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Tópico 06 Química Geral e Inorgânica Estudo das Propriedades dos Materiais 1. Introdução Chamamos de materiais a todas as espécies de matéria existentes no Universo, em qualquer fase de agregação em que se encontrem, como: o ar, o gás carbônico, a água, o ferro, o aço e a madeira. Todo material apresenta uma série de propriedades ou características que, em conjunto, permitem identificá-lo e diferenciá-lo dos demais. Os diferentes usos que damos aos materiais dependem diretamente de suas propriedades. Muitas vezes, os químicos desenvolvem novos materiais em laboratório, buscando obter propriedades que não são encontradas em nenhum material no seu estado natural, para atender determinada finalidade ou uso. 2. Propriedades gerais da matéria Impenetrabilidade Duas porções de matéria não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo. Exemplo: quando adicionamos uma pequena porção de açúcar em um copo cheio com água, obtemos um material que é líquido e transparente como a água e doce como o açúcar, ou seja, que preservou algumas propriedades de cada material isoladamente. Isso é possível, porque o açúcar e a água não sofreram nenhum fenômeno químico, não se transformaram em um novo material; o que ocorreu foi a divisão do açúcar em partículas que passaram a ocupar os espaços vazios deixados pelas partículas de água líquida, impossíveis de serem notados a olho nu. Divisibilidade A divisibilidade garante que, desde que a matéria não sofra um fenômeno químico, ela pode ser dividida inúmeras vezes sem alterar suas características. Exemplo: é o que ocorre com o açúcar no exemplo anterior. Ele se divide na água em partes tão pequenas que nem podemos vê- las, embora seja possível confirmar sua presença pelo sabor doce característico deixado no líquido ou mesmo esperando que a água evapore para obtê-lo novamente como um resíduo sólido. Compressibilidade A compressibilidade garante que o volume ocupado por certa porção de uma substância na fase gasosa possa diminuir se ela for submetida à ação de forças externas. Exemplo: o volume ocupado pelo ar dentro de uma seringa de injeção pode diminuir se taparmos a saída de gás da seringa (sem a agulha) com um dedo e empurrarmos o êmbolo. Elasticidade A elasticidade garante que, se um material na fase sólida for esticado ou comprimido pela ação de forças externas, sem que suas estruturas sejam rompidas, ele voltará a sua forma original assim que essa força deixar de agir. Exemplo: se puxarmos duas extremidades de um elástico feito de látex e o soltarmos em seguida, ele retornará sozinho à posição inicial. A elasticidade também depende do formato do material. Um bloco de ferro apresenta elasticidade desprezível, mas uma mola de ferro é bastante elástica. Inércia A inércia garante que os materiais tendem a se manter como estão, isto é, em repouso ou em movimento até que uma força atue sobre eles, modificando a situação original. Exemplo: uma moeda que repousa sobre uma mesa polida continuará em repouso eternamente a menos que receba um impulso. Neste caso, passará a se mover até que uma força atue sobre ela, interrompendo seu movimento. 3. propriedades específicas da matéria São as características próprias de cada material. São divididas em organolépticas, funcionais, químicas e físicas. Organolépticas São propriedades que impressionam, pelo menos, um dos nossos cinco sentidos: visão, olfato, paladar, tato e audição. Todas as propriedades organolépticas variam com as condições de temperatura e pressão ambientes. Os exemplos a seguir foram considerados a 25 °C e 1 atm. O iodo na fase sólida é cinza e na fase gasosa é violeta (visão); A amônia (encontrada em diversos produtos de limpeza) possui um cheiro sufocante característico (olfato); O cloreto de sódio tem sabor salgado e a sacarose, sabor doce (paladar); O aço pode ser encontrado na forma de blocos lisos e compactos enquanto a areia, normalmente, é granulada e áspera (tato); A explosão da dinamite produz um som ensurdecedor enquanto uma folha de papel ao ser amassada produz um som facilmente reconhecido (audição). Funcionais Existem algumas propriedades da matéria que se encontram entre as propriedades organolépticas e as químicas; são denominadas propriedades funcionais. São aquelas apresentadas por um determinado grupo de materiais identificados por desempenharem alguma função em comum. Acidez: encontrada no vinagre devido à presença do ácido acético, no limão devido à presença do ácido cítrico, nos refrigerantes de cola devido à presença do ácido fosfórico. Basicidade: encontrada no leite de magnésia (laxante) devido à presença do hidróxido de magnésio, em produtos para desentupir pias devido à presença do hidróxido de sódio e na cal extinta (usada em argamassa) devido à presença do hidróxido de cálcio. Salinidade: encontrada no sal de cozinha devido à presença do cloreto de sódio, na dinamite devido ao nitrato de potássio e nos fermentos químicos devido à presença do bicarbonato de sódio. Químicas São propriedades que determinam o tipo de fenômeno químico (transformação) que cada material específico é capaz de sofrer. Exemplos: O leite pode “azedar” pela ação dos micro- organismos Lactobacillus bulgaricus e Streptococcus thermophilus, transformando-se em iogurte. Uma palha de aço constituída basicamente de ferro pode “enferrujar” pela ação da umidade e do gás oxigênio encontrado no ar atmosférico, transformando-se em óxidos e hidróxidos de ferro. Só que o leite não pode se transformar em óxidos e hidróxidos de ferro nem a palha de aço pode se transformar em iogurte. A propriedade de se transformar em iogurte é uma característica química do leite e a propriedade de “enferrujar” é uma característica química do ferro. Físicas São certos valores encontrados experimentalmente no comportamento de cada material quando submetido a determinadas condições de temperatura e pressão, como, por exemplo, a densidade, os pontos de fusão e de ebulição e a solubilidade. Densidade A densidade de um objeto ou de uma amostra de certo material ou substância pode ser medida: A densidade ou massa específica (d) é a razão entre a massa (m) de um material e o volume (V) que essa massa ocupa. Em equação: Exemplo: Se colocarmos lado a lado volumes iguais a 1 cm de alumínio e de chumbo, veremos que a massa de 1 cm de alumínio é bem menor que a massa de 1 cm de chumbo. Isso ocorre porque a densidade do alumínio é igual a 2,70 g/cm , enquanto o chumbo possui densidade igual a 11,34 g/cm . 3 3 3 3 3 FIQUE POR DENTRO: É IMPORTANTE LEMBRAR QUE O VOLUME É UMA GRANDEZA FÍSICA QUE VARIA COM A TEMPERATURA E A PRESSÃO. Embora a massa não varie, como a densidade de um material depende do volume que ele ocupa, só podemos considerar um valor de densidade se especificarmos as condições de temperatura e pressão em que esse valor foi considerado. DENSIDADE X FLUTUAÇÃO. temperatura de fusão ou ponto de fusão Temperatura característica na qual a substância sofre: Fusão (durante o aquecimento); Solidificação (durante o resfriamento). temperatura de ebulição ou ponto de ebulição Temperatura característica na qual a substância sofre: Ebulição (durante o aquecimento); Condensação (durante o resfriamento). Os valores de pontos de fusão e de ebulição dos materiais são medidos experimentalmente e se encontram tabelados. Muitos materiais, como os relacionados a seguir, possuem os pontos de fusão e de ebulição constantes quando medidos sob pressão constante. TF e TE de algumas substâncias (°C; 1 atm) Substância TF TE Tungstênio 3.422 5.555 Platina 1.768 3.825 Ferro 1.538 2.861 Cobre 1.085 2.562 Ouro 1.064 2.856 Cloro -102 -34 Etanol -114 78 Metano -182 -162 Prata 962 2.162 Cloreto de sódio 801 1.465 Alumínio 660 2.519 Amônia -78 -33 Metanol -98 65 Nitrogênio -210 -196 Oxigênio -219 -183 Hidrogênio -259 -253 4. Substâncias e misturas Cada substância é identificada porum conjunto de propriedades físicas, químicas, organolépticas e funcionais próprias. Não existem duas substâncias com todas as propriedades iguais. Substância cloreto de sódio Sólido branco Existem materiais, como o álcool hidratado, o petróleo, a madeira, o aço, o ar atmosférico, cujas propriedades químicas e físicas variam, mesmo que as condições de pressão e temperatura se mantenham constantes. A tabela a seguir traz como exemplo a densidade (a 25 °C e 1 atm) de um volume igual a 1000 cm de um sistema constituído por água e uma massa, em gramas, de cloreto de sódio dissolvido. Observe: TF = 801 ºC TE = 1.465 ºC d = 2,17 g/cm (25 ºC; 1 atm)3 Substância água Líquido incolor TF = 0 ºC TE = 100 ºC d = 1,00 g/cm (25 ºC; 1 atm) 3 Uma substância é um material que possui todas as propriedades definidas e bem determinadas. 3 Teor de sal Densidade Teor de sal Densidade 1 1,005 14 1,101 2 1,013 16 1,116 4 1,027 18 1,132 6 1,041 20 1,148 8 1,056 22 1,164 10 1,071 24 1,184 Quando o material não possui todas as propriedades definidas e bem determinadas ou quando as propriedades de um material variam mesmo que as condições temperatura e pressão sejam mantidas, dizemos que esse material é uma mistura. 5. Materiais ou sistemas homogêneos e heterogêneos Os materiais podem ser formados de uma substância ou de uma mistura de substâncias. Para classificá-los de uma forma ou de outra, basta verificar se suas propriedades físicas, químicas, organolépticas e funcionais são constantes e bem determinadas (substâncias) ou se são variáveis (misturas). Uma mistura é um material que não possui todas as propriedades definidas, porque é constituído de duas ou mais substâncias diferentes. Outro critério para classificar material (substância e mistura) é observar o número de fases que ele possui. Cada fase de um material é identificada pelas seguintes características: Possui aspecto visual uniforme, mesmo ao ser examinado num ultramicroscópio; Possui propriedades específicas constantes em toda a sua extensão. Assim, por exemplo, se examinarmos ao ultramicroscópio o aspecto visual de um sistema com álcool hidratado e outro com sangue, veremos que o primeiro é totalmente uniforme, portanto, constituído de uma única fase; já o segundo apresentará um aspecto desigual que não pode ser percebido a olho nu, mas é claramente visível ao ultramicroscópio, portanto, é constituído de mais de uma fase. Material ou sistema heterogêneo é aquele que possui duas ou mais fases. Toda mistura gasosa é homogênea. Material ou sistema heterogêneo é aquele que possui duas ou mais fases. 6. Estados físicos da matéria Toda a matéria é constituída de pequenas partículas e, dependendo do maior ou menor grau de agregação entre elas, pode ser encontrada em três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. Matéria em diferentes estados. Gás, sólido, líquido. Cada um dos três estados de agregação apresenta características próprias – volume, densidade, forma -, que podem ser alteradas pela variação de temperatura (aquecimento ou resfriamento). Características macroscópicas dos estados físicos Estado Sólido Líquido Gasoso Características Forma própria; Volume fixo; Não sofre compressão; Difícil de ser atravessado; Não se move espontaneamente. Adquire a forma do recipiente que o contém; Dificilmente sofre compressão; Pode ser atravessado com facilidade; Pode escorrer. Tem a forma do recipiente; Ocupa todo o volume do recipiente; Sofre expansão e compressão facilmente; É atravessado com grande facilidade. Quando uma substância muda de estado, sofre alterações nas suas características macroscópicas (volume, forma etc.) e microscópicas (arranjo das partículas), não havendo, contudo, alteração em sua composição. PLASMA – O 4º ESTADO DA MATÉRIA O plasma, também conhecido como quarto estado físico da matéria, é formado quando uma substância no estado gasoso é aquecida até atingir um valor tão elevado de temperatura que faz com que a agitação térmica molecular supere a energia de ligação que mantém os elétrons em órbita do núcleo do átomo. Os elétrons acabam “soltando-se” e a substância torna-se uma massa disforme, eletricamente neutra e formada por elétrons e núcleos dissociados. Mudanças de estado físico O diagrama a seguir mostra as mudanças de estado, com os nomes particulares que cada uma delas recebe. Diagrama ilustrando as mudanças físicas de estado de sólido para líquido para gás mostrando a disposição das partículas para cada estado. Diagramas de mudança de estado físico Ao aquecermos uma amostra de substância pura, como, por exemplo, a água no estado sólido (gelo), e anotarmos as temperaturas nas quais ocorrem as mudanças de estado, ao nível do mar, obteremos o seguinte gráfico: Pelo gráfico, podemos observar que a temperatura de fusão (TF) da água é 0 °C e a sua temperatura de ebulição (TE) é de 100 °C. O gráfico de aquecimento da água apresenta dois patamares, os quais indicam que, durante as mudanças de estado, a temperatura permanece constante. Se aquecermos uma amostra de mistura, como, por exemplo, água e açúcar, e anotarmos as temperaturas nas quais ocorrem as mudanças de estado, ao nível do mar, obteremos o seguinte gráfico: Durante as mudanças de estado da mistura, as temperaturas de fusão e ebulição não permanecem constantes. Generalizando, temos: O gráfico de mudança de estado de qualquer substância pura apresenta sempre dois patamares. O gráfico de mudança de estado de misturas geralmente não apresenta patamares. FIQUE POR DENTRO: O ponto de fusão de uma substância é a temperatura à qual um dado composto transita do estado sólido para o estado líquido. Substâncias puras cristalinas têm um ponto de fusão muito bem definido. Quando uma substância sólida pura é aquecida, o calor fornecido é convertido em energia cinética. À medida que o movimento das moléculas vai aumentando, as forças atractivas intermoleculares são superadas, perdendo-se progressivamente o estado ordenado das moléculas em estrutura cristalina. As moléculas passam, então, para um estado de maior liberdade de movimento, transitando a substância do estado sólido para o estado líquido. Durante o processo de fusão, toda a energia fornecida é consumida, pelo que a temperatura permanece constante. Uma substância pura funde a uma temperatura bem definida, sendo essa uma característica de qualquer substância cristalina, que é apenas dependente da pressão (embora esta dependência da pressão seja geralmente considerada insignificante). O intervalo de valores relativo ao ponto de fusão é medido desde o momento em que o primeiro cristal do sólido começa a fundir e o momento em que o último cristal conclui o processo de fusão. Este intervalo de valores é muito estreito para sólidos puros (normalmente, variações de 1-2ºC). A determinação do ponto de fusão é um método simples e rápido usado nas diversas áreas da Química para obter-se uma primeira impressão da pureza de uma dada substância, isso porque mesmo pequenas quantidades de impurezas influenciam o ponto de fusão ou, pelo menos, aumentam o intervalo de valores do ponto de fusão. A presença de impurezas interfere com a malha cristalina, tornando-se mais fácil a quebra das forças de interacção entre moléculas. Como é necessário menos calor para quebras essas interacções entre intermoleculares, o ponto de fusão da mistura é inferior ao da substância quando pura. O intervalo de valores é também expandido, pois diferentes regiões do sólido possuem diferentes quantidades de impurezas. Esta é uma das técnicas mais antigas de determinação da pureza de substâncias orgânicas. O ponto de fusão é fácil de se medir e de ser avaliado por comparação com padrões. As farmacopeias consideram o método de determinação por capilaridade a técnica padrão para a determinação do ponto de fusão. Nesta metodologia, um pequenocapilar de vidro, contendo uma coluna compacta da substância cujo ponto de fusão se pretende determinar, é introduzido numa fonte de calor próprio, em proximidade com um termômetro de elevada precisão. A temperatura é aumentada progressivamente a uma taxa fixa até a substância começar a transitar para o estado líquido. A temperatura deve ser registada logo após os primeiros sinais de alteração nas amostras. Estas alterações podem dever-se a: 1. Perda de solvente (desidratação); 2. Mudança no estado de cristalização (encolhimento); 3. Decomposição lenta (mudança de cor da amostra ou acastanhamento); 4. Condensação do solvente nas regiões mais frias do capilar; 5. Fusão individual de um ou mais cristais. A temperatura final do intervalo de fusão deve ser registada quando se evidencia sublimação (aparecimento de cristais nas partes salientes do capilar) e/ou decomposição (observação de bolhas ou mudanças de cor durante ou após a fusão). A preparação inapropriada das amostras leva a resultados imprecisos e não reprodutíveis na determinação do ponto de fusão. Qualquer substância colocada no capilar de vidro deve: 1. Estar completamente seca; 2. Ser homogénea; 3. Encontrar-se na forma de pó. Amostras que apresentem alguma umidade devem ser previamente secas – e.g. 48 horas num exsicador, sobre P O . O requisito primário para uma boa determinação do ponto de fusão é o composto estudado encontrar-se na forma de pó fino. Isso permite que o calor seja transferido para a amostra de uma forma mais eficiente. 2 5 Existem algumas misturas com comportamento diferente, as quais apresentam um patamar apenas. Misturas eutéticas – essas misturas comportam-se como uma substância, isto é, apresentam TF constante. Seu gráfico apresenta um patamar durante a fusão. Exemplos: solda (estanho + chumbo) gelo + sal de cozinha Misturas azeotrópicas – Essas misturas comportam-se como uma substância, isto é, apresentam TE constante e o gráfico apresenta um patamar durante a ebulição. Exemplo: Álcool comum (96% de etanol e 4% de água) Amostras cristalinas não homogéneas devem ser pulverizadas até se obter um pó fino, recorrendo-se a um almofariz. As temperaturas de fusão e de ebulição são propriedades que caracterizam uma substância, permitindo-nos reconhecê-la e classificá-la. No entanto, além das TF e TE, é necessário o conhecimento de outra propriedade para identificar uma substância: a densidade. Há várias tabelas contendo os valores de TF e de TE e a densidade de muitas substâncias. 7. Fracionamento ou separação de misturas Os materiais encontrados na natureza são, em geral, misturas de várias substâncias. Mesmo em laboratório, quando tentamos preparar uma só substância, acabamos, normalmente, chegando a uma mistura de substâncias. Torna-se, então, importante, nos laboratórios e também nas indústrias químicas, separar os componentes das misturas até que cada substância pura fique totalmente isolada das demais. Essa separação chama- se desdobramento (ou fracionamento, ou, ainda, análise imediata da mistura). No final do desdobramento, devemos verificar se as substâncias foram realmente bem separadas. Para essa verificação, usamos as constantes físicas, como visto anteriormente. É interessante lembrar que, no cotidiano, são usados vários métodos de separação, como: Quando preparamos café (ou chá), a água quente faz a extração de componentes do pó de café (ou das folhas do chá), dando origem à bebida e, em seguida, fazemos uma filtração para separar o pó do líquido. Quando lança para cima a mistura de trigo e joio, o lavrador deixa que a corrente de ar arraste o joio. Ela está fazendo uma ventilação. /figcaption> Ao passar a areia pela peneira, separando-a de pedregulhos e outros materiais grosseiros, o pedreiro está fazendo uma peneiração ou tamização. Filtração Na indústria, filtrações também são muito utilizadas. Um exemplo é o dos filtros adaptados às chamas das fábricas, para evitar que a poeira que acompanha os gases industriais seja lançada à atmosfera. Sistema industrial de filtragem de ar. Outro exemplo importante é a filtração da água, antes de ser distribuída pelas canalizações de uma cidade; essa filtração é feita, em geral, obrigando-se a água a atravessar os chamados “filtros de areia”, nos quais camadas de areia conseguem reter as partículas sólidas presentes na água. Sistema de filtragem de água usando areia. Há casos em que a filtração é muito demorada. Para apressá-la, usa-se a filtração a “vácuo” ou, melhor dizendo, a filtração a pressão reduzida. Sistema de filtração a vácuo. Decantação É também um processo mecânico que serve para desdobrar misturas heterogêneas de um sólido num líquido ou de dois líquidos imiscíveis entre si. Por exemplo: a areia que está em suspensão na água vai, lentamente, se depositando no fundo do recipiente (processo chamado sedimentação); ao final; a água pode ser separada ou por inclinação cuidadosa do recipiente (processo de decantação) ou, então, por aspiração com o auxílio de um sifão (processo de sifonação). Decantação da mistura heterogênea água e areia. Separação de um produto natural usando acetato de etila com água. Ocorre a separação de duas fases imiscíveis. Evidentemente, se colocarmos uma mistura de areia e serragem em água, a areia irá ao fundo e a serragem flutuará na água. Temos, então, uma sedimentação fracionada (ou flotação), que nos permitirá separar a serragem da areia. Pode-se também acelerar o processo de sedimentação com o uso da centrifugação; uma centrífuga imprime rotação rápida ao recipiente em que está o sistema de um sólido em suspensão em um líquido; com a aceleração provocada pela rotação, as partículas sólidas sedimentam mais depressa. Fracionamento do sangue total por centrifugação com separação dos seus componentes. AS ÁGUAS DO PLANETA TERRA Um dos principais desafios mundiais na atualidade é o atendimento à demanda por água de boa qualidade. O crescimento populacional, a necessidade de produção de alimentos e o desenvolvimento industrial devem gerar sérios problemas no abastecimento de água nos próximos anos. Este texto trata da importância da água para a sobrevivência do homem e de toda a biota terrestre. Apresentam-se algumas das propriedades mais importantes da água e sua distribuição em nosso planeta. Descrevem-se as formas de uso deste recurso, assim como as principais fontes de poluição e, finalmente, discute-se a importância do tratamento da água na melhoria da qualidade de vida da população mundial. Leia o artigo em <http://qnesc.sbq.org.br/online/cadernos/01/aguas.pdf > e responda: 1. Quais os poluentes orgânicos mais importantes? 2. Quais os metais pesados mais perigosos? http://qnesc.sbq.org.br/online/cadernos/01/aguas.pdf Destilação É um processo físico que serve para desdobrar as misturas homogêneas, como as soluções de sólidos em líquidos (destilação simples) ou as soluções de dois ou mais líquidos (destilação fracionada). Aparelho de destilação simples. Quando destilamos dois líquidos miscíveis entre si, a separação tende a ser mais perfeita, quanto maior for a diferença entre as temperaturas de ebulição dos dois líquidos; nesse caso, o líquido mais volátil destila em primeiro lugar. Evidentemente, a separação não será possível no caso das misturas azeotrópicas. É o que acontece com uma mistura de aproximadamente 96% de álcool comum e 4% de água, em volume, que destila inalterada a 78,1 °C. 3. Quais os processos de separação utilizados nas Estações de Tratamento de Água? Os processos de destilação são muito usados nas indústrias. Um dos mais simples é o do alambique para fabricação de aguardente: Unidade de destilação de álcool: alambique. Muito mais complicadas são as torres de destilação do petróleo, que possibilitam separar vários de seus derivados, como a gasolina, o querosene, o óleo diesel etc. Destilação fracionada do petróleo bruto.Cristalização É um processo físico que serve para separar e purificar sólidos. A água do mar contém vários sais. Em uma salina, entretanto, com a evaporação lenta da água, o sal comum (cloreto de sódio) cristaliza-se antes dos ouros sais e, assim, é separado. Cristalização de sal em salina, Figueira da Foz, Portugal. Outros processos de desdobramento de misturas A sublimação é aplicável quando apenas um dos componentes da mistura é sublimável. É como se purifica o iodo: Sublimação do iodo com mudança da fase sólida para gasosa. A dissolução fracionada é aplicável quando apenas um dos componentes da mistura é solúvel num dado líquido. Por exemplo, colocando-se uma mistura de sal comum e areia em água, o sal irá se dissolver, enquanto a areia não; por filtração, separamos a solução de sal e água da areia; e por evaporação, recuperamos o sal. A separação magnética é aplicável quando um dos componentes da mistura é magnético, como é o caso das partículas de ferro. Pode-se, então, retirar essas partículas com o auxílio de um imã ou eletroímã. Separação magnética em uma mistura. Em alguns lugares do planeta, a falta de água é tamanha, que é preciso pegar água do mar para utilizar domesticamente. Para isso, as usinas dessalinizadoras utilizam a osmose reversa e membranas semipermeáveis para purificar a água. Osmose reversa onde a água com alta concentração de sais e com impurezas é pressionada contra uma membrana semipermeável produzindo água potável. A cromatografia é uma técnica quantitativa que tem por finalidade geral duas utilizações: a de identificação de substâncias e de separação-purificação de misturas, usando propriedades como solubilidade, tamanho e massa. Para o processo de separação de misturas, a mistura passa por duas fases sendo uma estacionária (fixa, sendo um material poroso como um filtro) e outra móvel (como um líquido ou um gás, que ajuda na separação da mistura), sendo que os constituintes dessa mistura interagem com as fases através de forças intermoleculares e iônicas, fazendo a separação. A mistura pode ser separada em várias partes distintas ou ainda ser purificada eliminando-se as substâncias indesejáveis. Para a identificação, usa-se a comparação dos resultados da análise com outros resultados previamente conhecidos como, por exemplo, usa-se tabela de gráficos conhecidos e, através desta, compara-se os resultados obtidos que também são em gráficos achando-se os que mais se assemelham, assim descobrindo quais as substâncias que pertencem à mistura. A cromatografia é uma técnica que separa os componentes de uma mistura com base na massa e quantidade relativa de cada soluto distribuídos no solvente em movimento. FAÇA VOCÊ MESMO – QUÍMICA EXPERIMENTAL CROMATOGRAFIA EM GIZ Entre os métodos modernos de análise, a cromatografia ocupa um lugar de destaque devido a sua eficiência para efetuar a separação, a identificação e a quantificação das espécies químicas, isoladamente ou em conjunto com outras técnicas instrumentais de análise como, por exemplo, a espectrofotometria ou a espectrometria de massas. Em química e biologia, muitas vezes, é necessário separar, purificar e identificar os componentes de misturas muito mais complexas do que as citadas anteriormente. Por exemplo: a identificação dos componentes individuais de uma mistura de aminoácidos de uma proteína é quase impossível por um método como a cristalização fracionada, devido às semelhanças nas propriedades físicas e químicas dos componentes. Já por meio de cromatografia, é possível obter uma excelente separação. Praticamente não há campo da química e da biologia em que não se use a cromatografia de alguma forma. A análise por cromatografia de papel é usada em medicina (na detecção de venenos), em exames de tecidos biológicos e seus processos químicos relacionados e nos estudos estruturais de moléculas complexas, tais como hidratos de carbono, proteínas e fenóis complexos de plantas. A cromatografia é tão importante na química orgânica como na química inorgânica. Material Giz; Canetas hidrocor de várias cores; Copo Álcool comum. Procedimento Em uma barra de giz escolar branco (sulfato de cálcio — CaSO ), são traçadas listras com caneta hidrocor, que circundem a barra, a cerca de 1,5 cm da base. Como eluente, em um copo, coloca-se álcool comercial, até 1 cm da base. Após alguns minutos, o giz é posto dentro do copo, com cuidado para que o eluente não toque a listra pintada, e coberto com uma tampa de vidro. O giz deve ficar na posição vertical. À medida que o eluente é adsorvido, pode ser observada a separação da cor inicial em outras cores, dispostas em faixas circulares no decorrer da barra de giz. É interessante realizar o 4 A eletroforese é o termo usado para descrever o movimento de partículas em um gel ou fluido dentro de um campo elétrico relativamente uniforme. A eletroforese pode ser usada para separar moléculas com base na carga, tamanho e afinidade de ligação que possuem. A técnica é aplicada principalmente para separar e analisar biomoléculas, como DNA, RNA, proteínas, ácidos nucleicos, plasmídeos e fragmentos dessas macromoléculas. Esta é uma das técnicas utilizadas para identificar DNA-fonte, como no teste de paternidade e na ciência forense. A eletroforese de ânion ou partículas carregadas negativamente é chamada anaforese. A eletroforese de cátion ou partículas carregadas positivamente é chamada de cataforese. experimento com canetas de várias cores. Por exemplo: com um giz pintado com a cor verde, pode-se visualizar duas faixas, amarela e azul. A cor preta fornece um resultado excelente, com a separação em diversas cores A cromatografia em giz pode ser classificada como cromatografia líquido–sólido ou de adsorção. O giz representa a fase estacionária, enquanto o álcool, a fase móvel. Dispositivo de eletroforese em gel carregado com amostra. /figcaption> Dispositivo de eletroforese em gel com a separação dos componentes da amostra por ação de um campo elétrico. Eletroforese em gel Este vídeo ensina a introdução à eletroforese em gel: como ele é usado para fragmentos de DNA separados ou outras macromoléculas. 8. Conclusão Na história da Química, o estabelecimento de alguns conceitos foi decisivo para os progressos nessa área do conhecimento humano. Entre tais conceitos, estão o de substância química e o de mistura. Se um químico possui uma amostra de certo material e precisa decidir se ela é formada por uma única substância ou se é uma mistura de duas ou mais substâncias, ele pode realizar a determinação de certas propriedades desse material. Com base nessas propriedades, a decisão correta pode ser tomada. Entre essas propriedades que permitem diferenciar substância química e mistura estão o ponto de fusão, o ponto de ebulição e a densidade. Podemos empregar técnicas para separar duas ou mais substâncias que formam uma mistura. Essas técnicas podem ser exclusivamente laboratoriais, como também técnicas que se apresentam na vida cotidiana. 9. Referências ATKINS, P. W.; JONES, Loretta. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 5. ed. Porto Eletroforese em gel | Biotecnologia | Biologia Eletroforese em gel | Biotecnologia | Biologia …… https://www.youtube.com/watch?v=B2KLuzD_suQ Alegre: Bookman, 2013 e edições anteriores. xxii, [110], 922 p. BROWN, T. L.; LeMAY, H. E.; BURSTEN, B. E. Química: a ciência central. 9.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012 e edições anteriores. 972p BRADY, J. E.; SENESE, F. Química: a matéria e suas transformações. Vol. 1. 5.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011 e edições anteriores. 569p. BRADY, J. E.; SENESE, F. Química: a matéria e suas transformações. Vol. 2. 5.ed. Rio de Janeiro: LTC, 2012 e edições anteriores. 455p. MAIA, D.; BIANCHI, J. C. A. 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