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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE BIOCIÊNCIAS CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS RENATA SOPHIA CAVALCANTI ARAÚJO IMPLANTAÇÃO E AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE DOIS PROTOCOLOS DE EXTRAÇÃO DE RNA VIRAL NATAL/RN 2023 RENATA SOPHIA CAVALCANTI ARAÚJO IMPLANTAÇÃO E AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE DOIS PROTOCOLOS DE EXTRAÇÃO DE RNA VIRAL Monografia apresentada ao curso de graduação em Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas Orientador: Prof. Dr. Josélio Maria Galvão de Araújo. NATAL/RN 2023 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede Araujo, Renata Sophia Cavalcanti. Implantação E Avaliação Preliminar De Dois Protocolos De Extração De RNA Viral / Renata Sophia Cavalcanti Araujo. - 2023. 44 f.: il. Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Biociências, Curso de Ciências Biológicas, Natal, RN, 2023. Orientador: Prof. Dr. Josélio Maria Galvão de Araújo. 1. Extração de RNA viral - Monografia. 2. CHIKV - Monografia. 3. Diagnóstico - Monografia. 4. Arboviroses - Monografia. 5. RT- qPCR - Monografia. I. Araújo, Josélio Maria Galvão de. II. Título. RN/UF/BCZM CDU 577.2 Elaborado por Ana Cristina Cavalcanti Tinoco - CRB-15/262 RENATA SOPHIA CAVALCANTI ARAÚJO IMPLANTAÇÃO E AVALIAÇÃO PRELIMINAR DE DOIS PROTOCOLOS DE EXTRAÇÃO DE RNA VIRAL Monografia apresentada ao curso de graduação em Ciências Biológicas, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas. Aprovada em: 13/07/2023 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Josélio Maria Galvão de Araújo Orientador(a) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Prof. Dr. José Veríssimo Fernandes Membro interno UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE Prof(a). Dr(a). Joanna Gardel Valverde Galvão Membro externo INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL Prof(a). Dr(a). Hannaly Wana Bezerra Pereira Membro suplente UNIVERSIDADE POTIGUAR À Deus, por sempre me acompanhar. Ao meu orientador, a minha família e aos meus amigos, tudo isso eu consegui porquê vocês estavam aqui. AGRADECIMENTOS Agradeço à Deus pelo dom da vida e por proporcionar infindáveis bençãos em minha vida. Sem Ele eu nada seria. Mesmo nos momentos mais complicados Ele nunca soltou minha mão. Aos meus pais Ester, Renato e à minha princesinha Viviane. Sou infinitamente grata por todo apoio, carinho, companheirismo, e principalmente paciência nessa jornada acadêmica em que houve tantos altos e baixos. Obrigada por serem a melhor família que alguém poderia ter, por cuidarem tão bem de mim e sempre me ensinarem a ser uma versão melhor de mim, amo vocês de todo meu coração. Agradeço à minha avó que sempre está disposta a ajudar e acolher, te amo enorme, vó! Agradeço também aos meus primos Débora, Gabriel e Victor por sempre estarem presentes em vários momentos da minha vida. Agradeço a Deus por esse vínculo tão precioso que nós temos. Ao meu orientador Josélio Araújo, em primeiro lugar por ser um exemplo de pessoa dentro e fora da Universidade. Agradeço imensamente por poder fazer parte de um grupo de pesquisa tão rico e acolhedor, além de poder contribuir um pouco mais com o trabalho que fazemos por lá. Sou grata pelo conhecimento que o senhor sempre faz questão de transmitir, a paciência que tem de lidar com todas as questões que aparecem, fazem com que o ambiente acadêmico se torne mais humano. O senhor faz questão de mostrar que a ciência deve sim ser pra todos, e isso é incrível. Obrigada por tudo! Agradeço aos meus companheiros de luta do laboratório que sempre estiveram a postos para qualquer imprevisto que acontecia. Obrigada Dudinha por sempre me ajudar e muito mais que isso, me incentivar com os projetos, me acolher no laboratório e me ensinar tanta coisa que eu aprendi, mesmo que em um curto período. Edson e Júnior, obrigada por serem companhias incríveis, sempre dispostos a trabalhar, a dar risadas, contar histórias mirabolantes, e tornar o ambiente do laboratório ainda mais leve. O LADIC me mostrou que a ciência não precisa ser uma guerra de egos. Agradeço ao meu chaveirinho Gabrielle por ter estado comigo todos os dias desses anos de graduação. Obrigada, amig(f)a, por estar sempre ao meu lado para os dias bons, ruins, para os açaís, lanches do setor 3 e matérias optativas. Sem você o curso teria sido menos divertido. Agradeço a todos os amigos que fiz ao longo do curso por terem sido maravilhosos nesse caminho acadêmico. Agradeço ao meu grupo fantástico de amigas que me alegram desde o ensino fundamental. Luiza, Pâmela, Renata e Yasmin, vocês têm um espacinho especial no meu coração. Obrigada por sempre me tirarem as risadas mais sinceras, pelos encontros que acontecem de mês em mês e por serem um sol brilhante em minha vida. Tenho tanto a agradecer a vocês, mas se eu falar mais vai encher umas 3 páginas. Agradeço à minha irmã carioca Amanda que mesmo longe sempre esteve presente pra me ajudar com meus surtos e alegrias. Obrigada, irmã, você é muito especial para mim, vivo com saudade de você. Agradeço às minhas amigas Isabella e Yasmin por estarem sempre comigo quando eu mais preciso, obrigada pelos conselhos mais sensatos e abraços sinceros. Sei que quando preciso de um sacode, são vocês que vêm para me acudirem. Obrigada por tudo. Agradeço aos professores José Verissimo, Joanna Galvão e Hannaly Wana por terem aceitado o convite para a banca desse TCC. Agradeço ao CNPq pela bolsa concedida durante meu período como IC no laboratório. Agradeço a todos que me ajudaram direta ou indiretamente nesse período, vocês foram muito importantes para minha jornada e a conclusão desse trabalho. Existem coisas melhores adiante do que qualquer outra que deixamos para trás. — C. S. Lewis A ciência e a vida cotidiana não podem e não devem ser separadas. — Rosalind Franklin Resumo O vírus Chikungunya (CHIKV) pertence à família Togaviridae, classificado epidemiologicamente como arbovírus por ser transmitido por mosquitos. As arboviroses podem se assemelhar no período inicial da infecção, porém suas consequências são distintas, como no caso do CHIKV, o qual provoca inflamações articulares. Essas questões fazem com que esse vírus tenha uma grande atenção da saúde pública pois já provocou epidemias em várias regiões do mundo. Para que haja, então, a correta identificação viral são necessários exames laboratoriais que confirmem os resultados de forma precisa. Um deles é o RT-qPCR, um exame rápido e de alta sensibilidade que vem sendo usado mais frequentemente para fase aguda da doença. No entanto, esse exame, por ter um custo mais alto, não está disponível para ser realizado em todos os laboratórios, o que acaba tornando uma dificuldade para o diagnóstico e monitoramento da doença. Esse custo é advindo principalmente dos kits de extração utilizados, os quais também podem ser de difícil execução, caso não haja o material necessário. Nesse contexto, o foco do presente trabalho foi de avaliar a eficácia de kits de extraçãoe detecção dos vírus a partir do RT-qPCR, e compará-los para que houvesse a redução de custo dos diagnósticos. Foram estudados 14 casos suspeitos de arbovírus, sendo 10 suspeitos de Chikungunya. Todas as amostras foram extraídas e purificadas através de dois kits, BioGene (QUIBASA, Inc., Minas Gerais, Brasil) e QIAamp Viral RNA Mini Kit (250) (QIAGEN, Inc., Valencia, EUA). Após a extração, foi avaliada a qualidade e a quantidade do RNA viral. Nesse sentido, foi utilizado o método de RT-qPCR. Adicionalmente, foi realizada a análise de custo do material. O kit BioGene obteve os melhores resultados na comparação entre os dois protocolos avaliados, com valores de Cycle Threshold (Ct) menor, indicando um maior rendimento do teste. Além disso, o custo do protocolo implementado a partir do kit da BioGene foi 44% menor que o da Qiagen. Palavras Chave: Extração de RNA viral; CHIKV; Diagnóstico; Arboviroses; RT-qPCR. ABSTRACT The Chikungunya virus (CHIKV) belongs to the Togaviridae family, classified epidemiologically as an arbovirus, transmitted by mosquitoes. Arboviruses can show similar symptoms in the initial period of infection, but their outcome are different. The Chikungunya fever, for example, causes arthritis. These issues mean that this virus has a great deal of public health attention, as it has already caused epidemics in different regions of the world. Therefore, for correct viral identification, laboratory tests are necessary to confirm the results accurately. One of these is RT-qPCR, a fast, high- sensitivity test that is being used more frequently for diagnoses. However, this test, due to its higher cost, is not available to be performed in all laboratories, which ends up making it difficult to diagnose and monitor the disease. This cost comes mainly from the kits used, which can also be difficult to implement if the necessary material is not available. In this context, the aim of the present work was to evaluate the effectiveness of virus detection and detection kits based on RT-qPCR, and compare them so that there was a reduction in the cost of diagnoses. Fourteen suspected cases of arbovirus were studied, ten of which were suspected of Chikungunya fever. All samples were extracted and purified using two kits, BioGene (QUIBASA, Inc., Minas Gerais, Brazil) and QIAamp Viral RNA Mini Kit (250) (QIAGEN, Inc., Valencia, USA). Next, the quality and quantity of the viral RNA was evaluated. For this, the RT-qPCR method was used. In addition, a material cost analysis was performed. The analysis showed that the BioGene kit obtained the best results in the comparison between the two evaluated protocols, with lower Cycle Threshold (Ct) values, indicating a higher test yield. In addition, the cost of the protocol implemented from the BioGene kit was 44% lower than Qiagen. Keywords: Viral RNA extraction, CHIKV; Diagnosis; Arboviruses; RT-qPCR. LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Microscopia do vírus Chikungunya........................................................... 17 Figura 2 – Ilustração de estrutura Viral do vírus Chikungunya .................................. 18 Figura 3 – Representação do genoma do vírus Chikungunya .................................. 19 Figura 4 – Ação da sonda TaqMan (Applied Biosystems™) na RT-qPCR ................ 24 Figura 5 – Gráfico demonstrativo da RT-qPCR ......................................................... 25 Figura 6 – Manejo para diagnóstico de paciente suspeito de Chikungunya. ............. 28 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 – RT-qPCR para análise de amostras de pacientes infectados pelo vírus Chikungunya (CHIKV). .............................................................................................. 36 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Tabela 1: Oligonucleotídeos utilizados na reação para a RT-qPCR........ 33 Tabela 2 – Lista de reagente para a reação de RT-qPCR. ....................................... 33 Tabela 3 – Parâmetros de termociclagem. ................................................................ 34 Tabela 4 – Resultado da RT-qPCR. .......................................................................... 35 Tabela 5 – Avaliação de custo kit/amostra. ............................................................... 37 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 16 1.1 Classificação do agente etiológico ............................................................... 16 1.2 Estrutura Viral .............................................................................................. 16 1.3 Estrutura do Genoma Viral e Patogênese .................................................... 18 1.4 Manifestações Clinicas ................................................................................. 20 1.5 Diagnóstico .................................................................................................. 22 1.5.1 RT-qPCR (PCR quantitativo em tempo real com transcrição reversa) .. 23 1.6 Epidemiologia do vírus Chikungunya e Prevenção ...................................... 25 2 OBJETIVOS ........................................................................................................ 29 1.1 Objetivo Geral .............................................................................................. 29 2.1 Objetivos específicos ................................................................................... 29 3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 30 3.1 Local de estudo ............................................................................................ 30 3.2 Amostras biológicas analisadas ................................................................... 30 3.3 Diagnóstico molecular do vírus Chikungunya .............................................. 30 3.3.1 Extração e Purificação do RNA viral ...................................................... 30 3.3.2 RT-qPCR (Transcriptase Reversa seguida da Reação de Cadeia de Polimerase em tempo real) ................................................................................. 32 3.4 Custo benefício dos kits. .............................................................................. 34 3.5 Aspectos éticos. ........................................................................................... 34 4 Resultados e discussão ...................................................................................... 35 4.1 PCR em tempo real (RT-qPCR) ................................................................... 35 4.2 Relação custo benefício ............................................................................... 37 5 Conclusão ........................................................................................................... 39 16 1 INTRODUÇÃO 1.1 Classificação do agente etiológico A família Togaviridae engloba dois genêros, o Rubivirus, causador da rubéola, e o Alphavirus, que abrange 29 espécies de arbovírus classificados em 7 complexos com determinantes antigênicos. O vírus Chikungunya (CHIKV) pertence ao complexo Semliki Forest (SF), no qual estão presentes outros vírus, como o O'NYONG-NYONG (ONN), Ross River (RRV) e o Mayaro (MAYV) (POWERS, 2010). Os vírus desse grupo são denominados Alphavirus do Velho Mundo, e são capazes de provocar febre, erupções cutâneas e artralgia, diferenciando-se daqueles classificados como do Novo Mundo, os quais causam encefalite (SOLIGNAT et al., 2009). Apesar de apresentar apenas um sorotipo, o CHIKV possui alguns genótipos descritos, que foram desenvolvidos a partir de surtos espalhados por diferentes regiões geográficas: Asiático, Leste-Centro-Sul Africano, Oeste Africano e OceanoIndico. O surgimento dos primeiros casos da febre Chikungunya data de 1952, quando o vírus foi isolado pela primeira vez por em Newala, Tânzania, no continente africano (NUNES et al., 2015; ROSS, 1956; WEAVER, 2014). A transmissão do CHIKV se dá pela picada do mosquito fêmea infectado, das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, o que faz da doença ser considerada uma arbovirose (HIGGSSTEPHEN; VANLANDINGHAMDANA, 2015). 1.2 Estrutura Viral O vírus Chikungunya, tal qual os demais Alphavirus, possui RNA de fita simples, com tamanho aproximado 11.5-kb., polaridade positiva e tem uma estrutura esférica de 70nm, composta de nucleocapsídeo e envelope (JOSE; SNYDER; KUHN, 2009; RUPP et al., 2015) (Figura 1). O envelope viral é constituído de uma bicamada fosfolipídica, em que os componentes são derivados da membrana plasmática da célula hospedeira (STRAUSS; STRAUSS, 1994). 17 Figura 1 – Microscopia do vírus Chikungunya. Fonte: Adaptado de Weaver et. al., 2015. Legenda: Representação do vírion maduro em “A”, estruturas em “B”, e proteínas estruturais em “C”. As glicoproteínas E1 e E2 fazem parte do envelope viral, que se agrupam em três unidades e formam um heterodímero de morfologia semelhante a um espinho ou espícula (spike), o qual auxilia o vírus na entrada da célula. A formação das espículas se dá através da codificação de proteínas estruturais traduzidas do RNA viral, que ao se juntarem, formam um trímero de proteínas E1 e E2, somando o total de 80 estruturas (CHO et al., 2008; VOGEL et al., 1986) (Figura 2). 18 Figura 2 - Ilustração de estrutura Viral do vírus Chikungunya. Fonte: Adaptado de ViralZone (SIB Swiss Institute of Bioinformatics). Legenda: Em “A” é possível ver a constituição do vírion maduro, com o RNA genômico envolto pela proteína C (capsídeo), a membrana protetora do núcleocapsídeo e as espículas inseridas. Já em “B”, observa-se o vírion pelo exterior, com o capsídeo se simetria icosaedrica, formado por um agrupamento de 4 trímeros de proteínas estruturais. 1.3 Estrutura do Genoma Viral e Patogênese O genoma do Vírus Chikungunya é um RNA de fita simples, polaridade positiva, com aproximadamente 11.2 kilobases, e 12 mil nucleotídeos, com um cap na extremidade 5’ e uma cauda poli A na extremidade 3’ (5′ cap-nsP1-nsP2nsP3-nsP4- (junction region)-C-E3-E2-6k-E1-poly(A)-3′) (SINGH et al., 2018; SOLIGNAT et al., 2009). O genoma do CHIKV contém duas ORFs (Open Reading Frame), ou quadro de leitura aberto. A primeira ORF codifica uma proteína precursora que é processada para dar origem as quatro proteínas não estruturais: nsP1, nsP2, nsP3 e nsP4, que juntas formam o complexo de replicação viral. A segunda ORF codifica uma proteína precursora que depois de processada dá origem as cinco proteínas estruturais: C ( capsídeo), as três glicoproteínas do envelope (E1, E2, E3) e a proteína 6K (Figura 3) (KHAN et al., 2002; MOIZÉIS et al., 2018). 19 Figura 3 – Representação do genoma do vírus Chikungunya. Fonte: Adaptado de SINGH et al., 2018. Legenda: O genoma possui duas ORFs (Open Reading Frame), na qual a primeira, que ocupa 2/3 da extremidade 5’, codifica as proteínas envolvidas na replicação viral, e a segunda codifica as proteínas estruturais como por exemplo, membrana, capsídeo e envelope. As proteínas estruturais, como mencionado anteriormente, são responsáveis por manter a integridade do vírus, protegendo o material genético para que possa se propagar de um hospedeiro a outro e atuando na inoculação do vírus na célula hospedeira (ROUSSEL et al., 2006). Para a entrada do vírus na célula, a glicoproteína E2 atua como agente ligante a células do hospedeiro. Foi analisado que essa proteína tem afinidade com a proteína de membrana Prohibitin 1 (PHB1), expressa por diversas células, e atua como receptora do vírus (WINTACHAI et al., 2012). Além dela, a Mxr8a, célula de adesão molecular, imunoglobulina de célula T e a Mucin Domain-1 (TIM-1) 20 foram descritas como auxiliadoras da infecção viral (VAN DUIJL-RICHTER et al., 2015). Próximo à parte codante das proteínas estruturais localiza-se uma região chamada de 3’NTR, ou região não codante, composta por 526 nucleotídeos, e regulam a síntese do RNA viral (DUDHA et al., 2015; PFEFFER; KINNEY; KAADEN, 1998; RANGEL et al., 2022). Para a replicação do vírus dentro do hospedeiro são necessárias as proteínas não estruturais, derivadas do RNA genômico. A primeira, nsP1, atua para a associação do vírus a membrana da célula hospedeira por palmitoilação (AHOLA et al., 2000), além de ser responsável por adicionar o cap na extremidade 5’ da sequência (VASILJEVA et al., 2003). A nsP2 atua como helicase, trifosfatase e protease. A nsP3 promove a síntese viral, como também na promoção de mutações. A nsP4 não atua na replicação viral, mas no complexo de replicase viral (RUPP et al., 2015) O vírus tem preferência de replicação em fibroblasto e macrófagos, em níveis teciduais, são amplificados no lugar da infecção, na pele e nos monócitos, até atingirem órgãos linfóides e não linfóides, como articulações sinoviais e o musculo esquelético. Isso explica porque essa doença provocar sintomas como a poliartralgia e dores pelo corpo(MATUSALI et al., 2019). 1.4 Manifestações Clinicas O principal sintoma atribuído a Chikungunya é a febre, visto que a própria doença recebeu o nome de febre Chikungunya. A temperatura corporal nesses casos é bastante elevada, que pode exceder 39°C, junto de erupções cutâneas e dores severas nas articulações (INAMADAR et al., 2008; ROBINSON, 1956). Esse padrão sintomático data desde as primeiras documentações da doença, no entanto, mais características foram adicionadas com a observação de novos casos, que inclui dor de cabeça, fadiga, náusea e vômitos (POWERS, 2010). Geralmente os sintomas demoram de 3 a 7 dias para aparecer, o que pode durar até 12 dias, e após a contaminação, o vírus pode ficar no organismo por volta de 10 dias. A febre CHIKV é dividida em fase aguda, subaguda e crônica, a depender da duração das dores causadas pelas inflamações (SIMON et al., 2007). Para 21 diagnosticar a febre Chikungunya são realizadas algumas etapas que permitem conduzir o paciente para um tratamento, como também auxilia na diferenciação da doença (Figura 4). A fase aguda da doença dura de 10 a 21 dias e se caracteriza por febre de surgimento abrupto, dores poliarticulares, que começam de dois a cinco dias após o início dos sintomas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015). Nessa fase, as dores podem ser espalhadas pelo corpo, ou localizadas, mais comumente, nas mãos, pulsos, pés e tornozelos (DE SOUZA et al., 2022). Aproximadamente metade dos casos apresentam problemas cutâneos, sejam eles edemas e exantemas, com prurido e rash, e em menor frequência, sintomas gastrointestinais incluindo diarreias e vômitos (THIBERVILLE et al., 2013). Após o fim da fase aguda, se os sintomas persistirem depois de 21 dias até três meses, o paciente é considerado em fase subaguda, em que geralmente a febre desaparece, mas as dores articulares e edemas continuam, e podem agravar, além do aparecimento de tenossinovite nos pulsos(SÁNCHEZ; CAÑÓN; LOMBO, 2019). Um estudo feito com pessoas infectadas na fase aguda as quais apresentavam artralgias mostrou que a quimiocina CXL8 estava em maior nível nas amostras sanguíneas, quando desenvolviam dores crônicas. A partir desses dados foi levantada a hipótese que essa quimiocina, se presente em níveis elevados na fase aguda, seria um fator importante para o seguimento da doença para a fase crônica (JACOB- NASCIMENTO et al., 2021). Após três meses, a persistência de sintomas caracteriza a fase crônica, com fortes dores articulares que limitam as atividades diárias dos que foram infectados peladoença. Divididos em três grupos, os sintomas comuns nessa fase são: artrites inflamatórias, condições musculoesqueléticas dolorosas e neuropatias ( SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO, 2021). As artrites inflamatórias se assemelham muito a artrite reumatoide e pode acabar levando a um diagnóstico impreciso, como os altos níveis de IL-6, presente em ambas as condições (AMARAL; BILSBORROW; SCHOEN, 2020). Porém, por apresentarem características semelhantes, o tratamento da artrite reumatoide pode ser um bom candidato ao tratamento das inflamações articulares causadas pela Chikungunya (JAVELLE et al., 2015). Além das três fases apresentadas, a Chikungunya pode manifestar sintomas classificados como atípicos, pouco relacionados a essa doença. Síndrome de Guillain- 22 Barré (LEBRUN et al., 2009), depressão(YASEEN et al., 2014) e alopecia (MORO et al., 2012) foram alguns dos sintomas avaliados em pacientes pós Chikungunya (VAN AALST et al., 2017), além de casos assintomáticos. 1.5 Diagnóstico O diagnóstico laboratorial da Febre da Chikungunya pode ser feito de diferentes formas, a depender do tempo de doença, tendo como alvo o genoma viral, o vírus, proteínas virais ou anticorpos específicos para a Chikungunya (POWERS, 2010). Para os dias iniciais da doença, ou seja, durante a fase da viremia, no início da fase aguda, em que os sintomas estão presentes, o genoma viral pode ser detectado pela RT-qPCR. Após o período virêmico, a pesquisa de anticorpos da classe IgM é o indicado (VU; JUNGKIND; ANGELLE DESIREE LABEAUD, 2017). Os exames sorológicos realizados pelo método ELISA conseguem detectar níveis de IgM, o qual consegue ser realizado 6 dias após o início dos sintomas, e IgG, o qual detecta o vírus a partir de 21 dias de doença (LITZBA et al., 2008; SILVA et al., 2018). Em casos agudos, a viremia por volta do 6° dia estará alta o suficiente para ser detectada com exames de isolamento viral ou moleculares de quantificação viral, como o RT-qPCR (LANCIOTTI et al., 2007). Por serem exames de alta sensibilidade e rápida execução e análise, métodos como RT-qPCR tem sido relevantes no diagnóstico da Chikungunya (EDWARDS et al., 2007). Além desses exames, também é possível analisar a doença através de um hemograma, que avaliará aspectos como leucopenia, e o aumento da Proteína C Reativa(BRITO; CORDEIRO, 2016). O diagnóstico diferencial também é relevante nesse contexto uma vez que a CHIKV apresenta sintomas semelhantes a Dengue, Zika, Leptospirose, Malária, Febre Reumática e Artrite Séptica (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015). O diagnóstico pode ser feito por consultas, pela avaliação dos sintomas (Figura 6) (PAHO,2017), porém exames laboratoriais fornecem informações mais precisas, e assim, um melhor manejo da doença identificada Métodos de análise laboratorial são eficientes para doenças co-circulantes, como a dengue, Zika e Chikungunya e podem ser realizados com métodos multiplex que conseguem diferenciá-las eficientemente (REDDY et al., 2012). 23 1.5.1 PCR quantitativo em tempo real com transcrição reversa (RT-qPCR) Para a identificação de um patógeno no paciente, é recomendado que alguns testes sejam feitos a fim de que haja um diagnóstico mais preciso. Como exames sorológicos são menos precisos e são feitos após um tempo maior que os moleculares, exames como o RT-qPCR tornaram-se o padrão ouro nesse âmbito, principalmente para a detecção viral (MACKAY; ARDEN; NITSCHE, 2002). O protocolo da PCR foi primeiro descrito em 1983 e, desde então, tem sido adaptada para diversos casos (MULLIS et al., 1986). Uma dessas adaptações foi a transcriptase reversa (RT), necessária para a detecção viral, uma vez que os vírus possuem como material genético o RNA. Para ser realizada a PCR, o RNA precisa ser convertido em DNA, em que o processo é feito a partir de um mRNA, transformado em cDNA, para então servir de molde para a PCR (BACHMAN, 2013). Na preparação das amostras para a RT-qPCR são adicionados componentes essenciais para que o teste seja executado corretamente no termociclador e possa fornecer resultados ao fim do experimento. Os principais componentes, os quais permitem que a detecção ocorra de forma quantitativa, são corantes e as sondas florescentes, que possuem maior especificidade a sequência de nucleotídeos desejada (BUSTIN, 2005). As sondas acabam tendo vantagem sobre os corantes, ou dyes, como o SYBR green, por já terem um primer específico (MACKAY; ARDEN; NITSCHE, 2002). Uma dessas sondas, e uma das mais utilizadas é a TaqMan (Applied Biosystems™), operada por meio da hidrólise, em que a ligação da sonda é quebrada durante a amplificação. Isso ocorre, pois, a sonda é formada por duas extremidades, na 5’ fica o fluorofóro, e na 3’ um quencher, que impede a liberação da fluorescência (Figura 4). Quando degradado durante a amplificação, um sinal luminoso é enviado e o equipamento o reconhece (NAVARRO et al., 2015). Esse passo é importante pois é ele que mostrará a amplificação e quantificação viral no final do experimento. 24 Figura 4 – Ação da sonda TaqMan (Applied Biosystems™) na RT-qPCR. Fonte: Adaptado de Navarro et al., 2015 Legenda: A sonda apresentada ao lado esquerdo da imagem contendo o reporter com o fluoróforo na extremidade 5’ e o quencher na 3’, responsável por suprimir o reporter. À direita, pode-se observar a Taq DNA polimerase liberando o fluoróforo, que emitirá um sinal luminoso, que será lido quantitativamente e produzirá um gráfico posteriormente. Utilizada em diversas áreas, o teste de RT-qPCR fornece a quantificação e análise da expressão gênica de forma relativa e absoluta. A quantificação absoluta utiliza uma curva padrão de concentração fornecida pelo sistema para analisar os valores encontrados, denominado Ct, Cycle Threshold, ou Cq, Ciclo de quantificação, ou Quantification Cycle (Figura 5) (HARSHITHA; ARUNRAJ, 2021). O Ct tem como definição um ponto em que o sinal fluorescente consegue atravessar um limite mínimo, threshold, colocado arbitrariamente no gráfico (SCHMITTGEN; LIVAK, 2008). A RT-qPCR permite a análise da quantificação do alvo molecular presente nas amostras através da emissão da fluorescência pela sonda. A detecção do sinal se dá na fase exponencial, em que a quantidade de amplicons estará em maior quantidade pela amplificação do material genético, em que emitirá mais sinais luminosos. Pela sensibilidade do teste, quanto menor for o ciclo em que o sinal for emitido, maior será a quantificação, registrada pelo valor do Ct. 25 Figura 5 – Gráfico demonstrativo da RT-qPCR. Fonte: Adaptado de Kubista et al., 2006 Por ser um teste de alta sensibilidade e eficácia, o RT-qPCR é relevante para arboviroses como a Chikungunya que precisa de testes mais específicos para que seja distinguida de outras arboviroses. Além disso, é relevante comparar o custo de kits, visto que, a partir dessa avaliação é possível achar materiais mais economicamente viáveis. 1.6 Epidemiologia do vírus Chikungunya e Prevenção O vírus Chikungunya ocorre em várias localidades do mundo, mas foi primeiro descrito na região onde hoje se localiza a Tanzânia, perto da costa da regiões de Mawia, Makonde e Rondo(LUMSDEN, 1955). Para tanto, o nome Chikungunya deriva do Makonde em que significa aquele que se curva, devido às fortes dores articulares provocadas pela doença (VU; JUNGKIND; ANGELLE DESIREE LABEAUD, 2017). A primeira documentação desse vírus foi em 1952, e nesse período causou surtos na 26 Índia e no sudeste Asiático, o qual gerou a primeira linhagem viral conhecida do CHIKV (POWERS et al., 2000). Casos isolados ocorreram posteriormente em regiões da África por volta de 30 anos, porém novos casos foram notificados em 2004, na região do oceano Indico até a China (KARIUKI NJENGA et al., 2008).Concentrado no Velho Mundo até os anos 2000, o CHIKV parecia não apresentar riscos para a região das Américas, uma vez que depois de vários surtos, o vírus não tinha ainda conseguido chegar no Novo Mundo. No entanto, em 2013 foram notificados casos de Chikungunya no Caribe e na América Latina, gerando preocupações para a disseminação do vírus em outras regiões(LEPARC-GOFFART et al., 2014). Os primeiros casos detectados no Brasil ocorreram em 2014 em aldeias indígenas no Amapá, com casos importados da linhagem Asiática ,e em Feira de Santana, na Bahia, do genótipo Oeste-Sul-Centro Africano, trazido por um paciente vindo de Angola, África (AZEVEDO; OLIVEIRA; VASCONCELOS, 2015; NUNES et al., 2015). Desde então, o território brasileiro tem sofrido com constantes surtos da doença, sendo o principal foco a região Nordeste. No ano de 2022, essa parte do país apresentou 162.407 casos, em que o estado do Rio Grande do Norte teve 19.722 casos notificados, de acordo com a SESAP-RN (Secretaria de Saúde do Estado). Até a 24° semana de 2023 (20/06/2023) foram notificados 7.643 casos, com a confirmação de 1.231. As arboviroses não possuem ainda o método de controle e prevenção através das vacinas, com exceção da Dengue(HOU; YE; CHEN, 2022). Para a Chikungunya, diversas vacinas estão sendo pesquisadas, sendo elas de vírus inativado, adenovírus recombinante, DNA-based, VLP e a de vírus atenuado, contudo todas ainda se encontram em fase de teste(DE LIMA CAVALCANTI et al., 2022). Devido a isso são necessárias outras maneiras de controlar o surgimento de novas epidemias, como foi elaborado em um material da Organização Mundial de Saúde (OMS). Esse material conta com direcionamentos para um planejamento de contingencia para as arboviroses através de um Sistema de Aviso Prévio, Alerta e Resposta - EWAR (WHO, 2023) , o qual utiliza dados de notificações enviados por funcionários da saúde, avaliados quanto ao risco e, então ações de saúde pública são acionadas. Além disso, o controle mais comum é o dos vetores, em que campanhas 27 são feitas para a sociedade com o objetivo de extinguir os focos de propagação dos mosquitos(MADEWELL, 2020). Nesse contexto, este trabalho visa a implantação e avaliação de diferentes protocolos de extração de RNA viral para o fortalecimento da vigilância epidemiológica de arboviroses de importância médica. 28 Figura 6 – Manejo para diagnóstico de paciente suspeito de Chikungunya. Fonte: Ministério da Saúde. 29 2 OBJETIVOS 1.1 Objetivo Geral Implantar e avaliar preliminarmente dois protocolos de extração para a detecção do genoma do vírus Chikungunya. 2.1 Objetivos específicos • Avaliar preliminarmente a eficiência de dois protocolos de extração de RNA viral; • Avaliar o custo benefício de diferentes protocolos de extração para a detecção do RNA do vírus Chikungunya; • Quantificar amostras de sangue suspeitas de infecção por vírus Chikungunya. 30 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Local de estudo Esse projeto foi realizado no Estado do Rio Grande do Norte, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte no município de Natal, pelo Laboratório de Doenças Infecciosas e do Câncer. 3.2 Amostras biológicas analisadas O presente estudo utilizou dez amostras de pacientes com suspeita de infecção por arbovírus. Para a análise desse material biológico foi utilizado soro. Duas amostras previamente identificadas como negativas foram utilizadas como controle. Adicionalmente, duas amostras positivas para Dengue Vírus Tipo 2 (DENV-2) também foram utilizadas como controle. As amostras utilizadas no experimento foram fornecidas por diferentes unidades de saúde do estado do Rio Grande do Norte, pelo Laboratório Central Dr. Almino Fernandes (LACEN-RN) e Secretaria de Saúde de Natal. O material foi enviado em alíquotas para o Laboratório de Doenças Infecciosas e do Câncer (LADIC- UFRN), extraído e purificado. Até a realização do estudo, as alíquotas foram armazenadas em freezer -20ºC. 3.3 Diagnóstico molecular do vírus Chikungunya 3.3.1 Extração e Purificação do RNA viral Um total de 14 amostras foram extraídas com a utilização de dois kits de extração, BioGene (QUIBASA, Inc., Minas Gerais, Brasil), e QIAamp Viral RNA Mini Kit (250) (QIAGEN, Inc., Valencia, EUA), de acordo com as instruções dos fabricantes. 31 Após essas etapas, foi realizada a Transcriptase Reversa seguida da Reação de Cadeia de Polimerase em tempo real (RT-qPCR). Os kits utilizados seguem um padrão de extração baseado em quatro etapas: Lise celular, ligação, lavagem e eluição do RNA. O processo inicia com a lise celular, em que a célula é rompida para que o material genético seja liberado para a próxima etapa, a ligação. Como a purificação se dá por uma membrana de sílica, é nesse momento em que o ácido nucleico se liga a ela. Em seguida, para que não haja contaminação na amostra, são feitas lavagens para eliminar possíveis resíduos, e então o RNA segue para a eluição. Nessa etapa, o RNA é liberado da membrana em que estava ligado em que estará concentrado e purificado (“BIOGENE EXTRAÇÃO DE DNA RNA VIRAL"). 3.3.1.1 BioGene Extração de DNA/RNA Viral Para iniciar o procedimento, foi necessária a preparação de soluções de lavagem e do RNA Carrier, reagentes que serão posteriormente utilizados. Vale ressaltar que para a execução desse kit é necessário um banho maria ou um termo bloco, além de um equipamento para aquecer o reagente utilizado para ressuspensão do RNA Carrier. A primeira etapa, da lise das amostras, consiste na pipetagem de 200 µL de amostra e a adição de 5µL de Proteinase K, 200µL de tampão de lise e 5,6µL do RNA Carrier, todos fornecidos pelo kit. Após homogeneizado, foi adicionado 200µL de Etanol (96-100%) na solução para a posterior transferência dela para a coluna de sílica. Para a ligação, é colocado o volume total da solução, que contabiliza 610µL, na coluna, para então ser centrifugado e extrair o RNA. O conteúdo líquido restante no tubo é, então, descartado. Depois que a ligação do RNA é feita nas colunas de sílica, são feitas 2 lavagens, a primeira com Hidrocloreto de guanidina e TRIS-HCL, e a segunda com TRIS-HCL. Após a lavagem, segue-se para a eluição, em que foi adicionada 60µL de água livre de RNAse na coluna, sendo esse o volume final do RNA já eluído e purificado no tubo coletor. O material foi armazenado à -20°, até ser utilizado. 32 3.3.1.2 QIAamp Viral RNA Mini Kit (250) Para a purificação, o material foi extraído pelo QIAamp Viral RNA Minikit (QIAGEN, Inc., Valencia, EUA), de acordo com as instruções do fabricante. Para a realização da extração, é necessária a obtenção prévia de uma micro centrífuga e tubos de 1,5mL que encaixem nas micro centrífugas, uma vez que não são fornecidos com o kit. Após preparados, os reagentes, tampão e Carrier, com o volume de 560µL no total, foram colocados no tubo de 1,5mL e, posteriormente, receberam 140µL de plasma sanguíneo, resultando no volume de 700µL. Essa mistura quando centrifugada permitirá que ocorra a lise celular. Para a ligação à coluna de sílica foram colocados 560µL de etanol, resultando em 1,26mL de amostra, que foi pipetado para uma coluna em um tubo de 2mL fornecida pelo fabricante. Após a lise e a ligação, foi adicionado 500μl do tampão AW1, para que fosse centrifugado e filtrado, mais 500µL do AW2, filtrado, e a coluna é, então, colocada em um tubo de 1,5mL. O material foi eluido com a adição de 60µL do tampão AVE, o qual será o volume final do material para a realização do RT-qPCR. O armazenamento foi feito à -20° até o momento do uso. 3.3.2 RT-qPCR (Transcriptase Reversa seguida da Reação de Cadeia de Polimerase em temporeal) O RT-qPCR foi utilizado para a detecção e quantificação do vírus CHIKV no experimento. A metodologia utilizada nesse processo foi descrita previamente por Lanciotti et. al. (2007). Para esse experimento, foi usada uma sonda fluorescente VCHIK 6919P (Applied Biosystems™), e posteriormente foram adicionados dois primers iniciadores Primer VCHIK 6856F, direto, e Primer VCHIK 6981R, reverso (Invitrogen) (Tabela 1). Para cada sonda e primer uma sequência genômica especifica é previamente designada. 33 Tabela 1 – Oligonucleotídeos utilizados na reação para a RT-qPCR. Oligonucleotídeo iniciador Posição no Genoma Sentido na Sequência (5’→3’) VCHIK 6919P 6919–6941 AGGTACGCGCTTCAAGTTCGGCG CHIKV 6856F 6856–6879 TCACTCCCTGTTGGACTTGATAGA CHIKV 6981R 6981–6956 TTGACGAACAGAGTTAGGAACATACC Fonte: Lanciotti et. al. (2007) Na próxima etapa, foi adicionado o MasterMix TaqMan™ Fast Virus 1-Step Master Mix (Applied Biosystems™), o qual contém os componentes necessários para a amplificação do material para que, então, seja recombinado. As placas utilizadas nesse processo são então completas com água livre de nuclease, ddH2O, e o volume indicado de RNA (Tabela 2). Tabela 2 – Lista de reagente para a reação de RT-qPCR. Reagentes µL/tubo VCHIK 6919P 0,2 CHIKV 6856 1 CHIKV 6981 1 TaqMan™ Fast Virus 1-Step Master Mix 2,5 ddH2O 10,3 RNA 5 Fonte: Adaptado de Lanciotti et. al. (2007) 34 O volume final obtido de todos os reagentes mais a adição do RNA resulta em 20µL, o qual é comportado em placas de 96 poços, nos quais 14 foram usados para cada kit. Após serem seladas, as placas seguiram para a análise do material no equipamento 7500 fast (Thermo Fisher Scientific Inc.). Para a realização do processo foram usados parâmetros de termociclagem indicados pelo fabricante (Tabela 3). Tabela 3 – Parâmetros de termociclagem. Etapas Temperatura Tempo Ciclos RT 95° 00:20 1 Ativação da Enzima (Amplitaq) 95° 00:03 40 Desnaturação Anelamento / Extensão 60° 00:30 40 Tempo total - 00:53 - Fonte: Adaptado de Lanciotti et. al. (2007) 3.4 Custo benefício dos kits. A relação de custo beneficio dos kits de extração foi feita a partir da comparação dos preços comerciais. Para a análise dos preços foi obtido o número de catálogo dos kits, e então, procurado nos sites das empresas fabricantes. 3.5 Aspectos éticos. Os processos contidos nesse estudo foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – CAAE: 51057015.5.0000.5537. 35 4 Resultados e discussão 4.1 PCR em tempo real (RT-qPCR) Um total de dez casos suspeitos de Chikungunya foram analisados através do método de RT-qPCR, utilizando dois diferentes kits de extração. O kit QIAGEN permitiu a detecção de 90% (09/10) dos casos de Chikungunya. Já o kit BioGene conseguiu amplificar 100% dos casos (10/10) (Tabela 4). Tabela 4 – Resultado RT-qPCR. Kits de extração QIAamp Viral RNA Minikit BioGene Extração de DNA/RNA Viral Amostras positivas identificadas 9 10 Fonte: Elaborado pelo autor (2023) A RT-qPCR, por fornecer um resultado rápido e mais refinado que outros métodos, como a PCR convencional (ANDREW et al., 2023; EDWARDS et al., 2017; ESPOSITO; FONSECA, 2017), tem sido amplamente usada para fins de diagnóstico e experimentos laboratoriais, além da alta eficácia para a amplificação e quantificação de material genético (HARSHITHA; ARUNRAJ, 2021). Para avaliar a eficiência dos kits utilizados, foram utilizados os valores de Cycle threshold (Ct). O Ct, uma vez determinado, permite a avaliação da amplificação do alvo amplificado (THIRION et al., 2019). Os valores do Ct podem ser determinados à partir dos resultados obtidos em um experimento, no entanto, estudos prévios com o CHIKV mostraram que amostras positivas tinham valores máximos limitantes a 38 (DE SOUZA et al., 2022; DOS SANTOS SOUZA MARINHO et al., 2022; MARTINS et al., 2022). Valores acima disso foram considerados negativos, não amplificados ou faziam parte do grupo controle. Os valores encontrados no presente estudo foram condizentes com os valores 36 descritos em outros estudos (Figura 7). Isso é relevante pois mostra uma equivalência entre a pesquisa elaborada nesse trabalho e as que já haviam sido feitas previamente. Os resultados obtidos pelo método da PCR quantitativa permitiram que os kits de extração pudessem ser comparados à nível de qualidade do RNA purificado, e também em relação à maior sensibilidade de detecção das sondas e corantes, mesmo com cargas virais mais baixas. Isso pode ser observado no BioGene, o qual apresentou números mais baixos para o Ct, demonstrando uma maior eficácia para esse kit. Gráfico 1 – RT-qPCR para análise de amostras de pacientes infectados pelo vírus Chikungunya (CHIKV). Fonte: Elaborado pelo autor (2023) Legenda: O gráfico mostra que o kit QIAGEN teve como menor resultado 23,48, e o maior 36,8; enquanto o kit BioGene apresentou um valor ainda mais baixo, de 20,53, e o mais elevado de 35,98, o que demonstra uma maior sensibilidade desse protocolo para a quantificação viral. 37 4.2 Relação custo benefício O custo benefício dos kits de extração foi avaliado a partir do valor real utilizado por amostra extraída, o qual indicou o método mais vantajoso economicamente (Tabela 5). Tabela 5 – Avaliação de custo kit/amostra Kit de Extração Valor do Kit para 250 amostras Custo por amostra BioGene Extração de DNA/RNA Viral R$ 6.360,00 R$ 25,44 QIAamp Viral RNA Minikit R$9.359,00 R$ 37,43 Fonte: Elaborado pelo autor (2023) Por ser uma empresa nacional, a fabricante do BioGene oferece algumas vantagens para a obtenção do material, um deles é a praticidade, visto que, para a obtenção do QIAamp Viral RNA Minikit é necessário importá-lo, o que gera um custo extra no fim das contas. A fim de mensurar os valores dos kits, o kit da Qiagen apresentou um valor aproximadamente 43% maior que o do kit da BioGene, além de não ter atingido valores tão significativos pelo Cycle Threshold, o clico de quantificação. Dessa forma, por apresentar níveis maiores de sensibilidade nos testes quantitativos, e também por apresentar o valor mais rentável para a extração, o kit com melhor custo benefício é o BioGene, o qual custou R$25,44. Como descrito anteriormente, o CHIKV é de alta importância para a saúde pública por provocar sequelas derivadas de processos inflamatórios, ou até a morte (AMARAL; BILSBORROW; SCHOEN, 2020), ou a possibilidade de uma nova epidemia (CUNHA et al., 2017) . Por essas questões, esses resultados são relevantes e podem fornecer informações para que mais laboratórios, principalmente os que 38 lidam com uma alta carga de testes frequentemente, tenham acesso a métodos mais precisos e eficazes de diagnóstico, principalmente a um custo menor. É interessante ressaltar que existem outros kits no mercado que podem ser utilizados em comparações futuras. Além disso, vale destacar que o kit de extração também é útil em outros espécimes clínicos, que nesse trabalho não foram testados, e também podem ser usados para outros testes de biologia molecular, como pesquisa de Dengue, Zika e outros vírus de RNA. 39 5 Conclusão Ambos os kits possibilitaram a extração e purificação do RNA viral a partir de amostras de soro de pacientes com suspeita de infecção por vírus Chikungunya. Contudo, o Kit BioGene permitiu obter melhores níveis de detecção dos alvos esperados, além do melhor custo-benefício. Finalmente, os resultados preliminares deste estudo mostraram que o Kit da BioGene apresentou mais eficiência para a extração e purificação do RNAviral, permitindo uma melhor amplificação da sequência alvo e com menor custo. 40 REFERÊNCIAS AHOLA, T. et al. Effects of Palmitoylation of Replicase Protein nsP1 on Alphavirus Infection. Journal of Virology, v. 74, n. 15, p. 6725–6733, ago. 2000. AMARAL, J. K.; BILSBORROW, J. B.; SCHOEN, R. T. 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