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AULA 4 GESTÃO DA MUDANÇA E TRANSFORMAÇÃO ORGANIZACIONAL Profª Oriana Gaio 2 INTRODUÇÃO Após esclarecermos alguns conceitos e reflexões acerca da gestão da mudança e transformação organizacional, será necessário falarmos sobre a aprendizagem organizacional. Então, a aprendizagem será nosso foco nos temas que trabalharemos nesta etapa, uma vez que os processos de transformações e mudanças estão intimamente ligados ao aprendizado organizacional. É importante ressaltarmos que as organizações aprendem independentemente de adotarem abordagens sistemáticas de aprendizagem. Mas isso não quer dizer que resulte em uma alta eficácia nos processos organizacionais, uma vez que quando inadequados podem resultar em adversidades não desejadas. Dessa forma, é de suma importância que as organizações adotem abordagens para obter a capacidade de aprendizado sistemático. Isso porque a aprendizagem organizacional facilita reflexões sobre as consequências do comportamento individual e organizacional, melhora a compreensão dos ambientes organizacionais, bem como a tomada de decisão (Basten; Haamann, 2018) TEMA 1 – CONCEITOS DE APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Antes de iniciarmos nossa temática sobre aprendizagem organizacional (AO), convido você a refletir e pensar sobre o significado do termo aprendizagem. Pare um momento e tente esboçar uma resposta. Vale ressaltar que, apesar de muitos autores compartilharem da mesma ideia quanto à definição do que é aprendizagem organizacional, não existe uma resposta certa e sim uma série de diferenças que fazem distinguir os pensamentos uns dos outros. Aqui, vamos apresentar alguns conceitos para nosso embasamento. Robbins (2005) apresenta que a aprendizagem ocorre quando há uma mudança de comportamento com base numa experiência. No entanto, a mudança nem sempre ocorre de forma positiva, podendo, também, gerar comportamentos desfavoráveis. Outro ponto apresentado pelo autor é que a mudança precisa ser necessariamente permanente, pois “mudanças temporárias podem ser apenas reflexivas e não representar qualquer aprendizado” (Robbins, 2005, p. 37). 3 Basten e Haamann (2018, tradução nossa) acrescentam que a aprendizagem organizacional é “o processo pelo qual as organizações mudam ou modificam seus modelos mentais, regras, processos ou conhecimentos, mantendo ou melhorando seu desempenho”. Os autores ainda complementam que a aprendizagem organizacional é essencial para as organizações que atuam em ambientes dinâmicos e imprevisíveis para que estejam aptas e prontas para responderem a situações inesperadas mais rapidamente. Como já mencionamos em conteúdos anteriores, um grande exemplo é a pandemia do Covid-19 em que as empresas precisaram responder prontamente às adversidades do momento. Vamos lembrar do dia que precisamos alterar todo nosso posto de trabalho presencialmente na empresa e mudar para o trabalho remoto. Essa mudança alterou a experiência do colaborador (de forma positiva ou negativa, dependendo da pessoa), alterou a maneira como os indivíduos e as equipes colaboraram, como também alterou os processos e políticas que antes eram baseados em equipes presenciais trabalhando no escritório e, principalmente, alterou as formas e frequências com as quais as pessoas passaram a usar tecnologias como suporte para o desenvolvimento das atividades. E no final, aprendemos com tudo isso! A aprendizagem organizacional é compreendida, então, como o processo pelo qual a organização se desenvolve por meio da obtenção de experiência, que então é utilizada para a criação do conhecimento. Ou seja, o conhecimento é criado e transferido internamente na organização. A aprendizagem organizacional é importante para todo tipo e porte de organização, uma vez que a criação, retenção e transferência de conhecimento a fortalece como um todo. Além disso, ao definirmos a aprendizagem organizacional, existem três elementos que ainda precisam ser considerados: 4 Figura 1 – Elementos da aprendizagem organizacional Imagine que uma ideia ou produto é criado pela organização, então ela precisa agir e refletir sobre o processo. É por meio dessa reflexão do todo que a aprendizagem ocorrerá. Por sua natureza como um processo de desenvolvimento de novas perspectivas, a aprendizagem organizacional é uma fonte para o desenvolvimento de novos conhecimentos organizacionais. Essa habilidade está continuamente ganhando importância devido às complexidades e mudanças dinâmicas dos ambientes de negócios. No entanto, o contexto organizacional é mais complexo do que o ambiente individual de aprendizagem. Ela não é simplesmente uma coletividade de processos de aprendizagem individual, mas envolve a interação entre os indivíduos na organização, a interação entre as organizações como uma entidade e a interação entre a organização e seu contexto (Basten; Haamann, 2018, tradução nossa). É importante que a organização garanta que o conhecimento adquirido durante o processo seja retido internamente na organização e seja transferível, pois o conhecimento incorporado deve ser mantido na organização e compartilhado com todos os indivíduos, não ficando retido apenas no indivíduo. Resumidamente podemos assumir que existem cinco práticas para que as organizações possam aprender de forma contínua, a saber: Criar refletir Agir 5 Figura 2 – Cinco práticas para que as organizações possam aprender de forma contínua Fonte: Basten, Haamann, 2018. Crédito: Roman Sambosrskyi/Shutterstock; Jane Kelly; RSDPR/Shutterstock; Billion Photos/Shutterstock; Freshidea/Shutterstock. Independentemente dos conceitos teóricos sobre a aprendizagem organizacional, é consenso entre os autores que a temática vem ganhando cada vez mais notoriedade no contexto organizacional, uma vez que, no cenário competitivo global, é de suma importância que as organizações estejam alinhadas com a inovação e para isso é essencial fomentar a capacidade de partilhar, receber e tratar conhecimento. Para Costa e António (2017), “para que a aprendizagem se torne uma característica das organizações é essencial que elas 6 tenham capacidade de incorporar a aprendizagem organizacional como uma competência, sendo um processo estratégico”. A aprendizagem organizacional encontra-se ainda numa enorme fase de ascensão, e um dos fatores que mais contribuiu para o aumento do interesse nesse domínio da gestão e de investigação consistiu na necessidade de responder às atuais dinâmicas empresariais de forma mais flexível. Estamos numa era em que as organizações aprendem com as pessoas, os valores e os sistemas, sendo que experiência e aprendizagem são duas das principais vantagens competitivas que uma organização poderá deter. No caso da aprendizagem, esta deverá ser vista como um processo que, quando encorajado dentro das fronteiras organizacionais, permite que toda a sua estrutura possa desenvolver novas competências, visualizar novos horizontes e sentir-se efetivamente recompensada frente ao envolvimento e comprometimento que daqui resulta. Ou seja, a aprendizagem é na realidade uma necessidade permanente do indivíduo e da organização que permite que ambos se renovem continuamente e possam dar uma resposta decisiva à inevitável aceleração do processo de mudança. TEMA 2 – ORGANIZAÇÃO QUE APRENDE VERSUS APRENDIZADO ORGANIZACIONAL Dentro do contexto de aprendizagem organizacional, você pode se deparar com autores apresentando sobre as organizações que aprendem. Embora os termos soarem como sinônimos, eles apresentam algumas diferenças, quanto a público-alvo, desenvolvimento, finalidade, natureza, foco, objetivo e organização, apresentados no quadro a seguir: Quadro 1 – Organização queaprende versus aprendizado organizacional Principais diferenças entre a organização que aprende e o aprendizado organizacional Itens Organização que aprende Aprendizado organizacional Público-alvo Gestores Acadêmicos Desenvolvimento Desenvolvidas por pesquisadores e consultores que estão orientados para a Representado principalmente por pesquisadores. 7 transformação organizacional Finalidade Mudar e prescrever Compreender e analisar Natureza Natureza mais descritiva Natureza processual Foco Questionamentos do tipo “o quê”, descrevendo os sistemas, características e princípios da organização que aprende como uma entidade coletiva. Questionamentos do tipo como a aprendizagem na organização acontece, ou seja, as habilidades e processos de construção e utilização do conhecimento. Objetivo Ajuste de ferramentas metodológicas específicas para o diagnóstico e avaliação que permitem identificar e avaliar a qualidade dos processos de aprendizagem. Descrição de como a organização aprende por meio de uma reflexão sobre as possiblidades concretas de ocorrer aprendizagem na organização. Organização Aprendizado por meio da organização, como um sistema integrado. Aprendizado individual e em grupos na organização. Fonte: Teodoro; Ottoboni, 2005, p. 214. No Quadro 1, vimos as principais diferenças entre a organização que aprendem e o aprendizado organizacional. Perceba que a base de conhecimento no que diz respeito à aprendizagem entre as linhas é a mesma. A grande diferença, no entanto, é que, de um lado, pesquisadores querem entender o que é aprendizagem organizacional e como ela ocorre, enquanto no outro procuram entender como as organizações podem controlar os processos. Dessa forma, os autores que defendem a ideia de organizações que aprendem são mais direcionados para ação, procurando desenvolver práticas e metodologias com enfoque na mudança e principalmente que resultem em aprendizagem. Em contrapartida, os autores que trabalham com a ideia de aprendizado organizacional têm por objetivo “pesquisar como as informações são interpretadas e as respostas são elaboradas diante das mudanças ambientais” (Takahashi, 2015, p. 116). Aqui, o importante são as relações sociais no contexto empresarial, considerando a cultura organizacional De acordo com Teodoro e Ottoboni (2005, p. 217), apesar dessas diferenças, não se pode afirmar que essas duas abordagens são distintas e que não podem coexistir. Muito pelo contrário, a organização que aprende e o aprendizado organizacional podem e devem coexistir. Para que uma empresa se torne uma organização que aprende, é preciso ocorrer, primeiramente, o aprendizado organizacional. 8 Saiba mais BASTOS, A. V. B.; GONDIM, S. M. G.; SOUZA, E. R. L. C. Aprendizagem organizacional versus organizações que aprendem: características e desafios que cercam essas duas abordagens de pesquisa. Revista de Administração, São Paulo, v. 39, n. 9, p. 220-230, jul.-ago.-set. 2004. TEMA 3 – NÍVEIS DE APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Após compreendermos os conceitos a respeito de aprendizagem organizacional, bem como a diferença dessa para as organizações que aprendem, vamos falar a respeito dos níveis de aprendizagem que ocorrem nas organizações: individual, grupo e organizacional. A menor comunidade de aprendizagem é a aprendizagem individual, que inclui apenas um único membro. Nesse nível, é necessário uma pessoa que possua informações sobre o ambiente, compreendendo, interpretando e experimentando ao passo que ajuste seu comportamento de acordo com os resultados obtidos usando processos conceituais e cognitivos para aumentar seu nível de eficiência e produtividade. É importante que a organização incentive o colaborador a compartilhar o know-how obtido com outras pessoas para que a aprendizagem seja benéfica para a organização. Outro ponto relevante é que, ao compartilhar o conhecimento, caso o colaborador deixe seu emprego ou seja demitido, ele não será perdido por parte da empresa. A segunda comunidade de aprendizado é a aprendizagem em grupo, em que os membros de uma equipe ou grupo são incentivados a aprender novas habilidades. Quando os indivíduos compartilham e interagem com outros indivíduos o que aprenderam no nível individual, torna-se aprendizado em grupo. Pode ser um processo em que todos os membros do grupo estão igualmente envolvidos na ação, recebendo feedback e usando-o para modificar ações futuras. Isso auxilia a construir uma conexão, e cada indivíduo se percebe como parte integrante do grupo, cuja ação um terá impacto no grupo como um todo. No contexto da comunidade de aprendizagem, a aprendizagem organizacional contribui para o processo de aprendizagem de uma organização como um todo. Dessa forma, quando os grupos se reúnem para compartilhar seus conhecimentos obtidos por meio do processo de comunicação, esses 9 aprendizados se transformam em ações que contribuem com as estratégias para adaptar-se ao ambiente em mudança e aumentar os níveis de eficiência. É importante notar que a aprendizagem organizacional é um processo dinâmico. No modelo proposto por Crossan, Lane e White (1999, citado por Takahashi, 2015, p. 150), são considerados os 3 níveis: individual, grupo e organizacional, ligados por 3 processos básicos: intuição, interpretação e integração. E a dinamicidade promove mudanças comportamentais e cognitivas. Podemos entender a intuição como algo que ocorre no subconsciente e identifica as questões sobre as experiências vividas. Já a interpretação diz respeito sobre a exploração de situações que podem ser compartilhadas com os demais indivíduos. E a integração envolve a percepção dos indivíduos, que são compartilhadas entre si e garante a ligação do grupo e a organização. Após a integração, ocorre então a institucionalização, com rotinas e práticas, em que o conhecimento é normatizado, aceito e acessível a todos os membros da organização. Quadro 2 – Níveis de aprendizagem organizacional Nível Processo Insumos/resultados Individual Grupo Organização Intuição Experiências Imagens Metáforas Interpretação Linguagem Mapa cognitivo Conversação/diálogo Integração Compreensões partilhadas Ajuste mútuo Sistemas interativos Institucionalização Planos/rotinas/normas Sistemas de diagnóstico Regras e procedimentos Fonte: Crossan; Lane; White, 1999, p. 525. Para Crossan, Lane e White (1999, citado por Takahashi, 2015, p. 150), “no processo de aprendizagem organizacional, as novas ideias fluem do nível individual para organizacional, de forma circular e dinâmica, afetando o comportamento e o pensamento das pessoas”. No entanto, nem sempre a aprendizagem organizacional ocorre de forma linear, ou seja, iniciando no nível individual, passando pelo grupo e então para chegar na aprendizagem organizacional: “A aprendizagem coletiva pode ser desencadeada no ambiente do próprio grupo” (Bitencourt, 2001, p. 242, citado por Takahashi, 2015, p. 151). 10 Figura 3 – Aprendizagem Fonte: Crossan; Lane; White, 1999, p. 532. Gestores devem conhecer os “meios de aprendizagem em cada nível e sua ligação para então promover os fatores que a facilitam e inibir os que a dificultam”. (Takahashi, 2015, p. 148) TEMA 4 –TIPOS DE APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL Além dos níveis apresentados anteriormente, temos também os tipos de aprendizagem. Os 3 tipos de aprendizagem organizacional estão ligados ao tipo de mudança, conforme apresentamos a seguir (Argyris; Schon, 1978): • Aprendizagem de circuito único (single loop): ocorre quando os erros são detectados e corrigidos e as empresas continuam com os atuais políticas e objetivos. Esse aprendizado pode ser comparado a atividades que adicionam à base de conhecimento ou competências ou rotinas específicas da empresa sem alterar a natureza das atividadesda organização. Ou seja, são pequenas melhorias e ajustes nas práticas ou correção de erros, sem alterar a forma de atuar da organização. Um exemplo seriam os ajustes realizados nos sistemas administrativos da empresa; 11 • Aprendizagem em circuito duplo (double loop): ocorre quando, além da descoberta e correção dos erros, a organização altera as normas, procedimentos, políticas e objetivos existentes. Dessa forma, esse tipo de aprendizagem envolve mudanças profundas na base de conhecimento da organização ou das competências da empresa e assim afetam os valores organizacionais e por consequência a cultura da empresa. Um exemplo seria quando um novo gestor altera a forma de gestão, alterando a forma de produção; • Deutero-aprendizagem (deutero learning): ocorre quando as organizações aprendem como realizar aprendizado de circuito único e duplo. Ou seja, as duas primeiras formas de aprendizagem não ocorrerão se as organizações não estiverem cientes de que a aprendizagem deve ocorrer. Dessa forma, nesse tipo de aprendizagem a organização está consciente do seu processo de aprendizagem e passa a interferir nesse processo, justamente para que a aprendizagem ocorra (Takahashi, 2005). Isso significa identificar as orientações ou estilos de aprendizagem e os processos e estruturas (elementos facilitadores) necessários para promover a aprendizagem. Por exemplo, um dos elementos facilitadores é identificar a lacuna de desempenho entre os resultados desejados e o desempenho real. Essa consciência faz com que a organização reconheça que o aprendizado precisa ocorrer e que o ambiente e os processos apropriados precisam ser criados. Podemos perceber que o aprendizado de circuito duplo e o deuteroaprendizagem estão focados com o porquê e como mudar a organização, enquanto o aprendizado de circuito único está preocupado em aceitar as pequenas mudanças, mas sem alterar profundamente as atividades organizacionais. TEMA 5 – CULTURA DE APRENDIZAGEM NAS ORGANIZAÇÕES Não há dúvidas de que a aprendizagem organizacional seja essencial para as organizações em um mundo cada vez mais complexo, instável e dinâmico. No entanto, apenas uma cultura voltada para a aprendizagem é capaz de garantir resultados eficazes para atender às mudanças do mercado. 12 Logo, uma cultura de aprendizagem nas organizações é uma estrutura corporativa na qual os indivíduos podem ampliar sua base de conhecimentos, habilidades e oportunidades para inovar, mas principalmente são incentivados a realizá-los constantemente. Peter Senge (2013), autor do livro Quinta disciplina, entende a cultura de aprendizagem em cinco pilares. Figura 4 – Cinco pilares da cultura da aprendizagem Fonte: Senge, 2013. Falaremos de cada um dos pilares a seguir: 5.1 Pensamento sistêmico É uma mentalidade que identifica a organização como um sistema composto por outros sistemas menores e complexos, que procura entender cada componente e, por consequência, o todo. Veja este exemplo: imagine seu local de trabalho como um sistema e os departamentos, equipes e indivíduos que integram esse local de trabalho são todos componentes. Além disso, os processos e os espaços físicos em que as pessoas trabalham também fazem parte desse sistema, e quando se altera qualquer parte do sistema há um impacto nos demais componentes. O importante aqui é identificar como os diferentes componentes de um grande sistema afetam uns aos outros, pois auxilia as organizações a Pensamento sistêmico Domínio pessoal Modelos mentais Visão compartilhada Aprendizadso em equipe 13 entenderem as barreiras à mudança, fortalecer e construir conexões e consequentemente criar um ambiente favorável ao aprendizado. 5.2 Domínio pessoal As organizações que investem e promovem o domínio pessoal oferecem aos colaboradores as ferramentas para se aprimorarem por meio de educação continuada e oportunidades de desenvolvimento de habilidades. Importante salientar que o domínio pessoal não envolve apenas os indivíduos recebendo uma série de novas informações como se estivessem estudando para uma grande prova e sim para que gerem resultados. Ou seja, devem ser capazes de aplicar o que aprenderam nas atividades do dia a dia. Dessa forma, o pilar do domínio pessoal aumenta a satisfação no trabalho, como também a produtividade e a inteligência coletiva da organização. 5.3 Modelos mentais São estruturas que permitem que as pessoas entendam os conceitos e possam usá-los para tomar decisões. Os modelos mentais auxiliam as pessoas a descobrir o que não sabem e sobre o que podem estar fazendo suposições, para que possam aumentar sua base de conhecimento e tomar decisões acertadas. 5.4 Visão compartilhada Envolve o uso do diálogo, entusiasmo e compromisso para impulsionar a ação. A visão compartilhada de uma organização não é algo que é desenvolvido exclusivamente pelos gestores e repassado a toda organização. Pelo contrário, deve ser desenvolvida por colaboradores de toda a organização com base em interesses e objetivos comuns. Dessa forma, ao considerar todos os indivíduos no desenvolvimento de uma visão compartilhada, permite que eles se sintam pertencentes ao processo. Senge (2013) sugere que as organizações compartilhem sua visão onde todos possam ter acesso, discutindo entre as equipes e faça alterações à medida que surjam novas informações e perspectivas. 14 5.5 Aprendizado em equipe Já falamos um pouco a respeito da aprendizagem em grupo, mas devemos ter em mente que as equipes devem usar a colaboração, criatividade, discussão e o diálogo para que ocorra o aprendizado em equipe. Ou seja, cada um dos membros da equipe deve ter a oportunidade de contribuir com sua perspectiva sobre um desafio ou problema e todos também devem fazer indagações e contribuir com ideias. Isso possibilita que os membros da equipe reúnam seus conhecimentos e aumentem coletivamente sua compreensão sobre a temática. Ao longo desta etapa falamos das vantagens que as organizações focadas em aprendizado têm em relação às que não possuem uma cultura voltada à aprendizagem organizacional. Uma dessas vantagens é a competitividade em seus mercados de atuação e não podemos falar apenas financeiramente, como também em demais áreas de desempenho, recrutamento e retenção, engajamento de colaboradores, atendimento ao cliente e inovação. A seguir, listamos alguns pontos positivos da empresa que possui uma cultura voltada a aprendizagem: • Melhorar o desempenho: quando os indivíduos da equipe se desenvolvem em uma cultura de aprendizado, eles criam mentalidades de melhoria e buscam oportunidades para aprender e compartilhar conhecimento com os demais membros da equipe, impactando positivamente o sucesso da organização. As organizações que promovem fortes culturas de aprendizagem são mais adaptáveis, flexíveis e inovadoras; • Atrair e reter os melhores talentos: quando se trata de recrutamento e retenção, as culturas de aprendizado são um ímã para atrair candidatos qualificados que procuram organizações que ofereçam oportunidades de desenvolvimento profissional. Deve ficar claro para os potenciais contratados no processo de recrutamento que a empresa se dedica a uma cultura de aprendizado e melhoria contínua e oferecerá suporte aos funcionários que buscam oportunidades de desenvolvimento e crescimento; • Aumente o engajamento dos colaboradores: há uma tendência de que os indivíduos são muito mais propensos a se envolver em uma organização que tem o aprendizado como uma prioridade. Propiciar um 15 ambiente de trabalho voltado ao aprendizado é uma das melhores formas de um líder demonstrar uma cultura de cuidado para reforçar os valores organizacionais. Os funcionários precisam sentir que estão trabalhando para desenvolver suas habilidades e capacidadesintelectuais. As oportunidades de promoção e crescimento auxiliam os colaboradores a alcançar seus objetivos pessoais e leva a uma maior satisfação, dedicação e engajamento. • Aumentar a satisfação do cliente: as culturas de aprendizado não apenas beneficiam os líderes ao ajudar a expandir a organização e construir equipes de alto desempenho, garantindo que os colaboradores alcancem metas profissionais e pessoais, mas também os clientes se beneficiam. Quando os colaboradores têm uma mentalidade de melhoria e uma equipe de liderança que incentiva a curiosidade e a inovação em todos os níveis, isso reflete na forma como cuidam e tratam os clientes. Dessa forma, os funcionários que priorizam o aprendizado são mais capazes de localizar novos mercados, identificar os melhores clientes para atender nesses mercados e determinar as melhores maneiras de atender os clientes. • Desenvolver futuros líderes: para estabelecer um plano de sucessão sólido em sua organização, uma cultura de aprendizado é essencial para desenvolver futuros líderes e desenvolver habilidades de liderança requer uma série de treinamentos e orientações. O aprendizado organizacional pode apoiar a lealdade, a adesão dos funcionários e ajudar a desenvolver o DNA institucional, que pode auxiliar os líderes a traçar planos de sucessão sólidos. • Facilitar a inovação: quando uma empresa tem uma cultura que promove o aprendizado levando em conta os erros, além de acumular conhecimento, também há um ambiente voltado para inovação. Ao incentivar as mentalidades de aprendizado, as culturas de aprendizado criam equipes que adotam e prosperam na inovação e temem menos os erros. Quando a organização promove essas oportunidades aos funcionários como parte de uma cultura de crescimento pessoal e desenvolvimento profissional, isso pode impulsionar o pensamento inovador em todos os departamentos. Cultivar intencionalmente uma cultura de curiosidade e promover o aprendizado individual em uma 16 organização pode criar uma cultura em que a inovação é a norma e todos os membros da equipe investem nela como uma prática diária e participativa. 17 REFERÊNCIAS ARGYRIS, C.; SCHON, D. Organizational learning: a theory of action perspective. Reading, MA: Addison-Wesley, 1978. BASTEN, D.; HAAMANN, T. Abordagens para a aprendizagem organizacional: Uma revisão de literatura. Sage Open, v. 8, n. 3, 2018. Disponível em: <https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/2158244018794224>. Acesso em: 13 out. 2022. COSTA, R. L.; ANTÓNIO, N. S. Aprendizagem organizacional – ferramenta no processo de mudança. Lisboa: Grupo Almedina, 2017. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. SENGE, P. M. A quinta disciplina: arte, teoria e prática da organização de aprendizagem. 38. ed. São Paulo: Best Seller, 2013. TAKAHASHI, A. R. W. Competências, aprendizagem organizacional e gestão do conhecimento. Curitiba: InterSaberes, 2015 TEODORO, C. S., OTTOBONI, C. (2005). Análise e conceituação de organizações que aprendem e aprendizado organizacional – um estudo de caso. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA. Anais... Resende, RJ, Brasil, 3. Disponível em: <https://www.aedb.br/seget/arquivos/artigos05/328_Analise%20organizacoes%2 0aprendem.pdf>. Acesso em: 13 out. 2022.