Prévia do material em texto
LOQ4062– Laboratório de Engenharia Química III UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ENGENHARIA QUÍMICA Profa. Lívia Chaguri E-mail: lchaguri@usp.br 2 ⮚ A realização de algumas operações depende da efetiva agitação e mistura dos fluidos. ⮚ É importante saber que Agitação é diferente de Mistura, não são sinônimos. ⮚ 2 operações unitárias diferentes. ⮚ Consistem na movimentação de líquidos, diferentes ao padrão de do movimento. Agitação e Mistura Introdução: 3 Agitação e Mistura Agitação: indução de movimento do fluido em uma direção específica, geralmente em padrões circulares dentro de um tanque, por meio de impulsores giratórios, ocorrendo em uma única fase. Perfil circulante. Mistura: é o movimento irregular de duas ou mais fases inicialmente separadas, tal como um fluido e um sólido em pó ou dois fluidos, fazendo com que sejam distribuídos aleatoriamente um através do outro, de forma homogênea. Ex: Tanque com água (material homogêneo) pode ser agitado Ex: Tanque com água (material homogêneo) pode ser agitado e material em pó pode ser misturado à água Introdução: 4 Agitação de líquidos - finalidade Agitação de líquidos: realizada para: i) Acelerar as taxas de transferência de calor e massa; ii) Facilitar a ocorrência de reações químicas; iii) Suspender partículas sólidas em um meio líquido; iv) Misturar dois líquidos miscíveis; v) Dispersar gases e líquidos; vi) Dispersar um segundo líquido imiscível com o primeiro, para formar emulsão. 5 Agitação de líquidos - aplicação Agitação de líquidos: operação de pequena, média e larga escala. Exemplos de uso: i) Dispersão de hidrogênio em reatores de hidrogenação de gorduras; ii) Circulação de líquidos em tachos de fermentação; iii) Tanques com agitadores no tratamento térmico por batelada de leite; iv) Tanques de extração ou cozimento; v) Tanques de lavagem de material. 6 Característica e usos de impulsores (agitadores): a) Hélice marinha b) Turbina Rushton c) Turbina pás curvas d) Turbina de pás retas e) Turbina de pás inclinadas f) Turbina de ponta de lança Agitadores desenhados para líquidos de baixa a moderada viscosidade Da<<Dt; Para ampla faixa de frequência rotacional Escoamento axial; Suspensão de sólidos Para dispersão de gases em líquidos. Alta turbulência atrás de cada lâmina Boa agitação Alto consumo energético Emulsões L-L ; Da≈Dt; Pá curva-menos agressiva, escoamento radial 7 Faixas de volume de líquido agitado indicadas para cada tipo de impulsor em função da viscosidade do líquido 8 Projeto de Agitadores ⮚ Variáveis envolvidas na agitação de um líquido em um tanque: Da – diâmetro do agitador; Dt – diâmetro do tanque; Ha – altura do agitador desde a base do tanque; HL – altura líquido; wd – largura dos defletores; Hp – altura das pás; ρ – densidade do líquido; µ - viscosidade do líquido; N – frequencia rotacional do impulsor; g - aceleração da gravidade; P0 – potência fornecida pelo motor. (1) D a D t H a H p H L w d Lp Fluido Newtoniano 9 Projeto de Agitadores ⮚ Aplicando o método da análise dimensional, o número de variáveis pode ser reduzido ao números adimensionais de potência, de Reynolds e de Froude. D a D t H a H p H L w d (1) (2) (3) (4) NP0, NRe, NFr – número de potência, Reynolds, Froude (adimensionais) 10 Projeto de Agitadores ⮚ Além dos números adimensionais, os números adimensionais geométricos (fatores de forma) são definidos: ⮚ Calculados dividindo as outras dimensões por Da; ⮚ Diâmetro Da do agitador é tomado como medida do tamanho do equipamento; ⮚ Da empregado como variável na análise dimensional. D a D t H a H p H L w d Número de Froude (NFr) deve ser considerado quando há formação de vórtice junto ao eixo. Fenômeno mais frequente para NRe>300 e para tanques sem defletores. (5) 11 Projeto de Agitadores Formação de vórtice: amenizado/resolvido com instalação de chicanas/defletores. 12 Cálculo da potência requerida: agitar fluidos newtonianos ⮚ Quando definido previamente: tipo de agitador, velocidade angular e as dimensões geométricas – cálculo da potência é mais simples. ⮚ Projeto é baseado no conhecimento da energia dissipada pelo agitador para essas condições. ⮚ Implica na determinação do NP0. Fatores de forma padrão mais utilizados: McCabe et al., 2007 13 Cálculo da potência requerida: agitar fluidos newtonianos ⮚ EXPERIMENTALMENTE: curvas do NP0 em função do NRe para diversos tipos de agitadores. ▪ Curvas típicas para agitadores do tipo turbinas, ▪ Relações entre altura das pás do impulsor (Hp) e o diâmetro do agitador (Da); ▪ Tanques com 4 defletores; ▪ Configurações geométricas padrão. Figura 1 – NPo em fçao NRe para vários tipos de turbinas para agitação de fluidos newtonianos de características geométricas padrão. 14 Cálculo da potência requerida: agitar fluidos newtonianos SIMILARIDADE COM DIAGRAMA DE MOODY 15 Exemplo 1. N ú m er o d e p o tê n ci a Número de Reynolds Figura 5. Número de potência versus Reynolds para diversos impulsores 1 N ú m er o d e p o tê n ci a Número de Reynolds N ú m er o d e p o tê n ci a Número de Reynolds Hp/Da=0,125 Hp/Da=0,125 Hp/Da=0,2 São 2 os casos em que os fatores de correção são utilizados: 16 Fatores de correção nos cálculos de agitadores a) Quando o sistema de agitação tem mais de 1 impulsor no tanque; b) Quando as dimensões do sistema de agitação são diferentes ou não se encaixam nas configurações geométricas do tipo padrão. a) Sistemas com mais de 1 impulsor 17 Fatores de correção nos cálculos de agitadores Para cada impulsor adicional, a potência total PoT (W) é: iooT nPP Po - Potência de cada impulsor (W), ni – número de impulsores. Conservar a proporção (suposição): HL≈Dt (13) b) Sistema que não seguem as configurações geométricas padrão 18 Fatores de correção nos cálculos de agitadores Padrão 1,0,3,1,3 t d a L a a a t D w D H D H D D 1,3 D H 0,75 3,9;/DH2,7 3; D D a a aL a t Aplicar fator de correção f’ no cálculo do número de potência: PadrãoaLPadrãoat alaLalat DHDD DHDD f ReRe' (14) Ampliação de escala de agitadores de laboratório ou planta piloto para industrial: maior dificuldade no projeto. Casos geral os dados disponíveis: volume do fluido e objetivo da agitação no processo. Cálculo da potencia consumida é uma parte do projeto. Projeto parte das etapas: cálculo da potência consumida, tipo de impulsor, velocidade e dimensões e tempo de mistura; Projeto por semelhança – números adimensionais relevantes, têm que ser mantidos constantes entre ambos sistemas; Quanto maior a escala: manter proporção geométrica, respeitando semelhanças cinemática e dinâmica entre os sistemas. 19 Projeto semelhança – ampliação de escala Semelhança geométrica entre Modelo (1) e Protótipo (2); Manter relações geométricas: 20 Projeto - Semelhança geométrica 21212121 ,,, a d a d a L a L a a a a a t a t D w D w D H D H D H D H D D D D (15) IMPLICA na igualdade entre os números adimensionais relevantes à fluidodinâmica do sistema, Número adimensionais dependem do regime fluidodinâmico no agitador. 21 Projeto - Semelhança dinâmica Regime laminar NRe, NFr são os números que influenciam a fluidodinâmica do sistema; NPo = f(NRe, NFr); Para assegurar a semelhança entre os 2 sistemas: 212Re1Re )()()()( FrFr NNeNN Sistemas com defletores ou NRe < 300, o número de potência só função de NRe, assim NPo = f(NRe). NFr só influencia para NRe < 300 e tanques sem defletores. (16) Se (NRe)1 = (NRe)2 e os números adimensionais geométricos são iguais, então: 22 21 )()( oo PP NN A partir da igualdade de NRe: 2 2 1 2 NDND aa Considerando que ρ1= ρ2 e µ1= µ2: 2 2 1 2 NDND aa Projeto - Semelhança dinâmica (17) (18) (19) Com a relação (19) pode-se, por exemplo, obter o número de rotações do protótipo a partir do modelo; Com a equação (17), obtém-se a potência consumida na unidade industrial. Em regime turbulento, o número de potência independe do número de Reynolds – semelhança dos gráficos com diagrama de Moody; Consequentemente, devem-se utilizar critérios adicionais para mudança de escala, segundo o objetivo da agitação; Neste caso, a potência consumida depende somente do tipo de agitador e das relações geométricas; Um deles, é o que relaciona a Potência por unidade de Volume. 23 Projeto - Semelhança dinâmica Assegurar um nível de potência fornecida por unidade de volume: um dos critérios mais utilizados para ampliar escala em agitação. 24 Projeto - Igualdade de potência por unidade de volume Critério simples, utilizado quando não existem outros critérios para atingir o objetivo específico. Determinando o nível de potência por unidade de volume que assegura um bom desempenho do sistema: 21 V P V P oo Po/V – valores mais usuais na tabela (23) V – volume total contido no tanque (m3). 25 Projeto - Igualdade de potência por unidade de volume Níveis de potência por unidade de volume (Po/V) Substituindo em (23) : 26 2 2 1 2 Lt o Lt o HD P HD P Dividindo e multiplicando a eq (24) por D3 a: 3 2 2 2 2 2 3 1 1 2 1 1 a a L a t o a a L a t o D D H D D P D D H D D P Lt HDV 2 4 21 V P V P oo Projeto - Igualdade de potência por unidade de volume (24) (25) Considerando que as relações geométricas são mantidas: 27 3 2 2 3 1 1 a o a o D P D P Substituindo a potência dada pela equação de potência (2)– Po=NPoN 3Da 5ρ e considerando a igualdade (17) : 2 2 3 2 2 1 3 1 aa DNDN 21 )()( oo PP NN Projeto - Igualdade de potência por unidade de volume (26) (27) Abordagem pode ser usada em extração líquido-líquido, processos de transferência de massa, dispersões gás-líquido, dissolução de sólidos em líquidos, processos de transferência de calor, mistura de líquidos miscíveis... 27 Relatório RESULTADOS Determinar dimensões geométricas do tanque, as relações geométricas são padrões? 2. Calcular número de Reynolds; 3. Gráfico correspondente encontrar NPo; 4. Verificar a necessidade de aplicar um fator de correção; 5. Calcular a potência de agitação; 6. Fazer o aumento de escala (supor aumento de dimensões do tanque em 5 x)– utilizando método de potência por unidade de volume).