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1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRIBUIÇÃO DA PSICANÁLISE PARA PSICOMOTRICIDADE 
CONTRIBUIÇÕES DA PSICANÁLISE PARA 
PSICOMOTRICIDADE 
 
 
 
 
 
2 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de um 
grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade 
capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de conhecimento, 
aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a participação no 
desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua formação 
continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos científicos, técnicos 
e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, transmitindo e propagando 
os saberes através do ensino, utilizando-se de publicações e/ou outras normas de 
comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de forma 
confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de 
uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 2 
Introdução .................................................................................................................. 4 
Conceitos importantes advindos da Psicanálise para o desenvolvimento 
humano ...................................................................................................................... 7 
Inconsciente ............................................................................................................................ 7 
Desejo ..................................................................................................................................... 9 
Transferência ........................................................................................................................ 10 
Sublimação/Pulsão ................................................................................................................ 12 
Ego, ID e Superego ................................................................................................................ 13 
Self......................................................................................................................................... 15 
A teoria psicanalítica de Sigmund Freud (1856-1939) .......................................... 15 
A Teoria da Personalidade e a Psicologia Individual de Alfred Adler (1870-1937)
 .................................................................................................................................. 18 
A “teoria da posição” e os conceitos pós-freudianos dados por Melanie Klein 
(1882-1960) ............................................................................................................... 22 
A imagem do corpo segundo Paul Schilder (1886-1940) ..................................... 24 
O desenvolvimento humano para Erik Erikson (1904-1994) ................................ 25 
O eu, o espelho e as contribuições de Jacques Lacan (1901-1981) ................... 28 
O apego na teoria de Konrad Lorenz (1903-1989) ................................................ 30 
Referências .............................................................................................................. 32 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
Introdução 
 
A Psicanálise é um método de tratamento de transtornos mentais, moldada 
pela teoria Psicanalítica. 
Em outras palavras é um campo de conhecimento que a partir de 
investigações teóricas busca conhecer e resolver problemas que surgem na psique 
humana, tendo origem na medicina e desenvolvida por Sigmund Freud (1856-1939). 
Também podemos inferir que a psicanálise promove a consciência de 
padrões de emoções e comportamentos inconscientes, desadaptativos e 
habitualmente recorrentes. Isso permite que aspectos anteriormente inconscientes 
do self se integrem e promovam um ótimo funcionamento da mente, cura e 
expressão criativa. 
 
 
Figura 1 - O que é Psicanálise? 
 
 
 
 
 
 
5 
Tendo por objeto de estudo o inconsciente, a psicanálise quebra com a 
tradição da psicologia como ciência da consciência e da razão. Foi a investigação 
destes processos psíquicos que levou Freud à criação da psicanálise. 
 
Fundamentos da teoria psicanalítica 
1) Os processos psíquicos são em sua imensa maioria inconscientes, a 
consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total; 
2) Os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas 
tendências sexuais. 
 
Mediante os dois fundamentos da teoria psicanalítica em destaque acima, 
Freud buscou explicar a vida humana (pessoal e individual, mas também pública e 
social) recorrendo às tendências sexuais a que chamou de libido. Com esse termo, o 
pai da psicanálise designou a energia sexual de maneira mais geral e 
indeterminada. Assim, por exemplo, em suas primeiras manifestações, a libido liga-
se a outras funções vitais: no bebê que mama, o ato de sugar o seio materno 
provoca outro prazer além do de obter alimento e esse prazer passa a ser buscado 
por si mesmo. 
Posto isso, a psicanálise compreende as grandes manifestações da psique 
como um conflito entre as tendências sexuais ou libido e as fórmulas morais e 
limitações sociais impostas ao indivíduo. Esses conflitos geram os sonhos, que 
seriam, segundo a interpretação freudiana, as expressões deformadas ou simbólicas 
de desejos reprimidos. Geram também os atos falhos ou lapsos, distrações 
falsamente atribuídas ao acaso, mas que remetem ou revelam aqueles mesmos 
desejos (https://educacao.uol.com.br/). 
Por que estamos falando tanto em Freud? Simples: não só ele, mas outros 
psicanalistas também trouxeram contribuições para a Psicomotricidade! 
Por exemplo, Erik Erikson (1902-1994) é outro teórico associado à 
Psicanálise. Erikson expandiu as teorias de Freud e enfatizou a importância do 
crescimento ao longo da vida. A teoria do estágio psicossocial da personalidade de 
 
 
 
 
 
6 
Erikson permanece influente hoje em nossa compreensão do desenvolvimento 
humano. 
Outros nomes interessantes da Psicanálise foram: Alfred Adler (1870-1937); 
Carl Jung (1875-1961); Melanie Klein (1882-1960); Sandor Ferenczi (1873-1933); 
Anne Freud (1895-1982); Jacques Lacan (1901-1981). 
Quanto a teóricos que uniram psicanálise, neurologia, filosofia e outras áreas 
afins, trazendo contribuições para as relações corporais do sujeito podemos citar 
Paul Schilder (1886-1940). 
Cabral (2011) conta que entre 1970 e 80 há influência da nova leitura da 
psicanálise sobre a psicomotricidade. Diatkine e Lebovici integram os conceitos de 
Lacan e os publicam em livros que tratam também da teoria da psicomotricidade e 
participam das Jornadas anuais de Psicomotricidade promovidas pelo recém-criado 
sindicato de Psicomotricistas. 
Há a partir daí grande produção teórica de psicanalistas sobre a 
psicomotricidade: Jolivet, Gibello, Jean Daniel Stucki, Danielle Flagey, Pierre Barrès 
e Sami-Ali. Os psicanalistas também dão supervisão a psicomotricistas, mas 
determinam uma diferença entre os dois atendimentos: 
• O uso da linguagem: os psicomotricistas não interpretam e nem intervém 
verbalmente. 
• A transferência é reconhecida, mas não trabalhada diretamente na terapia 
psicomotora. 
Alguns destes teóricos balizarão nossos estudos ao longo do módulo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 
Conceitos importantes advindos da Psicanálise para o 
desenvolvimentohumano 
Os conceitos centrais da psicanálise são: 
✓ Inconsciente 
✓ Desejo 
✓ Transferência (correlato do inconsciente na prática clínica) 
✓ Pulsão (articulação do psíquico e somático) 
✓ Ego, Id e Superego 
✓ Self... 
 
Inconsciente 
A palavra inconsciente possui duplo significado. Ela define todos aqueles 
processos mentais que ocorrem sem que o indivíduo se dê conta. Sem que tenha 
consciência sobre eles. Esse é o significado mais amplo, – ou genérico – atribuído 
ao termo. 
A equipe do site Psicanálise Clínica (2017) explica que a maior parte dos 
pesquisadores empíricos da psicologia e psicanálise defendem a existência desses 
processos. No entanto, quando esse termo é apropriado pela psicanálise, ele se 
torna um conceito. Por isso, dentro desse campo de pesquisa e trabalho, ela 
assume um significado mais específico. 
Para explicar esse conceito, o exemplo mais básico e usado didaticamente é 
a metáfora do Iceberg! 
A parte emersa do iceberg, aquela facilmente visível, representa apenas um 
pequeno pedaço de sua verdadeira dimensão. Sua maior parte permanece 
submersa, escondida sob as águas. Assim é a mente humana. Aquilo que 
comumente entendemos como nossa mente é apenas a ponta do iceberg, o 
consciente. Enquanto o inconsciente é esse pedaço submerso e insondável. 
 
 
 
 
 
8 
 
 
Figura 2 - Metáfora do Iceberg - o inconsciente e o consciente humano 
 
Também podemos definir como o conjunto de processos psíquicos 
misteriosos para nós mesmos. Nesse conjunto estariam explicados os nossos atos 
falhos, nossos esquecimentos, nossos sonhos e até mesmo paixões. Uma 
explicação, no entanto, inacessível para nós mesmos. Desejos ou memória 
reprimidas, emoções banidas do nosso consciente – por serem dolorosas, ou de 
difícil controle – se encontram no inconsciente, praticamente inacessíveis para a 
razão. 
Essa definição pode variar dentro da própria psicanálise. Isso porque 
diferentes autores identificaram diferentes aspectos dessa parte de nossa mente. 
(https://www.psicanaliseclinica.com/o-que-e-inconsciente/). 
Para Laplanche (1981 apud Honda 2013, p. 52): 
 
 
 
 
 
 
9 
O inconsciente é individual; para ser escandaloso, eu diria que ele está na 
cabeça de cada indivíduo. O inconsciente é essa parte de sua história 
subtraída não só [...] ao tecido das significações convencionais, mas 
subtraída também a toda intenção de comunicação [...]. Somente a 
metodologia inventada por Freud - e não uma metodologia pretensamente 
orientada para o significante -, que alia indissoluvelmente livres associações 
e situação analítica, permite reabrir parcialmente, de um modo precário, de 
um modo sempre rediscutido, um inconsciente sempre prestes e pronto a se 
fechar de novo à comunicação, pois que esse fechamento é inerente à 
própria essência de sua constituição. 
 
Desejo 
Vontade, necessidade, desejo... palavras que usamos corriqueiramente não é 
verdade? Mas e para a Psicanálise, será que tem relação com esse sentido 
cotidiano? 
De acordo com Guerra (2015), na teoria freudiana, o desejo passa a ser 
abordado em nível de atividade inconsciente como um impulso psíquico em direção 
ao restabelecimento de uma situação não mais possível de satisfação, originalmente 
experimentada remotamente em nível inconsciente, em algum momento passado. 
Seria algo como uma nostalgia gerada inconscientemente de um objeto perdido. 
Lacan posteriormente formalizará essa noção de nostalgia inconsciente de um 
objeto perdido, cujo encontro nunca se efetivará, no seu conceito de “objeto a” (Aqui 
o a minúsculo é a primeira letra da palavra francesa “autre”, que significa “outro” em 
português. Essa alusão refere-se à importância do outro na constituição da 
subjetividade humana). 
 
 
 
 
 
10 
 
Figura 3 - Definição de Desejo segundo Freud 
 
Portanto, um objeto (coisa ou pessoa) que produza satisfação nunca pode ser 
objeto de desejo no sentido psicanalítico. O objeto de desejo em psicanálise é 
sempre uma falta. O desejo se realiza nos objetos, mas o que esses objetos 
expressam ou indicam é uma falta, uma presença de uma ausência. 
 
Transferência 
A transferência é um elemento muito importante para a psicanálise. Durante a 
análise é importante que haja pouca intervenção do psicanalista. A fim de que o 
paciente possa projetar os seus pensamentos e os seus sentimentos. Esse processo 
é denominado de transferência. Por meio da transferência, o paciente pode 
reconstruir e resolver conflitos reprimidos (causadores de sua doença). 
Principalmente conflitos da infância com seus pais. 
Para Laplanche e Pontalis (2008, p. 514), transferência designa em 
psicanálise o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre 
determinados objetos no quadro de certo tipo de relação estabelecida com eles. 
Trata-se aqui de uma repetição de protótipos infantis vivida com um sentimento de 
atualidade acentuada. 
Freud notou em seus pacientes o movimento da transferência, atentou que 
em determinados momentos na análise, os pacientes se relacionavam com ele, 
 
 
 
 
 
11 
como se ele fosse “o pai”, com medo da autoridade supostamente exercida por parte 
deste Pai. Contudo, Freud percebeu que seus pacientes não se davam conta, sendo 
isso, uma manifestação inconsciente. 
Desta maneira, Freud se questiona: 
-”O que são transferências, afinal? ” 
Ele mesmo responde a sua indagação 
-”São reedições dos impulsos e fantasias despertadas e tornadas 
“conscientes” durante o desenvolvimento da análise e que trazem como 
singularidade característica a substituição de uma pessoa anterior, pela pessoa do 
médico”. 
Para melhor dizê-lo: toda uma série de acontecimentos psíquicos ganha vida 
novamente, agora não mais como passado, mas como relação atual com a pessoa 
do médico. 
A partir deste dado, Kupfer (2005) demonstra que um professor pode tornar-
se a figura a quem serão focados os interesses do seu aluno, porque é objeto de 
uma transferência. E o que se transfere nada mais são do que as experiências 
vividas primitivamente com os progenitores. 
Essa descoberta nos leva a inferir que o professor tem sim, poder sobre o 
aluno, mas este poder não vem como a concepção que o senso comum tem da 
palavra poder. Este poder é calcado pelo desejo do aluno, é ele quem deposita 
naquela figura, o tal “poder” ou o “suposto saber”. O professor, em si, é apenas um 
mero objeto depositário, aquele por quem o desejo do aluno optou. 
Laplanche e Pontalis (2008) explicam que transferir é imputar um sentido 
especial àquela figura determinada pelo desejo. Isso pode tornar-se complicado a 
partir do instante que o professor se torna depositário de algo que pertence ao 
aluno, com isso, inevitavelmente tais figuras ficam carregadas de uma “importância 
especial”. E é dessa “importância” que deriva o poder, que indubitavelmente têm 
sobre o sujeito. 
Contudo, é interessante acentuar que quem investe é o desejo do aluno, isso 
é explicado ou demostrado, quando um aluno diz que “resolveu” fazer letras pois o 
 
 
 
 
 
12 
professor lhe despertou essa “vontade”, mesmo que professor não seja nenhum 
grande teórico nesta área, mas como nos mostra Kupfer (2005), a transferência 
mostra que o dito professor foi investido pelo desejo do aluno. Cuidado especial para 
o rumo de poder, pois ao longo da história, a experiência nos mostra que é muito 
tentador ao mestre abusar deste poder. O professor poderia usá-lo para dominar o 
aluno, imputar-lhe seus próprios valores e ideias. Ou seja, impor seu desejo. 
 
Sublimação/Pulsão 
Do ponto de vista da química, a sublimação é uma passagem direta do estado 
sólido para o gasoso, sem passar pelo estado líquido. O termo indica ainda um 
movimento de ascensão ou elevação daquilo que se sustenta no ar. Várias 
definições do termo sublimar ligam-se à ideia de ascensão, de verticalidade e de 
transcendência (JORGE, 2008 apud MENDES, 2011). 
Ainda é no Vocabuláriode Psicanálise de Laplanche e Pontalis (2008, p. 494) 
que buscamos o conceito de sublimação como sendo “o processo postulado por 
Freud para explicar atividades humanas sem qualquer relação aparente com a 
sexualidade, mas que encontrariam o seu elemento propulsor na força da pulsão 
sexual”. 
Ou seja, Freud conceituou este termo em 1905 para um tipo particular de 
atividade humana (criação literária, artística, intelectual) que não tem nenhuma 
relação aparente com a sexualidade, mas que arranca sua força da pulsão sexual, 
na medida em que esta desloca para um alvo não sexual, investindo objetos 
socialmente valorizados (ROUDINESCO; PLON, 1998 apud LIRA; ROCHA, 2012). 
O conceito de sublimação é de suma importância, pois através dele, pode-se 
explicar as diversas formas que um sujeito pode desejar sem deixar que isso 
interfira, de maneira negativa, na sua relação com o outro. Um sujeito que é 
considerado um gênio (na arte, na ciência, na música) é valorizado por tal 
empreitada. Porém, quando esta pulsão é voltada para objetos sexuais, ele é 
repreendido, pois a cultura e os valores pregados por esta, são de que você precisa 
abrir mão de uma determinada liberdade pulsional, em prol de um pouco de 
segurança. 
 
 
 
 
 
13 
Relacionando isto com a educação, temos que ter em mente que as bases da 
sublimação se dão através das pulsões sexuais, sendo assim, é como se ocorresse 
uma ação educativa que propusesse a desarraigar o “mal”. 
Kupfer (2005) fala sobre comparar Freud aos pedagogos da época, que 
acreditavam que a criança vinha com um “mal originário” e que através da 
educação, esse mal evaporaria. Só que Freud diferencia-se deste pedagogo a partir 
do instante que mostra que não quer desarraigar mal algum, ele apenas propõe que 
esse dito “mal” se canalize em direção a valores superiores, aos bens culturais, algo 
que possa ser útil a sociedade. 
 
Ego, ID e Superego 
O ego é a parte organizada do sistema psíquico que entra em contato direto 
com a realidade e tem a capacidade de atuar sobre ela numa tentativa de 
adaptação. O ego é mediador dos impulsos instintivos do id e das exigências do 
superego (BOTELHO, 2017). 
O ego representa a razão ou a racionalidade, ao contrário da paixão insistente 
e irracional do ID. 
O ID é fonte da energia psíquica, é formado por pulsões e desejos 
inconscientes. Sua interação com as outras instâncias é geralmente conflituosa, 
porque o ego, sob os imperativos do superego e as exigências da realidade, tem que 
avaliar e controlar os impulsos do id, permitindo sua satisfação, adiando-a ou 
inibindo-a totalmente (BOTELHO, 2017). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14 
 
Figura 4 - Representação do ego, id e superego 
 
De maneira simples, o Id representa os processos primitivos do pensamento e 
as características atribuídas ao sistema inconsciente. É regido pelo princípio do 
prazer e apresenta origem orgânica/hereditária, estando ligado ao impulso sexual. 
Por sua vez, o superego é a parte moral da mente humana que representa os 
valores da sociedade. O superego tem três objetivos: 
a) Reprimir, por meio de punição ou sentimento de culpa, qualquer impulso 
contrário às regras e ideais; 
b) Forçar o ego a se comportar de maneira moral, mesmo que irracional; 
c) Conduzir o indivíduo à perfeição. 
O superego forma-se após o ego, enquanto a criança assimila os valores 
recebidos dos pais e da sociedade. Ele pode funcionar de uma maneira bastante 
primitiva, punindo o indivíduo não apenas por ações praticadas, mas também por 
pensamentos inaceitáveis. O superego tem o pensamento dualista (tudo ou nada, 
certo ou errado, sem meio-termo) e está sempre em conflito com o ID, ou seja, é 
formado a partir das identificações com os pais, dos quais assimila ordens e 
proibições. Assume o papel de juiz e vigilante, uma espécie de autoconsciência 
 
 
 
 
 
15 
moral. É o controlador por excelência dos impulsos do ID e age como colaborador 
nas funções do ego. Pode tornar-se extremamente severo, anulando as 
possibilidades de escolha do ego (BOTELHO, 2017). 
 
Self 
O Self corresponde a um sistema altamente personalizado e subjetivo que 
interpreta e torna significativas as experiências do organismo. É criador, unitário, 
consistente e soberano na estrutura da personalidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A teoria psicanalítica de Sigmund Freud (1856-1939) 
 
 
 
 
 
16 
Segundo Xavier e Nunes (2013), a forma de pensar o desenvolvimento 
humano tem se dado de diferentes maneiras ao longo da história da Psicologia 
desde sua fundação por Willhem Wundt em 1816. Esta ciência, em seu processo de 
construção no seio de intensas transformações econômicas, políticas e sociais, tem 
gerado múltiplos enfoques e, por conseguinte, diferentes visões sobre o homem em 
sua constituição física, mental e afetivo-social. 
Dentre as várias teorias existentes, sejam elas amplas, flexíveis e/ou plurais, 
vamos começar com as contribuições teóricas de Freud, sempre focando a questão 
do desenvolvimento humano, diga-se de passagem, complexo por si só. 
Sigmund Freud, médico psiquiatra vienense, é o fundador da teoria 
psicanalítica que serve de base para o surgimento das teorias neopsicanalíticas 
desenvolvidas por teóricos tais como Eric Erikson (1950), Margareth Mahler (1977), 
Spitz (1954) dentre outros. Freud ao colocar em dúvida a abordagem organicista da 
psiquiatria do seu tempo, desenvolve uma abordagem psicológica para estudo das 
doenças mentais em que, mesmo usando o modelo cartesiano de ciência contrapõe-
se aos racionalistas acerca da razão humana. Na visão freudiana o homem é 
grandemente comandado pelo inconsciente. Racionalidade (consciente) e 
irracionalidade (inconsciente) não se opõem, constituem as bases dialéticas de um 
único processo: o da formação da personalidade. 
As proposituras freudianas têm enorme relevância na constituição da 
Psicologia científica. Dentre as contribuições que oferece destacam-se o resgate da 
subjetividade - enquanto objeto de estudo da psicologia - que foi abandonada na 
transição do saber psicológico, da filosofia, para o campo cientifico estabelecido pela 
modernidade. Assim, a partir de Sigmund Freud inaugura-se a possibilidade de 
estudar a subjetividade (dimensão humana essencial) atendendo ao rigor do método 
científico. 
Silva (2019) reforça que Freud revolucionou sua época com o novo modelo de 
desenvolvimento proposto. Enfatizando o inconsciente e as pulsões sexuais, ele 
apresenta o desenvolvimento como o resultado de interações dessas energias 
sexuais (libido). Assim ele divide em cinco fases o desenvolvimento humano, 
conforme o quadro abaixo: 
 
 
 
 
 
17 
 
FASE IDADE DEFINIÇÃO 
Oral 0 a 1 ano Fase onde toda a libido existente predomina em 
volta da região oral, ou seja, os lábios, a língua 
e posteriormente, os dentes. 
Fase erótica (engolindo ou cuspindo), 
Fase sádica (mordendo). 
Anal 2 e 3 anos Nessa fase, a criança aprende a controlar seus 
esfíncteres anais e a bexiga, obtendo prazer 
com esse controle, além de que, são elogiadas 
pelos pais quando exibem esse controle. 
Fálica 3 a 5 anos A libido se focaliza nas áreas genitais do corpo 
e se denomina por fálica em consequência do 
fato da criança dar conta de que tem um pênis 
(falo), ou a falta do mesmo (no caso das 
meninas). 
Período de 
latência ou 
pausa sexual 
6 aos 12 
anos 
Nesse período, a sexualidade praticamente não 
avança, e as crianças se esquecem da maioria 
das coisas que faziam e conheciam, além de 
surgirem atitudes como repulsa e vergonha, 
coerentes com as exigências do superego. 
Genital 13 aos 18 
anos 
Não há mais fantasias edipianas com relação 
aos pais, e sim uma intimidade sexual madura, 
onde o adolescente procura a satisfação do seu 
prazer fora de si mesmo. 
 
Muitos dos problemas psicopatológicos da idade adulta de que trata a 
Psicanálise, têm as suas raízes e causasnas primeiras fases ou estádios do 
desenvolvimento (SILVA, 2019). 
 
 
 
 
 
18 
 
Anote aí: 
Dentro do campo psicomotor, as contribuições freudianas são indicadoras das 
mais preciosas referências teóricas e práticas, a saber: 
✓ A importância das fases da sexualidade infantil e seu papel na inscrição 
psíquica; 
✓ A descoberta do prazer no movimento; 
✓ O processo de interação entre o corpo e a linguagem; 
✓ A gênese da fantasia/fantasmas; 
✓ As origens da agressividade; 
✓ O papel essencial do brincar e da arte para a compreensão do real; e, 
✓ A importância do outro na constituição do Eu (FERREIRA, 2018). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A Teoria da Personalidade e a Psicologia Individual de 
Alfred Adler (1870-1937) 
 
 
 
 
 
19 
Alfred Adler, médico e psicólogo austríaco, nasceu em Viena e tornou-se um 
dos quatro membros originais do círculo de Freud em 1902. Adler jamais aceitou a 
primazia ou a importância dos desejos infantis, muito menos a importância do papel 
do recalque e da libido no funcionamento psíquico. Desenvolveu sua própria teoria 
do desenvolvimento socialmente consciente. Ele afirma que o ser humano se 
empenha por autoestima e tentativa de superar um sentimento de inferioridade. 
Adler igualava saúde psicológica à consciência social construtiva. Seu 
sistema pode ser descrito como o conhecimento prático concreto da humanidade. 
Na sua formulação foi muito influenciado pelo conceito da teleologia, que identifica a 
motivação e metas como motor básico humano, sendo a finalidade o que guia a 
natureza e a humanidade. 
Em contraste com Freud e sua ênfase sobre conflito intrapsíquico 
inconsciente, Adler via as pessoas como entidades biológicas unificadas e 
singulares, todas cujos processos psicológicos encaixam-se e justificam um estilo de 
vida individual. Também criou o princípio de dinamismo - que cada pessoa está 
direcionada ao futuro e que se move em direção a uma meta. Uma vez que a meta é 
estabelecida, o aparelho psíquico molda-se em direção à obtenção desta meta. As 
metas de vida são escolhidas e são, portanto, sujeitas a mudanças; tais mudanças 
requerem a modificação das memórias, sonhos e percepções para encaixar-se à 
realização desta meta. 
Além de enfatizar a relação entre a pessoa e seu ambiente social, ele também 
enfatizou a ação no mundo real sobre fantasia. A tendência de se viver em 
comunidades leva à aceitação da necessidade de adaptar-se a demandas legítimas 
da sociedade, etc. A sua dialética demonstra que entre as pessoas e seu ambiente 
interpessoal ocorrem influências mútuas e cada indivíduo, em suas relações sociais 
estará constantemente reagindo e moldando o outro (SILVA, 2019). 
A principal ideia de Adler mostra que o desenvolvimento consiste em passar 
de um sentimento de inferioridade para um sentimento de domínio. Cedo na vida, 
todos têm um sentimento de inferioridade resultante da comparação realista com o 
tamanho e as habilidades dos adultos. Passar deste sentimento de inferioridade 
para um sentimento de adequação é o tema principal motivacional importante na 
vida. 
 
 
 
 
 
20 
Deste modo, a pessoa ideal empenha-se por superar-se e o faz através de 
alto interesse social e da atividade; enquanto a pessoa emocionalmente 
incapacitada continua a sentir-se inferior e reforça esta posição através de falta de 
empenho e interesse social. 
Muitos obstáculos biológicos e sociais podem bloquear o desenvolvimento da 
autoestima e do interesse social. Órgãos ou sistemas mal desenvolvidos (como 
visão defeituosa e problemas de coordenação motora), doenças infantis, excesso de 
cuidados e negligência. 
Este teórico enfatiza a harmonia do aparelho psíquico e a desarmonia de 
estilos de vida errôneos com as demandas do mundo real, ele foca no como viver 
produtivamente no mundo real e não no explorar conflitos inconscientes. Sua meta 
foi apontar visões errôneas de si e visões errôneas do mundo e então, mobilizando a 
vontade, fazer as mudanças necessárias, incluindo uma mudança na meta de vida. 
Para Adler desenvolvimento é a busca, feita pelo indivíduo, de interesses 
construtivos sobre si mesmos e sobre os outros. Qualquer esforço no qual os 
pacientes podem desenvolver competência real é encorajado, seja social, de 
trabalho, artístico ou musical. 
Dentre os conceitos criados por Adler, temos: 
a) Self – algo que intervém entre os estímulos que agem sobre a pessoa e as 
respostas que ela oferece. O homem constrói sua personalidade com a 
matéria-prima da hereditariedade e da sua experiência. O self criador dá 
sentido à vida; cria tanto o ideal como os meios de atingi-lo. É o princípio ativo 
da vida humana. 
b) Estilo de vida – corresponde ao princípio do sistema pelo qual a 
personalidade funciona; é o todo que comanda as partes. É o princípio que 
explica a singularidade da pessoa. Cada pessoa tem um estilo de vida e não 
há dois iguais. Todos têm o mesmo objetivo, a superioridade, mas há 
inúmeras maneiras de atingi-lo. Toda conduta de uma pessoa tem origem em 
seu estilo de vida. Este forma-se na infância, por volta dos quatro anos de 
idade e, daí por diante, as experiências são assinaladas e utilizadas de 
acordo com ele. É uma compensação para determinada inferioridade. 
 
 
 
 
 
21 
c) Luta pela superioridade – corresponde ao objetivo superior do homem na sua 
luta contra os obstáculos: ser agressivo, poderoso superior. 
d) Inferioridade e compensação – Há a inferioridade orgânica, pois, para Adler, 
cada região do corpo apresenta uma inferioridade básica, inferioridade essa 
que existe em virtude de herança ou de alguma anomalia do 
desenvolvimento. Esse conceito foi ampliado posteriormente, incluindo 
quaisquer sentimentos de inferioridade, tanto os que decorrem de 
incapacidades psicológicas ou sociais sentidas subjetivamente, como os que 
se originam de fraqueza ou deficiência física. Sob condições normais o 
sentimento de inferioridade ou um senso de imperfeição é a grande mola 
propulsora da humanidade. O homem é impulsionado pela necessidade de 
superar sua inferioridade e arrastado pelo desejo de ser superior. 
e) Interesse social – corresponde à verdadeira e inevitável compensação pela 
natural fraqueza dos seres humanos. É quando a luta pela superioridade se 
torna socializada. Adler acreditava que o interesse social é inato; que o 
homem é uma criatura social por natureza e não por hábito. Contudo, à 
semelhança de qualquer outra aptidão natural, esta predisposição inata não 
surge espontaneamente. Ela torna-se atuante quando orientada e treinada. É 
esse interesse social inato que motiva o homem a subordinar o interesse 
pessoal ao bem-estar comum. 
f) Finalismo de ficção – Adler descobriu a ideia de que o homem é motivado 
mais pelas expectativas do futuro do que por suas experiências do passado. 
Esses objetivos de ficção eram, para ele, a causa subjetiva dos 
acontecimentos psicológicos (MONTANDON, 2009). 
Enfim, na visão de Adler o desenvolvimento ocorre quando a pessoa constrói 
um conceito útil de si e do mundo. Acima de tudo, ele tratava seus pacientes como 
racionais e como capazes de aprender modos de vida produtivos (SILVA, 2019). 
Vale citar que Adler estava particularmente interessado nos tipos de 
influências iniciais que predispõem a criança a um estilo de vida defeituoso. Ele 
descobriu três fatores: 
 
 
 
 
 
22 
a) Crianças com inferioridades: crianças com enfermidades físicas ou mentais 
carregam uma carga muita pesada e tendem a sentir-se inadequados para 
enfrentar as tarefas de vida. Entretanto, se tiverem pais compreensivos e 
encorajadores, podem compensar suas inferioridades e transformar sua 
fraqueza em força. 
b) Crianças mimadas: Adler alertava sobre os perigos de se mimar uma criança, 
pois considerava isso a pior maldição que uma criança pode sofrer. As 
crianças mimadas não desenvolvem um sentimento social e esperam que a 
sociedade se conformeaos seus desejos autocentrados. 
c) Crianças negligenciadas: a criança maltratada na infância se torna, quando 
adulta, um inimigo da sociedade. Seu estilo de vida é dominado pela 
necessidade de vingança (HALL; LINDZEY; CAMPBELL, 2000). 
 
Na área da pedagogia suas teorias e práticas tornaram-se bastante 
difundidas, tanto na psicologia quanto no aconselhamento escolar, considerando a 
orientação de crianças como preventiva contra um futuro adoecimento psíquico. 
 
 
 
 
A “teoria da posição” e os conceitos pós-freudianos dados 
por Melanie Klein (1882-1960) 
Também nascida em Viena, Klein interessou-se pela Psicanálise ao ler um 
texto de Freud “Sobre os sonhos”. 
Melanie Klein fundou a técnica da análise pela atividade lúdica com crianças. 
Brincar - atividade natural das crianças - foi considerado por ela a expressão 
simbólica da fantasia inconsciente. Ela afirmou que pelas brincadeiras a criança 
traduz de modo simbólico suas fantasias, seus desejos e suas experiências vividas. 
 
 
 
 
 
23 
O elemento organizador essencial do pensamento de Melanie Klein é a prevalência 
da fantasia e dos “objetos internos” sobre as experiências desenvolvidas no contato 
com a realidade externa (COSTA, 2010). 
A partir dessa constatação, Klein conclui que a diferença que existe entre a 
análise de crianças e a de adultos reside no método e não em seus princípios 
básicos. Em outras palavras, a prática psicanalítica com crianças repousa sobre o 
mesmo corpo conceitual teórico no qual se apoia toda a teoria psicanalítica: o 
inconsciente, a transferência e a pulsão. 
Quanto ao método, Melanie Klein postulou que o brincar é capaz de substituir 
as associações livres. Portanto, a partir de tais constatações teóricas, ela afirma que 
é possível analisar crianças. A prática clínica com crianças vai revelar-lhe as 
profundezas ainda secretas do mundo das fantasias inconscientes da mais tenra 
infância. 
A teoria Kleniana consolida-se com a teoria das posições que representa a 
ansiedade, defesa, relações com o objeto e impulsos. O psiquismo funciona a partir 
destas posições, e todos os demais desenvolvimentos são invariavelmente 
baseados em seu funcionamento. 
Melanie Klein identificou nos jogos e nas brincadeiras infantis uma via 
simbólica de expressão dos conflitos, das ansiedades e das fantasias inconscientes; 
assim, desenvolveu um método de análise de crianças que emprega a linguagem 
viva e concreta e se baseia no trabalho transferencial. 
Klein faz uma comparação astuta e diz que o brincar das crianças e a 
atribuição de coisas a esses brinquedos em muito se assemelha à interpretação dos 
sonhos por Freud. Ambas, afinal, entram em contato com o inconsciente. 
Graças ao simbolismo do brincar, essa pesquisadora pode concluir ainda que 
muito alívio é experimentado no momento lúdico. Descobriu que no primeiro contato 
de amamentação o seio bom e o seio mau já são estabelecidos, além disso concluiu 
que a saúde mental está em muito ligada às relações com os objetos. A junção do 
seio bom e mau se dá por volta do primeiro ano e representa a posição depressiva 
do ego, precedida da posição paranóide aonde predominam ansiedades 
persecutórias e processos de cisão (GREGOVISKI, 2017). 
 
 
 
 
 
24 
A imagem do corpo segundo Paul Schilder (1886-1940) 
Paul Ferdinand Schilder foi um psiquiatra austríaco, psicanalista e 
pesquisador médico. Embora tenha se tornado membro da Sociedade Psicanalítica 
de Viena (fundada por Freud) se desviou da doutrina psicanalítica aceita na época e 
publicou suas próprias ideias. 
Ele iniciou a integração da teoria psicanalítica na psiquiatria e é considerado 
um dos pais fundadores da psicoterapia de grupo. Ele também introduziu o conceito 
de imagem corporal, que forneceu uma contribuição duradoura para o pensamento 
psicológico e médico. Essa foi uma grande inovação na temática (por volta de 1935) 
que trata da imagem corporal de uma forma que até hoje é atualizada e aplicável 
nas áreas que envolvem o movimento, a atividade física e os trabalhos corporais. 
Schilder passa a atribuir uma nova dimensão, ampliada e integrada da 
imagem corporal, na qual associa aspectos neurofisiológicos, sociais e afetivos; 
estabelecendo também estreitas relações entre a imagem corporal e a psicanálise. 
Segundo Schilder (1935, p. 11 apud SCATOLIN, 2012, p 115) “entende-se por 
imagem corporal a figuração de nosso corpo formada em nossa mente; ou seja, o 
modo pelo qual o corpo se apresenta para nós”. 
O esquema corporal (também compreendido como imagem corporal) é a 
imagem tridimensional que todos têm de si mesmo. Neste aspecto tridimensional 
temos os aspectos psicológicos, sociológicos e fisiológicos. Schilder propôs que o 
estudo da imagem corporal deveria abordar o problema psicológico central da 
relação entre as impressões de nossos sentidos, nossos movimentos e a motilidade 
em geral. Isto significa que o esquema corporal está em perpétua autoconstrução, 
vive em contínua diferenciação e integração. 
De outro lado, o modelo postural do nosso corpo se relaciona com o modelo 
postural dos corpos dos outros. A experiência da nossa imagem corporal e a 
experiência dos corpos dos outros estão intimamente interligadas. Assim, as 
emoções, as ações e percepções são inseparáveis da nossa imagem corporal e 
mais: contribuem para a construção da nossa imagem corporal. 
 
 
 
 
 
25 
Primeiramente, é necessário ressaltar que a imagem corporal começa a se 
formar desde o nascimento e, desde este momento, dois fatores têm participação 
especial em sua formação: um é a dor e o outro é o controle motor dos membros. 
Anote aí: 
No decorrer de seu estudo sobre imagem corporal, Schilder constantemente 
remete a como fazem parte dos nossos aspectos fisiológicos nossas experiências 
psicológicas – as experiências psicológicas estão em nosso corpo, ou seja, em 
nossos órgãos, em nossos músculos – e a como nossos aspectos fisiológicos, 
inevitavelmente, estão em nossas experiências psicológicas de nós mesmos – estão 
em nossa capacidade e necessidade de nos representarmos para nós mesmos e no 
modo como o fazemos. Assim, segundo o autor, não podemos afirmar que existem 
em nós dimensões somente fisiológicas ou somente psicológicas. Em outras 
palavras, esta visão apresentada pelo autor não é mais do que uma visão integrada 
do corpo, uma tentativa de superação da dualidade representada pelo “corpo” e pela 
“mente”. 
Schilder trabalha constantemente o movimento e imagem corporal, mostrando 
como estão intimamente ligados. Influenciam-se a todo momento simultaneamente, 
tanto que uma das funções “clássicas” atribuídas à imagem corporal é a orientação 
da postura e dos movimentos corporais (TURTELLI, 2003). 
 
 
O desenvolvimento humano para Erik Erikson (1904-1994) 
Erik Homburguer Erikson, psicanalista alemão, trabalhou com Anna Freud e 
foi responsável pelo desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial na 
Psicologia e um dos teóricos da Psicologia do Desenvolvimento. 
Partindo do aprofundamento da teoria psicossexual de Freud e respectivos 
estádios, ele rejeita a base das pulsões sexuais como única explicação para o 
desenvolvimento. Embora concorde com Freud sobre o desenvolvimento da 
personalidade se dar até os cinco anos de idade, ele acredita que tal 
desenvolvimento vai além desta idade. Assim, propõe 8 estádios do 
 
 
 
 
 
26 
desenvolvimento psicossocial através dos quais um ser humano em 
desenvolvimento saudável deveria passar da infância para a idade adulta. 
Em cada estádio o sujeito confronta-se e supera novos desafios ou conflitos, 
sendo cada fase do desenvolvimento da criança importante, devendo ser bem 
resolvida para que a próxima fase possa ser superada sem problemas (SILVA, 
2019). 
Na primeira fase, a criança desde que nasce enfrenta o desafio da confiança 
ou da desconfiança, onde a qualidade da relação com a mãe e com o provimento ounão de suas necessidades, desenvolve esta confiança em si e no ambiente onde 
está inserido, afetando de forma inconsciente toda a sua relação com o mundo. 
Na segunda fase ele terá que formatar sua personalidade baseado na 
vergonha ou na autonomia. Coincidindo com a fase anal de Freud, a criança vai 
adquirindo bases para sua autonomia na proporção em que consegue controlar sua 
musculatura e suas necessidade fisiológicas. O oposto também se desenvolve 
quando não consegue ou quando, em suas tentativas fracassadas, o bebê até os 
três anos de idade é envergonhado ou diminuído perante outros por causa de seus 
limites. 
Na terceira fase, que vai dos quatro aos cinco anos de idade, a criança terá 
que enfrentar o binômio iniciativa\culpa. Quando a criança percebe seus desejos 
(complexo de Édipo) se sente culpada e para enfrentá-lo concretamente, desenvolve 
outras relações que possam amenizar e substituir aquela que é seu primeiro impulso 
social. 
Na quarta fase – produtividade e inferioridade – a criança terá como desafio a 
sua produtividade. Esta fase está relacionada a como a criança enfrentou as fases 
anteriores e se estas ficaram bem resolvidas e a que nível. Assim, para ter alta 
produtividade a criança terá que ter bem desenvolvido sua confiança, sua autonomia 
e sua iniciativa. 
 
 
 
 
 
27 
 
Figura 5 - Estágios do desenvolvimento psicossocial 
Na quinta fase o indivíduo enfrentará o desafio do desenvolvimento de sua 
identidade e confrontar as confusões que surgem. Esta fase vai dos doze aos 
dezoito anos. É uma fase de conflitos e mudanças, ele ainda não é um adulto e já 
deixou de ser criança, fica perdido sem saber como se comportar, o que sentir. Seu 
corpo é insuflado quimicamente com vários hormônios, o que provoca uma 
avalanche de sensações e emoções fortes de difícil controle. Essa fase também 
incentiva ao agrupamento para suprir a necessidade de pertencimento, traz fortes 
crises religiosas, atos de rebeldia, luta por liberdade e etc. 
Na próxima fase a pessoa terá como desafio duas vertentes, por um lado terá 
que compreender e se adaptar com outras pessoas de forma íntima ou na proporção 
que se relaciona com as pessoas, passa a se isolar. Esta fase dura 
aproximadamente dez anos. Dentro de uma determinada normalidade vai dos vinte 
anos aos trinta. Geralmente é nesta fase que a pessoa se casa e aprende a se 
relacionar afetiva e sexualmente com intimidade. 
Na sétima fase, chamada de generatividade versus estagnação, a pessoa 
volta a sua capacidade de gerar e produzir. Aqui ela enfrenta o seu oposto, 
 
 
 
 
 
28 
estagnação e improdutividade. Dos trinta anos até os sessenta, toda sua atenção 
geralmente é voltada para seu aspecto profissional e sua contribuição social. 
E na última fase o ser humano terá o desfecho de todos os ciclos, onde ele 
terá que buscar sua integridade. A partir dos sessenta anos de idade faz um balanço 
de tudo o que viveu e produziu, de todo o seu desenvolvimento e se sentirá íntegro 
ou desesperado (SILVA, 2019). 
O eu, o espelho e as contribuições de Jacques Lacan 
(1901-1981) 
O francês Jacques-Marie Émile Lacan, formado em medicina com 
especialização em Psiquiatria, foi um dos grandes intérpretes de Freud. 
A partir de 1936, Lacan começa uma produção mais psicanalítica, 
contribuindo para a invenção de uma perspectiva francesa da Psicanálise, e ao 
reintroduzir o pensamento alemão do qual Freud tinha se afastado, ele passa ser 
realmente um mestre da Psicanálise na França. 
Dentre suas formulações, o que fez retirando o corpo biológico do foco do 
campo psicanalítico, mas incluindo o corpo mental, Lacan afirma que a psicanálise 
implica (...) o real do corpo e o imaginário de seu esquema mental. 
A teoria lacaniana inclui a trilogia do Simbólico, Imaginário e Real, tendo sido 
esta reorganizada algumas vezes. 
Em apartada síntese, o corpo pode ser estudado através de três pontos de 
vista complementares: 
• Do ponto de vista do Imaginário, o corpo como imagem; 
• Do ponto de vista do Simbólico, o corpo marcado pelo significante; 
• Do ponto de vista do Real, o corpo como sinônimo de gozo. 
 
Pensar o corpo do ponto de vista do Imaginário, implica em levar em conta os 
primeiros momentos da teoria lacaniana e a forma como a imagem do corpo próprio 
a partir da outra marca a constituição subjetiva e a imagem assumida pelo sujeito. 
 
 
 
 
 
29 
O corpo do ponto de vista do Simbólico implica verificar como se estabelece a 
relação entre fala-linguagem-corpo e o corpo do ponto de vista do Real seria 
sinônimo de gozo, definido não como organismos, mas como pura energia psíquica, 
da qual o corpo orgânico seria apenas a caixa de ressonância. 
Lacan usa muitas metáforas em sua teoria e nos interessa mais de perto o 
estádio do espelho, definido por ele como a transformação produzida no sujeito 
quando ele assume uma imagem – cuja predestinação para este efeito de fase é 
suficientemente indicada pelo uso, na teoria, do termo imago (LACAN, 1996, p. 97 
apud CUKIERT, 2000). 
O Estádio do Espelho refere-se ao período que se inicia aos seis meses, 
aproximadamente, encerrando aos dezoito meses, caraterizado pela representação 
da unidade corporal pela criança e também por sua identificação com a imagem do 
outro. 
 
Figura 6 - O estádio do espelho 
Esse estágio do espelho não se refere necessariamente à experiência 
concreta da criança frente ao espelho. O que a criança ver é um tipo de relação com 
seu semelhante. Essa experiência pode se dar tanto em face de um espelho, pela 
mãe ou pelo outro, mas no nível do Imaginário (GARCIA-ROZA, 1988). 
 
 
 
 
 
30 
Quando a criança se questiona sobre a imagem que vê no espelho, ela 
busca, no adulto, a referência de que aquela é a sua própria imagem. No 
entendimento lacaniano, essa imagem do corpo, ou seja, a constituição de eu na 
criança, depende, não apenas de um desenvolvimento maturacional, mas exige a 
implicação do outro. 
Assim, por questões de pré-maturação a criança faz confusão entre si e o 
outro. Passa por uma experiência inicial de um corpo fragmentado, para alcançar a 
formação do corpo unificado. Esta experiência se dá por meio do espelho. 
A criança liberta-se da angústia das fantasias do corpo despedaçado. Esta 
identificação é entendida como processo simbólico na qual a criança faz a primeira 
estruturação do eu, da sua imagem. 
A imagem corporal tem um papel fundamental na constituição do sujeito. 
Conforme visto em Lacan, a imagem especular possibilita a criança estabelecer a 
relação do seu eu com a realidade. 
O apego na teoria de Konrad Lorenz (1903-1989) 
Konrad Lorenz nascido em Viena na Áustria, doutor em medicina e fisiologia, 
também se dedicou à zoologia e à psicologia comparada, sendo considerado um 
dos fundadores da ciência Etologia. Criou duas expressões quando se trata de 
desenvolvimento humano: Imprinting e Períodos Críticos. 
Apesar de ser um estudioso do comportamento animal, Lorenz se aventurou 
pelo campo do comportamento humano considerando que a agressividade faz parte 
de um instinto e que a humanidade deve abrir espaços para a agressividade. 
Para este teórico existem períodos críticos na vida onde um determinado tipo 
definido de estímulo é necessário para o desenvolvimento normal. Como é 
necessária a exposição repetitiva a um estímulo ambiental (provocando uma 
associação com ele), podemos dizer que o imprinting é um tipo especial de 
aprendizagem, ainda que contendo um elemento inato muito forte. Na verdade, ele 
queria perceber quais eram os processos fisiológicos envolvidos na preparação e 
realização de um determinado comportamento (SILVA, 2019). 
Onde entra o apego? 
 
 
 
 
 
31 
O apego está intimamente ligado ao investimento parental, e dele não pode 
ser dissociado, pois é a partir dos sinais emitidos pelo bebê e da resposta dos pais a 
ele que se forma o vínculo. Não se pode pensar um sem o outro. Se pensarmosno 
medo de estranhos, nota-se que o bebê age sobre o adulto e este responde ao bebê 
de uma forma que vai aumentando a vinculação afetiva pelas constantes respostas, 
pois, um dos fatores determinantes para o surgimento e manutenção do 
comportamento de apego é a rapidez com que o adulto responde ao bebê e a 
intensidade da interação. O comportamento de apego, além da função de proteção, 
propicia ao bebê uma série de interações sociais que colaboram para um 
desenvolvimento saudável da criança, além de lhe proporcionar oportunidades de 
treinar seus comportamentos sociais e perceber as modificações dele no meio. 
Assim, é graças a esta proximidade mãe-bebê que este terá oportunidades de ver e 
explorar o mundo de uma maneira segura, e assim desenvolver seu cérebro, 
aprender com os outros de sua espécie e sentir-se parte dela e seguro nela a partir 
do amor de seus pais. 
Quanto mais forte o vínculo inicial mãe-bebê, maior a probabilidade de a 
criança tornar-se independente no futuro, pois é o apego seguro que permite a 
criança aventurar-se de maneira confiante no mundo (DE TONI et al, 2004). 
 
 Anote aí: 
A contribuição desse arsenal teórico à educação encontra-se, principalmente 
na definição que faz do papel da escola: ajudar o aluno a equilibrar as exigências 
instintivas, proibitivas e da realidade. Educar é procurar fazer com que as pessoas 
atuem e pensem de modo mais racional e mais prazeroso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Referências 
 
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