Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

METODOLOGIA 
DA DANÇA
Oséias Guimarães de Castro
Danças urbanas, jazz 
e sapateado
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Analisar os principais conceitos e fundamentos das danças urbanas.
 � Identificar o conceito de jazz e seus fundamentos.
 � Descrever o conceito de sapateado, seus fundamentos e movimentos.
Introdução
Neste capítulo, você vai aprender sobre o desenvolvimento da dança 
urbana no contexto contemporâneo. Certos aspectos de sua estrutura-
ção têm suas raízes na herança histórica do encontro entre as culturas 
europeia, africana e latina. Diferentes movimentos e conceitos foram 
inspirados em estilos pautados na livre expressão e na manifestação do 
pensamento pela arte. Dentre os estilos atuais, com enfoque pautado 
nos elementos técnicos mais elaborados, destacam-se a dança jazz e o 
sapateado. 
A cultura e a coreografia da dança urbana possuem identidade própria 
e formam, por meio da livre interpretação, um estilo de dança influen-
ciado por outros estilos diversos. 
Danças urbanas: a efervescência cultural 
do século XX
Entende-se por danças urbanas os movimentos culturais e as manifestações 
populares que surgiram independentes um das outras, mas que fazem parte 
do mesmo contextos e que encontraram expressão na dança. Portanto, repre-
sentam estilos diversos, com identidade, história e filosofias diferentes, mas 
que têm a característica da expressão e da representação social em comum. 
As danças urbanas se vinculam aos pressupostos teóricos que fundamentam 
a dança contemporânea e reportam à definição etimológica do próprio termo 
contemporâneo, isto é, referente ao nosso tempo, atual. 
A força da expressão do movimento se encontra alicerçada na liberdade 
e nas experiências sociais, o que implica, no contexto da dança, um amplo 
campo de abertura para a manifestação cultural pelo movimento. A partir 
disso, podemos compreender a força da diversidade de representação da dança 
enquanto fenômeno dos grandes centros urbanos.
Outro conceito relevante para compreensão dos fenômenos sociais e cultu-
rais, nos quais as danças urbanas se inserem é o pós-moderno, termo também 
relacionado a outras artes e ao movimento hippie, caracterizado, na dança, 
por inúmeras apresentações e improvisos em lugares incomuns e em festivais 
(ALVES, 2004).
A partir da exploração dos recursos da manifestação cultural, da música 
e da dança, emerge o contato improvisação que é, além de um ato artístico, 
um impactante ato político podendo vir a redimensionar os conceitos sociais 
vigentes. O contato improvisação é uma técnica de movimento criada na 
década de 1970 por um grupo de coreógrafos e bailarinos norte-americanos 
associados à dança moderna. Os artistas desse grupo, intrigados com as 
formas maçantes e com os formatos corporais pré-estabelecidos das escolas 
e companhias de dança tradicionais, vivendo sob um forte contexto histórico 
de contracultura, fundaram a companhia da dança Grand Union, que tinha 
por base metodológica o improviso grupal.
A importância da improvisação é fundamental para a criação e a dissemi-
nação das danças urbanas, que a partir desses aportes teóricos, especialmente 
o elaborado por Rudolph Laban (1879–1958), relaciona os princípios funda-
mentais da dança (espaço, tempo, energia, peso, ritmo) ao corpo, assim como 
ao seu ambiente, por meio das ferramentas necessárias para a composição de 
ritmos livres e improvisados de expressão social (TORRES, 2015). Sendo 
assim, o fenômeno da dança urbana pode ser considerado uma manifestação 
social dado pelo movimento de expressão corporal, que assim serve como 
instrumento de expressão social.
Estes pressupostos históricos mostram que as danças urbanas passam por 
uma constante evolução até o mundo atual, questionando as relações humanas 
e o meio em que se vive. Trata-se de proporcionar um ambiente favorável 
Danças urbanas, jazz e sapateado2
à liberdade, à novidade, à criação e à pesquisa de novas possibilidades de 
manifestação pela dança.
Seu espaço de representação acontece em diferentes lugares públicos e 
contextos socioambientais e está, por vezes, conectada a outras artes, como 
a música, o teatro, a arquitetura, a mídia em vídeo, a literatura, a pintura, as 
artes plásticas ou o circo.
Apesar de o termo “danças urbanas” parecer genérico, cada uma dessas 
danças se origina de lugares e localidades diferentes. O house, por exemplo, 
tem sua origem nos clubes de Chicago e de Nova Iorque; já o locking surgiu 
na Califórnia (COLOMBERO, 2011). 
Destacamos, a seguir, alguns destes estilos diversificados de danças urbanas.
Hip-hop
Mais que um estilo musical, o hip-hop é um movimento cultural que se originou 
nas comunidades afro-americanas e hispânicas de Nova Iorque, durante as 
décadas de 1960 e 1970, como consequência do contexto econômico e da exclu-
são social desses grupos. Com a segregação racial historicamente acentuada, 
as condições de vida se tornaram dificultosas para essas comunidades, o que 
fez (e faz) com que esses grupos permaneçam restritos aos guetos. 
Diante da instabilidade social, da violência urbana e do tráfico de drogas 
controlados por gangues, os guetos se tornaram áreas de ilegalidade. Nesse 
contexto, grupos identitários passaram a se formaram gradualmente, reivin-
dicando direitos iguais e o reconhecimento da luta contra o racismo.
À margem das reivindicações políticas das comunidades dos guetos, a 
música negra norte-americana se impôs pela soul music e pelo funk, pelo 
trabalho de artistas como James Brown e Stevie Wonder. Estes usaram o 
suporte musical, a aceitação do grande público e a visibilidade em programas 
e festivais de TV para expressar seus protestos sociais. É neste cenário que a 
cultura hip-hop tem sua origem como gênero musical.
O hip-hop pode ser considerado uma junção entre artes visuais e performáti-
cas, focado principalmente em áreas elementares, como a música (representada 
pelo DJ), a poesia (representada pelo MC), a arte visual (representada pelo 
grafite) e a dança (representada pelo break). A dança hip-hop evoluiu a partir 
3Danças urbanas, jazz e sapateado
da evolução do rythym and blues (R&B) e da própria música hip-hop, a qual 
se baseia na combinação de movimento, atitude e expressão. 
A dança do hip-hop, conhecida como break dance, surgiu enquanto o 
público dançava nos intervalos das apresentações, de maneira atípica, ao 
contrário da difusão de danças convencionais. Os B-boys (dançarinos de 
break) desenvolveram performances acrobáticas em pé ou no solo, o que 
configura os elementos básicos para a dança. Os movimentos envolvem alto 
nível de coordenação motora e são essencialmente realizados no chão, sendo 
desenvolvidos a partir da musicalidade e da exploração o estilo livre.
O disc-jockey (DJ) utiliza dois toca-discos, um mixer e um amplificador 
para tocar discos de vinil. Em certas ocasiões, o DJ costumava fazer intervalos 
entre duas peças, isto é, pegava um pequeno trecho de um trabalho musical, de 
alguns segundos e criava um loop rítmico para manter o público atento enquanto 
se iniciava o próximo número musical. Isso deu origem a uma sonoridade até 
então desconhecida, um novo estilo musical baseado nas sonoridades do soul, 
do funk, do reggae e da disco.
Dado o sucesso desses eventos públicos, os DJs rapidamente se cercaram 
de mestres de cerimônia (MCs) para manter o público entretido durante os 
intervalos. Essa modalidade, também chamada de MCing, permitiu que o MC 
se expressasse com liberdade em forma de ritmo e rima, geralmente impro-
visando ( freestyle). Assim, a apresentação do MC passou a ser incorporada 
à discotecagem do DJ.
Enquanto os conflitos de gangues aconteciam nos guetos de Nova Iorque, 
as pessoas se mobilizavam e viam o hip-hop como uma forma construtiva 
para combater a violência das brigas de gangues entre bairros e oferecer um 
instrumento de expressão acessível a todos.
Em 1973, Kevin Donovan, ex-líder da gangue Bronx RiverProjects, criou 
um movimento que buscava reunir diferentes pessoas da mesma área do 
bairro, expressando-se por meio da música, da dança ou da pintura. Em 1975, 
o movimento passou a se chamar Nação Zulu, após o assassinato de Soulski, 
um de seus membros fundadores.
A Nação Zulu se estruturou a partir de valores como a não violência e 
slogans como “Paz, amor, unidade e se divertir!” (THE PRINCIPLES..., 2013, 
documento on-line). As brigas com armas de fogo entre pessoas de diferentes 
bairros foram substituídas por eventos gratuitos organizados na rua. Surgiram 
as batalhas (competições) de dança, DJ, grafite e MCing, nas quais o público 
avaliava as performances das diferentes equipes com aplausos.
Danças urbanas, jazz e sapateado4
Stomp (stepping)
O stomp/stepping tem sua origem na África do Sul, em torno do ano de 1870, 
a partir da dança gumboots. É semelhante ao estilo do step, no qual os dança-
rinos usam as mãos e os pés como percussão para criar ritmos. Os mineiros 
não podiam conversar durante a mineração e, portanto, usavam essa dança 
para dar ritmo ao trabalho. Posteriormente, ela passou a ser um meio de 
comunicação e de expressão para os negros, enquanto enfrentavam a vida 
árdua de trabalho e segregação. 
O stomp/stepping surgiu como uma continuação da cultura milenar africana 
de se comunicar por meio de sons e movimentos, adicionando o uso das botas 
que, originalmente, consistiam em uma espécie de galocha e, hoje, parecem 
com um coturno que acentua o som dos movimentos realizados com os pés, 
se tornando um dos ícones do step. Trata-se, portanto, de um estilo de dança 
no qual o corpo, com passos marcados e coreografados, palavras gritadas e 
percussões corporais, produz o estilo da dança. 
Nos anos 1970, o step se baseava nos passos de grupos norte-americanos 
de R&B, como Temptations e The Four Tops. Nas comunidades negras, o step 
se consolida como cultura a partir de sua utilização em fraternidades universi-
tárias e repúblicas estudantis, cujos nomes tradicionalmente são formados por 
letras gregas, como a Phi Beta Sigma, fraternidade atuante na Universidade 
Howard, de Washington. Por esse motivo, os greek signs(símbolos gregos) 
foram fundamentais para a consolidação do step nas comunidades negras 
universitárias, pois eram utilizados como forma de identificação entre as 
fraternidades, por meio de gritos de guerra ou palavras de ordens somados a 
gestos ritmados pelo corpo. A adição de músicas a esses sinais e, consequen-
temente, aos movimentos realizados, fez com que os greek signs se tornassem 
os greek shows, que consistem em competições estaduais e nacionais.
O stomp/stepping é mundialmente reconhecido por suas competições 
internacionais, além de ser amplamente divulgado em diversos eventos, como 
a abertura das Olimpíadas de Atlanta em 1996, além de ser recorrentemente 
utilizado nas coreografias de shows de artistas internacionais, como os da 
cantora Beyoncé (STEP, STEP-DANCE..., 2018).
5Danças urbanas, jazz e sapateado
Outros estilos de danças urbanas também surgiram nesse ambiente de expansão 
cultural e de apropriação dos espaços nas cidades. No entanto, nem todos surgiram 
como forma de representação social, como o locking (travar), uma dança que tem, como 
padrão, movimentos rápidos dos membros superiores e mais suaves dos membros 
inferiores. Acredita-se que o locking seja derivado de uma dança conhecida como 
campbellocking. A dança recebeu este nome pois o dançarino americano Don Campbell 
esqueceu sua coreografia na metade de uma apresentação de dança e parou enquanto 
executava o movimento, como se tivesse travado o corpo.
Assista ao vídeo disponível no link a seguir para assistir à apresentação da final de 
um festival holandês de locking.
https://qrgo.page.link/Ccb7
Funk
O funk é um gênero musical e de dança originário dos Estados Unidos, du-
rante a segunda metade da década de 1960, quando músicos afro-americanos 
fundiram soul, jazz e rhythm and blues para criar um novo estilo musical. A 
música evoluiu para ritmos mais complexos, acompanhados por uma melodia 
executada no baixo elétrico, que evocava explicitamente o público para dançar 
de forma frenética, com repetidas contorções rítmicas do movimento.
A música funk não é um gênero isolado. No final do século XIX, músicos 
afro-americanos começaram a desenvolver um estilo inovador que mesclava 
as tradições rítmicas africanas com o gospel americano. No início do século 
XX, esse som foi nomeado jazz. O jazz versava sobre improvisação e liberdade 
de expressão com ritmos animados e inovadores.
No início dos anos 1970, as bandas Funkadelic e Parliament adotaram uma 
forte sonoridade rítmica como a de James Brown, mas com um groove ainda 
mais marcante, revisando a sensação de pulsação rítmica que fazia parte das 
tradições musicais afro-americanas desde os primeiros dias do jazz. A música 
do cantor George Clinton combinava elementos de rock, jazz, blues, soul e 
gospel ao que se tornaria o som definitivo do funk (A ORIGEM..., 2014).
Ao final do século XX, o funk se desenvolveu como elemento musical e 
estilístico originário da música soul, uma expressão que, no contexto brasi-
leiro, pode incluir também o funk norte-americano, de modo a diferenciá-lo 
da variedade carioca que, em certa medida, sempre envolveu uma discussão 
Danças urbanas, jazz e sapateado6
sobre racismo e políticas de ações afirmativas. Nesse contexto de manifesta-
ção cultural, DJs produtores de house, drum’n’bass e hip-hop têm remixado 
seleções do repertório brasileiro de soul e funk dos anos 1970, dando origem 
aos estilos bossa’n’bass e drum’n’bossa, por exemplo (PALOMBINI, 2016). 
No Brasil, funk carioca não possui ligação com o funk americano. O funk 
carioca surgiu pela primeira vez em bailes organizados nas favelas do Rio de 
Janeiro, na década de 1970. Os DJs tocavam diferentes ritmos relacionados 
à música negra, como o soul, o shaft, o funk americano, o baixo de Miami e 
o freestyle. 
Funk foi o nome que prevaleceu para descrever o resultado dessa mistura 
de estilos no Brasil. O que começou como apenas música se tornou um movi-
mento em busca da consciência social dos negros, a fim de alcançar respeito e 
igualdade. Esse ideal está presente nas letras das músicas, que frequentemente 
descrevem situações do cotidiano das favelas cariocas. 
A história do funk no Brasil envolve a percepção de que esse estilo de 
música negra norte-americana foi incorporado aos ritmos que já pulsavam na 
formação cultural do país. Os bailes dos anos 1970, que foram comandados 
por pioneiros como Ademir Lemos, Big Boy, Dom Filó, Mister Funky Santos 
e outros, misturavam o entretenimento com a conscientização política dos 
negros (FACINA, 2009).
Atualmente, não é raro vermos o funk vinculado às mídias sociais e a 
campanhas publicitárias, além de festas e festivais realizados em grandes 
centros urbanos. Assim, é comum o surgimento de fenômenos e eventos 
culturais a partir desse estilo, sempre acompanhado de novas criações na 
dança que o caracterizem. 
Esse fenômeno desperta o interesse de produtoras musicais, que buscam 
trazer potenciais celebridades para o meio artístico. Contudo, para ter uma 
aderência maior, o produto formado pela combinação entre música, cantor 
e dança passa por algumas alterações: desde a letra e a batida da música, 
até a própria figura do cantor (por meio de tratamentos estéticos e troca de 
vestuário), além da criação de novos passos e elementos de dança. O funk, 
assim como outros gêneros musicais, busca sempre apresentar novidades e 
se manter atrativo ao público (CHAGAS, 2018).
Ao ocupar novos espaços, as danças urbanas foram se transformando e 
convergindo outros públicos. Essa interação permitiu que praticantes da dança 
buscassem novas informações e passassem a elaborar novos movimentos que 
buscavam prover a identificação, a incorporação e a apropriação da manifes-
tação da expressão pela dança. 
7Danças urbanas, jazz e sapateado
As referências de estilos contemporâneosconversam com elementos mo-
dernos e culminam na elaboração de estilos mais estruturados, em termos 
da técnica utilizada no movimento, como é o caso do jazz e do sapateado, 
apresentadas nas seções a seguir.
Jazz
O jazz é uma dança desenvolvida a partir de múltiplas perspectivas. A definição 
desse movimento não é tão simples, pois não se trata apenas de um estilo de 
dança, mas do legado de uma fusão de várias culturas muito contrastantes. 
No século XVII, negros africanos foram escravizados e deportados em 
grande número por comerciantes brancos para a Costa Atlântica das Américas 
e foramposteriormente vendidos para proprietários de plantações. Diante das 
condições trágicas a eles infligidas, escravos negros se consolavam com a 
dança e o canto, com ritmos provenientes diretamente da cultura africana.
Em particular, cantavam e tocavam melodias lentas e tristes que consistiam 
nas primeiras formas de blues e gospel, que podem ser consideradas funda-
doras da música jazz. São todas essas misturas étnicas e culturais que deram 
origem à cultura negra norte-americana e ao movimento jazz no século XX.
O jazz moderno tem origem na dança jazz norte-americana dos anos 1930 
e 1940, que se costuma associar ao swing e ao lindy hop, também chamados 
de" raízes do jazz ou jazz autêntico. No final dos anos 1940, a dança jazz 
incorpora a produção de grandes musicais e, a partir desta influência, surge 
o jazz moderno, uma dança técnica, rítmica e dinâmica que tenta mesclar 
técnicas do balé e elementos culturais afro-americanos, além de ter como 
influência acrobacias e gestos livres da dança contemporânea. 
No entanto, não se pode desvinculá-lo da dança moderna e contemporâ-
nea ou dos bailarinos e coreógrafos que traduziram os mecanismos para a 
elaboração dos movimentos que caracterizam o jazz atualmente. Destaca-se 
o legado de Katherine Dunham (1909–2006), que nos permite aprofundar o 
entendimento sobre o estilo, definido como estilo livre. 
Essa concepção de liberdade de estilo, no contexto da década de 1950, surgiu 
porque muitos professores e coreógrafos permitiram extrapolar estereótipos de 
movimentos, inclusive na elaboração de ações e sentimentos mais próximos 
da realidade cultural cotidiana. Propunha-se desenhar esses movimentos de 
forma indiferente e desvinculada das técnicas clássicas.
Danças urbanas, jazz e sapateado8
O jazz é uma forma de expressão pautada no improviso. No início deste 
século, as danças afro-americanas começaram a fazer parte dos salões e a 
receber novas influências, principalmente do cancã e do Charleston O mo-
dern jazz dance, o soul jazz, o rock jazz, o disco jazz, o free style e o jazz são 
algumas designações utilizadas atualmente para denominar os numerosos 
aspectos dessa forma de expressão artística.
O jazz moderno é caracterizado pela coordenação de movimentos, pelo 
controle da gravidade e pelo isolamento das partes do corpo, de acordo com 
uma técnica básica estabelecida. O modern jazz é amplamente utilizado em 
manifestações de dança contemporânea e cada vez mais incorpora movimentos 
que caracterizam o hip-hop.
No Brasil, além dessas designações, a generalização do jazz chega a consi-
derar determinadas formas de ginástica ou de atividade física, englobadas no 
mesmo termo. O jazz possui certas características marcantes, como a isolação, 
uma explosão de energia que se irradia dos quadris e um ritmo pulsante que 
propicia o balanço certo e a qualidade do movimento (SOUZA, 2011).
Deve-se perceber o jazz como um todo, compreendê-lo em sua totalidade 
cultural, musical e corpórea. Se considerarmos as formas que originaram o 
desenvolvimento da dança jazz, descobrimos uma variedade de danças étnicas, 
como as africanas, rituais, indianas, espanholas e russas, por exemplo. 
Em uma aula de jazz, os dançarinos são encorajados a adicionar sua per-
sonalidade ao desenvolvimento do estilo. Os movimentos de jazz incluem 
elementos básicos, caracterizados por movimentos sincopados e pela polir-
ritmia, que corresponde à combinação dos movimentos do corpo em vários 
ritmos, simultaneamente. Sendo assim, o jazz desenvolve a coordenação, a 
musicalidade e, ainda, a agilidade e o alongamento (SOUZA, 2011).
As diferentes técnicas do jazz situam a estruturação desse estilo em ele-
mentos originados no balé clássico e na dança moderna. Os diversos estilos 
de jazz compreendem o modern jazz e outros gêneros de jazz contemporâneo. 
Estas abordagens contribuem para a formação de bailarinos cada vez mais 
ecléticos. Outro movimento popular de jazz é a contração. Uma contração no 
jazz é realizada pela contração do tronco, com as costas curvadas para fora e 
com a pelve para frente (STRAZZACAPPA; MORANDI, 2014).
Retomando as origens do jazz na cultura africana, quase tudo nessa cultura 
é celebrado por festivais ritualísticosacompanhados por música, canções e 
ritmos específicos de cada evento (casamentos, nascimentos, morte). Assim, 
a música e a dança ocupam lugar de destaque nesses eventos.
9Danças urbanas, jazz e sapateado
A dança é caracterizada pela energia física transbordante, pela grande 
liberdade corporal, pela improvisação, por movimentos repetidos, pela ace-
leração ao transe e o isolamento, mas também por uma forte relação com a 
Terra e com o espírito de comunidade. As danças geralmente acontecem em 
círculos, com um ou mais dançarinos no centro, como a configuração de uma 
roda de capoeira ou de uma batalha de hip-hop.
O modern jazz está em constante evolução graças a sua mistura perpétua. 
Em seu começo foi uma dança social, não sendo imediatamente considerada 
uma dança de palco. O modern jazz passa por uma expansão real graças a 
dois fatores: o sócio-político, por ser um meio de expressão da comunidade 
afro-americana, e o artístico, por ser uma via musical e, portanto, entreteni-
mento. Foi na década de 1950 que se iniciaram as aulas de modern jazz como 
as conhecemos hoje. Naquela época, o objetivo era treinar dançarinos para 
audições de shows da Broadway (STRAZZACAPPA; MORANDI, 2014). 
No modern jazz há maior liberdade no movimento do corpo. Assim, dan-
çamos com as pernas mais flexionadas e próximas do chão. Isso permite a 
mobilidade dos ombros, da pelve, da coluna e de deslocamentos maiores. 
O modern jazz pode proporcionar verdadeiro bem estar. É uma dança 
voltada para todos que querem libertar suas mentes, suas tensões e sentir 
a música enquanto fazem o seu melhor. O professor precisa se adaptar ao 
nível e à capacidade de seus alunos, mas todos podem fazê-lo. O modern 
jazz também é ideal para crianças, pois elas aprendem a trabalhar em seus 
suportes e a conhecer seu corpo. Uma atividade lúdica, imediata e espontânea, 
adaptável a todos.
Sapateado
Diante das origens do jazz e concomitante ao processo de evolução da dança 
moderna e contemporânea, tanto o jazz quanto o sapateado se apresentam 
como estilos importantes no ensino da dança em escolas, estúdios de dança, 
clubes e academias. O sapateado tem sua origem no irish jig (dança com passos 
marcados com os pés), que surgiu na Irlanda e se difundiu posteriormente, 
junto ao clog da Inglaterra. As danças africanas, que uniam o trabalho dos pés 
a sofisticados movimentos de corpo, também contribuíram para o nascimento 
do sapateado (LEWIS, 2016).
Danças urbanas, jazz e sapateado10
As danças céilí são danças tradicionais irlandesas praticadas em grupo, caracterizada 
por movimentos marcados com os pés. O aperfeiçoamento dos passos deu origem 
a um tipo de sapateado de dança solo que, ainda hoje, pode ser visto em grandes 
shows de tradição irlandesa, como o Riverdance e o Lord of the Dance. É uma dança 
muito técnica, com movimentos elegantes, utilizando saltos e passos típicos. A prática 
dessa dança e seu contato com o jazz nos Estados Unidos influenciaram no estilo 
de sapateado de Gene Kelly (1912–1996) e Fred Astaire (1899–1987), assim como em 
vários shows e competições de sapateado no país. A mistura de estilos contribuiu 
para o enriquecimento e o aprofundamentotécnico dos números de sapateado, 
proporcionando novos movimentos cada vez mais espetaculares e inovadores, a 
partir da improvisação. 
O sapateado é um estilo de dança que não precisa necessariamente de 
música para se executar os movimentos, já que o dançarino pode criar di-
ferentes ritmos e sons com o simples uso dos sapatos, que assim se tornam 
um instrumento musical. O sapateado também pode ser considerado um 
instrumento de percussão, pois com as batidas dos pés se executam sons e 
melodias rítmicas bastante variadas e ricas.
Na ponta e no calcanhar dos sapatos são aplicadas placas de metal (claquetes) 
para amplificar o som. O sapateado se tornou popular entre os musicais de 
Hollywood a partir dos anos 1930.
Por volta de 1950, quando surgiram grandes nomes da dança, como Gene 
Kelly, Fred Astaire, Ginger Rogers (1911–1995) e Eleonor Parker (1922–2003), 
o estilo adotado nos musicais passou a figurar mais movimentos de dança com 
o corpo, utilizando técnicas de balé, os braços e combinações tradicionais, 
que se somaram aos já utilizados sapateados. 
Como demais danças, o sapateado também evoluiu e passou a ter outras 
formas. Savion Glover, um dos maiores sapateadores do mundo, criou uma nova 
forma de sapatear, mais forte e mais ousada, com seu swing e musicalidade. 
No sapateado adotado pela cultura negra americana, observava-se que as 
batidas são mais rápidas, o corpo fica mais à vontade, de acordo com o estilo 
próprio de cada um. Fred Astaire dançava de forma a misturar os dois estilos, 
de uma maneira surpreendente e perfeita.
11Danças urbanas, jazz e sapateado
A arte de sapatear exige ritmo, coordenação e concentração nos movimentos 
dos pés e, por isso, é preciso haver uma integração de todo o corpo e saber 
sentir a música para sapatear de forma realmente expressiva e intensa. 
O sapateado é uma dança relaxante, sem restrições e que não exige grande 
esforço para principiantes. No entanto, os passos de sapateado possuem va-
riações para tornar os movimentos mais complexos, como agregando saltos 
e giros à dança.
No Brasil, algumas danças regionais ou folclóricas que utilizam o sapateado 
são bastante difundidas, como a catira, uma dança de origem híbrida, com 
influências indígenas, africanas e europeias, originária do Goiás, do norte de 
Minas e do interior de São Paulo. A catira é uma dança em que o ritmo musical 
é marcado pela batida dos pés e das mãos dos dançarinos. A coreografia é 
executada, na maioria das vezes, por homens (boiadeiros e lavradores) e pode 
ser formada por seis a dez componentes, além de uma dupla de violeiros, que 
tocam e cantam a moda respondida com o sapateado (LIMA, 2009). 
Na tradição gaúcha, outras danças típicas envolvem o canto e o sapateado. 
Essas danças tradicionais do Rio Grande do Sul possuem nítida influência das 
danças platinas e se amoldaram às características de novas coreografias. Essas 
danças expressam o sentimento regional, com passos alegres de sapateado 
em formações rítmicas de movimentos que parecem simples. No entanto, a 
realização dos passos requer muita preparação e conhecimento de técnicas 
específicas, incluindo um bom repertório de gestos motores coordenados, 
expressão corporal e ritmo.
Outro elemento importante para a execução de estilos de dança como o 
jazz e o sapateado é a música. Pode-se inferir que o movimento na dança é a 
tradução do som, conduzindo sua vibração por todo o corpo e expressando a 
vivência do movimento com concentração, arte e criatividade.
No link a seguir, você pode ver a história, os conceitos e as abordagens a diversos 
estilos de danças urbanas, com artigos especializados para a compreensão destes.
https://qrgo.page.link/hjr1
Danças urbanas, jazz e sapateado12
Os movimentos básicos do sapateado incluem diversos passos, cada um realizado a 
partir de uma técnica específica. Abaixo, descreveremos alguns desses passos.
 � No tap simples (ou touch), o objetivo é atingir o meio ponto sem fazer uso do peso 
corporal. É um golpe simples e curto, combinando a ação do tornozelo e do joelho, 
abaixando a ponta do pé para entrar em contato com o solo e, após o movimento, a 
ponta do pé fica imediatamente relaxada. Se for realizado inicialmente um contato 
com o pé direito, o peso do corpo permanecerá na perna esquerda durante todo 
o tempo da execução do movimento.
 � No step, pretende-se atingir o meio ponto com o peso do corpo. O movimento é 
realizado como um passo (step), por isso recebe este nome. O princípio é o mesmo 
que o touch, mas ao invés de levantar a ponta do pé, deve-se deixá-la em contato 
com o chão e passar, ao mesmo tempo, o peso do corpo para a perna correspon-
dente. Se você começar o passo com o peso do corpo na perna esquerda, você 
terminará com o peso na perna direita.
 � O passo brush tem como objetivo tocar a ponta do pé para frente. Quando se equi-
libra na perna oposta ao pé, deve-se raspar brevemente o solo em um movimento 
arqueado para frente. O contato com o solo está no nível da meia ponta do pé. Esse 
movimento é atingido principalmente pela ação do joelho. O tornozelo só entra 
em ação brevemente, durante o contato com o solo. No final do movimento, o pé 
que fez a escova está no ar, para frente. 
Além destes, outros diversos passos compõem a estrutura básica do sapateado, 
como o shuffle, o hop, o heel, o stemp, o stomp, o toe, o ball tap, o scuff ou heelscuff, o 
dig ou heeldig, o flap, o slap e o backflap (LEWIS, 2016).
As danças urbanas são manifestações culturais, que em muitos de seus 
contextos, dão vazão à manifestação de pensamentos relacionados a desigual-
dades sociais e à violência. Outro elemento importante de sua concepção é a 
inserção da cultura musical de origens africana e latina em danças, ritmos e 
expressões culturais europeias. 
As modalidades de dança urbana surgem como segmentos da dança contem-
porânea, por não possuirem uma técnica única pré-estabelecida. Assim, todos 
os estilos podem ser inseridos, a partir do movimento e do gesto espontâneo. 
Quanto aos elementos técnicos, por serem abrangentes, não se limitam a 
espaços ou a instrumentos acadêmicos. 
Não há elementos estruturantes definidos, mas maneiras e processos de 
criação. As danças urbanas emergem da noção de corporeidade, a partir da 
vivência e do momento histórico, agregando elementos da arte a um contexto 
amplificado de um estilo de vida. O que se considera é que não exista uma 
13Danças urbanas, jazz e sapateado
única expressão e definição de corpo, mas instrumentos e códigos de linguagem 
sob uma perspectiva multicultural.
Apesar de sua origem estar atrelada aos guetos e aos espaços periféri-
cos, atualmente as danças urbanas não estão restritas a estes espaços, sendo 
apreciadas por vários segmentos e classes sociais, além de estudadas como 
elementos da estruturação social e cultural nos meios acadêmicos, marcando 
o estilo de vida e a forma de expressão dos centros urbanos.
A ORIGEM do funk e sua evolução. Complexo do Funk, [S. l.], 29 mar. 2014. Disponível em: 
https://complexodofunk.com.br/origem-funk-e-sua-evolucao/. Acesso em: 19 abr. 2019.
ALVES, C. Pergunte a quem conhece: Thaíde. São Paulo: Labortexto Editorial, 2004. 124 p.
CHAGAS, I. Como o funk surgiu no brasil e quais são suas principais polêmicas? Politize!, 
Florianópolis, 3 ago. 2018. Disponível em: https://www.politize.com.br/funk-no-brasil-
-e-polemicas/. Acesso em: 19 abr. 2019.
COLOMBERO, R. M. M. P. Danças Urbanas: uma história a ser narrada. São Paulo: Grupo de 
Pesquisa em Educação Física Escolar, Faculdade de Educação, Universidade São Paulo, 
São Paulo, jul. 2011. Disponível em: http://www.gpef.fe.usp.br/teses/agenda_2011_09.
pdf. Acesso em 06/04/2019.
FACINA, A. “Não me bate doutor”: funk e criminalização da pobreza. In: ENCONTRO 
DE ESTUDOS MULTIDISCIPLINARES EM CULTURA, 5., 2009, Salvador. Anais [...]. Salvador: 
Faculdade de Comunicação, Universidade Federal da Bahia, 2009. Disponível em: http://
www.cult.ufba.br/enecult2009/19190.pdf. Acesso em: 19 abr.2019.
LEWIS, L. Sapateado: fundamentos e técnicas. Barueri: Manole, 2016. 136 p.
LIMA, C. M. Catira ou cateretê. Instituto Histórico IMPHIC - Betim, Betim, 14 jan. 2009. 
Disponível em: http://imphic.ning.com/group/patrimonioimaterial/forum/topics/
catira-ou-caterete. Acesso em Acesso em: 19 abr. 2019.
PALOMBINI, C. Soul brasileiro e funk carioca. Opus, Goiânia, v. 15, n. 1, p. 37–61, jun. 2009. 
Disponível em: http://www.anppom.com.br/revista/index.php/opus/article/view/261/. 
Acesso em Acesso em: 19 abr. 2019.
SOUZA, R. Vamos falar de Jazz Contemporâneo. Mundo da Dança, [S. l.], jun. 2011. 
Disponível em: https://www.mundodadanca.art.br/2011/06/vamos-falar-de-jazz-
-contemporaneo.html. Acesso em: 19 abr. 2019.
STEP, STEP-DANCING ou stepping: o corpo preto como instrumento da própria dança. 
Black Panther DNA, [S. l.], 17 abr, 2018. Disponível em: http://www.blackpantherdna.
com/2018/04/step-step-dancing-ou-stepping-o-corpo.html. Acesso em: 19 abr. 2019.
Danças urbanas, jazz e sapateado14
STRAZZACAPPA, M.; MORANDI, C. Entre a arte e a docência: a formação do artista da 
dança. 4. ed. Campinas: Papirus, 2014. 125 p. (Coleção Ágere).
THE PRINCIPLES of Hip Hop: Peace, Love, Unity, and Having Fun. Young Audiences Arts 
for Learning, New Jersey; Eastern Pennsylvania, Sep. 2013. Disponível em: http://www.
yanjep.org/program/the-principles-of-hip-hop-peace-love-unity-and-having-fun/. 
Acesso em: 19 abr. 2019.
TORRES, L. C. Danças urbanas no Brasil: relatos de uma história. Orientadora: Andresa de 
Souza Ugaya, 2015. 83 f. Monografia (Licenciatura em Educação Física) — Faculdade 
de Ciências, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Bauru, 2015. Dis-
ponível em: https://repositorio.unesp.br/handle/11449/124231. Acesso em: 19 abr. 2019.
Leituras recomendadas
GUARATO, R. Dança de rua: corpos para além do movimento: Uberlândia, 1970–2007. 
Uberlândia: EDUFU, 2008. 238 p.
MARQUES, I. A. Ensino da dança hoje: textos e contextos. São Paulo: Cortez, 1999. 126 p.
SOUZA. R. M. V. Cultura Hip Hop. Identidade e Sociabilidade: Estudo de Caso do Movimento 
em Palmas. Covilhã: Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação, Universidade da 
Beira Interior, 2006. 13 p. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/souza-rose-
-cultura-hip-hop.pdf. Acesso em: 19 abr. 2019.
STEARNS, M.; STEARNS, J. Jazz dance: the story of American vernacular dance. Boston: 
Da Capo Press, 1994. 508 p.
15Danças urbanas, jazz e sapateado

Mais conteúdos dessa disciplina