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07/02/2023 23:27 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 1/5
MODULO ZERO.
 
 
Caro (a) aluno(a). 
Seja bem-vindo(a) ao sistema EAD.
 
 
INTRODUÇÃO/OBJETIVOS
 
1. Nesta disciplina trataremos dos fundamentos históricos e constitucionais do
Direito Civil, das suas fontes, princípios e conceitos fundamentais. Estudaremos a
sua codificação e os dois primeiros Livros da Parte Geral do Código Civil – das
pessoas e dos bens: pessoas naturais; personalidade; capacidade; direitos da
personalidade; ausência; pessoas jurídicas; domicílio; conceito e classificação dos
bens.
O objetivo principal é desenvolver o estudo dos Livros I e II da Parte Geral do
Código Civil, que dizem respeito às pessoas e aos bens. Os objetivos específicos
consistem em preparar o aluno com os conceitos, classificações e efeitos
referentes às matérias, bem como transmitir-lhe as noções acerca dos princípios
fundamentais da Parte Geral do Direito Civil.
Esperamos que você aprenda bastante.
 
 
2. Considerando-se que será você quem administrará seu próprio tempo, nossa
sugestão é que se dedique ao menos quatro horas por semana para esta
disciplina, estudando os textos sugeridos e realizando os exercícios de auto
avaliação. Uma boa forma de fazer isso é já ir planejando o que estudar, semana a
semana.
 
3. Para facilitar seu trabalho, apresentamos na tabela abaixo os assuntos que
deverão ser estudados e, para cada assunto, a leitura fundamental exigida e a
leitura complementar sugerida. No mínimo, você deverá buscar entender muito
bem o conteúdo da leitura fundamental, só que essa compreensão será maior se
você acompanhar também a leitura complementar. Você mesmo perceberá isso ao
longo dos estudos.
 
 
07/02/2023 23:27 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 2/5
CONTEÚDOS/LEITURAS SUGERIDAS
 
CONTEÚDOS
DE ESTUDO
BIBLIOGRAFIA
BÁSICA
BIBLIOGRAFIA
COMPLEMENTAR VIDEOAULA
Módulo 1
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 2
 
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
BITTAR, Carlos
Alberto. Os
direitos da
personalidade.
7ª ed. Rio de
Janeiro: Forense
Universitária,
2004.
 
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 3
 
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 4
 
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 5
 
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 6 VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
 
07/02/2023 23:27 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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 Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
Módulo 7
 
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Módulo 8
VENOSA, Sílvio
de Salvo. Direito
Civil. Vol. I. Parte
Geral. São Paulo:
Atlas.
RODRIGUES,
Silvio. Direito Civil.
Vol. 1. Parte Geral.
São Paulo:
Saraiva.
 
Nota: ver abaixo as referências bibliográficas, para maior detalhamento das fontes
de consulta indicadas
 
 
AVALIAÇÕES
Como é de seu conhecimento, você estará obrigado a realizar uma série de
avaliações (NP1, NP2, SUB* e EXAME), cabendo a você tomar conhecimento do
Calendário Escolar dessas avaliações divulgado no campus e do agendamento das
datas das suas provas através deste sistema on line, dentro dos períodos
especificados. Na data e horário agendados para a sua avaliação dirigir-se ao
Laboratório de Informática ou outro setor designado pela Instituição para a
realização da prova em sistema on line.
 
Por outro lado, é importante destacar que uma das formas de você se preparar
para as avaliações é realizando os exercícios de auto avaliação, disponibilizados
para você neste sistema de disciplinas on line. O que tem de ficar claro,
entretanto, é que os exercícios que são requeridos em cada avaliação não são a
mera repetição dos exercícios da auto avaliação.
 
Para sua orientação, informamos na tabela a seguir, os conteúdos e exercícios que
serão requeridos em cada uma das avaliações às quais você estará sujeito:
 
Conteúdos a serem exigidos nas avaliações
 
AVALIAÇÕES CONTEÚDOS EXERCÍCIOS
07/02/2023 23:27 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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NP1 Módulo 1 ao módulo 4 Exercícios on line
respectivos
NP2 Módulo 5 ao módulo 8 Exercícios on line
respectivos
Substitutiva**Todos os Módulos (1 ao 8) Todos os exercícios
Exame Todos os Módulos (1 ao 8) Todos os exercícios
 * Apenas para a perda de umas das avaliações bimestrais.
** Idem
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
Básica –
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro – Vol. 1 – Parte Geral.
12ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, vol. 1, Parte
Geral. 27ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014.
VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil, vol. 1 – Parte Geral. 14ª ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
 
Complementar –
BITTAR, Carlos Alberto. Os direitos da personalidade. 7ª ed. Rio de Janeiro:
Forense Universitária, 2004.
DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro - Vol. 1 - Teoria Geral
do Direito Civil. 31ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
GAGLIANO, Pablo S.; PAMPLONA, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: parte
geral. 16ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014.
MELO, Nehemias Domingos de. Lições de Direito Civil – Teoria Geral. Vol. 1,
4a ed. São Paulo: Rumo Legal, 2018.
RODRIGUES, Silvio. Direito Civil – Vol. 1 – Parte Geral. 34ª ed. São Paulo:
Saraiva, 2007.
 
DÚVIDAS 
07/02/2023 23:27 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Dúvidas deverão ser sanadas na Coordenação do Curso de Direito no horário de
atendimento ao aluno.
Bons Estudos!
 
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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MÓDULO 1.
 
Noções Introdutórias ao Direito Civil.
Conceito de Direito.
A expressão direito vem do latim directum, que significa conforme o que é reto, o
que está conforme a norma. Direito é o que não se afasta da regra.
Direito é termo plurívoco, com diversos significados. É polissêmico, podendo
significar lei, ciência, justiça, faculdade, apenas para citarmos os mais
importantes.
Ubi societas, ibi ius. Ubi ius, ibi societas.
Como ciência social, depende da sociedade, posto que o homem isolado não
precisaria de regras que limitassem a sua conduta, salvo normas de preservação
ambiental, que cada pessoa deve resguardar para a proteção da humanidade.
É o convívio social que enseja normas que limitam a liberdade de cada um, em
favor da convivência humana e pacífica.
Por outro lado, se o direito depende da sociedade, há reciprocidade, posto que a
sociedade não pode ser imaginada sem caos se não houver normas que
regulamentem o convívio.
Da sanção:
As normas são cumpridas porque o seu descumprimento enseja a aplicação de
penalidade, a chamada sanção.
O temor de sofrer a sanção, e não propriamente a sua aplicabilidade, a cada
pessoa, leva ao cumprimento das normas.
O Estado, no direito moderno,4/5
a) Curatela do ausente (art. 22, 23, 24 e 25) – Requerimento (de qualquer
interessado ou do Ministério Público) ao juiz objetivando a nomeação de um
curador, que terá poderes e deveres fixados pelo juiz.
· Quem é nomeado curador?
O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado de fato por mais de dois
anos, ou separado judicialmente, será seu legítimo curador. Na falta do cônjuge, a
escolha recairá nos ascendentes e nos descendentes (os mais próximos preferem
os mais remotos). Na falta das pessoas mencionadas, o juiz nomeará curador
dativo (art. 25 e par.)
· O que faz o curador?
O curador, sob compromisso, deve inventariar todos os bens do ausente e
administrá-los, percebendo os eventuais frutos para entregá-los no retorno do
ausente, ou aos herdeiros, caso o ausente não retorne.
Durante a curatela, o curador cuida do patrimônio do ausente.
· Qual o prazo de duração da curatela?
O prazo de duração da curatela prolonga-se por um ano, durante o qual o juiz
ordena a publicação de dois em dois meses de editais com o objetivo de convocar
o ausente a retornar e retomar a posse de seus bens.
· Quando cessa a curatela?
A curatela cessa: a) comparecimento do ausente, do seu procurador ou de quem o
represente; b) pela certeza do óbito do ausente; c) pela sucessão provisória
(partilha dos bens aos herdeiros faz cessar a curadoria do ausente).
b) Sucessão provisória dos bens do ausente -
Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou três anos se havia
representante ou procurador, os interessados poderão requerer que se declare a
ausência e se abra a sucessão provisória.
Os interessados são cônjuge, convivente, herdeiros, os que têm direito sobre os
bens do ausente dependente de sua morte e os credores de obrigações vencidas e
não pagas.
A sucessão é provisória porque uma série de cuidados são estabelecidos pelo
legislador para resguardar interesses do ausente para a eventualidade do seu
reaparecimento.
A sentença que determina a sucessão provisória só produz efeito 180 dias depois
de publicada; os herdeiros (salvo ascendentes, descendentes e cônjuge) só podem
se imitir na posse dos bens mediante caução (penhor ou hipoteca); imóveis só
podem ser hipotecados ou alienados com autorização judicial; herdeiros (salvo
ascendentes, descendentes e cônjuge) devem capitalizar metade dos frutos e
rendimentos dos bens do ausente e prestar contas anualmente ao juiz competente.
c) Sucessão definitiva dos bens o ausente -
Trata-se de fase que visa atender ao interesse dos herdeiros, cogitando a
possibilidade de falecimento do ausente.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Art. 37, CC – 10 anos depois de passada em julgado a sentença que concede a
abertura da sucessão provisória, os interessados podem requerer a sucessão
definitiva, com o levantamento das cauções prestadas.
A extinção da personalidade civil do ausente ocorre 10 anos depois da sentença
que decreta a sucessão provisória dos bens, ou cinco anos depois de
desaparecido o ausente, provando-se que este conta com mais de 80 anos
de idade.
Tal sucessão na verdade é “quase definitiva”, pois a lei (art. 39, CC) ainda admite
a hipótese remota de retorno do ausente (ou de algum de seus descendentes ou
ascendentes). Se este(s) aparecer(em) nos 10 anos seguintes à abertura da
sucessão definitiva, haverá(ão) só os bens existentes e no estado em que se
encontrarem. Se tais bens tiverem sido alienados, o ausente haverá o preço que os
herdeiros e demais interessados tiverem por eles recebido.
Se os bens tiverem sido vendidos por ordem judicial, e convertido o produto da
venda em imóveis ou títulos da dívida pública, opera-se a sub-rogação real, ou
seja, os bens adquiridos tomam o lugar, no patrimônio do ausente, dos bens que
foram alienados para com seu produto adquirir aqueles.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Módulo 4.
 
Da Pessoa Jurídica - Disposições Gerais
1. Introdução
Nem sempre as necessidades das pessoas naturais podem ser satisfeitas sem a
participação e a cooperação de outras pessoas. O ser humano é um ser social que,
na maioria das vezes, tem a necessidade de se agrupar para atingir uma
finalidade, um objetivo ou um ideal comum.
O Direito disciplina as unidades coletivas criadas pela evolução social ou pela
vontade humana, disciplinando-as, para que possam participar da vida jurídica
como sujeitos de direitos, semelhantemente às pessoas naturais.
Os elementos constitutivos de uma relação jurídica são os sujeitos, o objeto e o
vínculo jurídico.
P: Quem pode ser sujeito de uma relação jurídica?
R: Todo ente físico (pessoa natural) ou moral (pessoa jurídica) suscetível de
direitos e deveres.
Assim, figurar em um dos polos da relação jurídica não é somente atributo do ser
humano, pois o relacionamento no universo jurídico não envolve somente pessoas
físicas, mas também pessoas jurídicas.
· As pessoas jurídicas nascem pela VONTADE das pessoas naturais.
· A personalidade e capacidade das pessoas jurídicas são diferenciadas das da
pessoa natural.
· O patrimônio da pessoa jurídica é diverso do da pessoa natural.
As pessoas jurídicas atuam na vida jurídica com personalidade diversa dos
indivíduos que as compõem (art. 50 cc. art. 1024, CC).
1. Conceitos
Professor Cunha Gonçalves: “Pessoa jurídica é a unidade de pessoas naturais ou
de patrimônio, que visam à concepção de certos fins, reconhecida pela ordem
jurídica como sujeito de direitos e obrigações”.
Prof. Sílvio Rodrigues: “Pessoas jurídicas são entidade a que a lei empresta
personalidade, isto é, são seres que atuam na vida jurídica com personalidade
diversa da dos indivíduos que as compõe, capazes de direitos e deveres na ordem
civil”.
Prof. Caio Mário da S. Pereira: “Pessoas Jurídicas se compõem ora de um conjunto
de pessoas, ora de uma destinação patrimonial com aptidão para adquirir direitos
e contrair obrigações”.
Classificação e domicílio da pessoa jurídica
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 2/8
1. Classificação
A) Quanto à nacionalidade
Nacionais: situadas no Brasil e formadas por nacionais (art. 1126, CC).
Estrangeiras: situadas no Brasil (multinacionais) (art. 1134).
B) Quanto à estrutura interna
Universitas Personarum – Universalidade de pessoas. São as corporações
(sociedades simples e empresárias e as associações).
Indica a existência de uma corporação que é um conjunto de pessoas que apenas
coletivamente pode ser sujeito de direitos e deveres. Na universalidade de
pessoas, apesar da existência do patrimônio, as pessoas são o seu elemento
essencial. Visam à realização de fins internos, estabelecidos pelas pessoas que a
integram. Os seus objetivos são voltados para o bem de seus membros.
Universitas Bonorum – Universalidade de bens
A universalidade de bens é o patrimônio personalizado (de alguém), destinado a
um fim (fundação). As fundações têm objetivos externos, estabelecidos pelo
instituidor, sendo que o patrimônio é o seu elemento essencial.
C) Quanto às funções e capacidade - as pessoas jurídicas podem ser de direito
público e de direito privado
Pessoas jurídicas de direito público
Direito público externo: as diversas Nações, organismos internacionais (ONU,
Unesco, OEA, etc.).
Direito público interno: podem ser da administração direta (União, Estados,
Distrito Federal e Municípios) e da administração indireta (autarquias, fundações
públicas).
Pessoas jurídicas de direito privado: Associações; Sociedades (simples e
empresárias); Fundações; Organizações Religiosas e os Partidos Políticos.
2. Domicílio da Pessoa Jurídica
a) Domicílio da Pessoa jurídica de Direito Público Interno – art. 75, CC.
I – O Distrito Federal é o domicílio da União.
II – A capitalé o domicílio dos Estados.
III – O lugar onde funciona a respectiva administração é o domicílio do Município.
b) Domicílio das Pessoas Jurídicas Privadas – art. 75, IV e §§ 1º e 2º.
O lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações – domicílio
legal e geral.
O lugar onde o estatuto ou ato constitutivo eleger – domicílio convencional e
especial.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 3/8
Pessoa Jurídica com vários estabelecimentos em lugares diversos – cada um deles
será considerado domicílio.
Administração ou Diretoria tiver sede no estrangeiro – o domicílio da pessoa
jurídica, no Brasil, será o lugar do estabelecimento onde a Pessoa Jurídica se
estabelecer, no tocante às obrigações contraídas por cada uma de suas agências.
Dos requisitos para a existência legal das pessoas jurídicas:
A existência, perante a lei, das pessoas jurídicas de direito privado começa com a
inscrição dos seus contratos, atos constitutivos, estatutos ou compromissos no
seu registro público.
Algumas instituições dependem de autorização para funcionar, como por exemplo,
os estabelecimentos de seguros, os bancos, as cooperativas. A exigência de
autorização é exceção, contida em lei especial.
Há distinção entre a existência no plano do direito e a existência no plano dos
fatos.
Organização representada por um grupo de pessoas, que busca um fim comum,
sem a inscrição dos estatutos no registro peculiar; ou organização representada
por um patrimônio separado, voltado a uma determinada destinação (fundação de
fato), é pessoa jurídica em sentido apenas material, apenas no plano dos fatos.
O elemento jurídico ou formal é a atribuição de personalidade, que decorre de
uma determinação da lei, e cuja eficácia advém da inscrição dos estatutos no
registro peculiar.
Só com o elemento jurídico é que passa a ter personalidade civil, ou capacidade
para ser titular de direito. O reconhecimento da pessoa jurídica é o ato formal,
que lhe dá a personalidade civil.
O ordenamento jurídico não ignora a existência da pessoa jurídica de fato; e
atribui alguma consequência a tal organismo – é possível responsabilizá-lo por
todos os seus atos.
O registro da pessoa jurídica de direito privado, de natureza civil, declarará (art.
46 do CC):
I- a denominação, os fins, a sede, bem como o tempo de sua duração e o fundo
social, se houver.
II- O nome e a individualização dos fundadores ou instituidores, e dos diretores
(com indicação da nacionalidade, estado civil e profissão de cada um).
III- o modo por que se administra e representa, ativa e passivamente, judicial e
extrajudicialmente.
IV- Se os estatutos, o contrato ou o compromisso são reformáveis, no tocante à
administração, e de que modo.
V- Se os membros respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais.
VI- As condições de extinção da pessoa jurídica, e o destino de seu patrimônio
nesse caso.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 4/8
Da capacidade e representação das pessoas jurídicas:
Quando a pessoa jurídica registra seu contrato constitutivo, adquire personalidade
- capacidade para ser titular de direito (art. 45, CC).
A pessoa jurídica pode pleitear em juízo indenização por danos materiais ou
morais.
Art. 52, CC – “Aplicam-se ás pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos
direitos da personalidade”.
Para o exercício dos direitos, a pessoa jurídica recorre às pessoas físicas que a
representam.
Da representação em juízo das pessoas jurídicas.
Se o representante age de acordo com seus poderes, em nome da sociedade, que
tem existência distinta da dos seus membros, o ato do representante a vincula.
Os poderes são conferidos pelos atos constitutivos.
Ultrapassados tais poderes, responde o representante pelo excesso, e não a
pessoa jurídica.
Os prejudicados poderiam ter evitado o dano, se examinassem o registro público e
a extensão dos poderes do representante.
Da responsabilidade civil das pessoas jurídicas:
A pessoa jurídica é responsável na ordem civil, contratual e extracontratual.
1. Responsabilidade contratual – art. 389, CC (por inadimplência).
2. Responsabilidade extracontratual: art. 186, CC. Responsabilidade civil por ato
de terceiros – da pessoa jurídica por ato de seu representante, do patrão por ato
do empregado etc.
Obs.: responsabilidade penal da pessoa jurídica pode ocorrer se a pena for de
multa. Se não, responde o delinquente (pode ser o representante).
Possibilidade de desprezar-se a personalidade jurídica. Art. 50, CC.
Há hoje pessoas jurídicas na forma de sociedades por ações e sociedades
“holding”, para ocultar os verdadeiros proprietários dos bens. Os bens da pessoa
física passam para a pessoa jurídica da qual a pessoa física é titular das ações, e
os titulares não respondem com seus bens, porque estes são da pessoa jurídica. O
titular ainda se favorece em relação a impostos e transmissão “causa mortis” e
ainda, em relação a transmissão de bens em geral.
As sociedades ocultam os verdadeiros proprietários dos bens e a doutrina e a
jurisprudência impedem os abusos. Os juízes podem desconsiderar a pessoa
jurídica para verificar o jogo de interesses que se estabelecem em seu interior,
evitando os abusos que lesam terceiros e o fisco. Não se pode recorrer à ficção da
pessoa jurídica para enganar credores. Neste caso o juiz desconsidera a pessoa
jurídica e considera as pessoas físicas que a compõe, impedindo as fraudes.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 5/8
A pessoa jurídica não pode ser desviada dos fins estabelecidos no ato constitutivo,
para servir de instrumento ou cobertura à prática de atos ilícitos, ou abusivos,
caso em que poderá o juiz, a requerimento do MP ou de qualquer sócio, decretar a
exclusão do sócio responsável ou a dissolução da entidade. E neste caso os bens
pessoais do administrador ou representante respondem junto com os bens da
pessoa jurídica, além de outras sanções cabíveis – a menos que haja norma
especial determinando a responsabilidade solidária de todos os membros da
administração.
Ex.: art. 28 do CDC (Lei nº 8.078/1990) – o produtor responde pelo produto,
responde pessoalmente (sem consideração da pessoa jurídica) se houver prejuízo
ao consumidor.
Obs.: A desconsideração é exceção. A regra é que a pessoa jurídica tem existência
distinta da de seus membros.
_________________________//____________________
Das associações:
Trata-se de agrupamento de pessoas sem finalidade de lucro.
Art. 53 e s. do CC – não têm fins lucrativos; não há entre associados direitos e
obrigações recíprocos.
Art. 56, CC – a qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não
dispuser o contrário.
___________________//_______________
Das fundações:
FINALIDADES - Conforme art. 62, parágrafo único do CC, com a nova redação
proporcionada pela Lei nº 13.151, de 28.7.2015, fundação só pode ser criada para
fins de:
I – assistência social;
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação;
IV – saúde;
V – segurança alimentar e nutricional;
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do
desenvolvimento sustentável;
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas,
modernização de sistemas de gestão, produção e divulgação de informações e
conhecimentos técnicos e científicos;
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos;
IX – atividades religiosas.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
https://online.unip.br/imprimir/imprimirconteudo 6/8
Trata-se de organização (pessoa jurídica de direito privado) que gira em torno de
certo patrimônio, com determinadafinalidade. A lei, cumpridos certos requisitos,
atribui personalidade (capacidade para ser titular de direitos) a esse acervo de
bens.
Deve haver patrimônio com certa finalidade.
O instituidor deve se utilizar de bens livres e especificar o fim a que se destina.
A instituição deve ser ultimada por escritura pública ou por testamento. A pessoa
responsável pela aplicação do patrimônio deve elaborar os estatutos da fundação
e submetê-los ao órgão do MP (autoridade competente), para aprovação. Após
aprovação, deve ocorrer o registro. Com o registro, a fundação adquire
personalidade.
Trata-se então de “universitas bonorum” – universalidade de bens, a que a lei
atribui personalidade jurídica. Bens são objetos de direito e não sujeito de direito.
Mas o intuito é satisfazer indivíduo humano.
A modificação dos estatutos das fundações está subordinada a três condições (art.
67 do CC):
a) deliberação por 2/3 dos componentes para gerir e representar a fundação;
b) respeito a sua finalidade original;
c) aprovação pelo órgão do MP em 45 dias, ou pelo juiz, suprindo a falta de
autorização do MP a requerimento do interessado. Caso funcione no Distrito
Federal, a fiscalização será do MP do Distrito Federal (redação determinada pela
Lei nº 13.151/2015 ao art. 66, parágrafo 1º do CC).
A falta de qualquer dos pressupostos torna nula a modificação.
Da extinção da fundação:
1. Vencido o prazo para sua existência, a fundação se extingue. É fato raro,
porque na maior parte das vezes a fundação é criada por prazo indeterminado.
2. Quando se torna nociva ao interesse público.
3. Quando seu objeto se torna impossível.
Obs.: o patrimônio da fundação extinta vai incorporar-se ao de outra de fins
idênticos os semelhantes.
_______________________//______________
Da extinção das pessoas jurídicas:
I. Dissolução deliberada por seus membros, salvo direito da minoria e de
terceiros.
II. Quando a lei determina a sua dissolução.
III. Extinção por ato do governo, que lhe casse a autorização para funcionar,
quando a pessoa jurídica incorra em atos opostos aos seus fins ou nocivos ao bem
público.
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Consequências da extinção:
Pessoa jurídica com fins lucrativos: bens são repartidos entre os sócios, quando
ocorre a extinção.
Associações sem fins lucrativos: patrimônio segue o destino ditado pelo estatuto.
Se este for silente, os sócios deliberam; se não deliberarem, ou se a deliberação
for ineficaz, o patrimônio é entregue a um estabelecimento público; do mesmo
gênero, ou de fins semelhantes. Se não houver estabelecimento congênere ou
com fins semelhantes o patrimônio passará à Fazenda Pública.
__________________________//__________________
Da Pessoa jurídica de direito privado
Sociedades - Responsabilidade Civil da pessoa jurídica de direito privado
– Desconsideração da personalidade da pessoa jurídica (noções gerais)
1. Sociedades
1.1. Sociedades Simples - art. 997 ao 1038, CC (Livro II – Do Direito de
Empresa).
As sociedades simples são pessoas jurídicas de direito privado que têm fim
econômico ou lucrativo, que deve ser repartido entre os sócios. Como exemplos
desse tipo de sociedade: sociedades de advogados; sociedades médicas
(Unimed); sociedades cooperativas. Observa-se, pois, que são sociedades com
fins lucrativos, os quais são alcançados pelo exercício de certas profissões ou
pela prestação de serviços técnicos. São dotadas de autonomia patrimonial, ou
seja, atuam em nome próprio, sendo que sua existência, capacidade e patrimônio
são diversos dos das pessoas que as integram.
Saliente-se que a cooperativa, conforme disposto no par. Único do art. 982,
NCC, é considerada sociedade simples.
1.2. Sociedades Empresárias - art. 1039 a 1092, CC (Livro II – Do Direito
de Empresa).
As sociedades empresárias são as que visam lucro mediante o exercício de
atividade mercantil. O Código Civil, no Livro II – Do Direito das Empresas, dispõe
sobre as diversas formas de sociedades empresárias: sociedade em nome
coletivo; sociedade em comandita simples; sociedade limitada; sociedade em
comandita por ações; sociedade anônima (por ações – tratada em lei especial).
1.3. Diferenciação entre Sociedade Simples e Sociedade Empresária - art.
966 e par. único. CC
A diferenciação entre sociedade simples e empresária está no objeto. Assim,
caso o objeto de uma sociedade seja o exercício de atividade econômica
organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços (ver art.
966), própria do empresário, é considerada como sociedade empresária.
Ressalte-se que as sociedades simples, nos termos do art. 983, podem constituir-
se de conformidade com qualquer dos tipos societários das sociedades
empresárias. Entretanto, qualquer sociedade anônima (por ações), por força de
lei, será sempre empresária.
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1.4. Sociedade Empresária por Equiparação - art. 968 e 984, CC.
Também será considerada sociedade empresária a aquela que tem como objeto o
exercício de atividade própria do empresário rural, que seja constituída de acordo
com um dos tipos societários e que tenha requerido a sua inscrição no Registro
das empresas de sua sede.
1.5. Sociedade de Fato (sem registro, também denominadas irregulares).
Sem registro, a pessoa jurídica será considerada irregular, mera relação contratual
disciplina pelo estatuto ou contrato social. As sociedades não personificadas estão
reguladas entre os art. 986 ao 996, CC, que tratam da sociedade comum e da
sociedade em conta de participação.
Na sociedade de fato, os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas
obrigações sociais – art. 990 cc.
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Módulo 5
 
Do domicílio:
Domicílio da Pessoa Natural
1. Conceito: Domicílio é a sede jurídica da pessoa, onde ela se presume presente
para efeitos de direito. É o local onde ela pratica habitualmente seus atos e
negócios jurídicos. É o lugar onde responde por suas obrigações.
Art. 70, CC – Domicílio é o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com
ânimo definitivo.
2. Elementos do conceito: Objetivo = residência. Subjetivo = ânimo definitivo.
Domicílio não se confunde com habitação ou moradia (local que a pessoa ocupa
esporadicamente, como, por exemplo, a casa de praia).
Assim, uma pessoa pode ter várias residências e um só domicílio. Contudo, a Lei
permite a pluralidade de domicílio, bastando que a pessoa tenha várias
residências onde alternadamente viva - art. 71, CC.
3. Espécies de domicílio
a) Voluntário (vontade da pessoa).
O domicílio voluntário pode ser:
a.1. Geral – fixado livremente (art. 70, 71, 72 e 73 e 74, CC). O domicílio geral
pode ser escolhido e mudado livremente
a.2. Especial – fixado com base no contrato, denominado contratual ou de eleição
- art. 78, CC. Não se admite o foro de eleição nos contratos de adesão, salvo
demonstrando-se a inexistência de prejuízo para o aderente.
b) Necessário (ou Legal) - É o domicílio determinado pela lei em razão da
condição ou situação de determinadas pessoas – art. 76, CC e parágrafo único.
b.1. Domicílio do incapaz – é o do seu representante ou assistente.
b.2. Domicílio do servidor público – o lugar onde exerce permanentemente suas
funções (não perde o domicílio voluntário, uma vez que é possível a pluralidade de
domicilio)
b.3. Domicílio do Militar – do Exército, onde servir; da Marinha e da Aeronáutica, a
sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado
b.4. Domicílio do marítimo – o lugar onde o navio estiver matriculado
b.5. Domicílio do preso – o legar onde se encontra cumprindo sentença
Importante: Caso um agente diplomático brasileiro seja citado no estrangeiro e
alegueextraterritorialidade sem designar onde tem domicílio, será demandado no
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde teve o seu
domicílio. – art. 77, CC.
O homem vive em sociedade e mantém relações jurídicas com outros homens,
sendo que necessita de um lugar onde possa ser oficialmente encontrado, para
responder pelas obrigações que assumiu.
Tal lugar é o seu domicílio – lugar certo escolhido voluntariamente ou determinado
por lei, onde o homem exerce a sua atividade jurídica.
Se não houvesse domicílio, o direito seria precário, instável.
Domicílio é diferente de residência.
Domicílio é conceito jurídico criado pela lei e através do qual, para efeitos
jurídicos, presume estar a pessoa em certo lugar.
Residência é relação de fato entre uma pessoa e um lugar, é o lugar habitado ou
onde a pessoa tem o seu centro de ocupações.
Domicílio é residência (“quid facti”) e qualificação legal (“quid juris”). É a
residência somada ao ânimo de estabelecer o lugar como centro de sua atividade
jurídica.
A noção de domicílio tem relevante importância no direito:
Exemplos: nas ações fundadas em direito pessoal ou real (envolvendo bens
móveis) o foro competente é o de domicílio do réu; é no foro de domicílio do
falecido que se abre sua sucessão e é neste local que se ajuízam as ações contra
o espólio; a lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre
o começo e o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família
(tal regra é básica no Direito Internacional privado); o foro do último domicílio do
ausente é o competente para as ações em que for réu, e para inventário de seus
bens; o foro do domicílio do representante é o competente para as ações contra o
incapaz; no domicílio dos nubentes devem ser publicados os editais (proclamas)
do casamento; o foro do pagamento no direito obrigacional é o domicílio do
devedor (se as partes não convencionarem diferentemente); o eleitor vota no seu
domicílio.
Domicílio da pessoa natural:
Art. 70, CC – é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo.
Obs.: a pessoa natural que não tem residência habitual ou emprega a vida em
viagens, sem ponto central de negócios, é o lugar onde for encontrada.
Ex.: Comerciantes ambulantes e empresários de espetáculos públicos podem ter
sua falência decretada pelo juiz do lugar onde sejam encontrados.
___________________//_____________________
Pluralidade de domicílio:
O Cód. Civil admite tal ideia, conforme art. 71: Se a pessoa natural tiver diversas
residências onde viva, alternadamente, ou vários centros de ocupações habituais,
considerar-se-á domicílio seu qualquer destes ou daquelas.
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Em uma ação, se o réu tem mais de uma residência, pode ser acionado em
qualquer uma delas.
Obs.: se houver vários réus, com diferentes domicílios, pode o autor demandá-los
no foro de um deles, à sua escolha.
Mudança de domicílio:
Envolve a transferência (material) do lugar (a deslocação) e a intenção (vontade)
manifesta de mudar (elemento psicológico).
A prova da intenção resulta do fato de ser tal propósito declarado, pela pessoa
que se muda, à municipalidade de onde se retira e àquela para onde se transfere.
Como na prática isso raramente ocorre, a prova da intenção ou são as
circunstâncias, o comportamento do indivíduo, que revela a sua intenção de fixar
novo centro de suas atividades.
Depois de ajuizada a ação, a mudança de domicílio não influencia a competência
de foro.
Obs.: Foro de eleição - nos contratos escritos, as partes podem estabelecer o
domicílio onde se exercem e cumprem direitos e obrigações resultantes do pacto.
A competência em razão da matéria e da hierarquia não podem ser alteradas por
vontade das partes, mas em razão do valor e do território podem.
Obs.: ação que trata de direito real sobre bem imóvel – o foro competente é o da
situação da coisa. O autor só pode optar pelo foro de domicílio ou de eleição se
não recair o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse,
divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova.
Domicílio da pessoa jurídica de direito público:
I. União: Distrito Federal
II. Estados: as capitais.
III. Município: lugar onde funcione a administração municipal.
IV. Demais pessoas jurídicas: o lugar onde funcionarem as diretorias e as
administrações, ou onde elegerem domicílio especial nos seus estatutos ou atos
constitutivos.
Obs.: quando a causa envolver a União, sendo esta autora, ré ou interveniente, o
foro competente é o da Capital do Estado ou do Território.
Art. 109, CF/88: juízes federais julgam causas contra União no foro de domicílio
da outra parte (§1º, art. 109).
Se não fosse assim, o indivíduo teria de ir até o Distrito Federal ajuizar ação (se
fosse autor) ou produzir provas (se fosse réu).
Art. 109, §2º, CF/88: o indivíduo que for acionar a União pode optar entre:
1. domicílio do autor;
2. lugar onde ocorreu o ato ou fato que deu origem à demanda;
07/02/2023 23:29 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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3. lugar onde se situa a coisa;
4. Distrito Federal.
Domicílio da pessoa jurídica de direito privado:
É o lugar onde funcionem as diretorias e administrações, quando não houver
eleição de foro diverso nos estatutos.
No registro é necessário dizer onde é a sede – Lei 6.015, de 31/12/73 – art. 120,
I. Se a declaração do domicílio não figurar no ato constitutivo, será o lugar em
que a sociedade ou associação for administrada.
Se a pessoa jurídica tem vários “estabelecimentos” em diferentes lugares, pode
ser processada em qualquer um deles, ainda que tenha sede escolhida em seus
estatutos, pois cada um será domicílio para os atos nele praticados, para que seus
contendores tenham maior facilidade.
A jurisprudência discute o conceito de “estabelecimento” – alguns entendem que
para ser estabelecimento deva ter autonomia. Ex.: se só houver uma máquina,
sem setor de administração, não tem autonomia e não é estabelecimento. Outros
exemplos que não são “estabelecimentos”: armazém, estação de estrada de ferro.
Como a facilidade de foro é para quem litiga com a pessoa jurídica, tal litigante
pode renunciar ao seu conforto e ajuizar a ação na sede do estabelecimento
principal.
Sociedade sem personalidade jurídica: pode ser acionada onde exerce a sua
atividade principal.
Domicílio da pessoa jurídica estrangeira:
São domiciliadas, no tocante às obrigações contraídas por cada uma de suas
agências, no lugar do estabelecimento sito no Brasil, a que ela corresponder.
A regra é para proteger indivíduos que negociam com tais entes, e que não
precisarão ir ao exterior para acioná-los, só porque no exterior se encontra a sua
administração.
Para as ações em que for ré, reputa-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica
estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Módulo 6.
Dos Bens
1. Introdução
Conforme ensinamento do Prof. Silvio Rodrigues, coisa é tudo aquilo que existe
com exclusão do homem. Logo, coisa é gênero do qual se destaca como espécie
os bens, sendo que para os bens serem considerados como jurídicos devem
possuir as características de apropriabilidade e pecuniaridade.
Entretanto, há entendimento doutrinário no sentido de que coisa é espécie do
gênero de bem jurídico. Assim, coisa é sinônimo de bem corpóreo (ou material).
O Código Civil de 2002 utiliza-se do vocábulo bens (Livro II – Parte Geral). O
direito subjetivo, ou seja, o poder outorgado a um titular, requerum objeto (coisa
corpórea ou incorpórea.
2. Conceito de bem
2.1. Filosófico: tudo aquilo que pode trazer uma satisfação ao homem, podendo
ou não ter conteúdo ou valor econômico.
2.2. Econômico: bens são coisas úteis e raras, suscetíveis de apropriação pelo
homem e que possuem valor econômico.
2.3. Jurídico: bens são coisas materiais ou imateriais que têm valor econômico e
que podem ser objeto de uma relação jurídica.
3. Patrimônio
Patrimônio: expressão que abrange as relações jurídicas ativas e passivas de que
a pessoa é titular, aferíveis economicamente.
O patrimônio nos termos do art. 91 constitui universalidade de direito, qual seja, o
complexo de relações jurídicas (ativas ou passivas) de uma pessoa, dotadas de
valor econômico que têm conteúdo econômico.
FUNÇÃO DO PATRIMÔNIO: GARANTIA DOS CREDORES. A garantia de crédito (ou
dívida) é uma garantia de base pecuniária.
4. Características dos bens jurídicos
4.1. O bem deve ter condições de satisfazer um interesse econômico (excluem-se
os elementos morais da personalidade)
4.2. O bem deve ter possibilidade de subordinação a seu titular, ou seja,
existência autônoma, ou ainda, capacidade de ser dominado pelo homem. Assim,
o mar e o ar não podem ser considerados bens jurídicos.
4.3. Gestão econômica autônoma.
5. Res nullius; res derelicta.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Res nullius é coisa de ninguém, sem dono, que não foi objeto de apropriação pelo
homem, ou seja, não foi objeto de relação jurídica anterior (ex. caça, pesca).
Res derelicta é coisa abandonada por alguém, ou seja, já teve um titular que
renunciou a sua propriedade e desta forma foi objeto de relação jurídica anterior
(rádio velho no lixo).
6. O que pode ser objeto de uma relação jurídica?
Direitos reais, direitos pessoais (também denominados obrigacionais), direitos de
personalidade e diretos de família. Os direitos de personalidade e de família são
considerados extrapatrimoniais. Os direitos reais e pessoais (obrigacionais) são
direitos patrimoniais.
Na relação jurídica obrigacional (ou pessoal) o objeto imediato consiste numa
prestação de dar, fazer ou não fazer a cargo do devedor (sujeito passivo) no
interesse do credor (sujeito ativo). O objeto da prestação, por sua vez, é o objeto
mediato, qual seja um bem jurídico qualquer. Logo, os efeitos de tal relação
jurídica são relativos entre as partes e seus herdeiros, desde que não
personalíssima.
Na relação jurídica real, o titular do bem corpóreo ou incorpóreo (sujeito ativo)
exerce os atributos da propriedade (uso, gozo e disposição) e o sujeito passivo é
universal. Logo, os efeitos de tal relação jurídica são absolutos (erga omnes).
7. Classificação dos bens
A classificação visa compreender uma instituição jurídica, agrupando as várias
espécies de um gênero, para aproximar as que apresentem um elemento comum,
afastando as que não o apresentem. A inclusão de um bem em determinada
categoria implica a aplicação de regras próprias e específicas, considerando que
não se podem aplicar as mesmas regras a todos os bens.
O Código Civil classifica os bens conforme os seguintes critérios:
A) considerados em si mesmos
B) reciprocamente considerados
C) em relação ao titular do domínio
8. Bens corpóreos e incorpóreos
Essa divisão clássica que advém do Direito Romano não consta do Código Civil,
embora seja aceita pela maioria da doutrina.
Bens corpóreos (ou materiais) são os que têm existência física material e que
podem ser tangidos pelo homem.
Bens incorpóreos (ou imateriais) são aqueles que têm existência abstrata, não
podendo ser percebidos pelos sentidos do homem, mas que possuem valor
econômico (ex.: direitos do autor).
Os bens corpóreos são objetos de contratos. Os incorpóreos são objetos de
cessão. Tanto uns quanto os outros integram o patrimônio da pessoa.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Outros bens, além das coisas corpóreas e incorpóreas, podem ser objeto de
direito. Ex.: atos ou comportamentos humanos que são os objetos imediatos das
obrigações de dar, fazer e não fazer.
Direitos podem ser objeto de outros direitos. Ex.: usufruto de crédito; cessão de
crédito.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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MODULO 7
Dos Bens - Classificação
Dos bens considerados em si mesmos
1. Bens imóveis e móveis: é a mais importante classificação, fundada na efetiva
natureza dos bens.
1.1. Bens imóveis
a) Conceito: são as coisas que não se pode transportar de um lugar para outro
sem destruição da sua substância.
b) Categorias - O Código Civil de 2002 em seu artigo 79 dispõe: São bens imóveis
o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente. Logo, os bens
imóveis classificam-se em:
b.1.) Bens imóveis por natureza – A rigor, somente o solo, com sua superfície,
subsolo e espaço aéreo é imóvel por natureza. Tudo o mais que a ele adere é
imóvel por acessão natural.
b.2.) Bens imóveis por acessão natural – Árvores e os frutos pendentes, bem
como todos os acessórios e adjacências naturais.
* Limitações ao uso da propriedade imóvel
O art. 1226, CC dispõe que a propriedade do solo abrange a do espaço aéreo e
subsolo correspondente, em altura e profundidade, úteis ao seu exercício, não
podendo o proprietário opor-se a atividades que sejam realizadas, por terceiros, a
uma altura ou profundidade tais, que não tenha ele interesse legítimo algum em
impedi-las.
Desta forma, a construção de um metrô não pode ser impedida pelo proprietário,
considerando ser feito a uma profundidade que não prejudica a utilização do
subsolo acima.
Quanto ao espaço aéreo (Código do Ar), os proprietários de terrenos próximos a
aeroportos não podem edificar prédios superiores à altura estabelecida na lei.
As jazidas encontradas no subsolo, as minas, recursos minerais e potenciais de
energia hidráulica pertencem à União e não ao proprietário (ver art. 176, § § 1º a
4º, da Constituição Federal).
b.3.) Bens imóveis por acessão artificial, industrial ou física – art.1253 ao 1259,
CC Considerando que acessão significa justaposição ou aderência de uma coisa a
outra, acessão artificial é aquela produzida pelo trabalho do homem, ou seja, tudo
o que for incorporado permanentemente ao solo, como a semente lançada a terra,
os edifícios e as construções, de modo que não se possa retirar sem destruição,
modificação, fratura ou dano.
b.4.) Bens imóveis por acessão intelectual ou por destinação do proprietário. No
art. 79 não há referência aos bens imóveis por acessão intelectual (art. 43, II,
CC/16). Tais bens referem-se a tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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intencionalmente empregado em sua exploração industrial, aformoseamento ou
comodidade.
O Código Civil de 2002 acolheu, conforme a doutrina moderna, o conceito de
pertença, que se encontra no art. 93: São pertenças os bens que, não
constituindo partes integrantes, se destinam de modo duradouro, ao uso, ao
serviço ou ao aformoseamento de outro.
Pertença: É toda coisa acessória, que por lei ou destinação da vontade humana,
se liga a outra, e que se presta, de modo duradouro, a conservar ou facilitar o
uso, prestar serviço, ou, ainda, servir de adorno da coisa principal, sem ser parte
integrante.
Natureza Jurídica: bem imóvel por acessão intelectual.
Exemplos: ventiladores de teto, ar-condicionado, máquinas industriais (torno,
operadora de furadeira vertical, máquina de solda...), órgão de uma igreja,
aparelho de som em uma discoteca, etc.
É fácil perceber que a pertença é coisa acessória que, apesar de estar a serviço da
coisaprincipal, tem existência independente. Nesse sentido, estabelece o art. 94:
Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as
pertenças, salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação da vontade, ou das
circunstâncias.
Partes integrantes: São acessórios que, unidos à coisa principal, forma com ela
um todo, sendo desprovidos de existência material própria, embora mantenham
sua identidade.
Natureza Jurídica: bens imóveis por acessão artificial.
Exemplo: material alheio usado na construção pelo proprietário do solo, etc.
O art. 1254 do Código Civil de 2002, que repete a regra do art. 546 do Código
Civil de 1916, determina: Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno próprio
com sementes, plantas ou materiais alheios, adquire a propriedade destes; mas
fica obrigado a pagar-lhes o valor, além de responder por perdas e danos, se agiu
de má-fé.
A interpretação da aludida regra indica que o proprietário do solo (coisa principal)
adquire a propriedade das coisas acessórias (sementes, plantas ou materiais),
mesmo que alheiros, uma vez que se tornam partes integrantes do terreno.
Entretanto duas situações podem ocorrer: Se agir de boa-fé (desconhecia que o
material era alheio), fica somente obrigado a pagar o respectivo valor do material.
Entretanto, presente a má-fé, deverá pagar ao proprietário do material o seu
respectivo valor e mais perdas e danos.
b.5.) Bens imóveis por determinação legal – art. 80, I e II
· Direitos reais sobre os imóveis e as ações que os asseguram (hipoteca, usufruto,
superfície, servidão, etc.).
· Direito à sucessão aberta. Se alguém morre, abre-se a sucessão e o direito à
sucessão aberta é bem imóvel, ainda que os bens deixados pelo de cujus sejam
todos móveis. Se um herdeiro quiser renunciar à herança, esta deve ser feita por
meio de escritura pública ou termo nos autos (se casado, mediante autorização do
cônjuge), devendo, ainda recolher a sisa – art. 1806.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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· Importante: Materiais de construção – combinação dos artigos 79, 81 e 84.
· Materiais ainda não empregados = móveis – art. 84, 1ª parte
· Materiais empregados na construção = imóveis por acessão física ou artificial –
art. 79
· Materiais separados transitoriamente (ex. para reforma do imóvel) = imóveis –
art. 81, II
· Materiais que separados do solo, conservam a sua unidade e são removidos para
outro local = imóveis - art. 81, I
· Materiais não mais utilizados (demolição) = móveis – art. 84, parte final.
1.2. Bens móveis
a) Conceito: são os que, sem deterioração na substância ou na forma, podem ser
transferidos de um lugar para outro, por força própria (semoventes – animais) ou
por força de outrem (objetos inanimados) – art. 82.
b) Categorias:
b.1.) Bens móveis por natureza – art. 82, CC: são os bens suscetíveis de
movimento próprio, ou de remoção por força alheia. Os navios e as aeronaves são
bens móveis, mas que são imobilizados somente para fins de hipoteca (art. 1473,
VI e VII).
b.2.) Bens móveis por determinação legal – art. 83, CC:
· as energias que tenham valor econômico
· os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes (penhor,
usufruto, etc.).
· os direitos pessoais de caráter patrimonial (obrigações) e as ações
correspondentes (incluem-se aqui os direitos autorais – Lei 9610/98). Os créditos
em geral podem ser cedidos independentemente de outorga uxória ou marital.
b.3.) Bens móveis por antecipação legal – art. 95 são aqueles bens que se
encontram naturalmente ou por acessão física incorporados ao imóvel e, portanto,
imóveis, mas que se destinam à aproximadamente serem destacados e
mobilizados.
Ex.: árvores destinadas ao corte são consideradas bens móveis por antecipação
legal. Outro exemplo: Laranjas de uma plantação de laranjeiras destinadas à
usina são bens móveis por antecipação legal.
1.3. Importância da distinção entre bens imóveis e móveis
a) Forma de aquisição: Os imóveis são adquiridos, nos termos do art. 1245, pela
transcrição do título de transferência (escritura pública) no Registro de Imóveis;
pela acessão – art. 1248; pelo usucapião – art. 1238 a 1228, § 4º, e pelo direito
hereditário. Os bens móveis, por sua vez, são adquiridos pela tradição – art.
1267, pela ocupação – art. 1263 (descoberta -art. 1233), achado de tesouro – art.
1264, especificação – art. 1269 a 1271, pela confusão, adjunção, comissão – art.
07/02/2023 23:30 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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1272 a 1274, e, assim como os imóveis, também, pelo usucapião – art. 1260 a
1262, e pela sucessão hereditária. 622 CC.
b) Outorga: Os bens imóveis não podem ser alienados, hipotecados ou gravados
de ônus real pela pessoa casada, sem anuência do outro cônjuge, exceto no
regime de separação absoluta – art. 1647, I. Se o cônjuge denega a anuência sem
motivo justo, ou lhe seja impossível concedê-la (ausente), cabe ao juiz suprir-lhe
a outorga – art. 1648.
c) Forma: Para a aquisição dos bens móveis vigora, em regra, a liberdade de
forma, ou seja, pode-se comprar algo móvel através de contrato verbal.
Entretanto, em relação aos imóveis a aquisição será, em regra, meio de escritura
pública (art. 108), salvo se o imóvel tiver valor inferior a 30 vezes o salário
mínimo vigente no país.
d) Usucapião: É forma de aquisição comum dos bens imóveis e dos móveis. No
entanto, para os imóveis o prazo prescricional (prescrição aquisitiva) é superior
(15, 10 ou 5 anos) ao prazo dos móveis (3 e 5 anos).
Saliente-se, ainda, que somente em relação aos bens imóveis pode haver o
usucapião constitucional (art. 183, CF – Usucapião pro moradia ou urbano e art.
191, CF – Usucapião pro labores ou rural - agora tipificados nos art. 1239 e 1240,
CC) e o Usucapião Coletivo, tipificado no art. 1228, § 4º, CC.
e) Direitos reais de garantia: para os imóveis – hipoteca; para os móveis –
penhor.
f) No caso dos ausentes (art. 26, CC), pode ser aberta a sucessão provisória. Com
a abertura da mesma, os bens móveis podem ser alienados sem qualquer
restrição. Em relação aos imóveis, somente por desapropriação ou por ordem
judicial, para evitar a ruína – art. 31.
07/02/2023 23:31 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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MODULO 8
Dos Bens - Classificação
Dos bens considerados em si mesmos - continuação
2. Bens fungíveis e infungíveis – art. 85
2.1. Bens fungíveis
Conceito: a fungibilidade é uma característica dos bens móveis e indica a
possibilidade de substituição de uma coisa por outra, sem prejuízo do credor (ex.
contrato de mútuo, que se trata de empréstimo de coisa fungível).
2.2. Bens infungíveis
Conceito: a coisa infungível é aquela que não pode ser substituída por outra da
mesma espécie, qualidade e quantidade (ex. contrato de comodato, que se trata
de empréstimo de coisa infungível)
2.3. Importância da distinção entre bens fungíveis e infungíveis
a) Mútuo – art. 586: empréstimo de coisas fungíveis. Comodato - art. 579, CC:
empréstimo de coisas infungíveis. O mútuo pode ser gratuito e oneroso (mútuo
feneratício – empréstimo bancário, cobram-se juros). O comodato é sempre
gratuito.
b) Compensação – art. 369: efetua-se entre dívidas líquidas, vencidas e de coisas
fungíveis.
c) Art. 313, CC – o credor de coisa certa (infungível) não poderá ser obrigado a
receber outra, ainda que mais valiosa.
e) O contrato de locação de coisa visa o uso e gozo de coisa infungível – art. 565.
.
3. Bens consumíveis e não consumíveis – art. 86 , CC
Conceito: consumíveis são os bens móveis cujo uso importa na destruição
imediata da própria substância, sendo também considerados como tais, os
destinados à alienação. Por sua vez, os inconsumíveis são aqueles cujo uso não
importa a sua destruição imediata.
Os bens consumíveispodem ser de fato (ex.: alimentos) e de direito (ex.:
dinheiro).
Exemplo:
O livro é um bem móvel, corpóreo, fungível e consumível para o dono da livraria.
O livro é um bem móvel, corpóreo, fungível e inconsumível para o proprietário,
podendo até ser infungível se tiver uma dedicatória do autor.
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A roupa é consumível para a dona da boutique e inconsumível para a compradora
que a adquire.
A consutibilidade não decorre da natureza do bem, mas de sua destinação
econômica jurídica, sendo que a vontade humana pode influenciar sobre a
consutibilidade, uma vez que pode tornar inconsumível coisa consumível.
Certos direitos não podem recair sobre bens consumíveis. Ex.: o usufruto.
Entretanto, existe a figura do usufruto impróprio ou quase usufruto, que tem por
objeto bens consumíveis. Findo o usufruto, o usufrutuário é obrigado a restituir os
que ainda existirem e dos consumidos, o equivalente em gênero, qualidade e
quantidade. Não sendo possível, será restituído o seu valor estimado ao tempo da
restituição – at. 1392, § 1º.
4. Bens divisíveis e indivisíveis
Conceito: são divisíveis as coisas que se podem fracionar em porções reais e
distintas, formando cada qual um todo perfeito. Indivisíveis são as coisas que não
podem ser divididas.
A indivisibilidade decorre da natureza da própria coisa, da vontade das partes ou
da vontade da lei.
Importância da classificação entre bens divisíveis e indivisíveis
a) As obrigações são divisíveis ou indivisíveis conforme a natureza das respectivas
prestações, dependendo do fato de poderem ou não ser cumpridas parcialmente.
Nas obrigações indivisíveis, as prestações devem ser cumpridas integralmente, de
modo que cada codevedor será obrigado pela dívida toda – Art. 259, CC.
b) Extinção do condomínio
· Coisa divisível – ela é dividida e cada condômino recebe o seu quinhão.
· Coisa indivisível – se os condôminos se recusarem a adjudicar a coisa a um só
condômino, indenizando os demais, ela será vendida e o preço repartido entre os
condôminos. Na venda, em condições iguais de oferta, prefere-se a oferta do
condômino em relação à de estranho, entre os condôminos, aquele que tiver feito
benfeitorias mais valiosas na coisa e, não havendo benfeitorias, terá preferência o
condômino que tiver maior quinhão – art. 1322
c) Contrato de compra e venda - venda de coisa indivisível em condomínio - art.
504, CC
O condômino de coisa indivisível não poderá vendê-lo a estranho se o outro
comunheiro a quiser, tanto por tanto. Caso o condômino venda a coisa a 3ª
pessoa e o condômino não consultado deposite o preço e requeira rescisão dentro
do prazo de 6 meses, a venda efetuada à 3ª pessoa ficará resolvida.
.5. Bens singulares e coletivos
O artigo 89 declara que são singulares os bens que, embora reunidos, se
consideram de per si, independentemente dos demais (ex.: um livro). Entretanto,
se o livro estiver agregado a outros formando um todo, configura-se uma
biblioteca – universalidade de fato.
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UNIVERSALIDADES - Coisas coletivas são chamadas de universalidades. As
universalidades podem ser de fato (rebanho, biblioteca, cardume) e de direito
(herança, patrimônio, que constituem um complexo de direitos ou relações
jurídicas).
__________________//__________________
Dos Bens - Classificação
Bens reciprocamente considerados
Conceito: Principal é a coisa que existe sobre si, abstrata ou concretamente. Coisa
acessória é aquela cuja existência supõe a existência da principal. O carro é coisa
principal e o som do carro é coisa acessória. O terreno é coisa principal e a casa é
coisa acessória em relação ao terreno.
Consequências da relação entre coisa principal e acessória
1. Presume-se que o dono da coisa principal seja dono da coisa acessória. Tal
presunção é juris tantum (relativa), uma vez que admite prova em contrário.
2. O acessório segue a sorte do principal. Para que tal não ocorra é necessário
que tenha sido convencionado o contrário (venda de veículo,
convencionando-se a retirada dos acessórios), ou ainda, por disposição legal:
art. 1284 – os frutos pertencem ao do dono do solo onde caírem – direitos de
vizinhança; art. 1269 a 1271 – especificação.
3. A coisa acessória terá a mesma natureza jurídica que a coisa principal. Se a
coisa principal for imóvel também o será a coisa acessória (casa em relação
ao terreno).
Classes de Acessórios
1. Produtos 2. Frutos 3. Rendimentos (frutos civis) 4. Benfeitorias.
Produtos são as utilidades que se retiram da coisa diminuindo-lhe a quantidade,
porque não se reproduzem periodicamente (ex.: mina de carvão). Não há
renovação, ou seja, a sua utilização pode representar o seu esgotamento.
Frutos são as utilidades que uma coisa produz periodicamente (ex. laranja)
Tanto o produto quanto o fruto representam utilidades (semelhança). O que os
diferencia é a possibilidade ou não de renovação periódica.
Frutos quanto à natureza
· fruto natural (leite)
· fruto industrial (queijo)
· fruto civil (juros)
Frutos civis ou rendimentos são utilidades que a coisa frutífera produz quando
utilizada por alguém que não seu proprietário (ex. alugueres, juros)
Frutos quanto ao estado
· pendentes (laranjas no pé)
· percebidos (laranjas já colhidas ou separadas do pé)
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· estantes (laranjas armazenadas para venda)
· percipiendos (laranjas que deviam ser colhidas (percebidas) mas não o foram
· consumidos (laranjas que já não mais existem)
Benfeitorias
Benfeitorias são as obras ou despesas que se fazem em bem móvel ou imóvel
para conservá-lo, melhorá-lo ou embelezá-lo. Benfeitorias são espécies de
acessórios levados a efeito pelo homem, ou seja, decorrem da ação humana com
o objetivo de tornarem a coisa principal mais agradável, mais útil (facilitar a sua
utilização) ou para conservá-la ou evitar que se deteriore.
Espécies de benfeitorias:
· Voluptuárias – art. 96, § 1º - Ex. anãozinhos de jardim com a branca de neve,
piscinas de fibra (as de alvenaria são partes integrantes – art. 93).
· Úteis – art.96, § 2º - Ex.: portão eletrônico.
· Necessárias – art. 96, § 3º - Ex. reforma das fundações de um prédio, colocação
de cerca de arame para proteger a agricultura, troca do encanamento deteriorado
pela ferrugem.
Não são benfeitorias:
· os acréscimos na coisa principal decorrente das acessões naturais (aluvião,
avulsão – art. 1250 e 1251, CC)
· os acréscimos na coisa principal decorrentes de acessões artificiais (art. 79 cc
1253 a 1259), que são as construções e plantações, consideradas obras que criam
coisa nova, que se adere à propriedade já existente.
· As especificações - art. 1269 a 1271, CC
Importância da distinção entre benfeitorias necessária, úteis e voluptuárias.
· Posse (Ambiente do Direito das Coisas) – art. 1219, CC.
Benfeitorias úteis e necessárias são indenizáveis, caso o possuidor esteja de boa-
fé. Em relação às voluptuárias tem direito de levantá-las, se não lhe forem pagas.
Tem ainda direito de retenção pelas úteis e necessárias.
· Condomínio – art. 1322, CC. Se o condomínio for de coisa indivisível e os
comunheiros não quiserem adjudicá-la a um só, indenizando os outros, a coisa
será vendida e o seu preço repartido. Na venda, o condômino prefere aos
estranhos. Entre os condôminos prefere aquele que tiver as benfeitorias mais
valiosas e, não as havendo, o condômino que tiver o maior quinhão.
· Obrigações – parte especial – contrato de locação - art. 578, CC – salvo
disposição em contrário, o locatário goza do direito de retenção, no caso de
benfeitorias necessárias, ou no de benfeitorias úteis, se estas houverem sido
feitas com expressoconsentimento do locador.
Recorde-se: O Código atual considera os frutos, produtos e benfeitorias
como partes integrantes da coisa principal, sendo que os bens imóveis
07/02/2023 23:31 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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por acessão intelectual são qualificados como pertenças – art. 93, CC.
_______________________________//______________________________
Dos Bens - Classificação
Bens considerados em relação ao titular de domínio
Bens públicos x Bens particulares
Os bens públicos são aqueles pertencentes à União, aos Estados ou aos
Municípios. Todos os demais são particulares, ou seja, pertencem às pessoas
naturais ou jurídicas de direito privado. Relembre-se que existem coisas que não
pertencem a ninguém (res nullius) e coisas que foram abandonadas pelo titular
(res derelicta).
Espécies de bens públicos
· Bens e uso comum do povo – art. 99, I - Pertencem a alguma pessoa jurídica de
direito público interno, mas podem ser utilizados sem restrição, desde que cumpra
os regulamentos administrativos. Ex.: mar, ruas, praças, jardins, etc.
· Bens de uso especial – art. 99, II - São utilizados pelo Poder Público,
constituindo-se por imóveis aplicados ao serviço ou estabelecimento federal,
estadual ou municipal. Ex.: prédios onde funcionam os tribunais, as prefeituras,
secretarias, etc., Tais bens têm destinação especial.
· Bens dominicais – art. 99, III - São aqueles que formam o patrimônio da pessoa
jurídica de direito público, como objeto de direito real (propriedade) ou pessoal
(locação). Ex.: terras devolutas, títulos da dívida pública, terrenos da marinha etc.
Características dos bens públicos:
· Inalienáveis – art. 99, I e II, CC - estão fora do comércio, salvo se forem
desafetados. Os dominicais – art. 99, III, podem ser alienados, desde que por
meio do processo de licitação.
· Imprescritíveis – não podem ser atingidos pela usucapião – art. 191, par. único
da Constituição Federal.
· Impenhoráveis – não podem passar do patrimônio do devedor (Estado) ao do
credor por força de execução judicial.
· Não sujeitos a ônus reais (hipoteca, penhor)
Bens quanto à suscetibilidade de alienação
Bens alienáveis X Bens inalienáveis
O Código Civil de 2002 não dedicou um capítulo aos bens que estão fora do
comércio (art. 69, CC/1916). Entretanto, em vários dispositivos preceitua a
inalienabilidade de determinados bens. A rigor, todos os bens são alienáveis, ou
seja, estão disponíveis no comércio. Os bens alienáveis são os que se encontram
livres de quaisquer restrições que impossibilitem a sua transferência ou
apropriação. Os bens que estão no comércio podem ser vendidos e comprados,
trocados, doados, alugados, emprestados. Entretanto, existem bens que não
07/02/2023 23:31 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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apresentam possibilidade de alienação. Tais bens são considerados bens
inalienáveis ou fora do comércio.
Espécies de bens inalienáveis
· Pela própria natureza - mar, luz solar, os direitos da personalidade (salvo a
exceção dos casos previstos em lei – art. 11 ao 21).
· Legalmente inalienáveis- - são suscetíveis de apropriação pelo homem, mas em
função dos interesses econômicos sociais e também em atendimento da defesa
social e da proteção de determinadas pessoas, a lei retira a possibilidade de
alienação. Entretanto, mediante certas circunstâncias e através de determinadas
formalidades a LEI (autorização legal), excepcionalmente permite a alienação dos
referidos bens.
Os bens legalmente inalienáveis são:
- bens públicos de uso comum do povo e de uso especial (art. 100) Os bens
dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais (licitação). A
inalienabilidade não é absoluta, a não ser em relação aos bens que pela própria
natureza são insuscetíveis de valoração patrimonial (mares, rios navegáveis,
praias). Os suscetíveis de valoração patrimonial podem perder a inalienabilidade
que lhes é peculiar pela desafetação (art. 101, CC). A alienabilidade, característica
dos bens dominicais também não é absoluta, pois podem perdê-la pelo instituto
da afetação.
- bens dos menores (art. 1691, CC), com a finalidade de proteger os incapazes.
Saliente-se que os bens dos menores só poderão ser alienados, mediante
autorização judicial, se trouxer benefício aos menores.
- o bem de família – 1717
- os bens móveis ou imóveis tombados, cuja conservação seja de interesse público
(valores históricos, arqueológicos, etnográficos, artísticos, etc.). Art. 216, V, § §
1º, 4º, CF
- as terras ocupadas pelos índios - art. 231, § 4º, CF
· Inalienáveis pela vontade humana: em atos causa mortis (testamento) ou inter
vivos (doação), a vontade humana pode impor cláusula de inalienabilidade
temporária ou vitalícia (ver art. 1848 cc art. 1911, CC).é responsável pela aplicação da sanção.
Antigamente, a sanção partia do próprio ofendido, ou de sua família, que podia se
vingar do ofensor.
_______________//____________
Normas jurídicas e não jurídicas
As normas jurídicas, que hoje integram o ordenamento jurídico, em vigor em
virtude da atuação do Estado, precipuamente pela atividade da Função Legislativa,
possuem eficácia maior, porque a sanção é aplicada também pelo Estado.
Outras normas, de etiqueta, educação, pertencentes estritamente ao campo
moral, não jurídicas, também podem acarretar consequências pelo
descumprimento, mas a sanção parte do próprio grupo social, como a
marginalização de pessoas com vício em entorpecentes. A sanção é a mera
reprovação por parte do grupo social.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Normas passam a ser jurídicas quando incorporadas ao direito, por causa de sua
importância. O respeito à faixa do pedestre era uma norma do campo moral que
por sua relevância social passou a ser jurídica, com sanção aplicável pelo Poder
Público.
__________________//_______________
Juspositivismo e jusnaturalismo.
O direito positivo e direito natural são duas posições filosóficas que explicam e
justificam o direito.
O direito resultante da elaboração legislativa é dito positivado. São as normas em
vigor, que devem ser cumpridas sob pena de sanção.
Normas éticas, que orientam o comportamento dos indivíduos, mas não possuem
sanção provinda do Poder Público são normas costumeiras, ou de ordem moral.
Trata-se do direito natural.
Todas as normas são de moral, mas só as de sanção imposta pelo Estado são
normas de direito. As normas de direito são as que o Poder Público considera
imprescindíveis para a vida da sociedade.
O legislador, inspirado pelo direito natural, achou conveniente atribuir força
coercitiva a certas condutas, impondo sanção à sua desobediência.
---xxx---
Do Direito:
Direito como lei é o conjunto de normas de comportamento na sociedade,
estabelecida por uma organização com poder soberano e imposta coativamente à
observância de todos.
Direito Objetivo e Direito Subjetivo:
Direito Objetivo: conjunto de normas que a todos vincula, pois o cumprimento é
obrigatório, sob pena de sanção. Chama-se “norma agendi”.
Direito Subjetivo: é o direito como faculdade, prerrogativa do indivíduo,
decorrente da norma, ou “facultas agendi”. Trata-se da opção do indivíduo de
invocar a norma a seu favor.
Ex.: A CF garante o direito de imagem (direito objetivo). O indivíduo que sofre
violação em sua imagem pode invocar tal norma para defender o seu interesse
(direito subjetivo).
---xxx---
Direito Público e Direito Privado
Tanto o direito público como o direito privado interessam para a sociedade. As
normas de direito de família, estabelecidas no Código Civil, são de interesse
público. O cumprimento contratual pode interessar diretamente ao credor, mas
indiretamente atender ao interesse social para a segurança jurídica, a
estabilidade, a saudável e necessária circulação dos bens.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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É por isso que a distinção entre direito público e direito privado não deve seguir
por esse critério (o do interesse privado e do interesse particular).
A diferença é que o direito público traz normas de conduta que disciplinam a
atuação de pessoa jurídica de direito público, como o direito tributário, o direito
constitucional, o direito processual civil, o direito processual penal ou trabalhista,
o direito administrativo e o direito internacional público.
O direito privado rege a conduta de pessoa física ou de pessoa jurídica de direito
privado. É o caso do direito civil, do direito empresarial, do direito material do
trabalho, do direito internacional privado.
São exemplos de sub-ramos do direito público:
-Direito Constitucional, que organiza o Estado.
-Direito Administrativo, que disciplina a atividade do Estado e a hierarquia dos
seus órgãos, das relações com seus funcionários etc..
-Direito Processual, que trata da distribuição da justiça.
-Direito Penal, que visa à repressão dos delitos.
O Direito Privado já foi sinônimo de direito civil. Hoje, como ocorre em outras
ciências, como na medicina, em função do aumento do conhecimento, da
necessidade de especialização, temos vários sub-ramos de direito privado.
O atual Código Civil (Lei nº 10.406, de 10-1-2002) reúne direito civil e
empresarial, quando trata no livro II da Parte Especial do Direito de Empresa,
tratando de contratos de direito empresarial, como comissão, agência e
distribuição, corretagem e transporte.
São exemplos de sub-ramo de direito privado:
-Direito Empresarial, que trata do regime jurídico aplicável a empresas e das
relações entre empresários, ou entre estes e seus clientes (regras concernentes a
falência, registro etc.).
-Direito do trabalho, que cuida da relação empregado e empregador, objeto da
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
---xxx---
CONCEITO DE DIREITO CIVIL.
O Direito Civil surge quando o homem passa a viver em sociedade (cf. Roberto
Senise Lisboa, Manual de Direito Civil – Teoria Geral do Direito Civil, 5ª ed., Ed.
Saraiva, p. 59). Conforme esse autor:
“A expressão ius civile, originária do direito romano, designava a normatização
que cada povo constituía para si próprio. Representava um sistema de
coordenação e domínio” (idem; ibidem).
Hoje o direito internacional impacta a forma como cada Estado soberano disciplina
a conduta de seu povo, dentro do seu território.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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O Direito Civil, principal sub-ramo do Direito Privado, é o conjunto de normas que
regulamentam a conduta das pessoas físicas e das pessoas jurídicas de direito
privado no que concerne às obrigações, contratos, direitos reais, direito de família
e direito de sucessão. Engloba a responsabilidade civil decorrente de violação de
lei, contrato ou dever social.
O primeiro Código Civil brasileiro foi o de 1916.
Antes do CC/1916, vigoravam no Brasil as leis portuguesas, quais sejam:
Ordenações Afonsinas (elaboradas com normas que datam de 1212), Ordenações
Manuelinas (1521), Ordenações Filipinas (1603) e a Lei da “Boa Razão” (1769).
As fontes dessas legislações, que inspiraram o C.C. brasileiro de 1916 foram:
1º- Direito Romano
2º- Direito Canônico
O Código Napoleônico de 1804 e o Código alemão de 1836 também influenciaram
o Código Civil brasileiro de 1916.
Obs.:após a Independência, a lei de 20/10/1823 determinou que continuasse a
vigorar a legislação do Reino. A peça maior e estrutural da legislação do Reino
eram as Ordenações Filipinas, acrescidas de leis posteriores, que vigeu no Brasil
até revogação (em 31.12.1916) pelo art. 1807 do C.C. Vigeu mais que em
Portugal, onde o Cód. de 1867 a revogou.
Em 1899, Clóvis Bevilácqua apresentou o projeto do C.C. brasileiro, que quinze
anos depois se converteu em C.C. e foi promulgado em 1º de janeiro de 1916 e
entrou em vigor em 1º de janeiro de 1917.
____________//_________
O Código Civil brasileiro de 1916:
Possuía duas partes: geral e especial. É antecedido pela então chamada LICC (Lei
de Introdução ao Código Civil, lei sobre leis, para todos os ramos do direito, não
só para o direito civil).
Do art. 7º em diante, a LICC trata da aplicação da lei em caso de conflito entre
ordenamentos de mais de um Estado soberano, definindo as normas do direito
internacional privado. O texto da LICC foi reformulado aos 4/ 9/ 1942, pelo dec.–
lei nº 4.657.
A parte geral contém preceitos aplicáveis à parte especial e se divide em três
livros:
Livro I – das pessoas (sujeitos de direito).
Livro II – dos bens (objeto do direito)
Livro III – dos fatos jurídicos (das relações jurídicas).A parte especial divide-se em quatro livros:
I- Direito de Família
II- Direito das Coisas
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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III- Direito das Obrigações
IV- Direito das Sucessões
O C.C./1916 ao ser revogado já se encontrava em muitos aspectos ultrapassado,
posto que refletia os costumes do século XIX (foi feito no final do séc. XIX,
embora tenha entrado em vigor aos 16/1/1917, início do séc. XX).
O C.C. refletia os interesses de sociedade conservadora, cujos valores foram muito
modificados e nem se comparam aos da sociedade contemporânea, mais
complexa e menos preconceituosa.
Houve várias tentativas de reforma do C.C./1916, mas venceu a corrente que
preferiu revogá-lo por inteiro.
Muitas leis já foram alteradas durante a vigência do C.C./1916, por exemplo pelo
ECA, pela Lei nº 4.121/1962 (chamada de Estatuto da Mulher Casada), pela Lei nº
6.515/1977 (a Lei do Divórcio), só para citarmos algumas.
---xxx---
Da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB - novo nome
da antiga “Lei de Introdução ao Código Civil”, cf. Lei nº 12.376, de 30.12.2010).
A Lei, chamada originariamente de Lei de Introdução ao Código Civil – LICC, é
uma “Lei sobre leis”.
Trata-se do Decreto-Lei nº 4.657/4.9.42, que revogou a primitiva LICC, que
entrou em vigor junto com o CC/1916.
O objeto da LICC é a própria lei. Trata-se de regras gerais de aplicação das
normas jurídicas.
Aqui está a disciplina acerca da vigência da lei e de sua revogação, da
impossibilidade de se alegar a ignorância da lei, da aplicação da lei e de suas
lacunas, da interpretação da lei e de sua eficácia no tempo e no espaço.
Lei – conceito:
É uma regra geral que emana de autoridade competente, sendo portanto imposta,
coativamente , à obediência de todos.
---xxx---
Classificação da lei
Há muitas classificações.
Quanto à sua força obrigatória, as leis se distinguem em cogentes, de ordem
pública, que não podem ser alteradas por convenção entre as partes, por atender
ao interesse geral, e regras dispositivas (ou supletivas, ou interpretativas, de
ordem privada, facultativas), que não estão diretamente ligadas ao interesse da
sociedade, e que por isso podem ser derrogadas por convenção entre as partes.
Tais normas suprem a vontade das partes em caso de silêncio. Exemplo de norma
cogente: direito do parente de exigir alimento. A regra interessa à sociedade – é
importante que o indivíduo tenha alimento. Já a norma supletiva é por exemplo
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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aquela que determina o regime de bens no casamento, de comunhão parcial de
bens, caso não haja pacto nupcial ou regime obrigatório distinto.
Outro exemplo de norma supletiva: o local de pagamento da obrigação é o
domicílio do devedor, mas as partes podem convencionar que o local de
pagamento é o domicílio do credor.
__________________//__________________
Fonte da lei:
Poder Legislativo. Mas na confecção da lei também colabora o Poder Executivo,
que sanciona (aprova) ou veta o projeto de lei.
A publicação torna a lei de conhecimento da sociedade.
Da vigência da lei: art. 1º da Lei de Introdução.
A lei começa a vigorar salvo disposição em contrário 45 dias após a publicação
oficial. O intervalo entre a publicação da lei e a sua entrada em vigor chama-se
“VACATIO LEGIS” ou vacância.
Validade, vigência e eficácia têm conceitos bastante distintos no direito. Uma lei
válida por já ter sido promulgada e publicada, pode não estar em vigor, posto que
temos a vacância. E ainda que já esteja em vigor, pode não ser respeitada,
distanciando-se do fato social, caindo em desuso. Neste caso, é válida e vigente,
mas não possui eficácia.
Ocorre que a maioria das leis traz em seu texto a data em que passará a viger.
Em geral, está escrito que a lei passa a viger na data de sua publicação.
E pode-se conceder mais tempo para adaptação, fazendo constar que o período de
espera é maior. Ex.: CC/1916, publicado em 1º/ 1/ 1916, passou a viger em 1º/
1/ 1917.
Até quando vigora a lei:
- lei temporária (CPMF/ incentivo fiscal): ex.: Lei do inquilinato de 28/ 12/ 1952 –
nº 1.300, traz o tempo de vigência no seu texto (no ex. a lei iria vigorar da data
de sua publicação até 31/ 12/ 1952 – art. 22). O legislador queria regular relação
jurídica transitória, por causa da crise nas habitações.
- lei sem termo fixo de duração (a maioria): é feita para viger por tempo
indeterminado, e só perde sua eficácia se outra posterior a revogar.
Art. 1º, §1º. Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando
admitida, se inicia 3 (três) meses depois de oficialmente publicada.
E se antes de entrar em vigor ocorrer nova publicação por causa de texto
corrigido, o prazo começa sempre da nova publicação (art. 1º, §3º). As correções
a texto de lei já em vigor são consideradas lei nova (§4º do art. 1º).
_______________//______________
Da revogação da lei (art. 2º, Lei de Introdução).
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Dissemos que a lei sem termo fixo de duração (não temporária) irá viger por
tempo indeterminado, e só perde sua eficácia se outra posterior a modificar ou
revogar (art. 2º, caput da Lei de Introdução).
Uma lei só se revoga por outra lei. E há hierarquia entre as leis (em ordem
hierárquica: CF; lei complementar; lei ordinária; portarias). Uma lei não pode ser
revogada por outra hierarquicamente inferior.
Três hipóteses em que a lei posterior revoga a anterior (§1º do art. 2º):
1- a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare;
2- quando for com ela incompatível;
3- ao regular inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
Lei geral não revoga lei especial porque não trata da mesma matéria, não é
necessariamente incompatível.
Da repristinação: é o fenômeno de recuperação de lei já revogada, pela revogação
da lei que a modificou, ou a revogou. Não ocorre no direito brasileiro a
repristinação automática, nos termos do §3º do art. 2º da Lei de Introdução. A lei
revogada só volta a ter validade e vigência caso haja disposição expressa nesse
sentido:
“§3º. Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência”.
 ____________________//______________
Do conhecimento da lei (art. 3º da Lei de Introdução):
Publicada a lei e passada a vacância, a lei entra em vigor e vincula a todos, por
sua força coercitiva. Ninguém pode fugir de cumpri-la, ainda que ignore a sua
existência. A presunção absoluta é de que todos conhecem a lei.
É uma ficção jurídica que visa a segurança jurídica, uma inverdade, visto que as
leis se multiplicam de tal forma que nem os profissionais as conhecem em sua
totalidade. Mas a presunção, que vem do direito romano, é uma imposição da
ordem jurídica, sem a qual a vida em sociedade seria impossível. Se não houvesse
a obrigatoriedade, qualquer um se furtaria de cumprir a lei, sob pretexto de
ignorá-la. E a estrutura da sociedade depende do império da ordem jurídica.
Então, como a lei pretende a todos vincular e de todos exigir obediência,
presume-se que cada um a conheça, não aceitando a alegação de sua ignorância.
Isto conforme art. 3º da Lei de Introdução.
---xxx---
Questões:
O que é direito positivo?
R.: Norma de direito vigente, com sanção formulada pelo Poder Público.
Diferenciar direito objetivo e direito subjetivo.
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R.: Direito objetivo: norma que se dirige a todos, que regula a ação humana –
“norma agendi”.
Direito subjetivo: “Facultas agendi”, prerrogativa, faculdade decorrente da norma,
que pode ser invocadapelo particular em defesa do seu interesse.
Questões sugeridas para reflexão e estudo:
1. Diferencie Direito Público e Direito Privado.
2. Distinguir norma cogente de norma dispositiva (citar exemplos).
R.: Cogente: não pode ser descumprida por convenção entre as partes (ex.:
alimentos). Dispositiva, ou supletiva, supre a vontade das partes em caso de
silêncio dessas. As partes podem dispor ao contrário (ex.: local de pagamento é o
domicílio do devedor – as partes podem designar o domicílio do credor).
3. O que se entende por “VACATIO LEGIS”? Como ocorre?
R.: Intervalo entre a publicação da lei e sua entrada em vigor. É de 45 dias se no
texto da lei não houver disposição em contrário.
4. Explicar lei temporária e lei sem termo fixo de duração.
R.: A 1ª vigora no tempo previsto em seu texto. A 2ª vigora até a sua modificação
ou revogação por outra lei (não hierarquicamente inferior).
5. Quais as hipóteses de revogação de uma lei? Explicar (cada uma).
R.: 1ª: quando a lei posterior declara expressamente a revogação da lei anterior.
2ª: quando a lei posterior for incompatível com a lei anterior.
3ª: quando a lei posterior regular inteiramente a matéria de que tratava a lei
anterior (art. 2º, §1º, Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro).
---xxx---
As fontes do direito. Aplicação da lei diante das lacunas do ordenamento
jurídico (art. 4º da Lei de Introdução).
Para dirimir os conflitos sociais, resolver os casos concretos, o juiz procura na
sistemática do direito a lei que deve ser aplicada. É função do Estado, exercida
através do Poder Judiciário.
A função consiste em transferir para um caso concreto a decisão que se encontra
na regra abstrata.
Regra em abstrato – premissa maior de um silogismo (sistema lógico).
Temos:
Regra geral (premissa maior)
Caso concreto (premissa menor)
Conclusão.
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Não havendo lei, o juiz não se pode recusar a decidir, sob pena de conturbar a
ordem social. O Estado deve solucionar o conflito entre os particulares.
Lei omissa, “lacuna da lei” é reconhecida pelo legislador: “Quando a lei for omissa,
o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais
de direito” (art. 4º da Lei de Introdução).
Em função de desenvolvimento, científico e tecnológico, o legislador nunca pode
prever todos os casos concretos. Nem seria conveniente uma lei tão detalhista,
que engessasse a atuação do magistrado diante de cada caso concreto.
Novos meios de transporte, novas técnicas de reprodução humana assistida, a
internet e outros instrumentos trouxeram a necessidade de novas regras.
Analogia: quando o juiz aplica a casos semelhantes as soluções oferecidas pelo
legislador a casos análogos. Se a lei regula de certo modo determinada relação
jurídica, então deve regular do mesmo modo relação jurídica semelhante.
UBI EADEM RATIO, IDEM JUS – onde houver a mesma razão, o mesmo deve ser o
direito.
Ex.: acidentes em transportes de bondes elétricos – aplicava-se a lei relativa à
responsabilidade civil nas estradas de ferro.
Costume: uso reiterado de certa prática em uma sociedade. Ex.: fixação da taxa
(comissão) de corretagem, que varia de acordo com o local. Foi assim com o
cheque pré-datado, que no começo era admitido por causa do costume.
Costume na omissão da lei (praeter legem) e contra a lei (contra legem):
Ex.: quando se aceita testemunha para provar compra e venda de gado,
envolvendo valor alto, superior ao décuplo do salário mínimo, em Barretos – SP,
adota-se costume contrário ao art. 227 do CC/2002. O mesmo ocorre quando a
jurisprudência admite prova testemunhal para o comodato, quando tem por objeto
coisa de valor superior ao prescrito no mesmo dispositivo.
-princípios gerais de direito (lei alienígena – art. 1.409, CC italiano – cessão de
contrato): normas extraídas de ordenamentos jurídicos de outro Estados, e
princípios do senso comum. Conforme Roberto Senise Lisboa: “Princípios gerais do
direito são parâmetros inspiradores das normas jurídicas positivadas, que podem
até suprir a falta de norma ou contribuir para o seu melhor entendimento”. (In
Manual de Direito Civil –Teoria Geral do Direito Civil, 5ª ed. Ed. Saraiva, p. 28). O
autor cita entre outros os seguintes princípios: viver honestamente, não lesar o
próximo, dar a cada um o que é seu.
____________//_________
Da interpretação da lei
A norma jurídica nem sempre é clara, e sempre deve ser interpretada para que
saibamos se é aplicável ou não ao caso concreto. A norma às vezes é obscura, e
às vezes tem conceitos amplos (vagos, de textura aberta). Ex.: bem-comum,
negligência, boa-fé.
É preciso observarmos a regra com cuidado para obtermos o seu verdadeiro
sentido. Ex.: art. 153, § 8º da Emenda Constitucional de 1969 – trazia
possibilidade de censura em caso da proteção da “moral” e dos “bons costumes”.
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Dentro desses conceitos o administrador incluía tudo o que ia contra ele. E
abusava ao impor censura. É preciso delimitar o que é “imoral” e “bons costumes”.
E atualmente – o que é “liberdade”? Até que ponto vai?
Precisar o conteúdo exato da norma é interpretar. A interpretação, quanto à fonte,
é doutrinária, jurisprudencial ou autêntica (do legislador).
A interpretação, quanto ao meio, é:
-tradicional, para alcançar a vontade (intenção) do legislador.
-literal ou gramatical, para saber o sentido exato de cada vocábulo, examinando-
se a pontuação, tentando estabelecer o que a regra determina.
- sistemática, que leva em conta o sistema, confronta os dispositivos, analisa em
que título se situa o artigo, o plano da lei.
-lógica, que aplica ao direito regras da natureza, como a interpretação a contrario
sensu, ou a que determina que “quem pode mais, pode menos”: O devedor que
pode pagar dia 10, pode pagar dia 9, dia 8 etc.
-histórica, que considera o contexto social em que a lei foi elaborada, como a
época ditatorial em que se criou a hoje revogada Lei de Imprensa, em 1967.
Cuida de examinar os trabalhos que precederam a promulgação da lei, das
discussões para a elaboração da lei, dos anseios que veio a lei satisfazer, das
necessidades à época em que foi feita a lei.
Ex.: Lei de imprensa – 5.250/ 67, art. 52 – permitia limitação da indenização por
dano moral. Na época, não era vigente a CF/ 88, que assegura hoje ampla
proteção contra os danos morais. Por isso, interpretou-se que a CF/88 não havia
recepcionado o texto do art. 52.
Interpretação conforme a vontade do legislador é menos importante que a
interpretação que atende aos fins sociais a que se dirige a norma, e às exigências
do bem comum (art. 5º, Lei de Introdução).
A finalidade da norma é o mais relevante na interpretação (estudo do telos, do fim
a que se destina, que é dirimir os conflitos sociais).
Essa forma de interpretação, chamada teleológica (que visa o “fim”, a
“finalidade”), é a que importa, porque a lei disciplina relações que se estendem no
tempo e que o legislador nem conhecia ou nem previa. É preciso ver qual a
finalidade da lei, qual o problema a ser resolvido.
O art. 5º determina que ao aplicar a lei o juiz atenderá aos fins sociais a que ela
se dirige e às exigências do bem comum.
________________//_________________
Da eficácia da lei no tempo. Art. 6º da Lei de Introdução.
A lei nova é melhor para a sociedade, presume-se. Trata-se de presunção relativa.
A lei gera efeitos a partir do momento em que entra em vigor , mas: tais efeitos
podem atuar sobre fatos anteriores. Pode a lei retroagir, ou seja, gerar efeitos
sobre relação que se consumou antes da sua vigência.
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Certas vezes, fatos continuamno tempo e são apanhados por lei nova, que revoga
a anterior. A lei que regeu a feitura de certo fato pode ser revogada por lei nova.
CF/ 88 – permite a retroatividade, excluindo (da retroatividade) certas espécies de
atos – coisa julgada, ato jurídico perfeito e direito adquirido.
CF/ 88 – art. 5º, XXXVI.
O casamento anterior ao CC/02 pode sofrer alteração quanto ao regime de bens,
o que não era permitido sob a vigência do CC anterior, de 1916, ou mesmo se
desfazer extrajudicialmente, no cartório de notas, o que não era permitido quando
da sua celebração. Trata-se da retroatividade.
Supõe-se que a lei nova seja melhor que a anterior, por isso houve a inovação, e a
aplicação da nova lei deve ocorrer desde logo. A lei nova atende a um interesse
social, então deve retroagir.
Em caso de interesse social, benefício para as partes, a lei retroage. Ex.: lei que
veda o divórcio, ou que o permite, ou que traga novo impedimento matrimonial,
ou, no direito penal, que diminui ou extingue a pena a que foi condenado certo
indivíduo.
Só não pode retroagir se desrespeitar o ato jurídico perfeito (já consumado
segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou), o direito adquirido (aquele
que já pode ser exercido, ou sujeito a termo ou a condição) e a coisa julgada
(decisão judicial de que já não caiba recurso).
__________________//___________
Da eficácia da lei no espaço.
Trata-se de questão de soberania e seus elementos: povo, poder e território.
Internamente, a soberania é o poder estabelecer as leis dentro de seu território,
para o cumprimento obrigatório pelo povo.
É o poder do Estado sobre o povo, através de leis obrigatórias, a serem cumpridas
dentro do seu território. Então: “leges non valent ultra territorium”.
Ocorre que tal preceito não é absoluto. As normas de um país podem ter eficácia
fora de seu território.
Às vezes é conveniente atribuir eficácia a normas estrangeiras dentro das
fronteiras de um país, quando se trata de regular relações entre estrangeiros ali
localizados. Trata-se de transigência recíproca, entre os países, que não fere (ou
diminui) a soberania (porque é o próprio país soberano que permite, em alguns
casos, que a lei estrangeira tenha eficácia dentro do seu território).
Ex.: Art. 8º, caput da Lei de Introdução: para qualificar os bens e regular as
relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do país em que estiverem
situados. Art. 9º, caput da Lei de Introdução – regem as obrigações as leis do país
em que se constituírem.
Tais problemas, de eficácia da lei no espaço, são tratados pelo direito internacional
privado, que resolve os conflitos, aplicando-se os art. 7º e s. da Lei de Introdução.
O Direito Internacional Privado é o conjunto de princípios que determina os limites
no espaço da competência legislativa dos Estados, quando têm de aplicá-las às
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relações jurídicas que podem ser submetidas a mais de uma legislação.
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MÓDULO 2
Das pessoas naturais
Personalidade Jurídica
1. Introdução
O ser humano, em sociedade, encontra-se em processo de interação com o seu semelhante,
ou seja, sendo parte de relações sociais. As relações sociais, quando disciplinadas pelas
normas jurídicas, transformam-se em relações jurídicas. A relação jurídica é, pois, a relação
social tutelada pelo Direito.
Os elementos da relação jurídica são: sujeitos (ativo e passivo), bem jurídico e vínculo
jurídico.
Sujeitos de relações jurídicas são as pessoas naturais (seres humanos) e as pessoas
jurídicas (entes a que a lei empresta personalidade jurídica para que possam ser sujeitos
de direito e obrigações).
Bens jurídicos – são as coisas materiais ou imateriais que podem ser objeto de uma relação
jurídica.
O fato propulsor do vínculo jurídico ou fato jurídico – é um fato social, que é um
acontecimento, dependente ou independente da vontade humana, previsto na norma como
fato jurídico, capaz de criar, modificar ou extinguir direitos.
2. O que é pessoa na acepção jurídica?
É todo ente físico (natural) ou jurídico (moral) suscetível de direitos e deveres.
3. E pessoa natural?
Pessoa Natural é o ser humano, nascido com vida, considerado como sujeito de direitos e
deveres – art. 1º, CC.
4. Personalidade Jurídica da Pessoa Natural
O Código Civil distingue a personalidade jurídica da pessoa natural em:
4.1. Personalidade Jurídica Objetiva – (art. 2º)
É a aptidão genérica que todo ser humano tem, pelo simples fato de ter nascido com vida,
para ser sujeito de direitos e deveres na vida civil.
Reza o art. 2º que a personalidade civil da pessoa começa no nascimento com vida; mas a
lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Assim, o nascituro, que tem diversos direitos salvaguardados pela lei, não tem
personalidade jurídica, uma vez que esta pressupõe o nascimento com vida (expulsão
natural ou artificial do ventre materno).
Para adquirir personalidade jurídica não basta nascer, tem que viver (nem que seja um
milésimo de segundo).
No ordenamento jurídico brasileiro a vida não precisa ser viável. Se o ser nascente respirar
apenas uma vez já adquire personalidade jurídica. Se o ser nascente não apresentar forma
humana também é pessoa e possui personalidade jurídica.
Quem é o nascituro?
É o embrião ou feto, ou seja, o ser humano já gerado, mas que ainda está por nascer.
Exemplos de regras que visam proteger o nascituro no Código Civil:
Art. 1609, parágrafo único – Reconhecimento de filho havido fora do casamento.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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Art. 1779 – Curatela do nascituro.
Art. 542 – Doação feita ao nascituro.
Art. 1799, I – Sucessão testamentária do nascituro (pode ser beneficiário em testamento).
4.2. Personalidade Jurídica Subjetiva (art. 11 ao art. 21)
Direitos da Personalidade
Para satisfazer suas necessidades nas relações sociais, o ser humano adquire direitos e
assume obrigações, sendo, pois, sujeito ativo e passivo de relações jurídicas de ordem
econômica.
Contudo, além dos direitos patrimoniais, a pessoa natural tem direitos da personalidade, os
quais se ligam a ela de maneira perpétua.
Os direitos da personalidade são os direitos subjetivos da pessoa natural defender o que
lhe é próprio, ou seja, a sua integridade física (vida, alimentos, próprio corpo vivo ou
morto, corpo alheio vivo ou morto, partes separadas do corpo vivo ou morto); sua
integridade intelectual (liberdade de pensamento, autoria artística, científica ou literária) e
sua integridade moral (honra, identidade pessoal, familiar e social, privacidade,
intimidade).
Assim a personalidade jurídica subjetiva é composta dos direitos da personalidade, isto é, o
conjunto de caracteres próprios e exclusivos do ser humano. A personalidade jurídica
subjetiva não é um direito que a lei concede. É direito inato e, portanto, natural do ser
humano, protegido pela Lei.
Saliente-se que a enumeração constante do Capítulo II, do Título I, da Parte Geral, do
Código Civil não é taxativa (numerus clausus), mas tão somente exemplificativa.
a) Características - art. 11 – são intransmissíveis e irrenunciáveis.
Doutrina: Os direitos da personalidade são intransmissíveis, irrenunciáveis, ilimitados,
indisponíveis, impenhoráveis, imprescritíveis, extrapatrimoniais e vitalícios.
Ressalte-se que a indisponibilidade dos direitos da personalidade é relativa. Exemplos:
disponibilidade da imagem dos modelos, mediante remuneração; doação de órgãos ou
tecidos com finalidade terapêutica ou científica (art. 13. par. único).
b) Classificação
b.1. Direito à integridade física – art.13, 14 e 15 c.c. Lei n. 9434/97- Transplante de
Órgãos.
b.2. Direito à integridadeintelectual – liberdade de pensamento, autoria científica, artística
e literária.
b.3. Direito à integridade moral – liberdade civil, política e religiosa; direito à identidade
(art.16, 17, 18 e 19); direito à imagem (art. 20) etc.
c) Limitações do Direito à Imagem - art. 20, 1ª parte: Salvo se autorizadas*, ou se
necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública...
· pessoas notórias – a difusão de sua imagem sem seu consenso deve estar relacionada à
atividade, sem invasão da sua privacidade.
· cargos públicos – idem
· atendimento ao serviço da administração da justiça ou da polícia - ex. “procura-se”
· interesse público – fins científicos, doenças raras que levem à exposição necessária das
partes do corpo de alguém contaminado, sem que seja possível a sua identificação.
· imagem como parte de um cenário – shows, desfile de carnaval etc.
· identificação compulsória – documentos de identidade.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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* Obs.: O direito à privacidade não se sobrepõe à liberdade de expressão. Por unanimidade,
em 10 de junho de 2015 o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou procedente a Ação
Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4815 e declarou inexigível a autorização prévia para
a publicação de biografias. Seguindo o voto da relatora, ministra Carmen Lúcia, a decisão
dá interpretação conforme a Constituição aos art. 20 e 21 do Código Civil, em consonância
com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença de pessoa
biografada, relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais (ou de seus
familiares, em caso de pessoas falecidas).
Na ADI 4815, a Associação Nacional dos Editores de Livros (ANEL) sustentava que os
artigos 20 e 21 do Código Civil conteriam regras incompatíveis com a liberdade de
expressão e de informação. O tema foi objeto de audiência pública convocada pela relatora
em novembro de 2013, com a participação de 17 expositores.
d) Dano Moral Subjetivo e Dano Moral Objetivo
O dano moral subjetivo é exclusivo da pessoa humana. Conforme disposto no art. 12, a
violação, com ameaça, ou com lesão a direito da personalidade, gera o direito de reclamar
perdas e danos (moral e patrimonial), sem prejuízo de outras sanções (ex. sanções penais).
E a pessoa jurídica? Entende a jurisprudência que a pessoa jurídica tem proteção e
indenização por dano moral.
Ressalte-se, todavia, que a personalidade da pessoa jurídica é só de ordem civil, sendo que
o dano moral suportado pela pessoa jurídica é objetivo. A pessoa jurídica não sofre, não
chora, não suporta dor. Entretanto, é comum a violação de seu prestígio, bom nome,
confiança do público, probidade comercial etc.
Reza o art. 52: Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da
personalidade.
Desta forma, caso a pessoa jurídica seja violada em sua “boa fama” poderá pleitear perdas
e danos (patrimonial e moral objetivo), desde que prove a ocorrência de prejuízo.
_______________________________//______________________________
Individuação da Pessoa - Estado da Pessoal Natural
1. Conceito: o estado (status) da pessoa natural é a soma das qualificações na sociedade,
hábeis a produzir efeitos jurídicos. É, segundo Clóvis Bevilácqua, o modo particular da
pessoa existir.
Aspectos do estado da pessoa natural: individual, familiar e político
O estado individual é o modo de ser da pessoa quanto à idade, sexo, cor, altura, saúde etc.
Vale salientar que algumas dessas particulares (idade e saúde) exercem influência sobre a
capacidade civil (maioridade e menoridade).
O estado familiar é que indica a situação da pessoa na família em relação ao matrimônio
(solteiro, casado, separado, divorciado, viúvo) e ao parentesco consanguíneo (pai, filho,
irmão) ou afim (sogro, genro etc).
O estado político é a qualidade jurídica que decorre da posição do indivíduo na sociedade
política, podendo ser nacional, podendo ser nato (art. 12, I, Constituição Federal) ou
naturalizado (art. 12, II, a, Constituição Federal) ou estrangeiro (art. 12, II, b, Constituição
Federal).
2. Atributos do Estado da Pessoa Natural:
a) Indivisibilidade – ninguém pode ser ao mesmo tempo casado e solteiro, menor e maior.
O estado é uno e indivisível. A opção de dupla nacionalidade se trata de exceção.
b) Indisponibilidade – o estado é inalienável e irrenunciável, embora modificável ao longo
da vida (menor torna-se maior, casado, torna-se viúvo, etc).
c) Imprescritibilidade – não se perde nem se adquire pela passagem do tempo, uma vez
que integra a personalidade.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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3. Individualização da Pessoa – Nome da Pessoa Natural
A identificação da pessoa na sociedade se dá pelo nome, que a individualiza, pelo estado,
que define a sua posição na sociedade política e na família e pelo domicílio, que é o lugar de
sua atividade social.
3.1. Conceito: o nome da pessoa, parte integrante de sua personalidade, é o sinal exterior
pelo qual ela é individualizada e reconhecida no seio da família e na sociedade. O nome é
inalienável, imprescritível e protegido juridicamente – art. 16, 17, 18 e 19 do Código Civil (o
art. 185 do Código Penal tipifica o crime de usurpação de nome). Vale ressaltar que os
criadores intelectuais muitas vezes identificam-se pelo pseudônimo (Ex.: Tristão de Ataíde
– Alceu Amoroso de Lima; Di Cavalcanti – Emiliano de Abulquerque Melo; José Sarney –
José Ribamar Ferreira de Araújo; Xuxa – Maria das Graças Meneghel).
3.2. Natureza Jurídica do Nome: o nome é considerado pela legislação civil como um direito
da personalidade (art. 11 e seg. do Código Civil).
3.3. Aspectos do Nome
a) Aspecto Público – Lei 6017/73 – Lei dos Registros Públicos – art. 54 a 58 cc art. 16 a 19,
CC. O aspecto público do direito ao nome advém do fato de estar ligado ao registro da
pessoal natural. O Estado determina princípios que disciplinam o exercício do nome,
determinando a imutabilidade do prenome (art. 58 da LRP), salvo exceções precedidas de
justificação e autorização de juiz togado (art. 56, 57 e 58).
b) Aspecto Individual - art. 16, CC. Tal aspecto manifesta-se na autorização legal que tem o
indivíduo de usá-lo, fazendo-se chamar por ele e defendê-lo de quem o usurpar. A lei
reprime, ainda, os abusos cometidos por terceiros relacionados com a exposição do nome
sem autorização da pessoa, ridicularizando-o mesmo que não tenha intenção difamatória
(art. 17, CC).
3.4. Elementos constitutivos do nome completo
Prenome – Pode ser escolhido livremente pelos pais, desde que não exponha o filho ao
ridículo (art. 55, parágrafo único). O oficial pode recusar a registrar o nome. Caso os pais
não se conformem com a recusa, o oficial submeterá por escrito o caso à decisão do juiz
competente, independentemente da cobrança de emolumentos. O prenome pode ser
simples (Ana); composto (duplo - Ana Maria; triplo ou quádruplo – Caroline Louise
Marguerite – princesa de Mônaco).
Sobrenome (apelido de família) - Sinal que identifica a procedência da pessoa, indicando a
sua filiação ou estirpe, sendo, pois, imutável. O sobrenome é adquirido com o nascimento
(art. 55, LRP). O sobrenome pode ser lançado de ofício pelo escrivão do ofício diante do
prenome escolhido pelo pai. O sobrenome pode ser do pai, da mãe ou de ambos. Assim,
pode ser simples (Silva) ou composto (Arruda Penteado) e pode ainda vir acompanhado
das partículas de, do, da, dos , das ,etc. (da Silva, de Alencar, etc).
A inscrição do sobrenome ou apelido de família no Registro competente tem caráter
puramente declaratório.
O registro de filhos havidos fora do casamento é regulado pelos art. 59 e 60, LRP. O nome
do pai não será lançado sem que este expressamente o autorize. A Lei 8560/92obriga o
escrivão a remeter ao juiz os dados sobre o suposto pai, que será convocado a reconhecer
voluntariamente o filho. Caso o suposto pai não o faça, os dados serão encaminhado ao
Ministério Público, que poderá promover ação de investigação de paternidade.
O reconhecimento de filhos havidos fora do casamento é irrevogável e será feito nos
moldes previstos no art. 1609, CC, que permite inclusive que se faça por escrito particular,
a ser arquivado em cartório, e também por qualquer espécie de testamento. A aquisição do
sobrenome poderá decorrer também de ato jurídico como adoção, casamento ou por ato do
interessado, mediante requerimento ao magistrado. Na adoção, o adotado deverá adotar o
sobrenome do adotante (art. 1626).
3.5. – Inalterabilidade Relativa do Nome
O princípio da inalterabilidade do nome é de ordem pública. Contudo, tal princípio sofre
algumas exceções:
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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1ª. Exposição do portador ao ridículo – art. 55, par. Único, LRP. Ex.: Sum Tim Am; Graciosa
Rodela D’Alho; Odete Destemida Correta; Antonio Carnaval Quaresma etc.
2ª. Erro gráfico evidente – art. 50 e 110, LRP. Ex.: Osvardo (Oswaldo); Ulice (Ulisses)
Oxinton (Wasghinton). O procedimento é de retificação e não de alteração do nome.
3ª. Causa de embaraços no setor eleitoral e comercial ou em atividade profissional,
evitando-se a homonímia, incluindo-se o sobrenome de família materno.
4ª Apelido notório – art. 58, LRP Ex.: Zezé de Camargo.
5ª. Alteração do nome completo para proteção de vítimas e testemunhas de crimes, bem
como de seu cônjuge, convivente, descendentes e dependentes, mediante requerimento ao
juiz competente para Registros Públicos, ouvido o representante do Ministério Público –
art. 77, § 7º cc. art.58, par. único).
6ª. Alteração voluntária a pedido do interessado assim que completa a maioridade – art.
56, LRP. O interessado, no primeiro ano após ter atingido a maioridade civil pode
pessoalmente ou por meio de procurador, alterar o seu nome, pela via administrativa e por
decisão judicial, desde que não prejudique os apelidos de família. A alteração será
publicada pela imprensa.
7ª. Alteração voluntária a pedido do interessado posterior à maioridade – art. 57, LRP.
Somente por ação de retificação de nome. Tal retificação pode ser usada também para a
inclusão do patronímico do companheiro, no caso da união estável – art. 57, § 3º. A
alteração será publicada na imprensa.
8ª Alteração compulsória de prenome no caso de gêmeos ou irmãos de igual prenome – art.
63. LRP. Os irmãos que tiverem idêntico prenome deverão ser inscritos com prenome duplo
ou nome completo diverso, de modo que possam distinguir-se.
9ª Entendimento Jurisprudencial
a) Alteração do prenome autorizando a tradução de nomes estrangeiros: Ex.: João no caso
de Giovanni, Domingos no caso de Domenico etc.
b) Alteração do nome que consta no Registro para aquele pelo qual a pessoa é conhecida
pessoalmente. Ex.: a pessoa é conhecida (desde o nascimento) como Maria Luciana e em
seu registro consta o nome Maria Clodoalda.
_______________________________________//________________________________
Da capacidade da pessoa natural
1. Conceito
Capacidade jurídica é a medida da personalidade jurídica objetiva da pessoa humana, sendo
visualizada sob aspectos: capacidade de direito e capacidade de exercício.
O conceito da capacidade de direito se equivale ao conceito de personalidade jurídica, ou seja, é a
aptidão genérica que todo ser humano tem para ser sujeito de direitos e deveres na vida civil.
A capacidade de exercício (de fato) é determinante da possibilidade de a própria pessoa exercer os
direitos e deveres por si mesma.
A capacidade plena (de direito e de exercício) é a regra e a incapacidade é a exceção.
2. Incapacidade
A incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil, devendo ser encarada de forma
restritiva. A incapacidade tem como finalidade a proteção das pessoas que não adquiriram a faculdade
de manifestar a sua vontade e, desta forma, praticar por si próprias os atos da vida civil. Quem não é
plenamente capaz necessita de outra pessoa, isto é, de outra vontade que substitua ou complete sua
própria vontade no campo jurídico.
A incapacidade possui uma gradação, podendo ser absoluta (art. 3º) ou relativa. (art. 4º)
Para a prática dos atos jurídicos, o absolutamente incapaz deve ser representado por quem a Lei
determina.
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A incapacidade absoluta é a proibição total do exercício dos direitos e deveres pelo incapaz,
acarretando, em caso de violação do preceito, a nulidade do ato, conforme disposto no art. 166, I.
O relativamente incapaz pode praticar os atos da vida civil por si próprio, desde que assistido por
quem a Lei determina. O efeito da violação dessa norma é gerar a anulabilidade do ato jurídico, nos
termos do art. 171, I.
 
2.1. Incapacidade Absoluta
 
A Lei nº 13.146, de 6.7.2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, ou Estatuto da
Pessoa com Deficiência, alterou os artigos 3º e 4º do Código Civil de 2002, que arrolavam,
respectivamente, os absolutamente e os relativamente incapazes.
 
Agora, conforme o art. 3º do CC/2002:
 
Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16
(dezesseis) anos.
 
Antes do Estatuto da Pessoa com Deficiência, havia ainda no rol dos absolutamente incapazes: os
que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática
desses atos; os que, ainda que, por motivo transitório, não puderem exprimir sua vontade.
 
Restou somente o critério de idade. Saliente-se que no direito comparado, a matéria é tratada de
modo diverso. Na Alemanha, só é absolutamente incapaz o menor de 7 anos de idade, sendo que dos
7 aos 18, necessita do consentimento dos representantes. Na França não há estabelecimento de limite
de idade, sendo que o juiz, no caso concreto, verifica se a pessoa já chegou ou não à idade do
discernimento.
No Brasil, o absolutamente incapaz para a prática dos atos da vida civil é representado pelos pais
(detentores do poder familiar), por um dos pais (caso um deles seja falecido, ausente ou interditado).
Caso os pais faleçam ou os pais (ambos) sejam destituídos do poder familiar, haverá a nomeação de
um tutor que representará o absolutamente incapaz.
 
As pessoas com deficiência mental ou intelectual (art. 1.769, I, CC) estarão sujeitas à tutela ou à
curatela, desde que ocorra em processo próprio a prova da necessidade, de caráter permanente e
duradouro, decorrentes de enfermidade (doenças mentais congênitas ou adquiridas) ou deficiência
mental (oligofrenias), as quais tenham o condão de acarretar a privação do necessário discernimento
para a prática dos atos da vida civil.
 
 
2.2. Incapacidade Relativa
 
A Lei nº 13.146, de 6.7.2015, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, ou Estatuto da
Pessoa com Deficiência, alterou os artigos 3º e 4º do Código Civil de 2002, que arrolavam,
respectivamente, os absolutamente e os relativamente incapazes.
 
A incapacidade relativa diz respeito àqueles que podem praticar por si os atos da vida civil desde que
assistidos por quem o direito positivo encarrega de tal ofício, em razão de parentesco, de relação de
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ordem civil ou de designação judicial. O relativamente incapaz pode praticar os atos da vida civil por si
próprio, desde que assistido por quem a Lei determina (pais, tutor ou curador). O efeito da violação
dessa norma é gerar a anulabilidade do ato jurídico, nos termos do art. 171, I.
 
Art. 4º São incapazes, relativamentea certos atos, ou à maneira de os exercer:
I – os maiores de 16 anos e menores de 18 anos;
II – os ébrios habituais e os viciados em tóxicos;
III – aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade;
IV – os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
 
Inciso I – hipótese relacionada ao fator idade.
Em alguns casos elencados em lei, o menor relativamente incapaz pode praticar certos atos e
negócios jurídicos, sem assistência: art. 666, CC, aceitar mandato (pode ser mandatário ou
procurador); art. 1860, CC, fazer testamento; art. 228, I, CC, ser testemunha em juízo.
 
A embriaguez habitual e a dependência em drogas tóxicas, além dos mais diversos sintomas de
ordem física, reduzem consideravelmente as habilidades mentais do ser humano.
As pessoas viciadas em bebidas alcoólicas ou em drogas entorpecentes podem ser consideradas
relativamente incapazes, nos termos do art. 4º, II, CC.
O consumo moderado de álcool, em regra, não acarreta a limitação da capacidade. Contudo, uma
pessoa que, no momento da embriaguez ou sob o efeito de drogas, pratique um ato ou negócio
jurídico, pode vir a ser considerada como relativamente incapaz para tanto (não pode exprimir sua
vontade por causa transitória). O negócio jurídico que praticou pode vir a ser anulado. O exame da
incapacidade transitória depende de averiguação da situação concreta.
Ressalte-se que, tanto o alcoolismo quanto a toxicomania podem resultar em doenças mentais que,
permanentemente, resultem na total impossibilidade de praticar os atos da vida civil. Desta forma,
tanto a ingestão de álcool, quanto de drogas, pode acarretar a sujeição à curatela.
 
Importante: O menor entre 16 e 18 anos de idade, se dolosamente ocultou sua idade ou se
espontaneamente se declarou maior, no ato de se obrigar, não poderá eximir-se do cumprimento de
uma obrigação ou anulá-la.– art. 180, CC. Se não houve malícia por parte do menor, anula-se o ato.
Contudo, se ficar provado que o pagamento reverteu-se em benefício do menor, determina-se a
restituição de tal pagamento (art. 181, CC).
Inciso II -A embriaguez habitual e a dependência em drogas tóxicas, além dos mais diversos sintomas
de ordem física, reduzem consideravelmente as habilidades mentais do ser humano. O álcool interfere
negativamente sobre a função mental, alterando o aprendizado e diminuindo o poder de associação,
atenção e concentração, dificultando, ainda, a formação de pensamentos e a capacidade de raciocinar
concisamente e com clareza. Por sua vez, as drogas tóxicas, substâncias químicas naturais ou
sintéticas, têm a faculdade de agir sobre o sistema nervoso central, com tendência ao tropismo pelo
cérebro que comanda o corpo, alterando a normalidade mental ou psíquica, desequilibrando a conduta
e a personalidade.
Ressalte-se, por fim, que toda pessoa maior considerada impossibilitada de pleno discernimento deve
ser representada ou assistida por um curador devidamente nomeado pelo Estado, para os atos da
vida civil.
A sentença no processo que define os termos da curatela, em que se nomeia curador, é de natureza
declaratória, ou seja, a decisão não gera a falta de discernimento.
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Os negócios jurídicos praticados antes da sujeição à curatela já se encontravam, portanto, eivados de
nulidade absoluta ou relativa. Contudo, deve se prestigiar a boa-fé dos terceiros que contrataram. Se
inexistentes indícios reveladores de que a pessoa havia perdido o discernimento ou o tinha em grau
limitado, o terceiro de boa-fé não deve ser prejudicado.
Inciso IV– Pródiga é a pessoa que gasta desordenadamente e de forma excessiva o seu patrimônio. A
prodigalidade deve ser declarada por sentença judicial. Desta forma, enquanto não é declarado como
pródigo, o indivíduo é capaz para todos os atos.
O art. 1782 dispõe: A interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar
quitação, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não
sejam de mera administração.
Excluídos os atos elencados na regra, inclusive os que não sejam de mera administração, o pródigo
pode praticar todos os demais atos da vida civil sem a assistência de curador.
Quem poderá requerer a interdição dos pródigos?
 
Art. 1768 – O processo que define os termos da curatela deve ser promovido:
I – pelos pais ou tutores
II – pelo cônjuge, ou por qualquer parente;
III – pelo Ministério Público;
IV – pela própria pessoa.
 
Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.
A capacidade dos índios será regulada por legislação especial (Decreto nº 564/1992 – Estatuto da
Funai; Lei nº 6001/1973 – Estatuto do Índio).
 
Os índios que vivem nas comunidades não integradas à civilização já nascem sob tutela. Assim, desde
o nascimento, independentemente de qualquer medida judicial, são declarados incapazes até que
preencham os requisitos elencados no art. 9º da Lei 6001/73 – Estatuto do Índio (idade mínima de 21
anos; conhecimento da língua portuguesa, habilitação para o exercício de atividade útil à comunidade
nacional, razoável compreensão dos usos e costumes da comunhão nacional) e mais, que sejam
liberados por ato judicial ou por ato da FUNAI homologado pelo órgão judicial.
Vale lembrar que o Presidente da República, por decreto, pode declarar a emancipação de uma
comunidade indígena e de seus membros.
2.3. Modo de Suprimento da Incapacidade – representação lato sensu (representação e
assistência)
A representação se trata de relação jurídica mediante a qual certa pessoa se obriga diretamente
perante terceiro, por meio de ato praticado em seu nome por um representante ou intermediário.
Desta forma, com exceção dos atos personalíssimos, os atos jurídicos podem ser praticados por
intermédio da representação, uma vez, que, nos termos do art. 116 “A manifestação de vontade pelo
representante, nos limites de seus poderes, produz efeitos em relação ao representado”.
Reza o art. 115 que os poderes de representação são conferidos pela lei ou pelo interessado. Tal
artigo elenca duas das espécies de representação existentes no ordenamento jurídico: a legal e a
convencional.
A representação legal: é aquela na qual a norma jurídica confere poderes para administrar bens
alheios, como: os pais, em relação aos filhos menores (art.1634, V e 1690); os tutores, em relação
aos pupilos (art. 1747, I) e os curadores, quanto aos curatelados (art. 1774).
 Art. 1634, V: Compete aos pais, quanto à pessoa dos filhos menores representá-los, até aos 16
anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-
lhes o consentimento.
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 Art. 1690: Compete aos pais, e na falta de um deles ao outro, com exclusividade, representar os
filhos menores de 16 nos, bem como assisti-los até completarem a maioridade ou serem
emancipados.
 Art. 1747, I: Compete ao tutor, representar o menor, até 16 anos, nos atos da vida civil, e
assisti-lo após essa idade, nos atos em que for parte.
 Art. 1774: Aplicam –se à curatela as disposições concernentes à tutela.
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MÓDULO 3
 
Cessação da Incapacidade – Extinção da personalidade da pessoa natural
1. Maioridade: A menoridade cessa aos 18 (dezoito) anos completos, quando a
pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil (art. 5º, caput).
2. Emancipação: os incisos, do parágrafo único, do art. 5º, elencam as hipóteses
de emancipação. A emancipação pode ser: voluntária; judicial e legal.
a) Emancipação voluntária(concedida pelos pais) – art. 5º, par. único, I, 1ª parte:
pela concessão dos pais, ou de um deles na falta de outro, mediante instrumento
público, independentemente de homologação, se o menor tiver 16 anos completos.
Caso os pais não concordem entre si, a divergência em relação à emancipação será
dirimida pelo juiz. Faz-se, pois, necessário o suprimento judicial (art. Art. 1631,
par. único).
A emancipação voluntária não exime os pais da obrigação de indenizar as vítimas
de atos ilícitos praticados pelo menor emancipado, conforme entendimento do
Supremo Tribunal Federal.
b) Emancipação judicial (por sentença para evitar emancipações destinadas a livrar
o tutor do ônus da tutela) - art. 5º, par. único, I, 2ª parte: por sentença do juiz,
ouvido o tutor, se o menor tiver 16 anos completos.
c) Emancipação legal – art. 5º, par. único, II (pelo casamento; III (pelo exercício
de emprego público efetivo; IV (pela colação de grau em curso de ensino superior
e V (pelo estabelecimento civil, ou pela existência de emprego, desde que em
função deles, o menor com 16 anos completos tenha economia própria).
Importante: As emancipações voluntária e judicial devem ser registradas em livro
próprio no Cartório de Registro Civil da comarca do domicilio do menor (art. 9º,
II). Antes do registro não produzem efeitos. A emancipação legal independe de
registro e produz efeitos desde o fato ou o ato que a provocou.
Emancipação é irrevogável. Contudo a irrevogabilidade não se confunde com
invalidade do ato (nulidade ou anulabilidade que podem ser reconhecidas
judicialmente). Vale ressaltar que o casamento válido emancipa o menor. A viuvez
e a separação eventual não têm o condão de retornar o menor à condição de
incapaz. Caso o menor tenha contraído o casamento de boa-fé e depois o
casamento seja anulado (casamento putativo), a emancipação é irrevogável.
Contudo se o menor contraiu o casamento de má-fé e o mesmo vem a ser
considerado nulo, o menor retorna à sua condição de incapaz.
Extinção da Personalidade da Pessoa Natural – artigos 6º, 7º e 8º.
A personalidade da pessoa natural extingue-se com a morte real, que pode ser
simultânea (comoriência). A doutrina admite as seguintes espécies de morte:
a) Morte real – art. 6º, 1ª parte. A prova da morte real se faz com o atestado de
óbito ou pela justificação, em caso de catástrofe e não encontrado o corpo (Lei
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6015/73, art. 88).
Com a morte real, além da extinção da personalidade civil, há a extinção do poder
familiar, a dissolução do vínculo matrimonial, a extinção dos contratos
personalíssimos, a extinção da obrigação de pagar alimentos, penalmente ocorre a
extinção da punibilidade.
b) Morte simultânea ou comoriência – art. 8º - Se dois indivíduos falecerem na
mesma ocasião (não precisa ser no mesmo lugar) não se podendo averiguar qual
deles morreu primeiro, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
Caso duas (ou mais pessoas) morram em certo acidente, somente interessa saber
qual delas morreu primeiro se uma for herdeira ou beneficiária da outra. O
principal efeito da comoriência é que um herdeiro não herda do outro (não há
transferência de bens entre os herdeiros). Exemplo: num acidente morrem marido
e mulher sem descendentes, nem ascendentes, sendo impossível saber quem
morreu primeiro. Os irmãos do marido ficarão com a meação dele e os irmãos da
mulher ficarão com a meação dela. Contudo, se um dos cônjuges faleceu primeiro,
o outro cônjuge herda a meação do falecido. Falecendo em seguida, seus irmãos
herdarão o todo.
c) Morte presumida
· Com declaração de ausência – art. 6º, 2ª parte: nos casos em que a lei autoriza a
abertura da sucessão definitiva.
A ausência é o instrumento jurídico pelo qual se protegem os interesses daquele
que se afastou de seu domicílio e do qual não há notícias, sem deixar procurador
ou representante, ou, ainda, na hipótese de ter deixado mandatário, este não
queira, não possa exercer, não possa continuar o mandato ou com poderes
insuficientes.
O novo Código Civil, acertadamente, exclui a ausência do rol de incapacidade
absoluta, tratando o instituto de forma autônoma (art. 22 ao art. 39).
Não há incapacidade na ausência, mas apenas uma necessidade de proteger os
interesses do desaparecido devido, sua impossibilidade material de cuidar de seu
patrimônio e a impraticabilidade jurídica de se conciliar o abandono com a
conservação dos direitos.
O ausente deve ser declarado como tal pelo juiz (sentença declaratória). Convém
salientar que a morte presumida do ausente acrescenta nova hipótese de
dissolução do casamento, conforme disposto no § 1º do art. 1571.
· Sem declaração de ausência – art. 7º, I e II.
Se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida e se
alguém desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não foi encontrado até
dois anos após o término da guerra (art. 7º, I e II). Conforme o par. único do art.
7º, a declaração da morte presumida nas referidas hipóteses só poderá ser
requerida depois de esgotadas todas as buscas e averiguações, devendo a
sentença fixar a data provável do óbito.
É admissível, em nosso ordenamento jurídico, a morte civil?
Resposta: Não.
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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A morte civil era existente no Direito Romano (escravos) e na Idade Média,
especialmente para aqueles que eram condenados a penas perpétuas ou que
abraçavam a profissão religiosa.
Contudo, atualmente, em nosso ordenamento jurídico, há resquícios da morte civil
(não se trata de morte civil). Exemplo: art. 1816 – afastamento do herdeiro por
indignidade como se ele fosse morto antes da abertura da sucessão, para afastá-lo
da herança (tal pessoa conserva a sua personalidade para os de mais efeitos). Na
legislação militar (Decreto-lei n.3.038/41), caso o oficial indigno perca o seu posto
e a respectiva patente, a sua família percebe as pensões como se tal oficial tivesse
falecido.
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DOS REGISTROS PÚBLICOS.
O registro público torna de conhecimento da sociedade e acessíveis aos
especificamente interessados dados relevantes para a preservação dos
direitos e da segurança jurídica.
O art. 9º do CC determina que serão registrados em cartório:
I. Os nascimentos, casamentos e óbitos.
II. Emancipação por outorga dos pais ou por autorização judicial.
III. Interdição, seja relativa ou absoluta a incapacidade.
IV. Sentença declaratória de ausência ou de morte presumida.
O art. 10 do CC determina a averbação em registro público:
I. das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio,
a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal.
II. dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação.
______________________________________________//___________________
DA AUSÊNCIA:
Conceito: Ausência é o instrumento jurídico pelo qual se protegem os interesses
daquele que se afastou de seu domicílio e do qual não há notícias, sem deixar
procurador ou representante, ou, ainda, na hipótese de ter deixado mandatário,
este não queira, não possa exercer, não possa continuar o mandato ou com
poderes insuficientes.
O Código Civil atual, diferentemente do revogado, acertadamente, exclui a
ausência do rol de incapacidade absoluta, tratando o instituto de forma autônoma
(art. 22 ao art. 39).
Não há incapacidade na ausência, mas apenas uma necessidade de proteger os
interesses do desaparecido devido, sua impossibilidade material de cuidar de seu
patrimônio e a impraticabilidade jurídica de se conciliar o abandono com a
conservação dos direitos.
Fases da ausência
07/02/2023 23:28 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.
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