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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA 
CURSO DE FISIOTERAPIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL NA AMPLITUDE DE MOVIMENTO DE 
DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS HEMIPLÉGICAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MICHELLE PONCE KERSTING 
ROBERTA RODRIGUES BATISTA NEVES SAMPAIO 
 
 
 
 
 
 
BRASÍLIA 
2008 
MICHELLE PONCE KERSTING 
ROBERTA RODRIGUES BATISTA NEVES SAMPAIO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL NA AMPLITUDE DE MOVIMENTO DE 
DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS HEMIPLÉGICAS 
 
 
 
 
 
 
Artigo científico apresentado à disciplina Trabalho 
de Conclusão de Curso - TCC como requisito parcial 
à conclusão do Curso de Fisioterapia na 
Universidade Católica de Brasília – UCB. 
 
Orientador: Prof. MSc. Maria Beatriz Silva e 
Borges 
 
 
 
 
BRASÍLIA 
 2008 
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA 
CURSO DE FISIOTERAPIA 
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO 
 
 
 
 
ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL NA AMPLITUDE DE MOVIMENTO DE 
DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS HEMIPLÉGICAS 
 
 
 
 
 
 
 
Para maior esclarecimento da banca as tabelas, gráficos e figuras estão dispostos no 
corpo do texto, porém de acordo com as normas da revista Fisioterapia em Movimento, estes 
deverão vir ao final do artigo. 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. MSc. Maria Beatriz Silva e Borges 
Alunas: Michelle Ponce Kersting 
 Roberta Rodrigues Batista Neves Sampaio 
 
 
 
BRASÍLIA 
2008 
 1 
ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL NA AMPLITUDE DE 
MOVIMENTO DE DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS 
HEMIPLÉGICAS 
 
Functional Eletrical Stimulation of the Range of Motion on Passive Dorsiflexion in 
Hemiplegic Children 
 
 
Maria Beatriz Silva e Borges1, Michelle Ponce Kersting2, Roberta Rodrigues Batista Neves 
Sampaio3 
 
1 Orientadora, Doutoranda da Faculdade de Medicina da UnB, Docente do Curso de 
Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF-Brasil, e-mail: 
mbeatrizborges@gmail.com 
2 Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF-
Brasil, e-mail: mi_kersting@yahoo.com.br 
3 Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília, Brasília, DF-
Brasil, e-mail: roberta_samp@hotmail.com 
 
 
 
 
 
 
 
 
Endereço para correspondência: 
Maria Beatriz Silva e Borges 
SQS 404 Bloco T apto. 202 Asa Sul Brasília/DF 
mbeatrizborges@gmail.com 
 
 
 2 
RESUMO 
A Hemiplegia caracteriza-se por déficit motor e espasticidade unilateral, comum nos 
músculos flexores plantares de crianças hemiplégicas, provocando uma diminuição da 
amplitude de movimento (ADM) de dorsiflexão. A eletroestimulação funcional (FES) vem 
sendo utilizada em crianças mostrando-se eficaz em casos de hemiplegia para redução da 
espasticidade. Este estudo objetiva analisar a ADM de dorsiflexão passiva em crianças 
hemiplégicas com a FES. Foi realizado um estudo transversal no qual dez pacientes (6 do 
sexo feminino e 4 do masculino, média de idade de 7,90 anos) foram submetidos a uma 
aplicação de FES. Com a goniometria foi mensurada a ADM passiva antes (13,30 ± 4,67) e 
após (18,40 ± 3,10) o uso da eletroestimulação, observando um aumento considerável da 
ADM de dorsiflexão passiva (p ≤ 0,05). Portanto, este estudo mostrou que a FES aplicada 
no músculo tibial anterior resultou em melhoras significativas neste movimento nas 
crianças hemiplégicas, podendo ser considerada como coadjuvante no tratamento destes 
pacientes. 
 
Palavras-chave: Hemiplegia; Dorsiflexão; FES. 
 
ABSTRACT 
The Hemiplegia is characterized by motor deficit and unilateral spasticity, common in 
plantar flexor muscles of hemiplegic children which cause a decrease in range of motion 
(ROM) of dorsiflexion. The Functional Electrical Stimulation (FES) which was being used 
in children showed effectiveness in cases of hemiplegia with a reduction of spasticity. This 
study aims to examine the ROM of passive dorsiflexion in hemiplegic children with FES. It 
made a cross-sectional study in which ten patients (6 females and 4 males with the average 
age of 7.90 years) were submitted to an application of FES. With the goniometry, passive 
ROM was measured before (13,30 ± 4,67) and after (18,40 ± 3,10) the use of electrical 
stimulation and a considerable increase of ROM of passive dorsiflexion was noticed (p ≤ 
0,05). So this study showed that when FES was applied to the anterior tibial muscle 
significant improvements resulted in hemiplegic children and this movement can be 
considered as an adjunct in the treatment of these patients. 
 
Keywords: Hemiplegic; Dorsiflexion; FES. 
 3 
INTRODUÇÃO 
 A Hemiplegia é definida como lesão cerebral que atinge os membros contralaterais 
ao lado do cérebro afetado e caracteriza-se por déficit motor e espasticidade unilateral. O 
crescimento do lado comprometido do corpo é habitualmente menor em relação ao lado 
oposto. Além de que o crescimento do lado comprometido do corpo é habitualmente menor 
em relação ao lado oposto. Alterações sensitivas estão presentes em grande parte dos casos, 
sendo que o grau dessa perda sensorial pode não refletir a gravidade do déficit motor (1). A 
criança hemiplégica apresenta alterações no alinhamento corporal, dificultando a 
transferência de peso sobre o lado afetado, (2) fazendo-a adotar uma marcha assimétrica, 
necessitando maior gasto energético, dificuldades em manter o equilíbrio e alterando a 
velocidade das passadas (3). 
 Umas das causas da Hemiplegia pode ser a Paralisia Cerebral (PC), conhecida 
também como “Encefalopatia Crônica Infantil Não-Progressiva” (3). A PC pode ser descrita 
como uma série heterogênea de síndromes clínicas caracterizada por distúrbios motores e 
alterações posturais permanentes que ocorrem no cérebro imaturo, podendo ou não estar 
associada a alterações cognitivas. Pode ocorrer no período pré, peri ou pós-natal. Sendo as 
causas pós-natais mais freqüentes: meningoencefalites, traumatismos cranioencefálicos, 
acidentes vascular encefálico infantil, lesões por afogamento, tumores encefálicos, dentre 
outras (1). 
 Segundo Fonseca et al. (4), um dos grandes problemas dos pacientes com PC é a 
espasticidade, que é o resultado do aumento patológico do tônus da musculatura, 
hiperreflexia e perda do controle inibitório da musculatura antagonista. A espasticidade 
indica a existência de lesões no sistema piramidal e este último é responsável pela 
realização e controle dos movimentos voluntários. A alteração no sistema piramidal 
caracteriza-se pela dificuldade na realização destes movimentos e pelo aumento do tônus 
muscular (2). 
 Na marcha da criança hemiplégica, observa-se um padrão flexor de membro 
superior com extensão do membro inferior no hemicorpo comprometido (5). A 
sintomatologia da hemiplegia varia em função da região cortical acometida (6) e da 
extensão da lesão nervosa (7). Em conseqüência, podem existir os distúrbios dos atos 
motores voluntários, os visoespaciais, os emocionais e os vários aspectos da linguagem 
 4 
(6,7). Porém, em alguns casos a seqüela é mínima, sendo observados pequenos problemas 
motores, dentre eles, a claudicação leve e dificuldades na realização de esforço físico (3). 
Na criança hemiplégica ocorre um desequilíbrio articular devido à sobreposição da 
musculatura antagonista sobre a agonista, pois a presença de espasticidade na primeira 
musculatura limita a força produzida pela segunda durante a realização do movimento 
voluntário. Essas alterações mantidas por um posicionamento incorreto ou devido ao 
desequilíbrio acarretarão um enfraquecimento por desuso da musculatura agonista, levando 
a um ciclo vicioso que pode culminar com uma deformidade articular (1,2,3,8), 
principalmente o eqüino varo (1,5). 
Na literatura são descritos diversos recursos terapêuticos utilizados para evitar a 
instalação de tais deformidades, como: a cinesioterapia, principalmente os métodos Bobath 
e Kabat; crioterapia; calorsuperficial; órteses e a eletroestimulação (9,10,11). 
A eletroestimulação funcional (FES) vem sendo utilizada em crianças mostrando-se 
eficaz em casos de PC (12,13,14) e hemiplegia (7). Possui corrente de baixa freqüência, que 
consiste na estimulação elétrica de um músculo privado de controle normal para produzir 
uma contração funcionalmente útil (15,16). Esta estimulação despolariza o nervo motor, 
produzindo uma resposta sincrônica em todas as unidades motoras do músculo estimulado 
(7). A eletroestimulação baseia-se no princípio de inibição recíproca, (2,7,12,17,18,19,20) 
que consiste em ao estimular o grupo de extensores ocorre redução imediata do tônus dos 
flexores. A repetição desses movimentos gera, por um mecanismo de retroalimentação, 
novos padrões motores no Sistema Nervoso Central (SNC), que podem ser utilizados com 
objetivos funcionais, levando à diminuição do tônus do grupo muscular agonista e a uma 
melhora do trofismo muscular pela ação local (2). 
A literatura mostra que a FES pode ser usada como coadjuvante no tratamento 
terapêutico (16) e cita a importância sobre sua utilização no fortalecimento muscular, 
ganhos de amplitude de movimento articular e redução da espasticidade em crianças com 
hemiplegia espástica (5,11,12,15,21). Além disso, tendo uma melhora na marcha com uma 
postura mais simétrica e melhora do equilíbrio (13,22), possibilitando uma posição do 
tornozelo com mais dorsiflexão no contato inicial e na fase de balanço (10, 16, 19, 23,24), 
quando comparada com a marcha sem estimulação (21). 
 
 5 
Portanto, o presente estudo teve como objetivo avaliar a utilização da FES na 
amplitude de movimento (ADM) de dorsiflexão passiva em crianças hemiplégicas. 
 
MATERIAIS E MÉTODOS 
Foi realizado um estudo transversal, no mês de abril de 2008, no setor de 
Neuropediatria da Clínica Escola de Fisioterapia do Hospital da Universidade Católica de 
Brasília (HUCB), aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Católica de 
Brasília, sobre o parecer 028/2008. 
Foram incluídas inicialmente vinte e três crianças, entre 4 e 12 anos, atendidas na 
Clínica Escola do HUCB com diagnóstico fisioterapêutico de hemiplegia espástica, 
integridade muscular em membro inferior e capacidade para entender e responder aos 
estímulos. Dessas apenas dez crianças participaram da pesquisa, seis do sexo feminino e 
quatro do sexo masculino, com média de idade de 7,90 anos. Os critérios de exclusão 
foram: crianças portadoras de alteração de sensibilidade e cognição, deformidade instalada 
de tornozelo, hipotonia, realização de cirurgia ou aplicação de toxina botulínica nos últimos 
seis meses e utilização de medicação para redução da espasticidade. Todos os responsáveis 
pelas crianças assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo 1). 
Como métodos de avaliação foram utilizados: a Escala de Ashworth modificada (1) 
para verificar o grau de espasticidade, e o goniômetro Carci® para medida da ADM passiva 
do tornozelo do membro inferior acometido, com o paciente sentado com quadril e joelho a 
90 graus, pé relaxado e suspenso. 
Os eletrodos utilizados foram de borracha siliconada com dimensões 5x3 cm, esses 
posicionados um no ponto motor do músculo tibial anterior e outro no ventre muscular 
(figura 1). Enquanto um eletrodo era posicionado no ponto motor, o outro era deslizado no 
ventre muscular até obter um melhor movimento de dorsiflexão. Assim como citado por 
van der Linden et al. (16), as posições dos eletrodos foram ajustadas movendo-os até obter 
uma máxima contração dos músculos selecionados com o mínimo desconforto, sem 
proporcionar movimentos indesejados do membro. A criança foi posicionada para o 
procedimento conforme o da avaliação e foi instruída a não realizar movimentos 
voluntários do tornozelo durante a passagem da corrente. 
Para a eletroestimulação foi utilizado o aparelho FES VIF-995 produzido pela 
indústria Quark® (figura 1) com uma corrente bifásica, simétrica. Com os parâmetros fixos 
 6 
de largura de pulso de 250 µs, freqüência de pulso de 50Hz, relação ON-OFF de 1/2 
(Ton=10 segundos e Toff=20 segundos), rampa de subida e de descida de 2 segundos. A 
intensidade da corrente foi modulada de acordo com a tolerância da criança e observação 
do movimento articular do tornozelo (13,19,21,22). 
 
FIGURA 1 – Posicionamento dos eletrodos e equipamento FES VIF-995 
 
Fonte: As Autoras. 
 
O protocolo da pesquisa consistiu na avaliação do tônus muscular, medida de ADM 
passiva de dorsiflexão do tornozelo pela goniometria, aplicação de eletroterapia durante 
vinte minutos e medida desta ADM do tornozelo após a FES. A eletroestimulação foi 
aplicada no músculo tibial anterior do dimídio plégico como uma substituição da sessão de 
fisioterapia convencional. 
Para a análise estatística foi utilizado o teste t de Student para amostras pareadas. O 
nível de significância adotado foi de p ≤ 0,05. 
 
RESULTADOS 
A tabela 1 mostra a caracterização da amostra e a avaliação da goniometria, na qual 
observa-se um aumento da amplitude de movimento de dorsiflexão passiva nos pacientes 
submetidos ao FES. 
 
 
 
 
 7 
TABELA 1 – Caracterização da Amostra e Intervenção 
* Medido segundo a Escala de Asworth modificada 
 
No gráfico 1 observa-se os graus de movimento da dorsiflexão passiva antes e após 
a utilização da FES, com o desvio padrão que demonstra a variação uniformizada dos 
dados. 
 
GRÁFICO 1 - Comparação do grau de movimento de dorsiflexão antes e depois 
 
0
5
10
15
20
25
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Pacientes
G
ra
u
s
 d
e
 m
o
v
im
e
n
to
Dorsiflexão antes Dorsiflexão depois
 
 
A Tabela 2 mostra as médias, desvio-padrão e as diferenças entre as medidas 
realizadas antes e após da eletroestimulação, assim como o valor do p. Assim, obteve-se um 
p value de 0,0002, concluindo que há 95% de probabilidade de que o tratamento tem efeito 
significativo nos pacientes. 
 
 
Sujeitos Idade (anos) Sexo 
Lado 
acometido 
Grau de 
espasticidade* 
Goniometria 
Antes Depois 
A.G. 7 F E 1 18º 20º 
D.M. 7 M D 1 12º 18º 
R.F. 12 M D 1 12º 20º 
L.B. 7 F D 1 8º 18º 
L.S. 12 F E 2 18º 20º 
J.B. 8 M D 2 12º 18º 
C.A. 10 F E 2 4º 10º 
M.L. 4 F E 1 15º 20º 
L.M. 8 F D 1 18º 20º 
J.V. 4 M D 1 16º 20º 
 8 
TABELA 2 – Média e desvio-padrão das variáveis 
 
 
Idade 
(anos) 
Dorsiflexão 
antes 
Dorsiflexão 
depois 
Grau de 
diferença 
p ≤ 0,05 
Média 7,90 13,30 18,40 5,10 
p value = 
0,0002 
DP 2,81 4,67 3,10 2,69 
 
A criança que teve um menor ganho foi de 3 graus e a que teve maior ganho foi de 
10 graus. Sendo assim, optou-se por dividir a amostra em dois grupos demonstrados no 
gráfico 2: o primeiro que teve ganho de 5 graus ou mais composto de seis crianças (60%) e 
o segundo que não atingiu 5 graus composto de apenas quatro crianças (40%). 
 
GRÁFICO 2 - Proporção de ganho da ADM dos pacientes 
 
60%
40%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
90%
100%
P
o
rc
e
n
ta
g
e
m
 d
e
 p
a
c
ie
n
te
s
Ganho de 5 graus ou mais. Não atingiu 5 graus.
 
 
DISCUSSÃO 
O presente estudo mostra os efeitos da FES sobre o aumento da ADM de 
dorsiflexão em crianças com PC do tipo hemiplegia espástica como citada na literatura 
(10,13,20,29). 
O aumento da amplitude de movimentação passiva, encontrada na presente 
pesquisa, indica a eficácia da eletroestimulação utilizada em crianças com PC objetivando 
também melhora da marcha e da força (3,14,20,25,26). Mäenpää et al. (20) demonstraram 
que o ganho de amplitude passiva de dorsiflexão persistiu por meses após a 
 9 
eletroestimulação, quando utilizada durante vinte a sessenta minutos, com uma freqüência 
de quatro a quinze vezes em um mês. 
No presente estudo, muitas crianças tiveram ganhos na ADM passiva de dorsiflexão 
acima de 5 graus ou mais e poucas abaixo de5 graus. Assim, como encontrado no estudo 
de Postans et al. (19) que obtiveram um maior número de crianças com ganhos acima de 5 
graus. 
Estudos mostram que a fraqueza muscular é comum em crianças com PC (27,28), 
principalmente dos dorsiflexores em função da espasticidade do tríceps sural (20,21,24), 
por isso o músculo tibial anterior tem sido alvo de estimulação elétrica em crianças 
hemiplégicas e diplégicas espásticas (20). Dessa forma, optou-se por estimular essa 
musculatura flexora de tornozelo devido à fraqueza desta em crianças hemiplégicas 
espásticas. 
Segundo Nelson et al.(17), um bom controle da espasticidade pode ser conseguido 
entre vinte e quarenta minutos de estimulação, o que produz um pós-efeito de redução da 
espasticidade de quinze a sessenta minutos (11). O resultado de uma redução bem sucedida 
da espasticidade é o aprimoramento da função por meio da melhora do controle voluntário 
ou da mobilidade articular (11,21,25). Sendo assim, no presente estudo optou-se por utilizar 
vinte minutos de estimulação conforme encontrado na literatura (10,12,13,17,20,25,29). 
A estimulação elétrica do músculo antagonista ao espástico promove o seu 
relaxamento, sendo evidenciado pela diminuição da resistência ao alongamento passivo do 
músculo espástico (9,27). Porém, Lima et al. (10) relataram que as melhorias funcionais 
alcançadas são devidas à melhora do recrutamento muscular agonista e não, 
necessariamente, à diminuição da espasticidade antagonista. O que foi confirmado ao 
observar que o estímulo no tibial anterior obteve um ganho de ADM passiva do tríceps 
sural pelo seu relaxamento. 
A presente pesquisa não objetivou avaliar o grau de força muscular, no entanto 
estudos mostram que um aumento na força de contração muscular ocorre do aumento no 
número de unidades motoras ativadas ou em função de mais unidades motoras recrutadas 
(12,24). O aumento na função devido a mudanças no controle motor, na força muscular ou 
na movimentação articular podem, por fim, levar a uma alteração no estado funcional 
(11,24). 
 10 
A FES é usada como forma de manutenção profilática da ADM em pacientes que 
correm o risco de desenvolver limitações articulares importantes na tentativa de se evitar 
procedimentos cirúrgicos. E deve ser usada associada a outras técnicas, tais como as 
órteses, obtendo-se um resultado mais eficaz (11). 
Existe consenso na literatura pesquisada a respeito da dificuldade de se realizar 
estudos a longo prazo com esta população. Assim, a escolha por esse estudo do tipo 
transversal possibilita o recrutamento de uma amostra maior (23,29). Os achados deste 
estudo confirmam os trabalhos supracitados, pois obteve-se um ganho significativo na 
ADM passiva dos dorsiflexores nas crianças com PC. 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 O presente estudo mostrou que a FES aplicada em único momento no músculo tibial 
anterior resultou em melhoras significativas na amplitude de movimento de dorsiflexão 
passiva em crianças hemiplégicas, demonstrando que a FES é um recurso terapêutico 
importante que pode ser utilizado como coadjuvante no tratamento. 
 Sugere-se outros estudos com um maior número de pacientes, possibilitando a 
inclusão de grupos experimental e controle, maior freqüência de utilização da FES no 
tratamento, a fim de investigar a duração do efeito terapêutico a longo prazo nos benefícios 
da FES, na redução da espasticidade, melhora da marcha, ADM e força. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 11 
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26. Staub ALP, Mahmud MAI, Rotta NT, Santos AC, Isvirsk AS. Estimulação elétrica 
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Bras 2006;7(5):357-62. 
27. Lianza, S. Medicina da Reabilitação. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2001. p. 
60-66. 
 13 
28. Elder GCB, Kirk J, Stewart G, Cook K, Weir D, Marshall A, Leahey L. Contributingfactors to muscle weakness in children with cerebral palsy. Dev Med Child Neurol 
2003;45:542-50. 
29. Kerr C, McDowell B, McDonough S. Electrical stimulation in cerebral palsy: a review 
of effects on strength and motor function. Dev Med Child Neurol 2004; 46: 205-13. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 14 
ANEXO I 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
 
Nome do paciente: ________________________________________________ 
Pesquisadoras responsáveis: Michelle Ponce Kersting 
 Roberta Rodrigues Batista Neves Sampaio 
Contatos com o Pesquisador: Tel: (61) 84270806 / 35673291 
 (61) 84264105 / 38772857 
 
Orientador: Profª. MSc. Maria Beatriz Silva e Borges 
 
1. Apresentação, Objetivos e Justificativa 
Este estudo se chama: “ANÁLISE DA ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL 
NA AMPLITUDE DE MOVIMENTO DE DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS 
HEMIPLÉGICAS”. 
Tem como objetivo identificar se a corrente elétrica (eletroestimulação) vai 
melhorar o movimento de conseguir dobrar o pé para cima (movimento de dorsiflexão), 
aumentar a força nessa musculatura e diminuir a contração nos músculos da perna deixando 
o tornozelo mais flexível para melhorar esse movimento do pé, podendo melhorar o modo 
de andar do paciente, evitando tropeços e quedas. 
É comum em crianças hemiplégicas a contração nos músculos da perna, o que leva a 
uma diminuição do movimento de dobrar o pé, provocando dificuldades no caminhar. 
Sendo assim, há uma preocupação em intervir para tentar melhorar o movimento do 
tornozelo e evitar as deformidades. 
2. Procedimentos: 
Participarão deste estudo crianças que estão em tratamento fisioterapêutico na 
Clínica Escola do HUCB. Serão retiradas informações sobre sua saúde nos prontuários da 
Fisioterapia Neuropediátrica. 
 A criança usará as mesmas roupas e calçados que costuma usar diariamente. Mas, se 
possível é melhor usar calças mais largas para possibilitar dobrá-las durante o atendimento 
e ser feito o uso do aparelho de eletroestimulação que colocará dois eletrodos de plástico na 
parte da frente da perna. 
 15 
 Como funcionará o aparelho: para que ocorra o movimento de dobrar o tornozelo 
(de contração da musculatura), primeiro você tem que pensar no movimento, então vem um 
estímulo elétrico lá de cima, ou seja, do cérebro, que dará um estímulo pelo nervo, para 
chegar ao tornozelo e mandá-lo dobrar. O aparelho vai substituir o cérebro, você não 
precisará pensar para contrair. A corrente substituirá o estímulo (informação) que o nervo 
traria para ir ao músculo e fazer a contração. 
3. Possíveis Riscos e desconfortos 
 Não será realizado nenhum procedimento invasivo, ou seja, que fure o paciente, e 
nenhum uso de medicamento. E o uso da eletroterapia será feita dentro dos parâmetros 
(F=50HZ; Rampa de subida=10segundos e de descida=20segundos; Ton e Toff=1:2; 
Tempo=20minutos) benéficos para sua indicação no qual não há risco de queimaduras, 
choques e lesões nas crianças. 
4. Benefícios: 
 Durante o estudo a criança será beneficiada, pois se durante as sessões de tratamento 
for identificado que há uma melhora no movimento de dobrar o tornozelo, será comunicada 
ao responsável que poderá tomar providências preventivas para a criança continuar 
realizando esse movimento e não ter possíveis deformidades futuras. Por isso, deve-se 
orientar os responsáveis quanto ao uso do melhor calçado, o jeito correto de andar e o que a 
criança não deve fazer. 
5. Responsabilidades e esclarecimentos sobre o estudo. 
Se precisar esclarecer alguma dúvida antes, durante ou depois sobre a conduta deste 
estudo, deverá entrar em contato com as pesquisadoras Michelle Ponce Kersting pelo 
telefone: 84270806 / 35673291 e com a pesquisadora Roberta Rodrigues Batista Neves 
Sampaio pelo telefone: 84264105 / 38772857. 
 6. Sigilo e Privacidade 
As informações de seu histórico médico assim como as de seus dados pessoais serão 
usadas exclusivamente para fins do estudo, e, sendo as mesmas confidenciais e todas as 
precauções serão tomadas para preservá-las, ficando restrito ao conhecimento das 
pesquisadoras. 
Os resultados dos estudos poderão ser publicados em revistas médicas, 
fisioterapêuticas nacionais e ou internacionais, apresentados em congressos ou eventos 
 16 
científicos ou às autoridades sanitárias, sem que seu nome seja mencionado em parte 
alguma. 
7. Autonomia e Possíveis Ressarcimentos 
O senhor (a) tem a liberdade de recusar a participação da criança que é responsável 
ou retirar o seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma e 
sem prejuízo ao cuidado da criança. 
Não haverá nenhum tipo de despesa financeira para o (a) senhor (a), não havendo 
necessidade de ressarcimentos. 
EU...........................................................................Identidade..........................., 
declaro que fui informado e devidamente esclarecido do projeto de pesquisa intitulado: 
ANÁLISE DA ELETROESTIMULAÇÃO FUNCIONAL NA AMPLITUDE DE 
MOVIMENTO DE DORSIFLEXÃO PASSIVA EM CRIANÇAS HEMIPLÉGICAS 
desenvolvido pelas pesquisadoras Michelle Ponce Kersting e Roberta Rodrigues Batista 
Neves Sampaio do curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Brasília-UCB, quanto 
aos itens da resolução 196/96 e consinto voluntariamente em participar desta pesquisa. 
Nome:........................................................................................................... 
Data de nascimento:....../......../........ Sexo M( ) F( ) 
Representante legal:...................................................................................... 
Endereço:....................................................................................................... 
Bairro:.............................cidade:....................CEP:...............Tel:................. 
 
.................................................... 
Assinatura do declarante 
 
Brasília,.......de.............2008. 
 
 
Declaração do pesquisador 
Declaro, para fins da realização da pesquisa, que cumprirei todas as exigências 
acima, na qual obtive de forma apropriada e voluntária, o consentimento livre e esclarecido 
do declarante, qualificado para a realização desta pesquisa. 
................................................... 
Assinatura do pesquisador responsável

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