Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Linguagens da Arte e Regionalidades
Aula 10: Intercâmbio entre as linguagens da arte – Literatura e
música
Apresentação
Na aula de hoje, �nalizaremos os nossos estudos de Linguagens da Arte e Regionalidades com o tema literatura e música.
Objetivos
Reconhecer os aspectos históricos da relação entre música e literatura;
Relacionar fontes literárias com a produção musical contemporânea;
Identi�car os elementos estéticos que aproximam a poesia da letra de música;
Conhecer a posição dos críticos em relação ao reconhecimento da letra de música como poesia.
A música é uma manifestação cultural comum a todos os
povos e comunidades. O desenvolvimento de ritmos
harmônicos sempre fez parte tanto das cortes, para �ns de
entretenimento da nobreza, quanto das aldeias, atenuando o
esforço do trabalho dos camponeses. A música vence as
fronteiras do espaço, do tempo e da língua.
Para os antigos gregos, a música acompanhava diversas
atividades humanas e, dentre elas, as representações
teatrais, com a utilização de coros, e a poesia, sempre
declamada por um aedo com o acompanhamento de liras.
Daí o surgimento da expressão “poesia lírica”.
 Aedo grego
Na Idade Média, a relação entre literatura e música
intensi�ca-se. A �gura do trovador ou jogral, um artista que
vive da elaboração de poemas musicados, expande-se pela
Europa e as suas composições chegam aos nossos dias,
normalmente classi�cadas como cantigas trovadorescas ou
medievais. Essas cantigas, que uniam poema e música,
inauguraram alguns comportamentos em relação ao amor e
à sociedade que hoje vemos reproduzidos na literatura e na
música.
As cantigas trovadorescas marcaram a cultura ocidental e estão na origem de muitas composições musicais brasileiras.
Classi�cadas como cantigas de amor, cantigas de amigo e cantigas de escárnio e maldizer, essas peças musicais são
estudadas como arte literária, visto que apenas as letras compostas pelos trovadores chegaram até nossos dias.
Comentário
As cantigas de amor representam o amor espiritual e eterno de um trovador por uma Dama (ou Dona). Por não ser correspondido,
em virtude da diferença de classes sociais, esse amor provoca sofrimento e desejos de morrer no trovador, que não revela a
ninguém seu sentimento por respeito à amada.
 As Fontes Literárias da Música Popular Brasileira
A Cultura Medieval e a Música Contemporânea
Esse modelo de amor consagrou-se ao longo dos séculos, sendo expresso em diversos romances, poemas e composições
musicais. Amor passou a rimar com dor, morte, sonhos, segredos. É fácil notar a in�uência das cantigas de amor na música
popular brasileira quando comparamos as letras das cantigas de amor com a música “Meu Bem Querer”, de Djavan.
A dona que eu am’e tenho por senhor
amostráde-mi-a Deus, se vos en prazer for, se non,
dáde-mi a morte.
Bernal de Bonaval (séc. XII) - fragmento
Ai eu de mim, e que será?
Que fui tal dona querer ben
a que non ouso dizer ren
de quanto mal me faz haver.
E feze-a Deus parecer
melhor de quantas no mund'ha. 
Nuno Fernandes Torneol (séc. XIII) - fragmento
Meu bem querer
É segredo, é sagrado
Está sacramentado
Em meu coração
Meu bem querer
Tem um quê de pecado
Acariciado pela emoção
Meu bem querer
Meu encanto, estou sofrendo tanto
Amor, e o que é o sofrer
Para mim que estou
Jurado pra morrer de amor
(Djavan)
É evidente a relação entre os dois tipos de composição: o “bem querer”, o segredo, o sofrimento e o desejo de morrer por amor.
Comentário
Notas: as cantigas trovadorescas, em sua maior parte, foram escritas em galaico-português. Assim, a palavra “senhor”
corresponde à “senhora”; “ren” = coisa (referência à senhora, em tom cordial).
Outra modalidade de cantiga trovadoresca que marca o
nosso cancioneiro popular são as cantigas de amigo.
Apesar de compostas e cantadas por trovadores, o eu lírico
constituído é feminino. Essas cantigas representam a
relação amorosa entre um homem �dalgo ou cavaleiro (da
Corte) e a mulher aldeã (camponesa ou pastora). O amor,
nesse caso, é carnal e, após a entrega amorosa, a mulher é
abandonada pelo homem amado. Suas con�dências e
lamentos são temas das cantigas de amigo.
São várias as referências, na música popular brasileira, a
essas fontes. No entanto, o mais comum, nos meios
acadêmicos, é associar as cantigas de amigo às
composições musicais de Chico Buarque de Holanda,
artista que é comumente chamado de “trovador”. Além de
suas músicas fazerem referência aos mesmos temas, há a
coincidência de Chico Buarque emprestar sua voz para o eu
lírico feminino que ele traduz.
"Ai, Deus, que doo que eu de mí hei, porque se foi meu amigu'e fiquei pequena e del
namorada."
- Pero de Veer – séc. XII – fragmento
Ai Deus, que dó que eu de mim tenho, porque se foi meu amigo e �quei sozinha e dele enamorada.(Paráfrase) 
Nota: amigo = namorado.
"O que será ser só
Quando outro dia amanhecer
Será recomeçar
Será ser livre sem querer
O que será ser moça e ter
E vergonha de viver "
- Abandono - Edu Lobo/Chico Buarque – fragmento
"Ai ondas que eu vin veer,
se me saberedes dizer
por que tarda meu amigo
sen mí?
Ai ondas que eu vin mirar,
se me saberedes contar
por que tarda meu amigo
sen mí?"
- Martim Codax – séc. XIII-XIV
"(...)O seu homem foi-se embora,
Prometendo voltar já.
Mas as ondas não têm hora,
Morena,
De partir ou de voltar.
Passa a vela e vai-se embora
Passa o tempo e vai também.
Mas meu canto ‘inda lhe Implora,
morena,
Agora, morena, vem."
- Morena dos olhos d’água – Chico Buarque - fragmento
Nas duas composições, observamos o tema do abandono e da tristeza do eu lírico feminino.
Estudos mais recentes têm estabelecido uma relação entre
as cantigas de escárnio e maldizer e as letras dos funks
cariocas. Compostas pelos mesmos trovadores medievais,
essa modalidade de cantigas tinha o objetivo especí�co de
satirizar �guras da Idade Média e criticar determinados
comportamentos sociais, como se identi�ca, hoje, no funk.
Trata-se, no caso, de uma proposta de processo criativo e
não de in�uências diretas dos textos medievais sobre essas
manifestações culturais especí�cas.
 Chico Buarque de Holanda – Trovador Moderno
 Propostas Estéticas dos Movimentos Literários na Música Popular
Brasileira
As in�uências literárias sobre a música popular brasileira
não se limitam a uma retomada direta – a que se chama
intertextualidade – de elementos dos textos poéticos. As
propostas estéticas dos movimentos literários também
deixaram modelos que são assimilados pela sociedade e se
repetem na música contemporânea.
O Romantismo é, seguramente, a maior fonte de in�uência
para os compositores modernos. O modelo de amor ideal e
o sofrimento por amor, inaugurados pelas cantigas de amor
e aprimorados pelo movimento romântico, particularmente
a partir do século XIX, são constantes no cancioneiro
popular nacional.
Nas composições abaixo, é apresentado um dos temas mais constantes do Romantismo: a dor da separação.
"(...) Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo. "
- Nel Mezzo del Camin... – Olavo Bilac – fragmento
"(...)E agora tudo bem
Você partiu para ver
Outras paisagens
E o meu coração embora
Finja fazer mil viagens
Fica batendo parado
Naquela estação
(...)"
- Naquela Estação – (João Donato/ Caetano Veloso/Ronaldo Bastos – fragmento)
Nos anos 70, o cenário musical brasileiro estava limitado pela censura. Alguns compositores, como Chico Buarque,
conseguiam ludibriar os censores com metáforas difíceis de serem interpretadas e enviavam à nação suas mensagens contra
a ditadura. No entanto, a maior parte dos artistas não encontrava espaço para criar livremente. É nesse período que invadem as
rádios músicas nas quais podem ser identi�cadas as marcas do movimento literário denominado Arcadismo, o qual pregava a
simplicidade da vida no campo, o amor tranquilo, a abdicação dos ideaisrevolucionários.
Há uma interessante relação entre história, literatura e música que podemos estabelecer. No século XVIII, época do Arcadismo,
o mundo vivia uma grande revolução. A burguesia assumiu o poder com a Revolução Francesa (1789) e ameaçava as
monarquias constituídas. No mesmo ano, a Coroa portuguesa debelava uma revolta, no Brasil, contra a cobrança de impostos
abusivos, revolução essa que �cou conhecida como Incon�dência Mineira.
No entanto, a poesia, indiferente a esses fatos, tratava de temas bucólicos.
Em nosso país, algo semelhante acontecia na década de 70: em meio a
revoltas contra a ditadura, a música que fazia sucesso nas rádios também
pregava o equilíbrio, a serenidade, a paz da vida no campo.
Em 1971, Elis Regina gravou a música “Casa no Campo”, de
Zé Rodrix e Tavito: “Eu quero uma casa no campo / Onde eu
possa compor muitos rocks rurais / E tenha somente a
certeza / Dos amigos do peito e nada mais / Eu quero uma
casa no campo / Onde eu possa �car do tamanho da paz
(...)”. Em 1975, o cantor Gilson fez sucesso com uma
composição sua e de Joran chamada “Casinha Branca”, que
repetia os ideais árcades: “Eu queria ter na vida
simplesmente / Um lugar de mato verde / Pra plantar e pra
colher / Ter uma casinha branca de varanda / Um quintal e
uma janela / Para ver o sol nascer”. Relançada
recentemente, a música “Além do Horizonte” (1975), de
Eramos Carlos e Roberto Carlos, retoma os elementos
estéticos da literatura árcade.
"Enquanto pasta alegre o manso gado,
minha bela Marília, nos sentemos
à sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
na regular beleza,
que em tudo quanto vive nos descobre
a sábia Natureza."
- Lira XIX – Tomás Antonio Gonzaga – fragmento
"Além do horizonte deve ter
Algum lugar bonito
Pra viver em paz
Onde eu possa encontrar
A natureza
Alegria e felicidade
Com certeza
Lá nesse lugar
O amanhecer é lindo
Com flores festejando
Mais um dia que vem vindo
Onde a gente pode
Se deitar no campo
Se amar na relva Escutando
O canto dos pássaros "
- Erasmo Carlos e Roberto Carlos - fragmento
"(...)Vem, ó Marília, vem lograr comigo
Destes alegres campos a beleza,
Destas copadas árvores o abrigo:
Deixa louvar da corte a vã grandeza:
Quanto me agrada mais estar contigo
Notando as perfeições da Natureza!” "
- Soneto de Bocage – fragmento
A proposta do eu lírico, nas três composições, é a mesma: um convite à amada para viverem juntos uma vida simples no
campo.
 Apropriação da Poesia Pela Música: O Poema Musicado
É comum que grandes compositores se dediquem a criar melodias para poemas conhecidos ou adaptar poemas a uma nova
composição. Essa proposta estreita ainda mais a relação entre literatura e música, consolidando um diálogo entre as duas
manifestações artísticas.
Famosos poemas foram musicados ou serviram de inspiração para grandes letristas. Chico Buarque, mais uma vez, destaca-se
nesse trabalho. A sua bela leitura do poema “Morte e Vida Severina”¹ (1956), de João Cabral de Melo Neto, levou o poeta a ser
premiado no Festival de Nancy (1966).
Chico Buarque continua seu projeto, e vários outros poemas tornam-se a semente de belas composições. Em 1968, o cantor e
compositor participou do III Festival Internacional da Canção apresentando a música “Sabiá”, em intertextualidade com o
poema romântico de Gonçalves Dias “Canção do Exílio”.
A música era um protesto contra a ditadura, fazendo uma alusão aos opositores do governo que foram exilados. Mas o público
não entendeu a proposta e vaiou a apresentação, que contava também com Tom Jobim e Cybele e Cynara, do Quarteto em
Cy2.
Leitura
Leia o poema na íntegra.
"Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá."
- Canção do Exílio, Gonçalves Dias - fragmento
"Vou voltar, sei que ainda
Vou voltar para o meu lugar
Foi lá, é ainda lá
Que eu hei de ouvir
Cantar uma sabiá
Cantar uma sabiá"
- Tom Jobim e Chico Buarque - fragmento
Apresentação da música “Sabiá”: Tom Jobim, Cybele e
Cyrana e Chico Buarque.
São incontáveis as intertextualidades entre a literatura e a música brasileira. Adriana Calcanhoto fez uma melodia para o
poema “O Outro”, do poeta português Mário de Sá-Carneiro; também encantada com a poesia portuguesa, Maria Bethânia
gravou CDs com poemas de Fernando Pessoa e de seus heterônimos, além de outros poetas lusitanos, como Manuel Alegre e
Sophia de Mello Breyner Andressen; Fernando Pessoa, dos mais citados, possui versos retomados por Caetano Veloso, como
“A língua é minha pátria”.
javascript:void(0);
 Adriana Calcanhoto, Maria Betânia e Caetano Veloso
O cantor Raimundo Fagner alcançou enorme sucesso com poemas musicados, dos quais se destacam “Canteiros”,
apropriação do poema “Marcha” de Cecília Meireles; “Traduzir-se”, de Ferreira Gullar; e “Fanatismo”, de Florbela Espanca.
E Renato Russo, líder da banda de rock Legião Urbana, fez história com a música Monte Castelo, a qual unia um texto bíblico ao
famoso soneto de Luís Vaz de Camões: “O amor é fogo que arde sem se ver...
 Raimundo Fagner  Renato Russo
 Os Estudos Acadêmicos Sobre Música Popular
Há muito a música foi incluída nos estudos acadêmicos em comparação com a literatura. A importância das composições
musicais brasileiras foi reconhecida pelos institutos de Letras e, hoje, é possível estudar tanto uma relação entre os dois tipos
de arte – literatura e música – quanto reconhecer que a letra de uma música pode, sim, ser considerada poesia.
Vários críticos literários têm se dedicado ao tema, entre eles, José Miguel Wisnik e Luiz Tatit. Ambos consideram que a música
brasileira conquistou um lugar tão especial quanto o que vinha sendo ocupado pela poesia.
José Miguel Wisnik especi�ca a relação entre música e literatura:
"O surgimento, na segunda metade do século XX, de artistas como Chico Buarque,
Caetano Veloso, Antônio Cícero, reafirma esta singularidade da cultura brasileira. Eles, e
outros, alternam e combinam a atividade de músicos com intervenções importantes na
cultura letrada. Chico Buarque através de romances, Caetano Veloso em ensaios e
Antônio Cícero em livros de filosofia e poesia."
- O Globo
Luiz Tatit, professor da USP, poeta, letrista e cantor, no
documentário “Palavra (en)cantada”, de Helena Solberg e
Marcio Debellian, busca referências mais internas da
relação entre música e poesia e lembra que a canção
depende basicamente da melodia da fala, especialmente no
Brasil, país de forte tradição oral.
O poema concreto, estudado na aula 8 em sua relação com
as artes plásticas, mais uma vez se destaca em nossos
estudos, visto serem estabelecidas relações entre a estética
concretista e as músicas do Tropicalismo. O poeta
concretista Augusto de Campos, em matéria de jornal,
elogiou a música “Boa Palavra”, de Caetano Veloso,
composta em 1966.
javascript:void(0);
 Caetano Veloso
Caetano Veloso, reconhecido como um dos maiores poetas
da música brasileira, curiosamente é associado ao
movimento concretista com a mesma frequência com que é
apontado como o mais barroco de nossos compositores.
Sem dúvida, o trabalho com a linguagem elaborado por
Caetano Veloso faz merecer a denominação de poesia para
as letras de suas canções.
Todos os teóricos reconhecem que, hoje, quem discute
música é o crítico de literatura e o acadêmico, os quais
deslocam, com frequência, seu centro de interesse do livro
para a música.
Silviano Santiago apresenta uma explicação para esse fato: “o atraso da literatura com relação a outras formas de expressão
artística”. E explica:
"Tal atraso tem sua razão de ser no fato de a nova geração olhar com tremendo pouco
caso a comunicação verbal e de considerar ainda com violento desprezo o que se define
hoje como escritura. E também porque, do ponto de vista sociológico, estejamos diante
de uma geração que curte o gregário, estando, pois, impossibilitada de aceitar a regra
maior para a leitura do texto literário, a solidão."
- Silviano Santiago, 2000
Não há dúvida de que a música assumiu um lugar de destaquena pirâmide da cultura nacional. É verdade que, tendo razão
Silviano Santiago, isso é consequência de um comportamento cultural negativo, que é a autodestruição de nossa existência
como leitores críticos e competentes. Talvez por isso poetas transitem entre o texto e a música, como Antônio Cícero e Arnaldo
Antunes. Seja como for, temos sido presenteados com poemas em forma de música por Chico Buarque, Caetano Veloso,
Gilberto Gil, Djavan, Adriana Calcanhoto, Lenine, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Ana Carolina e tantos outros compositores que têm
assumido a missão de desenvolver a nossa cultura contemporânea.
Quem sabe não seja a hora de trilharmos o caminho de volta: reconhecer,
através da música, o valor da poesia e voltarmos a ser leitores críticos e
competentes?
Notas
Referências
AUERBACH, Erich. Mimesis: a representação da realidade na literatura ocidental. São Paulo: Perspectiva, 2004.
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e �loso�a da linguagem. São Paulo: Editora Hucitec, 2004.
BOSI, Alfredo. Re�exões sobre a arte. São Paulo: Ática, 1991.
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2005.
DURIGAN, Jesus Antônio. Erotismo e literatura. São Paulo: Ática, 1986.
HEIDEGGER, Martin. A origem da obra de arte. Lisboa: Edições 70, 2007.
HAUSER, Arnold. História social da arte e da literatura. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
JOLY, Martine. Introdução à análise da imagem. São Paulo: Papirus Editora, 2009.
ROSENFELD, Anatol. Cinema: arte & indústria. São Paulo: Perspectiva, 2002.
SANTIAGO, Silviano. Literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. 2. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2000.
SODRÉ, Nelson Werneck. Síntese de história da cultura brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand, 2003.
TINHORÃO, José Ramos. História social da música popular brasileira. São Paulo: Ed. 34, 2005.
VIANNA, Hermano. Mistério do samba. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2004.
Bibliogra�a complementar:
BOSI, Alfredo. “Sobre alguns modos de ler poesia: memórias e re�exões”. in. Leitura de poesia. São Paulo: Ática, 1996.
LIPOVETSKY, Gilles. “Narcisismo ou a estratégia do vazio”, “Modernismo e pós-modernismo”. in. A era do vazio. São Paulo:
Manole, 2006.
Próxima aula
Explore mais

Mais conteúdos dessa disciplina