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Fazemos parte do Claretiano - Rede de Educação ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER Enfermeira graduada pelo Centro Universitário Barão de Mauá – Ribeirão Preto (SP). É mestra e doutora em Ciências pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, na linha de pesquisa sobre saúde do idoso, temática de traumatismos. Professora universitária no curso de Enfermagem e de Medicina no Centro Universitário Barão de Mauá – Ribeirão Preto. E-mail: <glau_degani@yahoo.com.br>. Olá, meu nome é Danielle Monteiro Vilela Dias, possuo graduação em Enfermagem pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (2004), mestrado em Enfermagem Fundamental pela EERP/USP (2011) e doutorado em Enfermagem em Saúde Pública pela EERP/USP (2015). Atualmente, sou professora do Centro Universitário Claretiano e da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto- USP. Sou Membro Pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Enfermagem no Cuidado à Criança e ao Adolescente (GPECCA). Tenho experiência na área de Enfermagem, com ênfase em Ciências da Saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: assistência de enfermagem, enfermagem neonatal, educação em saúde, materiais de ensino, tecnologias de ensino, recém-nascido, prematuro e avaliação clínica neonatal. E-mail: <danielledias@claretiano.edu.br>. Claretiano – Centro Universitário Rua Dom Bosco, 466 - Bairro: Castelo – Batatais SP – CEP 14.300-000 cead@claretiano.edu.br Fone: (16) 3660-1777 – Fax: (16) 3660-1780 – 0800 941 0006 claretiano.edu.br/batatais Gláucia Costa Degani Danielle Monteiro Vilela Batatais Claretiano 2019 ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER © Ação Educacional Claretiana, 2015 – Batatais (SP) Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, a transmissão total ou parcial por qualquer forma e/ou qualquer meio (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação e distribuição na web), ou o arquivamento em qualquer sistema de banco de dados sem a permissão por escrito do autor e da Ação Educacional Claretiana. CORPO TÉCNICO EDITORIAL DO MATERIAL DIDÁTICO MEDIACIONAL Coordenador de Material Didático Mediacional: J. Alves Preparação: Aline de Fátima Guedes • Camila Maria Nardi Matos • Carolina de Andrade Baviera • Cátia Aparecida Ribeiro • Elaine Aparecida de Lima Moraes • Josiane Marchiori Martins • Lidiane Maria Magalini • Luciana A. Mani Adami • Luciana dos Santos Sançana de Melo • Patrícia Alves Veronez Montera • Simone Rodrigues de Oliveira Revisão: Eduardo Henrique Marinheiro • Filipi Andrade de Deus Silveira • Rafael Antonio Morotti • Rodrigo Ferreira Daverni • Vanessa Vergani Machado Projeto gráfico, diagramação e capa: Bruno do Carmo Bulgarelli • Joice Cristina Micai • Lúcia Maria de Sousa Ferrão • Luis Antônio Guimarães Toloi • Raphael Fantacini de Oliveira • Tamires Botta Murakami Videoaula: André Luís Menari Pereira • Bruna Giovanaz Bulgarelli • Gustavo Fonseca • Luis Gustavo Millan • Marilene Baviera • Renan de Omote Cardoso Bibliotecária: Ana Carolina Guimarães – CRB7: 64/11 DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) 610.7367 D361e Degani, Gláucia Costa Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher / Gláucia Costa Degani, Danielle Monteiro Vilela – Batatais, SP : Claretiano, 2019. 121 p. ISBN: 978-65-88553-01-5 1. Enfermagem Obstétrica. 2. Enfermagem Ginecológica. 3. Saúde da mulher. 4. Saúde materna. 5. Obstetrícia. 6. Ginecologia. 7. Gestantes. 8. Serviços de saúde da mulher. I. Vilela, Danielle Monteiro. II. Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher. CDD 610.7367 INFORMAÇÕES GERAIS Cursos: Graduação Título: Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher Versão: ago./2019 Formato: 15x21 cm Páginas: 121 páginas SUMÁRIO CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 11 2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS ............................................................................ 12 3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE ............................................................... 16 4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ......................................................................... 16 5. E-REFERÊNCIA .................................................................................................. 17 UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULHER 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 21 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 22 2.1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE DA MULHER ...................................... 22 2.2. DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS .................................................... 25 2.3. SITUAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE DA MULHER ........................................... 33 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 35 3.1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE DA MULHER ...................................... 35 3.2. DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS .................................................... 36 3.3. SITUAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE DA MULHER ........................................... 39 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 39 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 42 6. E-REFERÊNCIA .................................................................................................. 42 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 42 UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 47 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 47 2.1. SAÚDE DA MULHER IDOSA E CUIDADOS DE ENFERMAGEM ............... 47 2.2. CÂNCER DE MAMA E CÂNCER CÉRVICO-UTERINO .............................. 49 2.3. CONSULTA DE ENFERMAGEM E SEMIOLOGIA E SEMIOTÉCNICA DA MULHER ................................................................................................... 60 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 66 3.1. SAÚDE DA MULHER IDOSA E CUIDADOS DE ENFERMAGEM ............... 66 3.2. CÂNCER DE MAMA E CÂNCER CÉRVICO-UTERINO .............................. 67 3.3. CONSULTA DE ENFERMAGEM E SEMIOLOGIA E SEMIOTÉCNICA DA MULHER ................................................................................................... 68 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 70 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 72 6. E-REFERÊNCIA .................................................................................................. 72 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 73 UNIDADE 3 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER NA GESTAÇÃO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 77 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 77 2.1. GRAVIDEZ: SINTOMAS E DIAGNÓSTICO ................................................ 77 2.2. PRÉ-NATALE A PARTICIPAÇÃO DO ENFERMEIRO ................................. 83 2.3. GRAVIDEZ DE ALTO RISCO, DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS DA GRAVIDEZ ................................................................................................. 86 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 90 3.1. GRAVIDEZ: SINTOMAS E DIAGNÓSTICO ................................................ 90 3.2. PRÉ-NATAL E A PARTICIPAÇÃO DO ENFERMEIRO ................................. 91 3.3. GRAVIDEZ DE ALTO RISCO, DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS DA GRAVIDEZ ................................................................................................. 92 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 93 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 95 6. E-REFERÊNCIAS ................................................................................................ 96 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 96 UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 99 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA ............................................................. 99 2.1. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PARTO E ASSISTÊNCIA À PARTURIENTE 100 2.2. TRABALHO DE PARTO E PARTO ............................................................. 104 2.3. PERÍODO PUERPERAL ............................................................................. 110 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR ................................................................ 112 3.1. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PARTO E ASSISTÊNCIA À PARTURIENTE ........................................................................................ 112 3.2. TRABALHO DE PARTO E PARTO ............................................................. 113 3.3. PERÍODO PUERPERAL ............................................................................. 116 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS ....................................................................... 118 5. CONSIDERAÇÕES ............................................................................................. 120 6. E-REFERÊNCIA .................................................................................................. 120 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 120 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER 9 CONTEÚDO INTRODUTÓRIO Conteúdo ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A disciplina de Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher tem por intuito desenvolver condições para a organização da assistência e consulta de enfermagem em ginecologia e obstetrícia no atendimento ambula- torial de pré-natal, centro obstétrico, unidade de puerpério e saúde da mulher, atendendo as Políticas Públicas de atenção à saúde da mulher. Aborda direitos reprodutivos, saúde reprodutiva, métodos contraceptivos, planejamento fami- liar e situação social e da saúde da mulher no Brasil. Enfoca a assistência de enfermagem no ciclo gravídico puerperal, gestação de alto risco, alterações fisiológicas e psicossociais da gravidez normal e estratégias na prevenção do câncer ginecológico e mamário. –––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– Bibliografia Básica BARROS, S. M. O. (Org.). Enfermagem no ciclo gravídico-puerperal. Barueri: Manole, 2006. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Parto, aborto e puerpério: Assistência humanizada à saúde. Ministério da Saúde, 2003. NEME, Bussâmara. Obstetrícia básica. 3. ed. São Paulo: Sarvier, 2005. Bibliografia Complementar BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência pré-natal: manual técnico. Equipe de elaboração: Janine Schirmer et al. 3. ed. Brasília: Secretaria de Políticas de Saúde – SPS/ Ministério da Saúde, 2000. BRASIL, Ministério da Saúde. Manual do Planejamento Familiar. Ministério da Saúde, 2002. 10 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO BRASIL, Ministério da Saúde. Gestante de alto risco. Ministério da Saúde, 2001. BRASIL, Ministério da Saúde. Urgências e emergências maternas: Guia para diagnóstico e conduta em situações de risco de morte materna. 2. ed. Ministério da Saúde, 2003. LOWDERMILK, Deitra Leonard; PIERRY, Shannon E.; BOBAK, Irene M. O cuidado em enfermagem materna. 5. ed. Porto Alegre: Artmed. 2002. E-referências BRASIL. Ministério da Saúde. Urgências e emergências maternas: Guia para diagnóstico e conduta em situações de risco de morte materna. 2. ed. Ministério da Saúde, 2003. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0105urgencias.pdf>. Acesso em: 28 jul. 2018. É importante saber Esta obra está dividida, para fins didáticos, em duas partes: Conteúdo Básico de Referência (CBR): é o referencial teórico e prático que deverá ser assimilado para aquisição das competências, habilidades e atitudes necessárias à prática profissional. Portanto, no CBR, estão condensados os principais conceitos, os princípios, os postulados, as teses, as regras, os procedimentos e o fundamento ontológico (o que é?) e etiológico (qual sua origem?) referentes a um campo de saber. Conteúdo Digital Integrador (CDI): são conteúdos preexistentes, previamente se- lecionados nas Bibliotecas Virtuais Universitárias conveniadas ou disponibilizados em sites acadêmicos confiáveis. É chamado "Conteúdo Digital Integrador" porque é imprescindível para o aprofundamento do Conteúdo Básico de Referência. Juntos, não apenas privilegiam a convergência de mídias (vídeos complementares) e a leitu- ra de "navegação" (hipertexto), como também garantem a abrangência, a densidade e a profundidade dos temas estudados. Portanto, são conteúdos de estudo obrigató- rios, para efeito de avaliação. 11© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 1. INTRODUÇÃO Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mul- her desenvolverá diversos conteúdos que se encontram inseri- dos em nosso cotidiano. Na Unidade 1, serão apresentados os conteúdos referentes à saúde da mulher, como: organização da saúde da mulher, atendendo as políticas públicas de atenção à saúde; métodos anticoncepcionais, determinantes do plane- jamento familiar e infertilidade; aspectos da saúde da mulher adolescente e da mulher no climatério; e, para finalizar, alguns aspectos da situação social da mulher no Brasil. Na Unidade 2, vocês poderão aprender sobre a saúde da mulher idosa e os cuidados de enfermagem, considerando o pro- cesso de envelhecimento populacional e suas especificidades. Além disso, conhecerão os aspectos que envolvem a preven- ção e o controle do câncer de mama e cérvico-uterino, e com- preenderão a consulta de enfermagem e como realizar a semio- logia e semiotécnica na mulher. As particularidades da mulher no período gravídico, quan- to à saúde materna e fetal, as doenças infecciosas na gravidez e as infecções congênitas, a gravidez de alto risco e as principais doenças e intercorrências da gravidez serão enfatizadas na Uni- dade 3. A Unidade 4 trará conteúdos quanto às necessidades da mulher no trabalho de parto e no parto, com abordagem das po- líticas públicas sobre o parto e a assistência à parturiente, sobre a prática de enfermagem no parto e no período puerperal, além da prática de enfermagem no período puerperal. Dessa forma, os conhecimentos apresentados visam acompanhar a mulher antes mesmo da fase reprodutiva até sua 12 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO velhice, demonstrando e enfatizando suas necessidades físicas, psicológicas e sociais. 2. GLOSSÁRIO DE CONCEITOS O Glossário de Conceitos permite uma consulta rápida e precisa das definições conceituais, possibilitando um bom domí-nio dos termos técnico-científicos utilizados na área de conheci- mento dos temas tratados. 1) Aborto: "Feto de menos de 500 g na ocasião da expul- são do útero, sem possibilidade de sobreviver; ação ou fenômeno de abortar" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 2) Amenorreia: "Ausência de período menstrual. Pode ser primária, nas mulheres que nunca menstruaram, ou secundária, em mulheres que já tiveram períodos menstruais e deixaram de tê-los" (DICIONÁRIO MÉDI- CO, 2014). 3) Anticoncepção: "Prevenção da gravidez" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 4) Cesariana: "Cirurgia realizada por via abdominal, para permitir o nascimento de um produto de uma gesta- ção viável" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 5) Climatério: "Conjunto de mudanças adaptativas que são produzidas na mulher como consequência do de- clínio da função ovariana na menopausa. Consiste em aumento de peso, ‘calores’ frequentes, alterações da distribuição dos pelos corporais e dispareunia" (DICIO- NÁRIO MÉDICO, 2014). 6) Colpocitologia oncótica: "Método de coloração para amostras de tecido, particularmente difundido por sua 13© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO utilização na detecção precoce do câncer de colo uteri- no" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 7) Concepção: "ato de ser concebido ou gerado; fecunda- ção de ovo" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 8) Dispareunia: "Coito doloroso para a mulher" (DICIO- NÁRIO MÉDICO, 2014). 9) Distócia: "Perturbação no trabalho de parto; parto di- fícil" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 10) Eclampsia: "Estado caracterizado por ataques convul- sivos de início brusco, que pode se manifestar nos úl- timos meses de gravidez, durante ou após o parto. A pré-eclâmpsia caracteriza-se por edema generalizado, proteinúria e hipertensão, que pode evoluir para con- vulsão e coma" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 11) Endométrio: "Membrana mucosa que reveste a pare- de interna do útero" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 12) Episiotomia: "Incisão vulvar destinada a evitar a rup- tura do peritônio durante o parto" (DICIONÁRIO MÉ- DICO, 2014). 13) Estrógeno: "Grupo hormonal produzido principalmen- te pelos ovários e responsáveis por numerosas ações no organismo feminino (indução da primeira fase do ci- clo menstrual, desenvolvimento dos ductos mamários, distribuição corporal do tecido adiposo em um padrão feminino, entre outras)" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 14) Fecundação: "Fertilização do óvulo pela penetração do elemento fecundante do espermatozoide" (DICIONÁ- RIO MÉDICO, 2014). 14 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 15) Fogacho: "Sensação de calor que vem à face por emo- ção ou estado mórbido, notadamente na síndrome do climatério" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 16) Ginecologia: "Ramo da Medicina que estuda a consti- tuição feminina e as doenças da mulher" (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 17) Hiperêmese gravídica: "Vômito abundante, especial- mente na gravidez” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 18) Hipotonia uterina: “Diminuição da tensão, da contra- ção normal do útero” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 19) Infecção congênita: “Entrada e desenvolvimento no organismo, durante o nascimento, de microrganismos patogênicos capazes de provocar determinada doen- ça. A doença infecciosa pode ser causada por bacté- rias, fungos, protozoários e vírus” (DICIONÁRIO MÉDI- CO, 2014). 20) Lactância: “Período de vida em que a criança mama” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 21) Maternidade: “Qualidade de mãe; hospital onde as mulheres dão à luz os seus filhos” (DICIONÁRIO MÉ- DICO, 2014). 22) Mecônio: “Conteúdo intestinal, de cor azeitona escu- ra, eliminada pelo feto nos primeiros dias de vida; mis- tura de bílis com detritos de células, muco e secreções intestinais, também chamada ferrado” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 23) Menarca: “Primeira menstruação. Pode aparecer en- tre os 13 e 16 anos, dependendo de fatores genéticos e ambientais” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 15© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 24) Menopausa: “Estado fisiológico caracterizado pela in- terrupção dos ciclos menstruais normais, acompanha- da de alterações hormonais em mulheres após os 45 anos” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 25) Menstruação: “Sangramento cíclico através da vagina, produzido após um ciclo ovulatório normal e que cor- responde à perda da camada mais superficial do endo- métrio uterino” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 26) Multípara: “Mulher que teve vários filhos” (DICIONÁ- RIO MÉDICO, 2014). 27) Nulípara: “Nome dado à mulher que ainda não teve parto” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 28) Parto: “Ato de parir; produto da concepção; expulsão do filho” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 29) Parto gemelar: “parto de dois filhos” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 30) Parto induzido: “parto provocado na gestação prolon- gada, ou nas anormalidades gestatórias” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 31) Parto prematuro: “parto que se realiza antes do perío- do normal de gestação” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 32) Parto serotino: “Parto realizado após duração excessi- va da gravidez” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 33) Perinatal: “relativo aos períodos imediatamente ante- rior e posterior ao parto” (DICIONÁRIO MÉDICO, 2014). 34) Primípara: “Mulher que pariu pela primeira vez” (DI- CIONÁRIO MÉDICO, 2014). 35) Puerpério: “Período compreendido entre o parto e a completa recuperação anatomofisiológica da mulher; 16 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO pós-parto (aproximadamente seis semanas)” (DICIO- NÁRIO MÉDICO, 2014). 3. ESQUEMA DOS CONCEITOS-CHAVE O Esquema a seguir possibilita uma visão geral dos concei- tos mais importantes deste estudo. Figura 1 Esquema dos Conceitos-chave de Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher. 4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Período Não Gravídico Saúde da Mulher Adolescência Políticas públicas Redes de atenção Direitos sexuais e reprodutivos Trabalho de parto, parto e puerpério Doenças Intercorrências Violência Gestante Planejamento familiar Métodos anticoncepcionais Infertilidade Semiologia e Semiotécnica da mulher Consulta de Enfermagem 17© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER CONTEÚDO INTRODUTÓRIO 5. E-REFERÊNCIA DICIONÁRIO MÉDICO. Conceitos. 2014. Disponível em: <https://www.xn-- dicionriomdico-0gb6k.com/display.php?action=search&word=Aborto&nr_page=1>. Acesso em: 3 maio 2019. © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER 19 UNIDADE 1 SAÚDE DA MULHER Objetivo • Entender como acontece a organização da saúde da mulher, para, assim, atender as políticas públicas de atenção à saúde. • Conhecer os métodos anticoncepcionais, os determi- nantes do planejamento familiar e a infertilidade. • Entender os aspectos da saúde da mulher adolescente e no climatério. • Conhecer a situação social da mulher no Brasil. Conteúdos • As políticas públicas de saúde da mulher e as redes de atenção. • Gênero e saúde-doença das mulheres. • Direitos sexuais e reprodutivos da mulher. • Determinantes do planejamento familiar e métodos anticoncepcionais. • Infertilidade: bases para os cuidados de enfermagem. • A mulher adolescente e no climatério. • A participação das mulheres na vida social. • Violência contra a mulher (videoaula). 20 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referên- cia de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresen- tadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principaisconceitos apresenta- dos e realize as revisões sugeridas no início de cada unidade. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares, descritos no Conteúdo Digital Integrador. Neles se- rão orientados os estudos sobre a atenção à saúde da mulher. 21© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER 1. INTRODUÇÃO Vamos iniciar nossa primeira unidade de estudo, você está preparado? A disciplina Enfermagem em Ginecologia, Obstetrícia e Saúde da Mulher está dividida em cinco ciclos de aprendizagem, cada um deles correspondendo a um grupo de conteúdos e ob- jetivos específicos. Esses conteúdos e objetivos visam contribuir para a forma- ção do enfermeiro que irá atuar no cuidado à saúde da mulher em diversas fases do seu ciclo de vida. Nesta unidade, você conhecerá as políticas públicas de saúde da mulher e as redes de atenção, as questões de gênero e saúde-doença das mulheres, os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, o planejamento familiar e métodos anticoncepcio- nais, a infertilidade como base para os cuidados de enfermagem, a participação das mulheres na vida social e, como videoaula, o tema da violência contra a mulher. Nessa perspectiva, a disciplina visa proporcionar ao futuro enfermeiro a compreensão das políticas de saúde em relação à mulher nos ciclos da vida, tais como adolescência, gestante, parto, puerpério, e climatério, e o cuidado específico para cada ciclo. Por fim, os estudos dessa disciplina objetivam contribuir para a formação de um enfermeiro capaz de constante avaliação crítica a respeito de suas ações. 22 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE DA MULHER As políticas públicas são um conjunto de ações do gover- no que têm por objetivo produzir um efeito específico. No caso das mulheres, as políticas públicas surgiram da necessidade em garantir a igualdade do direito das mulheres, por exemplo, ao considerar a desigualdade no acesso ao trabalho. De acordo com Alexandre (2007), o Sistema Único de Saú- de (SUS), como política de saúde, possui princípios e diretrizes que pretendem conduzir o setor da saúde para qualificação da assistência à saúde da população brasileira. No Brasil, a saúde da mulher foi incorporada às políticas públicas nacionais nas primeiras décadas do século 20, pois, antes disso, o que havia eram ações limitadas às demandas de gravidez e parto. Com o movimento feminista, iniciou-se a luta contra a perspectiva reducionista da saúde da mulher, o que, aos poucos, possibilitou a inclusão de importantes itens na agenda da política nacional (ALEXANDRE, 2007). A Política Nacional para Mulheres (PNM) tem caráter per- manente e fornece linhas gerais sobre os planos, que têm caráter mais abundante e que são sujeitos a modificações mais frequen- tes. Dentre os princípios da PNM, estão: 1) Igualdade e respeito à diversidade. 23© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER 2) Equidade. 3) Autonomia das mulheres. 4) Laicidade do Estado. 5) Universidade das políticas. 6) Justiça social. 7) Transparência dos atos públicos. 8) Participação e controle social. A Política de Saúde da Mulher tem o enfoque no direciona- mento dos recursos mínimos necessários e abrangentes à saúde da mulher. Dentre seus objetivos gerais, estão: • Promover a melhoria das condições de vida e de saúde das mulheres brasileiras; [...] • Contribuir para a redução da morbidade e mortalidade feminina no Brasil, especialmente por causas evitáveis; [...] • Ampliar, qualificar e humanizar a atenção integral à saúde da mulher no SUS (ALEXANDRE, 2007, p. 67). Em 1984, o Ministério da Saúde elaborou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que representou um marco para a assistência da população feminina no Brasil, pois fez cumprir os princípios e as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), incorporando ações educativas, preventivas, de diagnóstico, de tratamento e recuperação em todos os ciclos de vida da mulher: ginecologia, pré-natal, parto, puerpério, clima- tério, planejamento familiar, doenças infecciosas, neoplasias e violências (ALEXANDRE, 2007). No entanto, uma crítica à formulação das políticas pú- blicas de saúde da mulher diz respeito às questões de gênero, que revelam a histórica desigualdade de poder entre homens e mulheres e seu impacto nas condições de saúde da população; 24 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER como exemplo, podemos citar que o processo de saúde e doen- ça resulta da atuação de fatores sociais, econômicos, culturais e históricos. Nessa perspectiva, as mulheres são mais vulneráveis, já que se encontram em maior situação de pobreza, trabalham mais horas e gastam pelo menos metade do seu tempo em ativi- dades não remuneradas, diminuindo seu acesso aos bens sociais e aos serviços de saúde (ALEXANDRE, 2007). Tais questões contribuem, também, para a organização das famílias no Brasil, que, apesar de se apresentar de diversas for- mas, ainda demonstra o predomínio do papel social da mulher subordinada ao homem, servindo-lhe como suporte. Quando a mulher assume a chefia da família, na maioria das vezes, a mu- lher tem piores condições econômicas, sociais e afetivas e renda familiar menor (ALEXANDRE, 2007). Ainda prevalecem sobre a mulher as obrigações da mater- nidade, da manutenção da boa saúde e da educação da prole e, no que diz respeito à saúde da mulher, o foco ainda está voltado para a saúde materna ou à ausência de doenças associadas à reprodução humana. Portanto, há a necessidade emergente de considerar os direitos humanos e as questões de cidadania na saúde da mulher (ALEXANDRE, 2007). Nesse sentido, a literatura afirma que a mulher precisa exercer seus direitos de expressar seus pensamentos, manifestar sua participação política, gerar autonomia e usufruir dos direi- tos sociais, protegendo-se contra a violência de gênero e sexo e garantindo seu atendimento com respeito e humanidade (ALE- XANDRE, 2007). No que se refere aos planos para a saúde da mulher, ou seja, a base para as ações, o I Plano Nacional de Políticas para Mulheres (PNPM) foi criado em 2004 e atuou em quatro linhas 25© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER importantes e mais urgentes: autonomia, igualdade no mundo do trabalho e cidadania; educação inclusiva e não sexista; saúde das mulheres, direitos sexuais e reprodutivos; e enfrentamento à violência contra a mulher. Ou seja, foi um compromisso que o governo assumiu em ser parceiro na erradicação da discrimina- ção contra mulheres. No mesmo ano, ampliou-se o PAISM, com a inclusão de mulheres rurais, com deficiência, negras, indígenas, presidiárias e lésbicas, que ganharam participação nas discussões, além de serem discutidas atividades sobre saúde da mulher. Assim, o PAISM ganhou status de Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher. Com as leituras e o vídeo indicados no Tópico 3. 1, você conhecerá mais sobre as políticas públicas para saúde das mulheres. Antes de prosseguir para o próximo assunto, aces- se os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.2. DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS Segundo Alexandre (2007), com o processo de envelhe- cimento populacional, observou-se a queda da fecundidade no mundo e no Brasil, motivada por avanços socioeconômicos e au- mento da migração rural-urbana. A mulher passou, então, a as- sumir novos papéis na sociedade, aumentando sua participação no mercado de trabalho, além de ter aumentado a escolaridade e o acesso à informação. 26 © ENFERMAGEMEM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER Esse novo panorama demográfico tem exigido ações pro- gramáticas mais abrangentes, especialmente quanto aos direi- tos sexuais e reprodutivos. São considerados direitos sexuais e reprodutivos os direitos a liberdade, privacidade, intimidade e autonomia, sem discriminação, coerção ou violência; ou seja, na atenção primária à saúde, as ações são exemplificadas por aconselhamento, informação, educação, comunicação e pelos serviços de planejamento familiar, atenção pré-natal, partos sem riscos, atenção pós-parto, lactância materna, atenção materno- -infantil, prevenção e tratamento adequado em casos de infer- tilidade, interrupção da gravidez, tratamento das infecções do aparelho reprodutor e das doenças sexualmente transmissíveis, informação e educação sobre sexualidade humana, saúde repro- dutiva e paternidade responsável (BARBIERI, 2007). Em suma, as recomendações internacionais para atender os direitos sexuais e reprodutivos da mulher precisam estar nas agendas governamentais, o que não é tarefa fácil. Planejamento familiar O planejamento familiar ou reprodutivo trata-se de um di- reito básico do ser humano e cabe ao Estado proporcionar recur- sos e meios para alcançar o mais elevado nível possível de saúde sexual e reprodutiva (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Além disso, o planejamento familiar pretende conscienti- zar os casais quanto ao número de filhos e às condições necessá- rias para criá-los (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Considera-se a fase reprodutiva da mulher o período da menarca e da menopausa, aproximadamente entre 10 e 49 anos. No entanto, o planejamento envolve decisões conscientes não 27© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER só pela mulher, mas, também, pelo homem ou casal. A assistên- cia em anticoncepção pressupõe a oferta de todas as alternati- vas possíveis de métodos anticoncepcionais, o conhecimento de suas indicações, contraindicações e aplicações de uso, garantin- do a todos os envolvidos os elementos necessários para a opção dos métodos que melhor se adaptem (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). A decisão sobre qual método anticoncepcional é melhor para o indivíduo ou casal é individual e abrange eficácia, inocui- dade, aceitabilidade, disponibilidade, facilidade de uso e reversi- bilidade do método (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Atualmente, há diversos métodos anticoncepcionais dispo- níveis, e não existe um método perfeito ou ideal, ou seja, que possa ser utilizado por toda mulher, que seja totalmente eficaz, de fácil acesso, não tenha efeitos colaterais, não interfira no ato sexual ou que seja aceito sem restrições moral, psicossocial e religiosa. O melhor método é aquele que mais se adéqua às necessidades e às condições de saúde do indivíduo, aquele que oferece maior número de benefícios com o mínimo de risco, di- ferenciando-se cada caso em particular, sendo de decisão con- junta do casal ou da mulher, sob orientação de um profissional da saúde (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Os principais métodos anticoncepcionais são representa- dos por: método Ogino-Knaus ou tabelinha, método da tempe- ratura basal, método de Billings ou método da ovulação ou mu- cocervical, método sintotérmico, coito interrompido, método da amenorreia da lactação, preservativo masculino ou condom ou camisinha, preservativo feminino, diafragma, espermicidas, an- ticoncepcionais hormonais orais, anticoncepcionais hormonais injetáveis, anticoncepcional hormonal vaginal, anticoncepcional hormonal transdérmico, implantes anticoncepcionais, contra- 28 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER cepção de emergência, dispositivo intrauterino, laqueadura tu- bária e vasectomia (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Os profissionais de saúde precisam se atualizar sobre os diversos métodos disponíveis, ter habilidade de comunicação interpessoal para poder comunicar-se com os usuários dos ser- viços e saúde, falar de maneira adequada, utilizar apoio visual, escutar e verificar a compressão e ter postura aberta e de respei- to aos direitos da pessoa (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Além disso, ao enfermeiro incumbe: obter a história clínica e reprodutiva da mulher; realizar o exame físico e ginecológico; investigar metas reprodutivas; reforçar a importância do planeja- mento familiar; avaliar o conhecimento prévio dos métodos anti- concepcionais e seu nível de compreensão; ajudar na escolha do melhor método, mas sempre respeitando os desejos e interesses do usuário; oferecer informações precisas sobre o método es- colhido; discutir a vulnerabilidade para as doenças sexualmente transmissíveis e sua prevenção; encaminhar para consulta médi- ca, se necessário; realizar coleta de material para colpocitologia oncótica, se necessário; fornecer o método anticoncepcional, aprazar o retorno, registrar todas as informações e realizar esta- tísticas (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). Isso significa que as ações de enfermagem abrangem des- de a orientação de hábito de saúde, como o método escolhido e uso de preservativos em todas as relações sexuais, os resultados dos exames, autoexame das mamas, até o agendamento de gru- pos de esterilização e sexualidade, o encaminhamento ao servi- ço de psicologia, a coleta de exames preventivos (Papanicolau), exames de rotina e a escuta da usuária (CAMIÁ; BARBIERI, 2009). 29© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, am- plie seu conhecimento com as leituras das principais recomen- dações para o planejamento familiar\reprodutivo e métodos anticoncepcionais. Antes de prosseguir para o próximo as- sunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Morbidade e mortalidade feminina Conforme Alexandre (2007), a morbidade e a mortalida- de da população feminina são determinadas por aspectos bio- lógicos, culturais e sociais. As principais causas de morte entre mulheres são representadas por causas cardiovasculares, como o acidente vascular encefálico e doenças hipertensivas; causas infecciosas, como a AIDS; causas violentas, como o homicídio; e neoplasias, como o câncer de mama, útero e tecido linfático. O perfil epidemiológico feminino atual tem sido relacionado aos desgastes proporcionados pelo excesso de atividades e respon- sabilidades que as mulheres exercem. De relevância ímpar, incluem-se as mortes por complica- ções da gravidez, do parto e do puerpério, que quase sempre são causadas por inadequada e\ou tardia assistência médica e que também podem ser evitadas. Exemplos das causas de mor- tes maternas são: hemorragia, hipertensão, infecção puerperal, embolia pulmonar e doenças infeciosas e parasitárias (ALEXAN- DRE, 2007). Em vista desse quadro, vê-se como é importante o conhecimento do profissional de saúde, pois permite que ações preventivas sejam estimuladas e implementadas. De acordo com Barbieri (2007), os desafios são inúmeros, uma vez que os indicadores apontam para elevada mortalidade 30 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER materna, má qualidade da assistência pré-natal, ao parto e ao pós-parto, atenção ao parto ainda marcada por medicalização, intervenções e prática abusiva da cesariana, aborto realizado em condições de risco e insegurança, anticoncepção designada pela pouca expressividade de outros métodos além da laqueadura tubária e hormônios orais, desconhecimento da magnitude das doenças sexualmente transmissíveis na gravidez e aumento da mortalidade provocada por cânceres ginecológicos. Outros temas importantes que merecem ser abordados em saúde da mulher e que envolvem direitos sexuais e repro- dutivos são a infertilidade, a mulher adolescente e a mulher no climatério. Mulher: infertilidade, adolescência e climatério A infertilidade é um tema complexo e importante que en- volve a saúdeda mulher. Para a reprodução humana, são ne- cessárias condições anatômicas, fisiológicas e sociopsicológicas harmônicas. A infertilidade é definida como a inabilidade de con- ceber, após um ano de tentativa regular sem contracepção, ou de levar a gestação até um nascimento, podendo ser classificada em primária ou secundária (MAMEDE; CLAPIS; PANOBIANCO, 2017). As causas da infertilidade podem ser condições ou doenças da mulher, como endometriose e doença inflamatória pélvica, ou doenças do homem, como distúrbios endócrinos, doenças sexualmente transmissíveis, entre outras. A enfermagem poderá ajudar o casal conhecendo os aspectos clínicos e as implicações psicológicas da infertilidade, identificando suas necessidades e auxiliando-o a superar suas dificuldades e os modalidades de tratamento de infertilidade (MAMEDE; CLAPIS; PANOBIANCO, 2017). 31© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER A saúde das mulheres adolescentes deve levar em consi- deração que essa fase engloba mudanças fisiológicas hormonais, crescimento acelerado, aparecimento de características sexuais secundárias, desenvolvimento de órgãos e mudanças no apare- lho reprodutivo (MANDÚ, 2007). A fase da adolescência é construída socialmente em meio a condições e relações socioculturais, de acordo com cada so- ciedade, cultura e grupo. Os serviços de saúde ainda não estão preparados para lidar com famílias, crianças e adolescentes em questões relacionadas à sexualidade. A falta de condições apro- priadas de vida, os controles culturais exercidos sobre as vidas e os corpos dos adolescentes e a inadequada qualidade da aten- ção à saúde resultam em graus diferentes de problemas de saú- de em adolescentes. Somam-se a esses problemas os sofrimen- tos psicoemocionais relacionados à autoestima (MANDÚ, 2007). Para Mandú (2007), cuidar da saúde dos adolescentes re- quer medidas amplas e promocionais de saúde, com atenção es- pecial à sua história de saúde, tendo como base muito diálogo, escuta, aceitação e respeito. Já Alexandre (2007) explica que as políticas públicas de atenção ao adolescente têm o objetivo de orientar as adolescen- tes segundo os parâmetros dos direitos sexuais e reprodutivos, bem como chamar a atenção para o desenvolvimento da corres- ponsabilidade masculina na reprodução e na contracepção. O climatério, assim como a adolescência, é um processo complexo de mudanças físicas, emocionais e socioculturais, e existem vários fatores que podem influenciar a forma como cada mulher o vivenciará. Ele refere-se ao período da vida reprodutiva da mulher durante o qual a menopausa ocorre, uma vez que a menopausa é a cessação permanente das menstruações por um 32 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER período de doze meses de amenorreia, pela perda da função fo- licular dos ovários (GONÇALVES; MERIGHI, 2007). O climatério e a menopausa não são doenças, constituindo uma fase da vida da mulher em cujo desequilíbrio hormonal é brusco e pode gerar certo desconforto (ALEXANDRE, 2007). Os sinais e sintomas do climatério podem iniciar com a irregularida- de menstrual, fogachos, prurido, dispaurenia, alterações da pele e dos fâneros e até fadiga e depressão (GONÇALVES; MERIGHI, 2007). Incluem, ainda, ressecamento vaginal e urgência miccio- nal, com repercussão na esfera sexual e na qualidade de vida da mulher, dificuldades cognitivas e irritabilidade emocional (PINEL- LI; SOARES, 2009). O climatério ocasiona alterações no sistema ósseo da mu- lher, tendo como consequência principal a perda de massa óssea e sua relação com osteoporose. Dessa forma, é imprescindível a educação em saúde visando à prevenção de complicações da os- teoporose, como dieta rica em cálcio e fósforo, exercícios físicos e banho de sol moderado (PINELLI; SOARES, 2009). As mulheres nessa fase da vida podem sofrer preconceitos relacionados à idade e também à incapacidade da maternidade. Além disso, há ainda a possibilidade de mudanças sociais, como aposentadoria, morte do companheiro e saída dos filhos de casa (ALEXANDRE, 2007). No âmbito da saúde pública, o climatério ainda é visto como problema de solução individual e centrado no aspecto bi- ológico. É imprescindível o empenho dos profissionais de saúde no que se refere à orientação das mulheres sobre o climatério, em um contexto interdisciplinar que vise à melhoria da quali- dade de vida das mulheres e à manutenção de hábitos de vida saudáveis (GONÇALVES; MERIGHI, 2007). 33© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, am- plie seu conhecimento sobre infertilidade e saúde da mulher adolescente e no climatério. Antes de prosseguir para o próxi- mo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimi- lar o conteúdo estudado. 2.3. SITUAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE DA MULHER De acordo com Fonseca (2007), a maneira como são inter- pretados os fenômenos sociais depende da visão de mundo que se aplica. O processo saúde-doença é um fenômeno social e vê a doença como proveniente da ação de múltiplos fatores, relacio- nados ao sujeito, ao meio ambiente e ao agente causador. Assim, o processo saúde-doença determinado socialmente decorre da inserção do indivíduo ou do grupo basicamente em uma dada classe social, num determinado gênero, numa geração e numa raça-etnia, além de outros aspectos. Considera-se gênero uma construção histórica, que se re- fere ao sexo social, com base nos processos sociais de construção de feminilidade e de masculinidade. O processo saúde-doença das mulheres decorre dos processos de degastes característicos das mulheres numa dada sociedade e numa dada época. Obser- va-se que as mulheres ocupam uma posição social subalterna à dos homens na sociedade, e isso pode ser verificado por sua situação de iniquidade no trabalho e nos rendimentos, na es- colarização, na propriedade e no acesso a bens e serviços, bem como no exercício de seus direitos (FONSECA, 2007). Há vários processos que interferem negativamente na vida e na saúde das mulheres, tais como: aumento na proporção de 34 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER mulheres chefes de família sem os suportes jurídicos e salariais vigentes para os homens, agudização do processo de subvalori- zação do trabalho feminino e do peso da tripla carga de trabalho para possibilitar condições de sobrevivência familiar; atividades político-participativas e agudização da falta de bens de consumo e serviços para dar suporte às atividades femininas (FONSECA, 2007). A assistência à saúde da mulher deve ser norteada nos princípios do SUS e deve ter como objetivo assistir as mulheres no que diz respeito à sua saúde e contribuir para emancipação de gênero, tanto na dimensão biológica quanto social (FONSECA, 2007). Como já mencionado, os programas governamentais preci- sam ampliar o enfoque da saúde da mulher para além do perío- do gestacional ou gravídico-puerperal. Os programas nacionais para atenção e assistência à saúde da mulher trazem recomendações que orientam a assistência de enfermagem e possibilitam o levantamento de diagnósticos e in- tervenções de enfermagem. O Programa Rede Cegonha é uma estratégia que tem a fi- nalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-in- fantil por meio de planejamento reprodutivo e atenção humani- zada à gravidez, ao parto e ao puerpério (pós-parto), bem como através de garantia às crianças do direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis (BRASIL, 2013). 35© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 3, co- nheça mais sobre os principais programas nacionais para aten- ção e assistência à saúde da mulher. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiaisindicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador é a condição necessária e in- dispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. POLÍTICAS PÚBLICAS DE SAÚDE DA MULHER Nessa perspectiva, os textos a seguir apresentam aspectos que envolvem as mulheres nas questões de gênero, de autono- mia, de igualdade, de educação, formas de violência contra as mulheres e enfrentamento das desigualdades, no âmbito das políticas públicas nacionais. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas. Política nacional de atenção integral à saúde da mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. Disponível em: <http://bvsms.saude. gov.br/bvs/publicacoes/politica_nac_atencao_mulher. pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. • BRASIL. Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres. II Plano Nacional de Políticas para as Mulhe- res. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/dmdo- 36 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER cuments/planonacional_politicamulheres.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. • BRASIL. Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres. Plano Nacional de Políticas para as mulheres. 2005. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/pnpm_compacta.pdf>. Acesso em: 17 set. 2018. 3.2. DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS Os textos são recomendações importantes sobre direitos sexuais e reprodutivos, planejamento familiar, métodos anticon- cepcionais, participação do enfermeiro e uma análise sobre a mortalidade materna, para leitura e compreensão na íntegra. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Direitos Se- xuais e Direitos Reprodutivos: uma prioridade do gover- no. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_ direitos_sexuais_reprodutivos.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estraté- gicas. Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Brasília: Ministério da Saúde, 2009. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publi- cacoes/direitos_sexuais_reprodutivos_metodos_anti- concepcionais.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019. 37© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde se- xual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saú- de, 2010. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/ docs/publicacoes/cadernos_ab/abcad26.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde se- xual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/saude_sexual_saude_reprodutiva.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres. Brasília: Ministério da Saú- de, 2016. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/ docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher. pdf>. Acesso em: 15 jan. 2019. • VIANA, R. C.; NOVAES, M. R. C. G.; CALDERON, I. M. Mor- talidade Materna – uma abordagem atualizada. Com. Ciências Saúde, 22, sup. 1, p. S141-S152, 2011. Disponí- vel em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/morta- lidade_materna.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. • UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA. Centro de Ciências da Saúde. Curso de Especialização Mul- tiprofissional na Atenção Básica � Modalidade a Dis- tância. Atenção integral à saúde da mulher: medicina. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2016. Disponível em: <https://unasus.ufsc.br/atencao- basica/files/2017/10/Aten%C3%A7%C3%A3o-Integral- -%C3%A0-Sa%C3%BAde-da-Mulher-ilovepdf-compres- sed.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. 38 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Assistência em Planejamento Familiar: Manual Técnico. Brasília: Minis- tério da Saúde, 2002. Disponível em: <http://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia1.pdf>. Acesso em: 10 dez. 2018. • BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Bá- sica: Saúde das Mulheres. Brasília: Ministério da Saú- de, 2016. Disponível em: <http://www.saude.sc.gov. br/index.php/documentos/informacoes-gerais/redes- -de-atencao-a-saude-2/rede-aten-a-saude-materna-e- -infantil-rede-cegonha/manuais-e-publicacoes/12088- -protocolo-saude-das-mulheres/file>. Acesso em: 13 dez. 2018. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas Saúde do adolescente: competências e habili- dades. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publi- cacoes/saude_adolescente_competencias_habilidades. pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas. Manual de Atenção à Mulher no Climatério/ Menopausa. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/manual_atencao_mulher_climaterio.pdf>. Acesso em: 14 jan. 2019. 39© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER 3.3. SITUAÇÃO SOCIAL DA SAÚDE DA MULHER Os textos a seguir apresentam aspectos que envolvem a assistência de enfermagem à saúde da mulher e a Rede Cegonha. • SÃO PAULO (Cidade). Secretaria da Saúde. Manual téc- nico: saúde da mulher nas Unidades Básicas de Saú- de. 2. ed. São Paulo: SMS, 2012. Disponível em: <sms. sp.bvs.br/lildbi/docsonline/get.php?id=7667>. Acesso em: 7 jan. 2018. • UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO. UNA-SUS/ UFMA. Redes de atenção à saúde: a Rede Cegonha. São Luís, 2015. Disponível em: <www.saude.mt.gov.br/ar- quivo/3062>. Acesso em: 7 jan. 2018. • BRASIL. Ministério da Saúde. Rede Cegonha. Disponí- vel em: <http://portalms.saude.gov.br/acoes-e-progra- mas/rede-cegonha>. Acesso em: 19 jul. 2017. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em re- sponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) (Questão adaptada de FUNIVERSA, 2011) As políticas públicas de saúde no Brasil surgiram com enfoque de ações voltadas para o caráter coletivo. No decorrer dos tempos e com os avanços nas discussões de autores e legisla- ções, começou-se a norteá-las para a assistência médica individual. Acerca de políticas públicas de saúde da mulher, assinale a alternativa correta: a) A violência doméstica contra a mulher compreende apenas a violência psicológica, entendida como qualquer ofensa que configure calúnia, difamação ou injúria. 40 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER b) A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar está assegurada na Lei Maria da Penha. c) A violência doméstica se caracteriza apenas pela violência física. d) Nenhuma das alternativas anteriores. 2) (Questão adaptada de FUNIVERSA, 2011) A estratégia Rede Cegonha tem a finalidade de estruturar e organizar a atenção à saúde materno-infantil no país e será implantada, gradativamente, em todo o território nacional. Os princípios da Rede Cegonha são: a) Humanização do parto e do nascimento. b) Acolhimento apenas da gestante. c) Realização do pré-natal, sem acompanhamento posterior da mulher. d) Não é uma política para a saúde da mulher e da criança. 3) Sobre as açõesde saúde da mulher, analise as afirmações a seguir e assi- nale a alternativa falsa: a) Os altos índices de mortalidade materna e neonatal e as taxas crescen- tes de cirurgia cesariana dos últimos anos evidenciam a necessidade de colocar em discussão o modelo de atenção obstétrica e neonatal hegemônico no país. b) Apesar do avanço na melhoria da atenção ao pré-natal, ao parto e ao nascimento, fruto de uma série de esforços e de iniciativas dos gover- nos e da sociedade nos últimos 30 anos, a redução da morbimortalida- de materna e neonatal permanece como um desafio. c) Nas práticas de atenção e de gestão, predominam arranjos organiza- cionais que dificultam a participação tanto de trabalhadores quanto de usuários e uma assistência marcada por intensa medicalização e intervenções potencialmente iatrogênicas, sem respaldo em evidên- cias científicas. d) A Rede Cegonha tem por objetivo fomentar a implementação de um modelo de atenção à saúde da criança durante o seu desenvolvimento no período em qualquer faixa etária de idade. 4) Assinale a resposta correta: a Rede Cegonha irá monitorar os seguintes indicadores de mortalidade e morbidade: a) Cobertura de equipes de Saúde da Família; Tipo de parto: % de partos cesáreos e partos normais, bem como as cesáreas em primíparas com IG > 32 semanas; idade materna; % de gestantes captadas até a 12ª 41© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER semana de gestação; % de crianças com consultas preconizadas até 24 meses de idade; de crianças com as vacinas de rotina de acordo com a agenda programada. b) Número absoluto de óbitos infantis (neonatal e pós-neonatal); Núme- ro absoluto de óbitos maternos por município. % de crianças com con- sultas preconizadas até 24 meses de idade; de crianças com as vacinas de rotina de acordo com a agenda programada. c) Número de nascidos vivos e % de mais de 7 consultas no pré-natal; Incidência de sífilis congênita (indicador 7 do Pacto pela Vida); Número absoluto de óbitos infantis (neonatal e pós-neonatal); Número absolu- to de óbitos maternos por município. d) Número de nascidos vivos e % de mais de 7 consultas no pré-natal; In- cidência de sífilis congênita (indicador 7 do Pacto pela Vida); Cobertura de equipes de Saúde da Família; Tipo de parto: % de partos cesáreos e partos normais, bem como as cesáreas em primíparas com IG > 32 semanas; idade materna. 5) Assinale a alternativa correta em relação ao climatério. a) São sinais do climatério: ondas de calor, suores noturnos, variações da PA e taquicardia. b) Devido ao aumento do estrógeno, pode ocorrer a osteoporose. c) Nas manifestações genitais, são comuns o ressecamento vaginal e o aumento de pelos. d) A terapia hormonal não é recomendada para as mulheres nesse período. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 1) b. 2) a. 3) d. 4) a. 5) a. 42 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final da primeira unidade, na qual você teve a oportunidade de conhecer as políticas públicas de saúde da mulher e as redes de atenção, as questões de gênero e saúde- -doença das mulheres, os direitos sexuais e reprodutivos da mulher, os determinantes do planejamento familiar e métodos anticoncepcionais, a infertilidade e as bases para os cuidados de enfermagem, aspectos sobre a mulher adolescente e no climaté- rio, a participação das mulheres na vida social e sobre violência contra a mulher. É relevante a interação de todo o conhecimento adquirido nas obras estudadas até o momento para a prática clí- nica do enfermeiro. Veja, agora, as leituras do Conteúdo Digital Integrador, que ampliarão seu conhecimento sobre o assunto. Na próxima uni- dade, você será apresentado aos cuidados do enfermeiro quanto à saúde da mulher fora do ciclo gravídico-puerperal. 6. E-REFERÊNCIA BRASIL, Ministério da Saúde. Manual do Planejamento Familiar. Brasília: Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/0102assistencia1.pdf>. Acesso em: 28 jul. 2018. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALEXANDRE, L. B. S. P. Políticas públicas de saúde da mulher. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 1, p. 1-29. BARBIERI, M. Direitos sexuais e reprodutivos da mulher. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 3, p. 62-81. CAMIÁ, G. E. K.; BARBIERI, M. Planejamento familiar. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. Sao Paulo: Roca, 2009. Cap. 2, p. 19-48. 43© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 1 – SAÚDE DA MULLHER FONSECA, R. M. G. S. da. Gênero e saúde-doença: uma releitura do processo saúde- doença das mulheres. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 2, p. 30-61. GONÇALVES, R.; MERIGHI, M. A. B. Climáterio: novas abordagens para o cuidar. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 11, p. 211-223. MAMEDE, F. V.; CLAPIS, M. J.; PANOBIANCO, M. S. Infertilidade: bases para o cuidado de enfermagem. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 4, p. 82-91. MANDÚ, E. N. T. Adolescência: o cuidar nessa fase do ciclo vital. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 10, p. 190-210. PINELLI, F. G. S.; SOARES, L. H. Promoção à saude da mulher. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 20, p. 373-385. © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER 45 UNIDADE 2 ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Objetivo • Entender a saúde da mulher idosa e os cuidados de enfermagem. • Conhecer os aspectos que envolvem a prevenção e o controle dos cânceres de mama e cérvico-uterino. • Entender a consulta de enfermagem e a realização da semiologia e semiotécnica na mulher. Conteúdos • Cuidados de enfermagem da mulher idosa. • Prevenção e controle dos cânceres de mama e cérvico-uterino. • Programa Viva Mulher. • Autoexame das mamas e coleta de material para colpo- citologia oncótica (videoaula). • Consulta de enfermagem e exame físico da mulher fora do ciclo gravídico-puerperal. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 46 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referên- cia de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresen- tadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresenta- dos e realize as revisões sugeridas no início de cada capítulo. Amplie seu conhecimento revisando o con- teúdo sobre a anatomia e fisiologia das mamas e do sistema reprodutor feminino, sobre a consulta de en- fermagem na Atenção Primária à Saúde e a Semiologia e Semiotécnica em Enfermagem. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementa- res descritos no Conteúdo Digital Integrador. Neles serão orientados os estudos sobre a enfermagem ginecológica. 47© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 1. INTRODUÇÃO Dando continuidade em nossos estudos, nesta unidade, você será apresentado aos principais conteúdos relacionados à enfermagem ginecológica. No entanto, antes disso, você estuda- rá sobre a saúde das mulheres idosas, uma vez que as mulheres têm vivido mais do que os homens, e suas necessidades de saú- de sãoespecíficas. Em seguida, serão apresentadas medidas públicas para a prevenção e o controle dos cânceres de mama e cérvico-uterino. Por fim, será dada ênfase aos principais elementos para a avaliação do enfermeiro sobre a saúde da mulher fora do ciclo gravídico-puerperal, a partir do processo de enfermagem. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. SAÚDE DA MULHER IDOSA E CUIDADOS DE ENFERMAGEM As mulheres idosas representam o público que mais cresce no país, e essa situação tem grande impacto nos serviços de saúde, uma vez que a mulher, biologicamente, sofre mais agra- vos à saúde do que os homens. Nesse sentido, vale ressaltar que saúde para o idoso significa manter a melhor qualidade de vida possível (TEIXEIRA, 2007). 48 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Segundo Teixeira (2007), a maioria das idosas nunca exer- ceu uma atividade que lhes pudesse garantir aposentadoria, o que gera um grave problema médico-social. O processo de envelhecimento se dá de forma variada en- tre as pessoas e, no caso das mulheres, depende de como ela se preparou para esse momento e do valor cultural que a sociedade atribui à velhice (TEIXEIRA, 2007). Todos os sistemas orgânicos se alteram na velhice, e o pa- pel do enfermeiro, nesse contexto, é atuar em conjunto com uma equipe multidisciplinar, como geriatras, psicólogos, assistentes sociais, educadores físicos, entre outros, para ajudar no preparo da mulher para o processo de envelhecimento. Para envelhec- er de modo saudável, há a necessidade de alguns cuidados ao longo da vida, como não fumar, beber apenas socialmente, ter alimentação balanceada, praticar exercícios físicos regulares e mentais e participar de atividade sociais familiares ou na comu- nidade (TEIXEIRA, 2007). Usualmente, a atenção à saúde da mulher idosa acontece nas unidades de saúde, e a consulta de enfermagem é a melhor forma de realizá-la (TEIXEIRA, 2007). Há recomendações para que as atividades para as mul- heres sejam individuais, mas, também, que se estendam a gru- pos, por permitirem desenvolver novos conhecimentos e aumen- tar a autoestima, o altruísmo, a socialização e novas habilidades dos participantes. As ações específicas para as mulheres idosas precisam atender suas necessidades e enfrentar os problemas físicos e psicológicos do processo de envelhecimento (TEIXEIRA, 2007). 49© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Com as leituras e o vídeo indicados no Tópico 3. 1, você conhecerá mais sobre as recomendações para atender as ne- cessidades da saúde da mulher idosa. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.2. CÂNCER DE MAMA E CÂNCER CÉRVICO-UTERINO O câncer de mama como doença tem sido descrito pelos egípcios há mais de 3000 anos (BERGAMASCO; TSUNECHIRO, 2007). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA, 2018): O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação desordenada de células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. [...] É o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, correspon- dendo a cerca de 25% dos casos novos a cada ano. No Brasil, esse percentual é de 29%. Para 2018, são esperados 59.700 casos novos de câncer de mama no Brasil. Excluído o câncer de pele não melanoma, é o mais frequente nas mulheres das regiões Sul, Sudeste, Cen- tro-Oeste e Nordeste. O câncer de mama também acomete homens, porém é raro; a ocorrência neste público representa apenas 1% do total de casos da doença. O câncer de mama apresenta-se como: um tumor de consistência dura, de limites mal definidos, de tamanho que pode variar de um até vários centímetros de diâ- metro, de acordo com o tempo de evolução. Pode estar com a mobilidade preservada ou aderido à pele, ao gradil costal ou a ambos. A pele que recobre a mama pode estar íntegra, ul- 50 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA cerada pelo tumor ou apresentar-se como uma casca de laranja (BERGAMASCO; TSUNECHIRO, 2007, p. 118). A doença pode ser percebida em sua fase inicial, na maio- ria dos casos, é reconhecida por meio de sinais e sintomas tais como: nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor (é a principal manifestação da doença, percebida pela própria mulher), pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de la- ranja, alterações no mamilo, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço, saída espontânea de líquido anormal pelos mamilos (INCA, 2018). A Figura 1, a seguir, ilustra tais sintomas: Figura 1 Sinais e sintomas do câncer de mama. Segundo o INCA (2018), o aumento do risco de desenvolvi- mento do câncer de mama está relacionado com o aumento da expectativa da vida, a industrialização, a urbanização, os avanços tecnológicos na área da saúde e a mudança de hábitos de vida. Assim, para evitar essa doença, é necessária a adoção de hábitos saudáveis de vida, como: praticar atividade física, alimentar-se 51© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA de forma saudável, manter o peso corporal adequado, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, amamentar e evitar uso de hor- mônios sintéticos, como anticoncepcionais e terapias de reposi- ção hormonal (INCA, 2018). Por fim, é importante destacar que estratégias para detecção precoce do câncer devem ser incenti- vadas (BERGAMASCO; TSUNECHIRO, 2007). Conforme Bergamasco e Tsunechiro (2007, p.110), as mu- lheres que estão em risco são aquelas com história familiar de câncer de mama em ascendentes ou parentes diretos (mãe ou irmã), na pré-menopausa, que ti- veram diagnóstico prévio de hiperplasia atípica ou neoplasia lobular ou ainda câncer de mama prévio. Para essas mulheres, recomendam-se autoexame mensal e exame clínico semestral ou anual. O prognóstico da mulher com câncer de mama é elevado quando a doença é diagnosticada em estágio inicial, mesmo que os tratamentos em uso não garantam a cura. Por outro lado, a mortalidade também é elevada quando se é diagnosticado em fases avançadas, o que acontece comumente no Brasil (BERGA- MASCO; TSUNECHIRO, 2007). Os métodos clínicos, o autoexame de mama e o exame fí- sico, os métodos instrumentais e a mamografia são os recursos mais importantes utilizados para a detecção precoce da doença (BERGAMASCO; TSUNECHIRO, 2007). A detecção precoce deve ser realizada na atenção primá- ria à saúde, com o exame físico das mamas, e, durante o proce- dimento, a mulher deve ser estimulada e incentivada a realizar o autoexame da mama, esclarecendo-se a ela a importância de adotar esse hábito como cuidado para a própria saúde (BERGA- MASCO; TSUNECHIRO, 2007). 52 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Para tanto, é importante que as mulheres observem suas mamas sempre que possível, no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano, sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamá- rias (INCA, 2018). O autoexame da mama trata-se de um exame realizado pela própria mulher com o objetivo de descobrir alguma altera- ção. O autoexame não desvaloriza e nem substitui o exame físico das mamas realizado pelo profissional de saúde, mas é uma for- ma de autocuidado e compartilhamento de responsabilidades em saúde (BERGAMASCO; TSUNECHIRO, 2007). É recomendado para todas as mulheres 7 a 10 dias após a menstruação, ou, para aquelas que não menstruam, deve-se escolher um dia do mês para sua realização. Espera-se que a mulher busque poralgum endurecimento nodular localizado (BERGAMASCO; TSUNECHI- RO, 2007). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, saiba como se realiza o autoexame da mama. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procu- rando assimilar o conteúdo estudado. Diagnóstico da doença O período entre a percepção das primeiras evidências da doença e a constatação do câncer de mama envolve sentimen- tos, comportamentos e atitudes que variam entre as mulheres e que exigem do enfermeiro um cuidado especial, com acolhimen- to e apoio. 53© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA O Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rastreamento (exame realizado quando não há sinais nem sinto- mas suspeitos) seja ofertada para mulheres entre 50 e 69 anos, a cada dois anos. Mamografia é uma radiografia das mamas fei- ta por um mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas de câncer antes do surgimento dos sintomas, ou seja, antes que seja palpada qualquer alteração nas mamas. A mamografia de rastreamento pode ajudar a reduzir a mortalidade por câncer de mama, mas também expõe a mulher a alguns riscos, os quais devem ser discutidos com o médico que acompanha a mulher (INCA, 2018). Ainda segundo o INCA (2018), o diagnóstico da doença só é confirmado por meio da biópsia, técnica que consiste na retirada de um fragmento do nódulo ou da lesão suspeita por meio de punções (extração por agulha) ou de uma pequena cirurgia. O material retirado é analisado pelo patologista para a definição do diagnóstico, uma vez que há vários tipos de cânceres de mama. Por suas variáveis apresentações, há diversas terapêu- ticas disponíveis, sendo que o tratamento do câncer de mama depende da fase em que a doença se encontra, ou seja, do es- tadiamento e do tipo do tumor. Pode ser tratado com cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia-alvo) (INCA, 2018). Como já mencionado, quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possuir metástases, o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida. Há preocupação cons- tante com a qualidade de vida da paciente com câncer de mama pelos profissionais de saúde ao longo de todo o processo tera- pêutico (INCA, 2018). 54 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, co- nheça mais sobre o diagnóstico e tratamento do câncer de mama e as ações do enfermeiro. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Câncer cérvico-uterino Assim como o câncer de mama, o câncer cérvico-uterino há décadas preocupa a comunidade científica devido ao quadro de morbimortalidade que atinge a população feminina (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). Esse tipo de câncer inicia-se a partir de uma lesão intrae- pitelial progressiva que evolui para um câncer invasivo em torno de dez a vinte anos, caso não seja oferecido tratamento. Durante o processo de evolução, a doença pode ser prevenida e curada (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). Está associada a grupos femininos com maior vulnerabili- dade social e a algumas infecções, como a provocada pelo Papilo- mavírus Humano (HPV). Tabagismo, multiplicidade de parceiros, início precoce da atividade sexual, más condições de higiene e alimentação e uso de contraceptivos orais também têm sido as- sociados ao surgimento da doença, predominantemente na faixa etária de 25 a 59 anos (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). A prevenção primária do câncer está relacionada à diminui- ção do risco de contágio pelo HPV, que é transmitido por via se- xual. O uso de preservativos (camisinha masculina ou feminina) durante a relação sexual com penetração protege parcialmente do contágio pelo HPV, que também pode ocorrer pelo contato 55© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA com a pele da vulva, as regiões perineal e perianal e a bolsa es- crotal (INCA, 2018). Observa-se que o uso de preservativos para diminuição do potencial risco de transmissão do HPV depende do conhecimen- to sobre a doença e suas formas de prevenção, da percepção do risco de infecção, das crenças e dos valores culturais, das iniqui- dades de gênero e de como elas se revelam, do grau de autono- mia e poder de negociação sexual nas relações afetivo-sexuais, do acesso ao serviço de saúde e da oferta de preservativos (NAR- CHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). Tais saberes são fundamentais para o planejamento da as- sistência de enfermagem para prevenção primária do câncer cér- vico-uterino. Assim, para exemplificar, podemos mencionar que diversas estratégias podem reduzir os fatores de risco, como: formação de grupos educativos que permitam a discussão de temas como sexualidade e gênero, vulnerabilidade e prevenção das doenças sexualmente transmissíveis, planejamento familiar\ reprodutivo, qualidade de vida e prevenção do câncer ginecoló- gico; mobilização das mulheres para o autocuidado e para a bus- ca por melhor qualidade de vida (grupos de caminhada, cultura de hortas caseiras); valorização da integralidade na assistência e no estímulo a uma participação das mulheres, com atitudes assertivas em relação à saúde; identificação e minimização das dificuldades de acesso ao serviço de saúde (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). Em 2014, o Ministério da Saúde implementou, no calendá- rio vacinal, a vacina tetravalente contra o HPV para meninas de 9 a 13 anos. A partir de 2017, o Ministério estendeu a vacina para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos. Essa vacina protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros 56 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero (INCA, 2018). A vacinação e a realização do exame preventivo (Papani- colau) se complementam como ações de prevenção desse tipo de câncer. Mesmo as mulheres vacinadas, quando alcançarem a idade preconizada (a partir dos 25 anos), deverão fazer o exame preventivo periodicamente, pois a vacina não protege contra to- dos os tipos oncogênicos do HPV (INCA, 2018). A prevenção secundária do câncer cérvico-uterino é rea- lizada por meio do exame citopatológico para detecção do cân- cer in situ ou das lesões precursoras, tratáveis e curáveis em até 100% dos casos (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). O exame citopatológico ou Papanicolau pode ser realizado em unidades de saúde da rede pública que tenham profissionais capacitados. O exame é indolor, simples e rápido. Pode, no máxi- mo, causar um pequeno desconforto. Para garantir um resultado correto, a mulher não deve ter relações sexuais (mesmo com ca- misinha) no dia anterior ao exame e deve evitar o uso de duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores à sua realização. É importante também que não esteja menstruada, porque a presença de sangue pode alterar o resul- tado. Mulheres grávidas também podem se submeter ao exame, sem prejuízo para sua saúde ou para a do bebê (INCA, 2018). Para a coleta do material, é introduzido na vagina um es- péculo, por meio do qual o profissional de saúde faz a inspeção visual do interior da vagina e do colo do útero. Promove-se a escamação da superfície externa e interna da cérvice com uma espátula de madeira e uma escovinha. As células colhidas são colocadas numa lâmina de vidro para análise em laboratório es- pecializado em citopatologia (INCA, 2018). 57© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Todas as mulheres que têm ou já tiveram vida sexual e que estão entre 25 e 64 anos de idade devemfazer o exame. Para maior segurança do diagnóstico, os dois primeiros exames de- vem ser anuais. Se os resultados estiverem normais, sua repeti- ção só será necessária após três anos (INCA, 2018). A interpretação do resultado do exame é muito importan- te, no entanto, em todas as situações, recomenda-se seguir as recomendações médicas (INCA, 2018). A nomenclatura nacional para os resultados do exame cito- patológico cervical apresentam-se como: displasia leve ou neo- plasia intraepitelial grau I (NIC I), atualmente denominada lesão intraepitelial de baixo grau (LIBG ou LSIL), pois tem baixo poder de malignidade e limita-se a um terço do epitélio de revestimen- to de colo. As lesões consideradas de alto grau ou lesões intrae- piteliais de alto grau são as NIC II e NIC III, que são consideradas lesões precursoras do câncer cervical (PINELLI; SOARES, 2009). Se o exame acusar negativo para câncer, orienta-se fazer novo exame preventivo dentro de um ano; se a mulher já tem um resultado negativo no ano anterior, deverá fazer o próximo exame preventivo em três anos. Se o exame acusou infecção por HPV ou lesão de baixo grau, o exame deverá ser repetido dentro de seis meses. Se o exame mostrou lesão de alto grau, o médico decidirá a melhor conduta; é possível que sejam solicitados ou- tros exames, como a colposcopia. Se a amostra para o exame for insatisfatória, ou seja, a quantidade coletada de material não foi suficiente para fazer o exame, este deverá ser repetido logo que for possível (INCA, 2018). O enfermeiro que irá tratar de mulheres com alterações na citopatologia participa da notificação, da orientação e do acom- panhamento de todas as mulheres cujos resultados requeiram 58 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA outras intervenções diagnósticas e\ou clínicas. O enfermeiro deve: identificar a população de risco, sistematizar a adequada convocação e reconvocação de mulheres a intervalos preesta- belecidos, dispor de recursos adequados para coleta, relatórios, tratamento e acompanhamento das mulheres com exames alte- rados, informar e orientar a mulher para que ela compreenda o significado do rastreamento e avaliar continuamente o processo e os resultados (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 2007). O diagnóstico é realizado por meio do exame pélvico e da história clínica (exame da vagina, colo do útero, útero, ová- rio e reto através de avaliação com espéculo, Papanicolau, to- que vaginal e toque retal), pelo exame preventivo (Papanicolau), colposcopia (exame que permite visualizar a vagina e o colo de útero com um aparelho chamado colposcópio, capaz de detectar lesões anormais nessas regiões) e biópsia (se células anormais são detectadas no exame preventivo (Papanicolau), é necessário realizar uma biópsia, com a retirada de pequena amostra de te- cido para análise no microscópio) (INCA, 2018). Já o tratamento do câncer cérvico-uterino é avaliado em cada caso e deve ser orientado por um médico. Entre os tra- tamentos estão a cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia. O tipo de tratamento dependerá do estadiamento (estágio de evo- lução) da doença, do tamanho do tumor e de fatores pessoais, como idade da paciente e desejo de ter filhos. Se confirmada a presença de lesão precursora, ela poderá ser tratada em nível ambulatorial, por meio de uma eletrocirurgia (INCA, 2018). O enfermeiro também realiza consultas de enfermagem de forma a diminuir a demanda por atendimento, melhorar a qua- lidade da assistência e garantir que as mulheres sejam exami- nadas em intervalos regulares (NARCHI; JANICAS; FERNANDES, 59© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 2007). Em breve, discutiremos mais amplamente sobre a consul- ta de enfermagem. Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, ex- plore informações sobre a evolução das medidas públicas para redução dos cânceres ginecológicos. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. No Brasil, as ações de controle do câncer ginecológico ini- ciaram-se a partir de 1983, por meio de programas em saúde, com a implantação do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher. No entanto, apesar das recomendações de implanta- ção ou ampliação das atividades de diagnóstico e atividades edu- cativas, as ações de combates aos cânceres foram desenvolvidas de forma desarticulada. Em 1996, o Ministério da Saúde, em parceira com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), implantou o Programa Viva Mulher em âmbito nacional, objetivando a de- tecção precoce e o controle do câncer cérvico-uterino. Posterior- mente, as recomendações foram dadas pelo Programa Nacional de Combate ao Câncer de Colo do Útero (PNCCU) (NARCHI; JANI- CAS; FERNANDES, 2007). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, ex- plore informações sobre a evolução das medidas públicas para redução dos cânceres ginecológicos. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 60 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 2.3. CONSULTA DE ENFERMAGEM E SEMIOLOGIA E SEMIOTÉCNICA DA MULHER Como já mencionado, os programas governamentais preci- sam ampliar o enfoque da saúde da mulher para além do perío- do gestacional e gravídico-puerperal. A consulta de enfermagem é um meio para facilitar essa assistência de forma mais ampla (GERK, 2007). A consulta de enfermagem é uma atividade privativa do enfermeiro. A assistência de enfermagem para a mulher deve ser integral e possibilitar sua educação para o desenvolvimento de um comportamento preventivo, ou seja, para buscar esponta- neamente os serviços de saúde de forma periódica, mesmo na ausência de sintomas (GERK, 2007). A primeira fase do processo de enfermagem, ou seja, o his- tórico de enfermagem compreende a coleta de dados por meio da entrevista e do exame físico, que precisam conter questões sociais, econômicas e culturais para, então, fornecer subsídios para a elaboração dos problemas reais ou potenciais (diagnósti- co de enfermagem) (GERK, 2007; GERK, 2009). Devido ao quadro de morbimortalidade feminino, com destaque para o câncer de mama e cérvico-uterino, o exame fí- sico nas mulheres tem sido direcionado ao exame das mamas e cérvice-vaginal. No entanto, apesar desse enfoque mais direcio- nado, o exame físico deve ser amplo o suficiente para permitir o levantamento adequado dos diagnósticos de enfermagem e a determinação das intervenções (GERK, 2007; GERK, 2009). A coleta dos dados inicia-se com a entrevista, que deve en- fatizar idade, situação conjugal, profissão, ocupação atual, esco- laridade, procedência e naturalidade. Na entrevista, é oportuno 61© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA questionar sobre as condições biológicas, mas também socioe- conômicas e culturais, por exemplo, motivo da consulta, religião, sobre questões pertinentes à saúde, condições de moradia, há- bitos de vida, sono e repouso, sexualidade, estado nutricional, antecedentes pessoais e familiares (GERK, 2009). Logo após, inicia-se o exame físico, e o enfermeiro precisa instruir a mulher a esvaziar a bexiga e orientá-la para tirar suas roupas e vestir o avental com a abertura para frente, respeitando sua privacidade (GERK, 2009). Leva-se em consideração a anato- mia do corpo feminino para a adequada avaliação. Quanto ao exame físico geral, é importante verificar sinais vitais, peso e altura e avaliar mucosas, integridade da pele, aus- culta cardíaca e pulmonar e membros inferiores, observando va- rizes, edema e perfusão periférica (GERK, 2009). Quanto ao exame físico específico, o ginecológico, diz res- peito ao exame das mamas, do abdome e da genitália feminina. Para tanto, vamos conhecer mais sobre o exame físico das ma-mas e da genitália feminina. Mamas As mamas estão associadas a sexualidade, feminilidade e maternidade. Constitui a maior glândula cutânea, que se destina à secreção láctea para nutrir o recém-nascido e que responde a estímulos hormonais junto com o sistema reprodutor. Além dis- so, participa da sexualidade, sendo uma das principais zonas eró- genas da mulher. Possui tecido glandular, conjuntivo, adiposo, ir- rigação arterial, venosa e linfática e inervada especialmente na base do mamilo (GERK, 2009). Após essa explanação, vejamos, na Figura 2, a anatomia da mama: 62 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Figura 2 Anatomia da mama. Na figura acima, favor alterar a grafia de "Glândular" para "Glandular" (terceiro item de cima para baixo). Exame clínico das mamas Segundo Gerk (2009), o exame clínico das mamas tem por objetivo detectar precocemente o câncer de mama, por meio de inspeção estática e dinâmica, palpação das mamas, linfono- dos axilares, supra e infraclaviculares e por expressão. As mu- lheres com risco precisam ser avaliadas semestralmente; já as mulheres sem risco anualmente e as mulheres que detectam anormalidades no autoexame das mamas devem ser avaliadas imediatamente. Existem dois tipos de inspeções: estática e dinâmica. Com relação à inspeção estática das mamas, observe e registre: seu número, simetria, volume, forma, consistência e contorno; mo- 63© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA dificações da pele; tipo do mamilo, que pode ser protruso, semi- protruso, pseudoinvertido, invertido ou hipertrófico (Figura 3). Já na inspeção dinâmica, observe os movimentos e as contrações musculares (GERK, 2009). Figura 3 Tipos de mamilos. Na imagem acima, favor alterar para: “Semiprotruso”; “Se- miprotruso Estimulado”; “Protruso”. A palpação será realizada pela linha média esternal até a linha axilar posterior, na axila, e desde a clavícula até a prega in- framamária, e, posteriormente, a mama será dividida em quatro quadrantes para auxiliar no procedimento (GERK, 2009). A expressão será suave e secreções serão coletadas para realização de exames laboratoriais, pois podem indicar processo inflamatório, lesão benigna ou maligna (GERK, 2009). Com as leituras e o vídeo indicados no Tópico 3. 3, você visualizará como realizar o exame clínico das mamas. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indica- dos, procurando assimilar o conteúdo estudado. 64 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Órgãos genitais femininos O exame físico dos órgãos genitais femininos envolve os órgãos externos: grandes lábios, pequenos lábios, vestíbulos, cli- tóris e monte púbico, que formam a vulva; e os internos: vagina, útero, tubas ou trompas e ovários (GERK, 2009). A posição da paciente para o exame dos órgãos genitais ex- ternos deverá ser a ginecológica ou de litotomia, e é importante que ela esteja com a bexiga vazia e com um avental adequado (GERK, 2009). A enfermeira calça luvas de procedimento, observa toda a vulva quanto a higiene, lacerações ou ulcerações, introito vagi- nal, glândulas de Bartholin e aumento da secreção que flui por meio da vagina (GERK, 2009). As secreções vaginais podem ser fisiológicas, tais como: in- color, inodora, intermitente e fluida; ou patológicas: coloração amarelo-esverdeada, leitosa, acinzentada ou branca, abundante, fluida, espumosa, com odor fétido, com prurido e mucosa vagi- nal hiperemiada e edemaciada, quadro geralmente acompanha- do por polaciúria, disúria e dispareunia (GERK, 2009). Segundo Gerk (2009), o exame dos órgãos genitais inter- nos realiza-se por meio do toque vaginal e do exame especular. O toque vaginal pode ser simples (unidigital ou bidigital) ou combi- nado (abdominovaginal, (abdominorretal, vaginorretal), confor- me consta na Figura 4, a seguir. O toque vaginal simples possibilita avaliar assoalho peri- neal e sua tonicidade, modificações da vagina e do colo do útero, além de suas características de normalidade; já com o toque va- ginal combinado podem-se avaliar todas as características da va- gina e do colo uterino, assim como útero e anexos (GERK, 2009). 65© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Figura 4 Toque vaginal combinado. O exame especular é realizado com um espéculo de vál- vulas articuladas (modelo de Collins) para visualizar as partes acessíveis do aparelho genital (vagina e colo uterino). Em caso de coleta de material para colpocitologia oncótica (preventivo ou exame de Papanicolau), o exame especular deve preceder o to- que vaginal, por possibilitar a coleta de material cérvico-vaginal e a visualização do conteúdo vaginal, facilitando sua avaliação (GERK, 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 3, com- plemente seus estudos sobre a coleta de material para col- pocitologia oncótica. Antes de prosseguir para o próximo as- sunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 66 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador é a condição necessária e in- dispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. SAÚDE DA MULHER IDOSA E CUIDADOS DE ENFERMAGEM Nessa perspectiva, os textos a seguir apresentam aspectos que envolvem a saúde da mulher idosa e os cuidados de enfer- magem . • SILVA, Luana Christina Souza da; CUNHA, Lidiane Pas- sos; CARVALHO, Simone Mendes; TOCANTINS, Florence Romijn. Necessidades de saúde da mulher idosa no con- texto da atenção básica: revisão integrativa. Enfermería Global, n. 40, outubro, p. 389-401, 2015. Disponível em: <http://scielo.isciii.es/pdf/eg/v14n40/pt_revision4. pdf>. Acesso em: 8 jan. 2018. • FIGUEIREDO, Maria do Livramento Fortes; MONTEIRO, Claudete Ferreira de Souza; NUNES, Benevina Maria Vi- lar Teixeira; LUZ, Maria Helena Barros Araújo. Educação em saúde e mulheres idosas: promoção de conquistas políticas, sociais e em saúde. Esc Anna Nery R Enferm, v. 10, n. 3, p. 458 – 63, 2006. Disponível em: <http:// www.scielo.br/pdf/ean/v10n3/v10n3a14>. Acesso em: 8 jan. 2018. 67© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 3.2. CÂNCER DE MAMA E CÂNCER CÉRVICO-UTERINO Os textos e vídeos a seguir apresentam dados e definições do câncer de mama, explicações de como realizar o autoexame da mama, ações do enfermeiro no rastreamento, na detecção precoce e no diagnóstico do câncer de mama. • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ CARLOS GOMES DA SILVA. Câncer de mama: é preciso falar disso. Rio de Janeiro: INCA, 2016. Disponível em: <https://www.inca. gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document// cartilha-cancer-de-mama-vamos-falar-sobre-isso2016. pdf>. Acesso em: 16 jan. 2019. • TUA SAÚDE. Como realizar o autoexame da mama. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=aXna3fikH8s>. Acesso em: 16 jan. 2019. • CAVALCANTE, S. A. M. et al. Ações do enfermeiro no ras- treamento e diagnóstico do câncer de mama no Brasil. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 59, n. 3, p. 459- 466, 2013. Disponível em: <http://www1.inca.gov.br/ rbc/n_59/v03/pdf/17-revisao_literatura-acoes-enfer- meiro-rastreamento-diagnostico-cancer-mama-brasil. pdf>. Acesso em: 16 jan. 2019. • MELO, F. B. B. et al. Ações do enfermeiro na detecção precoce do câncer de mama. Rev Bras Enferm [Inter- net], nov-dez; v. 70, n. 6, p. 1183-93, 2017. Dispo- nível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v70n6/ pt_0034-7167-reben-70-06-1119.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2019. • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. INCA. Ministério da Saúde. Histórico das ações. 2018. Disponível em: <ht- 68 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEMEM GINECOLOGIA tps://www.inca.gov.br/controle-do-cancer-do-colo-do- utero/historico-das-acoes>. Acesso em: 16 jan. 2019. • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GO- MES DA SILVA. Viva Mulher 20 anos: história e memória do controle do câncer do colo do útero e de mama no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2018. Disponível em: <htt- ps://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//me- dia/document//programa_viva_mullher_2018_com- pleto.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2019. • INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GO- MES DA SILVA. Recomendações para redução da mor- talidade por câncer de mama no Brasil: balanço 2012. Rio de Janeiro: INCA, 2012. Disponível em: <https:// www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/ document//balanco-recomendacoes-cancer-de-ma- ma-2012.pdf>. Acesso em: 17 jan. 2019. 3.3. CONSULTA DE ENFERMAGEM E SEMIOLOGIA E SEMIOTÉCNICA DA MULHER Os textos e vídeos a seguir explicam os passos para a rea- lização da entrevista e do exame físico das mamas e da genitália feminina, apresentam dados e protocolos para a consulta de en- fermagem ginecológica e mostram o exame físico das mamas e dos órgãos genitais femininos, os problemas e as queixas mais comuns em saúde das mulheres. • CARRARA, H. H. A.; PHILBERT, P. M. P. Semiologia ma- mária. Disponível em: <https://edisciplinas.usp.br/ pluginfile.php/4486911/mod_page/content/3/SEMIO- 69© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA LOGIA%20MAM%C3%81RIA.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2019. • HOSPITAL SÃO LUCAS DA PUC/RS. Disciplina de Saú- de materno-infantil. Anamnese e exame ginecológi- co. 2016. Disponível em: <http://www.saude.ufpr.br/ portal/labsim/wp-content/uploads/sites/23/2016/07/ Exame-Pelvico-e-Mamas.pdf>. Acesso em: 15 jan. 2019. • VALÉRIO, E. G. Doenças da mama. Rev. HCPA, v. 32, n. 2, p. 238-240, 2012. Disponível em: <https://www.lume. ufrgs.br/bitstream/handle/10183/158060/000868110. pdf?sequence=1>. Acesso em: 15 jan. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da atenção básica: saúde das mulheres. Brasília: Ministério da Saú- de, 2016. Disponível em: <http://189.28.128.100/dab/ docs/portaldab/publicacoes/protocolo_saude_mulher. pdf>. Acesso em: 15 jan. 2019. • UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. UFPR. Semiolo- gia médica II. Exame feminino. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=WlNoQw-tqq8>. Acesso em: 15 jan. 2019. • UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ. UFC. Manuais do exame físico. Exame especular. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=CeKs5cZ0CnQ&has_veri- fied=1>. Acesso em: 15 jan. 2019. • PROPEDÊUTICA DE ENFERMAGEM. Exame das mamas e genitais. Disponível em: <https://www.youtube.com/ watch?v=nd7jk2Fd99I&has_verified=1>. Acesso em: 15 jan. 2019. 70 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em re- sponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) Assinale a alternativa falsa em relação ao câncer de mama: a) São fatores de risco para o câncer de mama: idade avançada, fatores genéticos e uso de anticoncepcionais. b) As manifestações clínicas podem ser: nódulo na mama e axilas, veias salientes, alterações na pele e saída de secreção. c) O câncer de mama só pode ser detectado através da mamografia. d) Mulheres abaixo dos 35 anos devem ser encaminhadas para a ultras- sonografia da mama. 2) Assinale a alternativa falsa em relação ao exame de Papanicolau: a) O exame de citologia oncótica tem como finalidade detectar doenças que ocorrem no colo do útero antes do desenvolvimento do câncer. b) Não estar menstruada, preferencialmente aguardar o 5º dia após o término da menstruação. c) Não usar creme vaginal nem se submeter a exames intravaginais (ul- trassonografia) por 2 dias antes do exame. d) A coleta do exame deve ser realizada normalmente em gestantes em qualquer trimestre da gestação. 3) Em relação à semiologia da mulher e seu sistema reprodutor, assinale a alternativa correta: a) As glândulas mamárias se desenvolvem após a puberdade pela estimu- lação dos hormônios estrógeno e andrógeno. b) A hipófise libera o FSH (hormônio folículo estimulante) e o LH (hormô- nio luteinizante). c) O FSH diminui a produção e o amadurecimento dos testículos e das células foliculares ovarianas e provoca diminuição do hormônio estrogênio. 71© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA d) O LH estimula a produção de estrogênio, responsável por caracte- rísticas sexuais secundárias, elevação do desejo sexual e inibição da ovulação. 4) Sobre o câncer de mama, marque a alternativa INCORRETA: a) Os sintomas de câncer de mama palpável são nódulo ou tumor no seio, acompanhado ou não de dor mamária. b) Quanto mais cedo for feito o diagnóstico do câncer de mama, maior a probabilidade de cura. As ações de diagnóstico precoce consistem apenas no exame clínico da mama, realizado somente por um profis- sional de saúde treinado. c) O linfedema é a principal complicação decorrente do tratamento ci- rúrgico para o câncer de mama, acarretando importantes alterações físicas, psicológicas e sociais que comprometem a qualidade de vida das mulheres. d) Nenhuma das alternativas. 5) De acordo com o Ministério da Saúde, um dos fatores que aumenta o po- tencial de desenvolvimento do câncer de colo do útero é: a) Número reduzido de gestações. b) Vida sedentária. c) Nuligestação. d) Infecção pelo Papilomavírus (HPV). Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 1) c. 2) d. 3) a. 4) b. 5) d. 72 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA 5. CONSIDERAÇÕES Chegamos ao final da segunda unidade de estudos, e você teve a oportunidade de conhecer os cuidados de enfermagem da mulher idosa, as recomendações para prevenção e controle do câncer de mama e cérvico-uterino, as iniciativas públicas para a saúde ginecológica, como o Programa Viva Mulher, as orienta- ções para autoexame das mamas e coleta de material para col- pocitologia oncótica e, finalmente, os dados pertinentes para a consulta de enfermagem e o exame físico da mulher fora do ciclo gravídico-puerperal. É relevante a interação de todo o conheci- mento adquirido nas obras estudadas até o momento para a prá- tica clínica do enfermeiro. Na próxima unidade, você será apresentado à Enfermagem Obstétrica, com a abordagem de conteúdos sobre saúde mater- na e fetal, como os requisitos para o pré-natal, as ameaças para uma gravidez saudável e as condutas do enfermeiro. 6. E-REFERÊNCIA INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER. INCA. Ministério da Saúde. Tipos de câncer: câncer de mama. 2018. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de- mama>. Acesso em: 16 jan. 2019. Lista de figuras Figura 1 Sinais e sintomas do câncer de mama. Disponível em: <http://imeb.com. br/12-sintomas-do-cancer-de-mama/>. Acesso em: 16 jan. 2019. Figura 2 Anatomia da mama. Disponível em: <https://www.oncomastologia.com.br/ anatomia-da-mama>. Acesso em: 15 jan. 2019. Figura 3 Tipos de mamilos. Disponível em: <http://www.santacasasp.org.br/portal/ site/pub/12736/cartilha-de-amamentacao>. Acesso em: 15 jan. 2019. 73© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 2 – ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA Figura 4 Toque vaginal combinado. Disponível em: <http://www.nelsonginecologia. med.br/gynpalpation_port.htm>. Acesso em: 15 jan. 2019. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS GERK, M. A. S. Consulta de enfermagem à mulher. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 12, p. 224-235. GERK, M. A. S. Prática de enfermagem em assistência ginecológica. In: BARROS, S. M. O. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guiapara prática assistencial. Cap. 21, p. 386-426. NARCHI, N. Z.; JANICAS, R. C. S.; FERNANDES, R. A. Q. Prevenção e controle do câncer cérvico-uterino. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 7, p. 127-149. PINELLI, F. G. S.; SOARES, L. H. Promoção à saude da mulher. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 20, p. 373-385. TEIXEIRA, M. B. Saúde da mulher na terceira idade. In: FERNANDES, R. A. Q.; NARCHI, N. Z. Enfermagem e saúde da mulher. Barueri: Manole, 2007. Cap. 1, p. 1-29. © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER 75 UNIDADE 3 ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER NA GESTAÇÃO Objetivo • Entender sobre saúde materna e fetal. • Conhecer as doenças infecciosas na gravidez e as infec- ções congênitas. • Conhecer a gravidez de alto risco. • Conhecer as principais doenças e intercorrências da gravidez. Conteúdos • Saúde materna e fetal: suspeita e confirmação da gravidez. • Pré-natal. • Prática de enfermagem durante a gravidez: exame obs- tétrico (videoaula). • Profilaxia das doenças infecciosas durante a gravidez. • Prevenção e manejo da gravidez de alto risco. • Principais doenças e intercorrências da gravidez. 76 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referên- cia de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresen- tadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresenta- dos e realize as revisões sugeridas no início de cada capítulo, por exemplo, conteúdos sobre Embriologia, reprodução humana e ciclo gestatório normal. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. Neles se- rão orientados os estudos sobre a atenção à saúde da mulher. 77© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO 1. INTRODUÇÃO A Unidade 3 foi preparada para que você entenda as trans- formações que acontecem na mulher durante o período gravídi- co. Para isso, sugerimos que retome os conteúdos iniciais sobre reprodução humana e ciclo gestatório normal para que sua com- preensão nesta unidade possa ser significativa. Inicialmente, você conhecerá os sinais e sintomas da gra- videz e os métodos diagnósticos para sua confirmação. Após confirmada a gravidez, são importantes as medidas iniciais para acompanhamento da gestação, as principais doenças e intercor- rências que oferecem riscos à gestação. Os estudos nesta unidade objetivam contribuir para a for- mação de um enfermeiro capaz de constante avaliação crítica a respeito de suas ações. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 2.1. GRAVIDEZ: SINTOMAS E DIAGNÓSTICO A gravidez faz parte do sistema reprodutor feminino e é considerado um processo normal. Dessa forma, o conhecimento sobre reprodução humana é fundamental para a compreensão dessa fase do sistema reprodutivo (BARROS; SILVA, 2009). 78 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Considera-se que a gestação tenha uma duração variável, de 267 dias ou 38 semanas da concepção até o nascimento, ou de 280 dias ou 40 semanas da data da última menstruação (BAR- ROS; SILVA, 2009). Nesse período, torna-se necessário que mãe e filho sejam assistidos em suas necessidades. As alterações que ocorrem no organismo da mulher são fisiológicas e envolvem o aparelho reprodutor e outros sistemas corporais. Associadas a essas alterações, acontecem adaptações emocionais, sociais e profissionais no cotidiano da mulher (BAR- ROS; SILVA, 2009). Vamos conhecê-las. Gravidez: sinais e sintomas Durante a suspeita da gravidez, a mulher apresenta algu- mas alterações, que geralmente são divididas em três grupos: sinais de presunção, de probabilidade e confirmatórios (BARROS; SILVA, 2009). Os sinais e sintomas de presunção são aqueles a partir dos quais a mulher supõe que está gravida, por exemplo, amenor- reia, náuseas e vômitos, aumento da frequência urinária (pola- ciúria), alterações mamárias, sensação de movimentos fetais, alterações vaginais e mudanças na pele (BARROS; SILVA, 2009). Vamos falar mais sobre eles. A amenorreia, ou seja, o cessar da menstruação é forte in- dicativo da gravidez. Para tanto, o atraso deve passar de 10 a 15 dias da data esperada da menstruação para ser considerado um sintoma da gravidez. Deve-se lembrar ainda que a gestação pode ocorrer sem que a menstruação pare e a mulher pode apresen- tar um a dois episódios de sangramentos após a concepção, re- lacionados a pequenas descamações do endométrio. Além da 79© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO gravidez, outras condições clínicas podem indicar alterações que precisam ser investigadas (BARROS; SILVA, 2009). Grande parte das mulheres grávidas queixa-se de náuseas e vômitos. As náuseas geralmente ocorrem ao acordar e duram algumas horas, desencadeadas pela sensibilidade da mulher aos níveis crescentes de estrógenos e gonadotrofina coriônica, asso- ciados ao estresse emocional e à redução da motilidade gástrica. Torna-se preocupante quando a náusea é excessiva e associada ao vômito, considerada hiperêmese gravídica, afetando a saúde da mulher, que necessita ser acompanhada pelo médico (BAR- ROS; SILVA, 2009). A polaciúria pode ser um dos primeiros sintomas da gesta- ção e ocorre conforme o crescimento uterino pressiona a base da bexiga e o efeito hormonal aumenta a sensibilidade do trí- gono vesical, resultando na sensação de distensão vesical. Mes- mo com o desconforto do aumento da frequência urinária, as mulheres devem ingerir líquidos e esvaziar a bexiga para evitar hiperdistensão (BARROS; SILVA, 2009). As alterações mamárias podem ocorrer na mulher grávida, mas também em mulheres que fazem uso de tranquilizantes, em casos de tumores hipofisários e em casos de pseudociese (ges- tação psicológica). Normalmente, na gestação, acontece a exa- cerbação das alterações mamárias, que a maioria das mulheres sente, antes do período menstrual. As mamas tornam-se maio- res, mais firmes e sensíveis, com sensação de plenitude, acom- panhada por formigamento das mamas e mamilos. O mamilo tende a se elevar e a aréola escurece e aumenta seu tamanho. Pequenas glândulas sebáceas aumentadas aparecem na aréola, como pequenas protuberâncias, os tubérculos de Montgomery (BARROS; SILVA, 2009). 80 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Em mulheres que nunca amamentaram, podem aparecer zonas marrons em torno da aréola, a aréola secundária. Com o crescimento e desenvolvimento das mamas durante a gestação, evidencia-se a rede de Haller, uma hipervascularização mamária. Tais alterações ocorrem para preparar a mãe para a lactação. Por volta da 20ª semana de gestação, o colostro, precursor do leite, um líquido viscoso e amarelo fluido, pode ser obtido após uma pequena expressão manual ou surgir espontaneamente. Ressal- ta-se que nas mulheres grávidas pela primeira vez, as primigrávi- das, as alterações mamárias são úteis para o conjunto de sinais e sintomas de gestação, porém são menos importantes quando a mulher já teve filhos (BARROS; SILVA,2009). A sensação de movimentos fetais pode ser um sinal posi- tivo da gestação no final do quinto mês de gestação. A sensação pode ser descrita como sensação de pequena e tremulosa flu- tuação no abdome. Conforme a gestação progride, mais percep- tíveis os movimentos vão se tornando (BARROS; SILVA, 2009). Após oito a dez semanas de gestação, observa-se a hiper- pigmentação da mucosa vaginal, devido ao aumento do hor- mônio estimulador de melanócitos e ao aumento do nível de estrógeno. A mucosa vaginal torna-se mais fina e arroxeada, denominada sinal de Chadwick, devido ao aumento de vascu- larização. Observa-se também o aumento da secreção vaginal (BARROS; SILVA, 2009). A pele também sofre mudanças, com o aparecimento de estrias gravídicas, ocasionadas pelo aumento de abdome, e de manchas na pele da face, nas mamas, no abdome e na região vulvoperineal, decorrentes do aumento do hormônio melanocí- tico hipofisário e do consequente aumento da formação de me- lanina (BARROS; SILVA, 2009). 81© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Um exemplo do sinal de probabilidade da gravidez é dado pelos exames laboratoriais, que são testes de gravidez baseados na secreção de gonadotrofina coriônica humana (HCG) pela vi- losidade corial após a implantação do zigoto. A HCG aparece no sangue materno e é excretada pela urina, podendo ser detecta- da no soro materno ou na urina por testes que utilizam métodos imunológicos. Nos testes de sensibilidade urinária, a presença do hormônio ocorre por volta de 15 dias após a concepção (BAR- ROS; SILVA, 2009). Os sinais de presunção, bem como os exames laborato- riais, podem apresentar erros. Há apenas três sinais de certeza de gestação: a detecção de batimentos cardíacos fetais (BCF), a presença de movimentos fetais detectados pelo examinador e o delineamento da gestação por meio da ultrassonografia (BAR- ROS; SILVA, 2009). A detecção de BCF pode ser feita a partir da 12ª semana de gestação, por meio do sonar Doppler ou da ultrassonografia (Figura 1). Após a 20ª semana de gestação, BCF podem ser aus- cultados com o estetoscópio de Pinard (Figura 2). A frequência cardiofetal varia de 120 a 160 batimentos por minuto e é ouvi- da como um ruído semelhante a um "galope" (BARROS; SILVA, 2009). 82 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Figura 1 Sonar Doppler. Figura 2 Estetoscópio de Pinard. Já a ultrassonografia é um exame constituído por ondas sonoras de elevada frequência e envolve energia muito baixa e frequência alta. Há dois tipos de exames ultrassonográficos: o primeiro é o exame-padrão, que é realizado em todas as gestan- tes como rotina pré-natal, e o segundo é o exame para pesquisa de anormalidades em casos de suspeitas clínicas de risco mater- 83© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO no ou fetal, ou anormalidades detectadas em exames anteriores (BARROS; SILVA, 2009). A movimentação fetal (MF) é um dos marcadores mais antigos da vitalidade fetal e trata-se do estudo dos movimentos fetais. A MF é mais intensa entre a 28ª e 32ª semanas de gesta- ção e, com o desenvolvimento da gestação, a MF atenua-se, provavelmente devido à diminuição do volume de líquido am- niótico, ao aumento do feto, à evolução do sistema nervoso cen- tral e à acentuação da insuficiência placentária, fenômenos rela- cionados às alterações degenerativas. O número de batimentos fetais pode variar entre 10 e 100, importando menos o número absoluto de movimentos que sua persistência e continuidade (BARROS; SILVA, 2009). Com as leituras e o vídeo indicados no Tópico 3. 1, você conhecerá mais sobre o planejamento e diagnóstico da gravi- dez e o guia técnico sobre o teste rápido de gravidez na aten- ção básica. Antes de prosseguir para o próximo assunto, aces- se os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.2. PRÉ-NATAL E A PARTICIPAÇÃO DO ENFERMEIRO Acredita-se que intervenções durante o período gestacio- nal podem alterar e favorecer os prognósticos materno e fetal. O acompanhamento pré-natal inicia-se o mais precocemente após a confirmação da gravidez. Nem todas gestantes têm o conheci- mento da importância e necessidade desse acompanhamento. 84 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Segundo Lacava e Barros (2009, p. 105), os objetivos da atenção pré-natal são: • Prevenir, identificar e\ou corrigir as anormalidades maternas ou fetais que possam afetar adversamente a gravidez; • Instruir a gestante a respeito de gravidez, trabalho de parto, parto, cuidados com o recém-nascido e autocuidado para melhorar sua saúde; • Promover um suporte adequado à gestante, ao companheiro e à sua família para que possam ser bem- sucedidos na adaptação à gestação e nos desafios enfrentados ao formar uma família. Alguns requisitos são necessários para que a atenção pré- -natal seja realizada com efetividade, como: disponibilidade de recursos humanos, área física adequada, equipamentos e ins- trumentos mínimos, apoio laboratorial, instrumento de registro, análise e processamento dos dados, medicamentos essenciais e avaliação permanente da atenção pré-natal (LACAVA; BARROS, 2009). A Lei do Exercício Profissional de Enfermagem no Brasil no- meia a enfermeira como legalmente competente para realizar a consulta de enfermagem da mulher durante a gestação, solicitar exames de rotina e complementares, bem como prescrever me- dicamentos previamente estabelecidos em programas de saúde pública e em rotina aprovada pela instituição de saúde (LACAVA; BARROS, 2009). 85© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, am- plie seu conhecimento com as leituras sobre atenção pré-natal calendário de consultas, roteiro da primeira consulta e exames complementares nesse período. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Logo na primeira consulta, espera-se que a mulher seja acolhida de maneira atenciosa e respeitosa, conquistando-se sua confiança e simpatia, uma vez que o período gestacional é marcado por várias alterações, não apenas físicas. O sucesso na continuidade da atenção pré-natal pode ser determinado pelo primeiro contato com a enfermeira (LACAVA; BARROS, 2009). A assistência de enfermagem deve ser realizada individual- mente, e a escuta das queixas deve permitir a expressão das an- gústias e preocupações. Durante o desenvolvimento da consulta, as dúvidas deverão ser esclarecidas, as expectativas, alcançadas e as orientações relacionados ao acompanhamento pré-natal, assimiladas, de forma que a gestante tenha uma atitude de res- ponsabilidade compartilhada na assistência, conscientizando-se da importância das consultas (LACAVA; BARROS, 2009). Há que se considerar a participação efetiva do homem durante o pré-natal. É importante que a enfermeira incentive e informe a gestante sobre a possibilidade e importância da parti- cipação do parceiro ou de uma pessoa próxima durante o acom- panhamento pré-natal. No entanto, na primeira consulta, con- verse primeiramente com a gestante em particular para que ela possa expressar o desejo ou não sobre a presença dessas outras pessoas (LACAVA; BARROS, 2009). 86 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 2, am- plie seu conhecimento com as leituras sobre atenção pré-na- tal, aspectos psicoafetivos da gestação, gestação múltipla, ges- tação na adolescência e ações educativas para a manutenção da saúde e para a prevenção de doençasdurante esse perío- do. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os ma- teriais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 2.3. GRAVIDEZ DE ALTO RISCO, DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS DA GRAVIDEZ A gestação é um fenômeno fisiológico que acarreta alte- rações no corpo da mulher e não é uma doença. Cabe lembrar que a mulher grávida faz parte de um contexto sociocultural com maior ou menor poder de decisão sobre sua saúde (SCHIRMER et al., 2009). Normalmente, a gestação ocorre sem doenças ou intercor- rências, porém, para algumas mulheres específicas ou com pro- blemas de saúde, a evolução da gestação pode ser desfavorável para a mãe ou para o feto (SCHIRMER et al., 2009). Uma gravidez é considerada de alto risco quando há algum fator de risco materno ou fetal que afetará negativamente o des- fecho, que vão desde riscos potenciais até riscos reais (SCHIR- MER et al., 2009). O cuidado de saúde na gestação de alto risco requer equi- pe multiprofissional e disciplinar (médicos, enfermeiros, psicólo- gos, nutricionistas, assistentes sociais e educadores de saúde), sendo importante que haja comunicação permanente entre seus membros (SCHIRMER et al., 2009). 87© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO São considerados fatores de risco para gestação algumas características biopsicossocioculturais (idade menor que 15 anos e maior que 35 anos, ocupação, situação conjugal instável, renda familiar baixa, baixa escolaridade, condições ambientais desfavo- ráveis, altura menor que 1,45 m, peso menor que 45 kg ou maior que 75 kg, dependência de drogas lícitas ou ilícitas, condições psicológicas alteradas), a história reprodutiva anterior em que haja abortamento, complicações, mortes fetais e esterilidade, intercorrências obstétricas na gravidez atual e as intercorrências clínicas, como hipertensão arterial, hemopatias, doenças infec- ciosas e epilepsia (SCHIRMER et al., 2009). O atendimento pré-natal proporcionou a diminuição dos efeitos das doenças na gestação. Para se tornar mais efetivo e atender as demandas da gestação, instrumentos de coleta de da- dos colaboram na apropriação do maior número de informações sobre seus antecedentes pessoais e familiares e os indicadores de risco que podem ser identificados para prevenir as repercussões desfavoráveis para a evolução da gestação. Com um instrumento bem elaborado e considerando a realidade epidemiológica local, torna-se possível orientar a gestante a realizar encaminhamento adequado em cada momento da gravidez para o tratamento da doença (SCHIRMER et al., 2009). Inúmeras doenças clínicas e\ou obstétricas podem inter- ferir negativamente durante a evolução da gravidez. Podemos destacar: síndromes hipertensivas da gravidez (pré-eclâmpsia, iminência de eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome de Hellp); síndro- mes hemorrágicas (hemorragias da primeira metade da gravidez, como abortamento, gravidez ectópica, mola hidactiforme e des- colamento corioamniótico; hemorragias da segunda metade da gravidez, como placenta prévia, descolamento prematuro da pla- centa e rotura uterina); desvios do crescimento fetal (crescimen- 88 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO to intrauterino restrito, macrossomia fetal); alterações durante a gravidez (incompetência istmocervical, trabalho de parto pre- maturo e gestação prolongada); alterações do volume do líquido amniótico (oligoâmnio e polidrâmnio); êmese\hipêremese; ges- tação múltipla; isoimunização materno-fetal; ruptura prematura das membranas ovulares (corioamnionite); óbito fetal e cesárea anterior (SCHIRMER et al., 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 3, am- plie seu conhecimento com as leituras sobre atenção pré-natal de alto risco, conhecendo mais sobre as doenças e as melho- res condutas. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conte- údo estudado. Além das inúmeras doenças já mencionadas, há, também, intercorrências clínicas que o profissional de saúde necessita conhecer e avaliar sua repercussão no percurso fisiológico da gestação, como, por exemplo: infecções, hipertensão arterial crônica, anemias, endocrinopatias, cardiopatias, pneumopa- tias, lúpus eritematoso sistêmico, síndrome de antifosfolipídios, tromboembolismo e epilepsia (SCHIRMER et al., 2009). Durante o pré-natal, as gestantes de alto risco devem dis- por, além dos exames complementares rotineiros, de outros mais que permitam a melhor exploração das condições mater- nas e fetais, levando-se em consideração a idade gestacional e a gravidade da doença (SCHIRMER et al., 2009). Em relação às doenças infecciosas e infecções congênitas, embora as mortes maternas por infecção sejam raras, a infecção é a primeira causa de morbidades e mortalidades fetal e neona- tal (BARROS, 2009). 89© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Para tanto, as bactérias, parasitas, vírus, fungos e proto- zoários e outros agentes podem ser os causadores das infecções maternas, mas nem sempre o feto é comprometido. Às vezes, dependendo da idade gestacional, o micro-organismo pode mor- rer ou parar o seu desenvolvimento, dando origem às malforma- ções congênitas (BARROS, 2009). A contaminação fetal pode ocorrer por via hematogênica (propagação vilositária ou transplacentária) ou por via amnióti- ca através das membranas (disseminação por contiguidade ou via ascendente). A infecção fetal pode ocorrer por via pulmonar, pela inalação de líquido amniótico, por via digestiva, por sua deglutição ou por via peritoneal, por meio do cordão umbilical. Ou ainda pode haver infecção durante o nascimento através da pele e das mucosas digestiva, respiratória e conjuntiva (BARROS, 2009). As doenças infecciosas de particular importância no ciclo gravídico-puerperal são: rubéola, toxoplasmose, sífilis, hepatite por vírus, vulvovaginites e infecções do trato urinário (BARROS, 2009), varicela-zoster, herpes simples genital, AIDS, Papilomaví- rus Humano, estreptococos do grupo B, dengue, Influenza H1N1 e citomegalovírus (MONTENEGRO; REZENDE-FILHO, 2011). Conforme Barros (2009), o objetivo da assistência de en- fermagem, nesse tema, é prevenir a infecção na mulher, no seu feto e no recém-nascido e identificar precocemente os sinais e sintomas da infecção. 90 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 3, am- plie seu conhecimento sobre atenção pré-natal de alto risco, conhecendo mais sobre as doenças e as melhores condutas. Além disso, também, estude as atribuições do enfermeiro no atendimento pré-natal de alto risco. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador é a condição necessária e in- dispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. GRAVIDEZ: SINTOMAS E DIAGNÓSTICO Os textos a seguir trazem a atenção à mulher no planejamento e diagnóstico da gravidez e um guia técnico sobre o teste rápido de gravidez na atenção básica. • SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenado- ria de Planejamento em Saúde. Assessoria Técnica em Saúde da Mulher. Atenção à gestante e à puérpera no SUS – SP: manual técnico do pré-natal e puerpério. São Paulo: SES/SP, 2010. Disponível em: <http://www.sau- de.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/ atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/manual- -tecnico-do-pre-natal-e-puerperio/manual_tecnicoii. pdf>. Acesso em: 16 fev. 2019. 91© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO• BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: <http://bvsms.saude. gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_ prenatal.pdf>. Acesso em: 16 fev. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estraté- gicas. Teste rápido de gravidez na Atenção Básica: guia técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/tes- te_rapido_gravidez_guia_tecnico.pdf>. Acesso em: 16 fev. 2019. 3.2. PRÉ-NATAL E A PARTICIPAÇÃO DO ENFERMEIRO Os textos são recomendações importantes sobre o pré- -natal e a participação do enfermeiro, o pré-natal de baixo risco, segundo as políticas públicas em saúde, a consulta de enferma- gem e o calendário de consulta, o roteiro da primeira consulta da gestante para leitura e compreensão na íntegra. Além disso, trazem informações sobre aspectos psicoafetivos da gestação, gestação múltipla, gestação na adolescência e ações educativas para manutenção da saúde e prevenção de doença nesse perío- do. O último arquivo consta da caderneta da gestante disponibi- lizada pelo Ministério da Saúde. • SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenado- ria de Planejamento em Saúde. Assessoria Técnica em Saúde da Mulher. Atenção à gestante e à puérpera no SUS – SP: manual técnico do pré-natal e puerpério. São Paulo: SES/SP, 2010. Disponível em: <http://www.sau- 92 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO de.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/ atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/manual- -tecnico-do-pre-natal-e-puerperio/manual_tecnicoii. pdf>. Acesso em: 16 fev. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta da gestante. 3. ed. Brasília, 2016. Disponível em: <https://www.mds. gov.br/webarquivos/arquivo/crianca_feliz/Treinamen- to_Multiplicadores_Coordenadores/Caderneta-Gest- -Internet(1).pdf>. Acesso em: 20 fev. 2019. 3.3. GRAVIDEZ DE ALTO RISCO, DOENÇAS E INTERCORRÊNCIAS DA GRAVIDEZ Os materiais a seguir apresentam as recomendações das políticas públicas nacionais para o acompanhamento das gestan- tes de alto risco, as definições das doenças e as condutas indica- das, além das atribuições do enfermeiro, segundo os órgãos que regulamentam nossa profissão, para que você possa explorar mais sobre o tema. Dentre as doenças da gravidez, destacam-se: síndromes hipertensivas e hemorrágicas, desvios do crescimento fetal, alterações da duração da gestação e do volume de líquido amniótico; principais doenças infecciosas, como infecção uriná- ria, pneumonia, toxoplasmose, malária, hanseníase, tuberculo- se, rubéola, citomegalovírus, as diversas doenças sexualmente transmissíveis e sua abordagem na gestante; as doenças clínicas que interferem negativamente na gestação, como anemias, dia- betes, tireoidopatias, cardiopatias, asma, lúpus eritematoso sis- têmico, trombofilias, epilepsia, transtornos psiquiátricos, uso de álcool e drogas e câncer. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- 93© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO tégicas. Gestação de alto risco: manual técnico 5. ed. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. Disponí- vel em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf>. Acesso em: 7 mar. 2019. • UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS. UNICAMP. Pré-natal e puerpério manual técnico: manual de con- sulta rápida para os profissionais de saúde. 2017. Dispo- nível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/ perfil/gestor/homepage/programa-de-fortalecimento- -da-gestao-da-saude-no-estado-de-sao-paulo/consul- tas-publicas-manuais-da-linha-de-cuidado-da-gestante- -parturiente-e-puerpera/manual_de_consulta_rapida. pdf>. Acesso em: 7 mar. 2019. • CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAU- LO. COREN-SP. Parecer COREN-SP 034/2014. Ementa: Realização da Consulta de Enfermagem para gestante de risco na Atenção Básica. 2014. Disponível em: <https:// portal.coren-sp.gov.br/sites/default/files/parecer_co- ren_sp_2014_034.pdf>. Acesso em: 07 mar. 2019. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em re- sponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) Assinale a alternativa correta em relação à gestação: a) Durante a gestação, há uma diminuição do volume sanguíneo. b) A pressão arterial aumenta no primeiro trimestre e diminui no restan- te da gestação. 94 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO c) O coração sofre um deslocamento na gestação e uma hipotrofia. d) Durante a gestação, há uma elevação do diafragma de 4 cm, o que diminui a expansibilidade dos pulmões. 2) Assinale a alternativa falsa em relação à gestação: a) Cãibra, dor abdominal, cansaço, náusea, pirose e constipação são ma- nifestações da gestação. b) O útero cresce cerca de 4 cm por mês, e cresce até o apêndice xifoide. c) A linha nigra e o cloasma ocorrem por diminuição da pigmentação da pele da gestante. d) A leucorreia ocorre na gestação devido ao aumento da ação hormonal. 3) Assinale a alternativa correta: a) Gestantes com HIV positivo devem seguir o protocolo de pré-natal de alto risco, não importando a situação clínica delas. b) A amamentação não é contraindicada para mães soropositivas. c) Sempre que possível, o antirretroviral deve ser iniciado na 14ª semana de gestação. d) Mães soropositivas só deverão realizar o parto cesárea. 4) Assinale a alternativa falsa: a) Parto prematuro, aborto, lesões cutâneas e morte são complicações da sífilis. b) O teste do VDRL é o que diagnostica a sífilis, que deve ser tratada com penicilina. c) Curvatura anormal dos ossos, aumento abdominal, hepatoesplenome- galia e obstrução intestinal são algumas das complicações que podem ocorrer com o feto. d) O exame do VDRL deve ser feito no 1° trimestre da gestação e repetido no 3° trimestre da gestação. 5) A gestante pode apresentar contrações uterinas, chamadas de Braxton Hicks, que ficam mais evidentes após a 28ª semana. É correto afirmar que tais contrações são: a) normais na gravidez. b) sinais de alerta de parto prematuro. c) muito dolorosas e incômodas para a gestante. 95© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO d) indicação para que a gestante permaneça em repouso. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 1) d. 2) c. 3) a. 4) d. 5) a. 5. CONSIDERAÇÕES Ao fim da Unidade 3, você foi apresentado aos conteúdos que explicam as transformações que acontecem na mulher du- rante o período gravídico. Você pôde conhecer os sinais e sin- tomas da gravidez e os métodos diagnósticos para sua confir- mação, aprendeu sobre as medidas iniciais, após confirmada a gravidez, para acompanhamento da gestação e as principais doenças e intercorrências que oferecem riscos à gestação. Retome leituras do Conteúdo Digital Integrador, que am- pliarão seu conhecimento sobre o assunto. Na próxima unida- de, você será apresentado aos cuidados do enfermeiro quanto à saúde da mulher no parto e puerpério. 96 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 3 – ENFERMAGEM EM OBSTETRÍCIA: A MULHER NA GESTAÇÃO 6. E-REFERÊNCIAS Lista de figuras Figura 1 Sonar Doppler. Disponível em: <https://www.centermedical.com.br/detector- fetal-portatil-medpej-df4002-sonar/p>. Acesso em: 16 fev. 2019. Figura 2 Estetoscópio de Pinard. Disponível em: <https://birthinternational.com/product/pinard-stethoscope-small-17/>. Acesso em: 16 fev. 2019. Site pesquisado BRASIL, Ministério da Saúde. Manual do Planejamento Familiar. Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia1. pdf>. Acesso em: 28 jul. 2018. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, S. M. O. de. Doenças infecciosas e infecciosas congênitas. In: ______. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 9, p. 132-142. BARROS, S. M. O. de; SILVA, T. R. S. R. da. Saúde materna e fetal. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 6, p. 93-101. LACAVA, R. M. V. B.; BARROS, S. M. O. de. Prática de enfermagem durante a gravidez. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 7, p. 102-130. MONTENEGRO, C. A. B.; REZENDE-FILHO, J. R. Doenças infecciosas. In: ______. Rezende: obstetrícia fundamental. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. Cap. 39, p. 465. SCHIRMER, J. et al. Cuidados especiais no ciclo gravídico-puerperal de alto risco. In: BARROS, S. M. O. de. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Rosa, 2009. Cap. 10, p. 131-163. 97 UNIDADE 4 ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Objetivo • Conhecer as políticas públicas para o parto e a assistên- cia à parturiente. • Entender o trabalho de parto e o parto. • Conhecer a prática de enfermagem no parto. • Entender o período puerperal. • Conhecer a prática de enfermagem no período puerperal. Conteúdos • Assistência ao parto. • Trabalho de parto: elementos e períodos. • Assistência de enfermagem no período puerperal. • Intercorrências no parto e no puerpério. Orientações para o estudo da unidade Antes de iniciar o estudo desta unidade, leia as orientações a seguir: 98 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO 1) Não se limite ao conteúdo deste Caderno de Referên- cia de Conteúdo; busque outras informações em sites confiáveis e/ou nas referências bibliográficas, apresen- tadas ao final de cada unidade. Lembre-se de que, na modalidade EaD, o engajamento pessoal é um fator determinante para o seu crescimento intelectual. 2) Busque identificar os principais conceitos apresenta- dos e realize as revisões sugeridas no início de cada ca- pítulo, especialmente sobre os tempos do mecanismo de parto (insinuação, descida e desprendimento), os quatro períodos do trabalho de parto (dilatação cer- vical, expulsão fetal, dequitação ou secundamento e período de Greenberg – a primeira hora após a saída da placenta) e o processo de lactação. 3) Não deixe de recorrer aos materiais complementares descritos no Conteúdo Digital Integrador. Neles se- rão orientados os estudos sobre a atenção à saúde da mulher. 99© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO 1. INTRODUÇÃO Chegamos à última unidade de nossos estudos. A quar- ta unidade contempla aspectos sobre o parto e puerpério e as práticas de enfermagem. Assim como nas demais unidades, su- gerimos que você revise conteúdos iniciais sobre os tempos do mecanismo de parto (insinuação, descida e desprendimento), os quatro períodos do trabalho de parto (dilatação cervical, ex- pulsão fetal, dequitação ou secundamento e período de Green- berg – a primeira hora após a saída da placenta) e o processo de lactação, para que sua compreensão nesta unidade possa ser significativa. Nesta unidade, devemos nos transportar para o significado da palavra obstetrícia, que significa “estar ao lado”. Você apren- derá que o papel do enfermeiro e sua equipe deve ser o de zelar pela saúde materna e do bebê, caminhando por uma assistên- cia humanizada que se iniciou no pré-natal e seguirá no parto e puerpério. Assim, os estudos nesta unidade objetivam contribuir para a formação de um enfermeiro capaz de constante avaliação críti- ca a respeito de suas ações. 2. CONTEÚDO BÁSICO DE REFERÊNCIA O Conteúdo Básico de Referência apresenta, de forma su- cinta, os temas abordados nesta unidade. Para sua compreensão integral, é necessário o aprofundamento pelo estudo do Conteú- do Digital Integrador. 100 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO 2.1. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PARTO E ASSISTÊNCIA À PARTURIENTE O parto pode ser descrito como uma sequência do desen- volvimento humano, influenciado por fatores físicos, biológicos, psicológicos e sociais (SHIRMER et al., 2009a). Inicialmente, as gestantes eram assistidas em seus domicí- lios por parteiras, e foi somente após a Segunda Guerra Mundial que o parto foi institucionalizado, uma vez que a mortalidade materna e infantil era alta e os riscos à saúde necessitavam ser controlados pela medicina (SHIRMER et al., 2009b). O aumento gradativo do número de médicos na assistên- cia ao parto, além da incorporação e do manejo de novas tec- nologias por esses profissionais, como a anestesia, antissepsia, antibioticoterapia e hemoterapia, tornaram o parto mais seguro e valorizado, pelos procedimentos invasivos e pela possibilidade de intervenções clínicas e cirúrgicas (SHIRMER et al., 2009b). No Brasil, a institucionalização e a medicalização do parto aconteceram a partir da década de 1950, o que não foi acompa- nhado por uma política de desenvolvimento social e de saúde pública para que houvesse avanços tecnológicos, garantia de lei- tos hospitalares e de recursos humanos qualificados (SHIRMER et al., 2009b). A população incorporou rapidamente a necessidade do parto institucional. No entanto, a ineficiência estrutural para o atendimento hospitalar à parturiente fez com que aquelas partu- rientes que não eram associadas a institutos de previdência pe- regrinassem em busca de uma assistência ao parto hospitalizado (SHIRMER et al., 2009b). 101© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Apesar da melhoria do acesso da parturiente ao hospital, gradativamente produziram-se a desqualificação e a mercantili- zação da assistência ao parto e nascimento, uma vez que o parto passou a ser cobrado como mais um dos procedimentos hospita- lares (SHIRMER et al., 2009b). Nas últimas décadas, projetos e programas foram lançados pelo Ministério da Saúde visando incentivar o parto, especial- mente o parto normal. Com as leituras e o vídeo indicados no Tópico 3.1, você conhecerá mais sobre as diretrizes nacionais para a assistência ao parto normal. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteú- do estudado. Sabe-se que a atenção à saúde da gestante e a adequada assistência ao parto contribuíram para a promoção da saúde da mulher e do recém-nascido (GOLDMAN, 2009). É no momento do parto em que a mulher passa por ex- periências e percepções afetivas que sofrem interferências do seu contexto socioeconômico e grau de informação (GOLDMAN, 2009). Com a institucionalização do parto, novos eventos foram adicionados a esse momento, como afastamento do companhei- ro, de familiares e pertences pessoais, exigência da posição no momento do parto, da utilização de ocitócitos e do emprego de episiotomia em todas as primíparas (GOLDMAN, 2009). Ou seja, na hora do trabalho de parto e no parto, as mulheres continuam se submetendo a rotinas hospitalares rígidas (SCHIRMER et al., 2009). 102 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO O propósito da institucionalização ao parto seria oferecer condições dignas paramãe e filho, assegurando os recursos ma- teriais necessários e os recursos humanos treinados para assisti- -los com qualidade, conforto e segurança. Nesse sentido, os pro- fissionais envolvidos deveriam auxiliar a mulher a superar suas angústias, medos e ansiedades ou a encontrar soluções para esse momento tão singular (SCHIRMER et al., 2009). Segundo Schirmer et al. (2009, p. 186), a assistência ao parto pressupõe o estabelecimento de uma relação de respeito entre os profissionais de saúde e as mulheres, que compreende: • Um processo natural e fisiológico que, quando bem condu- zido, não precisa de condutas intervencionistas. • Respeito a sentimentos, emoções, necessidades e valores culturais. • Disposição dos profissionais para ajudar a mulher a di- minuir ansiedades, inseguranças, solidão, dor, medo do ambiente hospitalar, de o bebê nascer com problemas e outros temores. • Promoção e manutenção do bem-estar físico e emocional ao longo do processo de gestação, parto e nascimento. • Informação e orientação permanente à parturiente sobre a evolução do trabalho de parto, reconhecendo o papel prin- cipal da mulher nesse processo, inclusive aceitando a sua recusa a condutas que lhe causem constrangimento ou dor. • Espaço e apoio para a presença do acompanhante que a parturiente deseje. • Direito da mulher na escolha do local de nascimento e cor- responsabilidade dos profissionais para garantir o acesso e a qualidade dos cuidados de saúde. 103© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Já a assistência ao recém-nascido deve ser voltada para a aproximação precoce entre mãe e bebê, procurando auxiliar o estabelecimento de vínculos afetivos e garantir o alojamento conjunto e o estímulo do reflexo de sucção, levando o bebê ao peito precocemente e garantindo o acesso aos cuidados espe- cializados necessários para a atenção ao recém-nascido em risco (SCHIRMER et al., 2009). A construção de um modelo assistencial que envolve a mu- lher e sua família como sujeitos do processo de nascimento pode representar um impacto favorável em relação aos indicadores de saúde materna (SCHIRMER et al., 2009). Os autores citam que, para a prevenção da morte materna, são necessárias inúmeras medidas, tais como: dispor de conhe- cimentos, tecnologia e incentivo governamental, com políticas públicas de saúde que promovam, por exemplo, planejamento familiar e qualidade da atenção pré-natal; reconhecer a presença de complicações durante o ciclo gravídico-puerperal; assegurar assistência obstétrica básica; proporcionar cuidado no pós-abor- to e no pós-parto; e assegurar o direito à maternidade sem risco (SHIRMER et al., 2009b). Além disso, ainda é preciso muitos avanços no setor de saú- de para que a qualidade da assistência ao parto seja alcançada. Por outro lado, o demasiado uso de tecnologias no parto, o aumento das intervenções cirúrgicas e a crescente medicalização não contribuíram para a redução da morbimortalidade materna e perinatal (GOLDMAN, 2009). O parto cirúrgico, por sua vez, teve sua importância ao co- laborar com a redução da mortalidade materna. Todavia, no Bra- 104 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO sil, as taxas de cesárea são muito acima dos 15% preconizados pela Organização Mundial da Saúde (SHIRMER et al., 2009b). No Brasil, o Ministério da Saúde preconiza a humanização e a qualidade da assistência das mulheres que utilizam o SUS, como, por exemplo, na escolha do local de nascimento do filho, nas formas de assistência ao parto, com a preservação da integri- dade corporal, o respeito ao parto como experiência altamente pessoal e familiar, o apoio emocional no ciclo gravídico-puerpe- ral e contra abusos e negligências (GOLDMAN, 2009). Embora o parto seja um processo fisiológico e os cuidados de uma equipe de profissionais especializada e experiente se- jam importantes, não se podem desprezar os fatores psíquicos e emocionais (GOLDMAN, 2009). Vamos explorar mais sobre os aspectos fisiológicos do tra- balho de parto e do parto. 2.2. TRABALHO DE PARTO E PARTO Para Montenegro (2011, p. 203), considera-se trabalho de parto o conjunto dos seguintes elementos: 1. Contrações dolorosas, rítmicas (no mínimo duas em 10 minutos), que se estendem a todo o útero e têm duração de 50 a 60 segundos. Doze contrações por hora (2 a cada 10 minutos) é sinal valioso de trabalho de parto verdadeiro ou iminente. 2. Colo apagado, nas primíparas, e dilatado em 2 cm; nas multíparas, semiapagado e com 3 cm de dilatação. 3. Formação da bolsa das águas. 4. Perda do tampão mucoso, denunciando o apagamento do colo. 105© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO O trabalho de parto, que envolve a expulsão do feto do útero para o meio externo, constitui-se em quatro períodos se- quenciais: dilatação cervical, expulsão fetal, dequitação ou se- cundamento e período de Greenberg (a primeira hora após a saída da placenta) (GOLDMAN, 2009). Primeira fase do parto É na primeira fase em que ocorre a dilatação cervical, acon- tecem as contrações uterinas dolorosas e se inicia a modificação da cérvice, cuja ampliação completa (10 cm) denuncia o término desse processo (MONTENEGRO, 2011). Nessa fase, a assistência deve estar voltada para o moni- toramento do bem-estar físico e emocional da mulher durante o trabalho de parto, sua alimentação e hidratação, a liberdade de posição e movimentação, o monitoramento fetal, a vigilância das contrações uterinas, a avaliação da dilatação cervicouterina e a coloração do líquido amniótico (GOLDMAN, 2009). Vamos explo- rar mais a assistência nessa fase. O monitoramento do bem-estar físico e emocional da mu- lher é necessário tanto para evitar experiências negativas du- rante o trabalho de parto, quanto para permitir a avaliação ade- quada da temperatura, frequência cardíaca e pressão arterial da mulher, além da ingestão de líquidos e do débito urinário. Para propiciar o conforto materno e facilitar seu progresso, devem- -se instaurar medidas para estimular e orientar a movimentação da mulher, por exemplo, permitindo sua deambulação frequente (GOLDMAN, 2009). O monitoramento fetal permite avaliar a vitalidade fetal e detectar possíveis desacelerações por meio do Pinard ou do so- 106 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO nar Doppler. A frequência cardíaca fetal de base, entre as contra- ções uterinas, varia de 112 a 160 batimentos por minuto (bpm). Valores acima de 160 bpm (taquicardia) podem indicar atividade uterina excessiva, hipotensão materna ou hipertermia e valores inferiores a 120 bpm (bradicardia) podem indicar bloqueio car- diofetal ou doença cardíaca estrutural, e ambos os valores mere- cem assistência (GOLDMAN, 2009). Segundo Goldman (2009), indica-se a verificação dos ba- timentos cardiofetais antes, durante e após as contrações uteri- nas, no intervalo de uma hora ou a cada trinta minutos no perío- do e a cada quinze minutos no período expulsivo. A avaliação da dinâmica uterina é um importante momen- to, no qual o examinador analisa todo o processo de contração e relaxamento da musculatura uterina, uma vez que a atividade uterina aumenta progressivamente desde o início do trabalho de parto até a expulsão do feto. A duração de uma contração ute- rina é o intervalo de tempo, em segundos, entre a sensação de endurecimento do músculo uterino e seu completo relaxamen- to. A frequência varia de três a cinco contrações em 10 minutos, com duração de 40 a 60 segundos. Os intervalos das avaliações devem ser de até 40 minutos entre eles (GOLDMAN, 2009). A dilatação cervicouterina é avaliada por meio do toque vaginal, por meio doqual se observa a dilatação do colo em cen- tímetros. O toque vaginal deve ser realizado o menor número de vezes possível, pois pode induzir infecções e ruptura das mem- branas ovulares (GOLDMAN, 2009). Já na avaliação da coloração do líquido amniótico, observa- -se se está claro, com presença de grumos. A eliminação de líqui- do meconial, que tinge de verde o líquido amniótico, durante o 107© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO trabalho de parto está relacionada a elevadas taxas de morbi- mortalidade neonatal (GOLDMAN, 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3.2, am- plie seu conhecimento com as leituras sobre o acompanha- mento do trabalho de parto e do partograma, as posições no trabalho de parto, as técnicas de relaxamento e massagens como métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor e a prevenção do trabalho de parto prolongado. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os materiais in- dicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Segunda fase do parto O segundo estágio do parto pode durar de minutos até duas horas e não deve exceder uma hora nas primíparas e 40 a 45 minutos nas multíparas, pois pode ser danoso à vitalidade do concepto. É uma fase caracterizada pela cervicodilatação com- pleta e que termina com o nascimento da criança (GOLDMAN, 2009). Na dilatação completa do colo uterino, a oxigenação fetal está gradualmente reduzida pela contração uterina e diminuição da circulação placentária, o que pode levar à compressão funicu- lar e à diminuição da perfusão cerebral. Por isso, a ausculta fe- tal a cada cinco minutos é uma importante medida (GOLDMAN, 2009). O feto executa movimentos que constituem o mecanismo do parto (insinuação, descida e flexão, rotação da cabeça e libe- ração do ombro); veja na Figura 1. 108 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Figura 1 Movimentos do feto no parto. A parturiente opta pela posição que melhor a acomode e, após isso, iniciam-se todos os cuidados assépticos para o nasci- mento do feto, com antissepsia de mãos e antebraço, paramen- tação necessária, antissepsia da região perineal e atendimento às necessidades da mulher (GOLDMAN, 2009). No momento do desprendimento da cabeça fetal, realiza- -se a proteção do períneo, ou seja, aplica-se de forma constante um apoio firme em direção ao ânus, com a finalidade de pro- tegê-lo com uma das mãos aberta e coberta com compressa, ao mesmo tempo que a outra faz um leve apoio sobre a cabeça com a intenção de controlar a velocidade do desprendimento 109© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO cefálico. Todo esse movimento ocorre depois do movimento de báscula, o aparecimento do couro cabeludo no introito vaginal (GOLDMAN, 2009). O cordão umbilical, que apresenta em torno de 55 cm, após o desprendimento cefálico, pode ser notado em posição circular, habitualmente cervical, ao redor do tronco ou dos mem- bros, podendo ser único, duplo, triplo ou quádruplo. É impor- tante notar sua presença, pois ele pode desencadear brevidade relativa, distócias e anóxia, principalmente no período expulsivo (GOLDMAN, 2009). Assim que o nascimento ocorre, o bebê deve ser colocado no ventre materno, enquanto o cordão umbilical é duplamente pinçado e seccionado a, aproximadamente, 3 cm da sua inserção no recém-nascido (GOLDMAN, 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 2. 2, co- nheça mais sobre a episiotomia e os efeitos positivos do conta- to íntimo entre mãe e filho logo após o parto. Antes de prosse- guir para o próximo assunto, acesse os materiais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Terceira fase do parto O terceiro período do parto, secundamento ou dequita- ção, inicia-se após a expulsão do feto e termina com a expulsão da placenta. Nesse momento, a mulher experimenta sensação de alegria e bem-estar, porém há riscos de sangramento (GOLD- MAN, 2009). 110 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Prosseguem os mecanismos de contração e retração mio- metrial e considera-se o desprendimento da placenta como um processo fisiológico desencadeado pela contração uterina e re- dução volumétrica do útero. O período constitui-se de três fases: descolamento, descida e expulsão (GOLDMAN, 2009). Último período: Greenberg O último período, Greenberg, é definido como a primeira hora após a saída da placenta, período susceptível a hemorragias na ocorrência de hipotonia ou atonia uterina. A palpação abdo- minal para análise do tônus e volume uterino mostra um útero firme e arredondado na altura ou abaixo da cicatriz umbilical, o que assegura hemostasia uterina (GOLDMAN, 2009). O exame clínico completo inclui: controle dos sinais vitais, avaliação das mamas, palpação abdominal, verificação de san- gramento vaginal e anormalidade de membros inferiores (GOLD- MAN, 2009). 2.3. PERÍODO PUERPERAL Nessa fase especial da vida da mulher e de seu filho, várias emoções, mudanças físicas e alterações nos relacionamentos in- terpessoal e familiar, por novos ajustamentos, são vivenciadas (ABRÃO et al., 2009). Logo após o parto, a mulher deve ser cuidada e avaliada pela equipe de enfermagem, com vistas a proporcionar conforto e antecipar complicações, como hipotonia uterina, hemorragia, choque, eclâmpsia e efeitos adversos da anestesia, por meio de controle dos sinais vitais e exame físico (ABRÃO et al., 2009). 111© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO O exame físico obstétrico tem como objetivo verificar as- pecto geral, sinais vitais, avaliação da contração uterina para ma- nutenção do globo de segurança de Pinard e qualidade e quanti- dade do sangramento (ABRÃO et al., 2009). É muito importante que, nas primeiras horas após o parto, a mulher tenha condições de recuperar sua saúde física e psi- coemocional em um ambiente calmo e tranquilo. Facilitar a per- manência de familiares também se faz necessário (ABRÃO et al., 2009). Passado o momento de observação, a mulher é encaminha- da ao alojamento conjunto ou quarto da maternidade (ABRÃO et al., 2009). Nesse sistema, mãe e filho são assistidos em suas neces- sidades fisiológicas e psicossocioculturais (ABRÃO et al., 2009). A consulta de enfermagem que irá subsidiar a assistência à puérpera engloba dados da entrevista, exame físico geral e obs- tétrico (ABRÃO et al., 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 2. 2, en- tenda melhor a proposta do sistema de alojamento conjunto e, também, explore informações sobre o exame físico obstétri- co. Antes de prosseguir para o próximo assunto, acesse os ma- teriais indicados, procurando assimilar o conteúdo estudado. Logo após o parto, a mulher passa por uma fase de muitas transformações e adaptações. Escutar as dificuldades, os desejos e as necessidades dessa mulher, podendo ajudá-la a desenvolver sua autonomia e segurança na maternidade, é a melhor forma de educá-la nessa nova fase (ABRÃO et al., 2009). 112 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Muitas dúvidas surgem: sobre a volta da menstruação, sexualidade e contracepção, cuidados com as mamas e a ama- mentação, prática de exercícios físicos, cuidados com a ferida, retorno e consultas com o recém-nascido (ABRÃO et al., 2009). Com as leituras e o vídeo sugeridos no Tópico 3. 3, am- plie seu conhecimento a respeito da assistência à mulher no puerpério e as orientações pós-alta hospitalar. 3. CONTEÚDO DIGITAL INTEGRADOR O Conteúdo Digital Integrador é a condição necessária e in-dispensável para você compreender integralmente os conteúdos apresentados nesta unidade. 3.1. POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O PARTO E ASSISTÊNCIA À PARTURIENTE Os textos a seguir fundamentam a assistência da mulher durante o parto no Brasil. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tec- nologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Ges- tão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal: versão resu- mida [recurso eletrônico]. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/diretrizes_nacionais_assistencia_parto_ normal.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.067, de 4 de julho de 2005. Institui a Política Nacional de Aten- 113© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO ção Obstétrica e Neonatal, e dá outra providências. Dis- ponível em: <https://www.mpac.mp.br/wp-content/ uploads/portaria-n-1067-2005-institui-a-poltica-nacio- nal-de-ateno-obsttrica-e-neonatal-2.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2019. • BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 569, de 1º de junho de 2000. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov. br/bvs/saudelegis/gm/2000/prt0569_01_06_2000_ rep.html>. Acesso em: 27 abr. 2019. • SERRUYA, S. J.; CECATTI, J. G.; LAGO, T. D. G. O Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento do Ministé- rio da Saúde no Brasil: resultados iniciais. Caderno Saú- de Pública, v. 20, n. 5, p. 1281-1289, set-out, 2004. Dis- ponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/v20n5/22. pdf>. Acesso em: 27 abr. 2019. 3.2. TRABALHO DE PARTO E PARTO Na primeira etapa do trabalho de parto, foram apresenta- dos dois estudos sobre o partograma, que é um gráfico no qual são anotadas a progressão do trabalho de parto e as condições da mãe e do feto, segundo recomendações internacionais da saúde. O terceiro artigo aborda a movimentação e deambulação no trabalho de parto. Em seguida, há duas revisões integrativas sobre as técnicas de relaxamento e massagens como métodos não invasivos e não farmacológicos de alívio da dor no trabalho de parto. São apresentados alguns textos a respeito da preven- ção do trabalho de parto prolongado. Um vídeo mostra desde a reprodução até o parto normal. 114 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Na segunda etapa, dois artigos explicam a episiotomia e os desafios para a enfermagem. Além destes, outro artigo faz referências ao contato com a pele ao nascer para a promoção do aleitamento materno. • FIOCRUZ. Fundação Oswaldo Cruz. Portal de boas práti- cas. Eixo: atenção às mulheres. Preenchimento de par- tograma: aplicação prática do gráfico de evolução do trabalho de parto. Disponível em: <https://www.arca. fiocruz.br/bitstream/icict/29761/2/PREENCHIMEN- TO%20DE%20PARTOGRAMA.pdf>. Acesso em: 1 maio 2019. • ROCHA, I. M. S. et al. O partograma como instrumento de análise da assistência ao parto. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 43, v. 4, p. 880-8, 2009. Disponível em: <http://www. scielo.br/pdf/reeusp/v43n4/a20v43n4.pdf>. Acesso em: 1 maio 2019. • MAMEDE, F. V.; ALMEIDA, A. M.; CLAPIS, M. J. Movi- mentação/deambulação no trabalho de parto: uma revisão. Maringá, v. 26, n. 2, p. 295-302, 2004. Dispo- nível em: <http://eduem.uem.br/ojs/index.php/ActaS- ciHealthSci/article/view/1580/932>. Acesso em: 1 maio 2019. • ARAGÃO, H. T. et al. Trabalho de parto e os métodos não farmacológico para alívio da dor: revisão integra- tiva. Congresso Internacional de Enfermagem, v. 1, n. 1, 2017. Disponível em: <https://eventos.set.edu.br/ index.php/cie/article/view/6204>. Acesso em: 1 maio 2019. • MOREIRA, K. A. P. et al. Estratégias não farmacológicas utilizadas no parto: uma revisão integrativa. Revista 115© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO Diálogos Acadêmicos, v. 1, n. 1, 2012. Disponível em: <http://revista.fametro.com.br/index.php/RDA/article/ view/8>. Acesso em: 1 maio 2019. • ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. OPAS – BRASIL. OMS emite recomendações para estabe- lecer padrão de cuidado para mulheres grávidas e reduzir intervenções médicas desnecessárias. Dis- ponível em: <https://www.paho.org/bra.../index. php?option=com_content&view=article&id=5596:oms- -emite-recomendacoes-para-estabelecer-padrao-de- -cuidado-para-mulheres-gravidas-e-reduzir-interven- coes-medicas-desnecessarias&Itemid=820>. Acesso em: 1 maio 2019. • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. OMS. Recomen- dações para o aumento do trabalho de parto: desta- ques e principais mensagens das recomendações glo- bais de 2014 da Organização Mundial da Saúde. 2015. Disponível em: <https://apps.who.int/iris/bitstream/ handle/10665/174001/WHO_RHR_15.05_por.pdf;jsess ionid=DB0305F919128FD82F31207520D37AD0?seque nce=5>. Acesso em: 1 maio 2019. • BABYCENTER. 2013. Reprodução humana: gravidez, de- senvolvimento fetal e parto. Disponível em: <https:// www.youtube.com/watch?v=CSdvy7Z2WbU>. Acesso em: 1 maio 2019. • COSTA, M. L. et al. Episiotomia no parto normal: inci- dência e complicações. Carpe Diem: Revista Cultural e Científica do UNIFACEX, v. 13, n. 1, 2015. Disponível em: <https://periodicos.unifacex.com.br/Revista/article/ view/655/pdf>. Acesso em: 1 maio 2019. 116 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO • POMPEU, K. C. et al. Prática da episiotomia no parto: desafios para a enfermagem. Revista de Enfermagem do Centro Oeste Mineiro, v. 7, 2017. Disponível em: <http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/arti- cle/view/1142/1302>. Acesso em: 1 maio 2019. • SAMPAIO, A. R. R.; BOUSQUAT, A.; BARROS, C. Conta- to pele a pele ao nascer: um desafio para a promoção do aleitamento materno em maternidade pública no Nordeste brasileiro com o título de Hospital Amigo da Criança. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 25, n. 2, p. 281-290, abr-jun, 2016. Disponível em: <https://www. scielosp.org/pdf/ress/2016.v25n2/281-290/pt>. Acesso em: 1 maio 2019. 3.3. PERÍODO PUERPERAL O puerpério é marcado por muitas transformações e dú- vidas. Os materiais indicados a seguir para leitura ampliam o conhecimento para orientar as mulheres nesse período. O as- pecto emocional no puerpério é tratado pelo manual técnico do Ministério da Saúde. Em seguida, os três guias e manuais cita- dos trazem valiosas contribuições para a assistência à mulher no parto, aborto e puerpério. Há também alguns vídeos sobre a amamentação. • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estra- tégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada. Brasí- lia: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: <http:// bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_pre_na- tal_puerperio_3ed.pdf>. Acesso em: 2 maio 2019. 117© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticos de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto, abor- to e puerpério: assistência humanizada à mulher. Brasí- lia: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: <http:// bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_13.pdf>. Acesso em: 2 maio 2019. • SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenado- ria de Planejamento em Saúde. Assessoria Técnica em Saúde da Mulher. Atenção à gestante e à puérpera no SUS – SP: manual técnico do pré-natal e puerpério. São Paulo: SES/SP, 2010. Disponível em: <http://www.sau- de.sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/destaques/ atencao-a-gestante-e-a-puerpera-no-sus-sp/manual- -tecnico-do-pre-natal-e-puerperio/manual_tecnicoii. pdf>. Acesso em: 2 maio 2019. • TOCANTINS. Secretaria de Estado da Saúde. AtençãoIntegral à Saúde da Mulher Tocantinense. Caderno 1: Protocolo de Atenção à Mulher no Pré-natal e Puerpério. Palmas, Secretaria de Estado da Saúde, 2012. 169p. Disponível em: <https://central3.to.gov.br/ arquivo/376857/>. Acesso em: 2 maio 2019. • CORRÊA, M. S. M. et al. Acolhimento no cuidado à saú- de da mulher no puerpério. Cad. Saúde Pública, v. 33, n. 3, 2017. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/csp/ v33n3/1678-4464-csp-33-03-e00136215.pdf>. Acesso em: 2 maio 2019. • TELESSAUDESC. Aleitamento materno. 2018. Disponí- vel em: <https://www.youtube.com/watch?v=u9dA4_ uJ7C4>. Acesso em: 2 maio 2019. 118 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO • TELESSAUDEES. Alimentação saudável. Aleitamento materno. 2017. Disponível em: <https://www.youtube. com/watch?v=1GAqXyDzohI>. Acesso em: 2 maio 2019. 4. QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho. Se encontrar dificuldades em re- sponder às questões a seguir, você deverá revisar os conteúdos estudados para sanar as suas dúvidas. 1) (Questão adaptada da UFU, 2016) Assinale a alternativa que não apresen- ta sinal(is) de desencadeamento do trabalho de parto. a) Contrações regulares. b) Perda de tampão mucoso. c) Discreto sangramento. d) Alterações da cérvice, amolecimento, apagamento e dilatação progressiva. 2) (Questão adaptada do Consulplan, 2014) A gestante pode apresentar con- trações uterinas, chamadas Braxton Hicks, que ficam mais evidentes após a 28ª semana. É correto afirmar que tais contrações são: a) Sinais de alerta de parto prematuro. b) Normais na gravidez. c) Muito dolorosas e incômodas para a gestante. d) Indicação para que a gestante permaneça em repouso. 3) (Questão adaptada da UFU, 2017) No puerpério, ocorre risco de deficit de volume de líquidos, devido à subinvolução uterina e aos procedimentos cirúrgicos realizados em casos de cesárea ou de episiorrafia. Nesses casos, a conduta do profissional de enfermagem inclui: a) Orientar a puérpera para que permaneça em repouso e não realize os cuidados com o recém-nascido. b) Avaliar a pressão arterial, apesar de esta não apresentar relação com a perda sanguínea. 119© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO c) Manter os membros inferiores abaixados para que ocorra diminuição do retorno venoso e melhora do sangramento vaginal. d) Observar e descrever as características da loquiação. 4) (Questão adaptada da USP, 2015) Assinale a alternativa correta: a) A secreção eliminada pela vagina tem aspecto purulento nos primeiros dias após o parto, devendo-se observar seu volume e suas característi- cas, como aspecto e odor. b) Para que a paciente possa conseguir deambular sem restrições, deve- -se orientá-la a permanecer no leito, independentemente do tipo de parto, até que as dores cessem. c) A humanização do parto e do nascimento pode ser entendida como o conjunto de condutas e procedimentos que visam à promoção do parto e nascimento saudáveis e à prevenção da morbimortalidade ma- terna, fetal e perinatal, com a utilização de tecnologia apropriada. d) A imersão em água no primeiro estágio do trabalho de parto não pode aumentar o conforto da parturiente, favorecendo maior relaxamento e maior capacidade para suportar o estresse e as contrações. 5) (Questão adaptada do Consulplan, 2014) Quanto ao manejo clínico da amamentação, assinale a alternativa correta. a) A primeira mamada só deve acontecer 4 horas após o nascimento do bebê. b) A posição e a pega adequada da região mamiloareolar é fundamental para o sucesso da amamentação. c) Para que o recém-nascido receba o benefício máximo do colostro, deve ser amamentado de 3 em 3 horas. d) Na pega adequada, as bochechas do bebê apresentam-se encovadas e observa-se mais aréola abaixo do que acima da sua boca. Gabarito Confira, a seguir, as respostas corretas para as questões au- toavaliativas propostas: 120 © ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO 1) c. 2) b. 3) d. 4) c. 5) b. 5. CONSIDERAÇÕES Finalizamos os conteúdos propostos para a Unidade 4, mas não esgotamos o assunto. Temas como as políticas públicas para o parto e assistência à parturiente, o conhecimento do trabalho de parto, do parto e do puerpério e a prática de enfermagem foram introduzidos para que, posteriormente, sua leitura fosse complementada com os manuais, guias e vídeos relacionados a cada tema. Cada vez mais a enfermagem tem protagonizado a evolu- ção nos cuidados no parto e puerpério, com assistência humani- zada, científica e segura. Mantenha-se atualizado para acompa- nhar essa evolução. 6. E-REFERÊNCIA Figura 1 Movimentos do feto no parto. Disponível em: <https://saude.grancursosonline. com.br/periodo-expulsivo-trabalho-parto/>. Acesso em: 1 maio 2019. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRÃO, A. C. F. V. et al. Cuidados com a puérpera e o recém-nascido. In: BARROS, S. M. O. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Roca, 2009. Cap. 15. 121© ENFERMAGEM EM GINECOLOGIA, OBSTETRÍCIA E SAÚDE DA MULHER UNIDADE 4 – ENFERMAGEM OBSTETRÍCA: A MULHER DURANTE O PARTO E PUERPÉRIO GOLDMAN, R. E. Prática de enfermagem durante o parto. In: BARROS, S. M. O. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Roca, 2009. Cap. 12. SHIRMER, J. et al. Incentivando o parto normal. In: BARROS, S. M. O. Enfermagem obstétrica e ginecológica: guia para a prática assistencial. 2. ed. São Paulo: Roca, 2009. Cap. 11.