua vez, favorece a constru- ção do significado ou do sentido que é atribuído à comunidade, representando a forma com que ela própria se reconhece. A comunidade representa a própria estrutura social que é formada por seus membros, podendo esta ser formal ou informal. A prática, por sua vez, representa o caráter pragmático das comuni- dades voltadas a ações concretas. Em síntese, as comunidades de prática podem ser consideradas uma fer- ramenta de gestão para a construção do conhecimento que se dá de forma natural nas relações sociais estabelecidas no ambiente de trabalho. Portanto, uma das características básicas das comunidades de prática é a sua origem nas relações informais. Entretanto muitas organizações, percebendo o potencial destas relações, começam a formalizar algumas práticas organizacionais para estimular o desenvolvimento das comunidades de prática. Nesse ponto, é im- portante buscar o equilíbrio entre a formalização das comunidades sem que estas percam uma de suas características mais apreciáveis: a informalidade nas relações que são estabelecidas. Cabe a cada organização encontrar um caminho que respeite essa complementaridade entre formal e informal respei- tando cultura, valores, história e práticas organizacionais. Como resultado, as comunidades podem favorecer a consolidação de es- tratégias e de competências por buscar a melhoria contínua e novos conheci- 28 parte i – estratégias para o desenvolvimento organizacional e individual O desenvolvimento de organizações de aprendizagem teve origem nos trabalhos de Peter Senge (1990), isto é, nas cinco disciplinas descritas a seguir. 1ª disciplina Domínio pessoal - pelo domínio pessoal aprendemos a esclarecer e a aprofundar continua mente nosso objetivo pessoal, a concentrar nossas energias, a desenvolver a paciência e a ver a realidade de maneira objetiva. conforme senge (1990, p.17), “[...] o domínio pessoal começa por esclarecer as coisas que são realmente importantes para nós, levando-nos a viver de acordo com as nossas mais altas aspirações”. 2ª disciplina Modelos mentais - são ideias profundamente arraigadas, generalizações ou mesmo imagens que in- fl uenciam nosso modo de encarar o mundo e nossas atitudes. segundo senge (1990, p. 17 e 18), “[...] o trabalho com modelos mentais começa por virar o espelho para dentro, aprendendo a desenterrar nossas imagens interiores do mundo”. 3ª disciplina Objetivo comum - sua técnica consiste em buscar “imagens do futuro”. são objetivos, valores e compro- missos compartilhados em conjunto pelos membros da organização interna. conforme senge (1990, p. 18), “[...] é difícil lembrar de uma organização que tenha se mantido numa posição de grandeza sem objetivos, valores e compromissos que fossem compartilhados em conjunto pelos membros da organi- zação interna”. Quando os objetivos são claros e as pessoas estão comprometidas, existe a legitimação e a real busca da realização dessas intenções que passam a ser compartilhadas pelos integrantes da organização. 4ª disciplina Aprendizado em grupo - começa com o diálogo, a capacidade de os membros do grupo levantarem ideias preconcebidas e participarem de um “raciocínio em grupo”. “Aprendizado em grupo é o processo de alinhamento e desenvolvimento da capacidade de um grupo criar os resultados que seus membros realmente desejam. ele se desenvolve a partir da criação de um objetivo comum e também do domínio pessoal, pois equipes talentosas são formadas por indivíduos talentosos” (senge, 1990, p.213). 5ª disciplina Raciocínio sistêmico – é um conjunto de conhecimentos e instrumentos desenvolvidos nos últimos 50 anos que tem por objetivo tornar mais claro todo o conjunto e nos mostrar as modifi cações a serem feitas a fi m de melhorá-lo. conforme senge (1990, p.21), “[...] o raciocínio sistêmico integra as outras quatro disciplinas. [...] reforçando cada uma delas, o raciocínio sistêmico está sempre nos mostrando que o todo pode ser maior que a soma das suas partes”. o pensamento sistêmico constitui a quinta disciplina, integrando as demais num conjunto coe- rente de teoria e prática, o que evita que cada uma seja vista de forma isolada, como modismos desenhados para provocar mudanças organizacionais. Assim, organizações de aprendizagem são compreendidas não como simples modelos de gestão, mas como uma tendência em termos de de- senvolvimento organizacional. Neste sentido, a aprendizagem é destacada como um processo inicial que não possui fi m (Vaill, 1996). ! iMPOrTanTE 29Aprendizagem organizacional mentos constantemente. Silvia Gherardi e Davide Nicolini (2000) destacam que as comunidades de prática ajudam a transmitir “paixão”, entusiasmo pelo trabalho entre profissionais e que isto faz parte da construção do conhecimen- to e do capital social dentro da organização. nOTaS 1. Organização de aprendizagem: uma empresa que aprende coletivamente e continu- amente está se transformando para melhor gerenciar e usar o conhecimento para o sucesso organizacional; confere poder às pessoas dentro e fora da organização para aprender como eles trabalham melhor; e utiliza tecnologia para maximizar o aprendi- zado e a produção (Marquardt, 1996, p. 229). 2. Tarefas enquanto ação. Importante destacar a necessidade da visão de processo, a qual permite uma melhor compreensão da própria organização. 3. Ver no final do capítulo a seção denominada “Importante” que sintetiza as cinco disci- plinas desenvolvidas por Senge (1990). 4. No item ênfase, considera-se não apenas o conceito apresentado, mas também outras referências complementares constantes da obra do autor correpondente. SiTES rECOMEndadOS http://kmol.online.pt/category/artigos http://www.ea.ufrgs.br/gap http://www.solonline.org/com/links.html rEFErênCiaS ARGYRIS, C. On organizational learning. 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