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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 01.m4a
Fujita - 01
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 5.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 3.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 02 começar por essa.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 6.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 4.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/GRAVAÇÕES DAS AULAS/Fujita - 02.m4a
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/03-Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro-2ª Parte-2024.pdf
12/03/2024
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LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO 
DIREITO BRASILEIRO – 2ª PARTE
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
2024
EFICÁCIA DA NORMA JURÍDICA NO ESPAÇO
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2ª PARTE
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1. INTRÓITO: TERRITORIALIDADE E 
EXTRATERRITORIALIDADE
A questão relativa à eficácia da norma jurídica no espaço
envolve a discussão da territorialidade e da
extraterritorialidade.
Territorialidade significa o caráter de obrigatoriedade da
norma jurídica dentro do limite territorial do país que a
instituiu. A territorialidade é a expressão da soberania
nacional.
Extraterritorialidade traduz a eficácia da norma jurídica fora
das fronteiras territoriais do país que a editou.
Tratando-se de negócio jurídico praticado no Brasil, haverá
a aplicação da norma jurídica nacional, devendo ser
atendido o pressuposto do lugar de sua constituição ou de
seu desenvolvimento.
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Porém, em que pese a aparente tranquilidade com que se
mostre a questão da aplicabilidade de uma norma jurídica,
poderão sempre surgir indagações pertinentes à eficácia
da norma jurídica local ou daquela oriunda de outro país.
De conformidade com a nossa Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro, adotou-se a TEORIA DA
TERRITORIALIDADE MITIGADA OU MODERADA, em que
se admite a extraterritorialidade segundo os princípios,
convenções e tratados internacionais, sendo, deste modo,
aceita a influência de normas estrangeiras sobre certas
relações jurídicas.
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2. HISTÓRICO
ROMA
Roma estabelecia um tratamento legal diferenciado:
1) um direito para os cidadãos romanos (cives): o ius civile.;
2) outro direito, para os estrangeiros (peregrini): o ius gentium..
Os peregrini não podiam invocar o seu próprio direito, em
conformidade com o que dispunha a Lei das XII Tábuas.
A pretura peregrina era incumbida de promover a aplicação do
ius gentium aos estrangeiros e de solucionar as dúvidas e
questões envolvendo os estrangeiros e os cidadãos romanos.
O ius civile e o ius gentium foram unificados no ano de 212 d.C.,
por intermédio de um edito de Caracalla: todos os peregrini
receberam a cidadania romana.
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3. TEORIA DO DOMICÍLIO
No século XIX, SAVIGNY estabeleceu a sua teoria do domicílio,
afirmando que cada Estado era formado a partir de uma comunhão
de direito, e não de uma cortesia internacional ou exigência de
justiça.
E por fazer parte o Estado de uma comunhão de direito, a adoção
de uma norma de direito estrangeiro era a consequência ordinária
das relações comunitárias, pelo que a lei de domicílio era o
elemento básico de determinação da norma jurídica aplicável.
Antes de aplicar o direito alienígena, deveria o juiz examinar a sede
da relação jurídica submetida à sua apreciação, visando a
determinar o estatuto jurídico correspondente.
Entretanto, a extraterritorialidade, para Savigny, tinha 2 (DUAS)
OBJEÇÕES: uma, consistente na hipótese de a lei estrangeira se
confrontar com a norma cogente do Estado onde o problema fosse
objeto de exame; outra, baseada na hipótese de a lei estrangeira
dispor sobre um instituto jurídico não reconhecido ou regulado por
esse mesmo Estado .
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4. TEORIA DA NACIONALIDADE
A teoria da nacionalidade, de autoria do jurista italiano MANCINI,
defendeu a aplicação da lei da pessoa e o ius sanguinis, pelo que
os vínculos com o país de origem da pessoa eram mais fortes que
aqueles com o país de domicílio.
Mancini se opunha à ideia da territorialidade absoluta, a qual, para
ele, se traduzia uma violação ao poder soberano dos demais
Estados, os quais ficariam impedidos de acompanhar, com as suas
normas jurídicas, os seus nacionais .
Sua teoria da nacionalidade tinha como exceções as leis de ordem
pública, o princípio da autonomia da vontade e a regra locus regit
actum .
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5. DIREITO BRASILEIRO
O direito brasileiro adota a teoria da territorialidade mitigada ou
moderada, a qual admite a territorialidade e a extraterritorialidade, esta
segundo os princípios, convenções e tratados internacionais.
Admite, deste modo, a influência de normas estrangeiras sobre certas
relações jurídicas.
De acordo com o princípio da territorialidade, a norma jurídica
brasileira tem o caráter de obrigatoriedade em todos os atos e
negócios jurídicos levados a efeito por pessoas brasileiras dentro do
seu âmbito territorial, submetendo-se, desta forma, ao local em que
foram constituídos (locus regit actum).
Além de incidir sobre o seu território, a norma jurídica nacional aplica-
se nas extensões do seu território, como as embaixadas, consulados,
navios de guerra brasileiros onde quer que se encontrem, navios
mercantes em águas territoriais ou em alto-mar, navios estrangeiros,
com exceção os de guerra, nas águas territoriais brasileiras, aeronaves
militares brasileiras em qualquer lugar, aeronaves particulares
nacionais no espaço aéreo brasileiro ou em região não pertencente a
qualquer Estado, aeronaves particulares estrangeiras, e não a serviço
oficial de seu país de origem, no espaço aéreo nacional .
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Quanto ao princípio da extraterritorialidade, é de se assinalar que a
antiga Lei de Introdução ao Código Civil adotava o critério da
nacionalidade.
Entretanto, a atual Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro
(Decreto-lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942) passou a estabelecer o
critério do domicílio, sob o fundamento de que não era mais possível
continuar com o princípio da nacionalidade, porquanto o Brasil se
tornara um país de muitos imigrantes provenientes de vários países do
mundo, criando a necessidade de aplicação das normas estrangeiras
correspondentes para os mais variados casos que se apresentassem
no dia a dia.
Desta maneira, para os estrangeiros domiciliados no Brasil, passou a
se aplicar a norma jurídica brasileira.
E para os estrangeiros domiciliados no exterior, a legislação brasileira
reconheceu e reconhece os seus respectivos estatutos pessoais.
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5.1. HIPÓTESES DE APLICAÇÃO DA LEI DO 
DOMICÍLIO DO ESTRANGEIRO
A lei do domicílio do estrangeiro é aplicada nas seguintes
hipóteses:
1) em direitos de personalidade (direito ao nome, direito à honra,
direito à integridade psíquica, direito à imagem, etc.),
prevalecendo a norma jurídica do domicílio de seu respectivo
titular (LINDB, art. 7º, caput);
2) na capacidade e no estado da pessoa, aplicando-se a lei do
domicílio de seu respectivo titular (LINDB, art. 7º, caput);
3) no direito de família (casamento, seus regimes de bens; união
estável, relação monoparental, filiação, adoção, relações de
parentesco, efeitos pessoais e patrimoniais oriundos dos
vários institutos jurídicos, como tutela, curatela, etc.) – LINDB,
art. 7º, caput e §§ 2º, 3º e 4º.
Observe-se, no entanto, que, realizando-se o casamento no
Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos e
às formalidades da celebração (LINDB, art. 7º, § 1º; CC, art.
1.511 e seguintes);
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4) no direito das sucessões, por morte ou por ausência,
prevalecendo o domicílio do de cujus ou do ausente (LINDB,
art. 10, caput). Tratando-se de capacidade de herdeiro ou
legatário, será aplicada a lei do domicílio destes (LINDB, art.
10, § 2º);
5) na posse e propriedade de bens móveis, valendo o domicílio
de seu titular (LINDB, art. 8º, § 1º);
6) no penhor, incidindo a lei do domicílio da pessoa, em cuja
posse se encontre o bem apenhado (LINDB, art. 8º, § 2º).
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5.2. Hipóteses de aplicação da lei do local da coisa 
(lex rei sitae)
A lei do local da coisa se aplica em hipóteses relativas à
posse e à propriedade de bem imóvel.
Deste modo, tratando-se de ação possessória ou ação
referente à defesa da propriedade, a norma jurídica
competente será aquela vigente no território do país em
que se localize o bem imóvel (LINDB, art. 8º, caput).
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5.3. Hipóteses da aplicação da regra locus
regit actum
A regra locus regit actum se destina a:
1) qualificar e reger as obrigações, as quais, deste modo, serão
disciplinadas pela lei do país em que se constituírem (LINDB, art. 9º,
caput). Se a obrigação tiver que ser executada no Brasil e
dependendo de forma essencial, esta será observada, admitidas as
peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos
do ato (LINDB, art. 9º, § 1º).
2) reputar constituída, nos contratos, a obrigação no local em que
residir o proponente (LINDB, art. 9º, § 2º).
3) considerar que a prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro
rege-se pela lei que nele vigorar, quanto ao ônus e aos meios de
produzir-se, não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei
brasileira desconheça (LINDB, art. 13).
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5.4. Leis, atos e sentenças estrangeiras
Assinale-se que as leis, atos e sentenças estrangeiras, bem como
quaisquer declarações de vontade, somente serão eficazes quando
não ofenderem a soberania nacional, a ordem pública ou os bons
costumes (LINDB, art. 17).
A sentença judicial estrangeira será objeto de execução no Brasil,
desde que preenchidos os seguintes requisitos:
a) que tenha sido proferida por um juiz competente;
b) que as partes foram devidamente citadas ou que houve a revelia;
c) que a sentença tenha transitado em julgado, estando revestida das
formalidades imprescindíveis à execução no lugar onde foi proferida;
d) que a sentença se encontre traduzida por intérprete juramentado;
e) que a sentença tenha sido devidamente homologada pelo Superior
Tribunal de Justiça (LINDB, art. 15, caput, com a alteração promovida
pela Emenda Constitucional nº 45/2004).
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5.5. ATOS DE AUTORIDADES CONSULARES 
BRASILEIRAS
São competentes as autoridades consulares brasileiras para
celebrar o casamento e os atos de Registro Civil e de
Tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos
filhos de brasileiro ou brasileira nascidos no país da sede do
Consulado.
Também as autoridades consulares brasileiras poderão celebrar
a separação consensual e o divórcio consensual de brasileiros,
não havendo filhos menores ou incapazes ou nascituros, desde
que observados os requisitos legais, devendo constar da
respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição
e à partilha dos bens comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao
acordo quanto à retomada pelo cônjuge de seu nome de solteiro
ou à manutenção do nome adotado quando se deu o casamento,
sendo indispensável a assistência de um advogado
(devidamente constituído) representando cada parte, ou de um
advogado comum a ambas as partes. (LINDB, art. 18, §§ 1º e 2º).
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Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
FIM
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/04-Pessoa Natural-2024.pdf
12/03/2024
PESSOA NATURAL
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
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PESSOA NATURAL
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1. INTRODUÇÃO
Pessoa vem do latim persona-ae, que, por sua vez, tem a
origem no verbo personare (per + sonare), que significa
dizer “soar com intensidade”.
Origem: prende-se ao teatro romano, onde o ator utilizava
uma máscara, a qual dispunha de um dispositivo que lhe
possibilitava ressoar melhor a sua voz, que se tornava
mais possante e audível ao público espectador. Essa
máscara se denominava persona.
Com o tempo, o termo persona passou a ser entendido
como o papel representado pelo ator.
Posteriormente, tomou o sentido da atuação de cada
indivíduo sob a ótica jurídica.
Em um último estágio evolutivo, o vocábulo passou a
indicar o próprio indivíduo que representava o papel . Nas
Institutas, de Justiniano, assinala-se: “é para as pessoas
que o Direito foi feito” (Inst., 2, 12).
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2. DIREITO ROMANO
No Direito Romano, considerava-se persona o sujeito de
direitos e obrigações, o indivíduo que fosse livre e cidadão
romano e que detivesse o poder familiar.
Os romanos distinguiam 3 (três) espécies de status dentro de
sua sociedade.
a) Status libertatis. Entendia-se como livre o indivíduo que não
pertencia a outrem. Deste modo, a noção de status libertatis
não se referia à liberdade civil ou à liberdade física.
b) Status civitatis. Este status dizia respeito aos indivíduos que
detivessem a condição de cidadãos romanos (cives), para quem
se aplicava o ius civile. Aos estrangeiros (peregrini), mesmo
livres, incidia o ius gentium.
c) Status familiae. Com referência a esse estado, os homens se
distinguiam em persona sui iuris (aquele que não tinha
ascendente vivo masculino), de direito próprio, e persona alieni
iuris (aquele que pertencia a uma família com o seu
paterfamilias), de direito alheio.
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3. CONCEITO DE PESSOA
PESSOA NATURAL é o ser humano considerado como sujeito
de direitos e deveres na órbita civil.
Assim, pessoa natural é todo e qualquer ser humano sem
discriminação da idade, sexo, etnia, estado de saúde e
nacionalidade.
O Código Civil de 2002, repetindo o código anterior, de 1916,
adotou a expressão "pessoa natural", apesar de discordância
pretérita de doutrinadores que não a aceitavam, entre eles
Teixeira de Freitas, que afirmava que a denominação dava a
entender a existência de "pessoas não naturais". Esse grande
jurista propôs o uso da expressão “pessoa de existência
visível”.
Países como a França e a Itália utilizam a expressão "pessoa
física". No Brasil, essa denominação é usada pela legislação
tributária, sobretudo pelo Regulamento do Imposto sobre a
Renda.
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4. PERSONALIDADE
Personalidade jurídica é, segundo Limongi França , a “qualidade do
ente que se considera pessoa”, que “a possui desde o início até o fim
da sua existência”.
Tratando-se de pessoa natural, a personalidade se inicia com o
nascimento com vida e termina com a morte. Já a personalidade da
pessoa jurídica se origina com o registro de seus atos constitutivos no
órgão competente e se extingue com a sua respectiva baixa.
A personalidade da pessoa natural não se encontra vinculada a fatores
de idade, de saúde psíquica ou aculturação. Nesse sentido, mesmo um
recém-nascido, um deficiente mental ou um viciado em tóxicos, os
quais não possuem discernimento, total ou parcialmente, detêm
personalidade jurídica.
À ideia de personalidade encontra-se ínsita a de capacidade.
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5. CAPACIDADE
CAPACIDADE é a aptidão da pessoa para adquirir direitos e
contrair deveres, exercendo, por si ou por outrem, atos ou
negócios jurídicos dentro da órbita civil .
A capacidade, que é um dos atributos da personalidade , se
classifica em capacidade de direito ou de gozo e capacidade de
fato ou de exercício.
a) Capacidade de direito ou de gozo é a aptidão para adquirir
direitos na esfera civil, estando presente em toda pessoa
natural, a partir do seu nascimento com vida, pouco importando
a sua idade, o seu estado de saúde e sua aculturação.
Exemplo: uma criança pode ser proprietária de um imóvel.
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b) Capacidade de fato ou de exercício é a aptidão para a pessoa,
por si própria, adquirir direitos e assumir deveres na seara civil,
dependendo de sua idade, de seu estado de saúde ou de sua
aculturação. Daí o porquê de se falar em pessoas plenamente
capazes, relativamente incapazes e absolutamente incapazes.
Exemplo: uma criança,
embora seja a proprietária de um imóvel,
não poderá por si, sozinha, promover a sua locação, a menos
que esteja devidamente representada por seus pais, ou pelo
tutor, na hipótese de estarem os pais mortos, ausentes,
destituídos ou suspensos do poder familiar.
Deste modo, embora toda pessoa com capacidade de fato ou de
exercício possua, necessariamente, a capacidade de direito ou
de gozo, a recíproca não é verdadeira. Com efeito, nem todo
aquele que tem capacidade de direito ou de gozo é detentor da
capacidade de fato ou de exercício.
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6. PESSOAS PLENAMENTE CAPAZES, ABSOLUTAMENTE 
INCAPAZES E RELATIVAMENTE INCAPAZES
Dissemos no item anterior que a capacidade de direito ou de
gozo é inerente a toda pessoa natural, desde o instante de seu
nascimento com vida.
Porém, o fato de deter a capacidade de direito não significa que
a pessoa tenha a capacidade de fato ou de exercício. Isso vai
depender de sua idade, de seu estado de saúde ou de
aculturação.
Daí termos:
a) pessoas plenamente capazes;
b) pessoas absolutamente incapazes; e
c) pessoas relativamente incapazes.
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6.1. PESSOAS PLENAMENTE CAPAZES (1)
São plenamente capazes as pessoas que, por haverem atingido
a maioridade civil (CC, art. 5º, caput) , ou em virtude de se
enquadrarem nas hipóteses de emancipação preconizadas pelo
parágrafo único, do art. 5º, do Código Civil, possuem
capacidade de fato ou de exercício, desde que tenham
discernimento.
a) Maioridade civil. Esta é alcançada aos 18 anos de idade (CC,
art. 5º, caput), diversamente do ocorria com o Código Civil de
1916, que fixava a idade de 21 anos.
b) Emancipação pelos pais ou por decisão judicial. Esta se
realiza pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do
outro, por meio de um instrumento público devidamente
registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais
competente (Lei n. 6.015, de 31.12.1973, art. 29, IV), desde que o
menor esteja na faixa etária entre 16 anos completos e 18 anos
incompletos. Se o menor se encontrar sob tutela, sua
emancipação se dará mediante sentença judicial, após ouvido o
tutor.
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PESSOAS PLENAMENTE CAPAZES (2)
c) Emancipação pelo casamento. Por meio do matrimônio, a
pessoa menor de idade atinge a plenitude da capacidade civil
antes dos 18 anos de idade, independentemente de vir, a
posteriori, tornar-se viúva, separada judicialmente ou
divorciada. Já nas hipóteses de anulação ou decretação de
nulidade do casamento, a capacidade plena será conservada
pelo cônjuge que agiu de boa-fé (casamento putativo), o mesmo
não ocorrendo, entretanto, com o que atuou de má-fé.
d) Emancipação pelo exercício de emprego público efetivo. Essa
emancipação somente poderá ser atingida por funcionários
nomeados de maneira efetiva, ficando, assim, afastados da
previsão legal os diaristas e contratados.
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PESSOAS PLENAMENTE CAPAZES (3)
e) Emancipação pela colação de grau em curso de ensino
superior. Essa hipótese é de difícil implemento, haja vista o
tempo necessário para a conclusão dos 1º e 2º graus, após o
que a pessoa estaria apta a ingressar no curso superior, cuja
duração oscila em média entre 4 (quatro) e 5 (cinco) anos,
embora tenhamos ciência de alguns cursos que são ministrados
em apenas 2 (dois) anos. Não tem o condão de emancipar a
colação de grau em curso técnico ou profissionalizante em grau
médio.
f) Emancipação pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela
existência de relação de emprego, desde que, em função deles,
o menor com 16 (dezesseis) anos completos tenha economia
própria. Atingirá a plenitude da capacidade civil o menor com 16
(dezesseis) anos completos que conseguir deter uma economia
própria decorrente de atividade civil ou comercial, seja em
caráter autônomo, seja em razão de vínculo empregatício.
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6.2. PESSOAS ABSOLUTAMENTE INCAPAZES
Pessoas absolutamente incapazes são aquelas que não
possuem aptidão para o exercício das atividades civis.
São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os
atos da vida civil os menores de 16 anos de idade.
Os absolutamente incapazes não podem, por si mesmos,
praticar atos ou negócios jurídicos, sob pena de nulidade
(CC, art. 166, I).
Entretanto, poderão exercer esses atos ou negócios
jurídicos por meio de seus representantes legais, tais
como os seus pais (que exercem o poder familiar), ou tutor
(na falta dos pais, em virtude de morte, ausência ou perda
do poder familiar).
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6.3. PESSOAS RELATIVAMENTE INCAPAZES (1)
Pessoas relativamente incapazes são aquelas que possuem aptidão
para o exercício das atividades civis, desde que assistidos por seu
representante legal.
Os relativamente incapazes podem praticar atos ou negócios jurídicos,
com a assistência de seus representantes legais, tais como os seus
pais (que exercem o poder familiar), ou tutor (na falta dos pais, em
virtude de morte, ausência ou perda do poder familiar), ou curador (CC,
art. 3º, II e III), sob pena de anulabilidade (CC, art. 171, I).
As pessoas relativamente incapazes, nos termos do art. 4º do Código
Civil, são as seguintes:
a) Os maiores de 16 (dezesseis) anos e menores de 18 (dezoito) anos.
Advirta-se que, mesmo sendo menor, entre 16 (dezesseis) anos
completos e 18 (dezoito) anos incompletos, não pode, para eximir-se
de uma obrigação, invocar a sua idade, se dolosamente a ocultou
quando inquirido pela outra parte, ou, se, no ato de obrigar-se,
declarou-se maior (CC, art. 180).
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PESSOAS RELATIVAMENTE INCAPAZES (2)
b) Os ébrios habituais e os viciados em tóxicos. São relativamente
incapazes os alcoólatras (aqueles que possuem uma dependência a
bebidas alcoólicas) e os toxicômanos (os dependentes de drogas
químicas ou naturais, consistentes em maconha, cocaína, morfina,
LSD, heroína, etc.).
Essas pessoas, alcoólatras e toxicômanos, na hipótese de já serem
maiores de idade, serão consideradas relativamente incapazes, após
sentença proferida nos autos de processo de interdição , pela qual
será nomeado um curador, que irá cuidar do interdito e de seus bens,
c) Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir a sua
vontade. Essa incapacidade absoluta atinge pessoas que não tiverem a
possibilidade de manifestar a sua vontade, mesmo por um lapso
temporal passageiro, resultante, por exemplo, de doenças consistentes
em arteriosclerose, excessiva pressão arterial, embriaguez não
habitual, uso eventual e excessivo de drogas químicas ou de
substâncias alucinógenas, hipnose ou técnicas semelhantes .
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PESSOAS RELATIVAMENTE INCAPAZES (3)
d) Os pródigos. Estes são aqueles que, desmesuradamente, dilapidam
o seu patrimônio.
Para que sejam considerados relativamente incapazes, haverá
necessidade de sentença proferida em processo de interdição. Uma
vez interdito, não poderá o pródigo, sem o seu curador, emprestar,
transigir, dar quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado,
e praticar, em geral, os atos que não sejam de mera administração (CC,
art. 1.782).
Suas restrições dizem respeito tão-somente a atos de disposição,
alienação e constituição de ônus. Isso significa que os demais atos e
negócios jurídicos poderão ser realizados, como anuir no matrimônio
dos filhos menores, votar, testemunhar, obter carteira de habilitação de
veículo e, até mesmo, casar, embora precise, na feitura do pacto
antenupcial, ser assistido por seu curador .
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PESSOAS RELATIVAMENTE INCAPAZES (4)
Índios. Dispõe o parágrafo único, do art. 4º, do Código Civil, que a
capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
Nesse sentido, encontra-se em plena vigência a Lei n. 6.001, de 19 de
dezembro de 1973, conhecida como Estatuto do Índio, pelo qual os
indígenas ficam sob a tutela da União, sendo incapazes, até o instante
em que atinjam a idade mínima de 21 anos, conheçam a língua
portuguesa, tenham habilitação para o exercício de atividade útil à
comunidade nacional e razoável compreensão dos usos e costumes da
comunhão nacional, e sejam liberados, diretamente, por decisão
judicial, ou por ato da FUNAI (Fundação Nacional do Índio)
homologado judicialmente. Após a sua liberação, o índio terá a
plenitude da capacidade civil, podendo praticar, por si próprio, todos
os atos e negócios jurídicos.
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7. INÍCIO DA PERSONALIDADE JURÍDICA (1)
A personalidade da pessoa natural começa do nascimento com
vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do
nascituro (CC, art. 2º).
Isso significa que a personalidade e a pessoa natural somente
serão assim consideradas a partir do nascimento com vida. Se a
criança nasceu morta, não adquire a personalidade civil, nem
tampouco será considerada pessoa natural.
Nascituro é o ente humano concebido que se encontra com uma
expectativa de aquisição da personalidade condicionada ao
nascimento com vida. Não é, pois, considerado pessoa.
Exemplo: com a morte do pai, resguardam-se os direitos
hereditários do nascituro. Porém, estes somente poderão ser
adquiridos, de maneira efetiva, se ocorrer o nascimento com vida.
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7.1. REGISTRO DE NASCIMENTO
Uma vez ocorrido o nascimento da criança com vida, deverá ser feito o
seu REGISTRO no Cartório do Registro Civil das Pessoas Naturais do
local em que tiver ocorrido o parto ou do domicílio de seus pais, dentro
do prazo de 15 (quinze) dias, que será dilatado em até 3 (três) meses
para as localidades com distância superior a 30 (trinta) quilômetros da
sede do cartório.
Na hipótese de os pais possuírem domicílios diversos, será feito o
registro no Cartório de Registro do domicílio do pai ou, na falta ou
impedimento do pai, no cartório registral do domicílio da mãe.
O assento (registro) do nascimento deverá conter: a) o dia, mês, ano e
lugar do nascimento e a hora certa, sendo possível determiná-la, ou
aproximada; b) o sexo da criança; c) o fato de ser gêmeo, quando
assim tiver acontecido; d) o nome e o prenome; e) a declaração de que
nasceu morta, ou morreu no ato ou logo depois do parto, se a hipótese
for essa; f) a ordem de filiação de outros irmãos do mesmo prenome
que existirem ou tiverem existido;
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g) os nomes e prenomes, a naturalidade, a profissão dos pais, o lugar e
cartório onde se casaram, a idade da mãe, do registrando em anos
completos, na ocasião do parto, e o domicílio ou a residência do casal;
h) os nomes e prenomes dos avós paternos e maternos; i) os nomes e
prenomes, a profissão e a residência das duas testemunhas do
assento, quando se tratar de parto ocorrido sem assistência médica
em residência ou fora de unidade hospitalar ou casa de saúde.
7.1.1. REGISTRO DE CRIANÇA NASCIDA MORTA
Se a criança nasceu morta ou se morreu na ocasião do parto, deverá
ser feito o registro no livro “C” do Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais, com os elementos que couberem e com remissão ao
óbito. Não se dá o nome à criança natimorta.
Na hipótese de a criança ter morrido na ocasião do parto após haver
respirado, deverão ser providenciados dois assentos: o de nascimento
e o de óbito, com os elementos cabíveis e com as remissões
recíprocas aos eventos.
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MORTE NATURAL OU REAL. A personalidade jurídica da pessoa
natural tem o seu término com a morte natural ou real (CC, art. 6º, 1ª
parte), traduzida pela paralisação da atividade cerebral (morte cerebral
ou morte encefálica). Assim, não mais se consideram, para a
caracterização da morte real, a parada do batimento cardíaco, a
inexistência de respiração ou ausência de contração das pupilas.
MORTE PRESUMIDA. Verifica-se nas seguintes hipóteses:
a) Ausência (desaparecimento de uma pessoa de seu domicílio, sem
deixar notícias de seu paradeiro e sem deixar procurador ou
representante legal); b) Se for extremamente provável a morte de
quem estava em perigo de vida (CC, art. 7º, I); c) Se alguém
desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado
até dois anos após o término da guerra (CC, art. 7º, II).
MORTE JUSTIFICADA. Os juízes togados podem reconhecer a
justificação para o assento de óbito de pessoas desaparecidas em
naufrágio, inundação, incêndio, terremoto ou qualquer outra
catástrofe, quando estiver demonstrada a sua presença no lugar do
desastre e não for possível a localização do cadáver para exame.
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8. TÉRMINO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
COMORIÊNCIA é a presunção legal de mortes simultâneas, se, em
caso de dois ou mais pessoas falecerem na mesma ocasião, não se
puder averiguar quem precedeu ao outro na morte .
Essa presunção vem preconizada no art. 8º do Código Civil.
Exemplo: marido e mulher morrem em um acidente de automóvel, sem
deixar descendentes e ascendentes, sendo impossível determinar
quem faleceu por último, para efeitos de direito sucessório.
Considerando-se ambos comorientes, os bens pertencentes ao marido
serão dirigidos aos seus herdeiros, ao passo que o acervo patrimonial
da mulher será destinado aos seus respectivos herdeiros. Deste modo,
não haverá transmissão de direitos hereditários entre comorientes,
mas somente para os seus herdeiros .
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8.1. COMORIÊNCIA
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Com a morte natural ou real da pessoa, deverá ser feito o
registro de óbito, por parte do Cartório de Registro Civil do lugar
do falecimento, em vista do atestado médico, ou, na falta de
médico no lugar, de duas testemunhas que presenciaram ou
verificaram a morte .
Sem a certidão de registro de óbito, nenhum sepultamento será
feito.
Tratando-se de cremação do falecido, esta somente será levada
a efeito, se, em vida, aquele manifestou a vontade de ser
incinerado. Fora essa hipótese, também poderá haver cremação
no interesse da saúde pública. Em ambos os casos, o atestado
de óbito deverá ser firmado por dois médicos ou por um médico
legista e, sendo morte violenta, depois de autorizada pelo juiz.
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8.2. REGISTRO DE ÓBITO
8.2.1. DECLARANTES DO ÓBITO DE PESSOA CONHECIDA
São obrigados a fazer a declaração de óbito de pessoa conhecida:
a) um dos cônjuges ou companheiros, a respeito da morte do outro; b) o
filho, a respeito do pai ou da mãe; c) o irmão, a respeito dos irmãos; d) o
parente mais próximo maior e presente; e) o administrador, diretor ou
gerente de qualquer estabelecimento público ou particular, a respeito dos
que faleceram em seu interior, salvo se estiver presente algum parente em
grau já mencionado; f) a pessoa que assistiu aos últimos momentos do
finado; g) o médico, o sacerdote ou vizinho que do falecimento teve
notícia; h) a autoridade policial, a respeito de pessoas encontradas
mortas.
8.2.2. ELEMENTOS DO REGISTRO DE ÓBITO DE PESSOA
DESCONHECIDA
Se o falecido era pessoa desconhecida, o registro deverá conter uma
descrição física, constando sua estatura ou medida, se for possível, cor,
sinais aparentes, idade presumida, vestuário e qualquer outra indicação
que possa auxiliar, futuramente, o seu reconhecimento. No caso de ter
sido encontrado morto, serão citados esta circunstância e o lugar em que
se encontrava e o da necropsia, se tiver havido. Deverá ser também
providenciada a individual dactiloscópica (impressões digitais), se existir
esse serviço no local. O registro de óbito de pessoa desconhecida deverá
ser assinado pela pessoa que fizer a comunicação ou por alguém a seu
rogo, se não souber ou não puder assinar.
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/05-Direitos da Personalidade-2024.pdf
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DIREITOS DA 
PERSONALIDADE
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
2024
INTRODUÇÃO
LEGISLAÇÃO
CF, arts. 1º. , III, 3º., IV, e 5º., V e X.
CC, arts. 11 a 21 e 52.
CONCEITO
Direitos da Personalidade são os “direitos considerados
essenciais à pessoa humana, que a doutrina” e a lei
preconizam e disciplinam, a fim de resguardar a sua
dignidade. (Orlando Gomes).
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NASCITURO
O nascituro possui direito da personalidade?
Embora autores (Bittar,
Senise, Silmara Chinellato)
afirmem que o nascituro possui direitos da
personalidade, estes, na verdade, de acordo com o art.
2º. do Código Civil, se encontram resguardados desde a
sua concepção, sendo certo que o seu reconhecimento
se aperfeiçoa somente com o nascimento com vida.
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TRAÇOS DE CARACTERIZAÇÃO
ORIGINÁRIOS IMPRESCRITÍVEIS
ABSOLUTOS IMPENHORÁVEIS
INTRANSMISSÍVEIS INEXPROPRIÁVEIS
IRRENUNCIÁVEIS INCOMUNICÁVEIS
INDISPONÍVEIS EXTRAPATRIMONIAIS
ILIMITADOS
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ORIGINÁRIOS. Os direitos da personalidade são inerentes à pessoa
desde o nascimento com vida.
ABSOLUTOS. São oponíveis contra terceiros.
INTRANSMISSÍVEIS. Não são passíveis de transferência a outra
pessoa, quer a título gratuito, quer a título oneroso. O que se admite
apenas é o seu uso.
IRRENUNCIÁVEIS. Não podem ser objeto de renúncia por parte de seu
titular, o qual os deterá a partir do nascimento com vida até a sua
morte.
INDISPONÍVEIS. Dada a sua irrenunciabilidade, não podem ser
dispostos por seu titular. Observe-se que essa indisponibilidade é
relativa, uma vez que poderão esses direitos ser objeto de contrato de
concessão ou licença para uso de imagem.
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ILIMITADOS. Os direitos da personalidade não possuem um número 
pré-estabelecido quanto à quantidade, porquanto meramente 
exemplificativo o disposto na Constituição Federal.
IMPRESCRITÍVEIS. Podem ser suscitados e argüidos judicial ou
extrajudicialmente a qualquer tempo, cabendo ao seu titular o direito
de protegê-los.
IMPENHORÁVEIS. Não cabe a constrição judicial sobre eles.
INEXPROPRIÁVEIS. Não podem ser retirados pelo Poder Público,
porque se referem à qualidade humana .
INCOMUNICÁVEIS. Em virtude de serem inatos a cada pessoa, não
podem ser objeto de comunhão ou condomínio .
EXTRAPATRIMONIAIS. São insuscetíveis de aferição patrimonial. Isso
não significa que seu titular não possa licenciar o seu uso, visando a
obter algum proveito patrimonial. Exemplos: licença de uso de imagem
em outdoors em campanha publicitária; veiculação da imagem na
televisão, etc.
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1. DIREITOS FÍSICOS DA PERSONALIDADE 
CONCEITO
São os direitos que remanescem desde o nascimento com vida do
ser humano.
1.1. Direito à integridade física
É aquele que visa a manter a saúde ou a segurança física da
pessoa.
- Hipótese de autolesão
- não sujeição, com risco de vida, a tratamento médico ou à
intervenção cirúrgica.
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DIREITOS FÍSICOS DA PERSONALIDADE (cont.)
1.2. Direito ao corpo, às partes separadas e aos órgãos dúplices,
aos órgãos regeneráveis.
Esse direito significa a possibilidade de utilização do corpo,
sem risco à saúde e ao bem maior, que é a vida.
- Prática de relações sexuais
- “Barriga de Aluguel” (cessão temporária de útero)
- Transexualismo
- Inseminação artificial
- Uso de material orgânico, próprio para fins de perícia
1.3. Direito à imagem
Refere-se à proteção da expressão visual.
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1.4. Direito aos alimentos
Os alimentos abrangem a alimentação, a habitação, o vestuário e
medicação, a instrução, a educação, a recreação e a assistência.
1.5. Direitos da personalidade post mortem?
Como a morte faz cessar tudo (mors omnia solvit), os direitos da
personalidade deixam de existir com a morte. O que pode ocorrer é
a projeção desses direitos (Rui Geraldo Camargo Viana), que
poderão ser protegidos por seu cônjuge ou companheiro
sobrevivente ou por seus parentes consanguíneos (parentes em
linha reta ascendente e descendente, assim como os colaterais até
o 4º grau inclusive).
DIREITOS FÍSICOS DA PERSONALIDADE (cont.)
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2. DIREITOS PSÍQUICOS DA PERSONALIDADE
Conceito. São aqueles inerentes ao desenvolvimento mental da
pessoa natural.
São:
2.1. Direito à integridade psíquica
Este direito permite o desenvolvimento psíquico, sendo proibida
a prática de lobotomia (lavagem cerebral), de tortura mental e do
polígrafo (detector de mentiras).
2.2. Direito à liberdade
Este direito possibilita a autodeterminação da pessoa na
condução das relações sociais.
A liberdade se encontra presente, de maneira ampla, em nossas
vidas, quer no âmbito civil, quer no âmbito político ou religioso.
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DIREITOS PSÍQUICOS DA PERSONALIDADE (cont.)
2.3. Direito à intimidade
Este direito se refere à privacidade a que qualquer pessoa tem
direito. Consiste no direito de a pessoa não expor dados referentes
à sua seara privativa ou íntima, cabendo-lhe, para impedir ou fazer
xessar a violação à sua intimidade, o direito de requerer ao juiz as
providências necessárias.
2.4. Direito ao segredo
Consiste no direito da pessoa de conservar informes de que tem
conhecimento sobre algo ou alguma pessoa, sem divulgá-los a
outrem.
O segredo pode ser: pessoal, profissional e comercial.
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3. DIREITOS MORAIS DA PERSONALIDADE
Conceito. São aqueles que proporcionam à pessoa condições para promover o seu desenvolvimento intelectual.
São:
3.1. Direito à identidade
É aquele pelo qual uma pessoa tem a oportunidade de se
distinguir das demais.
Consiste no nome.
NOME DA PESSOA NATURAL
I. Conceito:
Nome é “um sinal verbal que identifica imediatamente e com
clareza a pessoa a quem se refere”. (Adriano De Cupis)
É “um meio geral da linguagem próprio para indicar qualquer ente,
mas também é verdade que adquire particular importância social e
jurídica quando serve para individualizar as pessoas” (idem)
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NOME DA PESSOA NATURAL
II. Natureza jurídica
Apesar de alguns afirmarem ser um direito de propriedade
(Baudry-Lacantinerie), ou um direito sui generis (Colin et
Capitant), ou um direito sobre bem material ou coisa incorpórea
(Eltzbacher, Von Tuhr e Schulz-Schäffer), o nome, na verdade, é
um direito da personalidade, com todas as características a ele
inerentes.
III. Elementos componentes do nome
Prenome: expressão pela qual é identificada pelas demais e delas
se distingue. Pode ser simples (ex.: José) ou composto (ex.:
Antônio Carlos).
Sobrenome: nome da família que segue o prenome. Pode ser
simples (ex.: Silva) ou composto (ex.: Silva Oliveira).
Partículas “de”, “do”, “da”, “dos”, “das”, e a conjunção “e”:
integram o nome, assim como os seus similares em outras
línguas.
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NOME DA PESSOA NATURAL (cont. 1)
Agnome: é a palavra distintiva que se soma ao prenome e ao
sobrenome.
Ex.: Júnior, Filho, Sobrinho, Sobrinha, Neto, I, II, III.
Pseudônimo: é o nome fictício utilizado pela pessoa para
manter em segredo a sua verdadeira identidade, dentro do
âmbito literário, artístico, esportivo ou político. Ex.: Alberto
Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos são os pseudônimos
do poeta Fernando Pessoa.
Codinome: é o nome dado a alguém diverso do seu nome de
registro. Ex.: Tiradentes.
Hipocorístico: é a expressão carinhosa pela qual a pessoa é
tratada dentro de sua família. Ex.: Zé (José), Dudu (Eduardo),
Benê (Benedito).
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NOME DA PESSOA NATURAL (cont. 2)
IV. Aquisição do nome
O nome pode ser adquirido pela pessoa natural pelo nascimento,
pela adoção, pelo casamento e pela união estável (heteroafetiva e
homoafetiva).
V. Alteração do nome
a) Nome que exponha o seu portador ao ridículo;
b) Nome que identifique pessoa cruel ou imoral;
c) Nome com evidente erro de grafia;
d) Nome causador de embaraços comerciais ou profissionais;
e) Nome referente a transexual;
f) Proteção de vítimas e testemunhas de crime;
g) Gêmeos e irmãos com igual prenome;
h) Adoção.
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3.2. Direito à honra
É o que se refere à manutenção da boa fama pessoal valorada pela
própria pessoa ou pela sociedade.
A honra pode ser objetiva (qualidade íntima do indivíduo valorada
pela sociedade) e subjetiva (qualidade íntima do indivíduo valorada
exclusivamente por si próprio).
A honra objetiva pode ser violada pela calúnia (imputação falsa de
um crime a alguém) ou pela difamação (imputação falsa de um ato
contrário à moral e aos bons costumes).
A honra
subjetiva pode ser violada pela injúria (ofensa à
reputação de uma pessoa)
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3.3. Direito à educação
Consiste na obtenção de dados e informes necessários à
constituição e desenvolvimento dos valores educacionais na
pessoa.
3.4. Direito ao emprego
Consiste na oportunidade dada a qualquer pessoa de produzir
riquezas, mediante o exercício de atividades com relação de
emprego.
3.5. Direito à habitação
Consiste no direito da pessoa de ter um local como moradia, onde
possa viver dignamente.
3.6. Direito à cultura
É o que se refere à absorção das várias ideias no mundo artístico,
científico e literário.
Prenome, sobrenove, 
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3.7. Direito às criações intelectuais
É aquele em que o seu autor exterioriza as suas ideias e
pensamentos na forma de obras literárias (prosa, poesia), obras
estéticas ou plásticas (pintura, escultura), obras líricas (música,
letra de música) e obras de propriedade industrial (invenção,
modelo de utilidade).
Prenome, sobrenove, 
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/02-Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro-1ª Parte-2024.pdf
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LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO 
BRASILEIRO – 1ª PARTE
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
2024
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1ª PARTE
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NOÇÕES PRELIMINARES
Originariamente denominada Lei de Introdução ao Código
Civil Brasileiro, foi editada por meio do Decreto-lei n. 4.657,
de 4 de setembro de 1942, entrando em vigência em 24 de
outubro de 1942, por força do Decreto-lei n. 4.707, de 17 de
setembro de 1942. Sua promulgação provocou a revogação
da anterior Lei de Introdução ao Código Civil, que estava
em vigor, desde 1º de janeiro de 1917, início de eficácia
conjunta com o Código de 1916.
Com entrada em vigor do atual Código Civil/2002, continuou a
viger a referida Lei de Introdução.
Por meio da Lei n. 12.376, de 30.12.2010, passou a denominar-
se Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB).
3
CONCEITO
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro é
um conjunto de normas que estabelecem princípios
relativos à eficácia, no tempo e no espaço, de regras
jurídicas de direito público e de direito privado e, até
mesmo, de direito internacional privado.
LINDB de um “conjunto de normas sobre normas”.
(Wilson de Campos Batalha)
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FUNÇÕES DA LINDB
A Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro objetiva:
a) Regular a vigência e eficácia da norma jurídica (arts. 1º e 2º),
apresentando soluções ao conflito de normas no tempo (art. 6º)
e no espaço (arts. 7º a 19);
b) Fornecer regras de hermenêutica (art. 5º);
c) Estabelecer mecanismo de integração de normas (art. 4º);
d) Garantir a eficácia global, não dando guarida ao erro de direito
(art. 3º), mas dando a certeza, segurança e estabilidade da
ordem jurídica, mantendo as “situações consolidadas em que o
interesse individual prevalece” (art. 6º).
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VIGÊNCIA E EFICÁCIA DAS NORMAS JURÍDICAS 
NO TEMPO
A palavra vigência provém do latim vigens, que, por sua vez, tem
nascedouro no verbo vigere, significando “estar em voga”, “vigorar”.
Vigência, segundo Carlos Alberto M. S. M. Violante , é a “validade
formal ou técnico-jurídica da lei”.
Para que haja a obrigatoriedade da norma jurídica, cumpre
promover-se a sua publicação no Diário Oficial, entretanto a sua
vigência não se inicia no dia da publicação, salvo se ela assim o
determinar.
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Distinção entre validade e 
eficácia da norma jurídica
Embora uma norma jurídica seja válida, sua eficácia somente existirá, caso
possa a norma jurídica ser usada sobre o caso em concreto disposto por
ela, consoante adverte Roberto Senise Lisboa .
Isso poderá ocorrer em duas hipóteses:
a) enquanto uma norma jurídica auto-aplicável a determinadas relações
jurídicas ainda não estiver a vigorar (exemplo: Código Civil de 2002 durante
o período da vacatio legis teve validade, entretanto não detinha eficácia);
b) enquanto uma norma jurídica em vigor tiver a sua eficácia dependente
de outra norma a ser objeto de futura promulgação (exemplo: o art. 226, §
3º, da Constituição Federal, preconiza que a lei deverá facilitar a
conversão da união estável em casamento. Todavia, até esta data, não foi
editada norma jurídica regulamentando esse procedimento previsto pelo
dispositivo constitucional, embora as Corregedorias Gerais de Justiça dos
Estados tenham procurado, por meio de Provimentos, suprir essa lacuna
legal).
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VACATIO LEGIS
VACATIO LEGIS é o intervalo temporal entre a data de publicação da norma
jurídica e de sua entrada em vigor.
É o período de vacância da norma jurídica, a qual é chamada, de modo
genérico, de lei.
Esta visa a dar a oportunidade de ciência a todas as pessoas a respeito do
seu conteúdo. Enquanto durar a vacatio legis, a nova norma jurídica não
possuirá ainda eficácia, pelo que a norma jurídica velha estará a regular
um determinado assunto até o instante em que a norma jurídica nova entre
em vigência .
Embora as normas jurídicas, na maioria, prevejam a data a partir da qual
passarão a vigorar, que, em regra geral, é a de sua publicação, verificam-se
hipóteses em que se concede tempo maior para sua adaptação, isto é,
uma vacatio legis. Exemplo: o Código Civil de 2002 (Lei n. 10.406, de 10 de
janeiro de 2002, publicada no Diário Oficial da União em 11 de janeiro de
2002) estabeleceu, em seu art. 2.044, que entraria em vigor 1 (um) ano após
a sua publicação, ou seja, a partir de 11 de janeiro de 2003.
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INÍCIO DE VIGÊNCIA DA NORMA JURÍDICA (1)
Uma norma jurídica começa a ter vigência de maneira progressiva
ou de forma única ou simultânea, a saber:
a) Vigência progressiva. Por essa forma, a norma jurídica entra em
vigor em diferentes lapsos de tempo, tendo início nas regiões mais
próximas, depois nas mais remotas.
Era o que dispunha a revogada Lei de Introdução ao Código Civil, em
seu art. 2º, que preconizava o início de vigência da lei, caso não
estabelecesse prazo diverso, três dias após a sua publicação no
Diário Oficial para o Distrito Federal (cidade do Rio de Janeiro); 15
(quinze) dias para o Estado do Rio de Janeiro; 30 (trinta) dias para os
Estados marítimos e Minas Gerais; 100 (cem) dias para outros
Estados e territórios da federação.
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INÍCIO DE VIGÊNCIA DA NORMA JURÍDICA (2)
b) Vigência única ou simultânea. Por este modo, a norma entra em
vigência a um só tempo em todo o país. É o que estabelece a atual
LINDB, em seu art. 1º.
Assinale-se que, caso inexista disposição em contrário, a norma
jurídica passa a vigorar no Brasil 45 (quarenta e cinco) dias após a
sua publicação no Diário Oficial da União.
LINDB - Art. 1º. Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo
o país quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada.
Já, no exterior, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida,
tem início 3 (três) meses depois de sua publicação (LINDB, art. 1º,
caput e § 1º).
LINDB, Art. 1º., § 1º. Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei
brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois de oficialmente
publicada.
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INÍCIO DE VIGÊNCIA DA NORMA JURÍDICA (3)
Porém, advirta-se que a maioria das normas jurídicas editadas, nos
dias de hoje, traz em seu contexto a alusão à sua entrada em
vigência no dia de sua publicação (exemplo: “Esta lei entra em vigor
na data de sua publicação”) ou à data em que passará a viger
futuramente (exemplo: “Esta lei entrará em vigor um ano após a sua
publicação”).
Código Civil, Art. 2.044. Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua
publicação.
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NOVA PUBLICAÇÃO DE TEXTO DA
NORMA JURÍDICA (1)
Caso necessária uma republicação da norma jurídica, que ainda
não entrou em vigor, objetivando a correção, o prazo de vigência
passará a ter início a
partir da nova publicação (LINDB, art. 1º, § 3º).
LINDB, Art. 1º, § 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova
publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste artigo e dos
parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.
Todavia, se a norma jurídica já se encontrava em vigor, as correções
levadas a efeito a seu texto são consideradas lei nova (LINDB, art.
1º, § 4º).
LINDB, Art. 1º, § 4º As correções a texto de lei já em vigor consideram-se
lei nova.
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NOVA PUBLICAÇÃO DE TEXTO DA
NORMA JURÍDICA (2)
Adverte Washington de Barros Monteiro que MERO ERRO
TIPOGRÁFICO dispensa a elaboração de uma lei retificativa; e
mesmo que a retificação se faça por lei posterior, embora
totalmente desnecessária, esta não é considerada lei nova .
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CESSAÇÃO DA VIGÊNCIA DA NORMA JURÍDICA
A LINDB, em seu art. 2º, caput, estabelece duas espécies de
normas jurídicas, quanto ao seu tempo de vigência: a norma com
vigência temporária e a norma com vigência para o futuro sem prazo
determinado.
A NORMA COM VIGÊNCIA TEMPORÁRIA é aquela em que o
legislador fixou o tempo de sua duração. É o que ocorreu, por
exemplo, com a lei que criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre
Movimentações Financeiras).
A NORMA COM VIGÊNCIA PARA O FUTURO SEM PRAZO
DETERMINADO é aquela que durará até que seja modificada ou
revogada por outra. Exemplo: o Código Civil de 2002.
Não se tratando de norma jurídica com vigência temporária, onde se
assinala o termo final de sua eficácia, poderá a norma com vigência
para o futuro sem prazo determinado ser objeto de modificação ou
de revogação.
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REVOGAÇÃO DA NORMA JURÍDICA (1)
REVOGAÇÃO é a supressão, total ou parcial, de uma norma jurídica.
Espécies de revogação: ab-rogação e derrogação; expressa e tácita.
Ab-rogação é a supressão total da norma jurídica anterior. Exemplo:
a revogação pelo Código Civil de 2002 da Lei n. 3.071, de 1º de
janeiro de 1916 – Código Civil de 1916 .
Derrogação é a supressão parcial da norma jurídica. Exemplo: a
revogação pelo Código Civil de 2002 da Parte Primeira do Código
Comercial de 1850.
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REVOGAÇÃO DA NORMA JURÍDICA (2)
Revogação expressa é aquela que ocorre quando o legislador
declara, no texto da norma jurídica, estar extinta a lei velha (LINDB,
art. 2º, § 1º, 1ª parte). Exemplo: o Código Civil de 2002 preconiza,
expressamente, a revogação do Código Civil de 1916 e da Primeira
Parte do Código Comercial.
Revogação tácita é a que ocorre quando houver incompatibilidade
entre a lei velha e a nova, ou quando a lei nova regular inteiramente
a matéria de que tratava a lei anterior (LINDB, art. 2º, § 1º, in fine).
Se a incompatibilidade entre leis for total, ou se houver integral
regulação da matéria pela nova norma jurídica, teremos a revogação
tácita total.
Entretanto, se a incompatibilidade for parcial, ou se a regulação da
matéria pela lei nova for em parte, teremos a revogação tácita
parcial.
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REPRISTINAÇÃO
REPRISTINAÇÃO é a nova vigência de uma determinada lei revogada
pela lei revogadora, resultante da revogação desta última levada a
efeito por uma terceira lei . Deste modo, em virtude da
repristinação, uma lei revogada volta a viger novamente, porquanto
a lei que, anteriormente, a revogara deixa de ter efeitos em razão de
uma norma posterior, a qual promove o restabelecimento da
primeira.
Exemplo: a lei “A”, promulgada e publicada em 1º de maio de 2001,
foi revogada pela lei “B” em 25 de outubro de 2002. Entretanto, em
17 de junho de 2003, uma lei “C” revoga a lei “B”, mencionando, de
modo expresso, a restauração de vigência da lei “A”.
Em conformidade com o § 3º, do art. 2º, do Código Civil, não existe,
em regra geral, repristinação, a menos que a lei disponha de forma
contrária. Em outras palavras, salvo disposição em contrário, a lei
revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
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EFEITOS DA NORMA JURÍDICA
A LINDB, em seu art. 3º, estabelece que “ninguém se escusa de
cumprir a lei, alegando que não a conhece” .
LINDB, Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a
conhece.
Essa regra é justificada pelo princípio da necessidade ou do
interesse social, pelo qual, se assim não fosse, não subsistiria
nenhum direito ou garantia, instalando-se um regime de
insegurança e de anarquia .
Excepciona-se essa regra em hipóteses relativas à sua não
divulgação, oriunda de guerra, epidemia ou uma calamidade
pública; ou a erro de direito, o qual somente poderá ser alegado,
desde que, não implicando recusa à aplicação da lei, seja o único
motivo ou principal do negócio jurídico (CC, art. 139, III).
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (1)
Toda vez que surge uma nova lei, alterando uma anterior, que já
estava a regular determinadas relações jurídicas sob a sua égide, há
um conflito de leis no tempo. A discussão gira em torno da
aplicabilidade ou não da lei nova sobre as relações jurídicas
existentes.
Para a solução desse conflito, apresentam-se dois critérios: o das
disposições transitórias e o da irretroatividade das normas.
1. CRITÉRIO DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
O critério das disposições transitórias elaboradas pelo próprio
legislador visa a resolver e a impedir os conflitos resultantes da
nova lei em confronto com a anterior, tendo, deste modo, um
período temporário de vigência .
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (2)
Exemplo: O Livro Complementar do Código Civil de 2002, referente
às Disposições Finais e Transitórias , estabelece, em seu art. 2.035,
que a validade dos negócios jurídicos e demais atos jurídicos,
constituídos antes da entrada em vigor do novo código, obedece ao
disposto nas leis anteriores, referidas no art. 2.045 (Código Civil de
1916 e a Parte Primeira do Código Comercial de 1850), mas os seus
efeitos, produzidos após a vigência do Código de 2002, subordinam-
se aos preceitos deste, a menos que as partes tenham,
previamente, previsto uma determinada forma de execução (a qual
não poderá contrariar preceitos de ordem pública).
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (3)
2. CRITÉRIO DA IRRETROATIVIDADE
Pelo critério da irretroatividade da lei, tem-se que a lei não atinge as
situações jurídicas constituídas anteriormente.
Essa é a regra geral que visa, acima de tudo, à manutenção da paz e
da segurança sociais, com o respeito ao ato jurídico perfeito, ao
direito adquirido e à coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI; LICC, art. 6º,
caput e §§ 1º, 2º e 3º).
Consoante afirmativa de Clóvis Beviláqua, “o princípio da não
retroatividade é um princípio de proteção individual”.
Ex.: pessoa com idade de, no mínimo, 18 anos poderá adotar uma
criança de acordo com o atual ordenamento legal. Caso, após a
propositura da ação de adoção, seja majorada a idade mínima para
21 anos, essa exigência não alcançará esse adotante.
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (4)
ATO JURÍDICO PERFEITO, DIREITO ADQUIRIDO E COISA JULGADA
Ato jurídico perfeito é aquele que se consumou em conformidade
com a lei vigente à época em que se realizou.
Ex.: um contrato de doação celebrado em 12 de dezembro de 2000,
isto é, sob a égide do Código Civil de 1916. Mesmo que este diploma
legal tenha sido revogado pelo Código Civil de 2002, o negócio
jurídico da doação permanecerá válido.
Direito adquirido é aquele que se incorporou, de forma definitiva, ao
patrimônio de seu titular.
Ex.: uma pessoa obtém o direito à aposentadoria aos 35 anos de
serviços e de contribuição à previdência social. Se, porventura, uma
nova lei alterar a exigência para 50 anos, não poderá atingir essa
pessoa que, de acordo com a lei velha, já preencheu o pretérito
requisito temporal.
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (5)
Coisa julgada é a decisão judiciária
da qual não caiba mais recurso.
Ex.: uma sentença judicial declara a inexistência de uma relação
jurídica obrigacional entre “A”, credor, e “B”, devedor. “A”,
inconformado, interpõe todos os recursos cabíveis junto aos
tribunais competentes, restando, porém, confirmada a decisão.
Com a coisa julgada, não poderá mais o credor “A” rediscutir a
matéria debatida anteriormente . Nem tampouco poderá uma lei
nova pretender atingir, de modo retroativo, os efeitos da coisa
julgada.
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (6)
Regra geral da imediata aplicação da lei e hipóteses de
retroatividade
A regra geral é a da imediata aplicação da lei nova sobre:
a) o estado da pessoa (ex.: se uma lei estabelece a dissolubilidade
do matrimônio, significa que todo e qualquer casamento poderá se
sujeitar ao divórcio, mesmo aquele celebrado à época em que não
era permitido o divórcio );
b) a natureza jurídica de um bem móvel ou imóvel ;
c) as regras pertinentes à posse, mesmo que a propositura da ação
possessória tenha ocorrido na vigência da lei anterior;
d) as normas referentes ao uso da propriedade, uma vez que a nova
lei não alcança os demais efeitos do direito da propriedade;
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (7)
e) a organização judiciária, que regula os órgãos do Judiciário e a
sua competência ratione materiae, tendo aplicação imediata sobre
todos os processos já em andamento;
f) processos judiciais, isto é, as leis processuais, mesmo sendo
novas, terão aplicação sobre os processos que estejam ainda em
tramitação perante os juízos monocráticos ou tribunais.
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (8)
EXCEÇÕES DE RETROATIVIDADE DA LEI
Há hipóteses de retroatividade da lei, pela qual se alcançam efeitos
de negócios ou atos jurídicos levados a efeito em conformidade
com uma lei revogada.
Ela somente é admitida em situações excepcionais, como as leis
favoráveis.
As leis favoráveis, como as penais ou tributárias, poderão ter efeitos
retroativos, desde que estabeleçam, de maneira expressa, o
benefício ao réu ou ao contribuinte.
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CRITÉRIOS PARA SOLUCIONAR O CONFLITO DE 
LEIS NO TEMPO (9)
IRRETROATIVIDADE DA LEIS INTERPRETATIVAS
Leis interpretativas são aquelas que objetivam dar o sentido
autêntico desejado pelo legislador a uma lei antiga, a qual
permanecerá vigente.
Caio Mário da Silva Pereira adverte que “as situações jurídicas, ou
os direitos subjetivos constituídos em função da interpretação dada
à lei, antes do dispositivo interpretativo, não podem mais ser
alterados ou atingidos, ainda que a hermenêutica autêntica venha
infirmar o entendimento dado à lei interpretada”.
As leis interpretativas consideram-se contemporâneas da própria
lei interpretada, fazendo-se, assim, abstração do tempo decorrido
entre as duas normas jurídicas.
Portanto, as leis interpretativas não possuem caráter retroativo.
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Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
FIM
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/000-Auto apresentação do Professor Jorge Fujita.pdf
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
PROF. DR. JORGE SHIGUEMITSU FUJITA
2024
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
Doutor (PhD) em Direito Civil pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP)
Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP)
Professor Titular de Direito Civil dos Cursos de Graduação e de Pós-Graduação lato sensu do
Curso de Direito do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU (São
Paulo)
Professor Doutor do Programa de Mestrado em Direito da Sociedade da Informação do Centro
Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas - FMU
Coordenador do Curso de Pós-Graduação lato sensu em Direito de Família e Sucessões da FMU
Docente Voluntário Doutor do Curso de Pós-Graduação stricto sensu (Mestrado e Doutorado)
da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo - USP
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Professor do Curso de Pós-Graduação lato sensu da Faculdade de Direito da
Universidade Estadual de Londrina – UEL (PR)
Professor do Curso de Pós-Graduação lato sensu da Escola Superior de Advocacia
(ESA) da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de São Paulo
Líder do Grupo de Pesquisa “Direito de Autor, Família, Grupos Sociais e
Informação” e do Grupo de Pesquisa “Biodireito e Direitos da Personalidade”
Editor Responsável pela FMU Direito Revista Eletrônica
Parecerista, consultor jurídico e advogado (Fujita Advocacia. Praça Ramos de
Azevedo, 209, 3º andar, conjunto 32, centro, São Paulo – SP, CEP 01037-010)
CV: http://lattes.cnpq.br/5202705522000286
E-mail: jorge.fujita@fmu.br
BIBLIOGRAFIA
AZEVEDO, Álvaro Villaça. Teoria Geral do Direito Civil: Parte Geral. 2. ed. São Paulo: Saraiva Jur, 2019, v. 1.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Teoria Geral do Direito Civil. 41. ed. São Paulo: Saraiva, 2024, v. 1.
FUJITA, Jorge Shiguemitsu. SCAVONE JUNIOR, Luiz Antonio. CAMILLO, Carlos Eduardo Nicoletti. TALAVERA, Glauber Moreno
(Coordenadores). Comentários ao Código Civil Artigo por Artigo. 3. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2014.
GAGLIANO, Pablo Stolze. PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: Parte Geral. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2023,
v. I.
GOMES, Orlando. Introdução ao Direito Civil. Coordenador Edvaldo Brito. 20. ed. Rio de Janeiro: GEN – Forense, 2010.
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro: Parte Geral. 22. ed. São Paulo: Saraiva, 2024, v. 1.
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3
BIBLIOGRAFIA
LISBOA, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Teoria Geral do Direito Civil. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, v. 1.
MONTEIRO, Washington de Barros. Ana Cristina de Barros Monteiro França. Curso de Direito Civil: Parte Geral. 45.
ed. São Paulo: Saraiva, 2015, v. 1.
NADER, Paulo. Curso de Direito Civil: Parte Geral. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense - GEN, 2018, v. 1.
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil: Introdução ao Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil.
34. ed. Revista e atualizada por Maria Celina Bodin de Moraes. Rio de Janeiro: Forense - GEN, 2022, v. I.
TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Lei de Introdução e Parte Geral. 20. ed. São Paulo: GEN - Forense, 2024, v. 1.
PLANO DE ENSINO
1. Direito
2. Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (1ª Parte)
3. Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (2ª Parte)
4. Pessoa Natural
5. Direitos da Personalidade
6. Pessoa Jurídica
7. Domicílio
8. Bens
9. Fatos jurídicos. Atos jurídicos. Negócios jurídicos. Elementos essenciais do
negócio jurídico
10. Elementos acidentais do negócio jurídico.
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PLANO DE ENSINO
11. Defeitos do negócio jurídico: Erro, dolo e coação
12. Defeitos do negócio jurídico: Estado de perigo e Lesão
13. Defeitos do negócio jurídico: Fraude contra credores e Simulação
14. Negócios inexistentes, nulos e anuláveis
15. Atos ilícitos. Responsabilidade civil
16. Prescrição e Decadência
17. Prova dos negócios jurídicos
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BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS - FUJITA/CONTEÚDO DAS AULAS/01-Direito-2024.pdf
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DIREITO
BASES DAS RELAÇÕES PRIVADAS
Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
2023
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LEI
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INTRODUÇÃO: LEI FÍSICA E LEI ÉTICA
Antes de ingressarmos na discussão conceitual do direito,
devemos distinguir a lei física da lei ética.
A lei física objetiva regular a natureza.
Ex.: lei da gravidade: “a matéria atrai a matéria na razão
direta do produto de suas massas e na razão inversa do
quadrado das distâncias que as separa” (Isaac Newton).
A lei ética diz respeito ao comportamento humano.
Ex.: Estatuto da Criança e do Adolescente. Regula os
direitos do menor de idade.
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LEIS FÍSICAS, consoante ensina Goffredo Telles Júnior, são
fórmulas “elaboradas pelo homem, para revelar, em síntese, o
que a ciência descobriu
de constante, em tipos de fenômenos
observados na natureza”.
LEIS ÉTICAS “são fórmulas elaboradas pelo ser humano, para
ordenar o seu comportamento”, “são enunciados do dever-
ser”, em contrapartida às leis físicas que se limitam a revelar o
ser das coisas.
Entre as normas éticas, temos a religião, a moral e o direito.
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RELIGIÃO
Religião provém do latim religare, que exprime religar, reunir,
reatar. A religião traduz a religação entre o ser humano e
Deus, ou seja, entre a criatura e o Criador.
Deus é a causa primária de todas as coisas. É a inteligência
suprema, cuja existência se manifesta pelas suas obras. Já o
ser humano é uma das suas criaturas, dotado de inteligência,
consistente na faculdade especial de pensar, de ter consciência
de sua existência e de sua individualidade, de travar relações
com os seus semelhantes e com as coisas que o rodeiam,
possuindo, após o período inicial de sua vida, a capacidade de
prover as suas próprias necessidades. O ser humano é
detentor, acima de tudo, do livre arbítrio.
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A religião se encontra ligada à consciência de cada ser
humano, o qual, em hipótese de infringência de norma
estabelecida por ela, poderá, consoante preleciona Roberto
Senise Lisboa, sofrer “um sentimento de autopunição ou um
prejuízo espiritual para o grupo religioso do qual a pessoa
infratora ou pecadora faz parte”.
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MORAL
Moral, cuja origem etimológica está no vocábulo latino
moralis, significa “relativo aos costumes”.
MORAL é o “conjunto de valores sociais vigentes num
determinado grupo e dotados de coercibilidade social,
convencional, não compulsiva”.
É “a qualidade de conduta a que não falta qualquer dos
requisitos essenciais de um ato humano perfeito, a saber,
consciência e autodeterminação”.
É “a qualidade de uma pessoa, que se identificou com uma
larga soma de hábitos virtuosos, de sorte a torná-la inclinada a
praticar condutas normadas, seja pelo direito, seja pela própria
religião ou pelas convenções sociais” (Antonio Bento Betioli)
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DIFERENÇA ENTRE MORAL E DIREITO (1)
- Embora ambos se refiram aos atos do ser humano em
sociedade, visando ao seu bem estar, assim como ao da
sociedade, deflui-se que a moral possui uma abrangência
maior que o direito.
- Na moral, o ser humano tem deveres para com Deus, para
consigo mesmo e para com os seus semelhantes, ao passo
que, no direito, o ser humano possui deveres em relação aos
demais.
- A moral não possui coerção, uma vez que importa em
apenas sanções internas (remorso, arrependimento, desgosto
íntimo, sentimento de reprovação geral). A moral não é
compatível com qualquer ideia ou plano de natureza
coercitiva, quer de ordem física, quer de ordem psíquica
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DIFERENÇA ENTRE MORAL E DIREITO (2)
- De outra parte, o direito é provido de coerção, pois aplica
uma sanção ao seu transgressor. A regra jurídica conta com a
sanção para obrigar o ser humano à sua obediência, visando à
segurança e à justiça para a humanidade.
- A moral afeta a paz interior. O direito atinge a exterior.
- A moral age no foro íntimo, enquanto que o direito atua no
foro exterior.
- A moral não apresenta valor àquele que não a aceita. O
direito vem a se impor a qualquer um, mesmo àquele que o
ignore, embora seja admissível o erro de direito .
- A moral é mais difusa, o direito é mais definido .
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NOÇÕES DE DIREITO
A palavra “direito” é plurívoca.
Tem vários sentidos:
a) como prerrogativas ou faculdades (ex.: Fulano
revoltou-se, porquanto o seu direito de defesa lhe foi
cerceado);
b) como um complexo de normas jurídicas, que
regulam a vida do ser humano em sociedade, fixadas pelo
Estado, que as impõe a todos mediante coerção (ex.: o
Direito Brasileiro);
c) como ciência (ex.: cabe ao direito estudar a
regulação da clonagem humana);
d) como fato social (ex.: o direito constitui um setor da
vida social ).
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CONCEITO DE DIREITO (1)
Radbruch: direito é “o conjunto de normas, gerais e
positivas, que regulam a vida social”.
Caio Mário da Silva Pereira: direito é “o princípio de
adequação do homem à vida social”.
Roberto Senise Lisboa: direito como sendo “o conjunto de
normas jurídicas elaboradas a partir de princípios naturais
e da razão humana, que atribui ou autoriza uma série de
condutas em sociedade”.
Clóvis Bevilaqua: “direito é uma regra social obrigatória,
quer sob a forma de lei, quer sob a de costume” .
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CONCEITO DE DIREITO (2)
Goffredo Telles Júnior: entende que a palavra direito é plurívoca
analógica, com sentidos diversos mas conexos, ensina que o direito
é “imperativo autorizante e sistema de imperativos autorizantes”
(Direito Objetivo), “permissão concedida por meio de norma
jurídica” (Direito Subjetivo) e “o justo segundo o Direito ou o seu,
em conformidade com a lei” (justo convencional, a qualidade do
que é justo, mas justo nos termos da lei) .
Jorge Fujita: “direito é um complexo de normas jurídicas, que
regulam a vida do ser humano em sociedade, estabelecidas pelo
Estado, visando à paz e à segurança sociais”.
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DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO (1)
DIREITO OBJETIVO é o conjunto de normas jurídicas que, de modo
obrigatório, regulam o comportamento humano, prescrevendo a
incidência de uma sanção no caso de sua violação .
O direito objetivo é sempre um conjunto de normas impostas ao
comportamento humano, autorizando-o a fazer ou a não fazer algo.
Estando, portanto, fora do ser humano, indica-lhe o caminho a
seguir, prescrevendo sanção em caso de violação.
O direito objetivo designa o direito enquanto regra (ius est norma
agendi)
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DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO (2)
DIREITO SUBJETIVO "é a permissão dada por meio da norma
jurídica, para fazer ou não fazer alguma coisa, para ter ou não ter
alguma coisa, ou, ainda, a autorização para exigir, por meio dos
órgãos competentes do poder público ou por meio de processos
legais, em caso de prejuízo causado por violação de norma, o
cumprimento da norma infringida ou a reparação do mal sofrido" .
(Goffredo da Silva Telles Júnior)
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DIREITO SUBJETIVO ≠ FACULTAS AGENDI
Direito Subjetivo não se confunde com “facultas agendi” (=
faculdade de agir), que é a possibilidade que tem o homem de agir
de determinada forma. As faculdades humanas não são direitos,
são qualidades próprias do ser humano, que não se encontram na
dependência de uma norma jurídica para que possam existir.
A faculdade de agir não se confunde com a permissão de usar essa
faculdade. Em primeiro lugar, existe a faculdade de agir.
Posteriormente, vem a permissão ou direito de utilizar essa
faculdade, ou seja, o direito subjetivo .
Enfim, o direito subjetivo é sempre a permissão que tem o ser
humano de agir conforme o direito objetivo, sendo que um não
pode existir sem o outro. O direito objetivo existe em razão do
subjetivo, para revelar a permissão de praticar atos. O direito
subjetivo, por sua vez, constitui-se de permissões dadas por meio
do direito objetivo
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DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL (1)
DIREITO POSITIVO é o conjunto de normas jurídicas, que regulam as
relações entre os homens em sociedade e que vigoram em um
determinado país e numa determinada época .
Exemplos: o Código Civil de 2002 (Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de
2002) em vigência no Brasil a partir de 11 de janeiro de 2003; o
Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078, de 11 de setembro
de 1990) vigente desde 12 de março de 1991.
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DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL (2)
DIREITO NATURAL é “o ordenamento ideal, que corresponde a uma
justiça superior e suprema”. (Andrea Torrente)
Direito Natural é “o conjunto de normas éticas decorrentes do ser
humano, que fundamentaram os princípios gerais, para a
elaboração do direito positivo” . (Roberto Senise Lisboa)
Esses princípios que formam o Direito Natural são: bonum
faciendum (o bem
deve ser feito), neminem laedere (não lesar a
outrem), suum cuique tribuere (dar a cada um o que é seu),
respeitar a personalidade do próximo, as leis da natureza, etc.”
(André Franco Montoro)
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DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO
De acordo com a Teoria mista fundada no interesse preponderante
e na forma da relação jurídica:
DIREITO PÚBLICO é aquele que “protege interesses
preponderantemente públicos e regula relações jurídicas de
subordinação”, onde “uma das partes é o Governo da sociedade
política, exercendo a sua função de mando”. (Goffredo da Silva
Telles Júnior)
DIREITO PRIVADO é “aquele que protege interesses
preponderantemente privados e regula relações jurídicas de
coordenação” , onde há um “vínculo entre partes que se tratam de
igual para igual”. (Goffredo da Sailva Telles Júnior)
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DIREITO PÚBLICO E SEUS RAMOS (1)
DIREITO PÚBLICO é o conjunto de regras jurídicas que regulam as
relações públicas, ou seja, em que o Estado é parte, regendo a
organização e atividade do Estado, considerado em si mesmo, em
sua relação com outro Estado, e em suas relações com particulares,
quando atua em decorrência de seu poder soberano e age na tutela
dos interesses gerais de toda a coletividade
RAMOS DO DIREITO PÚBLICO:
Direito Constitucional: é aquele que fixa os direitos fundamentais e
regula a estrutura, organização e funcionamento do Estado, assim
como as relações entre governantes e governados.
Direito Administrativo: rege a estrutura e funcionamento da
administração pública, seja ela direta, seja indireta, assim como
suas relações entre os administradores e seus administrados
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DIREITO PÚBLICO E SEUS RAMOS (2)
Direito Penal: regula a função preventiva e repressiva do Estado,
por meio da definição de crimes e contravenções e suas respectivas
penas, visando à manutenção da ordem jurídica.
Direito Tributário: estabelece a relação entre Estado e contribuinte
e regula a arrecadação de tributos e a obtenção de receita para o
Estado .
Direito Processual: rege a função do Estado relativa ao exercício da
tutela jurisdicional, por meio do Poder Judiciário, atribuindo a cada
um o que é seu. Pode ser Direito Processual Civil e Direito
Processual Penal.
Direito do Trabalho: regula as relações entre empregador e
empregado, estabelecendo normas correspondentes à organização
do trabalho e da produção .
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DIREITO PÚBLICO E SEUS RAMOS (3)
Direito Internacional Público: cuida das relações entre Estados, bem
como a atividade dos organismos internacionais, tais como a ONU –
Organização das Nações Unidas, a OMC – Organização Mundial de
Comércio, a OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte, etc.
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DIREITO PRIVADO E SEUS RAMOS (1)
DIREITO PRIVADO é o complexo de normas jurídicas, que
disciplinam as relações entre particulares de caráter privado, onde
predomina imediatamente o interesse de ordem particular .
RAMOS DO DIREITO PRIVADO:
Direito Civil: rege as relações privadas entre as pessoas, naturais ou
jurídicas, mediante normas pertinentes ao estado e à sua
capacidade, às obrigações, às coisas, à família e às sucessões.
Direito Empresarial: visa a reger as atividades empresariais e as
relações entre empresários, assim como entre um empresário e um
particular.
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DIREITO PRIVADO E SEUS RAMOS (2)
Direito do Trabalho: regula as relações entre empregador e
empregado, estabelecendo normas correspondentes à organização
do trabalho e da produção .
Direito do Consumidor: disciplina as relações entre o fornecedor de
produto ou de serviço e o consumidor (pessoa física ou jurídica).
Direito Internacional Privado: trata das relações entre o Estado com
pessoas naturais ou jurídicas de outros Estados no concerto
mundial.
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Prof. Dr. Jorge Shiguemitsu Fujita
FIM
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