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Rio de Janeiro – Recife, 2018
orgs.
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Idosos : perspectivas do cuidado / organização Spencer Júnior , Leopoldo Barbosa. 
- 1. ed. - Rio de Janeiro : Autografia ; Recife [PE] : EDUPE, 2018.
226 p. : il. ; 23 cm.
Inclui bibliografia
ISBN: 978-85-518-0875-7
1. Envelhecimento. 2. Idosos - Saúde e higiene. 3. Idosos - Cuidado e tratamento. 
4. Velhice - Aspectos sociais. I. Spencer Júnior. II. Barbosa, Leopoldo.
18-47790 CDD: 618.97
 CDU: 616-053.9
I22
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
universidade de pernambuco – upe
Reitor: Pedro Henrique Falcão
Vice-reitor: Dra. Socorro Cavalcanti
editora universidade de pernambuco – edupe
Conselho editorial: 
Profª. Drª. Adriana de Farias Gehrer
Prof. Dr. Amaury de Medeiros
Prof. Dr. Alexandre Gusmão
Prof. Dr. Álvaro Vieira de Mello
Profª. Drª. Ana Célia O. dos Santos 
Profª. Drª. Aronita Rosenblatt
Prof. Dr. Belmiro do Egito
Prof. Dr. Carlos Alberto Domingos do Nascimento
Gerente científico:
Prof. Dr. Karl Schurster
Idosos: perspectivas do cuidado
Spencer Junior e Leopoldo Barbosa (org.)
isbn: 978-85-518-0875-7
1ª edição, fevereiro de 2018.
Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução deste livro com fins comerciais sem 
prévia autorização do autor, da Autografia e da Edupe.
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SUMÁRIO
SOBRE OS AUTORES � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �7
PREFÁCIO � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 15
IDOSOS: ESPERANÇA E FINITUDE DE VIDA � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 17
José Antônio Spencer Hartmann Júnior
A SAÚDE E A DOENÇA NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO � � � � � � � � � � � � � � 27
Tânia Rudnicki , Carol ina Seabra e Viv ian Kratz 
PSICOLOGIA DA SAÚDE, FAMÍLIA 
E ADOECIMENTO CRÔNICO NO IDOSO � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 41
Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa, Jul iana Monteiro Costa ,
Mônica Cr ist ina Bat is ta de Melo e João Car los Alchier i
O SUICÍDIO NA PESSOA IDOSA � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 52
Anésia Bezerra da Fonseca e José Antônio Spencer Hartmann Júnior
ESPIRITUALIDADE E QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE � � � � � � � � � � 58
Luciano da Fonseca Lins , Alessandra Andressa A . de M. Magalhães 
e Antônio Gabrie l Araújo Pimentel de Medeiros
CUIDADOS PALIATIVOS PARA O IDOSO � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 68
D aniela Achet te e Cr ist iane Ferraz Prade
LUTO COMPLICADO � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � 97
Luciana Valença Garcia e José Antônio Spencer Hartmann Júnior
NEUROIMAGEM E ENVELHECIMENTO: 
ASPECTOS BÁSICO-CLÍNICOS AVANÇADOS � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �117
Carol ine Bozzet to Ambrosi , Car los Augusto Carvalho de Vasconcelos
e Patr íc ia Bozzet to Ambrosi
ENVELHECIMENTO, ALTERAÇÕES COGNITIVAS 
E A AUTONOMIA EM IDOSOS � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �128
Olív ia D ayse Lei te Ferre i ra , Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa
e João Car los Alchier i
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A RELAÇÃO ENTRE AVÓS E NETOS: 
QUEM CUIDA E QUEM É CUIDADO? � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �141
Maria Teresa Barros Falcão Coelho, Waleska de Carvalho M. Medeiros
e Cr ist ina Maria de Souza Br i to D ias
NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO: 
ASPECTOS BÁSICO-CLÍNICOS AVANÇADOS � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �160
Ana Carol ina Ribeiro de Amorim, Antonio Souto Gouveia
e Car los Augusto Carvalho de Vasconcelos
ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA AO PACIENTE IDOSO � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �179
El isângela S i lva , Íta la Nóbrega e Flávia Morais
EXERCÍCIO FÍSICO, ENVELHECIMENTO E QUALIDADE DE VIDA � � � � � � � � �199
Tiago Albuquerque
IDOSO INSTITUCIONALIZADO E QUALIDADE DE VIDA � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � � �209
Bruno Gi lberto de Melo e S i lva , Suely de Melo Santana
e Cir lene Francisca Sales da S i lva
ESPIRITUALIDADE E BEM-ESTAR MEDIANDO 
FUNCIONALIDADE, DOENÇAS NEUROPSIQUIÁTRICAS 
E TÉRMINO DA VIDA DA POPULAÇÃO DA TERCEIRA IDADE � � � � � � � � � � � � � � � �220
Ana Clara Gal indo Miranda e José Antônio Spencer Hartmann Júnior
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— 7 —
SOBRE OS AUTORES
Alessandra Andressa A. de M. Magalhães - Especialista em Neurop-
sicologia e Mestranda em Saúde Mental pela Universidade de Per-
nambuco - UPE.
Ana Carolina Ribeiro de Amorim - Universidade Federal de Per-
nambuco/UFPE, Recife, Brasil. Centro Universitário do Vale do Ipoju-
ca – UNIFAVIP/DEVRY, Caruaru/PE, Brasil.
Ana Clara Galindo Miranda – Acadêmica do Curso de Medicina da 
Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Pernambuco.
Antônio Gabriel Araújo Pimentel de Medeiros – Psicólogo. Inte-
grante do grupo de pesquisa Grupo de Estudos sobre Saúde Mental 
do Idoso, vinculado ao CNPq.
Antonio Souto Gouveia - Programa de Pós-Graduação em Ciências 
da Saúde, Faculdade de Medicina do ABC/FMABC, Santo André/
SP, Brasil.
Anésia Bezerra da Fonseca – Acadêmica de Medicina – FCM-UPE; 
Especialista em Diagnóstico Molecular – FPS – Biomédica - UFPE
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— 8 —
Bruno Gilberto de Melo e Silva – Fisioterapeuta. Doutorando em Psi-
cologia Clínica (UNICAP). Mestre em Psicologia Clínica (UNICAP), 
professor Assistente I da Universidade Católica de Pernambuco, Pós-
-graduado em Fisioterapia Traumato-ortopédica- FIR, Especialista 
em Fisioterapia Esportiva- SONAFE/COFITTO.
Carlos Augusto Carvalho de Vasconcelos – Universidade Federal de 
Pernambuco/UFPE Porfessor Efetivo, Recife/PE, Brasil: Colaborador 
no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Faculdade de 
Medicina do ABC/FMABC, Santo André/SP, Brasil
Carolina Seabra – Psicóloga. Mestre em Psicologia. Especialista em 
Psico-oncologia, Psicologia Médica e Psicologia Hospitalar. Especiali-
zanda em Terapia Cognitivo-comportamental. Sócia Diretora do Ins-
tituto de Terapia Cognitiva em Psicologia da Saúde. Tutora das espe-
cializações em Psico-oncologia e cuidados paliativos da Faculdade de 
Ciências Médicas de Belo Horizonte. 
Caroline Bozzetto Ambrosi - Residente em Clínica Médica do Insti-
tuto de Educação e Pesquisa - Hospital Moinhos de Vento, Porto Ale-
gre/RS, Brasil
Cirlene Francisca Sales da Silva - Psicóloga, Doutoranda em Psicolo-
gia Clínica (UNICAP). Mestre em Psicologia Clínica (UNICAP), Espe-
cialista em GerontologiaSocial (UFPE), Especialista em Gerontologia 
(SBGG), Especialista em Intervenções Clínicas na abordagem Psica-
nalítica (ESUDA), Coordenadora da Especialização em Gerontologia 
(UNICAP).
Cristiane Ferraz Prade - Psicóloga, co-fundadora e atual presidente 
da Casa do Cuidar
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— 9 —
Cristina Maria de Souza Brito Dias - Doutora em Psicologia (UnB). 
Professora aposentada da UFPB e professora adjunta III da UNICAP. 
Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Psicologia Clíni-
ca (UNICAP). Membro do Laboratório de Família, Gênero e Interação 
social (UNICAP). Pesquisadora do CNPq.
Daniela Achette - Psicóloga da Unidade de Psicologia e da Equipe 
Multiprofissional de Suporte e Cuidados Paliativos do Hospital Sírio 
Libanês, integrante da Comissão Científica da Pós Graduação em Cui-
dados Paliativos – IEP/Sírio Libanês
Elisângela Silva - Farmacêutica graduada pela Universidade Fede-
ral de Pernambuco (UFPE), 2003. Mestre em Ciências Farmacêuticas 
UFPE. Doutora em Ciências Farmacêuticas. Docente do Centro Uni-
versitário CESMAC e Centro Universitário Maurício de Nassau (UNI-
NASSAU). É tutor e membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE) 
do curso de Farmácia da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). 
Membro do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (FPS).
Flávia Morais - Graduada em Farmácia com habilitação em Indústria 
de Medicamentos pela Universidade Federal do Rio Grande do Nor-
te. Doutora pelo Programa de Pós-graduação de Ciências Farmacêuti-
cas - UFPE . Foi coordenadora de pesquisa & desenvolvimento do LA-
FEPE (2003 - 2011/março. Coordenadora do curso de Farmácia da FPS. É 
membro da Comissão de Ensino do CRF-PE a desde 2012. Foi membro 
em PE da Associação Brasileira de Educação Farmacêutica (ABEF). Do-
cente permanente do Mestrado em Educação na área de Saúde da FPS.
Ítala Nóbrega - Mestre em Ciências Farmacêuticas pela UFPE. Espe-
cialista em Farmácia Hospitalar pela SBRAFH, graduada em Farmácia 
e Farmácia Industrial pela UFPE, com aperfeiçoamento em Farmácia 
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— 10 —
Clínica pela Universidad de Chile. É tutor e membro do NDE do curso 
de Farmácia da FPS. Farmacêutica do IMIP e do Exército.
João Carlos Alchieri - Doutor em Psicologia pela Universidade Fede-
ral do Rio Grande do Sul (2004), bolsista produtividade (CNPq) e Prof 
Associado III na Universidade Federal do Rio Grande do Norte como 
orientador de mestrado e doutorado no PPG Ciências da Saúde.
José Antônio Spencer Hartmann Júnior - Psicólogo, Pós-doutoran-
do em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC- São 
Paulo e Doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamen-
to Pela Universidade Federal de Pernambuco. Preceptor da Residên-
cia em Psiquiatria do Hospital Oswaldo Cruz da Universidade de Per-
nambuco. Professor Adjunto da Faculdade Ciências Médicas-UPE. 
Líder de pesquisa do Grupo Estudos sobre Saúde Mental do Idoso da 
Universidade de Pernambuco, vinculado ao CNPq.
Juliana Monteiro Costa - Psicóloga Clínica e Hospitalar. Doutora em 
Psicologia Clínica pela Universidade Católica de Pernambuco - UNI-
CAP. Coordenadora de Tutor do curso de Psicolgia da FPS e membro 
do Núcleo Docente Estruturante. Docente Permanente da Pós-Gra-
duação da FPS e do Mestrado Profissional em Psicologia da Saúde da 
FPS. Membro do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Saúde vincula-
do ao CNPq
Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa - Psicólogo Clínico e Hospita-
lar. Doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela 
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Preceptor da residência 
em Psiquiatria e Psicologia Instituto de Medicina Integral Prof. Fernan-
do Figueira – IMIP. Tutor da Graduação e Docente Permanente da Pós-
-Graduação da Faculdade Pernambucana de Saúde - FPS. Coordena-
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— 11 —
dor do Mestrado Profissional em Psicologia da Saúde da FPS. Líder do 
Grupo de Pesquisa em Saúde Mental vinculado ao CNPq.
Luciana Valença Garcia - Graduada em Medicina pela Universidade 
Federal de Pernambuco. Residente em psiquiatria do Hospital Ulys-
ses Pernambucano.
Luciano da Fonseca Lins - Professor Adjunto da Universidade de 
Pernambuco
Maria Teresa Barros Falcão Coelho - Psicóloga (UFPE). Mestre em 
Psicologia Cognitiva (UFPE). Doutoranda em Psicologia Clínica (UNI-
CAP). Docente Permanente do Mestrado Profissional em Psicologia 
da Saúde da Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS). Docente da 
Graduação em Psicologia (FPS). Docente de Cursos de Pós-gradua-
ção na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP), FPS, na Fa-
culdade Frassinetti do Recife (FAFIRE) e na Faculdade Redentor/ Ins-
tituto Desenvolvimento Educacional (IDE).
Mônica Cristina Batista de Melo - Psicóloga Clínica e Hospitalar. 
Doutora em Saúde Materno Infantil pelo IMIP. Supervisora e precep-
tora de estágio do IMIP. Tutora da Graduação e Docente Permanente 
da Pós-Graduação da Faculdade Pernambucana de Saúde - FPS. Vi-
ce-coordenadora do Mestrado Profissional em Psicologia da Saúde 
da FPS. Líder do Grupo de Pesquisa em Psicologia da Saúde vincula-
do ao CNPq
Olívia Dayse Leite Ferreira - Psicóloga pela Universidade Federal 
da Paraíba ; Mestre em Psicologia pela Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte (UFRN) e atualmente é doutoranda do Programa de 
Ciências da Saúde da UFRN. Tem experiência na área de Psicologia 
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— 12 —
clínica (terapia cognitiva-comportamental), neuropsicologia e neuro-
ciências, com ênfase nos processos cognitivos.
Patrícia Bozzetto Ambrosi - Neuri- Brain Vascular Center, Paris, 
França, Sócia Fundadora da ABRAZ-Sub Regional, Bento Gonçalves/
RS, Brasil
Suely de Melo Santana – Psicóloga. Doutora em Psicologia pela Fa-
culdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do 
Porto (FPCE-UP/PT). Mestre em Psicologia Cognitiva pela Universi-
dade Federal de Pernambuco – UFPE. Terapeuta Cognitivo-Compor-
tamental Certificada pela Federação Brasileira de Terapias Cognitivas 
- FBTC. É Docente da Graduação em Psicologia da Universidade Ca-
tólica de Pernambuco – UNICAP e do Programa de Mestrado e Dou-
torado em Psicologia Clínica. Líder do Grupo de Pesquisa Família, 
Gênero e Interação Social vinculado ao CNPq. Membro do Grupo de 
Trabalho sobre Pesquisa Básica e Aplicada em uma Perspectiva Cog-
nitivo-Comportamental da ANPEPP.
Tânia Rudnicki - Psicóloga. Doutora em Psicologia (PUC/RS) e Pós-
-Doutorado em Psicologia da Saúde pelo ISPA/PT como bolsista Ca-
pes - Foundation Ministry of Education Of Brazil-Brasília/DF - Brazil. 
Terapeuta Cognitiva certificada pela FBTC. Mestre e Especialista em 
Psicologia Clínica com experiência na área da saúde e hospitalar. Pes-
quisadora Associada do Centro de Investigação William James ISPA/
PT. É membro do GT ANPEPP em TCC; Membro do comitê de Ética 
em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha/FSG. Sócia Di-
retora do Instituto de Terapia Cognitiva em Psicologia da Saúde.
Tiago Albuquerque. Graduado em Educação Física pela UFPE. 
(CREF G/PE 5318). Certificação Internacional em Treinamento Fun-
cional (FMS – Functional Moviments Systems). Certificado Interna-
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— 13 —
cional na metodologia Vipr. Master MVF (Motricidade Voluntária 
Funcional).
Vivian Kratz – Psicóloga. Especialista em Comunicação e Multimí-
dia pela Université de Toulon (França); Universidade Fernando Pes-
soa (Portugal) e Universidade de Caxias do Sul (UCS). Possui Aper-
feiçoamento em Terapias Cognitivas pela Wainer Psicologia e Work 
Experience pela Universidade de Cambridge (Inglaterra). Graduada 
em Psicologia, com ênfase em Saúde e Educação pelo Centro Univer-
sitário da Serra Gaúcha (FSG) e em Jornalismo pela UCS. Possui expe-
riência com grupos, orientação vocacional, clínica e projetos de pro-
moção de saúde e qualificação de equipes em Instituições de Longa 
Permanência paraIdosos (ILPI).
Waleska de Carvalho M. Medeiros - Psicóloga. Mestre em Psicologia 
Clínica pela UNICAP. Doutoranda em Psicologia Clínica na Universi-
dade Católica de Pernambuco. Tutora de Graduação e Pós-graduação 
da FPS. Docente Permanente do Programa de Mestrado Profissional 
em Psicologia da Saúde da FPS.
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— 15 —
PREFÁCIO
A afirmação “o mundo está envelhecendo” já é quase um mantra para 
qualquer pessoa que se proponha a analisar a estrutura tanto do pon-
to de vista social como do ponto de vista do indivíduo desse nosso sé-
culo XXI. As mudanças vêm através da transição demográfica e um 
aumento da proporção de idosos, da transição epidemiológica e o 
predomínio das doenças crônicas e degenerativas, e da transição tec-
nológica com o surgimento contínuo de novas estratégias diagnósti-
cas e terapêuticas, além da intensa produção de artigos científicos e 
papers diariamente.
Mas uma transição ainda em estágio inicial e que já está se tornan-
do o pilar da assistência ao idoso é a transição dos cuidados. Nela se 
propõe que tiremos o enfoque voltado para a doença e tragamos o en-
foque para o indivíduo. E essa é uma missão fácil na proposição, mas 
difícil na execução. Envolve a análise do indivíduo como um todo, 
suas fragilidades, suas dinâmicas familiares e sociais, suas vontades, e 
através disso entender o que é realmente o processo “saúde-doença” 
para aquela pessoa e como poderemos ajudá-la.
Esse desafio na transição dos cuidados envolve a participação de 
um número maior de profissionais de várias áreas do conhecimen-
to dedicados à geriatria e gerontologia. Mas ao contrário de nossas 
expectativas e de acordo com a realidade que estamos descobrindo, 
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— 16 —
esses profissionais não serão os especialistas pois, afinal, nunca tere-
mos a quantidade de especialistas suficientes para a quantidade cada 
vez maior de idosos e das demandas dos mesmos. Os conhecimentos 
em geriatria e gerontologia estão se mostrando ser metadisciplinares 
e permeando todas as áreas do conhecimento e já é necessário que 
todo profissional de saúde independente da especialidade, por exem-
plo, conheça as melhores práticas de assistência ao idoso.
Nesse ponto, é com grande prazer que vemos a execução e con-
clusão desse livro. O Idoso: Perspectiva do cuidado trás um forte as-
pecto interdisciplinar focado no indivíduo e suas relações, abordan-
do desde o quanto a tecnologia nos ajuda compreender o processo de 
envelhecimento do cérebro humano até as formas como o idoso e a 
família lidam com a compreensão da finitude e dos cuidados paliati-
vos. A relação do idoso e da família, do cuidar e do ser cuidado, os cui-
dados com medicações e com uma nutrição adequada, os benefícios 
da atividade física, e sem esquecer do importantíssimo papel da espi-
ritualidade, nos fazem lembrar sempre que os nossos cuidados têm 
que ser centrados no indivíduo, e para isso é importante o conheci-
mento dos fatores que o cercam.
“O mundo está envelhecendo” e esse livro nos ajuda a compreen-
der e ajudar de forma mais adequada esse novo mundo!
Sérgio Murilo Maciel Fernandes Filho
Médico geriatra
Presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria 
e Gerontologia – Seccional Pernambuco de 2016 a 2018
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— 17 —
IDOSOS: ESPERANÇA E 
FINITUDE DE VIDA
José Antônio Spencer Hartmann Júnior
“Esperança não é esperar, é caminhar e caminhar no escuro...”
(Heráclito)
Há duas formas de contemplar uma vela acesa: uma é constatando 
que a luz que produz implica na própria consumação da cera que a 
alimenta; outra é apreciar que enquanto há cera, há luz. A finitude da 
cera, garantida pelo fogo que a consome, dá nobreza ao seu briho. Vi-
ver é brilhar na cera do nosso tempo finito.
Somos fruto do improvável. A vida é o acontecimento mais im-
provável. Soubéssemos da improbabilidade da vida e nos espanta-
ríamos encantadoramente com o milagre de existir. Mas, ao mesmo 
tempo, a consciência da improbabilidade da vida e o profundo reco-
nhecimento da sua precariedade nos colocam em contato direto com 
a percepção do fim eminente, e, com isso, aprendemos a tratar a mor-
te com negação. Mas negar o inevitável é deixar de saborear melhor o 
que realmente dispomos, que é o tempo presente. Negar a morte é ne-
gar o impermanente, negar o impermanente é negar a nossa máxima 
vulnerabilidade, e quando negamos a nossa máxima vulnerabilidade, 
negamos, paradoxalmente, a nossa máxima potência: a potência de 
viver cada momento como sendo talvez o último. Portanto, é no meio, 
ou seja, é durante a vida que está a salvação, e o meio é o tempo pre-
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— 18 —
sente, em que se tocam potência e gozo. Potência de saborear o me-
lhor possível a vida, e isso não deve ser confundido com imprevidên-
cia quanto ao futuro.
Qual a grande angústia humana sobre a morte? Não termos a cer-
teza para onde iremos? O medo que vem do inevitável fim biológico à 
medida que avançamos em idade e nos aproximamos da fatídica rea-
lização desta exígua matemática existencial?
Penso que a angústia e o medo venham mais de como morrere-
mos, se sofreremos, que dores enfrentaremos, as limitações impos-
tas pelo envelhecimento e a dependência total dos outros, viver uma 
morte que nos paralisa enquanto estamos vivos, do que a morte em si. 
Não é morrer, é deixar de viver; de se encantar e cantar a vida.
A máxima ambiguidade da natureza humana nasce da colisão en-
tre uma consciência de si e da sua condição precária. Disso brota a 
sua angústia: sabe que vai morrer e é vulnerável. Somente o homem 
sofre dessa consciência. A consciência adoeceu o homem diante da 
realidade da vida, pois reconhece que não tem controle sobre o seu 
inexorável destino. Essa é a sua queda; a sua expulsão do paraíso sur-
ge quando toma consciência da sua morte e sensível vida. A bendi-
ta inocência perdida com a consciência de si o joga no inferno exis-
tencial. Quando perde a sua ignorância parece perder a sua graça de 
viver. A sua mais intensa experiência é a da angústia da morte ou o 
que a angústia da morte anuncia: a perda da vitalidade. Mais do que 
morrer é a de não viver em plenitude de vigor. A morte não angus-
tia mais que a vida. E a vida angustia porque ela pode tanto trazer o 
melhor como pode também trazer o pior. Angústia é o pressentimen-
to do pior. Então, não é a morte, mas a vida a causa de nossa angús-
tia, e quando experimentamos a angústia de morte, experimentamos 
por que ela só pode ser sentida em vida. Portanto, é a vida o doce e o 
amargo, o mel e o fel. Tememos o que podemos passar de pior pela 
vida. Toda ameaça de perda de vitalidade nos coloca em estado al-
terado de ser. A angústia deflagra a nossa precariedade, a nossa im-
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— 19 —
potência, percebendo o homem não apenas a sua precariedade exis-
tencial, mas de não poder fazer nada sobre isso. Só podemos, e ainda 
assim de modo muito limitado, retardar processos de perda de vida, 
mas nunca evitar.
O que temos é o desejo de potência, mais do que potência em si. 
Mas esse desejo de potência mobiliza vitalidade; é o nosso esforço, a 
nossa perseverança em durar e durar em lutar; é resistir para existir.
A vida tem sabor de vitalidade, de felicidade. A nossa maior fome é 
a fome de viver e viver em usufruto. Saber apreciar é o ato que se con-
solida em aprender a produzir vitalidade que existe em potência. E 
essa potência não convertida em ato gera uma angústia paralisante. 
Portanto, a alegria é a ação consciente e inteligente de quem apren-
de a fomentar movimento que previne contra a possibilidade de que 
apenas o pior ocorra. Por isso que a angústia enfrentada e inteligen-
ciada nos coloca em contato com o fluxo do real e nos orienta melhor,porque sem ilusões, levando a tomada de decisões com mais sincro-
nia com as contingências. As ilusões são a fé impensada no meu de-
sejo sobre a contingência e que nos remete ao desespero. Isso porque 
o encontro com o desespero simboliza a negação da angústia e que a 
angústia é o prenúncio dos instantes inesperados da vida carregados 
de incertezas.
As contingências e sua altíssima imprevisibilidade são o forno do 
inferno de onde nasce a angústia. Por isso que a angústia sendo inteli-
genciada – entenda esse neologismo como tornar inteligente uma for-
ça potencialmente cega – faz perceber as contingências como uma di-
mensão existencial de alta motivação para a resistência humana.
Quando a angústia é bloqueadora da ação, ou seja, a paralisa, sua 
função fica letal, pois é a ação que produz alegria e que garante a vi-
talidade, que a é criadora, também, da esperança. A esperança vamos 
situar como sendo um afeto de horizontes e tudo que tem horizonte 
gera sentido, gera um caminho, uma alternativa. A esperança é o afe-
to do enfrentamento das contingências com uma ação programada e 
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flexível, à medida que as circunstâncias permitam ou alterem os obje-
tivos desse programa.
A conversão da potência em ato somente é possível pelo esforço, 
e esforço que traga mesmo que o pouco é melhor que não ter o alen-
to da tentativa. A tentativa ou a perseverança estimulam a esperança, 
que por si vai cavando caminhos novos de acordo com o andamento 
dos eventos, pois a esperança é a busca do esperado, mas com flexibi-
lidade de mudanças ao contato com o inesperado. Em verdade, a es-
perança é a disposição de luta com alegria no encontro com o inespe-
rado. Não há esperança renovada sem inesperado.
Podemos aventar a hipótese de que o maior pavor humano não 
seja o medo da morte, mas do autoconhecimento. Um conhecimen-
to que revele a nossa condição precária, sem os cosméticos que usa-
mos para esconder nossa angústia iminente. E esse conhecimento fá-
tico sobre a vida perpassa com a grande questão da morte. O modo 
como lidamos com a vida revela como lidamos com a morte. Conhe-
cer a vida em sua dinâmica impermanente é se preparar para extrair 
dela uma vida boa. Nossa cultura mascara essa dimensão mais obscu-
ra, no entanto, é o principal capital da existência humana que é a nos-
sa finitude biológica. Naturalmente, esse autoconhecimento em li-
dar com a finitude e, ao modo sábio, e considere sabedoria aqui como 
uma inteligência pragmática que resolve os problemas de nosso coti-
diano, e que coloca o maior desejo humano, que é a sua imortalidade, 
em sintonia com a sua realidade mortal e inexorável. Portanto, é fun-
damental discutirmos de forma corajosa essa realidade tão ignorada, 
mas não menos importante.
Ao idoso, aquele que se aproxima da última linha do tempo finito 
de sua vida, que esperança pode acionar para manter a sua potência 
de existir, quando as suas forças se exaurem no suspiro silencioso de 
cada célula? Seria vivendo intensamente o momento presente? Ade-
mais, que outro tempo realmente temos independente da nossa ida-
de? A esperança voltada apenas para o amanhã é casta de gozo, pois o 
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gozo se encontra no tempo que corre no instante vivido. E por que nos 
atormentamos tanto em nos colocarmos no tempo presente sem re-
correr ao passado ou antecipando o futuro? Porque o tempo presen-
te é o encontro com o caos, com a impermanência, com o inesperado, 
com o imprevísivel. E esse encontro é uma convocação para a gran-
de consciência da morte que negamos, pois a vida é o acontecimento 
mais improvável. Aceitar a finitude da vida é aprender a plenificá-la. A 
vontade da duração da vida não pode gerar a negação de sua dinâmi-
ca de perdas. Ganha mais quem sabe lidar com as perdas da idade. A 
afirmação da vida aumenta a sua potência e a potência de afirmação 
está em sabermos surfar nas flutuações. Não podemos ser os temerá-
rios do devir ou os ressentidos com o impermante, não podemos des-
prezar o que passa, escoa ou se vai.
Destarte, é o caminho que importa, não mais o fim. Não podemos 
nos limitar a falar da finitude da vida, mas da plenitude do meio, do 
trajeto; na estrada da vida toda reta é uma curva e toda curva uma 
nova paisagem.
Intrínseco ao ser humano se encontra o desejo de durar. Sim, que-
remos durar, o duro desejo de durar; de perseverar no ser; é essa nossa 
disposição natural: florescer, não importa em que inverno ou sob que 
tempestade; temos o desejo de florescer. Esperança é o desejo de du-
rar, de florescer, desejo de potência de existir. Durar é aumentar o pas-
sado bom que tivemos para melhorar, mediante um presente intenso, 
um futuro que se encurta e que deve ser cada vez melhor. Mas durar 
exige saber lidar com a mudança e saber mudar requer a mais dolorosa 
vivência humana: a aceitação da impermanência, a aceitação da nossa 
precariedade. Mas o que é de mais frágil em nós é o que há de mais va-
lioso: a vida. E viver é divisar horizontes, é navegar, é prosseguir, é du-
rar; é manter a chama acesa até o fim do pavio e da última gota de cera 
desta vela sensível às intempéries da existência do homem.
Mas a morte não é o dilema maior, mas uma vida sem esperança, 
uma vida em desespero é pior que qualquer tipo de morte.
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A morte nada pode sobre o momento que vivemos, somente sobre 
o próximo instante. A morte só há quando não há vida, então, não é a 
morte que tememos, mas sim uma vida pobre de alegria; uma exis-
tência desencantada.
Tudo muda, tudo flui, tudo passa, escreve O filósofo pré-socrático 
Heráclito, O Obscuro. A aceitação da impermanência implica na acei-
tação de nossa maior agonia: a fragilidade que se inscreve em nos-
sas vidas.
Refletir sobre essa mesma fragilidade conscientizada e enfren-
tada com um conhecimento baseado na condição humana, naqui-
lo que nos constitui em matéria e essência, pode nos ofertar uma es-
perança vivenciada no nosso extraordinário instante existencial, nos 
preparando de modo fático para um envelhecimento, enraizado na 
vida como ela é, com todas as suas misérias e alegrias, fragilidades e 
potências.
Desse modo, imagino que a esperança posta no meio e não mais 
no fim ou no além do fim; não no nunca mais e nem no ainda não, 
mas no que está se fazendo, é a nossa melhor resistência para a imper-
manência e a sua inevitável ocorrência: a finitude da vida, enquan-
to aprendemos a lidar com a nossa maior negação; a vida precária e 
a nossa miséria existencial. Esse é o ponto do grande encantamento, 
em que devemos florescer através da esperança como disposição para 
durar e durar em florescimento. Toda força humana brota da nossa 
fragilidade. A fragilidade é a mãe de todas as nossas maiores virtudes 
e das nossas melhores criações. A esperança não como esperar, mas 
como agir e agir para frente é a melhor forma de lidarmos com a fini-
tude existencial? Vejamos.
Os estoicos propunham alguns estratagemas curiosos para que 
nos conciliássemos com a morte. O primeiro seria que não há mo-
tivo em nos apavorarmos com a morte, desde que não nos singula-
rizemos, ou seja, desde que nos entendêssemos como fragmento de 
um todo e que logo seremos reabsorvidos como energia ou matéria 
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que será transformada numa outra parte de outra entidade viva. Esse 
modo proporciona profunda serenidade quanto ao nosso instinto de 
preservação referente à experiência de aniquilamento do nosso eu.
Assim sendo, não precisamos nos atormentar com a morte, pois 
seremos reaproveitados. Apenas temos que desapegar de nosso ego 
de uma eternidade privada ou particular. No entanto, isso não ajuda 
em nada, porque seria uma barganha ainda com a negação da mor-
te. Aqui a ideia de negação ainda subjaz, mesmo sob a efígiede uma 
reabsorção no todo e de forma despersonalizada. Querer ser tomado 
pelo todo é o mesmo que sendo um fragmento algo do meu eu se pre-
servaria. Nessa ideia não haveria ainda uma madura concepção da 
morte ou transcendência do medo da nadificação da minha persona.
O segundo modo seria em ser um herói. Fazer algo notável e ser 
lembrado na memória dos outros pelos meus feitos. E isso pode ser 
como herói ou como vilão. Os livros sobre História estão repletos de 
personagens heroicos e tiranos dos quais nunca esquecemos e que 
atravessam o périplo dos séculos sob loiros e refutações, respectiva-
mente, mas ainda assim imortalizados pelos seus atos do pretérito. 
Aqui se percebe também a negação do aniquilamento; outro drible 
semântico de buscar um dispositivo de fugir da morte.
Outro modo seria o da descendência. Ou seja, por meio dos meus 
filhos e parentes o meu DNA se perpetuaria. Esse recurso de todos pa-
rece o mais apelativo e pueril, igualmente camufla a angústia de mor-
rer, porque usa de um artifício lógico de que parte dos meus genes se 
espalharão, mas isso não garante em nada a superação do eu sobre 
a morte.
O modo estoico mais inteligente é o da sugestão quanto ao ajusta-
mento do homem à ordem cósmica. Quando o homem vive intensa-
mente o seu presente, ocupando-se com um labor e construindo uma 
obra com o qual ele se identifica profundamente. Quando esse ho-
mem descobre o seu talento e realiza na vida; quando ele encontra a 
sua excelência; quando retira de sua natureza a sua parte melhor, esse 
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homem sincroniza com o cosmos e vive o seu instante extraordina-
riamente. Viver essa intensidade nesse presente, onde a sua natureza 
beija a sua ação, quando a sua potência se converte em ato ou quan-
do a sua essência perfuma a sua atividade, então, ele encontra a eter-
nidade. Eterno não é ter uma vida depois da morte; é ter vida intensa 
na vida pouca extensa de sua finitude. É fazer da vida curta uma bela 
obra, e para isso deve viver o instante presente com toda força. Mas 
isso só é possível quando encontramos nosso talento e o vivemos.
Quando estou em florescimento, em total produção para aqui-
lo que a natureza me destinou, aí ocorre a grande apoteose; a minha 
conciliação com o mundo. Não importa mais a morte para quem está 
em intensidade com a vida. A alegria de obrar naquilo que tenho de 
melhor, e de compartilhar o que em mim transborda para a humani-
dade, me tira do passado e do futuro. Só um presente intenso pode 
nos proteger do passado e do futuro, e o pânico da morte existe para 
aquele que está preso no passado ou no futuro.
E para quem vive no passado e no futuro é porque não encontrou 
o seu talento, ou, se o encontrou, ainda não desenvolveu o maior de 
todos os talentos, que é o talento da realização dos seus próprios ta-
lentos. Por isso, mais importante do que ser imortal é ser eterno. Não 
é se vou morrer, mas o que vou deixar deve ser eterno, mas um eter-
no naquilo que tenho de melhor no que faço, e esse encontro do me-
lhor que tenho em mim com o melhor que faço é viver intensamen-
te o presente. Portanto, não tenho passado ou futuro, estou absorvido 
pelos afetos que nascem do atrito entre o que mais amo e sei fazer; 
quando estou envolvido com o meu tempo presente, sou eterno, isso 
é esperança. Esperança é ação sob inspiração da minha maior dispo-
sição de ser, de durar no tempo que me realizo.
O idoso, por mais longevidade que alcance, não se furtará de sua 
finitude. Por isso que para o idoso a melhor longevidade é a garantia 
de seu sentido de utilidade e manutenção de sua produtividade den-
tro de suas condições físicas e cognitivas. A esperança de uma vida 
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melhor se concentraria na seleção dos recursos que o idoso logrou 
durante a sua vida para otimizar no tempo presente. O aproveitamen-
to de sua reserva cognitiva e cerebral, engajando-o em uma sócio-e-
motividade seletiva, pode ajudá-lo a viver intensamente seu tempo 
presente no encontro com talentos que ficaram esquecidos ou secun-
darizados em função de outras prioridades de seus anteriores ciclos 
de vida. Essa presentificação estoica, acima destacada, em ajuste com 
as contribuições da Psicologia do Envelhecimento, podem facilitar a 
criar uma esperança-ação e um modo eficaz de enfrentamento com a 
sua perspectiva aproximativa de finitude de vida.
A esperança no idoso estaria em uma racionalização mais objetiva 
com a sua questão de finitude física e um plano de ação que fortaleça 
o idoso a gerar atividades adequadas às suas condições, permitindo 
sempre novas aprendizagens, e isso se encontra no trajeto de sua vida 
ou no seu momento presente. Peregrinar na vida enfrentando seus 
percalços diários com o encantamento, de maneira que as suas ativi-
dades possam promover alegrias, ajudaria a aumentar a sua potência 
de existir. A alegria de produzir sempre, e em consonância com o que 
cada idoso singularmente tem de melhor, é garantir uma vitalidade 
que o abstrairia do futuro e o descondicionaria do passado.
Essa seria uma nova compreensão sobre esperança como cons-
tructo cognitivo promotor de um afeto de autorregulação por estimu-
lar disposição para o amanhã, mas um amanhã calcado nas ações do 
hoje. Essa análise epistêmica, convertida em cognição e comporta-
mento, pode induzir uma percepção mais correta das contingências 
existenciais, e que aqui, podemos usar a metáfora do Fragmento de 
Heráclito ‘ ... caminhar no escuro ‘ como a dimensão da incerteza e 
das descontinuidades da vida. Esperança como ação no tempo pre-
sente, sempre indo para frente, em direção ao futuro, – enquanto for 
possível e estiver em nosso controle – permite enfrentar a vida com 
todas as suas imprevisibilidades do caminho. O que nos leva a dedu-
zir que a vida boa é a vida de sermos plenos no que podemos fazer. 
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Querer o que podemos e seremos onipotentes. A sabedoria do ancião 
é um campo de forças e uma lareira para os jovens, pois o conheci-
mento é ainda o melhor modo de gerar esperança e aumentarmos a 
nossa potência de existir.
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A SAÚDE E A DOENÇA NO PROCESSO 
DE ENVELHECIMENTO
Tânia Rudnicki
Carolina Seabra
Vivian Kratz 
INTRODUÇÃO
O crescimento acelerado da população idosa alterou conceitos e pre-
ceitos da sociedade em geral, desafiando-a em suas variadas perspec-
tivas, especialmente aquelas relativas à saúde. De acordo com a legis-
lação brasileira atual, que regulamenta a Política Nacional do Idoso, 
define-se idoso como aquele que conta com idade igual ou superior a 
60 anos (Brasil, Lei nº 8842/94).
O processo de envelhecimento é constituído e influenciado por 
mudanças complexas e não lineares. Estas envolvem aspectos bio-
lógicos, fisiológicos e psicossociais, não dizendo respeito somente à 
idade do indivíduo (OMS, 2015). Do ponto de vista cronológico, a par-
tir do modelo proposto por Belsky (2010), a fase do ciclo vital em que 
a pessoa se encontra, dos 60 aos 79 é denominada de velhice. A partir 
dos 80 anos, chama-se velhice avançada. Tendo em vista os conceitos 
apresentados neste texto e para fins de unificação do entendimento, 
utilizaremos os termos velho e idoso como sinônimos.
É consenso que o envelhecimento é caracterizado como um pro-
cesso determinado por múltiplos fatores e que atinge maior amplitu-
de na fase da velhice, entendida como uma etapa do desenvolvimento 
humano, consequência do processo de envelhecimento. Definida co-
mumente pela idade cronológica, a partir dos 60 anos, existem tam-
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bém as idades psicológica, funcional e biológica (Torres, Camargo, 
Boulsfield & Silva, 2015).
Junto ao aumento da expectativa de vida e ao fenômeno mundial 
do envelhecimento da população,o Brasil vive na atualidade, confor-
me dados do IBGE (2013), o início de um processo de inversão da pi-
râmide demográfica, em função do aumento da população mais velha 
e redução da mais jovem, em função da diminuição dos nascimentos. 
Ocorre, assim, um processo de mudança na configuração dos arran-
jos familiares (Camarano & Kanso, 2010).
Em decorrência do processo de envelhecimento, pessoas ido-
sas apresentam maiores chances de desenvolver doenças crônicas 
não-transmissíveis. Neste contexto, os fatores genéticos e os com-
portamentos de saúde prejudiciais desenvolvidos ao longo da vida 
contribuem para o agravo deste adoecimento (Tuoto, Lenardt & Ven-
turi, 2009).
Entre as mudanças biológicas do envelhecimento estão perdas 
sensoriais e psicomotoras: atenção e controle motor, memória, es-
truturação corporal e hormonal, além do sistema imunológico. No 
ponto de vista funcional e psicológico, envolvem-se aspectos rela-
cionados à autonomia, capacidade de executar tarefas, função cog-
nitiva, vida emocional e exercício de papeis, incluindo atividades 
básicas, instrumentais e avançadas do dia-a-dia, graduando-se a in-
capacidade funcional em níveis leve, moderado e grave (Ferreira & 
Batistoni, 2016).
SOBRE A VELHICE, A DOENÇA ONCOLÓGICA E O IDOSO
O próprio processo de envelhecimento, aliado a alguma doença, da-
das as variadas limitações, podem levar alguns idosos a múltiplas 
hospitalizações. Apesar dos avanços no campo da medicina, a inci-
dência e a mortalidade, principalmente na oncologia, aumentam 
cada vez mais na população idosa. A previsão entre 2007 a 2030 é de 
um aumento de 45% da mortalidade, devido à crise demográfica e en-
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velhecimento da população. Estima-se que o número de casos novos 
de câncer aumentará sensivelmente (OMS, 2015).
Entende-se que a prática de trabalho junto à velhice se enqua-
dra na disciplina de Psicologia da Saúde, uma vez que seu trabalho 
é realizado de forma abrangente. As intervenções, nessa perspectiva, 
se dão a partir de uma ótica biopsicossocial, relacionada ao conjunto 
dos fatores orgânicos, emocionais, comportamentais, sociais, econô-
micos, culturais, ecológicos e espirituais da saúde a da doença, sendo 
importante e necessário olhar ao que concerne ao idoso (Rudnicki & 
Schmidt, 2015). Desta forma, acredita-se no enfoque de integralidade 
da saúde proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), onde 
ter saúde não é apenas a ausência de doença, mas está ligado a um 
bem-estar físico, mental e social (Rudnicki, 2014).
Segundo dados do IBGE (2015), a expectativa de vida dos brasilei-
ros subiu para 75,2 anos em 2014. Para as mulheres, essa expectativa 
para nascidas em 2014 era de 78,8 anos, enquanto para os homens de 
71,6 anos. No ano de 2055 a participação de idosos na população to-
tal do Brasil será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos de 
idade, representando mais de 30% da população (IBGE, 2013).
Combinando esse aumento da expectativa de vida com as que-
das acentuadas nas taxas de fertilidade, vemos, como resultado, um 
rápido envelhecimento da pirâmide populacional do mundo (OMS, 
2015). Esse fenômeno está ocorrendo em meio a um contexto de gran-
des mudanças sociais, culturais, econômicas, institucionais, no siste-
ma de valores e na configuração dos arranjos familiares.
Estudos mostram que pessoas em idade avançada (Baltes & Smith, 
2006; Bottino, Blay & Laks, 2012), os chamados velhos-velhos – aque-
les que se encontram na quarta idade, apresentam um nível de vulne-
rabilidade e imprevisibilidade maior que indivíduos na velhice inicial, 
chamada também terceira idade, marcada por aspectos mais positi-
vos. Pode-se observar na verbalização de João, 71 anos: “O sofrimento 
é a pior coisa que pode acontecer! Esta dor pelo corpo... eu tenho mui-
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ta dor nos ossos, é uma dor horrível”. Alberto, 76 anos, refere: “Eu so-
fro com a minha respiração que agora é difícil e pesada, ela dói. Não é 
do normal quando a gente respira. Eu sinto falta de ar e a dor que me 
acompanha é insuportável. ”
Envelhecer de forma saudável diz respeito a medidas subjetivas e 
objetivas como satisfação com a vida, afetos e boa disposição (Man-
tovani, Lucca & Neri, 2016), morbidade, independência e mortalida-
de. Assim, por uma perspectiva biomédica, a definição passaria por 
três critérios: pequeno risco para doenças e deficiências relacionadas 
a doenças, alta atividade física, mental e envolvimento ativo na vida 
diária (Mantovani, Lucca & Neri, 2016). Já sob a ótica de uma perspec-
tiva psicossocial, o bem-estar emocional é uma das dimensões mais 
valorizadas. Maria, 71 anos afirma que, “Já senti muita dor. Eu reclamo 
de dor e peço remédio, mas não sou de fazer alarme, fico quieta no meu 
cantinho até ela passar”. Roberto, 80 anos, refere “estou acostumado a 
trabalhar e agora eu tenho que ficar aqui deitado”.
O câncer acarreta complicações importantes em todos os aspec-
tos da vida de uma pessoa, sendo ainda mais complexo quando ido-
sa. Apresenta variadas limitações e imposições funcionais e de saúde 
concernentes ao envelhecimento. São complicações e imposições no 
aspecto físico, psíquico, social, levando o doente a frequentes hospi-
talizações. No período de internação, muitas vezes, ele experimenta 
situações capazes de provocar elevado nível de estresse contribuindo 
para significativo sofrimento (Tuoto, Lenardt & Venturi, 2009). Pedro, 
69 anos, conta que “No hospital é tudo ruim, mas o meu maior sofri-
mento é não conseguir comer, se como eu passo mal...”. Para o idoso o 
alimento traz força e energia. De tal forma, enfraquecidos pela dificul-
dade em se alimentar advinda do tratamento do câncer e pela hospi-
talização, o sofrimento é gerado no sentido de reforçar seu enfraque-
cimento, debilitando-o e fragilizando seu organismo.
Sofrimento é definido como sendo o estresse associado a eventos 
que ameacem a integridade ou o todo de uma pessoa. Suas causas po-
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dem ser agrupadas de acordo com a origem, seja física, psicossocial, 
cultural e/ou espiritual. Nos pacientes com câncer, o sofrimento pode 
resultar de uma ou várias causas. Roberto afirma que “...o sofrimento é 
a coisa mais triste que pode existir para alguém, é só você acabar numa 
cama de hospital ou fazendo quimioterapia”.
O termo sofrimento total, advindo da percepção de dor total, pro-
posta por Cicely Sauders, precursora dos cuidados paliativos, é usa-
do para descrever a soma dos fatores responsáveis pelo sofrimento 
(Santos, 2011). Seus vários aspectos são interdependentes, entretanto 
a dor pode ser causada ou agravada por outras causas de sofrimento. 
Os mecanismos de cronificação da dor em idosos relacionam-se à di-
minuição da capacidade de adaptação que acompanha o envelheci-
mento e às comorbidades médicas e psiquiátricas, como câncer e/ou 
depressão, por exemplo (Karp, 2008).
DEPRESSÃO E AS TÉCNICAS COGNITIVAS E/OU 
COMPORTAMENTAIS
Com aumento da expectativa de vida e as possíveis modificações físi-
cas, psicológicas e sociais causadas pelo envelhecimento, torna-se de 
fundamental importância uma boa qualidade de vida (Nascimento, 
Rodrigues, Medeiros, Ferreira & Duarte, 2015). Para uma melhor abor-
dagem de tratamento do câncer na pessoa idosa é preciso levar em 
consideração as comorbidades decorrentes da faixa etária, sendo que 
a deficiência do sistema imunológico, influências ambientais e psi-
cológicas e os distúrbios fisiológicos alteram o metabolismo, influen-
ciando o efeito no uso das medicações no organismo.
Os processos inerentes do idoso são obstáculos importantes que 
devem ser considerados no planejamento do cuidado, embora não se 
apresentem como fatores únicos para o sucesso terapêutico. Pode-se 
incluir aqui a depressão, identificada nesse grupo populacional.Os 
fatores de risco para depressão e ansiedade em idosos incluem luto, 
doenças físicas, incapacidades e dificuldades cognitivas (Lobo, Rigo-
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li, Sbardelloto, Rinaldi, Argimon & Kristensen, 2012; Valença & Andra-
de, 2011).
A terapia cognitivo-comportamental tem sido uma abordagem 
bastante utilizada no idoso pela facilidade de adaptação e flexibili-
dade, necessárias para este paciente. Através de seus estudos, Beck, 
Shaw e Emery (1997) e Beck (2013) constataram que experiências pes-
soais levam o indivíduo a formar pressupostos sobre si mesmo e so-
bre o mundo. Estes pressupostos compõem seu sistema de crenças 
que determinam o sentido que dá às ocorrências de sua vida atual. 
Formam-se então os chamados pensamentos automáticos, que inva-
dem a mente da pessoa, em geral associados a emoções desagradá-
veis. Estes pensamentos interferem nas interpretações de experiên-
cias atuais, previsões sobre eventos futuros, ou lembranças de fatos 
passados.
Uma crença é um padrão bastante estável e persistente que se de-
senvolve na infância e segue em elaboração durante a vida de uma 
pessoa. Cada pessoa percebe o mundo através de suas crenças. Es-
tas são cognições importantes em relação a si mesmo e ao ambiente, 
aceitas sem questionamento (Beck, 2013).
Habitualmente elas atuam de forma sutil, passam despercebi-
das, mas quando são acionados por eventos explodem pensamentos 
e emoções, por elas dominados. Nestes momentos é que as pessoas 
apresentam emoções extremamente negativas e pensamentos dis-
funcionais que podem apresentar variados sintomas, como perda de 
energia ou interesse; dificuldade de concentração; alterações do ape-
tite e do sono; lentificação; sentimento de pesar ou fracasso; irritabi-
lidade ou impaciência; sentimento de pena de si mesmo; persistên-
cia de pensamentos negativos, entre outros (Bottino & Moreno, 2006; 
Edelstein, Northrop & Staats, 2003).
As técnicas cognitivas e/ou comportamentais permitem um 
aprendizado sobre si mesmo e o funcionamento da mente, propor-
cionando novas estratégias e equilíbrio interno. Inicialmente, o psi-
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coterapeuta trabalha no sentido de devolver ao paciente a flexibilida-
de através da análise de suas cognições, a fim de promover mudanças 
nas emoções e comportamentos. Aliviar a ansiedade, a depressão e a 
insegurança; reduzir os comportamentos desadaptativos, facilitando 
melhor relacionamento familiar; instrumentalizar o paciente a com-
preender seu funcionamento e saber como lidar com este; aumentar 
ou reduzir o efeito protetor da família; orientar e dar suporte aos fa-
miliares e cuidadores (Tuoto, Lenardt & Venturi, 2009). A readapta-
ção dos pensamentos automáticos e das crenças disfuncionais provo-
ca mudanças positivas nas emoções e no comportamento.
Além disso, também é importante o aumento do repertório com-
portamental e a busca pela melhora no funcionamento global; a rees-
truturação de crenças irracionais e desmistificação de estigmas e pre-
conceitos relacionados ao processo de envelhecimento. Aliado a este 
processo, o profissional vai trabalhar o empoderamento por meio de 
conhecimentos sobre a utilização mais efetiva os recursos da comu-
nidade pelo idoso e o familiar e/ou cuidador, visando a reinserção so-
cial, bem como promover reflexões sobre a finitude, ressignificando 
suas vivências (Tuoto, Lenardt & Venturi, 2009).
Ao longo do processo terapêutico, atua diretamente sobre o siste-
ma de esquemas e crenças do paciente, promovendo sua reestrutura-
ção cognitiva. Objetiva não apenas a solução dos problemas imedia-
tos do paciente, mas através da reestruturação busca dotá-lo de um 
novo conjunto de técnicas e estratégias, capacitando-o a processar e 
responder de forma funcional, concorrendo para a realização de suas 
metas. Há uma relação colaborativa entre o terapeuta cognitivo e o 
paciente, onde ambos têm um papel ativo ao longo do processo psi-
coterápico (Beck, 2013).
Ao terapeuta cabe entender em que condições os comportamen-
tos ocorrem e o que ocorre quando o paciente apresenta esse com-
portamento: investigar outras variáveis que possam estar contribuin-
do para a manutenção dos sintomas, buscando identificar, além da 
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genética, em que condições os sintomas (o comportamento) ocor-
rem. A partir disso, busca compreender o que acontece quando apre-
sentam esse comportamento para ver qual o padrão cognitivo presen-
te e se há o agravamento ou manutenção do quadro.
A observação ao comportamento do paciente, a forma como vi-
vencia o tratamento e realiza seus cuidados, são indicativos impor-
tantes sobre como está sua capacidade de lidar e suportar as dificul-
dades. Diante disso, a equipe envolvida nos cuidados do paciente 
idoso, desde a equipe de saúde, ao cuidador formal e informal, deve 
estar atenta às suas formas de expressão. Muitas vezes não consegue 
expressar, mas pode ser observado, por exemplo, algum abatimento 
no humor ou desinteresse no seu dia-a-dia (Tuoto, Lenardt & Ventu-
ri, 2009).
O tratamento do idoso na abordagem cognitivo-comportamen-
tal envolve compreensão sobre a patologia especifica de tratamento 
(quando houver), conhecer o transtorno e sua plasticidade naquele 
idoso; o processo de envelhecimento, advindo das mudanças viven-
ciadas pelo idoso nesta fase da vida - entre perdas e ganhos; conhe-
cer as necessidades específicas do idoso em atendimento; planejar a 
intervenção, adequando cada procedimento as necessidades, habili-
dades ou dificuldades do paciente. Cabe ao terapeuta a síntese das in-
formações e a adequação de linguagem para melhorar a compreen-
são do paciente. Pode apresentar as informações de várias formas, 
como recursos áudio visuais, por exemplo, utilizar folders ou caderno 
para anotações, treino de memória, mudanças no registro cognitivo. 
Auxiliar no enfrentamento e correção, se necessário estimulando uso 
de apoios ou aparelhos, pode ser necessário explorar e mudar crenças 
associadas a estigma de uso. Outro exemplo é a utilização de material 
escrito em letras maiores e cores mais fortes, como em negrito.
O profissional deve estar atento pois o paciente pode apresentar 
dificuldade em comparecer no consultório do terapeuta e/ou se en-
gajar em experimentos comportamentais. Desta forma, pode ser ne-
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cessário o atendimento domiciliar, estabelecer metas realistas; consi-
derar qual o melhor tratamento para cada paciente, se individual ou 
grupal. Proceder a psicoeducação sobre o processo de envelhecimen-
to, promovendo mudanças de atitude em relação a velhice, sobre os 
transtornos e tratamento, aumentando a adesão ao tratamento. A te-
rapia pode avançar mais lentamente, utilizar treino de habilidades, 
resolução de problemas, resumos para ativar memória. Auto moni-
toramento do sono, alimentação, humor, pensamentos automáticos. 
Importante e necessário fornecer orientação familiar, como lidar com 
os comportamentos inadequados do idoso, dar suporte ao(s) cuida-
dor(es), informar sobre a doença e o tratamento.
A perda da autonomia, do papel social e as limitações físicas po-
dem fazer com que se apresentem sentimentos de incapacidade e 
desvalia. Neste sentido, cabe aos profissionais uma postura empática 
e de respeito aos desejos da pessoa idosa, motivando-a e a provendo 
de estratégias, de maneira a lhe oferecer estímulo em sua capacida-
de de autocuidado. Maria, 71 anos, conta que “ é ruim vir para o hos-
pital, as pessoas me tratam bem, mas eu sinto falta das minhas flores e 
do meu Tobi. Eu sofro muito por isso”. Joana, 80 anos reforça, “o maior 
problema de ficar no hospital é não ter nada para fazer. Em casa mexo 
em tudo o tempo todo e na hora que eu quero”.
No tratamento de câncer, o cuidado de si surge com mais intensi-dade no momento da necessidade de se fazer algo para amenizar ou 
sanar os sofrimentos advindos da enfermidade. Em pesquisa realiza-
da com pacientes oncológicos visando investigar os sofrimentos ad-
vindos da internação e as formas de enfrentamento para minimizar 
seu sofrimento (Maciel, Rodrigues, Naylor, Bettega, Barbosa, Burlá & 
Vale e Melo, 2006), foi identificado que este é geralmente, associado 
a dor e à perda da autonomia, atrelada a incertezas quanto à morte. 
O idoso com alguma doença permanece longos períodos acamado e 
isto significa tornar-se ainda mais frágil e desvalido (Tuoto, Lenardt & 
Venturi, 2009).
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Em idosos com câncer, em razão das limitações próprias do enve-
lhecimento e os episódios de oscilação da doença, ocorrem hospitali-
zações com maior frequência. Nestas, o doente poderá experimentar 
maior isolamento, ruptura de laços afetivos e situações importantes 
na vida pessoal. Pode-se observar a partir das verbalizações que seu 
pensamento e sentimento é depressivo e desvalido. José, 70 anos diz 
que “ a doença quando começa não tem dia para ir embora. Ela é a 
cruz que eu carrego. Não sei quando vai acabar”. “Eu trabalhei tanto 
na minha vida e agora estou aqui desse jeito, dependendo dos outros. 
Por isso que todo mundo fala que velho só atrapalha”.
Quando o idoso se recupera, mesmo que parcialmente, pode tentar 
retomar a vida que deixou enquanto hospitalizado. Muitas vezes imo-
bilizado fisicamente, não consegue, então, se manifestar por comple-
to. É preciso adaptar-se e aceitar a imobilização, a doença e/ou a mor-
te. A tendência do velho é reclamar de sua condição, considerando-se, 
muitas vezes, como incapaz. Joana, 80 anos, diz que “eu acho horrível 
depender dos outros! Eu sempre trabalhei e nunca dependi de ninguém 
para fazer meu serviço, até o da casa. Agora nem isso consigo...” 
O hospital, principalmente para indivíduos desta faixa etária, é vis-
to como ambiente diferenciado daquele que está acostumado, exigin-
do-lhe novas formas adaptativas. Esta adequação vem acompanha-
da de sofrimento que o impede de manter sua rotina. O cuidado de si, 
nesse momento, surge como uma tentativa de aliviar seu sofrimen-
to. Para Joana, “esta doença é minha cruz, não parece que vai acabar”.
No que se refere à adesão ao tratamento, na maioria das vezes, o 
idoso segue as orientações conforme seu próprio entendimento.  É 
importante que o profissional de saúde entenda esta atitude. Muitas 
vezes acreditam que eles estão absorvendo suas orientações, porém, 
na verdade, estão assimilando somente aquilo que consideram como 
relevante.
A equipe precisa entender as angústias frente a trajetória de tra-
tamento e cuidado. Precisa oferecer estímulo à capacidade do ido-
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so para cuidar de si, num processo que exige cooperação entrelaçada 
voltada para o sucesso do tratamento. Joana, 80 anos, enfatiza que “eu 
acho muito pesado ficar aqui no hospital, todo mundo me trata muito 
bem, mas eu sinto falta das minhas coisas”. O paciente idoso hospitali-
zado é centrado na anuência de um comportamento quase paralisa-
do por sua rotina, que parcamente se renova. Aos 80 anos o tempo fu-
turo se reduz a dimensão dos planos possíveis, ou no pior dos casos, 
a um total vazio de intenções (Goldfarb, 1998; Santos & Simoni, 2003).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A equipe que presta cuidados ao idoso deve ter em mente que é preci-
so trabalhar as aflições pelas quais eles passam, diante da trajetória de 
tratamentos e cuidados. Isto exige por parte dos profissionais empatia 
e cooperação frente às necessidades da pessoa idosa, auxiliando na 
provisão do autocuidado, oferecendo-lhe estímulos. Esta capacidade 
para cuidar de si é um processo que exige atitudes que irão fomentar 
o sucesso do tratamento.
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PSICOLOGIA DA SAÚDE, FAMÍLIA E 
ADOECIMENTO CRÔNICO NO IDOSO
Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa
Juliana Monteiro Costa
Mônica Cristina Batista de Melo
João Carlos Alchieri
1. INTRODUÇÃO
A perspectiva de “bem-estar” tem sido amplamente discutida em 
todo o mundo e, considerando aspectos inerentes ao fazer da psico-
logia e sua estreita relação com a saúde, o conceito de psicologia da 
saúde vem ganhando destaque, avançando em um cenário de produ-
ções acadêmicas e embasando novas práticas profissionais. 
Sabe-se o quanto comportamento, hábitos e estilo de vida das pes-
soas podem se relacionar com aspectos da qualidade de vida; contu-
do, outros fatores que independem da nossa vontade podem ocasio-
nar condições crônicas de adoecimento. 
Uma condição crônica requer uma complexa rede de cuidados 
que envolve além do próprio sujeito acometido por esta condição. 
Esse contexto ganha relevo nos idosos, um grupo que naturalmente 
já seria “esperado” lidar com algum tipo de limitação à medida que a 
idade avança. Esse é um momento muito delicado para familiares em 
alguns pontos: um deles seria aprender a lidar com uma nova confi-
guração de alguém, antes ativo e de referência que agora requer cui-
dados; outro ponto é que muito embora condições crônicas possam 
acompanhar diversas pessoas por toda uma vida, na faixa etária dos 
idosos, em algum grau, isso pode gerar pensamentos irreais de fragili-
dade ou de uma aproximação com a finitude, ocasionando comporta-
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mentos de superproteção e preocupações excessivas. Por essas e ou-
tras razões, o cuidado à saúde mental de todos os envolvidos merece 
atenção.
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) tem reforçado 
a necessidade do desenvolvimento de estratégias de prevenção em 
todo o mundo e em relação a diversas doenças e as mortes prematu-
ras causadas por estas doenças. Em relação ao câncer, por exemplo, 
o controle consiste em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, 
atendimento paliativo e apoio aos sobreviventes deve fazer parte de 
um planejamento governamental para implementação de estratégias. 
O câncer, junto com diabetes, doenças cardiovasculares e doenças 
crônicas do pulmão, foi o responsável por cerca de 40 milhões (70%) 
das 56 milhões de mortes no mundo em 2015 e mais de 40% das pes-
soas que morreram devido a alguma dessas doenças tinham menos 
de 70 anos (ONU-BR, 2017).
Nessa direção, observa-se que o conceito de psicologia da saúde 
vem se popularizando além do campo da psicologia. Ancorado em 
uma perspectiva biopsicossocial, busca a compreensão das possí-
veis relações do binômio saúde-doença favorecendo uma amplitude 
de possibilidades para o desenvolvimento de estratégias de preven-
ção e intervenção em saúde. Aqui devem ser considerados aspectos 
não apenas de doença, mas também os de saúde. Por isso, o desen-
volvimento de comportamentos e hábitos saudáveis e iniciativas para 
identificação precoce de agravos a saúde também fazem parte dos 
seus estudos.
Em condições de cronicidade, a psicologia da saúde poderá be-
neficiar toda a rede de suporte ao paciente. Na tentativa de manter 
sua condição de bem estar pode desenvolver estratégias para atenuar 
possíveis agravos a atual condição com informações sobre o quadro 
clínico e ainda favorecer a inserção de hábitos saudáveis física e emo-
cionalmente à medida que uma compreensão adequada do adoeci-
mento se instala. É elementar informar o quanto uma equipe multi-
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disciplinar trabalhando de modo integrado pode ser fundamental 
neste processo. Não obstante, a família, a comunidade e a perspectiva 
de rede de suporte à saúde são essenciais.
Condições crônicas, tais como alterações de taxas metabólicas, 
hipertensão, alterações cognitivas e neurológicas, sequelas de aci-
dentes, entre diversas outras condições médicas podem impac-
tar diretamente na saúde mental dos pacientes e dos seus familia-
res (principalmente os cuidadores mais próximos) exigindo um certo 
grau de resiliência. Tal conceito, tão caro para a psicologia, mesmo 
considerando a condição do conceito da física que versa sobre a pos-
sibilidade de um material voltar ao seu estado normal, resgata a con-
dição humana de poder vencer obstáculos e aprender a lidar com os 
problemas em momentos de crise.
2. FAMÍLIA, IDOSO E DOENÇA CRÔNICA
Quando se pensa em família, é possível imaginar o lugar de onde par-
te a construção da história de um sujeito. Existem vários conceitos de 
família. Conforme Levi Strauss (1982), a palavra família serve para de-
finir um grupo social com as seguintes características: tem sua ori-
gem no casamento, é constituído pelo marido, pela esposa e pelos fi-
lhos provenientes de sua união, os membros da família estão unidos 
entre si por laços legais, direitos e obrigações econômicas, religiosas 
ou de outra espécie com uma quantidade variada e diversificada de 
sentimentos psicológicos, tais como amor, afeto, respeito, medo en-
tre outros.
Osório (1996) define família como unidade grupal onde se desen-
volvem relações pessoais. Por outro lado, Cerveny (1994) conceitua a 
família como sistema dentro do qual os membros vivem no mesmo 
espaço físico e mantém relações significativas e significantes de inter-
dependências entre vários subsistemas dafamília. De acordo com Ac-
kerman (1986), a família é um grupo dotado de dinâmica e especifici-
dades próprias, lutando para equilibrar sentimentos, irracionalidades 
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e desejos. Complementando o conceito de família, Minuchin (1982) 
refere a uma unidade social que enfrenta uma série de tarefas de de-
senvolvimento, e que funciona como a matriz do desenvolvimento 
psicossocial de seus membros.
A família tem objetivos genéricos como preservar a espécie, nu-
trir e proteger a descendência, facilitar a construção de uma identida-
de pessoal, desempenhar funções como a de transmitir valores éticos, 
morais, estéticos, religiosos, culturais e de promover formas de aco-
modação quando ela está sujeita a pressões, tanto internas quanto ex-
ternas (Muscari,1998).
Algumas fases e situações são vivenciadas pela família demandan-
do por parte dos seus membros empenho, esforço e união, como é o 
caso do surgimento de uma doença crônica. Esta consiste em uma 
condição que afeta as funções do indivíduo em suas atividades diá-
rias, podendo causar hospitalização (Muscari,1998). As doenças crô-
nicas são patologias de evolução lenta, de longa duração e com cres-
cimento acelerado no número de mortes em todo mundo, em torno 
de 17 milhões de pessoas a cada ano e, no Brasil, ultrapassam os 60%, 
causando elevação nos custos econômicos e sociais (OMS, 2005).
Segundo Borghi et. al (2013), em decorrência do processo de en-
velhecimento populacional, observa-se aumento expressivo de 
doenças crônico-degenerativas no idoso. A família é o primeiro am-
biente propiciador de socialização, portanto quando existem pro-
blemas relacionados à inserção do idoso nesse espaço, este tende 
a se sentir sozinho, isolado e excluído (Herédia, Cortelletti & Casa-
ra, 2005). Além desses sentimentos, sabe-se que o envelhecimento e 
a doença crônica acarretam perdas inclusive da qualidade de vida e 
embora existam estratégias sociais para proteger os idosos de senti-
mentos negativos, o que se sabe é que a doença crônica interrompe 
aspectos da vida, podendo gerar depressão, estresse e perda de es-
perança (Guedes, et. al, 2006; Sena, et. al, 2006; Oman & Thoresen, 
2002; Rocha & Ciosak, 2014).
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Além dos custos e do impacto que a doença crônica pode acarre-
tar nas famílias, ela pode provocar incapacidade, prejuízo da cogni-
ção, sensação, movimento, produção de energia ou outras causas na 
pessoa. O efeito da incapacitação em uma pessoa e/ou na sua família 
depende da interação entre o tipo de incapacitação e as exigências de 
papel desempenhado anteriormente pelo membro doente e da estru-
tura, flexibilidade e recursos familiares. A cronicidade de uma doen-
ça pode ser marcada por um período de estresse e oscilações emocio-
nais, portanto a habilidade da família para manter a homeostase em 
muitos momentos não é uma tarefa fácil, demandando inclusive ca-
pacidade de resiliência dos seus membros (Gutierrez & Minayo, 2010).
O envelhecimento caracteriza-se como processo multidimensio-
nal onde fatores biológicos, psicológicos e sociais estão entrelaçados. 
Dessa forma, espera-se que as modificações na família rumo às no-
vas acomodações promovam novas modalidades relacionais, dentro 
e fora da família, para o idoso. Na perspectiva sistêmica, dependen-
do da dinâmica familiar e do processo de envelhecimento, as famílias 
precisam continuar promovendo saúde entre seus membros tanto em 
contextos de promoção da saúde ou de situações de doença, manten-
do-se como fonte primária de prestação e transmissão de cuidados 
de saúde e também como provedora de cuidados de saúde aos idosos 
(Figueiredo et al, 2011).
De acordo com Cerveny e Berthoud (1997), na velhice todos os 
membros das famílias vivenciam tentativas de reorganização dos seus 
padrões e regras de funcionamento. Essa experiência pode ser marca-
da por sofrimentos e perdas, principalmente quando resulta em mu-
danças de papéis, funções e saída de alguns membros. Garrido e Me-
nezes (2002) realçam que o enfrentamento das doenças vivenciado 
pelos idosos e seus familiares tornou-se um problema de saúde pú-
blica. No que se refere ao perfil sociodemográfico e de saúde dos ido-
sos no Brasil, supõe-se que haja um número maior de mulheres na 
faixa etária idosa, quanto ao estado civil, a maioria casada, seguido 
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de viúvas, grande parte delas responsáveis pela família, e no merca-
do de trabalho. No que se refere aos problemas de saúde, um núme-
ro expressivo dos idosos apresentam sintomas depressivos e síndro-
mes demenciais.
Corroborando com o achado anterior, Loyola Filho et al (2004) 
apontam que as causas mais importantes de internações hospitalares 
entre os idosos, para ambos os sexos, nas faixas etárias de 60-69, 70-79 
e 80+ anos foram descritas como insuficiência cardíaca, seguida por 
bronquite/enfisema e outras doenças pulmonares obstrutivas crôni-
cas e pelas pneumonias.
Cabe, portanto, aos profissionais e familiares a verificação das ca-
pacidades funcionais do idoso, uma vez que seu declínio nas ativida-
des de vida diária por doenças crônico degenerativas ou por outras 
razões podem colocá-lo em vulnerabilidade e, consequentemente, 
contribuir para redução de sua qualidade de vida e do seu bem-estar 
geral (Alves et al, 2007).
3. O CUIDADO AO IDOSO COM DOENÇA CRÔNICA
Para Morin (1991), o ser humano é um indivíduo que apresenta ca-
racterísticas de sua realidade humana que são multidimensionais e 
englobam aspectos biológicos, psicológicos, sociais, espirituais, eco-
nômicos, sociológicos, históricos, dentre outros. Essas características, 
mesmo distintas, estão vinculadas, inteirando o mesmo ser humano e 
tornando-o complexo.
Para lidar com a complexidade humana, é fundamental remeter-se à 
noção do Cuidado, conceito presente na história da humanidade. Con-
sidera-se que o cuidado foi e ainda é essencial para o crescimento e de-
senvolvimento da espécie humana. O Cuidado visto como uma atitude 
ética em relação a si e aos outros levaria a inclusão de um todo maior, 
da sociedade, do ambiente, do respeito às pessoas (Carvalho, 2009).
Termo polissêmico e atravessado pelas concepções de saúde e 
doença, o conceito de Cuidado no campo da saúde indica um obje-
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to complexo, não-linear, sintético, plural, emergente, multifacetado 
e fonte de múltiplos discursos, extravasando os recortes disciplinares 
da ciência. Uma atitude, um sentimento, uma necessidade, um pro-
cesso, uma ação, uma presença e o Cuidado abrange diversas dimen-
sões teórico-filosóficas (Almeida Filho, 1997).
O termo Cuidado provém do latim cogitatu, que se refere ao pensa-
do, imaginado, meditado. O cuidado também apresenta uma relação 
de dedicação, cujo comportamento, aparência, formação moral e in-
telectual são primorosos (Houaiss & Salles, 2001). Dessa maneira, cui-
dar de alguém é ter estima e apreço pela pessoa, querendo o seu bem-
-estar de forma integral (Boff, 2003).
Franzen et al (2007) caracterizam o cuidado como troca de expe-
riências, conhecimentos, sentimentos e, especialmente respeito às 
crenças e valores de cada elemento envolvido. As autoras reforçam, 
ainda, que o cuidado não deve ficar restrito apenas à dimensão bioló-
gica, pois envolve atitudes, valores, empatia, ética, princípios técnicos 
e científicos de modo a enxergar o outro como prioridade, buscan-
do atender suas necessidades e de modo a restabelecer seu bem-es-
tar, não necessariamente a saúde, como no caso das condições crôni-
cas dos idosos.
As doenças crônicas são geralmente incuráveis e incapacitantes. 
De acordo com Bokhour et al (2009), apesar de não terem risco de 
vida imediato, causam sobrecarga substancial para a saúde, provo-
cando impacto econômico e deterioram a qualidade de vidados ido-
sos. Em virtude disso, a avaliação da qualidade do cuidado, seu enten-
dimento nas condições crônicas severas, o autocuidado de pacientes 
crônicos, modelos educativos para cuidados em saúde e a qualida-
de de vida do doente determinada pelo nível de cuidado são algumas 
das inquietações da comunidade científica mundialmente (Kahn et 
al, 2007).
Segundo Newman, Steed e Mulligan (2004), o manejo da maioria 
das doenças crônicas também é caracterizado pela responsabilidade 
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que os próprios pacientes devem ter. O envolvimento do paciente no 
seu cuidado é denominado autocuidado e tem sido definido como a 
“habilidade do indivíduo no manejo dos sintomas, tratamento, con-
sequências físicas e psicológicas e mudanças no estilo de vida ineren-
tes a viver com uma condição crônica” (p.1529). Não obstante, o au-
tocuidado para idosos portadores de doenças crônicas é algo difícil 
de ser alcançado, em virtude das próprias limitações inerentes a essa 
fase da vida.
Algumas estratégias tem sido desenvolvidas para aumentar o en-
volvimento dos pacientes em seus tratamentos. Algumas focalizam 
na prevenção de crises, reconhecendo e evitando os fatores desen-
cadeantes, monitoramento dos sintomas, ajuste e adesão às medica-
ções, enquanto outras estratégias tendem a ser mais diversas, focali-
zando em assuntos como estilo de vida e manejo do estresse (Holman 
& Lorig, 2000).
Por sua vez, Veras (2012) enfatiza que no cuidado aos idosos, o 
profissional envolvido deverá identificar e tratar as doenças, conhe-
cer como eles vivem e seu grau de satisfação. Para tanto é necessário 
observar alguns aspectos, tais como: autonomia, espiritualidade, ca-
pacidades cognitivas e do humor, a presença de distúrbios compor-
tamentais e como exercem atividades de promoção da saúde e do au-
tocuidado em geral.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Tanto no campo do conhecimento quanto no âmbito das práticas, o 
processo Saúde-Doença-Cuidado tem sido objeto de esforços no sen-
tido de compreensão e reformulação de modelos e formas de inter-
venção. A discussão, conceituação e operacionalização do “Cuidado 
à Saúde” apresentam-se como desafios teóricos e práticos para a Psi-
cologia da Saúde e sua construção conceitual abre novos diálogos no 
campo do conhecimento, saberes e práticas em saúde, configurando-
-se como objeto privilegiado de pesquisa.
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O Cuidado torna-se então desafiador, porém necessário no con-
texto da enfermidade crônica em idosos. As experiências com a 
Saúde e a Doença permeiam as dimensões objetiva e subjetiva, 
pessoal e coletiva, universal e cultural. A dimensão subjetiva nos 
conduz a uma compreensão do Cuidado à Saúde como atitude e es-
paço de construção de subjetividades, de exercício aberto de uma 
sabedoria prática para a Psicologia da Saúde, apoiada nos avanços 
da ciência, mas sem restringir-se a ela. Nesse sentido, a Psicologia 
da Saúde envolve a utilização de conceitos, teorias, métodos e téc-
nicas advindas da psicologia, aplicando-os aos cuidados em saúde, 
considerando suas possibilidades de atuação em diferentes níveis 
de atenção a saúde pública, privada, em contextos de educação, 
desenvolvendo estratégias de intervenção individual, grupal, den-
tre outros.
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O SUICÍDIO NA PESSOA IDOSA
Anésia Bezerra da Fonseca
José Antônio Spencer Hartmann Júnior
Estava sempre à espera do momento. E, de repente, aquela estreli-
nha sugeriu-me a ideia e resolvi terminantemente meter a bala no 
corpo nessa noite.
Fíodor Dostoiévski, Sonho de um homem ridículo.
CONCEITOS E CONTEXTO
O envelhecimento é um processo inerente e irreversível ao ser que 
permanece vivo. Trata-se de um fenômeno natural, produto de um 
processo dinâmico no qual a pessoa se modifica incessantemente. 
Tal processo é complexo e engloba o individuo por inteiro. Trans-
formações e modificações no corpo influenciam nos comporta-
mentos numa via de mão dupla em que um interage e promove 
o outro. Por isso, ser idoso é viver crises já que constantemente é 
preciso se reorganizar para se adaptar as mudanças que são ine-
vitáveis.
A senescência e a vivência dela estão associadas a pronunciadas 
variações interindividuais, de modo que cada idoso desenvolve de 
forma única o envelhecer, bem como o entendimento sobre o enve-
lhecimento. O enfrentamento define se a velhice será um tempo de 
realizações ou um tempo de frustrações e lamentações sobre o passa-
do, o presente e o futuro.
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Os indivíduos que se adaptam bem a velhice geralmente cultiva-
ram uma vida interior em outras etapas do ciclo vital. Desenvolveram 
sabedoria e paciência para lidar com as limitações e fragilidades que 
vão surgindo. Outro fator relevante na boa vivência do envelhecer está 
na rede de apoio: família e amigos presentes que fortalecem a vincu-
lação e afetividade do idoso.
Por outro lado, a percepção negativa do envelhecer favorece o en-
capsulamento do idoso através de defesas psíquicas resultantes da não 
aceitação de sua condição. Além disso, o contexto social também ob-
serva o envelhecimento de forma negativa, preconceituosa e estereo-
tipada e assim promove temor e o entendimento de que a senilidade é 
tempo somente de fragilidades e progressiva dependência. Através da 
união desses fatores, percepção individual e crença social negativas, há 
uma potencialização do isolamento socioafetivo idoso que rejeita a si 
por sua condição e pelas ideias arraigadas do senso comum.
O desenvolvimento tecnológico bem como da medicina favorece-
reu a longevidade. Globalmente tem se vivido mais, as expectativas 
de vida têm aumentado e a população idosa cresce. Segundo o IBGE, 
em 2015 os idosos compunham cerca de 14,3% da população brasilei-
ra, um aumento relevante quando em 2005 eram 9,8%.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou 788.000 mor-
tes por suicídio no mundo em 2015, o que indica uma taxa de suicídio 
de 10,7 por 100 mil pessoas. No Brasil, nesse mesmo ano, de acordo 
com o DataSus ocorreram mais de 11 mil mortes por suicídio, sendo 
cerca de 17% foram de pessoas com 60 anos ou mais. Ao se comparar 
os dados dos últimos 10 anos, o crescimento chega a 161% (2006 em 
comparação a 2015). Entretanto, a temática do suicídio na pessoa ido-
sa é pouco difundida tanto nos meios sociais e acadêmicos. Há pen-
samento do senso comum de que com a avançar da idade o fato de 
ter vencido diversos obstáculos das etapas anteriores do ciclo de vida 
serviria como proteção e barreira a pensamentos, ideias e realização 
suicidas. Portando, como alguém que já passou por tantas agruras na 
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vida pode desejar morrer no fim da vida? Já não teria aprendido com 
os anos de vida a superar dificuldades?
Segundo Albert Camus, no início do livro ‘O Mito de Sísifo’, “só 
existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”. Com essa 
afirmação o filósofo quer promover a reflexão de que as razões e mo-
tivações para viver são primeiras e fundamentais para qualquer ser 
humano, mesmo e principalmente para quem comete suicídio, pois 
o escritor afirma que por mais que o ato suicida carregue conjecturas 
mortalemente equivocadas, não se pode dizer que o indivíduo que 
decidiu se matar não tenha refletido antes.
Émile Durkheim definiu o suicídio como todo caso de morte que 
resulte direta ou indiretamente de um ato positivo ou negativo, rea-
lizado pela própria vítima, sabendo ela que produziria como resulta-
do o autoextermínio. O mesmo autor ressaltou que esse fato somente 
pode ser explicado analisando-se a sociedade em que os suicidas vi-
vem e não se limitando a interpretar o que ocorreu com o individuo. 
Vê-se o suicídio como evento social em que o contexto econômico e 
cultural se presentifica na frequência do evento
Depressão e suicídio estão intimamente relacionados. Dados da li-
teratura indicam que pelo menos dois terços dos idosos tinham de-
pressão ou comportamentos depressivos. Assim elementos como de-
sesperança, crise existencial, sensação de abandono e desamparo 
tomam parte na construção suicida. A senilidade carrega no horizon-
te uma finitude natural e no indivíduo cuja esperança faliu, pode vir a 
se transformar numa finitude antecipada e voluntária.
MUDANÇAS E DESADAPTAÇÕES
O envelhecimento naturalmente transforma corpo e mente. É nesta 
etapa do ciclo de vida que o binômio saúde-doença tende, na maio-
ria dos indivíduos, mais ao segundo fator. O idoso precisa lidar com 
as limitações que um corpo envelhecido lhe impõe, por exemplo: di-
minuição da agilidade e motricidade no âmbito físico e da atenção e 
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memória no âmbito mental. Essas questões estão associadas a pos-
sibilidade aumentada de desenvolver doenças graves e fragilizan-
tes. Ocorrem mais casos de doenças crônicas e suas complicações: 
a diabetes mellitus que pode promover cegueira ou amputação de 
membros; a hipertensão arterial sistêmica levando a infarto agudo 
do miocárdio ou acidente vascular cerebral; além de câncer e qua-
dros demenciais que são marcadamente debilitadores. Há o temor da 
doença e principalmente das consequências da doença.
A senilidade favorece vivências de perdas além das perdas físicas. O 
idoso precisa lidar muitas vezes com o luto pela perda de entes queri-
dos e de forma destacada do cônjuge pois sabe-se que o primeiro ano de 
luto é de grande risco para desenvolver depressão e outras complicações 
de saúde, principalmente doenças infecciosas. Pouco a pouco o ido-
so vai ficando só, seja pela morte de parente, seja pelos filhos que saem 
de casa. Ao se compreender viver como conviver, o isolamento social e 
muitas vezes afetivo ao qual o idoso é relegado, conclui-se que a conse-
quência da solidão é uma redução de parcela de vida do indivíduo.
A progressiva diminuição das capacidades corporais, cognitivas 
e socioeconômicas, se encolhe a autonomia e a independência que 
vão dando lugar a dependência. A depreciação da qualidade de vida, 
o tempo desprovido de sentido, o querer, mas não conseguir, exercer 
uma atividade gratificante são fatores estressores que podem levar a 
depressão. Esta quando não tratada favorece o envelhecimento físico 
pelos maiores níveis de cortisol graças ao estresse prolongado.
Nivelar as coisas na indiferença e ao mesmo tempo ter aversão a 
tudo pode gerar desespero ou desesperança sendo esses produtos pe-
rigosos que podem desencadear uma crise suicida seguida de tentati-
va ou de suicídio.
CONSTRUINDO O PRÓPRIO FIM
Fundamentalmente as condições físicas, psicológicas e econômicas 
estão relacionadas. O idoso experimenta diversos sentimentos e no-
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ções que podem favorecer ao estresse insuportável e quena ideação 
suicida a única maneira de por fim ao sofrimento é a morte. O medo 
do estado geral físico evoluir para uma vulnerabilidade ainda maior, 
a sensação de inutilidade, de não-pertencimento, de ser irrelevante 
na tomada de decisões familiares, sentir-se infantilizado, dependên-
cia para atividades de vida, arrependimentos, luto complicado, satu-
ração, perda de entusiasmo com a vida, não conquista de objetivos, 
descaso, humilhação, exploração, abusos físicos e verbais, questões fi-
nanceiras são alguns fatores frequentes que influenciam na tomada 
de decisão. O que fazer de si mesmo diante de tudo isto?
É no silêncio e na solidão que o idoso pensa, reflete e decide ante-
cipar a morte. Daí advém uma das causas da efetividade superior das 
tentativas de suicídio em idosos quando comparadas com outras fai-
xas etárias. Não se trata de um ato impulsivo como nos jovens, mas de 
algo bem deliberado, bem decido intimamente. O idoso toma a firme 
decisão de morrer logo, pois a depressão muitas vezes o leva a enten-
der que já não lucra mais nada vivendo e, portanto, um dos últimos 
redutos da própria vontade está em simplesmente viver ou não viver. 
Dessa forma, o suicídio carrega a expressão desesperada de uma li-
berdade total, mesmo que fatal, sobre a própria vida e o próprio cor-
po. Ao mesmo tempo, há uma sedução reconfortante por conta da 
ideia de que haverá cessação do sofrimento, bem como evitará dores 
maiores e insuportáveis. A ruína do mundo interior mostra toda a fra-
gilidade e neutraliza as possibilidades e alternativas viáveis para a so-
lução dos conflitos e sofrimentos, sendo a desistência da vida a res-
posta de eleição.
O ato suicida se dá com meios potencialmente mais letais (enfor-
camento, arma de fogo e envenenamento são os métodos mais utili-
zados) e tende a ocorrer na maioria das vezes em locais familiares ao 
suicida e se dão principalmente no próprio domicilio.
O idoso faz comunicação da intenção de se matar de forma ver-
bal com frases do tipo: “só queria sumir” ou “era bom que dormisse 
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e não acordasse mais” ou “eu sou um peso para todo mundo, era me-
lhor que desaparecesse” e de forma não verbal como não tomar a me-
dicação, dar os bens, recusar ou reduzir drasticamente a alimentação, 
reforçar vícios ou adquiri-los. Pesquisas indicam que há sinalização 
verbal e/ou não verbal da ideação para profissionais de saúde e fami-
liares pelo menos 30 dias antes da morte.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A terceira-idade oferece ao individuo um horizonte marcado pela fi-
nitude da vida que parece se aproximar a cada ano vivido. Apesar des-
sa certeza, a forma positiva de enfrentamento do envelhecer asso-
ciada a manutenção dos vínculos sociais são fatores que promovem 
a vivacidade ao favorecer cuidado, atenção e sentimento de perten-
cimento. Com isso, há uma vida idosa com qualidade e assim maior 
proteção contra depressão, desesperança e suicídio.
O processo da morte autoinfligida interfere na estrutura e na dinâ-
mica familiar de forma combinada. O assunto torna-se emblemático 
para a família e ocorre uma multiplicidade de sentimentos como cul-
pa, vergonha social, raiva, interrogações sem respostas lógicas que se 
instalam e pairam sobre os familiares dos suicidas. Ao abdicar da pró-
pria vida, o idoso quebra o silêncio dos sofrimentos e desespero que 
carregou, anuncia para a família e para a sociedade a falência da es-
perança. Uma pessoa que antecipa seu fim traduz uma história que se 
encerra por si mesma e nunca deixa um ponto final, mas interroga-
ções para os que ficam. Pensar em morrer é em última instância pen-
sar na vida porque é no viver está a dor e a cura.
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ESPIRITUALIDADE E QUALIDADE 
DE VIDA NA TERCEIRA IDADE
Luciano da Fonseca Lins 
Alessandra Andressa A � de M� Magalhães 
Antônio Gabriel Araújo Pimentel de Medeiros
Considerando a complexidade do tema espiritualidade, envelheci-
mento e qualidade de vida, o presente trabalho se propõe a realizar 
uma pesquisa de cunho bibliográfico com objetivo de trazer a refle-
xão a respeito desse tema e como a espiritualidade pode ser fonte de 
qualidade de vida na terceira idade.
O envelhecimento populacional brasileiro é um tema emergente que 
chama a sociedade e as instituições a despertarem um olhar mais aten-
to a esse cenário. Envelhecer é uma etapa do ciclo da vida que deve ser 
vivenciada da melhor forma, buscando permanecer útil a si mesmo, aos 
familiares, amigos, vizinhos, enfim, a sociedade (Duarte et al., 2008).
Este processo de envelhecimento é reflexo de diversas causas, en-
tre elas: os altos índices de natalidade e imigração no século XX e os 
avanços da medicina e de estilos de vida mais saudáveis, bem como 
maior acesso a água potável, vacinas e saneamento básico. Contudo, 
ainda devemos considerar que a tendência para famílias menores di-
minuiu o quantitativo das faixas etárias mais jovens (Papalia, 2006).
Segundo dados do IBGE (2008), em 2050 haverá mais idosos (pes-
soas de 60 anos ou mais) que crianças menores de 15 anos, e tal situa-
ção é preocupante, pois estamos presenciando um crescimento po-
pulacional inesperado em um país em desenvolvimento, que não está 
preparado para tal progresso, isto é, “vive-se um momento de grande 
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crescimento da expectativa de vida, no entanto, pouco se caminhou 
em termos de qualidade de vida” (Dátilo e Cordeiro, 2015).
O envelhecimento é definido pela Organização Pan-Americana de 
Saúde (OPAS), como:
[...] um processo sequencial, individual, acumulativo, irreversível, univer-
sal, não patológico, de deterioração de um organismo maduro, próprio a 
todos os membros de uma espécie, de maneira que o tempo o torne me-
nos capaz de fazer frente ao estresse do meio ambiente e, portanto, au-
mente sua possibilidade de adoecimento e morte (OPAS, 2003).
Envelhecer também desencadeia uma diminuição dos processos 
físicos e psicológicos do sujeito, que em ambientes com condições di-
tas normais, podem não propiciar problemas graves de saúde. Dife-
rentemente de sujeitos idosos que são expostos a condições de so-
brecarga e estresse, ou seja, ambientes instáveis e estressores, pois, 
possivelmente estes, diante da diminuição progressiva das funções 
básicas, podem sofrer com doenças, estresse emocional, depressão, 
acidentes, entre outros (BRASIL, 2006).
Envelhecer em nossa sociedade produz hoje demandas que in-
teressam a todos os profissionais da saúde, deixando de fazer parte 
apenas da alçada médica, o que possibilita uma reflexão a respeito da 
ampliação dos serviços de atendimento a essa categoria, bem como 
uma nova compreensão a respeito do contexto biológico, psicológico, 
social e espiritual desse sujeito.
Contudo, o processo de perdas durante a fase de envelhecimento 
também se caracteriza como propício a adoecimento. O idoso viven-
cia a perda da saúde, de um ente querido, financeira, da autonomia, 
da independência, e outras perdas que necessariamente influenciam 
no contexto da qualidade de vida destes. São fatores que também po-
dem explicar a qualidade de vida relacionada à saúde do idoso: ida-
de, sexo, escolaridade e a funcionalidade familiar (Abdala et al., 2015).
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Apesar de muitos autores alegarem dificuldade em definir o termo 
“qualidade de vida”, outros apontam que a relação desta com a saú-
de tem seu significado no papel que o sujeito desempenha na vida, 
nas suas relações sociais, no seu nível de função mental, físico e so-
cial, bem como no seu nível de satisfação com a vida, relacionando 
perspectivas futuras e a satisfação do indivíduo com seu tratamento, 
resultados e estados de saúde. (Bowling, 2001 apud Dátilo e Cordei-
ro, 2015).
Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) define qualidade de 
vida como “apercepção do indivíduo da sua posição na vida no con-
texto de sua cultura e dos sistemas de valores da sociedade em que 
vive e em relação aos seus objetivos, experiências, padrões e preo-
cupações”. (WHOQOL, 1998 apud Dátilo e Cordeiro, 2015).
Minayo (2000) nos aponta em uma de suas falas que está se tor-
nando muito comum no setor da saúde a relação entre saúde e qua-
lidade de vida, pois a própria OMS aponta que a saúde não significa 
apenas ausência de doença. Para ter saúde é preciso abarcar o sentido 
completo de bem-estar físico, mental e social. Porém, qualidade de 
vida ainda tem um significado amplo, que envolve um leque de pos-
sibilidades, ou seja, um encadeamento de circunstâncias que o expli-
cam, porém, não o definem.
[...] saúde não é doença, saúde é qualidade de vida. Por mais correta que 
esteja tal afirmativa costuma ser vazia de significado e, frequentemente, 
revela a dificuldade que temos, como profissionais da área, de encontrar 
algum sentido teórico e epistemológico fora do marco referencial do sis-
tema médico que, sem dúvida, domina a reflexão e a prática do campo da 
saúde pública (Minayo, 2000, p.8).
Outra compreensão pertinente a respeito do sentido de qualidade 
de vida é trazida por Rufino Neto (1994) apud Minayo (2000):
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Vou considerar como qualidade de vida boa ou excelente aquela que ofe-
reça um mínimo de condições para que os indivíduos nela inseridos pos-
sam desenvolver o máximo de suas potencialidades, sejam estas: viver, 
sentir ou amar, trabalhar, produzindo bens e serviços, fazendo ciência ou 
artes. Falta o esforço de fazer da noção um conceito e torná-lo operati-
vo (p.8).
Compreender a relação entre saúde e qualidade de vida, ainda na 
visão de Minayo (2000), faz parte de um avanço na saúde que expres-
sa certo incômodo em relação ao reducionismo biomédico, o qual 
classifica saúde apenas como ausência de doença. Porém, faz-se ne-
cessário ainda encontrar algum sentido teórico e epistemológico para 
a expressão de “qualidade de vida” que esteja fora do limite referen-
cial do sistema médico, reducionista.
Dessa forma, trazendo essa reflexão para o contexto da terceira 
idade, Assis et al. (2013) afirmam que, segundo a OMS, a qualidade de 
vida na terceira idade corresponde a ter sua saúde associada a qua-
tro níveis de aspectos de vida, a saber: físico, pessoal, psíquico e espi-
ritual. Ou seja, o contexto espiritual apresenta-se como uma premissa 
para o desenvolvimento da qualidade de vida na terceira idade.
As relações sociais na terceira idade são importantes para o bem-
-estar e felicidade. Amizades, ausência de solidão e participação em 
grupos formais, inclusive os religiosos, são fatores que estão relacio-
nados diretamente com a satisfação da vida (Paschoal, 2000). Dessa 
forma, ainda na visão do mesmo autor, tem-se que
Nessa fase da vida, a promoção de boa qualidade de vida é um empreen-
dimento de caráter sociocultural, ultrapassando os limites da responsabi-
lidade pessoal. Qualidade de vida depende, portanto, não apenas do indi-
víduo, mas de sua interação com os outros e com a sociedade. Mostra que 
há uma multiplicidade de critérios e de indicadores, cada um influen-
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ciando de maneira diferente a vida das pessoas, com impacto desigual so-
bre o bem estar (Paschoal, 2000, p 42).
Muitos estudos argumentam que a espiritualidade pode ser con-
templada na velhice como um recurso de enfrentamento de situa-
ções adversas, isto é, a espiritualidade pode contribuir para o bem-
-estar pessoal e reduzir os níveis de depressão, angústia e mortalidade 
(Duarte, Lebrão e Laurenti, 2008).
ESPIRITUALIDADE
Até alguns anos atrás, a religião/espiritualidade não era um aspecto 
trabalhado pelo pensamento científico, tendo em vista que este tema 
era tido como antagônico à este, pois estava na ordem do sobrenatu-
ral, ou seja, do imensurável. Porém, continuar a pensar sobre religio-
sidade/espiritualidade como algo antagônico à ciência acarreta pen-
samentos reducionistas que não contribuem em nada com o processo 
de cuidado ao idoso. Segundo Manchola et al. (2016), a falta de conhe-
cimento da capacidade formativa da espiritualidade na saúde, educa-
ção, política e cidadania tende a produzir pessoas com subjetividades 
reduzidas e reducionistas.
Reforçando o pensamento de que religiosidade/espiritualidade são 
fatores preditivos para uma melhor qualidade de vida, Assis et al. (2013) 
compreendem que as crenças e práticas religiosas e espirituais demons-
tram auxilio no enfrentamento de diversas situações de desequilíbrio 
na saúde, no preparo para a morte e nas relações interpessoais. Destar-
te, religiosidade e espiritualidade tendem a melhorar o estado de bem-
-estar da pessoa idosa, contribuindo para a superação do seu processo 
adoecedor, reduzindo angustias, morbidades, depressão e o processo de 
mortalidade e entendimento da mesma, consequentemente favorecen-
do para o desenvolvimento de uma melhor qualidade de vida.
Sendo assim, em relação ao processo de envelhecimento com qua-
lidade de vida, entende-se que este deve haver equilíbrio entre neces-
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sidades e exigências mínimas, isto é, a compreensão do idoso em sua 
totalidade, isso inclui os níveis individual, social, familiar e espiritual.
Por fim, diante da pesquisa realizada para esse estudo, observou-
-se um aumento no interesse, consequentemente maior número de 
pesquisas voltadas para essa temática. Os estudos revisados revelam 
a contribuição da religiosidade/espiritualidade no bem-estar e quali-
dade de vida dos idosos. O bem estar passou a ser uma das dimensões 
que se utiliza para avaliar o estado de saúde, junto a ele as dimensões 
corporais, psíquicas, sociais e espirituais, avaliando, dessa forma, a 
importância de elementos da fé e da esperança no processo de cura.
CONSCIÊNCIA, ESPIRITUALIDADE E ENVELHECIMENTO
Consciência e espiritualidade é um campo de estudos e pesquisas no 
qual trata sobre a Consciência no paradigma quântico e seu campo 
evolutivo. Ou seja, qual o tipo de evolução no campo da Consciência 
no processo macrocósmico, pelo qual se realizam as expressões atra-
vés dos fatos e dos fenômenos (Mctaggart, 2008).
Para tanto é importante colocar neste contexto o que estamos di-
zendo sobre o que a Consciência. Consciência é o universo pelo qual 
estamos todos conectados com todo o universo que é uma gran-
de rede em forma de holograma. Somo todos Um em conexão com 
a Realidade, na qual está para além de nossas crenças individuais e 
coletivas e das limitação do nosso aparato sensório-motor, num pon-
to de vazio pleno também podendo ser chamado de Vácuo ou vacui-
dade. A Consciência é uma grande presença e ao mesmo tempo, um 
Nada, um vácuo pleno. Neste ponto passado e futuro estão fora da 
nossa ação, somente existindo o presente (Lins, 2017).
Nesta perspectiva, podemos nos perguntar o que é o envelhecer 
num modo do qual a espiritualidade é foco. Importante salientar que 
o mando macrocósmico, regido pela linguagem e suas supostas cau-
salidade, nos aponta para a degeneração dos órgãos, que torna evi-
dente a relação entre nascimento, desenvolvimento da personalida-
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de, envelhecimento e morte. No entanto, pesquisas efetuadas pela 
Biologia e Mecânica Quântica atribuem possibilidades e probabilida-
des nos quais se tornam fenômenos ou manifestação de nossas cren-
ças arraigadas no inconsciente coletivo que nomeia através da lingua-
gem os processos vitais (Smith, 2001; Lipton, 2007). Porém, antes de 
tais nomeações, somos apenas um Grande Campo, denominado aqui 
de Consciência. O inconsciente coletivo é um grande disparador de 
nossos hábitos e crenças que enjaulam a humanidade em imagens e 
fantasias que interpretamos como verdade. Oenvelhecimento é um 
fenômeno dentro da causalidade do macrocosmo.
No entanto a base do macrocosmo é apenas no campo duma re-
presentação fantasmática e metafórica do mundo subatómico, no 
qual permanece intacto no campo do Real. A Consciência continua 
imaculada pelas nossas crenças e dogmas (Smith, 2011).
Então o que é envelhecer na concepção da espiritualidade? A 
questão na qual colocamos merece a única ação necessária para a 
fluidez da vida. Tornar-se Desperto ou Consciente dos nossos dog-
mas, hábitos e ideações. Isso nos concede a qualidade de estar inteiro 
dentro da existência. Geralmente passamos a vida sem perceber onde 
estamos inseridos e ainda chamamos nossas e crenças de realidade. 
Nesse sentido, o termo “idoso” não tem qualquer sentido para o des-
pertar da Consciência, pois a maioria da humanidade passa pela vida 
sem sequer ter entrado nela. As faixas etárias não passam de atributos 
inertes da existência. Passamos a vida procurando justificativa e senti-
do para a existência e esquecermos-nos do nosso sono e hipnose, nos 
quais nos impedem de sermos inteiros, mergulhados nos fantasmas 
da causalidade e temporalidade.
A vida é Consciência pura e a sua qualidade somente pode ser sen-
tida quando não estamos divididos e não isso possui relação direta 
com faixa etária. A divisão traz sempre o sofrimento. Usar a palavra 
evolução é apenas uma metáfora que aponta para o paraíso perdido 
ou esquecido que é o Reino da Espiritualidade, o qual é o campo lim-
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po da Consciência. O envelhecimento acontece apenas no macrocos-
mo, no modo como vivemos a existência continua sendo em todas as 
fases uma ilusão, na qual repercute no nosso modo de tratar com a 
existência (Lins, 2017).
Ora, parece que tratamos tudo na vida com “paliativos” medica-
mentosos e explicações que não resolvem a prática, mudando algu-
mas nomenclaturas para nossa própria enganação. A nomenclatura 
de “melhor idade” dada ao idoso para justiçar o impossível de ser jus-
tificado é um exemplo. A pessoa não mudou nada em relação a sua 
qualidade existencial.
A pergunta que nos coloca em xeque é: até quando vamos conti-
nuar nos enganando. Continuamos os mesmos egoístas dos tempos 
chamados primitivos, escamoteado pelo desenvolvimento da tecno-
logia e outras distrações.
A infelicidade é uma presença marcante nas relações e nos monó-
logos humanos, trazendo uma falsa sensação de dialogo. Jesus costu-
mava dizer: “Encontre a verdade e ela te libertará.” Qual essa verdade? 
Trata-se de um texto escrito e decorado ou uma ação da Consciên-
cia que é a nossa alma? Este é o incómodo dogmático de alguns pes-
quisadores.
No dizer do autor da obra Decodificando o corpo Bioenergético, 
Fraser (2010) escreve que é quase impossível ver o corpo como um 
conjunto de ondas e partículas interativas que formam uma rede. 
Diante disso, o mistério da natureza se mostra belo a partir do mo-
mento em que somos constituídos exatamente daquilo que não per-
cebemos. A solução para esse problema estaria na física quântica, 
onde tudo está interligado, mostrando que muitas vezes nossa inca-
pacidade é perceptiva.
No universo Quântico da consciência não há faixa etária, não exis-
te causalidade nem temporalidade. Apenas o que estar lá é a vida 
fluindo sem explicação ou qualquer outro argumento. O que há é ape-
nas o EU SOU, ou seja, aquilo que é sem ilusões, crenças ou fantasias.
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CUIDADOS PALIATIVOS PARA O IDOSO
Daniela Achette
Cristiane Ferraz Prade
CUIDADO PALIATIVO: COMO SURGIU E ONDE ESTAMOS
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (WHO, 2017),
O cuidado paliativo (CP) é uma abordagem que melhora a qualidade de vida 
dos pacientes (adultos e crianças) e suas famílias que enfrentam problemas 
associados a doenças que ameaçam a vida. Previne e alivia o sofrimento 
através da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e ou-
tros problemas, físicos, psicossociais ou espirituais. O CP é uma parte crucial 
dos serviços de saúde integrados e centrados nas pessoas, em todos os níveis 
de cuidados: visa aliviar o sofrimento, seja qual for sua causa.
Na nossa cultura, o termo “paliativo” traz a conotação de uma me-
dida inconsistente ou de algo sem valor, de menor importância que 
comumente, fica associada ao “não ter mais o que fazer”. Para mui-
tos, a limitação do suporte é a principal função da abordagem do cui-
dado paliativo, o que dificulta a indicação concomitante ao tratamen-
to curativo. Podemos entender que existem duas atuações específicas 
em CP: a assistência concomitante ao tratamento curativo e a assis-
tência de cuidados paliativos exclusivos, quando se amplia a priorida-
de de cuidar do sofrimento biopsicossocial e espiritual (Seki; Galhei-
go, 2010; Fonseca; Fonseca, 2010)
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A integração do CP ao tratamento curativopossibilita uma assis-
tência mais ampla e que está assentada no cuidado centrado no pa-
ciente, focando na prevenção do sofrimento e promoção da qualida-
de de vida. A própria origem do nome destaca esse aspecto. Paliativo 
vem de Pallium, do latim, manto, cobertor. Portanto, Cuidados Palia-
tivos podem ser entendidos como Cuidados de Proteção que visam 
a melhora da qualidade de vida dos pacientes mediante o manejo e 
controle do sofrimento que doenças podem trazer.
É muito provável que a concepção de CP, como sendo uma prática 
relacionada ao fim da vida, esteja calcada na gênese do movimento, 
que se deu em hospices nos EUA e Europa. Foi da assistência à pacien-
tes oncológicos que nasceu a nova abordagem através do trabalho 
da médica, enfermeira e assistente social Dame Cicely Saunders, em 
meados dos anos 60, na Inglaterra. Numerosos trabalhos surgiram 
desde o início do século XIX em vários pontos da Europa e Estados 
Unidos, como Jeanne Garnier, Mary Aikenhead, Rose Hawthorne e 
Cicely Saunders. Embora essas mulheres pioneiras não se conheces-
sem pessoalmente, tiveram como objetivo comum cuidar das pessoas 
que estavam morrendo, e em particular dos pobres. (Pessini; Bertha-
chini, 2005).
Atualmente, a OMS (WHO, 2017), o Conselho Regional de Medici-
na de São Paulo (OLIVEIRA, 2008) , a Associação de Medicina Inten-
siva do Brasil (Moritz et al., 2011), a American Thoracic Society (Lanken 
et al., 2008), American Society of Clinical Oncology (Ferrel et al., 2017), 
orientam que o cuidado paliativo deve começar no momento do diag-
nóstico de uma doença grave e ameaçadora à vida. Embora os cuida-
dos paliativos estejam cada vez mais integrados nos cuidados onco-
lógicos contemporâneos, permanecem as barreiras ao envolvimento 
de cuidados paliativos na assistência a pacientes portadores de outras 
patologias de igual gravidade. Atualmente, integração da abordagem 
junto a pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) 
grave, em situações de prematuridade ou gestações de alto risco, in-
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suficiência cardíaca congestiva avançada (ICC), hipertensão pulmo-
nar, doença renal terminal, doenças neuro-degenerativas, síndrome 
de fragilidade e em Unidade de Terapia Intensiva vem se ampliado, 
entretanto há um longo caminho de educação junto aos profissionais 
e discussão sobre benefícios relacionados a precocidade na indicação 
(WHO, 2017).
O modelo interdisciplinar de atuação é a base do CP e possibili-
ta outro olhar sobre o mesmo. A partir da integração das diferentes 
abordagens envolvidas, a construção de um plano centrado nas ne-
cessidades peculiares de cada paciente e seus familiares favorece o 
estabelecimento de uma conduta que integra e respeita demandas 
biológicas e biográficas, promovendo dignidade e qualidade de vida a 
partir de uma atuação co-responsável de todos os envolvidos. Pacien-
te, família e equipe tem seus papeis e opiniões validadas nas decisões 
a serem tomadas possibilitando maior clareza na definição da trajetó-
ria do tratamento e dos objetivos de cuidado a serem alcançados.
A integralidade no cuidado solicita articulação, conexão e cumpli-
cidade entre os profissionais, em função da complexidade dos sinto-
mas impostos por doenças graves e seus tratamentos. Normalmente, 
tudo isso provoca grande impacto e desconforto em diferentes esferas 
da vida do paciente agravando situações de mal estar físico e emocio-
nal, que demandam grande adaptação por parte de todos os envolvi-
dos no processo de tratamento. Saporetti e Andrade (2012) propõem 
uma descrição que nos auxilia a identificar e planejar intervenções 
com foco na assistência ao paciente e família, ilustrando didatica-
mente os principais sintomas, sofrimentos e objetivos de cuidado em 
cada dimensão afetada. No quadro abaixo, sugerimos os profissionais 
essenciais, sem nos esquecer que cada membro da equipe pode ofe-
recer suporte em cada dimensão, respeitando as especificidades de 
sua área. O que apontamos, são diretrizes para pensar na composição 
de equipes e profissionais que deveriam estar acessíveis na assistên-
cia em CP:
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Dimensão Física Dimensão Emocional Dimensão Sócio-Familiar Dimensão Existencial
Corpo Mente Interpessoal Espiritual
Médicos, enfermeiras, fi-
sioterapeutas, nutricio-
nistas, terapeutas ocupa-
cionais, fonoaudiólogos, 
farmacêuticos
psicólogos,
psiquiatras,
assistentes sociais, volun-
tários, psicólogos
Líderes religiosos, sacedor-
tes de diferentes crenças, 
capelão, psicólogos
Um material desenvolvido pela EAPC, traduzido em 2013, e nos 
traz algumas competências que são consideradas como centrais na 
formação dos profissionais que atuam em CP. No quadro abaixo, te-
mos a descrição dos tópicos sugeridos:
Quadro: As dez competências centrais em cuidados paliativos
1. Aplicar os constituintes centrais dos cuidados paliativos, no ambiente próprio e mais seguro para os 
doentes e famílias
2. Aumentar o conforto físico durante as trajetórias de doença dos doentes
3. Atender às necessidades psicológicas dos doentes
4. Atender às necessidades sociais dos doentes
5. Atender às necessidades espirituais dos doentes
6. Responder às necessidades dos cuidadores familiares em relação aos objetivos do cuidar a curto, mé-
dio e longo prazo
7. Responder aos desafios da tomada de decisão clínica e ética em cuidados paliativos
8. Implementar uma coordenação integral do cuidar e um trabalho de equipe interdisciplinar em todos os 
contextos onde os cuidados paliativos são oferecidos
9. Desenvolver competências interpessoais e comunicacionais adequadas aos cuidados paliativos
10. Promover o autoconhecimento e o contínuo desenvolvimento profissional
Fonte: Gamondi; Larkin; Payne. 2013a, Quadro 4.
A partir disso, podemos refletir sobre a formação específica do Psi-
cólogo que se propõe a atuar nesta área. No Brasil, ainda não temos 
orientações curriculares estabelecidas, entretanto, o movimento de 
profissionais interessados vem aumentando e a expansão de CP em 
nosso país demandará, cada vez mais, psicólogos que tenham conhe-
cimento e expertise para:
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• manejar sofrimentos emocionais e existenciais intensos e refra-
tários, tais como ansiedade, depressão e/ou perda de sentido 
de vida;
• auxiliar no processo de adaptação as mudanças impostas pelos 
tratamentos;
• oferecer técnicas de intervenção, como por exemplo: relaxamen-
to e outras estratégias não verbais, para auxiliar no manejo não 
farmacológico de sintomas como dor, fadiga, dispneia;
• apoiar e orientar pacientes e familiares no processo de elabora-
ção de lutos ao longo da doença;
• discutir aspectos bioéticos e contribuir para construção de do-
cumentos como o Testamento Vital;
• intervir com a equipe de saúde para prevenir o adoecimento dos 
profissionais envolvidos no cuidado;
• favoreçer a comunicação entre paciente-família-equipe;
• ser um educador e multiplicador da filosofia CP na instituição;
Atualmente, observamos que o psicólogo atua muitas vezes indi-
retamente em algumas situações, como por exemplo, na discussão de 
casos e elaboração de estratégias de intervenção junto a pacientes e 
famílias que recusam suporte psicológico formal.
A educação em CP é entendida como um campo em franco cresci-
mento. Temos a cada dia um maior número de profissionais que bus-
cam formação e as sociedades vem se mobilizando para o reconheci-
mento como uma área de atuação. CP podem ser desenvolvidos em 
ambiente ambulatorial, hospitalar, em hospices e no próprio domi-
cílio do paciente. No Brasil, essas duas últimas modalidades têm mui-
to a caminhar pelas dificuldades políticas e geográficas, além de não 
termos um número suficiente de profissionais capacitados. Alguns 
profissionais ainda confundem a abordagem como sendo uma boa 
prática médica. Cuidadospaliativos demandam expertise e controle 
impecável do sofrimento biopsicossocial e espiritual, demanda toda 
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uma articulação interdisciplinar, sendo um cuidado muito mais refi-
nado na sua prática.
IDOSO NO SÉCULO XXI
Projeções das Nações Unidas (Fundo de Populações) indicam que 
uma em cada 9 pessoas no mundo tem 60 anos ou mais. O estudo 
aponta, ainda, que, em 2050, pela primeira vez, haverá mais idosos 
que crianças menores de 15 anos. Em 2012, 810 milhões de pessoas ti-
nham 60 anos ou mais, constituindo 11,5% da população global. Pro-
jeta-se que esse número alcance um bilhão em menos de dez anos e 
mais que duplique em 2050, alcançando 2 bilhões de pessoas ou 22% 
da população global. Já no Brasil, segundo pesquisa do IBGE, a popu-
lação idosa totaliza 23,5 milhões de pessoas (BRASIL, 2017).
Apesar de melhorias na assistência de pacientes idosos em paí-
ses desenvolvidos, o aumento de idosos em quase todas as socieda-
des sinaliza desafios e riscos de uma assistência de pouca qualidade. 
O paciente geriátrico é o mais afetado pela condição da finitude hu-
mana. Ao longo de seu processo de envelhecimento frequentemen-
te acumula doenças e enfrenta perdas no âmbito motor, cognitivo e 
social. Uma vez entendido nesses termos, parece claro que CP é uma 
abordagem que, por sua amplitude de atendimento, agrega suporte 
na assistência ao paciente geriátrico (DAVIES; HIGGINSON, 2004). 
No entanto, a presença de cuidados paliativos na geriatria ainda não 
está consolidada, mesmo compreendendo todos os declínios que 
podem ocorrer com o envelhecimento, acarretando prejuízos nas 
funções orgânicas e muitas vezes, preservando-se vida, numa exis-
tência sem qualidade.
A 3o idade é identificada como o tempo da maturidade, tempo de 
reflexão sobre a vida vivida. O ser humano envelhece e carrega con-
sigo suas histórias. O processo do viver apresenta cobranças que se 
postergadas, acumulam e dificultam o enfrentamento do envelheci-
mento. Se ao longo do viver o ser humano fez escolhas das quais se 
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orgulha, o processo de envelhecimento acontece de forma distinta de 
quando o idoso nota que suas escolhas não tiveram sentido.
Solano, Scazufca e Menezes (2011) apontam em estudo realizado 
na cidade de São Paulo, que mais da metade dos idosos com baixa 
renda faleceram padecendo com os seguintes sintomas: dor, fadiga, 
dispnéia, depressão, anorexia, incontinência urinária, insônia e obs-
tipação no último ano de vida. Apesar dos idosos terem tido uma fre-
quência relativamente alta de visitas aos serviços de saúde, muitos 
destes sintomas deixaram de ser identificados precocemente e trata-
dos, entre eles a depressão, a incontinência urinária e a ansiedade,
Dependendo da patologia surgem necessidades específicas a se-
rem administradas. Por exemplo, um senhor portador de demência 
justifica a necessidade de cuidados específicos tais como conheci-
mento de gestão de problemas comportamentais bem como avalia-
ção e manejo de dificuldades cognitivas. Apoio aos familiares é fun-
damental na medida em que se faz necessário tomada de decisões a 
respeito de tratamento, sobretudo apoioá-los em relação a como li-
dar com a carga elevada de cuidados com o doente crônico (Van Der 
Steen et al., 2014).
É notório enfatizar que os cuidados paliativos e os valores funda-
mentais da geriatria se articulam e se integram: o paciente está no 
centro dos cuidados; a abordagem é interdisciplinar, holística e com-
preensiva; paciente e família passam a ser vistos como uma unidade 
de cuidados. Desse modo, tem-se como prioridade garantir, a inde-
pendência funcional e a qualidade de vida do idoso, assim como uma 
avaliação regular e formal que assegure a identificação e tratamento 
das intercorrências que são esperadas no processo de envelhecimen-
to (PESSINI; BERTACHINI, 2005).
A demanda por CP é um problema atual de saúde pública, haja vis-
ta o progressivo envelhecimento da população mundial, cuja conse-
quência revela-se pelo substancial crescimento do número de idosos, 
que resulta, por sua vez, no aumento da incidência de doenças crô-
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nico-degenerativas não transmissíveis (DCNT). Dentre tais doenças, 
destaca-se a prevalência do câncer e de outras enfermidades crôni-
cas, as quais perduram por longos períodos de tempo, com múltiplos 
problemas coexistentes, dependência progressiva, e a necessida-
de de cuidados intensos, o que aumenta o percentual dessa popula-
ção dependente de cuidados hospitalares ou em seus domicílios (VE-
RAS, 2009).
A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2014) pensan-
do na indicação do cuidado paliativo à esta população, propõe os se-
guintes pilares e focos de cuidado:
Reconhecem que o objetivo do cuidado é a pessoa e não a doença
Uma doença não existe até que ela se manifeste em uma pessoa. Cada 
doença é recebida por um corpo, uma psique, uma família, uma co-
munidade, um sistema. A parceria de geriatria com CP pode atender 
a necessidade de controle da doença, bem como controle dos sinto-
mas que mais limitam a capacidade de viver do idoso, de acordo com 
a sua perspectiva.
O controle da doença, ou das doenças, é importante, no entanto 
em CP os médicos reconhecem a morte como processo natural do hu-
mano e valorizam ao preceito da ética médica de não causar dano e 
de preservar a dignidade de seu paciente. Esse reconhecimento pro-
move reflexões que favorecem escolhas diferentes das mais óbvias, 
vistas quotidianamente em UTIs no nosso país: senhores e senhoras 
idosos(as), entubados(as), sedados(as), sem possibilidade terapêu-
tica de cura, contidos(as) no leito, distantes de seus familiares, rece-
bendo drogas de fortes efeitos colaterais, que não necessariamente 
irão contribuir para a saúde e para a melhora do quadro clínico da-
queles pacientes. Quando o objetivo de cuidado é a doença perde-
-se de vista a pessoa que vive aquela doença. Em cuidados paliativos, 
o paciente e sua biografia são fundamentais para o planejamento de 
assistência. Uma internação em UTI, por exemplo, deve ser planeja-
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da de forma cuidadosa para que se preserve a dignidade do paciente. 
Nesses casos, oferecer controle da patologia junto com o controle de 
sintomas visando um propósito do paciente e da família.
“Que ganho tem o médico que sabe prescrever opióides mas não sabe es-
cutar atentamente aqueles que precisam dele e de sua humanidade? Me-
dicina paliativa e controle de dor são ações tanto de farmacologia quanto 
de comunicação.” (Doyle, 1989).
Promovem a autonomia
São várias as questões com as quais nos deparamos quando um pa-
ciente idoso portador de doença crônica apresenta um quadro agudo 
de agravamento. Uma delas é a posição da família perante essa rea-
lidade – familiares frequentemente expressam o desejo de “poupar” 
o ente querido da realidade de sua situação clínica. É como se fosse 
uma mágica: “se não falamos sobre o assunto, ele não existe, e pode-
mos seguir com nossas vidas.”. Não acontece de forma planejada, ou 
feita com o propósito de excluir o paciente de seu processo de trata-
mento e de decisão; é feito, na maioria das vezes, com a melhor das 
intenções - a idéia de que o familiar sofrerá mais se souber do diag-
nóstico de doença incurável.
No entanto, é fundamental compreendermos e conhecermos 
quem se coloca aos nossos cuidados. Se foi alguém que sempre teve a 
necessidade de participar de todas as decisões ativamente, buscando 
informações, esclarecendo dúvidas e se posicionando ativamente, ou 
se o seu posicionamento foi “terceirizar suas escolhas”. É alguem que 
gosta de dividir suas histórias e compartilhar sentimentos ou alguém 
que foi mais racional e pouco nomeava o que sentia?
A relação com o paciente deve ser de cultivoda comunicação res-
peitosa e empática. Entendemos que tão importante quanto o con-
teúdo do que é dito ao paciente é a forma como se dá essa fala. Ao lon-
go da relação do paciente com a equipe vai-se conhecendo a história 
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e a personalidade do paciente, a composição e a dinâmica familiar. 
Promove-se a autonomia a medida que ela é desejada e cultivada pelo 
idoso, para assim poder lhe proporcionar escolhas de cuidado que lhe 
façam sentido.
Um dos aspectos fundamentais em CP é favorecer escolhas para 
os pacientes a respeito de como desejam ser cuidado no fim de 
vida, onde desejam morrer, por exemplo. Apesar da grande maioria 
afirmar que deseja morrer em casa, de fato poucos o fazem. Mes-
mo que alguns pacientes mudem de opinião a respeito de onde de-
sejam morrer, ainda assim a maioria, mesmo em grupos de pacien-
tes idosos de idade mais avançada, ainda prefere morrer em casa 
(Higginson; Sen-Gupta, 2000). Faz necessário entretanto, discutir 
as condições existentes para suporte para o controle de sintomas 
nos ultimos dias e horas de vida. Entender se há disponibilidade 
de home care, profissionais capacitados, acesso a medicação e prin-
cipalemtne, se a família tem condições emocionais de experenciar 
este momento.
Para usuários e familiares do serviço de cuidados paliativos, a co-
municação representa um aspecto positivo da relação que eles esta-
belecem com os/as profissionais da saúde. Neste sentido, sentem-se 
esclarecidos sobre a doença, os resultados de tratamentos e as expec-
tativas de evolução da doença, o que facilita a aceitação do processo 
e prepara tanto o doente quanto os familiares para o desfecho final da 
doença (Matos; Pires; Sousa, 2010).
Lidam com as comorbidades como situações próprias do fim da vida
Como falamos anteriormente, um idoso tende a apresentar mais de 
uma doença. Entender o impacto de cada doença, limitação e perda 
se dá a partir da escuta do paciente. As comorbidades no idoso, de 
acordo com os cuidados paliativos, devem ser tratadas e paliadas. O 
que significa ampliar o cuidado da patologia para também o cuidado 
com os sintomas que a doença e o tratamento traz.
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Compreender que diferentes terapias podem colaborar para sus-
tentar qualidade de vida, mesmo diante de comorbidades que avan-
çam, pode ser uma forma de ampliar a assistência. Sustentar o olhar 
para o paciente e não para as doenças que ele carrega consigo é pri-
mordial para o melhor manejo das comorbidades. Uma intervenção 
de reabilitação, por exemplo, pode visar sustentar uma habilidade 
motora por um tempo maior, gerando qualidade de vida. Compreen-
der o momento em que a estratégia de reabilitação gera mais frustra-
ção e desconforto do que benefícios é crucial e implica em respeitar o 
processo do avanço de comorbidades no idoso.
Intervêm desde a independência até a total dependência
O acompanhamento do declínio da saúde do idoso pode favorecer a 
sustentação de sua autonomia e independência, com estratégias de 
reabilitação, controle de sintomas e suporte psicológico. Uma equi-
pe preparada para lidar com o declínio como natural do processo 
de adoecimento age de forma muito diferente junto ao seu pacien-
te, contribuindo para a aceitação do processo e entendendo o mesmo 
como um caminho a ser percorrido e não uma batalha a ser vencida. 
O enfrentamento das perdas é um aspecto importante a ser cuidado e 
o acompanhamento psicológico contribui de forma significativa para 
esse objetivo da assistência.
O perceber-se mais dependente pode levar a uma perda provisó-
ria de sentido, e a vivencia desse processo deve ser compreendida de 
modo pessoal e instranferivel, ou seja, é um processo singular. Pom-
peia e Sapienza (2011) apontam o quanto a morte de um sonho, coloca 
ao indivíduo e a todos que o rodeiam a condição de ausência de con-
trole sobre a própria vida. O mundo que existia até aquele momen-
to, com determinadas referencias e “certezas” é colocado em xeque 
e surge a necessidade de reorganização e reconstrução de um novo 
projeto existencial. Apoio da psicologia pode favorecer a comunica-
ção para alinhamento de expectativas e consensos em processos de 
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tomada de decisões, por exemplo. Dessa forma, conciliar novas possi-
bilidades de existência, eventuais tratamentos que acarretem mudan-
ças de papeis, convivência com perdas concretas funcionais e cogni-
tivas, alterações na imagem corporal, afastamento de rotinas sociais e 
familiares, entre outras condições que se impõe, podem ser situações 
em que o idoso e a família se percebem amparados.
Exigem abordagem multi-interdisciplinar
Para que esse cuidado ampliado possa acontecer é necessário um tra-
balho integrado de equipe. As múltiplas escutas que acontecem atra-
vés de ouvidos da médica, fisioterapeuta, psicóloga, nutricionista, etc, 
vão gerando uma rede de cuidado e assistência que visa amparar o 
paciente e a família em suas diferentes necessidades.
É através do diálogo entre os membros da equipe que se contrói a 
assistência baseada nas necessidades do paciente idoso e sua família.
A abordagem do cuidado paliativo é extremamente complexa e de-
manda atuação de Equipe Multiprofissional Especializada, sendo en-
contradas algumas diretrizes indicando equipes mínimas (Who, 2017; 
Gamondi; Larkin; Payne, 2013b). Com estes olhares, de profissionais 
que compreendem vida e existência de modos complementares, dei-
xa-se de tratar exclusivamente a doença e passa-se a tratar a pessoa 
que tem uma doença, uma pessoa com história, com valores e com 
um projeto existencial que carece ser ouvido e considerado na to-
mada de decisões. Vivenciar o sofrimento do próximo e oferecer-lhe 
algo mais que medicamentos pode ser a descoberta que irá revigorar 
muitos profissionais. Assim, faz-se necessário que os profissionais se 
conscientizem do caráter finito de sua própria vida, para que desper-
tem o interesse em aprender a respeito das formas humanas e dignas 
de lidar com a finitude do ser.
A educação para lidar com a morte e o processo de luto é algo es-
sencial na formação dos profissionais de saúde, principalmente em 
equipes de CP. Ainda temos o tema abordado de modo incipiente nas 
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graduações e especializações gerais. É urgente ampliar espaços de 
educação para os profissionais, através de treinamentos e educação 
continuada, de forma que possam estar mais bem preparados para vi-
venciar e lidar com as demandas naturais e inerentes do contexto de 
adoecimento, morte e luto (Liberato, 2015)
A percepção de que a vida tem um fim é angustiante em sua natu-
reza. O profissional de saúde que se coloca presente cotidianamen-
te nessa assistência se beneficia da atenção a sua própria saúde. Pode 
parecer óbvio que o médico deve cuidar de si mesmo para poder cui-
dar de seu paciente, no entanto risco de Síndrome de Burnout e Fadi-
ga de Compaixão é uma preocupação presente na assistência aos pa-
cientes graves (Barbosa; Souza; Moreira, 2014).
“O despreparo dos profissionais de saúde e as dificuldades pessoais dian-
te da morte e do processo de morrer retiram o direito do paciente e da fa-
mília de expressar nesse momento pensamentos, sentimentos, preferên-
cias, pendências que, por sua vez, estão diretamente relacionados com o 
processo de luto, seja ele antecipatório ou pós-óbito do paciente” (Braz; 
Franco, 2017, p.92).
Buscam otimizar a capacidade funcional com ênfase no conforto
Lidar com síndromes geriátricas, bem como lidar com as doenças 
que mais acometem os idosos, requer atenção ao manejo de sintomas 
com excelência e cuidado com os efeitos colaterais. Atenção a confu-
são mental e a risco de queda, por exemplo, são aspectos fundamen-
tais na atenção ao idoso.
Síndromes geriátricascomo incapacidade cognitiva, instabilidade 
postural, imobilidade e incapacidade comunicativa ocorrem com fre-
quência na população de idosos. O desconhecimento das particulari-
dades do processo de envelhecimento pode gerar intervenções des-
necessárias, capazes de piorar o estado de saúde da pessoa idosa. A 
incontinência urinária também é reconhecida como uma das grandes 
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síndromes geriátricas. Ela afeta a independência do indivíduo, com-
prometendo, indiretamente, a sua mobilidade. O idoso com incon-
tinência esfincteriana sofre limitação de sua participação social, em 
virtude da insegurança gerada pela perda do controle miccional (Mo-
raes; Santos; Marino, 2010).
Reconhecer e planejar para essas situações, por exemplo, favorece 
maior controle para o idoso que se sente emocionalmente fragiliza-
do pelas limitações que vive. Ao mesmo tempo, também pode facilitar 
dinâmicas familiares e a assistência de cuidadores.
Uma outra questão delicada na promoção de conforto para o idoso 
é uma situação bastante comum em internações hospitalares, quan-
do o paciente se queixa de dor. idosos e crianças são aqueles que rece-
bem sub-doses de analgésicos com mais incidência (Colleau, 2000).
Aceitam a finitude do ser humano
Pensar que a medicina é uma área de atuação em que a morte é um 
inimigo a ser combatido é um conceito presente na nossa socieda-
de hoje. Entende-se que é através da tecnologia e dos conhecimentos 
médicos que o paciente poderá viver mais. O medo de falar a respeito 
da morte, o medo de pensar sobre ela como se atraísse sua presença é 
comum. Em reuniões sociais, ou conversas entre familiares, ao surgir 
o tema da morte alguém pode falar: “Vira essa boca pra lá”.
Para o idoso, pode ser assustador falar sobre a morte, mas também 
pode ser mais assustador não falar sobre o tema. O não-falado não 
morre dentro da boca, mais que isso o não-falado cresce no pensa-
mento do idoso que muitas vezes evita expressar suas preocupações 
acerca do tema para não deixar seus familiares tristes ou preocupa-
dos. Uma abordagem que aceita a realidade da finitude e se dispõe 
a trazer luz sobre o assunto, com delicadeza e respeito aos valores e 
crenças dos envolvidos, alivia a angustia de todos os envolvidos.
No que concerne ao processo de morrer, Fratezi e Gutierrez (2011) 
ressaltam que este pode ser vivido de distintas maneiras, de acordo 
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com os significados compartilhados por esta experiência, haja vista 
que esses significados são influenciados pelo momento histórico e 
pelos contextos socioculturais nos quais o indivíduo encontra-se in-
serido. Nesta perspectiva, o morrer, além de ser um processo biológi-
co, apresenta-se como uma construção social. Quando o ser humano 
se percebe ameaçado em sua vida, existem várias questões que sur-
gem e demandam atenção adequada.
O familiar idoso certamente já experimentou alguns ou vários lu-
tos ao longo de sua vida. Ele reconhece a existência da morte e já teve 
oportunidade de estar próximo dela. Validar essa realidade é uma for-
ma importante de validar a trajetória de vida daquela pessoa.
Um paciente idoso que, apresenta capacidade cognitiva preser-
vada e demonstra desejo de manter a autonomia de cuidado mere-
ce não somente ser ouvido, mas sobretudo ser respeitado e conduzido 
de forma ética e atenta para que sua finitude seja amparada nas di-
mensões física, emocional, familiar, social e espiritual.
De acordo com Saporetti (2008), Cuidados Paliativos devem 
abordar o ser humano em sua totalidade, incluindo o cuidado es-
piritual. Existem evidências sugerindo que apoio espiritual favo-
rece elaboração de questões existenciais e sintomas depressivos 
no final da vida. Somos uma cultura que diante da morte costuma 
buscar consolo religioso. É comum pacientes expressarem o desejo 
de estarem em paz com Deus e com seus familiares, serem capazes 
de rezar e sentirem que sua vida foi completa. Segundo Ira Byock 
(2000, p.8), a grande síntese da espiritualidade no fim da vida é 
dada pela reconciliação com tudo e todos, o que se resume em cin-
co frases:
• Perdoe-me!
• Eu perdôo você!
• Obrigado!
• Eu te amo!
• Adeus!
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Para que esse caminho em direção a paz desejada e expressada 
por muitos pacientes e familiares possa ocorrer é necessário encarar 
a realidade da presença da morte. É somente através dela que o ho-
mem se defronta com a realidade da vida: tudo termina, tudo finda. E 
a pergunta urgente é: Qual é o sentido disso tudo? Amparar e acolher 
o idoso doente é amparar e acolher a angustia da morte.
O PROCESSO DE LUTO: 
ENVELHECIMENTO, FRAGILIDADE E FINITUDE
Luto é o processo natural e esperado de elaboração psíquica e enfren-
tamento da vivência de perdas significativas esperadas ou não, no ci-
clo vital (Parkes, 1998; Franco, 2002). É interessante constatarmos que 
nem sempre caráter “natural e esperado” é vivido e experenciado, seja 
pelo idoso, seja por seus famíliares. Ariés (2003) aponta profundas 
mudanças em relação a experiÊncia da morte na sociedade e ela pas-
sa a ser vivido de modo interdito. Isto tende a influenciar desde a pos-
sibilidade de falarmos abertamente sobre nossos sentimentos frente 
a perda, até todo o processso de reconhecimento social dos proces-
sos de luto.
O luto é vivenciado como um processo de oscilação natural e ne-
cessário em um movimento voltado para a perda e um movimento 
voltado para a restauração (aprender novas tarefas, se perceber com 
outras possibilidades, conciliar a vida às rotinas impostas pelo trata-
mento, por ex.) e também entrar em contato com a dor da perda (en-
tristecer-se, chorar, estar menos disponível para conversar, expressar 
dúvidas e questionamentos em relação ao adoecimento), de modo 
a construir seu significado único para o luto. Este processo pode ser 
observado tanto nos momento de um diagnóstico inicial quanto 
em uma fases avançada da doença e de proximidade com a finitude 
(Franco, 2016; Konigsberg, 2011; Stroebe; Schut, 2015).
Podemos pensar a partir dessa definição que o processo de luto 
está colocado para o idoso e sua família a partir do próprio proces-
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so de envelhecimento. Perdas percebidas como “simples e esperadas” 
por exemplo, acuidade visual e auditiva, memória, podem ser expe-
rimentadas com profundo sofrimento. Ressignificações biográficas 
como a chegada da aposentadoria e mudança de papel na família, 
vão se colocando como imperativas no processo de envelhecimento 
saudável para que novos sentidos possam ser descobertos e uma vida 
com qualidade possa ser desfrutada.
O luto revela uma situação de transição psicossocial, as perdas 
impõem aprendizado de novas tarefas e reestruturação de identida-
de tanto para o idoso quanto para seus familiares (que inclusive po-
dem ser idosos também). Faz com que tenham que assumir papéis 
que não eram seus anteriormente, por exemplo: cuidar das finan-
ças ou de tarefas domésticas; repensar seu modo de estar no mundo 
e seu modo de ser-no-mundo-com os outros. Entretanto, aqui pen-
samos no idoso que vive seu processo de luto, sem necessariamen-
te conviver com uma doença grave ou ameaçadora da vida. Neste 
capítulo nos ateremos ao idoso que adoece e que portanto, terá a 
condição de fragilidade acentuada e escancarada pelos processos 
que uma situação ameaçadora da vida impõe a todos que com ela 
convivem.
O suporte emocional ao processo de luto é um domínio essencial 
para qualquer profissonal que atue em CP, entretanto, cabe ao psicó-
logo se instrumentalizar tanto para intervenções diretamente com 
pacientes-familiares ou equipes, quanto para dar subsídio para que 
os profissionais possam manter ações terapêuticas durante as expe-
riência de perdas que ocorrem desde o diagnóstico deuma doença 
crônico-degenerativa, ou mesmo um processo agudo que ressalte a 
fragilidade no idoso, até as últimas horas de vida. Espera-se que se 
essa vivência for adequadamente manejada, seja por psicólogo ou por 
outros integrantes da equipe multiprofissional, situações de luto com-
plicado podem ser previnidas e quando identificadas podem ser mo-
nitoradas e encaminhadas para terapia de luto.
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Para fins descritivos, a seguir ressaltamos separadamente aspectos 
do papel do psicólogo junto ao paciente e junto a família.
Suporte ao Idoso:
A idade avançada pode ser acompanhada pela necessidade de segu-
rança e previsibilidade, para umas pessoas mais e outras menos, de-
pende de suas características individuais. Saber que o tempo a ser 
vivido está se encurtando pode gerar reflexões acerca das escolhas 
feitas, pode intensificar a necessidade de controle, trazer o conflito de 
ser um grande fardo ou pode parecer sem sentido - nada realmente 
vale a pena uma vez que tudo acaba um dia. Esse processo fica bas-
tante exacerbado a partir do diagnóstico de uma doença aguda ou 
crônica. Uma situação corriqueira quando se cuida de pacientes gra-
ves é o momento em que os tratamentos não dão mais conta de man-
ter a doença sob controle. A comunicação dessa notícia deve ser feita 
com atenção e respeito. O paciente tem o direto a saber a real condi-
ção clínica de sua saúde, entretanto não tem o dever de o saber, caso 
explicíte delegar esse papel a um membro da família, por exemplo. 
Por outro lado, o paciente idoso desejoso de informação, merece ser 
comunicado da evolução de seu quadro clínico.
Outro aspecto importante a considerar é o momento que conhe-
cemos esta pessoa: conhecemos em uma unidade ambulatorial, con-
sultório ou a beira do leito em um hospital? Em uma fase inicial de 
uma doença ou ja numa fase avançada, por vezes, ultimas semanas 
ou dias? Cada uma dessas questões pode nortear nossa intervenção 
junto ao paciente e também junto aos familiares.
A proximidade de morrer desperta um processo chamado luto an-
tecipatório. É a percepção real de que a vida pode acabar e a partir de 
tal percepção surgem novas reflexões, sentimentos, sensações e dinâ-
micas nas relações familiares e sociais. Viver a possibilidade real da 
perda é algo experimentado pelo paciente e por seus familiares. Rea-
ções sobrepostas de choque e negação, desespero e reorganização 
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podem acontecer oscilando entre o contato com a realidade da per-
da e a esperança de que a morte não chegue. Ao mesmo tempo que 
o luto antecipatório apresenta uma realidade temida e não desejada, 
ele oferece a oportunidade de vivenciar um tempo de preparo e des-
pedida. O suporte ao processo de luto permite neste sentido o favore-
cimento de elaborações e aponta caminhos para que o paciente pos-
sa decidir (se neste momento conseguir) como e de quem gostaria de 
se despedir, por exemplo. Também pode ser experimentado como um 
tempo de “ajustes de pendência” e validação do legado a ser deixado.
Como mencionado antes, o trabalho da equipe de cuidados palia-
tivos compreende desde a complexidade da comunicação de diag-
nóstico e prognóstico à favorecer o exercício da autonomia, até o cui-
dado da família, reflexões sobre bioética e validação da biografia do 
paciente. É levando em conta essas premissas que surge a possibili-
dade da construção de um documento que ajude, especialmente, o 
paciente a fazer escolhas em relação a forma como quer ser cuidado 
até sua morte. O testamento vital é um documento de manifestação 
de vontade com relação a cuidados e tratamentos que a pessoa dese-
ja ou não se submeter quando estiver fora de possibilidades terapêu-
ticas de cura.
Desde 2012, no Brasil A Resolução 1.995/2012, do Conselho Federal 
de Medicina (CFM), estabelece os critérios para que qualquer pessoa 
– desde que maior de idade e plenamente consciente – possa definir 
junto ao seu médico quais os limites de terapêuticos durante um pro-
cesso de tratamento:
“regras que estabelecerão os critérios sobre o uso de tratamentos considera-
dos invasivos ou dolorosos em casos clínicos nos quais não exista qualquer 
possibilidade de recuperação. Sob o nome formal de diretiva antecipada de 
vontade (DAV), mas já conhecido como testamento vital, trata-se do registro 
do desejo expresso do paciente em documento, o que permitirá que a equi-
pe que o atende tenha o suporte legal e ético para cumprir essa orientação.”
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Deve-se ter em mente que a DAV é um instrumento de autonomia 
do paciente, que sustenta os princípios do cuidado centrado no pa-
ciente. Ressalte-se, ainda, que a autonomia não é ilimitada, uma vez 
que ela limita-se pelas normas jurídicas vigentes e pelas normas éti-
cas do profissional de saúde. No caso do médico, pelo Código de Ética 
Médica e pelas demais resoluções do CFM. Dessa forma é fundamen-
tal destacar que a eutanásia é conduta ilícita no Brasil, ou seja, é crime 
e é também vedada pelo Código de Ética Médica.
Atualmente, as Equipes de CP são acionadas por outros especilis-
tas para auxiliá-los a estabelecer os objetivos de cuidado e procedi-
mento/tratamento que considere proporcional e coerente com suas 
expectativas e valores. Vale aqui apontar o quão importante seria que 
as DAV’s pudessem ser construídas não apenas em momentos críti-
cos, e por vezes nas últimas semanas, uma vez que o processo de luto 
antecipatório e toda oscilação esperada, pode dificultar que a pes-
soa consiga expressar valores e com isso, preservar a dignidade na 
sua medida.
A cada detalhamento da complexidade na assistência ao idoso en-
tendemos a importância de uma equipe integrada e interdisciplinar 
na assistência. Acompanhar e orientar sobre a construção de tal do-
cumento implica em, entre outras coisas, atestar que o paciente está 
em pleno gozo de suas funções cognitivas. Uma parceria entre médi-
co e psicólogo favorece clarezaa partir do fornecimento de informa-
ções que alinhem expectativas, permite a desconstrução de fantasias, 
além de favorecer a elaboração suscitada por esse processo. Por estar-
mos ainda em uma fase de implementação da assistência de cuidados 
paliativos no Brasil e por ser essa resolução tão recente ainda, pouco 
se tem documentado sobre o acompanhamento psicológico na ela-
boração do testamento vital junto a pacientes e familiares. Faz-se no-
tável destacar que todos os que estão participando desse processo de 
implementação de CP estão, de alguma forma, contribuindo para a 
transformação de um cultura em nosso país.
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O acompanhamento da psicologia oferece ao idoso a oportunida-
de de revisitar sua história, resgatar relações e ressignificar seu sofri-
mento, bem como possibilita a observação cuidadosa de alterações 
cognitivas que possam surgir, zelando por sua dignidade. A DVA é um 
documento que pode ser alterado a qualquer momento, conforme 
desejo do paciente. Apoiá-lo na identificação de incertezas e, junto a 
equipe, no esclarecimento de fantasias a respeito de procedimentos 
médicos nutre confiança na relação paciente-equipe.
Suporte à família:
Abordamos acima a DAV e um aspecto a ser ressaltado é a impor-
tância de dar espaço para a família e incluí-la na construção desse 
processo, pois inclusive, muitas vezes será o cuidador principal que 
precisará sustentar a existência da DAV e zelar para que ela seja cum-
prida. Situações nas quais há expectativas distintas entre pacientes e 
familiares trazem profundos conflitos e impactam no cuidado e rela-
ção com equipe, além de questões jurídicas, que não nos aprofunda-
remos neste capítulo.
Tomemos como exemplo uma esposa idosa, cujo marido encon-
tra-se em com um câncer avançado e provavelmente apresenta pou-
cas semanas de vida.Sob esse prisma, em um idoso portador de uma 
doença crônica, a evolução para a morte ocorre quando ele se encon-
tra em estado de fragilidade, com declínio das funções orgânicas e da 
qualidade de vida, sendo imprescindível promover uma atenção in-
tegral ao paciente e seus familiares, pois a aproximação da morte do 
ente querido desperta na família e, em especial, no cuidador, desgaste 
físico, financeiro e emocional (Fratezi, Gutierrez, 2011). Imagine ainda 
se a esposa não está de acordo com as decisões do marido expressas 
na DAV. Isto poderá gerar conflitos com equipe e inclusive dificulda-
des na elaboração do luto.
Entender se a situação acima exemplificada é alguém que no mo-
mento do agravamento lancará como modo de proteger-se um dis-
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curso mais racional, buscando informações mais objetivas e man-
tendo-se mais focada no controle de sintomas do marido que esta 
em processo de morte ou se irá abrir espaço para o próprio cuidado 
e permitir-se expressar e nomear o próprio sentimento frente a per-
da de certo modo nos direcionará para o tipo de suporte ao luto possí-
vel em cada momento. Manter espaços abertos, identificar com quem 
da equipe esta esposa mantem melhor vínculo é fundamental para o 
cuidado.
Parkes (2009), traz a importância do psicólogo ser capaz de ofe-
recer terapias que facilitem a expressão emocional naqueles indiví-
duos que não conseguem se enlular, ou seja que precisem se manter 
em um nível mais racional, e terapias que facilitem a reestruturação 
do mundo presumido em pessoas que não conseguem sair do luto, 
ou seja são tão emotivas que isto pode inclusive comprometer no mo-
mento de uma internação, por exemplo, a capacidade para a tomada 
de decisão. O autor traz o conceito de mundo presumido como o nos-
so mundo interno que se crê verdadeiro. Nele inclui-se as experiên-
cias ao longo da vida e nosso senso de significado e propósito de vida. 
Sendo assim, ao se deparar com mudanças impostas na forma como 
se vive a vida o ser humano vive momento de crise por ter seu mundo 
presumido desafiado.
Frequentemente, nos deparamos com familiares que se tornaram 
cuidadores exclusivos(as), em situações que não há auxilio de outros 
familiares ou mesmo, cuidadores profissionais com quem dividam 
a rotina de cuidado. O suporte emocional tanto para o idoso quan-
to para o cuidador principal é essencial e muito bem vindo desde o 
momentos que as primeiras perdas são percebidas. Pensemos em ou-
tro exemplo: um idoso com Alzheimer, cuja filha(o) se torna principal 
cuidadora(o) e os demais membros da família não conseguem (por 
questões práticas ou subjetivas) dividir esse cuidado. Ouvimos comu-
mente relatos de sentimentos ambiguos relacionados ao cuidado: ao 
mesmo tempo que estes familiares se sentem cansados, sobrecarre-
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gados e exaustos, não conseguem encontrar outro modo de lidar com 
essa realidade.
Nesses casos, o psicólogo pode identificar situações nas quais o pa-
drão de vínculo estabelicido entre idoso-cuidador dificulta que outras 
pessoas participem do cuidado, mesmo que assim desejem. No hos-
pital, nós profissionais chegamos num momento muito intenso e não 
podemos esquecer que esta família já vive esta história, esta de cer-
to modo “aquecida”, já tem suas leituras, explicações e interpretações 
e é muito difícil compreender cada detalhe e cada reação. Daí a im-
portância do trabalho em equipe, para que os recortes das narrativas 
possam se juntar e trazer o enredo do idoso e da família que o acom-
panha, para que assim, possamos compreender como auxilia-los no 
enfrentamento e na elaboração desse capítulo de suas histórias.
O desejo de fuga da realidade ou a fantasia de que nada está acon-
tecendo é um relato comum entre familiares e parte do processo de 
luto antecipatório que oscila entre a esperança de cura e a triste rea-
lidade da proximidade da morte. Acolher essa dinâmica pode ajudar 
a família a respeitar seus limites e a se aproximar do luto que vivem, 
sentindo-se menos ameaçados.
Como mencionado acima, o luto antecipatório permite vivenciar a 
perda paulatinamente, podendo fazer escolhas. Além disso, possibilita 
a todos os envolvidos resolver questões pendentes (expressar sentimen-
tos, perdoar e ser perdoado); gerar transformações de identidade; e para 
a família, a possibilidade de fazer planos para o futuro sem que se sin-
tam traindo o ente doente (Rando, 2000).Esse aspecto permite a famí-
lia e ao paciente a construção de novos significados que podem ampa-
rar a todos no processo de finitude. (Franco; Polido, 2014; Rando 2000).
“O processo de luto é necessário na medida em que nós precisamos dar 
sentido ao que aconteceu em nossas vidas e retomarmos o controle so-
bre nós mesmos, sobre o mundo e sobre as relações afetivas” (Casellato, 
2005, p.20).
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Franco (2014), aponta que a abordagem do CP traz consigo a co-
municação empática e o olhar com foco de intervenção em todas di-
mensões pode muito contribuir para a prevenção do luto complicado, 
uma vez que o luto antecipatório pode ser trabalhado, respeitando e 
considerando o papel fundamental da família no processo de adoeci-
mento e perda.
Alguns fatores de proteção para o luto complicado são citados por 
Braz e Franco (2017) e podem ser destacados no quadro abaixo:
FATOR POR QUÊ?
Apego seguro Pessoas demonstram maior organização e capacidade para integrar as (novas) in-
formações; tendem a ativar a resiliência.
Qualidade do vínculo Uma relação sem con itos e sem pendências tem um potencial complicador menor.
Tipo de apoio (como é perce-
bido pelo enlutado; avalia-
ção subjetiva)
Adequado, necessário, su ciente (Franco, 2002) e comunicação entre membros sa-
tisfatória. Con gura-se como um apoio saudável e continente.
Realização de rituais Importante para o processo de separação e despedida; auxilia no fechamento do 
ciclo (Franco, 2002).
Luto antecipatório Permite despedidas, resolução de pendências, início da construção de novos signi 
cados, identidades, relações (Franco, 2014; Gillies & Neimeyer, 2006).
Tipo de morte Morte por doença crônica, sem sofrimento, por exemplo, situação na qual as pes-
soas tiveram tempo de se despedir do ente querido, de resolver questões e pen-
dências.
Luto reconhecido pelo enlu-
tado e pela sociedade
Valoriza a própria dor e a dor do outro, é empático. Importante decodi car o sig-
ni cado do luto para cada um, ou seja, tornar um código comum entre o enlutado 
e quem o rodeia, para que possa ter seu luto reconhecido. Permite que a pessoa 
viva o processo de luto, ora orientada pela perda,
ora para a reparação (modelo do processo dual) (Stroebe, & Schut, 1999) e a ma-
nutenção de um vínculo saudável (Klass, & Walter, 2001) sem necessariamente ha-
ver um rompimento de nitivo.
Resiliência Não só como uma expressão de ação após a morte de um ente querido, mas an-
tes disso. Nesse sentido, é importante contextualizar a situação, as pessoas en-
volvidas, utilizando a resiliência como uma estratégia: capacidade de se perceber, 
a partir das habilidades, a m de criar alternativas possíveis – depende da perso-
nalidade do enlutado, doseu senso de competência e se foi desenvolvido um ape-
go seguro. A exibilidade e a criatividade são características importantes na resi-
liência.
Fonte: Braz; Franco, 2017.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A discussão sobre a necessidade do desenvolvimento do CP desde a 
atenção primária até a alta complexidade é urgente. Temos muito a 
desenvolver na capacitação dos profissionais para o melhor contro-
le de sofrimentos, em sua maioria manejáveis. A capacitação bási-
ca em CP com temas centrais como dignidade, autonomia, comuni-
cação, controle de dor e ou sintomas mais comuns encontrados em 
idosos que frequentam unidadesbásica ou são assistidos pelos pro-
gramas de saúde da família, além de pronto socorros, poderiam mo-
dificar histórias que muitas vezes chegam permeadas por sentimen-
to de desleixo e abandono. Poderíamos pensar em sintomas de mais 
fácil controle sendo cuidados por essas unidades e a partir do diag-
nóstico de doenças crônico-degenerativas ter equipes especializa-
das disponíveis, com expertise em controle de sintomas refratários, 
inclusive.
O que vemos frequentemente em cuidados paliativos é que o pro-
cesso de adoecimento e morte quando amparado por profissionais 
treinados traz consigo a possibilidade de enfrentamento e elaboração 
através da construção de novos significados. A assistência do psicó-
logo inserido nessa equipe e a integração das especialidades, nesse 
caso, da geriatria e de cuidados paliativos cria uma realidade de assis-
tência mais ampla que contribui não só no cuidado com o idoso, mas 
também no cuidado com familiares enlutados, atentando para a pre-
venção de lutos complicados e para a possibilidade de melhor enfren-
tamento da morte de forma geral em nossa cultura.
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LUTO COMPLICADO
Luciana Valença Garcia
José Antônio Spencer Hartmann Júnior
Nos últimos anos, a população brasileira acima de 60 anos tem au-
mentado significativa mente, sendo uma população que irá mais que 
triplicar nas próximas quatro décadas, de menos de 20 milhões em 
2010, para aproximadamente 65 milhões em 2050. Em 2050, esse gru-
po etário deverá corresponder a 19% da população brasileira. Dentre 
as transformações sociais e em saúde ocorridas no século XX, desta-
ca-se a mudança no perfil de morbidade e mortalidade da população, 
o que resultou num aumento no número de pessoas idosas e, em es-
pecial, no segmento que se encontra acima dos 80 anos de idade, alte-
rando a composição interna do próprio grupo (Alves, 2014).
Como convenção geral, o envelhecimento se desenrola com des-
gaste, limita ções crescentes e perdas físicas e de papéis sociais, em 
trajetória que termina com a morte. O homem admite a morte como 
um fato, porém, apresenta grande dificuldade em assumi-la como 
algo inerente à natureza. Sobre o pro cesso de envelhecer, percebe-se 
que, ao rejeitar a morte, o ser humano tende a rejeitar também a ve-
lhice, talvez por esta fase da vida ser a que mais se aproxima da mor-
te e, assim, torna a velhice um peso para sua vida. A velhice, ao se tra-
duzir no contexto social como negatividade, agrava no idoso o que é 
sentido como perda e fragiliza os seus recursos internos construídos 
ao longo de toda a vida.
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Na prática profissional, atuando com a pessoa idosa em diferen-
tes unidades, seja ela hospitalar, centro de convivência, domicílio e/
ou instituição de longa permanência para idosos, percebe-se que es-
tes têm dificuldades em lidar com a temática da morte, principalmen-
te por conta da idade e dos amigos que vão morrendo (Menezes et 
al., 2014). Diante dessas conside rações, é importante pensar em como 
a pessoa idosa vivencia o processo de morte/morrer e luto no seu 
cotidiano.
O luto é um evento experimentado por toda a humanidade. O tra-
tamento do luto como condição pode ser controverso já que é de se 
esperar que a dor seja universal e intrínseca à situação. Pode ser difícil 
distinguir entre as respostas típicas de luto e as reações mais intensas 
que constituem um transtorno mental. (Shear et al., 2013; Shear, 2015).
A perda de um ente querido geralmente leva ao luto agudo carac-
terizado pelo anseio e saudade, menor interesse pelas atividades em 
andamento e pensamentos frequentes voltados para o falecido. Para 
a maioria, o luto agudo evolui naturalmente para um estado de inte-
gração, onde os enlutados podem se reconciliar com atividades coti-
dianas e encontrar interesse ou prazer. Cerca de 7% dos adultos idosos 
que sofrem com o luto, no entanto, desenvolverão o estado de saú-
de mental de luto complicado (LC). No LC, o movimento do luto agu-
do para o integrado é descarrilado e os sintomas permanecem graves 
e prejudiciais. O termo luto complicado é considerado o mais adequa-
do pois grande parte da literatura sobre o tema foi publicada usando 
essa designação e por ser um termo não-pejorativo enquanto descri-
tivo (Jordan et al., 2014).
Sobre a patologização do luto, podemos abordá-la com um parale-
lo: a inflamação é a resposta dolorosa e universal à exposição a certas 
bactérias, mas não discutimos se um clínico está patologizando uma 
experiência humana natural ao diagnosticá-la e tratá-la. No entan-
to, os transtornos mentais trazem o peso adicional do estigma e há o 
desafio diagnóstico: a maioria dos transtornos mentais existe em um 
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continuum com o funcionamento ou estados tidos como “normais”. 
Talvez por estas razões, o diagnóstico às vezes pareça um julgamen-
to negativo gratuito e não o primeiro passo para iniciar o tratamento 
adequado (Shear et al., 2013).
CONSEQUÊNCIAS DO LUTO COMPLICADO
É importante que os clínicos que trabalham com idosos enlutados este-
jam conscientes de que o luto em adultos mais velhos pode ser associa-
do a uma série de resultados negativos. A perda de um ente querido está 
associada à piora da saúde, incluindo perda de peso, aumento das taxas 
de morbidade e comprometimento funcional (Shear et al., 2013).
Estudos no Reino Unido (Shah et al., 2012; Shah et al., 2013, Mostofsky 
et al., 2012) mostram aumento de 21,1 vezes (IC 95% 13,1-34,1) na incidên-
cia de infarto do miocárdio dentro de 24 horas após a notícia da mor-
te de um amado. Foi verificado que a incidência declina a cada dia, po-
rém, mantem-se significativamente elevada por um mês. Outro estudo 
avaliou o funcionamento dos sistemas cardiovascular e imune às 2 se-
manas e aos 6 meses pós-perda em cuidadores (idade média de 65 anos) 
dos pacientes que morreram em UTI. Os autores encontraram altera-
ções em pressão arterial, frequência cardíaca, sono, sistema neuroendó-
crino e funcionamento imune. A maioria dessas mudanças foi normali-
zada cerca 6 meses após a perda, no entanto (Buckley et al., 2012).
O luto também parece aumentar o risco de mortalidade no perío-
do inicial após o evento. Em um grande banco de dados de atenção 
primária no Reino Unido, o luto foi associado ao aumento do risco de 
mortalidade, sendo mais alto nos primeiros 90 dias. Esse achado foi 
mais significativo para aqueles que não apresentaram condições mé-
dicas crônicas registradas antes da perda, e entre aqueles de comuni-
dades de alto poder aquisitivo. Os cônjuges perdidos por morte ines-
perada também têm uma maior taxa de mortalidade. Estas taxas de 
mortalidade aumentadas parecem ser principalmente atribuídas ao 
suicídio, acidentes, doenças cardíacas e câncer (Stroebe et al., 2007).
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Prigerson et al. (2009) descobriram que o risco de hipertensão é 10 
vezes maior entre os indivíduos viúvos adultos mais velhos que atendem 
aos critérios de LC em comparação com os que não o fazem, e o com-
prometimento do sono está associado ao LC em adultos mais velhos. Os 
índices de suicídio são duas vezes maiores entre os adultos idosos viú-
vos com LC do que aqueles sem LC. Pessoas com LC tiveram um desem-
penho fraco em testes cognitivos e tiveram um menor volume cerebral 
total, em um trabalho holandês publicado em 2014 (Shear et al., 2013).
Além disso, o luto seria um modulador significativo da expressãodos genes das células imunes. Respostas psicológicas individuais (ou 
seja, LC vs. luto não complicado) seriam responsáveis por padrões di-
vergentes de ativação do fator de transcrição e expressão de genes en-
volvidos em respostas antivirais inatas. Há uma supressão na trans-
crição de genes antivirais no LC que é suportada pelo mesmo tipo de 
regulação para baixo vista em outros tipos de adversidade social. A 
regulação para baixo desses genes é consistente com o aumento da 
vulnerabilidade às doenças infecciosas em adultos idosos enlutados 
e pode sugerir que aqueles diagnosticados com LC devem ser moni-
torados de forma mais próxima quanto aos efeitos na saúde (Shear et 
al., 2013; Khanfer et al., 2011).
Para a maioria dos adultos mais velhos, as consequências saudá-
veis e emocionais do luto se resolvem em alguns meses, e o funciona-
mento pré-perda é restaurado. No entanto, para uma minoria clini-
camente significativa, as complicações modificam o processo de luto 
natural e prolongam o luto agudo, resultando em uma condição sofri-
mento mental.
O LUTO COMPLICADO COMO DIAGNÓSTICO
O LC foi proposto pela primeira vez como um diagnóstico no Ma-
nual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da American 
Psychiatric Association, 4ª edição (DSM-IV). Grupos de pesquisa-
dores também vêm tentando estabelecer métodos para o diagnósti-
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co da condição. O DSM-5 inclui critérios para LC na seção de “condi-
ções para estudos posteriores”. Lá, é chamado de “Transtorno do Luto 
Complexo Persistente” (vide tabela 1) (Shear et al., 2011; Shear et al., 
2013; Simon et al., 2011; Horowitz et al., 1999, Penman et al., 2014).
Embora um consenso ainda precise ser alcançado, todas as propos-
tas diagnósticas incluem sintomas de luto agudo prolongado, como fre-
quentes e intensos anseios, dor intensa e dor emocional, preocupa-
ção com o falecido e/ou circunstâncias da morte, evitação excessiva 
de lembranças da perda, dificuldade em aceitar a morte, sentir-se so-
zinho e vazio e sentir que a vida não tem propósito ou significado sem 
a pessoa falecida. Tal como acontece com os transtornos de humor e 
ansiedade, a co-ocorrência de luto complicado e transtorno depressi-
vo maior (TDM) é comum, com estudos mostrando que 25% daqueles 
com depressão relacionada ao luto têm LC e 36- 55% daqueles com LC 
apresentam depressão comórbida (Prigerson et al., 1995).
É importante identificar o LC, mesmo quando é comórbido com 
depressão, porque o LC possui características clínicas únicas e pare-
ce exigir tratamento exclusivo. O tratamento de LC em pacientes com 
depressão está associado a reduções nos sintomas depressivos, mas o 
tratamento de depressão em pacientes com LC não reduz sintomas de 
LC, necessariamente (Shear et al., 2013).
Uma pesquisa populacional recente descobriu que 6,7% dos in-
divíduos que passaram por um luto desenvolveram LC e indivíduos 
com 61 anos ou mais tinham mais que o dobro de incidência (9%) 
do que adultos mais jovens. As mulheres mais velhas, em particular, 
apresentaram taxa de LC (9,6%), muito superior à dos adultos mais jo-
vens (2,7%). O LC pode ser crônico e persistente, interferindo marcan-
temente no funcionamento (Shear et al., 2013).
O LC pode ser detectado de forma confiável com medidas padro-
nizadas, como o Inventory of Complicated Grief (ICG) (Prigerson et al., 
1995), ainda não validado para o português, e o Texas Revised Inven-
tory of Grief (TRIG), validado para o português em 2014 (Alves, 2014).
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FATORES DE RISCO PARA O DESENVOLVIMENTO DO LUTO 
COMPLICADO
Avaliações recentes resumem os possíveis fatores de risco para LC, 
estando, este, mais associado ao gênero feminino, baixa escolarida-
de, idade avançada, baixo status socioeconômico e baixo apoio so-
cial antes e depois da morte. A história de transtornos de ansiedade 
ou depressão antes da morte e história passada de trauma ou perda 
múltipla, também parece ser fator de risco. Vários pesquisadores des-
cobriram que crenças espirituais podem diminuir o risco de desen-
volvimento de LC. Denckla et al. (2011) compararam avaliações sobre 
dependência saudável, dependência excessiva destrutiva e despren-
dimento disfuncional entre um pequeno grupo de pessoas de meia 
idade com luto e sem LC e descobriram que as pessoas com LC eram 
mais propensas a ter desprendimento disfuncional (Shear et al., 2012; 
Shear et al., 2013; Jacobs et al. 1990).
O LC também tende a ocorrer após a perda alguém muito próximo, 
como um cônjuge. A perda de uma criança representa um risco espe-
cialmente elevado. As circunstâncias traumáticas da morte, a falta de 
preparação ou as difíceis interações com médicos ou outros funcioná-
rios no momento da morte podem aumentar o risco de LC. Cuidados 
paliativos diminuíram o risco. Sintomas de LC são mais intensos em 
cuidadores de famílias com baixo conflito antes do final da vida, mas 
conflitos mais elevados no final da vida, naqueles com membros fa-
miliares com dificuldade em aceitar a doença e entre cuidadores com 
maior medo de morte. Algumas circunstâncias difíceis relacionadas a 
uma morte podem deixar as pessoas mais necessitadas de apoio pro-
fissional. Por exemplo, após um suicídio, até 80% das pessoas enlu-
tadas referem querer ajuda profissional (Shear et al., 2012; Shear et 
al., 2013).
Devemos considerar o impacto da morte de um filho no idoso 
como capaz de suscitar o sentimento de culpa por estar sobreviven-
do ao filho, agravado pela dificuldade em trabalhar emocionalmente 
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a morte, somada a tantas outras dificuldades presentes, decorrentes 
de alterações físicas e isolamento social. No processo de luto, quanto 
maior o investimento afetivo, maior será a energia para o desligamen-
to (Menezes et al., 2014).
PSICOTERAPIA
Em uma meta-análise de ensaios controlados randomizados de psi-
coterapia para adultos com LC, as intervenções em terapia cognitivo-
-comportamental (TCC) dirigidas para o luto foram mais eficazes do 
que as condições de controle (por exemplo, terapia de suporte ou ou-
tra terapia inespecífica ou lista de espera) para reduzir os sintomas de 
LC (Wittouck et al., 2011).
Na ausência de um conjunto de consenso de critérios diagnósti-
cos de LC, os estudos variaram um pouco em seus critérios de inclu-
são; portanto, as variações nos resultados podem ser devidas, em par-
te, às variações na severidade do LC que caracterizou cada amostra 
do estudo.
PSICOTERAPIA INDIVIDUAL
Em um estudo pioneiro, quase 100 mulheres e homens receberam 16 
sessões de terapia interpessoal - um tratamento eficaz para a depres-
são - ou um tratamento multifacetado explicitamente adaptado com 
o LC como alvo, o tratamento de luto complicado (TLC) (Shear et al., 
2005). Uma proporção maior de participantes que receberam a tera-
pia específica para o luto responderam favoravelmente ao tratamen-
to em comparação com aqueles que receberam a terapia interpessoal, 
e os sintomas do luto apresentaram melhora mais rápida na TLC. As 
diferenças na redução de sintomas entre os grupos foram de tama-
nho médio.
Estudos piloto sugeriram que a terapia utilizada neste estudo pode 
ser eficaz em diversas populações diagnosticadas com LC, incluindo 
indivíduos com transtornos de uso de drogas comórbidas (Zuckoff et 
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al., 2006) e indivíduos enlutados em contextos culturais não-ociden-
tais (Asukai et al., 2011).
A terapia projetada por Shear e colegas (2005) incluiu vários com-
ponentes que encorajaram os pacientes a lidar com a perda e a reali-
zar tarefas voltadas para restauração/melhora. O trabalho terapêuti-
co chave ocorreu durante as sessões semanais de 1 hora e nas tarefas 
de casa realizadas entre as sessões. A fase introdutória do tratamento 
centrou-sena psicoeducação sobre o luto, enfatizando a importância 
de processar a perda e restaurar o funcionamento da vida e o engaja-
mento em um propósito de vida que pode ter sido esquecido ou per-
dido após a perda. Os pacientes compartilharam a história, incluindo 
a história do relacionamento com o falecido e os objetivos ou aspira-
ções da vida atual. Com este trabalho preparatório concluído, os pa-
cientes se envolveram em um exercício centrado na perda constituído 
por narrações vívidas, enquanto com os olhos fechados, revisitando 
a morte do ente querido. Tal exercício tem como modelo a exposição 
imaginal do tratamento de exposição prolongada para o transtorno 
de estresse pós-traumático (TEPT).
O exercício de revisitação na sessão era gravado em áudio e os pa-
cientes ouviam a gravação em casa. Os exercícios centrados na per-
da também incluíram uma conversa imaginária com o falecido e 
atividades como escrever e discutir memórias positivas e negativas 
com o amado. Os exercícios centrados na restauração centraram-se 
na criação e execução de planos concretos em direção a objetivos 
de vida valiosos e a retomada de atividades agradáveis. Os pacien-
tes também foram encorajados a abordar situações que foram evi-
tadas porque serviam como lembretes de perda, semelhantes às ex-
posições in vivo no tratamento de TEPT. Ao longo do tratamento, a 
reestruturação cognitiva foi usada quando surgiram pensamentos 
inúteis relacionados ao sofrimento (por exemplo, auto-culpa ina-
propriada pela morte, ou a crença de que avançar do luto desonra-
va o falecido).
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Outra psicoterapia individual que mostrou eficácia comparável 
para LC combina componentes de reestruturação de cognição e expo-
sição (Boelen et al., 2007). Em um estudo de indivíduos enlutados na 
Holanda, os pacientes com LC foram designados para receber 6 se-
manas de terapia de exposição, seguido de 6 semanas de reestrutu-
ração cognitiva, 6 semanas de reestruturação cognitiva seguida de 6 
semanas de terapia de exposição ou 12 sessões semanais de aconse-
lhamento de suporte. Os participantes em ambas as condições de te-
rapia cognitivo-comportamental apresentaram maior melhora clíni-
ca em todas as medidas em comparação com aqueles que receberam 
aconselhamento de suporte. As comparações entre as TCC sugeriram 
que o componente de exposição do tratamento produziu maior me-
lhora dos sintomas do que o componente cognitivo. Neste estudo, a 
exposição consistiu em relatos repetidos da história da perda do ente 
querido com ênfase nas partes mais dolorosas emocionalmente (foco 
na perda) e em construir uma hierarquia de estímulos e contextos evi-
tados que serviam como lembretes da perda, seguidos por confronto 
graduado com esses estímulos e experiências (foco na restauração). O 
componente de reestruturação cognitiva envolveu aprender a iden-
tificar e desafiar pensamentos negativos que ocorrem naturalmente 
durante a vida cotidiana.
Pesquisas recentes examinaram a eficácia do tratamento de LC 
com foco na restauração exclusivamente. Em um ensaio randomiza-
do aberto, os participantes que receberam 12-14 sessões semanais de 
terapia de ativação comportamental apresentaram grandes reduções 
em sintomas de dor em comparação com aqueles em condição de 
controle que estavam em lista de espera (Papa et al., 2013). A terapia 
foi baseada em ativação comportamental orientada para a depressão, 
com pequenas modificações para adaptar o tratamento ao LC. Em 
particular, os participantes foram educados sobre como o LC pode 
envolver e ser mantido pela evitação estratégica de pistas relaciona-
das à perda; em seguida, os participantes se envolveram nas fases de 
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auto-monitoramento, análise funcional e engajamento no reforço de 
atividades que constituem o núcleo da ativação comportamental pa-
drão. A terapia não incluiu componentes de processamento da perda 
ou reestruturação cognitiva.
Num ensaio não controlado, Acierno et al. (2012) descobriram que 
um tratamento ainda mais reduzido - cinco sessões semanais de ati-
vação comportamental, duas conduzidas por telefone - também pro-
duziram grandes reduções nos sintomas de luto. Para testar se o tra-
tamento com LC poderia ser efetivo, os terapeutas nesse estudo 
variavam amplamente quanto ao nível de experiência e o manual de 
terapia que eles seguiram foi limitado a uma única página. A princi-
pal intervenção foi uma tarefa em que os participantes completavam 
3 horas diárias de atividades de reforço positivo e negativo e pelo me-
nos 30 minutos de atividades que poderiam servir como lembretes 
da perda. Sempre que possível, os participantes foram encorajados a 
completar suas atividades em um ambiente social para facilitar a res-
tauração natural das relações sociais.
Em todos estes ensaios individuais para LC, as taxas de abandono fo-
ram substanciais, mas semelhante a outros ensaios de psicoterapia. No 
Shear et al. (2005), 27% dos participantes abandonaram a TLC; No Boelen 
et al. (2007), as taxas de abandono foram de 20% e 30% para as duas TCC. 
O abandono foi de 20% no tratamento de ativação comportamental de 
Papa et al. (2013). Mais análises de Shear et al. (2005) sugeriram que a me-
dicação pode ajudar alguns pacientes a tolerar o tratamento. O abando-
no da terapia para LC foi de apenas 9% para os pacientes que estavam 
tomando antidepressivos durante o curso de tratamento, enquanto que 
42% dos pacientes não medicados abandonaram (Simon et al., 2008).
PSICOTERAPIA EM GRUPO
Os sintomas do LC podem ser abordados através de psicoterapia de 
grupo. Em um ensaio envolvendo pacientes psiquiátricos alemães 
com LC comórbido, uma terapia de grupo duas vezes por semana 
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(adicionada ao tratamento como de costume), feita durante um total 
de nove sessões, levou a uma grande redução nos sintomas de LC em 
comparação ao tratamento de costume (Rosner et al., 2011).
A terapia em grupo usou elementos comuns de terapias para LC 
individuais que mostraram eficácia em outros ensaios (por exem-
plo, Shear et al., 2005). Os principais componentes incluíram a psi-
coeducação sobre o processo de luto, enfrentamento da perda (in-
cluindo um exercício escrito), criação de motivação para mudanças, 
compreensão e redução de evitacão e pensamentos inúteis. Um dos 
principais pontos fortes deste estudo foi o complexo grupo de estu-
do examinado; os pacientes foram retirados de três diferentes grupos 
hospitalizados: transtornos de ansiedade primários, transtornos so-
matoformes e transtornos alimentares, e cada participante apresen-
tava uma média de 2,5 diagnósticos, além do LC. Além disso, o trata-
mento como de costume neste ambiente de internação foi altamente 
intensivo, incluindo sessões de psicoterapia individual e em grupo, 
treinamento de habilidades sociais, fisioterapia, consultas médicas e 
outros tratamentos indicados, como o biofeedback. Assim, a eficácia 
da terapia experimental de grupo breve, em comparação com o trata-
mento como de costume, nesta população que naturalmente estava 
em busca tratamento, é um bom presságio para a efetividade no mun-
do real da psicoterapia projetada especificamente para LC.
Dois testes adicionais forneceram evidências para a eficácia do 
grupo, sendo o primeiro, a psicoterapia para LC modelada segundo a 
terapia individual de Shear et al. (2005), a TLC (Supiano et al.; 2013). 
Em um estudo de tratamento de adultos com idade inferior a 60 anos, 
os participantes foram designados para receber 16 sessões semanais 
de tratamento como de costume (um grupo geral de apoio ao luto) ou 
uma terapia especializada em LC em grupo (Supiano et al., 2013). Am-
bos grupos apresentaram melhora, mas a terapia especializada em LC 
levou a uma redução significativamente maior nos sintomas do luto. 
Alémdisso, em um estudo não controlado de tratamento em grupo de 
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10 semanas que também incluiu psicoterapia, reestruturação cogni-
tiva, processamento emocional de perda e restauração de atividades 
positivas, os participantes mostraram reduções significativas nos sin-
tomas do luto.
Partindo das abordagens cognitivo-comportamentais que a maio-
ria dos ensaios de terapia para o LC tomaram, Piper e colegas (2001, 
2007) compararam a terapia interpretativa psicodinâmica de grupo 
com a terapia em grupo de suporte. Em um ensaio controlado rando-
mizado de terapias de grupo de 12 semanas para LC, 139 participan-
tes foram submetidos a uma intervenção interpretativa manualizada 
ou a uma terapia de suporte centrada no presente (Piper et al., 2001). 
A terapia interpretativa centrou-se no aumento da visão dos pacien-
tes em padrões de conflito e perda em suas vidas, aumentando sua 
tolerância para suas reações emocionalmente complexas e, às vezes, 
ambivalentes às suas perdas. A terapia de suporte centrou-se em elo-
giar os atuais esforços de enfrentamento dos pacientes e ajudá-los a 
se adaptarem às suas novas circunstâncias depois de perderem um 
ente querido. Os participantes em ambas modalidades terapêuticas 
mostraram melhorias equivalentes em seus sintomas de dor. Em um 
segundo teste envolvendo 110 participantes, resultados semelhantes 
foram novamente obtidos para as terapias de grupo interpretativa e 
de suporte, com pacientes em cada condição melhorando igualmen-
te (Piper et al., 2007).
INTERVENÇÃO BASEADA NA INTERNET
Outra modalidade de tratamento que promete aliviar LC é baseada 
na Internet (Varga et al., 2014). Em uma amostra composta principal-
mente (61%) por pais que sofriam a perda de uma criança, a partici-
pação em uma intervenção baseada em e-mail de 5 semanas levou 
a uma grande redução nos sintomas de LC em comparação com um 
grupo controle de lista de espera (Wagner et al., 2006). Os ganhos fo-
ram mantidos no seguimento de 18 meses, e resultados semelhantes 
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foram alcançados quando este tratamento foi administrado aos pais 
que sofrem a perda numa gravidez (Kersting et al., 2011).
Neste tratamento, os participantes fizeram trabalhos de escrita 
duas vezes por semana e comunicavam-se por e-mail com um tera-
peuta que forneceu orientação e feedback adaptados em resposta a 
cada tarefa. As tarefas de redação foram realizadas em três fases. Pri-
meiro, em um exercício de exposição, os participantes escreveram re-
latos vívidos das circunstâncias da morte e elaboraram pensamentos 
e emoções angustiantes em torno do evento. Posteriormente, para re-
forçar a auto-compaixão, eles escreveram cartas de apoio a um amigo 
hipotético na mesma situação e, para começar a pensar sobre a possi-
bilidade de avançar na vida, eles escreveram ao hipotético amigo so-
bre como o falecido poderia ser lembrado de maneiras positivas, ao 
mesmo tempo que se envolviam em atividades novas e significativas. 
Em terceiro lugar, os participantes sintetizaram o que aprenderam 
nas duas primeiras fases, escrevendo sobre memórias do ente queri-
do, o significado da perda e como eles pretendiam lidar com a conti-
nuação das suas vidas.
TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
A farmacoterapia também pode ser útil para pessoas com LC. Simon 
et al. (2008) descobriram que os pacientes que tomavam antidepres-
sivos eram mais propensos a completar a TLC, sem efeito sobre as ta-
xas de conclusão da TIP. Zygmont et al. (1998) também descobriram 
que o tratamento combinado com paroxetina ou nortriptilina admi-
nistrado com TLC foi efetivo na redução dos sintomas do luto. Os re-
sultados com medicação isolada são mais conflitantes. Pasternak et 
al. (1991) e Reynolds et al. (1999) descobriram que o tratamento com 
medicação antidepressiva reduziu os sintomas depressivos, mas não 
o LC, enquanto que em um ensaio aberto de farmacoterapia, Hensley 
et al. (2009) descobriram que citalopram melhorou os sintomas de-
pressivos, ansiosos e dolorosos nos pacientes com luto.
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A morte não costuma ser vista como algo espontâneo e natural pelas 
pessoas. Acredita-se que a morte é vivida simbolicamente nas perdas vi-
venciadas na velhice. Ao lidar com essas perdas, o idoso lida inevitavel-
mente com a morte e vivencia o processo de luto. (Menezes et al., 2014)
O morrer, além de ser um processo biológico, apresenta-se como 
uma construção social. Dessa forma, o processo do morrer pode ser 
vivido de distintas maneiras, de acordo com os significados compar-
tilhados por esta experiência, uma vez que, esses significados são in-
fluenciados pelo momento histórico e pelos contextos sócio-cultu-
rais. Nesse sentido, é importante conceber a morte como um processo 
e não como um fim. O homem existe para morrer, assim, ao ser autên-
tico é permitida a aceitação da sua possibi lidade mais própria, a sua 
morte. Apesar de, em nosso cotidiano, a morte ser uma contínua fuga, 
o certo é que ela há de vir.
Morrer é a possibilidade mais extrema do idoso. Sendo assim, não 
há como escapar da possibili dade mais original da existência, que é 
não mais existir. A pessoa idosa longeva apresenta sentimentos varia-
dos com a morte do outro, provocação da ruptura do vínculo amoroso 
que o unia aquela pessoa que lhe dava alegria de viver. Este fato leva a 
percepção de aproximação da própria morte, quando vê que parentes 
e amigos estão morrendo. (Menezes et al., 2014)
O luto não é um processo linear, não tem data para terminar, po-
dendo durar meses e anos, ou mesmo nunca acabar, na dependên-
cia direta das características individuais da personali dade e ainda do 
nível e intensidade de relação que se manteve com o falecido. Nesse 
contexto, torna-se fundamental o in vestimento em ações educativas 
para a população em geral, bem como para a pessoa idosa, de forma a 
contribuir para desmistificar o estereótipo de que chegar a esta idade 
significa caminhar lado a lado com a morte. Fundamental também, é 
o estudo e aprofundamento nas questões que separam o luto do luto 
complicado, porém, não na tentativa de patologizar uma condição na-
tural à vida, mas como tentativa de entender e auxiliar no sofrimento.
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— 115 —
ANEXO:
Tabela 1
Transtorno do Luto Complexo Persistente
Critérios Propostos pelo DSM-5
A. O indivíduo experimentou a morte de alguém com quem tinha um relacionamento próximo. 
B. Desde a morte, ao menos um dos seguintes sintomas é experimentado em um grau clinicamente significativo na 
maioria dos dias e persistiu por pelo menos 12 meses após a morte no caso de adultos enlutados e seis meses no 
caso de crianças enlutadas:
1. Saudade persistente do falecido. Em crianças pequenas, a saudade pode ser expressa em brincadeiras e no com-
portamento, incluindo comportamentos que refletem ser separado de e também voltar a unir-se a um cuidador ou 
outra figura de apego.
2. Intenso pesar e dor emocional em resposta à morte.
3. Preocupação com o falecido.
4. Preocupação com as circunstâncias da morte. Em crianças, essa preocupação com o falecido pode ser expressa 
por meio dos temas de brincadeiras e comportamento e pode se estender à preocupação com a possível morte de 
outras pessoas próximas a elas.
C. Desde a morte, ao menos seis dos seguintes sintomas são experimentados em um grau clinicamente significativo 
na maioria dos dias e persistiram por pelo menos 12 meses após a morte, no caso de adultos enlutados, e seis me-
ses no caso de crianças enlutadas: 
Sofrimento reativo à morte
1. Marcada dificuldade em aceitar a morte. Em crianças, isso depende de sua capacidade de compreender o signifi-
cado e a continuidade da morte.
2. Experimentar incredulidade ou entorpecimentoemocional quanto à perda. 
3. Dificuldade com memórias positivas a respeito do falecido.
4. Amargura ou raiva relacionada à perda.
5. Avaliações desadaptativas sobre si mesmo em relação ao falecido ou à morte (p. ex., autoa- cusação).
6. Evitação excessiva de lembranças da perda (p. ex., evitação de indivíduos, lugares ou situações associados ao fa-
lecido; em crianças, isso pode incluir a evitação de pensamentos e sentimentos relacionados ao falecido). 
Perturbação social/da identidade
7. Desejo de morrer a fim de estar com o falecido.
8. Dificuldade de confiar em outros indivíduos desde a morte. 
9. Sentir-se sozinho ou isolado dos outros indivíduos desde a morte.
10. Sentir que a vida não tem sentido ou é vazia sem o falecido ou a crença de que o indivíduo não consegue funcio-
nar sem o falecido.
11. Confusão quanto ao próprio papel na vida ou senso diminuído quanto à própria identidade (p. ex., sentir que uma 
parte de si morreu com o falecido).
12. Dificuldade ou relutância em buscar interesses desde a perda ou em planejar o futuro (p. ex., amizades, atividades). 
D. A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, profissional ou em 
outras áreas importantes da vida do indivíduo.
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— 116 —
E. A reação de luto é desproporcional ou inconsistente com as normas culturais, religiosas ou apropriadas à idade. 
Especificar se: 
Com luto traumático: Luto devido a homicídio ou suicídio com preocupações angustiantes persistentes referentes à 
natureza traumática da morte (frequentemente em resposta a lembranças da perda), incluindo os últimos momentos 
do falecido, grau de sofrimento e lesão mutiladora ou a natureza maldosa ou intencional da morte. 
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— 117 —
NEUROIMAGEM E 
ENVELHECIMENTO: ASPECTOS 
BÁSICO-CLÍNICOS AVANÇADOS
Caroline Bozzetto Ambrosi
Carlos Augusto Carvalho de Vasconcelos
Patrícia Bozzetto Ambrosi
ENVELHECIMENTO CEREBRAL
Ao longo da vida, determinadas modificações estruturais, funcionais 
e moleculares decorrentes de inúmeras alterações multifatoriais que 
resultam no processo de envelhecimento neuronal normal e muitas 
vezes na neurodegeneração, ocorrem constantemente no Sistema 
Nervoso (SN) (Mrak et al., 1997; Scheibel, 2004; Lourenço et al., 2017).
Estudos longitudinais mostram que desde o nascimento, todos os 
neurônios necessários para o funcionamento do organismo já estão 
presentes e que o desenvolvimento físico provoca o crescimento dos 
neurônios que aumentam de tamanho, desenvolvendo-se o número 
de axônios e dendritos, assim como a quantidade de conexões que se 
estabelecem (Mueller et al., 1998; Resnick et al., 2000; Tang et al.,2001; 
Salat et al., 1999). Alguns desses estudos estimam que aos dois anos de 
idade, a massa encefálica atinge 75 % do seu tamanho adulto (Shaffer, 
2002; Spear, 2017).
A Figura 1 abaixo representa imagens seccionais computadori-
zadas in vivo do cérebro de uma criança de 2 anos, mostrando nor-
mal aparência e volume dos sulcos corticais e do sistema ventricular 
lateral.
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— 118 —
 
Figura 1 - Imagens tomográficas seccionais in vivo ilustrando desenvolvimento normal cerebral.
Ao mesmo tempo, estudos populacionais evidenciam que após os 
40 anos, o volume e o peso da massa encefálica declinam conside-
ravelmente, a uma taxa estimada de 5 % por década (Driscoll et al., 
2009) Também mostram que existe uma acentuação no declínio a 
partir da sétima década de vida quando o volume cerebral diminui 
cerca de 7 cm3 a cada ano, com maior perda nos lobos frontal e tem-
poral e maior perda de substância branca do que a substância cinzen-
ta em idosos cognitivamente normais (Mueller et al, 1998; Salat et al., 
1999; Resnick et al., 2000; Y Tang et al., 2001).
O fluxo sanguíneo cerebral também diminui de forma heterogênea 
em 5 a 20 por cento, devido a aterosclerose com a deterioração dos 
mecanismos que mantêm o fluxo sanguíneo cerebral com flutuação 
da pressão arterial (Wagner et al., 2012).
A seguir, a Figura 2 representa o processo de envelhecimento ce-
rebral e mostra acentuação dos sulcos corticais das regiões fronto-pa-
rieto-temporais e folias cerebelares sugerindo sinais de envelheci-
mento cerebral em grau leve a moderado.
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— 119 —
 
Figura 2 - Cortes axiais em CT de crânio normal em um adulto de 75 anos de idade mostrando 
alargamento dos sulcos corticais e das fissuras silvianas, bem como alargamento dos sulcos entre as 
folias (folhas) cerebelares e das fissuras cerebelares, com ectasia leve do sistema ventricular lateral, do 
4o ventrículo e cisternas basais, por redução volumétrica encefálica proporcional ao período etário.
A perda neuronal relacionada ao envelhecimento é mais proemi-
nente nos neurônios do cerebelo e do córtex cerebral (Rutten et al., 
2007). Enquanto os neurônios relacionados com sistema hipotalâmi-
co, tronco cerebral e sistema medular apresentam modestas perdas de 
neurônio ou volume (Kenedy & Raz, 2016). Pesquisas moleculares su-
gerem que esse processo se deve provavelmente devido à apoptose (ie, 
morte celular programada) ao invés de inflamação, isquemia ou outro 
mecanismo (Lourenco et al., 2017; clark et al., 2016). Em algumas áreas, 
no entanto, as conexões dendríticas podem aumentar, talvez como re-
sultado da plasticidade compensatória. Apesar de que neurônios con-
tinuam a formar novas sinapses, e novos neurônios são formados ao 
longo da vida, mas as taxas de perda são maiores do que os ganhos. 
Estudos tem demonstrado o potencial efeito protetor e restaurador do 
exercício podendo afetar a atividade cerebral embora a fisiologia ainda 
é desconhecia (Buchman et al., 2012, Shephard et al., 2012).
Acredita-se que o processo de envelhecimento cerebral se relacio-
na com alterações da homeostase do cálcio que explicam o avanço do 
envelhecimento cerebral (Kumar et al, 2009). Ao lado das alterações 
da hemóstase do cálcio, a disfunção mitocondrial tem estreita rela-
ção com a morte neuronal (Cali et al., 2012). As mitocôndrias são de 
suma importância na geração de adenosina-5-trifosfato, no sequestro 
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— 120 —
do excesso cálcio e do estresse oxidativo e a falha desses mecanismos 
pode causar morte neuronal (NICHOLLS, 2006). Os fatores genéticos 
controlam a susceptibilidade a desregulação do cálcio e do estresse 
oxidativo e a falha desses mecanismos pode causar morte neuronal.
Por outro lado, distúrbios neurodegenerativos progressivos entre 
as quais podemos salientar a doença de Alzheimer, a doença de Par-
kinson, a doença de Pick, a demência vascular, a doença de Creutz-
feldt- Jakob ou doença de Huntington podem ocorrer e causar dete-
rioração gradual e irreversível das funções cognitivas cursando com 
demência muitas vezes sem aparente causa detectável (Ambrosi, P.B. 
et al., 1998; Greenberg, D.A. et al., 2012).
PAPEL DA NEUROIMAGEM NO ENVELHECIMENTO CEREBRAL
Exames de diagnóstico por imagem são uma das principais ferra-
mentas de investigação usadas na prática na avaliação dos problemas 
neurológicos e distúrbios cognitivos relacionadas com o envelheci-
mento cerebral. Apesar de sua baixa sensibilidade e especificidade, 
tendendo a ser mais informativo que conclusivo, o diferential entre 
envelhecimento normal e patológico ainda permanece ser o gran-
de desafio (Meike, 2012; Murray, 2011; Relkin et al, 2015). Geralmen-
te, a investigação por neuroimagem é feita como parte complemen-
tar de uma avaliação clínica abrangente que inclui revisão da história 
e medicamentos, exame físico (incluindo componentes neurológicos 
e psiquiátricos) e avaliação do estado cognitivo, funcional e compor-
tamental, exames de sangue e urina, análise de líquido cefalorraqui-
diano, eletroencefalografia e outros procedimentos. Por isso, o papelda neuroimagem ainda é considerado controverso.
Rotineiramente, os estudos de neuroimagem realizados são a To-
mografia Computadorizada (TC) e a Ressonância Magnética (RM), ou 
também conhecidas como estudos estruturais que não somente evi-
denciam os aspectos neurodegenerativos, mas também ajudam a ex-
cluir outras comorbidades que podem exacerbar os sintomas. Outras 
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— 121 —
modalidades de diagnóstico de imagem também importantes são os 
estudos de imagem funcional incluindo a Espectroscopia de Resso-
nância Magnética (MRS) e outras modalidades funcionais e de estu-
dos moleculares que discutiremos mais adiante nesse capítulo (MEI-
KE et al., 2012).
A MRS usa técnicas de ressonância magnética para medir a ativi-
dade metabólica na região de interesse. MRS tem resolução mais bai-
xa do que a ressonância magnética estrutural, mas permite monitorar 
aspectos do metabolismo intermediário que não são obtidos por ou-
tros métodos in vivo (Fritz, 2014).
Os achados radiológicos estruturais mais relevantes identificados 
a partir da TC e/ou RM no envelhecimento cerebral são dentre ou-
tras: 1) a atrofia cerebral/hipocampal, 2) a ventriculomegalia, bem 
como 3) as doenças cerebrovasculares e as microhemorragias. Sendo 
que esses achados são identificados tanto no envelhecimento normal 
como patológico, embora, tipicamente, as alterações relacionadas à 
idade se caracterizam por serem menos rápidas e, geralmente, menos 
graves do que as das doenças neurodegenerativas (Meike et al., 2012; 
Murray, 2011)
A atrofia cortical manifesta-se pelo alargamento dos sulcos, estrei-
tamento dos giros, diminuição da espessura da substância cinzenta, 
diminuição do volume da substância branca e/ ou aumento dos ven-
trículos cerebrais e dos espaços subaracnóides. A atrofia cortical assi-
métrica é frequentemente observada em demências neurodegenera-
tivas e por vezes manifesta-se como deficiências desproporcionadas 
nas funções mediadas pelas regiões mais atróficas (Relkin et al., 2015).
A atrofia do hipocampo é uma das manifestações mais precoces 
e mais salientes da DA embora não seja patognômica da DA, pode 
ocorrer em outras condições como a esclerose temporal mesial, a epi-
lepsia do lobo temporal e certos insultos vasculares. Certas regiões do 
parênquima cerebral mostram vulnerabilidade seletiva a diferentes 
distúrbios neurodegenerativos (KOnrad et al., 2009). A imagem por 
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RM tem mais especificidade que a TC e a determinação automatiza-
da do volume do hipocampo na RM está cada vez mais disponível e 
pode ser útil na determinação da probabilidade de alteração atrófi-
ca patológica.
O alargamento ventricular pode ocorrer em associação com atro-
fia cortical progressiva sem evidência de obstrução; isto é conhecido 
como hidrocefalia ex-vácuo (Bertelson et al., 2014; Kazemi et al.,2007). 
Alternativamente, o alargamento ventricular pode ocorrer em asso-
ciação com hidrocefalia de pressão normal (NPH). Recentes avanços 
nos estudos de imagem tem permitido distingir essas duas entidades 
patológicas. NPH é uma causa potencialmente tratável de demência 
que normalmente se apresenta como a tríade sintomática incluindo 
demência, incontinência e perturbação da marcha (Algin et al., 2009).
A doença cerebrovascular associada ao envelhecimento cerebral 
pode se manifestar através déficits cognitivos que variam de compro-
metimento leve à demência franca (Yang et al., 2017). A crescente pre-
valência de alterações isquêmicas da substância branca com o avanço 
da idade tem sido implicada como um dos fatores responsáveis pelo 
declínio cognitivo relacionado à idade. A maioria das formas de com-
prometimento cognitivo vascular manifesta alterações visíveis nos es-
tudos estruturais de imagem cerebral.
Outros achados comuns associados aos quadros de alteração cog-
nitiva relacionados com doença cerebrovascular incluem infartos 
corticais e subcorticais e lesões de substância branca periventricular. 
Na Figura 3 abaixo, observamos um estudo de RM ilustrando sutis al-
terações na substância branca periventricular relacionados com o en-
velhecimento normal. Estudos de neuroimagem seriados podem às 
vezes ser usados para documentar a relação temporal entre as altera-
ções cerebrovasculares e o início ou progressão do comprometimen-
to cognitivo.
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— 123 —
 
Figura 3 – Imagens seccionais axiais de Ressonância Magnética de 
crânio in vivo mostrando microangiopatia de grau leve.
As microhemorragias cerebrais que podem ocorrer em associação 
com anomalias vasculares, angiopatia amilóide e microangiopatia hi-
pertensiva são um achado comum em RM em indivíduos mais idosos, 
particularmente visualizado a partir de técnicas especiais de eco de 
gradiente e imagens de susceptibilidade (Charidimou et al., 2012). Em 
estudos populacionais, as microhemorragias cerebrais são detectadas 
em aproximadamente 15 a 25 por cento dos indivíduos com mais de 
75 anos e se tornam mais comuns com o avanço da idade (Renlkin 
et al, 2015). Quando associadas a angiopatia amilóide são primaria-
mente visualizadas no córtex cerebral e normalmente são associadas 
com prejuízo cognitivo mais grave. Por outro lado, as microhemorra-
gias associadas à doença de pequenos vasos ocorrem tipicamente nos 
gânglios da base, tálamo ou ponte. Ambas estão associadas com au-
mento do risco de sangramento e devem pesquisadas em pacientes 
com indicação de uso de anticoagulante.
A neuroimagem funcional incluem estudos de imagem funcio-
nal e medicina nuclear como a Tomografia por Emissão de Pósitrons 
(PET) e a Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton úni-
co (SPECT). A neuroimagem molecular deriva da Medicina Nuclear 
onde são imagens moleculares acopladas ao SPECT e ao PET. Am-
bas as técnicas são utilizadas em pacientes com suspeita de demên-
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— 124 —
cia ou já estabelecidas. Elas medem parâmetros que são acoplados 
ou correlacionados com a atividade neuronal do cérebro. Essas técni-
cas apenas são disponíveis apenas em centros especializados e mui-
tas somente utilizadas mais em nível de pesquisa. Na prática clínica, a 
maioria das imagens funcionais e moleculares é interpretada por ins-
peção visual, embora os parâmetros a serem medidos sejam ineren-
temente quantificáveis. O reconhecimento de padrões regionais de 
hipoperfusão ou hipometabolismo em imagens funcionais pode auxi-
liar no diagnóstico diferencial de várias formas de demência.
Exemplos de modalidades de neuroimagem molecular incluem var-
reduras de tomografia por emissão de fóton único (DaT) de 123I-FP-
-CIT usadas para confirmação da doença de Parkinson e imagens de 
PET amilóide na DA. Imagem do transportador de dopamina estriatal - 
Os exames de DaT utilizam o composto ioflupano iodo-123 para medir 
o transporte de dopamina pré-sináptica no cérebro (Brigo et al., 2015). 
Novas técnicas moleculares estão agora em desenvolvimento para de-
tectar outros processos patológicos associados com demência, tais 
como neuro-inflamação e deposição de proteína tau (Niederhofer et al 
2017). Outros estudos de imagem funcional incluem medidas de perfu-
são cerebral ou fluxo sanguíneo e atividade metabólica cerebral.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O envelhecimento cerebral envolve uma série de eventos multifato-
riais que ocorrem ao longo dos anos em decorrência de fatores mole-
culares e celulares que resultam em processos de degeneração neuro-
nal. Os avanços nas técnicas de neuroimagem tem permitido ampliar 
o campo de novas pesquisas e tratamentos para várias patologias in-
cluindo as decorrentes e/ou relacionadas aos processos do envelheci-
mento normal ou patológico. Apesar de nosso desafio ainda ser de di-
ferenciar o envelhecimento estrutural normal do patológico, modelos 
funcionais devem ajudara encontrar biomarcadores que nos façam 
entender melhor esse processo.
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ENVELHECIMENTO, 
ALTERAÇÕES COGNITIVAS E 
A AUTONOMIA EM IDOSOS
Olívia Dayse Leite Ferreira
Leopoldo Nelson Fernandes Barbosa
João Carlos Alchieri
A proporção de idosos na população brasileira tem crescido de for-
ma rápida. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística – IBGE, 2013), o Brasil caminha para se tornar um país de 
população idosa. A estimativa é que até 2030, pessoas com 60 anos ou 
mais seja maioria na população total, em comparação a crianças até 
14 anos. O instituto também afirma que até 2055 a população de ido-
sos será maior que a de crianças e jovens com até 29 anos.
Com o envelhecimento surge uma série de alterações físicas, psi-
cológicas e sociais que acarretam em mudanças na vida dos indiví-
duos. Nessa etapa da vida, comumente observa-se que com a ocor-
rência de um declínio das funções cognitivas, a exemplo de alterações 
na memória, na velocidade de raciocínio e na atenção (Petersen et al., 
1999; Prince et al., 2013). Em geral, o declínio no desempenho cogni-
tivo dos idosos pode levar a um aumento de dificuldades em realizar 
atividades instrumentais do cotidiano, prejudicando a autonomia e 
independência (Prince et al., 2013).
As alterações cognitivas são constantes em casos de Comprometi-
mento Cognitivo Leve (CCL) e nas demências. O CCL, especificamen-
te, surgiu para classificar indivíduos que se encontram em um estágio 
intermediário entre o envelhecimento normal e a demência, princi-
palmente a doença de Alzheimer (DA) (Brucki, 2015). Dados etioló-
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gicos estimam que a prevalência de CCL em idosos acima de 70 anos 
seja de 14 a 18%, sendo esta prevalência variável conforme os critérios 
diagnósticos adotados (Luck, Luppa, Briel, & Riedel-Heller, 2010).
No diagnóstico do CCL são considerados sintomas como queixasde dificuldades na memória, comprovada por familiares; baixo de-
sempenho da memória em testes, considerando idade e escolarida-
de; função cognitiva global preservada; atividades da vida diária in-
tactas e não evidência de demências (Brucki, 2015). Na edição recente 
do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) 
o CCL vem sendo substituído pelo termo Transtorno Neurocognitivo 
Leve e inclui os indivíduos que apresentam modesto declínio cogni-
tivo em relação ao desempenho em um ou mais domínios (atenção, 
funções executivas, aprendizagem, memória, linguagem, função mo-
tora e perceptiva), sendo que esses déficits não interferem na capaci-
dade para independência nas atividades diárias (American Psychiatry 
Association, 2013).
De acordo com o DSM-5, os Transtornos Neurocognitivos (TNC) 
se classificam entre leve ou maior. O TNC maior se caracteriza por 
um declínio significativo na cognição, o qual é tão grave que chega 
a interferir na independência. Entre os subtipos dos TNC tanto le-
ves como maiores encontram-se o TNC devido à Doença de Alzhei-
mer [DA] (American Psychiatry Association, 2013). A DA é uma com-
plexa doença poligênica, com múltiplos fatores envolvidos. A causa 
ainda é desconhecida e geralmente os sintomas aparecem na oitava 
ou na nona década de vida (Ferri et al., 2005). Embora ocorra o au-
mento mais rápido com a progressão da idade, nem todos os idosos 
são afetados. Estima-se que possa afetar 1% dos idosos entre 60 e 64 
anos e progride para 25% a 50%, nos idosos acima de 85 anos (Prince 
et al., 2013).
A base histopatológica da DA foi descrita pela primeira vez pelo 
neuropatologista Alois Alzheimer em 1906, que verificou a existên-
cia de novelos neurofibrilares, os quais estão associados à muta-
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ção da proteína tau, no interior dos neurotúbulos com o surgimento 
das placas senis, atualmente identificadas como agregados de pro-
teína beta-amilóide (Jack Jr. et al., 2013). Na DA geralmente os nove-
los neurofibrilares são encontrados nos neurônios do córtex cerebral 
sendo muito numerosos e mais comuns em estruturas do lobo tem-
poral como o hipocampo e a amígdala (Lin, Wang, Wu, Rebok, & Cha-
pman, 2017).
O fator genético é considerado como preponderante na etiopato-
genia da DA, com um terço dos casos apresentando familiaridade. Es-
ses casos, em geral, são de acometimento precoce, e famílias exten-
sas têm sido periodicamente estudadas. Os pacientes acometidos 
pela DA têm 50% de chance de ter filhos também afetados pela pato-
logia (Sereniki & Vital, 2008). Além do componente genético, foram 
apontados como agentes etiológicos a toxicidade a agentes infeccio-
sos, ao alumínio, a substâncias reativas de oxigênio e a aminoácidos 
neurotóxicos.
As características de uma pessoa com possível DA são lapsos pro-
gressivos de memória, linguagem e praxia, sendo os lapsos percebi-
dos pela própria pessoa e por aqueles que convivem com a mesma; 
ausência de prejuízos nas tarefas do dia a dia, no entanto observa-
-se mais esforços em tarefas complexas; e alterações nos marcadores 
biológicos (Pérès et al., 2008). Esses prejuízos começam em uma fase 
prondômica (comprometimento leve) e evoluem para um quadro de-
mencial de forma insidiosa (Jack Jr. et al., 2013).
Na fase leve ocorre alterações na memória recente e remota, com 
mudanças na personalidade, alternando estágios de irritabilidade, 
hostilidade, apatia e frustração. Na comunicação, o paciente apresen-
ta dificuldades na linguagem, associadas a déficits no raciocínio lin-
guístico e disfonia, principalmente no que se refere a buscar a palavra 
correta ou lembrar nomes de objetos ou pessoas. Na fase moderada 
acentua-se o déficit de memória e aprendizagem, com julgamento so-
cial pobre e baixa afetividade. A comunicação se apresenta com um 
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conteúdo desorganizado e algumas alterações estruturais que pre-
judicam a coerência. Na fase mais grave, as funções intelectuais en-
contram-se globalmente deterioradas com presença de ecolalias, per-
severação e mutismo. Os pacientes são totalmente dependentes de 
outros para solucionar problemas e realizar atividades diárias (Azeve-
do, Landim, Fávero, & Chiappetta, 2008).
As alterações da memória têm sido apontadas como um dos prin-
cipais sintomas que afetam a qualidade de vida dos idosos e em vir-
tude disto tem se configurado como um dos principais processos cog-
nitivos investigados nos casos de suspeita DA (Vasconcelos, Brucki, & 
Bueno, 2007). No entanto, a memória não é o único processo cogniti-
vo que tem se mostrado alterado em indivíduos com suspeita de DA, 
as funções executivas, por exemplo, têm ganhado bastante destaque 
na literatura (Martyr & Clare, 2012).
Funções executivas (FE) são conceitualizadas como capacidades 
que permitem alguém manter um comportamento de auto regulação 
de maneira independente e intencional. Esse conjunto de processos 
cognitivos é responsável por controlar respostas a situações novas ou 
difíceis, e são geralmente associados ao córtex pré-frontal (CPF), por-
ção anterior à área pré-motora do lobo frontal (Diamond, 2013).
Alterações nas FE estão ligadas a sintomas neuropsiquiátricos 
como agitação, desinibição, apatia, ansiedade e depressão, poden-
do afetar a funcionalidade dos indivíduos em executar tarefas do co-
tidiano (Diamond, 2013). Défices nas FE em pacientes com DA foram 
encontrados associadas com mudanças estruturais nos exames de 
imagem cerebral em regiões como o hipocampo, o córtex pré-fron-
tal, parietal e temporal (Martyr & Clare, 2012). Além disso, a disfunção 
executiva também pode levar a prejuízos nas atividades instrumen-
tais de vida diária (AVD).
O comprometimento das funções executivas em pessoas com DA 
ocorre devido ao envolvimento do lobo frontal e resulta em déficits de 
resolução de problemas, capacidade de planejamento, abstração, jul-
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gamento, flexibilidade mental, tomada de decisão, memória de tra-
balho e organização dos comportamentos (Martyr & Clare, 2012). As 
pesquisas têm revelado que os pacientes com DA na fase inicial apre-
sentam um fraco desempenho em testes que avaliam FE. Os declínios 
nas FE também foram relatados como contribuindo para a conversão 
do CCL para DA (Chapman et al., 2011).
O diagnóstico da DA é feito fundamentalmente através de crité-
rios clínicos preestabelecidos juntamente com a exclusão de outras 
possíveis causas para a demência. A exclusão de outras causas é feita 
através de um conjunto composto pelo exame clínico, por exames la-
boratoriais e pela neuroimagem cerebral (Gomar et al., 2011). O diag-
nóstico definitivo é realizado pos-mortem, entretanto a avaliação dos 
aspectos cognitivos torna-se crucial para diagnosticá-la o mais preco-
cemente possível (Yassuda, M. S., & Abreu, 2006). A detecção preco-
ce da DA faz-se de suma importância para o desenvolvimento e im-
plementação de intervenções que possam prevenir e/ou minimizar 
os efeitos causados pela progressão da demência e seus prejuízos na 
qualidade de vida
AVALIAÇÃO COGNITIVA E DA AUTONOMIA DO IDOSO NO 
DIAGNÓSTICO DE QUADROS DEMENCIAIS
As pesquisas vêm enfatizando a importância de uma avaliação neu-
ropsicológica para auxiliar no diagnóstico de quadros demenciais 
como a DA e na compreensão dos declínios cognitivos acarretados 
pelo envelhecimento (De Paula et al., 2010). Uma avaliação neurop-
sicológica busca investigar quais as funções cognitivas que estão pre-
servadas e as que estão comprometidas, através do uso de instrumen-
tos (testes, baterias, escalas) padronizados para avaliação das funções 
cognitivas (Caramelli & Teixeira, 2012).
O objetivo de uma avaliação neuropsicológica é coletar dados clí-
nicos buscando auxiliar a compreensão da extensão das perdas e ex-
plorar os pontos intactosque cada patologia provoca no sistema ner-
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voso central do paciente. A partir desta avaliação neuropsicológica é 
possível estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e 
específica para indivíduos e/ou grupos de pacientes (Camacho, 2012).
Na DA os instrumentos de triagem cognitiva, comportamental e 
testes neuropsicológicos específicos têm sido empregados rotinei-
ramente para quantificar o grau de declínio cognitivo. A avaliação 
neuropsicológica auxilia na diferenciação primária entre demên-
cia, comprometimento cognitivo leve, distúrbios psiquiátricos (p. 
ex. depressão) e outras síndromes neuropsicológicas, como amné-
sia, apraxia, agnosias e outros tipos de demências (Camacho, 2012). 
Os testes de fluência verbal (semântica e fonológica), Trail Making 
Test, o Random Number Generation, o Wisconsin Card Sorting Test, o 
Teste da Torre de Londres e a Escala Wechsler de Inteligência (WAIS) 
têm sido tradicionalmente empregados em baterias de avaliação para 
compor o exame neuropsicológico em pacientes com DA (Mortamais 
et al., 2016).
Entretanto, uma avaliação neuropsicológica detalhada nem sem-
pre é possível em situações ambulatórias, cuja demanda de pacien-
tes é alta e os recursos utilizados pelo clínico muitas vezes são pre-
cários. Tal fato acaba dificultando o diagnóstico precoce de TNC e 
prejudicando o diagnóstico diferencial entre o envelhecimento cogni-
tivo normal e o patológico. Um dos recursos utilizados pelos clínicos 
têm sido os testes rápidos e breves de rastreio cognitivo, a exemplo do 
Mini Exame do Estado Mental (MEEM) e o Teste do Relógio (De Paula, 
Miranda, Moraes, & Malloy-Diniz, 2013).
O uso de questionários de auto-relatos que avaliam comporta-
mentos do cotidiano tem sido comum na prática clínica, na medida 
em que relatam dificuldades reais em um ambiente natural. Testes 
que avaliam dificuldades reais enfrentados no dia a dia proporcionam 
uma validade ecológica. A validade ecológica dos testes neuropsico-
lógicos permite uma avaliação mais precisa de indivíduos com pro-
blemas neurológicos, pois existem casos nos quais os pacientes exe-
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cutam as atividades normalmente em testes executivos tradicionais, 
mas claramente têm deficiências executivas em suas vidas diárias 
(Zorluoglu, Kamasak, Tavacioglu, & Ozanar, 2014).
Na literatura tem se mostrado crescente o número de questionários 
que avaliam atividades cotidianas, sendo os mesmos considerados im-
portantes para avaliação de déficits cognitivos, principalmente quan-
do são de origem pré-frontais (Allain, Etcharry-Bouyx, Verny, 2013). Os 
testes propostos têm se mostrado capazes de quantificar o impacto dos 
défices pré-frontais em tarefas reais ou o desenvolvimento dos indiví-
duos na vida cotidiana (Fogarty, Almklov, Borrie, Wells, & Roth, 2017). A 
importância destes auto-relatos ultrapassa o campo da avaliação neu-
ropsicológica, na medida em que estabelece metas específicas no pro-
cesso de intervenção, auxiliando disciplinas como terapia ocupacional.
De forma geral, percebe-se que a avaliação das funções cognitivas 
tem sido um dos principais recursos utilizados para o auxílio no pos-
sível diagnostico da DA. No entanto, o clínico vêm se deparando com 
uma série de limitações em relação a padronização dos instrumentos 
para a população brasileira, tanto no que se refere a falta de evidên-
cias de validade para a população com DA, como na falta de instru-
mentos que considerem aspectos como a baixa escolaridade, o nível 
socioeconômico e as características físicas dos idosos.
A autonomia dos idosos e o desempenho adequado de atividades 
cotidianas, importantes para o seu bem estar, são aspectos comumen-
te investigados por profissionais de saúde mental. São dados qualita-
tivos e geralmente surgem nas investigações sobre o que o idoso faz 
ao longo do seu dia, na descrição das suas relações com familiares, 
amigos ou outras pessoas do seu convívio. São informações que es-
tão além dos números dos escores normativos de escalas ou do tempo 
cronometrado para o desempenho dos testes.
A participação de familiares e cuidadores nesse processo é vital 
pois informações podem se contrapor e o esclarecimento será a cha-
ve para a compreensão do quadro e o planejamento das intervenções.
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REABILITAÇÃO COMO PROPOSTA DE INTERVENÇÃO
De posse de informações advindas de uma avaliação global, podem 
ser elaboradas e determinadas diferentes tipos de intervenções. Nes-
se cenário, os processos de avaliação e planejamento de reabilitação 
surgem como alternativa para diversas possibilidades. A reabilitação 
neuropsicológica e cognitiva, por exemplo, podem auxiliar não ape-
nas no estímulo de funções negligenciadas ou em desuso mas, como 
lembram Malloy-Diniz, Fuentes e Consenza (2013) participam de um 
processo importante para possibilitar a restauração das ligações neu-
ronais usando de psicoterapia e treinos cognitivos específicos.
Em programas de reabilitação torna-se útil poder compreender o 
contexto de origem do idoso, quais eram suas principais motivações 
e interesses, com o que trabalhava, qual tipo de leitura gostava de fa-
zer ou mesmo o estilo de música que costumava ouvir. São pistas im-
portantes para poder planejar atividades contemplando recursos de 
aprendizagem e a estimulação das funções cognitivas que serão fun-
damentais no desempenho da sua autonomia, bem como descrever 
potencialidades e pontos de vulnerabilidade.
Uma revisão da literatura sobre o efeito do treino de memória em 
idosos encontrou dados que apontam para a melhora de desempe-
nho após treino de memória, inclusive para idosos com CCL, o treino 
foi apontado como uma boa estratégia para aumentar o desempenho 
nas tarefas trabalhadas (Mattos, 2011).
Outro estudo, que investigou o treinamento de memória de traba-
lho e funções cognitivas, detectou melhoras cognitivas em diferentes 
níveis quando comparados os grupos experimental e controle. A in-
tervenção foi realizada durante 12 sessões em grupo e além do trei-
no com tarefas específicas de memória, as sessões envolveram técni-
cas de psicoeducação sobre a relação entre as tarefas executadas no 
grupo e as suas tarefas no cotidiano, além de encontros para sociali-
zação, nos quais ocorriam debates de diversos temas que eram pro-
postos pelo coordenador do grupo, tais como olimpíadas e educação 
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(Netto et al, 2013). O estudo demonstrou o quanto programas de inter-
venção neuropsicológica em grupo podem apresentar efetividade em 
processos de reabilitação e serem terapêuticos.
Um protocolo de intervenção comparando idosos que se submete-
ram a um protocolo de estimulação da memória com um grupo contro-
le que não recebeu os estímulos, encontrou resultados bastante positi-
vos da utilização da memória em atividades de vida diária. Os autores 
desenvolveram um protocolo que envolveu 294 idosos, e foi desenhado 
com foco na maximização de amplas generalizações dos resultados da 
pesquisa. Essa é uma proposta que pode servir de exemplo para o de-
senvolvimento de outros protocolos e pesquisas que visem avaliar in-
tervenções em saúde em condições reais (Bier et al, 2015).
Assim, alternativas surgem com a importância de se avaliar o de-
sempenho em atividades cotidianas dos pacientes. Bier et al (2016) 
realizaram uma intervenção em um grupo de 40 pacientes e identifi-
caram que uma ferramenta com foco na avaliação ecológica de rotina 
de atividades diárias pode ser bastante efetiva na identificação preco-
ce de alterações cognitivas, bem como pode melhorar o desempe-
nho dos idosos nas suas atividades. Olchik et al (2012) em uma revisão 
de estudos relataram que existem uma melhora no desempenho dos 
idosos, após treino de memória. O treinoem idosos com comprome-
timento cognitivo leve, por exemplo, é apontado como uma estratégia 
para aumentar o desempenho, principalmente nas tarefas trabalha-
das. Entretanto, são poucos os estudos já realizados com esta popula-
ção, o que indica a importância de dar continuidade aos mesmos, vis-
to que há um maior risco de conversão para demências, entre elas, a 
doença de Alzheimer.
Por vezes encontra-se na literatura uma discreta separação entre 
atividades de reabilitação cognitiva e treino cognitivo, sendo esses úl-
timos frequentemente associados ao desempenho das funções cogni-
tivas. Ressaltamos que essas possibilidades podem caminhar em par-
ceria e de modo ecológico. Assim, as tarefas para atividades da vida 
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diária podem ser perpassadas por treinos de estimulação das funções 
cognitivas elaboradas com base nas informações coletadas sobre os 
principais interesses dos idosos. Na nossa prática, esse tipo de inter-
venção tem apontado para uma série de possibilidades e os relatos 
dos idosos e dos familiares durante o acompanhamento são um ter-
mômetro do quanto as atividades podem ser mais ou menos efetivas.
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A REL AÇÃO ENTRE AVÓS E NETOS: 
QUEM CUIDA E QUEM É CUIDADO?
Maria Teresa Barros Falcão Coelho
Waleska de Carvalho M� Medeiros
Cristina Maria de Souza Brito Dias
Nas próximas décadas, o ritmo de envelhecimento da população bra-
sileira tende a aumentar (IBGE, 2010). Estima-se que, em 2060, os ido-
sos acima de 65 anos deverão representar 26,7% da população bra-
sileira, ou seja, aproximadamente 58,4 milhões de idosos para uma 
população de 218 milhões de pessoas (Affonso, 2013; IBGE, 2010). O 
crescimento da população de idosos tem repercussões importantes 
em diversas esferas da vida social. Em relação às famílias, por exem-
plo, tem sido possível um aumento no tempo de convivência entre 
pessoas de gerações diferentes. Os indivíduos que envelhecem pas-
sam mais tempo a desempenhar papéis intergeracionais, em arranjos 
familiares com três ou quatro gerações (Harper, 2006; Motta, 2004).
Dentre os papéis intergeracionais vivenciados por adultos que en-
velhecem, o papel de avós e, recentemente, o de bisavós, têm sido o 
foco de interesse de vários pesquisadores que investigam as intera-
ções familiares (Dias & Silva, 1999; Lopes, Neri & Park, 2005; Rabinovi-
ch, Azambuja & Moreira, 2014). De acordo com Arantagy e Posternak 
(2005), pesquisas e estatísticas no mundo inteiro revelam uma ten-
dência ao aumento do tempo de convivência entre avós e netos, o que 
possibilita considerar o século XXI como o “século dos avós”.
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos e no Reino Unido esti-
mam que o papel de avós poderá ser vivenciado durante boa parte 
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da vida dos adultos (Hagestad & Burton, 1986; Harper, 2006). Na mes-
ma direção, Sousa (2006) chama a atenção que as relações entre avós 
e netos tendem a se prolongar por duas a três décadas, possibilitan-
do a convivência dos avós, no início, com netos crianças/adolescentes 
e, na terceira década, com netos adultos e bisnetos. No decorrer des-
se período estendido de tempo podem ocorrer variações entre uma 
maior ou menor condição de dependência/independência dos avós e 
dos netos, levando em consideração os processos de desenvolvimen-
to, relações saúde e doença, demandas sociais, dentre outros fatores 
implicados.
Harper (2006) e Sousa (2006) ressaltam que o maior tempo de con-
vivência entre avós e netos pode vir a constituir uma relação de cui-
dados recíproca, na qual os avós cuidariam dos netos pequenos e os 
netos cuidariam dos avós, quando estes viessem a apresentar maior 
debilidade.
Ao pesquisar sobre cuidados intergeracionais, Flores (2008) iden-
tificou, a partir de entrevistas e situações de cuidado observadas, que 
a reciprocidade foi um tema central tanto para os idosos, como para 
os cuidadores das outras gerações. Na reciprocidade, existe a troca 
entre cuidar e ser cuidado, ocorrendo uma circulação entre dar, re-
ceber e retribuir, o que torna o cuidado humano um processo contí-
nuo e fundamental à sobrevivência das pessoas em cada ciclo da vida 
(Mauss, 2003).
A partir de tais possibilidades de cuidar e ser cuidado, pode-se 
questionar sobre os contornos desta relação entre avós e netos: Quem 
cuida de quem? Como cuida? Em que cenários e contextos ocorre 
essa relação de cuidados? Este capítulo tem por objetivo analisar a re-
lação de cuidados que se estabelece entre avós e netos. Para tal, serão 
apresentados dois casos: o de uma avó que cuida do neto adolescen-
te, bem como o de uma neta adulta que cuida da avó em situação de 
paliação. Tais casos representam recortes das pesquisas de doutorado 
das duas primeiras autoras.
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ESTUDO 1 - AVÓS QUE CRIAM E CUIDAM DE NETOS1
Na realidade brasileira, atualmente, ampliou-se o número de lares 
onde se verifica a corresidência, nos quais várias gerações residem 
juntas, assim como aqueles em que os avós criam seus netos integral-
mente (IBGE, 2010). Nessa circunstância, os avós são chamados de 
“avós cuidadores”, “pais substitutos”, “avós guardiões”, e também, “avós 
com custódia”, quando detêm a guarda dos netos judicialmente (Car-
doso & Costa, 2012; Dias & Silva, 1999; Lopes et al., 2005).
Os avós têm assumido o cuidado dos netos em tempo parcial ou 
integral, sendo denominados, de acordo com Gerondo (2006), como 
cuidadores primários, quando assumem a criação integral dos ne-
tos; cuidadores secundários, quando cuidam devido a uma ausência 
temporária dos pais; e terciários, quando são chamados para ajudar 
numa tarefa específica.
Estudos apontam uma sobreposição de motivos para que os avós 
assumam a criação dos netos, principalmente quando já participa-
vam dos cuidados aos netos, coabitavam ou residiam próximos. Os 
motivos mais frequentes são: gravidez na adolescência de um (a) filho 
(a), abandono/ negligência/ maus tratos aos netos por parte dos pais, 
ou impossibilidade dos pais de cuidar devido à dependência quími-
ca, doença ou mesmo morte (Dias, 2015; Mainnert & Wanderbrooc-
ke, 2013).
Diante de tais situações, ocorrem mudanças na família e no pa-
pel dos avós que repercutem em diferentes formas de relacionamen-
to entre os avós e netos (Paula, Silva, Bessa, Morais & Marques, 2011). 
O estudo de Klein (2009) distingue três tendências que explicariam os 
padrões de vínculo que se estabelecem entre avós e netos: uma ten-
dência “tradicional”, que envolve sentimento de autossacrifício por 
parte dos avós e um modelo assimétrico de cuidado, que faz referên-
1. Texto baseado na Tese de Doutorado “Relações entre avós, netos e escola: uma abordagem bioeco-
lógica” da primeira autora com a orientação da Prof.ª Dr.ª Cristina Maria de Souza Brito Dias - Progra-
ma de Pós-graduação em Psicologia Clínica da Universidade Católica de Pernambuco.
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cia a uma entrega e dedicação total dos avós aos netos; uma tendên-
cia “não tradicional” quando se constitui um vínculo de apego seguro, 
base a partir da qual os avós e os netos se cuidam e se ajudam mu-
tuamente, configurando a solidariedade intergeracional; e, por últi-
mo, uma tendência “inédita ou não compreensível”, caracterizada por 
conflitos, ressentimentos, raivas e confrontação dos netos aos avós e 
destes ao papel de avós.
Ao lidar com as demandas envolvidas na criação dos netos, os avós 
enfrentam desafios emocionais, sociais e econômicos. Pesquisadores 
ressaltaram que estes vivenciam sentimentos ambivalentes em rela-
ção ao papel de guardiões, estando sujeitos a desenvolver problemas 
funcionais e de saúde, ao mesmo tempo em que referem o amor in-
condicional pelos netos e o sentimento de sentirem-se úteis (Dias & 
Costa, 2006; Newsome & Kelly, 2004).
Este capítulo apresentaum estudo de caso, a partir dos relatos de 
uma avó guardiã e de seu neto, para discutir como percebem e ava-
liam a experiência de cuidar e ser cuidado. Tais entrevistas compõem 
a tese de doutorado “Relação avós, netos e escola: uma abordagem 
bioecológica”, que fundamenta este trabalho. A tese propôs-se a in-
vestigar a relação entre família e escola na perspectiva dos avós guar-
diões, dos netos e dos professores. Ao todo, foram vinte três partici-
pantes na pesquisa: sete avós, oito netos e oito professores. Para este 
capítulo, será apresentado um estudo de caso que tem como partici-
pantes: uma avó, com idade de 57 anos, primeiro grau completo, apo-
sentada e com renda familiar de dois salários mínimos, residindo com 
a filha e os três netos que cria; o neto, com 14 anos de idade, cursan-
do o nono ano do Ensino Fundamental em uma escola da rede públi-
ca de ensino.
Os participantes responderam a um questionário sociodemográ-
fico e a uma entrevista conduzida de forma semidirigida, com rotei-
ro específico para cada geração. As entrevistas foram transcritas na 
íntegra e analisadas a partir da Análise de Conteúdo Temática (Mina-
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yo, 2004). Dentre os eixos temáticos elencados, foram selecionados os 
seguintes: significado de ser avó e de ser neto; relacionamento entre 
avós e netos; experiência de cuidar e ser cuidado.
SIGNIFICADO DE SER AVÓ E DE SER NETO
A avó relatou: Ser avó é alimentar o sangue do seu sangue. É muito 
bom ser chamada de vovó. É muito bom você ter com quem compar-
tilhar, porque com os filhos você já não compartilha mais. Quando os 
filhos crescem, cada um quer saber das suas esposas, da sua casa, dos 
seus compromissos. E quando você tá com os netos, sempre tem algu-
ma coisa pra você participar. Quando estão estudando, falam o tem-
po todo: ‘Vovó, diga aí, vovó faz aquilo’. Eu me lembro tanto, quando os 
meninos eram pequenos, eles brincavam (...) e eu ficava participando, 
mesmo lavando roupa, fazendo alguma coisa, mas sempre tinha como 
compartilhar com eles na brincadeira.
Sobre ser neto, o adolescente relatou: É uma coisa especial, é um 
apoio de vó, é ajuda. Pode-se perceber pelos relatos apresentados que 
a avó destacou o compartilhar com o neto em relação aos estudos, 
brincadeiras, e o neto ressaltou o apoio e a ajuda recebida por parte 
da avó. Tais relatos evidenciam que, para os participantes, o significa-
do de ser avó e ser neto implica uma relação de trocas e cuidados da 
avó para com o neto, confirmando vários estudos que ressaltam a im-
portância dos avós que criam os netos, tanto para a família como para 
a sociedade (Araújo & Dias, 2010; Dias, 2015; Dias & Costa, 2006; Dias, 
Costa, & Rangel, 2005; Vitale, 2005).
Pode-se perceber, também, que a avó fez referência ao papel pa-
rental ao se referir aos filhos adultos, com os quais mencionou ter 
ocorrido uma diminuição no compartilhamento/participação em 
suas vidas, ao mesmo tempo em que salientou a oportunidade de 
compartilhar e participar do cotidiano da vida dos netos. A partir de 
alguns estudos, é possível pensar que os avós guardiões vivenciam 
um processo de parentalização na relação com os netos que requer 
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elaborações importantes, sendo percebido de maneira ambivalente: 
como uma segunda chance para serem pais, implicando satisfação 
e, ao mesmo tempo, ônus devido ao estresse físico e emocional, bem 
como dificuldades financeiras (Amaro, 2015; Lima & Júnior, 2014; Pin-
to, Arrais & Brasil, 2014).
RELACIONAMENTO ENTRE AVÓ E NETO
A avó avaliou que o relacionamento com os netos é ótimo, a gente é 
um pouco áspera porque a gente é um pouco antiquada às vezes. Às ve-
zes, eles riem de mim, eu rio deles e fica assim aquele clima... clima nor-
mal de família.
O neto pontuou que o relacionamento com a avó envolve senti-
mentos diferentes, às vezes sou chato, às vezes brinco. Sou esse tipo de 
garoto, pirralho, brincalhão, chato. Relatou que, nas reuniões em fa-
mília, brincam de jogos de tabuleiro e que gosta de jogar dominó com 
a avó. O estudo de Oliveira (1998) revelou processos coeducativos en-
tre avós e netos, a partir de vivências do cotidiano. Ferrigno (2006, 
2009), ao investigar relações intergeracionais, também identificou a 
ocorrência de processos coeducativos em atividades de natureza cul-
tural e de lazer. Assim, no cotidiano e em atividades de lazer, avós e 
netos aprendem juntos.
EXPERIÊNCIA DE CUIDAR E SER CUIDADO
Ao avaliar a experiência de criar o neto, a avó pontuou: Pra mim, me deu 
uma nova vida, apesar de que não queria logo não, porque eu sabia que 
tinha certa responsabilidade, mas é muito bom. Antes de o neto nascer, 
a avó foi diagnosticada com um aneurisma e fez uma cirurgia. Durante 
sua recuperação, ela disse ter enfrentado dificuldades de criar um novo 
elo para sua vida. Com o nascimento prematuro do neto, que apresen-
tou um problema cardiológico, a avó relatou: A partir do momento que 
eu passei minha atenção pra ele, eu fui me curando, e aqui estou. Papai 
do Céu criou esse laço maravilhoso! Então eu dediquei muito amor.
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Embora identifique as responsabilidades que o papel de avó guar-
diã implica, a avó enfatizou que cuidar do neto trouxe benefícios para 
sua saúde, dando um novo sentido para sua vida. Dias (2015) ressal-
ta que não há consenso entre as pesquisas acerca de como os avós vi-
venciam a experiência de criar netos. Algumas pesquisas relatam as 
dificuldades tais como: stress, queixas físicas, depressão, preocupa-
ções financeiras, com a escolaridade e disciplina. Outras, no entanto, 
apontam para os sentimentos de renovação do sentido para a vida, sa-
tisfação, orgulho e senso de utilidade.
O neto reconheceu os cuidados da avó, ao mencionar seu apoio e 
ajuda, e ao referir: É muito importante ela acompanhar minhas coi-
sas na escola do que outras pessoas. Prefiro que seja minha mãe, mi-
nha avó. Ele avaliou que, mesmo a avó não tendo muito tempo de-
vido às tarefas domésticas, participa das reuniões, da entrega dos 
boletins e quando ele chega a casa, todos os dias, após a escola ela 
pergunta se tem tarefa.
A partir de tais relatos, torna-se possível identificar que a relação 
de cuidados implica, para os avós, acompanhar o desenvolvimento 
dos netos, em suas várias dimensões, a saber, física, cognitiva, emo-
cional e social. Jorge e Lind (2015), tendo por base uma perspecti-
va sistêmica bioecológica, analisaram várias pesquisas e destacaram 
dilemas individuais, intrafamiliares e extrafamiliares enfrentados 
por avós guardiões. Estes pesquisadores evidenciaram que a relação 
de cuidados aos netos crianças/adolescentes implica, para os avós, 
lidar com vários contextos de desenvolvimento, dentre os quais se 
destaca a escola.
Os resultados dos vários estudos, acima apresentados, possibili-
tam ressaltar a importância do papel dos avós como cuidadores dos 
netos, e questionar sobre sua possível influência em relação aos netos 
tornarem-se cuidadores. Neste sentido, Flores (2008) destaca que ao 
ser cuidado, aprende-se a cuidar.
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ESTUDO 2 - AVÓS CUIDADOS POR NETOS ADULTOS2
Não obstante os grandes avanços tecnológicos que vêm proporcio-
nando um envelhecimento mais ativo e saudável, a longevidade tam-
bém é marcada pela vulnerabilidade orgânica e celular que torna o 
idoso mais suscetível a doenças. Burlá, Azevedo e Py (2016) falam so-
bre a prevalência epidemiológica de doenças crônico-degenerativas e 
incapacitantes que costumam estar presentes nessa fase da vida e que 
acompanham o indivíduo até a morte. Os autores ressaltam que os 
cuidados paliativos, como modalidade assistencial à população idosa, 
voltam o olhar para a pessoa e não a doença, e buscam oferecer quali-
dade de vida, mesmo quando a curanão é possível.
A literatura aponta que é no seio da família, primordialmente, 
que os idosos encontram cuidado e apoio às suas necessidades, es-
pecialmente no fim de vida (Brito, 2002; Caldas, 2003; Cerqueira, 
2005; Mota, Oliveira, Marques, Bessa, Leite & Silva, 2010; Neri & Som-
merhalder, 2012; Pereira, 2013; Silva, 2012). Seja por questões econô-
micas, seja por compensação ou retribuição do cuidado recebido, é 
esperado que, nessa etapa do ciclo vital, o pêndulo da balança se in-
verta e caiba aos descendentes o cuidado com a saúde dos mais ve-
lhos. Rabelo e Neri (2016, p.34) ressaltam que, além de disponibili-
zar o manejo instrumental de provimentos básicos à sobrevivência, 
a rede de suporte familiar oferece intercâmbio de recursos materiais, 
afetivos e informativos conforme as necessidades do idoso doente.
Histórica e mundialmente, a mulher sempre assumiu a função de 
cuidado aos enfermos. Com o ingresso das mulheres no mercado de 
trabalho, outras pessoas começaram a realizar as atividades de cuida-
do, dentre elas, os netos. A partir de recortes de entrevistas da tese de 
doutorado da pesquisadora, buscaremos compreender de que forma 
esse cuidado de uma neta à sua avó, em cuidados paliativos, repercu-
2. Texto baseado na Tese de Doutorado “Relações de cuidado entre avós, em cuidados paliativos, e 
seus netos cuidadores” da segunda autora com a orientação da Prof.ª Dr.ª Cristina Maria de Souza Bri-
to Dias - Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica da Universidade Católica de Pernambuco.
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te em suas vidas e relação. Participaram da pesquisa qualitativa sete 
avós/avôs, em cuidados paliativos, com idades entre 63 e 100 anos, e 
seus respectivos netos cuidadores, de ambos os sexos, com idades en-
tre 18 e 45 anos. Para este capítulo, apresentaremos um estudo de caso 
de uma avó de linhagem materna, 77 anos, casada, ensino fundamen-
tal completo, católica, de classe média. Ela foi acometida por câncer 
de útero com histerectomia, ressecção de câncer no intestino com co-
lostomia, em investigação de cistos nos rins, em acompanhamento 
médico e assistida por sua família em casa. Sua neta cuidadora tem 
22 anos, solteira, filha de pais separados, mora com a mãe e uma irmã, 
e encontra-se concluindo o ensino superior, cristã/evangélica, de ca-
mada média.
Após aprovação do projeto no Comitê de Ética em Pesquisas, os 
participantes responderam a um questionário sociodemográfico e a 
uma entrevista, conduzida de forma semidiretiva, com roteiro especí-
fico para cada geração. As entrevistas foram individuais e, com prévia 
autorização, foram audiogravadas, transcritas em sua integralidade e 
analisadas a partir da Análise de Conteúdo Temática (Minayo, 2004). 
Dentre os eixos temáticos obtidos, selecionamos para este trabalho: 
impactos da doença na vida de avó e neta; experiência de cuidar e ser 
cuidado; estratégias de enfrentamento.
IMPACTOS DA DOENÇA NA VIDA DE AVÓ E NETA
A avó queixou-se das mudanças ocorridas em sua vida após o adoeci-
mento. Eu gostava de sair. Mas agora ninguém quer mais que eu saia. 
Você sabe uma pessoa podada? Eu estou sendo podada. Aí eu acho 
isso, assim, ruim. Eu era dona do meu dinheiro e agora eu dou o car-
tão para as meninas comprarem as coisas (...). Eu sou uma pessoa que 
não gosto de depender de ninguém. Eu gosto de fazer as minhas coisas.
A fala da avó aponta para a perda de controle e autonomia sobre 
sua vida, imposta pela família ao impedi-la de realizar atividades de 
sua vida cotidiana que antes desempenhava. Das grandes perdas vi-
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venciadas pelo idoso adoecido, o medo da dependência e a perda de 
controle sobre sua vida costumam ser os mais relevantes temores pre-
sentes nessa fase da vida e principais indicadores da percepção de 
baixa qualidade de vida, sendo fatores de risco para depressão (Al-
meida, Moraes & Di Tommaso, 2014; Neri, 2011; Rolland, 1995; Trenti-
ni, Chachamovich & Fleck, 2008; Walsh, 1995).
Reportando-se ao choque diante do novo que a doença trouxe à 
dinâmica familiar, a neta falou: Eu nunca tinha tido esse cuidado. Até 
então era uma coisa de: ah, minha avó está ficando um pouco mais ve-
lha e precisa de ajuda. Ajuda financeira, ajuda de locomoção, para le-
var num lugar para resolver uns problemas, nunca tinha tido uma aju-
da de saúde mesmo. Meu Deus, minha avó agora precisa de mim. O 
choque é meio grande.
A doença e a necessidade de novas posturas frente à avó adoecida, 
estão de acordo com o que Rolland (1995) apontou como uma das ta-
refas do familiar no manejo do adoecimento na família. Passado o im-
pacto do diagnóstico e o ajuste ao sofrimento, o reajustamento intra-
familiar se faz urgente para que os familiares possam assistir às novas 
demandas que a doença trouxe à rede familiar.
EXPERIÊNCIA DE CUIDAR E SER CUIDADO
Esse ponto traz aspectos de extrema relevância, sobretudo quando 
pensados frente a esse novo cenário de cuidado intergeracional en-
tre avós e netos. A literatura é vasta ao apontar que tal atividade assis-
tencial é percebida como agente estressor relacionada às sobrecargas 
física, social e psicológica do cuidador (Cerqueira, 2005; Fratezi, Gu-
tierrez & Falcão, 2010; Pereira & Schwanke, 2012; Pereira, 2013; Que-
roz, 2010; Rabelo & Neri, 2016; Romano, Melo & Corral, 2014; Santos, 
2013). Não obstante o reconhecimento de que a ato de cuidar impõe 
mudanças e ajustes aos que mais diretamente assumem tal tarefa, em 
sua essência, o cuidado diz respeito ao inclinar-se, imbuído de afeto 
e solicitude, ao que é valoroso. O cuidado se dá por meio de uma re-
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lação de totalidade, interdependência e mútua responsabilidade soli-
dária (Zoboli, 2011) estabelecida entre quem cuida e quem é cuidado.
Embora a avó apresente necessidades e limitações físicas que in-
tensificaram a atenção há pouco tempo, a neta assumiu todo o con-
trole de suas finanças quase dois anos antes, após detectar que sua 
avó vinha sendo roubada dentro de casa. Disse: Quem vai tomar conta 
do seu dinheiro agora sou eu. (...) Todas as filhas sabiam do que estava 
acontecendo, sabiam que o dinheiro tinha sido roubado e ninguém se 
disponibilizou para resolver (...) Fiquei indignada e disse: Não, vó, dei-
xa que eu cuido disso.
Quando interrogada quanto às razões para assumir a responsabi-
lidade da administração financeira e, sobretudo, do cuidado de sua 
avó nesse momento, a neta falou de uma atitude natural de reconhe-
cimento e retribuição a todo o cuidado recebido. Eles sempre fizeram 
muito por mim. (...) Sempre cuidaram tanto de mim que é o mínimo 
que eu posso fazer. Eles estão precisando, sabe? (...)
Segundo ela, o amor até cresceu e a partir de então começou essa 
questão de cuidado. Dentre as várias justificativas apontadas na litera-
tura para o ato de cuidar do outro, a solidariedade, dever moral ou re-
tribuição do cuidado recebido (António, 2010; Bicudo, Teixeira, Rapo-
so & Marques, 2014; Neri & Sommerhalder, 2012). Reportando-se a um 
estudo realizado por Robertson (1976), António (2010, p. 35) ressalta 
que “os netos sentem responsabilidades para com os avós no sentido 
de providenciar apoio emocional, ajuda palpável e evidente, e tempo 
significativo em conjunto”.
A avó reconheceu o cuidado ao falar que a neta se desdobra, mas 
queixou-se da inversão hierárquica de responsabilidades, como vis-
to em sua fala: Eu era uma pessoa dona do meu dinheiro, hoje eu dou 
o cartão para as meninas comprarem as coisas. Ao referir-se ao cer-
ceamento de sua autonomia em gerir sua vida financeira, a avó pode 
apontar para um fenômeno conhecido como idadismo, ou seja, cer-
to tipo de preconceito relacionado às questões de idade. A crença e 
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atribuição de incapacidade no gerenciamento daprópria vida, mui-
to comum tanto por parte dos cuidadores quanto aos próprios idosos, 
sobretudo, dependentes, são fatores de risco à percepção de baixa 
qualidade de vida nessa fase da vida. (Couto & Marques, 2016). Nes-
se sentido, Paschoal (2016, p. 85) ressalta a importância de o idoso ter 
“participação ativa na avaliação do que é melhor e mais significativo 
para ele, pois o padrão de qualidade de vida é um fenômeno altamen-
te pessoal”.
ESTRATÉGIAS DE ENFRENTAMENTO
Tanto a avó quanto a neta ressaltaram a fé e a espiritualidade como 
o caminho utilizado para encontrar fortalecimento para atravessar as 
dificuldades e ajustes impostos pelo adoecimento. A avó disse que re-
zava demais no hospital, então isso me ajudou muito. Eu tenho uma fé 
muito forte. Já a neta relatou: primeiro Deus, sempre. Na hora do deses-
pero, na hora que você acha que vai perder, que você acha que não vai 
ter nunca mais aquela pessoa na sua vida, não tem por onde recorrer 
se não for Deus.
A expressão da fé ou experiência religiosa/espiritual podem ser 
vistas como importante estratégia de enfrentamento para lidar com 
o sofrimento, sobretudo frente a situações de adoecimento e risco de 
vida, pois são capazes de trazer conforto, maior sensação de controle 
pessoal e atribuição de sentido à experiência de sofrimento e perda.
A partir dos recortes de fala dos entrevistados, percebe-se que, não 
obstante os ajustes intrafamiliares e o sofrimento trazidos pela doen-
ça à família, por meio da mútua relação de cuidados, os laços de afe-
to intergeracional puderam ser estreitados fortalecendo a relação 
avó-neta. Se, por um lado, as mudanças ocorridas com a chegada da 
doença apontam para a perda de um lugar de poder hierarquicamen-
te demarcado, por outro lado a inversão de hierarquia imposta pelas 
circunstâncias convida avó e neta a refletirem sobre sua função sem 
que, no entanto, se permita que o respeito, investimento afetivo e re-
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— 153 —
conhecimento valorativo do outro sejam minorados. O desafio de cui-
dar da avó enferma pôde inaugurar novos canais de comunicação 
intergeracional, fortalecendo a aquisição de habilidades e competên-
cias até então desconhecidas. Da mesma forma, o sentimento de per-
tença e retribuição ao cuidado investido pela avó, pôde ser experien-
ciado de modo a trazer bem-estar tanto a quem cuida, quanto a quem 
é cuidado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os Estudos 1 e 2, apresentados anteriormente, possibilitam refletir 
acerca das implicações do envelhecimento populacional em termos 
da sobrecarga para a saúde dos idosos no papel de avós guardiões (te-
mática abordada no Estudo 1), assim como, possibilitam questionar a 
respeito dos cuidados para com os idosos (temática abordada no Es-
tudo 2): quem vai cuidar deles?
Os resultados dos dois estudos apontam para a importância da re-
lação de cuidados que se estabelece entre avós e netos ao longo do ci-
clo vital. Considerando os resultados do Estudo 1, é possível pensar 
que, ao serem cuidados na infância e adolescência, os netos podem 
aprender a cuidar, podendo vir a retribuir, na vida adulta, o cuidado 
recebido, tal como sugerem os resultados do Estudo 2, que se referem 
aos netos adultos que assumem os cuidados para com os avós. Inte-
ressante ressaltar que o sentimento de cuidar e ser cuidado é mencio-
nado por avós e netos em ambos os estudos. No Estudo 2, a neta que 
assume os cuidados para com a avó, vivencia também o sentimento 
de ainda ser cuidada por ela.
A importância do relacionamento entre avós e netos, destaca-
da nos estudos acima discutidos, provoca ainda uma reflexão sobre 
os vínculos afetivos que podem vir a se constituir entre avós e netos. 
Dentre os padrões de vínculos, Klein (2009) faz referência ao de apego 
seguro, no qual prevalece a solidariedade intergeracional. Os resul-
tados do Estudo 1 revelam que, para a avó e para o neto, a realização 
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de atividades conjuntas, que envolvem o cotidiano, tais como a parti-
cipação nas atividades de estudo do neto, brincadeiras e lazer em fa-
mília, favorecem o relacionamento entre ambos e, provavelmente, fo-
mentam a solidariedade intergeracional.
Neste sentido, considerando os estudos de Ferrigno (2006, 2009), des-
tacamos a importância de projetos e intervenções com propostas de ati-
vidades intergeracionais que visam facilitar o desenvolvimento da solida-
riedade intergeracional, a qual favorece uma relação de cuidados mútuos, 
tão significativos frente ao cenário do crescente processo de envelheci-
mento populacional e das mudanças nos arranjos e dinâmicas familiares.
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— 160 —
NUTRIÇÃO E ENVELHECIMENTO: 
ASPECTOS BÁSICO-
CLÍNICOS AVANÇADOS
Ana Carolina Ribeiro de Amorim
Antonio Souto Gouveia
Carlos Augusto Carvalho de Vasconcelos
“Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu 
remédio”. Hipócrates (* 460 a.c. NA ILHA DE Cós/GRÉCIA; † 370 
a.C. em Tessália, GRÉCIA ANTIGA).
ENVELHECIMENTO POPULACIONAL
O envelhecimento é um processo natural, dinâmico, progressivo e ir-
reversível que caracteriza uma etapa da vida humana, onde ocorrem 
alterações provocadas pela idade. Uma nutrição adequada influen-
cia diretamente todo metabolismo orgânico, importante nessa última 
fase do desenvolvimento.
Segundo a OMS, a faixa etária caracterizada como idosa é estabele-
cida conforme o nível socioeconômico de cada nação. Países desenvol-
vidos, identificados por seu alto nível de desenvolvimento econômico e 
social, no qual oferecem maior qualidade de vida, postos de trabalho, di-
reito a saúde, acesso ao alimento e água potável tende a ter uma maior 
expectativa de vida, sendo definidas como pessoas idosas, aquelas com 
65 anos ou mais. No entanto, países em desenvolvimento tendem a apre-
sentar uma situação contrária e por isso apresentam um menor tempo 
de vida, sendo consideradas idosas as pessoas com 60 anos ou mais.
Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 
existem aproximadamente 650 milhões de idosos no mundo, e até 
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2050 esta população alcançará entorno de 2 bilhões de pessoas. No 
Brasil, a projeção demográfica do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE), mostrou que a população idosa (60 anos ou mais 
de idade) brasileira chegará a 73,55 milhões de pessoas em 2060, 
sendo 19 milhões com 80 anos ou mais. Em média, a população ido-
sa crescerá 1,1 milhão por ano entre 2016 e 2060. Estes números mos-
tram a expressividade populacional deste grupo etário e a impor-
tância de se conhecer as peculiaridades e modificações ocorridas 
nesta fase.
O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humani-
dade e também um dos nossos grandes desafios. Ao entrarmos no sécu-
lo XXI, o envelhecimento global causará um aumento das demandas so-
ciais e econômicas em todo o mundo. no entanto, as pessoas da 3ª idade 
são, geralmente, ignoradas como recurso quando, na verdade, constituem 
recurso importante para a estrutura das nossas sociedades (WHO, 2005).
SENESCÊNCIA E TEORIA CELULAR
Mudanças histopatológicas progressivas, sendo estas, de ordens mor-
fológicas, bioquímicas, fisiológicas, comportamentais e psicossociais, 
que levam ao prejuízo da homeostase e são particulares em cada in-
divíduo com uma sobrevida prolongada, são as mudanças ocasiona-
das nesta fase.
Assim, o envelhecimento é o resultado da perda progressiva da 
funcionalidade do corpo, o qual é ditado com o passar dos anos. Este 
representa a expressão da redução gradual da atividade celular, refle-
tida nos tecidos e órgãos dos sistemas fisiológicos.
No entanto, sabe-se que o corpo humano é formado por um con-
junto de células somáticas que se encontram em constante divisão. Se 
analisarmos, este processo de divisão celular ocorre continuamente, 
mas como o tempo biológico é marcado e este processo de renovação 
celular é alterado ainda não sabemos, ao certo.
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Inúmeras teorias tentam explicar o processo de envelhecimento, 
onde muitas corroboram entre si e buscam esclarecer a mesma temá-
tica sob diferentes aspectos. Estas foram separadas em dois grandes 
grupos: as de natureza genético-desenvolvimentista e as de nature-
za estocástica.
A teoria genético-desenvolvimentista defende que o envelheci-
mento é desencadeado por uma programação puramente genética 
e inclui teorias como a teoria somática, a genética, a imunológica e a 
das telomerases. A teoria estocástica, por sua vez, defende que o en-
velhecimento é consequência de sucessivas lesões do ácido desoxir-
ribonucléico (DNA). Isto ocorre, principalmente devido ao acúmulo 
de agressões ambientais, inibindo o funcionamento celular e a ex-
pressão apropriada dos genes. Essa inclui teorias como a da lesão/re-
paração do DNA, da oxidação dos radicais livres, do DNA mitocon-
drial e das radiações.
Dentre estas, podemos destacar a teoria dos radicais livres que su-
gere que o envelhecimento é causado pelo papel citotóxico das espé-
cies reativas de oxigênio e de nitrogênio, no qual estas espécies de-
pletam a função mitocondrial e assim atuam na formação de mais 
radicais livres. Estes provocaram inúmeras lesões moleculares ao lon-
go do tempo e levaram a perda da funcionalidade celular ao longo da 
vida, conduzindo a morte.
No entanto, mesmo havendo inúmeras hipóteses para explicar o 
processo de envelhecimento, sabe-se que este mecanismo é muito 
complexo e a contribuição fisiológica de cada teoria ainda necessita 
de mais estudos.
Diante desta visão generalista do processo de envelhecimento, 
percebemos que essa etapa necessita de um acompanhamento multi-
disciplinar adequado, para atenuar ou evitar as alterações fisiológicas 
características dessa fase, além de atuar nos aspectos promotores do 
envelhecimento saudável, como veremos a seguir:
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— 163 —
FATORES ASSOCIADOS AO PROCESSO DE 
ENVELHECIMENTO
Inúmeros fatores vão estar diretamente relacionados ao processo de 
senescência, entre eles podemos destacar:
 
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES ORGÂNICAS, FISIOLÓGICAS 
E METABÓLICAS OCASSIONADAS NO PROCESSO DE 
ENVELHECIMENTO.
ALTERAÇÃO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL E METABOLISMO BASAL
Nesta fase ocorre redução de todos os compartimentos corporais 
(massa magra, esquelética e gorda). Estas modificações corporais tem 
uma influência direta na qualidade de vida dos indivíduos, especifi-
camente na autonomia e capacidade funcional destes idosos. O que 
pode levar a um desfecho desfavorável à mobilidade, quedas, fraturas, 
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limitações nas tarefas de autocuidado e independência, além de ser 
um fator preditor de morbi-mortalidade.
Dos acometimentos corporais ocorridos, a redução de massa ma-
gra é quantitativamente maior e ocorre de forma mais acelerada, des-
tacando-se uma maior perda nas regiões de membros superiores e in-
feriores. Indivíduos com redução nível de atividade física tendem a 
ter um maior acometimento também.
Esta perda poderá levar a um quadro de sarcopenia. Descrita na li-
teratura científica como uma síndrome geriátrica caracterizada pela 
diminuição global e progressiva da massa e força muscular, implican-
do em grandes prejuízos à funcionalidade do idoso.
Os mecanismos envolvidos na sua etiologia e progressão são múl-
tiplos, incluindo alterações na síntese de proteínas, proteólise, dimi-
nuição da função neuromuscular, inflamação, estresse oxidativo, alte-
rações hormonais e anormalidades metabólicas e nutricionais. Além 
disso, fatores de risco, tais como sexo, hábitos de vida, comorbida-
des e fatores genéticos também podem predispor ao aparecimento da 
sarcopenia. O declínio do sistema muscular cursa com modificações 
na composição da fibra muscular, com diminuição da inervação, da 
vascularização, da contratilidade e comprometimento das unidades 
tendíneas. Há ainda alterações importantes no metabolismo da glico-
se. No indivíduo idoso, tais perdas podem refletir em fragilidade e si-
nais de fadiga generalizada.
Devido a esta perda expressiva de massa magra, o indivíduo pas-
sa a ter maior quantidade de massa gorda, no entanto não há um au-
mento absoluto, e sim uma compensação corporal para equilibrar 
percentuais os níveis de massa corporal. Também é observada redu-
ção de massa gorda (MG) do componente subcutâneo de forma mais 
expressiva com o avanço da idade,comparada à gordura da região 
visceral.
Essas mudanças de composição corporal, e especificamente de 
massa magra, leva a uma redução das necessidades energéticas, já 
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— 165 —
que este é o tecido metabolicamente ativo. Estima-se que com o avan-
ço da idade, ocorra redução de aproximadamente 10 a 20% do meta-
bolismo basal, relacionadas não só a alterações corporais, mas tam-
bém a possível redução do nível de atividade física e adaptações 
ocasionadas pelo envelhecimento.
REDUÇÃO DA ACUIDADE SENSORIAL
Os acometimentos nesta fase comprometem todos os sentidos (visão, 
audição, olfato, gustação e tato), geralmente parciais, mas interferem 
tanto no apetite como no comportamento alimentar.
Todos os sentidos estão envolvidos na ingestão de alimentos, no 
entanto, à sensibilidade gustativa, essencialmente os gostos primários 
(doce, amargo, ácido e salgado), estão associados ao olfato, e é consi-
derado o fator mais relevante, por causar o maior prejuízo para a ali-
mentação adequada.
Estudos mostram uma redução significativa do número de papi-
las gustativas após os 70 anos, o que reflete diretamente no limiar de 
detecção e identificação do flavour, ocasionando um aumento do 
consumo de alguns ingredientes, como o sal ou açúcar para ajudar a 
evidenciar o sabor. Esta prática, em longo prazo, pode levar ao surgi-
mento de patologias associadas ao consumo excessivo destes alimen-
tos, como a hipertensão e a diabetes.
ALTERAÇÕES DO TRATO GASTROINTESTINAL (TGI) E 
METABÓLICAS
Inúmeras alterações estruturais e funcionais podem acometer o TGI, 
desde alterações da cavidade oral até os seguimentos intestinais.
Na região oral, pode haver perda dentária parcial ou total, fazendo-
-se necessário o uso de próteses dentárias, que por muitas vezes po-
dem estar mal ajustadas. Além disso, a presença de cáries dentárias, 
doenças periodontais (gengivites, outras inflamações e infecções), tu-
mores e a xerostomia (diminuição quantitativa e qualitativa de saliva), 
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podem levar a prejuízos do processo digestivo, enzimáticos e mecâni-
cos. Este cenário pode ocasionar a redução do consumo de alimentos 
como carnes, frutas, verduras, legumes, por exemplo, o que leva pre-
juízos ao estado nutricional.
Alterações anatômicas também são observadas no esôfago. Evi-
dências mostram que esta faixa etária apresenta fraqueza da muscu-
latura faríngea e relaxamento anormal do músculo cricofaríngeo, de-
ficiência no início do relaxamento do esfíncter superior e na peristalse 
primária, condições que prejudicam a deglutição e podem levar a um 
quadro de disfagia progressiva. Esta patologia pode levar a morte atra-
vés de episódios de broncoaspiração.
Além disso, alterações gástricas e intestinais podem existir. Mu-
danças estruturais desta mucosa estomacal podem levar a incidência 
de gastrite atrófica e acloridria, que aumenta progressiva nestes gru-
pos etários. No intestino, constatou-se redução da função do intesti-
no delgado, que pode estar comprometido pela redução do número 
de células absortivas, causando diminuição da área superficial, dispo-
nível para absorção. Outros fatores que podem estar relacionados são 
a lentidão do esvaziamento gástrico e redução do fluxo sanguíneo in-
testinal, levando a prejuízos graves no processo digestivo e absortivo.
Este quadro de grandes mudanças no TGI reflete diretamente no 
consumo e aproveitamento alimentar, o que pode gerar um cenário 
de déficits nutricionais, que acomete a mais de 50% da população ido-
sa. Além disso, pode gerar um quadro de excessos em relação ao con-
sumo de alimentos não nutritivos, como carboidratos refinados na 
forma de pães, bolachas e massas e o excesso de gorduras saturadas.
Órgãos alvos também são prejudicados nesta etapa da vida, como 
exemplos, temos o pâncreas, fígado e rins. Estes além de terem ação 
direta no processo de digestão e filtração de substâncias tóxicas tam-
bém contribuem para um adequado funcionamento metabólico, o 
que irá gerar em longo prazo alterações orgânicas e funcionais. Assim, 
é observado redução da funcionalidade destes órgãos, gerando me-
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nor produção de enzimas e hormônios, o que acarretará em uma re-
dução metabólica, em longo prazo.
Fatores patológicos, psicológicos, econômicos e culturais também 
agem diretamente neste processo de envelhecimento podendo con-
tribuir de forma negativa se mal administrados. As patologias podem 
levar a uma incapacitância do indivíduo, o que por muitas vezes, lhe 
exclui do convívio social e familiar, além de gerar um alto custo, o que 
reflete diretamente na situação econômica destes idosos. Outro fator 
econômico bastante frequente é o uso da aposentadoria destes idosos 
para sustentar suas famílias, o que pode levar a uma escassez recur-
sos, inclusive alimentares, devido a partilha desta renda.
Associados a isto, estão os fatores psicológicos e culturais, como a 
morte do cônjuge, filhos ou pessoas próximas, morar sozinho ou em 
instituições de longa permanência, além da presença de mitos, tabus 
e crenças podem afetar diretamente este período da senescência.
FATORES PROMOTORES DE UM ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
Dentre os fatores promotores de um envelhecimento adequado, pode-
mos destacar as escolhas alimentares mais saudáveis que irão refletir 
diretamente no estado nutricional (EN) desta população. Assim, é ne-
cessário um oferta equilibrada de macronutrientes e micronutrientes.
RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS
Energia
Observa-se que a partir dos 30 anos de idade, o gasto energético di-
minui cerca de 2 a 4% por cada década de vida. Esta redução é atribuí-
da principalmente pelas alterações corporais de massa gorda e mas-
sa magra, especificamente, além da redução da atividade física, que 
ocorre na maioria dos idosos.
Para estimativa das necessidades energéticas, o uso das equações 
preditivas da Dietary Reference Intake (DRI) é preconizado. Os es-
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tudos mostram, que para cada ano acima dos 30, deve-se subtrair 7 
kcal/dia para as mulheres e 10 kcal/dia para os homens.
Proteína
Segundo as recomendações da DRI, o consumo mínimo de proteína 
neste estágio da vida é de 46g para as mulheres e 56g para os homens. 
É importante ressaltar que a qualidade proteica deve ser priorizada, 
sendo 60% de alto valor biológico, fracionada nas três principais refei-
ções do dia para garantir uma melhor digestibilidade.
Lipídios
As recomendações gerais da DRI mostram que a faixa de ingestão de 
lipídios deve ser entre 20-35% do valor energético total (VET), onde 
estes devem também atender o percentual de 5 a 10% de ômega 6 e 0,6 
a 1,2% de ômega 3. A gordura saturada também faz parte da alimen-
tação mas não deve chegar a mais de 8% do VET. É importante desta-
car com este público que a gordura também faz parte da alimentação 
saudável desde que escolhido fontes adequadas e formas de adição as 
preparações corretas.
Carboidratos e Fibras
A complementação do VET deve ser feita com os hidratos de car-
bono, para que estes possam contribuir, diretamente, no proces-
so de formação de energia e assim garantir um adequado balanço 
proteico. A faixa de recomendação é em torno de 45-65% do VET, 
devendo ser priorizado os alimentos fontes de carboidratos com-
plexos e de baixa carga glicêmica para garantir níveis adequados 
de glicemia.
É importante ressaltar que o consumo de alimentos integrais tam-
bém deve fazer parte da alimentação desta população, com objetivo 
de regularizar o trânsito intestinal, logo o consumo de fibras deve ser 
de 30g para os homens e 21g para as mulheres, conforme as DRIs.
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Vitaminas, minerais e ingestão hídrica
De um modo geral, apesar do declínio da recomendação energética, os 
micronutrientesapresenta recomendações semelhantes aos dos adul-
tos, com exceção do cálcio, vitamina B6 e vitamina D que encontram-se 
com as necessidades aumentadas e o ferro que necessita de uma oferta 
menor (no caso das mulheres, em decorrência da interrupção das per-
das menstruais). Apesar das recomendações das DRIs, os idosos fre-
quentemente são cercados de suplementação de micronutrientes com 
objetivo de garantir uma melhor qualidade de vida. É importante cons-
cientizar este público que as evidências científicas destas suplemen-
tações ainda são insuficientes e só devem ser feitas com prescrição de 
médico e/ou nutricionistas mediante constatação de déficits.
Nesta fase, a recomendação hídrica deve ser 20 a 45ml/kg de peso 
corporal, não esquecendo de avaliar se há situações de maior perda 
hídrica como, febre, diarreia e temperatura ambiental.
Diante deste panorama, o Ministério da Saúde do Brasil traçou os 
dez passos para uma alimentação ideal nesta faixa etária, utilizando 
uma linguagem de fácil compreensão e aplicabilidade cotidiana. Es-
tas orientações são importantes para o público em geral e para os pro-
fissionais de saúde, na construção de um envelhecimento/ alimenta-
ção ideal. Segue abaixo as orientações:
1º PASSO: FAÇA PELO MENOS TRÊS REFEIÇÕES (CAFÉ DA MANHÃ, 
ALMOÇO E JANTAR) E DOIS LANCHES SAUDÁVEIS POR DIA. NÃO 
PULE AS REFEIÇÕES!
• Aprecie a sua refeição, sente confortavelmente à mesa, de pre-
ferência em companhia de outras pessoas. Coma devagar, mas-
tigando bem os alimentos. Saboreie refeições variadas dando 
preferência a alimentos saudáveis típicos da sua região e dispo-
níveis na sua comunidade.
• Caso você tenha dificuldade de mastigar, os alimentos sólidos, 
como carnes, frutas, verduras e legumes, podem ser picados, ra-
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lados, amassados, desfiados, moídos ou batidos no liquidifica-
dor. Não deixe de comer esses alimentos.
• Escolha os alimentos mais saudáveis, conforme as orientações a 
seguir, lendo as informações e a composição nutricional nos ró-
tulos. Caso tenha dificuldade na leitura ou para entender a infor-
mação, peça ajuda.
2º PASSO: INCLUA DIARIAMENTE SEIS PORÇÕES DO GRUPO DOS 
CEREAIS (ARROZ, MILHO, TRIGO, PÃES E MASSAS), TUBÉRCULOS 
COMO A BATATA, RAÍZES COMO MANDIOCA/ MACAXEIRA/ AI-
PIM, NAS REFEIÇÕES. DÊ PREFERÊNCIA AOS GRÃOS INTEGRAIS E 
AOS ALIMENTOS NA SUA FORMA MAIS NATURAL.
• Alimentos como cereais (arroz, milho, trigo, pães e massas), de 
preferência integrais; tubérculos como as batatas, e raízes como 
a mandioca/macaxeira/aipim, são as mais importantes fontes 
de energia e devem ser o principal componente da maioria das 
refeições, pois são ricos em carboidratos. Distribua as seis por-
ções desses alimentos nas principais refeições diárias (café da 
manhã, almoço e jantar) e nos lanches entre elas.
• Nas refeições principais, preencha metade do seu prato com es-
ses alimentos. Se utilizar biscoitos para os lanches, leia os ró-
tulos: escolha os tipos e as marcas com menores quantidades 
de gordura total, gordura saturada, gordura trans e sódio. Es-
ses ingredientes, se consumidos em excesso, são prejudiciais à 
sua saúde.
3º PASSO: COMA DIARIAMENTE PELO MENOS TRÊS PORÇÕES DE 
LEGUMES E VERDURAS COMO PARTE DAS REFEIÇÕES E TRÊS 
PORÇÕES OU MAIS DE FRUTAS NAS SOBREMESAS E LANCHES.
• Frutas, legumes e verduras são ricos em vitaminas, minerais e fi-
bras, e devem estar presentes diariamente em todas as refeições 
e lanches, pois evitam a prisão de ventre, contribuem para pro-
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teger a saúde e diminuir o risco de várias doenças. E qual a dife-
rença entre eles?
FRUTAS são as partes polposas que rodeiam a semente da planta. 
Possuem aroma característico, são ricas em suco e têm sabor adocica-
do. Acerola, laranja, tangerina, banana e maçã são exemplos de frutas.
LEGUMES são os frutos ou sementes comestíveis da planta ou par-
tes que se desenvolvem na terra. São eles a cenoura, a beterraba, a 
abobrinha, a abóbora, o pepino, a cebola, etc.
VERDURAS são folhas comestíveis, flores, botões ou hastes tais 
como: acelga, agrião, aipo, alface, almeirão, etc.
• Varie os tipos de frutas, legumes e verduras consumidos durante 
a semana. Compre os alimentos da época (estação) e esteja aten-
to para a qualidade e o estado de conservação deles. Procure 
combinar verduras e legumes de maneira que o prato fique colo-
rido, garantindo, assim, diferentes nutrientes. Sucos naturais de 
fruta feitos na hora são os melhores; a polpa congelada perde al-
guns nutrientes, mas ainda é uma opção melhor que os sucos ar-
tificiais, em pó ou em caixinha.
4º PASSO: COMA FEIJÃO COM ARROZ TODOS OS DIAS OU, PELO 
MENOS, CINCO VEZES POR SEMANA. ESSE PRATO BRASILEIRO 
É UMA COMBINAÇÃO COMPLETA DE PROTEÍNAS E BOM PARA 
A SAÚDE.
• Coloque no prato uma parte de feijão para duas partes de ar-
roz cozidos. Varie os tipos de feijões usados – preto, da colônia, 
manteiguinha, carioquinha, verde, de corda, branco e outros – e 
as formas de preparo. Use também outros tipos de leguminosas 
– soja, grão de bico, ervilha seca, lentilha, fava.
• As sementes – de abóbora, de girassol, gergelim e outras – e as 
castanhas – do Brasil, de caju, amendoim, nozes, nozes-pecan, 
amêndoas e outras – são fontes de proteínas e de gorduras de 
boa qualidade.
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• Evite consumir alimentos industrializados com muito sal (sódio) 
como hambúrguer, presunto, charque e embutidos (salsicha, lin-
guiça, salame, mortadela), salgadinhos industrializados, conser-
vas de vegetais, sopas, molhos e temperos prontos. Leia o rótulo 
dos alimentos e prefira aqueles com menor quantidade de sódio.
• Para temperar e valorizar o sabor natural dos alimentos utilize 
temperos como cheiro verde, alho, cebola e ervas frescas e secas 
ou suco de frutas, como limão.
5º PASSO: CONSUMA DIARIAMENTE TRÊS PORÇÕES DE LEITE E 
DERIVADOS E UMA PORÇÃO DE CARNES, AVES, PEIXES OU OVOS. 
RETIRAR A GORDURA APARENTE DAS CARNES E A PELE DAS 
AVES ANTES DA PREPARAÇÃO TORNA ESSES ALIMENTOS MAIS 
SAUDÁVEIS!
• Leite e derivados são as principais fontes de cálcio na alimen-
tação e você pode escolher os desnatados ou semidesnatados. 
Carnes, aves, peixes e ovos também fazem parte de uma alimen-
tação nutritiva e contribuem para a saúde. Todos são fontes de 
proteínas, vitaminas e minerais.
• Procure comer peixe fresco pelo menos duas vezes por semana; 
tanto os de água doce como salgada são saudáveis. Coma pelo 
menos uma vez por semana vísceras e miúdos, como o fígado 
bovino, moela, coração de galinha, entre outros.
6º PASSO: CONSUMA, NO MÁXIMO, UMA PORÇÃO POR DIA DE 
ÓLEOS VEGETAIS, AZEITE, MANTEIGA OU MARGARINA.
• Reduza o consumo de alimentos gordurosos, como carnes com 
gordura aparente, embutidos – salsicha, linguiça, salame, pre-
sunto e mortadela –, queijos amarelos, frituras e salgadinhos, 
para, no máximo, uma vez por semana.
• Use pequenas quantidades de óleo vegetal quando cozinhar – 
canola, girassol, milho, algodão e soja. Uma lata de óleo por mês 
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é suficiente para uma família de quatro pessoas. Use azeite de 
oliva para temperar saladas, sem exagerar na quantidade.
• Prepare os alimentos de forma a usar pouca quantidade de óleo, 
como assados, cozidos, ensopados e grelhados. Evite cozinhar 
com margarina, gordura vegetal ou manteiga. Na hora da com-
pra, dê preferência a margarinas sem gorduras trans (tipo de 
gordura que faz mal à saúde) ou marcas com menor quantidade 
desse ingrediente (procure no rótulo essa informação).
7º PASSO: EVITE REFRIGERANTES E SUCOS INDUSTRIALIZADOS, 
BOLOS, BISCOITOS DOCES E RECHEADOS, SOBREMESAS DOCES E 
OUTRAS GULOSEIMAS COMO REGRA DA ALIMENTAÇÃO. COMA-
-OS, NO MÁXIMO, DUAS VEZES POR SEMANA.
• Consuma no máximo uma porção do grupo dos açúcarese do-
ces por dia. Valorize o sabor natural dos alimentos e das bebi-
das evitando ou reduzindo o açúcar adicionado a eles. Diminua 
o consumo de refrigerantes e de sucos industrializados. Prefi-
ra bolos, pães e biscoitos doces preparados em casa, com pouca 
quantidade de gordura e açúcar, sem cobertura ou recheio.
8º PASSO: DIMINUA A QUANTIDADE DE SAL NA COMIDA E RETIRE 
O SALEIRO DA MESA.
• A quantidade de sal utilizada deve ser de, no máximo, uma co-
lher de chá rasa por pessoa, distribuída em todas refeições do 
dia. Use somente sal iodado. Não use sal para consumo de ani-
mais, que é prejudicial à saúde humana.
9º PASSO: BEBA PELO MENOS DOIS LITROS (SEIS A OITO COPOS) 
DE ÁGUA POR DIA. DÊ PREFERÊNCIA AO CONSUMO DE ÁGUA 
NOS INTERVALOS DAS REFEIÇÕES.
• A água é muito importante para o bom funcionamento do or-
ganismo. O intestino funciona melhor, a boca se mantém mais 
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úmida e o corpo mais hidratado. Use água tratada, fervida ou fil-
trada para beber e preparar refeições e sucos. Bebidas açuca-
radas como refrigerantes e sucos industrializados não devem 
substituir a água.
10º PASSO: TORNE SUA VIDA MAIS SAUDÁVEL. PRATIQUE PELO 
MENOS 30 MINUTOS DE ATIVIDADE FÍSICA TODOS OS DIAS E EVI-
TE AS BEBIDAS ALCOÓLICAS E O FUMO.
• Além da alimentação saudável, a atividade física é importan-
te para manter um peso saudável. Movimente-se! Descubra um 
tipo de atividade física agradável! O prazer é também fundamen-
tal para a saúde. Caminhe, dance, brinque com crianças, faça al-
guns exercícios leves. Aproveite o espaço doméstico e os espaços 
públicos próximos a sua casa para movimentar-se. Convide os 
vizinhos e amigos para acompanhá-lo.
• Evitar o fumo e o consumo frequente de bebida alcoólica tam-
bém ajuda a diminuir o risco de doenças graves, como câncer e 
cirrose, e pode contribuir para melhorar a qualidade de vida.
• Mantenha o seu peso dentro de limites saudáveis. Veja no qua-
dro a seguir o seu IMC (Índice de Massa Corporal), que mos-
tra se o peso está adequado para a altura. Para calcular, divida o 
seu peso, em quilogramas, pela sua altura em metros, elevada ao 
quadrado [P/A2]. Se o seu IMC estiver indicando baixo peso ou 
sobrepeso, procure a equipe de saúde para receber orientações.
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O PAPEL DOS ALIMENTOS NA PREVENÇÃO DE DOENÇAS DO 
ENVELHECIMENTO
Algumas patologias estão diretamente ligadas ao envelhecimento, e 
a demência progressiva pode vir a ocorrer nessa fase da vida, sendo 
uma faixa etária de risco para o desenvolvimento de doenças como o 
Mal ou doença de Parkinson (DP) e a demência senil, atual doença de 
Alzheimer (DA).
Estas são caracterizadas como doenças neurológicas degenerati-
vas (Neurodegenerativas) do sistema nervoso central e afetam direta 
ou indiretamente o estado nutricional, devido às carências e dificul-
dades alimentares apresentadas nestas doenças.
Inúmeros estudos têm mostrado os efeitos benéficos dos nutrien-
tes nestas doenças. Entre eles podemos destacar o ácido graxo ôme-
ga 3, vitamina B1(tiamina), B2 (riboflavina), B3 (niacina), e B12 (ciano-
cobalamina), colina e as vitaminas antioxidantes E e C que combatem 
os radicais livres, como também o mineral selênio.
A associação positiva dessas doenças com os fatores alimentares 
demonstram a importância da nutrição adequada na prevenção des-
tas patologias.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo natural do envelhecimento humano é inevitável. Uma boa 
qualidade de vida é primordial e se faz necessária. Atualmente o ma-
nejo e tratamento preventivo no campo da nutrição normal e dietéti-
ca para idosos nessa última fase da vida é essencial e estratégico para 
manutenção adequada do organismo e seu metabolismo, em particu-
lar o sistema nervoso e sensoriais, obedecendo sempre as leis 4 (qua-
tro) leis da Ciência da Nutrição: Qualidade, Quantidade, Harmonia e 
Adequação. Os nutrientes essenciais são vitais para homeostasia cor-
poral, como fonte original em sua maioria vinda da “mãe” natureza 
aliado a hidratação, somos praticamente água no início da vida e va-
mos perdendo-a com o passar dos anos. O advento atual nos propor-
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cionou ampliar o campo de novas pesquisas e tratamentos para vá-
rias enfermidades, em especial as decorrentes e/ou relacionadas aos 
processos do envelhecimento normal ou patológico. Nas últimas dé-
cadas foram vários os avanços inovadores na clínica médica, terapêu-
tica e nutrição, bem como na prevenção e tratamento de doenças, em 
particular as neurodegenerativas em decorrências do envelhecimen-
to humano.
“O envelhecimento da população é, antes de tudo, uma história de sucesso 
para as políticas de saúde pública”... (Brundtland, G.H., OMS, 1999; WHO, 
2005), no Brasil e no mundo atual globalizado.
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ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA 
AO PACIENTE IDOSO
Elisângela Silva
Ítala Nóbrega
Flávia Morais
1. ATENÇÃO E CUIDADOS COM O USO DE MEDICAÇÕES
O envelhecimento da população é um fato observado no Brasil, onde 
para países em desenvolvimento, pessoas acima de 60 anos são consi-
deradas idosas. Essa velocidade com que a população envelhece im-
plica em muitos setores da sociedade e, em relação ao uso racional de 
medicamento, destacam-se vários fatores relevantes que podem in-
fluenciar a segurança, efetividade e sucesso da terapia farmacológica. 
É relevante destacar que há necessidade de se definir o perfil farma-
coepidemiológico dos idosos brasileiros para que seja definida a lis-
ta de medicamentos essenciais apropriados a sua prescrição (Quina-
lha et al., 2010).
Grande parte dos idosos apresenta múltiplas doenças crônicas ou 
algumas limitações funcionais que demandam cuidados constantes, 
aumento do uso de serviços de saúde e necessidade de medicamen-
tos de uso contínuo (Veras, 2009). Para tratamento das diversas pa-
tologias do idoso é necessária uma ampla variedade de alternativas 
farmacológicas, o que resulta no uso concomitante de medicamentos 
por um único paciente (Baldoni et al., 2010).
Além disso, associa-se ao fato destas doenças necessitarem de um 
acompanhamento regular onde se percebe a baixa adesão ao trata-
mento, em muitos casos, pela complexidade da prescrição e também 
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pela falta de compreensão do que está sendo prescrito, associado ao 
fato dos idosos se automedicarem, potencializando os riscos as so-
bredosagens e interações medicamentosas indesejadas (Santello et 
al.,2013). Sendo a não adesão a farmacoterapia, considerado um dos 
maiores problemas de saúde pública.
A automedicação é uma forma de autocuidado à saúde (WHO, 
1986). No Brasil, na maioria das vezes, acontece pela dificuldade de 
acesso ao serviço de saúde e se desenvolve com o uso irracional do 
medicamento, visto que sofre influência da orientação dada por um 
familiar/vizinho, por já ter feito uso do medicamento e ter familiari-
dade, além de já tê-lo disponível na farmácia domiciliar, por ter ob-
servado o sucesso terapêutico com o seu uso e vão acarretar situações 
desde a ocorrência de interações medicamentosas; risco de toxicida-
de; possibilidade de mascarar uma patologia grave, atrasar o trata-
mento correto; abuso de medicamentos; resistência bacteriana; de-
pendência e morte (Oliveira et al., 2012).
É bastante comum se ter como medicamentos mais prescritos 
para os idosos àqueles relacionados com o novo perfil existente e 
associado às doenças crônico-degenerativas nesta ordem: medi-
camentos para o sistema cardiovascular, sistema nervoso, trato ali-
mentar e metabolismo e sangue e órgãos formadores de sangue 
(Aguiar et al., 2008). Vale salientar, que além desses, há os medi-
camentos que também são utilizados pelo idosos com frequência, 
mas através da automedicação e que compreendem os analgésicos/
antitérmicos e antiinflamatórios. Algumas decisões para buscar a 
automedicação vêm da necessidade de sanar inconvenientes gera-
dos através das interações medicamentosas que comumente aco-
metem os idosos devido a polifarmácia e àqueles sinais e sintomas 
que são tratados pelos medicamentos isentos de prescrição (MIP) 
(Santos et al., 2013).
Uma forma de garantir uma maior adesão ao tratamento é fazer 
com que a equipe multiprofissional, presente na unidade de saúde, 
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esteja envolvida no acolhimento e tratamento dos idosos, em espe-
cial, o farmacêutico que se torna responsável por dispensar e moni-
torar esta administração medicamentosa contínua e confirmar esta 
adesão ao tratamento (Oliveira et al., 2012).
Para avaliar os aspectos farmacêuticos e farmacológicos no trata-
mento dos idosos, o farmacêutico desenvolve ações de atenção far-
macêutica e assim além de reafirmar as orientações já realizadas pe-
los prescritores, busca minimizar erros quanto à administração dos 
medicamentos, tempo de tratamento e sua adesão e, armazenamento 
dos medicamentos em domicílio (Oliveira et al., 2013).
Em se tratando de medicamentos armazenados em domicílio, 
prática comum entre os brasileiros, além das preocupações referen-
tes à automedicação, tem-se também o desconhecimento da popu-
lação sobre onde guardar os medicamentos e como guardá-los, pois 
as pesquisas mostram que a maioria faz a guarda dos medicamentos 
somente com a embalagem primária (frasco e envelope), sem bula e 
sem caixa, perdendo as informações da indústria farmacêutica refe-
rente às orientações de uso, prazo de validade e armazenamento e em 
locais quentes e úmidos.
Os estudos mostram que a população guarda os medicamentos na 
cozinha e no banheiro, locais não recomendados visto que, segundo o 
Ministério da Saúde, todos os produtos devem ser armazenados obe-
decendo às condições técnicas ideais de luminosidade, temperatura 
e umidade, com o objetivo de assegurar a manutenção das caracterís-
ticas e qualidade necessárias à correta utilização. Quando o medica-
mento não é armazenado da forma correta, isto poderá implicar em 
perda de teor em princípio ativo e coloca em risco a efetividade do 
tratamento (Clemente et al., 2014).
Recomenda-se que os medicamentos em domicílio sejam arma-
zenados em locais altos (longe do alcance das crianças), com lumi-
nosidade controlada (dentro de suas embalagens e com bula). Os 
cômodos sugeridos são os mais arejados do domicílio, assim, de pre-
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ferência, os quartos e as salas. Já para os medicamentos que necessi-
tam de refrigeração, que devem ser armazenados entre 2 - 8ºC, como 
exemplo a insulina usada pelos diabéticos, destaca-se o cuidado para 
que esta guarda não aconteça na porta do eletrodoméstico, nem logo 
abaixo do refrigerador, sendo o ideal, deixá-lo no centro (Figueiredo, 
Bonacina, Ortiz, 2011).
E, quando o medicamento venceu ou o tratamento foi finalizado, 
já se encontram as pesquisas mostrando que as contaminações nos 
lençóis freáticos, rios e lagos, além dos lixos domésticos tem traços de 
medicamentos (Branco, 2007).
Torna-se fundamental uma ação conjunta de educação em saú-
de apoiada pelos serviços públicos e privados de saúde e regulatórios 
que institucionalizem o recolhimento destas sobras de medicamen-
tos para que seja dado ao medicamento o destino correto, assistindo 
toda a população brasileira (CONAMA, 2005).
2. MUDANÇAS FISIOLÓGICAS DO IDOSO E SUA INFLUÊNCIA 
NA FARMACOCINÉTICA E FARMACODINÂMICA
O envelhecimento é um processo universal que pode se apresentar 
de modo gradativo para alguns indivíduos e mais rápido para outros. 
Sendo este processo dependente de vários fatores, tais como: carac-
terísticas genéticas, condições sociais, econômicas, estilo de vida e a 
existência de doenças associadas (Fechine, Trompieri, 2012).
A senescência ocasiona diversas alterações orgânicas, funcionais, 
cognitivas e psicológicas, as quais acarretam progressivamente umadiminuição da capacidade de adaptação do organismo, reduzindo 
sua viabilidade, tornando-o mais vulnerável e expondo o individuo a 
uma maior probabilidade de morbidade e mortalidade (Fulop et al., 
2010). Nesse processo, todos os órgãos e sistemas orgânicos sofrem 
perda progressiva de suas funções, e estas mudanças influenciam a 
farmacodinâmica e a farmacocinética, interferindo na efetividade da 
terapia farmacológica nestes pacientes.
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2.1. SISTEMA CARDIOVASCULAR
O envelhecimento é frequentemente acompanhado por significantes 
alterações do sistema cardiovascular, tanto do ponto de vista anatô-
mico quanto funcional. De fato, as doenças do sistema cardiovascu-
lar estão entre as principais comorbidades presentes na pessoa idosa 
(North, Sinclair, 2012).
As alterações cardíacas mais frequentemente observadas são: um 
leve aumento do peso cardíaco, refletindo ligeiro grau de hipertro-
fia ventricular esquerda; redução do número dos cardiomiócitos, en-
quanto suas dimensões são aumentadas; aumento da deposição de 
colágeno, originando um processo de fibrose. A função sistólica per-
manece inalterada no repouso, com fração de ejeção e débito cardía-
co inalterado, porém ocorrem mudanças na função distólica, com re-
dução no enchimento diastólico precoce compensado pelo aumento 
do enchimento diastólico final. Ocorre degeneração parcial do forne-
cimento de nervo simpático cardíaco, alterando a capacidade de res-
posta a capacidade de resposta cardíaca aos estímulos β-adrenérgi-
cos, fator que ocasiona redução da contratilidade cardíaca (Ferrari, 
Radaelli, Centola, 2003).
As artérias se mostram hipertróficas e rígidas. A hipertrofia está re-
lacionada a diversos fenômenos que envolvem a migração e/ou pro-
liferação de células musculares lisas vasculares, com infiltração no 
espaço subendotelial, deposição exagerada de colágeno, elastina e 
proteoglicanos, juntamente com abundância anormal de leucócitos 
e macrófagos. Observa-se, também, que numerosas substâncias en-
volvidas em processos inflamatórios e/ou ateroscleróticos, são mais 
abundantes no envelhecimento arterial (Ferrari, 2002). Já a redu-
ção da distensibilidade ou aumento da rigidez, comum no processo 
aterosclerótico, não depende unicamente de alterações estruturais, 
ela também é afetada pela regulação humoral e endotelial do tônus 
muscular vascular: os vasos envelhecidos mostram uma maior per-
meabilidade endotelial e uma resposta reduzida à vasodilatação in-
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duzida pela a acetilcolina dependente de óxido nítrico (Mendes, Ba-
rata, 2008).
2.2. SISTEMA RENAL
O sistema renal é um dos impactados pelo envelhecimento e os rins 
passam por alterações tanto em sua estrutura como em sua função. 
Do ponto de vista estrutural ocorre redução do peso e volume renal; 
redução do número de glomérulos com aumento na porcentagem de 
glomérulos escleróticos, hialinização de arteríolas aferentes e, em al-
guns casos, desenvolvimento de arteríolas aglomerulares, e fibrose 
tubulointersticial (Weinstein, Anderson, 2010).
Do ponto de vista funcional, ocorre diminuição progressiva da 
função renal, com marcante redução da taxa de filtração glomerular, 
que é consequência direta da redução na taxa de fluxo plasmático ca-
pilar glomerular e no coeficiente de ultrafiltração capilar glomerular. 
Quanto à função tubular, ocorre redução da taxa de reabsorção tubu-
lar renal. Ainda é possível observar uma redução na homeostase de 
sódio, associada à perda da capacidade de concentrar ou diluir a uri-
na, que pode estar associada à perda de néfrons, à carga de filtração 
por néfron ou à diminuição da atividade do sistema renina-angioten-
sina-aldosterona. A redução do fluxo plasmático renal determina uma 
menor produção e liberação de renina e aldosterona, comprometen-
do a adaptação a estados de hipovolemia ou hipercaliemia. Também 
ocorre defeito na acidificação e alteração no metabolismo do cálcio, 
sendo a osteopenia um achado frequente (Colloca, Santoro, Gambas-
si, 2010).
2.3. SISTEMA GÁSTRICO
No sistema digestivo as alterações relacionadas ao envelhecimento 
se mostram desde a cavidade oral que apresenta redução das papi-
las gustativas, salivação e ação enzimática. No esôfago verifica-se uma 
redução no complexo de Auerbach, produzindo contrações não pe-
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ristálicas de menor amplitude e relaxamento incompleto do esfíncter 
inferior do esôfago. Isto repercute em alterações importantes da mo-
tilidade e do esvaziamento esofágico em idosos saudáveis e assinto-
máticos. Isso implica que no caso de materiais refluídos como HCL e 
medicamentos, permanecem por tempo mais prolongado em conta-
to com a mucosa esofágica, aumentando o risco de lesões e de aspira-
ção. Por essa razão, é importante, mesmo em idosos assintomáticos, 
administrar medicamentos e alimentos, por via oral, na posição or-
tostática e acompanhados de razoável quantidade de líquido (Rocha 
et al., 2005).
No estômago observa-se moderada elevação no tempo de esvazia-
mento gástrico e redução da secreção de HCL, pepsina e fator intrín-
seco, que podem acarretar aumento da proliferação bacteriana além 
de problemas na absorção do Ferro e da Vitamina B12. Também estão 
reduzidos os níveis de prostaglandinas e do muco protetor, favorecen-
do o surgimento de doenças pépticas (D’Ottaviano, 2002).
O intestino delgado não revela alterações estruturais e funcionais 
com o envelhecimento. Isso é explicado com base no aumento da pro-
liferação e apoptose dos enterócitos do intestino delgado em pessoas 
idosas, o que ajuda a manter a arquitetura da mucosa. Contudo, há re-
latos de mudanças na composição da microbiota intestinal, com au-
mento do número de bacilos Gram-negativos anaeróbios facultativos 
(principalmente Enterobacteriaceae) e uma diminuição no número de 
organismos benéficos, como lactobacilos e bifidobacterias (Patel, 2014).
As alterações hepáticas na pessoa idosa estão entre as mais estu-
dadas, em decorrência das implicações metabólicas que represen-
tam. O tamanho do fígado e o fluxo sanguíneo total (veia porta e arté-
ria hepática) apresentam redução com o avanço da idade. O mesmo 
comportamento é observado no número de hepatócitos e de suas mi-
tocôndrias. Porém, as principais modificações dizem respeito a meta-
bolização de medicamentos. Com o envelhecimento, a Fase 1 do me-
tabolismo pode sofrer uma redução de até 30%, o que pode ocasionar 
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a redução da metabolização de várias drogas ou o aumento da meia-
-vida de vários compostos. Já a repercussão sobre a Fase II é menor 
(Ferrioli, 2016).
2.4. FARMACOCINÉTICA
As alterações sistêmicas acima descritas impactam na farmacocinéti-
ca e farmacodinâmica dos fármacos determinando uma grande varia-
bilidade interindividual na resposta aos fármacos.
Absorção
No trato gastrointestinal (TGI), as principais alterações observadas fo-
ram: redução do fluxo sanguíneo gastrintestinal, redução do tempo 
de esvaziamento gástrico e da velocidade de transito intestinal, além 
de aumento do pH gástrico. Estas alterações podem significar mudan-
ças no padrão de absorção de alguns fármacos e consequentemente 
de sua biodisponibilidade, porém outros permanecerão com a biodis-
ponibilidade oral inalterada, portanto, é difícil fazer previsões ou ge-
neralizações quanto à absorção oral baseada nas mudanças do TGI 
(Patel, 2014).
Não foram evidenciadas alterações na mucosa intestinal, e a ab-
sorção de drogas geralmente permanece inalterada. Uma exceção é o 
caso do carbonato de cálcio, que requer um ambiente ácido para uma 
absorção ideal. Os aumentos relacionados com a idade no pH gástri-
co diminuem a absorção de Cálcio e aumentam o risco de constipa-
ção. Assim, pacientes idosos devem usar um sal de Cálcioque se dis-
solve mais facilmente em um ambiente menos ácido. Outro exemplo 
de absorção alterada, provocada pelo aumento do pH gástrico, é a li-
beração antecipada de formas de dosagem revestidas entérica. Ainda 
analisando a influencia da idade sobre os mecanismos de absorção, 
estudos realizados com a Glicoproteína P (P-gp), um transportador de 
efluxo que representa uma barreira à absorção de fármacos no intesti-
no e ao transporte de várias drogas através da barreira hematoencefá-
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lica, mostraram uma redução da atividade da P-gp durante o envelhe-
cimento. Assim, o cérebro pode estar exposto a níveis mais elevados 
de drogas e toxinas em indivíduos idosos (Ruscin, Linnebur, 2014).
Distribuição
Com a idade ocorre um aumento da massa gorda, enquanto a massa e 
a água corporal diminuem. Além disso, observa-se redução da albumi-
na sérica e aumento da α1- Glicoproteina ácida. Estas alterações podem 
afetar o volume de distribuição (Vd) das drogas. Nesse contexto, os fár-
macos hidrófilos, p. ex. digoxina, gentamicina e cimetidina, podem ter 
um Vd reduzido nos idosos e um consequente aumento das concentra-
ções plasmáticas. Enquanto as drogas lipofílicas, p. ex. sedativos, hip-
nóticos e tranquilizantes, apresentam um aumento do Vd, com redu-
ção de suas concentrações plasmáticas. Para drogas lipofílicas, também 
pode haver um aumento da meia-vida de eliminação (ELDesoky, 2007).
Outro fator que deve ser levado em consideração é a ligação a pro-
teínas plasmáticas, embora na maior parte dos casos este fator apre-
sente pouco significado clínico, quando se trata de drogas com alta 
taxa de ligação a proteínas plasmáticas, ou em pacientes com desnu-
trição, as reduções rápidas na albumina sérica podem aumentar os 
efeitos de drogas, porque os níveis séricos de fármaco não ligado po-
dem aumentar. Exemplos de fármacos que apresentam risco de efei-
tos tóxicos em caso de redução dos níveis plasmáticos de albumina 
são a fenitoína e a warfarina (Ruscin, Linnebur, 2014).
As alterações cardiovasculares, que implicam numa menor contra-
tilidade cardíaca, redução do débito cardíaco, aumento da resistência 
vascular periférica e alteração da fisiologia arteriolar, podem repercu-
tir na capacidade de biodistribuição dos fármacos, uma vez que este 
processo é dependente da circulação sanguínea, e qualquer processo 
que altere o funcionamento desta irá influenciar na perfusão dos ór-
gãos com consequente alteração na oferta dos fármacos transporta-
dos através da corrente sanguínea (North, Sinclair, 2012).
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Metabolização
As principais alterações observadas no fígado, condizentes com a al-
teração na metabolização são: diminuição do tamanho do fígado, di-
minuição do fluxo sanguíneo hepático (em cerca de 40%), diminuição 
da atividade das enzimas hepática, especialmente na presença de ou-
tros cofatores do envelhecimento, como debilidade, comorbidades, 
polifarmácia e tabagismo (D’Ottaviano, 2002).
Foi relatada anteriormente, uma redução na atividade enzimática 
do fígado, a qual resultava em uma redução de até 30% do metabo-
lismo da Fase I. Sabe-se que o sistema de metabolização hepático é 
formado pela família de enzimas do citocromo P-450 (isoformas do 
CYP), destas, seis subfamílias são reconhecidas como responsáveis 
pela maior parte do metabolismo das drogas humanas. Estes são os 
CYPs 1A, 2A, 2C, 2D, 2E e 3A . Dentro destas subfamílias, destacam-se: 
1A1, 1A2, 2C8, 2C9, 2C19, 2D6, 2E1 e 3A4. Estas enzimas também podem 
ser encontradas em locais extra-hepáticos, como o intestino para CY-
P3A4 e cérebro para CYP2D6 (Kinirons, O’Mahony, 2004).
Apesar da compreensão de que o processo de metabolização he-
pático é alterado pelo avanço da idade, foi relatada uma discrepância 
entre os achados do estudo in vitro e in vivo quanto ao efeito do enve-
lhecimento na atividade de diferentes enzimas do citocromo P-450, en-
volvidas no metabolismo oxidativo da fase I dos medicamentos. Estudos 
in vitro de microssomas hepáticos não mostraram diferenças significa-
tivas na atividade do CYP e / ou indutibilidade em função da idade. Por 
outro lado, estudos em humanos relataram um declínio relacionado 
com a idade no conteúdo hepático de CYP (Kinirons, O’Mahony, 2004).
Estes achados permitem verificar que a depuração do fármaco não 
depende unicamente do conteúdo da proteína CYP, da atividade fun-
cional e da modulação destas enzimas, sendo mais provável que esta 
alteração se deva às mudanças no tamanho do fígado e no fluxo san-
guíneo que ocorrem no envelhecimento, as quais provocam uma re-
dução na disponibilidade de oxigênio para o metabolismo da droga 
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na Fase I. Já na Fase II, o sistema enzimático responsável pelo me-
tabolismo de drogas por conjugação requer oxigênio indiretamen-
te para produzir energia. Portanto, as drogas que sofrem metabolis-
mo de Fase II podem não são afetadas pela redução do fornecimento 
de oxigênio em um fígado envelhecido. Também foi observado que a 
coexistência de polimorfismos genéticos nas enzimas CYP e envelhe-
cimento do CYP pode acelerar a modulação do metabolismo do fár-
maco, por exemplo, o polimorfismo da enzima CYP2D6, interfere na 
metabolização do haloperidol e do propranol, aumentando o risco de 
eventos adversos (Ruscin, Linnebur, 2014).
Eliminação
No paciente idoso a taxa ocorre redução da massa renal, da taxa de 
Filtração Glomerular, do Fluxo sanguíneo renal e da secreção tubu-
lar, essas mudanças fisiológicas levam coletivamente a uma diminui-
ção constante da depuração da creatinina bem como a depuração de 
drogas que são excretadas inalteradas pelo rim. As implicações clíni-
cas dependem da extensão em que a eliminação renal contribui para 
a eliminação sistêmica total e no índice terapêutico do medicamen-
to. Nesse caso é importante calcular a taxa de depuração de creatini-
na a fim de orientar a dosagem do fármaco (Ruscin, Linnebur, 2014).
2.5. FARMACODINÂMICA
A farmacodinâmica é descrita como as alterações que a droga exer-
ce sobre o corpo. Esta ação pode se dar de forma inespecífica, quando 
não há necessidade de interação com moléculas-alvo para a produ-
ção de efeito; ou de modo específico, quando o efeito no órgão efetor 
se dá através de uma interação fármaco-receptor. O processo de enve-
lhecimento pode estar associado a mudanças na densidade e / ou afi-
nidade dos receptores, nos mecanismos de transdução de sinal e ao 
comprometimento da resposta celular nos órgãos afetados, resultan-
tes do estado patológico (ELDesoky, 2007).
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Modelos experimentais de animais mostraram que o envelheci-
mento pode estar associado a uma expressão reduzida e / ou conteú-
do de receptores colinérgicos muscarínicos no sistema nervoso cen-
tral (M1 e M4) e no sistema cardíaco (M2), por conseguinte as ações 
mediadas por estes receptores estarão comprometidas. Em relação 
aos receptores adrenérgicos, foi detectado um decréscimo dos recep-
tores α1, que estaria relacionado ao declínio do reflexo dos barorre-
ceptores cardíacos. Também foi observada a associação entre o au-
mento da idade e a redução da atividade dos adrenorreceptores β1. 
Esta redução não estaria ligada a densidade dos receptores, mas ao 
acoplamento do receptor à proteína Gs e à unidade catalítica da ade-
nilato ciclase que se mostra prejudicada pelo envelhecimento (Rus-
cin, Linnebur, 2014).
Em indivíduos idosos, a intensidade e/ou a atividade intrínseca de 
diferentes receptores de opioides são alteradas de maneira que afe-
tam a resposta aos analgésicos opioides. Em situações de baixa inten-
sidade nociceptiva, não foram verificadas modificações na atividade 
do receptor m entre indivíduos jovens idosos. Porém, em situações de 
elevada intensidade nociceptiva, osratos idosos demonstraram mais 
sensibilidade do que os ratos mais jovens aos efeitos antinociceptivos 
da morfina nos receptores m. Com relação a densidade do receptores 
opioides d, foi verificado um forte downregulation, compatível com 
estados de ansiedade e depressão (ELDesoky, 2007).
3. MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE INAPROPRIADOS 
PARA IDOSOS
Idosos apresentam respostas a medicamentos diferentes daquelas 
apresentadas por pessoas mais jovens, devido a alterações farma-
cocinéticas e farmacodinâmicas próprias do envelhecimento. Nes-
se contexto, alguns são considerados medicamentos potencialmente 
inapropriados (MPI) para esse grupo etário, (Fick et al., 2008).cujos 
riscos associados a sua utilização podem ser superiores aos benefí-
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cios terapeuticos (Hanlon et al., 1992). Apesar das evidencias associa-
das com desfechos negativos, eles continuam a ser prescritos e uti-
lizados em idosos (American Geriatrics Society, 2012). O uso de MPI 
e considerado como um dos fatores de risco mais importantes para 
eventos adversos com medicamentos em idosos (Ribeiro, 2005). Esse 
fenômeno também esta associado com a complexidade dos proble-
mas de saúde nessa população, que geralmente requerem a prescri-
ção de múltiplos fármacos, conceituada como polifarmacia. Somam-
-se a esse fato as alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas 
inerentes ao envelhecimento (Gallagher et al., 2008).
Diferentes métodos para prevenir reações adversas e melhorar a 
conduta clínica com o paciente idoso foram definidos: uns relaciona-
dos ao julgamento clínico no momento em que o prescritor analisa 
o medicamento ou a terapia mais adequada para o paciente durante 
a consulta ou anamnese (métodos implícitos), e outros baseados em 
revisões de literatura, estudos, opiniões e consensos de especialistas 
para a construção de listas de medicamentos que devem ser evitados 
ou usados com cautela em pacientes idosos (métodos explícitos) (Tei-
xeira, 2014).
O desenvolvimento contínuo de listas explícitas de medicamen-
tos potencialmente inapropriado para idoso é um componente críti-
co, embora não seja o único, na saúde pública como estratégias para 
melhorar a segurança da farmacoterapia em idosos.
Critério de beers
Os critérios de Beers são amplamente reconhecidos na literatura e 
usado em vários países (Gorzoni et al., 1992). O critério original foi 
elaborado pelo geriatra americano Mark Beers, profissionais farma-
cêuticos e clínicos em geriatria no ano de 1991 (Beers et al., 1991), e 
posteriormente revisado em 1997 e atualizado em 2003 (Fick, 2003). 
Em 2011, a American Geriatrics Society (AGS) assumiu o compro-
misso de atualização regular e manutenção da lista e lançou em 
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2012 a primeira atualização (Campanelli, 2012). A última versão dos 
critérios de Beers, (American Geriatrics Society, 2015) foi recente-
mente publicado em 2015 com o apoio de uma equipe interdiscipli-
nar de treze especialistas com conhecimentos e experiência clínica 
em geriatria e farmacoterapia. A lista é constituída por medicamen-
tos ou classes medicamentosas, que oferecem maior risco do que 
benefício para idosos. Dividida em cinco categorias: medicamentos 
que são inapropriados para idosos; medicamentos que devem ser 
evitados em determinadas doenças ou síndromes; medicamentos 
que devem ser usados com precaução em idosos; medicamentos 
que necessitam de ajuste de dose conforme a função renal e medi-
camentos que podem causar interações medicamentosas (Clemen-
te et al., 2014).
Stopp/start
Os critérios STOPP/START (Screening Tool of Older Person’s Prescrip-
tions/Screening Tool to Alert doctors to Right Treatment – Ferramen-
ta para prescrição em idosos/Ferramenta de alerta para tratamento 
certo), constituído por dois métodos utilizados em conjunto, criados 
em 2008 por médicos e farmacêuticos irlandeses usando o Método 
Delphi (Gallagher et al., 2008). Em 2015, a segunda versão do critério 
STOPP foi desenvolvido e validado para permitir uma identificação 
mais abrangente de medicamentos potencialmente inapropriados 
para idosos. Na lista os medicamentos estão organizados de acor-
do com os sistemas fisiológicos. O método STOPP auxilia e facilita a 
identificação de prescrições dos medicamentos potencialmente ina-
propriados, com foco nos medicamentos que podem causar intera-
ções e análise das prescrições com duplicidade terapêutica. O START 
detecta os medicamentos potencialmente omissos (MPO), ou seja, 
fármacos que deveriam ter sido prescritos aos idosos e não foram. É 
assim uma ferramenta muito útil na revisão da farmacoterapia insti-
tuída ao idoso (O’Mahony, 2010).
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Ue (7) – pim
A lista de medicamentos potencialmente inapropriados da Europa 
(UE (7) – PIM) é uma ferramenta de triagem desenvolvida com a aju-
da de especialistas de sete países europeus publicados em 2015 que 
permite a identificação e comparação de perfis de prescrição de me-
dicamentos potencialmente inapropriados para idosos na comunida-
de europeia (Renom-Guiteras et al., 2015).
Taiwan
Este é o primeiro critério para a detecção de medicamentos poten-
cialmente inapropriados para idosos na China. Os medicamentos 
contidos neste critério foram selecionados entre os medicamentos 
mais comumente incluídos nos critérios de medicamentos potencial-
mente inapropriados publicados para três diferentes regiões, incluin-
do a América do Norte, Europa e Ásia. Este aumentou a generaliza-
ção dos critérios de Taiwan para estudos comparativos internacionais 
(Chang et al, 2012).
Vale ressaltar que a utilização e aplicação correta dessas ferramen-
tas traz benefício ao paciente idoso, conferindo maior segurança e 
qualidade ao seu cuidado. Independentemente dessas vantagens cla-
ras, os critérios não são adequados para todas as situações, e deve ter 
cuidado para garantir que não são mal aplicadas. Por exemplo, eles 
não devem ser usado de forma punitiva ou para tomar decisões finan-
ceiras, porque essas situações não considera as circunstâncias indivi-
duais do paciente ou o melhor julgamento clínico. Além disso, são ne-
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EXERCÍCIO FÍSICO, 
ENVELHECIMENTO E 
QUALIDADE DE VIDA
Tiago Albuquerque
O crescimento substancial na população de idosos atinge tanto os 
países desenvolvidos quanto os em desenvolvimento, a diferença está 
na preparação para tal mudança. Enquanto países estruturados como 
Canadá e França tiveram um aumento populacional de forma gradual 
e ordenada, países emergentes, como o Brasil, crescem em uma con-
dição desalinhada e alarmante (OMS, 2002).
Na Síntese de Indicadores Sociais de 2016, o IBGE apresentou in-
formações em relação ao crescimento exacerbado da população. En-
tre 2005 e 2015, a proporção de pessoas com mais de 60 anos de idade 
cresceu em uma velocidade superior à da média mundial, saindo de 
9,8% para 14,3%.
O fato é que o Brasil está envelhecendo e essa mudança exige um 
novo olhar sobre os idosos. Com isso é preciso quebrar alguns paradig-
mas criados sobre a terceira idade, a longevidade pode sim ser vivida de 
forma saudável e ativa. Nesse cenário o papel do profissional de Educa-
ção Física torna-se fundamental para uma mudança na mentalidade e 
criação de novos hábitos sociais através do exercício físico.
O processo de envelhecimento apresenta mudanças fisiológicas 
significativas, relacionadas a aspectos hereditários, nutricionais, esta-
dos hormonais e do nível de aptidão física de cada indivíduo, que pas-
sam a influenciar diretamente na vida do idoso.
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Segundo Alfieri (2009), a perda da mobilidade, a diminuição da 
força muscular, o aumento no tempo de reação e o déficit de equilí-
brio são fatores importantes do grau de empobrecimento psicomo-
tor na pessoa.
Um grande número de evidências científica tem demonstrado, 
cada vez mais, que o hábito da prática de atividade física se consti-
tui não apenas como instrumento fundamental em programas volta-
dos a promoção da saúde, inibindo o aparecimento de muitas das al-
terações orgânicas que se associam ao processo degenerativo, mas, 
também na reabilitação de determinadas patologias que atualmente 
contribuem para o aumento dos índices de morbidade e mortalidade 
(Toscano, 1998).
Os benefícios na realização do exercício físico na terceira idade são 
uma realidade e inúmeros são os estudos que apontam para uma me-
lhora considerável na longevidade de idosos ativos em comparação 
com os sedentários (Guimarães, 2004; Matsudo, 2006).
É importante considerar as ponderações de Mcardle (2008) o res-
saltar que os indivíduos mais velhos, porém, aptos fisicamente pos-
suem muitas características de pessoas mais jovens. Nesse contexto 
argumenta-se que a aptidão física aprimorada pode retardar o enve-
lhecimento, conferindo proteção em termos de saúde e possível lon-
gevidade. A participação nos exercícios consegue reverter a perda de 
função, independentemente de quando uma pessoa torna-se fisica-
mente mais ativa.
Além de todo o benefício psicomotor, a atividade física regular ga-
nha evidências que apontam para uma capacidade da diminuição na 
incidência de doenças crônicas, bem como desordens metabólicas, 
hipertensão e diabetes (ACSM, 2009; Blair & Connelly, 1996).
Por isso, não se pode pensar apenas no aumento da expectativa 
de vida de um indivíduo, é preciso também olhar o “como” será vivi-
do esses anos e buscar estratégias para prolongar o período em que 
uma pessoa permanece em excelente saúde. Um olhar voltado para 
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a qualidade, e não a quantidade de vida. Nessa perspectiva, uma das 
estratégias completas e adequadas envolvem a prática do exercício 
funcional.
EFEITOS POSITIVOS DO EXERCÍCIO FÍSICO 
NA TERCEIRA IDADE
A perda de força que comumente acompanha o envelhecimento é 
uma preocupação de idosos e familiares. Esclarecendo este ponto, 
Mcardle (2008) afirma que a sarcopenia e a perda de força observadas 
com o envelhecimento podem refletir efeitos combinados da deterio-
ração neuromotora progressiva e da redução crônica na sobrecarga 
muscular regular. O treinamento com resistência moderada propor-
ciona uma maneira extremamente segura de aumentar a síntese e re-
tenção de proteínas e trona mais lenta a perda “normal” e até certo 
ponto inevitável de massa e forças musculares que ocorrem com o en-
velhecimento.
A circunferência da cintura é outro ponto de preocupação, até 
por ser utilizado como padrão para identificação de risco de algu-
mas doenças. A esse respeito, Hurley & Hagberg (1998) apresentam 
evidências de uma diminuição dos estoques de gordura em homens 
e mulheres idosos, conseguidos através de treinamento aeróbico e 
treinamento de resistência. Esses dois tipos de treinamento são efe-
tivos em diminuir os estoques de gordura intra-abdominal de pes-
soas idosas.
Um estudo com 40 idosos, dos quais 20 eram praticantes de ati-
vidade física e os outros 20 sedentários, o autor estabelece um com-
parativo da propensão de quedas entre os grupos. Para avaliar a mo-
bilidade funcional foi utilizado o teste “Time Up & Go” (TUG), uma 
cadeira, um cronômetro, fita métrica e uma ficha para anotações dos 
dados. O teste é mensurado em segundos, avaliando o tempo gas-
to por um idoso para levantar de uma cadeira, andar uma distância 
de três metros, dar a volta, caminhar em direção a cadeira e sentar 
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novamente. O idoso realiza o teste uma vez para se familiarizar com 
ele e nenhuma ajuda é dada durante a realização do teste (Guima-
rães, 2004).
Os dados do estudo de Guimaraes (2004) resumem que a prática 
de atividade física regular é uma forma de prevenir quedas em pes-
soas idosas. Idosos sedentários possuem menor mobilidade e maior 
propensão a quedas quando comparados a idosos que praticam ati-
vidade física regularmente. Este resultado corrobora com o estudo 
apresentado por (Soares, 2003) que correlaciona a velocidade da ca-
minhada do idoso com o seu risco de queda.
Mota (2006) avaliou a Qualidade de Vida de 88 idosos, dividi-
dos em dois grupos, pela versão curta do instrumento SF 36. O SF-
36 é uma medida genérica do estado de saúde, incluindo 36 itens, os 
quais definem oito dimensões: Função Física; Percepção de Dor Cor-
poral; Saúde geral; Vitalidade; Função Social; Limitações devido à 
saúde emocional; Limitações devido à saúde física; e Saúde Mental. 
Diferenças significativas entre os grupos foram encontradas, o gru-
po que praticava exercício teve um desempenho superior em todos 
os domínios do questionário de HRQL comparado com o grupo ina-
tivo. Esses dados sugerem, portanto, que a percepção de qualidade 
de vida associada à saúde se encontra intimamente ligada à prática 
de atividade física.
Tendo como grave problema nessa faixa etária a perda de autono-
mia e funcionalidade e consequentemente acarretando em uma ins-
tabilidade postural com a ocorrência de quedas, o Treinamento Fun-
cional aparece como uma ótima estratégia para diminuição desses 
prejuízos. Movimentos completos, multiplanares, multiarticulares, 
incorporados ao máximo de movimentos que tenham uma deman-
da proprioceptiva, essa visão abrangente permite que o Treinamen-
to Funcional atinja o objetivo de controlar o sistema musculoesquelé-
tico, sem abrir mão no aperfeiçoamento do sistema sensório-motor e 
proprioceptivo.
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POR DENTRO DO TREINAMENTO FUNCIONAL
O treinamento funcional visa melhorar a capacidade funcional, atra-
vés de exercícios que estimulam os receptores proprioceptivos pre-
sentes no corpo, os quais proporcionam melhora no desenvolvimento 
da consciência sinestésica e do controle corporal; o equilíbrio muscu-
lar estático e dinâmico; diminuir a incidência de lesão e aumentar a 
eficiência dos movimentos (Leal 2009).
MOBILIDADEE ESTABILIDADE
Conceitualmente estabilidade pode ser definida como a habilidade 
da articulação retornar ao seu estado original após sofrer uma pertur-
bação, não falando de movimento mais forte, e sim de um padrão de 
movimento ideal (Oliveira, 2009).
Algumas articulações têm funções bem definidas quanto a mobi-
lidade ou estabilidade no movimento, a desarmonia dessa estrutura-
ção pode criar compensações e vícios motores, sobrecarregando ou-
tras áreas do corpo e possivelmente gerando lesões.
POSTURA E EQUILÍBRIO
A manutenção equilibrada da postura e um controle dinâmico ade-
quado são condições fundamentais para o corpo responder de ma-
neira eficiente ao que lhe é imposto. A maior expressão de uma boa 
postura é o alinhamento dinâmico. Em alguns casos nossos vícios 
posturais são tão frequentes que desequilibram toda a estrutura, 
músculos e tendões já não aguentam mais o suporte em desequi-
líbrio, isso favorece as cifoses, escolioses, hiperlordoses, entre ou-
tras patologias associadas com a coluna. A postura permite ao cor-
po a manutenção normal entre comprimento e tensão muscular, 
isso envolve, e muito, o sistema nervoso central, tendo como princi-
pal estrutura o cerebelo. A postura é altamente dependente da força, 
flexibilidade, equilíbrio e principalmente das tarefas motoras (Go-
mes, 2010).
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PROPRIOCEPÇÃO
Aderências neurais originadas dos mecanorreceptores das articu-
lações, músculos, tendões e tecidos profundos que são conduzidas 
em forma de impulso neural codificado para os vários níveis do SNC, 
para que as informações a respeito das condições dinâmicas ou está-
ticas, equilíbrio ou desequilíbrio e relações biomecânicas de estresse, 
distensão possam ser verificadas. Estas informações podem influen-
ciar no tônus muscular, programas de execução motora e percepção 
somática cognitiva (Giacomini, 2004; Simoneau, 1995). Bons níveis 
de propriocepção são necessários para a realização de movimentos 
funcionais durante atividades da vida diária. A diminuição da acui-
dade proprioceptiva leva ao declínio no desempenho funcional (Bar-
ret, 1991).
Pesquisas revelam, o equilíbrio postural é mantido, tanto pelas 
propriedades visco elásticas dos músculos quanto por ajustes postu-
rais desencadeados a partir das informações sensoriais, visuais, vesti-
bulares e somatossensoriais (Mochizuki, 2006), sendo a propriocep-
ção uma das fontes sensoriais que parecem ter maior expressividade 
no controle da postura (Goble, 2009; Antes, 2009).
APLICABILIDADE DO TREINAMENTO FUNCIONAL EM IDOSOS
A visão integrada do treinamento funcional oferece ao profissional de 
educação física a possibilidade de visualizar “compensações silencio-
sas” muitas vezes assintomáticas e sem interferência aguda no padrão 
de movimento, mas que de forma crônica pode ser a origem de uma 
lesão. Os profissionais da área de saúde precisam focar no movimen-
to como um todo, olhar o indivíduo como uma unidade funcional e 
a partir desse ângulo buscar estímulos integrados exigindo dos ido-
sos níveis progressivamente desafiantes de suas capacidades condi-
cionais e informacionais.
Em um estudo (Leal, 2009) avaliou o grau de mudança produzido 
pelo Treinamento Funcional nas três variáveis dependentes analisa-
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das (equilíbrio postural, anatomia funcional e qualidade de vida), em 
idosas ativas, com idades entre 60 e 85 anos, divididas em dois grupos 
onde um grupo recebeu interferência (treinamento) e um grupo con-
trole. Após 12 semanas conclui-se que o treinamento funcional aplica-
do, atingiu o objetivo de melhorar a autonomia funcional, equilíbrio e 
qualidade de vida dos sujeitos da pesquisa, sugerindo melhora no de-
sempenho das atividades da vida diária das idosas.
Esses dados corroboram com o estudo de Michael Whitehurst, 
(2005) que investigou os benefícios de exercícios funcionais em 119 
idosos com idade média de 74 anos. Durante 12 semanas os indiví-
duos participaram de um circuito funcional 3 vezes na semana, envol-
vendo desafios de equilíbrio e direcional, atividades de transferência 
de peso e obstáculos.Foram encontradas melhorias relevantes na agi-
lidade, equilíbrio e flexibilidade após o período da pesquisa.
Outras mudanças recentes demonstram o interesse de conceitua-
das escolas internacionais no assunto, as Diretrizes do ACSM/AHA 
atualmente recomendam o exercício de equilíbrio para os indivíduos 
que sofrem quedas frequentes ou para indivíduos com problemas de 
mobilidade.
As Diretrizes do ACSM para Prescrição de Exercício recomendam o 
uso de atividades que incluam: (1) posturas progressivamente mais difí-
ceis que reduzam gradualmente a base de apoio, (2) movimentos dinâ-
micos que perturbem o centro de gravidade (por exemplo, caminhar na 
ponta do pé ou em círculos), (3) ênfase nos grupos musculares postu-
rais (por exemplo, equilibrar-se sobre os calcanhares, sobre os antepés)
ou (4) redução de campo sensorial (Por exemplo, manter-se em pé 
com os olhos fechados). (ACSM, 2009).
Acima de tudo, é preciso respeitar a individualidade biológica do 
idoso, levando em consideração as suas particularidades e limitações, 
por isso a preocupação com a personalização dos programas de trei-
no se faz necessária, tanto para otimizar os resultados como para evi-
tar a acentuação de desgastes já instalados.
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O objetivo principal deve ser individualizar os exercícios corretivos 
ao encontrar o equilíbrio ideal entre exercícios de treinamento de resis-
tência funcionais e tradicionais para atender às necessidades do cliente. 
Apenas escolher um exercício que usa uma superfície instável não 
o torna necessariamente um exercício de treinamento funcional efi-
caz e apropriado para esse indivíduo (Beckham, 2009)
O idoso, assim como todo ser humano, necessita de movimento. 
É preciso otimizar os anos vividos agindo de modo preventivo com 
bons hábitos alimentares, prática de exercícios e socialização, para 
uma longevidade mais saudável e feliz.
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IDOSO INSTITUCIONALIZADO 
E QUALIDADE DE VIDA1
Bruno Gilberto de Melo e Silva
Suely de Melo Santana
Cirlene Francisca Sales da Silva
INTRODUÇÃO
O Relatório Mundial de Saúde e Envelhecimento publicado pela Or-
ganização Mundial de Saúde (OMS, 2015) evidencia que a população 
mundial já conta com 900 milhões de idosos, o que representa 12,3% 
da população total. No Brasil, em 2015, já existia 23 milhões de pes-
soas acima de 60 anos, cerca de 12,5% da população. A perspectiva é 
de que, em 2050, essa população represente em torno de 21,5% da po-
pulação mundial e 30% da população brasileira.
Concomitante a esse crescimento populacional surgem novos desa-
fios que nos instigam a refletir sobre práticas e alternativas de respostas as 
novas demandas sociais e necessidades interpessoais que se interpõem. 
Um desses desafios remete ao problema da institucionalização dos ido-
sos em Instituições de Longa Permanência (ILPI’s) e a Qualidade de Vida 
(QV) que os mesmos irão manter com a aumento da longevidade.
O IDOSO INSTITUCIONALIZADO
As ILPI’s devem fornecer um ambiente seguro, que promova o bem-
-estar, fornecendo cuidados especiais, conforme as necessidades in-
1. Este capítulo foi elaborado a partir da dissertação de mestrado do primeiro autor em colaboração 
com a terceira autora. A dissertação foi orientada pela segunda autora.
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dividuais, e suprindo as demandas de adaptação física e logística do 
espaço de convivência do idoso (Cortelletti, Casara, & Heredia, 2010). 
Nestes locais devem ser fornecidas condições para que o idoso possa 
receber assistência interdisciplinar integral, com controles periódicos 
e tratamentos adequados, caracterizando-se por prestar uma assis-
tência voltada à seguridade de sua qualidade de vida. As ILPI’s po-
dem ser instituições governamentais ou não governamentais, de cará-
ter residencial, destinadas ao domicílio coletivo de pessoas com idade 
igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condi-
ção de liberdade, dignidade e cidadania (Lopes et al., 2014). Sendo as-
sim, as instituições podem ser de caráter público, privado, beneficen-
te ou misto, possuindo critérios de inclusão e exclusão, que variam de 
acordo com o grau de dependência, com a quantidade de doenças as-
sociadas e com as condições socioeconômicas do idoso e da família 
(Leocádio, 2010; Pinto & Simson, 2012).
Os motivos da institucionalização são diversos e remetem a uma 
indisponibilidade da família para o cuidado, a falta de ambiente e 
convívio familiar, a precárias condições de saúde, vontade própria 
do idoso, aumento do grau de dependência funcional e falta de con-
dições financeiras das famílias (Garcia & Leonel, 2007; Creutzberg, 
Gonçalves, Sobottka, & Ojeda, 2008; Dutra et al., 2016). O aumento na 
expectativa de vida, aliado a redução do número de membros nas fa-
mílias brasileiras, bem como a inserção da mulher no mercado de tra-
balho e seu acúmulo de funções, têm propiciado a oferta e demanda 
pelas ILPI’s.
Outro ponto importante para a institucionalização são os confli-
tos familiares, o abandono e o fato de não possuir lugar para morar, 
além da condição de “estar doente” (Pinheiro, Holanda, Melo, Medei-
ros, & Lima, 2016). Percebe-se também que a ausência dos familia-
res ou recusa desses em cuidar dos idosos por diversas causas é o que 
mais impacta na percepção de qualidade de vida, uma vez que, para 
essa população, o significado de qualidade de vida está relacionado a 
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carinho, cuidado, acolhimento e tranquilidade (Cruz et al., 2012; Del 
Duca, Silva, Thumé, Santos, & Hallal, 2012; Mendes & Rezende, 2017). 
Esse isolamento social pode levar a um comprometimento de sua 
identidade, liberdade, autoestima e, muitas vezes, à recusa da própria 
vida, o que pode contribuir para a prevalência de depressão em al-
guns casos (Stumm, Alves, Medeiros, & Ressel, 2012).
Os idosos admitidos em uma ILPI se tornam membros de uma 
nova comunidade, vivenciando geralmente uma ruptura radical de 
seus vínculos relacionais afetivos, passando a conviver diariamen-
te com pessoas que nunca fizeram parte de seu convívio socioafeti-
vo, independente da qualidade da instituição (Freitas, Oliveira, Sou-
za, & Ribeiro, 2006).
Em pesquisa realizada, na qual foram abordados os construtos 
pessoais de seis idosos institucionalizados, eles mencionaram a insti-
tuição como boa e a convivência entre os membros como satisfatória, 
sendo ressaltado o bom atendimento prestado aos internos, embo-
ra a família continue exercendo papel de destaque e primeira opção 
para o cuidado aos idosos que estão ali principalmente pela ausência 
do cônjuge ou de filhos para lhes prestar suporte (Prochnau & Pastó-
rio, 2007).
Sem desconsiderar os aspectos mais sofridos da vida instituciona-
lizada por parte do idoso, mas refletindo sobre outros aspectos insti-
tucionais de caráter mais positivos, muitas vezes as ILPIs representam 
uma alternativa à dependência familiar, possibilitando um envelheci-
mento mais autônomo

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