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Osteopenia e Osteoporose Introdução → A osteoporose é uma doença osteometabólica sistêmica, caracterizada pela redução na densidade e qualidade óssea, e tem como desfecho clínico mais importante a ocorrência de fraturas por baixo impacto (fragilidade). → Diminuição da quantidade óssea (diminuição da densidade) → Alteração da microarquitetura óssea e a taxa/grau de remodelação óssea (redução da qualidade óssea) Epidemiologia → Doença óssea mais comum → Principal causa de fraturas na população acima de 50 anos. → Atinge mais o sexo feminino, apesar de acometer ambos os sexos (fator hormonal relacionado com a menopausa) → Prevalência aumenta com a idade. → Com envelhecimento é esperado o aumento do total de fraturas. → Fraturas aumentam a mortalidade em 12- 20% nos 2 anos subsequentes. → Falta de reconhecimento pelo profissional de saúde. → 1 diagnóstico a cada 3 fraturas de quadril → 1 tratamento a cada 5 fraturas de quadril! → Em mulheres acima dos 45 anos, a osteoporose é responsável por mais dias de internação do que qualquer outra doença, incluindo diabetes, infarto do miocárdio e câncer de mama. → As fraturas mais comuns relacionadas a osteoporose, ou seja, fraturas que acontecem ao menor trauma, como cair da própria altura ou menos, são chamadas de fraturas osteoporóticas ou de fragilidade. Fratura do colo de fêmur. Fratura do rádio distal: Colles (fratura de flexão) e Smith (fratura de extensão do punho) Fratura vertebral Tecido Ósseo → Osso cortical: faz parte de 85% do tecido ósseo e do tecido da sustentação apendicular (membro inferior e membro superior → é a maior parte do tecido, é uma estrutura compacta pois é mais rígido e tem pouco contato com o meio externo) → Osso trabecular: 15% do tecido ósseo, faz as trabéculas ósseas e ele está principalmente em ossos chatos, coluna vertebral e extremidade distal dos ossos. Tem aspecto esponjoso pois no meio tem a medular óssea, e se tem sangue, tem um alto contato com a superfície do meio externo (osso muito metabolicamente ativo) Remodelação Óssea → Processo fisiológico através do qual o osso se renova, permitindo seu reparo. → Permite a liberação de cálcio e fósforo que são armazenados na matriz óssea. → Esse processo ocorre tanto no osso cortical quanto trabecular. → A remodelação é composta de 5 fases: ativação, reabsorção, reversão, formação, mineralização. → Osteoclasto está relacionado com processo de remodelação e mais especificamente reabsorver e o osteoblasto em gerar osso (“osteoclasto come e o osteoblasto forma”) → A primeira fase que temos é a ativação, e para isso precisa emitir um sinal para que o osso comece a ser remodelado. A partir disso o osso vai começar a ser reabsorvido, e quem age na reabsorção são os osteoclastos, liberando enzimas e ácidos para digerir o osso velho. → Mas esse processo uma hora tem que parar, afinal não temos interesse nenhum que o osteoclasto consuma todo o osso, esse processo é chamado de reversão. → Então, tem um sinal para parar o processo e iniciar a formação óssea que se dá a partir do osteoblasto. → E, por fim, temos um processo chamado mineralização que, o depósito de hidroxiapatita confere resistência para o osso Vias de sinalização VIA RANK- RANK L-OP → O osteoblasto libera alguns mediadores, e esses sinais são, por exemplo, a via RANK- RANK ligante-osteoprotegerina. → O RANK L é liberado pelo osteoblasto e o osteoclasto tem um receptor do RANK → Osteoblasto → libera RANK L → se liga ao receptor RANK → osteoblasto ativa esse osteoclasto → osso vai ser reabsorvido. → Mas, o osteoblasto também gera uma substância chamada osteoprotegerina que tem muito mais afinidade para o RANK-L do que o próprio receptor do RANK, e se não gruda o RANK L esse osteoclasto não vai reabsorver, e o osso vai formar, pois o osteoblasto está estimulando a formação VIA WNT → Ajuda para que o osteoblasto se torne maduro → A glicoproteina WNT se liga no receptor LRP5 no osteoblasto e, com isso, impede que a betacatenina seja consumida e permite que o osteoblasto continue crescendo e se torne um osteoblasto maduro. → No entanto, a betacatenina regula a expressão de genes que levarão a maturação do osteoblasto de imaturo para maduro, ou seja, a partir do momento que ligamos a via WNT, a betacatenina faz o papel dela que é fazer crescer o osteoblasto. → Há também, inibidores da via WNT, chamados DKK-1 e esclerotina, que impedem a ligação da via WNT pois vão grudar no receptor da LTP5. → E, se a via WNT impedia a fosforalização da betacatenina, essas duas vias que a betacatenina seja fosforilada. → Se a betacatenina é consumida, não tem como impedir que a transdução celular para que esse osteoblasto fique maduro Fisiopatologia → Receptores de estrogênio estão presentes em osteoblastos, osteócitos e osteoclastos. → Na menopausa, onde há falta de estrogênio, ocorre aumento de RANK-L que vai levar a reabsorção óssea e diminuição de osteoprotegerina. → Terapia de reposição hormonal na mulher na menopausa diminui risco de osteoporose → Retira cálcio do osso para jogar ao plasma sanguíneo. → Duplo efeito: Secreção continua (hiperpara) favorece a reabsorção óssea. Secreção pulsada (fisiológica) favorece formação óssea, inibindo a esclerotina. → Uso exógeno e suprafisiológico é danoso ao sistema ósseo. → Receptores de GCs em osteoclastos, osteócitos, osteoblastos. → Diminuem a formação óssea, perda de osteócitos, aumento da reabsorção óssea. Rastreio → De modo geral, recomenda-se a avaliação de risco de fraturas em mulheres acima dos 65 anos ou homens acima dos 70 anos de idade. → A avaliação do risco de fraturas em mulheres com idade inferior a 65 anos ou homens abaixo dos 70 anos será indicado quando houver ao menos um dos fatores de risco a seguir. → Não é recomendado avaliar, rotineiramente, indivíduos com menos de 50 anos sem nenhum fator de risco relevante, pois é improvável que tenham osteoporose. Fatores de Risco → A avaliação do risco de fraturas em mulheres com idade inferior a 65 anos ou homens abaixo dos 70 anos será indicado quando houver ao menos um dos fatores de risco a seguir: Idade Fratura prévia por fragilidade GCs orais ou sistêmicos Insuficiência ovariana prematura ou hipogonadismo masculino História de quedas História familiar de fratura de quadril IMC < 18,5 Tabagismo Etilismo Osteoporose secundária → Independente da idade, se o paciente apresenta algum desses fatores de risco, prosseguir com investigação para osteoporose: Fratura prévia por fragilidade Insuficiência ovariana prematura ou hipogonadismo masculino GCs orais ou sistêmicos → Exemplos: Mulher, 36 anos, histerectomizada e Ooferectomizada. Homem, 42 anos, artrite reumatoide tratando apenas com corticoide. Mulher, 49 anos, fratura de vertebra assintomática, em exame de imagem Classificação Primária → Idiopática (juvenil ou do adulto jovem) → Involucional Tipo 1- pós menopausa Tipo 2- senil Secundária → Decorrente de outras doenças. → Endocrinológicas (menopausa precoce, hipertireoidismo, hiperprolactinemia, Cushing, diabetes mellitus) → Hematológicas (mieloma múltiplo, hemoglobinopatias, mastocitose) → Reumatológicas (artrite reumatoide, espondiloartrite) → Respiratório (fibrose cística, doença pulmonar obstrutiva crônica) → Gastrointestinais (doença celíaca, doença inflamatória intestinal, intestino curto) → Imobilidade (lesão neurológica) Quadro Clínico → Sem manifestação clínica evidente até que haja uma fratura. → A osteoporose NÃO LEVA A DOR, ao menos que tenha fratura. → As complicaçõesdas fraturas incluem: Dor Deformidade Incapacidade física Perda de altura (quando fratura vertebral) → As fraturas vertebrais (2/3) é assintomática, tendo como achado incidental em radiografias. → A cifose devido a fratura vertebral e perda de altura compromete a função respiratória e cardíaca. Diagnostico → O diagnóstico é possível através de 3 maneiras: Fratura de Fragilidade Prévia (osteoporose estabelecida) Densitometria óssea com T-score ≤ - 2.5 DP → Resistência óssea é determinada pela densidade óssea. → Baixa massa óssea é preditor aumentado de fraturas. → A DMO serve como diagnóstico e monitoramento da resposta terapêutica da osteoporose. → Expressa o resultado da densidade em gramas/cm² → Resultado do indivíduo é comparado com um banco de dados nacional em relação a população adulta jovem e da mesma faixa etária que o indivíduo. → Escore T: número de desvio padrão (DP) em que a DMO do indivíduo avaliado se encontra em relação ao grupo de adultos jovens do banco de dados de referência. → Escore Z: número de desvio padrão (DP) em que a DMO do indivíduo avaliado se encontra em relação ao grupo de mesma faixa etária do banco de dados de referência. → Solicitar densitometria: Mulheres acima dos 65 anos ou homens acima dos 50 anos de idade Mulheres com idade inferior a 65 anos ou homens abaixo dos 70 anos será indicado quando houver ao menos um dos fatores de risco. Menos de 50 anos se: insuficiência ovariana, hipogonadismo masculino, fratura por fragilidade, uso de glicocorticoides. → Regiões de interesse da densitometria Coluna lombar (vertebras de L1-L4 na projeção anteroposterior) Fêmur proximal (colo do fêmur ou total) Antebraço não dominante (radio 33%) - se obesidade (não cabe no aparelho), próteses de quadril, hiperparatireoidismo → Quando idade maior ou igual a 50 anos (homem) ou mulher pós-menopausa, devemos usar o t-score como diagnóstico → Osteopenia é uma condição pré-clínica, não é uma doença, mas um sinal de alerta para osteoporose futura. → Mulheres pré-menopausa e homens com menos de 50 anos devemos olhar o seguimento z-score → Z-SCORE ≤ -2,0 não chamamos de osteoporose, e sim de baixa massa óssea para idade (investigar causas secundárias de OP) Frax score de alto risco → Algoritmo disponível digitalmente → Usa combinação de fatores de risco associados ou não a densitometria de colo de fêmur. → Fornece a probabilidade de fraturas maiores (fêmur, fratura vertebral, úmero ou punho) ou simplesmente a fratura de fêmur nos próximos 10 anos. → Somente pode usado em homens e mulheres acima de 40 anos. → Não aplicar o FRAX se já em uso de medicações para osteoporose. Laboratorial → Não são fundamentais para o diagnóstico de osteoporose. → São úteis para a identificação de causas secundárias de osteoporose. → Também contribuem como agravante de uma osteoporose primária. Hemograma completo com plaquetas Creatinina Cálcio Fosfatase alcalina Fósforo inorgânico 25 (OH) vitamina D PTH (paratormônio) Cálcio Urinário de 24 horas Tratamento Cálcio → Em qualquer fase da vida necessitamos de uma ingesta de cálcio de 1000mg/dia. → Nas mulheres após menopausa essa necessidade passa a ser de 1500mg/dia. → Principal fonte de cálcio é o leite e seus derivados (iogurte, queijo) → Dietas veganas ou vegetarianas isentas de lácteos com deficiência. → Copo de leite de 300ml com média de 300mg de cálcio. → Regra prática: consumir 3 porções de derivados de leite por dia, em diferentes horários. Exemplo: copo de leite pela manhã, um iogurte a tarde e uma fatia de queijo a noite... E se não conseguir, aí sim suplementar → Carbonato de cálcio Tem na unidade básica de saúde Vem associado a baixas doses de vitamina D para absorção. Carbonato de cálcio 500mg + vitamina D 400 UI (essa dose de vitamina D é só para absorver o carbonato, ela não faz nada na reposição de vitamina D) Tomar um comprimido após almoço. Um comprimido substitui uma refeição, e a pessoa tem que ter três refeições, por isso podemos chegar até três comprimidos de cálcio por dia → Citrato de cálcio Indicado para pacientes com acloridria (uso de inibidores de bomba de próton, nefrolitíase ou bariátricos. Citrato de cálcio 250mg + vitamina D 400 UI Tomar um comprimido após café da manhã e após almoço. Vitamina D → Principal função vitamina D é a concentração séricas de cálcio e fósforo num intervalo compatível para manter processo celular, função neuromuscular e mineralização do osso. → Aumenta a eficiência da absorção de cálcio e fósforo proveniente da dieta. → Efeitos extra-esqueleticos como risco de quedas, sistema imunitário, doenças auto- imunes, risco de câncer, infecção e eventos cardiovasculares. → Alvo ideal de vitamina D entre 30-50 ng/ml → Como prescrever: <20ng/ml = deficiência Colecalciferol 50.000 UI: 1 comprimido 1x por semana por 8 semanas. Após, seguir esquema abaixo. 20-30ng/ml = insuficiência Colecalciferol 7000 UI: 1 comprimido 1 x por semana até o retorno em 6 meses → Vitamina D ou Colecalciferol é a forma natural da vitamina D → Produzido a partir do 7-desidrocolesterol, esterol presente na pele dos mamíferos por irradiação ultravioleta. → Principal função vitamina D é a concentração séricas de cálcio e fósforo num intervalo compatível para manter processo celular, função neuromuscular e mineralização do osso. → Aumenta a eficiência da absorção de cálcio e fósforo proveniente da dieta. → Efeitos extra-esqueleticos como risco de quedas, sistema imunitário, doenças auto- imunes, risco de câncer, infecção e eventos cardiovasculares. Vitamina D e cálcio NÃO SÃO tratamentos para osteoporose. Seu uso é indicado na osteoporose e na osteopenia mas não impedem fratura. Bifosfonatos (BF) → Classe de medicamento mais prescrita no mundo para o tratamento de osteoporose. → Aumentam a densidade mineral óssea, diminuindo o risco de fraturas da osteoporose. → Mecanismo de ação: inibem a reabsorção óssea pelos osteoclastos → se impregnam na borda em escova do osteoclasto impedindo a reabsorção → efeito pode durar até 12 anos → Contra indicação: pacientes com doença renal crônica com taxa de filtração glomereular (<35ml/min) → Efeitos colaterais Orais (pirose, regurgitação, refluxo) Endovenosos (mialgia tipo influenza like e osteonecrose de mandíbula (oral pode, mas é mais raro) → Risedronato e ácido zoledrônico são considerados BF de alta potência enquanto que os demais de potência intermediária. Denosumabe (Prolia ®) → Anticorpo monoclonal humano que se liga no RANK-L. → Ou seja, imita a osteoprotegerina, inibidor natural do RANK-L → Impede a ligação do RANK ao RANK-L dessa maneira impedindo a reabsorção óssea. → Pode ser feito naqueles pacientes com doença renal crônica (TFG <35ml/min) → Apresentação: solução injetável SC de 60mg/ml → 1 caneta a cada 6/6 meses! → Aplicar na região próxima a cicatriz umbilical, coxas e braço proximal → Não tem efeito duradouro igual os bifosfonados. Então, se parar abruptamente, risco de maior perda óssea. → Não disponível no SUS. → Média de valor R$950,00 cada caneta. Romosozumabe (Evenity®) → Anticorpo monoclonal humano contra a esclerotina → mexe na via WNT → O romosozumabe se liga a esclerotina, impedindo desta última se ligar na via WNT, levando a um efeito anabólico, ou seja, maturando os osteoblastos, levando a um efeito osteoanabólico e antireabortivo. → Apresentação: 2 ampolas 210mg SC mês por 12 meses. Não disponível no SUS, média de 1000 reais por mês. Abaloparatida → Peptídeo sintético análogo da proteína do paratormônioque ativa o receptor do hormônio tipo 1 da paratireoide. → Mais efeitos colaterais e maior interrupção de tratamento que a teriparatida. Teriparatida (Forteo®) → Hormônio sintético do PTH. → PTH em doses baixas e intermitentes levam a formação de massa óssea. → Estabelecida para OP pós-menopáusica, induzida pelos glicocorticoides e OP em homens. → Efeito colateral: cefaleia, náusea, câimbras, hipercalcemia, anticorpo anti PTH. → Risco teórico de osteossarcoma. Contraindicado em malignidade óssea, tumor solido ou hematológico. → Apresentação: 20 microgramas/dia SC todos os dias por 1-2 anos Categorias de Risco ALTO RISCO (apenas um) Sem fratura prévia FRAX de alto risco T-score ≤ -2,5 BIFOSFONADOS: alendronato, risedronato e ácido zoledrônico DENOSUMABE MUITO ALTO RISCO (alto risco + um abaixo) Fratura em uso de medicação T-score <-3.0 Múltiplas fraturas ANABÓLICOS: teriparatida, abaloparatida e romosozumabe DENOSUMABE ÁCIDO ZOLEDRÔNICO Resumo Tratamento → Osteoblasto liberando RANK L → denosumabe é um inibidor do RANK L, age como se fosse a osteoprotegerina impedindo que o RANK L se ligue no receptor do RANK. → Romozosumabe é um anticorpo monoclonal que impede que a esclerotina se ligue no LRP5, fosforile a betacatenina e que o osteoblasto não fique maduro. → Bifosfonato se depositar na borda em escova do osteoclasto impedindo a reabsorção Outros (em desuso ...) → Análogos do estrogênio Agem modulando os receptores de estrogênio Exemplo: raloxifeno 60mg/dia Riscos: TVP, fogachos Em desuso, risco elevado de AVE → Calcitonina Hormônio secretado pelas células da tireoide Regulam os níveis de cálcio Diminuem a reabsorção óssea Dose diária de 200 UI pro spray nasal Tem efeito analgésico em pacientes com fraturas Tempo de Tratamento → Bifosfonatos: tratamento por no máximo 5 anos e endovenosos por no máximo 3 anos • Se o paciente não fraturou nesse período, mas a densitometria piorou, aumenta o tempo de uso dessa medicação: 10 anos no oral e 6 anos no endovenoso. • Se o paciente tomou o remédio por 5 anos, não fraturou e a densitometria melhorou, faz um “feriado” da medicação pois pode ficar até 12 anos na corrente sanguínea, daí faremos uma densitometria para avaliar se terá que voltar com o medicamento. • Se o paciente fraturou usando o remédio ou já abrir o quadro de osteoporose com fratura, vamos utilizar o tempo máximo: 10 anos no oral e 6 anos no endovenoso. • Nunca o uso de bifosfonados será por toda a vida, devido ao risco de fraturas atípicas pelo uso prolongado