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CÓDIGO DE MANU Sumário 1- Introdução 2- Sociedade Hindu 3- Alguns artigos do Código de Manu 3.1- Falso Testemunho 1- Introdução Foi adotado na Índia. Manu não era nome próprio de uma pessoa, mas sim uma denominação que se refere aos brâmanes (líderes espirituais de casta superior). Era dividido em 12 livros com 2685 artigos escritos em sânscrito e na forma de versos. O Código de Manu possui um contexto mais religioso do que jurídico. Data de aproximadamente 1000 a.C. 2- Sociedade Hindu É dividida em castas e, em muitas regiões onde o hinduísmo permanece, a estrutura está inalterada até hoje. O sistema de castas não admite mudanças porque foi criado conforme determinação do Deus Brahma quando da criação do mundo. A mistura de castas é considerada a pior das desgraças pois desrespeita a lei de Brahma. Os hindus acreditam em vida após a morte – reencarnação – e, caso a pessoa cumprisse os preceitos das leis de Manu na próxima vida poderia ascender de casta ou, até mesmo, reencarnar como um “bicho escroto”, na hipótese de descumprimento. Há 4 castas1, vejamos: • Brâmanes: constituíam a casta superior, minoria da população, e segundo as leis de Manu saíram da “boca/cabeça de Brahma” quando da criação do mundo representando a sabedoria. Ex.: sacerdotes; • Ksatryas (Xátrias): representam a casta dos militares-guerreiros e, segundo a lei, surgiram do “braço de Brahma” e simbolizam a força. Ex.: Rajás (reis); • Varsyas (Vaixás): formam a casta dos comerciantes que saíram da “perna de Brahma”, representando o trabalho. Ex: profissionais liberais; • Sudras: representam a casta inferior, maioria da população (considerados uma “praga”). Foram criados a partir do “pé de Brahma”. Ex: trabalhadores braçais. 3 – Alguns artigos do Código de Manu 3.1 – Falso Testemunho 1 Observe-se que os Dalyts, conhecidos como chândalas, “os intocáveis” ou “o resto”, não formam sequer uma casta, pois eram considerados feitos da “poeira debaixo do pé” do deus Brahma, representando a insignificância. Ex.: coveiros e das pessoas que trabalham com excrementos humanos (limpa-fossa). Na antiguidade, a produção de provas materiais era de difícil constatação o que gerava a predominância de provas testemunhais. Os homens, naquela época, se fiavam na palavra e deveriam honrá-la e testemunhá-la. Foi assim que a PALAVRA foi alçada ao topo da pirâmide na escala das provas processuais. O Código de Manu regulamentou o falso testemunho. O silêncio de uma testemunha, porém, era equivalente a uma mentira (silêncio=mentira). O artigo 13 do Código de Manu prevê: “É preciso ou não vir ao Tribunal ou falar segundo a verdade: o homem que nada diz, ou profere uma mentira, é igualmente culpado”. A punição para o falso testemunho na Índia é a precipitação no abismo: (art. 79, CM – “Com a cabeça para baixo será precipitado nos abismos mais tenebrosos do inferno a testemunha que, interrogado em um inquérito judicial, der um depoimento falso”. Portanto, segundo o Código de Manu, o local do falso testemunho é no Tribunal perante a autoridade judiciária (juiz). E no Brasil? O crime de falso testemunho ocorre nas hipóteses do artigo 342 do Código Penal sendo mais amplo do que na Índia (CM). No Brasil, o crime de falso testemunho pode ocorrer perante o juiz no processo judicial; perante o delegado de polícia no inquérito policial; perante a autoridade administrativa no processo administrativo e em juízo arbitral perante o árbitro. A pena é de 2 a 4 anos de prisão mais multa. E o silêncio no Brasil? Qual é o tratamento constitucional dado ao SILÊNCIO DO ACUSADO? Quem cala consente? Segundo a CF/88 o DIREITO AO SILÊNCIO é garantido constitucionalmente ao ACUSADO e NÃO PODE prejudicar a defesa (art. 5º, LXIII)2, pois NINGUÉM É OBRIGADO a produzir prova contra si mesmo (nemo tenetur se detegere). 2 O preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e do advogado (art. 5º, LXIII da CF/88).