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Perda de hábitat e Fragmentação CONBIO Carla Morsello Plano de aula O que são a perda de hábitat e a fragmentação e como diferem entre si Teorias fundamentais para entender os efeitos desses processos: a) Curvas de espécie-área; b) TEBI e c) Metapopulações Efeitos da perda de (área de) hábitat, efeito de borda e do isolamento Conceitos ❖ Mancha (a1-3, b) – Área original, natural e homogênea, restrita e não- linear da paisagem que se distingue das unidades vizinhas ❖ Matriz (c, d e e) – Unidade dominante da paisagem – Pode ser natural ou antrópica ❖ Fragmentos (vermelhos) – Porção remanescente do hábitat original ❖ Corredor (a4, a5) – Área homogênea e linear da paisagem que se distingue das unidades vizinhas. – Pode ser original ou recriada Hábitat original = natural = antrópico Perda/ transformação de hábitat ❖ Ameaça a maior proporção de espécies em ecossistemas terrestres e de água doce ❖ Marinho é superexploração https://www.youtube.com/watch?v=hllU9NEcJyg Perda de hábitat e fragmentação não são a mesma coisa, embora ocorram ao mesmo tempo Perda de hábitat x fragmentação (F o n te f ig u ra : M e tz g e r, 2 0 0 8 ) Perda de hábitat SEM fragmentação Perda de hábitat COM fragmentação Em resumo: o que é fragmentação stricto sensu? ❖ Processo de ruptura, subdivisão de áreas contínuas de hábitat ❖ Isola porções de hábitat na paisagem para ao menos uma espécie Perda de hábitat e fragmentação ❖No início~: sinônimos ❖Mas espécies desaparecem em momentos diferentes e por razões diferentes ❖Hoje: 2 processos separados ❖Estudos buscam entender: – efeitos da fragmentação stricto sensu (subdivisão) – e o efeito comparativo das duas (F a h ri g , 2 0 0 2 ) Por que diferenciar fragmentação de perda de hábitat? Caso os efeitos da fragmentação stricto sensu sem perda de hábitat forem fortes, mudanças somente na forma que se desmata e não no tamanho da área desmatada podem contribuir a reduzir a perda de espécies (Fahrig, 2002). Perda de hábitat e fragmentação ocorrem em vários ambientes Florestas Campos Source: Bureau of Land Management/ photo by Merv Coleman Quais são as consequências da Perda de Hábitat e Fragmentação? Fundamentos teóricos para entender estes efeitos Curvas de espécie-área Teoria do Equilíbrio da Biogeografia Insular/de Ilhas Dinâmica de Metapopulações Curvas espécie-área Curvas espécie-área ❖ Número de espécies em um hábitat cresce com o aumento da área até um limite representado pela fórmula ❖ S = c Az – S = número de espécies – A = área – Constantes que dependem do hábitat – c maior em mais biodiversos – z inclinação da curva N o . e s p é c ie s Área de hábitat S = c Az Teoria do Equilíbrio da Biogeografia Insular Teoria foca em comunidades Curvas espécie-área TEBI TEBI x Curvas espécie-área na explicação do número de espécies Teoria para explicar o quê? ❖ Nasce da dúvida: o que determina o no total de espécies em ilhas? ❖ Curvas de espécie-área não explicavam porque ilhas ou conjunto de ilhas com mesmo tamanho e hábitats semelhantes diferiam no número de espécies ❖ Teoria de MacArthur & Wilson é a mais adotada (artigo em 1963, monografia em 1967) Processos incorporados na TEBI Mais espécies colonizam ilhas próximas ao continente Mais espécies colonizam ilhas maiores Menor proporção de espécies se extingue em ilhas maiores Em resumo, teoria é a formulação matemática para explicar as diferenças acima no número de espécies O hábitat circundante (oceano ou matriz entre áreas de hábitat) é totalmente impróprio (“inóspito”): espécies não vivem neste hábitat. Existe um continente que é a fonte das espécies. PREMISSA TEBI TEBI: Críticas principais ❖ Crítica à transposição das conclusões de ilhas para áreas terrestres: matriz em áreas terrestres nunca é totalmente inóspita (algumas espécies vivem nela) ❖ Espécies tratadas como iguais na probabilidade de extinção: mas vulnerabilidade à extinção varia ❖ Espécies podem vir de outras ilhas ❖ Independência entre as taxas de extinção e imigração não existe: efeito-resgate (Brown & Kodrick-Brown) ❖ Mudança de composição da comunidade (turnover) poucas vezes observada (eventualmente em aves) Dinâmica de Metapopulações Teoria foca em populações Dinâmica de Metapopulações ❖Outra teoria matemática proposta inicialmente para extinguir pragas (Levins, 1969) ❖Incorpora a organização espacial e interação entre subpopulações no espaço O que é uma Metapopulação? ❖ Meta=acima da população ❖ Conjunto de subpopulações (mesma espécie!) ❖ Semi-isoladas espacialmente em manchas ou fragmentos de hábitat ❖ Unidas funcionalmente por fluxo esporádico de indivíduos/genes (Fonte figura: Transformado de Metzger, s/data) Subpopulação Dinâmica de Metapopulações ❖ Há manchas/fragmentos que se comportam como fonte de indivíduos e outras como ralo populacional: – Variações nas condições do hábitat – Processos aleatórios: e.g. demográficos, genéticos recolonizações (F o n te f ig u ra : M e tz g e r, s /d a ta ) Fonte Ralo Vazia Dinâmica de Metapopulações ❖ Em um tempo x, há manchas/fragmentos de hábitat ocupadas(os) e desocupadas(os): muda no tempo ❖ Mais importante: Manutenção da espécie depende do conjunto de subpopulações e não da população em determinado fragmento (F o n te f ig u ra : M e tz g e r, s /d a ta ) Dinâmica de Metapopulações: Importância ❖O contexto atual é de fragmentação, que compromete a persistência de espécies: – Paisagens com pequenos fragmentos de hábitat – Número menor de fragmentos – Isolamento maior ❖Manutenção depende do balanço entre manchas-fonte e manchas-ralo Efeitos Fragmentação Extinções Perda de hábitat Efeito de Área Redução da área abaixo do limiar de tamanho necessário para manter a biodiversidade Perda de área ocasiona extinções por Redução da heterogeneidade do hábitat Efeito de crowding: intensificação da competição inter e intra específicas Mais problemas das populações pequenas: aleatoriedade demográfica, genética e Ambiental Extinções secundárias: cascata ecológicas de extinções Aumento da área sob o efeito de borda ❖ Limiares: pontos de mudança abrupta de estado uma matéria ou de um sistema, ou seja, mudanças que não obedecem a um padrão linear. ❖ Evidências para florestas tropicais de perda acelerada abaixo de 30% 30% Efeito de Borda Efeito na biodiversidade ocasionado pela justaposição entre hábitat natural e hábitat antropizado O que é efeito de borda? ❖ Faixa/zona de Borda é diferente ecologicamente do interior de fragmento de hábitat ❖ Zona de influência varia em largura dependendo do: – Fatores: luz, vento, componente biótico, dentre outros (F o n te s: H u n te r, 1 9 9 0 ; C o lli n g e , 1 9 9 6 ) Borda Tipos de Efeito de borda Físicos ou abióticos • Mudanças microclimáticas na luz, temperatura, vento e umidade Biológicos • Diretos: estrutura da floresta (+luz): > arbustivas e lianas • Indiretos: • Alterações na abundância, composição, interação entre as espécies (algumas favorecidas) • Plantas e animais invasores • >Taxas de predação (ex. ninhos), parasitismo e competição Humanos • Caça, • Desmatamento Sinergísticos: vários fatores→ efeitos maior que a soma • Fogo, Pressão de caça Exemplo de Efeito biológico Predação de ninhos ❖ Porcentagem de ovos predados em função da distância à borda. Gráfico mostra perdas depois de 7, 14 e 25 dias (final). ❖ Resultados indicam que efeito de predação aumenta até 600m da borda criada F o n te : W ilc o v e e t a l. 1 9 8 6 Distância de efeitos de borda Amazônia: 20 anos de PDBFF F o n te : L a u ra n c e e t a l. 2 0 0 2 Aumento da temperatura ❖Mortalidade aumentada de árvores ❖Invasão de besouros adaptados a distúrbios 10 m10 m10 mTamanho e formato do fragmento determinam magnitude do efeito de borda → Efeito é pronunciado em pequenos fragmentos e pode se estender a todo um fragmento → Formatos diferentes do circular aumentam a magnitude do efeito de borda Consequências do efeito de borda: boas ou ruins? Bordas: a visão atual Bordas são idiossincráticas ❖ Espécies têm requerimentos de hábitat diferentes → respondem de forma diferente às bordas ❖ Respostas negativas, positivas e neutras (Ries et al., 2004) Isolamento e Conectividade Conectividade: definição geral • Capacidade/probabilidade que que um organismo disperse em determinada paisagem • Capacidade de uma paisagem facilitar fluxos de energia, nutrientes, água, distúrbios ou organismos vivos entre os seus elementos (em, especial, fragmentos) Efeitos do isolamento ou da falta de Conectividade ❖ Reduz a probabilidade de recolonização ❖ Por conta de problemas com a dinâmica metapopulacional ❖ Espécies que necessitam de hábitat distintos para obter determinados recursos são ameaçadas (e.g., anfíbios) Estratégias de gestão: Elementos da paisagem que podem aumentar a conectividade Conectividade Corredores Aumentar Permeabilidade da matriz Stepping stones • Definidos em termos de sua estrutura ou função: • Estruturais (visuais)→ porções lineares de hábitat que conectam 2 ou + fragmentos historicamente conectados • Funcionais → conectam de fato processos F o n te : (1 ) S im b e rl o ff e t a l., 1 9 9 2 Corredores Definições e tipos variam em termos de propósito e escala Propósito: ❖ Faixas de hábitat para aumentar conectividade entre remanescentes ❖ Túneis sob estradas para permitir a movimentação da fauna Escala: ❖ Bioma: corredores da Amazônia etc. ❖ Locais Corredores Aspectos positivos ❖ Aumentam conectividade para certas espécies ❖ Aumentam área de hábitat apropriado ❖ Redução dos efeitos das populações pequenas: aleatoriedade genética, demográfica e ambiental ❖ Reduzem taxas de extinção, a partir de recolonizações e do efeito-resgate (da extinção) ❖ Possibilidade de dispersão como consequência de mudanças climáticas para outras regiões. Corredores Aspectos negativos ❖ Têm alto custo ❖ São idiossincráticos: o que é bom para uma espécie, pode não ser para outra ❖ Teóricos: sem evidências ainda: – Podem funcionar como sumidouros/ralos demográficos – Poderiam aumenta a probabilidade de introdução de espécies invasoras e doenças – Aumentam a probabilidade da incidência de fogo F o n te : (1 ) S im b e rl o ff ., 1 9 8 8 ; P ro ch e s e t a l., 2 0 0 5 Afinal, corredores são bons ou ruins? ❖Não existe resposta única: depende da espécie ❖Efeitos negativos nunca foram provados rigorosamente ❖Estudos mais robustos indicam que corredores aumentam a conectividade e, portanto, reduzem probabilidade de extinções ❖Melhor é manter corredores! Permeabilidade da matriz O quando o elemento principal da paisagem (matriz) permite movimentação de indivíduos entre fragmentos na ausência de corredores Possibilidade de espécies se movimentarem/ dispersarem atravessando a matriz ou mesmo viverem Ambiente circundate não é inóspito (TEBI) e permeabilidade pode variar: eg. Campo ou mata secundária Aumentar a permeabilidade da matriz Aspectos positivos ❖ Impossível colocar corredores em todas as localidades ❖ Custo de aumentar permeabilidade da matrizpode ser menor que corredores ❖ Dispersão por corredores ou stepping stones melhorada dependendo da matriz Aspectos negativos ❖ Há menos estudos com matriz e, portanto, conhecimento sobre a eficácia é ainda incerto Baixa Intermediária Alta Eficácia dos stepping stones Permeabilidade da matriz Eficiência dos Stepping stones Baixa Alta Baixa (F o n te f ig u ra : M e tz g e r, 2 0 0 8 ; d a d o s: U e zo e t a l., 2 0 0 8 ) Stepping stones ou pontos de ligação ❖ Conjunto de pequenos fragmentos para conectar quando outras formas são inviáveis ❖ Benéficos especialmente quando já característicos da paisagem (Gilpin, 1980) ❖ Efeito depende de: – tamanho – distância entre eles e aos fragmentos – características das espécies e da matriz (a seguir) Referências e fontes citadas ❖ Becker et al., 2007 ❖ Gilpin, 1980 ❖ Hanski, I.; Gilpin, M.E. 1997. Metapopulation Biology: Ecology, Genetics, and Evolution. London: Academic Press. ❖ Haddad et al., 2015 ❖ Laurance & Bierregaard, 1997. ❖ Fisher & Lindenmayer, 2007 ❖ Fahrig, 2002 ❖ Haddad, et al. (2015)Habitat fragmentation and its lasting impact on Earth’s ecosystems, Scientific Reports, v..1 (2). ❖ Metzger, s.data. Aulas da disciplina de Ecologia da Paisagem. Depto. de Ecologia, Instituto de Biociências da USP (Aula Conectividade e Corredores). ❖ Millennium Ecosystem Assessment. 2005. ❖ Proches et al., 2005 ❖ Ries et al., 2004 ❖ Saura et al., 2014. Saura, S. , Bodin, Ö. , Fortin, M. and Frair, J. (2014). Stepping stones are crucial for species' long‐distance dispersal and range expansion through habitat networks. J Appl Ecol, 51: 171-182. ❖ Simberloff et al., 1992 ❖ Simberloff, 1988; ❖ Uezo et al., 2008 ❖ Wilcove et al. 1986 ❖ Zuidema et al., 1996 Slide 1: Perda de hábitat e Fragmentação Slide 2: Plano de aula Slide 3: Conceitos Slide 4: Perda/ transformação de hábitat Slide 5 Slide 6 Slide 7: Perda de hábitat x fragmentação Slide 8: Em resumo: o que é fragmentação stricto sensu? Slide 9: Perda de hábitat e fragmentação Slide 10: Por que diferenciar fragmentação de perda de hábitat? Slide 11: Perda de hábitat e fragmentação ocorrem em vários ambientes Slide 12: Florestas Slide 13: Campos Slide 14: Quais são as consequências da Perda de Hábitat e Fragmentação? Slide 15: Fundamentos teóricos para entender estes efeitos Slide 16: Curvas espécie-área Slide 17: Curvas espécie-área Slide 18: Teoria do Equilíbrio da Biogeografia Insular Slide 19: TEBI x Curvas espécie-área na explicação do número de espécies Slide 20: Teoria para explicar o quê? Slide 21: Processos incorporados na TEBI Slide 22: TEBI Slide 23: TEBI: Críticas principais Slide 24: Dinâmica de Metapopulações Slide 25: Dinâmica de Metapopulações Slide 26: O que é uma Metapopulação? Slide 27: Dinâmica de Metapopulações Slide 28: Dinâmica de Metapopulações Slide 29: Dinâmica de Metapopulações: Importância Slide 30 Slide 31: Efeito de Área Slide 32: Perda de área ocasiona extinções por Slide 33 Slide 34: Efeito de Borda Slide 35: O que é efeito de borda? Slide 36: Tipos de Efeito de borda Slide 37: Exemplo de Efeito biológico Predação de ninhos Slide 38: Distância de efeitos de borda Amazônia: 20 anos de PDBFF Slide 39: Tamanho e formato do fragmento determinam magnitude do efeito de borda Slide 40 Slide 41: Bordas: a visão atual Bordas são idiossincráticas Slide 42: Isolamento e Conectividade Slide 43: Conectividade: definição geral Slide 44: Efeitos do isolamento ou da falta de Conectividade Slide 45: Estratégias de gestão: Elementos da paisagem que podem aumentar a conectividade Slide 46: Corredores Slide 47: Definições e tipos variam em termos de propósito e escala Slide 48: Corredores Aspectos positivos Slide 49: Corredores Aspectos negativos Slide 50: Afinal, corredores são bons ou ruins? Slide 51: Permeabilidade da matriz Slide 52: Aumentar a permeabilidade da matriz Slide 53: Eficácia dos stepping stones Slide 54: Stepping stones ou pontos de ligação Slide 55: Referências e fontes citadas