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Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
Centro de Biociências 
Programa de pós-graduação em Psicobiologia 
 
 
 
NIVIA DE ARAÚJO LOPES 
 
 
MOTIVAÇÃO E CONSUMO CONSCIENTE: CONTRIBUIÇÕES DAS TEORIAS 
EVOLUCIONISTAS APLICADAS AO COMPORTAMENTO HUMANO 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação 
em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte, para a obtenção do título de 
Doutora em Psicobiologia. 
 
 
Natal/RN 
2023 
 
NIVIA DE ARAÚJO LOPES 
 
 
 
 
 
MOTIVAÇÃO E CONSUMO CONSCIENTE: CONTRIBUIÇÕES DAS TEORIAS 
EVOLUCIONISTAS APLICADAS AO COMPORTAMENTO HUMANO 
 
 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação 
em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte, para a obtenção do título de 
Doutora em Psicobiologia. 
Orientador: Felipe Nalon Castro. 
 
 
 
Natal/RN 
2023 
 
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN 
Sistema de Bibliotecas - SISBI 
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Leopoldo Nelson - ­Centro de Biociências - CB 
 
 Lopes, Nivia de Araujo. 
 Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias 
evolucionistas aplicadas ao comportamento humano / Nivia de 
Araujo Lopes. - 2023. 
 159 f.: il. 
 
 Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do 
Norte, Centro de Biociências, Programa de Pós-graduação em 
Psicobiologia. Natal, RN, 2023. 
 Orientação: Prof. Dr. Felipe Nalon Castro. 
 
 
 1. Evolução do comportamento - Tese. 2. Motivação - Tese. 3. 
Comportamento pró-ambiental - Tese. 4. Comportamento de consumo 
- Tese. I. Castro, Felipe Nalon. II. Título. 
 
RN/UF/BSCB CDU 575.8 
 
 
 
 
 
Elaborado por KATIA REJANE DA SILVA - CRB-15/351 
 
 
 
Título: Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias evolucionistas aplicadas 
ao comportamento humano 
Autora: Nívia de Araújo Lopes 
Data da apresentação: 29.09.2023 
Banca Examinadora: 
Prof. Dr. Felipe Nalon Castro 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil 
Presidente da banca 
Prof.ª Dr.ª Renata Pereira de Felipe 
Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP, Brasil 
Externa à instituição 
Prof. Dr. Wallisen Tadashi Hattori 
Universidade Federal de Uberlândia (UFU), MG, Brasil 
Externo à instituição 
Prof.ª Dr.ª Raquel Farias Diniz 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil 
Interna à instituição 
Prof. Dr. Arrilton Araújo de Souza 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil 
Interno à instituição 
Agradecimentos 
Ao meu orientador Felipe, pelo super apoio e dedicação a este trabalho, pelas inúmeras 
aprendizagens, por me ajudar em todos os momentos e ter muita paciência. Aos meus 
professores da Pós-graduação e à UFRN, em especial a Fívia e Arrílton, pelas aprendizagens. 
Aos professores da banca, pela disponibilidade e partilha. Aos colegas do Lech, em especial a 
Wilson, pelo suporte. Ao IFRN campus Canguaretama e meus colegas de trabalho, que me 
apoiaram ao longo desses quatro anos. 
À minha família, Célia, Everardo, Fivia, Marcel, Lucas, Matheus, Cecília e Heitor, 
cunhada Karoline, e cunhadinhas Anne e Gabriela, por todo apoio, amor, sorrisos e carinho. 
Ao meu companheiro de vida Pedro, por toda ajuda, amor, sorrisos e carinho. Às minhas 
amigas pelos momentos compartilhados, Ladies, Barra Beach, Marcia e Manuela. 
O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de 
Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. 
 
Sumário 
 
Resumo ................................................................................................................................................... 9 
Abstract ................................................................................................................................................ 10 
Introdução Geral ................................................................................................................................. 11 
Consumo consciente ........................................................................................................................ 11 
A abordagem evolucionista ............................................................................................................ 15 
Os motivos sociais fundamentais .................................................................................................. 16 
O comportamento pró-social ........................................................................................................ 22 
O consumo consciente, os motivos fundamentais sociais e a pró-socialidade ............................ 24 
Objetivos .............................................................................................................................................. 27 
Objetivo geral .................................................................................................................................. 27 
Objetivos específicos ....................................................................................................................... 27 
Estudo 1 ............................................................................................................................................... 28 
Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis .............. 29 
Resumo ................................................................................................................................................. 30 
Abstract ................................................................................................................................................ 31 
A abordagem evolucionista ............................................................................................................ 32 
Os estudos com base na teoria normativa ..................................................................................... 33 
Os dilemas morais e as relações do homem com o meio ambiente ............................................. 36 
Outros mecanismos da natureza humana que (des)favorecem os comportamentos favoráveis 
ao ambiente ...................................................................................................................................... 39 
Os motivos sociais fundamentais e os padrões de consumo ........................................................ 41 
Perspectivas de integração e caminhos possíveis.......................................................................... 46 
Referências........................................................................................................................................... 49 
Estudo 2 ............................................................................................................................................... 56 
Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do 
Brasil ........................................................................................................ Erro! Indicador não definido. 
Resumo ................................................................................................................................................. 58 
Abstract ................................................................................................................................................ 59 
Método ............................................................................................................................................. 64 
Procedimentos de amostragem ..................................................................................................... 64 
Participantes ................................................................................................................................. 65 
Medidas e Instrumentos ................................................................................................................65 
Condição experimental ................................................................................................................. 67 
Procedimento ................................................................................................................................ 67 
Análise de dados ........................................................................................................................... 67 
Resultados ........................................................................................................................................ 68 
Discussão .......................................................................................................................................... 76 
Referências........................................................................................................................................... 84 
ANEXO .................................................................................................... Erro! Indicador não definido. 
Estudo 3 ............................................................................................................................................... 89 
Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente ..................................... 90 
Resumo ................................................................................................................................................. 91 
Abstract ................................................................................................................................................ 92 
Método ............................................................................................................................................. 97 
Procedimentos de amostragem .................................................................................................... 97 
Participantes ................................................................................................................................. 98 
Medidas e Instrumentos ............................................................................................................... 98 
Procedimento .............................................................................................................................. 100 
Análise de dados ......................................................................................................................... 100 
Resultados ...................................................................................................................................... 101 
Discussão ........................................................................................................................................ 104 
Referências......................................................................................................................................... 111 
Regras para submissão na revista Journal of Personality and Social Psychology ... Erro! Indicador 
não definido. 
Conclusão Geral ................................................................................................................................ 118 
Referências......................................................................................................................................... 130 
Apêndices ........................................................................................................................................... 135 
Anexos ................................................................................................................................................ 141 
 
 
 
Lista de Ilustrações 
Introdução geral 
 Figura 1. Pirâmide das motivações revisada ...................................................................... 20 
 Tabela 1. Motivos e mecanismos psicológicos relacionados ............................................. 21 
Estudo 2 
Tabela 1. Comparações da média percentual dos motivos sociais fundamentais com o valor 
de referência: avaliação geral, dentro de cada faixa etária, renda e sexo ........................... 71 
Figura 1. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos 
sociais fundamentais de acordo com a faixa-etária ............................................................ 72 
Figura 2. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos 
sociais fundamentais de acordo com a renda ..................................................................... 74 
Figura 3. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos 
sociais fundamentais de acordo com o sexo ....................................................................... 75 
Estudo 3 
Tabela 1. Grupos Obtidos por Similaridade na Pontuação dos Motivos Sociais Fundamentais 
........................................................................................................................................... 103 
Tabela 2. Frequências e Resultado dos Testes de Qui-quadrado para os Grupos ............ 103 
 
9 
 
 
Resumo 
O hiperconsumo é responsável por diversos problemas ambientais e sociais. A abordagem 
evolucionista pode contribuir para entender nossos comportamentos de consumo, 
especialmente a teoria dos motivos sociais fundamentais. O objetivo desta pesquisa é investigar 
o consumo consciente, a partir das influências de mecanismos do passado evolutivo humano e 
das diferenças individuais dentro do contexto atual. Foram coletados dados através de 
questionário on-line (n=539) e realizados estudos teóricos. Este estudo foi dividido em 3 
artigos: 1) “Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos 
possíveis”, 2) “Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no 
Nordeste do Brasil” e 3) “Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo 
consciente”. O primeiro artigo, um ensaio teórico, contribuiu para reunir as diversas 
possibilidades de estudos que utilizam conhecimentos da abordagem evolucionista para 
compreender o comportamento pró-ambiental. Os resultados do segundo artigo encontraram 
que nossas motivações podem ser compreendidas a partir de prioridades universais (cuidado 
familiar, coalizações de grupo e autopreservação), ou podem variar em algumas etapas do 
desenvolvimento, provocadas pelas prioridades reprodutivas (busca e retenção de parceiros, 
cuidado dos filhos), de afiliação e status. Além disso, revelou que a condição socioeconômica 
pode modular algumas motivações, como autoproteção e cuidado com os filhos. O terceiro 
artigo encontrou que os motivos de cuidado e autoproteção são variáveis importantes para o 
consumo consciente, e que o status e estratégias reprodutivas como dificultadores de consumos 
parcimoniosos. Conclui-se que este trabalho reúne importantes achados sobre as bases 
evolutivas dos comportamentos que favorecem ou desfavorecem o meio ambiente. 
Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, comportamento pró-
ambiental, comportamento de consumo. 
10 
 
Abstract 
Hyperconsumption is responsible for various environmental and social problems. The 
evolutionary approach can contribute to understanding our consumption behaviors, especially 
the theory of fundamental social motives. The aim of this research is to investigate conscious 
consumption, based on the influences of mechanisms from human evolutionary history and 
individual differences within the current context. Data were collected through an online 
questionnaire (n=539), and theoretical studies were conducted. This study was divided into 3 
articles: 1) "Pro-environmental behaviors and the evolutionary approach: possible paths," 2) 
"Individual Differences in Fundamental Social Motives in a sample in Northeast Brazil," and 
3) "Showing off or taking care? Priorities that interfere with conscious consumption." The first 
article, a theoretical essay,contributed to gathering the various possibilities of studies using 
knowledge from the evolutionary approach to understand pro-environmental behavior. The 
results of the second article found that our motivations can be understood based on universal 
priorities (family care, group coalitions, and self-preservation) or may vary at certain stages of 
development, influenced by reproductive priorities (seeking and retaining partners, child-
rearing), affiliation, and status. It also revealed that socioeconomic status can modulate some 
motivations, such as self-protection and childcare. The third article found that motives of care 
and self-protection are important variables for conscious consumption, and that status and 
reproductive strategies act as hindrances to frugal consumption. In conclusion, this work brings 
together important findings about the evolutionary foundations of behaviors that either favor 
or harm the environment. 
 Keywords: Motivation, behavior evolution, pro-environmental behavior, consumption 
behavior. 
 
11 
 
Introdução Geral 
Consumo consciente 
A temática ambiental envolve muitas questões e níveis de análise, dentre as quais pode-se 
destacar as mudanças climáticas, a extinção da biodiversidade e dos recursos naturais, a 
contaminação das águas, a problemática do tratamento dos resíduos sólidos e os diversos 
problemas sociais (ex.: questões de moradia). Em grande maioria, o impacto negativo ocorre 
devido às atividades invasivas humanas, relacionadas a questões demográficas, forma de uso 
da tecnologia e de consumo (Pinheiro, 1997). 
Um tema de estudo é o problema do consumismo, que se tornou o conceito central no 
estudo crítico atual do sistema capitalista, associado a uma cultura de inovação e conhecimento, 
gerando sempre produtos mais modernos e deixando os anteriores obsoletos (obsolescência 
programada). Além disso, há uma valorização da marca e da patente, e o consumo não é apenas 
de produtos, mas de experiências. Soma-se a ideia de possibilidade de comprar produtos através 
do parcelamento, gerando hiperconsumo e endividamento a médio e longo prazo. Todos esses 
aspectos provocam o controle subjetivo do consumidor, dando base para sustentar o sistema 
(Fontenelle, 2014). Dentre os comportamentos que afetam o meio ambiente, o hiperconsumo 
tornou-se também um dos maiores causadores dos problemas ambientais (Pinheiro, 1997), 
pois, na maioria dos casos, há uma desconexão entre o que se consome e os impactos 
socioambientais resultantes (Fontenelle, 2014). 
Como reação ao hiperconsumismo, surgem diversos movimentos, estudos e ações voltadas 
para compreender o impacto ambiental das ações humanas e, dentre estes, os estudos de 
consumo pró-ambiental. O estudo do consumo pró-ambiental tem diferentes níveis de análises, 
bem como visões teóricas, mas compartilham da preocupação do risco de colapso dos recursos 
naturais (Oliveira et al., 2019). Áreas como a Psicologia, a Sociologia, a Biologia, a 
12 
 
Administração e o Marketing, possuem focos de estudo e visões teóricas de acordo com seu 
campo de estudo, o que exige uma delimitação teórica das áreas e autores que iremos utilizar. 
Partimos de uma compreensão presente na Psicologia Ambiental, de que as pessoas se 
comportam de forma ativa na sua relação com o meio ambiente, e não somente respondem a 
estímulos e contextos (Pinheiro, 2007). Dentro da Psicologia, um conceito amplamente 
utilizado é o de comportamento pró-ambiental, que se refere a qualquer ação que afete o meio 
ambiente de forma mínima ou até o beneficie, e pode ser consciente ou não (Steg & Vlek, 
2009). Para Corral-Verdugo (2006), é mais interessante utilizar o termo comportamento pró-
ecológico, tendo em vista que este último estaria mais vinculado a uma concepção 
conservacionista, um comportamento ativo, antecipado e dirigido para a preservação. Diniz e 
Pinheiro (2017) acrescentam que a nomenclatura compromisso pró-ecológico seria mais 
indicado, pois englobaria o afeto positivo com o objeto. Dessa forma, observa-se que partimos 
de um conceito geral que envolveria inclusive ações não conscientes, para uma visão 
consciente, ampla e ativa, com pressupõe a Psicologia Ambiental. 
Em alguns estudos sociológicos e na Administração, observa-se o uso constante do termo 
consumo, que engloba o aspecto da presença do capitalismo nas relações de interação do 
homem com o meio ambiente, como já apresentado anteriormente. Apesar de compartilharmos 
com a Psicologia Ambiental que a relação do homem com o meio ambiente ocorre de forma 
ativa, escolhemos como foco de pesquisa o conceito de consumo consciente, considerado como 
um conceito mais restrito que os citados pela Psicologia, sendo uma subcategoria, com suas 
próprias variações de nomenclatura, como veremos a seguir. 
O estudo de comportamentos intencionais que buscam diminuir os impactos ambientais 
através do consumo são subcategorias dos conceitos mais amplos descritos acima, e podem ter 
variações nas nomenclaturas a depender do autor, podendo-se citar como principais: consumo 
verde, consumo responsável, consumo ecologicamente responsável, consumo consciente e 
13 
 
consumo sustentável (Gonçalves-Dias & Teodósio, 2012; Silva et al., 2013). O consumo 
consciente é um conceito mais abrangente do que o de consumo verde, mas não tão amplo 
como o de consumo sustentável. Dessa forma, o conceito de consumo consciente adotado é: 
“Ato ou decisão de compra ou uso de serviços, de bens industriais ou naturais, praticado por 
um indivíduo, levando em conta o equilíbrio entre satisfação pessoal, as possibilidades 
ambientais e os efeitos sociais de sua decisão” (Fabi et al., 2010, p.6). 
Diversos estudos sobre comportamento de consumo podem ser explicados com base em 
três teorias: econômica (análise de custos e benefícios, com sentido utilitário), hedônica 
(expectativa de satisfação psicológicas, experienciais) e de orientação pró-social. Nas duas 
primeiras há a ênfase na busca de resolução de problemas individuais e análise do valor do 
produto para o indivíduo, já a terceira supõe que há uma intenção pró-social (Oliveira et al., 
2019). 
A teoria econômica propõe que as pessoas agem de forma egoísta. Os economistas 
preveem prossocialidade apenas quando esse desejo é associado à uma natureza individualista 
como foco em aquisição de algum benefício individual, contudo, as pessoas não agem de forma 
egoísta em diversas situações (Rubin & Capra, 2011). Andreoni (2005) encontrou em 
experimento que mesmo que o indivíduo entenda que trapacear (não retribuir ou ficar com um 
determinado benefício somente para ele) será benéfico para ele, muitas vezes ele escolhe 
cooperar (dividir ou doar). Dessa forma, o comportamento pró-social é persistente, e isso se 
deve a fatores culturais, predisposições biológicas e ao processo de desenvolvimento 
psicológico e social (Andreoni et al., 2018). Também foi observado que muitos indivíduos 
contribuem para bens públicos, independentemente dos incentivos privados para não o fazer, e 
retribuem, mesmo em situações em que há pouca chance de interação repetida (Rubin & Capra, 
2011). 
14 
 
A explicação hedonista, por sua vez, diz respeito ao consumo voltado para a satisfação 
de prazeres e ao bem-estar. Uma versão atual do comportamento no consumo hedonista está 
vinculado às escolhas de consumo menos prejudiciais, mas que mantém a relação original com 
o produto que gera prazer, tentando retirar os malefícios deste produto. Como por exemplo, 
pode-se citar produtos como: o café descafeinado, a cerveja sem álcool, o refrigerante zero, 
supondo agora um grau de controle ou autonomia do indivíduo sobre suas escolhas (Fontenelle, 
2010). 
As pesquisas que investigam consumo por motivos econômicos ou hedônicos estão mais 
consolidadas, porém há outros estudos que buscam investigar os consumos mais atrelados a 
algum grau de consciência social (valoresconscientes). Esse tipo de consumo é considerado 
de orientação pró-social, e nele está incluso o consumo pró-ambiental (Oliveira et al., 2019). 
Nessa perspectiva, consumir de forma consciente seria um comportamento de orientação pró-
social, embora não possamos descartar que também envolva decisões econômicas ou 
hedonistas nesses comportamentos. 
Os estudos de comportamentos pró-ambientais, dentre eles os de consumo consciente, 
buscam investigar variáveis atreladas às pessoas que têm esse comportamento, como os 
valores, as atitudes, as motivações e a ação comportamental em si, sendo a motivação o menos 
estudado. Dessa forma, embora o termo consumo nos remeta a um comportamento, as medidas 
de investigação envolvem muitas vezes análise de valores, atitudes e motivações para entender 
a influência deles no comportamento. Oliveira et al. (2019), realizaram uma distinção entre os 
valores individuais, frutos da socialização de um indivíduo e suas construções particulares, que 
tendem a ser mais constantes ao longo de sua vida, e os valores compartilhados, que são frutos 
da estrutura social a que o indivíduo está submetida e tende a se modificar à medida que entram 
novas perspectivas no grupo. O consumo consciente, no caso o pró-ambiental, estaria dentro 
15 
 
da categoria de valores compartilhados e voltados para o outro (pró-sociais), como o próprio 
termo pró-ambiental pressupõe, e vinculado a valores éticos (virtude, justiça e moralidade). 
Considerando que há visões distintas para entender o que motiva um indivíduo para 
consumir de forma consciente, uma primeira pergunta que surge é: é possível estudar a 
influência de nossas motivações para o consumo consciente a partir da abordagem 
evolucionista? Na sequência, iremos abordar as teorias evolucionistas que podem contribuir 
com a compreensão dessa questão. 
A abordagem evolucionista 
A abordagem evolucionista afirma que nossos comportamentos são, em parte, 
modulados por mecanismos psicológicos presentes no cérebro que evoluíram no ambiente de 
adaptação evolutiva e que hoje influenciam nossas decisões (parcialmente conscientes) 
referentes à sobrevivência e reprodução (Hattori & Yamamoto, 2012). Estudos afirmam que, 
assim como os outros animais, exibimos comportamentos que vão além do que seria necessário 
para nossa sobrevivência ou necessidade imediata, guiados por motivadores que estão 
relacionados ao aumento de nossa aptidão abrangente, ou seja, nossa reprodução direta ou 
indireta (Miller, 2012). 
Ao estudar evolução do comportamento, a investigação não está direcionada apenas para 
as causas próximas do comportamento, mas busca compreender também suas causas últimas 
(Hattori & Yamamoto, 2012). Os estudos sobre valores, atitudes e crenças como 
influenciadoras do comportamento, por exemplo, se concentram nas causas próximas, ou seja, 
mecanismos imediatos para ocorrência da ação ou história desse comportamento ao longo do 
desenvolvimento. As causas últimas buscam, por sua vez, entender a história evolutiva desse 
comportamento e quais seriam suas consequências em termos de benefícios para a 
sobrevivência e reprodução. Dessa forma, os sistemas comportamentais têm sua origem em 
16 
 
alguns mecanismos psicológicos, influenciados por, além de causas imediatas (ou próximas), 
forças evolutivas já bastante estudadas que originaram nossas predisposições biológicas. 
Assim, a abordagem evolucionista pode contribuir para o estudo do comportamento de 
consumo e do consumo consciente, como os estudos dos motivos sociais fundamentais e dos 
comportamentos pró-sociais. 
Os motivos sociais fundamentais 
Vários estudos foram elaborados a fim de entender quais seriam os mecanismos 
psicológicos e motivos que fazem parte no nicho comportamental dos nossos comportamentos 
sociais (Aunger & Curtis, 2013; Bernard et al., 2005; Bugental, 2000; Kenrick et al., 2010). 
Esses estudos partem do pressuposto de que existem mecanismos específicos para cada tipo de 
interação ou necessidade social. 
A motivação, em termos de evolução desse comportamento, é compreendida como 
sistemas regulatórios presente em nossos antepassados que evoluíram para facilitar tomadas de 
decisões específicas (e não apenas as necessidades imediatas), e isso teve efeito na reprodução 
desses indivíduos (Schaller et al., 2017). 
A primeira pesquisadora com base evolucionista que sistematizou esse conhecimento 
foi Bugental (2000), que através de um arcabouço teórico oriundo da Psicologia Social, da 
Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia Evolucionista e da Ecologia Comportamental, 
apresenta que a espécie humana possui cinco domínios, que ela define como guias para 
enfrentar os problemas recorrentes que os organismos se deparam durante sua vida. Os 
domínios seriam: apego (manutenção da proximidade para segurança), poder hierárquico (uso 
e reconhecimento da dominância), coalizões (identificação e defesa da linha que divide “nós” 
e “eles”, baseadas na identidade), reciprocidade (gestão das obrigações e benefícios recíprocos, 
baseada na igualdade) e acasalamento (seleção e proteção de acesso a parceiros sexuais). Ela 
argumenta que cada domínio utiliza mecanismos específicos, pois tem problemas específicos 
17 
 
a serem resolvidos e utilizam uma combinação particular de sistemas neuro-hormonais e 
respostas emocionais. Além disso, estes mecanismos aparecem em períodos específicos do 
desenvolvimento e tem processamentos computacionais próprios, ou seja, quais informações 
sociais são buscadas e armazenadas. Esta última característica, se refere ao pensamento oriundo 
da Psicologia Cognitiva, de que nossas mentes processam a informação de forma semelhante 
a um computador, ideia que também deu nome à sua teoria: algoritmos da vida social. A autora 
ainda defende que os domínios têm variabilidade e flexibilidade, pois são ajustados ao meio 
ambiente em três níveis diferentes: adaptação bioecológica (Nível 1- possibilidades e 
limitações bioecológicas), representação implícita de experiência (Nível 2- história de vida), e 
processos de avaliação explícitos (Nível 3- cultura). Um argumento dessa teoria, é que uma 
mesma interação humana pode ocorrer em diversos domínios, como por exemplo, a relação 
entre pais e filhos, pode estar ora dentro de uma interação hierárquica (estabelecimento de uma 
ordem de uma mãe para um filho), ora de apego (choro e atendimento da demanda do filho), 
ou também recíproco (quando ambos se envolvem em um jogo), identidade (como sinalizador 
de diferenciação: na adolescência, busca por iguais fora da família) e até mesmo o domínio 
acasalamento (servindo como sinalizador de aversão, como limite para ausência desse tipo de 
relação-incesto). 
A segunda proposta foi elaborada por Bernard et al. (2005), através de um estudo que 
envolveu uma revisão de literatura sobre teorias da motivação, com a intenção de unir teorias 
já existentes (nos campos biológico, comportamental e cognitivo), buscando unificar este 
campo de pesquisa através de uma teoria evolucionista da motivação humana. Os autores 
pretendem evitar dualismos e reducionismos, com a intenção de contribuir para uma 
compreensão mais completa desse fenômeno. Esta proposta defende que a teoria evolucionista 
pode ter um bom papel unificador para a motivação porque tem grande poder explicativo, 
especialmente porque aborda, concomitantemente, o desenvolvimento cerebral e social. Os 
18 
 
autores definem a motivação como um comportamento que, em última análise, é direcionado 
para o objetivo fundamental da aptidão abrangente. A motivação refere-se a razão pela qual 
um organismo inicia e persiste em certos comportamentos em oposição a outros. Segundo 
Bernard et al. (2005), os motivos servem para guiar comportamentos e interesses, nos quais os 
autores propõem cinco motivos: o domínio de autoproteção, o domínio de acasalamento, o 
domínio de manutenção do relacionamento ecuidado parental, o domínio de coalizão de grupos 
e o domínio “memético” do grande sistema cultural simbólico. Ainda segundo os autores, eles 
podem ser mensuráveis através da força do interesse, desejo ou preocupação com 
comportamentos relacionados à resolução de problemas em um domínio social específico. São 
descritas três categorias para o estudo de cada domínio: os motivos, as emoções e o 
autocontrole. Segundo os autores, alguns motivos são mais antigos, frutos do ambiente 
ancestral; outros são adaptações intermediárias que evoluíram de um motivo antigo para um 
propósito, mas podem servir para outro no presente; e ainda uma terceira categoria de motivos 
mais recente, que são adaptações também derivadas de motivos antigos, mas que são 
fortemente influenciadas pela aprendizagem social e pela cultura. Todos os motivos expressam 
fenótipos fruto de uma interação entre o genótipo e o ambiente físico-social-cultural. As 
emoções ajudam a guiar o comportamento em direção ao aumento da aptidão inclusiva, 
auxiliando nas tomadas de decisões. Por último, os autores propõem que o autocontrole atrasa 
o comportamento, permitindo tomadas de decisão mais completas e aumentando a 
probabilidade de que as respostas comportamentais sejam adaptativas no ambiente local 
(Bernard et al., 2005). 
Outra teoria da motivação humana de base evolucionista é a de Aunger e Curtis (2013), 
que definem a motivação com um estado de excitação de busca de metas e motivos individuais, 
em que mecanismos psicológicos projetados pela evolução fazem com que os animais 
procurem atender a uma necessidade por meio do comportamento. Para estes autores, as 
19 
 
motivações devem ser vistas dentro de um contínuo de expressões comportamentais que se 
situam entre o comportamento reflexo e o planejado. Os autores propõem quinze motivações: 
apetite sexual (luxúria); fome; conforto; medo e nojo; atrair; amor; cuidado (nutrir); guardar 
recursos (tesouro escondido); criar (habitat e ferramentas); afiliação; status; justiça; curiosidade 
e brincar. E acrescentam que as diferenças individuais podem ser explicadas de forma mais 
proveitosa pela variação na importância dos motivos do que pela personalidade (Aunger & 
Curtis, 2013). 
Por último, a teoria dos motivos sociais fundamentais (Kenrick et al., 2010) originou 
diversas pesquisas que podem elucidar o papel da motivação em alguns comportamentos 
sociais, especialmente os de consumo, e por isso, esta teoria é uma das bases teóricas abordadas 
no presente trabalho. 
Kenrick et al. (2010) elaboraram uma proposta evolucionista de teoria da motivação 
através de uma releitura da teoria da motivação de Maslow. Maslow (1970, citado em Kenrick 
et al., 2010), ao abordar o tema da motivação, afirma que o ser humano tem cinco sistemas 
motivacionais distintos, que funcionam de maneira independente e hierárquica: 1) necessidades 
fisiológicas; 2) de segurança; 3) amor (afeto, pertencer) 4) de estima (respeito); 5) de 
autorrealização; cada sistema teria uma regulação diferenciada no cérebro, mas havendo uma 
necessidade mais básica a ser satisfeita, esse sistema predominaria sobre os demais (prioridade 
cognitiva). Além disso, as necessidades iam aparecendo de acordo com o estágio de 
desenvolvimento do indivíduo (prioridade no desenvolvimento). 
Os constructos teóricos de Kenrick et al. (2010), conduziram para uma pirâmide de 
motivação norteadas por sete necessidades (ou motivos), sendo elas: 1) autoproteção; 2) 
evitação de doenças; 3) status; 4) afiliação; 5) busca de parceiros; 6) retenção de parceiros; 7) 
cuidado da família (figura 1). Griskevicius e Kenrick (2013), afirmam que, para cada motivo 
20 
 
consciente que justifique um comportamento específico, pode haver outras motivações 
inconscientes (tabela 1). 
 
Figura 1 
Pirâmide das motivações revisada 
 
 
Nota: à esquerda, a pirâmide de Maslow; à direita, a pirâmide revisada, adaptado de Kenrick, D. T., 
Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary 
Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. 
https://doi.org/10.1177/1745691610369469 
 
A teoria dos motivos sociais fundamentais apresenta uma abordagem evolucionista, 
associando as motivações fundamentais ao sucesso evolutivo, ou seja, as causas últimas ou 
motivadores relacionados a questões de sobrevivência e reprodução (Durante & Griskevicius, 
2016; Saad & Gill, 2000). Ao embasar seus estudos nesta teoria, diversos autores têm 
encontrado resultados interessantes em pesquisas que analisam as escolhas de consumo com 
base na influência dos motivadores (Griskenvicius et al, 2006; Griskevicius & Kenrick, 2013; 
Neurberg et al., 2011; Schaller et al., 2017; Sundie et al., 2011). Para embasar futuras pesquisas, 
Griskevicius e Kenrick (2013) relacionaram qual mecanismo psicológico estaria ativo quando 
tomamos decisões de consumo baseadas em cada uma das sete motivações básicas propostas. 
 
Necessidades Fisiológicas Imediatas 
Segurança 
Amor (afeto, pertencimento) 
Estima (respeito) 
Autorrealização 
Parentesco 
Retenção de Parceiros 
Aquisição de Parceiros 
Status/Estima 
Afiliação 
Autoproteção 
Necessidades Fisiológicas Imediatas 
21 
 
Tabela 1 
Motivos e mecanismos psicológicos relacionados 
Motivo Mecanismo psicológico Decisão de consumo 
Autoproteção Sistema de autoproteção para evitar 
perigos 
Busca de segurança e 
tendência ao consumo guiado 
por decisões de massa, efeito 
de compromisso com 
determinados produtos e 
menos desejo por novidades. 
Evitação de 
doenças 
Ativação do sistema de esquiva social, 
introversão e intolerância a 
estrangeiros. 
Evitação de alimentos novos 
e aumento do consumo de 
produtos de prevenção. 
Status Sistema de dominância, prestígio ou 
concorrência. 
Busca por produtos maiores, 
comprar produtos caros, 
excesso de autoconfiança, 
doações e comportamentos 
pró-sociais. 
Afiliação Sistema de afiliação, formar coalizões, 
fazer novos amigos e buscar contato 
social. 
Tendência a comprar 
produtos para serem 
consumidos em conjunto e 
que promovam aproximações, 
além das trocas de presentes. 
Busca de 
parceiros 
Sistema de reprodução e querer ser 
notado. 
Adquirir produtos caros, 
caridade, preferir 
recompensas pequenas e 
imediatas (homens). Anunciar 
beleza e juventude, atitudes 
cooperativas, tende ao 
consumo de massa e de 
produtos novos (Mulher). 
22 
 
Motivo Mecanismo psicológico Decisão de consumo 
Retenção de 
parceiros 
Sistema de reprodução. Decisões de compras 
pensando no parceiro; uso de 
produtos de luxo (mulheres). 
Cuidado da 
família 
Sistema de cuidado. Sacrifícios e apoios 
financeiros, com consumos 
para a família e para o grupo. 
Nota: elaborado a partir de Griskevicius, V. & Kenrick, D. T. (2013). Fundamental motives: How evolutionary 
needs influence consumer behavior. Journal of Consumer Psychology, 23(3), 372-386. 
https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.03.003 
Os autores afirmam ainda que as escolhas de consumo podem ser influenciadas por 
mecanismos psicológicos específicos a depender da atual necessidade da pessoa, que tem 
relações com a etapa do desenvolvimento, o sexo, as estratégias de história de vida e a cultura 
(Griskevicius & Kenrick, 2013). Contudo, ainda há muitas lacunas de conhecimento a serem 
estudadas com relação aos diferentes objetos de consumo (Griskevicius & Kenrick, 2013), 
como é o caso do consumo consciente, baseado em atitudes e comportamentos favoráveis ao 
meio ambiente. 
O comportamento pró-social 
Quando fazemos a comparação com outros animais, os comportamentos generosos 
humanos com pessoas não aparentadas e, até mesmo desconhecidas, são visivelmente mais 
frequentes. Muitos animais sociais (como abelhas e cupins) são altamente cooperativos com 
seus parentes, mas os seres humanos, para além dessacaracterística, também possuem um rol 
de comportamentos direcionados a não parentes: doações para instituições filantrópicas, os 
esforços em benefício do meio ambiente e até mesmo ações pró-sociais que põe em risco a 
própria vida (Iredale & van Vugt, 2011). De uma perspectiva evolucionista, a ajuda de 
estranhos pode parecer contraditória, especialmente se pensarmos que a teoria da seleção 
natural de Darwin postula que o indivíduo busca sua aptidão individual, em detrimento da 
23 
 
aptidão do outro (Iredale & van Vugt, 2011). Por conseguinte, o comportamento em prol do 
outro, que envolve custos sociais e que estão dentro da categoria dos comportamentos pró-
sociais, deve possuir alguma vantagem e ser motivado a partir de algumas situações. 
A primeira teoria é a mais predominante nos grupos humanos descreve a cooperação 
com parentes (Nowak, 2006). Foi elaborada por Hamilton (1963), e é denominada de seleção 
de parentesco, e argumenta que temos uma tendência a cooperar mais com parentes do que 
com não parentes, porque isso aumenta a nossa aptidão abrangente (parentes e descendentes 
não diretos, gerando um sucesso reprodutivo indireto). 
A segunda foi elaborada por Trivers (1971), e é chamada de reciprocidade direta, e 
consiste em diversos postulados ligados a situações de troca social, em que, geralmente, 
ocorrem respostas comportamentais parecidas entre as pessoas. Os principais postulados são: 
tendemos a cooperar com pessoas de forma repetida (relação de confiança); temos uma alta 
capacidade de detectar trapaceiros nas nossas interações sociais e temos uma tendência a 
perdoar trapaceiros e dar uma segunda chance caso a pessoa volte a ser honesta conosco. 
A terceira é a da reciprocidade indireta, elaborada por Alexander (1985), que define o 
tipo de comportamento pró-social que não está relacionado a parentes e nem pressupõe uma 
troca social imediata, ou seja, os indivíduos assumem custos de cooperar com alguém ou algum 
grupo, mas não recebe um retorno direto dessa pessoa/grupo. É bastante frequente em grandes 
grupos cooperativos, como é o caso das sociedades humanas e, apesar de ocasionar relações 
altruístas mais frágeis, têm uma frequência alta na população. A reciprocidade indireta está 
ligada aos comportamentos de doações, aos comportamentos de conformidade ao grupo social 
que o indivíduo faz parte e há uma forte vinculação à manutenção da reputação de uma pessoa 
no grupo (Nowak & Sigmund, 1998). 
É importante destacar que os comportamentos pró-sociais nos seres humanos, 
evoluíram em conjunto com uma série de emoções sociais complexas e, por isso, têm forte 
24 
 
vinculação a sentimentos e emoções, como: apego, abandono, empatia e compaixão, todas 
coordenadas pela evolução da linguagem, e por isso nos deram uma base para a para construção 
de discursos abstratos, que falam sobre questões coletivas, morais e ambientais (Lencastre, 
2010). 
O consumo consciente, os motivos fundamentais sociais e a pró-socialidade 
Muitos problemas ambientais locais e globais são dilemas sociais nos quais interesses 
privados e públicos estão em conflito (Iredale & van Vugt, 2011). Essa ideia foi inicialmente 
proposta por Hardin (1968), e intitulada de tragédia dos comuns, ao afirmar que quando um 
recurso é compartilhado, e “não tem dono”, a tendência é a exploração do mesmo até o seu 
esgotamento. De fato, é isso que realmente vemos com as grandes problemáticas ambientais, 
que perpassam além do consumo consciente (que é individual e tem um impacto diferenciado 
para os grandes problemas ambientais), sendo necessária uma atuação mais coletiva e política. 
Ou seja, é inevitável a ideia de que para haver uma mudança significativa todos devem se 
engajar no comportamento associado a uma forte atuação do poder público e privado. 
Nas sociedades industrializadas atuais, convencer as pessoas a agirem para o bem 
comum é um grande desafio, tendo em vista que as relações sociais não se desenvolvem mais 
em pequenos grupos com fortes laços íntimos, confiáveis e duradouros, como 
acontecia/acontece em sociedades tribais. Ao contrário, vivemos em uma sociedade em que 
temos que conviver constantemente com pessoas desconhecidas, sem vínculos fortes ou de 
confiança, com exceção dos nossos grupos mais próximos. E ainda precisamos convencer as 
pessoas da importância de um tipo de cooperação muito específico: com o meio ambiente, ou 
seja, deixar o planeta sustentável para as gerações futuras (Grinde, 2004). 
Se há custos pessoais altos para participar de cuidados ambientais, então pode ser difícil 
encorajar pessoas a participarem (Iredale & Van Vugt, 2011). Existem diversos 
comportamentos de consumo consciente que são mais custosos aos indivíduos, mas mesmo 
25 
 
assim as pessoas se engajam, como por exemplo, andar de bicicleta ou transporte coletivo, ao 
invés de um carro particular e mais confortável; reutilizar objetos, separar o lixo reciclável, 
descartar de forma correta medicamentos vencidos, que exigem um tempo bem maior do que 
simplesmente usar um lixo convencional ou comprar coisas novas; passar tempo pesquisando 
sobre produtos e empresas ambientalmente corretos, ao invés de comprar um produto baseado 
somente no custo-benefício entre preço e qualidade; e mais uma infinidade de comportamentos 
de consumo possíveis. Portanto, diversos comportamentos pró-ambientais incorrem em um 
custo pessoal, para ajudar o bem comum e, portanto, podem ser considerados pró-sociais (van 
Vugt, 2001). 
Para a abordagem evolucionista, a maioria dos comportamentos pró-sociais, apesar de 
apresentarem algum custo para quem os realiza, também tem benefícios associados a decisão 
desse comportamento, que é influenciado por mecanismos psicológicos evoluídos que surgiram 
na espécie humana frente a necessidade de resolução de dilemas sociais. Uma forma fértil de 
estudar os comportamentos pró-sociais é por meio da análise dos motivos fundamentais sociais 
presentes nos indivíduos, especialmente os de status (relacionado a consumos caros e alguns 
comportamentos pró-sociais) e cuidado (consumo pensando na família e no grupo). Além 
desses, a Tabela 1 também mostra que busca por parceiro e retenção de parceiro podem ter 
relação com comportamentos de consumo caros e/ou voltados para o outro. 
As próximas perguntas de pesquisa que nos deparamos são: podemos encontrar os 
mesmos resultados dos estudos sobre consumo através do estudo do consumo consciente das 
pessoas e de suas motivações? E considerando algumas diferenças individuais, como essa 
relação se estabelece? (Griskevicius & Kenrick, 2013). 
Para concluir, De Young (1999), afirma que os estudos que investigam comportamentos 
ambientalmente responsáveis, trazem evidências de que ele tem múltiplas determinações, o que 
é coerente com a abordagem evolucionista que busca estudar o comportamento humano através 
26 
 
de vários níveis de análise. A abordagem evolucionista do consumo consciente pode trazer 
informações que complementem os conhecimentos teóricos já estabelecidos e que ajude a 
sociedade e as pessoas individualmente a entender de forma mais completa seus 
comportamentos de consumo que beneficiem o meio ambiente e fatores que o influenciam. 
 
27 
 
Objetivos 
Objetivo geral 
Investigar o consumo consciente, a partir das influências de mecanismos do passado 
evolutivo humano e das diferenças individuais dentro do contexto atual. 
 
Objetivos específicos 
A partir das teorias e conceitos aqui apresentados sobre o consumo consciente, motivos 
sociais fundamentais e comportamentos pró-sociais, apresentaremos 3 estudos com objetivos 
específicos, que buscaram elucidar algumas perguntas aqui propostas. 
- Abordar a relação da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao meio 
ambiente, ampliando a compreensão do universo de estudos que já existem (Estudo 1). 
- Investigar os motivos sociais fundamentais na amostrae identificar diferenças individuais a 
partir dos mesmos (Estudo 2). 
- Analisar agrupamentos baseados em perfis motivacionais e características individuais e 
identificar diferenças no comportamento de consumo consciente (Estudo 3). 
 
 
28 
 
Estudo 1 
 
 
Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis 
 
 
Nivia de Araújo Lopes 
Felipe Nalon Castro 
 
 
Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de Fisiologia e Comportamento, 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
 
 
 
 
 
 
Periódico: Journal of Personality and Social Psychology 
Classificação QUALIS: A1 
Status da publicação: a ser submetido. 
 
29 
 
Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis 
Nívia de A. Lopes e Felipe N. Castro 
Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do 
Norte 
 
 
Nota do autor 
Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 
Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 
 
 
Este ensaio teórico não foi pré-registrado. Este artigo é baseado na tese de doutorado 
de Lopes (2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001. Este 
estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência referente a este artigo 
deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do Comportamento Humano, 
Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de Biociências, Universidade Federal 
do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail:castrofn@gmail.com. 
https://orcid.org/0000-0002-6690-5182
mailto:castrofn@gmail.com
30 
 
Resumo 
Diversas pesquisas aplicaram os conhecimentos da teoria evolucionista para o estudo dos 
comportamentos pró-ambientais. Neste ensaio teórico, temos o objetivo de abordar a relação 
da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao meio ambiente, ampliando a 
compreensão do universo de estudos que já existem. Para isso, serão explicitadas as diferenças 
e contribuições de algumas abordagens: teoria normativa, dilemas morais, outros mecanismos 
da natureza humana e motivos sociais fundamentais. Dentro da teoria normativa é explicitado 
o papel evolutivo da economia de energia nas normas sociais. Os dilemas morais oferecem uma 
compreensão do conflito entre questões de interesses individuais e coletivos. Outros 
mecanismos descrevem limites no raciocínio humano na sua relação com o meio ambiente. Os 
motivos sociais fundamentais explicitam motivações fundamentais que podem favorecer ou 
prejudicar comportamentos pró-ambientais, principalmente de consumo. Ao final tecemos 
comentários com contribuições e importância de cada teoria para o estudo dos comportamentos 
pró-ambientais. 
Palavras chaves: evolução do comportamento, comportamento pró-ambiental, normas, 
dilemas morais, motivos sociais fundamentais, natureza humana. 
 
31 
 
Abstract 
 Several studies have applied insights from evolutionary theory to the examination of pro-
environmental behaviors. In this theoretical essay, our aim is to address the relationship 
between evolutionary theory and environmentally favorable behaviors, expanding the 
understanding of the existing body of research. To do so, we will elucidate the differences and 
contributions of various approaches: normative theory, moral dilemmas, other mechanisms of 
human nature, and fundamental social motives. Within normative theory, the evolutionary role 
of energy conservation in social norms is made explicit. Moral dilemmas provide an 
understanding of the conflict between individual and collective interests. Other mechanisms 
describe limitations in human reasoning in its relation to the environment. Fundamental social 
motives reveal fundamental motivations that can either promote or hinder pro-environmental 
behaviors, particularly in consumption. In the end, we provide comments on the contributions 
and importance of each theory to the study of pro-environmental behaviors. 
Keywords: Behavior evolution, pro-environmental behavior, norms, moral dilemmas, 
fundamental social motives, human nature. 
 
 
32 
 
Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis 
Os seres humanos evoluem em interação com o meio ambiente. Contudo, são poucos 
os estudiosos que abordam a contribuição dos conhecimentos evolucionistas nas temáticas que 
envolvem a relação do homem com o meio ambiente (Vugt et al.; 2014), sendo citado como 
exceção os pesquisadores: Gardner e Stern (2002); Goldstein, Cialdini e Griskevicius (2008); 
Rees (2010); van Vugt (2009); e Wilson, Daly e Gordon (2007). Este ensaio teórico tem o 
objetivo de abordar a relação da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao 
meio ambiente, ampliando a compreensão do universo de estudos que já existem. Dessa forma, 
serão apresentadas as áreas que abordam a temática ambiental com argumentos consistentes de 
base evolucionista, trazendo um formato novo de apresentação desses conteúdos, apresentando 
por temas e/ou suas bases teóricas. 
Inicialmente iremos explicar de forma resumida a base geral do pensamento 
evolucionista na abordagem ao comportamento humano. Em seguida serão apresentadas as 
quatro formas de estudar o comportamento “pró” e “anti” ambiental com conceitos da 
abordagem evolucionista: normas sociais, dilemas morais, outros mecanismos da natureza 
humana e os motivos sociais fundamentais. Para finalizar serão apresentadas possibilidades de 
diálogo e interseção entre estas modalidades de estudo. Esperamos contribuir como material 
de consulta para pesquisadores na área e com proposições de possíveis caminhos de 
investigações que possam se materializar em perspectivas integradas de investigação de base 
evolucionista dos comportamentos pró-ambientais. 
A abordagem evolucionista 
Em contraposição a teorias de escolha racional, que estabelecem que nossas escolhas e 
preferências são norteadas por racionalidade econômica (ou seja, escolhas feitas com menores 
ônus e maiores chances de lucro), estão os estudos baseados na abordagem evolucionista 
(Moraes & Milani, 2014; Vils et al., 2017). Para abordagem evolucionista, nossas decisões 
33 
 
modernas são influenciadas pelos mesmos motivos que impulsionaram nossos ancestrais 
humanos a enfrentar diferentes dilemas e pressões seletivas (Griskevicius & Kenrick, 2013). 
Ou seja, não apenas os traços físicos são possíveis de serem herdados, mas há efeitos nos 
comportamentos também, através de alguns mecanismos psicológicos no cérebro que passaram 
por seleção natural, podendo ser entendidos como adaptações evolutivas. É importante salientar 
que, mesmo que haja uma avaliação de custos e benefícios nas escolhas, não se considera que 
no cérebro humano exista apenas um centro de controle de escolhas de decisões, mas diversos 
sistemas, ou motivos, cada um operando em conjunto com as emoções para exercer diferentes 
papéis (Kenrick et al., 2010). 
Dessa forma, muitos mecanismos têm relação direta ou indireta com a sobrevivência e 
a reprodução, somados a influência dos contextos sociais e econômicos atuais. Para a 
psicologia evolucionista, esses mecanismos direcionam diversos comportamentos humanos 
atuais, que podem beneficiar o contexto atual em que vivemos ou podem não ser mais úteis, 
gerando o que chamamos de descompasso temporal (Penn & Mysterud, 2007; Ress, 2010). 
Além disso, alguns autores têm sugerido que os conhecimentos advindos da teoria 
evolucionista, somadas a outros conhecimentos da área ambiental, podem contribuir para 
entender nosso comportamento e auxiliar nas mudanças que precisamos implementar 
(Dickinson et al., 2013; Griskenvicius et al., 2012; Penn & Mysterud, 2007;Poškus, 2020; 
Ress, 2010; van Vugt, 2009; van Vugt, 2014; Wilson et al., 2007). Em virtude da aceleração 
dos problemas ambientais, as tentativas de entender e falar sobre essa temática devem ser 
constantes, por isso nos propormos rever essas ideias e agrupá-las por temas ou bases teóricas, 
explicitando os modelos. 
Os estudos com base na teoria normativa 
A teoria da ativação da norma, advinda da psicologia social, postula que a maioria dos 
seres humanos tende a copiar o que seus pares estão fazendo (Schwartz, 1977) e que esse 
34 
 
comportamento tem uma vantagem evolutiva, pois economiza tempo gasto com o raciocínio 
que seria exigido nas tomadas de decisões comportamentais. Este raciocínio faz sentido se 
considerarmos o ambiente, por vezes severo ou hostil, em que viviam nossos antepassados. Os 
estudiosos da teoria do foco normativo dividem o comportamento normativo em duas 
categorias: descritiva e injuntiva. A descritiva se refere ao que a maioria das pessoas fazem, e 
dão indícios de ações mais adaptativas, pois se todos estão fazendo assim, deve ser o mais 
eficiente. A injuntiva se refere ao que deveria ser feito, baseado em o que é moralmente certo 
ou errado fazer. As normas guiam o comportamento quando são ativadas, e não em todos os 
momentos (Cialdini et al., 1990). 
Os estudos com base em normas têm sido sinalizados como um dos mais eficientes em 
predizer o comportamento pró-ambiental (De Groot & Steg, 2009). Vejamos alguns exemplos 
de estudos nessa área. Uma pesquisa investigou o efeito de mensagens sobre reutilização de 
toalhas em hotel (Goldstein et al., 2008). Os pesquisadores criaram duas mensagens diferentes 
nos quartos dos clientes. Uma delas continha a seguinte mensagem: “AJUDE A SALVAR O 
MEIO AMBIENTE. Você pode mostrar respeito pela natureza e ajudar a salvar o meio 
ambiente reutilizando suas toalhas durante sua estadia”. A segunda mensagem continha o texto 
a seguir: “JUNTE-SE AOS CLIENTES QUE AJUDAM A SALVAR O MEIO AMBIENTE. 
Quase 75% dos convidados a participar do nosso programa ajudam, usando suas toalhas mais 
de uma vez. Você pode se juntar a outros para ajudar a salvar o meio ambiente, reutilizando 
suas toalhas durante a sua estadia”. A primeira frase era voltada somente para importância da 
preservação do meio ambiente, enquanto a segunda dizia que a maioria dos clientes participa 
desta ação pelo menos uma vez em sua estadia. A pesquisa demonstrou que os clientes que 
recebiam o segundo tipo de mensagem reutilizaram significativamente mais as toalhas do que 
o primeiro grupo. Os autores da pesquisa argumentam que a conformidade a normas sociais 
pode ser uma explicação para esta diferença, ou seja, agir como a maioria, pois deve ser o certo 
35 
 
a se fazer (Goldstein et al., 2008), ajudando na tomada de decisão mais rápida e potencialmente 
mais eficiente. Outro estudo semelhante, com algumas modificações no texto da mensagem 
para os clientes também encontraram os mesmos resultados: que as mensagens normativas 
podem causar uma mudança de comportamento, e que as mudanças significativas ocorrem 
quando as mensagens são ao mesmo tempo com conteúdo descritivo e injuntivo (Schultz et al., 
2008). Estes estudos ilustram como as normas podem predizer o comportamento pró-
ambiental. 
Para Sörqvist e Langeborg (2019), uma característica humana que pode influenciar 
nessas questões é a tendência humana a construir suas relações pela heurística do equilíbrio, 
caracterizada por uma simplificação relativa à cooperação interpessoal. Por exemplo, muitas 
vezes agimos buscando um equilíbrio entre boas e más ações, o que gera uma ideia de que é 
possível uma compensação, que também podem levar a equívocos quando pensamos nas 
questões ambientais. As questões que abordam trocas sociais são diferentes das que envolvem 
as questões ambientais, pois o comportamento prejudicial ao ambiente não pode ser 
compensado ou desfeito de forma simples (Sörqvist & Langeborg, 2019). Um bom exemplo 
são as propagandas de empresas que falam da compensação de carbono, para solucionar de 
forma rápida o impacto das emissões de carbono no meio ambiente. Um estudo demonstrou 
que as pessoas se tornam mais tendenciosas a assinar uma petição em defesa do meio ambiente 
depois de verem alguma comprovação de um dano causado pelo homem, causado por uma 
consciência culpada (Rees et al., 2015). Porém um estudo realizado na China, identificou que 
o sentimento de culpa não promove um aumento do comportamento pró-ambiental, mas foi 
encontrado que o orgulho antecipado, ou seja, se sentir satisfeito porque agiu de acordo com 
as normas morais daquele grupo, promoveu mais mudanças (Lu et al., 2020). 
Entende-se, a partir desses estudos, que em cada contexto que se espera promover 
mudanças, pode ser preciso uma estratégia de ação diferente, porque cada grupo tem suas 
36 
 
próprias normas sociais, e que evocam emoções diferentes a partir das diferenças culturais. Um 
aspecto importante a ser observado é que, além do contexto, também deve-se avaliar as 
diferenças individuais ou as normas pessoais (Poškus, 2020; Schultz & Zelezny, 2003), bem 
como modificar os ambientes públicos e de trabalho para que comportamentos favoráveis ao 
meio ambiente se tornem padrões ao longo do tempo, como por exemplo oferecer uma escada 
mais visível e central (ao invés de um elevador) no saguão central de um prédio (Poškus, 2020). 
As pesquisas de base normativa são importantes no ponto de vista evolucionista, pois 
se baseiam no princípio simples da economia de energia e maior eficiência comportamental 
com base num mecanismo primordial da aprendizagem que é a imitação (van Vugt et al., 2014). 
Estudos demonstram que se há percepção de custos altos em agir de forma ambientalmente 
positiva, se torna mais difícil engajar as pessoas (Iredale & Van Vugt, 2011). O conhecimento 
produzido pelas teorias normativas pode ser muito proveitosa para promover mudanças nos 
comportamentos ambientais ou para evitar o desenvolvimento de campanhas ineficazes. 
Os dilemas morais e as relações do homem com o meio ambiente 
 As pessoas se comportam para fins coletivos ou individuais. Neste sentido, Hardin 
(1968) enfatizou um aspecto da natureza humana que ela denominou ‘tragédia dos comuns”, 
caracterizada como a tendência humana de, na presença de recursos limitados e de uso comum, 
explorar esse recurso às custas dos mais cuidadosos, gerando uma competição para quem 
explora mais. Para van Vugt (2009), muitos dos desafios ambientais, sejam eles locais ou 
globais são dilemas sociais desse tipo, marcados por um conflito constante entre interesses 
públicos e privados. Os dilemas sociais são complexos e as pesquisas demonstram que apenas 
em interações únicas as pessoas tendem a ser egoístas (Fehr & Gaechter, 2002), mas quando 
há interações repetidas, diversos outros mecanismos de avalição são acionados. Assim, são as 
características humanas de comportamentos pró-sociais. 
37 
 
Os comportamentos pró-sociais, com base na teoria evolucionista (Nowak, 2006), 
podem ser explicados a partir de três teorias principais: seleção de parentesco (cooperamos 
mais com pessoas que temos uma relação de parentesco), reciprocidade direta (cooperamos 
com que coopera com a gente, na expectativa de troca) e reciprocidade indireta (cooperamos 
para manter nossa reputação). Estas teorias podem ser úteis para explicar o comportamento 
voltado para a preservação do meio-ambiente. Além disso, van Vugt (2009) afirma que quatro 
aspectos, decorrentes das relações sociais, devem ser considerados para desencadear ações 
amistosas ao meio ambiente: receber informações precisas sobre os problemas ambientais e as 
ações dos outros, fomentar a identidade de grupo naquele ambiente, instituições promotoras de 
comportamentos verdes confiáveis e incentivos para promover o autoaprimoramento daquele 
comportamento. Cada aspecto será descrito a seguir.As informações devem ser cuidadosamente escolhidas, de forma precisa, não incertas, 
de base científica, mas sem sobrecarregar (Dietz, 2003), de preferência relacionadas a 
problemas e valores locais. Van Vugt e Samuelson (1999) demonstraram, em pesquisa 
realizada durante uma escassez de água no Reino Unido no ano de 1997 que entender a 
severidade da escassez estava positivamente associada aos esforços das casas em economizar 
água. Também foi encontrado que as pessoas tendiam a diminuir seu consumo caso fosse 
explicado que a causa era por questões climáticas, por outro lado, o consumo tendia a aumentar 
se fosse falado que os outros estão consumindo mais, a exemplo da tragédia dos comuns. 
Outro aspecto é a identidade do grupo, que deve ser estimulada para atender à 
necessidade humana de pertencimento. Estudos demonstraram que quanto maior for a 
identidade social que a pessoa tem com seu grupo, mais esta pessoa estará disposta a ajudar 
seu grupo a proteger o meio ambiente (van Vugt, 2001). Além disso, quanto maior for o grau 
de parentesco entre os indivíduos (coerente com a teoria de seleção por parentesco), mais o 
comportamento de proteção ao meio ambiente se sobressai (De Cremer & van Vugt,1999). Um 
38 
 
estudo com comunidades pesqueiras revelou que grupos mais conectados trocam mais 
informações relevantes entre si, resultando em um comportamento de pesca mais sustentável, 
comparados com grupos menos conectados entre si (Penn, 2003). Relacionando com a teoria 
da reciprocidade indireta, autores afirmam que a identificação gera uma maior preocupação 
com a reputação e promove mais ações ambientalmente amigáveis (Hardy e van Vugt, 2006). 
 O terceiro aspecto que pode promover comportamentos pró-ambientais se referem as 
relações com instituições e líderes. A solução apontada por Hardin (1969) para evitar a 
tragédias dos comuns é confiar a administração dos bens de uso públicos a estas entidades. 
Quando as entidades de gestão são percebidas como confiáveis, ou seja, utilizando regras e 
procedimentos justos e iguais para todos, há mais possibilidade engajamento coletivo nas ações 
ambientais. Um estudo demonstrou que pessoas que não confiavam nas instituições privadas, 
eram mais propensas a utilizar carros durante o processo de privatização de ferrovias que 
ocorreu em Londres (van Vugt et al., 1996). 
 Por último, os incentivos estão relacionados a necessidade humana de 
autoaprimoramento nas suas interações nos dilemas sociais, o que está relacionado a 
reciprocidade direta, ou seja, incentivos financeiros para estimular comportamentos favoráveis 
ao meio ambiente. Diversos incentivos, como a troca de tecnologias mais sustentáveis são 
eficientes, como instalação de painéis solares, ou negociações para que indústrias apresentem 
um processo produtivo mais limpo (van Vugt, 2009). Por exemplo, em estudo envolvendo 
escassez de água, as famílias que tinham medidores eram mais propensas a economizar, pois 
conseguiam sentir os impactos da economia de dinheiro (van Vugt & Samuelson, 1999). 
 O estudo de dilemas morais e teorias pró-sociais têm trazido contribuições importantes 
para compreender as situações em que há conflito explícito entre interesses individuais e 
coletivos nas tomadas de decisões pró-ambientais, demonstrando que podem servir como base 
para estudos e contextos que necessitem se utilizar dessas estratégias. 
39 
 
Outros mecanismos da natureza humana que (des)favorecem os comportamentos 
favoráveis ao ambiente 
Alguns autores descreveram mecanismos que afetam comportamentos humanos que 
ajudaram nossos ancestrais a sobreviver, mas que hoje prejudicam e ameaçam nossa própria 
sobrevivência: estratégia K e desconto de futuro (van Vugt, 2014; Ress, 2010). Esses processos 
seletivos podem ser somados a transmissão horizontal de comportamentos através de 
mecanismos culturais (visando principalmente o desenvolvimento econômico), e juntos 
causam uso intensivo dos recursos naturais e grande produção de lixo que vemos hoje. 
Ress (2010) afirma que todas as espécies vivas têm como um de seus objetivos se 
expandir, ocupar os habitats acessíveis e explorar os recursos disponíveis, não sendo uma 
característica da sociedade atual. Antes de algumas tecnologias existirem, como o advento da 
agricultura e fixação nos territórios, somadas às mudanças de interesse econômico, esse 
comportamento não afetava a capacidade de regeneração dos recursos naturais. A espécie 
humana utiliza a chamada estratégia K de sobrevivência no ambiente, característica de espécies 
grandes, que em ambientes estáveis, possuem altos níveis de competição por habitat e recursos, 
favorecendo indivíduos que satisfazem de forma habilidosa suas necessidades para a 
sobrevivência e reprodução (Ress, 2010; Wilson et al., 2007). O ser humano se tornou um 
macroconsumidor dominante de todos os ecossistemas, sempre disposto a aumentar seu nível 
de consumo (Penn & Mysterud, 2007; Ress, 2010). Sua capacidade de explorar excede a 
capacidade da natureza de se regenerar: para o ano de 2023, desde o dia dois de agosto, já 
estamos consumindo a mais do que a capacidade do planeta em produzir ou se regenerar em 
um período de um ano (World Wildlife Foundation, 2023). 
 O desconto de futuro é consequência de um cérebro da idade da pedra (van Vugt, 
2014), que foi moldado para maximizar seus resultados no presente e não em um futuro incerto 
(Wilson et al., 2007). Alguns estudos afirmam que, mesmo depois de 400 anos de produção 
40 
 
agrícola, forçando os nossos cérebros a focar no futuro, a sociedade moderna ainda anseia por 
resultados imediatos (Green & Myerson, 2004). Ress (2010) afirma que, apesar de termos uma 
capacidade de inteligência representada pela consciência e raciocínio superiores (córtex), 
podendo entender melhor sobre o nosso entorno do que outras espécies, ainda continuamos 
utilizando mais os mecanismos instintivos de sobrevivência e o de julgamentos de 
valor/emoções (sistema límbico), embora saibamos que todos esses são interligados. Dessa 
forma, vivemos na “consciência” dos problemas ambientais, mas produzimos poucas 
mudanças comportamentais (Ress, 2010). 
Outro mecanismo associado à problemática destacada acima se refere a um limite na 
percepção humana em detectar problemas que geralmente não conseguimos ver, como são 
muitos dos problemas ambientais existentes (Poškus, 2020; van Vugt, 2014). Dessa forma, 
nossa mente evolui para dar atenção aos problemas detectados pelos órgãos do sentido, por isso 
somos mais ágeis para detectar o que podemos sentir, cheirar, tocar ou ver (van Vugt, 2014). 
Alguns estudos têm enfatizado que se pode explorar o aspecto do sentir, envolvendo as pessoas 
em experiências de contato com a natureza. Por exemplo, quando as pessoas são expostas a 
cenas de ambientes naturais em oposição a imagens de cenas urbanas, diminui o 
comportamento de desconto do futuro (Van der Wal et al., 2013), produzindo mais valor à 
natureza. 
Também é importante elaborar campanhas que mostrem que ao invés de custos, pode 
ser vantajoso se engajar em comportamentos pró-ambientais. Tobler et al. (2012), descobriram 
que um dos mais fortes preditores para o engajamento em comportamentos pró-ambientais e 
apoio às políticas públicas ambientalistas na temática da mudança climática é do tamanho dos 
custos pessoais percebidos. Isso porque, de forma geral, os custos do consumo verde podem 
ser imediatos e medidos (gastar mais tempo e dinheiro), e os benefícios podem ser a longo 
prazo ou difusos (economia na conta de luz ou uma melhoria do ar). 
41 
 
 Todos os aspectos que foram abordados acima contribuem para gerar uma distância 
entre os valores sustentáveis (ou uma preocupação) e o comportamento dos indivíduos, ou seja, 
gerar uma diferença entre a forma sustentável de pensar das pessoas e o que elas realmente 
praticam (Griscenvicius et al., 2012; Steg & Vlek, 2009). Estefenômeno é muito comum, 
chamado de gap atitude-comportamento (Belz & Peattie, 2013). 
De uma forma geral, estudos que abordam mecanismos psicológicos específicos 
concentram-se em vieses que podem favorecer ou prejudicar tomadas de decisões relacionadas 
a relação do homem com o meio. Os exemplos apresentados aqui não se esgotam, assim como 
as outras vertentes estudadas, e por isso a possibilidade de pesquisas nesse campo são 
numerosas e podem ter resultados com boa aplicação para propostas práticas de mudança de 
comportamento. 
Os motivos sociais fundamentais e os padrões de consumo 
A abordagem dos motivos sociais fundamentais (MSF) considera onze fatores que de 
base biológicas que influenciam nosso comportamento (Neel et al., 2016): autoproteção, 
evitação de doenças, status, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação (exclusão), 
busca de parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e 
cuidado (filhos). Alguns autores têm realizados pesquisas com base nos MSF para investigar 
as motivações que desencadeiam o comportamento de consumo das pessoas (Durante & 
Griskevicius, 2016; Kenrick et al., 2013; Miller, 2012), e dentre os comportamentos de 
consumo possíveis, temos os consumos que envolvem algum grau de preocupação com o meio 
ambiente. Os estudos já realizados entre os motivos e as questões ambientais investigaram a 
relação com a motivação para status, autoproteção, cuidado, busca de parceiros e retenção de 
parceiros. 
Moraes e Milani (2014, p.173) resumem status a “algum tipo de superioridade em 
relação a alguma característica que apresenta variação individual entre pessoas de um grupo”. 
42 
 
Status pode advir de certas características como beleza, inteligência, criatividade, liderança, 
estabilidade emocional, dentre outros, e também pelo que compramos ou consumimos (Miller, 
2012). Uma vez que status é atribuído pelos outros a nós, todas essas características 
mencionadas passam por uma avaliação externa (Miller, 2000). Manter ou adquirir o status no 
grupo foi uma estratégia importante para os nossos antepassados na busca de reter ou adquirir 
recursos que lhes garantiriam a sobrevivência e a reprodução (Miller, 2012; Buss, 2003), e 
assim demonstrar nossas aptidões para nossos parentes, parceiros sexuais e amigos. Veblen 
(1899), ao estudar o comportamento de consumo de pessoas ricas encontrou que elas tomam 
decisões extremamente irracionais nas compras para se exibir em seu meio social e 
impressionar, e este comportamento é chamado de consumo conspícuo. Mas o consumo 
conspícuo pode se apresentar de forma diferente para cada período histórico, estratificação 
social, idade, sexo, grupo étnico, dentre outras variáveis sociais. 
Na sociedade atual pós-moderna, os objetos de consumo, na maioria das vezes, buscam 
ajudar os indivíduos a definirem sua autoimagem e como são vistos por outros. Assim, os 
produtos e experiências de consumo servem como símbolos de originalidade em consumidores. 
Dessa forma, o consumo conspícuo pode não ser sinalizado através da demonstração da 
capacidade de comprar objetos ou experiências caras, mas sim para experiências e símbolos 
que são valorizados pelo grupo no contexto em que estão inseridos (Roy Chaudhuri & 
Mazumdar, 2006). Baseados em um conceito atual de consumo conspícuo considerando a 
sociedade pós-moderna, Roy Chaudhuri et al. (2011) definem consumo conspícuo como uma 
escolha baseada em aspectos simbólicos e direcionada para aquisição, posse e uso de produtos 
imbuídos de capital econômico e cultural com a motivação de comunicar uma autoimagem 
diferenciada aos outros. 
Alguns estudos indicam que as pessoas podem estar motivadas a comprar produtos pró-
ambientais porque eles sinalizam algo sobre o status de uma pessoa, pois alguns produtos 
43 
 
podem ser mais caros e são de qualidade inferior do que produtos convencionais homólogos 
(Griskevicius et al., 2010). Griskevicius et al. (2010) utilizaram como um dos produtos para 
seus experimentos o Toyota Prius, um carro híbrido, já que este automóvel sinaliza um produto 
pró-ambiental caro. Segundo os autores, esse carro oferece menos opcionais de luxo que os 
concorrentes, porém é mais eficiente energeticamente (mais ecológico) e é, consideravelmente, 
mais caro. Griskevicius et al. (2010), conduziram três experimentos para testar quando um 
produto verde pode ser considerado um sinal de qualidade pessoal, conceito que, na visão dos 
autores, está diretamente ligado ao status social. Um primeiro experimento demonstrou que, 
quando um grupo foi estimulado a pensar em si em uma situação que seu status social havia 
aumentado, havia tendência de compras de produtos caros e ecológicos, ao invés do produto 
convencional e mais barato, comparando com o grupo que não foi estimulado. Em seguida, 
também encontraram que as pessoas desempenham mais essas compras ecológicas caras 
quando estão sendo vistas por outras pessoas (compra de forma pública, ao invés de privada). 
Além disso, os pesquisadores ainda compararam produtos verdes e convencionais caros e 
baratos, e encontraram que, quando não havia manipulação por status, os indivíduos só 
escolhiam produtos ecológicos quando eram baratos. Porém, o grupo experimental em que foi 
despertada uma motivação por status, os produtos ecológicos apenas eram escolhidos quando 
eram caros, e não baratos (Griskevicius et al., 2010). Sobre as conclusões desse experimento, 
ativar uma motivação para status pode induz ao consumo conspícuo, e embora tenha ajudado 
por ser um produto que causará menos danos ambientais, a maioria dos comportamentos que 
precisamos modificar para alcançar a sustentabilidade é incompatível com o consumo 
conspícuo (van Vugt et al., 2014). 
Outras duas motivações estudada pela teoria dos motivos sociais fundamentais são 
busca e retenção de parceiros. Um estudo indicou que os homens ficam menos preocupados 
com o futuro se forem apresentados a imagens de mulheres consideradas atraentes 
44 
 
(Griskevicuis et al., 2012), o que pode levar a um aumento do seu comportamento de consumo. 
Um estudo feito em um café universitário em Israel encontrou uma relação entre a interação 
com o sexo oposto e aceitar comprar um produto menos danoso ao meio ambiente (Tifferet et 
al., 2017). Os resultados demonstraram que homens e mulheres estavam mais dispostos a pagar 
a mais por um copo biodegradável quando a oferta era feita por um membro do sexo oposto, 
podendo revelar uma tentativa não consciente de tentar impressionar. Farelly e Bhogal (2021) 
demonstraram que o envolvimento em comportamentos pró-ambientais pode aumentar a 
desejabilidade de um parceiro em potencial para longo prazo e que homens e mulheres 
demonstram uma motivação para se envolver em comportamentos pró-ambientais na presença 
pessoas atraentes do sexo oposto. Os resultados de pesquisa para comportamento reprodutivo 
demonstram resultados que podem favorecer ou dificultar o comportamento favorável ao meio 
ambiente. 
Além dos motivos reprodutivos, a preocupação com ameaças à integridade física 
também afeta os padrões de consumo. O motivo de autoproteção é caracterizado pela crença 
que o mundo é perigoso e as pessoas podem ser uma ameaça. Estudos anteriores demonstraram 
que esse motivo ativo e está associado a consumos em massa, sendo relacionado ao 
comportamento de conformidade ao grupo, ou seja, consumir igual a como a maioria das 
pessoas está fazendo (Griskevicius et al., 2006). Além disso, a autoproteção alta também deixa 
homens e mulheres mais aversivos a perda, deixando as pessoas atentas a essas situações (Li 
et al., 2012). O medo de situações perigosas ou instáveis, como desastres ambientais, pode 
estimular as pessoas a agirem de forma pró-ambiental. Importante destacar que, dentro da teoria 
dos motivos fundamentais sociais, a autoproteção está como uma necessidade mais básica, 
relaciona à sobrevivência,que aparece muito cedo e permanece durante toda a vida, e por isso 
é muito importante para ser investigada. Segundo Kenrick (2011), as necessidades mais altas 
se desenvolvem mais tarde, mas não substituem as necessidades mais baixas. Em vez disso, 
45 
 
nossas necessidades de desenvolvimento anterior permanecem centralmente importantes, 
ficando em segundo plano somente até que sejam desencadeadas por oportunidades e ameaças 
no ambiente. 
 Finalizando com o comportamento de cuidado, não há estudos que abordam de forma 
empírica a sua relação com comportamentos mais favoráveis ao meio ambiente, mas alguns 
autores supõem sua existência. Scheller (2018), em um estudo de revisão sobre o 
comportamento de cuidado parental, explica que cuidar é a base para o surgimento de diversos 
comportamentos como empatia, altruísmo e compaixão (Goetz et al., 2010) e isso pode gerar 
respostas comportamentais em outros contextos. Uma das respostas pode ser a generatividade, 
ou seja, a preocupação com o bem-estar das gerações futuras, o que poderia ocasionar ações 
diretas de cuidados com o meio ambiente. 
Um estudo que investigou apelos pró-ambientais para fazer com que as pessoas 
desliguem o carro em situações de trânsito e, assim, diminuam emissão de gases poluentes, 
encontrou resultados significativos para comportamentos de interesse próprio (termo descrito 
pelos autores). Quando os pesquisadores emitiam mensagens relacionada à parentes (pense nos 
seus filhos) ou à saúde (“aviso - poluição”), a taxa de adesão ao comportamento pró-ambiental 
foi duplicada em comparação com uma situação controle (Van der Vyver et al., 2018). Esses 
resultados estão de acordo com as propostas de que as motivações para autoproteção e cuidado 
podem ajudar em comportamentos ambientalmente favoráveis. 
Os estudos com base nos motivos sociais fundamentais são iniciais e promissores, 
contudo ainda há uma necessidade de ampliar as pesquisas na área. Até o momento, os estudos 
mais consistentes têm encontrado que pessoas que estão mais motivadas pelo status podem 
exibir mais consumo conspícuo ou manter alto seus padrões de consumo, sendo desfavorável 
a um estilo de vida de enfrentamento aos problemas ambientais que nos deparamos. As 
motivações para o cuidado e a autoproteção parecem estar mais alinhadas a padrões de 
46 
 
consumo e comportamento mais parcimoniosos, mas é preciso de estudos que investiguem de 
forma direta essas relações. 
Perspectivas de integração e caminhos possíveis 
 Para finalizar, iremos destacar os aspectos mais relevantes das propostas aqui citadas. 
Começando pela teoria normativa, é relevante dizer que ela é descrita como uma das mais 
aplicáveis para promover as mudanças ambientais desejáveis. O conhecimento evolucionista é 
importante para complementar a compreensão do papel das normas sociais na sociedade atual. 
Quando falamos isso, estamos nos referindo à causa última de um comportamento, ou seja, que 
seguir e criar padrões normativos faz parte de um funcionamento específico do nosso aparato 
cognitivo (cérebro) para fins de economia de energia, o que, por sua vez, influencia nosso 
comportamento, inclusive os de interação com o meio ambiente. Também se destaca por 
considerar que esses padrões variam de acordo com as pessoas (normas individuais) e contextos 
(norma especificas por grupos) e estes são aspectos que devem ser considerados antes de 
realizar uma intervenção em prol do meio ambiente. 
O segundo grupo de pesquisas, dos dilemas morais, engloba pesquisas embasadas pela 
teoria evolucionista e seu foco reside nos conflitos que envolve decisões entre interesses 
coletivos ou individuais. Os estudos demonstram que a ação pró-ambiental está muitas vezes 
relacionada aos comportamentos cooperativos, o que exige um certo grau de conexão dos 
indivíduos com sua comunidade, uma identidade com o seu entorno, e uma confiança na 
informação e nas instituições, gerando emoções de pertencimento e desejo de partilha. 
Contudo, foi verificado que nem sempre esses argumentos precisam estar juntos, pois pode-se 
também estimular comportamentos pró-ambientais com base em interesses individuais (como 
exemplos simples temos as economias em dinheiro quando reduzimos uma conta de água). De 
uma forma geral, a contribuição da teoria evolucionista reside na ideia de que os dilemas morais 
47 
 
foram muito importantes para evolução das habilidades em lidar com conflitos de interesse 
individual versus coletivo, um desafio para administrar os problemas ambientais atuais. 
Estratégia K, desconto de futuro e percepção do que está ao alcance dos sentidos ajudam 
a explicar o gap atitude-comportamento (Belz & Peattie, 2013), uma vez que promoviam 
sobrevivência e reprodução em um ambiente de adaptação evolutiva que não existe mais. 
Atualmente, esses três mecanismos têm, muitas vezes, uma ligação direta com o excesso de 
consumo e podem prejudicar escolhas mais sustentáveis. Conhecer esses mecanismos podem 
embasar campanhas educativas e amplas. Os estudos apontam como solução conteúdos que 
promovam uma vinculação com a natureza e que enfatizem comportamentos sustentáveis que 
se tenham benefícios imediatos, buscando reduzir essa distância psicológica entre o pensar e o 
agir sustentável. 
A teoria dos motivos sociais fundamentais é a mais recente de todas e tem como base 
teórica principal a abordagem evolucionista, sendo uma teoria da motivação que aborda 
aspectos evolutivos da sobrevivência e reprodução humanos. Suas pesquisas têm relevância 
principal no estudo de comportamentos de consumo. Os achados iniciais demonstram que as 
nossas motivações podem exercer influências em nossas decisões comportamentais de 
consumo. Apesar de promissora, o estudo dos comportamentos de consumo pró-ambiental 
nessa perspectiva estão apenas se iniciando. Dentre os motivos descritos, os que apresentaram 
algum tipo de efeito sobre as escolhas pró-ambientais foram: autoproteção, status, busca e 
retenção de parceiros e cuidado (parental e dos filhos). 
 Nota-se que os argumentos oriundos dos temas ou teorias apresentados muitas vezes se 
sobrepõem, e isso ocorre por direcionamento dos pesquisadores e por muitos conceitos 
dialogarem entre si. Afinal de contas, não há barreiras teóricas incongruentes entre as teorias 
apresentadas, pois estamos falando de uma mesma fundamentação de base. Por exemplo, as 
normas injuntivas e a teoria da reciprocidade direta se referem as decisões comportamentais 
48 
 
relacionadas à uma preocupação com reputação que, em algumas situações, podem interagir 
com a motivação para status. Os conflitos nos dilemas morais que envolvem decisões entre 
cooperar ou não podem estar ligados aos motivos fundamentais importantes para o indivíduo 
naquele momento, como os reprodutivos e autoproteção, e ainda sofrerem influência dos vieses 
da natureza humana, como desconto de futuro. 
 Para concluir, este breve ensaio teórico se limitou a destacar as contribuições que a 
teoria evolucionista e seus estudos têm fornecido para entender a relação do homem com o 
meio ambiente. Portanto, não tem o objetivo de contradizer outros campos de estudo com 
perspectivas teóricas distintas. Para algumas propostas de estudo, os conhecimentos aqui 
descritos podem ser ora complementares, ou ora como foco central de investigação, mas nunca 
a única explicação para entender a complexa rede de interação que envolve a psicologia 
humana dos comportamentos pró-ambientais. Analisando em conjunto as possibilidades de 
estudo descritas acima, seu foco recai na tomada de decisão comportamental, em situações 
quase experimentais, experimentais ou naturalísticas, o que pode ser uma grande contribuição 
para os estudos que visem uma mudança de comportamento das pessoas com relação às 
escolhas que impactam no meio ambiente. 
49 
 
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56 
 
Estudo 2 
 
 
Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do 
Brasil 
 
 
Nivia de Araújo Lopes 
Felipe Nalon Castro 
 
 
Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de Fisiologia e Comportamento, 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
 
 
 
 
 
 
Periódico: Journal of Personality and Social Psychology 
Classificação QUALIS: A1 
Status da publicação: a ser submetido. 
 
57 
 
Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste 
do Brasil 
Nivia de A. Lopes e Felipe N. Castro 
Departamento de Fisiologia e Comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
 
 
 
Nota do autor 
Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 
Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 
 
 
Este estudo não foi pré-registrado. Todos os dados foram disponibilizados 
publicamente no Open Science Frameowork e podem ser acessados em [indicar aqui o 
endereço para acesso aos dados quando forem submetidos]. Este artigo é baseado na tese de 
doutorado de Lopes (2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à 
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código 
Financeiro 001. Este estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em 
Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência 
referente a este artigo deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do 
Comportamento Humano, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de 
Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. 
E-mail:castrofn@gmail.com. 
https://orcid.org/0000-0002-6690-5182
mailto:castrofn@gmail.com
58 
 
Resumo 
Os motivos sociais fundamentais são mecanismos que foram selecionados por impactar a 
sobrevivência e reprodução de nossos ancestrais. Atualmente estes motivos predizem o nosso 
comportamento e são influenciados por diversos fatores, incluindo as diferenças individuais. O 
objetivo deste estudo é investigar o efeito das diferenças individuais na expressão dos motivos 
sociais fundamentais. Este estudo incluiu adultos com idade de 18 a 75 anos de ambos os sexos, 
residentes no Brasil. Um delineamento quase-experimental com alocação não aleatória dos 
participantes foi utilizado, e a amostra consistiu em 539 indivíduos que forneceram 
informações sociodemográficas e responderam o inventário de motivos sociais fundamentais 
(FSM), por meio de questionário autoaplicável online. Os resultados revelam que o cuidado 
familiar é a motivação mais bem pontuada entre os brasileiros. Além disso, verificamos que 
adultos jovens estão mais motivados para buscar afiliação (independência), evitar a exclusão 
social, buscar status e parceiros, que os indivíduos mais velhos estão motivados para reter seus 
parceiros e cuidar dos filhos. Indivíduos com baixa renda demonstraram preocupação com 
autoproteção e afiliação (independência), enquanto aqueles com maior renda se preocupam 
mais em cuidar dos filhos. Por fim, os homens estão mais motivados para buscar parceiros e as 
mulheres a reter parceiros. Conclui-se que os sistemas motivacionais podem ajudar a entender 
as diferenças individuais e as prioridades ao longo de nossas vidas, com diferentes estados 
motivacionais sendo priorizados em cada estágio do desenvolvimento, sexo e alguns deles 
influenciados pela condição socioeconômica. 
Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, diferenças individuais. 
 
59 
 
Abstract 
The fundamental social motives are mechanisms that were selected because they impact the 
survival and reproduction of our ancestors. Currently, these motives predict our behavior and 
are influenced by various factors, including individual differences. The aim of this study is to 
investigate how fundamental social motives are expressed and to identify the effect of 
individual differences on their expression. This study included adults aged 18 to 75 of both 
sexes residing in Brazil. A quasi-experimental design with non-randomparticipant allocation 
was used, and the sample consisted of 539 individuals who provided sociodemographic 
information and responded to the Fundamental Social Motives Inventory (FSM) through a self-
administered online questionnaire. The results reveal that family care is the highest-rated 
motivation among Brazilians. Furthermore, we found that young adults are more motivated to 
seek affiliation (independence), avoid social exclusion, pursue status, and partners, while older 
individuals are motivated to retain their partners and to care for their children. Individuals with 
low income showed concern for self-protection and affiliation (independence), while those 
with higher income are more focused on caring for their children. Finally, men are more 
motivated to seek partners, and women to retain partners. In conclusion, motivational systems 
can help understand individual differences and priorities throughout our lives, with different 
motivational states being prioritized at each stage of development, gender, and some of them 
influenced by socioeconomic status. 
Keywords: Motivation, behavior evolution, individual differences. 
60 
 
Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste 
do Brasil 
A motivação prediz o comportamento e o comportamento impacta o ambiente em que 
vivemos, assim como as outras pessoas e a nós mesmos. A pesquisa sobre a motivação humana 
é realizada em diversos campos, tendo sido propostas várias abordagens teóricas (Todorov & 
Moreira, 2005), incluindo uma abordagem evolucionista. A abordagem evolucionista busca 
compreender como surgiram os mecanismos que influenciam nosso comportamento. Dessa 
forma, a motivação não está apenas relacionada a necessidades e objetivos, mas também aos 
sistemas regulatórios que evoluíram em nossos ancestrais para facilitar a tomada de decisões 
em contextos específicos, impactando a reprodução (Schaller et al., 2017). 
Existem diversas propostas evolucionistas que investigam os motivos que impulsionam 
nossas ações. Uma delas foi elaborada por Bugental (2000), propondo cinco domínios para a 
motivação humana: apego, poder hierárquico, coalizões, reciprocidade e acasalamento. Cada 
domínio utiliza uma combinação particular de sistemas neuro-hormonais e respostas 
emocionais que são expressas ao longo do desenvolvimento. A segunda proposta foi elaborada 
por Bernard et al. (2005) e define a motivação como um comportamento proposital direcionado 
para o aumento da aptidão inclusiva. Para os autores, existem cinco motivos que embasam o 
comportamento humano: autoproteção, acasalamento, manutenção do relacionamento e 
cuidado parental, coalizão de grupos e o domínio do sistema cultural simbólico. A terceira é a 
de Aunger e Curtis (2013) que define a motivação com um estado de excitação de busca de 
metas e motivos individuais. Nesta proposição são indicadas quinze motivações: apetite sexual; 
fome; conforto; medo e nojo; atrair; amor; cuidado (nutrir); guardar recursos (tesouro 
escondido); criar (habitat e ferramentas); afiliação; status; justiça; curiosidade e brincar 
(Aunger & Curtis, 2013). Por fim, Kenrick et al. (2010) propuseram a teoria dos motivos sociais 
fundamentais, que realizou a releitura do modelo de motivação humana elaborado por Maslow. 
61 
 
A teoria dos motivos sociais fundamentais postula que nossos motivos têm suas origens 
em adaptações psicológicas relacionadas à sobrevivência e reprodução de nossos ancestrais. 
De acordo com esta teoria, existem sete motivos sociais fundamentais que influenciam o 
comportamento humano: (1) autoproteção, relacionado ao comportamento de estar atento a 
situações perigosas para a integridade física da pessoa; (2) evitação de doenças, consiste na 
evitação de pessoas ou situações que podem levar ao adoecimento; (3) status, atrelado à 
necessidade de ter um papel ou espaço de influência em alguma esfera da vida; (4) afiliação 
(grupo), vinculado à busca social de fazer alianças; (5) busca por parceiros, vinculado a busca 
de pessoas para fins reprodutivos; (6) retenção de parceiros, relacionado à manutenção de 
relacionamentos com fins reprodutivos; e (7) cuidado (família), associado ao cuidado de 
parentes e filhos (Griskevicius & Kenrick, 2013). Neel et al. (2016) desenvolveram uma escala 
para medir os motivos sociais fundamentais e detalharam os motivos de afiliação, retenção de 
parceiros e cuidado da família para melhor avaliar certos comportamentos. Além dos sete 
motivos iniciais, foram adicionados os seguintes: (8) afiliação (independência), a necessidade 
de se manter independente das pessoas; (9) afiliação (exclusão), relacionado a necessidade de 
não se sentir sozinho ou excluído; (10) preocupação com término, atrelado ao medo de perder 
o parceiro romântico; e (11) cuidado (filhos), vinculado exclusivamente à motivação das 
pessoas que têm filhos. A teoria dos motivos sociais fundamentais tem sido amplamente 
utilizada em pesquisas que sugerem que os comportamentos, os sentimentos e os estados 
emocionais variam conforme diferentes motivos sociais fundamentais são ativados, inclusive 
com a presença de variações entre as culturas (Pick et al., 2022a). 
Os motivos fundamentais podem ser influenciados por uma variedade de fatores, 
incluindo fatores ecológicos e sociais, bem como características individuais (Kenrick et al., 
2010). Por exemplo, foi verificado que quanto maior é o índice de mortalidade infantil de um 
país, maior é a prevalência de estratégias reprodutivas monogâmicas devido à necessidade 
62 
 
maior do cuidado biparental (Schmitt, 2005). Pick et al. (2022a) realizaram uma análise dos 
motivos sociais fundamentais em 42 países e encontraram similaridade na expressão dos 
motivos entre o Brasil, Chile e Peru. Com relação a fatores sociais, descobriu-se que pessoas 
induzidas ao motivo autoproteção desenvolvem uma maior atenção e memória a rostos que 
consideram potencialmente perigosos (Becker et al., 2010). Além disso, Schaller (2018) 
encontrou que o motivo cuidado (família) prediz comportamentos de proteção, mas também 
pode influenciar a aversão ao risco e a formação de impressões (Schaller, 2018). 
Adicionalmente, características individuais como o sexo, idade e condição socioeconômica 
também influenciam a expressão dos motivos fundamentais. 
O sexo dos indivíduos afeta principalmente os motivos relacionados ao domínio 
reprodutivo e cuidado. Por exemplo, homens percebem rostos de mulheres atraentes como mais 
excitantes quando estão com o motivo busca por parceiros ativado (Maner et al., 2005). 
Também foi observado que homens apresentam maior motivação para busca por parceiros (Ko 
et al., 2020; Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b), enquanto mulheres apresentam maior 
motivação para retenção de parceiros (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016). Além disso, as 
mulheres também demonstraram maiores pontuações em cuidado (Ko et al., 2020; Neel et al., 
2016; Schaller, 2018), evitação de doenças (Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b) e autoproteção 
(Neel et al., 2016). Estes achados sugerem que diferentes motivos sociais fundamentais são 
predominantes em homens e mulheres, o que está em consonância com as predições das teorias 
tradicionais que explicam o acasalamento humano (Kenrick et al., 1990). 
A idade exerce influência nos motivos relacionados ao status, afiliação, e o cuidado 
(família e filhos). De acordo com a teoria dos motivos sociais fundamentais, os jovens estão 
mais engajados em buscar amigos (afiliação) e competir por uma posição social elevada (status) 
do que em manter parceiros (Kenrick et al., 2010; Neel et al., 2016). Além disso, Neel et al. 
(2016) observaram que a busca por autoproteção é maior entre os jovens, enquanto o cuidado 
63 
 
é menos expressivo. Por outro lado, as pessoas mais velhas tendem a apresentar mais 
comportamentos de cuidado parental (Kenrick et al., 2010; Pick etal., 2022b). Essas variações 
nos motivos ao longo das diferentes faixas etárias revelam que desafios distintos predominam 
em cada etapa do desenvolvimento. Em relação a jovens e adolescentes, diferentes motivos 
também podem afetar o comportamento de risco. Pesquisas indicam que a busca por status está 
associada ao aumento do comportamento de risco, enquanto cuidado (família) está relacionado 
a diminuição desses comportamentos (Rodríguez et al., 2023). Estes achados apontam para a 
complexa interação entre os motivos sociais fundamentais e o comportamento ao longo do 
desenvolvimento humano, ressaltando a importância de considerar as motivações específicas 
de cada faixa etária para compreender melhor as decisões das pessoas em diferentes momentos 
da vida. 
Por fim, é importante ressaltar que a condição socioeconômica pode modular a 
expressão dos motivos sociais fundamentais. Estudos demonstraram que pessoas com alta 
renda apresentam maior motivação para afiliação (Neel et al., 2016) e cuidados com a família 
(Pick et al., 2022b). Além disso, foi observado que, à medida que a renda aumenta, as 
preocupações com autoproteção, preocupação com o término, e cuidado dos filhos tendem a 
diminuir (Neel et al., 2016). Apesar destes achados, são escassas as pesquisas que investigam 
a influência da condição socioeconômica na expressão dos motivos sociais fundamentais. Mais 
estudos são necessários para compreender como os fatores socioeconômicos podem interagir 
com as motivações humanas e como eles moldam nossos comportamentos em diferentes 
contextos. 
Em resumo, diferentes estados motivacionais podem levar a vieses de percepção, 
resultando em decisões comportamentais e reações emocionais distintas. Estas respostas podem 
ser adaptativas e até mesmo predominantes em determinadas fases do desenvolvimento. 
Compreender os fatores que permeiam os motivos por trás do comportamento é essencial para 
64 
 
entendermos a diversidade comportamental em nossa espécie e elucidar os desafios que 
enfrentamos ao longo do desenvolvimento. Contudo, não compreendemos completamente 
quais são os motivos predominantes e quais fatores influenciam na expressão destes motivos 
em adultos. Entender a intensidade dos motivos e como eles variam em função do sexo, idade 
ou renda em lugares diferentes, como no Brasil, é necessário para confirma algumas tendências 
ou trazer novas discussões sobre as diferenças individuais. 
Com base a teoria dos motivos sociais fundamentais (Kenrick et al., 2010), o objetivo 
deste estudo é investigar o efeito das diferenças individuais na expressão dos motivos sociais 
fundamentais. Hipotetizamos que os motivos sociais fundamentais se expressam em 
magnitudes diferentes, e que sofrem efeito da faixa etária, renda e sexo dos participantes. 
Baseados nos estudos existentes sobre faixa etária, esperamos que: (1) A menor faixa etária irá 
apresentar a pontuação mais elevada para os motivos afiliação (independência), afiliação 
(exclusão), status e busca por parceiros; (2) As faixas etárias maiores irão apresentar a maior 
pontuação da amostra para retenção de parceiros e cuidado (filhos). Tendo em vista a 
vulnerabilidade social causada por uma renda muito baixa: (3) pessoas com a menor renda 
apresentarão a maior pontuação da amostra em autoproteção e evitação de doenças. E (4) 
homens irão maior pontuação nos motivos de busca por parceiros do que mulheres, enquanto 
as mulheres irão apresentar maior pontuação nos motivos retenção de parceiros e cuidado 
(filhos) do que os homens, baseado nos estudos sobre diferenças individuais nas estratégias 
reprodutivas humanas. 
Método 
Procedimentos de amostragem 
Os participantes foram recrutados em redes sociais, onde a pesquisa foi brevemente 
introduzida e um link de acesso foi fornecido (APÊNDICE A). A pesquisa foi divulgada no 
perfil pessoal da pesquisadora, em aplicativos de mensagens instantâneas, em perfis de 
65 
 
laboratórios da universidade e e-mail institucional. A amostra foi por conveniência. O tamanho 
da amostra intencional (N=400) foi calculado para uma população heterogênea acima de 100 
mil habitantes e a margem de erro desejada de 5% (Arkin & Colton, 1963, citado em Ventura 
et al., 2010). A amostra alcançada foi N=585. A coleta de dados ocorreu online utilizando a 
plataforma Google Forms de abril a novembro de 2022, com duração aproximada de 20 
minutos. Todos os participantes foram voluntários e não receberam pagamento. Este estudo foi 
submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos local, sob parecer 
número: 5.171.745 (ANEXO A). O consentimento para participação e publicação de dados 
resultantes da pesquisa foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo, através do 
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APENDICE B). 
Participantes 
Um total de 539 indivíduos (354 mulheres) com idade de 18 a 75 anos, de ambos os 
sexos, residentes no Brasil participaram do estudo. O critério de exclusão foi estar abaixo de 
18 anos de idade e ter respondido algum dos instrumentos de forma incompleta. A média de 
idade dos participantes foi 34,97 (DP = 12,21) anos. Baseado no critério do Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (2013) para classificação da cor da pele, a amostra consistiu em 
59,74% de indivíduos brancos, 33,40% pardos, 5,19% pretos, 1,48% de descendentes asiáticos 
(japoneses, chineses e coreanos) e 0,19% indígenas. Com relação ao comportamento sexual, 
76,99% se declararam exclusivamente heterossexual, 6,86% exclusivamente homossexual e 
16,15% em outras categorias intermediárias. Em termos de escolaridade, 11,13% reportaram 
ter completado o ensino médio, 33,77% completaram o ensino superior e 55,10% completaram 
cursos de pós-graduação. 
Medidas e Instrumentos 
Nesta pesquisa, os participantes forneceram informações sociodemográficas e 
responderam o inventário de motivos sociais fundamentais. As informações socioeconômicas 
66 
 
foram sexo, idade, cor de pele, orientação sexual, estado civil, escolaridade, renda familiar em 
salários-mínimos (SM), meio de transporte e local de residência (APENDICE C). Para medir 
os motivos fundamentais foi utilizado o Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF), 
instrumento criado e validado por Neel et. al. (2016). Ele consiste em 66 itens, que mensuram 
os motivos sociais fundamentais (e suas subescalas) dos respondentes no momento da 
aplicação. Os motivos mensurados são: autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), 
afiliação (independência), afiliação (exclusão), status, busca por parceiros, retenção de 
parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos). Os participantes 
indicavam sua concordância com cada item com uma escala Likert de 7 pontos indo de 
“discordo fortemente” até “concordo fortemente” (ANEXO B). Participantes que não tinham 
filhos foram orientados a não pontuar os itens relacionados ao cuidado com os filhos; 
participantes que não estavam em relacionamento amoroso no momento da coleta de dados 
foram instruídos a não pontuar os itens relacionados a retenção de parceiros e preocupação com 
o término. Neste estudo, a pontuação total dos escores dos motivos sociais fundamentais de 
cada participante foi utilizada para o cálculo do percentual relativo dos pontos atribuídos a cada 
um dos motivos. O valor percentual de pontos atribuídos a cada um dos motivos permitiu a 
comparação entre os grupos e a avaliação da importância relativa dos motivos dentro de cada 
grupo. Neste estudo, a consistência interna de cada um dos motivos foi mensurada pelo 
coeficiente alfa de Cronbach: autoproteção com α = 0,81, evitação de doenças com α = 0,67, 
status com α = 0,74, afiliação (grupo) com α = 0,75, afiliação (independência) com α = 0,80, 
afiliação (exclusão) com α = 0,88, busca por parceiros com α = 0,77, retenção de parceiros com 
α = 0,62, preocupação com o términocom α = 0,88, cuidado (família) com α = 0,89 e cuidado 
(filhos) com α = 0,62. 
67 
 
Condição experimental 
Este estudo utilizou o delineamento quase-experimental com alocação não aleatória dos 
participantes. As variáveis independentes foram sexo (masculino e feminino), faixa etária e 
renda. Para a faixa etária, os participantes foram distribuídos em quatro grupos: 18-29 anos, 
com 213 participantes (39,52%); 30-39 anos, com 150 participantes (27,83%); 40-49 anos, com 
101 participantes (18,74%); e 50+ (anos), com 75 participantes (13,91%). Quanto a renda, os 
participantes foram categorizados em cinco grupos: participantes com renda até 2 SM (salários-
mínimos), 20,41%, participantes com renda de 2 a 4 SM (25,42%), participantes com renda de 
4 a 10 SM (30,98%), participantes com renda de 10 a 20 SM (17,44%) e participantes com 
renda acima de 20 SM (5,75%). 
Procedimento 
Os participantes foram a unidade de investigação nesse estudo. A coleta de dados 
ocorreu online através de questionários usando a plataforma Google Forms. Os participantes 
foram recrutados por aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais e e-mail 
institucional. Após aceitar participar, os participantes leram e assinaram o TCLE e 
preencheram os questionários contendo os instrumentos. Finalizado o preenchimento dos 
questionários, os participantes foram agradecidos e dispensados. 
Análise de dados 
Esse estudo utilizou um Modelo Linear Geral (GLM) para investigar se grupos com 
diferentes faixa-etárias, rendas e sexo diferem quanto a expressão dos motivos sociais 
fundamentais. A variável independente dentre grupos foi motivos, com os seguintes níveis: 
autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação 
(exclusão), status, busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, 
cuidado (família) e cuidado (filhos); e as variáveis independentes entre participantes foram 
faixa-etária (18-29, 30-39, 40-49 e 50+), renda (Até 2SM, 2-4SM, 40-10SM, 10-20SM e 
68 
 
Acima20SM) e sexo (masculino e feminino). Nesta análise, a porcentagem relativa das 
pontuações dos motivos sociais fundamentais serviu como variável dependente. O modelo 
aplicado investigou o efeito simples das variáveis motivos, faixa-etária, renda e sexo, além das 
interações de motivos com faixa-etária, renda e sexo. O teste de Bonferroni foi utilizado nas 
análises post hoc que compararam os grupos das variáveis faixa-etária, renda e sexo para cada 
um dos motivos; o critério de significância foi 1%. 
Para determinar a importância dos motivos dentre os grupos com diferentes faixas 
etárias, renda e sexo, a pontuação percentual média de cada um dos motivos foi comparada 
com um valor de referência, utilizando testes t de uma amostra. O valor de referência utilizado 
nestas análises foi 9,09%, sendo obtido dividindo-se a porcentagem total (100%) atribuída aos 
motivos pelo número total de motivos investigados (11). Ou seja, se um indivíduo (ou um 
grupo de indivíduos) apresenta todos os motivos com igual pontuação, ele deve apresentar o 
valor igual a 9,09% em cada um de seus motivos. Nestas análises, o critério de significância 
foi ajustado para 0,1% para evitar Erro do Tipo 1. Os dados foram analisados por meio do 
software aplicativo IBM SPSS, versão 26. 
Resultados 
O efeito simples da variável motivos indica diferentes pontuações dentre os motivos 
(F(10, 5300) = 153,37; p < 0,001; η²parcial = 0,22 e poder = 1,00). As análises indicam os 
motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência) e 
cuidado (família) apresentaram pontuação acima do valor de referência; que os motivos 
afiliação (exclusão) e status apresentaram pontuação igual ao valor de referência; e, por fim, 
os motivos busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término e cuidado 
(filhos) apresentaram pontuações abaixo do valor de referência (Tabela 1). Não foram 
encontradas diferenças para o efeito simples da idade (F(3, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 
69 
 
0,01 e poder < 0,01, renda (F(4, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 0,01 e poder < 0,01) ou 
sexo (F(1, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 0,01 e poder < 0,01). 
Efeito da idade sobre os motivos sociais fundamentais 
Foi observado um efeito de interação entre motivos e faixa-etária (F(30, 5300) = 19,81; 
p < 0,001; η² parcial = 0,10 e poder = 1,00). A comparação entre as faixas etárias mostrou que 
os participantes da faixa etária 18-29 apresentaram maior pontuação para os motivos afiliação 
(independência), afiliação (exclusão), status e busca por parceiros; e menor pontuação para o 
motivo retenção de parceiros e cuidado (filhos). O motivo retenção de parceiros apresentou a 
maior pontuação na faixa etária 30-39 anos e o motivo cuidado (filhos) apresentou as maiores 
pontuações em pessoas com 40 anos ou mais (faixas etárias 40-49 e 50+). As faixas-etárias não 
diferiram para os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), preocupação 
com o término e cuidado (família) (Figura 1). 
Ao avaliar a pontuação dos motivos dentre cada uma das faixas etárias, verificamos que 
os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo) e cuidado (família) 
apresentaram pontuação acima do valor de referência em todas as faixas etárias, enquanto os 
motivos: busca por parceiros e preocupação término, apresentaram pontuação abaixo deste 
valor (Tabela 1). Além disso, os participantes na faixa-etária 18-29 apresentaram pontuação 
elevada para afiliação (independência), afiliação (exclusão) e status, e abaixo do valor de 
referência para retenção de parceiros e cuidado (filhos). Já os participantes da faixa-etária 30-
39 apresentaram pontuação alta para afiliação (independência) e igual ao valor de referência 
para afiliação (exclusão), status e retenção de parceiros, e pontuação abaixo do valor de 
referência para cuidado (filhos). Por sua vez, os participantes da faixa-etária 40-49 
apresentaram pontuação igual ao valor de referência para afiliação (independência), status, 
retenção de parceiros e cuidado (filhos), bem como pontuação baixa para afiliação (exclusão). 
Por último, os participantes da faixa etária 50+ apresentaram pontuação igual ao valor de 
70 
 
referência para afiliação (independência), retenção de parceiros e cuidado (filhos) e pontuação 
abaixo do valor de referência para afiliação (exclusão) e status (Tabela 1). De forma geral, 
estes resultados sugerem que a busca por independência, a preocupação com a exclusão e a 
busca por status são maiores em adultos jovens e se reduzem em pessoas com idades mais 
avançadas, enquanto o investimento em retenção de parceiros e cuidado com os filhos é maior 
em pessoas mais velhas. 
71 
 
Tabela 1 
Comparações da média percentual dos motivos sociais fundamentais com o valor de referência: avaliação geral, dentro de cada faixa etária, renda e sexo. 
 Motivos por idade Motivos por renda Motivos por sexo 
 Motivos 18-29 30-39 40-49 50+ Até 2 SM De 2-4 SM De 4-10 SM De 10-20 SM 21+ SM Feminino Masculino 
Autoproteção 11,75(2,97)a 12,55(2,80)a 11,60(2,80)a 10,81(3,12)a 11,07(3,01)a 12,76(3,11)a 12,08(2,77)a 11,84(2,73)a 10,58(3,05)a 9,82(2,36) 11,70(2,76)a 11,86(3,34)a 
Evitação de doenças 10,75(2,76)a 11,31(2,80)a 10,53(2,59)a 10,12(2,84)a 10,43(2,59)a 11,52(3,07)a 10,78(2,51)a 10,87(2,65)a 10,04(2,57)a 9,35(2,89) 10,81(2,60)a 10,63(3,04)a 
Afiliação (Grupo) 11,41(2,62)a 11,37(2,61)a 11,18(2,45)a 11,53(2,85)a 11,81(2,66)a 10,96(2,87)a 11,19(2,59)a 11,54(2,58)a 11,68(2,45)a 12,48(2,21)a 11,37(2,67)a 11,48(2,53)a 
Afiliação (Independência) 11,07(3,70)a 12,21(3,54)a 10,33(3,23)a 10,49(4,38) 10,07(3,19) 12,52(4,19)a 11,42(3,43)a 10,79(3,47)a 9,97(3,41) 9,15(3,05) 11,03(3,41)a 11,14(4,20)a 
Afiliação (Exclusão) 9,14(3,45) 10,85(3,58)a 8,59(2,80) 7,63(2,92)b 7,38(2,74)b 10,12(3,65) 9,41(3,73)8,78(3,21) 8,35(2,96) 8,74(3,41) 9,13(3,33) 9,14(3,68) 
Status 9,06(2,64) 9,96(2,59)a 8,72(2,54) 8,47(2,54) 7,94(2,35)b 9,50(2,67) 9,20(2,86) 8,84(2,39) 8,69(2,70) 9,15(2,54) 8,92(2,59) 9,32(2,72) 
Busca por parceiros 6,75(3,61)b 7,98(3,88)b 6,00(3,15)b 5,70(2,95)b 6,13(3,58)b 7,04(3,49)b 7,32(3,86)b 6,82(3,78)b 5,82(2,91)b 5,56(3,29)b 6,27(3,32)b 7,67(3,96)b 
Retenção de parceiros 8,18(5,95)b 6,60(6,57)b 9,86(5,17) 9,38(4,99) 7,69(5,56) 7,11(6,33) 8,03(6,31) 7,81(5,88) 9,53(5,05) 10,56(4,67) 8,77(5,82) 7,05(6,04)b 
Preocupação término 4,30(3,75)b 3,79(4,18)b 5,05(3,38)b 4,66(3,35)b 3,73(3,38)b 4,31(4,30)b 4,03(3,72)b 4,26(3,74)b 4,56(3,35)b 4,80(3,02)b 4,53(3,72)b 3,86(3,78)b 
Cuidado (Família) 12,95(3,04)a 12,79(3,32)a 12,96(2,84)a 12,65(2,96)a 13,77(2,53)a 11,87(3,65)a 13,07(2,75)a 13,48(2,97)a 13,03(2,64)a 13,07(2,47)a 13,01(3,16)a 12,83(2,79)a 
Cuidado (Filhos) 4,66(6,42)b 0,58(2,78)b 5,18(6,55)b 8,56(6,56) 9,97(5,92) 2,29(5,22)b 3,47(6,14)b 4,97(6,42)b 7,76(6,56) 7,34(6,56) 4,48(6,37)b 5,02(6,52)b 
Nota. O desvio padrão está nos parênteses após a média. Tamanho da amostra total = 539; Feminino = 354; Masculino = 185; 18-29 = 213; 30-39 = 150; 40-49 = 101; 50+ = 
75; Abaixo de 2 salários-mínimos (SM) = 110; De 2 até 4 SM = 137; De 4 até 10 SM = 167; De 10 até 20 SM = 94 e Acima de 20 SM = 31. O valor de referência é 9,09%, 
calculado dividindo a porcentagem total (100%) pelo número de motivos (11). 
aMédia percentual acima do valor mediano de referência (p < 0,001). 
bMédia percentual abaixo do valor mediano de referência (p < 0,001). 
 
72 
 
Figura 1 
Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a faixa-etária 
 
Nota. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença entre os grupos em cada um dos 
motivos. 
 
 
 
a
a
a a
a
a
a
b
a
a
c
a
a
a
b
b
b
b
a
a
a
b
a
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ab
b
b
b
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a
a
a
a
a
a
b
b
b
b
ab
a
a
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15
Autoproteção Evitação de
doenças
Afiliação
(Grupo)
Afiliação
(Independência)
Afiliação
(Exclusão)
Status Busca por
parceiros
Retenção de
parceiros
Preocupação
término
Cuidado
(Família)
Cuidado
(Filhos)
P
o
rc
en
ta
g
em
18-29
30-39
40-49
50+
73 
 
Efeito da renda sobre os motivos sociais fundamentais 
Também foi observado efeito de interação entre motivos e renda (F(40, 5300) = 2,58; 
p < 0,001; η²parcial = 0,02 e poder = 1,00). A comparação entre os grupos com diferentes 
rendas mostrou que os participantes nos grupos de renda mais baixa mostraram maior 
pontuação nos motivos autoproteção e afiliação (independência) e menor pontuação para 
cuidado (família). Além disso, a análise descritiva dos dados sugere que uma queda na 
expressão do motivo evitação de doenças e um aumento para os motivos afiliação (grupo), 
retenção de parceiros e cuidado (filhos) com o aumento da renda (Figura 2). Estas análises 
descritivas devem ser interpretadas com cuidado, pois as análises post hoc não indicaram 
diferenças entre os grupos para estes motivos. 
Ao avaliar a pontuação dos motivos dentre cada grupo com diferentes rendas, 
verificamos que todos os grupos apresentaram os motivos afiliação (grupo) e cuidado (família) 
com pontuação acima do valor de referência, que os motivos afiliação exclusão, status e 
retenção de parceiros apresentaram valores percentuais iguais ao valor de referência e que os 
motivos: busca por parceiros e preocupação com o término, apresentaram valores abaixo do 
valor de referência (Tabela 1). Em adição, os grupos com renda de 10-20 SM e Acima de 20 
SM apresentaram pontuação igual ao valor de referência para os motivos afiliação 
(independência) e cuidado (filhos), enquanto apenas os participantes do grupo cm renda acima 
de 20 SM apresentaram valores iguais ao valor de referência para autoproteção e evitação de 
doenças; os demais grupos com rendas mais baixas apresentaram pontuação acima do valor de 
referência nestes motivos (Tabela 1). De forma geral o efeito da renda sobre os motivos sugere 
que a motivação para autoproteção, evitar doenças e afiliação (independência) é menor para 
pessoas com renda elevada, enquanto o cuidado com os filhos aumenta.
74 
 
Figura 2 
Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a renda 
 
Nota. SM significa salários-mínimos. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença 
entre os grupos em cada um dos motivos. 
 
 
a
a
a
a
a a
a
a
a
b
a
ab
a
a ab
a
a
a
a
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ab
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a a
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a
a
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a a
a
a
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b
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a a
a
a
a
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15
Autoproteção Evitação de
doenças
Afiliação
(Grupo)
Afiliação
(Independência)
Afiliação
(Exclusão)
Status Busca por
parceiros
Retenção de
parceiros
Preocupação
término
Cuidado
(Família)
Cuidado
(Filhos)
P
o
rc
en
ta
g
em
Abaixo de 2 SM
De 2 até 4 SM
De 4 até 10 SM
De 10 até 20 SM
Acima de 20 SM
75 
 
Figura 3 
Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com o sexo 
 
Nota. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a de p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença entre os grupos em cada um dos 
motivos. 
a
a
a
a
a a
b
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
a
b
a
a
a
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
Autoproteção Evitação de
doenças
Afiliação
(Grupo)
Afiliação
(Independência)
Afiliação
(Exclusão)
Status Busca por
parceiros
Retenção de
parceiros
Preocupação
término
Cuidado
(Família)
Cuidado
(Filhos)
P
o
rc
en
ta
g
em
Feminino
Masculino
76 
 
Efeito do sexo sobre os motivos sociais fundamentais 
Encontramos um efeito de interação entre motivos e sexo (F(10, 5300) = 4,39; p < 0,001; 
η²parcial = 0,01 e poder = 1,00). O contraste entre os sexos para cada um dos motivos revelou 
que homens pontuaram mais que as mulheres para busca por parceiros, enquanto as mulheres 
pontuaram mais do que os Homens em retenção de parceiros. Não foram encontradas diferenças 
entre os demais motivos na comparação das médias entre os sexos (Figura 3). A análise da 
pontuação dos motivos dentre cada um dos sexos indicou que tanto homens quanto mulheres 
avaliaram os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação 
(independência) e cuidado (família) com pontuação acima do valor de referência, que os 
motivos afiliação (exclusão) e status apresentaram valores iguais ao valor de referência, e que 
os motivos busca por parceiros, preocupação com o término e cuidado (filhos) foram pontuados 
abaixo do valor de referência. Foi observado também que as mulheres pontuaram igual ao valor 
de referência para o motivo retenção de parceiros, enquanto os homens pontuaram abaixo deste 
valor (Tabela 1). 
Discussão 
Este estudo investigou o efeito de características individuais nos motivos sociais 
fundamentais. A análise que investigou apenas os motivos revelou a maior pontuação para 
cuidado direcionado à família, seguido pelos motivos relacionados a coalizões de grupo 
(afiliação grupo e independência) e autopreservação (autoproteção e evitação de doenças). 
Resultados similares foram encontrados por Ko et al. (2020), sugerindo uma universalidade de 
prioridades específicas dos motivos sociais fundamentais, especialmente para o cuidado 
(família). Este motivo está relacionado ao conceito de aptidão abrangente, que aborda a direção 
de esforços para cuidar dos parentes. O cuidado familiar é tão central no comportamento 
humano que as pessoas utilizam para avaliar a confiabilidade de outras pessoas que acabaram 
de conhecer(Billet, 2023), além de estar associado ao bem-estar psicológico (Ko et al., 2020). 
77 
 
Com relação aos comportamentos de autopreservação, a literatura indica que 
autoproteção e evitação de doenças estão associadas, especialmente em pessoas que acreditam 
que o mundo é perigoso e que se consideram vulneráveis às doenças (Neuberg et al., 2011; Neel 
et al., 2016). Acreditamos que esses motivos apresentaram alta pontuação devido ao risco de 
morte associado à pandemia do Covid-19, uma vez que a coleta de dados ocorreu 
imediatamente após a terceira onda de contágio. Neste período, os brasileiros ainda estavam em 
estado de alerta, sob recomendações de uso das máscaras e regras de evitar espaços fechados e 
aglomerados. Estudos que comparam os motivos sociais fundamentais antes e durante a 
pandemia (em diversos países, incluindo o Brasil), encontraram um aumento significativo do 
motivo evitação de doenças devido a pandemia, bem como uma maior expressão do motivo de 
cuidado (família) (Pick et al., 2022b). Além disso, os motivos de afiliação grupo e 
independência representam duas necessidades concorrentes: o desejo de fazer parte de um 
grupo e o desejo de estar sozinho, respectivamente (Neel et al., 2016). Estes motivos também 
podem ter sido exacerbados simultaneamente pela pandemia, considerando as restrições sociais 
e a necessidade de equilibrar o convívio em grupo e o isolamento para evitar a disseminação do 
vírus. 
Por outro lado, constatamos que os motivos de busca por parceiros, preocupação com o 
término do relacionamento e cuidado com os filhos apresentaram baixa pontuação na análise 
geral. Estes motivos estão relacionados a desafios reprodutivos específicos de determinadas 
fases do desenvolvimento, o que se tornou evidente quando os motivos foram avaliados em 
diferentes faixas-etárias ou entre pessoas com diferentes rendas. Por exemplo, muitos jovens 
não possuem filhos, o que resultou na baixa pontuação geral do motivo cuidado (filhos). Além 
disso, as preocupações relacionadas à autopreservação em função da pandemia podem ter 
reduzido a expressão relativa dos motivos relacionados à busca e a retenção de parceiros (Pick 
et al., 2022b). 
78 
 
A idade influenciou a expressão dos motivos. Confirmamos a primeira hipótese de que 
a faixa etária mais jovem apresentou maior pontuação que as demais faixas etárias nos motivos 
afiliação (independência), afiliação (exclusão), status e busca por parceiros, sendo ainda que 
afiliação (exclusão) e busca por status apresentaram elevada pontuação frente aos demais 
motivos nesta faixa-etária. O motivo afiliação facilita a obtenção de outros objetivos sociais, 
como adquirir recursos, encontrar um companheiro e cuidar de parentes. Este motivo está 
geralmente associado à busca por status, que também é mais elevado em jovens, fase na qual 
muitos buscam independência e seu próprio sustento. Ao mesmo tempo, o medo da exclusão 
social é uma preocupação válida nos jovens, pois nesta fase se busca estabelecer posições 
sociais de liderança, obter respeito e boa reputação (Kenrick et al., 2010). Para o motivo busca 
por parceiro, um resultado semelhante foi encontrado por Pick et al. (2022b), que pessoas mais 
jovens são mais engajadas em comportamentos de busca por parceiros, destacando um achado 
bem estabelecido na literatura sobre estratégias reprodutivas. O motivo de busca de parceiro 
pode ser ativado por fatores externos, como as interações com pessoas consideradas desejáveis, 
ou internos, como hormônios, o que faz com que pessoas jovens sejam mais expostas à essas 
situações (Griskevicius & Kenrick, 2013). Frente às demais faixas-etárias, os adultos jovens 
apresentaram as mais baixas pontuações em retenção de parceiros e cuidado com os filhos. Este 
achado pode ser um subproduto da valorização das demais motivações, sendo estas últimas 
mais relevantes em pessoas com idade avançada (Neel et al., 2016). 
Ainda com relação a idade, os resultados a segunda hipótese ao mostrar que as faixas 
etárias mais velhas apresentam maior pontuação em retenção de parceiros e cuidado (filhos). 
Enquanto o motivo de retenção de parceiros foi predominante entre as pessoas de 30 até 39 
anos, o motivo cuidado (filhos) recebeu maior avaliação nas pessoas com 40 anos ou mais. Neel 
et al. (2016), sugere que à medida que as pessoas envelhecem seus relacionamentos já existentes 
se tornam mais estáveis, o que reduz sua motivação para a busca de novos relacionamentos. 
79 
 
Além disso, espera-se que muitas conquistas sociais estejam consolidadas na idade mais 
avançada, o que as leva a pensar em ações voltadas aos mais próximos, resultando em maior 
motivação para cuidado de parentes (família e filhos) (Neel et al., 2016). De forma geral os 
achados sugerem que no início da vida adulta predominam motivos relacionados a busca por 
independência, pertencimento ao grupo, busca por status e parceiros para acasalamento, já o 
final da vida adulta é caracterizado por motivos relacionados à retenção dos parceiros e cuidado 
com os filhos. 
A renda também influenciou a expressão dos motivos sociais fundamentais, e a relação 
entre as diferentes rendas e a expressão dos motivos, sugere que ela modula a intensidade da 
expressão dos motivos. Hipotetizamos que, em contraste as pessoas com menor renda, 
apresentariam maior motivação para autoproteção e evitação de doenças. Ao comparar 
diretamente os grupos, verificamos que a autoproteção apresentou as maiores pontuações nas 
pessoas de baixa renda, e sua pontuação decresceu à medida que a renda aumenta. Ao contrastar 
os motivos, tanto autoproteção, quanto evitação de doenças apresentaram a maior pontuação 
nas pessoas com menor renda e a menor pontuação nas pessoas com as maiores rendas. A 
relação negativa de renda e autoproteção se justifica pelo fato de que a vulnerabilidade social e 
exposição aos riscos podem desencadear maior preocupação com o próprio bem-estar (Neel et 
al., 2016). Além disso, é possível argumentar que a pandemia pode ter reduzido as diferenças 
para evitação de doenças entre os grupos com diferentes rendas, atenuando o efeito previsto. 
Um resultado não esperado é que pessoas de renda mais baixa também diferiram com 
relação aos outros grupos com a maior média percentual em afiliação (independência). Neel et 
al. (2016) sugerem que alguns motivos, como afiliação (independência), podem exibir 
variabilidade considerável entre os indivíduos. Esta ideia pressupõe uma explicação por 
estratégias individuais, o que pode contrariar os resultados encontrados neste estudo. O fato de 
que pessoas de renda mais baixa estarem mais preocupadas com sua independência pode revelar 
80 
 
o quadro de vulnerabilidade social. No Brasil, pessoas que vivem com renda muito baixa, estão 
em vulnerabilidade social e, portanto, em risco social de não conseguir desenvolver 
adequadamente ou de não conseguir realizar suas potencialidades, comprometendo sua 
capacidade para independência social (Lorenzo, 2005). Ao mesmo tempo, há o enfrentamento 
da situação de insegurança gerada pela pobreza, sinalizando um comportamento resiliente 
(Lorenzo, 2005), que pode estar sendo expressa pela alta motivação para independência, 
Também foram observadas as menores expressões do motivo cuidado (filhos) nas 
pessoas com baixa renda, revelando mais uma fragilidade gerada pela instabilidade de uma 
renda muito baixa, o menor investimento parental. Por outro lado, as pessoas com as maiores 
rendas apresentaram maiores níveis de cuidado com os filhos. Neel et al. (2016) também 
encontraram os mesmos resultados quando investigou a relação entre a renda e o cuidado 
(filhos). Esses dados mostram que essas pessoas têm uma melhor estabilidade no seu ambiente 
atual, o que lhes permite investir de forma constante na criação dos filhos. Estudo sobre 
estratégias de história de vida, ou seja, sobre como as condições ecológicas podemalterar a 
forma que os animais de uma mesma espécie alocam energia de forma diferente, apontam que 
a estabilidade pode gerar um maior investimento na prole (Kenrick & Griskevicius, 2015). 
Acredita-se que os humanos ancestrais conviviam com diversas restrições ambientais, 
ora relacionadas a ameaças de sobrevivência, ora a oportunidades reprodutivas (Sacco et al., 
2016). Uma análise geral do impacto da renda nos motivos fundamentais sugere que pessoas 
de baixa renda estão preocupadas com ameaças a sua integridade física (perigo) e oportunidades 
que impactam de forma positiva a qualidade de suas vidas (afiliação independência). Por outro 
lado, as pessoas de renda mais alta já possuem certo domínio sobre algumas ameaças 
ambientais, permitindo alocar seus esforços energéticos para as oportunidades ambientais como 
ter maiores níveis de investimento parental. 
81 
 
Detalhando o efeito do sexo, verificamos que os homens apresentaram maior pontuação 
por busca por parceiros e mulheres apresentam maior pontuação para retenção de parceiros, o 
que está em acordo com resultados esperados para diferenças entre os sexos (Ko et al., 2020; 
Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b). Este achado se justifica pela possibilidade de aumento de 
potencial reprodutivo do homem sempre que encontra uma nova parceira, o que não ocorre para 
mulheres, levando em conta os custos e tempo dispensados para a gravidez e lactação (Kerinck 
et al., 2010). Contudo, homens e mulheres apresentaram pontuação similar para o motivo de 
cuidado (filhos), contrariando a quarta hipótese. Ao contrário dos nossos achados, é esperado 
que mulheres apresentem maiores pontuações para essa motivação (Ko et al., 2020; Neel et al., 
2016) devido ao maior investimento da mulher no cuidado parental, visando garantir seu 
sucesso reprodutivo com qualidade (Schaller, 2018). Esses achados podem expressar uma 
tendência social em direção à igualdade no cuidado entre os sexos (ou pelo menos uma 
preocupação para isso). Além disso, é possível considerar um efeito reduzido por sexo, 
influenciado pelo contexto da pandemia, com as pessoas predominantemente em casa e com 
seus outros papeis sociais reduzidos, resultando em comportamentos de cuidado equivalente 
entre os sexos. 
Nosso estudo apresenta limitações. A primeira é uma quantidade não balanceada de 
participantes nas faixas etárias. A subamostra de pessoas acima de 50 anos é menor que a das 
demais faixas-etárias, o que pode afetar a representatividade do grupo de pessoas idosas e 
reduzir a capacidade de generalização dos resultados para este grupo em específico. Além disso, 
não foram investigadas variáveis, como escolaridade, fatores da história de vida dos 
participantes ou outras diferenças individuais. Além disso, a amostra possui um nível de 
escolaridade alto, e por isso não foi possível considerar essa variável para avaliar possíveis 
diferenças. Estudos futuros podem incluir uma ampliação da amostra de pessoas mais velhas e 
outros níveis de escolaridade, bem como abordar mais variáveis que podem estar relacionadas 
82 
 
com os motivos sociais fundamentais. Também, é relevante repetir o estudo para verificar se as 
diferenças nas motivações ainda permanecem em um contexto não-pandêmico. Estudos futuros 
que explorem como os participantes podem se agrupar de acordo com a expressão das 
motivações podem trazer novos insights e aprofundar as investigações sobre o tema. O método 
utilizado para este estudo pode ser útil para replicação em outras regiões, visando investigar 
possíveis diferenças culturais. Por fim, acreditamos que a comparação das diferentes teorias 
evolucionistas sobre a motivação humana é válida e pode enriquecer a compreensão dessa área 
de estudo. 
Este estudo demonstrou consistência e correspondência com as poucas pesquisas que 
relacionam os motivos sociais fundamentais com variáveis sociodemográficas, contribuindo 
para a confirmação e estabelecimento de algumas tendências nas motivações sociais humanas. 
Nossos resultados apontam para duas tendências principais: o cuidado familiar é a motivação 
central na espécie humana e a influência da idade, da renda e do sexo nas diferenças encontradas 
entre os grupos. Os resultados revelam que adultos jovens estão mais motivados a buscar sua 
independência, evitar serem excluídos do grupo social, buscar status e parceiros para 
acasalamento. À medida que a idade avança, observou-se um aumento nas motivações 
relacionadas ao cuidado com os parceiros e filhos, ou seja, comportamentos voltados para os 
outros. A renda atua como variável moduladora, pois os resultados sugerem que quanto maior 
a renda menor são as preocupações com autoproteção e ser independente, e maior é o cuidado 
direcionado à família. Por último os dados encontraram as diferenças reprodutivas já bastante 
estudadas entre os sexos e previstas pela assimetria sexual no investimento parental. Além 
destes achados, os resultados obtidos na amostra estudada também sugerem que, em virtude da 
realidade social e da pandemia, alguns motivos podem estar expressos de forma específica, 
como é o caso da autoproteção, que se mostrou acima da média em todas as situações 
experimentais, e a ausência de diferenças encontradas para cuidado (filhos) entre os sexos. 
83 
 
Nossos dados reforçam a ideia de que os sistemas motivacionais promovem o gerenciamento 
da vida social e que diferentes motivações sociais fundamentais são priorizadas ao longo da 
vida. Além disso, este estudo destaca a importância de compreender como as diferenças 
individuais podem influenciar a expressão dos motivos sociais fundamentais, fornecendo 
subsídios para a compreensão da diversidade comportamental em nossa espécie. 
84 
 
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89 
 
Estudo 3 
 
 
Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente 
 
 
Nivia de Araújo Lopes 
Felipe Nalon Castro 
 
 
Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte 
 
 
 
 
 
 
Periódico: Journal of Personality and Social Psychology 
Classificação QUALIS: A1 
Status da publicação: a ser submetido. 
 
90 
 
Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente 
Nivia de A. Lopes e Felipe N. Castro 
Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
 
 
Nota do autor 
Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 
Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 
 
 
Este estudo não foi pré-registrado. Todos os dados foram disponibilizados publicamente 
no Open Science Frameowork e podem ser acessados em [indicar aqui o endereço para acesso 
aos dados quando forem submetidos]. Este artigo é baseado na tese de doutorado de Lopes 
(2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001. Este 
estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência referente a este artigo 
deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do Comportamento Humano, 
Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de Biociências, Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: felipe.castro@ufrn.br 
https://orcid.org/0000-0002-6690-5182
91 
 
Resumo 
O consumo consciente pode minimizar os efeitos nocivos dos impactos da ação humana no 
meio ambiente e a abordagem dos motivos sociais fundamentais pode ajudar a entender nossas 
tendências ao consumo. O objetivo deste estudo é analisar agrupamentos baseados em perfis 
motivacionais e características individuais e identificar diferenças no comportamento de 
consumo consciente. Participaram da pesquisa adultos com idade de 18 a 75 anos de ambos os 
sexos, residentes no Brasil. A amostra consistiu em 539 indivíduos que forneceram informações 
sociodemográficas e responderam o inventário de motivos sociais fundamentais e o 
questionário de consumo consciente. Os participantes foram agrupados em quatro perfis 
motivacionais que apresentam diferentes níveis de consumo consciente. Os resultados sugerem 
que pessoas motivadas ao cuidado dos filhos consomem de forma mais consciente; que as 
pessoasque buscam evitar doenças, que são preocupadas com sua integridade física e prezam 
por sua independência apresentam níveis moderados de consumo consciente; e que, tanto 
aquelas motivadas para a busca por status e parceiros amorosos, quanto as que buscam reter 
seus parceiros amorosos, apresentam os menores níveis de consumo consciente. São discutidas 
possíveis explicações para o comportamento de cada um dos grupos. Este estudo identificou e 
descreveu agrupamentos de pessoas com diferentes perfis motivacionais e contribuiu para 
indicar que as motivações evolucionistas podem ajudar a compreender o comportamento de 
consumo consciente. 
Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, cuidado parental, status, 
estratégias reprodutivas, consumo parcimonioso. 
 
92 
 
Abstract 
Conscious consumption can minimize the harmful effects of human action on the environment, 
and the approach to fundamental social motives can help understand our consumption trends. 
The aim of this study is to exploratively investigate conscious consumption behavior based on 
fundamental social motivations. Adults aged 18 to 75 of both genders residing in Brazil 
participated in the research. The sample consisted of 539 individuals who provided 
sociodemographic information and responded to the inventory of fundamental social motives 
and the conscious consumption questionnaire. Participants were grouped into four motivational 
profiles that exhibit different levels of conscious consumption. The results suggest that 
individuals motivated by childcare consume more consciously; those seeking to avoid illness, 
concerned about their physical well-being, and valuing their independence show moderate 
levels of conscious consumption; and both those motivated by the pursuit of status and romantic 
partners and those seeking to retain their romantic partners exhibit the lowest levels of 
conscious consumption. Possible explanations for the behavior of each of the groups are 
discussed. This study identified and described clusters of individuals with different 
motivational profiles and contributed to indicating that evolutionary motivations can help 
understand conscious consumption behavior, expanding and generating a new field of study in 
the area. 
Keywords: motivation, behavior evolution, parental care, status, reproductive 
strategies, frugal consumption. 
 
 
 
 
 
93 
 
Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente 
Os comportamentos que promovem cuidados com o meio ambiente são investigados em 
diferentes áreas do conhecimento e muitos estão relacionados a compra de bens de consumo. 
Três conceitos amplamente utilizados para tratar do consumo que favorece o meio ambiente 
são o consumo verde, o consumo consciente e o consumo sustentável (Costa & Teodósio, 
2011). De acordo com Silva et al. (2013), o consumo verde está estritamente relacionado a 
preservação ambiental, o consumo sustentável leva em consideração ações coletivas e o 
consciente considera ações individuais relacionadas ao consumo. 
O consumo verde envolve comportamentos de consumo que promovem a conservação 
do ambiente natural, como consumo de alimentos orgânicos e produtos que utilizam materiais 
reciclados (Portilho, 2005). Já o consumo sustentável considera ações coletivas, políticas, os 
impactos nas esferas pública e privada, bem como a visão de que problemas ambientais, 
econômicos e sociais estão relacionados. Os adeptos desta forma de consumo consideram que 
as ameaças originadas do modelo de consumo atual podem ser enfrentadas por ações locais e 
globais (Silva, 2012). Por sua vez, o consumo consciente é um conceito intermediário pois, 
além do consumo ligado à preservação ambiental, engloba preocupações relacionadas à cadeia 
produtiva, seus elementos sociais e impactos do consumo, mas se restringe a escolha individual. 
Este consumo considera a satisfação pessoal, ambiental e social nas escolhas de consumo. Por 
exemplo, na preocupação dos consumidores em conhecer particularidades das marcas, em como 
as empresas tratam seus funcionários e a origem dos produtos. Neste estudo, empregamos o 
conceito de consumo consciente, utilizado em estudos na área da Administração, Sociologia e 
Psicologia. O consumo consciente é um comportamento que explicita a preocupação com o uso 
parcimonioso dos recursos naturais. 
O consumo consciente considera o pré-uso, o uso e pós-uso dos produtos. 
Comportamentos relacionados ao pré-uso dos produtos envolvem o planejamento e a compra, 
94 
 
como a busca por produtos verdes, recicláveis, sem agrotóxicos e que apresentam identidade 
com causas ecológicas. O uso está ligado diretamente ao consumo, como reduzir desperdícios, 
otimizar o uso de energia e a manter os bens de consumo duráveis de forma adequada para 
ampliar sua vida útil. Por fim, o pós-uso é preocupação após do consumo, como a reciclagem e 
a reutilização do produto, bem como a eliminação segura dos resíduos (Ribeiro & Veiga, 2011). 
Como exemplos de comportamentos relacionados ao consumo consciente podemos citar: 
economia de energia e água, compra de produtos orgânicos, escolha de produtos em que há um 
processo de produção menos danoso, compra de mercadorias produzidas localmente, cuidado 
com o destino dos resíduos, economia no uso e conservação máxima de bens duráveis, e a 
reforma de bens para reutilização (Ribeiro & Veiga, 2011). 
Além disso, Ribeiro e Veiga (2011) apontam que o consumo consciente envolve a 
consciência ecológica, economia de recursos, reciclagem e frugalidade. A consciência 
ecológica pode ser identificada pelas atitudes que envolvem a busca serviços e produtos 
ecologicamente corretos. A economia de recursos envolve comportamentos de economia, 
racionalidade e aumento do tempo de vida útil dos bens. A reciclagem corresponde aos cuidados 
com o descarte, reuso e reaproveitamento dos produtos. Por último, a frugalidade, que se refere 
à comportamentos de alternativos de consumo, como compra de produtos usados, aluguel de 
produtos ao invés da compra, e sua reutilização. 
Diferenças individuais, como o sexo, a renda e a idade parecem influenciar o 
comportamento de consumo consciente, porém ainda não existe um consenso sobre seus efeitos. 
Diversos estudos verificaram que o sexo não influencia as preocupações ou valores ambientais 
(Gifford & Nilsson, 2014), alguns indicam atitudes e comportamentos pró-ambientais são 
predominantes nas mulheres (Gifford & Nilsson, 2014; Straughan & Roberts, 1999), enquanto 
outros encontram diferenças sexuais apenas em itens específicos dos instrumentos utilizados na 
coleta de dados (Rodrigues et al., 2013; Santos, 2021; Silva et al., 2012; Silva et al., 2015). 
95 
 
Algumas pesquisas sugerem que pessoas com maior renda apresentam maior preocupação pró-
ambiental, já outras relatam que pessoas com menor renda estão mais preocupadas com o meio 
ambiente (Straughan & Roberts, 1999; Nawrotzki & Pampel, 2012). Apesar de aparentemente 
contraditórios, estes resultados podem ocorrer por motivos diferentes. Enquanto pessoas com 
alta renda apresentam recursos suficientes para investir em escolhas verdes, aquelas com baixa 
renda podem apresentar comportamentos pró-ambientais por depender diretamente do meio 
ambiente para seu sustento (Nawrotzki & Pampel, 2012). Além disso, Gifford e Nilsson (2014) 
observaram que pessoas com diferentes idades apresentam níveis similares de preocupação com 
o ambiente, contudo os comportamentos pró-ambientais seriam observados apenas nas mais 
velhas (Gifford & Nilsson, 2014). No Brasil, um estudo verificou que os comportamentos 
sustentáveis não variaram em função da idade, sexo ou classe social, mas foram identificadas 
barreiras (ex. percepção de impotência) e gatilhos (ex. percepção de economia) que influenciam 
na adoção destes comportamentos (Akatu, 2015). Os estudos que abordam as variáveis 
demográficas são importantes,pois permitem investigar algumas origens e causas dos 
comportamentos em favor do meio ambiente. Estas pesquisas se somam as que investigam 
normas, atitudes, opiniões, crenças, valores, emoções e os motivos que desencadeiam 
comportamentos ambientalmente relevantes (van Vugt et al., 2014). 
Investigar os motivos que antecedem o comportamento pode ampliar a compreensão a 
respeito do comportamento de consumo que favorece o meio ambiente. Neste sentido, a teoria 
dos motivos sociais fundamentais pode contribuir, pois ela é a amplamente utilizada para 
investigar nossas motivações relacionadas ao consumo. Os seus autores defendem a presença 
de sete motivos relacionados a aptidão humana que influenciam o nosso comportamento, sendo 
eles evitar doenças, autoproteção, afiliação, status, buscar parceiros, reter parceiros e cuidar da 
família (Kenrick et al., 2010). Neel et al. (2016), desenvolveu uma escala para medir os motivos 
sociais fundamentais e encontrou, além dos sete motivos, mais quatro subescalas, totalizando 
96 
 
onze fatores: autoproteção, evitar doenças; status; afiliação (grupo); afiliação (independência); 
afiliação (exclusão); busca por parceiros; retenção de parceiros; preocupação com o término; 
cuidado (família); e cuidado (filhos). Embora valores e atitudes possam explicar grande parte 
dos consumos benéficos para o meio ambiente (Max-Neef, 1991; Oliveira et al., 2019), há 
elementos implícitos, não conscientes para o indivíduo, que podem influenciar nossas ações, 
como as motivações. 
A abordagem dos motivos sociais fundamentais permite compreender algumas razões 
pelas quais pessoas com diferentes características sociodemográficas realizam o consumo 
consciente. Por exemplo, um estudo encontrou que o consumo de produtos considerados verdes 
e que são mais caros que os tradicionais, está relacionado ao motivo aquisição de status, 
sugerindo que o consumo consciente de produtos verdes de forma conspícua aumenta o status 
do indivíduo no grupo social (Griskevicius et al. 2010). Outro estudo evidenciou que a 
autoproteção induz a conformidade com o grupo (Griskevicius et al., 2006), o que pode ser 
favorável a comportamentos em prol da coletividade caso as pessoas percebam que esses 
comportamentos fazem parte de normas socialmente aceitas (Geiger & Brick, 2023). Um 
terceiro estudo analisou a motivação para reter parceiro e sua relação com comportamentos de 
caridade e o consumo de produtos luxuosos, foi observado que mulheres preocupadas em reter 
seus parceiros tenderam a gastar com causas úteis, mas apenas se estes comportamentos 
ocorriam de forma pública (Griskevicius et al., 2007). Estes achados destacam a importância 
de investigar os motivos que predizem o comportamento de consumo consciente. 
Considerar os fatores biológicos e evolutivos que embasam nosso comportamento pode 
resultar na compreensão mais completa das atividades ambientais humanas, ampliando 
expressão do consumo consciente ou mesmo a quantidade de pessoas que realizam esse 
comportamento (van Vugt et al., 2014). Devemos compreender a natureza humana para que 
possamos implementar práticas que gerem resultados válidos e de forma mais eficiente. 
97 
 
Investigar as causas últimas do comportamento pode contribuir com teorias ambientais 
consolidadas como a do quadro de valores (Shwartz, 1992, citado em van Vugt et al., 2014) ou 
a do valor-crença-norma do ambientalismo (Stern, 2000, citado em van Vugt et al., 2014), e 
tantas outras interessantes que atuam com causas próximas (van Vugt et al., 2014). Dessa forma 
é interessante investigar a relação que pode ser encontrada entre os motivos sociais 
fundamentais, com base na abordagem evolucionista, as diferenças individuas e se estes têm 
uma relação com o consumo consciente. O objetivo deste estudo foi analisar agrupamentos 
baseados em perfis motivacionais e características individuais e identificar diferenças no 
comportamento de consumo consciente. 
Método 
Procedimentos de amostragem 
 Os participantes foram recrutados em redes sociais e por correio eletrônico, onde a 
pesquisa foi descrita e um link de acesso foi fornecido (APÊNDICE A). A pesquisa foi 
divulgada no perfil pessoal da pesquisadora, em perfis de laboratórios da universidade, e-mail 
institucional e em aplicativos de mensagens instantâneas. A amostra foi por conveniência. O 
tamanho da amostra intencional (N = 400) foi calculado para uma população heterogênea acima 
de 100 mil habitantes com margem de erro de 5% (Arkin & Colton, 1963, apud Ventura et al., 
2010). A amostra alcançada foi N = 585. A coleta de dados ocorreu online na plataforma Google 
Forms de abril e novembro de 2022, com duração aproximada de 20 minutos. Todos os 
participantes foram voluntários e não receberam pagamento. Este estudo foi submetido e 
aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos local, sob parecer número: 
5.171.745 (ANEXO A). Todos os participantes incluídos no estudo consentiram em participar 
da pesquisa e com a publicação dos dados da pesquisa através do Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE B). 
98 
 
Participantes 
Participaram deste estudo 539 indivíduos (354 mulheres) de ambos os sexos residentes 
no Brasil. O critério para exclusão foi estar abaixo de 18 anos de idade e ter respondido algum 
dos instrumentos de forma incompleta. A idade dos respondentes variou de 18 a 75 anos, com 
média de 34,97 (DP=12,21) anos. Conforme critério do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (2013) de classificação da cor da pele, a amostra consistiu em 59,74% de indivíduos 
brancos, 33,40% pardos, 5,19% pretos, 1,48% de descendentes asiáticos (japoneses, chineses e 
coreanos) e 0,19% indígenas. De acordo com a escolaridade, 11,13% afirmaram ter completado 
o ensino médio, 33,77% completaram o ensino superior e 55,10% completaram cursos de pós-
graduação. Em termos da orientação sexual, 76,99% se declararam exclusivamente 
heterossexual, 6,86% exclusivamente homossexual e 16,15% em outras categorias 
intermediárias. 
Medidas e Instrumentos 
Os participantes forneceram informações sociodemográficas, responderam o inventário 
de motivos sociais fundamentais e o questionário de consumo consciente. As informações 
socioeconômicas foram sexo, idade, cor de pele, escolaridade, orientação sexual, status do 
relacionamento (com ou sem relacionamento amoroso), renda familiar em salários-mínimos 
(SM), local de residência e se possuem filhos (APÊNDICE C). 
O Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF) foi criado e validado por Neel 
et al. (2016) e consiste em 66 afirmativas que mensuram os sete motivos sociais fundamentais 
acrescidos de quatro subescalas dos participantes no momento da aplicação. Ao todo o 
instrumento mensura onze fatores: autoproteção, evitação de doenças, status, afiliação (grupo), 
afiliação (independência), afiliação (exclusão), busca por parceiros, retenção de parceiros, 
preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos). Os participantes indicavam 
sua concordância com cada afirmativa por meio de uma escala tipo Likert de 7 pontos (indo de 
99 
 
“discordo fortemente” até “concordo fortemente”) (ANEXO B). Participantes que não 
possuíam filhos foram instruídos a não pontuar as afirmações relacionadas ao cuidado com os 
filhos, enquanto os participantes que não estavam em relacionamento amoroso foram instruídos 
a não pontuar as afirmações relacionadas a retenção de parceiros e preocupação com o término. 
A consistência interna de cada um dos motivos foi mensurada pelo coeficiente alfa de 
Cronbach: autoproteção com α = 0,81, evitação de doenças com α = 0,67, status com α = 0,74, 
afiliação (grupo) com α = 0,75, afiliação (independência) com α = 0,80, afiliação (exclusão) 
com α = 0,88, busca por parceiros com α = 0,77, retenção de parceiros com α = 0,62, 
preocupação com o término com α = 0,88, cuidado (família) com α = 0,89,cuidado (filhos) 
com α = 0,62. 
O Questionário de Consumo Consciente foi desenvolvido pelo instituto AKATU, uma 
organização não governamental sem fins lucrativos que avalia e incentiva o consumo consciente 
no Brasil. Por meio do questionário de consumo consciente, o instituto AKATU fornece 
resultados e sugestões para reduzir o impacto das escolhas de consumo dos brasileiros. Ele 
consiste em 55 afirmações que abordam atitudes e comportamentos relacionados ao consumo 
consciente. Por exemplo, a afirmação “Ter coisas em casa e não usá-las significa um 
desperdício de recursos da natureza como a água, energia e matérias-primas usadas na 
fabricação” representa uma atitude, enquanto a afirmação “No último ano, deixei de comprar 
produtos ou serviços de uma empresa por saber que ela prejudica seus empregados, a sociedade 
ou o meio ambiente” descreve um comportamento (ANEXO C). Os participantes indicaram a 
concordância com as afirmações por meio de uma escala Likert 7 pontos (indo de “discordo 
fortemente” até “concordo fortemente”). Neste estudo, as alternativas de resposta foram 
modificadas para permitir o cálculo do escore médio da avaliação das afirmações do 
questionário. A consistência interna mensurada pelo coeficiente alfa de Cronbach foi α = 0,89. 
100 
 
Procedimento 
Os participantes constituíram a unidade de investigação nessa investigação. A coleta de 
informações aconteceu por meio de questionários online empregando a plataforma Google 
Forms. Os participantes foram recrutados por aplicativos de mensagens instantâneas, redes 
sociais e e-mail institucional. Após lerem o TCLE e concordarem em participar, os participantes 
foram direcionados para uma página contendo os instrumentos de pesquisa. Ao fim do 
preenchimento dos questionários, os participantes foram agradecidos e dispensados. 
Análise de dados 
Conduzimos uma análise de Cluster para agrupar os participantes com base nas 
similaridades da expressão dos motivos sociais fundamentais, utilizando os itens do Inventário 
de Motivos Sociais Fundamentais (Neel et al., 2016). Neste procedimento, o número ideal de 
grupos foi determinado ao agrupar os participantes (casos) de acordo com suas respostas do 
questionário utilizando o método Between groups linkage com a distância euclidiana quadrada. 
O número de grupos foi baseado no coeficiente de maior distância entre os grupos no arranjo 
de aglomeração (agglomeration schedule). Para descrever os grupos obtidos, verificamos a 
relação entre os grupos e as variáveis sexo (masculino e feminino), relacionamento amoroso 
(sem relacionamento e com relacionamento) e presença de filhos (não e sim) com testes qui-
quadrado de independência. Comparamos diferenças entre os grupos para as variáveis idade e 
renda por meio de um Modelo Linear Geral (GLM) para medidas independentes (post hoc 
Bonferroni) e do teste H de Kruskal-Wallis (post hoc Tamhane), respectivamente. A influência 
dos grupos no consumo consciente foi investigada utilizando o teste GLM. A variável 
independente nesta análise foi os grupos originados a partir da análise de Cluster, enquanto a 
pontuação dos participantes obtida no Questionário de Consumo Consciente foi a variável 
dependente. A significância estatística foi 5% em todas as análises. Todos os dados foram 
analisados utilizando o IBM SPSS Statistics, Versão 26. 
101 
 
Resultados 
O modelo que mais se adequou à amostra identificou quatro grupos. Os testes de qui-
quadrado de independência revelaram que alguns grupos apresentam diferentes composições 
de participantes de acordo com o sexo (χ²(3) = 15,639; p = 0,001), envolvimento em 
relacionamento amoroso (χ²(3) = 445,196; p < 0,001) e presença de filhos (χ²(3) = 526,027; p 
< 0,001). Além disso, os participantes nos grupos diferiram em função da idade (F(3,535) = 
80,694; p < 0,001; η²Parcial = 0,312; Poder = 1,000) e da renda (H(3) = 49,993; p < 0,001); as 
análises post hoc indicaram que apenas o primeiro grupo diferiu dos demais por apresentar 
maior idade e renda (p < 0,001). A análise descritiva das médias das pontuações atribuídas aos 
motivos fundamentais, bem como as diferenças quanto a composição e características dos 
participantes foram utilizadas para descrever os grupos obtidos. 
O primeiro grupo consistiu em participantes com a maior pontuação em afiliação 
(independência), com pontuação elevada para os motivos autoproteção, evitação de doenças, 
afiliação (grupo) e cuidado (família), e com baixa pontuação (ou mesmo inexistente) para os 
motivos retenção de parceiros, preocupação com o término e cuidado (filhos). Este grupo possui 
proporções esperadas semelhantes de homens e mulheres, com participantes em sua maioria 
sem relacionamento, sem filhos, com idade média de 30,389 (IC95%: 27,673 - 33,105) anos e 
com valores intermediários para renda (Posto médio = 226,75). Ele consiste em pessoas que 
valorizam sua independência e buscam manter suas alianças sociais. Além disso, prezam por 
sua integridade física e evitam contrair doenças. Quanto as relações sociais mais próximas, se 
preocupam com seus familiares em geral, uma vez que não possuem parceiros amorosos ou 
mesmo filhos. Devido as características que seus participantes possuem, este grupo foi 
denominado como independentes. 
O segundo grupo apresentou pontuação próxima ou levemente inferior à encontrada no 
segundo grupo (precavidos) para os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação 
102 
 
(grupo) e cuidado (família). Seus participantes também não pontuaram em retenção de 
parceiros, preocupação com o término ou mesmo cuidado (filhos). Contudo, apresentaram os 
maiores escores para status, busca por parceiros e afiliação (exclusão). Este grupo possui maior 
proporção observada (do que esperada) de homens, com participantes em sua maioria sem 
relacionamento, sem filhos, com idade média de 29,333 (IC95%: 27,357 - 31,309) anos e com 
valores intermediários para renda (Posto médio = 232,73). Este grupo consiste em pessoas com 
uma proporção maior do que esperada de homens, que valorizam as alianças sociais, prezam 
por sua integridade física e evitam contrair doenças. Elas também se preocupam com seus 
familiares em geral; não possuem parceiros amorosos ou filhos. Um diferencial em relação aos 
outros grupos é que os seus integrantes se preocupam em serem excluídas do grupo social, 
buscam aumentar o seu status e estão motivados a atrair parceiros reprodutivos. Este grupo foi 
denominado como conquistadores. 
O terceiro grupo apresentou pontuação elevada para retenção de parceiros e 
preocupação com o término, e baixa pontuação para busca por parceiros e cuidado (filhos). Este 
grupo possui maior proporção observada (do que esperada) de mulheres, com todos os 
participantes em relacionamentos, e em sua maioria sem filhos, com idade média de 30,265 
(IC95%: 28,840 - 31,691) anos e com valores intermediários para renda (Posto médio = 241,42). 
É um grupo constituído de pessoas (em grande proporção de mulheres) que estão envolvidas 
em relacionamento amoroso e se preocupam em manter este relacionamento. Este grupo foi 
denominado como enamorados. 
Por fim, o quarto grupo apresentou a maior pontuação para cuidado (filhos) e pontuação 
alta para retenção de parceiros, com baixa pontuação para preocupação com o término e busca 
por parceiros. Este grupo possui proporções esperadas semelhantes de homens e mulheres, com 
participantes predominantemente em relacionamentos e filhos, idade média de 44,299 (IC95%: 
42,840 – 45,759) anos e com valores altos para renda (Posto médio = 332,77). Este grupo é 
103 
 
composto por pessoas mais velhas, com maior renda, em relacionamento e com filhos. Elas 
priorizam cuidar dos seus filhos e reter seus parceiros amorosos. Devido as características que 
seus participantes possuem, este grupo foi denominado como cuidadores. 
 
Tabela 1 
Grupos Obtidos por Similaridade na Pontuação dos MotivosSociais Fundamentais 
 
Independentes 
(N=54) 
Conquistadores 
(N=102) 
Enamorados 
 (N=196) 
Cuidadores 
(N=187) 
 M (DP) M (DP) M (DP) M (DP) 
Status 9,58(3,05) 11,19(2,30) 9,10(2,31) 7,69 (2,16) 
Autoproteção 15,73(2,91) 13,17(2,52) 11,45(2,34) 10,15(2,34) 
Evitação de doenças 14,33(2,73) 11,74(2,41) 10,35(2,32) 9,59(2,30) 
Retenção de 
parceiros 
0,11(0,79) 
 
0,00(0,00) 
 
12,79(2,05) 10,14(3,98) 
Preocupação com 
término 
0,10(0,73) 
 
0,00(0,00) 
 
7,25(2,83) 4,75(2,73) 
Busca por parceiros 7,73(3,42) 11,61(3,07) 5,84(2,46) 4,77(2,20) 
Afiliação (grupo) 12,94(3,37) 13,05(2,18) 10,73(2,42) 10,79(2,21) 
Afiliação 
(independência) 
16,92(3,20) 
 
12,44(3,08) 
 
10,52(2,95) 9,21(2,76) 
Afiliação (exclusão) 8,15(2,81) 12,85(3,12) 9,44(2,84) 7,07(2,49) 
Cuidado (filhos) 0,20(1,48) 0,00(0,00) 0,07(0,70) 13,31(1,75) 
Cuidado (família) 14,21(4,42) 13,95(3,36) 12,46(3,04) 12,55(1,97) 
Nota. M=média e DP=desvio padrão. 
Tabela 2 
Frequências e Resultado dos Testes de Qui-quadrado para os Grupos 
 
 
Independentes Conquistadores Enamorados Cuidadores 
 
 
 O(E) O(E) O(E) O(E) χ²(3) P 
Sexo Sexo 
 Feminino 34(35,5) 55(67,0) 148(128,7) 117(122,8) 15,64 =0,001 
 Masculino 20(18,5) 47(35,0) 48(67,3) 70(64,2) 
 
Relacionamento Relacionamento 
 Sem 52(17,5) 102(33,1) 0(63,6) 21(60,7) 445,20 <0,001 
 Com 2(36,5) 0(68,9) 196(132,4) 166(126,3) 
 
Filhos Filhos 
 Não 53(35,0) 102(66,0) 194(126,9) 0(121,1) 526,03 <0,001 
 Sim 1(19,0) 0(36,0) 2(69,1) 187(65,9) 
Nota. Em negrito, as frequências observadas (O) maiores que as esperadas (E) nos grupos. 
104 
 
 
O modelo linear geral indicou um efeito dos grupos no consumo consciente (F(3, 535) 
= 3,873; p = 0,009; η²Parcial = 0,021; Poder = 0,824). O grupo “cuidadores” apresentou maior 
pontuação em consumo consciente (M = 5,293; IC95%: 5,203 - 5,383) comparado aos grupos 
“enamorados” (M = 5,117; IC95%:5,029-5,205) e “conquistadores” (M = 5,063; IC95%: 4,941 
- 5,185) (p < 0,05). Os grupos “enamorados” e “conquistadores” apresentaram as menores 
pontuações. O grupo “independentes” apresentou pontuação intermediária e similar a todos os 
grupos (M = 5,160; IC95%: 4,992 - 5,327). 
 
Discussão 
Este estudo analisou agrupamentos baseados em perfis motivacionais, descreveu os 
agrupamentos por meio de suas características individuais, e identificou diferenças no 
comportamento de consumo consciente. Os participantes que apresentam estados motivacionais 
similares foram agrupados, caracterizados, e indicaram suas atitudes e comportamentos 
relacionados ao consumo consciente. Os resultados sugerem quatro diferentes perfis 
motivacionais com níveis decrescentes de orientação para o consumo consciente na seguinte 
ordem: cuidadores, precavidos, enamorados e conquistadores. Os achados indicam que algumas 
diferenças individuais e de perfis motivacionais demonstram que as pessoas pensam e agem de 
forma diferente quando avaliam o impacto de suas escolhas de consumo no meio-ambiente. 
Os cuidadores apresentaram a maior pontuação em consumo consciente. Este grupo é 
constituído pelas pessoas mais velhas da amostra, com renda mais elevada e motivadas para 
cuidar dos parceiros e dos filhos. Esse achado reforça evidências anteriores que indicam que o 
grupo de maior faixa etária nos estudos estão mais orientadas a comportamentos pró-ambientais 
(Straughan & Roberts, 1999; Gifford e Nilsson, 2014). Uma explicação para este achado é que, 
para muitas pessoas, a idade está comumente associada a ampliação das atividades sociais 
105 
 
decorrentes de estar envolvido em um relacionamento amoroso e com filhos, diversificando os 
comportamentos cooperativos que, por sua vez, fomentaria o consumo consciente (Roberts, 
1996). A provável relação entre cuidado parental e consumo consciente se refere aos 
comportamentos que deram origem ao cuidado, ou seja, uma gama estímulos como 
vocalizações, características físicas e comportamentais (como a vulnerabilidade) em infantes 
humanos (e não humanos), que provocaram o desenvolvimento de sentimentos e 
comportamentos humanos como a compaixão e o altruísmo (Goetz et al., 2010; Scheller, 2018). 
Essas capacidades promovem o comportamento pró-social, como a generatividade, que seria 
uma preocupação com o bem-estar das gerações futuras (Scheller, 2018). Tapia-Fonllem et al. 
(2013) encontraram que os indivíduos que se envolvem em ações pró-ecológicas e frugais 
também são propensos a praticar comportamentos altruístas e equitativos. Além disso, o 
cuidado de parentes envolve comportamentos de doação e tempo gasto para manter o bem-estar 
e a saúde de filhos e parentes próximos, coerentes com a teoria da seleção por parentesco 
(Hamilton, 1963). Dessa forma, a preocupação com o cuidado com os filhos e parceiros pode 
predispor os indivíduos a atitudes de consumo consciente em virtude destes motivos estarem 
voltados para o cuidado do outro. Assim, cuidar dos mais próximos também promoveria o 
cuidado com o meio ambiente. 
Estes resultados também estão em conformidade com a teoria dos dilemas de valores 
sociais proposta por Schwartz (1992), que afirma que pessoas motivadas a autotranscedência 
demonstram maiores níveis de preocupação ambiental. Essas pessoas transcendem as 
preocupações egoístas para diligenciar o bem-estar dos outros e da natureza. Por meio desta 
explicação, o conjunto de atividades e atribuições inerentes a uma idade mais avançada afeta 
os estados motivacionais o que, por sua vez, tornam os indivíduos mais conscientes sobre suas 
escolhas de consumo. 
106 
 
Uma segunda explicação sugere que pessoas com alta renda apresentam maior 
preocupação com o meio ambiente. Os estudos sobre renda evidenciaram que os ambientalistas 
geralmente são pessoas de classe média ou média alta (Gifford e Nilsson, 2014). Além disso, 
pessoas que têm um maior bem-estar e riqueza mudam de valores materialistas para valores 
pós-materialistas, apresentando maior preocupação com causas coletivas (Inglehart, 1995). Em 
um estudo foi encontrado que defender valores pós-materialistas estava positivamente 
relacionado à preocupação ambiental (Oreg & Katz-Gerro, 2006). Neste sentido, os cuidadores 
apresentam maior consumo consciente por apresentar maior poder aquisitivo, comportamento 
que não estaria relacionado diretamente aos motivos fundamentais que indicam cuidado. 
Existem evidências de que o consumo de produtos verdes pode estrar atrelado a busca por status 
(Griskevicius et al., 2010), que ocorre quando os produtos são caros e o consumo é conspícuo. 
Todavia, esta explicação precisa ser testada, pois os cuidadores apresentaram menor motivação 
pela busca por status quando comparados aos demais grupos. 
Os independentes apresentaram níveis intermediários de consumo consciente quando 
comparados aos demais grupos. Eles buscam se proteger de perigos e doenças, ao mesmo tempo 
que prezam por sua independência. Em sua maioria, são pessoas jovens, sem relacionamento 
amoroso ou filhos e renda mais baixa que a dos cuidadores. É possível que estas pessoas se 
preocupem com mudanças sociais e ambientais que afetam diretamente suas condições de vida 
e sobrevivência, preocupações que podem ter sido amplificadas durante o evento da pandemia. 
A literatura indica uma relação positiva entre autoproteção e conformidade (Griskevicius et al., 
2006), ou seja, em situações imprevisíveis muitas pessoas se comportam de acordo com os 
valores do grupo (Geiger & Brick, 2023). Podemos supor que elas estariam inclinadas ao 
consumo consciente à medida que seu comportamento de consumo promova condições que 
preservem sua saúde, a saúde de seus familiares e sua independência. Nesta explicação, o 
contexto para o consumo é específico,assim os precavidos não apresentariam atitudes e 
107 
 
comportamentos de consumo consciente de forma tão ativa quanto a observada nos cuidadores. 
Podemos supor os precavidos realizam o consumo consciente porque ele promove hábitos de 
vida saudáveis e reduz o impacto ambiental, prevenindo doenças crônicas não transmissíveis e 
doenças transmissíveis (Hanging et al., 2022; Prüs-Üstün & Corvalan, 2006). 
Por fim, os grupos com menores níveis de consumo consciente foram os enamorados e os 
conquistadores. Ambos os grupos englobam pessoas jovens, com renda menor que doa 
cuidadores e sem filhos, sendo que a principal diferença entre eles é a maior proporção de 
mulheres do que esperado nos enamorados e a maior proporção de homens do que esperado no 
grupo dos conquistadores. Enquanto os enamorados estão motivados a manter seus 
relacionamentos amorosos, os conquistadores buscam aumentar seu status e oportunidades de 
acasalamento. Diversos estudos indicam que o motivo de busca por status, aquisição de 
parceiros e retenção de parceiros estão associados ao consumo conspícuo. O consumo 
conspícuo é o consumo de produtos facilmente observáveis e que são caracterizados pela 
elevada quantidade de recursos necessários para sua obtenção, manutenção ou desenvolvimento 
(Veblen, 1899). 
O consumo conspícuo pode ser o resultado de motivos específicos e, em muitos casos, 
impacta de forma negativa o meio ambiente. Nos homens, o consumo conspícuo aumenta a 
atratividade como parceiro para acasalamento, enquanto nas mulheres as evidências sugerem 
que está relacionado a manutenção dos relacionamentos afetivos, principalmente quando esses 
relacionamentos estão sob ameaça (Hudders et al., 2014; Wang & Griskevicius, 2014). Homens 
que buscam relacionamentos de curto prazo competem exibindo produtos luxuosos como 
automóveis (Sundie et al., 2011) ou apartamentos (Dunn & Hill, 2014). Mulheres, por sua vez, 
consomem de forma conspícua para se tornarem mais atraentes aos seus parceiros (Wang & 
Griskevicius, 2014) ou para inibir rivais que estejam interessadas em seus parceiros 
(Griskevicius et al., 2007). A busca por status e parceiros, evidenciada no grupo dos 
108 
 
conquistadores, bem como a competição para manutenção dos relacionamentos amorosos, 
evidenciada nos enamorados, pode fomentar o consumo conspícuo. Muitos produtos 
conspícuos são bens luxuosos que demandam elevada quantidade de recursos e que podem 
gerar grande impacto ambiental. Este tipo de consumo parece ser oposto ao conceito de 
consumir de forma parcimoniosa (Keinan et al., 2020), como esperado no consumo consciente. 
Assim, uma possível explicação para os menores níveis de consumo consciente observados nos 
conquistadores e enamorados pode estar relacionada aos motivos fundamentais que 
caracterizam esses grupos. Estes motivos podem fomentar a indiferença quanto ao impacto do 
consumo no ambiente ou podem até mesmo promover o consumo deliberado de produtos que 
causam sérios impactos ambientais. Contudo, mais estudos são necessários para investigar os 
detalhes da relação entre os motivos fundamentais de busca por status, parceiros e manutenção 
o relacionamento com o consumo consciente. 
De uma forma geral, os resultados demonstram que as pessoas que apresentam maiores 
níveis de consumo consciente são aquelas que apresentam o comportamento de doação aos 
outros, consequência de uma forte motivação ao cuidado (Scheller, 2018) ou buscam se 
proteger de perigos e doenças, demonstrando uma preocupação com seu bem-estar (Brulle & 
Pellow, 2006), possivelmente evitando os riscos de um ambiente imprevisível (Geiger & Brick, 
2023). Por outro lado, aquelas com motivos relacionados a status e motivos reprodutivos 
tiveram as menores pontuações no consumo consciente, podendo revelar possíveis 
comportamentos de consumo conspícuo (Veblen, 1899), incompatíveis com o consumo 
parcimonioso (Keinan et al., 2020). Estas pessoas apresentariam um perfil motivacional que as 
inclinaria a explorar os recursos ambientais a fim de adquirir, manter ou ampliar condições ou 
relacionamentos que são importantes em seu contexto ou fase do desenvolvimento. Além desses 
achados, verificamos também que todos os agrupamentos apresentaram elevada pontuação no 
motivo cuidado com a família, achado já descrito em outros estudos sobre os motivos sociais 
109 
 
fundamentais humanos (Ko et al., 2020; Pick et al., 2022). De forma geral, os resultados 
também sugerem que, na presença de relacionamentos, há uma preocupação com o parceiro, e 
na presença de filhos, o cuidado dos filhos predomina; contudo, o cuidado familiar é um traço 
que permanece constante a despeito das outras diferenças encontradas nos grupos. 
Como limitações, a amostra deste estudo apresenta um número maior de jovens, o que 
limita as comparações com pessoas idosas. Este estudo também não abordou outros aspectos 
do comportamento que podem influenciar o consumo, como fatores antecedentes da relação 
com o consumo pró-ambiente, como a confiança nas intenções da empresa, a percepção de 
justiça no preço, os afetos e valores, todos também positivamente correlacionados com as 
expectativas de consumo de um produto sustentável (Branco, 2019). Estudos futuros podem ser 
realizado para ampliar a amostra e garantir número maior de pessoas acima de 50 e 60 anos. 
Também pode ser avaliado se há diferença entre atitudes e comportamentos de consumo 
consciente, já que este estudo apresentou somente um escore geral. Novos estudos também 
podem incluir outras variáveis importantes como escolaridade e nível de altruísmo. Algo que 
pode ser investigado em detalhes é quais contextos ou fases do desenvolvimento inclinam os 
indivíduos a explorar os recursos ambientais e qual a relação entre o consumo conspícuo e o 
consumo consciente. 
Concluímos que existem pessoas com características e perfis motivacionais 
semelhantes, e que essas pessoas compartilham atitudes que impactam na preservação do meio 
ambiente. Identificamos que os cuidadores focam no cuidado dos filhos e parceiros; os 
precavidos buscam se proteger e manter sua independência; os conquistadores buscam ascender 
no ranque social, ao mesmo tempo que buscam oportunidades de acasalamento; e, por fim, os 
enamorados focam em reter seus parceiros. Verificamos que a idade parece ser o marcador 
importante, sinalizando que, quanto mais velho ficamos, mais pode-se impactar em uma maior 
possibilidade de ações que fomentam o consumo consciente. Também foram reveladas 
110 
 
tendências importantes nos motivos sociais fundamentais, como uma relação negativa entre a 
busca por status e a busca por parceiros em atitudes pró-ambientais, bem como relações 
positivas entre os motivos relacionados ao cuidado e proteção de perigos ou doenças e a 
preocupação com o meio ambiente. Este estudo amplia as perspectivas de desenvolvimento de 
estudos que investiguem as relações entre as motivações sociais fundamentais, comportamento 
de consumo, diferenças individuais e preservação do meio ambiente. 
 
111 
 
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118 
 
Discussão Geral 
O objetivo desta pesquisa foi investigar a relação entre os motivos sociais fundamentais 
e o consumo consciente, considerando algumas características sociodemográficas. Partimos de 
algumas perguntas de pesquisa: é possível estudar a influência de nossas motivações para o 
consumo consciente a partir da abordagem evolucionista? Podemos encontrar os mesmos 
resultados dos estudos sobre consumo ao investigar o consumo consciente das pessoas e de suas 
motivações? E considerando algumas características individuais (variáveis sociodemográficas), 
como essa relação se estabelece? 
O primeiro estudo (“Os comportamentos pro-ambientais e a abordagem evolucionista: 
caminhos possíveis”), buscou ampliar a discussão da relação da teoria evolucionista com os 
comportamentos pró-ambientais. O estudo abordou quatro possibilidades de interação das 
abordagens evolucionistas com os comportamentos ambientalmente amigáveis: normas sociais, 
dilemas morais, outros mecanismos da natureza humana e motivos sociais fundamentais. Como 
produto, se revela como aprofundamento e abertura para as possibilidades de pesquisa na área, 
podendo contribuir também para despertar o interesse para novos pesquisadores adentrarem no 
campo. 
O segundo estudo (“Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma 
amostra no Nordeste do Brasil”), priorizamos compreender os motivos sociais fundamentais da 
amostra e caracterizá-la. Encontramos resultados semelhantes com o reduzido número de 
pesquisas que investigam os motivos sociais fundamentais e variáveis sociodemográficas. O 
estudo contribuiu para confirma que o cuidado familiar é a motivação central na espécie humana 
e que a idade revela interesses diferentes: jovens estão mais motivados a buscar parceiros, 
amizades e status e mais preocupados com os perigos do ambiente; com o avanço da idade, há 
aumento nas motivações de cuidado familiar e com os parceiros, comportamentos voltados para 
os outros. A renda tem influência na motivação para cuidado dos filhos e pessoas de renda mais 
baixa estão mais atentas aos riscos de perigos do ambiente. A influência do sexo se destaca ao 
119 
 
identificar as diferenças nas estratégias reprodutivas de homens (mais buca de parceiros) e 
mulheres (mais retenção de parceiros). O estudo sugere influências específica por etapa do 
desenvolvimento e diferenças individuais, e ajudou na compreensão da influência da motivação 
na diversidade comportamental humana. 
O terceiro estudo: “Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo 
consciente”, procurou responder às perguntas específicas deste estudo sobre a relação entre os 
motivos sociais fundamentais e o comportamento de consumo consciente. Os resultados 
encontrados revelam que o consumo consciente tem uma relação positiva com os motivos para 
cuidado e autoproteção e uma relação negativa com pessoas mais motivadas para o status e as 
estratégias reprodutivas. Além disso, que essa relação pode ter influência de etapas específicas 
do desenvolvimento e da história de vida. Este estudo demonstrou um campo de estudo possível 
para compreender o comportamento de consumo que pode favorecer ou desfavorecer o meio 
ambiente. 
Apesar das limitações já expostas, como tamanho da amostra de pessoas mais velhas, 
ausências de análises de algumas variáveis demográficas e de história de vida, este estudo 
cumpriu seus objetivos e respondeu de forma satisfatória as suas perguntas de pesquisa. Foi 
possível confirmar que a abordagem evolucionista dos motivos sociais fundamentais ajuda na 
compreensão dos comportamentos favoráveis e desfavoráveis ao meio ambiente, bem como se 
assemelha aos resultados encontrados para o estudo do comportamento de consumo humano. 
Além disso, evidenciou que algumas diferenças individuais influenciam ou moderam esse 
comportamento. 
O estudo teórico, em conjunto comas discussões dos artigos experimentais, demonstram 
que a abordagem evolucionista pode dialogar com diversas áreas como as ciências sociais, a 
administração, a psicologia social e a psicologia ambiental. Observa-se que, para 
comportamentos complexos, como a motivação humana e os comportamentos pró-ambientais, 
120 
 
é preciso sempre estar aberto a conhecer e unir diferentes frentes de conhecimento. Dessa 
forma, fica evidente as diversas possibilidades de estudo, bem como de que o contexto de 
investigação (analisando diferenças culturais e individuais) é um elemento essencial a ser 
considerado para intervenções que objetivem mudanças no comportamento das pessoas no que 
toca as suas motivações e padrões de consumo. Concluímos que é importante investigar 
variáveis que antecedem o consumo consciente (como as motivações), as variáveis individuais 
e cada contexto que se deseje investigar para implementar comportamentos mais favoráveis ao 
meio ambiente. 
 
121 
 
Conclusão Geral 
Este trabalho traz contribuições específicas ao ampliar o pouco conhecimento existente 
entre diferenças individuais e os motivos sociais fundamentais, apresentado uma amostra 
exclusiva do Brasil, que até o momento não tinha sido investigada nesse formato. Além disso, 
trata de forma inédita a relação entre diferenças individuais e motivos sociais fundamentais e 
sua influência no comportamento de consumo consciente. Procuramos ainda, fomentar a 
discussão com outras áreas para além da abordagem evolucionista, buscando realizar um 
diálogo com abordagens sociais e de como os conhecimentos podem ser complementares. 
De uma forma geral, conclui-se que algumas motivações dos indivíduos podem ser 
entendidas, em parte, por necessidades e oportunidades do ambiente, variando a partir da idade, 
do sexo eda condição de renda. Além disso, que é preciso considerar as motivações prioritárias 
presentes nas pessoas para pensar estratégia de mudanças comportamentais, como é o caso de 
modificação dos padrões de consumo das pessoas. 
 
122 
 
Regras para submissão na revista Journal of Personality and Social Psychology 
ISSN: 0022-3514 
Edited sections: Personality Processes and Individual Differences 
 
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General submission guidelines 
The editorial team of the Journal of Personality and Social Psychology is committed to both 
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through a cyclical and recursive process that includes both (i) a theory-building, 
exploratory/descriptive phase and (ii) a theory-testing, confirmatory phase. Further, we 
recognize that replication efforts are the part and parcel of the science that is empirically valid 
and socially responsible. We therefore support and encourage research that is informed by both 
phases. Guided by this overarching philosophy, we set out some concrete submission standards. 
Transparency and openness 
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analysis plan preregistration. Authors should include a subsection in the method section titled 
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We report how we determined our sample size, all data exclusions (if any), all manipulations, 
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research materials are available at [stable link to repository]. Data were analyzed using R, 
version 4.0.0 (R Core Team, 2020) and the package ggplot, version 3.2.1 (Wickham, 2016). 
This study’s design and its analysis were not pre-registered. 
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Data, materials, and code 
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Framework (OSF), or authors can access a full list of other recommended repositories. 
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https://osf.io/meetings/apa/
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123 
 
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Data set citation example: 
Campbell, Angus, and Robert L. Kahn. American National Election 
Study, 1948. ICPSR07218v3. 
Ann Arbor, MI: Interuniversity Consortium for Political and Social Research [distributor], 
1999.http://doi.org/10.3886/ICPSR07218.v3 
Design and analysis transparency 
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results sections. It is particularly important to provide justifiable power considerations and 
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Preregistration of studies and analysis plans 
Preregistration of studies and specific hypotheses can be a useful tool for making strong 
theoretical claims. Likewise, preregistration of analysis plans can be useful for distinguishing 
confirmatory and exploratory analyses. Investigators may reregister prior to conducting the 
research (e.g., ClinicalTrials.gov or the Preregistration for Quantitative Research in 
Psychology template) via a publicly accessible registry system (e.g., OSF, ClinicalTrials.gov, 
or other trial registries in the WHO Registry Network). 
At the same time, we recognize that there may be good reasons to change a study or analysis 
plan after it has been preregistered, and thus encourage authors to do so when appropriate so 
long as all changes are clearly and transparently disclosed in the manuscript. 
The journal also acknowledges that preregistration may not always be appropriate, especially in 
the exploratory phases of a research project. If authors choose to preregister their research and 
analyses plans, all documents should be succinct, specific, and targeted, as well as anonymized 
to maintain double-blind peer review. 
Articles must state whether or not any work was preregistered and, if so, where to access the 
preregistration. Preregistrations must be available to reviewers; authors may submit a masked 
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should be replaced with an identifiable copy on acceptance. 
For example: 
This study’s design was preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. 
This study’s design and hypotheses were preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. 
This study’s analysis plan was preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. 
This study was not preregistered. 
Whether or not a study is preregistered, the Journal of Personality and Social 
Psychology stresses the importance of transparency in reporting and expects researchers to fully 
disclose in their manuscript all decisions that were data-dependent (e.g., deciding when to stop 
data collection, what observations to exclude, what covariates to include, and what analyses to 
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Replication and Registered Reports 
Journal of Personality and Social Psychology acknowledges the significance of replication in 
building a cumulative knowledge base in our field. We therefore encourage submissions that 
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https://www.apa.org/pubs/journals/releases/amp-amp0000191.pdf
https://clinicaltrials.gov/
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vlp5GN-HXrtrjCdjE28f_3tT6RiwhQO2vVeOZGOaFsQ/edit#gid=0
https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vlp5GN-HXrtrjCdjE28f_3tT6RiwhQO2vVeOZGOaFsQ/edit#gid=0
https://osf.io/prereg/
124 
 
attempt to replicate important findings, especially research previously published in Journal of 
Personality and Social Psychology. 
Major criteria for publication of replication papers include (i) theoretical significance of the 
finding being replicated, (ii) statistical power of the study that is carried out, and (iii) the number 
and power of previous replications of the same finding. 
Other factors that would weigh in favor of a replication submission include: pre-registration of 
hypotheses, design, and analysis; submissions by researchers other than the authors of the 
original findings; and attempts to replicate more than one study of a multi-study original 
publication. 
Please note in the Manuscript Submission Portal that the submission is a replication article; 
submissions should include “A Replication of XX Study” in the subtitle of the manuscript as 
well as in the abstract. Replication manuscripts, if accepted, will be published online only and 
will be listed in the Table of Contents in the print journal. 
Papers that make a substantial novel conceptual contribution and also incorporate replications 
of previous findings continue to be welcome as regular submissions. 
Journal of Personality and Social Psychology will also publish Registered Reports. Such 
submissions will consist of a detailed research proposal, including an abstract, introduction, 
hypotheses, method, planned analyses, and implications of the expected results. 
We recommend that authors initially contact the editor before submitting a Registered Report. 
The proposed research will be reviewed and, if approved, should then be carried out in 
accordance with the proposed plan. For the Journal of Personality and Social Psychology: 
Attitudes and Social Cognition section, all manuscripts and preregistered reports/proposals 
should be submitted only through the portal and not via email to the editorial office. We cannot 
provide feedback based on emails to the office or the editor. Instead, the triage/ preliminary 
review is designed to make rapid determinations of fit for the journal. In addition, the sample 
manuscripts may be useful for potential authors who wish to determine the types of papers that 
might be appropriate for JPSP: ASC. 
To the extent that the study is judged to have been competently performed, the paper will be 
accepted (pending any necessary revisions) regardless of the outcome of the study. 
Section submission guidelines 
Submit manuscripts to the appropriate section editor. Section editors reserve the right to redirect 
papers as appropriate. When papers are judged as better suited for another section, editors 
ordinarily will return papers to authors and suggest resubmission to the more appropriate 
section. 
Rejection by one section editor is considered rejection by all; therefore a manuscript rejected by 
one section editor should not be submitted to another. 
All three sections of Journal of Personality and Social Psychology are now using a software 
system to screen submitted content for similarity with other published content. 
The system compares the initial version of each submitted manuscript against a database of 40+ 
million scholarly documents, as well as content appearing on the open web. 
This allows APA to check submissions for potential overlap with material previously published 
in scholarly journals (e.g., lifted or republished material). 
Attitudes and Social Cognition 
To submit to the editorial office of Dolores Albarracín, please submit manuscripts electronically 
through the Manuscript Submission Portal in Word Document format (.doc). 
Prepare manuscripts according to the Publication Manual of the American Psychological 
Association using the 7th edition. Manuscripts may be copyedited for bias-free language (see 
Chapter 5 of the Publication Manual). APA Style and Grammar Guidelines for the 7th edition 
are available. 
SUBMIT MANUSCRIPT TO PERSONALITY PROCESSES AND INDIVIDUAL 
DIFFERENCES SECTION 
Richard Lucas 
Department of Psychology 
Michigan State University 
East Lansing, MI 48824 
https://apastyle.apa.org/style-grammar-guidelines?_ga=2.108621957.62505448.1611587229-1146984327.1584032077&_gac=1.60264799.1610575983.Cj0KCQiA0fr_BRDaARIsAABw4EvuRpQd5ff159C0LIBvKTktJUIeEjl7uMbrD1RjULX63J2Qc1bJoEIaAsdnEALw_wcB
https://www.editorialmanager.com/pid/default1.aspx
https://www.editorialmanager.com/pid/default1.aspx
125 
 
General correspondence may be directed to the editor's office. 
Journal of Personality and Social Psychology: Personality Processes and Individual 
Differences now requires that a cover letter be submitted with all new submissions. 
The cover letters should: 
Include the author's postal address, e-mail address, telephone number, and fax number for future 
correspondence 
State that the manuscript is original, not previously published, and not under concurrent 
consideration elsewhere 
Indicate whether a previous version of the submitted manuscript was previously rejected from 
any section of Journal of Personality and Social Psychology; and if so, identify the action editor 
handling the previous submission, provide the prior manuscript #, and describe how the present 
article differs from the previously rejected one 
State that the data were collected in a manner consistent with ethical standards for the treatment 
of human subjects 
Inform the journal editor of the existence of any published work using the same data (in whole 
or in part) as was used in the present manuscript; if such publications exist, describe the extent 
and nature of any overlap between the present submission and the previously published work 
Mention any supplemental material being submitting for the online version of the article 
Authors are also required to embed tables and figures within the manuscript, instead of 
providing these after the references. 
Manuscript preparation 
Prepare manuscripts according to the Publication Manual of the American Psychological 
Association using the 7th edition. Manuscripts may be copyedited for bias-free language (see 
Chapter 5 of the Publication Manual). 
Review APA's Journal Manuscript Preparation Guidelines before submitting your article. 
Double-space all copy. Other formatting instructions, as well as instructions on preparing tables, 
figures, references, metrics, and abstracts, appear in the Manual. Additional guidance on APA 
Style is available on the APA Style website. 
Cumulative line numbers must be included with all submissions. 
Masked review policy 
The journal has adopted a policy of masked review for all submissions. The cover letter should 
include all authors' names and institutional affiliations. The first page of text should omit this 
information but should include the title of the manuscript and the date it is submitted. Every 
effort should be made to see that the manuscript itself contains no clues to the authors' identity, 
including grant numbers, names of institutions providing IRB approval, self-citations, and links 
to online repositories for data, materials, code, or preregistrations (e.g., Create a View-only Link 
for a Project). 
Word limits 
Although papers should be written as succinctly as possible, there is no formal word limit on 
submissions. 
Author contributions statements using CRediT 
The APA PublicationManual (7th ed.) stipulates that “authorship encompasses…not only 
persons who do the writing but also those who have made substantial scientific contributions to 
a study.” In the spirit of transparency and openness, the Journal of Personality and Social 
Psychology has adopted the Contributor Roles Taxonomy (CRediT) to describe each author's 
individual contributions to the work. CRediT offers authors the opportunity to share an accurate 
and detailed description of their diverse contributions to a manuscript. 
Submitting authors will be asked to identify the contributions of all authors at initial submission 
according to this taxonomy. If the manuscript is accepted for publication, the CRediT 
designations will be published as an author contributions statement in the author note of the 
final article. All authors should have reviewed and agreed to their individual contribution(s) 
before submission. 
CRediT includes 14 contributor roles, as described below: 
Conceptualization: Ideas; formulation or evolution of overarching research goals and aims. 
mailto:lucasri@msu.edu
https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition
https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition
https://www.apa.org/pubs/journals/resources/manuscript-submission-guidelines
https://apastyle.apa.org/
https://help.osf.io/hc/en-us/articles/360019930333-Create-a-View-only-Link-for-a-Project
https://help.osf.io/hc/en-us/articles/360019930333-Create-a-View-only-Link-for-a-Project
https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition
http://credit.niso.org/contributor-roles-defined/
126 
 
Data curation: Management activities to annotate (produce metadata), scrub data and maintain 
research data (including software code, where it is necessary for interpreting the data itself) for 
initial use and later reuse. 
Formal analysis: Application of statistical, mathematical, computational, or other formal 
techniques to analyze or synthesize study data. 
Funding acquisition: Acquisition of the financial support for the project leading to this 
publication. 
Investigation: Conducting a research and investigation process, specifically performing the 
experiments, or data/evidence collection. 
Methodology: Development or design of methodology; creation of models. 
Project administration: Management and coordination responsibility for the research activity 
planning and execution. 
Resources: Provision of study materials, reagents, materials, patients, laboratory samples, 
animals, instrumentation, computing resources, or other analysis tools. 
Software: Programming, software development; designing computer programs; 
implementation of the computer code and supporting algorithms; testing of existing code 
components. 
Supervision: Oversight and leadership responsibility for the research activity planning and 
execution, including mentorship external to the core team. 
Validation: Verification, whether as a part of the activity or separate, of the overall 
replication/reproducibility of results/experiments and other research outputs. 
Visualization: Preparation, creation and/or presentation of the published work, specifically 
visualization/data presentation. 
Writing—original draft: Preparation, creation and/or presentation of the published work, 
specifically writing the initial draft (including substantive translation). 
Writing—review and editing: Preparation, creation and/or presentation of the published work 
by those from the original research group, specifically critical review, commentary or revision—
including pre- or post-publication stages. 
Authors can claim credit for more than one contributor role, and the same role can be attributed 
to more than one author. 
Abstract and keywords 
All manuscripts must include an abstract containing a maximum of 250 words typed on a 
separate page. After the abstract, please supply up to five keywords or brief phrases. 
References 
List references in alphabetical order. Each listed reference should be cited in text, and each text 
citation should be listed in the references section. 
Examples of basic reference formats: 
Journal article 
McCauley, S. M., & Christiansen, M. H. (2019). Language learning as language use: A cross-
linguistic model of child language development. Psychological Review, 126(1), 1–
51. https://doi.org/10.1037/rev0000126 
Authored book 
Brown, L. S. (2018). Feminist therapy (2nd ed.). American Psychological 
Association. https://doi.org/10.1037/0000092-000 
Chapter in an edited book 
Balsam, K. F., Martell, C. R., Jones. K. P., & Safren, S. A. (2019). Affirmative cognitive 
behavior therapy with sexual and gender minority people. In G. Y. Iwamasa & P. A. Hays 
(Eds.), Culturally responsive cognitive behavior therapy: Practice and supervision (2nd ed., pp. 
287–314). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000119-012 
Data set citation 
Alegria, M., Jackson, J. S., Kessler, R. C., & Takeuchi, D. (2016). Collaborative Psychiatric 
Epidemiology Surveys (CPES), 2001–2003 [Data set]. Inter-university Consortium for Political 
and Social Research. https://doi.org/10.3886/ICPSR20240.v8 
Software/Code citation 
https://doi.org/10.1037/rev0000126
https://doi.org/10.1037/0000092-000
https://doi.org/10.1037/0000119-012
https://doi.org/10.3886/ICPSR20240.v8
127 
 
Viechtbauer, W. (2010). Conducting meta-analyses in R with the metafor package. Journal of 
Statistical Software, 36(3), 1–48. https://www.jstatsoft.org/v36/i03/ 
Wickham, H. et al., (2019). Welcome to the tidyverse. Journal of Open Source Software, 4(43), 
1686, https://doi.org/10.21105/joss.01686 
All data, program code, and other methods must be appropriately cited in the text and listed in 
the references section. 
Tables 
Use Word's insert table function when you create tables. Using spaces or tabs in your table will 
create problems when the table is typeset and may result in errors. 
Figures 
Preferred formats for graphics files are TIFF and JPG, and preferred format for vector-based 
files is EPS. Graphics downloaded or saved from web pages are not acceptable for publication. 
Multipanel figures (i.e., figures with parts labeled a, b, c, d, etc.) should be assembled into one 
file. When possible, please place symbol legends below the figure instead of to the side. 
Resolution 
All color line art and halftones: 300 DPI 
Black and white line tone and gray halftone images: 600 DPI 
Line weights 
Adobe Photoshop images 
Color (RGB, CMYK) images: 2 pixels 
Grayscale images: 4 pixels 
Adobe Illustrator Images 
Stroke weight: 0.5 points 
APA offers authors the option to publish their figures online in color without the costs associated 
with print publication of color figures. 
The same caption will appear on both the online (color) and print (black and white) versions. 
To ensure that the figure can be understood in both formats, authors should add alternative 
wording (e.g., “the red (dark gray) bars represent”) as needed. 
For authors who prefer their figures to be published in color both in print and online, original 
color figures can be printed in color at the editor's and publisher's discretion provided the author 
agrees to pay: 
$900 for one figure 
An additional $600 for the second figure 
An additional $450 for each subsequent figure 
Display equations 
We strongly encourage you to use MathType (third-party software) or Equation Editor 3.0 (built 
into pre-2007 versions of Word) to construct your equations, rather than the equation support 
that is built into Word 2007 and Word 2010. Equations composed with the built-in Word 
2007/Word 2010 equation support are converted to low-resolution graphics when they enter the 
production process and must be rekeyed by the typesetter, which may introduce errors. 
To construct your equations with MathType or Equation Editor 3.0: 
Go to the Text section of the Insert tab and select Object. 
SelectMathType or Equation Editor 3.0 in the drop-down menu. 
If you have an equation that has already been produced using Microsoft Word 2007 or 2010 and 
you have access to the full version of MathType 6.5 or later, you can convert this equation to 
MathType by clicking on MathType Insert Equation. Copy the equation from Microsoft Word 
and paste it into the MathType box. Verify that your equation is correct, click File, and then 
click Update. Your equation has now been inserted into your Word file as a MathType Equation. 
Use Equation Editor 3.0 or MathType only for equations or for formulas that cannot be produced 
as Word text using the Times or Symbol font. 
Computer code 
Because altering computer code in any way (e.g., indents, line spacing, line breaks, page breaks) 
during the typesetting process could alter its meaning, we treat computer code differently from 
the rest of your article in our production process. To that end, we request separate files for 
computer code. 
https://www.jstatsoft.org/v36/i03/
https://doi.org/10.21105/joss.01686
128 
 
In online supplemental materials 
We request that runnable source code be included as supplemental material to the article. For 
more information, visit Supplementing Your Article With Online Material. 
In the text of the article 
If you would like to include code in the text of your published manuscript, please submit a 
separate file with your code exactly as you want it to appear, using Courier New font with a type 
size of 8 points. We will make an image of each segment of code in your article that exceeds 40 
characters in length. (Shorter snippets of code that appear in text will be typeset in Courier New 
and run in with the rest of the text.) If an appendix contains a mix of code and explanatory text, 
please submit a file that contains the entire appendix, with the code keyed in 8-point Courier 
New. 
Submitting supplemental materials 
APA can place supplemental materials online, available via the published article in the 
PsycArticles® database. Please see Supplementing Your Article With Online Material for more 
details. 
Permissions 
Authors of accepted papers must obtain and provide to the editor on final acceptance all 
necessary permissions to reproduce in print and electronic form any copyrighted work, including 
test materials (or portions thereof), photographs, and other graphic images (including those used 
as stimuli in experiments). 
On advice of counsel, APA may decline to publish any image whose copyright status is 
unknown. 
Download Permissions Alert Form (PDF, 13KB) 
Academic writing and English language editing services 
Authors who feel that their manuscript may benefit from additional academic writing or 
language editing support prior to submission are encouraged to seek out such services at their 
host institutions, engage with colleagues and subject matter experts, and/or consider 
several vendors that offer discounts to APA authors. 
Please note that APA does not endorse or take responsibility for the service providers listed. It 
is strictly a referral service. 
Use of such service is not mandatory for publication in an APA journal. Use of one or more of 
these services does not guarantee selection for peer review, manuscript acceptance, or 
preference for publication in any APA journal. 
Publication policies 
APA policy prohibits an author from submitting the same manuscript for concurrent 
consideration by two or more publications. 
See also APA Journals® Internet Posting Guidelines. 
APA requires authors to reveal any possible conflict of interest in the conduct and reporting of 
research (e.g., financial interests in a test or procedure, funding by pharmaceutical companies 
for drug research). 
Download Disclosure of Interests Form (PDF, 38KB) 
In light of changing patterns of scientific knowledge dissemination, APA requires authors to 
provide information on prior dissemination of the data and narrative interpretations of the 
data/research appearing in the manuscript (e.g., if some or all were presented at a conference or 
meeting, posted on a listserv, shared on a website, including academic social networks like 
ResearchGate, etc.). This information (2–4 sentences) must be provided as part of the author 
note. 
Authors of accepted manuscripts are required to transfer the copyright to APA. 
For manuscripts not funded by the Wellcome Trust or the Research Councils UK 
Publication Rights (Copyright Transfer) Form (PDF, 83KB) 
For manuscripts funded by the Wellcome Trust or the Research Councils UK 
Wellcome Trust or Research Councils UK Publication Rights Form (PDF, 34KB) 
Ethical Principles 
It is a violation of APA Ethical Principles to publish "as original data, data that have been 
previously published" (Standard 8.13). 
https://www.apa.org/pubs/journals/resources/supplemental-material
https://www.apa.org/pubs/journals/resources/supplemental-material
https://www.apa.org/pubs/authors/permissions-alert.pdf
https://www.apa.org/pubs/journals/resources/editing-services
https://www.apa.org/pubs/journals/resources/internet-posting-guidelines
https://www.apa.org/pubs/authors/disclosure-of-interests.pdf
https://www.apa.org/pubs/authors/publication-rights-form.pdf
https://www.apa.org/pubs/authors/publication-rights-form-wellcome-rcuk.pdf
129 
 
In addition, APA Ethical Principles specify that "after research results are published, 
psychologists do not withhold the data on which their conclusions are based from other 
competent professionals who seek to verify the substantive claims through reanalysis and who 
intend to use such data only for that purpose, provided that the confidentiality of the participants 
can be protected and unless legal rights concerning proprietary data preclude their release" 
(Standard 8.14). 
APA expects authors to adhere to these standards. Specifically, APA expects authors to have 
their data available throughout the editorial review process and for at least 5 years after the date 
of publication. 
Authors are required to state in writing that they have complied with APA ethical standards in 
the treatment of their sample, human or animal, or to describe the details of treatment. 
Download Certification of Compliance With APA Ethical Principles Form (PDF, 26KB) 
The APA Ethics Office provides the full Ethical Principles of Psychologists and Code of 
Conduct electronically on its website in HTML, PDF, and Word format. You may also request 
a copy by emailing or calling the APA Ethics Office (202-336-5930). You may also read 
"Ethical Principles," December 1992, American Psychologist, Vol. 47, pp. 1597–1611. 
Other information 
Visit the Journals Publishing Resource Center for more resources for writing, reviewing, and 
editing articles for publishing in APA journals. (APA, 2023, 
https://www.apa.org/pubs/journals/psp) 
 
 
 
https://www.apa.org/pubs/authors/ethics.pdf
https://www.apa.org/ethics/code
https://www.apa.org/ethics/code
mailto:ethics@apa.org
https://www.apa.org/pubs/journals/resources
130 
 
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Conscientes_de_Compra/links/5f0c7d34299bf1074452ecc2/Uma-Escala-para-Mensurar-a-
Percepcao-de-Beneficios-Conscientes-de-Compra.pdf 
Pinheiro, JQ (1997). Psicologia Ambiental: a busca de um ambiente melhor. Estudos de 
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Compass, 11(6), e12319. https://doi.org/10.1111/spc3.12319 
134 
 
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avaliação do recifense sob a ótica do consumo sustentável. Revista Eletrônica de Ciência 
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Trivers, R.L. (1971). The evolution of reciprocal altruism. The quarterly review of Biology, 
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Psychology Bulletin, 27(11), 1440–1449. https://doi.org/10.1177/01461672012711005 
 
https://doi.org/10.1016/j.jenvp.2008.10.004
135 
 
 
Apêndices 
A- Convite de recrutamento/ cartaz de divulgação aos participantes 
 
136 
 
B- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE 
 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
Centro de Biociências 
Departamento de Fisiologia e Comportamento (DFS) 
Laboratório de Evolução do Comportamento Humano 
 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE 
 
Esclarecimentos 
Este é um convite para você participar da pesquisa: Motivação e consumo consciente: 
contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano, que tem como 
pesquisadores responsáveis a estudante de doutorado Nivia de Araújo Lopese o professor 
Felipe Nalon Castro. 
Esta pesquisa pretende investigar a relação entre as motivações básicas e o consumo 
consciente, considerando atitudes e comportamento de consumo atual dos sujeitos, algumas 
características pessoais e socioeconômicas e percepção de bem-estar subjetivo. Este estudo é 
voltado para adultos de 18 a 70 anos. 
A motivação para a realização deste estudo é poder trazer informações que 
complementem os conhecimentos teóricos já estabelecidos e que ajude a sociedade e as pessoas 
individualmente a entender de forma mais completa seus comportamentos de consumo que 
beneficiem o meio ambiente e fatores que o influenciam. 
Caso decida participar deste estudo, você responderá, em uma única etapa, quatro 
instrumentos de coleta de informações, sendo: 1. Inventário de Motivos Sociais Fundamentais 
(IMSF), identifica as motivações fundamentais mais presentes no indivíduo no momento da 
aplicação; 2. Questionário de consumo consciente, que investiga atitudes e comportamentos de 
consumo consciente do indivíduo; 3. Escala de felicidade Subjetiva (EFS), que avalia a 
percepção pessoal do estado geral de bem-estar do indivíduo com relação à própria vida; e 4. 
Coleta de algumas informações pessoais e socioeconômicas. O tempo para responder os 4 
instrumentos é, em média, 20 minutos. É importante ressaltar que esta é uma pesquisa anônima, 
não será necessário informar seu nome. 
Esta pesquisa apresenta riscos mínimos aos participantes, mas é importante informar 
que algumas questões poderão trazer lembranças que gerem algum desconforto, ocasionando 
pensamentos e sentimentos negativos. Você poderá optar por interromper a sua participação 
137 
 
nesta pesquisa em qualquer momento. Caso você perceba que necessita de alguma intervenção 
profissional causada por desconforto em participar desta pesquisa, terá acesso a atendimento 
psicológico gratuito com a responsável desta pesquisa, Nivia de Araújo Lopes, CRP 17/1161, 
que fará o atendimento inicial e todos os encaminhamentos necessários de assistência à saúde. 
Participando deste estudo, você irá colaborar na compreensão da relação entre os 
motivos fundamentais humanos e o consumo consciente, associados ao bem-estar individual e 
coletivo que os consumo consciente pode proporcionar. 
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para Nivia 
de Araújo Lopes pelo número (84) 988048268, ou pelo e-mail:nivialopes@yahoo.com.br. 
Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer 
fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você. 
A suas respostas ao questionário serão confidenciais e os dados decorrentes deste estudo 
serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, sempre de forma anônima, 
não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar. Esses dados serão guardados 
pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de 5 anos. 
No intuito de compartilhar os frutos deste estudo com a comunidade científica e com o público 
em geral, os resultados serão apresentados em congressos e publicação de artigo com acesso 
livre a todos, e divulgados na página do grupo de pesquisa no Instagram: @lech_ufrn. 
Para responder este questionário, através da plataforma Google forms, você precisará 
ter um celular, computador ou tablet com acesso à internet. Esta plataforma garante o 
anonimato, e, por este motivo, em caso de problemas com energia ou internet durante a sua 
participação, não será possível continuar a responder o questionário de onde havia parado, e 
será necessário começar do início novamente. 
Se você tiver, eventualmente, algum gasto pela sua participação comprovadamente 
decorrente desta pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você. Caso 
ocorra algum dano decorrente desta pesquisa, o participante terá direito à indenização. 
Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética 
em Pesquisa UFRN - Lagoa Nova Campus Central (CEP Central/UFRN) – instituição que 
avalia a ética das pesquisas antes que elas comecem e fornece proteção aos participantes das 
mesmas – da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, nos telefones (84) 3215-3135 ou 
(84) 9.9193-6266, e-mail cepufrn@reitoria.ufrn.br. Você ainda pode ir pessoalmente à sede do 
CEP, de segunda a sexta, das 08h00min às 12h00min e das 14h00min às 18h00min, na Rua das 
Artes, s/n. Campus Central UFRN. Lagoa Nova. Natal/RN. CEP: 59075-000. 
138 
 
Prezado participante, ficamos agradecidos com sua disponibilidade em participar de 
nossa pesquisa. Caso ocorra algum problema técnico (queda de energia ou queda de rede, por 
exemplo) durante o preenchimento de seus dados, pedimos um pouco de paciência. O Google 
forms, visando a proteção de sua identidade e a privacidade de suas informações, não permite 
a recuperação de dados. Como sua participação é muito importante para nós, pedimos que 
reinicie o processo de preenchimento. 
 
Consentimento livre e esclarecido 
Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão 
coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará, 
clique abaixo em: 
( ) Aceito participar desta pesquisa e autorizo o uso das informações coletadas para fins 
científicos, desde que nenhum dado possa me identificar. 
( ) Não aceito participar desta pesquisa. 
 
Declaração do pesquisador responsável 
Como pesquisador responsável pelo estudo: Motivação e consumo consciente: 
contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano, declaro que 
assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente 
e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como 
manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo. 
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido 
infringirei as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de 
Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. 
Natal, ___ de ________ de 20__. 
 
Nívia de Araújo Lopes. 
 Assinatura do(a) pesquisador(a) responsável 
 
139 
 
C- Informações pessoais e socioeconômicas 
 
1. Eu me identifico como: 
( ) Mulher 
( ) Homem 
( ) Outro 
 
2. Idade (em anos completos): _____ 
 
3. Qual a sua escolaridade (formação)? 
( ) Alfabetizado 
( ) Fundamental 
( ) Ensino Médio 
( ) Ensino Superior 
( ) Pós-graduação 
 
4. Qual é a cidade na qual você mora? 
(Ex: Natal...) 
 
5. Eu me autodeclaro: 
( ) Branco (a) 
( ) Preto (a) 
( ) Amarelo (a) 
( ) Pardo (a) 
( ) Indígena 
 
6. Atualmente você está: 
( ) Solteiro(a) 
( ) Namorando 
( ) Casado(a) 
140 
 
( ) Viúvo(a) 
( ) Divorciado(a) 
( ) Outro, qual?_________________ 
 
7. Qual é seu comportamento sexual: 
( ) Exclusivamente heterossexual 
( ) Predominantemente heterossexual ou eventualmente homossexual 
( ) Predominantemente heterossexual, mas com mais do que eventuais contatos homossexuais 
( ) Igualmente heterossexual e homossexual 
( ) Predominantemente homossexual, embora homossexual com frequência 
( ) Predominantemente homossexual ou eventualmente heterossexual 
( ) Exclusivamente homossexual 
 
8. Qual meio de transporte você mais utiliza? 
( ) Automóvel próprio 
( ) Motocicleta própria 
( ) Pego carona / Alguém me leva 
( ) Transporte público 
( ) Aplicativo (Uber, 99...) ou Táxi 
( ) Bicicleta 
( ) Outro 
 
9. Qual a renda familiar (valor total das pessoas que moram com você)? 
( ) Até 2 salários mínimos 
( ) De 2 a 4 salários mínimos 
( ) De 4 a 10 salários mínimos 
( ) De 10 a 20 salários mínimos 
( ) Acima de 20 salários mínimos 
 
 
141 
 
Anexos 
A- parecer deaprovação do projeto 
 
 
 
142 
 
 
143 
 
 
144 
 
 
145 
 
 
146 
 
 
147 
 
 
148 
 
 
 
149 
 
B- Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF) 
 
Por favor, responda o quão bem essas questões se aplicam à sua vida atualmente. Para cada 
questão, pense o quanto você concorda ou discorda com cada afirmativa e assinale o número 
escolhido (1 = discordo plenamente, 7 = concordo plenamente). 
 
1. Eu não gosto de estar na parte 
inferior da hierarquia. 
1 2 3 4 5 6 7 
2. Eu não me importo de estar perto 
de pessoas que estão doentes. 
1 2 3 4 5 6 7 
3. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) Eu ajudo 
a cuidar dos meus filhos(as). 
1 2 3 4 5 6 7 
4. Eu não me preocupo em me manter 
seguro(a) de outras pessoas. 
1 2 3 4 5 6 7 
5. Eu gosto de ficar sozinho(a). 1 2 3 4 5 6 7 
6. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) É 
importante para mim que 
meu(minha) parceiro(a) seja 
emocionalmente leal a mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
7. Raramente eu penso sobre 
encontrar um(a) parceiro(a) 
romântico(a) ou sexual. 
1 2 3 4 5 6 7 
8. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Me 
preocupa que meu parceiro(a) 
possa me deixar. 
1 2 3 4 5 6 7 
9. Geralmente trabalhar em grupo é 
mais problemático do que 
vantajoso. 
1 2 3 4 5 6 7 
10. Eu ficaria extremamente 
chateado(a) se um(a) amigo(a) me 
excluísse. 
1 2 3 4 5 6 7 
11. Eu prefiro não passar tempo com 
meus familiares. 
1 2 3 4 5 6 7 
150 
 
12. Quando estou em grupo, eu faço 
coisas para ajudar a manter o grupo 
junto. 
1 2 3 4 5 6 7 
13. Eu me preocupo em ser 
rejeitado(a). 
1 2 3 4 5 6 7 
14. Eu prefiro passar tempo sozinho(a) 
do que cercado(a) por outras 
pessoas. 
1 2 3 4 5 6 7 
15. Eu gostaria de achar um parceiro(a) 
romântico(a)/sexual logo. 
1 2 3 4 5 6 7 
16. Estar perto dos meus familiares é 
extremamente importante para 
mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
17. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Eu não 
gasto muito tempo ou energia 
fazendo coisas para manter meu 
parceiro(a) interessado na nossa 
relação. 
1 2 3 4 5 6 7 
18. Eu estou motivado(a) a me manter 
protegido de pessoas perigosas. 
1 2 3 4 5 6 7 
19. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Eu me 
preocupo que outras pessoas 
possam roubar meu parceiro(a) 
romântico(a)/sexual. 
1 2 3 4 5 6 7 
20. É importante para mim que os 
outros respeitem meu ranking ou 
posição. 
1 2 3 4 5 6 7 
21. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) Suprir as 
necessidades dos meus filhos(as) é 
importante para mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
22. Eu não me preocupo muito em 
pegar germes/bactérias dos outros. 
1 2 3 4 5 6 7 
23. Me incomoda quando grupos de 
pessoas que conheço fazem coisas 
sem mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
151 
 
24. Eu me preocupo em pegar gripes e 
resfriados devido a muito contato 
com outras pessoas. 
1 2 3 4 5 6 7 
25. Começar uma nova relação 
romântica/sexual não é minha 
maior prioridade. 
1 2 3 4 5 6 7 
26. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Estou 
preocupado(a) se eu e meu(minha) 
parceiro(a) vamos terminar. 
1 2 3 4 5 6 7 
27. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Não teria 
muita importância para mim se eu e 
meu parceiro(a) terminássemos. 
1 2 3 4 5 6 7 
28. Ter um tempo sozinho(a) é 
extremamente importante para 
mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
29. Me dar bem com pessoas ao meu 
redor é uma prioridade. 
1 2 3 4 5 6 7 
30. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) 
Frequentemente eu penso em como 
eu poderia fazer para que coisas 
ruins parassem de acontecer com 
meus filhos(as). 
1 2 3 4 5 6 7 
31. Eu penso em como me proteger de 
pessoas perigosas. 
1 2 3 4 5 6 7 
32. Eu faço coisas para garantir que eu 
não perca meu status. 
1 2 3 4 5 6 7 
33. É extremamente importante para 
mim ter boas relações com meus 
familiares. 
1 2 3 4 5 6 7 
34. Cuidar dos meus familiares é 
importante para mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
35. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) É 
importante para mim que meu 
1 2 3 4 5 6 7 
152 
 
parceiro(a) seja sexualmente leal a 
mim. 
36. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) 
Raramente eu penso sobre proteger 
meus filhos(as). 
1 2 3 4 5 6 7 
37. Eu passo muito tempo pensando 
sobre formas de conhecer possíveis 
parceiros(as) para namorar. 
1 2 3 4 5 6 7 
38. Eu não me importo muito em 
perder status. 
1 2 3 4 5 6 7 
39. Eu evito pessoas que possam ter 
alguma doença contagiosa. 
1 2 3 4 5 6 7 
40. Ser parte de um grupo é importante 
para mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
41. Eu me preocupo com pessoas 
perigosas. 
1 2 3 4 5 6 7 
42. Frequentemente eu penso se outras 
pessoas me aceitam. 
1 2 3 4 5 6 7 
43. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Me 
preocupa que outras pessoas 
estejam interessadas em 
meu(minha) parceiro(a) 
romântico(a)/sexual. 
1 2 3 4 5 6 7 
44. Eu não me importo em ficar 
sozinho(a) por longos períodos de 
tempo. 
1 2 3 4 5 6 7 
45. Eu estou motivado(a) a me manter 
seguro(a) dos outros. 
1 2 3 4 5 6 7 
46. Eu estou interessado(a) em achar 
um(a) novo(a) parceiro(a) 
romântico(a)/sexual. 
1 2 3 4 5 6 7 
47. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) 
Frequentemente eu penso se meu 
parceiro(a) vai me deixar. 
1 2 3 4 5 6 7 
153 
 
48. Eu evito lugares e pessoas que 
possam ter doenças. 
1 2 3 4 5 6 7 
49. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Se outras 
pessoas estivessem 
romanticamente interessadas em 
meu(minha) parceiro(a), isso não 
me incomodaria tanto. 
1 2 3 4 5 6 7 
50. Frequentemente eu imagino se 
estou sendo excluído(a). 
1 2 3 4 5 6 7 
51. Eu não tenho muito interesse em 
ajudar meus familiares. 
1 2 3 4 5 6 7 
52. Eu quero estar em uma posição de 
liderança. 
1 2 3 4 5 6 7 
53. Eu gosto de fazer parte de um time. 1 2 3 4 5 6 7 
54. Não me incomoda estar longe dos 
meus amigos por períodos longos 
de tempo. 
1 2 3 4 5 6 7 
55. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) Cuidar 
dos meus filhos(as) não é uma 
prioridade para mim agora. 
1 2 3 4 5 6 7 
56. Ter laços estreitos com a minha 
família não é muito importante para 
mim. 
1 2 3 4 5 6 7 
57. Eu me divirto trabalhando com um 
grupo para alcançar um objetivo. 
1 2 3 4 5 6 7 
58. Seria um grande problema para 
mim se um grupo me excluísse. 
1 2 3 4 5 6 7 
59. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Se 
meu(minha) parceiro(a) estivesse 
tendo relações românticasou 
sexuais com outros(as), eu estaria 
OK com isso. 
1 2 3 4 5 6 7 
60. Não me incomoda muito quando 
alguém próximo fica doente. 
1 2 3 4 5 6 7 
154 
 
61. Eu não estou interessado(a) em 
conhecer pessoas para flertar ou ir a 
encontros. 
1 2 3 4 5 6 7 
62. Eu gosto de estar sozinho(a) mesmo 
que eu perca alguns amigos por 
isso. 
1 2 3 4 5 6 7 
63. Eu penso bastante sobre como me 
manter seguro(a) de pessoas 
perigosas. 
1 2 3 4 5 6 7 
64. É importante para mim que outras 
pessoas me admirem. 
1 2 3 4 5 6 7 
65. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ TIVER FILHOS) Eu gosto 
de passar tempo com meus 
filhos(as). 
1 2 3 4 5 6 7 
66. (RESPONDA SOMENTE SE 
VOCÊ ESTIVER EM UM 
RELACIONAMENTO) Eu me 
pergunto se meu parceiro(a) vai me 
deixar por outra pessoa. 
1 2 3 4 5 6 7 
 
 
 
 
 
 
 
155 
 
C- Questionário de Consumo consciente (adaptado de: Instituto Akatu) 
Agora gostaríamos de saber ações com relação ao seu comportamento de consumo consciente. 
Por favor, responda o quão bem essas questões se aplicam à sua vida atualmente. Para cada 
questão, pense o quanto a mesma reflete os seus comportamentos (1= nunca, 7= sempre) e 
atitudes (1 = discordo plenamente, 7 = concordo plenamente), assinalando o número escolhido. 
 
1. No último ano, deixei de comprar 
produtos ou serviços de uma empresa 
por saber que ela prejudica seus 
empregados, a sociedade ou o meio 
ambiente. 
1 2 3 4 5 6 7 
2. Para se deslocar pela cidade, é 
melhor usar um veículo próprio do 
que o transporte público ou 
compartilhado. 
1 2 3 4 5 6 7 
3. Em minha casa, separo o lixo para a 
reciclagem (ou, mesmo não havendo 
coleta seletiva, procuro encaminhar 
para a reciclagem tudo o que for 
possível). 
1 2 3 4 5 6 7 
4. Costumo pedir nota fiscal quando 
vou às compras, mesmo que o 
fornecedor não a ofereça 
espontaneamente. 
1 2 3 4 5 6 7 
5. Costumo planejar as compras de 
alimentos. 
1 2 3 4 5 6 7 
6. Ter coisas em casa e não usá-las 
significa um desperdício de recursos 
da natureza como a água, energia e 
matérias-primas usadas na 
fabricação. 
1 2 3 4 5 6 7 
7. Quando possível, utilizo também o 
verso das folhas de papel. 
1 2 3 4 5 6 7 
8. Evito deixar lâmpadas acesas em 
ambientes desocupados. 
1 2 3 4 5 6 7 
9. A propaganda deveria ser mais 
controlada, pois tem o poder de 
influenciar muito o comportamento 
de consumo das pessoas. 
1 2 3 4 5 6 7 
10. Procuro passar ao maior número 
possível de pessoas as informações 
que aprendo sobre empresas e 
produtos. 
1 2 3 4 5 6 7 
 
11. Comprei produtos orgânicos nos 
últimos 6 meses. 
1 2 3 4 5 6 7 
12. Espero os alimentos esfriarem antes 
de guardá-los na geladeira. 
1 2 3 4 5 6 7 
156 
 
13. Costumo ler atentamente os rótulos 
antes de decidir uma compra. 
1 2 3 4 5 6 7 
14. Costumo planejar a compra de 
roupas. 
1 2 3 4 5 6 7 
15. Só vale a pena abastecer o carro com 
álcool em vez de gasolina quando o 
preço compensa. 
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16. Apenas as classes mais altas podem 
escolher produtos e serviços mais 
sustentáveis, ou seja, aqueles que 
geram consequências mais positivas 
do que negativas à sociedade e ao 
meio ambiente. 
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17. Costumo fechar a torneira enquanto 
escovo os dentes. 
18. Comprei produtos feitos com 
material reciclado nos últimos 6 
meses. 
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19. Frutas e verduras da época são, na 
maioria das vezes, mais saudáveis 
para você e para o meio ambiente, 
pois exigem um menor uso de 
agrotóxicos e fertilizantes. 
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20. Em casa, eu estimulo a minha família 
ou as pessoas com quem moro a 
comerem reunidas. 
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21. Participo de ações, movimentos, 
campanhas ou redes relacionadas a 
questões do consumo ou do meio 
ambiente. 
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22. Deixo de comprar um produto novo 
enquanto o que tenho ainda pode ser 
utilizado ou consertado. 
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23. Cuido de áreas verdes em praças, 
parques, quintais ou outros locais, 
próximos de onde vivo. 
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24. Desligo aparelhos eletrônicos 
quando não estou usando-os. 
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25. Hoje, uma pessoa se define por 
aquilo que ela compra ou usa, e não 
há nada de errado nisso. 
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26. Mesmo grandes empresas podem 
enfrentar problemas caso não se 
adaptem rapidamente às mudanças 
de desejos dos consumidores por 
produtos e serviços mais 
sustentáveis, que contribuam mais 
para a sociedade e o meio ambiente. 
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27. A humanidade hoje já usa mais 
recursos naturais do que o planeta é 
capaz de oferecer, colocando em 
risco a existência desses recursos e da 
vida no futuro. 
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28. Incentivo outras pessoas a 
comprarem de empresas que 
ofereçam produtos e serviços mais 
sustentáveis, ou seja, aqueles que 
geram consequências mais positivas 
do que negativas à sociedade e ao 
meio ambiente. 
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29. Utilizo os selos de certificação (por 
exemplo: PROCEL, FSC, 
INMETRO, IBD e outros) 
encontrados em alguns produtos para 
realizar melhores escolhas de 
compra. 
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30. Quando escolho produtos produzidos 
mais perto de onde estou, colaboro 
para diminuir a liberação de gases 
que poluem o meio ambiente e 
prejudicam a minha saúde. 
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31. Saber como foi produzido o que 
consumimos, como afetou o meio 
ambiente e a sociedade, nos 
possibilita fazer melhores escolhas 
de compra. 
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32. Incentivo meus amigos e familiares a 
participarem de movimentos, 
campanhas e organizações ligados ao 
meio ambiente ou ao consumo 
consciente. 
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33. Imprimo fotos, textos ou documentos 
em vez de vê-los em um computador 
ou tablet. 
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34. Escolho locais de compras, lazer, 
estudo e trabalho que estejam 
próximos de onde eu vivo, evitando 
assim grandes deslocamentos pela 
cidade. 
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35. É necessário que os rótulos e 
embalagens tragam informações 
mais detalhadas sobre os produtos, 
como a composição, origem, 
instruções de como usá-los e jogá-los 
fora - e até características das 
empresas que os fabricam. 
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36. Escolho comprar produtos 
(alimentos, roupas, etc) que são 
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produzidos localmente em vez 
daqueles que vêm de outras regiões 
ou países. 
37. Apesar de vivermos todos em um 
mesmo planeta, é exagero dizer que o 
que cada um faz afeta todos. 
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38. Prefiro comprar produtos que sejam 
baratos e fáceis de trocar por novos 
quando quebram ou ficam 
ultrapassados, em vez de comprar 
produtos mais caros que durem mais 
e que possam ser atualizados ou 
consertados. 
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39. As empresas devem contribuir para a 
construção de um mundo mais 
sustentável, que tenha recursos como 
alimentos, água, e matérias-primas 
suficientes para sustentar a vida em 
todo o planeta, hoje e no futuro. 
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40. Levo sacolas reutilizáveis quando 
vou às compras. 
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41. Compro alimentos mais saudáveis, 
buscando mais saúde e bem-estar 
para mim e minha família. 
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42. Ter saúde depende mais do acesso a 
postos de saúde, hospitais e remédios 
do que da forma como vivemos no 
dia a dia (alimentação, atividades 
físicas e lazer). 
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43. Somente o Governo tem condições 
de garantir o equilíbrio da sociedade 
e direcionar questões como a 
diminuição da desigualdade e a 
preservação do meio ambiente. 
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44. Nos últimos 6 meses, manifestei-me 
contra alguma propaganda por 
considerá-la imprópria ou enganosa. 
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45. Escolho como e onde investir o meu 
dinheiro levando em consideração 
quais os efeitos positivos e negativos 
que isso pode causar ao meio 
ambiente e à sociedade. 
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46. Escolho ir a pé ou de bicicleta em vez 
de usar um veículo motorizado 
sempre que a distância me permite. 
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47. Ao ver colegas ou amigos com coisas 
novas ou que estão na moda, fico 
com tanta vontade que também acabo 
comprando. 
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48. Jogar comida fora representa o 
desperdício de muitos recursos, 
como água, energia, adubo, 
fertilizantes e trabalho. 
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49. Recorro a um órgão de defesa do 
consumidor quando tenho problemas 
com um produto ou serviço, e não 
consigo uma solução com a empresa 
que o vendeu. 
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50. Ajudo outras pessoas a pensar se elas 
realmente precisam daquilo que vão 
comprar ou se é apenas um desejo 
passageiro. 
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51. É fundamental que todos frequentem 
e se manifestem sobre o quão 
importantes são os espaços públicos 
como praças, parques, calçadões ou 
terrenos transformados em lugares de 
convívio da comunidade, pois 
melhoram a qualidade de vida nos 
bairros. 
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52. Acabo comprando muito mais do que 
preciso. 
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53. No meu tempo livre, prefiro ir a uma 
praça, parque ou fazer atividades ao 
ar livre a passear no shopping ou 
fazer compras. 
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54. Antes de jogar fora um produto que 
não quero mais, seja ele um 
brinquedo, vestimenta, 
eletroeletrônico, ou qualquer outro, 
procuro doar ou mesmo trocar com 
alguém que tenha interesse. 
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55. Prefiro alugar ou pegar emprestadas 
as coisas que uso com pouca 
frequência em vez de comprá-las 
para tê-las em casa, mesmo que eu as 
use raramente. 
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