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Saúde da Mulher, sexualidade humana e planejamento familiar por Gabrieli do Nascimento Dias Rodrigues 2021.2 MEDICINA UNIDERP TURMA TXXV AVISO O arquivo é de uso pessoal. PROIBIDO O REPASSE. O CONTEÚDO DESTE MATERIAL DESTINA-SE EXCLUSIVAMENTE A EXIBIÇÃO PRIVADA. É PROIBIDA TODA FORMA DE REPRODUÇÃO, DISTRIBUIÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO DO CONTEÚDO OBTIDO. O COMPARTILHAMENTO, A TÍTULO GRATUITO OU ONEROSO, LEVA À RESPONSABILIZAÇÃO CIVIL E CRIMINAL DOS ENVOLVIDOS. A VIOLAÇÃO DE DIREITOS SOBRE ESSE PDF É CRIME (ART. 184 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO, COM PENAS DE 3 MESES A 4 ANOS DE RECLUSÃO E MULTA). Problema 01 PROBLEMA 1 Quanta Perfeição???? Abertura: 13.09 Intermediária I: 16.09 Intermediária II: 20.09 Fechamento: 23.09 Juscylene, Marta e Valdirene são três amigas que cursam o primeiro ano do ensino médio e conversam sobre as mudanças que estão ocorrendo nos seus corpos. Juscylene está incomodada, pois é muito baixa e que apesar de já ter 16 anos, seus peitos ainda não cresceram e também não menstruou. Marta se sente feia, pois é gordinha, muito peluda e nunca sabe quando irá menstruar e quando menstrua sente muita dor. Valdirene, a mais experiente, está preocupada, pois teve vários namorados e nem sempre usaram preservativos. Além do corrimento que a acompanhava há alguns meses, percebeu, há 2 dias, várias feridas nos grandes lábios, dolorosas e com dor ao urinar e dor em baixo ventre. Fez uso de banhos de assento com remédios caseiros, na esperança de melhorar. Foram juntas à UBSF e tiveram dificuldades para serem atendidas, pois estavam sem um responsável. O médico que as atendeu examinou-as. Achados do exame físico: ● Em Juscylene foi constatado Escala de Tanner M1P1 e abaixo do Z Escore Menos 2 para estatura. ● Em Marta verificou IMC 29 e manchas “café com leite” na região cervical e nas axilas. ● Em Valdirene: - Inspeção: Presença de múltiplas vesículas dolorosas em grande lábio direito e nódulo doloroso de consistência fibroelástica na região da fossa ilíaca direita. - Exame especular: Parede vaginal hiperemiada com conteúdo vaginal amarelado e com odor. Colo uterino hiperemiado com ectopia. Teste de Schiller tigróide. - Toque: Útero de tamanho e consistência normais com colo fibroelástico, discreta dor à mobilização, anexos não palpáveis. - Em seguida lhe medicou. Pediu que seu parceiro também fosse consultado. Solicitou exames para cada uma delas e orientou a atualização do calendário vacinal. OBJETIVOS PP: Como orientar as 3 amigas sobre suas respectivas queixas? 1 - Elucidar as principais causas da puberdade tardia (relacionando com Tanner e Score Z). 2 - Descrever o ciclo menstrual correlacionando com o eixo HHG. 3 - Descrever (fisiopatologia) as principais causas que podem levar às alterações (hemorragia uterina, amenorreia, dismenorreia) no ciclo menstrual (SOP, hipo e hipertireoidismo, hiperprolactinemia e hiperandrogenismo … → tudo o que altera o eixo HHG). 4 - Descrever as principais ISTs (etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento da mulher e de seus parceiros com mecanismo de ação dos medicamentos: analgésicos, antibióticos e antinflamatórios - antibióticos com foco no caso de Valdirene). ● Descrever os tipos de corrimento vaginal e uretral 5 - Explicar as principais causas de dor pélvica (quadro clínico) e os mecanismos analgésicos (escala de analgesia). 6 - Esclarecer a fisiopatologia da doença inflamatória pélvica. 7 - Apontar as vacinas adequadas para a faixa etária. 8 - Avaliar principais problemas afetivos do adolescente. 9 - Explicar protocolo de atendimento ao adolescente pelo SUS (princípios éticos). Elucidar os exames que devem ser solicitados perante o quadro clínico de cada uma das três pacientes Objetivo 1 - Elucidar as principais causas da puberdade tardia (relacionando com Tanner e Score Z). Puberdad� Tardi� o� Interrompid� (mais comum em meninOs) OBSERVADA EM MENINAS QUE: Não desenvolveram nenhuma característica sexual secundária aos 13 anos Não tiveram menarca aos 15 anos (o 95° percentil é 14,5 anos) Não tiveram menarca decorridos 5 anos ou mais desde o início do desenvolvimento puberal ● AVALIAÇÃO: anamnese + exame físico, com atenção especial ao crescimento ● PODE OCORRER EM QUALQUER CRIANÇA COM DOENÇA CRÔNICA GRAVE: doença celíaca, doença de Crohn, doença pulmonar ou renal crônica, anemia falciforme e fibrose cística → pois geralmente são acompanhadas de DESNUTRIÇÃO (menos de 80 a 85% do peso corporal ideal) = deficiência hipotalâmica de GnRH → desaceleração do crescimento na 2º infância e atraso da adolescência - Se forem mantidos peso corporal e nutrição adequados, a secreção de gonadotrofina é suficiente para iniciar e manter a puberdade ANORMALIDADES ANATÔMICAS DO SISTEMA GENITAL certa relação com o Hipogonadismo Hipogonadotrófico DISGENESIA MÜLLERIANA: ausência ou hipoplasia das estruturas derivadas DUCTOS DE MULLER (tubas uterinas, útero e os dois terços superiores da vagina - lembrar de investigar os rins, que se formam juntos), que devem se fundir na linha média para formar as estruturas, mas por alguma alteração isso não acontece - pacientes apresentam cariótipo 46,XX e caracteres sexuais secundários normais, uma vez que os ovários estão presentes e funcionantes ● Associadas a aborto espontâneo, morte fetal, trabalho de parto pré-termo, apresentações anômalas e complicações do trabalho de parto ● Síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser (MRKH) a disgenesia mulleriana mais comum: agenesia vaginal e anormalidades uterinas que variam desde útero rudimentar até ausente ● OBS: para diferenciar um útero septado de um bicorno = histerossalpingografia CLASSES ● CLASSE I: AGENESIA: vaginal, cervical, fúndica, tubária ou combinada ● CLASSE II: Útero unicorno: com um corno rudimentar (cavidade endometrial comunicante ou não comunicante, sem cavidade) ou sem cornos rudimentares ● CLASSE III: Útero didelfo ● CLASSE IV: Útero bicorno (completo até o orifício externo, parcial ou arqueado) ● CLASSE V: Útero septado (com septo completo ou incompleto) ● CLASSE VI: Útero com alterações luminais internas OBSTRUÇÃO DISTAL DO SISTEMA GENITAL → para identificar anormalidades: ressonância magnética e ultrassonografia intravaginal ● Hímen imperfurado (mais comum): impede eliminação da menstruação, que se acumula na vagina (hematocolpo) ou no útero (hematométrio), provocando abaulamento do hímen, que fica azulado → QUADRO CLÍNICO: dor abdominal vaga com exacerbações mensais ● Septo vaginal transverso: falha na fusão e canalização do canal vaginal (fusão do ducto de miller), atrapalha a exteriorização, para distinguir de hímen perfurado, é necessário um exame com anestesia Hipogonadismo = relativo a ESTRÓGENO e PROGESTERONA HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO ou primário FSH > 30 mUI/ml = aumento ou excesso de FSH e LH, e qualquer que seja o cariótipo, indica algum tipo de insuficiência/comprometimento ovariano (O PROBLEMA ESTÁ NA GÔNADA, pois hipófise e hipotálamo estão produzindo hormônios) → ocorre em 43% DISGENESIAS GONADAIS grupo de pacientes portadores de gônadas não diferenciadas ou diferenciadas irregularmente, com comprometimento funcional parcial ou completo, e fenótipo variável ● Tem genitália feminina, masculina ou ambígua ● Pode ocorrer por anomalia dos cromossomos sexuais e autossômicos ou devido a mutações em genes envolvidos na diferenciação sexual ● GÔNADA DISGENÉTICA: constituída somente de tecido fibroso, sem função hormonal ou produção de gametas, e sem estruturas que permitem caracterizá-la como ovário ou testículo ● CLASSIFICAÇÃO: disgenesia gonadal pura (DGP), disgenesia gonadal parcial ou incompleta e disgenesia gonadal mista DISGENESIA GONADAL PURA (atrofia da gônada, mas cariótipo normal) ● FENÓTIPO: feminino, sem ambiguidade genital, com presença de derivado mullerianos e gônadas disgenéticas (em “fita” ou “estria”: não não produzem hormônios esteróides nem inibina) ● CARIÓTIPO: 46,XX e 46,XY (Síndrome de Swyer - retirada das gônadas paraevitar neoplasia de células germinativas) ● QUADRO CLÍNICO: altura média e níveis elevados de FSH - DGP XX: amenorreia primária e atraso no desenvolvimento de caracteres sexuais secundários em indivíduos fenotipicamente femininos com cariótipo 46,XX e presença de dutos genitais internos femininos - DGP XY ou síndrome de Swyer: fenótipo feminino em indivíduos com cariótipo 46,XY e gônadas disgenéticas ● É atribuída a mutações gênicas (a mais comum é transmissão autossômica recessiva ou ligada ao cromossomo X) ● TRATAMENTO: estrógeno exógeno DISGENESIA GONADAL MISTA (altera o cariótipo) → mosaico (mutação em uma célula do embrião que faz com que a pessoa desenvolva o seu organismo com 2 tipos de material genético) ● CARIÓTIPO: 45,X/46,XX e 45,X/46,XY → espectro fenotípico que varia de genitais externos femininos a masculinos normais ou diferentes graus de ambiguidade genital ● QUADRO: presença de testículo disgenético de um lado e gônada disgenética ou ausente contralateral, persistência de derivados müllerianos ● Podem ter desenvolvimento normal na puberdade, apenas iniciar tratamento com estrógeno exógeno com base no nível de FSH DISGENESIA GONADAL COM ESTIGMAS DE SÍNDROME DE TURNER → menina baixa, de crescimento lento e sexualmente infantil ● Presente em 1 em 2.500 recém-nascidos com fenótipo feminino ● DIAGNÓSTICO DE SÍNDROME DE TURNER (etiologia mais importante): indivíduos de fenótipo feminino com ausência (total/ parcial) do 2º cromossomo sexual → CARIÓTIPO: 45,X ● QUADRO CLÍNICO: grandes higromas císticos do pescoço ao nascimento, crescimento lento e só a partir de 2 ou 3 anos, baixa estatura, linfedema, pescoço alado, múltiplos nevos (manchas, pintas) pigmentados, unhas pequenas e hiperconvexas e distúrbios do coração, rins e grandes vasos - inteligência normal ou incapacidade de avaliar formatos e relações dos objetos entre si - podem surgir pelos pubianos ou axiliares pois a adrenarca ocorre independentemente do eixo HHG → ASSOCIADO A: diabetes, distúrbios de tireóide e autoimunes e hipertensão ● TRATAMENTO: GH exógeno para aumentar altura final (desde 2 a 8 anos para > 150 cm) até altura satisfatória ou pequena possibilidade de crescimento, estrogênio exógeno quando a paciente estiver psicologicamente pronta (12 a 13 anos) para imitar desenvolvimento puberal normal e progestágenos após 1º sangramento vaginal ou 6 meses de estrógeno sem oposição, para evitar hiperplasia de endométrio “INSUFICIÊNCIA” GONADAL PRECOCE COM APARENTE DESENVOLVIMENTO OVARIANO NORMAL ● Ovários parecem se desenvolver normalmente mas não contém ovócitos na idade esperada da puberdade HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO LH e FSH < 10 mUI/ml = deficiência ou abolição de gonadotrofinas (FSH e LH), causada por anormalidades na secreção hipotalâmica de GnRH e/ou diminuição da liberação de gonadotrofinas pela hipófise (PROBLEMA ESTÁ NA HIPÓFISE OU HIPOTÁLAMO, POIS FSH e LH NÃO ESTÃO SENDO PRODUZIDOS) → ocorre em 30% ATRASO CONSTITUCIONAL = atraso global no desenvolvimento (pode ser tanto um causa isolada, como parte do hipogonadismo hipergonadotrófico) → GnRH, LH e FSH em níveis normais na pré puberdade - considerados pouco para a idade, mas aumentam em uma taxa normal ● CAUSAS: fatores familiares, doenças crônicas, desnutrição, problemas psicossociais secundários ● REFLETE: na idade óssea, altura ● Não causa impactos na fertilidade ● Só pode ser diagnosticado após excluir outras causas e comprovar desenvolvimento sexual normal por acompanhamento longitudinal ● Quanto mais abaixo do terceiro percentil para a altura = menor probabilidade de causa seja constitucional DEFICIÊNCIA ISOLADA DE GONADOTROFINA ● Associada a defeitos da linha média (síndrome de Kallmann): tríade anosmia, hipogonadismo e daltonismo - fenda labial e palatina, ataxia cerebelar (falta de equilíbrio/coordenação), surdez neurológica, anormalidades da sede e da liberação de vasopressina, agenesia renal unilateral e sincinesia (contrações musculares involuntárias decorrente de movimento voluntário de um músculo diferente) bimanual - EXAME CLÍNICO: amenorreia primária (ausência de menstruação após 14 e sem o desenvolvimento de caracteres sexuais secundários ou após os 16, com o desenvolvimento destes), infantilismo sexual - TRATAMENTO: administração pulsátil de GnRH exógeno (induz ovulação) ou reposição com estrogênio exógeno e um progestágeno (se não deseja engravidar) ● Independente de distúrbios associados ● Síndrome de Prader-Labhardt-Willi: obesidade, baixa estatura, hipogonadismo, mãos e pés pequenos (acromicria), retardamento mental e hipotonia do lactente ● Síndrome de Laurence-Moon-Bardet-Biedl: retinite pigmentar, polidactilia pós-axial, obesidade e hipogonadismo NEOPLASIAS DA REGIÃO HIPOTALÂMICO-HIPOFISÁRIA ● Craniofaringiomas: tumor da bolsa de Rathke → incomuns em crianças e podem ser assintomático até 20 anos - QUADRO CLÍNICO: cefaléia, distúrbios visuais, baixa estatura ou atraso do crescimento, puberdade tardia ou diabetes insípido - EXAME FÍSICO: defeitos do campo visual (hemianopsia - perda da visão - temporal bilateral), atrofia óptica ou papiledema (aumento da pressão cerebral faz inchar parte do nervo óptico) - AVALIAÇÃO LABORATORIAL: hiperprolactinemia - TRATAMENTO: excisão cirúrgica ou radioterapia ● Adenomas hipofisários ANOREXIA NERVOSA E DISTÚRBIOS RELACIONADOS ● QUADRO CLÍNICO: emagrecimento considerável e disfunção psicológica (comportamento distorcido e excêntrico com relação aos hábitos alimentares, à comida ou ao peso) → FHS e LH baixos, hipercortisolismo (apesar dos níveis normais de ACTH, mas sua resposta a CRH é reduzida), T3 circulante baixo ● Se começar muito cedo, o desenvolvimento puberal pode ser retardado ou interrompido ● Todas as manifestações são reversíveis com o ganho de peso, exceto a amenorreia (persiste em 30 a 47%) e a osteopenia ● TRATAMENTO: multidisciplinar ● BULIMIA = peso corporal geralmente se mantém normal então o atraso do desenvolvimento ou a amenorreia são incomuns HIPOTIREOIDISMO PRIMÁRIO (doença na tireóide - autoimune) → associado a hiperprolactinemia ● MECANISMO = T3 e T4 baixos provoca TSH elevado (na hipófise) → eleva TRH (no hipotálamo) → aumenta PROLACTINA = feedback negativo em LH e FSH ● TSH elevado = diminuição do metabolismo → gera hiperglicemia = aumenta a produção de insulina no fígado e seu tempo de atividade ● NO FÍGADO: SHBG (globulina ligadora de hormônios sexuais - é produzida no fígado e afeta a função de testosterona e estrogênio) diminui, provocando o aumento de ANDROGÊNIOS (testosterona) ● NA HIPÓFISE: FSH diminui e LH aumenta HIPERPROLACTINEMIA: ● Estresse, excesso de exercício físico ou alimentação = aumenta a SEROTONINA → aumenta PROLACTINA (também efeito direto do hipotireoidismo) → diminui LH e FSH, compete com o LH pelos receptores e inibe aromatase (faz a aromatização para que o andrógeno vire estradiol e não testosterona) = diminui seleção e maturação folicular → ATRESIA FOLICULAR = ANOVULAÇÃO ● PROLACTINOMAS HIPOFISÁRIOS = tumores benignos de hipófise que se caracterizam pela produção anormalmente elevada de prolactina, geralmente > 100 (não deveria ser produzida pois desenvolvimento mamário ainda não está completo e não há possibilidade de galactorréia - produção de leite sem amamentar) → raros na adolescência, mas é possível - HISTÓRIA: menarca tardia ● OBS: elevações menores de prolactina são por alguma medicação/ droga ● HIPOTIREOIDISMO PRIMÁRIO = níveis aumentados de TRH (hormônio liberador da tireoide) estimulam a secreção de prolactina ● SÍNDROME DA SELA VAZIA = sela turca aumentada, mas substituída por líquido cerebrospinal USO DE QUIMIOTERÁPICOS (PRINCIPALMENTE ALQUILANTES) → pode ser hipo hipo e hipo hiper, pois afeta tanto as gônadas como hipófise e hipotálamo ● Radioterapia do abdome e quimioterápicos sistêmicos = efeitos tóxicos sobre - Células germinativas das gônadas → insuficiência ovariana (atividade ovariana espontânea pode retornar anos após o tratamento) - Ação na hipófise e hipotálamoATIVIDADE FÍSICA EXCESSIVA → ingestão inadequada + alto gasto energético ● Diminuição leptina (pela diminuição do percentual liídico) = diminuição da frequência dos pulsos de GnRH = pacientes são hipoestrogênicas ● Aumenta o fator liberador de corticotrofina (CRF) → aumenta ACTH: - Diminui GnRH = afeta todo o eixo - Aumenta CORTISOL = diminui absorção mineral óssea OUTRAS CAUSAS Processos infiltrativos (histiocitose do tipo células de langerhans) Lesão por irradiação do sistema nervoso central Doenças crônicas graves com desnutrição Amenorreia hipotalâmica grave (rara) fármacos antidopaminérgicos e inibidores do hormônio liberador de gonadotrofinas (principalmente agentes psicotrópicos, opiáceos) Síndrome de cushing Diagn�tic� ● ANAMNESE: hábitos nutricionais, atividade física e sua intensidade, presença de doença crônica ou o uso de medicações, cefaleia, distúrbios visuais, anosmia, convulsões e deficiência mental e dados de nascimento, progressores do crescimento, doenças atuais e pregressas, história familiar - se faz quimio o radioterapia: relacionadas à falência ovariana ou hipogonadismo hipogonadotrófico (se no SNC) ● EXAME FÍSICO: curva de crescimento (se vem crescendo pouco desde a infância, pode ser uma deficiência hipofisária de GH associada a uma deficiência gonadotrófica), estágio dos caracteres sexuais secundários, pescoço alado, cúbito valgo, excesso de nevus e implantação baixa do cabelo, típicos de síndrome de Turner ● EXAMES: radiografia de mãos e punhos para avaliar a idade óssea, ultrassonografia pélvica para avaliação dos órgãos genitais internos, RM de crânio (se os sintomas ou sinais neurológicos associados sugerirem um processo central ou se a avaliação laboratorial for consistente com doença hipotálamohipofisária), dosagens de FSH, LH, estradiol sérico, prolactina, TSH e T4 livre, além do cariótipo Tratament� d� Puberdad� Tardi� ● Identificar causas para tratamento específico ● Quando não se consegue o diagnóstico causal inicia-se o tratamento com a substituição hormonal aos 11 a 12 anos de idade cronológica 3 fases - objetivo é manter e induzir a puberdade normal 1º FASE: ESTROGÊNIO por via oral ou transdérmica, inicialmente em doses baixas (0,15 mg por dia) de 6 a 12 meses → promove estímulo mamário e estirão ● Ir aumentando a dosagem conforme a evolução dos caracteres sexuais secundários, até a dose de 0,625 mg ao dia ininterruptamente 2º FASE: após 2 anos do uso de estrogênio isoladamente, iniciar a utilização de progestagênio cíclico (ex: acetato de medroxiprogesterona) na dose de 5 a 10 mg por dia, durante 10 dias em cada ciclo → promove menstruação regular, completa crescimento mamário e estimula a deposição mineral óssea 3º FASE: manutenção com anticoncepcional Aplicand� a� Problem� Em mulheres que não desenvolveram características sexuais secundárias até a maturidade (CASO DE JUSCYLENE: M1 e P1, abaixo do score Z -2 para altura) = verificar níveis basais de FSH, prolactina (prolactina diminui LH e FSH e inibe aromatase = diminui seleção e maturação folicular e causa = ANOVULAÇÃO) e idade óssea por radiografia do punho da mão não dominante (pode não ter progredido pela falta dos esteroides sexuais) ● Se concentrações basais de FSH aumentadas: analisar o cariótipo (pois já não é uma hiperprolactinemia, o hormônio está sendo produzido) ● Se FSH normal para a idade: gônadas ativas ● Se níveis de prolactina elevados: avaliar a função da tireoide dosando TSH (abaixo do normal prejudica o crescimento e também hipotireoidismo aumenta TRH, que aumenta prolactina) → verificar se há hipotireoidismo primário - Se função da tireóide normal: possível existência de neoplasia hipotalâmica ou hipofisária (PROLACTINOMAS) → avaliação por RM ou TC Fl�ogram� d� Investigaçã� d� Puberdad� Tardi� REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO (capa verde) Resumo Malu e Fernanda Objetivo 2 - Descrever o ciclo menstrual correlacionando com o eixo HHG. Puberdad� Norma� início da secreção de GnRH que culmina no surgimento de caracteres sexuais secundários, alcançando a capacidade de produção sexual EM MENINAS = de 8 a 13 anos ORDEM DOS ACONTECIMENTOS ADRENARCA 6 a 8 anos HIPOTÁLAMO libera CRH (hormônio liberador de corticotrofina) → ADENO HIPÓFISE (hipófise anterior) libera ACTH (hormônio adrenocorticotrófico/ corticotrofina) → age na SUPRARRENAL/ adrenal = início da produção de ANDRÓGENOS (testosterona) ● Provoca acne ● Faz com que pelos pubianos e axilares se desenvolvam independente da ativação do eixo HHG TELARCA Aparecimento do broto mamário ESTIRÃO PUBERAL 11 a 12 anos Fase de crescimento acelerado PUBARCA Aparecimento de pelos pubianos AXILARCA Aparecimento de pelos axilares MENARCA 12 a 13 anos 1º menstruação ocorre 2 a 2,5 anos após a telarca DESACELERAÇÃO DA VELOCIDADE DE CRESCIMENTO OBS: GONADARCA é a maturação do eixo HHG FATORES QUE INFLUENCIAM A PUBERDADE: ● Estado nutricional ● Saúde geral ● Região geográfica ● Exposição a luz ● Estado psicológico ● Genética OMS considera adolescência o período entre 10 e 19 anos: ● Adolescência Inicial: 10 a 13 anos ● Adolescência Média: 14 a 16 anos ● Adolescência Tardia: 17 a 19 anos E�� Hipotálam� - Hipófis� - Gônada� O processo reprodutivo feminino se inicia na PUBERDADE → HIPOTÁLAMO → hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) → ADENO-HIPÓFISE (hipófise anterior) → gonadotrofinas: Hormônio folículo-estimulante (FSH) e Hormônio luteinizante (LH) → OVÁRIO → ESTRÓGENO e PROGESTERONA → ENDOMÉTRIO PUBERDADE: CÓRTEX CEREBRAL manda células neurossecretoras do HIPOTÁLAMO sintetizarem hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) em PULSOS (coordenados por neuro hormônios e fatores ambientais = alteração de amplitude e frequência dos pulsos) GnRH, que controla a liberação de GONADOTROFINAS (hormônios protéicos secretados pela hipófise) é transportado pelo sistema porta hipofisário → chega até a ADENO-HIPÓFISE (hipófise anterior) e estimula as células gonadotróficas a secretarem hormônios: ● HORMÔNIO FOLÍCULO-ESTIMULANTE (FSH): NO OVÁRIO estimula o recrutamento e maturação dos folículos ovarianos e a produção de ESTROGÊNIO por eles - REGULAÇÃO HORMONAL: ● Quanto mais estrogênio, menos FSH (feedback negativo na adenohipófise), impede o desenvolvimento adicional de folículos no mesmo ciclo e mais LH (feedback positivo), estimula a ovulação ● Quanto mais estrogênio, mais estrogênio (mesmo que os níveis de FSH e LH diminuam) ● HORMÔNIO LUTEINIZANTE (LH): NO OVÁRIO dispara a ovulação (liberação do oócito secundário) e estimula o corpo lúteo a produzir PROGESTERONA ESTRÓGENO e PROGESTERONA → são ESTERÓIDES SEXUAIS, produzidos a partir do colesterol obtido na dieta ou endógeno (produzido no fígado): colesterol circulante é captado no órgão de esteroidogênese (OVÁRIOS - células da granulosa e da teca - , adrenal, fígado, tecido adiposo e etc…) → inicialmente é convertido em PROGESTERONA (21 carbonos) → enzimas geram ANDROGÊNIO (19 carbonos) → AROMATASE faz o ESTROGÊNIO (18 carbonos) = atuam sobre o útero = CICLO MENSTRUAL Cicl� Menstrua� período no qual o oócito amadurece, é ovulado e entra na tuba uterina ● MENARCA = 1º menstruação - ocorre após 3 anos do início da secreção de GnRH pelo hipotálamo ● 1º DIA DO CICLO: dia de início do fluxo menstrual ● TEMPO MÉDIO DO CICLO: 28 dias, variando entre 21 e 35 dias ● TEMPO MÉDIO DE FLUXO MENSTRUAL: 2 a 7 dias ● MÉDIA DO VOLUME DE PERDA SANGUÍNEA: de 25 a 70 ml + 35 mL (líquido seroso e restos celulares) ● O ciclo estimula o desenvolvimento de 5-12 folículos primários, mas só 1 deles matura por ciclo (alternando entre os ovários direito e esquerdo) → HORMÔNIO ANTI-MÜLLERIANO (AMH) = atua como REGULADOR, diminui a sensibilidade do folículo ao FSH → evita que muitos se desenvolvam ao mesmo tempo Durante os primeiros 2 a 5 anos após a menarca, a maioria dos ciclos é anovulatória A transição para ciclos ovulatórios é consequência da maturação do eixo HHG (feedback positivo: nível crescentede estrogênio desencadeia pico de LH e ovulação) MENSTRUAÇÃO (início: 1º ao 5º ou 6º dia) ● Sem blastocisto, CORPO LÚTEO se degenera (CORPO ALBICANS = cicatriz branca no tecido ovariano) → diminui ESTRÓGENO e PROGESTERONA → contração das ARTÉRIAS ESPIRALADAS = ISQUEMIA ENDOMETRIAL: rompimento de lisossomos + enzimas proteolíticas = NECROSE da camada superficial do endométrio → DESCAMAÇÃO = endométrio fino e com erosão 1º FASE DO CICLO (0 a 14º dia) 2º FASE DO CICLO (14º a 28° dia) CICLO FASE FOLICULAR (dura de 10 a 20 dias) ● Hormônio predominante: FSH ● FSH atua nas células da granulosa de 5 a 12 folículos I = FOLÍCULOS PRIMÁRIOS aumentam de tamanho ● Folículos em desenvolvimento produzem ESTRÓGENO FASE LÚTEA (dura de 11 a 16 dias) ● Hormônio predominante: LH ● LH atua nas paredes do folículo de graaf, que colapsam → forma o CORPO LÚTEO, com gotículas de lipídeos e grânulos de glicogênio OVARIANO ● LH age nas células da teca → formação da TECA CAPSULAR: teca interna (glandular) e externa (capsular) → produzem fatores angiogênicos ● Surge o ANTRO → folículo cresce repentinamente = FOLÍCULO DE GRAAF: forma OVÓCITO SECUNDÁRIO e 1º CORPÚSCULO POLAR ● CORPO LÚTEO secreta PROGESTERONA (enquanto estrogênio vai diminuindo) → prepara endométrio para gestação (nidação e implantação do blastocisto) CICLO UTERINO FASE PROLIFERATIVA (fim da menstruação até o 14º dia) ● Hormônio predominante: ESTRÓGENO (produzido pelos folículos em maturação) ● ESTRÓGENO estimula: crescimento progressivo dos BROTOS GLANDULARES da decídua basal e mitose da decídua funcional ● Aumenta o nº de GLÂNDULAS ENDOMETRIAIS (evoluem de retas e estreitas para longas e tortuosas) = preparação para a implantação de um possível embrião ● ARTÉRIAS ESPIRALADAS se alongam = aumenta nutrientes e O² e ENDOMÉTRIO triplica sua espessura FASE SECRETORA ● Hormônio predominante: PROGESTERONA (várias ações) ● Bloqueia a síntese de DNA e mitose (induzidas pelo estrógeno) ● Estimula aumento das GLÂNDULAS, secreção de GLICOGÊNIO e depósito de LIPÍDEOS = para nutrir embrião antes da formação da placenta ● Aumenta ESPESSURA e VASCULARIZAÇÃO (artérias espiraladas mais tortuosas) do endométrio ● Promove ESPESSAMENTO do muco cervical (previne ascendência de patógenos) OVULAÇÃO (no meio das fases do ciclo ovariano) PICO DE LH = fragilização da membrana do folículo de graaf + pressão dentro do folículo + contração do músculo liso da teca externa → OÓCITO MADURO é expelido do folículo maduro → liberado nas TUBAS UTERINAS REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO (capa verde) Meus resumos de concepção e pediatria Objetivo 3 - Descrever (fisiopatologia) as principais causas que podem levar às alterações (hemorragia uterina, amenorreia, dismenorreia) no ciclo menstrual (SOP, hipo e hipertireoidismo, hiperprolactinemia e hiperandrogenismo … → tudo o que altera o eixo HHG). Síndrom� d� Ovári� Policístic�(SOP) síndrome é heterogênea e pouco definida, com dificuldades clínicas no diagnóstico e tratamento - presente quando caracteres secundários e anatomia são normais MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS: ● Sobrepeso (nem sempre) → obesidade é comum em 80% das mulheres com SOP ● Hirsutismo, acne, pele oleosa, alopécia (pela redução da enzima 5-alfa redutase no folículo piloso - testosterona não é convertida e aumenta perifericamente) ● Alguns casos: menarca tardia e amenorréia primária ● Acantose nigricans ● Anovulação e subfertilidade (baixa frequência de ovulação) ● Algum grau de resistência insulínica ● Meninas se tornam feminilizadas e masculinizadas na puberdade (pois os níveis circulantes de estrógeno não estão diminuídos, mas há leve aumento dos ANDRÓGENOS) ● Casos mais graves: sinais de virilização, clitoromegalia FISIOPATOLOGIA: ● Hipersecreção de LH (aumento na amplitude dos pulsos nas células da teca) e baixa (ou no limite inferior) secreção de FSH (que atua na células da granulosa) = hiperatividade das células da teca, que produzem androgênios (testosterona) em quantidades aumentadas, sem sua conversão em estradiol (forma importante do estrógeno) ● Alteração na síntese de esteróides a nível adrenal ● Resistência à insulina (para ação no músculo estriado e tecido adiposo) = hiperinsulinemia compensatória = aumento da insulina circulante, que tem ação sinérgica ao LH e também estimula a produção de androgênios nas células da TECA, além de reduzir produção da SHBG (proteína carreadora de estrógenos pelo fígado) = aumento da concentração de andrógenos livres (fração ativa) ● A atividade da enzima 17-hidroxilase (transforma progesterona em testosterona) aumenta nos ovários = hiperprodução androgênica ● O IGF-1 (fator de crescimento semelhante a insulina tipo 1) inibe a AROMATASE, impedindo a conversão de testosterona em estrógeno = mais testosterona ● Ligação excessiva da insulina sérica aos receptores de IGF-1 nos tecidos periféricos determina a proliferação de queratinócitos e fibroblastos = ACANTOSE NIGRICANS “PORQUE O NOME OVÁRIOS POLICÍSTICOS?” Ação da insulina sinérgica ao LH recruta muitos folículos e a ativação folicular ocorre em múltiplos folículos de forma intensa, mas eles não sofrem atresia e nem depleção precoce, e com os baixos níveis de FSH, não há sua maturação completa, mantendo-os no estágio intermediário = MORFOLOGIA POLICÍSTICA NO OVÁRIO e ciclos anovulatórios COMPLICAÇÕES: precursora de diabetes tipo 2, aumento do risco de hiperplasia do endométrio, câncer, diabetes, doença cardiovascular (HA) e vascular cerebral, dislipidemia e condições psicoemocionais (depressão) CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: quase sempre clínico, ultrassonografia pélvica bidimensional ● CRITÉRIOS DE ROTTERDAM: é preciso ter pelo menos 2 - Sinais clínicos e/ou bioquímicos de hiperandrogenismo - Oligomenorréia/oligoovulação ou amenorréia/anovulação = ausência de menstruação por > 90 dias e ocorrência de < 9 ciclos menstruais por ano - Ovários policísticos por US (existência de 12 ou mais folículos, de 2 a 9 mm de diâmetro em cada ovário ou aumento de volume ovariano > 10 mL) NHI = National Institutes of Health → Instituto Nacional de Saúde PCOS Society = Polycystic Ovarian Syndrome Society ● ÍNDICE DE FERRIMAN-GALLEWAY: escala para quantificação de pelos em 9 áreas andrógeno dependentes, sendo que cada localização soma de 0 (ausência completa de pelos) a 4 (crescimento acentuado de pelos) pontos → varia de acordo com etnia da paciente - hirsutismo = pontuação de 4 a 6 DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: doenças possíveis, ir por eliminação → SEMPRE excluir outras causas: elevação de prolactina, disfunção tireoidiana, hiperplasia suprarrenal congênita (início na vida adulta) e neoplasias secretoras de andrógeno Outra� causa� SEM CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO ● DISTÚRBIOS GENÉTICOS: - Síndrome de Turner - Cromossomo X anormal - Mosaicismo (45,X ou 47, XXY) - Disgenesia gonadal pura ● DEFICIÊNCIAS ENZIMÁTICAS: - Hiperplasia da suprarrenal congênita - Deficiência de 17-alfa-hidroxilase e aromatase ● MUTAÇÕES RARAS DO RECEPTOR DE GONADOTROFINA: - Mutação do receptor LH - Mutação do receptor FSH HIPOGONADISMO HIPOGONADOTRÓFICO ● ALTERAÇÃO DA SECREÇÃO DO GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina): atraso fisiológico de reação tardia aos pulsos GnRH → CAUSAS: doença crônica, a desnutrição, o estresse, os transtornos psiquiátricos, os transtornos alimentares e o exercício físico ● Síndrome de Kallmann (insuficiente secreção pulsátil) DISTÚRBIOS GENÉTICOS ● Deficiência de 5 alfa redutase ● Deficiência de FSH ● Mutação do receptor GnRH COM CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS E ANORMALIDADES ANATÔMICAS ANOMALIAS DO TRATO DE SAÍDA E DUCTO DE MULLER: bloqueio ou ausência de útero funcional ● Bloqueios transversais ● Hímen imperfurado ● Anomalias mullerianas ● Ausência de atividade endometrial INSENSIBILIDADE ANDROGÊNICA HERMAFRODITISMO VERDADEIRO COM CARACTERES SEXUAIS SECUNDÁRIOS E ANATOMIA PÉLVICA NORMAL SOP HIPERPROLACTINEMIA: ● Causa comum de anovulaçãoem mulheres ● Elevação da prolactina (que normalmente ocorre apenas na gravidez e se normalizam em até 6 meses após o parto), que leva a secreção excessiva de hormônios hipofisários que inibem secreção de GnRH = distúrbios menstruais (amenorreia, anovulação e oligomenorréia) ● CAUSAS: adenomas hipofisários produtores de prolactina, lesões do SNC que perturbam o transporte normal de dopamina (inibe secreção de prolactina) ou medicamentos que interferem secreção normal de dopamina INSUFICIÊNCIA OVARIANA PRIMÁRIA (IOP) ● Amenorréia por 4 vezes ou mais em mulheres com < 40 anos acompanhada por níveis séricos de FSH correspondentes a menopausa ● CAUSAS: diminuição da população de folículos ou aceleração da atresia folicular ● SINTOMAS: fogachos, sudorese noturna e labilidade emocional ● Se o ovário não se desenvolver ou interromper sua produção de hormônio antes da puberdade, a paciente não desenvolve caracteres sexuais secundários sem terapia hormonal exógena ● Caso a insuficiência ovariana se inicie mais tarde, a mulher tem caracteres sexuais secundários normais LESÕES HIPOFISÁRIAS E HIPOTALÂMICAS ● Tumores hipotalâmicos podem impedir secreção hormonal ● Tumores de hipófise podem destruir parte da glândula (raro) e provocar hipopituitarismo ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Padrão menstrual pode ser alterado por ação direta dos hormônios da tireoide sobre os ovários, ou por ação indireta sobre a secreção de prolactina (PRL) e hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH HIPERTIREOIDISMO: ● Elevações das concentrações séricas de LH e FSH, estradiol total (livre fica inalterado), estrona, testosterona e redução das concentrações de progesterona ● MANIFESTAÇÕES MAIS COMUNS: hipo e oligomenorréia, redução de fertilidade HIPOTIREODISMO ● FHS e LH se mantendo normais ● Redução das concentrações de estradiol total (livre permanece normal), estrona e testosterona (livre se mantém normal) ● Elevação simultânea dos níveis de TSH e prolactina = tratar hipotireoidismo, pois o TSH estimula a secreção de prolactina ● Pode causar atraso na puberdade ou resultar em pseudopuberdade precoce ● MANIFESTAÇÕES MAIS COMUNS: ciclos menstruais normais com polimenorréia e hipermenorréia, redução de fertilidade DIMINUIÇÃO DE LEPTINA OU EMAGRECIMENTO/DIETA → amenorreia ● Leptina é secretada por adipócitos e participa da homeostasia energética do corpo, por meio de receptores no hipotálamo, modula a função menstrual: aumenta os níveis de LH, estrógeno e hormônio tireoidiano = ovulação ● CAUSAS: exercício físico, distúrbios alimentares ESTRESSE: elevação da secreção de CRH inibe secreção hipotalâmica de GnRH OBESIDADE → sangramento uterino irregular com anovulação ● Mulheres obesas tem número excessivo de adipócitos, é neles que ocorre a AROMATIZAÇÃO extraglandular de ANDRÓGENO em ESTRÓGENO ● Como mulheres tem menos globulina de ligação de hormônios sexuais, os androgênios ficam livres em maior proporção, sendo convertidos em estrona ● Excesso de andrógeno livre é eliminado pelo aumento da taxa de depuração metabólica, mas esse mecanismo compensatório diminui com o tempo e pode haver HIRSUTISMO ● O excesso de estrogênio aumenta o risco de câncer endometrial ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Alteraçõe� n� cicl� menstrua� ● Irregularidade menstrual é comum na adolescência = 50% dos ciclos menstruais são anovulatórios nos primeiros 2 anos após a menarca → pela imaturidade fisiológica do eixo HHG: ausência de feedback positivo do estrógeno sobre a seção de LH, que impede o pico necessário para a ovulação ● MERECEM AVALIAÇÃO pacientes que apresentam sangramento vaginal anormal em duração, frequência ou quantidade AMENORRÉIA (fisiológica na gestação): ausência completa de menstruação em mulher em idade fértil (na menacme) ● PRIMÁRIA (sem menarca): ausência de menstruação aos 13 anos e sem caracteres sexuais secundários visíveis ou aos 15 anos, com caracteres sexuais secundários normais ● SECUNDÁRIA (após menarca): ausência de menstruação por > 6 meses ● OBS: dosar FSH, prolactina e T4 e TSH (se houver suspeita de disfunção tireoidiana) - Prolactina elevada: HIPERPROLACTINEMIA - FSH: define se há ou não hipoestrogenismo → pode estar normal na SOP - Prolactina normal + FSH elevado = insuficiência ovariana - TSH elevado: disfunções tireoidianas DISTÚRBIOS DURAÇÃO: ● HIPERMENORREIA: menstruação por > 7 dias → insuficiência lútea: descamação irregular do endométrio ● HIPOMENORRÉIA: fluxo menstrual de pouca duração (também reduzido em quantidade) → insuficiência folicular: menor produção de estrógeno DISTÚRBIOS DE QUANTIDADE: ● MENORRAGIA: sangramento uterino excessivo > 80mL ou por > 7 dias ● OLIGOMENORRÉIA: menstruação com baixa frequência, ciclo menstrual > 35 dias ou <10 menstruações/ ano DISTÚRBIOS DE INTERVALO: ● POLIMENORRÉIA: encurtamento do ciclo > 5 dias, com intervalo < 24 dias - TIPO I: fase folicular encurtada (4 a 5 dias) e ovulação prematura - TIPO II: fase lútea encurtada - TIPO III: existe apenas fase folicular ● PROIOMENORREIA: encurtamento do ciclo em 3 a 5 dias, que resulta em aumento da frequência da menstruação ● OPSOMENORREIA: atraso em geral de 5 a 10 dias, determinando ciclos com até 45 dias → maior duração do corpo lúteo ● ESPANIOMENORREIA: atraso de menstruação em intervalos entre 45 e 60 dias - TIPO I: fase folicular longa - TIPO II: fase folicular longa sem ovulação e corpo lúteo → SOP ● METRORRAGIA: perda sanguínea prolongada, irregular e sem caráter rítmico, fora da época do ciclo menstrual REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Endocrinologia Feminina e Andrologia - Ruth Clapauch Amenorréia - Protocolos FEBRASGO nº 38 - 2018 Resumo Malu e Fernanda Síndrome dos Ovários Policísticos - FEBRASGO: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5110562/mod_resource/content/1/sop-febrasgo.pd f https://www.passeidireto.com/arquivo/86592201/modulo-x-saude-da-mulher-sdm https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5110562/mod_resource/content/1/sop-febrasgo.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5110562/mod_resource/content/1/sop-febrasgo.pdf https://www.passeidireto.com/arquivo/86592201/modulo-x-saude-da-mulher-sdm Objetivo 4 - Descrever as principais ISTs (etiologia, epidemiologia, fisiopatologia, quadro clínico, diagnóstico e tratamento da mulher e de seus parceiros com mecanismo de ação dos medicamentos: antibióticos com foco no caso de Valdirene). Úlcer� Anogenita�: lesões em vagina, colo uterino e vulva, com perda de derme ou derme e epiderme Linfogranuloma venéreo (LGV) Cancróide Herpes genital Donovanose Sífilis LINFOGRANULOMA VENÉREO (LGV) → linfogranuloma inguinal ou mula ou bubão ou doença de Nicolas-Favre AGENTE ETIOLÓGICO Chlamydia trachomatis → BACTÉRIA, sorotipos: L1, L2 e L3, bactéria gram negativa intracelular obrigatória ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 3 a 32 dias ● TRANSMISSÃO: sexual → fatores de risco: múltiplos parceiros sexuais, a soropositividade para o HIV e sexo anal EPIDEMIOLOGIA Baixíssima prevalência = diagnóstico de exceção FISIOPATOLOGIA Sorotipo é altamente invasivo aos tecidos linfáticos QUADRO CLÍNICO ● FASE DE INOCULAÇÃO (3 a 12 dias): pápula ou pústula em genitália externa, parede vaginal posterior, colo uterino, fúrcula, que evolui para úlcera indolor e regride espontaneamente em 3 a 5 dias → raramente notada por paciente e profissionais ● FASE DE DISSEMINAÇÃO LINFÁTICA REGIONAL (1 a 6 semanas após 1º lesão): infecção de linfonodos inguinal e/ou femoral (70% unilateral) = adenite (inflamação) - na mulher, depende do local de inoculação ● FASE DE SEQUELAS: - Comprometimento ganglionar: supuração (formação de pus) e fistulização por orifícios múltiplos = linfonodos parcialmente fundidos numa grande massa - Formação de cicatrizes e retrações - Elefantíase genital (obstrução linfática crônica) = ESTIOMENE na mulher - Proctitee proctocolite hemorrágica - Fístulas retais, vaginais, vesicais e estenose retal ● SINTOMAS GERAIS: febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, artralgia, sudorese noturna e meningismo DIAGNÓSTICO ● Clínico, epidemiológico e por exclusão de outras etiologias ● EXAMES: sorológico (mais empregado), elisa (alta sensibilidade - identificação dos anticorpos contra o antígeno), PCR (alta sensibilidade e especificidade) TRATAMENTO 1ª opção: Doxiciclina 100mg, VO, 1 comprimido, 2x/dia, por 21 dias 2ª opção: Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, 1x/semana, por 21 dias (preferencial nas gestantes) MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO DOXICICLINA = ANTIBACTERIANO TETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica, transpeptidação e translocação TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM - devem ser tratados da mesma forma caso sejam sintomáticos ● Se forem assintomáticos = Azitromicina 1g, via oral, dose única ou Doxiciclina 100mg, via oral, de 12 em 12 horas, por 7 dias CANCRÓIDE → cancro mole ou cancro venéreo ou cancro de ducrey AGENTE ETIOLÓGICO Haemophilus ducreyi → BACTÉRIA, cocobacilo gram negativo, mais frequente em regiões tropicais ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 3 a 7 dias ● TRANSMISSÃO: sexual EPIDEMIOLOGIA Pouco frequente: 3º causa mais comum de ÚLCERAS GENITAIS ● Mais frequente em homens QUADRO CLÍNICO ● Pequenas pápulas dolorosas e múltiplas → em 48h se rompem = formam úlceras rasas, com bordas irregulares = destruição tecidual acentuada ● Feridas com exsudato necrótico, amarelado e com odor fétido → se removido revela tecido de granulação de fácil sangramento ● Linfonodos inguinais se tornam dolorosos, aumentados e aderidos entre si = podem formar abscesso → aspiração com agulha de grosso calibre para alívio e flutuação OBS: ● MULHERES: na fúrcula e face interna dos pequenos e grandes lábios ● Após tratamento, pacientes devem ser reexaminadas em até 7 dias para monitorar resolução gradual da úlcera genital em 2 semanas DIAGNÓSTICO ● Exame bacterioscópico: limpeza da lesão com soro fisiológico, coletar (com alça de platina ou espátula) exsudato purulento do fundo da lesão ● Cultura para H. ducreyi e a biópsia da UG = úteis no diagnóstico diferencial ou em casos não responsivos à terapia empregada TRATAMENTO 1° OPÇÃO: ● Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única. ALTERNATIVA: ● Ceftriaxona 250mg, IM, dose única OU ● Ciprofloxacino 500mg, 1 comprimido, VO, 2x/ dia, por 3 dias MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica, transpeptidação e translocação CEFTRIAXONA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (cefalosporina) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida CIPROFLOXACINO = ANTIBACTERIANO QUINOLONA → inibem a síntese de ácidos nucleicos bacterianos pelo bloqueio das enzimas DNA-girase e DNA-polimerase, o que impede a separação das fitas duplas de DNA TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM HERPES GENITAL (HG) - incurável, mas tratável AGENTE ETIOLÓGICO Herpes simplex vírus (HSV) tipo 2 (predomina em lesões genitais) → VÍRUS da família Herpesviridae ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 6 dias ● TRANSMISSÃO: contato sexual vaginal, oral ou anal, pela mucosa ou lesão infectante ● OBS: herpes tipo 1 causa a oral, mas se pode ter herpes oral pelo tipo 2 EPIDEMIOLOGIA Alta prevalência: 1º causa mais comum de ÚLCERAS GENITAIS ● Sintomáticos: 13 a 37% ● Assintomáticos são maioria, mas continuam transmitindo = dificulta controle da doença FISIOPATOLOGIA HSV ascende pelos nervos periféricos sensoriais e se aloja num gânglio neural, penetra dos núcleos das células e entra em estado quiescente/ de latência (infecção no gânglio não pode ser reduzida por medida terapêutica) → RECIDIVA: reativação viral por quadros infecciosos, exposição à radiação ultravioleta, traumatismos locais, menstruação, estresse físico ou emocional, antibioticoterapia prolongada e/ou imunodeficiência ● 90% dos pacientes desenvolvem novos episódios em até 12 meses QUADRO CLÍNICO PRIMOINFECÇÃO: ● Antecedem erupção cutânea: ardor, prurido, formigamento, linfonodomegalia local e hiperemia → pápulas de 1 a 3 mm ● Evolução para pequenas vesículas dolorosas, com conteúdo citrino (raramente turvo), que ficam agrupadas = pele e mucosas genitais (fem e masc), meato uretral ou região anal e perianal → por > 30 dias ● SINTOMAS GERAIS: febre, mal estar, mialgia e disúria (com ou sem retenção urinária) ● Rompimento das vesículas = exulceração dolorosa seguida de cicatrização → regredir espontaneamente em imunocompetentes, entre 7 a 10 dias, com ou sem cicatriz RECIDIVA: quadro clínico menos intenso que tende a ser na mesma região das lesões anteriores - prurido leve ou sensação de “queimação”, mialgias e “fisgadas” nas pernas, quadris e região ano genital ● Tendência natural de se tornar menos intensa e menos frequente com o passar do tempo OBS: ● Pode se disseminar se houver imunossupressão (ex: HIV) ● Em gestantes, apresenta risco de complicações e transmissão pelo canal de parto → cesárea sempre que houverem lesões herpéticas ativas CORRIMENTO Presente quando há acometimento do colo do útero DIAGNÓSTICO ● É essencialmente clínico (anamnese e exame físico) ● Cultura e a biópsia = raramente utilizadas, sua sensibilidade diminui com a duração da lesão ● Pesquisa do vírus por PCR é útil mas desnecessária na prática ● Detecção da glicoproteína específica do HSV para determinar HSV-2 com testes rápidos = é possível, mas não utilizada no Brasil TRATAMENTO 1º EPISÓDIO: controla parcialmente os sinais clínicos mas não erradicam vírus latentes ● Aciclovir 200mg, 2 comprimidos, VO, 3x/dia, por 7-10 dias OU ● Aciclovir 200 mg, 1 comprimido, VO, 5x/dia (7h, 11h, 15h, 19h, 23h, 7h...), por 7-10 dias TERAPIA SUPRESSORA DIÁRIA: redução parcial da excreção viral sintomática e assintomática e potencial de transmissão MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO ACICLOVIR = ANTIVIRAL → é uma pró-droga (sofre ação de enzimas): o aciclovir entra na célula infectada, sofre a ação da monofosfato timidina cinase (enzima do herpes vírus), se torna monofosfato de aciclovir, que sofre ação da guanilato ciclase (enzima celular) e se torna TRIFOSFATO DE ACICLOVIR, que inibe a síntese do DNA viral TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM DONOVANOSE → granuloma inguinal ou venéreo ou tropical AGENTE ETIOLÓGICO Klebsiella granulomatis → BACTÉRIA intracelular gram negativa ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 3 dias a 6 meses ● TRANSMISSÃO: sexual EPIDEMIOLOGIA ● Pouco frequente no Brasil: mais presente na região Norte ● A maioria ocorre em climas tropicais e subtropicais FISIOPATOLOGIA ● Preferência por pele e mucosa das regiões genitais, perineais e inguinais ● Predileção por regiões de dobra e região perianal ● FATOR DE RISCO: associado a população com baixo nível socioeconômico QUADRO CLÍNICO ● Lesões nodulares INDOLORES → únicas ou múltiplas em simetria ● INÍCIO: ulceração de borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, com fundo granuloso e aspecto vermelho vivo (fácil sangramento) ● EVOLUÇÃO (lenta): vegetante ou úlcero-vegetante ● Formação de "pseudo bubões" (granulações subcutâneas) na região inguinal, quase sempre unilateral → não é LINFADENOPATIA DIAGNÓSTICO ● Sinais e sintomas clínicos ● Identificação do microrganismo é difícil: confirmado pela visualização dos corpúsculos de Donovan (inclusões bacterianas no interior de macrófagos) em material de biópsia TRATAMENTO 1º OPÇÃO: Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, 1x/ semana, por pelo menos três semanas, ou até a cicatrização das lesões 2º OPÇÃO: Doxiciclina, Ciprofloxacino, Sulfametoxazol+ trimetoprima MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica,transpeptidação e translocação DOXICICLINA = ANTIBACTERIANO TETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação CIPROFLOXACINO = ANTIBACTERIANO QUINOLONA → inibem a síntese de ácidos nucleicos bacterianos pelo bloqueio das enzimas DNA-girase e DNA-polimerase, o que impede a separação das fitas duplas de DNA SÍFILIS → lues ou cancro duro ou protossifiloma AGENTE ETIOLÓGICO Treponema pallidum → BACTÉRIA Gram-negativa, do grupo das espiroquetas ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 10 a 90 dias ● TRANSMISSÃO: sexual, intraútero (congênita) ou vertical (contato com lesões maternas) EPIDEMIOLOGIA 2º causa mais comum de ÚLCERAS GENITAIS ● Epidemia: em 2010 passou a ter notificação compulsória ● Pode haver assintomáticos FISIOPATOLOGIA SÍFILIS SECUNDÁRIA: há resposta imune significativa com aumento da produção de anticorpos contra o treponema = maiores títulos nos testes treponêmicos = reagente QUADRO CLÍNICO (depende do tempo da doença) SÍFILIS PRIMÁRIA ou RECENTE: ● Lesão única (raramente múltiplas) em vulva, vagina, colo uterino ou ânus = CANCRO DURO (bordas endurecidas, fundo limpo, rica em treponemas) → se não tratado, involui espontaneamente em 21 a 30 dias - Podem ulcerar devido a umidade, oclusão e trauma ● Adenopatia satélite (hipertrofia dos gânglios linfáticos) inguinal bilateral, indolor e não inflamatória SÍFILIS SECUNDÁRIA ou TARDIA: de 6 semanas a 6 meses após cancro duro ● LESÕES CUTÂNEO-MUCOSAS (variedade de locais): roséola, pápulas palmo-plantares, alopecia areata (áreas calvas circulares) e condiloma plano (erupção cutânea grande, elevada, cinza esbranquiçada) nas mucosas ou pregas cutâneas → desaparecem entre 4 e 6 semanas, sem cicatrizes ● Febre, mal estar, cefaleia, adinamia ● Aumento dos linfonodos palpáveis: região cervical posterior, axilar, inguinal e femoral ● RARO: acometimento hepático, quadros meníngeos e comprometimento ocular (uveíte: íris, corpo ciliar e coróide) SÍFILIS TERCIÁRIA: após 2 a 40 anos da infecção ● Manifestações cutâneas: lesões gomosas e nodulares ● Manifestações neurológicas: tabes dorsalis, parestesia generalizada, meningite ● Manifestações ósseas: osteíte gomosa, periostite, osteíte esclerosante ● Manifestações cardiovasculares: aortite sifilítica SÍFILIS LATENTE: a que evolui sem sintomatologia clínica, mas com sorologia positiva → recente (até 1 ano de evolução), tardia (mais de 1 ano) ou indeterminada (não se sabe o tempo de evolução) DIAGNÓSTICO SOROLOGIA: ● TREPONÊMICA (alta especificidade, custo mais elevado): FTA-Abs; MHA-TP, teste rápido → costumam ser positivos por toda a vida ● NÃO TREPONÊMICA (sensíveis, baratos, detectam anticorpo anticardiolipina): VDRL (título ≥ ⅛ = positivo), RPR, Elisa TRATAMENTO 1º ESCOLHA: ● SÍFILIS RECENTE: Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, dose única (1,2 milhão UI em cada glúteo) ● SÍFILIS TARDIA: Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, 1x/semana (1,2 milhão UI em cada glúteo) por 3 semanas ● NEUROSSÍFILIS: Benzilpenicilina potássica/cristalina 18-24 milhões UI, 1x/ dia, EV, administrada em doses de 3-4 milhões UI, a cada 4 horas ou por infusão contínua, por 14 dias ALTERNATIVA: ● SÍFILIS RECENTE: Doxiciclina 100mg, 12/12h, VO, por 15 dias ● SÍFILIS TARDIA: Doxiciclina 100mg, 12/12h, VO, por 30 dias ● NEUROSSÍFILIS: Ceftriaxona 2g IV, 1x/dia, por 10-14 dias ● GESTANTE: Estolato de eritromicina 500mg VO 6/6h por 30 dias OBS: não confere imunidade, pode-se contrair a infecção toda vez que houver exposição MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO BENZILPENICILINA BENZATINA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (penicilina) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida DOXICICLINA = ANTIBACTERIANO TETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação CEFTRIAXONA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (cefalosporina) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM - ⅓ dos parceiros tem ou desenvolve sífilis e todos devem ser testados e se reagentes, tratados de acordo com seu estágio clínico, seguindo as recomendações de tratamento de sífilis adquirida no adulto ● OBS: pode-se fazer tratamento presuntivo pela exposição, independente de sintomas, com dose única de benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI IM (1,2 milhão UI em cada glúteo) Corriment� Vagina� Candidíase Tricomoníase Vaginose bacteriana CANDIDÍASE VULVOVAGINAL * não é IST e sim infecção endógena AGENTE ETIOLÓGICO Candida sp. → FUNGO - aprox. 200 espécies de leveduras comensais que passam a ser patogênicas: Candida albicans (mais prevalente - 95% dos casos), Candida glabrata e Candida tropicalis (5% a 10% dos casos) ● Encontrada em 20% das mulheres saudáveis assintomáticas EPIDEMIOLOGIA Estima-se que 75% das mulheres em idade reprodutiva terão pelo menos 1 episódio de vulvovaginite por candida sp durante a vida FISIOPATOLOGIA ● Sistema imune não consegue mais inibir proliferação do fungo saprófita, que passa para o estado patogênico ● Candida albicans tem DIMORFISMO e altera sua forma habitual para micélio (mais invasivo) ● É hormônio dependente (condições alteram concentração hormonal): gravidez, uso de contraceptivos de alta dosagem, uso de antibióticos (altera microbiota local) ● OBS: facilita a aquisição/transmissão de outras ISTs, comprometendo a sexualidade e outros aspectos da vida da mulher = afetando negativamente a qualidade de vida NÃO COMPLICADA: episódios esporádicos ou infrequentes, de intensidade leve ou moderada, Candida albicans como agente etiológico provável e em mulheres não imunocomprometidas COMPLICADA (10 a 20%): episódios recorrentes ou severos, por espécies não Albicans e em mulheres com diabetes, imunocomprometidas ou debilitadas QUADRO CLÍNICO ● Prurido, de intensidade variável, acompanhado por corrimento esbranquiçado ● Dependendo da intensidade da inflamação: desconforto, dor, disúria e dispareunia ● EXAME GINECOLÓGICO: hiperemia vulvar, edema e fissuras ● EXAME ESPECULAR: hiperemia da mucosa vaginal, conteúdo vaginal esbranquiçado → pH vaginal geralmente < 4,5 CORRIMENTO Esbranquiçado, grumoso Escasso, moderado ou abundante Fluido, com aspecto de “leite talhado”/espesso ou flocular, com aspecto de farinha quando entra em contato com a calcinha ou tecidos Aderido ou não as paredes vaginais DIAGNÓSTICO ● Exame a fresco: colocar uma gota de conteúdo vaginal na lâmina com 1 gota de soro fisiológico e observar ao microscópio presença de hifas e esporos ● Bacterioscopia com coloração de gram e cultura = identificação do fungo, sua espécie e o antifungigrama OBS: cuidado, manifestações são semelhantes à alergia, líquen escleroso e vaginose citolítica (nas quais a pesquisa de fungo é negativa) TRATAMENTO Individualizado (preferência da paciente e experiência do profissional): via local ou sistêmica 1º OPÇÃO: ● Miconazol creme a 2% ou outros derivados imidazólicos, via vaginal, um aplicador cheio, à noite ao deitar-se, por 7 dias OU ● Nistatina 100.000 UI, uma aplicação, via vaginal, à noite a deitar-se, por 14 dias 2º OPÇÃO: ● Fluconazol 150 mg, VO, dose única OU ● Itraconazol 100 mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 1 dia OBS: é importante a eliminação ou controle de fatores predisponentes como: diabetes descompensada, imunossupressão, tabagismo, distúrbios alimentares, hábitos de higiene ou vestuário inadequado e estresse excessivo MECANISMO DE AÇÃO - MICONAZOL (AZÓIS: imidazóis) e FLUCONAZOL e ITRACONAZOL (AZÓIS - triazóis) = ANTIFÚNGICO → impedem a formação do ergosterol = faz inibição seletiva da enzima 14 - alfa - desmetilase e impede a conversão de LANOSTEROL em ZIMOSTEROL e posteriormente ERGOSTEROL, além de tornar a porção de LANOSTEROL que se acumula, tóxico para a célula fúngica, pois se incorpora na membrana e afetasua permeabilidade, fluidez e integridade MEDICAMENTO NISTATINA = ANTIFÚNGICO POLIÊNICO: se liga ao ERGOSTEROL na membrana do fungo, muda a temperatura de transcrição e desencadeia o estado “CRISTALINO”, formando poros na membrana, que permitem o extravasamento do conteúdo intracelular (cálcio, sódio, potássio, aminoácidos e etc) para o extracelular, desestabilizando toda a membrana fúngica = fungo acaba morrendo TRATAMENTO DO PARCEIRO Não recomendado em casos simples, parcerias sexuais não precisam ser tratadas ● EXCETO EM: sintomáticos e casos raros onde ocorre balanite (inflamação da glande do pênis com prurido e irritação) para alívio sintomático ou em casos de recidiva em mulheres, para diminuir a população de fungos no trato genital masculino e prevenir recidivas TRICOMONÍASE → ou vaginite por Trichomonas AGENTE ETIOLÓGICO Trichomonas vaginalis - PROTOZOÁRIO flagelado unicelular ● TRANSMISSÃO: sexual e raramente outras formas (sobrevive fora de seu habitat por algumas horas em meio úmido) EPIDEMIOLOGIA ● IST não viral mais comum no mundo → OMS: 170 milhões de casos anuais em pessoas entre 15 e 49 anos ● Brasil: prevalência de 2,6% a 20% no sexo feminino → ⅓ são assintomáticas ● 20% dos casos de corrimento vaginal ● INCIDÊNCIA: depende de idade, atividade sexual, número de parceiros, sexo desprotegido, outras ISTs e condições socioeconômicas FISIOPATOLOGIA ● Parasita penetra na vagina, se cobre-se com proteínas do hospedeiro e permanece firmemente ligado às células da mucosa vaginal = permite evasão dos mecanismos de defesa locais e consegue sobreviver no meio vaginal ácido e hostil por longos períodos de tempo ● Resposta imune agressiva = intensa infiltração de leucócitos (alvo do HIV - é um cofator na transmissão e aquisição do HIV) → inflamação da mucosa vaginal e exocérvice, podendo também acometer uretra, bexiga, glândulas de Skenne e Bartholin e endocérvix ● A transudação inflamatória das paredes vaginais eleva o pH de 6,7 a 7,5 (meio alcalino) → surgimento de microbiota patológica, inclusive anaeróbica = vaginose bacteriana associada libera aminas com odor fétido e provoca bolhas no corrimento vaginal purulento ● Pode permanecer indefinidamente no trato genital ● Se não tratada na gestação, causa rotura prematura de membranas OBS: parasita adquire nutrientes do meio externo fagocitando fungos, vírus e bactérias (Micoplasmas, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae) → transporta-os ao trato genital superior e facilita o aparecimento de DIP (doença inflamatória pélvica) ● Corrimento intenso ● Hiperemia e edema vulvar QUADRO CLÍNICO ● Ardor genital e sensação de queimação ● OCASIONALMENTE: disúria, polaciúria e dor pélvica ● Dispareunia (dor na relação sexual) ● OBS: sintomas se acentuam no período menstrual pois o pH vaginal se eleva e parasita adquire ferro da hemoglobina, aumentando sua virulência CORRIMENTO Abundante/profuso, amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado, bolhoso/ espumoso e com odor fétido (lembra peixe) → aspecto purulento DIAGNÓSTICO ● EXAME GINECOLÓGICO: hiperemia dos genitais externos e corrimento espesso de aspecto purulento, se exteriorizando pela fenda vulvar ● EXAME ESPECULAR: aumento do conteúdo vaginal acompanhado de pequenas bolhas, paredes vaginais e colo uterino hiperemiada e ocasionalmente “com aspecto de morango ou framboesa”: pequenas sufusões/ulcerações hemorrágicas ● BACTERIOSCOPIA A FRESCO: 1 gota de conteúdo vaginal + 1 gota de solução salina - observar ao microscópio parasita com movimentação pendular (coloração de gram identifica o parasita sem movimentos) ● TESTE DE SCHILLER “ONÇÓIDE” OU “TIGRÓIDE”: durante a colposcopia, aplica-se LUGOL (solução com iodo) na região interna da vagina e colo - Se células ficam marrons = NORMAL - Quando não se consegue colorir uma área específica = ALTERADO (dilatação capilar e hemorragias puntiformes) → fazer exames mais específicos ● CULTURA: maior sensibilidade e especificidade → em casos de diagnóstico difícil ● Pode aparecer no Papanicolau: confirmar presença do parasita em consulta ● MEDIDA DO pH VAGINAL: > 4,5 ou 5 ● TESTE DAS AMINAS (whiff test): positivo devido à presença de germes anaeróbios TRATAMENTO ● Metronidazol 400mg, 5 comprimidos, VO, dose única (dose total de tratamento 2g) OU ● Metronidazol 250mg, 2 comprimidos, VO, 2x/dia, por 7 dias OBS: recomenda-se abstinência sexual durante tratamento e reavaliação em 3 meses MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO METRONIDAZOL = ANTIPROTOZOÁRIO → penetram no citoplasma do microrganismo e ganham elétrons (sistema oxi redutor), causando entrada de compostos que facilitam a formação de radicais livres, que são tóxicos e inibem a síntese do DNA TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM - é encontrada em 40% dos parceiros, que geralmente apresentam menos sintomas e servem como vetores assintomáticos da infecção → devem ser tratados com o mesmo medicamento VAGINOSE BACTERIANA (VB) * não é IST e sim infecção endógena AGENTE ETIOLÓGICO BACTÉRIAS MAIS FREQUENTES: Gardnerella vaginalis, Atopobium vaginae, Prevotella, Megasphaera, Leptotrichia, Sneatia, Bifidobacterium, Dialister, Clostridium e Mycoplasma hominis EPIDEMIOLOGIA ● Afecção do trato genital inferior feminino mais frequente: no Brasil, até 40% dos casos de queixa vaginal ● Causa mais prevalente de corrimento com odor fétido ● PREVALÊNCIA: 3 x mais em mulheres inférteis do que férteis e associada ao risco de aborto após fertilização in vitro FISIOPATOLOGIA ● Certas causas como coito repetido (pela alcalinização do semen), duchas vaginais e menstruação, aumentam o pH vaginal, deixando-o mais alcalino = DESEQUILÍBRIO DA MICROBIOTA VAGINAL = substituição dos microrganismos saudáveis (Lactobacillus) por microbiota variável, composta por mistura de bactérias anaeróbias e facultativas ● Sem lactobacilus → pH aumenta mais → bactérias produzem aminoácidos que são quebrados por elas em aminas voláteis (putrecina e cadaverina) = ODOR FÉTIDO: piora com sexo desprotegido e durante a menstruação devido a volatização de aminas aromáticas do metabolismo das bactérias anaeróbias (alcalinidade do sêmen ou sangue menstrual) ● ASSOCIADA A EVENTOS ADVERSOS: risco de aquisição de IST (HPV e HIV - aumenta em até 6x), lesões intraepiteliais cervicais, salpingite e infertilidade de causa tubária, e aumenta o risco de DIP ● FATORES DE RISCO: negras, uso de duchas vaginais, tabagismo, menstruação, estresse crônico, múltiplos parceiros masculinos, sexo com parceiro não circuncisado, sexo desprotegido, sexo anal receptivo antes do sexo vaginal e MSM ● NA GESTAÇÃO: aumento no risco de parto prematuro, aborto espontâneo, baixo peso ao nascer, aumento na morbidade neonatal e altas taxas de endometrite pós-parto QUADRO CLÍNICO ● Corrimento → principalmente após relação sexual e menstruação ● Prurido (quando associada a candidíase) ● Dispareunia ● Disúria ● OBS: ocorrem recidivas em 30% dos casos → mudar regime terapêutico CORRIMENTO Intensidade variável, acinzentado, perolado, esbranquiçado ou amarelado, acompanhado de odor vaginal fétido (“de peixe” ou amoniacal), podendo ser bolhoso DIAGNÓSTICO EXAME GINECOLÓGICO: conteúdo vaginal homogêneo, de intensidade variável (escassa - geralmente - moderada ou abundante), coloração esbranquiçada, branco acinzentada ou amarelada CRITÉRIOS DE AMSEL: requer 3 dos 4 itens ● Corrimento vaginal branco-acinzentado homogêneo aderente às paredes vaginais ● pH vaginal > 4,5 ● TESTE DAS AMINAS (whiff test): positivo = desprendimento de odor fétido após a adição de KOH (hidróxido de potássio) 10% a uma gota de conteúdo vaginal ● Presença de “células-chave” (“clue cells”): células epiteliais recobertas por cocobacilos gram variáveis na bacterioscopia ESCORE DE NUGENT: se baseia na bacterioscopia com coloração de gram, quantifica o nº de lactobacillus e bactérias patogênicas - escore determina infecção → 0 a 3 - normal, 4 a 6 - microbiota vaginal intermediária e 7 a 10 - vaginose bacteriana TRATAMENTO Visa eliminar os sintomas e restabelecer o equilíbrioda microbiota vaginal (redução dos anaeróbios): 1° OPÇÃO: ● Metronidazol 250mg, 2 comprimidos VO, 2x/dia, por 7 dias OU ● Metronidazol gel vaginal 100mg/g, um aplicador cheio via vaginal, à noite ao deitar-se, por 5 dias 2° OPÇÃO: ● Clindamicina 300mg, VO, 2x/dia, por 7 dias OBS: recomendar abstinência de álcool durante 24 horas após o tratamento com nitroimidazólicos e abstenção de atividade sexual/uso de preservativos durante o tratamento MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO METRONIDAZOL = ANTIPROTOZOÁRIO → penetram no citoplasma do microrganismo e ganhar elétrons (sistema oxi redutor), causando entrada de compostos que facilitam a formação de radicais livres, que são tóxicos e inibem a síntese do DNA Cervicit� Clamídia Gonorréia CLAMÍDIA AGENTE ETIOLÓGICO Chlamydia trachomatis → gram negativa intracelular obrigatória ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 6 a 14 dias ● TRANSMISSÃO: sexual EPIDEMIOLOGIA IST mais frequente na população feminina (2 a 30%), sendo assintomática em 70% dos casos (= reservatório permanente da infecção) FATORES DE RISCO: < 25 anos, multiplicidade de parceiros ou parceiro novo nos últimos 90 dias, menor nível de escolaridade e socioeconômico, uso inconsistente de método de barreira e histórico prévio de IST FISIOPATOLOGIA Alto grau de morbidade e potencial de complicação: ● Cervicite ● Salpingite → infertilidade por obstrução ● Trabalho de parto prematuro ● Endometrite puerperal ● DIP aguda ● Esterilidade Discreto e pode passar despercebido: QUADRO CLÍNICO ● Colo edemaciado e hiperemiado ● Colo com mucorréia, eventualmente purulenta ● Colo friável (sangra fácil ao toque) ● Acentuação do ectrópio (mácula rubra: avermelhada, margeia o orifício externo do colo) ● Dispareunia (dor no ato sexual) ● Dor à mobilização do colo uterino ● Gravidez ectópica DIAGNÓSTICO ● CLÍNICO: pelas manifestações ● PCR: pesquisa de DNA ● Captura híbrida ● NAAT TRATAMENTO ● Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única OU ● Doxiciclina 100mg, VO, 2x/dia, por 7 dias (exceto gestantes) OBS: rastreamento é indicado para gestantes, mulheres sexualmente ativas < 25 anos, com uso inadequado de preservativo, IST prévia ou atual ou com novo parceiro em 90 dias MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica, transpeptidação e translocação DOXICICLINA = ANTIBACTERIANO TETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação GONORRÉIA AGENTE ETIOLÓGICO Neisseria gonorrhoeae → BACTÉRIA diplococos Gram-negativa, não flagelada, não formadora de esporos, encapsulada, e anaeróbia facultativa ● PERÍODO DE INCUBAÇÃO: 2 a 5 dias ● TRANSMISSÃO: sexual EPIDEMIOLOGIA Prevalência muito menor que a Chlamydia → atinge cerca de 1% a 2% da população feminina, que são mais assintomáticas FISIOPATOLOGIA ● Bactéria adere às células das mucosas → são pinocitadas e transportados para o espaço subepiteliais → sua endotoxina prejudica a motilidade ciliar e destrói as células ciliares = dano celular e invasão da submucosa ● FATORES DE RISCO: parceiro recente, múltiplos parceiros ou parceiro com uretrite e casos diagnóstico de IST prévia ou recente Muito exuberante e sintomático ● Exsudato purulento ou mucopurulento endocervical ● Sangramento endocervical fácil (induzido ao toque de espátula) ● Mucosa endocervical: edemaciada (aumenta de volume e fica com o aspecto QUADRO CLÍNICO congesto), hiperemiada ● Sangramento pós coito ● Corrimento e sangramento vaginal irregular → depende do grau de comprometimento ● Disúria e dispareunia (dor na relação sexual) ● Bartholinite OBS: pode provocar sequelas → infertilidade, gravidez ectópica, DIP, trabalho de parto prematuro ou prematuridade DIAGNÓSTICO Clínico e laboratorial: ● BACTERIOSCOPIA GRAM (sensibilidade é 30% - se negativo, não exclui a infecção): positivo se presença de diplococos gram negativos intracelulares ● Teste de biologia molecular NAA ou PCR: amostras da ectocérvice, uretra, vagina, ectocérvice, urina TRATAMENTO NÃO COMPLICADA: ● Ceftriaxona 500mg, IM, dose única MAIS Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única DISSEMINADA: ● Ceftriaxona 1g IM ou IV ao dia, completando ao menos 7 dias de tratamento MAIS Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, dose única MECANISMO DE AÇÃO - MEDICAMENTO CEFTRIAXONA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (cefalosporina) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica, transpeptidação e translocação Corriment� Uretra� ● URETRITES = IST caracterizadas por inflamação da uretra acompanhada de corrimento uretral ● AGENTES ETIOLÓGICOS: - Mais frequentes: Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis - Menos frequentes: Trichomonas vaginalis, Ureaplasma urealyticum, enterobactérias (nas relações anais insertivas), Mycoplasma genitalium, vírus do herpes simples, adenovírus e Candida sp → transmitidos por relação sexual vaginal, anal e oral ● CORRIMENTO: aspecto varia de mucóide a purulento, com volume variável, estando associado a dor uretral (independentemente da micção), disúria, estrangúria (micção lenta e dolorosa), prurido uretral e eritema de meato uretral ● FATORES DE RISCO: jovens, baixo nível socioeconômico, múltiplas parcerias ou nova parceria sexual, histórico de IST e uso irregular de preservativos URETRITE GONOCÓCICA (causada por Neisseria gonorrhoeae → incubação: 2 a 5 dias) ● Processo infeccioso e inflamatório da mucosa uretral ● Frequentemente assintomática em mulheres e só assintomática em 10% nos homens → TRATAR MULHER E PARCEIRO ● RISCO DE TRANSMISSÃO DE UM PARCEIRO INFECTADO A OUTRO: 50% por ato sexual ● SINTOMAS: corrimento mucopurulento ou purulento e disúria ● SINAIS: determinados pelos locais primários de infecção - Membranas mucosas da uretra (uretrite) - Endocérvice (cervicite) - Reto (proctite) - Faringe (faringite) - Conjuntiva (conjuntivite) URETRITE NÃO GONOCÓCICA (coloração de gram e cultura negativa para gonococo: Chlamydia trachomatis, Mycoplasma genitalium, Ureaplasma urealyticum, Mycoplasma hominis e Trichomonas vaginalis → transmissão sexual com risco de 20% por ato, com período de incubação de 14 a 21 dias) ● ⅔ das parceiras estáveis de homens com uretrite não gonocócica hospedam a Chlamydia trachomatis na endocérvice → podem reinfectar seu parceiro e desenvolver quadro de DIP se permanecerem sem tratamento ● SINAIS: - Presença de corrimentos mucoides e discretos → podem simular clinicamente os corrimentos da gonorréia - Disúria leve e intermitente Verrug� Genita� HPV PAPILOMA VÍRUS HUMANO (HPV) AGENTE ETIOLÓGICO Papilomavírus humano - DNA-vírus de cadeia dupla, não encapsulado e membro da família Papovaviridae ● TRANSMISSÃO: sexual e no parto ● Pode ser de BAIXO ou de ALTO risco oncogênico (16 e 18) EPIDEMIOLOGIA ● IST mais prevalente no mundo ● Mais comum em mulheres jovens de 15 a 19 anos FISIOPATOLOGIA ● Precisa de áreas de ruptura para ter acesso às células basais imaturas do epitélio escamoso e células metaplásicas (tem maquinaria de proliferação necessária) ● Se integra ao genoma, causa instabilidade = perda do repressor viral E2 e supressão de oncoproteínas E6 e E7 (atuam de forma complementar): - E6: se liga a P53 e promove sua degradação pelo proteossomo e estimula a expressão de TERT (subunidade catalítica da telomerase - que quebra o telômero), fazendo com que os telômeros fiquem íntegros = imortalidade da célula, que não tem mais o guardião de seu genoma - E7: se liga a forma hipofosforilada ou ativa da pRB e promove sua degradação pelo proteossomos, além de inibir as CDKIs p21 e p27 = aumenta a progressão do ciclo celular e atrapalha sua pausa e reparo ● OBS: a infecção por um tipo viral não impede a infecção por outros tipos de HPV, podendo ocorrer infecção múltiplaQUADRO CLÍNICO ● Lesões polimórficas: únicas ou múltiplas, achatadas ou papulosas ● Condiloma acuminado (de 1 a vários cm): fosca aveludada, com aspecto de couve flor ● LOCALIZAÇÃO: vulva, vagina e/ou cérvice ● Podem ser assintomáticas, pruriginosas, dolorosas, friáveis (fragmentação) ou sangrantes DIAGNÓSTICO ● Clínico ● CITOLOGIA ou PAPANICOLAU ● COLPOSCOPIA: acompanhada ou não de BIÓPSIA ● HISTOPATOLÓGICO TRATAMENTO Doença é autolimitada: não há cura para o vírus e as verrugas podem desaparecer por conta própria ● Realizar aconselhamento centrado na pessoa e suas práticas sexuais para minimizar risco de infecção por IST ● Oferecer vacinação para hepatite A e hepatite B e para HPV quando indicado TRATAMENTO DO PARCEIRO SIM OBS: para todas as ISTs → dependendo do caso, não é necessário esperar o resultado da cultura (que demora e pode ser contaminada, dando um falso-positivo)para se iniciar o tratamento, pode-se tratar pela clínica, aplicando nos fluxogramas e com auxílio de testes rápidos disponível Aplicand� a� Problem� VALDIRENE: múltiplos parceiros, nem sempre usou preservativo ● CORRIMENTO a alguns meses: amarelo e com odor - Tricomoníase = amarelado e com odor fétido (lembra peixe) → IST, bate com comportamento sexual da paciente - Vaginose bacteriana = acinzentado, perolado, esbranquiçado ou amarelado, com odor → é endógena ● Múltiplas vesículas dolorosas no grande lábio direito = Herpes genital (pelo quadro clínico e protocolo do ministério da saúde) ● Nódulo doloroso de consistência fibroelástica na região da fossa ilíaca direita = Donovanose (formação de pseudo bubões/ granulações subcutâneas unilateral na região inguinal, que não é LINFADENOPATIA) ● Parede vaginal e colo hiperemiados = Herpes genital, Candidíase (é endógena e tem corrimento branco), Clamídia, Gonorréia, ● Colo uterino com dor à mobilização: Clamídia ● Teste de Schiller tigróide + = TRICOMONÍASE: 1 gota de conteúdo vaginal + 1 gota de solução salina - observar ao microscópio parasita com movimentação pendular - NORMAL: células marrons - ALTERADO: não consegue colorir uma área específica = aspecto de “morango ou framboesa”: pequenas sufusões/ulcerações hemorrágicas ● Disúria: Herpes, Candidíase, Gonorréia e Tricomoníase REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO (capa verde) Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) - Ministério da Saúde 2018 SUPER MATERIAL SANAR FLIX - Infecções Sexualmente transmissíveis Palestra prof Paula Juliane https://www.tuasaude.com/teste-schiller/ https://www.tuasaude.com/teste-schiller/ Objetivo 5 - Explicar as principais causas de dor pélvica (quadro clínico) e os mecanismos analgésicos (escala de analgesia). Dor Pélvic� Agud� intensa, de início súbito, aumento abrupto e curta duração (pelo menos 3 meses) QUADRO GERAL: respostas fisiológicas, afetivas e comportamentais diferentes da DPC (dor pélvica crônica) e alterações nos exames físico e laboratorial ● Instabilidade dos sinais vitais: taquicardia, hipotensão ortostática ● Reflexos autônomos profundos: náuseas, vômito, transpiração e apreensão → ausentes na DPC ● Sinais de inflamação/infecção (ausentes na DPC): febre, calafrios, sudorese e leucocitose → fisiopatologia associada a mediadores inflamatórios em altas concentrações, frente ao quadro infeccioso, isquêmico ou de irritação química ● Ginecológicos: sangramento vaginal anormal ● Urinários: disúria, hematúria ● Gastrointestinais: hematoquezia (hemorragia por via retal), diarreia, obstrução intestinal e ruídos intestinais anormais ● Abdominais: distensão abdominal, ascite e peritonite ● Tontura e síncope ATENÇÃO: parte superior da vagina, colo uterino, útero e anexos (intestino grosso, reto, bexiga, parte inferior do ureter e do intestino delgado), COMPARTILHAM OS MESMOS DERMÁTOMOS (áreas são inervadas por ramificações de um único nervo espinhal) = DOR VISCERAL MAL LOCALIZADA CAUSAS ASSOCIADAS AO SISTEMA REPRODUTOR CAUSA DEFINIÇÃO SINAIS SINTOMAS DIAGNÓSTICO GRAVIDEZ ECTÓPICA Implantação do feto em local fora da cavidade uterina Em casos de ruptura (implantação na tuba uterina → dilatação = ruptura tubária): alterações de hipotensão ortostática, dor à palpação em um/ambos quadrantes inferiores e distensão abdominal (por hemoperitônio = presença de sangue na cavidade peritoneal) TRÍADE: Amenorréia, Sangramento irregular e Início agudo de dor Às vezes: dor referida no ombro direito (se sangue acumulado irritar o diafragma) Verificação de pulso e PA → verificar hipotensão ortostática Exame abdominal: dor à palpação Exame pélvico: dor à mobilização do colo e palpação de anexos mais intensa do lado da gravidez RUPTURA DE CISTO OVARIANO Cistos funcionais (folicular ou do corpo lúteo) são + comuns e + propensos a rupturas do que neoplasias DOR DE OVULAÇÃO (Mittelschmerz): dor associada à ruptura do folículo ovariano (cresce, atinge 2 cm) durante a ovulação → é autolimitada e de leve à moderada Hipotensão ortostática frente ao hemoperitônio (frequentemente causado por ruptura de CISTO DO CORPO LÚTEO HEMORRÁGICO) → sintomas semelhantes a gravidez ectópica Dor intensa à palpação do abdome Dor de início súbito associada à dor pélvica crescente EVOLUI para: dor abdominal generalizada e vertigem/síncope com hemoperitônio Exames de sangue US transvaginal Solicitar: teste de gravidez, hemograma completo Em casos de hipotensão ortostática: tipagem sanguínea e pesquisa de anticorpos irregulares TORÇÃO DE ANEXOS Torção → isquemia de estruturas distais do pedículo torcido (ovário com cisto, tuba uterina, cisto paratubário) → início da dor aguda Necrose tecidual Dor intensa e constante Elevação da temperatura Taquicardia Leucocitose US Palpação (víscera torcida aumenta rapidamente de tamanho) ABSCESSO TUBO-OVARIAN O Complicação da salpino-oforite aguda → abcessos unilaterais e multioculares Febre + taquicardia + hipotensão → no paciente séptico RUPTURA = emergência cirurgica com risco de vida, pois pode haver choque endotóxico por bactérias gram negativas Exame bimanual: palpação de massa fixa, firme, dolorosas US e TC (com ou sem contraste) Laparoscopia ou laparotomia: se US não for suficiente LEIOMIOMAS Tumores de músculo liso uterino que causam desconforto/pressão quando estão no ligamento largo, ou comprimem bexiga, reto e ligamentos uterinos Polaciúria Dismenorréia Dispareunia Constipação intestinal Febre baixa + taquicardia leve → se houver degeneração Exame bimanual e USG = 1 ou + massas sólidas irregulares que se originam no útero Se degeneração: dor a palpação do abdome, leucocitose ENDOMETRIOSE (lesões devem ser removidas por ablação ou ressecção, e os endometriomas com a cápsula) Glândulas e o estroma endometriais implantam-se fora da cavidade uterina (no fundo de saco, ovários ou peritônio pélvico) OBS: pode ocorrer regressão espontânea, ou a cada ciclo menstrual pode haver maior proliferação (inflamação, formação de tecido cicatricial, fibrose e aderências) ● Dismenorréia intensa (2 sem. antes do ciclo menstrual) ● Dor aguda ou compressiva na linha média ou parte inferior do abdome, dorso e reto ● Sangramento irregular ● Dispareunia profunda ● Disquezia (dor ao defecar) cíclica ● Urgência urinária, polaciúria, hematoquezia (hemorragia via retal) ou hematúria ● Distensão abdominal ● Infertilidade -------------------------------------------------------- EXAMES RETOVAGINAL e BIMANUAL = útero fixo e retrovertido (pela fibrose), com desvio lateral do colo uterino, nódulos dolorosos nos ligamentos úterossacros e/ou espessamento do fundo de saco e massa anexial (fixada ao ligamento largo ou fundo de saco) Em ruptura de endometrioma = dor à descompressão súbita REQUER DIAGNÓSTICO VISUAL: Laparoscopia e Laparotomia concluem diagnóstico por visão direta da lesão Biópsia de achados suspeitos Dor na palpação em um/dois quadrantes inferiores (50% de acuracia diagnósticodefinitivo) Distensão abdominal CAUSAS ASSOCIADAS AO SISTEMA GASTROINTESTINAL CAUSA DEFINIÇÃO QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO APENDICITE (causa + comum de DPA em mulheres) Inflamação do apêndice (abdome inferior direito), que pode se encher de pus e causar dr SEMELHANTES A DIP Dor abdominal difusa e periumbilical → algumas horas depois: dor no quadrante inferior direito Anorexia, náuseas, vômito e constipação intestinal Febre baixa (alta quando há perfuração), calafrios US ou TC com contraste Apendicectomia → se tiver dúvidas sobre o diagnóstico DIVERTICULITE AGUDA (comum na pós-menopausa) Inflamação de divertículo ou evaginação da parede do cólon (geralmente acomete cólon sigmoide) Na maioria dos casos = assintomática Dor intensa no quadrante inferior esquerdo Febre e calafrios Constipação intestinal Anamnese + exame físico TC com e sem contraste → mostra edema do intestino e pode excluir abscesso Bloqueio do OBSTRUÇÃO INTESTINAL intestino que impede passagem de fezes e gazes → por: aderências pós-cirúrgicas, encarceramento de hérnia, doença intestinal inflamatória e carcinoma do intestino ou ovário Dor abdominal tipo cólica Distensão abdominal Vômito (precoce em casos de obstrução mais alta e mais aguda) Constipação intestinal Radiografia abdominal CAUSAS ASSOCIADAS AO SISTEMA URINÁRIO CAUSA DEFINIÇÃO QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO e TRATAMENTO CÓLICA URETERAL POR LITÍASE URETERAL Formação de cálculos (pedras) no trato urinário Dor intensa e em cólica - pode irradiar do ângulo costovertebral até região inguinal, sendo a hematúria frequente DIAGNÓSTICO IU: detecção de bactérias e leucócitos no exame de urina de rotina, com ou sem esterase leucocitária e nitritos na ausência de células epiteliais escamosas LITÍASE: exame de urina, US, urografia por TC ou pielografia IV Confirmação dos achados por cultura TRATAMENTO Hidratação via oral ou IV, antibiótico e analgésico para dor Normalmente os casos de cistite e pielonefrite tem tratamento ambulatorial INFECÇÕES DO TRATO URINÁRIO - vesical ou renal (agentes etiológicos + comuns: Escherichia coli, Proteus, Klebsiella e Pseudomonas) OBS: uretrite por clamídia ou gonorréia podem ter quadro clínico semelhante CISTITE = infecção e/ou inflamação da bexiga Dor suprapúbica vaga Polaciúria (+ frequência e - volume urinário) Urgência Disúria Hematúria (às vezes) PIELONEFRITE = infecção e/ou inflamação do rim Dor no flanco e no ACV Às vezes dor abdominal baixa com irradiação lateral AVALIAÇÃO ou DIAGNÓSTICO investigar os sistemas (reprodutivo, urinário e gastrintestinal) para fechar o diagnóstico correto → assim fornece tratamento eficaz contra a causa (infecções, obstruções, isquemias, extravasamento de substância irritante, neoplasias ou dor relacionada com a gravidez) ANAMNESE BEM FEITA ● Presença ou não de sangramento anormal ou corrimento ● Momento e circunstância do início da dor ● Presença de hipotensão ortostática, distensão abdominal e dor no quadrante superior direito ou no ombro = HEMOPERITÔNIO ● HISTÓRIA MENSTRUAL, SEXUAL E CONTRACEPTIVA: características dos 2 últimos períodos menstruais, IST’s ou distúrbios ginecológicos, histórico prévio de cirurgias e medicamentos em uso ● PRESENÇA DE SINAIS INFECCIOSOS: calafrios, febre, corrimento vaginal purulento ● PRESENÇA DE SINTOMAS ASSOCIADOS À GRAVIDEZ: amenorréia, sangramento irregular, náuseas, mamas doloridas ● PRESENÇA DE SINTOMAS GI: anorexia, náuseas, vômito, constipação intestinal, não estar evacuando, ausência de flatos, hematoquezia/melena ● PRESENÇA DE SINTOMAS URINÁRIOS: disúria, urgência, polaciúria, hesitação, hematúria CONDUTA GERAL (para TODAS AS MULHERES em idade reprodutiva com dor pélvica aguda): ● Hemograma completo ● Leucograma ● VSH ● Urina tipo 1 (amostra de jato médio) ● Teste de gravidez qualitativo (urina ou sangue): se positivo, nilaterais e multioculares ● EXTRA: pesquisa de gonorreia e clamídia e US pélvica transvaginal DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: método sistemático usado para identificar doenças, feito por processo de eliminação ● DOR DE INÍCIO RÁPIDO: suspeita de perfuração/ruptura de vísceras ocas ou isquemia após torção de um conjunto vascular ● DOR TIPO CÓLICA/ESPASMÓDICA INTENSA: contração muscular ou obstrução de alguma víscera oca (intestino, ureter ou útero) ● DOR EM TODO O ABDOME: reação generalizada a um líquido irritante (sangue, purulento) na cavidade peritoneal ou liberação do conteúdo de algum cisto ovariano Dor Pélvic� Crônic� persiste na mesma localização por > 6 meses e é intensa o bastante para incapacitar funcionalmente o indivíduo ou exigir cuidados médicos ● Não é uma doença, mas um quadro clínico que pode ser desencadeado por diferentes afecções e está associada a: disfunção sexual e fatores psicossociais (depressão, ansiedade, abalo na vida conjugal, social e ocupacional) ● FISIOPATOLOGIA: ● ETIOLOGIA: multifatorial - Neurônios nociceptivos desenvolvem capacidade de diminuir o limiar de deflagração + desenvolvem atividade espontânea + aumentam seus campos receptivos (área de dor maior) = modulação/intensificação/amplificação de estímulos que antes eram indolores, sendo DESPROPORCIONAL à lesão tecidual - Estímulos/lesões persistentes = AUMENTO da reatividade do SNC a estímulos periféricos = mantém estado doloroso crônico: ● Alodinia (dor causada por um estímulo que normalmente não provoca dor) ● Hiperalgesia (aumento da sensibilidade à dor) ● Respostas reflexas anormais na musculatura adjacente CAUSAS ASSOCIADAS AO APARELHO GENITAL CAUSA DEFINIÇÃO QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO ENDOMETRIOSE* Piora da dor no período menstrual: dismenorreia associada a dispareunia profunda ADERÊNCIAS Formações fibrosas regenerativas, decorrentes de: traumas mecânicos, infecções/inflamações ou sangramentos Desconforto pélvico pouco específico = difícil caracterização da dor (tipo, início, periodicidade, fatores de melhora ou piora e irradiação) Laparoscopia: aderências podem estar na mesma região do abdome que a dor se origina, mas a localização e densidade das aderências não tem correlação previsível com a dor CONGESTÃO PÉLVICA Congestão ou dilatação de plexos venosos uterinos e/ou ovarianos = dor com início na ovulação, que persiste até o fim da menstruação Dor abdominal baixa e nas costas bilateral → intensificada por longos períodos em posição ortostática Dispareunia Sangramento uterino anormal Fadiga crônica Venografia transuterina US pélvica/transvaginal RM Laparoscopia SALPINGO-OOFORITE Inflamação simultânea da trompa e ovário correspondente Dor a palpação do abdome Dor à mobilização - SUBAGUDA OBS: sequela frequente da infecção por clamídia ou micoplasma cervical Dor à palpação dos anexos bilateral SÍNDROME DO OVÁRIO REMANESCENTE E DO OVÁRIO RESIDUAL Síndrome consequente de tecido cortical ovariano que permanece in situ após uma dissecação difícil na tentativa de ooforectomia, podendo ser envolvido por aderências e causas cistos dolorosos Dor pélvica com irradiação lateral, cíclica (associada a fase lútea), geralmente de 2 a 5 anos após ooforectomia inicial Dispareunia profunda Constipação intestinal US: confirma massa com características de tecido ovariano (tem acurácia aumentada quando é administrado citrato de clomifeno 10 antes, para estimular desenvolvimento folicular CAUSAS ASSOCIADAS AO SISTEMA GASTROINTESTINAL CAUSA DEFINIÇÃO QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL (SII) Inflamação das vilosidades intestinais Dor abdominal Distensão abdominal Flatulência excessiva Alternância entre diarréia e constipação Aumento da dor antes e diminuição após a defecação Exacerbação da dor pelo aumento da motilidade gastrointestinal (por alimentação, estresse, ansiedade, depressão e menstruação) DE EXCLUSÃO: anamnese + exame físico Normais: hemograma completo, amostra de fezes (pesquisa de leucócitos e sangue oculto), sigmoidoscopia e colonoscopia DIVERTICULITE Inflamação de um divertículo ou evaginação da parede do cólon Pode suceder uma longa históriade sintomas da SII - NEOPLASIAS INTESTINAIS Pacientes apresentam: hematoquezia ou melena, dor abdominal e mudança de hábitos intestinais DOENÇA CELÍACA Causada por uma reação imune ao glúten = prejuízos na absorção e digestão de nutrientes pelo intestino delgado → dor pélvica inicial, diarréia de repetição e perda de peso COLITE Doença inflamatória intestinal que atinge a camada interna que reveste o cólon e o reto → dor abdominal, diarreia com muco, melena e aumenta os riscos para câncer de cólon APENDICITE* CAUSAS ASSOCIADAS AO SISTEMA URINÁRIO CAUSA DEFINIÇÃO QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO SÍNDROME URETRAL Complexo de sintomas na ausência de anormalidades na uretra ou bexiga Disúria Polaciúria Urgência miccional (desejo súbito e compulsivo de urinar) Incontinência miccional (perda involuntária de urina) Desconforto, pressão ou dor suprapúbica Dispareunia Dor vesical ou vaginal Sensação de esvaziamento incompleto DE EXCLUSÃO Exame de urina → eliminar infecções CISTITE INTERSTICIAL Condição inflamatória crônica da bexiga, que causa dor pélvica, disfunção irritável da bexiga, vontade exagerada de urinar e aumento da frequência urinária Polaciúria Urgência grave e incapacitante Noctúria, disúria e hematúria ocasionais Dor suprapúbica, pélvica, uretral, vaginal, vulvar ou perineal DE EXCLUSÃO NEOPLASIA DE BEXIGA Carcinoma in situ e invasivo pode apresentar sintomas semelhantes a cistite intersticial ● Considerar neoplasia em: hematúria, história de tabagismo ou > 60 anos CAUSAS NEUROLÓGICAS E MÚSCULO ESQUELÉTICAS COMPRESSÃO DO NERVO: oriundo de incisões cutâneas suprapúbicas transversais ou laparoscópicas DOR MIOFASCIAL (por inflamação, parto, cirurgia pélvica e trauma): espasmos involuntários da musculatura do assoalho pélvico, que pode sofrer hipertonia, mialgia e fadiga → dispareunia, dor agravada ao sentar por longos períodos e aliviada com calor FIBROMIALGIA: enfermidade de difícil caracterização → dor pélvica pode ser a queixa principal, mas a dor estã presente nos 4 quadrantes do corpo, pelo menos em 11 áreas distintas (em 18 possíveis), dentre elas joelhos, ombros, cotovelos, pescoço e região/assoalho pélvico SÍNDROME DE DOR LOMBAR: dor lombar não ginecológica (após traumatismo, esforço físico, pela manhã - se intensifica com o ciclo menstrual) ou ginecológica FATORES PSICOLÓGICAS DEPRESSÃO: isolamento comportamental, social e diminuição da atividade ANSIEDADE TRAUMAS (experiências passadas) → abuso sexual, maus tratos físicos MAUS TRATOS FÍSICOS DURANTE INFÂNCIA AVALIAÇÃO ou DIAGNÓSTICO ANAMNESE = efeito do ciclo menstrual, estresse, trabalho, exercício, relação sexual e orgasmo e HISTÓRIA COMPLETA DA DOR (na 1º consulta): ● Tipo: cólica, fraca, contínua, em punhalada, queimação, formigamento, prurido ● Localização: utilizar diagramas para abdome, dorso e genitais para auxiliar paciente a defini-la ● Irradiação ● Intensidade: utilizar escala de 0 a 10 para mensurar e compará-la no decorrer de consultas e retornos ● Fatores que agravam: atividade específica, estresse, ciclo menstrual ● Fatores que aliviam: medicação, redução do estresse, calor/gelo, posição ● Contexto de surgimento: quando e como começou ● Custo social e ocupacional QUESTIONÁRIO ABRANGENTE, que aborde: depressão, ansiedade, trauma emocional, físico e sexual, qualidade de vida e os critérios que auxiliem no diagnóstico da SII (síndrome do intestino irritável) e da cistite intersticial ou síndrome de dor vesical EXAME FÍSICO COMPLETO: atenção a região abdominal, lombossacra, vulva, assoalho pélvico e órgão internos por exame vaginal PESQUISA DE SINTOMAS ESPECÍFICOS ASSOCIADOS A DOENÇAS: ● GENITAIS: sangramento vaginal anormal, corrimento vaginal anormal, dismenorreia, dispareunia, infertilidade, função sexual ● GASTRINTESTINAIS: constipação, diarreia, flatulência, hematoquezia, relação entre a dor e os períodos de alteração da função intestinal ou aparência das fazes e alívio da dor com a defecação ● MUSCULOESQUELÉTICOS/NEUROPÁTICOS: traumatismo físico, exacerbação com o exercício físico ou alterações posturais, fraqueza, parestesia, dor lancinante ● UROLÓGICOS: urgência miccional, polaciúria, noctúria, hesitação, disúria, hematúria, incontinência ● PSICOLÓGICOS: diagnósticos, hospitalizações e medicamentos anteriores, depressão atual, ansiedade, pânico, ideias suicidas, traumas emocionais, físicos ou sexuais passados e atuais TRATAMENTO ● MULTIPROFISSIONAL: tratamento otimista, de apoio e de compreensão → orientar a paciente a preencher um formulário de avaliação diária da dor para fornecer informações importantes e dar sensação de amparo e de controle ● INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS: agentes hormonais que inibem ovulação/menstruação → para pacientes com dismenorréia ou dor que se agrava na fase lútea ou menstrual ● FISIOTERAPIA: restaura a flexibilidade tecidual e articular, melhora a postura e a mecânica do corpo, restabelece a força e a coordenação, diminui a irritabilidade do sistema nervoso e restitui a função ● LAPAROSCOPIA: indicada apenas após exclusão de causas somáticas ou viscerais não ginecológicas e para pacientes com dor incapacitante pré ou menstrual, sem resposta a tratamento com AINEs ou contraceptivos hormonais ● HISTERECTOMIA: útil em mulheres que não desejam mais ter filhos e têm dismenorreia secundária ou dor crônica relacionada com a endometriose, adenomiose, ou à congestão pélvica → antes: mnemônico PREPARE: Procedimento, Razão/ indicação, Expectativa e resultado desejado, Probabilidade de alcançar o resultado, Alterativas e opções não cirurgicos, Riscos e Expensas Dor Cíclic� relacionada ao ciclo menstrual ● Relacionada sinais de inflamação/ infecção: febre e leucocitose (ausentes na dor crônica) ● Geralmente está relacionada à contração muscular ou obstrução/ perfuração/ isquemia de alguma víscera oca (intestino, ureter e útero) ● Pode estar em todo o abdome = REAÇÃO GENERALIZADA a um líquido irritante na cavidade peritoneal ● DISMENORRÉIA = menstruação dolorosa → tipo de dor cíclica mais comum DISMENORRÉIA 1ª DEFINIÇÃO Dor menstrual SEM doença pélvica que surge aprox. 1 ou 2 anos após menarca, quando os ciclos ovulatórios já se estabeleceram EPIDEMIOLOGIA Distúrbio ginecológico + comum = afeta 60% das mulheres que menstruam, geralmente até os 49 anos FISIOPATOLOGIA No final da fase lútea, a diminuição de progesterona ativa enzimas líticas → liberação de fosfolipídeos das membranas celulares = CASCATA DO ÁCIDO ARAQUIDÔNICO → ativação da via da COX = produção de PROSTAGLANDINAS E TROMBOXANOS, encontrados em maior concentração no ENDOMÉTRIO SECRETOR (pré-menstrual) e bem menor no endométrio proliferativo (pós-menstrual) Excesso/desequilíbrio na secreção de PROSTANÓIDES (prostaglandinas, prostaciclinas e tromboxanos) pelo endométrio durante a menstruação = HIPERCONTRATILIDADE UTERINA (aumento das contrações em padrão arrítmico e com amplitude aumentada) + aumento do tônus e pressão uterina DOR UTERINA = hipercontratilidade + diminuição do fluxo sanguíneo + hipersensibilidade dos nervos periféricos SINTOMAS DOR UTERINA ● Com início horas antes ou logo após o início da menstruação → duração: de 48 a 72h ● Do tipo cólica na região suprapúbica → aliviada por: massagem abdominal, contrapressão ou movimentação (ao contrário da peritonite) ● Dor lombossacral com possibilidade de irradiação para face anterior da coxa ● Podem ocorrer: náuseas, vômito, diarreia e síncope episódica (raramente) ● SEMELHANTE À DOR DO TRABALHO DE PARTO SINAIS ● Dor à palpação da região suprapúbica ● EXAME BIMANUAL: dor à palpação do útero (no momento do episódio de dismenorreia) ● PERMANECEM NORMAIS: - Sinais vitais - Órgãos pélvicos ● ESTÃO AUSENTES: - Dor à palpação abdominal e à descompressão súbita do abdome - Dor intensa à mobilização do colo ou palpação de anexos DIAGNÓSTICO ● Exclusão de doença pélvica de base: VHS e hemograma completo ajudam a descartar DIP subaguda ou Endometrite ● Confirmação da natureza cíclica da dor ● ANAMNESE + EXAME FÍSICO NORMAL(tamanho, formato e mobilidade uterina) ● OBS: caso não haja melhora dos sintomas com AINE, solicitar US pélvica/transvaginal e se não forem encontradas anormalidades, não há necessidade de laparoscopia = faz-se diagnóstico de dismenorreia primária TRATAMENTO ● AINEs 1 a 3 dias antes ou ao 1º sinal de dor em ciclos desregulados, a cada 6 a 8h = inibidores da enzima COX (cicloxigenase) → acaba com a hiperatividade da via da COX e liberação exagerada de prostaglandinas e tromboxanos ● CONTRACEPTIVOS HORMONAIS (na dismenorréia 1ª resistente aos AINEs): inibem ovulação e diminuem proliferação endometrial, criando um ambiente endócrino semelhante a fase proliferativa (inicial) do ciclo, no qual tem menos prostaglandinas = diminui as cólicas ● ÓPIO/CODEÍNA: caso a paciente não responda aos outros 2 tratamentos → considerar fatores psicológicos e laparoscopia diagnóstica para descartar doenças DISMENORRÉIA 2ª DEFINIÇÃO Dor menstrual associada a alguma doença pélvica de base que surge 1 a 2 semanas antes do fluxo menstrual e persiste alguns dias após o fim do sangramento CAUSAS 1º - Endometriose 2º - Adenomiose 3º - DIU de cobre Endometrite DIP Cistos do ovário Malformações pélvicas congênitas Estenose cervical ADENOMIOSE (como causa) → presença de estroma e glândulas endometriais no miométrio SINTOMAS: início até 2 semanas antes do fluxo, cessando ao fim da menstruação ● Sangramento menstrual intenso ou prolongado ● Dispareunia ● Dismenorreia SINAIS: ● Útero com aumento difuso (porém < 14cm), consistência mole e doloroso (principalmente na menstruação) ● PERMANECEM NORMAIS: mobilidade uterina e anexos DIAGNÓSTICO: suspeita clínica (anamnese com confirmação da natureza cíclica da dor + exame físico com achados) associada à histerectomia para confirmação TRATAMENTO: depende da idade e do desejo de preservar a fertilidade ● Histerectomia (alívio garantido) ● Embolização da artéria uterina (pode ser eficaz) ● São válidos: AINEs, contraceptivos hormonais, inibição da menstruação com progestágenos (orais, intrauterinos ou injetáveis) ou agonistas do hormônio GnRH ENDOMETRIOSE* (como causa) → endométrio ectópico peritoneal DIAGNÓSTICO ● Análise de um diário da dor: para confirmar o caráter cíclico ● USG transvaginal ● Pode haver indicação de laparoscopia e/ou histeroscopia ● OBS: AINES e contraceptivos hormonais geralmente não causam alívio da dor TRATAMENTO Medicamentos para reduzir estimulação hormonal cíclica das lesões CONDUTA: tratar o distúrbio de base Analgésic� substâncias utilizadas para aliviar o sintoma de dor associada a doenças, lesões ou cirurgias - nunca deixamos o paciente com dor, mesmo não tendo conseguido fechar o quadro clínico no primeiro momento ● O processo de dor é complexo: existem muitos tipos de analgésicos que proporcionam alívio → variedade de mecanismos Protocolo para câncer e dor crônica = busca utilizar abordagens terapêuticas mais conservadoras antes de iniciar o tratamento com opióides TIPOS DE ANALGÉSICOS NÃO OPIÁCEOS: tem “efeito teto”, o aumento de dose acima de determinado nível não produz maior efeito analgésico, mas pode ser combinado a um opiáceo e ter efeito “dose excedente”, permitindo doses menores de opiáceos → existem 2 categorias: ● DROGAS ANTIINFLAMATÓRIAS NÃO HORMONAIS (AINH) ● ANALGÉSICOS SIMPLES NA DOR AGUDA OU CRÔNICA, DE INTENSIDADE LEVE A MODERADA GRUPO PADRÃO CUIDADOS VIAS DOSES OBSERVAÇÕES AINEs analgésicos não opiáceos, de potência moderada, caracterizado pelo efeito teto Reduz dor e inflamação pela inibição da enzima cicloxigenase (COX), responsável pela síntese de prostaglandinas DIPIRONA (metamizol) Novalgina ® e Baralgin ® Verificar alergias Precaução no hipotenso Oral EV Retal 500 a 1000 mg 4 / 6 horas MDD = 6g Alergias sérias são raras Exacerbação de hipotensão PARACETAMOL Tylenol ® e Dórico ® Precaução na disfunção hepática e renal Sem efeitos GI Efeito aumentado por métodos físicos e massagem Oral 500 a 1000 mg 4 / 6 horas MDD = 6g → máxima dose diária Hepatotóxico em altas doses e de excreção renal. Não deve ser a droga de escolha nas disfunções hepática e renal Sem necessidade de associação de protetor GI ANALGÉSICA: reduz recepção de dor, causada pelas prostaglandinas que irritam as fibras nervosas e reduzem o limiar de dor (torna-se mais fácil um estímulo desencadear dor) OPIÁCEOS: inclui todas as drogas que têm ação morphine-like, nos receptores opiáceos endógenos e não há teto máximo de ação, a dose pode ser aumentada virtualmente, sem limite (mas respeitando tolerância e efeitos adversos em cada paciente) → 2 categorias: ● OPIÁCEOS FRACOS (codeína, tramadol) ● OPIÁCEOS FORTES (morfina, metadona, fentanil, oxicodona) MECANISMO DE AÇÃO DA DIPIRONA ● É hidrolisada para 4-metilaminoantipirina (4- MAA) ● NO FÍGADO: é metabolizada em 4-formilaminoantipirina (4-FAA), 4-aminoantipirina (4- AA) e 4-acetilaminoantipirina (4-AAA) ● METABÓLITOS são considerados BIOATIVOS e possuem atividade analgésica → encontrados no plasma após a sua administração - 4-metilaminoantipirina - 4-acetilaminoantipirina: efeito analgésico dependente do receptor canabinóide CB1 MECANISMO DE AÇÃO DO PARACETAMOL ● ATIVIDADE ANTIPIRÉTICA (antitérmica) = bloqueio da formação e libertação de prostaglandinas no SNC (inibe prostaglandina sintetase) e inibição da ação de pirogénios endógenos → reduz febre por vasodilatação periférica, sudorese e dissipação de calor ● ATIVIDADE ANALGÉSICA = inibe síntese de prostaglandinas (é seletivo para COX 2 mas também pode inibir a COX 1), diminui os níveis de PGE2 do SNC, bloqueia perifericamente a geração de impulsos nos quimiorreceptores sensíveis a bradicinina (responsáveis pelos impulsos nociceptivos), age como antagonista do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA) e da substância P (neurotransmissor responsável pela modulação da dor) e ativa vias serotoninérgicas REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO Dor pélvica crônica Resumos Felliphe e Renata https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_dor.pdf https://www.scielo.br/j/rbgo/a/VxDxXYYWvX4nZFHn7nqtkFL/?lang=pt https://victorbarboza.com.br/tipos-de-analgesicos/ https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/4415/1/PPG_21981.pdf http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/332509/1/Santos_GilsonGoncalvesDos_ D.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/inca/manual_dor.pdf https://www.scielo.br/j/rbgo/a/VxDxXYYWvX4nZFHn7nqtkFL/?lang=pt https://victorbarboza.com.br/tipos-de-analgesicos/ https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/4415/1/PPG_21981.pdf http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/332509/1/Santos_GilsonGoncalvesDos_D.pdf http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/332509/1/Santos_GilsonGoncalvesDos_D.pdf Objetivo 6 - Esclarecer a fisiopatologia da doença inflamatória pélvica. Doenç� Inflamatóri� Pélvic� (DIP) ENTRA NA DOR AGUDA ASSOCIADA AO SISTEMA REPRODUTOR conjunto de processos inflamatórios da região pélvica devido a propagação de microrganismos por VIA CANALICULAR: a partir da vagina e colo uterino, para endométrio, tubas, peritônio e estruturas adjacentes EPIDEMIOLOGIA ● Incidência não conhecida no Brasil: não é de notificação obrigatória ● FATORES DE RISCO: adolescência e jovens < 25 anos (não fazem sexo seguro), sexarca < 15 anos, baixo nível socioeconômico, solteiras, nulíparas, comportamento sexual de multiplos parceiros, sexo sem camisinha, história prévia ou atual de IST (principalmente clamídia, micoplasma e gonococo), salpingite prévia, DIU se paciente for portadora de cervicite na época de inserção ETIOLOGIA microrganismos que colonizam a endocérvice e ascendem até o endométrio e as tubas uterinas ● Neisseria gonorrhoeae → Gonorreia (gonococo) ● Chlamydia trachomatis → Clamídia (60%) ● Mycoplasma genitalium → sintomas clínicos leves semelhantes aos da DIP por clamídia ● Gardnerella vaginalis ● TODOS OS CASOS DE DIP SÃO POLIMICROBIANOS: bactérias aeróbicas e anaeróbicas gram + e - ● OBS: vaginosebacteriana (VG) é frequente em mulheres com DIP, pois a alteração da microbiota vaginal gera uma modificação enzimática no muco cervical e facilita a ascendência de bactérias patogênicas FISIOPATOLOGIA ● Agentes etiológicos (Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis) provocam CERVICITES no colo uterino - 20 a 30% de chances de infecção superior = PRÉ - DIP ● Na época menstrual ou pós-menstrual imediata, ocorre mudança de Ph para alcalinização = muco cervical é modificado e facilita a ascensão de patógenos: agentes, que tem tropismo pelo epitélio glandular/colunar do endocérvice, acendem pelo orifício externo do colo uterino = chegam ao endométrio e causam ENDOMETRITE ● Microrganismos ascendem e se instalam na TUBA UTERINA → reação tecidual (destruição da mucosa das tubas) → formação de EXSUDATO PURULENTO = SALPINGITE ● Conteúdo purulento se desprende → passa pelas fimbrias → derrama no peritônio pélvico = PELVIPERITONITE ● Ocorre acúmulo de secreção na escavação retouterina (saco de douglas) = maior sensibilidade, dispareunia, dor ao toque vaginal ● Formação do COMPLEXO TUBO-OVARIANO: tentativa das alças intestinais e epíplon (2 dobras do peritôneo) de bloquear o processo purulento ● À medida que aumenta a viscosidade do conteúdo, as fímbrias tubárias se fundem para proteger outras estruturas (evita que o patógeno se espalhe) → PIOSSALPINGE = aprisionamento de pus dentro das tubas ● Conteúdo purulento se propaga para os ovários = ATO (abscesso tubo ovariano) → pode se tornar HIDROSSALPINGE (quando esterelizado forma uma massa multicística com conteúdo citrino estéril) ● OBS: pode ocorrer aumento da tensão intra-abcesso fazendo com que o ATO se rompa → quadro grave com grande derramamento de pus no peritônio, choque séptico e óbito ● Diminuição da concentração de O² local = aumento da presença de anaeróbios (Bacteroides fragilis, Peptostreptococcus spp. e Prevotella spp) QUADRO CLÍNICO algumas mulheres podem ser assintomáticas ou oligossintomáticas ● Dor abdominal baixa ● Dor pélvica de início agudo → se intensifica com movimentos ● Corrimento vaginal excessivo e purulento ● Menorragia (sangramento menstrual volumoso, > 80 mL por ciclo) ● Metrorragia (sangramento uterino fora do período menstrual) ● Febre, taquicardia e calafrios ● Náuseas e vômito ● Sintomas urinários → na presença deles = suspeitar de DIP ● Dispareunia ● Dor à palpação dos órgãos pélvicos (útero ou anexos) ● Dor à mobilização cervical (inflamação peritoneal) ● Dor à palpação abdominal direta ou à descompressão súbita DIAGNÓSTICO CLÍNICO: história + exame físico → indicam que paciente apresenta infecção e inflamação do sistema genital superior = endometrite, salpingite e peritonite ● TRÍADE DE SINAIS E SINTOMAS: dor pélvica + dor à mobilização cervical e à palpação dos anexos + febre (> 38,3ºC) EXAMES: ● Normalmente gravidez negativa (se positiva suspeitar de: ectópica, manipulação intrauterina com instrumentos não assépticos ou aborto incompleto infectado) ● Preparações a fresco de secreções vaginais, endocervicais e culdocentese (punção do fórnice vaginal posterior) = leucocitose (aumento de polimorfonucleares) ● VHS: aumento da velocidade de sedimentação = indica inflamação (proteínas diminuem viscosidade sanguínea) ● Confirmação laboratorial de Gonorréia e Clamídia ● CASOS + GRAVES: biópsia endometrial (endometrite), US - melhor transvaginal (tubas uterinas espessadas, abscessos, acúmulo de líquido purulento ou hemorragia na pelve), exames radiológicos e laparoscopia (para não confundir com diverticulite e apendicite, pode mostrar salpingite - edema tubário, eritema e corrimento purulento - e outras evidências da DIP) OBS: a variação dos sinais e sintomas e sua sutilidade em alguns casos, dificulta o diagnóstico de DIP aguda e o atraso contribui para sequelas inflamatórias no trato genital superior = solução: diretrizes sensíveis o suficiente para identificar casos de DIP com sintomas leves, mas também específicas o bastante para evitar administração de antibióticos a mulheres não infectadas TRATAMENTO - proporciona cobertura empírica de amplo espectro, de patógenos mais prováveis ● CEFTRIAXONA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (cefalosporina de 3º geração) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida ● AZITROMICINA = ANTIBACTERIANO MACROLÍDEO → se ligam à subunidade 50s do ribossomo, impedindo a síntese proteica, transpeptidação e translocação = efeito bacteriostático ● DOXICICLINA = ANTIBACTERIANO TETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação OBS: É PRECISO UMA AVALIAÇÃO CONCOMITANTE DO PARCEIRO SEXUAL para tratar infecção uretral por clamídia ou gonorréia REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO e Resumos do SanarFlix sobre DIP Objetivo 7 - Apontar as vacinas adequadas para a faixa etária. Objetivo 8 - Avaliar principais problemas afetivos do adolescente. Objetivo 9 - Explicar protocolo de atendimento ao adolescente pelo SUS (princípios éticos). Vacina� par� Adolescente� IDADE VACINA DOSES VIA MENINAS: 9 a 14 anos MENINOS: 11 a 14 anos HPV quadrivalente (HPV4) → infecções pelo Papilomavírus Humano 6, 11, 16 e 18 2 doses (iniciar ou completar), com intervalo de 6 meses Intramuscular → músculo deltóide11 e 12 anos Meningocócica C → doenças invasivas causadas por Neisseria meningitidis do sorogrupo C 1 Dose (reforço, entre 11 e 14 anos) 11 a 19 anos Hepatite B Iniciar ou completar (de acordo com o calendário vacinal, se não foi vacinado na infância) 3 doses (0 - 1 - 6 meses) Dupla adulto ou dupla bacteriana (dT) → difteria e tétano Reforço a cada 10 anos - em caso de ferimentos graves: reduzir intervalo para 5 anos Intramuscular → deltoide, vasto lateral da coxa, dorsoglúteo ou ventroglúteo Tríplice Viral (SRC) → sarampo, caxumba e rubéola Iniciar ou completar (de acordo com histórico vacinal) 2 doses com intervalo de 30 dias - até 12 anos, considerar a tetraviral, que inclui também a varicela Subcutânea → região deltoideana Febre Amarela Reforço (caso tenha recebido uma dose com < 5 anos ou não tenha vacinado) Problema� Afetiv�/ Desenvolviment� Psic�socia� d� Adolescent� CARACTERÍSTICAS ADOLESCÊNCIA INICIAL (entrada na puberdade) 10 a 13 anos ADOLESCÊNCIA MÉDIA (desenvolvimento intelectual) 14 a 16 anos ADOLESCÊNCIA TARDIA (preparação para assumir mundo adulto) 17 a 20 anos RELAÇÕES FAMILIARES Diminui o interesse pelas atividades com os pais Conflito com os pais Reaceitação dos valores parentais IMAGEM CORPORAL Preocupação com as mudanças puberais e insegurança com a aparência Aceitação do corpo e preocupação em torná-lo mais atraente Aceitação das mudanças puberais GRUPO Relação intensa com amigos do mesmo sexo Comportamento conforme valores do grupo Importância menor aos valores dos grupos e preferem relações íntimas IDENTIDADE ● Desenvolvimento da inteligência ● Aumento do mundo da fantasia ● Aumento da intensidade de emoções ● Vocação idealizada ● Privacidade ● Impulsividade ● Inclinação a buscar experiências com fortes emoções ● Desenvolvimento da habilidade intelectual ● Questionamento de convenções morais ● Escolha de crenças sobre amor, honestidade e propriedade ● Desenvolvimento de códigos pessoais de ética ● Onipotência ● Comportamentos de risco ● São mais constantes em suas emoções ● Vocação realística e prática ● Refinamento dos valores sexuais, religiosos e morais ● Habilidade para assumir compromissos e aceitar limites ● Pensamentos sobre conceitos como justiça, patriotismo e história são mais frequentes SEXUALIDADE ● Interesses e fantasias ● Orientação sexual ● Atitudes em relação ao sexo ● Conscientização de papéis e costumes socialmente definidos ● Namoros superficiais ● Atividade sexual ● Experimentação homossexual (é comum) ● Relacionamentos com mais amor ecompromisso Protocol� d� Atendiment� a� Adolescente� reconhecer adolescentes como sujeitos de direitos PRINCÍPIOS BIOÉTICOS ● BENEFICÊNCIA: profissionais de Saúde devem buscar o bem-estar do paciente, evitando danos e risco à vida ● NÃO MALEFICIÊNCIA: obrigação de não acarretar dano à pessoa ● AUTONOMIA: profissional da saúde deve respeitar a decisão e as escolhas livres de adolescentes (art. 7 do ECA, 1990) que busca ou faz aquilo que julga melhor para si mesmo, desde que tenham capacidade para tal, preservando seus direitos fundamentais, de acordo com condições ético-sociais DIREITOS ● PRIVACIDADE: adolescentes de ambos os sexos, têm direito à privacidade e podem ser atendidos sozinhos e livre de intromissões, caso desejem → melhoria da qualidade da prevenção, assistência e promoção de sua saúde - Quando o responsável está presente, ele costuma iniciar a exposição do motivo da consulta → ouví-lo, mas esclarecer empaticamente sobre os benefícios de uma entrevista privada somente com a adolescente ● CONFIDENCIALIDADE E SIGILO: adolescentes devem ter a garantia de que as informações obtidas no atendimento serão devidamente resguardadas, mas que confidencialidade poderá ser violada em algumas situações, que não serão repassadas aos seus pais/responsáveis sem a sua concordância explícita = sempre que for necessário conversar com os responsáveis, a adolescente precisa ser primeiramente informada → sempre que houver risco à vida ou outros riscos relevantes para a pessoa e terceiros: violência sexual, ideia de suicídio, informação de homicídios, distúrbios psiquiátricos, drogadição, recusa ao tratamento por doenças de risco e etc - Nas situações em paciente não permite a comunicação aos seus responsáveis, mesmo equipe profissional tê-la encorajado a envolver a família e oferecer apoio, ela será informada dos motivos para a quebra de sigilo, antes do repasse da informação aos seus pais e/ou responsáveis ● CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO: informar detalhadamente ao paciente seu estado de saúde e tratamento a ser realizado, para que consentimento seja moralmente aceitável (quando fundamentado em: informação, competência, entendimento e voluntariedade) e solicitar que assinem um termo de consentimento para a realização de qualquer procedimento clínico ATITUDE DO MÉDICO agir como facilitador da relação familiar → envolvimento da família é importante e necessita ser incentivado ● Deve auxiliar para que a jovem comunique os responsáveis sobre o tratamento ● O profissional deve ser capaz de manter o sigilo e ao mesmo tempo tranquilizar os pais, para que possam compreender os motivos pelos quais as informações sobre o atendimento médico devem se mantidas em segredo ● Durante a consulta é aconselhável ser empático e acolhedor: saber ouvir, observar a fase de desenvolvimento em que se encontram e dar orientações sobre as mudanças do corpo, sexualidade, masturbação, IsTs e anticoncepção CONSULTAS INDICAÇÃO (pelo SUS): consultas ginecológicas iniciadas na menarca, entre 12 a 15 anos MOTIVO DE CONSULTAS: avaliação de rotina do desenvolvimento da puberdade, problemas relacionados aos ciclos menstruais, cólicas, corrimento, desejo de contracepção ANAMNESE: ● Situação vacinal ● Alergia a medicamentos ● Uso de anticonvulsivantes (podem interferir com o uso de contraceptivos hormonais) ● Uso de tabaco, drogas e álcool ● História menstrual: idade da menarca, DUM, intervalo, duração, volume do fluxo, sinais e sintomas que precedem ou acompanham o sangramento, dismenorréia → orientar o uso de um calendário menstrual ou aplicativos de controle do ciclo ● Início das práticas sexuais: nº de parceiros, dúvidas, queixas relacionadas ao coito, método contraceptivo utilizado e certificar-se se o uso está correto EXAME GINECOLÓGICO: ● Sinais vitais: PA, temperatura, pulso ● Geral: pele, as mucosas, a distribuição de pelos, presença de acne, sinais de hiperandrogenismo clínico e acantose nigricans ● Dados biométricos: peso, estatura e índice de massa corporal → importante acompanhar até a estabilização da estatura - Se o IMC estiver alterado, proceder com orientações sobre hábitos alimentares e prática de atividade física ● Exame das mamas e orientação sobre forma e tamanho (caso seja questionado pela adolescente) → identificar: hipotrofia, hipertrofia, atelia, assimetrias, insatisfação com a estética, nodulações mamárias, mastalgia ● Exame ginecológico: inspeção dos órgãos genitais externos + exame especular - Corrimento genital: é fisiológico se não acompanha prurido, ardor, sintomas urinários e irritação dos órgãos genitais externos - Úlceras e vesículas genitais: início do quadro, sintomas associados, aspecto da lesão, se única ou múltipla e se existem sinais/sintomas de infecção bacteriana associada - Na adolescente que ainda não teve menarca: avaliação do status puberal e genitália externa → fundamental para observar o hímen e trato de saída, identificando precocemente imperfuração himenal ou outra malformação obstrutiva - Na adolescente que já menstrua e não é sexualmente ativa: se não apresenta nenhuma queixa no dia da consulta e ela se mostre relutante, pode-se adiar para a 2º visita - havendo a necessidade de exploração do canal vaginal, usar “espéculo de virgem” ou fazer sob narcose em ambiente cirúrgico - Na adolescente sexualmente ativa: exame ginecológico é como o da paciente adulta, com exame especular e toque vaginal e bimanual → enfatizar prevenção e pesquisa de ISTs (HIV, sífilis, clamídia, hepatite B e C, gonorreia) ● ESTADIAMENTO DE TANNER REFERÊNCIAS: Desafios da consulta ginecológica na adolescência: questões éticas e conflitos - Sandra de Morais Pereira e Stella R. Taquette - arquivo da sala virtual Resumos de pediatria (3º semestre) https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/junho/09/calendario-de-vacinacao-2020_ad olescente.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/proteger_cuidar_adolescentes_atencao_basic a.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacao_basica_saude_adolescente.pdf https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/08-ATENDENDO_A_ADOLESCENTE_ NO_CONSULTOyRIO.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/junho/09/calendario-de-vacinacao-2020_adolescente.pdf https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/junho/09/calendario-de-vacinacao-2020_adolescente.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/proteger_cuidar_adolescentes_atencao_basica.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/proteger_cuidar_adolescentes_atencao_basica.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacao_basica_saude_adolescente.pdf https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/08-ATENDENDO_A_ADOLESCENTE_NO_CONSULTOyRIO.pdf https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/08-ATENDENDO_A_ADOLESCENTE_NO_CONSULTOyRIO.pdf Fechament� d� cas� JUSCYLENE - 16 anos (puberdade se inicia entre 8 e 13 anos) ● Muito baixa ● Sem telarca (peitos ainda não cresceram) ● Sem menarca (ainda não menstruou) ● Escala de Tanner M1P1 = mama infantil e sem pelos pubianos ● Abaixo do Z Escore Menos 2 para estatura = tem aprox. 1,49 cm e deveria ter 1,63 de acordo com score Z da OMS EXAMES DE JUSCYLENE Exame Resultado Valor de referência Interpretação TSH 2,7 mUI/L 0,3 a 4 NORMAL Prolactina 5 ng/mL Fase folicular: 0,6 a 19 Fase luteínica: até 30 NORMAL FSH 70 mUI/mL Crianças (fem): 1,25 a 2 Menopausa: > 30 AUMENTADO: hipo hiper LH 100 mUI/mL Menopausa: > 15 Estradiol 10 ng/dL Fase folicular: 1 a 30 Pico ovulatório: 15 a 60 Fase lútea: 5 a 30 NORMAL - próprio FSH induz a produção de estradiol US pélvico Útero hipoplásico (infantil) ALTERADO: sem hormônio para estimular Cariótipo 46, XX NORMAL: elimina síndrome de turner DIAGNÓSTICO: HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO → DISGENESIA GONADAL PURA DISGENESIA GONADAL PURA = indivíduos fenotipicamente femininos, sem ambiguidade genital e cariótipo normal, mas com atrofia na glândula (seja por desenvolvimento insuficiente ou resistência à estimulação com gonadotrofina): ● GÔNADA DISGÊNICA (ou “em fita”):constituída somente de tecido fibroso, sem função hormonal, capacidade de produção de gametas ou característica de ovário ou testículo - não respondem ao estímulo de FSH e LH e reduz estrogênio = HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO = hipófise produz gonadotrofinas (FSH e LH em excesso), mas problema está na GÔNADA, ovário não responde e não produz estrogênio e nem progesterona ● CONSEQUÊNCIA: perda de massa óssea, disfunção endotelial, diminuição da produção de insulina e infertilidade TRATAMENTO ● Aconselhamento genético: processo que lida com ocorrência ou ao risco de recidiva de uma doença genética em uma família ● Controle da doença (para o desenvolvimento de características secundários femininos: mamas, pele sedosa, “alongamento” da vagina): reposição hormonal com ESTROGÊNIO via oral/transdérmica em doses baixas = induz e mantém puberdade, estimula telarca e estirão e age como feedback negativo no FSH ● GH + suplementação de cálcio: reposição óssea ● Apoio psicológico: pela situação complicada e pela infertilidade (pode ter filhos pela doação de zigoto) ● OBS: paciente nunca vai menstruar, útero hipoplásico é permanente - se cariótipo fosse masculino, poderia retirar gônada masculina intracavitária, pois aumenta o risco de malignização MARTA - 16 anos ● Baixa auto-estima ● Obesidade (gordinha) = IMC 29 → sobrepeso (25 a 29,9) ● Hirsutismo ou hipertricose? (muito peluda) ● Menstruação desregulada (nunca sabe quando irá menstruar) ● Dismenorréia (quando menstrua sente muita dor) ● ACANTOSE NIGRICANS: manchas “café com leite” na região cervical e axilas → indica hiperinsulinemia EXAMES DE MARTA Exame Resultado Valor de referência Interpretação BHCG quantitativo 2 mUI/Ml 0 a 5: negativo 5 a 50: indeterminado > 50: positivo NÃO GRÁVIDA TSH 24 mUI/L 0,3 a 4 AUMENTADO: hipotireoidismo → hipófise percebe níveis baixos de T3 e T4 e produz mais TSH que o normal para estimular a produção T4 LIVRE 0,3 ng/dl 0,7 a 1,8 BAIXO: hipotireodismo → TSH aumenta mas tireoide não responde, não produz T4 Anti TPO (anticorpo anti-peroxidase tireoidiana) 300 Ul/mL < 35 AUMENTADO: tireoidite de hashimoto → enzima peroxidase tireoidiana (TPO) catalisa as etapas de biossíntese do hormônio tireoidiano - muito anticorpo contra ela = anticorpo ataca a tireoide = doença auto-imune = falta T3 e T4 Anti tireoglobulina 100 Ul/mL < 200 NORMAL: fica estocada na tireóide e está alterada na tireoidite de Hashimoto, desaparecem com o tratamento do hipotireoidismo Prolactina 20 ng/nl Fase folicular: 0,6 a 19 Fase luteínica: até 30 NORMAL Glicemia de jejum 96 mg/ dL 60 a 99 mg/dL NORMAL Ultrassonografia pélvica Útero em retroversão, de contornos regulares, textura homogênea, volume 67 cm³, endométrio centrado, regular, homogêneo, medindo 12 mm de espessura. Ovários de formatos regulares, textura heterogênea, com > 10 folículos periféricos, menores de 10 mm de diâmetro em cada ovário. Volumes: OD 11,3 cm³, OE 12,5 cm³. Pequena quantidade de líquido livre em fundo de saco posterior (é fisiológico e pode ocorrer na ovulação) OBS: embora a paciente apresente sinais/sintomas característicos da SOP, o diagnóstico da SOP é de exclusão, e portanto nos exames se percebe hipotireoidismo, que prevalece acima da SOP. Alterações tireoidianas repercutem em todo funcionamento do corpo, então precisam ser tratadas primeiro. Se depois do tratamento os sinais de SOP ainda permanecerem, pode-se considerar seu diagnóstico. DIAGNÓSTICO: HIPOTIREOIDISMO e ACANTOSE NIGRICANS HIPOTIREOIDISMO ● TSH aumentado: estimula prolactina = HIPERPROLACTINEMIA: galactorréia e distúrbios menstruais (diminui LH e FSH = diminui seleção e maturação folicular = atresia folicular e ANOVULAÇÃO) ● SHBG (proteína ligadora dos hormônios sexuais) diminuído e desvio da AROMATASE: HIPERANDROGENISMO (mais testosterona livre) → hirsutismo, menstruação desregulada, dismenorréia ● FSH diminuído: menos estrógeno ● LH aumentado: mais folículos e mais progesterona TRATAMENTO ● Ingerir quantidade adequada de iodo: 150 mg ● Reposição do hormônio T4: LEVOTIROXINA SÓDICA (que é hormônio sintético: Puran ®) em jejum, 30 minutos antes do café da manhã → por toda a vida - T4 é convertido em T3 nos tecidos ● OBS: se após o tratamento, os sinais persistirem, investigar SOP ORIENTAÇÕES: ● Exercício físico ● Dieta para controle de peso ● Evitar estresse: interfere na secreção de hormônios ● Ou medicações (que diminuam a resistência insulínica) Valdirene - 16 anos ● Vários parceiros ● Nem sempre usou preservativo ● Disúria ● Dor em baixo ventre ● Fez uso de banhos de assento com remédios caseiros ● Múltiplas vesículas dolorosas em grande lábio direito - há 2 dias → dor neurológica, vírus irrita o nervo ● Nódulo doloroso de consistência fibroelástica na fossa ilíaca direita ● Parede vaginal hiperemiada ● Colo uterino hiperemiado e com ectopia (influência hormonal, fisiológico, metaplasia, comum em gestantes) ● CORRIMENTO há alguns meses: conteúdo vaginal amarelado e com odor ● TESTE SCHILLER TIGRÓIDE + ● ÚTERO COM DISCRETA DOR À MOBILIZAÇÃO ● Médico pediu para parceiro ser consultado EXAMES DE VALDIRENE Exame Resultado VDRL Não reagente Secreção vaginal corada a Gram Bacilos de Doderlein ausentes Acentuada quantidade de leucócitos Presença de Trichomonas vaginalis Urina tipo I Ligeiramente turva Densidade: 1020 pH: 5,0 Depósito: escasso Nitrito: negativo Leucócitos: 3p/c Eritrócitos: 1p/c Bactérias: ++ → provavelmente por contaminação da vagina DIAGNÓSTICO (após anamnese e exame clínico): TRICOMONÍASE, DIP e HERPES SIMPLES TRICOMONÍASE (“corrimento amarelado e com odor, teste de Schiller tigróide”): protozoário flagelado (Trichomonas vaginalis) em ascensão + tem ação de elevar o pH e deixa o meio alcalino + fagocitose de fungos, vírus e bactérias do meio externo = transporte de agentes etiológicos (ex: Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e Mycoplasma genitalium - PRINCIPAIS CAUSADORES DE DIP) ao trato genital superior = facilita o desenvolvimento de DIP DIP (“útero com discreta dor à mobilização”): conjunto de processos inflamatórios da região pélvica devido a etiologia polimicrobiana (Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae e Mycoplasma genitalium) e propagação de microrganismos via canalicular (cervicite, endometrite, salpingite, ooforite, peritonite) → paciente já pode estar com peritonite, pois o movimento uterino repercute no peritônio, se doeu é porque ele pode estar irritado por pus ou sangue HERPES SIMPLES (“múltiplas vesículas dolorosas”): ardor, prurido e hiperemia dão lugar as vesículas, que após 30 dias rompem causando exulceração OBS: VAGINOSE BACTERIANA (“bacilos de Doderlein ausentes”) é frequente em mulheres com DIP, pois há alteração da microbiota vaginal, então os lactobacilos não produzem ácido lático que torna o pH vaginal ácido e impede bactérias patogênicas e o mudo cervical é modificado = facilita a ascendência de bactérias patogênicas TRATAMENTO ● Dosagens sorológicas e rastreamentos de ISTs ● Oferecer atualização do calendário vacinal ● Convocar o parceiro: fazer testagens para depois tratar TRICOMONÍASE e VAGINOSE BACTERIANA (não é IST e sim infecção endógena) ● METRONIDAZOL = ANTIPROTOZOÁRIO → penetram no citoplasma do microrganismo e ganhar elétrons (sistema oxi redutor), causando entrada de compostos que facilitam a formação de radicais livres, que são tóxicos e inibem a síntese do DNA ● TRICOMONÍASE: reavaliar em 3 meses e tratar o parceiro com o mesmo esquema terapêutico ● ORIENTAÇÕES: - Comunicar o parceiro - Abstinência de álcool durante o tratamento: efeito antabuse = interação de derivados imidazólicos com álcool gera mal-estar, náuseas, tonturas e "gosto metálico na boca" - Abstenção de atividade sexual ou uso de preservativos durante o tratamento DIP ● CEFTRIAXONA = ANTIBACTERIANO BETALACTÂMICO (cefalosporina de 3º geração) → inibem as enzimas ligadoras de peptidoglicano e consequentemente a síntese da parede bacteriana = efeito bactericida ● DOXICICLINA = ANTIBACTERIANOTETRACICLINA → age interferindo no metabolismo de bactérias, ao se ligar à subunidade 50S dos ribossomos bacterianos, impedindo a sua proliferação ● METRONIDAZOL *repete* HERPES SIMPLES ● ACICLOVIR = ANTIVIRAL → é uma pró-droga (sofre ação de enzimas): o aciclovir entra na célula infectada, sofre a ação da monofosfato timidina cinase (enzima do herpes vírus), se torna monofosfato de aciclovir, que sofre ação da guanilato ciclase (enzima celular) e se torna TRIFOSFATO DE ACICLOVIR, que inibe a síntese do DNA viral ● pomada para alívio da dor ● comprimido para melhorar mais rápido ● ORIENTAÇÕES: - Tratar o parceiro - Esclarecer sobre forma de transmissão e preocupações sobre a capacidade de ter filhos: não gera infertilidade, apenas terá que optar pelo parto cesárea caso a gestante esteja com herpes genital no momento, pois se for via vaginal o bebê pode ser infectado PORQUE PEDIR OS EXAMES? TSH SE ELEVADO = aumenta a prolactina, diminui o metabolismo e gera hiperglicemia, diminui SHBG e provoca hiperandrogenismo, diminui FSH e aumenta LH PROLACTINA Exerce feedback negativo em LH e FSH, compete com o LH pelos receptores, inibe aromatase (que converte o andrógeno em estradiol) e assim diminui seleção e maturação folicular e gera ATRESIA FOLICULAR e ANOVULAÇÃO REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO (capa verde) Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) - Ministério da Saúde 2018 https://www.hermespardini.com.br/imagens/atualiz_manual_15.pdf https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Diseas e_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243 &Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title= Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Diseas e_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243 &Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title= Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.hermespardini.com.br/imagens/atualiz_manual_15.pdf https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple https://www.orpha.net/consor/cgi-bin/Disease_Search.php?lng=PT&data_id=1011&Disease_Disease_Search_diseaseType=ORPHA&Disease_Disease_Search_diseaseGroup=243&Enfermedade(s)/grupo%20de%20enfermedades=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&title=Disgenesia-gonadal-pura-46-XX&search=Disease_Search_Simple Problema 02 PROBLEMA 2 Um momento muito esperado Abertura: 23.09 Intermediária: 27.09 Fechamento: 30.09 Janete tem 28 anos é comerciaria e está grávida do seu primeiro filho. Nos exames do primeiro trimestre apresentou uma glicemia de 94 mg/dl e sorologia para toxoplasmose IgM e IgG negativos. Hoje encontra-se de licença maternidade por estar no final da gravidez. O médico da UBSF informou que em caso de problemas ela deverá ir ao hospital, pois, segundo ele, a criança já está “pronta”. Está ansiosa, pois seu médico não irá atendê-la por não ser plantonista da maternidade. Gostaria de fazer cesariana, pois acha melhor. Fica imaginando como será na hora do parto e se seu marido poderá acompanhá-la. Há 2 dias ela se queixa que o bebê tem mexido menos, tem tido dor nas costas, endurecimento da barriga e perda de secreção vaginal mucosa. Ela se pergunta se já está na hora de ir ao hospital e se vai precisar tomar a injeção que deixa o pulmão do bebê maduro, igual a que a sua irmã tomou. PP: Como orientar a paciente sobre seu estado atual e futuro? 1 - Esclarecer os exames de rotina da gestação para definir gestação de baixo e alto risco (IPED/APAE…). → frequência das consultas 2 - Identificar possíveis riscos ao binômio materno-fetal (HA, diabetes, TORCHS). 3 - Descrever a fisiopatologia, diagnóstico e tratamento não medicamentoso da diabetes gestacional. → indicações nutricionais 4 - Descrever os critérios para avaliar a vitalidade e maturidade fetal (indicação de corticóide e definição e critérios de prematuridade). 5 - Explicar a fisiologia da grávida no 3º trimestre. 6 - Descrever o determinismo do parto e o diagnóstico de trabalho de parto. → partograma, sinais de alerta 7 - Definir o parto humanizado (o que a mulher pode decidir?). 8 - Elucidar os aspectos éticos do atendimento obstétrico e os aspectos legais da licença maternidade. → rede cegonha, licença paternidade, acompanhante, escolha da via de parto, violência obstétrica 9 - Elucidar a contracepção no puerpério e orientações no caso de amamentação exclusiva. 10 - Identificar indicações absolutas e relativas de cesariana. Objetivo 1 - Esclarecer os exames de rotina da gestação para definir gestação de baixo e alto risco (IPED/APAE…). → frequência das consultas �ame� d� Rotin� n� Gestaçã� 1º trimestre (0-13 semanas) ● Triagem IPED/APAE: sífilis, HIV, hepatite B e C, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, doença de chagas, HTLV, hipotireoidismo, anemia falciforme e outras hemoglobinopatias ● Testes rápidos: sífilis, HIV e hepatites B e C ● Hemograma Completo ● Tipagem Sanguínea e Fator Rh ● Glicemia de jejum ● Urina Tipo I ● Urocultura (se houver alguma bactéria na urina) ● NÃO OBRIGATÓRIOS: TSH, parasitológico de fezes (se paciente apresenta anemia ou reside em área endêmica de parasitoses) e rastreamento de clamídia e gonococo 2º trimestre (14-26 semanas) Se paciente com glicemia de jejum do 1º trimestre alterada (> 85 mg/dL), com IMC alto ou fator de risco para diabetes: ● 24 a 28 semanas: TESTE ORAL DE TOLERÂNCIA À GLICOSE de 75 g (TOTG-75) → diagnóstico de DMG Se mãe Rh -: ● > 24 semanas: COOMBS INDIRETO 3º trimestre (27- 40/41 semanas) A partir da 29º semana: ● 2º fase do IPED/APAE: toxoplasmose, sífilis e HIV ● Hemograma Completo ● Glicemia de Jejum ● Urina Tipo 1 ● Urocultura Frequênci� d� Consulta� ● PHPN recomenda a realização de no mínimo 6 consultas de acompanhamento pré-natal:1 no 1º trimestre, 2 no 2º trimestre e 3 no último trimestre OU ● Mensais → caderneta da gestante: até a 28ª semana - livro: até 32º semanas ● Quinzenais → caderneta da gestante: da 28ª até a 36ª semana - livro: da 32ª até a 36ª semana ● Semanais → caderneta da gestante: da 36ª até a 41ª semana - livro: da 36ª semana ao parto Gestaçã� d� Alt� Risc� aquela na qual a vida ou a saúde da mãe e/ou do feto e/ou do recém-nascido têm maiores chances de serem atingidas que as da média da população considerada ● Assistência pré-natal busca avaliar prontamente situações de risco, para que possa atuar e impedir resultado desfavorável = evita morbidade grave e morte materna ou perinatal ● Uma gestação que está transcorrendo bem pode se tornar de risco a qualquer momento, durante a evolução da gestação ou trabalho de parto = necessidade de classificar o risco a cada cada consulta pré-natal e durante o parto ● AVALIAÇÃO DA GESTAÇÃO DE ALTO RISCO: anamnese + EFG + exame gineco-obstétrico + visita domiciliar ● Existem vários sistemas de pontuações para discriminar gestantes de baixo e alto risco = nenhum com acurácia comprovada ● FATORES DE RISCO MAIS COMUNS QUE DEVEM SER IDENTIFICADOS NAS GESTANTES (servem de alerta para a equipe de saúde, para maior vigilância em relação a eventual surgimento de fator complicador): SINAIS DE ALERTA PARA RISCOS - de acordo com a CADERNETA DA GESTANTE: ● < 15 anos ou > 35 anos ● Solteira ou outro estado civil que não seja casada ou estável ● Nenhuma instrução ● Gravidez gemelar ou tripla ● Gravidez não planejada ● Ausência de suplementação com sulfato ferroso e ácido fólico ● Histórico familiar de diabetes, hipertensão e gestação gemelar ● Gestações anteriores: gravidez ectópica, >3 abortos, cesarea, natimorto ou neomorto, bebê PIg ou GIG e pré-eclâmpsia ● Uso de álcool e drogas ● Violência doméstica ● Diabetes ● Hipertensão arterial ● Infecção urinária ● Cardiopatias ● Cirurgia pélvica ● HIV ou AIDS ● Toxoplasmose ● Isoimunização Rh ● Oligo ou polidrâmnio ● Hemorragias CLASSIFICAÇÃO DA GESTANTE QUANTO AO RISCO GESTACIONAL - USF I.C. CRITÉRIOS PONTUAÇÃO Tem < 15 anos ou > 35 anos? SIM - 5 pontos Teve > 4 gestações? SIM - 5 pontos Teve 3 ou mais cesáreas anteriores? SIM - 5 pontos Já teve ≥ 2 abortos espontâneos consecutivos ou ≥ 3 intercalados? SIM - 5 pontos Gestante obesa (IMC > 30 kg/m²)? SIM - 5 pontos Tem fator RH negativo? SIM - 5 pontos Gestante aloimunizada (RH sensibilizada)? SIM - 10 pontos Foi necessário fazer exsanguíneo transfusão em bebê de parto anterior? SIM - 10 pontos Histórico de natimorto? SIM - 5 pontos Histórico de neomorto (morte até 7 dias após nascimento)? SIM - 10 pontos Histórico de parto prematuro (< 37 semanas)? SIM - 5 pontos Tem hipertensão? SIM - 10 pontos Teve hipertensão em gestação anterior? SIM - 10 pontos Teve eclâmpsia em gestação anterior? SIM - 10 pontos Tem cardiopatias? SIM - 10 pontos Tem pneumopatias? SIM - 10 pontos Tem diabetes? SIM - 10 pontos Já teve alguma doença uterina (mioma, malformação, câncer)? SIM - 10 pontos Em 2 aferições de PA nesta gestação, apresentou HA? SIM - 10 pontos BAIXO RISCO: 0 a 9 pontos ALTO RISCO: ≥ 10 pontos REFERÊNCIAS: Meus resumos de concepção Palestra de PINESC: Pré - Natal na Atenção Básica - 3º semestre Caderneta da Gestante - Ministério da Saúde Gestação de Alto Risco: Manual Técnico - Ministério da Saúde - 2012: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf Objetivo 2 - Identificar possíveis riscos ao binômio materno-fetal (HA, diabetes, TORCHS). TORCHS ● Toxoplasmose: mais comum no 3º trimestre e mais grave no 1º trimestre, ocorre por ingestão de alimentos ou contato com fezes de felinos contaminados → calcificações intracranianas, coriorretinite e microcefalia ● Rubéola: lesões eruptivas, malformações congênitas, defeitos cardíacos, surdez fetal, deficiência mental, glaucoma e defeitos dentários ● Citomegalovírus: cegueira, calcificações cerebrais, surdez, hepatomegalia, paralisia cerebral, distúrbios auditivos e neurológicos na infância ● Herpes: lesões cutâneas, nos olhos e mucosa, comprometimento do SNC, hidropsia e morte ● Sífilis: roséola, pênfigo, irritabilidade, perda de peso, surdez neurológica HIPERTENSÃO ARTERIAL ● Representa um risco maior de: alterações no fluxo sanguíneo da placenta, restrição de crescimento fetal, descolamento de placenta e parto prematuro ● Pode gerar PRÉ-ECLÂMPSIA (síndrome hipertensiva intercorrente na gestação), que é o descontrole da PA da mãe, rastreada principalmente no 2º trimestre, a partir do doppler das artérias uterinas → prematuridade DIABETES GESTACIONAL ● Risco de macrossomia, lesões, distocia ao parto (perturbação no bom andamento), obesidade infantil e doenças cardiovasculares no bebê PLACENTA PRÉVIA (repouso total): placenta de inserção/implantação baixa, na abertura do colo uterino ou parte inferior do útero → parto prematuro, hemorragia grave antes ou durante o parto ENDOCRINOPATIAS: distúrbios tireoidianos, hipofisários, hipotalâmicos e adrenais DESCOLAMENTO DA PLACENTA: pela hipertensão ou idade materna avançada ITU: possibilidade de ascensão para a placenta PERDA DE LÍQUIDO AMNIÓTICO: associada a diminuição dos movimentos do bebê, comum em gestantes com HA, diabetes ou lúpus SOFRIMENTO FETAL: diminuição do aporte oxigênio fetal (USG = ↓BCF, ↓movimentos fetais e ↓volume de líquido amniótico) por descolamento da placenta, compressão do cordão umbilical, infecção do bebê, DMG e pré-eclâmpsia. SANGRAMENTO, por: ● Descolamento prematuro da placenta: separação prematura da placenta normalmente implantada da parede uterina, comum após traumas e pode levar à morte fetal ● Placenta prévia: implantação anormal da placenta sobre o orifício interno do canal cervical ou perto dele ● Ruptura uterina ● OBS: no início do trabalho de parto ocorre sangramento escasso + muco REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Resumos da Renata, da Rafa e da Duda Objetivo 3 - Descrever a fisiopatologia, diagnóstico e tratamento não medicamentoso da diabetes gestacional. → indicações nutricionais Diabete� Mellitu� Gestaciona� (DMG) diabetes ou intolerância à glicose diagnosticada a partir de 24/ 28 semanas, no 2º ou 3º trimestre da gravidez, e que desaparece após o parto - mulheres com diabetes no 1º trimestre devem ser diagnosticadas como diabetes tipo 2 DEFINIÇÃO: doença metabólica realicionada a modificações hormonais e adaptações do metabolismo durante a gestação (contínua solicitação de glicose e ácidos graxos, essenciais para o concepto), que resulta em defeitos na secreção e/ou ação da insulina e consequentemente hiperglicemia → DMG complica 7% de todas as gestações e representa 90% dos casos de diabetes na gravidez FATORES DE RISCO: não servem para rastreamento de DMG, mas sim como ferramentas para identificar casos que tem mais chances de desenvolver resultados adversos maternos e fetais durante o pré-natal FISIOLOGIA DA GRAVIDEZ NORMAL são necessárias modificações no metabolismo materno para alcançar as demandas do rápido crescimento e desenvolvimento do feto 1º TRIMESTRE: FASE ANABÓLICA ● Depósito de gordura (pega um pouco do 2º trimestre) ● Glicemia periférica da gestante tende a diminuir (principalmente em jejum prolongado) ● Há maior produção de estrogênio, progesterona e somatomamotropina coriônica humana, em paralelo ao crescimento placentário, por isso hormônios placentários tem pouco efeito sobre metabolismo dos carboidratos 2º e 3º TRIMESTRE: FASE CATABÓLICA → ADAPTAÇÃO FISIOLÓGICA = modificações na produção de energia, que visam transferir o metabolismo energético materno da oxidação de carboidratos para o de lipídios: ● Catabolismo exagerado dos lipídios com formação de CORPOS CETÔNICOS ● AUMENTO PROGRESSIVO DA RESISTÊNCIA PERIFÉRICA À INSULINA (pela diminuição de 50% da sensibilidade dos receptores GLUT-4) = por meio da hiperplasia fisiológica,pâncreas eleva gradativamente a secreção de insulina em 200 a 250% para tentar compensar - Contribuintes da resistência insulínica: ● Progesterona, cortisol, prolactina e GH ● Hormônios placentários contrainsulínicos: - Lactogênio placentário humano - hPL: efeito diabetogênico → aumenta a glicemia, diminui o consumo de glicose e bloqueia a ação da insulina - Hormônio do crescimento placentário humano - hPGH: estimular IGF-1 que modula o crescimento fetal e aumenta o transporte de glicose ● Adipocinas (leptina, adiponectina, TNF-alfa e IL-6): eleva TNF-α e diminui a adiponectina, que já está em níveis baixos 5 anos antes da gestação em mulheres que desenvolveram DMG ● Isso preserva glicose para as demandas do feto (crescimento acelerado) → 80% do gasto energético fetal é feito pelo metabolismo da glicose = HIPOGLICEMIA de jejum na mãe ALTERAÇÕES QUE LEVAM A DMG ● DEFEITO METABÓLICO: aumenta nível de glicose no sangue = aumenta a demanda de insulina (que é máxima no 3º trimestre) → mas as CÉLULAS BETA PANCREÁTICAS estão em mal funcionamento e são incapazes de secretar os níveis de insulina necessários para atender a demanda ● OBS: NÃO É A RESISTÊNCIA INSULÍNICA QUE ESTÁ ELEVADA quando comparada à da gravidez normal EFEITOS DA DMG GESTANTE: ● Risco elevado de hipertensão e pré-eclâmpsia ● Risco de parto cesáreo ● Aumento da concentração da glicose pós-prandial FETO: ● Prematuridade ● Polidrâmnio ● Asfixia ● Macrossomia (> 4,5 kg e órgãos como fígado e coração agigantados) ● Distocia de ombros ● Tocotraumatismo: lesões em decorrência do trabalho de parto ● Hipoglicemia neonatal → pelo transporte transplacentário de glicose excessivo ● Hiperbilirrubinemia neonatal CONDUTA OBSTÉTRICA: não deixar a gravidez ultrapassar 40 +6 semanas ● Indicação de indução eletiva para que não passe de 40 + 6 semanas ● OBS: a gestação deve ser interrompida antes de 40 + 6 semanas se houver complicações maternas ou fetais CLASSIFICAÇÃO DO DIABETES NA GRAVIDEZ - SEGUNDO WHITE estabelece o prognóstico materno e o fetal, e institui as medidas terapêuticas pertinentes ● A2: insulinoterapia (de ação intermediária e fracionada em 3 tomadas) é indicada quando o controle dietético não é suficiente DIAGNÓSTICO Glicemia de jejum na 1º consulta pré-natal GLICEMIA DE JEJUM RESULTADOS CONDUTA < 92 mg/dL NORMAL Entre 24 e 28 semanas de gestação: reavaliar com o Teste Oral de Tolerância à Glicose de 75 g de 2h (TOTG-75g): ● Ingestão de 75 g de glicose anidra diluída em 100 a 200 mL de água e aferição da glicemia após 1 e 2 horas da ingestão ● Pretende ser diagnóstico ● Exige dieta livre VALORES ALTERADOS DO TOTG-75G JEJUM ≥ 92 mg/dL 1h ≥ 180 mg/dL 2h ≥ 153 mg/dL OBS: basta 1 valor alterado para o teste ser considerado positivo 92 a 125 mg/dL DMG Conduta para DG: dieta e exercícios e às vezes insulina ≥ 126 mg/dL DIABETES PRÉ-GESTACIONAL Confirmar com HbA1c e glicemia ao acaso OBS: identificar na 1º consulta pré-natal, pois (tipo 1 ou 2) compromete a mãe e o feto OUTRAS MANEIRAS DE DIAGNÓSTICO da DIABETES PRÉ-GESTACIONAL Hemoglobina Glicada (HbA1c) > 6,5% → hemoglobina formada a partir da reação entre hemoglobina e glicose que está presente naturalmente nos eritrócitos humanos, sendo útil na identificação de altos níveis de glicemia por períodos prolongados ● Gestantes com pré-diabetes (HbA1c entre 5,7 e 6,4%): tem 30% de chances de desenvolverem DMG ● Gestantes com < 5,7% de HbA1c no 1º trimestre: risco reduzido para 1/10 ● Gestantes com < 4,5% não desenvolvem DMG Glicemia ao acaso > 200 mg/dL → coletada em qualquer horário do dia e depois confirmada pela glicemia de jejum ou HbA1c ORIENTAÇÕES NÃO MEDICAMENTOSAS funcionam para 70 a 85% das mulheres e reduzem a incidência de hipertensão em 40% e distocia de ombros pela macrossomia fetal em 60% MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA DIETA: manter baixo índice glicêmico Ingestão calórica de acordo com o IMC IMC INGESTÃO CALÓRICA DIÁRIA Magras (< 19 kg/m²) 40 kcal/kg Normal 30-35 kcal/kg Sobrepeso ou obesa 24 kcal/kg ● Fazer de 5 a 6 refeições diárias, com: - Composição calórica equilibrada entre fibras, proteínas e gordura não saturada - Distribuição regular entre café da manhã, almoço, jantar e lanches ● Evitar uso de carboidratos de absorção rápida = açúcar, adoçantes não calóricos artificiais ATIVIDADE FÍSICA: ● Em gestantes sedentárias: 150 minutos por semana, dividindo em 3 dias, com não mais de 2 dias consecutivos, sendo aeróbio de intensidade moderada, atingindo 50 a 70% da FCM (frequência cardíaca máxima nas mulheres = 226 - idade) - EX: caminhadas regulares de 20 minutos por dia e/ou exercícios de movimentação dos braços ou equivalente ● Em gestantes que já praticam atividades físicas: evitar alto impacto ACONSELHAMENTO PRÉ-CONCEPCIONAL (reduz > 80% a incidência do DMG): IMC < 25 kg/m2 , dieta saudável, exercício moderado/intenso (≥ 150 min/semana) e não tabagismo ACONSELHAMENTO PÓS-CONCEPCIONAL (melhora o prognóstico da gravidez e reduz fatores de risco associados ao desenvolvimento subsequente de diabetes tipo 2): aderência a um padrão dietético saudável, amamentar por > 3 meses () ● OBS: se for primípara (1º parto) tem 48% de chances de recorrência de DMG na próxima gravidez, se for multípara, tem 73% de chances e após 5 anos, 50% das mulheres se tornam diabéticas tipo 2 REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição Isso para exames no 1º trimestre Objetivo 4 - Descrever os critérios para avaliar a vitalidade e maturidade fetal (indicação de corticóide e definição e critérios de prematuridade) Vitalidad� Feta� exames não invasivos que expressam o bem estar e a boa vitalidade fetal (bem, sem sinais de sofrimento crônico ou agudo) ou a predição de SOFRIMENTO FETAL - não mostram benefícios em gestações de baixo risco RESULTADOS NORMAIS Asseguram a continuidade da gestação até o mais próximo possível do termo, dependendo do controle clínico materno RESULTADOS ANORMAIS Reflexão sobre eventuais danos decorrentes da hipóxia e prematuridade INDICAÇÕES: situações nas quais exista risco de comprometimento da oxigenação fetal DOENÇAS MATERNAS Síndromes hipertensivas: HA crônica, doença hipertensiva específica da gestação (DHEG), HA crônica com DHEG sobreposta, síndrome HELLP, iminência de eclâmpsia e eclâmpsia Endocrinopatias: diabetes mellitus e doenças tireoidianas Cardiopatias (congênitas e adquiridas) Pneumopatias: asma e enfisema pulmonar Doenças do tecido conjuntivo: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide e dermatomiosite Nefropatias: insuficiência renal crônica, síndrome nefrótica e transplante renal Hemopatias: anemias carenciais, hemolíticas, falciforme e coagulopatias Trombofilias (congênitas e adquiridas) Desnutrição materna e obesidade Neoplasias malignas INTERCORRÊNCIAS DA GESTAÇÃO Restrição do crescimento fetal (RCF) ou crescimento intrauterino restrito (CIR) Pós-datismo ou gravidez prolongada (> 40 semanas) Antecedentes obstétricos desfavoráveis: natimorto, RCF e DPP Oligoâmnio e polidrâmnio Rotura prematura de membranas ovulares ou pré-termo (RPMO ou RPMP) Gemelaridade, síndrome da transfusão feto-fetal e gêmeos discordantes Placenta prévia e insuficiência placentária DOENÇAS FETAIS Anemias fetais: aloimunização Rh e hidropsia fetal não imune Cardiopatias fetais: bloqueios cardíacos (bloqueio atrioventricular total), arritmias e malformações cardíacas Malformações e infecções fetais Métod� Clínic� AFERIÇÃO DA ALTURA UTERINA a partir de 16 semanas ● OBJETIVO: avaliar o crescimento fetal de acordo com a IG e diagnosticar crescimentos excessivos/inadequados e correlacionar com as intercorrências ● POSIÇÃO DA GESTANTE: decúbito dorsal, com o útero na linha média e a bexiga vazia ● A FITA MÉTRICA deverá ser estendida do bordo superior da SÍNFISE PÚBICA até o FUNDO UTERINO ● CURVA precisa estar entre percentil 10 e 90 = variação de 2 cm para mais ou para menos da semana gestacional → geralmente corresponde a IG a partir de 20 semanas ● OBS:aumento costuma ser mais lento e a diminuição, mais abrupta AUSCULTA DO BCF a partir de 12 semanas ● EQUIPAMENTOS: SONAR DOPPLER a partir de 12 semanas e ESTETOSCÓPIO DE PINARD a partir de 18 semanas ● NORMAL: entre 110 e 160 bpm (não tem sincronia com batimentos maternos) ● CONDUTA: se BCF < 110, palpar o pulso radial da mãe e verificar se não confundiu os batimentos fetais e maternos → colocar a mãe em decúbito lateral esquerdo (melhora a oxigenação para o bebê) → auscultar por mais 2 minutos = se persistir, solicitar ambulância de urgência alfa (com médico) e informar que há bradicardia fetal importante → se tem >34 semanas, a gestação é interrompida MOBILOGRAMA (contagem dos movimentos fetais) de 26 a 32 semanas (Rezende) ou >34 semanas (Min. da Saúde) INDICAÇÃO: todas as mulheres com fatores de risco para prognóstico perinatal adverso MÉTODO: contagem e registro diário dos movimentos fetais a partir de: CARACTERÍSTICAS e VANTAGENS: ● Não requer tecnologia ● Simples e fácil de fazer: custo zero e sem necessidade de equipamentos ● Não invasivo ● Pode ser utilizado diariamente pela gestante: está incluso um esqueminha na caderneta da gestante ● Não tem contraindicações PASSO A PASSO: gestante se alimenta → se deita do lado esquerdo ou se senta com as mãos sobre a barriga → observa o bebê durante 1h e marca na caderneta cada vez que ele se mexer ● NORMAL = ≥ 6 movimentos/hora (MDS) ou ≥ 10 movimentos em 12 horas (Rezende) → OBS: no final da gestação é normal o bebê se mexer um pouco menos ● ANORMAL = < 6 movimentos por hora (MDS) < 6 movimentos a cada 2 h (Rezende) - PROTOCOLO: repetir o procedimento → se permanecer, a paciente deve procurar o serviço de saúde = gestação deverá receber completa avaliação materna e fetal AMNIOSCOPIA ● DEFINIÇÃO: visualização direta do aspecto do líquido amniótico através do amnioscópio ● PROCEDIMENTO: introduzir o amnioscópio pelo canal vaginal e pelo orifício externo do colo e observar LA ● ANALISAR COR: Transparente, com aspecto de “água de coco” NORMAL Achocolatado ÓBITO FETAL (pelo menos há 3 dias) Hemorrágico Hemorragia, ruptura uterina, placenta prévia Amarelo-esverdeado MECÔNIO (indica sofrimento fetal agudo e acidose metabólica, na qual bebê, se encaminhando para o óbito, libera os esfíncteres) Dourado ou opalescente Gestação pós-termo ou pós datismo ● ANALISAR: presença de grumos de aparência leitosa → indicam idade gestacional provável de 38 semanas, evidenciam maturidade pulmonar (quanto maiores e mais grossos, mais próximos do termo) Métod� Biofísic� DOPPLERVELOCIMETRIA: forma não invasiva de estudo de alterações na hemodinâmica decorrente de eventos fisiológicos ou patológicos ● US com mapeamento colorido do fluxo sanguíneo (qualitativa) + avaliação de velocidade e movimento do fluxo sanguíneo na circulação materna (artérias uterinas), fetoplacentária (artérias umbilicais) e fetal (artéria cerebral média, abdominais, renais, ducto venoso e seio transverso) ● DOPPLER DA ARTÉRIA UMBILICAL: é o teste de eleição para avaliar a insuficiência placentária no RCF - Dividido em 4 classes: NORMAL FLUXO DIASTÓLICO DE ELEVADA VELOCIDADE = circulação umbilical com baixa resistência e crescente com a evolução da gravidez (vilosidades terminais se desenvolvem e formam novos vasos) → placenta perfundindo super bem = bebê recebe o aporte que precisa ANORMAL (restrição de crescimento fetal, pré-eclâmpsia e insuficiência placentária) Alteração placentária: elevação da resistência (comprime unidades vilosas) → menos O² e nutrientes = CENTRALIZAÇÃO FETAL (feto modifica a hemodinâmica: aumenta fluxo para o cérebro e diminui para as vísceras) → diminui a taxa de filtração glomerular = menos urina CLASSE I (diástole diminuída) → avarias na vascularização dos vilos placentários CLASSE II (diástole zero) → obliteração de arteríolas musculares CLASSE III (diástole reversa) → risco de óbito fetal, cesárea de emergência = OLIGOÂMNIO = diminuição ou não evolução da altura uterina DOPPLER NORMAL DIÁSTOLE ZERO DIÁSTOLE REVERSA - Se normal + clínica está boa = sem necessidade de avaliar os demais vasos - Se alterada ou normal + clínica sugestiva de RCF (restrição de crescimento fetal) = fazer obrigatoriamente, artéria cerebral média, ducto venoso, cardiotocografia e perfil biofísico fetal ● DOPPLER DA ARTÉRIA CEREBRAL MÉDIA (ACM): avalia a circulação cerebral fetal e é indicado na RCF placentário tardio (nesse cenário não há comprometimento da artéria umbilical) - BRAIN SPARING EFFECT OU CENTRALIZAÇÃO = hipóxia fetal → redistribuição do fluxo sanguíneo → diminuição da resistência na artéria cerebral média (ACM) e aumento da resistência na artéria umbilical = manutenção da normoxia fetal e preservação de atividades biofísicas - AGRAVAMENTO DA HIPÓXIA = anoxia, acidose e sofrimento fetal, e alterações nas atividades físicas ● DOPPLER DO DUCTO VENOSO (comunica a veia umbilical com a veia cava inferior para que o sangue placentário rico em O² chegue diretamente ao AD fetal, passe pelo forame oval e atinja órgãos nobres): é realizado no abdome superior fetal → mapeamento colorido auxilia na identificação do ISTMO (local com elevada velocidade de fluxo e turbilhonamento sanguíneo) - ANORMALIDADE: ausência de fluxo diastólico na contração atrial → relacionada a: redução da contratilidade cardíaca, aumento acentuado de pós-carga e arritmias, insuficiência placentária e fetos hidrópicos ● OUTROS: - DOPPLER DA ARTÉRIA UTERINA (incorporado à ultrassonografia de 20 a 24 semanas): avaliar a resistência dos vasos que suprem a placenta, que refletem o comprometimento das ARTÉRIAS ESPIRALADAS → pré-eclâmpsia, CIR, DPP e morte fetal intrauterina RESULTADO NORMAL Valor preditivo negativo de 99% = exclui as complicações ANORMAL (ex: invasão trofoblástica inadequada que impede o remodelamento das artérias espiraladas) Média das 2 artérias uterinas com índice de resistência (RI) > 0,58 + incisuras diastólicas em ambas as artérias = risco 4 a 8 vezes maior de pré-eclâmpsia, CIR e óbito perinatal - DOPPLER DE VEIA UMBILICAL: pulsações na veia umbilical só estão presentes até a 10º semana, quando o fluxo contínuo se estabelece ● NORMAL: pulsações monofásicas na ausência de outras alterações ● ANORMALIDADE: pulsação bifásica ou trifásica → associada a disfunção cardíaca, descompensação cardíaca fetal, fluxo retrógrado (do átrio direito a veia umbilical), fetos hidrópicos (70% evoluem para morte fetal) CARDIOTOCOGRAFIA (CTG) - muito utilizada no período ANTEPARTO e em repouso, é de fácil uso e não tem risco a saúde materna e fetal ● Registra em gráficos: BCF, contrações uterinas, movimentos fetais, aceleração e desaceleração ao longo do tempo ● INDICAÇÕES: diabetes sem complicação vascular, pós-maturidade fetal e DPP crônico → depois do 2º trimestre (> 26 semanas), quando SNA simpático e parassimpático se formam, interagem e regulam a FCF/ frequência cardíaca fetal (<26 semanas = imaturidade prejudica a interpretação dos traçados) ● RESULTADO: BRADICARDIA = < 110 bpm → sofrimento fetal NORMAL (normocárdico) = FCF entre 110 e 160 bpm TAQUICARDIA = > 160 bpm → sofrimento fetal Linha azul = contrações uterinas X = sinaliza cada vez que o bebê mexer e mãe apertou o botão Podemos ver quando acelera, quando recupera ● TESTE DA ACELERAÇÃO: realizado 1 a 2 vezes por semana → cardiotocografia: REATIVA (em 20 min de traçado) boa vitalidade fetal ≥ 2 acelerações ao movimento fetal Amplitude ≥ 15 bpm ● Pré-termo (<32 sem): ≥ 10 bpm Duração ≥ 15 s ● Pré-termo (<32 sem): ≥ 10 s NÃO REATIVA (em 20 min de traçado) comprometimento da vitalidade fetal ● Pode ser estendido para 40 min < 2 acelerações = feto hipoativo → sono fisiológico ou anormalidades (hipóxia, uso de drogas) ● CARDIOTOCOGRAFIA ESTIMULADA: método complementar para quando a cardiotocografia de repouso apresenta resultado suspeito - ESTIMULAÇÃO POR 3 SEGUNDOS: vibro acústica (fonte sonora sobre o abdome materno na região correspondente ao polo cefálico), mecânica (movimentaçãodo polo cefálico) ou vibratória → muda o estado de sono fetal para o de vigília = propicia alterações na FCF (aceleração), diminuindo os resultados falso negativos ● CARDIOTOCOGRAFIA COMPUTADORIZADA: pode ser utilizada no crescimento intrauterino restrito por insuficiência placentária e mede a variabilidade da FCF de duas maneiras: VARIAÇÕES DE LONGA DURAÇÃO (long-term variation – LTV) em bpm - VARIAÇÃO DE CURTA DURAÇÃO (short-term variation – STV) em ms STV > 4 ms = afasta a acidemia fetal ou a possibilidade de morte intrauterina STV < 4 ms = indica graus variáveis de acidemia PERFIL BIOFÍSICO FETAL (PBF) ● Baseia-se na hipótese de que as atividades biofísicas fetais refletem a integridade e o grau de oxigenação do SNC = associa variáveis, antes analisadas separadamente, para melhorar a predição do sofrimento fetal ● INDICAÇÃO: avaliar o pós-maduro na gravidez prolongada, acompanhar a vitalidade fetal no diabetes sem complicação vascular (que em vez de exibir oligoidramnia, mostra polidramnia/macrossomia) ● MÉTODO: observa 4 variáveis sonográficas durante 30 min de exame: VARIÁVEIS CRITÉRIO PONTUAÇÃO INCLUI: aceleração da frequência cardíaca fetal (FCF) - observada pela CARDIOTOCOGRAFIA 2 acelerações PARA CADA VARIÁVEL: 0 = ausente - alterado 2 = presente - normal NORMAL: de 8 a 10 (desde que o vLA receba 2) EQUIVOCADA: 6 = refazer em 6h e persistir, Movimento respiratório fetal (MRF) 1 episódio contínuo com 30 s de duração Movimento fetal 3 movimentos do corpo ou dos membros Tônus 1 episódio de extensão/flexão dos membros ou de tronco ou abertura e fechamento das mãos pensar em uma resolução para a gestação ANORMAL: ≥ 4 Volume do líquido amniótico (vLA) POLIDRAMNIA: > 8 cm NORMAL: Bolsão vertical ≥ 2 cm até 8 cm OLIGOIDRAMNIA: < 2cm Maturidad� Feta� se restringe a investigação da maturidade pulmonar e necessita de amostras de líquido amniótico coletadas por amniocentese = procedimento invasivo e com riscos OBS: surfactante começa a ser produzido na 24ª semana, é armazenado nos corpos lamelares dos pneumócitos tipo II e é liberado na 32ª semana ● Estresse fetal e hipertensão: produz mais surfactante (pelo cortisol) ● Diabetes gestacional: inibe a produção de surfactantes TESTE DE CLEMENTS avaliação QUALITATIVA de lecitina (fosfolipídio de atividade surfactante) no líquido amniótico ● PRINCÍPIO: misturar lecitina ao etanol, fazer 3 tubos com diluições crescentes, agitar e esperar 15 min, formarão bolhas bolhas estáveis → diluição mais utilizada é a 1:2, porém a 1:1 possibilita separar casos intermediários e negativos ● RESULTADOS: POSITIVO/MADURO Bolhas estáveis nos 3 tubos Índice de membrana hialina: 0,5% DUVIDOSO Bolhas nos 2 primeiros tubos Índice de membrana hialina: 15% 3 tubos negativos ou apenas 1 positivo NEGATIVO/IMATURO Índice de membrana hialina: 30 a 80% DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO LECITINA/ESFINGOMIELINA (L/E) avalia a concentração de lecitina (fosfolipídio de atividade surfactante) no líquido amniótico - não é confiável na gestação de diabéticas ● Relação L/E NEGATIVA: < 2,0 → pode haver SARI (síndrome de angústia respiratória idiopática - origem desconhecida) - Falsos-negativos são comuns (>40%) ● Relação L/E POSITIVA: ≥ 2,0 → não deve ocorrer SARI - Falsos-positivos são raros DETERMINAÇÃO DE FOSFATIDILGLICEROL (FG): FG é um importante potencializador da ação surfactante da lecitina e quando está ausente pode contribuir para o desenvolvimento da SAR Maturidad� Pulmonar ● Atualmente é rara a indicação de amniocentese para avaliá-la ● Exames se tornaram obsoletos com a administração universal de corticoide entre 24 a 34 semanas MEDICAMENTOS DISPONÍVEIS ● Betametasona 12 mg IM, 2 aplicações com intervalo de de 24h ● Dexametasona 6 mg IM, 4 aplicações de 12 em 12h INDICAÇÕES: toda mulher com risco de parto prematuro que não tenha contraindicações = auxilia na prevenção de desfechos respiratórios adversos CONTRAINDICAÇÕES: infecções maternas e ovulares, parto iminente, diabetes mellitus não compensado e úlcera péptica MECANISMO DE AÇÃO DOS CORTICOSTERÓIDES: atuam em receptores pulmonares fetais nos PNEUMÓCITOS TIPO 2 → acelera produção de fosfatidilcolina (principal componente do surfactante, elevação de sua concentração depende da produção local e da redução da degradação) = maturidade pulmonar ● Efeito se inicia após 24h do esquema terapêutico completo e persiste por 7 dias ● OUTRAS AÇÕES: estabilidade circulatória e menor frequência de hemorragias cerebrais, enterocolite necrosante, necessidade de ventilação mecânica e infecções sistêmicas nas primeiras 48h BENEFÍCIOS DA TERAPÊUTICA ANTENATAL COM CORTICOSTERÓIDES: ● Redução da incidência de 40 a 60°/o de membrana hialina (RN com pulmão imaturo que precisa de oxigênio extra para respirar) ● Menor gravidade da síndrome da angústia respiratória ● Maior sobrevida dos RN prematuros: melhora da estabilidade circulatória ● Necessidade reduzida de oxigenação e suporte ventilatório ● Melhores respostas terapêuticas ao surfactante neonatal EFEITOS ADVERSOS (pela falta de especificidade, pois atinge também tecidos cerebrais, intestinos, pâncreas e pele): infecções maternas e neonatais, supressão da adrenal fetal, alterações cardiotocografias (diminuição da variabilidade dos batimentos cardíacos fetais), redução do perímetro cefálico e do peso ao nascer, má adaptação fetal à hipoxia e alterações de comportamento na infância Prematuridad� CONCEITO: RN vivo de parto pré-termo ocorrido antes de 37 semanas de gestação completas (< 259 dias) 2/3 dos RN pré-termo são de baixo peso (< 2.500 g) Baixo peso < 2.500 g Muito baixo peso < 1.500 g Baixo peso extremo < 1.000 g SUBGRUPOS DO PRÉ-TERMO (<37 semanas) Pré-termo extremo < 28 semanas (5%) → maior morbidade e mortalidade neonatal Muito pré-termo 28 a 30 +6 semanas (15%) Pré-termo precoce 31 a 33 +6 semanas (20%) Pré-termo tardio (PTT) 34 a 36 +6 semanas (60%) SUBGRUPOS DO A TERMO (entre 37 a 41+6 semanas) A termo precoce (TP) 37 a 38 +6 semanas Muito pré-termo 39 a 41 +6 semanas PÓS-TERMO (> 42 semanas) PREMATURIDADE SEGUNDO A EVOLUÇÃO CLÍNICA: ● ESPONTÂNEA (75% dos casos): trabalho de parto prematuro de etiologia multifatorial ou desconhecida, dificultando estratégias preventivas → ● ELETIVA (25% dos casos): gestação interrompida em virtude de complicações maternas e/ou fetais → doença hipertensiva específica da gestação (DHEG), restrição do crescimento fetal (RCF) ou sofrimento fetal DETERMINISMO DO PARTO PRÉ TERMO: é o mesmo da parturição a termo, exceto pela idade da gravidez na qual ocorre. Os componentes uterinos incluem exacerbação da contratilidade uterina, amadurecimento do colo do útero (apagamento e dilatação) e ativação membrana/decidual. Também está relacionado com colonização bacteriana coriodecidual com liberação de endo e exotoxinas que iniciam o processo REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_pre_natal_baixo_risco.pdf http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/01/Caderneta-Gest-Internet.pdf https://www.abenforj.com.br/site/arquivos/manuais/304_Manual_Pre_natal_25SET.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/agosto/31/Caderneta-da-Gestante-2 018.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/atencao_pre_natal_baixo_risco.pdf http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2016/marco/01/Caderneta-Gest-Internet.pdf https://www.abenforj.com.br/site/arquivos/manuais/304_Manual_Pre_natal_25SET.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/agosto/31/Caderneta-da-Gestante-2018.pdf https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/agosto/31/Caderneta-da-Gestante-2018.pdf Objetivo 5 - Explicar a fisiologia da grávida no 3º trimestre. Modificaçõe� materna� n� 3º trimestr� ENDOCRINOLOGIA DA GESTAÇÃO: ● PARTE OVARIANA: < 8a 9 semanas → corpo lúteo é estimulado pela gonadotrofina coriônica humana (hCG) e é o principal responsável pela secreção de esteróides (estrógeno e progesterona) ● PLACENTÁRIA: > 9 semanas → placenta assume a produção de esteróides (estrógeno e progesterona) em quantidades crescentes = exercem feedback negativo na adeno-hipófise durante toda a gestação (menos FHS e LH impedem que outro conjunto de folículos se desenvolva) POSTURA E DEAMBULAÇÃO: ● MARCHA ANSERINA = pelve se apoia na parede abdominal e as mamas pesam no tórax + gestante empina a barriga para manter o equilíbrio = centro de gravidade se desvia para frente e o corpo se projeta para trás → pés se afastam e músculos que não costumavam ter função nítida passam a atuar ● LORDOSE (curvatura interna aumentada) da coluna lombar ● RELAXINA (secretada pela placenta): frouxidão dos ligamentos, especialmente as sacroilíacas e da sínfise pubiana (pode alargar 4 mm nas primíparas e 4,5 mm nas multíparas) → estabiliza o corpo e a nova postura ● DESCONFORTO AO CAMINHAR: ligamentos, principalmente da pelve e quadril ficam distendidos METABOLISMO GLICÍDICO: aumento da resistência insulínica, uso de ácidos graxos livres (AGL) para fonte energética materna, poupando glicose para o feto = ⬆ Gliconeogênese (formação de novo açúcar) METABOLISMO LIPÍDICO: se torna catabólico ● Acúmulo de gordura cessa e lipídeos são transformados em glicose, gerando CORPOS CETÔNICOS que são utilizados pelos tecidos maternos como fonte alternativa = poupa glicose para o feto ● OBS: quando mãe está em jejum, feto também aproveita os CORPOS CETÔNICOS, que passam livremente pela placenta SISTEMA CARDIOVASCULAR e SANGUÍNEO ● Aumento do DC em 10 a 20%: 7 l/min ● Aumento da FC em 10 a 15 bpm ● Aumento da PA ● DIMINUIÇÃO DO RETORNO VENOSA ou síndrome de Hipotensão Supina: quando a mulher está em posição supina/decúbito dorsal, o útero comprime a veia cava inferior e impede o retorno venoso = perda de consciência ou edema nos membros inferiores → deitar em decúbito lateral esquerdo para restaurar o DC ● PARA EVITAR PERDA SANGUÍNEA EXCESSIVA NO PARTO: - ↑ plaquetas (trombocitose) + ↑ fibrinogênio + ↓ atividade fibrinolítica = hipercoagulabilidade (aumenta o risco de trombose) - ↑ ingestão e absorção intestinal de Ferro SISTEMA URINÁRIO: incontinência urinária, oligúria e propensão a infecções → pressão que o útero exerce sob rins e bexiga compromete drenagem de sangue e linfa da base da bexiga = área edemaciada e facilmente traumatizada SISTEMA RESPIRATÓRIO: pressão mecânica do útero engrandecido ● Diminuição da complacência da parede torácica ● Diâmetro torácico aumentado: latero-lateral e antero-posterior ● HIPERVENTILAÇÃO: aumento do consumo de oxigênio em 15 a 20% para oxigenar o organismo materno e a massa fetal adicional ● DISPNÉIA: crescimento do útero = estômago e fígado contra o diafragma + ELEVAÇÃO DO DIAFRAGMA → reduz o tamanho do pulmão no sentido céfalo-caudal = diminui volume de reserva expiratório e volume residual ● Aumento da FR e ritmo: ação da PROGESTERONA nos centros respiratórios SISTEMA ENDÓCRINO: ↑ fisiológico volume tireoidiano materno, decorrente da hiperplasia e maior vascularidade, pois gonadotrofina coriônica (hCG) tem ação tireotrófica e estimula a produção materna da tireoxina (T4) livre, importante para o desenvolvimento normal do cérebro fetal SISTEMA TEGUMENTAR: ● Estrias no abdome e nos seios, inicialmente vermelhas, mas que se tornam brancas ● Hiperpigmentação da linha nigra SISTEMA DIGESTÓRIO: ● HEMORRÓIDAS e CONSTIPAÇÃO: progesterona relaxa a musculatura lisa e diminui a atividade dos intestinos = ATONIA DO TGI MAMAS: ação de hormônios estrógeno, progesterona e prolactina ● Aumento do volume mamário e sua rede arterial e venosa ● Secreção de colostro SISTEMA NERVOSO: SONOLÊNCIA pelo aumento hormonal, hiperventilação, alentecimento psicomotor, labilidade emocional e insegurança REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Tratado de Fisiologia Médica - Guyton - 12º edição Fisiologia Humana - Silverthorn - 7º edição Objetivo 6 - Descrever o determinismo do parto. Determinism� d� Part� parturição humana é um evento único e distinto HORMÔNIO LIBERADOR DE CORTICOTROFINA: “RELÓGIO PLACENTÁRIO” na época do parto ocorre a expressão do gene regulador da produção de CRH/CRF (hormônio/fator liberador da corticotrofina), que é sintetizado pelo trofoblasto → associado ao desenvolvimento da placenta SINCICIOTROFOBLASTO LIBERA CRH, progesterona e estrogênios no ESPAÇO INTERVILOSO: chega ao sangue materno e fetal CRH NA MÃE ● CORTICÓIDES (cortisol) circulam pela artéria materna e alcança o espaço interviloso → aceleram a expressão do gene CRH → CRH é secretado pelo sinciciotrofoblasto (predominantemente no sangue materno) → estimula a HIPÓFISE a secretar ACTH (hormônio adrenocorticotrófico ou corticotrofina) → age no córtex da SUPRARRENAL = liberação de CORTISOL e produção de DEIDROEPIANDROSTERONA ou DHEA (substrato para a síntese dos estrogênios placentários) = acelera a produção de hormônio pela placenta ● A TERMO: CRH circula no plasma materno e aumenta conforme o avanço da gestação, atingindo seu máximo no momento do parto - PRÉ-TERMO: aumento exponencial rápido - PÓS-TERMO: elevação é lenta CRH NO FETO: veia umbilical carreia CRH para a circulação fetal → estimula a HIPÓFISE fetal → produção de ACTH → SUPRARRENAL sintetiza CORTISOL, que faz: ● AMADURECIMENTO PULMONAR: provoca maior produção da proteína SURFACTANTE A E FOSFOLIPÍDEOS, que tem ação pró-inflamatória (nas membranas fetais, colo e miométrio) = se deslocam do líquido amniótico para o ÂMNIO → atuam na síntese de COX-2 (ciclo-oxigenase-2) e PROSTAGLANDINA E2 (PGE2), que atravessam o CÓRIO e a DECÍDUA → células miometriais sintetizam COX-2 adicional e PROSTALGANDINA 2α (PG2α) = CONTRAÇÃO MIOMETRIAL ● FEEDBACK POSITIVO: produção de + CRH placentário, que estimula a produção de DEIDROEPIANDROSTERONA ou DHEA, substrato para a ESTEROIDOGÊNESE placentária (é rapidamente metabolizado na placenta em estrogênios) = favorece formação de JUNÇÕES COMUNICANTES entre as células miometriais = maior condução elétrica e contrações uterinas regulares ATIVAÇÃO DO MIOMÉTRIO A TERMO PROTEÍNAS QUE AUMENTAM A EXCITABILIDADE DO MIOMÉTRIO ● ANTES DO PARTO: - MIÓCITOS mantêm eletronegatividade interior com o auxílio da bomba de sódio e potássio (expulsa 3 íons de sódio e deixa 2 íons de potássio entrarem) = reduz possibilidade de despolarização e contração (estado hiperpolarizado) - CANAIS DE POTÁSSIO: são mantidos pelos simpaticomiméticos β2 e permitem que o potássio deixe a célula = aumenta ainda mais a eletronegatividade intracelular e torna a membrana mais resistente a despolarização ● PARTO: ocorrem mudanças na distribuição e função dos CANAIS DE POTÁSSIO = reduz a intensidade do estímulo necessário para despolarizar os miócitos e produzir influxo de cálcio = CONTRAÇÕES PROTEÍNAS QUE PROMOVEM A CONDUTIBILIDADE INTERCELULAR - JUNÇÕES COMUNICANTES: ● MIÓCITOS do miométrio são conectados por JUNÇÕES COMUNICANTES, pelas quais atravessam íons e metabólitos, mas tem baixa condutividade ● PRÓXIMO AO PARTO (extensa rede de conexões): estímulo estrogênico + estiramento uterino + liberação parácrina de PGF2α e de cálcio = aumenta a quantidade de JUNÇÕES COMUNICANTES (formadas por multímeros da CONEXINA 43), que aumentam a sincronização da atividade elétrica, permitindo que a despolarização dos miócitos individuais atinja as células vizinhas - fundamental para: - As fortes contrações miometriais: ondas de despolarização e contração atingem grandes áreas do útero → AUMENTA A PRESSÃO INTRAUTERINA = PROGRESSIVA DILATAÇÃO DO COLO e EXPULSÃO FETAL - O período de relaxamento = possibilita fluxo de sangue ao feto, que é prejudicado na contração ● OBS: não há marcapasso clássico que regule as contrações PROTEÍNAS QUE PROMOVEM A CONTRAÇÃO DO MIÓCITO: a interação entre a actina e a miosina determina a contração do miócito ● ANTES DO PARTO: MIÓCITOS são mantidos relaxadospor simpaticomiméticos b2 e PGF2, que aumentam a concentração da AMP cíclica (cAMP) → ativa a proteinoquinase A (PKA), que ativa a fosfodiesterase = desfosforilação da miosina de cadeia leve (sendo a fosforilação essencial para a contração do miócito) ● PARTO: PGF2α e a ocitocina se ligam aos receptores de membrana do MIÓCITO → abertura dos canais de cálcio dependentes de ligantes + liberação de cálcio armazenado no retículo sarcoplasmático (ação da IP3, estimulada pela PGF2α) = abertura de canais de cálcio dependentes de voltagem = alta concentração de cálcio intracelular = DESPOLARIZAÇÃO - ACTINA altera sua conformação globular para fibrilar (requerida pela contração) → se liga ao citoesqueleto pelos corpos densos (actinina-α) da membrana celular = desenvolvimento de tensão durante a contração - Cálcio intracelular ativa a enzima MLCK, que fosforila/ativa a MIOSINA - CONTRAÇÃO: DESLIZAMENTO dos filamentos de actina sobre os de miosina ATIVAÇÃO MIOMETRIAL PARTICIPAÇÃO FETAL: ● GESTAÇÃO: útero cresce sob a ação de estrogênios = espaço para o desenvolvimento fetal ● FINAL DA GESTAÇÃO: crescimento uterino cessa e tensão em suas paredes aumenta = estiramento determina contração na musculatura lisa = SINALIZAÇÃO PARA O INÍCIO DO PARTO - Por isso ocorrem partos prematuros em: gestação gemelar, macrossomia fetal e polidrâmnio = sobredistensão do miométrio ATIVAÇÃO DA MEMBRANA (ÂMNIO) FETAL: ● Contato direto do ÂMNIO com o LÍQUIDO AMNIÓTICO possibilita que os constituintes do LA o acessem: proteína surfactante A, fosfolipídios e citocinas inflamatórias = elevam a atividade da COX-2 e produção de PGE2 no âmnio e de PGF2α no miométrio → prostaglandinas medeiam a liberação de METALOPROTEINASES DA MATRIZ (MMP) = enfraquecem as membranas fetais, facilitando sua ruptura AMADURECIMENTO CERVICAL: precede o início das contrações uterinas de várias semanas ● DURANTE A GESTAÇÃO: colo é uma barreira rígida que isola o ambiente intrauterino de infecções ascendentes ● PRÓXIMO AO PARTO (amadurecimento do colo): macrófagos e neutrófilos (pela ação da IL-8) infiltram o cérvice e causam um processo inflamatório, produzem citocinas e metaloproteinases de matriz = digestão das proteínas de matriz celular + diminuição da concentração de colágeno + aumento da concentração total de água + substituição das glicosaminoglicanas hidrofóbicas do tecido conjuntivo por ácido hialurônico hidrófilo → se transforma em um órgão amolecido, distensível e dá passagem ao feto durante parturição RETIRADA DA PROGESTERONA: ● DURANTE GESTAÇÃO: progesterona age no endométrio e possibilita a implantação e posteriormente mantém o miométrio quiescente ● PARTO: nível da progesterona não cai no início, mas ela tem “retirada funcional” ou queda local no ambiente miometrial: - Progesterona tem diversos tipos de receptores: B (mais comum, medeia as ações da progesterona), A e C (funcionam como repressores do B) → proporção de receptores se altera = mais A e C e menos B = mecanismo de retirada da progesterona PAPEL DA OCITOCINA: não tem papel atuante no determinismo de parto, não aumenta com a proximidade do parto ● É importante no período expulsivo e no secundamento (quando dilatação cervical estimula sua secreção em pulsos pela neuro-hipófise materna) ● PROXIMIDADE DO PARTO: ocitocina não aumenta, mas ESTRÓGENO acrescenta mais receptores de ocitocina (OTR) proteína-G acoplados nas células miometriais = ligação de ocitocina em seu receptor → membrana plasmática dissocia subunidades da proteína-G → libera IP3 → mobiliza o cálcio armazenado no retículo sarcoplasmático INFLAMAÇÃO E INÍCIO DO PARTO: aumento nos fatores inflamatórios (COX-2 e IL-8) são eventos iniciais para a progressão do parto ativo RESUMO = Visão panorâmica do mecanismo do parto - O aumento na síntese do hormônio liberador da corticotrofina (CRH) condiciona a produção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e de cortisol na mãe e no feto. O aumento do cortisol estimula a produção de CRH, gerando feedback positivo e consequente aumento exponencial na síntese do CRH. O aumento no cortisol fetal leva à maturação pulmonar e elevação da proteína surfactante A e dos fosfolipídios. O cortisol e a proteína surfactante A ativam vias inflamatórias no âmnio, determinando o amadurecimento cervical e a excitação miometrial. A estimulação miometrial envolve a retirada progesterônica e a elevação na produção da ciclo-oxigenase-2 (COX-2), que sintetiza prostaglandinas (PG) e promove a contração. O crescimento fetal e o consequente estiramento do miométrio, combinados com a retirada da progesterona, promovem a contratilidade uterina. PAPEL DAS MEMBRANAS FETAIS: ● TERMO: estresse oxidativo e crescente estiramento → liberação pró-inflamatória de DAMPs (padrão molecular associado à lesão), proteína do grupo de caixa 1 de alta mobilidade (HMGB1), fragmentos do telômero das células fetais livres (cfDNA) e fenótipo secretor associado à senescência (SASP) → atrapalha o balanço homeostático de transição de tecidos maternos quiescentes = aceleração da senescência do âmnio (declínio nas habilidades funcionais e morfológicas) → se propaga para outros tecidos materno fetais (cório, decídua, miométrio, colo) = FENÓTIPO DE PARTO: - Ativação imune decidual, quimiotaxia, ativação de leucócitos e de células NK - Retirada funcional da progesterona miometrial - Amadurecimento cervical pela ativação inflamatória cascata endócrina da parturição REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Partograma - página 400 do pdf do rezende OBJETIVO 7 - Definir o parto humanizado (o que a mulher pode decidir?). Part� Human�ad� É um processo de assistência e respeito à mãe e ao bebê, que torna o parto mais humano e aconchegante ● Respeita as escolhas da mulher ● Faz o mínimo de intervenção possível e não se busca acelerar o nascimento ● Considera-se parto cesária, aplicação de hormônios ou anestesia apenas se for da vontade da mulher ou houverem riscos para a vida da mãe e bebê ● Mulher é livre para ficar na posição que desejar ● PAPEL DA EQUIPE MÉDICA = acompanhar e auxiliar, respeitar as escolhas da mulher e comunicá-la sobre qualquer intervenção necessária OBSERVAÇÕES: ● Pode ser feito em hospital ● Parto normal (via vaginal) não é necessariamente um parto humanizado: direitos podem ser violados ● Cesárea pode ser humanizada OUTROS FATORES: NÃO REALIZAR PROCEDIMENTOS DANOSOS E INEFICAZES ● Imobilização ● Posição horizontal durante o parto ● Episiotomia ● Utilização do soro e punção venosa ● Esforços expulsivos dirigidos (mandar a mulher fazer força) ● Administração de ocitocina para acelerar o trabalho de parto ● Manobra de Kristeller (pressão no útero) ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ PORTARIA Nº 371, DE 7 DE MAIO DE 2014 - diretrizes para a organização da atenção integral e humanizada ao RN no SUS PARA O RN A TERMO COM RITMO RESPIRATÓRIO NORMAL, TÔNUS NORMAL E SEM LÍQUIDO MECONIAL: mantê-lo junto a mãe com supervisão da equipe responsável ● Clampeamento tardio do cordão umbilical: após cessadas suas pulsações (de 1 a 3 min) - Exceto em casos de mães isoimunizadas ou HIV HTLV positivas = clampeamento imediato ● Assegurar o contato pele a pele imediato e contínuo com a mãe: colocar RN de bruços sobre abdômen/tórax materno e cobri-lo com uma coberta seca e aquecida → ambiente em torno de 26 graus para evitar a perda de calor ● Postergar procedimentos de rotina (exame físico, pesagem, demais medidas antropométricas, profilaxia da oftalmia neonatal e vacinação) na 1h de vida ● Estimular o aleitamento materno na primeira hora de vida - Exceto em casos de mães HIV ou HTLV positivas REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição https://www.unasus.gov.br/noticia/maternidades-do-sus-passam-ter-novas-regras-para-par to-humanizado https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2014/prt0371_07_05_2014.html https://minutosaudavel.com.br/parto-humanizado/ https://www.unasus.gov.br/noticia/maternidades-do-sus-passam-ter-novas-regras-para-parto-humanizadohttps://www.unasus.gov.br/noticia/maternidades-do-sus-passam-ter-novas-regras-para-parto-humanizado https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/sas/2014/prt0371_07_05_2014.html https://minutosaudavel.com.br/parto-humanizado/ Objetivo 8 - Elucidar os aspectos éticos do atendimento obstétrico e os aspectos legais da licença maternidade. → rede cegonha, licença paternidade, acompanhante, escolha da via de parto, violência obstétrica Red� Cegonh� Instituída pela PORTARIA Nº 1.459, DE 24 DE JUNHO DE 2011 - assegura à mulher o direito ao planejamento reprodutivo e atenção humanizada na gravidez, parto e puerpério, e à criança o direito ao nascimento seguro e crescimento e desenvolvimento saudáveis PRINCÍPIOS e OBJETIVOS ● Respeito aos direitos humanos, à diversidade cultural, étnica e racial ● Garantia dos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres, homens, jovens e adolescentes ● Implementar novo modelo de atenção à saúde da mulher e da criança = foco na atenção ao parto, nascimento, crescimento e desenvolvimento da criança (0 a 2 anos) ● Reduzir a mortalidade materna e infantil ● COMPONENTES: - Pré-natal - Parto e nascimento - Puerpério e atenção integral à saúde da criança - Sistema logístico Direit� d� Gestant� ● Acolhimento às intercorrências na gestação com avaliação e classificação de risco e vulnerabilidade ● Realização dos exames de pré-natal de risco habitual e de alto risco e acesso aos resultados em tempo oportuno ● Prevenção e tratamento das ISTs ● Práticas de atenção à saúde baseada em evidências científicas ● Programas educativos relacionados à saúde sexual e à saúde reprodutiva ● Orientação e oferta de métodos contraceptivos ● Apoio nos deslocamentos para as consultas de pré-natal e para o local em que será realizado o parto ● Vinculação PRÉVIA ao local em que será realizado o parto: tem direito de saber e ter assegurado o acesso à maternidade em que será atendida → modelo "Vaga Sempre" ● Ambiência das maternidades: cores harmônicas, conforto luminoso, térmico e acústico → voltada para a atenção acolhedora, resolutiva e humana ● Garantia de acompanhante (INDICADO PELA PARTURIENTE) durante TODO o acolhimento, TRABALHO DE PARTO, PARTO e PÓS-PARTO IMEDIATO - Garantido por lei: LEI Nº 11.108, DE 7 DE ABRIL DE 2005 ● Acompanhamento da puérpera e da criança com visita domiciliar na 1º semana após o parto/nascimento ● Nas situações de urgência: acesso ao transporte seguro para gestantes, puérperas e RN de alto risco → SAMU Cegonha (ambulâncias de suporte avançado devidamente equipadas com incubadoras e ventiladores neonatais) ● À assistência ao parto e ao puerpério de forma humanizada e segura: - Mulher como protagonista de suas escolhas - Técnicas de relaxamento para dor (massagem, músicas) - Garantir a presença de pediatra na sala de parto - Admitir a visita do pai sem restrição de horário ● Todo RN tem direito à assistência neonatal de forma humanizada e segura Licenç� Maternidad� período em que a mulher prestes a ter um filho, que acabou de ganhar bebê, que sofreu aborto espontâneo, ou adotou uma criança, permanece afastada das atividades profissionais, sem prejuízo do emprego e de remuneração ● SURGIMENTO: 1943 com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) → inicialmente 84 dias pago pelo empregador ● 1973: Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomendou que os custos fossem pagos pelos sistemas de previdência social ● 1988: licença-maternidade de 120 dias garantida → É UM DIREITO, independe se a criança nasce morta, ou vive por dias/horas/minutos e depois morre - não se vincula ao estado civil = gestação causa transtornos físicos e também psíquicos DURAÇÃO: ● 120 dias (4 meses) no caso de: - Parto - Adoção de menor de idade → adaptação - Guarda judicial para fins de adoção - Natimorto (morte do feto dentro do útero ou no parto) - Neomorto (morre até 7 dias ou 1 mês de vida) - OBS: ● Servidoras públicas (vínculo de trabalho com órgãos governamentais) tem licença de 180 dias (6 meses) ● Lei Federal nº 11.770, de 9 de setembro de 2008: Funcionárias de empresas que aderiram o programa “Empresa Cidadã” (mediante a incentivo fiscal) podem pedir prorrogação por 60 dias = 180 dias ou 6 meses (120 + 60) ● Consolidação das Leis do Trabalho – art. 396, parágrafo único: se saúde do filho exigir (ex: prematuridade) o período de 6 meses poderá ser estendido ● É possível juntar férias com a licença maternidade, desde que a mulher tenha períodos de férias para tirar ● 14 dias no caso de: - Aborto espontâneo - Aborto previsto em lei (estupro, anencéfalo ou risco de vida e saúde para a mãe) QUANDO COMEÇA A CONTAR? a partir do momento que a mulher se afasta do trabalho ● Geralmente: 1º dia do 9º mês de gestação → salvo por antecipação médica ● A partir da data de adoção ou aborto SALÁRIO MATERNIDADE: pago pelo empregador (no caso de trabalhadoras com carteira assinada), ou pelo INSS (para quem contribui por conta própria) ● VALOR: - Trabalhadoras com carteira assinada, avulsas e empregadas domésticas: mesmo valor de seu salário → sem exigência - Contribuinte individual, facultativa, MEI e desempregada: INSS faz uma média (soma os últimos 12 salários de contribuição dentro de 15 meses e divide por 12) → exigência: pelo menos 10 meses de contribuição com o INSS “LICENÇA AMAMENTAÇÃO”: mães (que deram a luz ou que adotaram crianças) têm por lei o direito a 2 pausas de 30 minutos cada durante a jornada de trabalho, até o filho completar 6 meses → OBJETIVO: amamentar ● Empresa pode: - Juntar as 2 pausas e reduzir a jornada de trabalho em 1 hora → mulher chega 1h mais tarde ou sai 1h mais cedo - Estender a licença-maternidade em 15 dias (soma de todas as pausas de 30 minutos que ela teria direito) → permite que mãe fique mais em casa para amamentar o bebê ● IDEAL: sala de apoio a amamentação, com higiene e equipamentos necessários para amamentação e ordenha IMPORTANTE ● GARANTIA DO EMPREGO: é vedada a dispensa arbitrária (que não se funda em sérias razões) ou sem justa causa da mulher durante gestação e lactação, desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto → Ato das disposições constitucionais transitórias – art. 10, inc. II, alínea b ● CRECHE: todo estabelecimento que empregue mais de 30 mulheres > 16 anos deverá ter local apropriado para guardar os filhos sob vigilância e assistência no período de amamentação → Consolidação das Leis do Trabalho – art. 389, parágrafos 1º e 2r ● Se a criança fica doente, acompanhante tem direito ao atestado: CLT garante apenas 1 afastamento com atestado por ano, o restante é negociado entre empregado e empregador Licenç� Paternidad� benefício garantido pela Constituição Federal ao pai, após o nascimento de seu filho ● Direito de permanecer 5 dias em casa, sem descontos em seu salário ● Funcionários de empresas que aderiram o Programa Empresa Cidadã, tem o benefício estendido em mais 15 dias = 20 dias corridos ● ADOÇÃO: definir antes quem usufruirá da licença com a criança, sendo permitido apenas o pai ou a mãe ● SE A MÃE FALECER: pai terá 120 dias de prazo de licença paternidade Violênci� O�tétric� atinge de 1 a cada 4 mulheres no Brasil ● Tratamentos médicos excessivos ou inapropriados ● Práticas obstétricas reconhecidamente desaconselhadas - Pressionar o útero para facilitar na saída do bebê → Manobra de Kristeller - Episiotomia → incisão efetuada no períneo (área muscular entre a vagina e o ânus) para ampliar o canal de parto ● Impedimento da presença de acompanhante de escolha da gestante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto ● Práticas que violam a intimidade ou o pudor das mulheres e incidem sobre sua integridade sexual e reprodutiva RACISMO OBSTÉTRICO 65,9% dos casos de violência são contra gestantes pretas de acordo com o Ministério da Saúde (2018) ● Mesma pesquisa mostra → somente 27% das negras gestantes obtiveram acompanhamento durante a gestação ● 62,8% das mortes maternas são de mulheres pretas REFERÊNCIAS: Tratado de Pediatria - SBP - 3º edição Meus resumos de AAS - 2ºsemestre https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2008/res0036_03_06_2008_rep.html http://www.saude.gov.br/acoes-e-programas/rede-cegonha/perguntas-frequentes http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2000/prt0569_01_06_2000_rep.html https://economia.uol.com.br/guia-de-economia/licenca-maternidade-regras-direitos.htm https://almapreta.com/editorias/realidade/segundo-ministerio-da-saude-62-8-das-mulheres -mortas-durante-o-parto-sao-negras http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2000/prt0569_01_06_2000_rep.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2008/res0036_03_06_2008_rep.html http://www.saude.gov.br/acoes-e-programas/rede-cegonha/perguntas-frequentes http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2000/prt0569_01_06_2000_rep.html https://economia.uol.com.br/guia-de-economia/licenca-maternidade-regras-direitos.htm https://almapreta.com/editorias/realidade/segundo-ministerio-da-saude-62-8-das-mulheres-mortas-durante-o-parto-sao-negras https://almapreta.com/editorias/realidade/segundo-ministerio-da-saude-62-8-das-mulheres-mortas-durante-o-parto-sao-negras http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2000/prt0569_01_06_2000_rep.html Objetivo 9 - Elucidar a contracepção no puerpério e orientações no caso de amamentação exclusiva. Contracepçã� n� Puerpéri� ● MOMENTO: ideal para falar sobre métodos anticoncepcionais pela motivação e contato constante com profissionais de saúde, o que favorece o relacionamento médico-paciente ● OBJETIVO: aumentar o IEG ou intervalo entre gestações e diminuir nova gravidez em curto espaço de tempo, o que gera complicações materno fetais (prematuridade, baixo peso ao nascer, bebê PIG, morte fetal e neonatal precoce, ruptura uterina) e repercussões sociais e econômicas, além de reduzir o número de gestações não planejadas e não desejadas ● INTERVALO ENTRE PARTOS ADEQUADO: de 18 a 23 meses ● CONSIDERAR NA ESCOLHA DE ANTICONCEPÇÃO: eficácia, segurança, eventos adversos, reversibilidade e principalmente efeitos sobre a lactação e RN ● EM MULHERES COM AMENORRÉIA, AFASTAR A HIPÓTESE DE GRAVIDEZ ANTES DA INTRODUÇÃO DE QUALQUER MÉTODO CONTRACEPTIVO AMENORRÉIA DA LACTAÇÃO (AMAMENTAÇÃO) mães que amamentam apresentam menor sangramento no pós-parto, involução uterina rápida e atraso da ovulação, aumentando o intervalo interpartal ● Não pode ser considerada confiável em âmbito individual = EFICÁCIA diminui se o número de mamadas decresce e menstruação retorna (considera-se retorno se sangramento por > 2 dias e necessidade de uso de absorvente) → iniciar método contraceptivo a partir da 6º semana após o parto e não ultrapassar 3 meses sem método algum ● ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO (> 5 sucções/dia e > 80 minutos de mamada/dia): hiperprolactinemia interfere no funcionamento do eixo H-H-G e inibe a secreção de hormônios hipotalâmicos (LH e FSH) = amenorreia e anovulação → 98% eficaz até 6 meses após o parto (se amenorréia presente) - 1º menstruação após o parto: geralmente ocorre 28 semanas após o parto, com fase lútea inadequada e infertilidade relativa - 1º ovulação após o parto: volta com 33 semanas, em média ● PAUSA NA AMAMENTAÇÃO: prolactina diminui = risco de retorno da ovulação em 14 a 30 dias ● MULHERES QUE NÃO AMAMENTAM ou em ALEITAMENTO MISTO = função do eixo hipófise-hipotálamo se normaliza entre 4 e 6 semanas após o parto, com o início da ovulação em 40-45 dias → iniciar uso de contraceptivo até 4 semanas após o parto ANTICONCEPÇÃO DE EMERGÊNCIA: pode ser usada sem restrições após 21 dias do parto, e preferencialmente após a mamada, por lactantes que tiverem relação desprotegida ou falha de método ESTERILIZAÇÃO (laqueadura/ligadura tubária) Lei nº. 9263, de 1996 - Planejamento Familiar: deve ser resultante de decisão consciente e amadurecida do casal, de preferência tomada fora ou no início da gestação ● É permitida a esterilização voluntária (por meio de laqueadura tubária, vasectomia ou outro cientificamente aceito - EXCETO histerectomia e ooforectomia) após: - Informação a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção reversíveis existentes - Manifestação da vontade em documento escrito e firmado ● CRITÉRIOS: - Homens e mulheres com capacidade civil plena, > 25 anos e com pelo menos 2 filhos vivos, com prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, para que a pessoa tenha acesso a aconselhamento por equipe multidisciplinar (para desencorajar a esterilização precoce e impensada) - Risco à vida ou à saúde da mulher ou do futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos ● OBS: é vedada a esterilização cirúrgica em mulher durante parto ou aborto, exceto nos casos de necessidade comprovada (ex: cesarianas sucessivas anteriores) = orientar mulher a procurar serviço de planejamento familiar após 30 dias do parto para receber orientação necessária e usar outro método contraceptivo enquanto aguarda o processo de esterilização cirurgica CATEGORIAS (OMS) CATEGORIA 1 (sem restrições): ● DIU de cobre (eficácia e longa duração): é inserido no pós-parto imediato até 10 minutos da dequitação (seja normal ou cesárea) ou até 48h → só pode ser colocado se a mulher recebeu a orientação no pré-natal e tomou essa decisão - Após 48h até 4 semanas após o parto = se torna categoria 3 → esperar involução uterina (contrações são indolores, porém mais potentes, o que aumenta a taxa de expulsão do DIU), risco de perfuração - Se torna categoria 4 na presença de infecção puerperal ● PROGESTÁGENOS (com progesterona isolado): início 6 semanas após o parto → não alteram crescimento e desenvolvimento do RN ou volume de leite produzido - MINIPÍLULA: mantida até a paciente menstruar (o que coincide com o início da complementação alimentar da criança) - ANTICONCEPCIONAL HORMONAL ORAL: tem doses maiores de progestágeno e maior eficácia → pode ser mantido após término da lactação - INJEÇÃO TRIMESTRAL DE ACETATO DE MEDROXIPROGESTERONA: IM, alta eficácia, facilidade de uso e poucos efeitos colaterais, porém seus possíveis efeitos no leite materno e RN são desconhecidos ● Categoria 3 = se usado < 6 semanas - IMPLANTE SUBDÉRMICO (etonogestrel): alta eficácia, praticidade, conveniência, longa duração (até 5 anos), rápido retorno à fertilidade após sua remoção → após 6 semanas ● MÉTODOS DE BARREIRA: antes da relação sexual - evitam gravidez ao impedir ascensão dos espermatozóides para o trato genital superior por meio de obstáculos mecânicos ou físicos → associados a lubrificantes, pois o epitélio vaginal da puérpera está atrófico e com lubrificação diminuída - MASCULINO: preservativo - FEMININO: preservativo, diafragma (6 semanas após o parto quando já ocorreu a involução uterina, pois sua eficácia depende de medida correta do canal vaginal) e espermicidas (formam uma barreira química - evitar os que contém nonoxinol 9, que está associado ao aumento de risco de lesões genitais, porta de entrada para HPV) CATEGORIA 2 (vantagens superam desvantagens): ● DIU HORMONAL ou MIRENA (com levonorgestrel): também pode ser inserido logo após o parto, até 48h - Se torna categoria 1 se inserido 4 semanas após o parto CATEGORIA 3 (riscos superam possíveis vantagens): ● CONTRACEPTIVOS HORMONAIS COMBINADOS: 6 meses pós parto CATEGORIA 4 (não usar - risco inaceitável): ● CONTRACEPTIVOS HORMONAIS COMBINADOS (via oral, injetável, transdérmica ou vaginal): até 6 semanas após o parto → aumentam as chances de complicações tromboembólicas (pois na gravidez há aumento de fatores de coagulação e de fibrinogênio, com decréscimo de anticoagulantes naturais) e estrógeno diminui quantidade de leite = não indicar quando há amamentação exclusiva OBS: cuidado com métodos hormonais pois durante o aleitamento, hormônios podem ser transferidos para o RN e estarem presentes em alta concentração no sanguedele, devido a imaturidade hepática (fígado não metaboliza os hormônios de forma adequada) e renal (não excreta adequadamente) Puerpéri� 6 a 8 semanas após o parto nas quais ocorrem a readaptação física e psicológica do corpo feminino PUERPÉRIO IMEDIATO 1º ao 10º dia PUERPÉRIO TARDIO 11º ao 45º dia PUERPÉRIO REMOTO A partir de 45º dia ALTA da maternidade: preencher folhinha de contrarreferência para mãe e bebê, com todas as informações do parto, orientações Consulta pós-parto: mãe e bebê devem retornar à USF na 1º semana após o parto (sempre que possível, acompanhados do pai do bebê ou do(a) parceiro(a)) ● Saber como está a saúde de ambos - Examinar e vacinar o bebê - Tirar dúvidas sobre os cuidados com o RN: coto umbilical, mamadas, sono ● Assistência à amamentação: lesões na mama, pega correta ● Avaliação de: - Sangramento vaginal - Se cesárea: observar a cicatrização e retirar pontos (se necessário) ● Investigar infecção puerperal: exame especular, palpação de abdome ● Planejamento reprodutivo - Discutir se deseja ou não uma nova gravidez e sobre os métodos anticoncepcionais ● Cuidados na relação entre pais e bebês: estado emocional, adaptação REFERÊNCIAS: Orientações contraceptivas no pré-natal e no puerpério - Eliminando a perda de oportunidades - Protocolos FEBRASGO - 2018 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm https://www.google.com/search?q=puerperio&oq=puerperio&aqs=chrome..69i57j0i512l4j6 9i60l3.1562j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9263.htm https://www.google.com/search?q=puerperio&oq=puerperio&aqs=chrome..69i57j0i512l4j69i60l3.1562j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8 https://www.google.com/search?q=puerperio&oq=puerperio&aqs=chrome..69i57j0i512l4j69i60l3.1562j0j7&sourceid=chrome&ie=UTF-8 Objetivo 10 - Identificar indicações absolutas e relativas de cesariana. Indicaçõe� d� Cesáre� ABSOLUTAS Placenta prévia Placenta acreta Desproporção cefalopélvica com feto vivo Malformações genitais Tumorações prévias RELATIVAS MATERNAS Cardiopatias (ex: dilatação da aorta, doença coronariana instável) Pneumopatias (ex: hipertensão pulmonar grave, síndrome de Guillain-Barré) Dissecção aórtica Condições associadas à elevação da pressão intracraniana História de fístula retovaginal Herpes genital ativo HIV com carga viral > 1000 cópias RELATIVAS FETAIS Sofrimento fetal Prolapso de cordão Apresentação pélvica ou córmica Gemelidade com 1 feto não cefálico Gemelidade monoamniótica Macrossomia Malformações fetais (ex: mielomeningocele, hidrocefalia, macrocrania) RELATIVAS MATERNO-FETAIS Cesárea prévia < 18 meses de intervalo interpartal (cesárea anterior) Descolamento prematuro da placenta (DPP) com feto vivo Placenta baixa distando > 2 cm do orifício interno do colo PLACENTA PRÉVIA: implantada na parte inferior do útero, podendo recobrir total ou parcialmente o colo uterino, se situar em suas margens ou ter implantação baixa sem alcançar o colo PLACENTA ACRETA: com fixação/ aderências com fixação anormalmente firme no miométrio, que adquire caráter anatômico anormal DESPROPORÇÃO CÉFALO-PÉLVICA: distócia de progressão (perturbação no bom andamento do parto) causada por uma pelve pequena e estreita e feto com grandes proporções = cabeça do feto muito grande para a abertura pélvica PROLAPSO DE CORDÃO: cordão umbilical precede o bebê através da vagina e corpo do feto pode colocar pressão sobre o cordão e cortar seu suprimento sanguíneo APRESENTAÇÃO PÉLVICA OU CÓRMICA: variantes da apresentação cefálica, mais comum nos partos, tornando mais difícil a expulsão do bebê VASA PRÉVIA: vasos umbilicais ficam desprotegidos pelas membranas ovulares TUDO DEPENDE DE QUAL VIA SERÁ A MAIS RÁPIDA: ● Se bebê já está apontando, vemos o cabelo ou já tem algum membro, vai logo de parto vaginal, pode utilizar o fórceps para auxiliar ● Se parto ainda não progrediu e será mais rápido ir para a sala de cirurgia, vai SUS: incentiva parto normal e evita cesariana ● Mães sem nenhuma indicação obstétrica podem solicitar que o parto seja realizado por via cesariana, porém: - É preciso ter > 39 semanas - Apresentar exames pré-natais para confirmar a IG - Orientar sobre os riscos e benefícios - Assinar um TCLE ● É realizada quando há indicação médica: mulher passa por avaliação para analisar sua condição de saúde e a do bebê e evolução do trabalho de parto, e profissional toma a melhor decisão buscando a segurança do binômio mãe e bebê PARTICULAR: feita após 39 semanas, por escolha da gestante ORIENTAÇÕES PARA PACIENTE NO FINAL DA GESTAÇÃO: ● Mobilograma ● Monitorar muco cervical ● Monitorar perda de líquido REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição https://cartaodosus.info/parto-cesarea-pelo-sus/ https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/23/cesarea-vira-opcao-no-sus-e m-sp-quais-os-riscos-de-poder-fazer-a-escolha.htm https://cartaodosus.info/parto-cesarea-pelo-sus/ https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/23/cesarea-vira-opcao-no-sus-em-sp-quais-os-riscos-de-poder-fazer-a-escolha.htm https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2019/08/23/cesarea-vira-opcao-no-sus-em-sp-quais-os-riscos-de-poder-fazer-a-escolha.htm Problema 03 PROBLEMA 3 Paciente X Cuidador: A responsabilidade sobre a vida Abertura: 30.09 Intermediária I: 04.10 Intermediária II: 07.10 Fechamento: 14.09 Dr. Carlos Alberto chega ao plantão e avalia as pacientes internadas no centro obstétrico: 1ª paciente: Carmem, 22 anos, GII PI (PN, pesando 4kg. Há 2 anos) A0, 41 semanas de gestação, internada há 10 horas com história de bolsa rota. No formulário de admissão constam os seguintes dados do exame físico: ● Sem dinâmica uterina. ● Colo com 2 cm de dilatação. ● Ao exame apresenta-se com: - Sinais vitais normais - 1 contração de 20 segundos/10 minutos - BCF em torno de 144 bat/min - Toque apresentando colo de espessura média, plano (-1) de De Lee e 4 cm de dilatação 2ª paciente: Jocelí, 18 anos, primigesta, internada há 6 horas com 38 semanas de gestação. No formulário de admissão constam os seguintes dados do exame físico: ● Anasarca e cefaleia ● PA: 150/90 mmHg (DLE) ● Dinâmica uterina ausente ● BCF 132 bpm ● Toque: colo longo, grosso, posterior, pérvio 1 cm, com bolsa íntegra ● Amnioscopia apresentava líquido amniótico meconial ● Conduta da admissão: repouso ao leito ● Exame após 6 horas da admissão: - PA: 160/110mmHg - Útero lenhoso - BCF 98 bpm - Presença de sangramento escuro transvaginal PP) Como auxiliar Carlos na conduta com as 2 pacientes. 1) Explicar o diagnóstico e fisiologia do parto (4 estágios), correlacionando com partograma. 2) Descrever o mecanismo de parto. → 7 mecanismos 3) Identificar processos de risco materno fetal durante o parto e puerpério. 4) Descrever a DHEG (etiologia, fisiopatologia, sinais, sintomas, complicações). → pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP 5) Elaborar fluxograma de atendimento a gestante hipertensa (diferenciando urgência de emergência). 6) Descrever as principais causas de hemorragia no 3º trimestre. 7) Conhecer a indicação e mecanismos de ação das drogas utilizadas na emergência obstétrica (ocitocina, methergin, transamin, sulfato de magnésio ou MgSO₄, gluconato de cálcio, hidralazina, labetalol, nifedipina, metildopa). 8) Elaborar conduta de atendimento/fluxograma a hemorragia intra e pós-parto. 9) Descrever a infecção puerperal (etiologia, fisiopatologia, quadro clínico, tratamento e conduta). 10)Identificar sinais clínicos de possível desordem comportamental e mental associado ao puerpério (blues, depressão e psicose) 11)Classificar mortalidade materna. ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------ Explicar distócia Diferenciar sofrimento fetal agudo e crônico e conduta para cada situação Objetivo 1 - Explicar o diagnóstico e fisiologia do parto (4 estágios), correlacionando com partograma. Diagn�tic� d� Trabalh� d� Part� exato momento de início das contrações regularese efetivas é difícil de estabelecer e pode não ser identificado, pois as contrações do início podem ser menos frequentes e pouco dolorosas - dilatação cervical pode se iniciar em um ponto não determinado CRITÉRIOS ≥ 2 contrações rítmicas/regulares em 15 min (2 em 10 minutos, sendo 12 contrações/h), que se estendem por todo o útero e com duração de 50 a 60 s → causam dor tipo cólica Associadas a pelo menos 2 desses sinais: Apagamento/ esvaecimento cervical (afinamento e encurtamento) Colo dilatado > 3 cm ● Se colo apagado = 4 cm ● Independente do apagamento = 5 cm Perda de tampão mucoso (ou rolha de Schroeder) → denuncia o apagamento do colo Ruptura espontânea da bolsa das águas OBS: é como uma síndrome, os elementos que o compõe não tem valor absoluto quando estão isolados e só seu conjunto determina a acurácia A IMPRECISÃO NO DIAGNÓSTICO E A CONFUSÃO COM O FALSO TRABALHO DE PARTO PODEM ACARRETAR INTERNAMENTO PRECOCE E UMA CASCATA DE INTERVENÇÕES (ex: cesariana) Contratilidad� Uterin� fenômeno mais importante do trabalho de parto, indispensável para fazer dilatar o colo e expulsar o concepto ● TOCOMETRIA: registra a contratilidade em gráficos para diagnóstico e tratamento de desvios e interpretação da FCF (frequência cardíaca fetal) no parto → procedimentos tocométricos dos tipos de pressão intra uterinas: - AMNIÓTICA: informa sobre a contratilidade do útero como um todo, sem dados específicos - INTRAENDOMETRIAL: obtida por microbalões inseridos em 3-4 regiões funcionalmente distintas na espessura da parede uterina - PLACENTÁRIA: obtida pela aferição da pressão sanguínea na veia umbilical, determina a dinâmica do útero no secundamento e serve para registra a pressão intrauterina de gestações múltiplas após o parto do primeiro concepto - PUERPERAL: obtidos ao introduzir um balão com 100 mL de água pela vagina, conectado a um manômetro registrador ● ANÁLISE DA PRESSÃO INTRAUTERINA: - Medem pressão amniótica a partir do nível da pressão intra-abdominal - Tônus uterino = menor valor registrado entre 2 contrações - Intensidade da contração = elevação que ela determina na pressão amniótica, acima do tônus - Frequência = nº de contrações em 10 min - Atividade uterina = produto da intensidade das contrações pela sua frequência, expressando o resultado em mmHg/10 min - Trabalho uterino (para realizar suas funções como dilatar o colo) = soma das intensidades de todas as contrações responsáveis por essa tarefa (mmHg) - OBS: a intensidade da pressão intracavitária nem sempre reflete a dinâmica uterina global, pois não informa se pequena ou grande porção da matriz foi excitada e nem a direção de propagação da onda contrátil EVOLUÇÃO DA CONTRATILIDADE UTERINA NO CICLO GESTATÓRIO: ● GRAVIDEZ (até 30 semanas - progesterona bloqueia contrações): atividade uterina é muito pequena e as contrações predominantes são do tipo A (se encontram reduzidas, com intensidade de 2 mmHg, < 20 UM, sendo 1/ min, restritas a pequenas partes do útero). Às vezes surgem as contrações de Braxton-Hicks (tem frequência muito baixa, surgem em torno de 28 a 32 semanas, sendo até 2 contrações/h, com tônus uterino entre 3 e 8 mmHg, que resultam da soma de metrossístoles assíncronas parcialmente propagadas). ● PRÉ-PARTO (após 30 semanas): a atividade uterina aumenta vagarosa e progressivamente e nas últimas 4 semanas - as pequenas contrações estão diminuídas em nº, porém as contrações do tipo B ou Braxton-Hicks (mais intensas e frequentes - até 3 contrações/h - que se difundem para áreas cada vez maiores) causam distensão do segmento inferior do útero e pequeno encurtamento cervical, provocando diminuição do volume do abdome ou “queda do ventre”, o que pode causar incômodo (administração de antiespasmódicos e repouso relativo). O tônus fica em torno de 8 mmHg. PODE ACONTECER o aumento progressivo da intensidade das pequenas contrações, que se tornam mais expansivas enquanto sua frequência diminui Até aqui as contrações são FISIOLÓGICAS e tem função de estimular a circulação fetal = não são dolorosas, não tem ritmo e cessam com uterolítico (abole as contrações uterinas tempo suficiente para a realização da corticoterapia antenatal e/ou para o transporte seguro da gestante) e repouso ● PARTO: não há demarcação nítida na transição gradual do pré-parto (dificulta caracterizar o começo da dilatação), mas o parto se inicia quando a dilatação cervical chega a 2 cm e atividade uterina entre 80 e 120 UM (unidades montevidéu), causando contrações dolorosas e rítmicas, que se iniciam na parte superior do útero e se propagam pelo corpo uterino até atingir segmento inferior. Pequenas contrações localizadas desaparecem - Na dilatação a frequência das contrações é de 2 a 3 em 10 minutos, com 30 mmHg de intensidade e alcançam ao final desse período 4 contrações/10 min e 40 mmHg - No período expulsivo a frequência atinge 5 contrações em 10 min e intensidade 50 mmHg, e a contração voluntária da musculatura abdominal com a glote fechada provoca PUXOS com intensidade 50 mmHg (esforços respiratórios verdadeiros) que aumentam a pressão abdominal = soma resulta em 100 mmHg de pressão amniótica, o que facilita a expulsão fetal - OBS: ● A cada contração uterina admite-se que sejam impulsionados 300 mL de sangue placentário, pelo aumento do retorno venoso e incremento do volume ejetado na sístole → aumento súbito do retomo venoso pode predispor a quadro de edema pulmonar agudo, principalmente em pacientes com síndromes hipertensivas graves ● Postura tem importância na contratilidade uterina = DECÚBITO LATERAL provoca aumento da intensidade e diminuição da frequência, dando maior eficiência para o progressão do parto ● Em partos normais a atividade uterina varia de 100 a 250 UM ● SECUNDAMENTO (tempo corpóreo, de 6 a 10 min): após o nascimento do concepto o útero continua a produzir contrações rítmicas e até mais intensas (sem exprimir aumento real da força muscular), porém indolores (“repouso fisiológico”, que não existe em termos de dinâmica uterina, mas causa alívio imediato as pacientes), sendo que as 2 ou 3 primeiras propiciam: - HEMOSTASIA = miotamponamento ou "laqueadura viva" dos vasos uterinos para que o útero fique devidamente contraído → denominado globo de segurança por Pinard - DEQUITAÇÃO FISIOLÓGICA = descolam a placenta e a impelem pelo canal de parto ● PUERPÉRIO (12h após o parto): contrações diminuem a frequência, sendo 1 a cada 10 min e nos próximos dias, diminuem em intensidade e número. Durante as mamadas a sucção libera ocitocina, o que aumenta a atividade uterina (frequência das contrações), podendo causar desconforto (“dor de tortos”) que desaparece ao final da mamada FASES DE PARTURIÇÃO QUIESCÊNCIA (FASE 1): se inicia com a implantação do zigoto e perdura por quase toda a gestação ● São observadas poucas contrações, que não modificam a estrutura cervical e nem causam dilatação do colo uterino ● Relativa ausência de resposta a agentes que determinam a contratilidade uterina ATIVAÇÃO (FASE 2): prepara o útero e o canal cervical para o trabalho de parto e dura aproximadamente 6 a 8 semanas ● Determina modificações cervicais ● É caracterizada pela descida do fundo uterino ESTIMULAÇÃO (FASE 3): contrações uterinas efetivas, clinicamente dividida em três períodos → PERÍODOS CLÍNICOS DO PARTO ● Dilatação ● Expulsão ● Dequitação INVOLUÇÃO (FASE 4): puerpério, se inicia após a dequitação, é o retorno ao estado pré-gravídico ● Caracterizado por uma contração persistente que promove a involução uterina ● Período de complicações hemorrágicas Fase� Clínica� d� Part� 1º período: DILATAÇÃO se inicia com as primeiras contrações dolorosas, que tem função de gerar modificações cervicais, e termina com a dilatação completa do colo uterino (10 cm) que permite passagem fetal FENÔMENOS: ● ESVAECIMENTO CERVICAL: processo ativo de incorporação do colo à cavidade uterina, que termina com a formação de um degrau ao centro da abóbada cervical - Ocorre por alterações bioquímicas que fragmentam e redispõe as fibrasde colágeno e alteram a concentração de glicosaminoglicanas: mudanças locais e lise das fibras de colágeno sob influência das prostaglandinas e hormônios esteróides placentários, provocam aumento de infiltrado inflamatório no canal cervical - OBS: progesterona tem efeito anti-inflamatório e inibe a invasão e ativação de polimorfonucleares no estroma cervical e consequentemente o esvaecimento cervical ● DILATAÇÃO DO ORIFÍCIO EXTERNO DO COLO (propriamente dita): para ampliar o canal de parto e completar a continuidade entre útero e vagina - Sofre INFLUÊNCIA DA PARIDADE: ● PRIMÍPARA: 1º ocorre o esvaecimento, de cima para baixo, e depois a dilatação do orifício externo → dura 12h ● MULTÍPARAS: esvaecimento e dilatação são simultâneos → dura 7h - É representada por uma curva dividida em: ● FASE LATENTE (≅ 8h de duração): contrações de Braxton-Hicks mais eficazes (em coordenação e intensidade) sem mudanças significativas na dilatação cervical, que ocorre gradualmente, istmo vai desaparecendo e sendo incorporado completamente ao corpo do útero - varia conforme a paridade e mesmo entre gestantes de mesma paridade → dilatação ≅ 0,35 cm/h → total: 2,8 cm de dilatação - É prolongada se dura > 20h em primíparas ou > 14h em multíparas ● FASE ATIVA (tem 3 subdivisões): dilatação cervical rápida que se inicia com 4 cm - dura ≅ 6h em primíparas com velocidade 1,2 cm/h e 3h nas multíparas com velocidade 1,5 cm/h - Aceleração: velocidade de dilatação começa a se elevar - Dilatação ou aceleração máxima: dilatação passa de 2 a 3 cm para 8 a 9 cm - Desaceleração: precede a dilatação completa ● À medida que a dilatação cervical progride, surge a BOLSA DAS ÁGUAS (espaço entre o polo cefálico e membranas ovulares em que fica o líquido amniótico), que auxilia as contrações uterinas no deslocamento do istmo = sua ruptura causa saída parcial de seu conteúdo líquido no fim da dilatação cervical (> 6 cm) ou início da expulsão - Ruptura pode ser: ● Prematura ou RPMO (rotura das membranas ovulares) antes do trabalho de parto = amniorrexe prematura (erroneamente chamada de "bolsa rota”, termo que deve ser utilizado apenas durante o trabalho de parto, quando a "bolsa das águas" se forma) com trabalho de parto ausente ● Precoce = no início do trabalho de parto ● Oportunas = ao final da dilatação ● Tardias ou contemporânea à expulsão do feto = feto empelicado (nasce envolvido pelas membranas) 2º período: EXPULSÃO - MECANISMOS DO PARTO feto é expelido do útero através do canal de parto totalmente formado (segmento inferior do útero + canal cervical totalmente dilatado + vagina = única cavidade) pela ação conjunta das contrações uterinas e contrações voluntárias dos músculos abdominais (puxos) DURAÇÃO: 60 min nas primíparas e 30 min em multíparas → condicionada à proporção cefalopélvica e à deficiência contrátil do útero e musculatura abdominal ● Se vitalidade fetal normal, pode se prolongar ● Período expulsivo prolongado: > 3h em primíparas sem analgesia e > 2h em multíparas sem analgesia → com acréscimo de 1h caso for realizada analgesia epidural INÍCIO: dilatação completa ENCERRAMENTO: saída do feto ● Útero fica imobilizado pela ação dos ligamentos uterinos (largo - lateralmente, redondo - superiormente e uterossacro - posteriormente) ● A força das contrações do miométrio convergem no orifício interno do colo, forçando a apresentação fetal ● Ocorre a descida do polo cefálico pelo canal de parto: altura da apresentação do feto começa a variar (descer) - FASE PÉLVICA: dilatação completa do colo uterino e pela apresentação acima do plano +3 de De Lee - FASE PERINEAL: cabeça rodada e em um plano inferior a +3 de De Lee PLANO DE LEE: ferramenta para a construção de partogramas, que relaciona o posicionamento do ponto mais baixo do polo cefálico fetal em relação às espinhas isquiáticas maternas = determina altura da apresentação do feto ● Ponto 0 = plano transversal das espinhas isquiáticas ● Pontos do ponto inicial para o mais avançado, variam entre -3 cm (acima das espinhas) e +3 cm (abaixo das espinhas, mais perto do intróito vaginal) ● CONCLUSÃO: quanto mais alto o feto, menor o número, quanto mais baixo o feto, maior o número e MAIS PRÓXIMO DE NASCER PLANO DE HODGE: ● 1º plano: delimitado pela borda superior do pube e promontório, corresponde ao estreito superior da bacia ● 2º plano: vai da borda inferior do pube ao meio da segunda vértebra sacra ● 3º plano: delimita-se nas espinhas ciáticas e corresponde ao estreito médio ● 4º plano: é traçado pela ponta do coccige 3º período: DEQUITAÇÃO ou SECUNDAMENTO ou DEQUITADURA após o nascimento do feto, útero expele a placenta e as membranas ● DURAÇÃO: até 1h após o parto, mas o comum é antes de 10 minutos (80% dos partos) e no máximo até 30 min ● Cordão para de pulsar → clampeamento → esperar placenta sair (NÃO PUXAR e sim só segurar o cordão umbilical, assim percebemos que quando a tensão acabar, ela descolou) ● Diminuição do volume uterino após expulsão fetal + contrações uterinas vigorosas e indolores = placenta descola do leito uterino → tipos clássicos de descolamento: - CENTRAL (ou descolamento de Baudelocque -Schultze): começa no centro e primeira face placentária visualizada é a fetal → é mais frequente e apresenta sangramento após a dequitação, com formação de hematoma retroplacentário - MARGINAL ou PERIFÉRICO (ou descolamento de Baudelocque-Duncan): começa a se deslocar lateralmente e primeira face placentária visualizada é a materna → menos comum, tem escoamento de sangue antes da total expulsão da placenta ● Placenta desce pelo canal de parto → é expelida pela rima vulvar = ANALISAR: - Faces materna e fetal: procurando malformações (cordão, vasos), sinais de infecção, áreas de descolamento que não tenha percebido, se ficou algum cotilédone dentro da mãe PRIMEIRA HORA APÓS O PARTO (imediatamente após a dequitação) - indevidamente denominada quarto período de Greenberg → é o puerpério ● Estabilização dos sinais vitais maternos ● Hemostasia uterina: fenômenos que auxiliam no retomo do útero ao estado pré-gravídico - Miotamponamento (1º fase de desfa contra hemorragias) = contração da musculatura uterina, redução do volume uterino causa angulação das artérias uterinas e ovariana, provocando oclusão dos vasos e diminuição da perfusão uterina = obliteração dos vasos sangrantes = LIGADURAS VIVAS DE PINARD ● Papel da OCITOCINA (endógena ou não) - Trombotamponamento = 2º linha de defesa contra hemorragia, é a formação de trombos nos grandes vasos útero placentários, formando sua obliteração - Indiferença miouterina = útero se torna apático do ponto de vista dinâmico, apresenta fases de contração e de relaxamento → enchimento e esvaziamento de sangue no interior do útero - Contração uterina fixa (útero fixo: logo abaixo da cicatriz umbilical): normalmente, decorrida 1 h, o útero adquire maior tônus e assim se mantém, firmemente contraído, completando o mecanismo de hemostasia Partogram� documento oficial de representação gráfica que deve ser preenchido para acompanhar a evolução do parto, diagnosticar alterações e indicar condutas, evitando intervenções desnecessárias - faz parte do prontuário Deve ser iniciado a partir do momento do DIAGNÓSTICO DE TRABALHO DE PARTO ATIVO (2 a 3 contrações generalizadas em 10 min e dilatação cervical mínima de 6 cm) Cada divisória corresponde a 1h na abscissa (eixo X) e 1 cm de dilatação e descida da apresentação na ordenada (eixo Y) DETALHES: ● Existem diversos modelos: recomenda-se adotar o mais adequado à realidade local de cada país e serviço → evolução do trabalho de parto é diferente em cada população por seu padrão de atividade física e frequência de sobrepeso e obesidade ● De uso fundamental em países desfavorecidos e com elevada taxa de cesárea (56% no Brasil em 2014) ● Garante documentação necessária que demonstra adequada avaliação da vitalidade da mãe e do bebê em desfechos desfavoráveis Compreende 4 partes, que devem ser preenchidas de hora em hora, ou quando a gestantefor reavaliada: IDENTIFICAÇÃO DA PACIENTE: nome completo, documento/atendimento, idade da gestante e IG DILATAÇÃO E ALTURA DO FETO: anotar a dilatação, altura do feto e variedade de posição a cada toque vaginal realizado (geralmente a cada 4h), sem se esquecer de anotar a hora real e/ou de registro → preenchimento da esquerda para a direita ● TRIÂNGULO = referente a dilatação e correlacionado com a escala à esquerda ● CÍRCULO (e seta) = representa a altura do feto nos planos de Lee ou Hodge e a seta representa a respectiva variação de posição - correlacionado com a escala à direita ● OBS: existem 2 linhas (podem ou não estar presentes no partograma, se não estiver, é obrigação de quem abre o partograma, desenhá-las em um ângulo de 45º, espaçadas em 4 quadrados, sendo que a de alerta começa na 2º hora do partograma): - LINHA DE ALERTA: trabalho de parto acompanha essa linha, porém se sua representação ultrapassá-la, é sinal de alerta e maior atenção/monitoramento/observação clínica da gestante - LINHA DE AÇÃO: na evolução normal, a curva de dilatação cervical se projeta à esquerda da linha de ação, então se a ultrapassar é um PARTO DISFUNCIONAL = necessidade de intervenção (que não significa obrigatoriamente uma conduta cirúrgica/ cesárea) FREQUÊNCIA CARDÍACA FETAL: ● PONTO = frequência que o feto apresenta no momento do exame CONTRAÇÕES: o número de quadrados pintados representa a quantidade de contrações em 10 min ● QUADRADO TODO PREENCHIDO = contrações efetivas ● METADE DO QUADRADO (traças linha na diagonal) = contrações não efetivas com duração entre 20 e 39 segundos USO OU NÃO DE OCITOCINA, ASPECTO DO LÍQUIDO AMNIÓTICO E ASPECTO DA BOLSA: ● BOLSA: - I = bolsa íntegra - R = bolsa rota ● LÍQUIDO AMNIÓTICO: avaliado apenas com o rompimento da bolsa - LC = líquido claro - LM = líquido meconial ● OCITOCINA: marcar a dose utilizada OBS: REGISTRAR DEVIDAMENTE infusão de líquidos, medicamentos e uso de analgesia CARACTERÍSTICAS MAIS COMUNS DO PARTO NORMAL: ● Início espontâneo ● Apresentação cefálica de vértice ● Única gravidez a termo (37 a 41+6 semanas) ● DURAÇÃO DO TPA (trabalho de parto ativo): > 20 h na maioria das mulheres ● Nenhuma intervenção artificial REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição https://www.sanarmed.com/planos-de-de-lee-colunistas https://www.sanarmed.com/partograma-o-que-e-e-como-preenche-lo https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5229664/mod_resource/content/1/exame%20fisic o%20da%20gestante.pdf https://www.sanarmed.com/planos-de-de-lee-colunistas https://www.sanarmed.com/partograma-o-que-e-e-como-preenche-lo https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5229664/mod_resource/content/1/exame%20fisico%20da%20gestante.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5229664/mod_resource/content/1/exame%20fisico%20da%20gestante.pdf Objetivo 2 - Descrever o mecanismo de parto. → 7 mecanismos Mecanism� d� Part� conjunto de movimentos e fenômenos ativos e, principalmente, passivos do feto durante sua passagem pelo canal de parto APRESENTAÇÕES CEFÁLICAS FLETIDAS (com variedade de posição anterior) = são mais comuns e as que apresentam melhores características para a progressão dos mecanismos de parto APRESENTAÇÕES FLETIDAS TRANSVERSAS ou POSTERIORES PERSISTENTES, DEFLETIDAS E PÉLVICA = consideradas anômalas pois tem baixa prevalência e causam distocias (também influenciadas por contrações, bacia e feto) → dificulta o parto mas não há necessariamente impedimento para o parto vaginal = apresentação fetal é fator limitante, mas nem sempre determinante de um trabalho de parto de difícil progressão RELAÇÕES UTEROFETAIS relações espaciais entre o organismo materno e o produto conceptual ATITUDE: relação das diversas partes fetais entre si, depende da disposição dos membros e da coluna vertebral ● NORMAL: durante toda a gestação e o parto, a maioria dos fetos apresentam atitude de flexão generalizada dos membros, que estão anteriorizados enquanto a coluna vertebral se curva ligeiramente e produz uma concavidade voltada para a face anterior do concepto = aspecto ovóide e 2 extremidades (polos cefálico e pélvico) ● ATITUDES ANÔMALAS: extensão da coluna com deflexão do polo cefálico (leva às apresentações defletidas de 1º, 2º e 3º graus), ausência persistente de flexão de todos os membros (perda de tônus muscular pode significar sofrimento fetal grave) SITUAÇÃO: relação entre o maior eixo da cavidade uterina e o maior eixo fetal → 3 possibilidades de situação fetal: APRESENTAÇÃO: região fetal volumosa (se é um membro fetal não conta, pois tem diâmetros bem inferiores ao da bacia) que encontra obstáculo em sua passagem pelo canal pelvigenital, que ocupa e se insinua no o estreito superior da pelve = só existe a partir do 6º mês SITUAÇÃO FETAL APRESENTAÇÃO DETALHES LONGITUDINAL (frequente em gestações a termo: 99,5%) CEFÁLICA (96,5%) ● Fletida (+ comum: 95%): mento aconchegado ao esterno ● DEFLEXÃO: - Bregma → 1º grau - De fronte (glabela) → 2º grau - De face (mento) → 3º grau PÉLVICA (3%) ● Completa (2%): coxas fletidas e aconchegadas ao abdome, e as pernas fletidas junto às coxas ● Incompleta (1%): modos de nádegas agripina (membros inferiores estirados e rebatidos de encontro à parede ventral do feto) e de joelhos e de pés (joelhos e pés são pequenas partes e não comprimem o colo uterino durante o trabalho de parto = procidências ou procúbitos) TRANSVERSAL (0,5%) CÓRMICA (de ombro) ● Dorso fetal anterior ● Dorso fetal posterior DORSAL ● Superior ● Inferior OBS: teoria da acomodação (Pajot, 1870) - “todo sólido de superfícies arredondadas e lisas, contido em outro com contração e resolução, se acomoda à forma e às dimensões do continente" = feto ao fim da gravidez acomoda seu maior eixo (polo pélvico e membros inferiores fletidos) com o maior eixo uterino (fundo do útero, maior volume e capacidade) e o polo cefálico no segmento inferior, ambos de menores dimensões PROLAPSO = quando uma parte fetal menor (ex: membro) se antepõe à apresentação na vagina ou vulva LATEROCIDÊNCIA (apresentação composta - imagem) = pequena parte fetal em questão desce ao lado e junto de um dos polos fetais POSIÇÃO E VARIEDADE DE POSIÇÃO: é a relação do dorso fetal com o lado materno (referência ósseo da bacia, sendo face anterior, posterior ou lateral da gestante), que complementa a orientação especial do concepto com finalidade para buscar a melhor localização para ausculta do BCF, sendo ipsilateral ao dorso (exceto na apresentação cefálica defletida de 3º grau, em que se ausculta na face anterior do tronco) ● ESQUERDA: 1º posição ● DIREITA: 2º posição ● Fazer toque vaginal para identificar a variedade de posição, tendo por base a relação entre pontos de reparo (acidentes ósseos) ou linhas de orientação maternos e fetais: - Fontanela lambdóide: em forma de "Y" - Fontanela bregmática: em forma de losango - Sutura sagital: cefálicas fletidas - Sutura sagitometópica: cefálicas defletidas de 1 2 grau ou bregmáticas - Sutura metópica: cefálicas defletidas de 2º grau ou de fronte - Linha facial: cefálicas defletidas de 3º grau ou de face - Sulco interglúteo: pélvicas ● É definida por 3 letras: 1 - PONTO DE REFERÊNCIA DA APRESENTAÇÃO FETAL 2 - LADO MATERNO PARA O QUAL ESTÁ VOLTADO O PONTO DE REFERÊNCIA FETAL 3 - VARIEDADE DE POSIÇÃO O = occipício D = direita E = esquerda (mais frequente - 2/3) A = anterior - eminência iliopectínea B = bregma T = transversa - extremidade do diâmetro transverso N = naso P = posterior ou púbis - sinostose sacroilíaca ou púbis M = mento S = sacro - materno S = sacro - A = acrômio - O mecanismo de parto é dividido em 6 tempos para fins didáticos, mas os tempos se sobrepõem continuamente = movimento harmônico de espira (segundo Briquet) APRESENTAÇÃO CEFÁLICA FLETIDA INSINUAÇÃO: passagem do maior diâmetro da parte apresentada (DIÂMETRO BIPARIETAL) pelo estreito superior da bacia materna → significa que o ponto de referência ósseo fetal está no nível das espinhas isquiáticas maternas(0 no plano de Lee) ou muito próximo dele ● PRIMIGESTAS = ocorre 15 dias antes do parto ● MULTÍPARAS = pode ocorrer a qualquer momento (antes do trabalho de parto ou após dilatação completa do colo uterino) ● Ausência de insinuação = requer exame cuidadoso para descartar desproporção cefalopélvica, apresentação anômala ou bloqueio do canal de parto (tumores, placenta) Direcionamento da sutura sagital apresenta variações conforme o tipo de bacia: ● 60%: no diâmetro transverso da bacia ● 18%: no 1º oblíquo (articulação sacro ilíaca direita a eminência iliopectínea esquerda) ● 16%: no 2º oblíquo (articulação sacroilíaca direita a eminência iliopectínea direita) ● 5,5%: diâmetro anteroposterior ● INÍCIO: cabeça fetal está em atitude indiferente ou semifletida = diâmetro occipitofrontal (12 cm) na passagem pelo estreito superior da bacia ● Contrações uterinas de cima para baixo impelem o feto ao estreito superior, causando sua pressão axial + parede pélvica faz contrapressão → força a FLEXÃO: mento do feto se aproxima do tórax e fontanela posterior fica mais baixa = OEA (occipito esquerdo anterior) = altera o diâmetro para suboccipitobregmático - 9,5 cm OBS: PELVIMETRIA é importante = mensurar a distância do PÚBIS ao PROMONTÓRIO (sacro) =CONJUGATA DIAGONAL OU DIAGONALIS e se diminuir 1,5 cm, descobrimos o menor espaço = CONJUGATA VERA OBSTÉTRICA (geralmente 10,5 cm) ● Caso a medida não seja suficiente, pode haver DESPROPORÇÃO CÉFALO PÉLVICA e DISTOCIA Grande mobilidade da articulação entre a cabeça e a coluna vertebral do feto + volume grande + dificuldade na passagem = polo cefálico faz flexão lateral, oferecendo uma das metades de cada vez: ● Assinclitismo = cabeça está inclinada em direção ao ombro, um dos osso parietais atravessa primeiro o estreito superior da pelve e aproxima a sutura sagital do púbis ou do sacro (eixos anteroposteriores da bacia materna) → é normal em graus moderados, mas se acentuado, caracteriza desproporção cefalopélvica, podendo impedir rotação interna e causar DISTOCIA - POSTERIOR (frequente em primíparas - obliquidade de Litzmann) = sutura sagital mais próxima do púbis - parietal posterior desce até ultrapassar o promontório matemo - ANTERIOR (frequente em multíparas - obliquidade de Naegele) = sutura sagital mais próxima ao sacro - mais baixo está o parietal anterior → facilita a decida ● Sinclitismo = cabeça do feto alinhada ao canal de parto - sutura sagital à igual distância do púbis e do promontório (sacro) CAVALGAMENTO DOS OSSOS DO CRÂNIO FETAL: fenômeno (mais acentuado quando há menos ossificação e maior deflexão, exceto da de face) em que os ossos occipital e frontal se colocam embaixo dos parietais, enquanto a borda interna de um dos parietais sobrepõe a outra = reduz dimensões do polo cefálico e o biparte em 2 metades para exprimir em direção ao canal de parto DECIDA ou PROGRESSÃO: passagem do polo cefálico (ou outra apresentação fetal) para o estreito inferior da pelve materna, evidenciando a fontanela POSTERIOR ou lambdóide, ocorre simultaneamente a insinuação e rotação interna (enquanto a descida está ocorrendo, a insinuação pode não ter ocorrido ainda e a rotação interna está acontecendo concomitantemente) ● PRIMÍPARAS = descida ocorre após a dilatação se completar ● MULTÍPARAS = descida começa simultaneamente a insinuação ● PRÁTICA CLÍNICA: esquema de De Lee → mede cm a partir das espinhas isquiáticas Móvel > - 3 cm Ajustada ou fixada -3, -2 ou -1 cm INSINUADA 0 cm (nas espinhas isquiáticas) Fortemente insinuada + 1, +2 ou +3 cm Baixa +4 ou +5 cm (já aflorando na vulva) O canal de parto não é um cilindro regular, possui curvatura inferior, criando um eixo em forma de “J” = feto precisa de adaptar, então por isso faz movimentos de flexão, rotação e cavalgamento ósseo CONTRIBUINTES DA DESCIDA: ● Contração uterina ● Contração dos músculos abdominais ● Pressão do líquido amniótico ROTAÇÃO INTERNA (anterior ou púbica): movimento de rotação em espiral que ocorre durante a descida e coloca o ponto de referência fetal (OCCIPÍCIO) sob o púbis, com o objetivo de coincidir maior eixo da cabeça fetal (diâmetro anteroposterior) com o maior diâmetro da bacia materna (transverso) = cabeça passa de OEA (OCCIPITO ESQUERDO ANTERIOR) na diagonal e fica OCCIPITO PÚBICO = sutura sagital fica orientada na direção anteroposterior (maior diâmetro do estreito inferior) ● Conformação da bacia + forma do estreito inferior + chanfradura anterior da sínfise púbica (arco subpúbico) + constituição da musculatura do períneo + contração dos músculos levantadores do ânus = direciona o ponto de referência fetal para frente ● Depende do estreito em que a cabeça fetal se encontra: - Maior diâmetro do ESTREITO SUPERIOR: transverso - Maior diâmetro do ESTREITO MÉDIO: anteroposterior - Maior diâmetro do ESTREITO INFERIOR: anteroposterior ● Ocorre em graus conforme as variedades: - 45 º nas anteriores (occipitoesquerda anterior e occipitodireita anterior) - 90º nas transversas (occipitoesquerda transversa e occipitodireita transversa) - 135º nas posteriores (occipitoesquerda posterior e occipitodireita posterior) ● OBS: ROTAÇÃO POSTERIOR ou SACRA é quando excepcionalmente o feto roda para trás DESPRENDIMENTO CEFÁLICO: ocorre com a descida final da cabeça fetal em posição occipitopúbica e fletida, sendo necessária uma deflexão ou extensão da cabeça para exteriorizar o osso frontal, até que seja possível a locação do suboccipício no subpúbis materno ● SUBOCCIPÍCIO ou HIPOMÓDIO: região 7 cm abaixo da fontanela lambdóide, ângulo anterior do bregma que se fixa ao subpúbis = ponto de apoio para expulsão ● RETROPULSÃO COCCÍGEA: diâmetro suboccipitobregmático (9,5 cm) ocupa o diâmetro anteroposterior do estreito inferior da pelve → fronte fetal rechaça o cóccix = aumenta diâmetro de 9 para 11 cm ● MECANISMO: contração uterina impulsiona o feto para baixo e para fora do canal de parto, contra a resistência perineal/do assoalho pélvico (antagônica - obrigam feto a mudar de direção ao colidir com eles) → cabeça fetal vence a resistência = faz EXTENSÃO abrupta: - Diâmetros são externalizados em ordem: suboccipitobregmático (bregma), suboccipitofrontal (fronte e nariz - COMPRIME A FENDA VULVAR) e suboccipitomentoniano (mento) RESTITUIÇÃO: cabeça alcança o assoalho pélvico e ombros entram na pelve ROTAÇÃO EXTERNA: cabeça faz rotação de 45º e sai de occipito anterior/púbico, com ombros oblíquos (direita e esquerda), para OEA (OCCIPITO ESQUERDO ANTERIOR) = sutura sagital volta a ficar transversalmente, agora em relação a fenda vulvar, e os ombros rodam, trazendo o diâmetro biacromial para o diâmetro anteroposterior do estreito inferior DESPRENDIMENTO DO OVÓIDE CÓRMICO (ombros): mecanismos associados que resultam na exteriorização das cinturas escapular e pélvica do feto e posteriormente, sua expulsão total ● BEBÊ REALIZA OS MOVIMENTOS SOZINHO: ombro anterior (ponto de apoio: inserção braquial do deltóide) se fixa no sub púbis e se desprende primeiramente, por abaixamento → ombro posterior se desprende por elevação → expulsão da cintura escapular ● O resto do ovóide é prontamente expelido, não apresentando maior resistência: pode-se auxiliá-lo se necessário, com: - Inflexão lateral (sentido ventral) - Abaixamento e elevação dos quadris anterior e posterior REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Zugaib - 3º edição https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3907864/mod_resource/content/1/Mecanismo%20 Parto%202%20agosto%202017.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3907864/mod_resource/content/1/Mecanismo%20Parto%202%20agosto%202017.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/3907864/mod_resource/content/1/Mecanismo%20Parto%202%20agosto%202017.pdf Objetivo 3 - Identificar processos de risco materno fetal durante o parto e puerpério. RISCO MATERNO ● Hemorragia → placenta prévia, placenta acreta, DPP ● Rotura uterina ● Não progressão da dilatação ● Trauma vaginal e/ou perineal ou perianal ● Eclâmpsia ● Depressão pós-parto ● Infecção puerperal → endo(mio)metrite,sepse ● Mastite, fissura mamilar → pega incorreta ● Ingurgitamento mamário (“leite empedrado”) ● Óbito RISCO FETAL: ● Rotura de vasa prévia ● Sofrimento fetal agudo ou crônico ● Distocia = perturbação no bom andamento do parto (variação de posição ou macrossomia) ● Tocotrauma = lesões em decorrência do trabalho de parto ● Hipóxia ● Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) ● Infecção → se mãe com herpes ativa, ITU, Streptococcus agalactiae ou HIV ● Icterícia (anemia hemolítica, DMG) ● Hipoglicemia (em DMG) ● Perda de peso ● Onfalite = infecção no coto umbilical ● Óbito REFERÊNCIAS: vozes da minha cabeça (baseada em 4 semestres de curso né) Objetivo 4 - Descrever a DHEG (etiologia, fisiopatologia, sinais, sintomas, complicações). → pré-eclâmpsia, eclâmpsia e síndrome HELLP Objetivo 5 - Elaborar fluxograma de atendimento a gestante hipertensa (diferenciando urgência de emergência). Doenç� hipertensiv� específic� d� gestaçã� (DHEG) termo genérico para o conjunto de doenças hipertensivas que ocorrem após 20 semanas/ 2º metade da gestação, em pacientes previamente normotensas, oriundas de alterações da invasão trofoblástica → principal complicação gestacional no Brasil, com alta taxa de morbimortalidade materna CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO PRÉ-ECLÂMPSIA ou síndrome específica da gestação Desenvolvimento de HA (≥ 140x90 mmHg), proteinúria significativa (≥ 0,3 g/L em urina de 24h) e/ou edema de mãos e face com > 20 semanas (frequente no 3º trimestre) ECLÂMPSIA Aparecimento de convulsões em pacientes com pré-eclâmpsia HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA HA presente na mulher anterior a gestação ou diagnosticada antes de 20 semanas - se mantém após puerpério ● ESSENCIAL ou 1ª: maioria ● SECUNDÁRIA: minoria (10% do total) ● Diminuição fisiológica da PA durante o 2º e início do 3º trimestre, dificulta diagnóstico prévio, e o aumento durante o 3º trimestre, dificulta distinguir hipertensão crônica e induzida pela gestação PRÉ-ECLÂMPSIA OU ECLÂMPSIA ASSOCIADA À HIPERTENSÃO ARTERIAL CRÔNICA Paciente com HA crônica que evolui para pré-eclâmpsia ou eclâmpsia sobrepostas → tende a ser mais grave e acompanhada por restrição do crescimento fetal HIPERTENSÃO GESTACIONAL (HG) ou TRANSITÓRIA HG = elevação dos níveis pressóricos no final da gestação ou no início do puerpério (24 horas de pós-parto), sem proteinúria ● Pode evoluir para pré-eclâmpsia ● Tem maior risco de desenvolver HA crônica Se torna TRANSITÓRIA quando a pré-eclâmpsia não se desenvolve e ocorre retorno aos valores normais em até 12 semanas após o parto DOENÇA HIPERTENSIVA NÃO CLASSIFICÁVEL Informações obtidas não são suficientes para sua classificação ETIOPATOGENIA - teorias MAIS ACEITO: atuação em conjunto das teorias = invasão trofoblástica inadequada mediada por fatores imunogenéticos → aumento da resistência vascular, da permeabilidade capilar e ativação do sistema de coagulação → menor perfusão generalizada nos órgãos MECANISMO IMUNE: ● ESTÁGIO 0 (pré-concepcional): sêmen apresenta antígenos paternos ao complexo MHC e induz o acúmulo de Tregs - Se mesmo parceiro = mãe se torna tolerante aos antígenos feto-paternos → efeito protetor - Se troca de parceiro = antígeno diferente → efeito contrário: ataque ao trofoblasto ● ESTÁGIO 1: resposta parcial da tolerância materna ao trofoblasto (excesso de carga antigênica fetal) ● ESTÁGIO 2: ausência de anticorpos bloqueadores (que tem efeito protetor contra a imunidade celular materna) → ativação de polimorfonucleares, complemento, citocinas e interleucinas = desequilíbrio entre Th2 e Th1 = placentação defeituosa ● ESTÁGIO 3: reação inflamatória materna sistêmica exaltada + disfunção endotelial = impede a placentação adequada → diagnóstico clínico da pré-eclâmpsia DEFICIÊNCIA NA INVASÃO TROFOBLÁSTICA: ● CIRCULAÇÃO ÚTERO-PLACENTÁRIA NORMAL = 1º ONDA DE MIGRAÇÃO TROFOBLÁSTICA (8 semanas): artérias do endométrio + do terço superficial do miométrio = ARTÉRIAS ESPIRALADAS no endométrio → no 1º trimestre o trofoblasto extravilositário interage com os vasos maternos, destrói musculatura vascular e membrana elástica = vasos complacentes, de baixa resistência e com diâmetro aumentado aumenta seu diâmetro → 2º ONDA DE MIGRAÇÃO TROFOBLÁSTICA (a partir de 14 semanas depois): invasão da camada muscular média das artérias espiraladas pelo sinciciotrofoblasto (trofoblasto endovascular) = REMODELAÇÃO DAS ARTÉRIAS ESPIRALADAS, diminui resistência vascular e aumentando o fluxo sanguíneo placentário ● DEFICIÊNCIA: remodelação das artérias espiraladas está ausente ou incompleta, na segunda onda de migração trofoblástica = artérias espiraladas não perdem o revestimento endotelial e muscular, mantendo o diâmetro em metade do que os vasos nas placentas normais =placentação profunda defeituosa DISFUNÇÃO ENDOTELIAL: alterações de perfusão placentária faz placenta liberar espécies reativas de oxigênio + aumento do sFIT-1 (variante do receptor do fator de crescimento endotelial vascular/VEGF e do placentário/ PIGF) = ESTRESSE OXIDATIVO e diminuição dos fatores de crescimento = ativação endotelial sistêmica e vasoespasmo (responsável pela hipertensão e aumento da permeabilidade capilar): ● Proteinúria (aumenta permeabilidade capilar glomerular) ● Edema ● Hemoconcentração ● Ativação da coagulação → plaquetopenia ● OBS: na SÍNDROME MATERNA DA PRÉ-ECLÂMPSIA, ocorre aumento da produção de tromboxano A2, que é vasoconstritor, aumenta a agregação plaquetária e provoca contração uterina = diminuição do fluxo sanguíneo útero placentário FISIOPATOLOGIA achados patológicos estão relacionados a redução da perfusão tecidual, vasoespasmo arteriolar e lesão endotelial = elevam a resistência periférica total e PA → acometimento de diversos sistemas RENAIS Endoteliose capilar glomerular (PATOGNOMÔNICA: aumento da tumefação das células endoteliais e diminuição do lúmen) → diminuição do fluxo sanguíneo renal → diminuição da taxa de filtração glomerular em 30 a 40% = oligúria (< 500 mL/ 24h) VASCULARES ● Diminuição de vasodilatadores (NO e prostaciclina - PGI2) = vasoespasmo/ vasoconstrição ● Aumento de tromboxano A2 - TXA2 = é produzido por plaquetas ativadas e estimula a ativação de outras plaquetas = aumenta agregação plaquetária ● Aumento da sensibilidade a angiotensina 2 = vasoconstrição periférica CARDÍACAS Estado hiperdinâmico do miocárdio HEPÁTICAS SÍNDROME DE HELLP: necrose hemorrágica periportal → depósito de material fibrinóide nos capilares sinusóides hepáticos = aumento de enzimas hepáticas ● QUADRO CLÍNICO (geralmente na metade da gestação): dor epigástrica ou no quadrante superior direito, associada a náuseas e vômitos - Hipertensão e proteinúria podem não estar presentes CEREBRAIS (eclâmpsia) ● Hipertensão grave: vasoespasmo com redução do fluxo sanguíneo cerebral → isquemia, edema citotóxico e eventual infarto tecidual ● Elevação brusca da pressão arterial: causa perda da capacidade de autorregulação vascular cerebral → aumenta pressão hidrostática e perfusão = extravasamento de plasma e hemácias = edema angiogênico = barotrauma cerebral → CONVULSÕES ● Na SÍNDROME DE HELLP ocorre o depósito de fibrina na região necrótica → diminui as plaquetas = trombocitopenia (< 100.000 SANGUÍNEAS plaquetas) ● Não há hipervolemia fisiológica da gravidez e sim concentração no espaço intravascular HIDROELETROLÍTICAS Retenção de sódio e água = EDEMA GENERALIZADO ou ANASARCA ÚTERO PLACENTÁRIAS ● Diminuição da circulação uteroplacentária em 40 a 60% = ↑ de infartos placentários, diminuição do crescimento placentário e DPP = sofrimento fetal e morte perinatal ● Aumento da sensibilidade a ocitocina = aumenta a ativação uterina → HIPERTONIA FETAIS ● Prematuridade ● RCF ● Sofrimento fetal ● PIG ● Morte perinatal Pr� - Eclâmpsi� (PE) FATORES DE RISCO ESPECÍFICOS QUADRO CLÍNICO: LEVE GRAVE PAS < 160 mmHg PAD < 110 mmHg Proteinúria ≤ 2+ Creatinina sérica normal Mínima elevação de transaminases PAS ≥ 160 mmHg PAD ≥ 110 mmHg Proteinúria ≥ 3+ Cefaléia Distúrbios visuais = escotoma (perda total/parcialda visão numa região do campo visual, rodeada por uma área onde a visão está preservada) Dor abdominal (epigástrica ou no quadrante superior direito) = associada a necrose hepatocelular, isquemia e edema que estiram a cápsula de Glisson → elevação das transaminases hepáticas Oligúria Creatinina sérica elevada Trombocitopenia = pela ativação e agregação das plaquetas e hemólise microangiopática induzida pelo intenso vasoespasmo Edema agudo de pulmão RCF evidente OBS: proteinúria é um marcador do extravasamento endotelial sistêmico (representa maior risco materno-fetal), porém é possível ter pré-eclâmpsia e apresentar vários sintomas, exceto hipertensão e/ou proteinúria CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS: Desenvolvimento de HA (≥ 140x90 mmHg), proteinúria significativa (≥ 0,3 g/L em urina de 24h) e/ou edema de mãos e face com > 20 semanas (frequente no 3º trimestre) PRESSÃO ARTERIAL: PAS ≥ 140 mmHg ou PAD ≥ 90 mmHg, em duas ocasiões espaçadas de no mínimo 4 h → após 20 semanas da gestação, em mulher com PA prévia normal E PROTEINÚRIA: ● ≥ 300 mg/24h ● Relação proteína/creatinina ≥ 0,3 (ambas em mg/dl) ● Fita = 1+ (utilizada apenas ausentes os métodos quantitativos) OBS: na ausência de proteinúria, qualquer um dos seguintes sintomas: ● TROMBOCITOPENIA: contagem de plaquetas < 100.000/mm3 ● INSUFICIÊNCIA RENAL: creatinina no soro > 1,1 mg/dl ou a sua duplicação → na ausência de outras doenças renais ● COMPROMETIMENTO DA FUNÇÃO HEPÁTICA: elevação das transaminases para 2x sua concentração ● EDEMA DE PULMÃO ● SINTOMAS CEREBRAIS/ VISUAIS Eclâmpsi� (E) aparecimento de acometimento neurológico: convulsões seguidas de coma (ou coma sem convulsão) → em pacientes com pré-eclâmpsia ou HG SINTOMAS QUE PRENUNCIAM A CONVULSÃO: ● Cefaleia frontal/ occipital (60 a 70%) ● Torpor e obnubilação ● Alterações de comportamento ● Distúrbios visuais (20 a 30%): escotomas, fosfenas (manchas luminosas), visão turva e embaçada e amaurose (perda visual transitória) ● Distúrbios gástricos: náuseas, vômitos e dor no hipocôndrio direito ou no epigástrio QUANDO OCORREM AS CRISES CONVULSIVAS: ● Durante a gestação (50%) ● No parto (25%) ● No puerpério (25%): ECLÂMPSIA PÓS-PARTO TARDIA (crise convulsiva após 48h do parto) DIAGNÓSTICO: ≥ 1 crise(s) convulsiva(s) tônico-clônicas generalizadas e/ou coma, na ausência de outras causas que expliquem o quadro em mulher com PE ou HG → OBS: EM CASOS GRAVES (com lesões hepáticas e insuficiência renal aguda), depois da convulsão e do coma surge icterícia, anúria, hematúria e hemoglobinúria Síndrom� Hellp acrônimo que caracteriza uma síndrome multissistêmica ou complicação grave da DHEG, que ocorre por alterações vasculares → 10 a 20% das pacientes com PE, HG ou E e entre 0,1 a 0,8% das gestações no geral H Hemolysis Anemia hemolítica microangiopática Alterações eritrocitárias (esquizócitos) Bilirrubina total sérica > 1,2 mg% E Elevated Liver Enzymes Disfunção hepática Elevação de LDH ou DHL (lactato desidrogenase - enzima presente no fígado, transforma glicose em energia): > 600UI Elevação de transaminases hepáticas: TGO (transaminase oxalacética ou AST/aspartato aminotransferase): ≥ 70 UI → indica comprometimento hepático L L Low Platelets Trombocitopenia Contagem de plaquetas < 100.000/mm³ P MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS (inespecíficas) ● Náuseas ● Vômitos ● Mal-estar ● Perda de apetite ● Cefaleia ● Sintomas visuais ● Dor abdominal CONDUTA: estabilização imediata do quadro, transferência para unidade de tratamento intensivo, avaliação materno-fetal, controle hipertensivo, profilaxia para convulsões e avaliação da necessidade de parto imediato REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição Super Material Sanar Flix: Doença Hipertensiva Específica da Gestação Resumos do Felliphe https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_saude_mulheres. pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_saude_mulheres.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_saude_mulheres.pdf Objetivo 6 - Descrever as principais causas de hemorragia no 3º trimestre de gestação. Hemorragia� n� 2º metad� d� gestaçã� ● São frequentes causas de internação de gestantes no período anteparto ● Aumentam a morbimortalidade materna e perinatal (prematuridade) e as cesarianas PLACENTA PRÉVIA - 1 a cada 200 gestações ● DEFINIÇÃO: presença de tecido placentário inserido no segmento inferior do útero após 28 semanas de gestação - Completa ou centro-total: recobre totalmente o orifício interno do colo do útero - Parcial: recobre parcialmente o colo - Marginal: atinge colo, mas sem recobrir o orifício (há um raio de 2 cm de distância) - Baixa: está localizada próxima ao colo, sem atingi-lo ● É um achado ultrassonográfico frequente entre 16 e 20 semanas → 90% se normalizam até o termo pela teoria da “migração” placentária: placenta vai crescimento em direção ao fundo uterino, que é mais bem vascularizado, e as vilosidades periféricas se degeneram por receber menor suprimento sanguíneo = implantação placentária adequada OBS: a combinação cesarianas prévias torna o risco de placenta prévia ainda maior → 1 cesáreas = risco 4,5 vezes, 2 cesáreas = 7,4 vezes, 3 cesáreas = 6,5 vezes, 4 cesáreas = 45 vezes QUADRO CLÍNICO TIPOS DE PLACENTA Sangramento indolor no final do 2º e início do 3º trimestre = pequena quantidade e autolimitado ● Placentas marginais: ocorre no momento do parto Sangramento sentinela = intermitente, abundante, vermelho vivo → necessidade de internações e transfusões ● Placentas centro-totais: entre 26ª e 28ª semana de gestação ● MORBIDADE MATERNA: decorrente de hemorragia, complicações operatórias do parto, complicações anestésicas, necessidade de transfusão e infecções ● Placenta com implantação anormal = maior probabilidade de ser placenta acreta (aderida anormalmente ao útero), que não apresenta sangramento até o parto → na suspeita, fazer ecodoppler obstétrico, na preparação para o parto - Em caso de placenta percreta (vilosidades penetram miométrio): considerar possibilidade de invasão de estruturas adjacentes (bexiga e intestino) → grande perda sanguínea e risco de histerectomia DIAGNÓSTICO: ultrassonografia abdominal (com bexiga semi cheia, se muito cheia = falsa impressão de placenta baixa) → mostra exatamente localização placentária e a sua posição em relação ao orifício interno do colo do útero ● Pode ser realizada também pela via transvaginal (não introduzir > 3 cm do transdutor na vagina e não atingir o colo) para melhor determinar a posição do bordo placentário EXAMES LABORATORIAIS (na vigência de sangramento) Hematócrito e hemoglobina Tipagem sanguínea ABO Rh Coagulograma CONDUTA: ● Pré-natal cuidadoso ● Orientar a paciente para que não tenha relações sexuais ● Se gestante Rh - = prescrição de imunoglobulina anti-D quando houver sangramento ● Se próximo ao termo + sangramento = PARTO (avaliar altura, encaixamento e apresentação do bebê para determinar melhor via - se borda placentária a < 2 cm do orifício cervical interno = cesariana) → se prematuro = corticoterapia (maturidade pulmonar) ● ACRETISMO PLACENTÁRIO: em 70% dos casos = histerectomia total no momento do parto - porém se houver invasão de órgãos adjacentes, não deve ser retirada para evitar sangramento maciço = ligadura do cordão próximo a implantação da placenta → uso de Metotrexate DESCOLAMENTO PREMATURO DE PLACENTA - 1 a 2% das gestações ● DEFINIÇÃO: separação da placenta da parede uterina antes do parto ● COMPLICAÇÕES MATERNAS: hemorragia, anemias, coagulopatias, hemotransfusões, cesárea, histerectomia e morte ● COMPLICAÇÕES PERINATAIS: prematuridade, RCF, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal e óbito perinatal CLASSIFICAÇÃO DE SHER (em graus) - considera achados clínicos e laboratoriais GRAU 1 ● Sangramento genital discreto sem hipertonia uterina significativa ● Vitalidade fetal preservada ● Sem repercussões hemodinâmicas e coagulopatia ● Diagnóstico no pós-parto com identificaçãode coágulo retroplacentário GRAU 2 ● Sangramento genital moderado e contrações tetânicas ● Taquicardia materna e alterações posturais da PA ● Alterações iniciais da coagulação com queda de fibrinogênio ● BCF presente mas com sinais de comprometimento de vitalidade GRAU 3 ● Sangramento genital importante com hipertonia uterina ● Hipotensão arterial materna ● Óbito fetal 3A: Sem coagulopatia instalada 3B: Com coagulopatia instalada Descolamento traumático: desaceleração ou por trauma direto ao abdome OBS: ausência de hipertensão no momento não exclui a etiologia hipertensiva (gestante pode estar chocada) Dor abdominal: ● Varia de leve desconforto a dor intensa ● Pode ou não estar associada a sangramento vaginal ● Associada ao aumento do tônus uterino = taquihiperssistolia até hipertonia ● OBS: dor é lombar se placenta for de inserção posterior Sangramentos: podem se manifestar de 3 maneiras: ● Hemorragia exteriorizada ● Hemoâmnio ● Sangramento retroplacentário e infiltração sanguínea intramiometrial = é oculto → déficit contrátil = HIPOTONIA UTERINA → responsável pela apoplexia útero-placentária ou “útero de Couvelaire”: derramamento de sangue do interior de um órgão = hemorragia pós-parto - Primeiro o que ocorre é o útero lenhoso (por contrações de grande intensidade, útero fica duro), o “útero de Couvelaire” é evolução do útero lenhoso no descolamento prematuro de placenta, que fica amolecido porque sangue infiltrou por todas as fibras → conduta: histerectomia ● OBS: quantidade pode não refletir a exata perda, e se escuro, pode significar formação de coágulos Coagulopatias: coágulo retroplacentário consome fatores de coagulação e descolamento faz com que seja liberada tromboplastina na circulação materna, causando coagulação intravascular disseminada ● Inicialmente: alterações posturais da pressão e/ou taquicardia ● Tardiamente: sinais de instabilidade circulatória ● Se sinais e sintomas de choque presentes = perda de até 30% da volemia DIAGNÓSTICO: clínico ● DPP agudo: coágulo retroplacentário pode não ser visível ● EXAMES: hemograma com contagem de plaquetas, tipagem sanguínea ABO Rh, coagulograma, exames de rotina para doença hipertensiva ● OBS: ultrassonografia tem papel limitado = só se houver estabilidade hemodinâmica materna e vitalidade fetal preservada, para sanar dúvidas sobre a localização da placenta, apresentação e peso fetal → achados (raramente): coágulo retroplacentário, espessamento anormal da placenta e bordo placentário sem continuidade (borda “rasgada”) GRAU 1: sem repercussões maternas ou fetais GRAU 2: parto vaginal é possível se iminente (se vitalidade fetal preservada e ausencia de comprometimento hemodinâmico materno) ● Amniotomia: diminui pressão intrauterina = diminui sangramento ● Monitoramento do estado hemodinâmico: reposição volêmica ● Monitorar débito urinário ● Manter hematócrito > 30% GRAU 3: ● Se feto morto = parto vaginal e monitoração materna (hemodinâmica e estado de coagulação) → útero pode se tornar hipotônico = uso de ocitocina ● Se feto vivo + gestante estável = cesárea e transfusão de concentrado de glóbulos, reposição de plaquetas e plasma fresco congelado ROTURA UTERINA (1 a cada 585 partos): complicação muito grave, importante causa de morbimortalidade materna - pode ocorrer no pré-parto, intraparto e pós-parto CLASSIFICAÇÃO COMPLETA Total rotura da parede uterina Urgência: risco de vida à mãe e feto INCOMPLETA Peritônio parietal permanece intacto Não é complicada e pode permanecer assintomática após parto vaginal ● FATORES DE RISCO: presença de cicatriz uterina (antecedente de cesariana, dependendo do tipo de incisão), e antecedentes de curetagem uterina com perfuração, miomectomia, acretismo placentário, trauma abdominal, anomalias uterinas, hiperdistensão uterina, uso inapropriado de ocitocina - O risco de rotura uterina quando há 1 cesárea prévia, durante o trabalho de parto é 1% e se gestante tem parto vaginal anterior, o risco é ainda menor ● OBS: uso de prostaglandinas para amadurecimento cervical não é recomendado em presença de cesárea anterior = aumenta risco de rotura uterina ● Se ruptura intraparto (mais frequente) = perda súbita do BCF ● Sinais e sintomas de choque hipovolêmico ● Parada das contrações após dor forte CONDUTA: ● Estabilidade hemodinâmica = ABC da reanimação (vias aéreas pérvias, respiração) ● Laparotomia imediata com anestesia geral: feto e placenta podem ser encontrados total ou parcialmente no abdome materno = óbito perinatal ● Em geral, é necessário histerectomia, pois as lesões vasculares dificultam conservação uterina ROTURA DE VASA PRÉVIA (rara): sangramento dos vasos sanguíneos fetais que estão inseridos anormalmente nas membranas amnióticas, que se rompem → sangue atravessa e passa pelo orifício interno do colo = deterioração do BCF no momento da rotura ● Ocorre em gestantes com: implantação baixa da placenta e inserção velamentosa de cordão ● Altas taxas de mortalidade fetal ● DIAGNÓSTICO: - PRÉ-PARTO: difícil - toque vaginal, amnioscopia (visualização dos vasos sanguíneos atravessando as membranas pelo orifício interno do colo), USG com Doppler colorido - INTRAPARTO: também é muito difícil - testes para detecção de hemácias fetais no sangue exteriorizado (Apt-Test e coloração de Wright) ● CONDUTA: cesariana de urgência Causa� nã� O�tétrica� ● PEQUENO SANGRAMENTO AO DECORRER DO TRABALHO DE PARTO: é proveniente do colo uterino, por sua dilatação e esvaecimento, que provoca a rotura de pequenos vasos sanguíneos ● Cervicites ● Pólipo endocervical ● Ectrópio ● Câncer de colo de útero ● Trauma vaginal REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Tratado de Obstetrícia - FEBRASGO https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_tecnico_gestacao_alto_risco.pdf Objetivo 7 - Conhecer a indicação e mecanismos de ação das drogas utilizadas na emergência obstétrica (ocitocina, methergin, transamin, sulfato de magnésio ou MgSO₄, gluconato de cálcio, hidralazina, labetalol, nifedipina, metildopa). Urgênci� � Emergênci� ● EMERGÊNCIA: representa ameaça imediata para a vida do paciente (SOFRIMENTO INTENSO OU RISCO DE MORTE) → fraturas expostas, paradas cardiorrespiratórias, hemorragias graves e SÍNDROME DE HELLP (hemólise, baixa função hepática, baixa de plaquetas) - São situações mais graves que urgências ● URGÊNCIA: é uma ameaça em um futuro próximo, que pode vir a se tornar uma emergência se não for solucionada → fraturas não expostas, cólicas renais, aumento de pressão arterial, PRÉ-ECLAMPSIA e ECLAMPSIA Principai� Droga� d� Us� O�tétric� INDUÇÃO DO TRABALHO DE PARTO + TROMBOTAMPONAMENTO + MIOTAMPONAMENTO DROGA DESCRIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO INDICAÇÃO CONTRAINDICAÇÃO OCITOCINA Só deve ser utilizada quando colo apresentar escore de Bishop > 6 (favorável), exceto quando há ruptura prematura de membranas (pode ser utilizada mesmo com colo desfavorável) Aumenta o nº de receptores e se liga a eles nas células miometriais → ativa formação do TRIFOSFATO DE INOSITOL (2º mensageiro) → ocorre liberação do cálcio armazenado no retículo sarcoplasmático → deflagração de contrações uterinas suficientes para esvaecimento e dilatação do colo ● Ao mesmo tempo, evita hiperestimulação uterina e comprometimento fetal Indução do trabalho de parto Conter hemorragia pós-parto OBS: ESCALA DE BISHOP serve para mensurar maturação cervical, é um sistema de pontuação que prevê a necessidade de indução ou condução do trabalho de parto, também avalia a probabilidade de parto pré-termo espontâneo Aumenta prostaglandinas, que atuam na matriz extracelular = dissolução das ● Tratamento e prevenção de dor no estômago MISOPROSTOL É um análogo sintético da prostaglandina E fibras colágenas, aumento do ácido hialurônico e do conteúdo de água do cérvice → amolecimento do colo uterino → relaxamento do músculo liso = favorece dilatação + Permite acréscimo de cálcio intracelular = promove contrações uterinaseficazes = Esvaecimento e dilatação progressiva, e aumento inicial da atividade da contração uterina → facilita dilatação necessária à realização de procedimentos obstétricos ● Indução de aborto ● Esvaziamento uterino por morte embrionária/ fetal ● Amolecimento cervical antes de aborto cirúrgico (AMIU ou curetagem) ● Indução de trabalho de parto (maturação de colo uterino) ● Tratar e prevenir hemorragia pós-parto ● Cesárea anterior ● Cirurgia uterina prévia ● Paciente asmática ● Uso concomitante com ocitocina ● Placenta prévia DHEG DROGA DESCRIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO INDICAÇÃO CONTRAINDICAÇÃO SULFATO DE MAGNÉSIO (MgSO₄) Não atravessa a barreira placentária (se ultrapassar, bebê nasce hipotônico e com Droga de eleição para prevenção e controle de crises convulsivas na DHEG Administrada como protocolo para TODA paciente com pré-eclâmpsia = previne morte materna Antagonista do receptor NMDA do glutamato (neurotransmissor excitatório responsável pela sensibilização do SNC): sulfato de magnésio se liga ao receptor = bloqueia transmissão neuromuscular (vasoespasmo cerebral) → propriedades analgésicas, anticonvulsivantes e sedativas Age também como vasodilatador: ajuda na redução da PA ● Pré-eclâmpsia com deterioração clínica e/ou laboratorial (inclusive hipertensão de difícil controle) ● Iminência de eclâmpsia ● Eclâmpsia ● Prevenção de crises de convulsões recorrentes em eclâmpsia ● Comprometimento cardíaco e renal ● Estado de hipermagnesemia ● Insuficiência respiratória grave ● Uso de outros bloqueadores musculares OBS: é útil quando o bebê está intraútero, após o parto, pode-se usar o anticonvulsivante que tiver insuficiência respiratória) RESULTADO = interrompe convulsão já iniciada e prevene nova crise → por isso, após a dose de ataque, administrar doses de manutenção OBS: fazer sondagem vesical para controlar débito urinário e analisar o reflexo patelar (se está diminuído, está ocorrendo impregnação) ● Síndrome HELLP (15% das pacientes evoluem com eclâmpsia) em mãos GLUCONATO DE CÁLCIO Considerado antídoto do sulfato de magnésio Faz a reversão do efeito do sulfato de magnésio, evitando seu impregnamento ● ECLÂMPSIA: na suspeita de intoxicação por MgSO4 (sulfato de magnésio) ou hipermagnesia ● Hiperpotassemia ● Pacientes sob medicação digitálica (tratamento de insuficiência cardíaca congestiva) ● Cálculo renal ● Hipercalcemia HIDRALAZINA (CLORIDRATO DE HIDRALAZINA) 1º escolha para o tratamento agudo da hipertensão arterial grave na gestação Vasodilatador periférico = relaxa a musculatura lisa dos vasos de resistência (predominantemente arteríolas) ● Hipertensão arterial ● Insuficiência cardíaca ● Pré-eclâmpsia ● Eclâmpsia ● Lúpus eritematoso sistêmico idiopático ● Taquicardia grave ● Insuficiência cardíaca ● Hipersensibilidade aos componentes NIFEDIPINA 1º escolha para terapia antihipertensiva aguda Bloqueia os canais de cálcio musculares, evitando a contração da musculatura arterial lisa vascular Terapia anti-hipertensiva aguda Absolutas: infarto do miocárdio Relativas: estenose aórtica severa, angina instável, insuficiência cardíaca, Insuficiência hepática METILDOPA Fármaco preferido para o tratamento da hipertensão durante a gravidez: é efetivo e promove segurança para a mãe e o feto Ação central: estimula os receptores α-adrenérgicos centrais através do seu metabólito αmetilnorepinefrina → é metabolizado no SNC e inibe a transmissão simpática vasoconstritora em direção à coração, rins e sistema vascular periférico Anti-hipertensivo de uso crônico/contínuo/manutenção ● Hepatopatias ativas ● Hipersensibilidade ● Tratamento com inibidores da monoaminoxidase LABETALOL Pertence a um grupo de medicamentos chamados agentes alfa-bloqueantes e beta-bloqueantes Bloqueiam os receptores α1 e β-adrenérgico = diminui a FC e a contratilidade do miocárdio, gerando efeito anti-hipertensivo (reduzem tensão arterial nos vasos sanguíneos longe do coração) ● Hipertensão leve a moderada ● Hipertensão grave ● Hipertensão na gravidez ● Hipersensibilidade aos componentes da fórmula ● Bloqueio átrio-ventricular ● Choque cardiogênico ● Bradicardia e hipotensão SANGRAMENTOS PÓS PARTO DROGA DESCRIÇÃO MECANISMO DE AÇÃO INDICAÇÃO CONTRAINDICAÇÃO METHERGIN® (Maleato de metilergometrina) Medicamento dos grupos ergolina e lisergamida utilizado como ocitócico (que estimula a contração do útero) em obstetrícia Sua substância ativa é metilergometrina = atua diretamente no músculo liso uterino → aumento do tônus basal e da frequência, força e amplitude das contrações uterinas rítmicas ● Tratamento da involução incompleta do útero (útero dilatado devido ao muco, sangue e restos de tecido que não podem ser eliminados) ● Loquiometria ● Sangramento pós-parto ● 1º e 2º estágios do trabalho de parto (antes do aparecimento da cabeça) ● Indução de trabalho de parto ● Hipertensão grave ● Pré-eclâmpsia ● Eclâmpsia ● Doença vascular oclusiva ● Hipersensibilidade TRANSAMIN® (Ácido tranexâmico) Destinado para o controle e prevenção de sangramentos provocados por cirurgias, traumatismos e doenças com tendência a sangramentos Agente antifibrinolítico: inibe ativação e transformação do plasminogênio em plasmina (principal proteína responsável pela dissolução do coágulo sanguíneo) = inibe dissolução de coágulos (importantes para que o sangramento cesse e haja cicatrização) ● Redução da perda de sangue durante cirurgias ● Redução da perda sanguínea em condições de saúde em que há aumento de hemorragias ● Hemofilia ● Uso concomitante de complexo protrombínico ativado (risco de ocorrência de tromboembolismo) REFERÊNCIAS: Goodman & Gilman 12ª edição https://www.sanarmed.com/resumo-de-nifedipino-ligas https://www.farmaciaipam.com.br/_uploads/ProdutoDownload/produto_455.pdf https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/329-atendimento-inicial-a-eclampsia https://www.scielo.br/j/rba/a/WpZtzD85ZmymKXcBdDVnJpL/?lang=pt https://dermomanipulacoes.vteximg.com.br/arquivos/Acido%20Tranexamico.pd https://www.scielosp.org/article/rsp/1998.v32n4/394-395/ https://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/PROTOCOLO-USO-DE-MISOPROSTOL-AAMI-2019-3-1.pdf https://assets.unitpac.com.br/arquivos/Revista/64/3.pdf https://www.tuasaude.com/hidralazina/ https://consultaremedios.com.br/gliconato-de-calcio-hipolabor/bula#contraindicacao https://bula.medicinanet.com.br/bula/3357/metildopa.htm https://www.saudedireta.com.br/catinc/drugs/bulas/methergin.pdf https://www.cochrane.org/pt/CD007872/PREG_acido-tranexamico-para-prevenir-hemorragia-pos-parto https://www.sanarmed.com/resumo-de-nifedipino-ligas https://www.farmaciaipam.com.br/_uploads/ProdutoDownload/produto_455.pdf https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/329-atendimento-inicial-a-eclampsia https://www.scielo.br/j/rba/a/WpZtzD85ZmymKXcBdDVnJpL/?lang=pt https://dermomanipulacoes.vteximg.com.br/arquivos/Acido%20Tranexamico.pd https://www.scielosp.org/article/rsp/1998.v32n4/394-395/ https://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/PROTOCOLO-USO-DE-MISOPROSTOL-AAMI-2019-3-1.pdf https://assets.unitpac.com.br/arquivos/Revista/64/3.pdf https://www.tuasaude.com/hidralazina/ https://consultaremedios.com.br/gliconato-de-calcio-hipolabor/bula#contraindicacao https://bula.medicinanet.com.br/bula/3357/metildopa.htm https://www.saudedireta.com.br/catinc/drugs/bulas/methergin.pdf https://www.cochrane.org/pt/CD007872/PREG_acido-tranexamico-para-prevenir-hemorragia-pos-parto Objetivo 8 - Elaborar conduta de atendimento/fluxograma a hemorragia intra e pós-parto. Hemorragi� p�-part� (HPP) perda de sangue > 500 mℓ após o parto vaginal ou > 1.000 mℓ após o parto cesáreo ou qualquer perda de sangue que cause instabilidade hemodinâmica ● PRIMÁRIA ou precoce (mais comum): dentro de 24h do puerpério ● SECUNDÁRIA ou tardia: entre 24h a 12 semanas do puerpério, com pico entre 1 há 2 semanas após o parto - PATOGENIA: associada com atonia uterina secundária à presença de fragmentos placentários e/ou infecção - QUANTIDADE DE SANGRAMENTO:NÃO é tão pronunciada quanto na 1ª - CONDUTA: agentes uterotônicos, antibióticos e curetagem uterina (eficaz mesmo quando não se identifica fragmentos placentários e membranas) ● FATORES DE RISCO: DPP, placenta prévia/acreta, retenção placentária, gravidez gemelar, pré-eclâmpsia, história de hemorragia pós-parto, obesidade, anemia, idade materna avançada, macrossomia, cesárea, episiotomia mediolateral, parto vaginal operatório, parto prolongado, febre intraparto ● CAUSAS: atonia uterina, retenção de restos ovulares com infecção (endometrite) e doença de von Willebrand ● PREVENÇÃO: conduta ativa em TODOS OS NASCIMENTOS de administração de ocitocina (10 UI) por via intramuscular, ou 20 a 20 Ui de ocitocina em soro fisiológico intravenosa, após o nascimento da criança,tração controlada do cordão umbilical e extração da placenta → reduz até 2/3 a ocorrência de hemorragias ● SEQUELAS: síndrome de angústia respiratória aguda (SARA), coagulação intravascular disseminada (CID), choque e necrose hipofisária (síndrome de Sheehan) CONDUTA: necessita de trabalho em equipe (obstetra, enfermeiros, anestesista, hematologista, banco de sangue) → se demorada, aumento o risco de coagulopatia, histerectomia, morbidade por choque hipovolêmico e óbito materno MANOBRAS INICIAIS APÓS O DIAGNÓSTICO DE HEMORRAGIA MASSAGEM DO FUNDO DE ÚTERO (manobra de Chantrapitak): esvaziar a bexiga por cateterismo contínuo (bexiga cheira interfere na contratilidade do segmento uterino inferior), elevar o útero (estira as artérias uterinas) e massageá-lo (compressão estimula o miométrio a se contrair) ACESSO VENOSO CALIBROSO: assim pode-se infundir maior volume de líquidos, sangue e medicações em menos tempo ADMINISTRAÇÃO DE DROGAS UTEROTÔNICAS (estimulam contração rítmica do útero): ● OCITOCINA (10 a 40 Ul diluída em 1.000 mL de solução salina - IV): ação em 1 min após administração, estimula contrações na porção superior do corpo uterino ● METILERGOMETRINA (0,2 mg a cada 2 a 4h - IM): age em 2 a 5 min e provoca contrações em todo o útero ● MISOPROSTOL (prostaglandina E1 - via retal, oral ou sublingual): eficaz em 16/18 mulheres não responsivas a ocitocina → efeitos adversos (V.O.): náuseas, vômitos, tremores Baseada na estimativa de perda sanguínea e probabilidade de persistência do sangramento: INFUSÃO DE CRISTALÓIDES (em grande volume): repõe volume intravascular e previne hipotensão TRANSFUSÃO DE HEMODERIVADOS: mantém perfusão tecidual adequada, boa troca de O² e previne coagulopatia CASO A HEMORRAGIA NÃO SEJA RESPONSIVA A DROGAS UTEROTÔNICAS (e medidas iniciais não surtam efeito imediato no controle de hemorragia) = posicionar paciente para exame ginecológico em sala cirurgia sob supervisão de anestesista para revisão do canal de parto, seguindo as seguintes etapas: COMPRESSÃO UTERINA BIMANUAL (Manobra de Hamilton): uma das mãos fixa a porção posterior do útero pela parede abdominal e a outra é posicionada fechada pelo canal vaginal para comprimir a parede anterior → muito eficaz REPARO DE LACERAÇÕES: em mesa ginecológica e com boa iluminação e instrumental, avaliar vagina e colo uterino e reparar lesões existentes com sutura contínua ou pontos separados em áreas menos distensíveis, e colocar tampão vaginal com vaselina CURAGEM e/ou CURETAGEM UTERINA (se sangramento tiver origem na cavidade uterina): remover fragmentos placentários (por manobras digitais - curagem ou por raspagem - curetagem) e explorar cavidade uterina em busca de rotura uterina TAMPONAMENTO UTERINO: após excluir hemorragia secundária a lacerações de colo e vagina, colocar tampão (compressa ou gaze) em toda a cavidade uterina, deixar por 24h, monitorar taxa de hemoglobina e débito urinário (pois grande quantidade de sangue pode se acumular atrás dele) e administrar antibióticos de largo espectro → perigosa, podendo ser ineficaz ● Também podem ser utilizados para o tamponamento: sonda de Foley, o balão de Sengstaken-Blakemore ou o balão de Bakri (capacidade de acomodar 400 a 500 mL de solução salina na cavidade uterina) EMBOLIZAÇÃO ARTERIAL: após corrigir possíveis coagulopatias, realizar a embolização/ oclusão das artérias uterinas = introduz-se um catéter angiográfico na artéria femoral, vai até a bifurcação da aorta, chega até a artéria ilíaca interna ou até artéria uterina, faz-se uma angiografia com contraste, que extravasa identificando os locais de sangramento, assim se oclui (com esponja de gelatina absorvível ou gelfoam, que tem duração de oclusão temporária, de 2 a 6 semanas, suficiente para reduzir hemorragia) um único vaso ou uma artéria maior que supre múltiplos vasos menores → o surgimento lento de circulação arterial colateral previne a isquemia ● Se não surtir efeito rápido, o passo seguinte é a ligadura de artérias uterinas ● OBS: se paciente não estiver estável para aguardar a embolização, realizar imediatamente a laparotomia LAPAROTOMIA: realizada por incisão mediana infra umbilical, na qual a atonia uterina e locais de sangramento extrauterino são facilmente identificados, assim, fazer injeção intramiometrial de ocitocina ou metilergometrina para tentar reverter atonia, e se o vaso responsável pelo sangramento for pequeno, e clampear e ligar com fio de sutura LIGADURA DE ARTÉRIAS UTERINAS (bilateral): amarração do vaso, é o procedimento de escolha quando se decide pela laparotomia, fazer ligadura bilateral de artérias uterinas, e se não for suficiente, os vasos útero ovarianos devem ser ligados distalmente ao corno uterino → mais eficaz SUTURA DE B-LYNCH (permite preservar futuro reprodutivo da paciente): sutura comprime o útero com resultado semelhante ao da compressão uterina bimanual → bons resultados se hemorragia secundária associada a atonia uterina ● Existem outras suturas que a modificaram LIGADURA DE ARTÉRIAS ILÍACAS INTERNAS (bilateral): se a ligadura das artérias uterinas não surtiu efeito, ligar seletivamente o tronco anterior da artéria ilíaca interna → técnica complicada e precisa de cuidado para não realizar ligadura da artéria ilíaca externa pois compromete toda a perfusão do membro inferior ipsilateral HISTERECTOMIA: último recurso, mas não deve ser postergado em situações mais graves como coagulopatia, dando preferência para a subtotal (com preservação do colo) → é um pouco mais difícil no pós parto, pelo esvaecimento e dilatação do colo, que dificultam sua localização REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/883008/33-hemorragia-pos-parto.pdf https://www.febrasgo.org.br/images/pec/CNE_pdfs/FPS---N5---Novembro-2020---portugue s.pdf https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/04/883008/33-hemorragia-pos-parto.pdf https://www.febrasgo.org.br/images/pec/CNE_pdfs/FPS---N5---Novembro-2020---portugues.pdf https://www.febrasgo.org.br/images/pec/CNE_pdfs/FPS---N5---Novembro-2020---portugues.pdf Objetivo 9 - Descrever a infecção puerperal (etiologia, fisiopatologia, quadro clínico, tratamento e conduta). Infecçã� o� Febr� Puerpera� termo genérico para qualquer infecção bacteriana do trato genital feminino no período pós-parto recente, sendo a principal causa de febre no puerpério - indica a presença de endometrite, endomiometrite ou endoparametrite → sepse é considerada a 3ª ou 4ª causa de morte materna MORBIDADE FEBRIL PUERPERAL (critérios): temperatura ≥ 38 ºC (determinada por via oral, pelo menos 4 vezes ao dia) após 24h de puerpério, por 2 dias quaisquer, durante os 10 dias iniciais do pós-parto FATORES DE RISCO Rotura prematura das membranas ovulares (RPMO) - Anemia Fórcipe médio Lacerações do canal de parto Trabalho de parto prolongado Infecção vaginal Baixo nível socioeconômico Cesárea (principal fator de risco - aumenta a incidência de infecção puerperal em 70%) Pode ocorrer necrose tecidual, maior perda sanguínea e presença de bactérias (no tecido cirúrgico, em vasos miometriais e na cavidade peritoneal) → maior probabilidade de infecção ETIOLOGIA: polimicrobiana → bactérias que habitamo intestino e colonizam períneo, vagina e colo uterino ● São bactérias pouco agressivas, que se tornam virulentas no decorrer do pós-parto, com a presença de hematomas e tecido cirúrgico desvitalizado ● Mais frequentes: Streptococcus agalactiae, Enterococcus spp., Escherichia coli, Bacteroides bivius e Bacteroides disiens MECANISMOS DE DEFESA: atividade contrátil normal do útero após dequitação e na involução puerperal, reação leucocitária e hemóstase trombótica na zona de implantação da placenta PATOGENIA: parto produz a área remanescente de descolamento placentário, como uma ferida na cavidade uterina = porta de entrada → propicia o desenvolvimento de infecções ● Bactérias colonizadoras do trato genital inferior ASCENDEM pelo colo uterino → chegam ao segmento inferior do útero → alcançam a área da ferida placentária → ENDOMETRITE - PARTO VAGINAL: gera modificações importantes na microbiota local e espécies anaeróbias se proliferam em excesso + trauma relacionado ao processo do nascimento + lóquios + contaminação da vagina durante o parto + término do estímulo hormonal ao epitélio vaginal ● Se produtos da concepção retidos preservam sua continuidade com o sítio de inserção placentária, bactérias conseguem vencer a barreira da camada basal da decídua → alcançam os vasos - CESÁREA: ruptura da camada basal da decídua = facilita a penetração bacteriana ● OBS: decídua necrótica e sangue na cavidade uterina são importantes meios de cultura para as bactérias (principalmente as anaeróbias) e presença de trauma cirurgico, hematomas e corpo estranho (fio de sutura) também contribuem para o crescimento bacteriano QUADRO CLÍNICO GERAL: ● FEBRE ● LEUCOCITOSE ● LÓQUIOS FÉTIDOS ● DOR PÉLVICA (pelo útero amolecido e doloroso) Perineovulvovaginite e cervicite Ocorre pela interrupção de continuidade produzida pela passagem do feto ou episiotomia ● Febre (moderada: 38,5º C) ● Dor ● Rubor ● Edema ● Secreção purulenta Endometrite Surge na área de implantação da placenta no 4º ou 5º dia após o parto ● Geralmente é acompanhada de miometrite, com quadro similar ou mais intenso ● Boas condições gerais ● Febre: 38,5 a 39º C ● Lóquios purulentos e com mau cheiro ● Exame pélvico: útero amolecido e doloroso, engrandecido no abdome e colo permeável à polpa digital (deixa escoar secreção purulenta) Parametrite Germe se propaga pela via linfática, causando infecção do tecido conjuntivo fibroareolar (paramétrio laterocervical - cerca o útero e colo lateralmente) unilateralmente ● Ocorre por lacerações do colo e da vagina ● Invasão anterior = paracistite ● Invasão posterior = pararretite ● Febre por > 10 dias: tem remissões matutinas e aumenta gradativamente (até 39,5º C) ● Dor intensa ao toque vaginal (pelo endurecimento dos paramétrios) ● Pode evoluir para abcesso do paramétrio ou do ligamento largo Anexite (salpingite e ovarite) Infecção e inflamação das tubas uterinas (mais frequentes) e dos ovários, que surgem após partos vaginais prolongados ou abortamentos infectados FASE AGUDA (endossalpinge): tubas endurecidas, tumefeitas, com acolamento das fimbrias e obliteração → retém exsudato purulento = forma piossalpinge ● Pode evoluir para absorção de material (recuperação parcial do órgão, que deixa sequela de obstrução tubária) FASE SUBAGUDA: forma tumor inflamatório anexial → progride para a cronicidade, podendo gerar HIDROSSALPINGE e até PERITONITE e OVARITE (quando atinge os ovários) ● Dor abdominal aguda (predominantemente nas fossas ilíacas) ● Febre alta (39 a 39,5ºC) ● Sensibilidade dos anexos à toque genital ● Palpação tumoral anexial à palpação Peritonite A pelviperitonite acompanha muitas formas de infecção puerperal localizada: endomiometrite, salpingite e parametrite ● Dor intensa em baixo ventre ● Febre alta (40º C) ● Perturbação funcional dos intestinos: retenção de gases e fezes (íleo paralítico) ● Pulso a 140 ppm ● Sinal de Blumberg positivo (dor à descompressão brusca da parede abdominal) ● Dor intensa ao toque no fundo de saco vaginal posterior (que está abaulado se houver secreção purulenta) Mamas (mastite: sinais flogísticos) DIAGNÓSTICO DE ENDOMETRITE PÓS PARTO CLÍNICO FEBRE > 38ºC após 24h de puerpério → excluídas com rapidez outras causas Sinais de bacteremia (tremores, calafrio, taquipneia e taquicardia) Dor abdominal (após parto vaginal, pois após cesárea é comum dor abdominal moderada) TRÍADE DE BUMM (clássica da endometrite pós-parto): útero doloroso, pastoso e hipo involuído Loquiação (sangramento decorrente da cicatrização do útero após gestação) OBS: valorizar qualquer elevação de temperatura oral após 24h do puerpério, pois pacientes desidratadas, com atelectasia, ingurgitamento mamário e cistite não apresentam elevação de temperatura em grandes proporções OBS2: febre > 38,5ºC nas primeiras 24h pode ser causada por estreptococos beta-hemolíticos dos grupos A (Streptococcus pyogenes - loquiação escassa, parada de eliminação de lóquios e sem odor fétido) e B, que se multiplicam rapidamente e ocasionam bacteremia e choque séptico fulminante = tratar pacientes para endometrite na ausência de outra causa de febre EXAMES COMPLEMENTARES EXAME DESCRIÇÃO HEMOGRAMA Leucocitose: de 15.000 a 30.000 células/mm3, porém com DESVIO A ESQUERDA Linfocitose OBS: aumento no número de leucócitos é fisiológico do pós-parto e isoladamente não é indicativo de infecção HEMOCULTURA Baixa positividade (10 a 20% das pacientes)/alto custo/divergências → é preconizada em casos não responsivos ao tratamento inicial empírico, nas pacientes imunodeprimidas e em casos de sepse EXAMES DE IMAGEM USG: detecta retenção de produtos da concepção, abcessos, hematomas intracavitários e da parede abdominal TC e RNM (ressonância nuclear magnética): realizadas em pacientes que não respondem de forma adequada ao tratamento inicial TRATAMENTO CLÍNICO: prescrição de antibióticos de largo espectro (pois infecção é polimicrobiana), de preferência com a paciente internada (pelo potencial de complicação) ● Endometrite não complicada: antibioticoterapia parenteral (vias não digestivas) até paciente ficar afebril por 24 a 48h → não há necessidade de manutenção de antibióticos e paciente é liberada para controle ambulatorial COMBINAÇÕES MAIS COMUNS PADRÃO = Clindamicina (lincosamidas – inibe síntese proteica – bacteriostático) + Gentamicina (aminoglicosídeos – inibe síntese proteica – bactericida) → não eficaz contra enterococos Ambos os esquemas apresentam considerável taxa de sucesso = não existe predileção de um esquema em relação ao outroESQUEMA TRÍPLICE Ampicilina ou penicilina (penicilinas – bactericida – impedem divisão e crescimento celular) + aminoglicosídeo (gentamicina ou amicacina) + metronidazol (nitroimidazólicos – bactericida e amebicida – pró-droga – inibe síntese de DNA) → eficaz contra enterococos, porém não efetivo contra estafilococos produtores de penicilinase = administrar oxacilina, clindamicina ou vancomicina OBS.: pacientes com comprometimento renal podem substituir aminoglicosídeos por cefalosporinas de 3ª ou 4ª geração ou por aztreonam FALHA TERAPÊUTICA: permanência da febre por > 72 horas ● Excluir resistência bacteriana, infecção do sítio cirúrgico, hematomas, celulite pélvica, abcesso intracavitário, tromboflebite pélvica e febre como reação adversa ao uso de antibiótico ● Re-exame clínico da paciente e a exclusão de foco infeccioso extragenital ● Cultura ● Exame de imagem: USG (abscessos e hematomas), TC e Rm (melhor acurácia para diagnosticar tromboflebite pélvica) CIRÚRGICO: ● Curetagem de restos placentários ● Debridamento de material necrótico ● Drenagem de abscessos ● Histerectomia → indicada nas formas disseminadas, localizadas ou propagadas, refratárias ao tratamento clínico - RADICAL: retirada dos anexos e paramétrios → caso estejam comprometidos PROFILAXIA: reduz incidência de endometrite em até 70% ● Emprego rotineiro de antibioticoprofilaxia (30 a 60 min antes do início da cirurgia) = dose única de ampicilina ou cefalosporinas1ª geração → diminui bacteremia e concentração de bactérias teciduais = diminui possibilidade de infecção do sítio cirúrgico ● ACOG (American College of Obstetricians and Gynecologist): administração de profilaxia antimicrobiana em todos os casos de operação cesariana, exceto para aquelas que já fazem antibioticoterapia Complicaçõe� CHOQUE SEPTICÊMICO ● ETIOLOGIA: Escherichia coli e Clostridium perfringens ● Prognóstico grave ● PRENUNCIAM: calafrios e febre, sudorese, sede, taquicardia, obnubilação mental e hipotensão ● SINTOMAS: febre (40ºC), calafrios, taquicardia (120 a 140 bpm) e mau estado geral, hipertermia contínua (com poucas oscilações) - OBS: útero pode não estar doloroso ou aumentado e lóquios podem estar ausentes ou discretos ● Na infecção por Clostridium perfringens: gangrena gasosa (evidenciada pela crepitação e nas radiografias), hemólise intravascular com hemoglobinemia (soro e urina castanho-escuros), icterícia (hiperbilirrubinemia), coagulação intravascular disseminada (CID) e insuficiência renal aguda TROMBOFLEBITE PÉLVICA PUERPERAL enfermidade rara É o ponto de partida da pioemia (êmbolos sépticos), determinando abcessos renais, pulmonares e de outros órgãos QUADRO CLÍNICO: ● Menos ostensivo: febre persistente (apesar de antibiótico), calafrios, taquicardia e taquipnéia, dor torácica (pode estar ausente ou mal localizada), tosse e hemoptise ● Trombose de veia ovariana (90% dos casos, a veia direita): febre, dor pélvica e massa abdominal palpável PATOGÊNESE: não se sabe se 1º trombo se forma e se infecta, se a infecção puerperal favorece a formação de trombos, ou se isso acontece simultaneamente ● Estase venosa: durante a gestação, o calibre das veias ovarianas aumentam 3x, provocando distensão venosa, o que gera incompetência das válvulas venosas após o parto, quando há queda do fluxo sanguíneo = varicosidades ● Fluxo retrógrado: ocorre pela incompetência valvular = pode gerar trombose ● Hipercoagulabilidade: alterações fisiológicas do final da gestação se estendem ao puerpério = aumento de fatores de coagulação e da adesividade plaquetária ● Lesão da camada íntima venosa: pela endometrite e possível trauma durante o parto (seja vaginal ou cesárea) DIAGNÓSTICO: ● Exame físico (pouco elucidativo: massa dolorosa que se estende da margem lateral do músculo reto do abdome → tromboflebite da veia ovariana palpável ● BEG, febre persistente até 40°C e calafrios ● Métodos de imagem: TC, RNM → o melhor método TRATAMENTO: antibióticos de largo espectro (esquema como na endometrite) e heparinização plena (intravenosa) → duração variável INFECÇÃO DA PAREDE ABDOMINAL (após cesariana) uma das principais complicações no puerpério - infecções nosocomiais ou hospitalares FATORES PREDISPONENTES Tempo prolongado de internação Obesidade DM Imunossupressão Tempo cirúrgico prolongado Desnutrição Má técnica cirúrgica Infecções em outros sítios QUADRO CLÍNICO: se manifesta em torno do 5º ao 7º dia pós-operatório, exceto quando há envolvimento do Streptococcus do grupo A, que provoca sinais dentro de 48 a 72h após a cesariana ● Dor no local da incisão ● Formas leves: edema, eritema, hipertermia local e ausência de manifestações sistêmicas ● Formas graves: febre, calafrios e queda do estado geral ● Se houver presença de CELULITE: acometimento difuso e extenso do tecido celular subcutâneo ● Forma purulenta exsudativa (+ típica): hiperemia e febre FASCIITE NECROSANTE: forma mais grave e rara de infecção da ferida cirúrgica, com mortalidade em 20 a 50% dos casos, mesmo utilizando antibioticoterapia de largo espectro ● Principais agentes etiológicos: Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A) e Stafilococos aureus ● QUADRO: acometimento do tecido subcutâneo de forma difusa, fáscia muscular e crepitações com extensas áreas de necrose tecidual INFECÇÃO DA EPISIOTOMIA não é frequente = < 1% de incidência CLASSIFICAÇÃO: em 5 tipos, de acordo com profundidade da lesão e gravidade do processo inflamatório INFECÇÃO SIMPLES Limitada à pele e à fáscia superficial adjacente → edema, eritema e deiscência (abertura espontânea dos pontos) da zona suturada INFECÇÃO DA FÁSCIA SUPERFICIAL Edema e eritema atingem estruturas que tem continuidade com a fáscia superficial: parede abdominal, glúteos e pernas NECROSE DA FÁSCIA SUPERFICIAL É grave, inicialmente há edema e eritema, e mais tarde pele adquire cor azulada/acastanhada, aspecto gangrenoso e vesículas/bolhas FASCITE NECROSANTE Infecção das 2 camadas (camper e colles) da fáscia superficial = sinais como a da necrose de fáscia superficial, porém pode evoluir para a fáscia da parede abdominal e provocar choque → é preciso tratamento cirúrgico MIONECROSE Consequente da infecção por Clostridium perfringes, atinge os músculos do períneo QUADRO CLÍNICO Dor local ACOMETIMENTO SUPERFICIALEdema Hiperemia Formação de abscesso QUADRO MAIS EXTENSO Endurecimento do local Drenagem de material purulento Manifestações sistêmicas TRATAMENTO ● Antibioticoterapia: - Via oral: amoxicilina com clavulanato ou clindamicina → quando não há manifestação sistêmica e abscesso - IV: clindamicina associada a gentamicina → em manifestações sistêmicas, acompanhadas ou não de abscesso ● Debridamento Local ● Cirurgia: exploração da lesão, retirada dos fios de sutura, desbridamento extenso do tecido necrótico e hemostasia, com fechamento da lesão por segunda intenção REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Zugaib - 3º edição Obstetrícia - Rezende - 13º edição Objetivo 10 - Identificar sinais clínicos de possível desordem comportamental e mental associado ao puerpério (blues, depressão e psicose) PUERPÉRIO: até 1 ano, há um maior risco do desenvolvimento de transtornos de humor → se acentua no 1º mês após o parto: ● Evidenciam a importância da EQUIPE MULTIPROFISSIONAL (psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais) na atenção pós-natal Bab� Blue� observado em 50 a 85% das mães após o parto ● DEFINIÇÃO: alteração transitória, leve e autolimitada (resolução espontânea - rápida) do humor nas mulheres, que se inicia do 3º ao 5º dia após o parto → considerado normal, NÃO compromete a habilidade da mãe de cuidar do recém-nascido nem de si ● DURAÇÃO: de horas a no máximo 2 semanas ● ETIOLOGIA: mudanças biológicas durante o trabalho de parto, parto e puerpério imediato + fatores psicossociais +personalidade SINTOMAS Flutuação rápida de humor - DISFORIA Tristeza Irritabilidade Choro fácil Ansiedade Instabilidade - Insônia e diminuição da concentração ● 20% das pacientes acometidas por blues evoluem para depressão pós -parto ● CONDUTA: na maioria dos casos, não é necessário nenhum tratamento, a não ser reconhecer o problema e tranquilizar a puérpera - Intervenções psicossociais - Maior suporte: alguém para cuidar do RN a noite para que mãe possa dormir e descansar adequadamente - Reforço de sua capacidade - Orientação correta a respeito da instabilidade/labilidade emocional, depressão e ansiedade → traz conforto e previne transtornos psiquiátricos - EVENTUALMENTE (se necessário): uso de benzodiazepínicos (ex: clonazepam - 0,5 a 1 mg, por via oral, à noite - ou lorazepam - 0,5 a 1 mg, por via oral, à noite -) em baixas doses antes de dormir e por curto período (chegam ao RN pelo leite materno) → contraindicar a ingesta de álcool Depressã� P�-Part� o� Puerpera� uma das principais causas de morbidade materna, observada em 10 a 15% das mulheres → consequências para ela e também seu(s) filho(s) e sua família ● DEFINIÇÃO: persistência ou piora dos sintomas do baby blues, por > 2 semanas, que causam prejuízos à mãe (fica incapaz de cuidar) e ao cuidado com o RN ● INÍCIO: pode ser insidioso (maioria) ou abrupto, nas primeiras 5 semanas de puerpério (geralmente até 30 dias) → alcança intensidade máxima nos primeiros 6 meses ● DURAÇÃO: variável, geralmente até 1 ano após o parto → se não tratada, pode melhorar gradativamente até 6 meses após o parto ● ETIOLOGIA: - Algumas mulheres tem maior sensibilidade às alteraçõeshormonais iniciadas na menarca, que em conjunto com estresses psicológicos, ambientais e fisiológicos durante a menacme, desencadeiam a manifestação de um transtorno de humor em momentos de altas flutuações hormonais - INTERAÇÕES RECÍPROCAS ENTRE O EIXO H-H-G E SISTEMA SEROTONINÉRGICO: no puerpério, os baixos níveis de esteroides ovarianos diminuem a atividade serotoninérgica central = maior vulnerabilidade SINTOMAS Humor depressivo Sentimentos negativos relacionados ao RN → mães consideram inaceitáveis e não os revelam a ninguém Instabilidade Ansiedade Desânimo Insônia Fadiga Diminuição da cognição, do apetite Sentimento de incapacidade de cuidar do RN Ideação suicida OBS: há também diminuição de peso, da função gastrointestinal e da libido - mulher normalmente não percebe que está deprimida, e pode se sentir inibida de se queixar aos familiares e médico pela crença social de que deveria estar feliz ● Pode levar a COMORBIDADES (outras doenças etiologicamente relacionadas): ansiedade extrema, hipocondria, transtorno do pânico e transtorno obsessivo-compulsivo (= mãe tem pensamentos obsessivos de agredir o bebê, deixá-lo cair ou jogá-lo pela janela, que ao mesmo tempo a angustiam, pois ela se mantém protetora) ● DIAGNÓSTICO: - É necessário excluir causas orgânicas (ex: hipotireoidismo e anemia) - Se baseia nos mesmos critérios do TDM (Transtorno Depressivo Maior): apresentação dos sintomas na maior parte do dia, todos os dias, durante pelo menos 2 semanas - OBS: saber diferenciar os sintomas de depressão e queixas comuns do puerpério e proporcionada pela experiência com maternidade → ansiedade, raiva, sensação de estar no limite, sintomas de comprometimento cognitivo (pela alteração do sono secundária à amamentação ou inversão do ciclo sono-vigília do RN) e vivenciar uma realidade não condizente com as expectativas ● TRATAMENTO: melhora dos sintomas em um período inicial de 6 semanas e, caso isso ocorra, o tratamento deve ser mantido por pelo menos 6 a 12 meses, a fim de prevenir recidivas - Quadro leve a moderado (ausência de agressividade, de sintomas psicóticos, de pensamentos suicidas e homicidas e com crítica preservada): não farmacológicos → psicoterapia = interpessoal, terapia comportamental e em grupo e terapia do cônjuge e familiar - Quadro grave: tratamento medicamentoso ambulatorial, terapia psicossocial como adjuvante (acompanhamento conjunto pelo psiquiatra) e ELETROCONVULSIVOTERAPIA na necessidade de tratamento rápido (evolução para psicose, episódios de mania e puerperas com risco de suicídio e infanticídio) - Depressão grave e com risco de suicídio: devem ser hospitalizadas - FARMACOLÓGICO: mesmo manejo do TDM, porém optando-se por medicamentos mais seguros para amamentação: Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) → fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram Escolhas de 1ª linha: ● Tem boa tolerabilidade ● Não são sedativos ● Menor incidência de efeitos colaterais ● Menor risco de superdosagem Inibidores da recaptação da serotonina e norepinefrina (IRSN) Benzodiazepínicos Podem ser usados durante a lactação, para ajudar com a ansiedade e/ou insônia OBS: o objetivo é deixar mais serotonina e norepinefrina disponíveis, que tem várias funções, dentre elas regular o humor, apetite, sono, memória e aprendizagem ● PROFILAXIA: uso de antidepressivos no puerpério por mulheres com história de depressão pós-parto ou que apresentaram sintomas depressivos na gestação Psic�� Puerpera� observada em 0,1 a 0,2% das mulheres ● DEFINIÇÃO: transtorno psiquiátrico em que a mãe tem delírios e alucinações capazes de despertar sentimentos como raiva, medo e agonia, colocando em risco a função materna de cuidar do RN ● INÍCIO: nos primeiros 3 dias (metade dos casos) ou 2 semanas após o parto → podendo ser até 1 mês após o parto ● FATORES DE RISCO: mulheres com quadros psicóticos prévios à gestação, pacientes que apresentaram psicose puerperal em gestação anterior ou antecedente de transtorno bipolar, depressão grave psicótica, transtorno esquizoafetivo e esquizofrenia ● RISCO: infanticídio, suicídio SINTOMAS DESCRIÇÃO Humor depressivo ou exaltado Mulheres geralmente exibem transtornos de humor: transtorno bipolar Agitação - Irritabilidade Insônia Fadiga Comportamento desorganizado Delírios (crenças exageradas e irrefutáveis) Relacionados ao bebê: mãe acha que ele pode morrer, é defeituoso ou tem poderes especiais Alucinações (percepção de imagens/sons que não são reais) São principalmente auditivas e ordenam agressões a si ou ao bebê OBS: é comum a confusão mental e desorientação seguida de momentos de lucidez ● TRATAMENTO: é considerado uma emergência médica, pacientes devem ser hospitalizadas (visitas supervisionadas podem ser estimuladas), há a prescrição de drogas antipsicóticas e deve haver mobilização familiar para garantir o cuidado ao RN - Eletroconvulsoterapia é uma opção ● PROFILAXIA: se mulher tem história prévia de psicose puerperal ou transtorno bipolar, pode fazer uso de LÍTIO da 36ª semana até 48h após o parto → previne novo episódio em gestações subsequentes REFERÊNCIAS: Obstetrícia - Rezende - 13º edição Obstetrícia - Zugaib - 3º edição Objetivo 11 - Classificar mortalidade materna. Mortalidad� Matern� morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o parto, causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gestação ou por medidas tomadas em relação a ela OBS: MORTE MATERNA NÃO OBSTÉTRICA (ou não relacionada) é a morte resultante de causas acidentais não relacionadas à gravidez e seu manejo, não sendo incluídos no cálculo da taxa de mortalidade materna → acidentes ou violência MORTE MATERNA OBSTÉTRICA ● DIRETA: ocorre por complicações obstétricas na gravidez, parto ou puerpério → devido a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou cadeia de eventos resultantes dessas causas Gravidez ectópica Mola hidatiforme Aborto Complicações: infecções, hemorragias Ruptura prematura de membranas DPP Hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e eclâmpsia Complicações pulmonares e cardíacas no TP Complicações da anestesia Tromboses Obstrução do trabalho de parto Hemorragias Diabetes mellitus gestacional Rotura uterina Infecção puerperal Neoplasia de placenta Transtornos metais do puerpério Osteomalácia puerperal ● INDIRETA: por doenças que existiam antes da gestação e foram agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez, ou que se desenvolveram durante esse período Hipertensão pré-existente Doenças cardíacas e renais pré-existentes ou adquiridas Diabetes mellitus pré-existente Desnutrição na gravidez Doenças infecciosas e parasitárias Anemia Doenças endócrinas Tétano AIDS MORTE MATERNA TARDIA: devido a causas obstétricas (diretas ou indiretas) > 42 dias e até 1 ano após o parto MORTE MATERNA DECLARADA: quando informações registradas na Declaração de Óbito (D.O.) permitem a classificação do óbito como materno MORTE MATERNA NÃO DECLARADA: quando informações registradas na D.O. NÃO permitem classificar o óbito como materno → só com investigação é que descobre se tratar de morte materna MORTE MATERNA PRESUMÍVEL OU MASCARADA: quando a causa básica da morte está relacionada ao estado gravídico-puerperal, porém NÃO consta na D.O. por falha de preenchimento → apenas a causa terminal (afecções ou lesões) são declaradas como causa terminal Mortalidade de Mulheres em Idade Fértil: internacionalmente, corresponde aos óbitos de mulheres na faixa de 15 a 49 anos de idade. No Brasil, a faixa etária analisada é de 10 a 49 anos. REFERÊNCIAS: meus resumos de AAS e HG e resumo da Gabriela (P3) Problema 04 PROBLEMA 4 Em busca da qualidade de vida Abertura: 14.10 Fechamento: 18.10 Vera tem 35 anos é branca, tabagista e nuligesta. Nunca fez “preventivo”. Há 6 meses, vem apresentando menstruações longas, abundantes e de difícil controle, além de irritação, nervosismo, dor e inchaço nas mamas antes de menstruar. Está preocupada com a sua irmã Vânia que tem 49 anos e vem se queixando de uns caloresesquisitos. Além disso, agora ela não sabe mais quando vai menstruar. Elas foram juntas ao médico que lhes solicitou alguns exames. O médico ainda lhes perguntou se tinham histórico de câncer na família e se eram sedentárias. PP: Qual conduta elaborar para possíveis diagnósticos de Vera e Vânia? 1 - Elucidar as causas de sangramento uterino anormal (miomatose, neoplasias…). 2 - Identificar a conduta inicial para sangramento uterino. 3 - Identificar o quadro clínico e etiopatogenia da TPM e TDPM e seu tratamento. 4 - Explicar fisiologia e diagnóstico do climatério. 5 - Elencar tratamentos não medicamentosos do climatério (orientações). 6 - Descrever epidemiologia das principais neoplasias ginecológicas. ● LEIOMIOMAS: encontrados em até metade das mulheres com mais de 35 anos de idade, a incidência varia de 30 a 70% e a prevalência é superior a 80% em mulheres negras e de quase 70% em mulheres brancas Objetivo 1 - Elucidar as causas de sangramento uterino anormal (miomatose, neoplasias…). Objetivo 2 - Identificar a conduta inicial para sangramento uterino. Sangrament� Uterin� Anorma� (SUA) o� Anovulatóri� distúrbio em que um ou mais parâmetros do sangramento uterino normal está alterado: quantidade, duração ou frequência → é uma perda menstrual excessiva com repercussões físicas, emocionais, sociais e materiais = afeta qualidade de vida da mulher A maioria é causada por privação estrogênica, pois a progesterona induz o crescimento do endométrio sem descamação periódica, resultando em eliminação final do tecido endometrial frágil = cicatrização endometrial irregular e assincrônica: Níveis baixos de estrogênio Sangramento irregular e prolongado Níveis maiores de estrogênio Episódios de amenorreia seguidos por hemorragia aguda e intensa ● NORMAL: fluxo menstrual com duração de 3 a 8 dias, perda sanguínea de 5 a 80 mL, ciclo variando entre 24 e 38 dias → fora disso, é anormal ● QUADRO CRÔNICO: episódios que se repetem pelo menos nos 6 meses anteriores ● QUADRO AGUDO: requer cuidados urgentes ou de emergência ● Ocorre: anovulação, falta de mastalgia e leucorreia (corrimento mucoso) → geralmente não se associam a síndrome pré-menstrual e ocorrem de forma imprevisível ● Tem etiologia múltipla e pode ocorrer em qualquer fase do período reprodutivo da mulher: Grupo de Desordens Menstruais desenvolveu o acrônimo PALM-COEIN para classificar as causas de SUA CAUSAS DE SUA - acrônimo PALM-COEIN CAUSA DESCRIÇÃO CAUSAS ESTRUTURAIS podem ser visualizadas em exames de imagem ou avaliadas pela histopatologia Pólipos endometriais Causam aumento do volume menstrual, menstruações irregulares, sangramento pós-coito ou sangramento intermenstrual → prevalência: de 7,8% a 34%, mais comuns em mulheres na peri e pós menopausa Adenomiose Sintomatologia varia de acordo com a profundidade do miométrio atingido: ● Formas superficiais (atinge até 0,5 mm abaixo do endométrio): SUA ● Forma profunda: sintomatologia dolorosa (dismenorreia e dispareunia) ● OBS: prevalência varia de 5% a 70% pela inconsistência diagnóstica Leiomiomas ou miomas Neoplasias benignas de células de músculo liso uterino, são os tumores mais comuns do trato genital feminino (acometem 20 a 40% das mulheres na menacme) - sintomas variam de acordo com a localização: ● Intramurais: no miométrio, com < 50% protruindo na superfície serosa do útero ● Submucosos: na camada interna do miométrio, se projeta para a cavidade uterina → mais propensos a causar sangramento ● Subserosos: > 50% do volume projetado na serosa do útero ● Pediculados: ligados ao útero por um pedículo ● Cervicais: quando se localizam no colo do útero Malignidade e hiperplasia do endométrio Sangramento geralmente após a menopausa ● Câncer cervical invasivo (sintoma mais frequente é sangramento anormal) ● Hiperplasia cística ou adenomatosa ou com atipia citológica no endométrio (pela ação estrogênica sem oposição) ● Carcinoma invasor ● Neoplasia vaginal Fatores de risco para adenocarcinoma do endométrio: obesidade, diabetes, hipertensão e qualquer condição de exposição prolongada aos estrogênios sem oposição de progesterona OBS: incidência aumentada em mulheres perimenopáusicas. Lesão cervical visível deve ser avaliada por biópsia (sem aguardar resultado do exame colpocitológico, que pode ser falso negativo pela necrose tumoral) CAUSAS NÃO ESTRUTURAIS não podem ser visualizadas Coagulopatia Podem se expressar clinicamente por SUA: ● Doença de von Willebrand (DVW): é a mais comum e se manifesta por menorragia desde a menarca ● Hemofilia ● Disfunções plaquetárias ● Púrpura trombocitopênica ● Anormalidades na função hepática (produção inadequada de fatores de coagulação) ● Distúrbios de coagulação associados hepatopatias e leucemia ● Coagulopatia congênita ou adquirida: se história clínica com sangramento aumentado desde menarca, 1 das condições (hemorragia após o parto, relacionada a cirurgia ou associada a tratamento dentário) ou ≥ 2 das condições (hematoma e/ou epistaxe pelo menos 1 vez/mês, sangramento gengival frequente e/ou história familiar de sangramento) disfunção Ovulatória ● Sangramentos anovulatórios: podem ocorrer em qualquer época, mas se concentram nos extremos do período reprodutivo ● Insuficiência do corpo lúteo ● Encurtamento da fase folicular da pré-menopausa ● SOP: mais comum → afeta de 5% a 10% das mulheres na menacme Endometrial Distúrbios primários do endométrio alteram sua hemostasia, pela resposta inflamatória → ex: DIP Iatrogênica Agentes farmacológicos: alteram diretamente o endométrio, interferem na coagulação e influenciam a ovulação ● AC hormonais: associados a sangramentos intermenstruais e manchas (spotting) ● Anticoagulantes ● Ácido acetilsalicílico ● Antiepilépticos ● Hormônios da tireoide ● Antidepressivos ● Tamoxifeno ● Corticosteróides causas Não classificadas Incluem: lesões locais, condições sistêmicas raras (malformações arteriovenosas, hipertrofia miometrial, alterações müllerianas e istmocele) SANGRAMENTO UTERINO DISFUNCIONAL (SUD) = termo que descreve sangramento anormal sem identificação de causa específica → usado como diagnóstico de exclusão e não sintoma OUTRAS CAUSAS ● SANGRAMENTO RELACIONADO COM A GRAVIDEZ = gravidez ectópica, aborto espontâneo ● HORMÔNIOS EXÓGENOS = quando ocorre sangramento irregular durante o uso (irregular ou não) de hormônios contraceptivos, principalmente nos primeiros 3 meses e os que contém apenas progesterona → por isso é imprescindível orientar antes do uso desses métodos de contracepção, para que a mulher possa se adaptar a sangramentos irregulares e imprevisíveis - TRATAMENTO: pode variar de tranquilização a recomendações de substituição do esquema de administração do hormônio ou uso de AINEs, que diminui o sangramento intermenstrual ● CAUSAS ENDÓCRINAS = no hipotireoidismo há menorragia, e os distúrbios que causam anovulação, como disfunção hipotalâmica, hiperprolactinemia, insuficiência ovariana prematura e doença primária da hipófise, são consideradas causas de amenorréia, mas também provocam sangramento irregular ● CAUSAS ANATÔMICAS (comuns nas mulheres em idade reprodutiva) = - Pólipos endometriais: podem ser assintomáticos, regredir de maneira espontânea (se menores) ou causar sangramento anormal (se maiores, causam sangramento intermenstrual, intenso e após a menopausa), tendo tendência a transformação maligna. Estão relacionados ao uso de tamoxifeno e à dismenorreia e infertilidade → espessamento endometrial observado à US transvaginal, observação por histeroscopia ou histerossonografia - Lesões cervicais (pólipos endocervicais, lesões cervicais infeciosas: condilomas, ulcerações, cervicite): podem causar sangramento intermenstrual ou pós-coital ● CAUSAS INFECCIOSAS = endometrite (causa menorragia em mulheres com IST), cervicite (causam sangramento irregular e pós-coito), DIP (mulher de fluxo menstrual prévio leve a moderado, com queixa de menorragia e aumento da dor menstrual) DIAGNÓSTICO e CONDUTA com foco em identificar a causa do sangramentoanormal ● História clínica e ginecológica → anamnese detalhada ● Exame físico geral, abdominal e ginecológico (meticuloso) ● Quantificação do fluxo pelo score PBAC (Pictorial Blood Assessment Chart): - Absorvente levemente encharcado: multiplica-se constante de 1 - Absorvente moderadamente encharcado: 5 - Absorvente completamente encharcado: 20 - SOMAR OS VALORES OBTIDOS: se score ≥ 100 = perda sanguínea excessiva, acima de 80 mL - OBS: para tampões vaginais, usar as constantes 1,5 e 10 ● Solicitação de beta-HCG (se em idade reprodutiva, para exclusão de gravidez) e hemograma completo ● Avaliação ultrassonográfica para afastar causas estruturais (como possível malignidade), histerossonografia para estudo da cavidade uterina) ou métodos diretos como histeroscopia e biópsia do endométrio EXAMES LABORATORIAIS EXAMES DE IMAGEM complementar para mulheres com história compatível com anovulação crônica, obesas ou > 35 a 40 anos COLETA DE AMOSTRA DO ENDOMÉTRIO (biópsia) avalia sangramento anormal em mulheres com risco de doenças endometriais (pólipos, hiperplasia, carcinoma) ● Obrigatória em mulheres > 35 e < 40 anos e em jovens e obesas que não respondam ao tratamento clínico Hemograma completo → anemia ou trombocitopenia US pélvica → anormalidades anatômicas e distúrbios endometriais e ovarianos em mulheres obesas (transdutor vaginal) Teste de gravidez Histerossonografia → problemas intrauterinos (pólipos ou leiomioma submucoso) Coagulograma → descartar distúrbio primário de coagulação Exame histológico → excluir neoplasia maligna Prova de função tireoidiana RM → não é útil na avaliação inicial, mas pode localizar leiomiomas na cavidade endometrial e detectar adenomiose, doenças anexiais e ovarianas OBS: no SUA agudo, pela gravidade (comprometimento do estado geral) e condições de atendimento, nem sempre a causa específica do sangramento pode ser investigada antes da instituição da terapêutica = estabilização hemodinâmica → descartar causas relacionadas a gestação, lesões vaginais e de colo uterino → terapêutica para conter sangramento → investigação sobre as prováveis causas TRATAMENTO ● TRATAMENTO CLÍNICO (tentar antes da intervenção cirúrgica): geralmente é eficaz - ACO (DE ESCOLHA): diminui fluxo menstrual - Estrógeno: o sangramento vaginal intermitente (spotting) está associado a baixas doses de estrogênio que resulta no mínimo estímulo endometrial, e quando há uma fina camada de endométrio, progesterona não tem efeito (necessita de uma ação proliferativa estrogênica prévia para atuar) → seguida por uma cobertura progestagênica - Progestágeno: via oral, parenteral ou intrauterina, em pacientes nas quais o uso de estrogênio é contraindicado, além de diminuir o risco de hiperplasia por estimulação estrogênica sem oposição, persistente no endométrio) - SIL de levonorgestrel (controle e sangramento intenso): fornece quantidade constante do progestageno ao endométrio e suprime seu crescimento → alta eficiencia em SUD - Ácido tranexâmico (antifibrinolítico): - AINE: ibuprofeno e ácido mefenâmico - reduz o fluxo em 30 a 50%, mas ainda é menos eficaz - Danazol: diminui sangramento e induz amenorréia, porém tem efeitos colaterais androgênicos, por isso é raramente usado no tratamento contínuo - Análogos do GnRh: tratamento de curta duração, isoladamente ou combinado com estrogênio e/ou progesterona ● TRATAMENTO CIRÚRGICO (quando tratamento clínico é ineficaz ou contraindicado e paciente não deseja ter mais filhos): ablação do endométrio (eficiente e excelente relação custo-efetividade, embora não seja definitivo), ressecção do endométrio, técnicas cirúrgicas conservadoras de tratamento do leiomioma uterino (histeroscopia com ressecção de leiomiomas submucosos, técnicas laparoscópicas de miomectomia, embolização da artéria uterina e ablação por ultrassom focal guiado por RM) e histerectomia (cura definitiva em casos de leiomiomas) → escolha depende da causa do sangramento, preferências da paciente e habilidades do médico - AVALIAR RISCO E BENEFÍCIO - OBS: se forem escolhidas opções conservadoras, sintomas podem persistir e será necessário repetir os procedimentos e fazer histerectomia subsequente Miomat��/ Leiomiom�/ Miom� (um� da� causa� estruturai� d� SUA) DEFINIÇÃO = tumores benignos sólidos, dependentes de hormônios ovarianos, que surgem a partir da desregulação do crescimento das células miometriais somáticas, o que resulta em um grau de células monoclonais que compõe o nódulo miomatoso (fibras musculares lisas, entrelaçadas por tecido conectivo) FATORES DE RISCO Idade entre 35 e 50 anos Mulheres pretas História familiar de miomatose (risco 2,2 x maior se mãe ou irmã) → predisposição genética Aumento do IMC e obesidade (a cada 10 kg de ganho ponderal = aumento de 20% do risco) Reposição hormonal Nuliparidade (aumento do nº de filhos diminuem o risco) Infecções ginecológicas FISIOPATOLOGIA SÃO TUMORES HORMÔNIO DEPENDENTES = frequentes na idade reprodutiva, aumentam durante gestação e decaem na menopausa ESTRADIOL E PROGESTERONA promovem CRESCIMENTO do mioma na menacme promovem REGRESSÃO do mioma quando há diminuição dos níveis circulantes ESTRÓGENO crescimento do mioma PROGESTERONA proliferação tumoral e inibição da apoptose ESTRADIOL estimula a produção de componentes da MEC ● Gradual e progressivamente: mutações somáticas no miométrio → perda de controle do crescimento celular → HIPERPLASIA + HIPERTROFIA das células miometriais → adaptação celular e aumento da MEC (colágeno, proteoglicanos e fibronectina) = novo fenótipo - OBS: nódulos em um mesmo útero têm origem monoclonal independente e comportamento biológico distinto ● Hormônios esteroides e mediadores (IGF, TGF-B, PDGF, FGF, interleucinas, IFN) aumentam a atividade mitótica e deposição da MEC ● Mioma tem maior concentração de estrogênio comparado ao miométrio vizinho: tem mais receptores de estradiol e menos 17-αhidroxidesidrogenase (então diminui o metabolismo do estradiol a estrona) ● Aumento da superfície intracavitária altera a contratilidade do endométrio e seus vasos durante a menstruação → ingurgitamento = sangramento anormal ● Congestão, necrose e ulceração do endométrio que circunda o mioma (menos frequente) = sangramento intermenstrual ● Miomas determinam o aumento da atividade muscular uterina = dismenorréia ou dor opressiva, no hipogástrio e com irradiação para região lombossacral e membros inferiores QUADRO CLÍNICO diretamente relacionado ao tamanho, número e localização dos leiomiomas e tem como consequência anemia, falta ao trabalho e constrangimentos sociais ● SUA (aumentado é o mais comum = menorragia ou hipermenorréia) ● Dismenorréia secundária ● Sintomas compressivos (sensação de peso e desconforto em baixo ventre) ● Sintomas urinários (aumento da frequência) ● Infertilidade (principalmente se é submucoso) ● Dor pélvica acíclica ● Dispareunia ● Sintomas gastrointestinais ● Aborto ● OBS: se houver degeneração ou torção = dor pélvica aguda, anemia, fadiga, astenia, taquicardia, dispneia, dor e edema de membros inferiores SUBMUCOSOS Sangramento uterino irregular → metrorragia (irregular e prolongada) SUBSEROSOS ● Não geram SANGRAMENTO ● Quando volumosos, podem causar: dor pélvica e sintomas de compressão extrínseca (lombossacralgia), aumento da frequência urinária, noctúria, retenção ou incontinência urinária e até compressão ureteral (compromete função renal) INTRAMURAIS Aumento da intensidade e/ou duração do fluxo menstrual (menorragia - quantidade excessiva - ou hipermenorragia) DIAGNÓSTICO: história clínica (sinais e sintomas), toque vaginal bimanual e USG TRATAMENTO: ● Assintomático = não precisa tratar ● Se sintomas = tratamento farmacológico - AINES (1º alternativa): controlam a dor pélvica mas tem pouco efeito sobre a menorragia - Progestágenos (1º escolha): para o controle da menorragia - Análogos de GnRH: usado previamente ao tratamento cirúrgico pois provoca redução dos leiomiomas e seu controle a curto prazo, melhorando a menorragiaem 48h ● Se não há resposta = considerar abordagem cirúrgica (via e tipo dependem do nº, localização, tamanho do mioma, do desejo de concepção e da proporção de componente submucoso - se maior parte, exérese é histeroscópica - ou intramural - se lesões com grande componente intramural: laparoscopia ou laparotomia -) ● Se impossibilidade de realização de miomectomia ou quando não há desejo de preservar a fertilidade = histerectomia (via vaginal, laparoscópica ou laparotômica) ● Se desejo de preservar fertilidade = embolização das artérias uterinas → porém tem alto risco de reabordagem Critérios para segurança e sucesso da MIOMECTOMIA HISTEROSCÓPICA PONTUAÇÕES TAMANHO DO MIOMA PENETRAÇÃO NA PAREDE ENDOMETRIAL LARGURA DA BASE LOCALIZAÇÃO NO ÚTERO 0 Até 2 cm Nenhuma Até ⅓ do tamanho Inferior 1 2 a 5 cm Até 50% De ⅓ a ⅔ Médio 2 > 5 cm > 50% > ⅔ do tamanho Superior 1 ponto é acrescentado se mioma estiver na parede lateral SCORE: 0 a 4 = miomectomia de baixa complexidade 5 a 6 = miomectomia complexa (preparo com análogo do GnRH - reduz volume do mioma - e/ou cirurgia em 2 tempos) > 7 = outra via não histeroscópica REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO Arquivos da FRRBASGO - sala virtual https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/miomatose-uterina.pdf https://amb.org.br/files/_BibliotecaAntiga/miomatose-uterina.pdf Objetivo 3 - Identificar o quadro clínico e etiopatogenia da TPM e TDPM e seu tratamento. Síndrom� Pr�-Menstrua� (SPM) caracterizada por mais de 100 sinais e sintomas físicos e psicológicos (emocionais e comportamentais, associados a fase lútea do ciclo menstrual, que tem início na metade da 2ª década de vida diminuem rapidamente com a chegada da menstruação → afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva FATORES DE RISCO: influência genética (variação do gene ESR1), aumento da ingesta de potássio, adiposidade, síndrome metabólica e IMC > 27,5 kg/m2 FISIOPATOLOGIA: ● Vulnerabilidade individual às modificações cíclicas hormonais fisiológicas (pois a concentração de progesterona e estrógeno e a interação entre hormônios gonadais e neurotransmissores, é normal) ● Na fase lútea, ocorre queda rápida dos esteróides gonadais = aumento agudo no tônus serotoninérgico e desvio parcial na capacidade de ligação dos opióides endógenos ● Neurotransmissores envolvidos (SNA): serotonina (menor índices séricos e menor captação plaquetária de serotonina = diminui o sítio de ligação de IMIPRAMINA nas plaquetas), betaendorfina, ácido gama-aminobutírico (GABA) → implicam nas manifestações clínicas ● CAUSAS AMBIENTAIS: consumo de chocolate, cafeína, sucos de frutas e álcool, e deficiências de vitamina B6 e de magnésio → implicação nos sintomas QUADRO CLÍNICO: é POLIMÓRFICO (variabilidade na intensidade e de acordo com cada mulher) e maioria dos sintomas é leve, bem tolerada, mas pode interferir um pouco nas atividades diárias ● OBS: NÃO existe um sintoma patognomônico e o polimorfismo dificulta diagnóstico precoce e preciso, porém os mais comuns são irritabilidade, disforia (mudança repentina e transitória do ânimo) e tensão DIAGNÓSTICO: VARIA DE ACORDO COM A “INSTITUIÇÃO” Presença de 1 sintoma (afetivo ou físico) nos últimos 3 ciclos consecutivos, que interfira nas atividades diárias por ≥ 5 dias que antecedem a menstruação Aumento da intensidade dos sintomas em 30% durante a fase lútea quando comparado com os dias de 5 a 10 do ciclo Presença de 1 sintoma afetivo (explosão de raiva, irritabilidade, depressão, ansiedade, confusão e retração social) e 1 somático (mastalgia, edema abdominal, cefaleia e edema em extremidades) nos últimos três ciclos consecutivos, durante ≥ 5 dias que antecedem a menstruação, com alívio dos sintomas do 4º ao 13º dia do ciclo ● ANAMNESE: foco nos sintomas, correlacionando-os com a fase do ciclo menstrual, descrevendo a recorrência e a interferência com as atividades diárias. Questionar uso de medicamentos (ex: anticoncepcionais) e melhora dos sintomas ● EXAMES (físicos e laboratoriais): não apresentam anormalidades características ● DIÁRIO SINTOMATOLÓGICO: caracterizar os sintomas em relação à fase do ciclo menstrual e sua variabilidade de intensidade a cada mês → excluir SPM quando os sintomas não estão relacionados à fase lútea TRATAMENTO: alivia os sintomas em algumas pacientes (demanda por tratamento geralmente ocorre na metade dos 30 anos) ● MUDANÇA NO ESTILO DE VIDA (para mulheres com sintomas leves que não interferem nas atividades diárias): - Alimentação adequada: refeições regulares e nutritivas, reduzir alimentos ricos em cafeína, sódio, açúcar, carne vermelha e álcool, aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos, carboidratos complexos e água → melhora mastalgia, distensão abdominal e edema de extremidades ● OBS: aumento da ingestão de tiamina (B1), riboflavina (B2), ferro e zinco tem fator protetor - alimentos ricos em triptofano (chocolates com maior concentração de cacau, morango, feijão, queijo e batata-inglesa) podem ser mais atrativos na fase lútea, pois é um precursor da serotonina - Prática regular de exercícios físicos (30 minutos, 3 x por semana): liberação de endorfinas e alteração no nível dos hormônios esteróides circulantes - Redução do estresse: diminuir ou delegar responsabilidades e se dedicar a técnicas de relaxamento (meditação e ioga) → para um SONO ADEQUADO - Abandono do tabagismo ● PSICOTERAPIA (para mulheres com qualquer tipo de alteração psíquica perimenstrual): estratégias de relaxamento, modificação comportamental e reestruturação cognitiva e medidas para controle de dor, ansiedade e depressão → é mais lenta porém tem resultados concretos, sendo tão eficaz quanto 20 mg de fluoxetina ● TRATAMENTO MEDICAMENTOSO (para casos refratários às medidas não farmacológicas e TDPM): - Medicações sintomáticas: ● Enxaqueca pré-menstrual: analgésicos, ergotamina e AINEs → indometacina, mefenato, ibuprofeno, naproxeno e piroxicam ● Sumatriptana (agonista dos receptores da serotonina) ● Mastalgia: agonistas dopaminérgicos (bromoergocriptina, lisurida ou cabergolina) - Vitaminas e minerais: suplementação de vitamina E (bloqueia a diminuição do ácido gamalinoleico, reduzindo sintomas dolorosos), vitamina B6 (benéfica para tratar sintomas depressivos pois é cofator na síntese de dopamina e serotonina a partir do triptofano), magnésio (evitar ingestão excessiva de laticínios e cálcio, que pode levar à sua má absorção), cálcio (supressão da secreção do hormônio paratireóide, reduzindo irritabilidade neuromuscular e reatividade vascular) - Diuréticos (uso por curtos períodos e em doses baixas durante a fase lútea): melhora mastalgia, inchaço abdominal e edema de extremidades → espironolactona - Combinações hormonais: supressão do ciclo ovariano alivia os sintomas ● Contraceptivos hormonais orais combinados (ACHOs): método mais simples, principalmente se contracepção for prioridade → se contém drospirenona (derivado da progesterona), reduz edema pré-menstrual e acne ● Análogos do GnRH (para mulheres que não responderam/não podem usar ISRS ou ACHO e apresentam sintomas graves): é agonista do GnRH, tem ação de downregulation sobre os receptores de GnRH no hipotálamo, provoca a diminuição de FSH e LH e consequentemente, menos estrógeno e progesterona → eficazes porém não recomendados (exceto em pacientes com sintomas severos que não responderam a outros tratamentos) por necessidade prolongada, alto custo e efeitos adversos (osteoporose, ondas de calor, sudorese e cardiotoxicidade) - Fitoterápicos: folha de framboesa, óleo de prímula, Hypericum perfomatum, Ginkgo biloba, kava-kava, Vitex agnuscastus, Cimicifuga racemosa → alívio dos sintomas em até 50% - Antidepressivos (para SPM grave ou da DDPM): mais eficaz para sintomas de humor do que sintomas somáticos, sua duração é variável, podendo ser reavaliada após 1 ano para diminuição ou descontinuação - mecanismo de ação é diferente do mecanismo de alívio da depressão maior ● Inibidores seletivosda recaptação de serotonina (ISRS): pode ser administrado de forma contínua ou intermitente (só na fase lútea = menos efeitos colaterais) e necessita de aprox. 2 semanas de administração diária para efeito terapêutico → Fluoxetina, sertralina, paroxetina, citalopram, escitalopram e venlafaxina ● Tricíclicos: para tratar pacientes com predominância de sintomas físicos (cefaleia incapacitante ou dores generalizadas) ou com agressividade como sintoma predominante→ clomipramina e amitriptilina ● Ansiolíticos: úteis na fase lútea do ciclo, quando insônia e ansiedade são predominantes → alprazolam e diazepam ● CIRURGIA: último recurso, para os casos com sintomas severos e incapacitantes que responderam ao agonista de GnRH e à terapia hormonal durante pelo menos 6 meses → ooforectomia bilateral, geralmente com histerectomia concomitante - considerar os critérios antes de recorrer a uma abordagem cirúrgica: - Confirmação do diagnóstico com registro prospectivo de sintomas - A terapia agonista da GnRH deve ter sido efetiva por no mínimo 6 meses - Mulher com prole definida - A necessidade de mais anos de terapia (mulher jovem) Transtorn� Disfóric� Pr�-Menstrua� (TDPM) é a forma mais grave da SPM, com intensificação de seus sintomas, é um exemplo de transtorno depressivo (bem similar a depressão maior) → 2 a 5% das mulheres FATORES DE RISCO: baixo nível educacional, tabagismo, história de eventos traumáticos ou desordens de ansiedade FISIOPATOLOGIA: ● Alteração nos circuitos cerebrais → maior dificuldade de controle do eixo = sintomas emocionais, impulsividade, prejuízo nas atividades diárias QUADRO CLÍNICO: sintomas interferem muito nas responsabilidades profissionais, familiares ou acadêmicas = diminuição da produtividade no trabalho, faltas periódicas, aumento da ideação suicida → maior número de consultas aos profissionais de saúde DIAGNÓSTICO: ● DIÁRIO SINTOMATOLÓGICO: registro de sintomas físicos e comportamentais que interfiram nas atividades diárias, durante vários ciclos consecutivos (12 meses) → fornece melhores detalhes sobre a variabilidade dos sintomas, de acordo com a fase do ciclo menstrual ● Presença de ≥ 5 sintomas durante a semana que antecede a menstruação, melhorando após o início dela, com remissão completa na semana pós menstrual → deve-se excluir distúrbios psiquiátricos Também fazem parte dos sintomas: - Labilidade afetiva - Conflito interpessoal - Diminuição da energia - Desejos ● OBS: mulheres com função ovariana normal, que ovulação na ausência de menstruação (histerectomia com preservação de ovários, ablação de endométrio ou DIU levonorgestrel) não podem usar a menstruação como referência para seus sintomas, então é essencial o levantamento retrospectivo para documentar um padrão cíclico de sintomas a cada 28 a 35 dias TRATAMENTO: os que estabilizam sintomas emocionais e impulsividade podem ser benéficos → os mesmos da SPM REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia - Berek e Novak - 15º edição Tratado de Ginecologia da FEBRASGO Objetivo 4 - Explicar fisiologia e diagnóstico do climatério. Objetivo 5 - Elencar tratamentos não medicamentosos do climatério (orientações). Climatéri� transição entre o período reprodutivo (menacme) e o não reprodutivo (menopausa) da mulher, caracterizado por modificações endócrinas, biológicas e clínicas, que levam a irregularidades menstruais até chegar à amenorréia CLASSIFICAÇÃO PRÉ-MENOPAUSA = diminuição da fertilidade que inicia-se após os 40 anos dura até 5 anos PERIMENOPAUSA = ocorre geralmente 2 anos antes (e até 1 ano após a menopausa) da menopausa, é o intervalo entre o início das alterações e a instabilidade hormonal INTENSA, que encurta ou alonga os ciclos (anovulatórios em sua maioria), causando irregularidade menstrual MENOPAUSA = evento fisiológico e inevitável, que ocorre no final da 4ª e início da 5ª década de vida, devido ao envelhecimento ovariano, esgotamento folicular e insensibilidade dos receptores de gonadotrofina dos folículos, sendo caracterizado pela pausa definitiva dos fluxos menstruais ● MENOPAUSA PRECOCE = < 40 anos ● MENOPAUSA TARDIA = > 52 ou 55 anos PÓS-MENOPAUSA = é a menopausa confirmada, após 12 meses de amenorreia (então começa 1 ano depois da última menstruação) → os primeiros 5 anos são a “pós-menopausa precoce” e depois disso “pós-menopausa tardio” CLASSIFICAÇÃO STRAW + 10 = representa a vida reprodutiva feminina desde a menarca, é dividida em reprodutiva, transição menopausal e pós-menopausa, e contém subdivisões, totalizando 10 categorias FISIOPATOGENIA é um evento ovariano secundário à atresia fisiológica dos folículos primordiais (de ocorrência natural ou artificial - procedimentos clínicos ou cirúrgicos podem levar a parada da produção hormonal ovariana -) RELEMBRAR: a produção de folículos ovarianos se inicia na 8ª semana intrauterina, na 20ª semana atinge o número máximo de folículos primordiais (cerca de 7 milhões) e inicia a apoptose até o nascimento, com 70% de perda, restando 300 a 500 mil folículos na puberdade, se esgotando na pós-menopausa → obs: folículos crescem e sofrem atresia continuamente, de forma irrecuperável, independentemente de gravidez ou anovulação O eixo HH vai envelhecendo: altera metabolismo dopaminérgico → gera alterações hipotalâmicas e hipofisárias → perda de sincronia dos sinais neurais = afeta os folículos ovarianos (diminuição das células secretoras, exaustão/falência, diminuição dos receptores de gonadotrofinas/estrogênio), que gera: ● Diminuição/atresia progressiva dos folículos ovarianos + perda de sensibilidade aos estímulos gonadotróficos: - Diminuição volumétrica e funcional dos ovários - Folículos diminuem gradativamente a produção de inibina (que inibe FSH) e estradiol → consequente aumento de FSH (gera hiperestimulação folicular na tentativa de manter a foliculogênese) e LH (que também pode permanecer inalterado) = HIPOGONADISMO HIPERGONADOTRÓFICO ● LH (aumentado em 3-5 vezes) e FSH (aumentado em 10-15 vezes) atuam no estroma ovariano: - Maturação folicular acelerada: tendência de encurtamento gradativo do fluxo = irregularidade menstrual - Aumento da produção de andrógenos → produção de esteróides pelas adrenais e tecidos periféricos (tecido adiposo, fígado, músculos, rins e pele) → AROMATIZAÇÃO converte andrógenos em ESTRONA (principal hormonio no climatério, que vai substituindo o estradiol - diminuído em até 80% -) ● Mulheres obesas têm menos globulina carreadora dos hormônios esteróides (SHBG) → mais andrógenos livres = são transformados perifericamente em estrogênios - Aumento da androstenediona (para compensar) → conversão periférica no tecido gorduroso em estrogênio (principalmente ESTRONA) ● Ciclos anovulatórios: inicia-se maior espaçamento entre as menstruações pela persistência folicular longa e produção irregular de estrogênios, podendo levar a períodos de amenorréia e aumento da duração e intensidade do fluxo, em conseqüência das alterações endometriais ● FOGACHOS = HIPOESTROGENISMO (redução dos níveis séricos de estrogênio) leva a aumento de NORADRENALINA e pulsos de GnRH e LH → alterações em neurotransmissores cerebrais → instabilidade no centro termorregulador hipotalâmico, que fica mais sensível a pequenos aumentos da temperatura corporal (relacionados a alterações intrínsecas e ambientais) ● OSTEOPOROSE = aumenta a reabsorção óssea e diminui a secreção de calcitonina → rarefação da massa óssea ● MUDANÇAS NO METABOLISMO: - HIPOESTROGENISMO influencia a elevação dos níveis de colesterol e triglicérides: aumento de LDL e diminuição de HDL = favorável à dislipidemia, aterosclerose, doença coronariana, infarto do miocárdio e AVC - Aumento do fator VII (pró-coagulante), do fibrinogênio e do PAI-1 (ativador do inibidor do plasminogênio) = estado de hipercoagulabilidade, aumenta o risco de tromboembolismo QUADRO CLÍNICO ALTERAÇÕES DESCRIÇÃO MORFOLÓGICAS ● Atrofia mamária ● Atresia folicular provoca diminuição do volume médio dos ovários, de 8 a 9 cm na menacme, para 2 a 3 cm na pós-menopausa ● Alteraçõesde pele e mucosas: - Padrão de distribuição de gordura muda de ginecóide para andróide = acúmulo na região abdominal e aumento da CA - Declínio do colágeno = flacidez, rugas, afinamento e diminuição da elasticidade da pele, afinamento e queda de cabelo ● Alterações ósseas: OSTEOPOROSE (hipoestrogenismo afeta equilíbrio entre formação e reabsorção óssea, resultando em perda acelerada e massa óssea) = fragilidade e fraturas por baixo impacto ● Alterações articulares (receptores de estrogênio que protegem a estrutura biomecânica, foram isolados na articulação): dor ou rigidez ● SÍNDROME DO OLHO SECO: irritação ocular, secura, pressão, sensação de corpo estranho, aspereza e queimação e fotofobia ● SÍNDROME GENITOURINÁRIA (SGU - atrofia urogenital): sinais e sintomas vulvovaginais decorrentes do hipoestrogenismo: - PÓS-MENOPAUSA: tecido/mucosa que reveste o aparelho genitourinário apresenta um grau de adelgaçamento, diminuição de lubrificação e maior fragilidade - Disúria, urgência miccional e infecções urinárias - Mudanças nos lábios maiores/menores, clítoris, vestíbulo/introito, vagina, uretra e bexiga FUNCIONAIS ● Alterações cardiovasculares ● Elevação dos níveis de colesterol ● Aumento do risco de tromboelismo ● Declínio auditivo relacionado à idade em mulheres saudáveis ● Disfunção menstrual ● INCONTINÊNCIA URINÁRIA (pelo enfraquecimento do assoalho pélvico, adelgaçamento do tecido periuretral) ● Sintomas vasomotores (SVMs) = FOGACHOS: súbita sensação de calor intenso com início na face, pescoço, parte superior do tronco e braços, que se generaliza - varia muito em intensidade e duração - → pode ocorre enrubecimento da pele (hiperemia) e SUDORESE PROFUSA (e suores noturnos) - Mais raramente, pode estar acompanhado de palpitação e sensação de desfalecimento, gerando desconforto e mal-estar HORMONAIS ● PRÉ-MENOPAUSA e PERIMENOPAUSA: oscilação da produção hormonal de estrogênios e andrógenos, com predomínio de ESTRADIOL → distensão abdominal e mastalgia ● Diminuição de estradiol e progesterona ● Aumento de FSH e LH ● PÓS MENOPAUSA: predomínio de estrona, androstenediona, testosterona e pouco estradiol e progesterona (geralmente o suficiente para manter o equilíbrio endocrinológico e clínico) SEXUAIS ● Diminuição da libido, da freqüência e da resposta orgástica ● Questões psicossexuais e hormonais NO SONO (principalmente na perimenopausa, devido a flutuações hormonais) ● Menor duração e eficácia ● Aumento de despertar noturno → influenciados pelos fogachos noturnos NO HUMOR (intensidade variável, isoladamente ou em conjunto em algum período do climatério) ● Labilidade emocional ● Ansiedade ● Nervosismo ● Irritabilidade ● Melancolia ● Baixa auto-estima ● Dificuldade para tomar decisões ● Tristeza ● Depressão (89% das mulheres) → pela variação dos níveis séricos de estrogênio ALTERAÇÕES COGNITIVAS (principalmente na perimenopausa Estrogênio tem papel modulatório nos sistemas neurotransmissores, influencia o desempenho nas tarefas: ● Diminuição da atenção ● Alterações da memória: esquecimento (44%) ● Alterações na aprendizagem DISTOPIAS GENITAIS (insuficiência estrogênica leva a diminuição da elasticidade e hipotrofia músculo ligamentar) Deslocamento dos órgãos genitais de sua posição anatômica, devido ao enfraquecimento ou lesões das estruturas de sustentação de órgãos pélvicos ● Cistoceles ● Uretroceles ● Retoceles ● Prolapsos uterinos ● Cúpula vaginal ● Enteroceles DIAGNÓSTICO é clínico ANAMNESE: ● Queixas de fogachos, insônia, irritabilidade, artralgia, mialgia, palpitações, diminuição da memória e do interesse pelas atividades de rotina, da libido, dispareunia, astenia e sintomas gênito-urinários (relacionados com a hipotrofia das mucosas) ● Idade da menarca ● DUM ou menopausa ● Antecedentes pessoais, familiares e obstétricos ● Métodos de anticoncepção utilizados ● Realização de preventivos e detecção precoce do câncer de mama ● Hábitos alimentares e atividades físicas ● Existência de patologias concomitantes: DM, HA, doenças cardiovasculares, gastrointestinais, osteoporose, assim como de câncer de mama, útero ou ovários ● Uso de medicações ● Alergias ● Problemas pessoais, do relacionamento amoroso ou familiar EXAME FÍSICO: ● Peso, altura, circunferência abdominal e IMC → baixo peso, sobrepeso e obesidade necessitam de atenção ● Verificação da PA ● Exame físico geral, cardíaco, pulmonar, da tireóide e abdominal ● Observação de membros inferiores → edema e outras alterações circulatórias ou ortopédicas ● EXAME GINECOLÓGICO: mamas, vulva, exame especular EXAMES COMPLEMENTARES: ● Avaliação laboratorial: não há necessidade de dosagens hormonais para confirmá-lo quando há irregularidade menstrual ou amenorréia e quadro clínico compatível ● Mamografia e ultrassonografia mamária ● Exame Preventivo do câncer do colo do útero ● Ultra-sonografia transvaginal ● Densitometria óssea TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO COMPORTAMENTAL ● Técnicas psicocorporais (TPCs): controle da mente, respiração compassada, hipnose clínica (estado profundo de relaxamento) e estratégias cognitivas e comportamentais → controle de ondas de calor ● Evitar estresse e emoções intensas ● Fazer projetos, atividades culturais, sociais, profissionais, lúdicas e de lazer RESFRIAMENTO CORPORAL ● Evitar ambientes com alta temperatura e aglomerações ● Uso de roupas leves e de algodão ● Controle da temperatura ambiental para diminuir a transpiração ● Evitar líquidos e alimentos quentes, bebidas alcoólicas, cafeína, ALIMENTAÇÃO comidas picantes → NÃO tem embasamento científico ● Evitar sódio e carne vermelha → maior risco de osteoporose ● Consumo de vitamina D (presente em leite e seus derivados, ovos e exposição ao sol) e cálcio (leite e derivados) ATIVIDADE FÍSICA Perda de peso pode diminuir ou eliminar as ondas de calor FITOMEDICAMENTOS Aprovados pela ANVISA para o tratamento dos sintomas do climatério (embora não apresentem eficácia significativa): derivados do Glycine max (L.) Merr (soja), Trifolium pratense L. e Actaea racemosa L. ou black cohosh REFERÊNCIAS: Tratado de Ginecologia da FEBRASGO Manual de Atenção à Mulher no Climatério / Menopausa - Ministério da Saúde - 2018 Objetivo 6 - Descrever epidemiologia das principais neoplasias ginecológicas. Neoplasia� Ginecológica� geralmente envolvem útero, ovários, cérvice, vulva, vagina, tubas uterinas ou peritônio CÂNCER EPIDEMIOLOGIA QUADRO CLÍNICO RASTREIO COLO DE ÚTERO 2º tumor maligno mais frequente nas mulheres 4º causa de morte de mulheres por câncer no Brasil Novos casos: 16.590 em 2020 Mortes: 6.596 em 2019 Pode não apresentar sintomas na fase inicial Em casos mais avançados: sangramento vaginal intermitente (vai e volta) ou após a relação sexual, secreção vaginal anormal e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais ● Exame pélvico e história clínica ● Preventivo ● Colposcopia ● Biópsia UTERINO Mais comum em mulheres que na menopausa Tipo mais comum: câncer do endométrio Novos casos: 6.540 em 2020 Mortes: 1.936 em 2019 Sangramento intermenstrual Sangramento vaginal mais intenso que o habitual Qualquer sangramento vaginal em mulher na menopausa ● História clínica ● Exame físico ● US transvaginal ● Histeroscopia (visualização do interior do útero por uma câmera introduzida na vagina) ● Biópsia de endométrio (retirar pequena amostra da camada interna do útero → análise) OVÁRIO 3ª neoplasia ginecológica mais comum Novos casos: 6.650 em 2020 Mortes: 4.123 em 2019 Não causa sintomas específicos na fase inicial À medida que o tumor cresce, pode causar: pressão/dor/edema em abdôme, pelve, costas ou pernas, náusea, indigestão, gases, constipação ou diarreia e cansaço constante ● Exame ginecológico ● Exames laboratoriais ● Exames de imagem https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/neoplasias-ginecol%C3%B3gicas/c%C3%A2ncer-de-tuba-uterina VULVA (NIV - neoplasia intra-epitelial vulvar) Incidência quase duplicou nas últimas 2 décadas: 2,1/100mil mulheres ao ano Prurido e ardência vulvar, manchas pigmentadas /hiperqueratinizadas e múltiplas lesões ppulares (isoladas ou confluentes) em grandes lábios e região perianal, com bordas bem definidas Biópsia: ● Basalóide (indiferenciado) ● Verrucoso (condilomatoso) ● Bem diferenciado (simples) VAGINA Comum em mulheres histerectomizadas ou que já trataram câncer de colo do útero ou lesões pré-cancerígenas Incidência: 0,30/100 mil mulheres Não causa sintomas iniciais À medida que a doença evolui: sangramento intermenstrual, dispareunia e dor pélvica Biópsia: ● Basalóide (indiferenciado) ● Verrucoso (condilomatoso) ● Bem diferenciado (simples) TUBAS UTERINAS Incidência: < 1% 95% dos casos são adenocarcinomas: se desenvolvem a partir de células da glândula Leve desconforto abdominal, edema, dor pélvica ou abdominal e secreção vaginal líquida ● Tomografia computadorizada ● Cirurgia para confirmar diagnóstico REFERÊNCIAS: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/neoplasia-intraepitelial-vaginal/11856/472/ https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/5256/2/zélia_campos_ensp_mest_2004.pdf https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero http://www.oncoguia.org.br/conteudo/neoplasia-intraepitelial-vaginal/11856/472/ https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/5256/2/z%C3%A9lia_campos_ensp_mest_2004.pdf https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-do-colo-do-utero Untitled AVISO Untitled