Prévia do material em texto
Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Biociências Programa de pós-graduação em Psicobiologia NIVIA DE ARAÚJO LOPES MOTIVAÇÃO E CONSUMO CONSCIENTE: CONTRIBUIÇÕES DAS TEORIAS EVOLUCIONISTAS APLICADAS AO COMPORTAMENTO HUMANO Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para a obtenção do título de Doutora em Psicobiologia. Natal/RN 2023 NIVIA DE ARAÚJO LOPES MOTIVAÇÃO E CONSUMO CONSCIENTE: CONTRIBUIÇÕES DAS TEORIAS EVOLUCIONISTAS APLICADAS AO COMPORTAMENTO HUMANO Tese apresentada ao Programa de Pós-graduação em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para a obtenção do título de Doutora em Psicobiologia. Orientador: Felipe Nalon Castro. Natal/RN 2023 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Leopoldo Nelson - Centro de Biociências - CB Lopes, Nivia de Araujo. Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano / Nivia de Araujo Lopes. - 2023. 159 f.: il. Tese (doutorado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Biociências, Programa de Pós-graduação em Psicobiologia. Natal, RN, 2023. Orientação: Prof. Dr. Felipe Nalon Castro. 1. Evolução do comportamento - Tese. 2. Motivação - Tese. 3. Comportamento pró-ambiental - Tese. 4. Comportamento de consumo - Tese. I. Castro, Felipe Nalon. II. Título. RN/UF/BSCB CDU 575.8 Elaborado por KATIA REJANE DA SILVA - CRB-15/351 Título: Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano Autora: Nívia de Araújo Lopes Data da apresentação: 29.09.2023 Banca Examinadora: Prof. Dr. Felipe Nalon Castro Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil Presidente da banca Prof.ª Dr.ª Renata Pereira de Felipe Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP, Brasil Externa à instituição Prof. Dr. Wallisen Tadashi Hattori Universidade Federal de Uberlândia (UFU), MG, Brasil Externo à instituição Prof.ª Dr.ª Raquel Farias Diniz Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil Interna à instituição Prof. Dr. Arrilton Araújo de Souza Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), RN, Brasil Interno à instituição Agradecimentos Ao meu orientador Felipe, pelo super apoio e dedicação a este trabalho, pelas inúmeras aprendizagens, por me ajudar em todos os momentos e ter muita paciência. Aos meus professores da Pós-graduação e à UFRN, em especial a Fívia e Arrílton, pelas aprendizagens. Aos professores da banca, pela disponibilidade e partilha. Aos colegas do Lech, em especial a Wilson, pelo suporte. Ao IFRN campus Canguaretama e meus colegas de trabalho, que me apoiaram ao longo desses quatro anos. À minha família, Célia, Everardo, Fivia, Marcel, Lucas, Matheus, Cecília e Heitor, cunhada Karoline, e cunhadinhas Anne e Gabriela, por todo apoio, amor, sorrisos e carinho. Ao meu companheiro de vida Pedro, por toda ajuda, amor, sorrisos e carinho. Às minhas amigas pelos momentos compartilhados, Ladies, Barra Beach, Marcia e Manuela. O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. Sumário Resumo ................................................................................................................................................... 9 Abstract ................................................................................................................................................ 10 Introdução Geral ................................................................................................................................. 11 Consumo consciente ........................................................................................................................ 11 A abordagem evolucionista ............................................................................................................ 15 Os motivos sociais fundamentais .................................................................................................. 16 O comportamento pró-social ........................................................................................................ 22 O consumo consciente, os motivos fundamentais sociais e a pró-socialidade ............................ 24 Objetivos .............................................................................................................................................. 27 Objetivo geral .................................................................................................................................. 27 Objetivos específicos ....................................................................................................................... 27 Estudo 1 ............................................................................................................................................... 28 Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis .............. 29 Resumo ................................................................................................................................................. 30 Abstract ................................................................................................................................................ 31 A abordagem evolucionista ............................................................................................................ 32 Os estudos com base na teoria normativa ..................................................................................... 33 Os dilemas morais e as relações do homem com o meio ambiente ............................................. 36 Outros mecanismos da natureza humana que (des)favorecem os comportamentos favoráveis ao ambiente ...................................................................................................................................... 39 Os motivos sociais fundamentais e os padrões de consumo ........................................................ 41 Perspectivas de integração e caminhos possíveis.......................................................................... 46 Referências........................................................................................................................................... 49 Estudo 2 ............................................................................................................................................... 56 Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil ........................................................................................................ Erro! Indicador não definido. Resumo ................................................................................................................................................. 58 Abstract ................................................................................................................................................ 59 Método ............................................................................................................................................. 64 Procedimentos de amostragem ..................................................................................................... 64 Participantes ................................................................................................................................. 65 Medidas e Instrumentos ................................................................................................................65 Condição experimental ................................................................................................................. 67 Procedimento ................................................................................................................................ 67 Análise de dados ........................................................................................................................... 67 Resultados ........................................................................................................................................ 68 Discussão .......................................................................................................................................... 76 Referências........................................................................................................................................... 84 ANEXO .................................................................................................... Erro! Indicador não definido. Estudo 3 ............................................................................................................................................... 89 Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente ..................................... 90 Resumo ................................................................................................................................................. 91 Abstract ................................................................................................................................................ 92 Método ............................................................................................................................................. 97 Procedimentos de amostragem .................................................................................................... 97 Participantes ................................................................................................................................. 98 Medidas e Instrumentos ............................................................................................................... 98 Procedimento .............................................................................................................................. 100 Análise de dados ......................................................................................................................... 100 Resultados ...................................................................................................................................... 101 Discussão ........................................................................................................................................ 104 Referências......................................................................................................................................... 111 Regras para submissão na revista Journal of Personality and Social Psychology ... Erro! Indicador não definido. Conclusão Geral ................................................................................................................................ 118 Referências......................................................................................................................................... 130 Apêndices ........................................................................................................................................... 135 Anexos ................................................................................................................................................ 141 Lista de Ilustrações Introdução geral Figura 1. Pirâmide das motivações revisada ...................................................................... 20 Tabela 1. Motivos e mecanismos psicológicos relacionados ............................................. 21 Estudo 2 Tabela 1. Comparações da média percentual dos motivos sociais fundamentais com o valor de referência: avaliação geral, dentro de cada faixa etária, renda e sexo ........................... 71 Figura 1. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a faixa-etária ............................................................ 72 Figura 2. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a renda ..................................................................... 74 Figura 3. Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com o sexo ....................................................................... 75 Estudo 3 Tabela 1. Grupos Obtidos por Similaridade na Pontuação dos Motivos Sociais Fundamentais ........................................................................................................................................... 103 Tabela 2. Frequências e Resultado dos Testes de Qui-quadrado para os Grupos ............ 103 9 Resumo O hiperconsumo é responsável por diversos problemas ambientais e sociais. A abordagem evolucionista pode contribuir para entender nossos comportamentos de consumo, especialmente a teoria dos motivos sociais fundamentais. O objetivo desta pesquisa é investigar o consumo consciente, a partir das influências de mecanismos do passado evolutivo humano e das diferenças individuais dentro do contexto atual. Foram coletados dados através de questionário on-line (n=539) e realizados estudos teóricos. Este estudo foi dividido em 3 artigos: 1) “Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis”, 2) “Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil” e 3) “Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente”. O primeiro artigo, um ensaio teórico, contribuiu para reunir as diversas possibilidades de estudos que utilizam conhecimentos da abordagem evolucionista para compreender o comportamento pró-ambiental. Os resultados do segundo artigo encontraram que nossas motivações podem ser compreendidas a partir de prioridades universais (cuidado familiar, coalizações de grupo e autopreservação), ou podem variar em algumas etapas do desenvolvimento, provocadas pelas prioridades reprodutivas (busca e retenção de parceiros, cuidado dos filhos), de afiliação e status. Além disso, revelou que a condição socioeconômica pode modular algumas motivações, como autoproteção e cuidado com os filhos. O terceiro artigo encontrou que os motivos de cuidado e autoproteção são variáveis importantes para o consumo consciente, e que o status e estratégias reprodutivas como dificultadores de consumos parcimoniosos. Conclui-se que este trabalho reúne importantes achados sobre as bases evolutivas dos comportamentos que favorecem ou desfavorecem o meio ambiente. Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, comportamento pró- ambiental, comportamento de consumo. 10 Abstract Hyperconsumption is responsible for various environmental and social problems. The evolutionary approach can contribute to understanding our consumption behaviors, especially the theory of fundamental social motives. The aim of this research is to investigate conscious consumption, based on the influences of mechanisms from human evolutionary history and individual differences within the current context. Data were collected through an online questionnaire (n=539), and theoretical studies were conducted. This study was divided into 3 articles: 1) "Pro-environmental behaviors and the evolutionary approach: possible paths," 2) "Individual Differences in Fundamental Social Motives in a sample in Northeast Brazil," and 3) "Showing off or taking care? Priorities that interfere with conscious consumption." The first article, a theoretical essay,contributed to gathering the various possibilities of studies using knowledge from the evolutionary approach to understand pro-environmental behavior. The results of the second article found that our motivations can be understood based on universal priorities (family care, group coalitions, and self-preservation) or may vary at certain stages of development, influenced by reproductive priorities (seeking and retaining partners, child- rearing), affiliation, and status. It also revealed that socioeconomic status can modulate some motivations, such as self-protection and childcare. The third article found that motives of care and self-protection are important variables for conscious consumption, and that status and reproductive strategies act as hindrances to frugal consumption. In conclusion, this work brings together important findings about the evolutionary foundations of behaviors that either favor or harm the environment. Keywords: Motivation, behavior evolution, pro-environmental behavior, consumption behavior. 11 Introdução Geral Consumo consciente A temática ambiental envolve muitas questões e níveis de análise, dentre as quais pode-se destacar as mudanças climáticas, a extinção da biodiversidade e dos recursos naturais, a contaminação das águas, a problemática do tratamento dos resíduos sólidos e os diversos problemas sociais (ex.: questões de moradia). Em grande maioria, o impacto negativo ocorre devido às atividades invasivas humanas, relacionadas a questões demográficas, forma de uso da tecnologia e de consumo (Pinheiro, 1997). Um tema de estudo é o problema do consumismo, que se tornou o conceito central no estudo crítico atual do sistema capitalista, associado a uma cultura de inovação e conhecimento, gerando sempre produtos mais modernos e deixando os anteriores obsoletos (obsolescência programada). Além disso, há uma valorização da marca e da patente, e o consumo não é apenas de produtos, mas de experiências. Soma-se a ideia de possibilidade de comprar produtos através do parcelamento, gerando hiperconsumo e endividamento a médio e longo prazo. Todos esses aspectos provocam o controle subjetivo do consumidor, dando base para sustentar o sistema (Fontenelle, 2014). Dentre os comportamentos que afetam o meio ambiente, o hiperconsumo tornou-se também um dos maiores causadores dos problemas ambientais (Pinheiro, 1997), pois, na maioria dos casos, há uma desconexão entre o que se consome e os impactos socioambientais resultantes (Fontenelle, 2014). Como reação ao hiperconsumismo, surgem diversos movimentos, estudos e ações voltadas para compreender o impacto ambiental das ações humanas e, dentre estes, os estudos de consumo pró-ambiental. O estudo do consumo pró-ambiental tem diferentes níveis de análises, bem como visões teóricas, mas compartilham da preocupação do risco de colapso dos recursos naturais (Oliveira et al., 2019). Áreas como a Psicologia, a Sociologia, a Biologia, a 12 Administração e o Marketing, possuem focos de estudo e visões teóricas de acordo com seu campo de estudo, o que exige uma delimitação teórica das áreas e autores que iremos utilizar. Partimos de uma compreensão presente na Psicologia Ambiental, de que as pessoas se comportam de forma ativa na sua relação com o meio ambiente, e não somente respondem a estímulos e contextos (Pinheiro, 2007). Dentro da Psicologia, um conceito amplamente utilizado é o de comportamento pró-ambiental, que se refere a qualquer ação que afete o meio ambiente de forma mínima ou até o beneficie, e pode ser consciente ou não (Steg & Vlek, 2009). Para Corral-Verdugo (2006), é mais interessante utilizar o termo comportamento pró- ecológico, tendo em vista que este último estaria mais vinculado a uma concepção conservacionista, um comportamento ativo, antecipado e dirigido para a preservação. Diniz e Pinheiro (2017) acrescentam que a nomenclatura compromisso pró-ecológico seria mais indicado, pois englobaria o afeto positivo com o objeto. Dessa forma, observa-se que partimos de um conceito geral que envolveria inclusive ações não conscientes, para uma visão consciente, ampla e ativa, com pressupõe a Psicologia Ambiental. Em alguns estudos sociológicos e na Administração, observa-se o uso constante do termo consumo, que engloba o aspecto da presença do capitalismo nas relações de interação do homem com o meio ambiente, como já apresentado anteriormente. Apesar de compartilharmos com a Psicologia Ambiental que a relação do homem com o meio ambiente ocorre de forma ativa, escolhemos como foco de pesquisa o conceito de consumo consciente, considerado como um conceito mais restrito que os citados pela Psicologia, sendo uma subcategoria, com suas próprias variações de nomenclatura, como veremos a seguir. O estudo de comportamentos intencionais que buscam diminuir os impactos ambientais através do consumo são subcategorias dos conceitos mais amplos descritos acima, e podem ter variações nas nomenclaturas a depender do autor, podendo-se citar como principais: consumo verde, consumo responsável, consumo ecologicamente responsável, consumo consciente e 13 consumo sustentável (Gonçalves-Dias & Teodósio, 2012; Silva et al., 2013). O consumo consciente é um conceito mais abrangente do que o de consumo verde, mas não tão amplo como o de consumo sustentável. Dessa forma, o conceito de consumo consciente adotado é: “Ato ou decisão de compra ou uso de serviços, de bens industriais ou naturais, praticado por um indivíduo, levando em conta o equilíbrio entre satisfação pessoal, as possibilidades ambientais e os efeitos sociais de sua decisão” (Fabi et al., 2010, p.6). Diversos estudos sobre comportamento de consumo podem ser explicados com base em três teorias: econômica (análise de custos e benefícios, com sentido utilitário), hedônica (expectativa de satisfação psicológicas, experienciais) e de orientação pró-social. Nas duas primeiras há a ênfase na busca de resolução de problemas individuais e análise do valor do produto para o indivíduo, já a terceira supõe que há uma intenção pró-social (Oliveira et al., 2019). A teoria econômica propõe que as pessoas agem de forma egoísta. Os economistas preveem prossocialidade apenas quando esse desejo é associado à uma natureza individualista como foco em aquisição de algum benefício individual, contudo, as pessoas não agem de forma egoísta em diversas situações (Rubin & Capra, 2011). Andreoni (2005) encontrou em experimento que mesmo que o indivíduo entenda que trapacear (não retribuir ou ficar com um determinado benefício somente para ele) será benéfico para ele, muitas vezes ele escolhe cooperar (dividir ou doar). Dessa forma, o comportamento pró-social é persistente, e isso se deve a fatores culturais, predisposições biológicas e ao processo de desenvolvimento psicológico e social (Andreoni et al., 2018). Também foi observado que muitos indivíduos contribuem para bens públicos, independentemente dos incentivos privados para não o fazer, e retribuem, mesmo em situações em que há pouca chance de interação repetida (Rubin & Capra, 2011). 14 A explicação hedonista, por sua vez, diz respeito ao consumo voltado para a satisfação de prazeres e ao bem-estar. Uma versão atual do comportamento no consumo hedonista está vinculado às escolhas de consumo menos prejudiciais, mas que mantém a relação original com o produto que gera prazer, tentando retirar os malefícios deste produto. Como por exemplo, pode-se citar produtos como: o café descafeinado, a cerveja sem álcool, o refrigerante zero, supondo agora um grau de controle ou autonomia do indivíduo sobre suas escolhas (Fontenelle, 2010). As pesquisas que investigam consumo por motivos econômicos ou hedônicos estão mais consolidadas, porém há outros estudos que buscam investigar os consumos mais atrelados a algum grau de consciência social (valoresconscientes). Esse tipo de consumo é considerado de orientação pró-social, e nele está incluso o consumo pró-ambiental (Oliveira et al., 2019). Nessa perspectiva, consumir de forma consciente seria um comportamento de orientação pró- social, embora não possamos descartar que também envolva decisões econômicas ou hedonistas nesses comportamentos. Os estudos de comportamentos pró-ambientais, dentre eles os de consumo consciente, buscam investigar variáveis atreladas às pessoas que têm esse comportamento, como os valores, as atitudes, as motivações e a ação comportamental em si, sendo a motivação o menos estudado. Dessa forma, embora o termo consumo nos remeta a um comportamento, as medidas de investigação envolvem muitas vezes análise de valores, atitudes e motivações para entender a influência deles no comportamento. Oliveira et al. (2019), realizaram uma distinção entre os valores individuais, frutos da socialização de um indivíduo e suas construções particulares, que tendem a ser mais constantes ao longo de sua vida, e os valores compartilhados, que são frutos da estrutura social a que o indivíduo está submetida e tende a se modificar à medida que entram novas perspectivas no grupo. O consumo consciente, no caso o pró-ambiental, estaria dentro 15 da categoria de valores compartilhados e voltados para o outro (pró-sociais), como o próprio termo pró-ambiental pressupõe, e vinculado a valores éticos (virtude, justiça e moralidade). Considerando que há visões distintas para entender o que motiva um indivíduo para consumir de forma consciente, uma primeira pergunta que surge é: é possível estudar a influência de nossas motivações para o consumo consciente a partir da abordagem evolucionista? Na sequência, iremos abordar as teorias evolucionistas que podem contribuir com a compreensão dessa questão. A abordagem evolucionista A abordagem evolucionista afirma que nossos comportamentos são, em parte, modulados por mecanismos psicológicos presentes no cérebro que evoluíram no ambiente de adaptação evolutiva e que hoje influenciam nossas decisões (parcialmente conscientes) referentes à sobrevivência e reprodução (Hattori & Yamamoto, 2012). Estudos afirmam que, assim como os outros animais, exibimos comportamentos que vão além do que seria necessário para nossa sobrevivência ou necessidade imediata, guiados por motivadores que estão relacionados ao aumento de nossa aptidão abrangente, ou seja, nossa reprodução direta ou indireta (Miller, 2012). Ao estudar evolução do comportamento, a investigação não está direcionada apenas para as causas próximas do comportamento, mas busca compreender também suas causas últimas (Hattori & Yamamoto, 2012). Os estudos sobre valores, atitudes e crenças como influenciadoras do comportamento, por exemplo, se concentram nas causas próximas, ou seja, mecanismos imediatos para ocorrência da ação ou história desse comportamento ao longo do desenvolvimento. As causas últimas buscam, por sua vez, entender a história evolutiva desse comportamento e quais seriam suas consequências em termos de benefícios para a sobrevivência e reprodução. Dessa forma, os sistemas comportamentais têm sua origem em 16 alguns mecanismos psicológicos, influenciados por, além de causas imediatas (ou próximas), forças evolutivas já bastante estudadas que originaram nossas predisposições biológicas. Assim, a abordagem evolucionista pode contribuir para o estudo do comportamento de consumo e do consumo consciente, como os estudos dos motivos sociais fundamentais e dos comportamentos pró-sociais. Os motivos sociais fundamentais Vários estudos foram elaborados a fim de entender quais seriam os mecanismos psicológicos e motivos que fazem parte no nicho comportamental dos nossos comportamentos sociais (Aunger & Curtis, 2013; Bernard et al., 2005; Bugental, 2000; Kenrick et al., 2010). Esses estudos partem do pressuposto de que existem mecanismos específicos para cada tipo de interação ou necessidade social. A motivação, em termos de evolução desse comportamento, é compreendida como sistemas regulatórios presente em nossos antepassados que evoluíram para facilitar tomadas de decisões específicas (e não apenas as necessidades imediatas), e isso teve efeito na reprodução desses indivíduos (Schaller et al., 2017). A primeira pesquisadora com base evolucionista que sistematizou esse conhecimento foi Bugental (2000), que através de um arcabouço teórico oriundo da Psicologia Social, da Psicologia do Desenvolvimento, da Psicologia Evolucionista e da Ecologia Comportamental, apresenta que a espécie humana possui cinco domínios, que ela define como guias para enfrentar os problemas recorrentes que os organismos se deparam durante sua vida. Os domínios seriam: apego (manutenção da proximidade para segurança), poder hierárquico (uso e reconhecimento da dominância), coalizões (identificação e defesa da linha que divide “nós” e “eles”, baseadas na identidade), reciprocidade (gestão das obrigações e benefícios recíprocos, baseada na igualdade) e acasalamento (seleção e proteção de acesso a parceiros sexuais). Ela argumenta que cada domínio utiliza mecanismos específicos, pois tem problemas específicos 17 a serem resolvidos e utilizam uma combinação particular de sistemas neuro-hormonais e respostas emocionais. Além disso, estes mecanismos aparecem em períodos específicos do desenvolvimento e tem processamentos computacionais próprios, ou seja, quais informações sociais são buscadas e armazenadas. Esta última característica, se refere ao pensamento oriundo da Psicologia Cognitiva, de que nossas mentes processam a informação de forma semelhante a um computador, ideia que também deu nome à sua teoria: algoritmos da vida social. A autora ainda defende que os domínios têm variabilidade e flexibilidade, pois são ajustados ao meio ambiente em três níveis diferentes: adaptação bioecológica (Nível 1- possibilidades e limitações bioecológicas), representação implícita de experiência (Nível 2- história de vida), e processos de avaliação explícitos (Nível 3- cultura). Um argumento dessa teoria, é que uma mesma interação humana pode ocorrer em diversos domínios, como por exemplo, a relação entre pais e filhos, pode estar ora dentro de uma interação hierárquica (estabelecimento de uma ordem de uma mãe para um filho), ora de apego (choro e atendimento da demanda do filho), ou também recíproco (quando ambos se envolvem em um jogo), identidade (como sinalizador de diferenciação: na adolescência, busca por iguais fora da família) e até mesmo o domínio acasalamento (servindo como sinalizador de aversão, como limite para ausência desse tipo de relação-incesto). A segunda proposta foi elaborada por Bernard et al. (2005), através de um estudo que envolveu uma revisão de literatura sobre teorias da motivação, com a intenção de unir teorias já existentes (nos campos biológico, comportamental e cognitivo), buscando unificar este campo de pesquisa através de uma teoria evolucionista da motivação humana. Os autores pretendem evitar dualismos e reducionismos, com a intenção de contribuir para uma compreensão mais completa desse fenômeno. Esta proposta defende que a teoria evolucionista pode ter um bom papel unificador para a motivação porque tem grande poder explicativo, especialmente porque aborda, concomitantemente, o desenvolvimento cerebral e social. Os 18 autores definem a motivação como um comportamento que, em última análise, é direcionado para o objetivo fundamental da aptidão abrangente. A motivação refere-se a razão pela qual um organismo inicia e persiste em certos comportamentos em oposição a outros. Segundo Bernard et al. (2005), os motivos servem para guiar comportamentos e interesses, nos quais os autores propõem cinco motivos: o domínio de autoproteção, o domínio de acasalamento, o domínio de manutenção do relacionamento ecuidado parental, o domínio de coalizão de grupos e o domínio “memético” do grande sistema cultural simbólico. Ainda segundo os autores, eles podem ser mensuráveis através da força do interesse, desejo ou preocupação com comportamentos relacionados à resolução de problemas em um domínio social específico. São descritas três categorias para o estudo de cada domínio: os motivos, as emoções e o autocontrole. Segundo os autores, alguns motivos são mais antigos, frutos do ambiente ancestral; outros são adaptações intermediárias que evoluíram de um motivo antigo para um propósito, mas podem servir para outro no presente; e ainda uma terceira categoria de motivos mais recente, que são adaptações também derivadas de motivos antigos, mas que são fortemente influenciadas pela aprendizagem social e pela cultura. Todos os motivos expressam fenótipos fruto de uma interação entre o genótipo e o ambiente físico-social-cultural. As emoções ajudam a guiar o comportamento em direção ao aumento da aptidão inclusiva, auxiliando nas tomadas de decisões. Por último, os autores propõem que o autocontrole atrasa o comportamento, permitindo tomadas de decisão mais completas e aumentando a probabilidade de que as respostas comportamentais sejam adaptativas no ambiente local (Bernard et al., 2005). Outra teoria da motivação humana de base evolucionista é a de Aunger e Curtis (2013), que definem a motivação com um estado de excitação de busca de metas e motivos individuais, em que mecanismos psicológicos projetados pela evolução fazem com que os animais procurem atender a uma necessidade por meio do comportamento. Para estes autores, as 19 motivações devem ser vistas dentro de um contínuo de expressões comportamentais que se situam entre o comportamento reflexo e o planejado. Os autores propõem quinze motivações: apetite sexual (luxúria); fome; conforto; medo e nojo; atrair; amor; cuidado (nutrir); guardar recursos (tesouro escondido); criar (habitat e ferramentas); afiliação; status; justiça; curiosidade e brincar. E acrescentam que as diferenças individuais podem ser explicadas de forma mais proveitosa pela variação na importância dos motivos do que pela personalidade (Aunger & Curtis, 2013). Por último, a teoria dos motivos sociais fundamentais (Kenrick et al., 2010) originou diversas pesquisas que podem elucidar o papel da motivação em alguns comportamentos sociais, especialmente os de consumo, e por isso, esta teoria é uma das bases teóricas abordadas no presente trabalho. Kenrick et al. (2010) elaboraram uma proposta evolucionista de teoria da motivação através de uma releitura da teoria da motivação de Maslow. Maslow (1970, citado em Kenrick et al., 2010), ao abordar o tema da motivação, afirma que o ser humano tem cinco sistemas motivacionais distintos, que funcionam de maneira independente e hierárquica: 1) necessidades fisiológicas; 2) de segurança; 3) amor (afeto, pertencer) 4) de estima (respeito); 5) de autorrealização; cada sistema teria uma regulação diferenciada no cérebro, mas havendo uma necessidade mais básica a ser satisfeita, esse sistema predominaria sobre os demais (prioridade cognitiva). Além disso, as necessidades iam aparecendo de acordo com o estágio de desenvolvimento do indivíduo (prioridade no desenvolvimento). Os constructos teóricos de Kenrick et al. (2010), conduziram para uma pirâmide de motivação norteadas por sete necessidades (ou motivos), sendo elas: 1) autoproteção; 2) evitação de doenças; 3) status; 4) afiliação; 5) busca de parceiros; 6) retenção de parceiros; 7) cuidado da família (figura 1). Griskevicius e Kenrick (2013), afirmam que, para cada motivo 20 consciente que justifique um comportamento específico, pode haver outras motivações inconscientes (tabela 1). Figura 1 Pirâmide das motivações revisada Nota: à esquerda, a pirâmide de Maslow; à direita, a pirâmide revisada, adaptado de Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. https://doi.org/10.1177/1745691610369469 A teoria dos motivos sociais fundamentais apresenta uma abordagem evolucionista, associando as motivações fundamentais ao sucesso evolutivo, ou seja, as causas últimas ou motivadores relacionados a questões de sobrevivência e reprodução (Durante & Griskevicius, 2016; Saad & Gill, 2000). Ao embasar seus estudos nesta teoria, diversos autores têm encontrado resultados interessantes em pesquisas que analisam as escolhas de consumo com base na influência dos motivadores (Griskenvicius et al, 2006; Griskevicius & Kenrick, 2013; Neurberg et al., 2011; Schaller et al., 2017; Sundie et al., 2011). Para embasar futuras pesquisas, Griskevicius e Kenrick (2013) relacionaram qual mecanismo psicológico estaria ativo quando tomamos decisões de consumo baseadas em cada uma das sete motivações básicas propostas. Necessidades Fisiológicas Imediatas Segurança Amor (afeto, pertencimento) Estima (respeito) Autorrealização Parentesco Retenção de Parceiros Aquisição de Parceiros Status/Estima Afiliação Autoproteção Necessidades Fisiológicas Imediatas 21 Tabela 1 Motivos e mecanismos psicológicos relacionados Motivo Mecanismo psicológico Decisão de consumo Autoproteção Sistema de autoproteção para evitar perigos Busca de segurança e tendência ao consumo guiado por decisões de massa, efeito de compromisso com determinados produtos e menos desejo por novidades. Evitação de doenças Ativação do sistema de esquiva social, introversão e intolerância a estrangeiros. Evitação de alimentos novos e aumento do consumo de produtos de prevenção. Status Sistema de dominância, prestígio ou concorrência. Busca por produtos maiores, comprar produtos caros, excesso de autoconfiança, doações e comportamentos pró-sociais. Afiliação Sistema de afiliação, formar coalizões, fazer novos amigos e buscar contato social. Tendência a comprar produtos para serem consumidos em conjunto e que promovam aproximações, além das trocas de presentes. Busca de parceiros Sistema de reprodução e querer ser notado. Adquirir produtos caros, caridade, preferir recompensas pequenas e imediatas (homens). Anunciar beleza e juventude, atitudes cooperativas, tende ao consumo de massa e de produtos novos (Mulher). 22 Motivo Mecanismo psicológico Decisão de consumo Retenção de parceiros Sistema de reprodução. Decisões de compras pensando no parceiro; uso de produtos de luxo (mulheres). Cuidado da família Sistema de cuidado. Sacrifícios e apoios financeiros, com consumos para a família e para o grupo. Nota: elaborado a partir de Griskevicius, V. & Kenrick, D. T. (2013). Fundamental motives: How evolutionary needs influence consumer behavior. Journal of Consumer Psychology, 23(3), 372-386. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.03.003 Os autores afirmam ainda que as escolhas de consumo podem ser influenciadas por mecanismos psicológicos específicos a depender da atual necessidade da pessoa, que tem relações com a etapa do desenvolvimento, o sexo, as estratégias de história de vida e a cultura (Griskevicius & Kenrick, 2013). Contudo, ainda há muitas lacunas de conhecimento a serem estudadas com relação aos diferentes objetos de consumo (Griskevicius & Kenrick, 2013), como é o caso do consumo consciente, baseado em atitudes e comportamentos favoráveis ao meio ambiente. O comportamento pró-social Quando fazemos a comparação com outros animais, os comportamentos generosos humanos com pessoas não aparentadas e, até mesmo desconhecidas, são visivelmente mais frequentes. Muitos animais sociais (como abelhas e cupins) são altamente cooperativos com seus parentes, mas os seres humanos, para além dessacaracterística, também possuem um rol de comportamentos direcionados a não parentes: doações para instituições filantrópicas, os esforços em benefício do meio ambiente e até mesmo ações pró-sociais que põe em risco a própria vida (Iredale & van Vugt, 2011). De uma perspectiva evolucionista, a ajuda de estranhos pode parecer contraditória, especialmente se pensarmos que a teoria da seleção natural de Darwin postula que o indivíduo busca sua aptidão individual, em detrimento da 23 aptidão do outro (Iredale & van Vugt, 2011). Por conseguinte, o comportamento em prol do outro, que envolve custos sociais e que estão dentro da categoria dos comportamentos pró- sociais, deve possuir alguma vantagem e ser motivado a partir de algumas situações. A primeira teoria é a mais predominante nos grupos humanos descreve a cooperação com parentes (Nowak, 2006). Foi elaborada por Hamilton (1963), e é denominada de seleção de parentesco, e argumenta que temos uma tendência a cooperar mais com parentes do que com não parentes, porque isso aumenta a nossa aptidão abrangente (parentes e descendentes não diretos, gerando um sucesso reprodutivo indireto). A segunda foi elaborada por Trivers (1971), e é chamada de reciprocidade direta, e consiste em diversos postulados ligados a situações de troca social, em que, geralmente, ocorrem respostas comportamentais parecidas entre as pessoas. Os principais postulados são: tendemos a cooperar com pessoas de forma repetida (relação de confiança); temos uma alta capacidade de detectar trapaceiros nas nossas interações sociais e temos uma tendência a perdoar trapaceiros e dar uma segunda chance caso a pessoa volte a ser honesta conosco. A terceira é a da reciprocidade indireta, elaborada por Alexander (1985), que define o tipo de comportamento pró-social que não está relacionado a parentes e nem pressupõe uma troca social imediata, ou seja, os indivíduos assumem custos de cooperar com alguém ou algum grupo, mas não recebe um retorno direto dessa pessoa/grupo. É bastante frequente em grandes grupos cooperativos, como é o caso das sociedades humanas e, apesar de ocasionar relações altruístas mais frágeis, têm uma frequência alta na população. A reciprocidade indireta está ligada aos comportamentos de doações, aos comportamentos de conformidade ao grupo social que o indivíduo faz parte e há uma forte vinculação à manutenção da reputação de uma pessoa no grupo (Nowak & Sigmund, 1998). É importante destacar que os comportamentos pró-sociais nos seres humanos, evoluíram em conjunto com uma série de emoções sociais complexas e, por isso, têm forte 24 vinculação a sentimentos e emoções, como: apego, abandono, empatia e compaixão, todas coordenadas pela evolução da linguagem, e por isso nos deram uma base para a para construção de discursos abstratos, que falam sobre questões coletivas, morais e ambientais (Lencastre, 2010). O consumo consciente, os motivos fundamentais sociais e a pró-socialidade Muitos problemas ambientais locais e globais são dilemas sociais nos quais interesses privados e públicos estão em conflito (Iredale & van Vugt, 2011). Essa ideia foi inicialmente proposta por Hardin (1968), e intitulada de tragédia dos comuns, ao afirmar que quando um recurso é compartilhado, e “não tem dono”, a tendência é a exploração do mesmo até o seu esgotamento. De fato, é isso que realmente vemos com as grandes problemáticas ambientais, que perpassam além do consumo consciente (que é individual e tem um impacto diferenciado para os grandes problemas ambientais), sendo necessária uma atuação mais coletiva e política. Ou seja, é inevitável a ideia de que para haver uma mudança significativa todos devem se engajar no comportamento associado a uma forte atuação do poder público e privado. Nas sociedades industrializadas atuais, convencer as pessoas a agirem para o bem comum é um grande desafio, tendo em vista que as relações sociais não se desenvolvem mais em pequenos grupos com fortes laços íntimos, confiáveis e duradouros, como acontecia/acontece em sociedades tribais. Ao contrário, vivemos em uma sociedade em que temos que conviver constantemente com pessoas desconhecidas, sem vínculos fortes ou de confiança, com exceção dos nossos grupos mais próximos. E ainda precisamos convencer as pessoas da importância de um tipo de cooperação muito específico: com o meio ambiente, ou seja, deixar o planeta sustentável para as gerações futuras (Grinde, 2004). Se há custos pessoais altos para participar de cuidados ambientais, então pode ser difícil encorajar pessoas a participarem (Iredale & Van Vugt, 2011). Existem diversos comportamentos de consumo consciente que são mais custosos aos indivíduos, mas mesmo 25 assim as pessoas se engajam, como por exemplo, andar de bicicleta ou transporte coletivo, ao invés de um carro particular e mais confortável; reutilizar objetos, separar o lixo reciclável, descartar de forma correta medicamentos vencidos, que exigem um tempo bem maior do que simplesmente usar um lixo convencional ou comprar coisas novas; passar tempo pesquisando sobre produtos e empresas ambientalmente corretos, ao invés de comprar um produto baseado somente no custo-benefício entre preço e qualidade; e mais uma infinidade de comportamentos de consumo possíveis. Portanto, diversos comportamentos pró-ambientais incorrem em um custo pessoal, para ajudar o bem comum e, portanto, podem ser considerados pró-sociais (van Vugt, 2001). Para a abordagem evolucionista, a maioria dos comportamentos pró-sociais, apesar de apresentarem algum custo para quem os realiza, também tem benefícios associados a decisão desse comportamento, que é influenciado por mecanismos psicológicos evoluídos que surgiram na espécie humana frente a necessidade de resolução de dilemas sociais. Uma forma fértil de estudar os comportamentos pró-sociais é por meio da análise dos motivos fundamentais sociais presentes nos indivíduos, especialmente os de status (relacionado a consumos caros e alguns comportamentos pró-sociais) e cuidado (consumo pensando na família e no grupo). Além desses, a Tabela 1 também mostra que busca por parceiro e retenção de parceiro podem ter relação com comportamentos de consumo caros e/ou voltados para o outro. As próximas perguntas de pesquisa que nos deparamos são: podemos encontrar os mesmos resultados dos estudos sobre consumo através do estudo do consumo consciente das pessoas e de suas motivações? E considerando algumas diferenças individuais, como essa relação se estabelece? (Griskevicius & Kenrick, 2013). Para concluir, De Young (1999), afirma que os estudos que investigam comportamentos ambientalmente responsáveis, trazem evidências de que ele tem múltiplas determinações, o que é coerente com a abordagem evolucionista que busca estudar o comportamento humano através 26 de vários níveis de análise. A abordagem evolucionista do consumo consciente pode trazer informações que complementem os conhecimentos teóricos já estabelecidos e que ajude a sociedade e as pessoas individualmente a entender de forma mais completa seus comportamentos de consumo que beneficiem o meio ambiente e fatores que o influenciam. 27 Objetivos Objetivo geral Investigar o consumo consciente, a partir das influências de mecanismos do passado evolutivo humano e das diferenças individuais dentro do contexto atual. Objetivos específicos A partir das teorias e conceitos aqui apresentados sobre o consumo consciente, motivos sociais fundamentais e comportamentos pró-sociais, apresentaremos 3 estudos com objetivos específicos, que buscaram elucidar algumas perguntas aqui propostas. - Abordar a relação da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao meio ambiente, ampliando a compreensão do universo de estudos que já existem (Estudo 1). - Investigar os motivos sociais fundamentais na amostrae identificar diferenças individuais a partir dos mesmos (Estudo 2). - Analisar agrupamentos baseados em perfis motivacionais e características individuais e identificar diferenças no comportamento de consumo consciente (Estudo 3). 28 Estudo 1 Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis Nivia de Araújo Lopes Felipe Nalon Castro Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Periódico: Journal of Personality and Social Psychology Classificação QUALIS: A1 Status da publicação: a ser submetido. 29 Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis Nívia de A. Lopes e Felipe N. Castro Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Nota do autor Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 Este ensaio teórico não foi pré-registrado. Este artigo é baseado na tese de doutorado de Lopes (2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001. Este estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência referente a este artigo deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do Comportamento Humano, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail:castrofn@gmail.com. https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 mailto:castrofn@gmail.com 30 Resumo Diversas pesquisas aplicaram os conhecimentos da teoria evolucionista para o estudo dos comportamentos pró-ambientais. Neste ensaio teórico, temos o objetivo de abordar a relação da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao meio ambiente, ampliando a compreensão do universo de estudos que já existem. Para isso, serão explicitadas as diferenças e contribuições de algumas abordagens: teoria normativa, dilemas morais, outros mecanismos da natureza humana e motivos sociais fundamentais. Dentro da teoria normativa é explicitado o papel evolutivo da economia de energia nas normas sociais. Os dilemas morais oferecem uma compreensão do conflito entre questões de interesses individuais e coletivos. Outros mecanismos descrevem limites no raciocínio humano na sua relação com o meio ambiente. Os motivos sociais fundamentais explicitam motivações fundamentais que podem favorecer ou prejudicar comportamentos pró-ambientais, principalmente de consumo. Ao final tecemos comentários com contribuições e importância de cada teoria para o estudo dos comportamentos pró-ambientais. Palavras chaves: evolução do comportamento, comportamento pró-ambiental, normas, dilemas morais, motivos sociais fundamentais, natureza humana. 31 Abstract Several studies have applied insights from evolutionary theory to the examination of pro- environmental behaviors. In this theoretical essay, our aim is to address the relationship between evolutionary theory and environmentally favorable behaviors, expanding the understanding of the existing body of research. To do so, we will elucidate the differences and contributions of various approaches: normative theory, moral dilemmas, other mechanisms of human nature, and fundamental social motives. Within normative theory, the evolutionary role of energy conservation in social norms is made explicit. Moral dilemmas provide an understanding of the conflict between individual and collective interests. Other mechanisms describe limitations in human reasoning in its relation to the environment. Fundamental social motives reveal fundamental motivations that can either promote or hinder pro-environmental behaviors, particularly in consumption. In the end, we provide comments on the contributions and importance of each theory to the study of pro-environmental behaviors. Keywords: Behavior evolution, pro-environmental behavior, norms, moral dilemmas, fundamental social motives, human nature. 32 Os comportamentos pró-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis Os seres humanos evoluem em interação com o meio ambiente. Contudo, são poucos os estudiosos que abordam a contribuição dos conhecimentos evolucionistas nas temáticas que envolvem a relação do homem com o meio ambiente (Vugt et al.; 2014), sendo citado como exceção os pesquisadores: Gardner e Stern (2002); Goldstein, Cialdini e Griskevicius (2008); Rees (2010); van Vugt (2009); e Wilson, Daly e Gordon (2007). Este ensaio teórico tem o objetivo de abordar a relação da teoria evolucionista com os comportamentos favoráveis ao meio ambiente, ampliando a compreensão do universo de estudos que já existem. Dessa forma, serão apresentadas as áreas que abordam a temática ambiental com argumentos consistentes de base evolucionista, trazendo um formato novo de apresentação desses conteúdos, apresentando por temas e/ou suas bases teóricas. Inicialmente iremos explicar de forma resumida a base geral do pensamento evolucionista na abordagem ao comportamento humano. Em seguida serão apresentadas as quatro formas de estudar o comportamento “pró” e “anti” ambiental com conceitos da abordagem evolucionista: normas sociais, dilemas morais, outros mecanismos da natureza humana e os motivos sociais fundamentais. Para finalizar serão apresentadas possibilidades de diálogo e interseção entre estas modalidades de estudo. Esperamos contribuir como material de consulta para pesquisadores na área e com proposições de possíveis caminhos de investigações que possam se materializar em perspectivas integradas de investigação de base evolucionista dos comportamentos pró-ambientais. A abordagem evolucionista Em contraposição a teorias de escolha racional, que estabelecem que nossas escolhas e preferências são norteadas por racionalidade econômica (ou seja, escolhas feitas com menores ônus e maiores chances de lucro), estão os estudos baseados na abordagem evolucionista (Moraes & Milani, 2014; Vils et al., 2017). Para abordagem evolucionista, nossas decisões 33 modernas são influenciadas pelos mesmos motivos que impulsionaram nossos ancestrais humanos a enfrentar diferentes dilemas e pressões seletivas (Griskevicius & Kenrick, 2013). Ou seja, não apenas os traços físicos são possíveis de serem herdados, mas há efeitos nos comportamentos também, através de alguns mecanismos psicológicos no cérebro que passaram por seleção natural, podendo ser entendidos como adaptações evolutivas. É importante salientar que, mesmo que haja uma avaliação de custos e benefícios nas escolhas, não se considera que no cérebro humano exista apenas um centro de controle de escolhas de decisões, mas diversos sistemas, ou motivos, cada um operando em conjunto com as emoções para exercer diferentes papéis (Kenrick et al., 2010). Dessa forma, muitos mecanismos têm relação direta ou indireta com a sobrevivência e a reprodução, somados a influência dos contextos sociais e econômicos atuais. Para a psicologia evolucionista, esses mecanismos direcionam diversos comportamentos humanos atuais, que podem beneficiar o contexto atual em que vivemos ou podem não ser mais úteis, gerando o que chamamos de descompasso temporal (Penn & Mysterud, 2007; Ress, 2010). Além disso, alguns autores têm sugerido que os conhecimentos advindos da teoria evolucionista, somadas a outros conhecimentos da área ambiental, podem contribuir para entender nosso comportamento e auxiliar nas mudanças que precisamos implementar (Dickinson et al., 2013; Griskenvicius et al., 2012; Penn & Mysterud, 2007;Poškus, 2020; Ress, 2010; van Vugt, 2009; van Vugt, 2014; Wilson et al., 2007). Em virtude da aceleração dos problemas ambientais, as tentativas de entender e falar sobre essa temática devem ser constantes, por isso nos propormos rever essas ideias e agrupá-las por temas ou bases teóricas, explicitando os modelos. Os estudos com base na teoria normativa A teoria da ativação da norma, advinda da psicologia social, postula que a maioria dos seres humanos tende a copiar o que seus pares estão fazendo (Schwartz, 1977) e que esse 34 comportamento tem uma vantagem evolutiva, pois economiza tempo gasto com o raciocínio que seria exigido nas tomadas de decisões comportamentais. Este raciocínio faz sentido se considerarmos o ambiente, por vezes severo ou hostil, em que viviam nossos antepassados. Os estudiosos da teoria do foco normativo dividem o comportamento normativo em duas categorias: descritiva e injuntiva. A descritiva se refere ao que a maioria das pessoas fazem, e dão indícios de ações mais adaptativas, pois se todos estão fazendo assim, deve ser o mais eficiente. A injuntiva se refere ao que deveria ser feito, baseado em o que é moralmente certo ou errado fazer. As normas guiam o comportamento quando são ativadas, e não em todos os momentos (Cialdini et al., 1990). Os estudos com base em normas têm sido sinalizados como um dos mais eficientes em predizer o comportamento pró-ambiental (De Groot & Steg, 2009). Vejamos alguns exemplos de estudos nessa área. Uma pesquisa investigou o efeito de mensagens sobre reutilização de toalhas em hotel (Goldstein et al., 2008). Os pesquisadores criaram duas mensagens diferentes nos quartos dos clientes. Uma delas continha a seguinte mensagem: “AJUDE A SALVAR O MEIO AMBIENTE. Você pode mostrar respeito pela natureza e ajudar a salvar o meio ambiente reutilizando suas toalhas durante sua estadia”. A segunda mensagem continha o texto a seguir: “JUNTE-SE AOS CLIENTES QUE AJUDAM A SALVAR O MEIO AMBIENTE. Quase 75% dos convidados a participar do nosso programa ajudam, usando suas toalhas mais de uma vez. Você pode se juntar a outros para ajudar a salvar o meio ambiente, reutilizando suas toalhas durante a sua estadia”. A primeira frase era voltada somente para importância da preservação do meio ambiente, enquanto a segunda dizia que a maioria dos clientes participa desta ação pelo menos uma vez em sua estadia. A pesquisa demonstrou que os clientes que recebiam o segundo tipo de mensagem reutilizaram significativamente mais as toalhas do que o primeiro grupo. Os autores da pesquisa argumentam que a conformidade a normas sociais pode ser uma explicação para esta diferença, ou seja, agir como a maioria, pois deve ser o certo 35 a se fazer (Goldstein et al., 2008), ajudando na tomada de decisão mais rápida e potencialmente mais eficiente. Outro estudo semelhante, com algumas modificações no texto da mensagem para os clientes também encontraram os mesmos resultados: que as mensagens normativas podem causar uma mudança de comportamento, e que as mudanças significativas ocorrem quando as mensagens são ao mesmo tempo com conteúdo descritivo e injuntivo (Schultz et al., 2008). Estes estudos ilustram como as normas podem predizer o comportamento pró- ambiental. Para Sörqvist e Langeborg (2019), uma característica humana que pode influenciar nessas questões é a tendência humana a construir suas relações pela heurística do equilíbrio, caracterizada por uma simplificação relativa à cooperação interpessoal. Por exemplo, muitas vezes agimos buscando um equilíbrio entre boas e más ações, o que gera uma ideia de que é possível uma compensação, que também podem levar a equívocos quando pensamos nas questões ambientais. As questões que abordam trocas sociais são diferentes das que envolvem as questões ambientais, pois o comportamento prejudicial ao ambiente não pode ser compensado ou desfeito de forma simples (Sörqvist & Langeborg, 2019). Um bom exemplo são as propagandas de empresas que falam da compensação de carbono, para solucionar de forma rápida o impacto das emissões de carbono no meio ambiente. Um estudo demonstrou que as pessoas se tornam mais tendenciosas a assinar uma petição em defesa do meio ambiente depois de verem alguma comprovação de um dano causado pelo homem, causado por uma consciência culpada (Rees et al., 2015). Porém um estudo realizado na China, identificou que o sentimento de culpa não promove um aumento do comportamento pró-ambiental, mas foi encontrado que o orgulho antecipado, ou seja, se sentir satisfeito porque agiu de acordo com as normas morais daquele grupo, promoveu mais mudanças (Lu et al., 2020). Entende-se, a partir desses estudos, que em cada contexto que se espera promover mudanças, pode ser preciso uma estratégia de ação diferente, porque cada grupo tem suas 36 próprias normas sociais, e que evocam emoções diferentes a partir das diferenças culturais. Um aspecto importante a ser observado é que, além do contexto, também deve-se avaliar as diferenças individuais ou as normas pessoais (Poškus, 2020; Schultz & Zelezny, 2003), bem como modificar os ambientes públicos e de trabalho para que comportamentos favoráveis ao meio ambiente se tornem padrões ao longo do tempo, como por exemplo oferecer uma escada mais visível e central (ao invés de um elevador) no saguão central de um prédio (Poškus, 2020). As pesquisas de base normativa são importantes no ponto de vista evolucionista, pois se baseiam no princípio simples da economia de energia e maior eficiência comportamental com base num mecanismo primordial da aprendizagem que é a imitação (van Vugt et al., 2014). Estudos demonstram que se há percepção de custos altos em agir de forma ambientalmente positiva, se torna mais difícil engajar as pessoas (Iredale & Van Vugt, 2011). O conhecimento produzido pelas teorias normativas pode ser muito proveitosa para promover mudanças nos comportamentos ambientais ou para evitar o desenvolvimento de campanhas ineficazes. Os dilemas morais e as relações do homem com o meio ambiente As pessoas se comportam para fins coletivos ou individuais. Neste sentido, Hardin (1968) enfatizou um aspecto da natureza humana que ela denominou ‘tragédia dos comuns”, caracterizada como a tendência humana de, na presença de recursos limitados e de uso comum, explorar esse recurso às custas dos mais cuidadosos, gerando uma competição para quem explora mais. Para van Vugt (2009), muitos dos desafios ambientais, sejam eles locais ou globais são dilemas sociais desse tipo, marcados por um conflito constante entre interesses públicos e privados. Os dilemas sociais são complexos e as pesquisas demonstram que apenas em interações únicas as pessoas tendem a ser egoístas (Fehr & Gaechter, 2002), mas quando há interações repetidas, diversos outros mecanismos de avalição são acionados. Assim, são as características humanas de comportamentos pró-sociais. 37 Os comportamentos pró-sociais, com base na teoria evolucionista (Nowak, 2006), podem ser explicados a partir de três teorias principais: seleção de parentesco (cooperamos mais com pessoas que temos uma relação de parentesco), reciprocidade direta (cooperamos com que coopera com a gente, na expectativa de troca) e reciprocidade indireta (cooperamos para manter nossa reputação). Estas teorias podem ser úteis para explicar o comportamento voltado para a preservação do meio-ambiente. Além disso, van Vugt (2009) afirma que quatro aspectos, decorrentes das relações sociais, devem ser considerados para desencadear ações amistosas ao meio ambiente: receber informações precisas sobre os problemas ambientais e as ações dos outros, fomentar a identidade de grupo naquele ambiente, instituições promotoras de comportamentos verdes confiáveis e incentivos para promover o autoaprimoramento daquele comportamento. Cada aspecto será descrito a seguir.As informações devem ser cuidadosamente escolhidas, de forma precisa, não incertas, de base científica, mas sem sobrecarregar (Dietz, 2003), de preferência relacionadas a problemas e valores locais. Van Vugt e Samuelson (1999) demonstraram, em pesquisa realizada durante uma escassez de água no Reino Unido no ano de 1997 que entender a severidade da escassez estava positivamente associada aos esforços das casas em economizar água. Também foi encontrado que as pessoas tendiam a diminuir seu consumo caso fosse explicado que a causa era por questões climáticas, por outro lado, o consumo tendia a aumentar se fosse falado que os outros estão consumindo mais, a exemplo da tragédia dos comuns. Outro aspecto é a identidade do grupo, que deve ser estimulada para atender à necessidade humana de pertencimento. Estudos demonstraram que quanto maior for a identidade social que a pessoa tem com seu grupo, mais esta pessoa estará disposta a ajudar seu grupo a proteger o meio ambiente (van Vugt, 2001). Além disso, quanto maior for o grau de parentesco entre os indivíduos (coerente com a teoria de seleção por parentesco), mais o comportamento de proteção ao meio ambiente se sobressai (De Cremer & van Vugt,1999). Um 38 estudo com comunidades pesqueiras revelou que grupos mais conectados trocam mais informações relevantes entre si, resultando em um comportamento de pesca mais sustentável, comparados com grupos menos conectados entre si (Penn, 2003). Relacionando com a teoria da reciprocidade indireta, autores afirmam que a identificação gera uma maior preocupação com a reputação e promove mais ações ambientalmente amigáveis (Hardy e van Vugt, 2006). O terceiro aspecto que pode promover comportamentos pró-ambientais se referem as relações com instituições e líderes. A solução apontada por Hardin (1969) para evitar a tragédias dos comuns é confiar a administração dos bens de uso públicos a estas entidades. Quando as entidades de gestão são percebidas como confiáveis, ou seja, utilizando regras e procedimentos justos e iguais para todos, há mais possibilidade engajamento coletivo nas ações ambientais. Um estudo demonstrou que pessoas que não confiavam nas instituições privadas, eram mais propensas a utilizar carros durante o processo de privatização de ferrovias que ocorreu em Londres (van Vugt et al., 1996). Por último, os incentivos estão relacionados a necessidade humana de autoaprimoramento nas suas interações nos dilemas sociais, o que está relacionado a reciprocidade direta, ou seja, incentivos financeiros para estimular comportamentos favoráveis ao meio ambiente. Diversos incentivos, como a troca de tecnologias mais sustentáveis são eficientes, como instalação de painéis solares, ou negociações para que indústrias apresentem um processo produtivo mais limpo (van Vugt, 2009). Por exemplo, em estudo envolvendo escassez de água, as famílias que tinham medidores eram mais propensas a economizar, pois conseguiam sentir os impactos da economia de dinheiro (van Vugt & Samuelson, 1999). O estudo de dilemas morais e teorias pró-sociais têm trazido contribuições importantes para compreender as situações em que há conflito explícito entre interesses individuais e coletivos nas tomadas de decisões pró-ambientais, demonstrando que podem servir como base para estudos e contextos que necessitem se utilizar dessas estratégias. 39 Outros mecanismos da natureza humana que (des)favorecem os comportamentos favoráveis ao ambiente Alguns autores descreveram mecanismos que afetam comportamentos humanos que ajudaram nossos ancestrais a sobreviver, mas que hoje prejudicam e ameaçam nossa própria sobrevivência: estratégia K e desconto de futuro (van Vugt, 2014; Ress, 2010). Esses processos seletivos podem ser somados a transmissão horizontal de comportamentos através de mecanismos culturais (visando principalmente o desenvolvimento econômico), e juntos causam uso intensivo dos recursos naturais e grande produção de lixo que vemos hoje. Ress (2010) afirma que todas as espécies vivas têm como um de seus objetivos se expandir, ocupar os habitats acessíveis e explorar os recursos disponíveis, não sendo uma característica da sociedade atual. Antes de algumas tecnologias existirem, como o advento da agricultura e fixação nos territórios, somadas às mudanças de interesse econômico, esse comportamento não afetava a capacidade de regeneração dos recursos naturais. A espécie humana utiliza a chamada estratégia K de sobrevivência no ambiente, característica de espécies grandes, que em ambientes estáveis, possuem altos níveis de competição por habitat e recursos, favorecendo indivíduos que satisfazem de forma habilidosa suas necessidades para a sobrevivência e reprodução (Ress, 2010; Wilson et al., 2007). O ser humano se tornou um macroconsumidor dominante de todos os ecossistemas, sempre disposto a aumentar seu nível de consumo (Penn & Mysterud, 2007; Ress, 2010). Sua capacidade de explorar excede a capacidade da natureza de se regenerar: para o ano de 2023, desde o dia dois de agosto, já estamos consumindo a mais do que a capacidade do planeta em produzir ou se regenerar em um período de um ano (World Wildlife Foundation, 2023). O desconto de futuro é consequência de um cérebro da idade da pedra (van Vugt, 2014), que foi moldado para maximizar seus resultados no presente e não em um futuro incerto (Wilson et al., 2007). Alguns estudos afirmam que, mesmo depois de 400 anos de produção 40 agrícola, forçando os nossos cérebros a focar no futuro, a sociedade moderna ainda anseia por resultados imediatos (Green & Myerson, 2004). Ress (2010) afirma que, apesar de termos uma capacidade de inteligência representada pela consciência e raciocínio superiores (córtex), podendo entender melhor sobre o nosso entorno do que outras espécies, ainda continuamos utilizando mais os mecanismos instintivos de sobrevivência e o de julgamentos de valor/emoções (sistema límbico), embora saibamos que todos esses são interligados. Dessa forma, vivemos na “consciência” dos problemas ambientais, mas produzimos poucas mudanças comportamentais (Ress, 2010). Outro mecanismo associado à problemática destacada acima se refere a um limite na percepção humana em detectar problemas que geralmente não conseguimos ver, como são muitos dos problemas ambientais existentes (Poškus, 2020; van Vugt, 2014). Dessa forma, nossa mente evolui para dar atenção aos problemas detectados pelos órgãos do sentido, por isso somos mais ágeis para detectar o que podemos sentir, cheirar, tocar ou ver (van Vugt, 2014). Alguns estudos têm enfatizado que se pode explorar o aspecto do sentir, envolvendo as pessoas em experiências de contato com a natureza. Por exemplo, quando as pessoas são expostas a cenas de ambientes naturais em oposição a imagens de cenas urbanas, diminui o comportamento de desconto do futuro (Van der Wal et al., 2013), produzindo mais valor à natureza. Também é importante elaborar campanhas que mostrem que ao invés de custos, pode ser vantajoso se engajar em comportamentos pró-ambientais. Tobler et al. (2012), descobriram que um dos mais fortes preditores para o engajamento em comportamentos pró-ambientais e apoio às políticas públicas ambientalistas na temática da mudança climática é do tamanho dos custos pessoais percebidos. Isso porque, de forma geral, os custos do consumo verde podem ser imediatos e medidos (gastar mais tempo e dinheiro), e os benefícios podem ser a longo prazo ou difusos (economia na conta de luz ou uma melhoria do ar). 41 Todos os aspectos que foram abordados acima contribuem para gerar uma distância entre os valores sustentáveis (ou uma preocupação) e o comportamento dos indivíduos, ou seja, gerar uma diferença entre a forma sustentável de pensar das pessoas e o que elas realmente praticam (Griscenvicius et al., 2012; Steg & Vlek, 2009). Estefenômeno é muito comum, chamado de gap atitude-comportamento (Belz & Peattie, 2013). De uma forma geral, estudos que abordam mecanismos psicológicos específicos concentram-se em vieses que podem favorecer ou prejudicar tomadas de decisões relacionadas a relação do homem com o meio. Os exemplos apresentados aqui não se esgotam, assim como as outras vertentes estudadas, e por isso a possibilidade de pesquisas nesse campo são numerosas e podem ter resultados com boa aplicação para propostas práticas de mudança de comportamento. Os motivos sociais fundamentais e os padrões de consumo A abordagem dos motivos sociais fundamentais (MSF) considera onze fatores que de base biológicas que influenciam nosso comportamento (Neel et al., 2016): autoproteção, evitação de doenças, status, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação (exclusão), busca de parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos). Alguns autores têm realizados pesquisas com base nos MSF para investigar as motivações que desencadeiam o comportamento de consumo das pessoas (Durante & Griskevicius, 2016; Kenrick et al., 2013; Miller, 2012), e dentre os comportamentos de consumo possíveis, temos os consumos que envolvem algum grau de preocupação com o meio ambiente. Os estudos já realizados entre os motivos e as questões ambientais investigaram a relação com a motivação para status, autoproteção, cuidado, busca de parceiros e retenção de parceiros. Moraes e Milani (2014, p.173) resumem status a “algum tipo de superioridade em relação a alguma característica que apresenta variação individual entre pessoas de um grupo”. 42 Status pode advir de certas características como beleza, inteligência, criatividade, liderança, estabilidade emocional, dentre outros, e também pelo que compramos ou consumimos (Miller, 2012). Uma vez que status é atribuído pelos outros a nós, todas essas características mencionadas passam por uma avaliação externa (Miller, 2000). Manter ou adquirir o status no grupo foi uma estratégia importante para os nossos antepassados na busca de reter ou adquirir recursos que lhes garantiriam a sobrevivência e a reprodução (Miller, 2012; Buss, 2003), e assim demonstrar nossas aptidões para nossos parentes, parceiros sexuais e amigos. Veblen (1899), ao estudar o comportamento de consumo de pessoas ricas encontrou que elas tomam decisões extremamente irracionais nas compras para se exibir em seu meio social e impressionar, e este comportamento é chamado de consumo conspícuo. Mas o consumo conspícuo pode se apresentar de forma diferente para cada período histórico, estratificação social, idade, sexo, grupo étnico, dentre outras variáveis sociais. Na sociedade atual pós-moderna, os objetos de consumo, na maioria das vezes, buscam ajudar os indivíduos a definirem sua autoimagem e como são vistos por outros. Assim, os produtos e experiências de consumo servem como símbolos de originalidade em consumidores. Dessa forma, o consumo conspícuo pode não ser sinalizado através da demonstração da capacidade de comprar objetos ou experiências caras, mas sim para experiências e símbolos que são valorizados pelo grupo no contexto em que estão inseridos (Roy Chaudhuri & Mazumdar, 2006). Baseados em um conceito atual de consumo conspícuo considerando a sociedade pós-moderna, Roy Chaudhuri et al. (2011) definem consumo conspícuo como uma escolha baseada em aspectos simbólicos e direcionada para aquisição, posse e uso de produtos imbuídos de capital econômico e cultural com a motivação de comunicar uma autoimagem diferenciada aos outros. Alguns estudos indicam que as pessoas podem estar motivadas a comprar produtos pró- ambientais porque eles sinalizam algo sobre o status de uma pessoa, pois alguns produtos 43 podem ser mais caros e são de qualidade inferior do que produtos convencionais homólogos (Griskevicius et al., 2010). Griskevicius et al. (2010) utilizaram como um dos produtos para seus experimentos o Toyota Prius, um carro híbrido, já que este automóvel sinaliza um produto pró-ambiental caro. Segundo os autores, esse carro oferece menos opcionais de luxo que os concorrentes, porém é mais eficiente energeticamente (mais ecológico) e é, consideravelmente, mais caro. Griskevicius et al. (2010), conduziram três experimentos para testar quando um produto verde pode ser considerado um sinal de qualidade pessoal, conceito que, na visão dos autores, está diretamente ligado ao status social. Um primeiro experimento demonstrou que, quando um grupo foi estimulado a pensar em si em uma situação que seu status social havia aumentado, havia tendência de compras de produtos caros e ecológicos, ao invés do produto convencional e mais barato, comparando com o grupo que não foi estimulado. Em seguida, também encontraram que as pessoas desempenham mais essas compras ecológicas caras quando estão sendo vistas por outras pessoas (compra de forma pública, ao invés de privada). Além disso, os pesquisadores ainda compararam produtos verdes e convencionais caros e baratos, e encontraram que, quando não havia manipulação por status, os indivíduos só escolhiam produtos ecológicos quando eram baratos. Porém, o grupo experimental em que foi despertada uma motivação por status, os produtos ecológicos apenas eram escolhidos quando eram caros, e não baratos (Griskevicius et al., 2010). Sobre as conclusões desse experimento, ativar uma motivação para status pode induz ao consumo conspícuo, e embora tenha ajudado por ser um produto que causará menos danos ambientais, a maioria dos comportamentos que precisamos modificar para alcançar a sustentabilidade é incompatível com o consumo conspícuo (van Vugt et al., 2014). Outras duas motivações estudada pela teoria dos motivos sociais fundamentais são busca e retenção de parceiros. Um estudo indicou que os homens ficam menos preocupados com o futuro se forem apresentados a imagens de mulheres consideradas atraentes 44 (Griskevicuis et al., 2012), o que pode levar a um aumento do seu comportamento de consumo. Um estudo feito em um café universitário em Israel encontrou uma relação entre a interação com o sexo oposto e aceitar comprar um produto menos danoso ao meio ambiente (Tifferet et al., 2017). Os resultados demonstraram que homens e mulheres estavam mais dispostos a pagar a mais por um copo biodegradável quando a oferta era feita por um membro do sexo oposto, podendo revelar uma tentativa não consciente de tentar impressionar. Farelly e Bhogal (2021) demonstraram que o envolvimento em comportamentos pró-ambientais pode aumentar a desejabilidade de um parceiro em potencial para longo prazo e que homens e mulheres demonstram uma motivação para se envolver em comportamentos pró-ambientais na presença pessoas atraentes do sexo oposto. Os resultados de pesquisa para comportamento reprodutivo demonstram resultados que podem favorecer ou dificultar o comportamento favorável ao meio ambiente. Além dos motivos reprodutivos, a preocupação com ameaças à integridade física também afeta os padrões de consumo. O motivo de autoproteção é caracterizado pela crença que o mundo é perigoso e as pessoas podem ser uma ameaça. Estudos anteriores demonstraram que esse motivo ativo e está associado a consumos em massa, sendo relacionado ao comportamento de conformidade ao grupo, ou seja, consumir igual a como a maioria das pessoas está fazendo (Griskevicius et al., 2006). Além disso, a autoproteção alta também deixa homens e mulheres mais aversivos a perda, deixando as pessoas atentas a essas situações (Li et al., 2012). O medo de situações perigosas ou instáveis, como desastres ambientais, pode estimular as pessoas a agirem de forma pró-ambiental. Importante destacar que, dentro da teoria dos motivos fundamentais sociais, a autoproteção está como uma necessidade mais básica, relaciona à sobrevivência,que aparece muito cedo e permanece durante toda a vida, e por isso é muito importante para ser investigada. Segundo Kenrick (2011), as necessidades mais altas se desenvolvem mais tarde, mas não substituem as necessidades mais baixas. Em vez disso, 45 nossas necessidades de desenvolvimento anterior permanecem centralmente importantes, ficando em segundo plano somente até que sejam desencadeadas por oportunidades e ameaças no ambiente. Finalizando com o comportamento de cuidado, não há estudos que abordam de forma empírica a sua relação com comportamentos mais favoráveis ao meio ambiente, mas alguns autores supõem sua existência. Scheller (2018), em um estudo de revisão sobre o comportamento de cuidado parental, explica que cuidar é a base para o surgimento de diversos comportamentos como empatia, altruísmo e compaixão (Goetz et al., 2010) e isso pode gerar respostas comportamentais em outros contextos. Uma das respostas pode ser a generatividade, ou seja, a preocupação com o bem-estar das gerações futuras, o que poderia ocasionar ações diretas de cuidados com o meio ambiente. Um estudo que investigou apelos pró-ambientais para fazer com que as pessoas desliguem o carro em situações de trânsito e, assim, diminuam emissão de gases poluentes, encontrou resultados significativos para comportamentos de interesse próprio (termo descrito pelos autores). Quando os pesquisadores emitiam mensagens relacionada à parentes (pense nos seus filhos) ou à saúde (“aviso - poluição”), a taxa de adesão ao comportamento pró-ambiental foi duplicada em comparação com uma situação controle (Van der Vyver et al., 2018). Esses resultados estão de acordo com as propostas de que as motivações para autoproteção e cuidado podem ajudar em comportamentos ambientalmente favoráveis. Os estudos com base nos motivos sociais fundamentais são iniciais e promissores, contudo ainda há uma necessidade de ampliar as pesquisas na área. Até o momento, os estudos mais consistentes têm encontrado que pessoas que estão mais motivadas pelo status podem exibir mais consumo conspícuo ou manter alto seus padrões de consumo, sendo desfavorável a um estilo de vida de enfrentamento aos problemas ambientais que nos deparamos. As motivações para o cuidado e a autoproteção parecem estar mais alinhadas a padrões de 46 consumo e comportamento mais parcimoniosos, mas é preciso de estudos que investiguem de forma direta essas relações. Perspectivas de integração e caminhos possíveis Para finalizar, iremos destacar os aspectos mais relevantes das propostas aqui citadas. Começando pela teoria normativa, é relevante dizer que ela é descrita como uma das mais aplicáveis para promover as mudanças ambientais desejáveis. O conhecimento evolucionista é importante para complementar a compreensão do papel das normas sociais na sociedade atual. Quando falamos isso, estamos nos referindo à causa última de um comportamento, ou seja, que seguir e criar padrões normativos faz parte de um funcionamento específico do nosso aparato cognitivo (cérebro) para fins de economia de energia, o que, por sua vez, influencia nosso comportamento, inclusive os de interação com o meio ambiente. Também se destaca por considerar que esses padrões variam de acordo com as pessoas (normas individuais) e contextos (norma especificas por grupos) e estes são aspectos que devem ser considerados antes de realizar uma intervenção em prol do meio ambiente. O segundo grupo de pesquisas, dos dilemas morais, engloba pesquisas embasadas pela teoria evolucionista e seu foco reside nos conflitos que envolve decisões entre interesses coletivos ou individuais. Os estudos demonstram que a ação pró-ambiental está muitas vezes relacionada aos comportamentos cooperativos, o que exige um certo grau de conexão dos indivíduos com sua comunidade, uma identidade com o seu entorno, e uma confiança na informação e nas instituições, gerando emoções de pertencimento e desejo de partilha. Contudo, foi verificado que nem sempre esses argumentos precisam estar juntos, pois pode-se também estimular comportamentos pró-ambientais com base em interesses individuais (como exemplos simples temos as economias em dinheiro quando reduzimos uma conta de água). De uma forma geral, a contribuição da teoria evolucionista reside na ideia de que os dilemas morais 47 foram muito importantes para evolução das habilidades em lidar com conflitos de interesse individual versus coletivo, um desafio para administrar os problemas ambientais atuais. Estratégia K, desconto de futuro e percepção do que está ao alcance dos sentidos ajudam a explicar o gap atitude-comportamento (Belz & Peattie, 2013), uma vez que promoviam sobrevivência e reprodução em um ambiente de adaptação evolutiva que não existe mais. Atualmente, esses três mecanismos têm, muitas vezes, uma ligação direta com o excesso de consumo e podem prejudicar escolhas mais sustentáveis. Conhecer esses mecanismos podem embasar campanhas educativas e amplas. Os estudos apontam como solução conteúdos que promovam uma vinculação com a natureza e que enfatizem comportamentos sustentáveis que se tenham benefícios imediatos, buscando reduzir essa distância psicológica entre o pensar e o agir sustentável. A teoria dos motivos sociais fundamentais é a mais recente de todas e tem como base teórica principal a abordagem evolucionista, sendo uma teoria da motivação que aborda aspectos evolutivos da sobrevivência e reprodução humanos. Suas pesquisas têm relevância principal no estudo de comportamentos de consumo. Os achados iniciais demonstram que as nossas motivações podem exercer influências em nossas decisões comportamentais de consumo. Apesar de promissora, o estudo dos comportamentos de consumo pró-ambiental nessa perspectiva estão apenas se iniciando. Dentre os motivos descritos, os que apresentaram algum tipo de efeito sobre as escolhas pró-ambientais foram: autoproteção, status, busca e retenção de parceiros e cuidado (parental e dos filhos). Nota-se que os argumentos oriundos dos temas ou teorias apresentados muitas vezes se sobrepõem, e isso ocorre por direcionamento dos pesquisadores e por muitos conceitos dialogarem entre si. Afinal de contas, não há barreiras teóricas incongruentes entre as teorias apresentadas, pois estamos falando de uma mesma fundamentação de base. Por exemplo, as normas injuntivas e a teoria da reciprocidade direta se referem as decisões comportamentais 48 relacionadas à uma preocupação com reputação que, em algumas situações, podem interagir com a motivação para status. Os conflitos nos dilemas morais que envolvem decisões entre cooperar ou não podem estar ligados aos motivos fundamentais importantes para o indivíduo naquele momento, como os reprodutivos e autoproteção, e ainda sofrerem influência dos vieses da natureza humana, como desconto de futuro. Para concluir, este breve ensaio teórico se limitou a destacar as contribuições que a teoria evolucionista e seus estudos têm fornecido para entender a relação do homem com o meio ambiente. Portanto, não tem o objetivo de contradizer outros campos de estudo com perspectivas teóricas distintas. Para algumas propostas de estudo, os conhecimentos aqui descritos podem ser ora complementares, ou ora como foco central de investigação, mas nunca a única explicação para entender a complexa rede de interação que envolve a psicologia humana dos comportamentos pró-ambientais. Analisando em conjunto as possibilidades de estudo descritas acima, seu foco recai na tomada de decisão comportamental, em situações quase experimentais, experimentais ou naturalísticas, o que pode ser uma grande contribuição para os estudos que visem uma mudança de comportamento das pessoas com relação às escolhas que impactam no meio ambiente. 49 Referências Buss, M. (2003). The evolution of desire. Basic Books. Belz, F.M., Peattie,K. (2013). Sustainability Marketing: A Global Perspective (2ªed). Wiley Cialdini, R. B., Reno, R. R., & Kallgren, C. A. (1990). A focus theory of normative conduct: Recycling the concept of norms to reduce littering in public places. Journal of Personality and Social Psychology, 58(6), 1015–1026. https://doi.org/10.1037/0022- 3514.58.6.1015 De Cremer, D., & Van Vugt, M. (1999). Social identification effects in social dilemmas: A transformation of motives. European Journal of Social Psychology, 29(7), 871–893. https://doi.org/10.1002/(SICI)1099-0992(199911)29:7<871::AID-EJSP962>3.0.CO;2-I De Groot, J. I. M., & Steg, L. (2009). Morality and prosocial behavior: The role of awareness, responsibility, and norms in the norm activation model. The Journal of Social Psychology, 149(4), 425–449. https://doi.org/10.3200/SOCP.149.4.425-449 Dietz, T. (2003). The Struggle to Govern the Commons. Science, 302(5652), 1907–1912. http/doi.org/10.1126/science.1091015 Dickinson, J. L., Crain, R. L., Reeve, H. K., & Schuldt, J. P. (2013). Can evolutionary design of social networks make it easier to be “green”? Trends in Ecology & Evolution, 28(9), 561–569. https://doi.org/10.1016/j.tree.2013.05.011 Durante, K. M., & Griskevicius, V. (2016). Evolution and consumer behavior. Current Opinion in Psychology, 10, 27–32. https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2015.10.025 Farrelly, D., & Bhogal, M. S. (2021). The value of pro-environmental behaviour in mate choice. Personality and Individual Differences, 179, 110964. https://doi.org/10.1016/j.paid.2021.110964 Fehr, E. and Gachter, S. (2002). Altruistic Punishment in Humans. Nature, 415,137-140. http://dx.doi.org/10.1038/415137a 50 Gardner, G. T., & Stern, P. C. (2002). Environmental problems and human behavior. Pearson Custom Publishing. Goetz, J. L., Keltner, D., & Simon-Thomas, E. (2010). Compassion: an evolutionary analysis and empirical review. Psychological bulletin, 136(3), 351–374. https://doi.org/10.1037/a0018807 Goldstein, N. J., Cialdini, R. B., & Griskevicius, V. A. (2008). Room with a viewpoint: using social norms to motivate environmental conservation in hotels. Journal of Consumer Research, 35(3), 472–482. https://doi.org/10.1086/586910 Green, L., & Myerson, J. (2004). A Discounting Framework for Choice With Delayed and Probabilistic Rewards. Psychological Bulletin, 130(5), 769–792. https://doi.org/10.1037/0033-2909.130.5.769 Griskevicius, V., Goldstein, N. J., Mortensen, C. R., Cialdini, R. B., & Kenrick, D. T. (2006). Going along versus going alone: When fundamental motives facilitate strategic (non)conformity. Journal of Personality and Social Psychology, 91(2), 281–294. https://doi.org/10.1037/0022-3514.91.2.281 Griskevicius, V., Tybur, J. M., & Van den Bergh, B. (2010). Going green to be seen: status, reputation, and conspicuous conservation. Journal of personality and social psychology,98(3), 392-404. https://doi.org/10.1037/a0017346 Griskevicius, V., Cantú, S. M., & van Vugt, M. (2012). The Evolutionary Bases for Sustainable Behavior: Implications for Marketing, Policy, and Social Entrepreneurship. Journal of Public Policy & Marketing, 31(1), 115–128. https://doi.org/10.1509/jppm.11.040 Griskevicius, V., & Kenrick, D. T. (2013). Fundamental motives: How evolutionary needs influence consumer behavior. Journal of Consumer Psychology, 23(3), 372-386. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.03.003 51 Hardin, G. (1968). The Tragedy of the Commons. Science, 162 (3859), 1243-1248. http://www.jstor.org/stable/1724745 Hardy, C. L., & van Vugt, M. (2006). Nice Guys Finish First: The Competitive Altruism Hypothesis. Personality and Social Psychology Bulletin, 32(10), 1402-1423. http://dx.doi.org/10.1177/0146167206291006 Iredale, W., & van Vugt, M. (2011). Altruism as showing off: a signalling perspective on promoting green behaviour and acts of kindness In S.C. Roberts (ed.), Applied Evolutionary Psychology (pp.173-185). Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199586073.001.0001 Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. https://doi.org/10.1177/1745691610369469 Kenrick, D. T. (2011). Sex, murder, and the meaning of life: a psychologist investigates how evolution, cognition, and complexity are revolutionizing our view of human nature. Basic Book. Kenrick, D. T., Saad, G., & Griskevicius, G. (2013). Evolutionary consumer psychology: Ask not what you can do for biology, but… Journal of Consumer Psychology, 23(3), 404- 409. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.04.003 Li, Y. J., Kenrick, D. T., Griskevicius, V., & Neuberg, S. L. (2012). Economic Decision Biases and Fundamental Motivations: How Mating and Self-Protection Alter Loss Aversion. Journal of Personality and Social Psychology, 102(3), 550–561. https://doi.org/10.1037/a0025844 52 Lu, H., Zou, J., Chen, H., & Long, R. (2020). Promotion or inhibition? Moral norms, anticipated emotion and employee’s pro-environmental behavior. Journal of Cleaner Production, 258. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2020.120858 Miller, G. (2000). A mente seletiva: como a escolha sexual influencia a evolução da natureza humana. Campus. Miller, G. (2012). Darwin vai as compras. Best Bussiness. Moraes, T.P.B., Millani, F. (2014). Consumo Conspícuo e Racionalidade Limitada. Uma Crítica à Teoria da Escolha Racional a Partir da Psicologia Evolucionista. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, 15(2), 167-175. https://revistaensinoeeducacao.pgsskroton.com.br/article/view/559 Neel, R., Kenrick, D. T., White, A. E., & Neuberg, S. L. (2016). Individual differences in fundamental social motives. Journal of Personality and Social Psychology, 110(6), 887–907. https://doi.org/10.1037/pspp0000068 Nowak, M. A. (2006). Five rules for the evolution of cooperation. Science 314(5805), 1560– 1563. https://doi.org/10.1126/science.1133755 Penn D. J. (2003). The evolutionary roots of our environmental problems: toward a Darwinian ecology. The Quarterly review of biology, 78(3), 275–301. https://doi.org/10.1086/377051 Penn, D., & Mysterud, J. (2007). The evolutionary roots of our ecological crisis. In D. Penn & I. Mysterud, (Eds.) Evolutionary perspectives on environmental problems (1-8). Transaction Publishers. Poškus, M. (2021). An Evolutionary Approach Toward Pro-Environmental Behavior. Evolutionary Psychological Science, 7(1), 1-7. https://doi.org/10.1007/s40806-020- 00253-x 53 Rees, W. (2010). The human nature of unsustainability. In: R. Heinberg & D. Lerch (eds.), The Post Carbon Reader: Managing the 21st Century’s Sustainability Crises. Watershed Media. https://survivingprogress.files.wordpress.com/2013/03/pcreader- rees-culture.pdf Rees, J. H., Klug, S., & Bamberg, S. (2015). Guilty conscience: motivating pro- environmental behavior by inducing negative moral emotions. Climatic Change, 130, 439–452. https://doi.org/10.1007/s10584-014-1278-x Roy Chaudhur, H., & Mazumdar, S. (2006). Of Diamonds and Desires: Understanding Conspicuous Consumption from a Contemporary Marketing Perspective. Academy of Marketing Science Review, 11(11), 1-18. Roy Chaudhuri, H., Mazumdar, S., & Ghoshal, A. (2011). Conspicuous consumption orientation: Conceptualisation, scale development and validation. Journal of Consumer Behaviour, 10, 216–224. https://doi.org/10.1002/cb.364 Schaller, M. (2018). The parental care motivational system and why it matters (for everyone). Current Directions in Psychological Science. 27(5), 295–301. https://doi.org/10.1177/0963721418767873 Schultz, P. W. & Zelezny, L.C. (2003). Reframing Environmental Messages to be Congruent with American Values. Human Ecology Review, 10(2), 126-136. https://www.humanecologyreview.org/pastissues/her102/102scultzzelezny.pdfSchultz, P.W., Khazian. A. M., & Zaleski, A. C. (2008). Using normative social influence to promote conservation among hotel guests. Social Influence, 3(1), 4-23. https://doi.org/10.1080/15534510701755614 Schwartz, S.H. (1977). Normative Influences on Altruism. Advances in experimental social pshicology, 10, 221-279. https://doi.org/10.1016/S0065-2601(08)60358-5 54 Sorqvist Patrik, Langeborg Linda. (2019). Why People Harm the Environment Although They Try to Treat It Well: An Evolutionary-Cognitive Perspective on Climate Compensation. Frontiers in Psychology, 10. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2019.00348 Tifferet, S., Rosenblit, N., & Shalev, M. (2017). Promoting sustainability in a college café by opposite-sex cashiers. International Journal of Sustainability in Higher Education, 18(7), 1279–1290. https://doi.org/10.1108/ijshe-01-2016-0013 Tobler, C., Visschers, V., & Siegrist, M. (2012). Addressing climate change: Determinants of consumers' willingness to act and to support policy measures. Journal of Environmental Psychology, 32(3), 197-207. https://doi.org/10.1016/j.jenvp.2012.02.001 Van de Vyver, J., Abrams, D., Hopthrow, T., Purewalb, K., Moura, G. R., Meleady, R. (2018). Motivating the selfish to stop idling: Self-interest cues can improve environmentally relevant driver behaviour. Transportation Research Part F: Traffic Psychology and Behaviour, 54, 79-85. https://doi.org/10.1016/j.trf.2018.01.015 van der Wal, A. J., Schade, H. M., Krabbendam, L.l, & van Vugt, M. (2013). Do natural landscapes reduce future discounting in humans? Proceedings of the Royal Society Biological Sciences, 280, 20132295. http://dx.doi.org/10.1098/rspb.2013.2295 van Vugt, M., van Lange, P. A. M. & Meertens, R. M. (1996). Commuting by car or public transportation? A social dilemma analysis of travel mode judgements. European Journal of Social Psychology, 26(3), 373-395. https://doi.org/10.1002/(SICI)1099- 0992(199605)26:3<373::AID-EJSP760>3.0.CO;2-1 van Vugt, M., & Samuelson, C. D. (1999). The impact of personal metering in the management of a natural resource crisis: A social dilemma analysis. Personality and Social Psychology Bulletin, 25(6), 731–745. https://doi.org/10.1177/0146167299025006008 55 van Vugt, M. (2001). Community identification moderating the impact of financial incentives in a natural social dilemma: Water conservation. Personality and Social Psychology Bulletin, 27(11), 1440–1449. https://doi.org/10.1177/01461672012711005. van Vugt, M. (2009). Averting the tragedy of the commons: Using social psychological science to protect the environment. Current Directions in Psychological Science, 18(3), 169–173. https://doi.org/10.1111/j.1467-8721.2009.01630.x van Vugt, M., Griskevicius, V. & Schultz, P.W. (2014). Naturally Green: Harnessing Stone Age Psychological Biases to Foster Environmental Behavior. Social Issues and Policy Review, 8(1), 1-32. https://doi.org/10.1111/sipr.12000 Veblen, T. (1899). Conspicuos Consumption. In: The Theory of the Leisure Class: An Economic Study of Institutions (68-101). The Macmillan Company. https://brocku.ca/MeadProject/Veblen/Veblen_1899/Veblen_1899_04.html Vils, L., Strehlau, S., Mazzieri, M., Maccari, E. (2017). Perspectivas da Psicologia Evolucionista em Comportamento do Consumidor. Revista Brasileira de Marketing, 16(4), 562-549. https://doi.org/10.5585/remark.v16i4.3776 Wilson, M., Daly, M., & Gordon, S. (2007). The evolved psychological apparatus of human decision making is one source of environmental problems. In D. Penn & I. Mysterud, (Eds.) Evolutionary perspectives on environmental problems (31-52). Transaction Publishers. World Wildlife Foundation (2023, 2 de agosto). Dia da sobrecarga da terra. https://www.wwf.org.br/overshootday/ 56 Estudo 2 Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil Nivia de Araújo Lopes Felipe Nalon Castro Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Periódico: Journal of Personality and Social Psychology Classificação QUALIS: A1 Status da publicação: a ser submetido. 57 Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil Nivia de A. Lopes e Felipe N. Castro Departamento de Fisiologia e Comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Nota do autor Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 Este estudo não foi pré-registrado. Todos os dados foram disponibilizados publicamente no Open Science Frameowork e podem ser acessados em [indicar aqui o endereço para acesso aos dados quando forem submetidos]. Este artigo é baseado na tese de doutorado de Lopes (2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001. Este estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência referente a este artigo deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do Comportamento Humano, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail:castrofn@gmail.com. https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 mailto:castrofn@gmail.com 58 Resumo Os motivos sociais fundamentais são mecanismos que foram selecionados por impactar a sobrevivência e reprodução de nossos ancestrais. Atualmente estes motivos predizem o nosso comportamento e são influenciados por diversos fatores, incluindo as diferenças individuais. O objetivo deste estudo é investigar o efeito das diferenças individuais na expressão dos motivos sociais fundamentais. Este estudo incluiu adultos com idade de 18 a 75 anos de ambos os sexos, residentes no Brasil. Um delineamento quase-experimental com alocação não aleatória dos participantes foi utilizado, e a amostra consistiu em 539 indivíduos que forneceram informações sociodemográficas e responderam o inventário de motivos sociais fundamentais (FSM), por meio de questionário autoaplicável online. Os resultados revelam que o cuidado familiar é a motivação mais bem pontuada entre os brasileiros. Além disso, verificamos que adultos jovens estão mais motivados para buscar afiliação (independência), evitar a exclusão social, buscar status e parceiros, que os indivíduos mais velhos estão motivados para reter seus parceiros e cuidar dos filhos. Indivíduos com baixa renda demonstraram preocupação com autoproteção e afiliação (independência), enquanto aqueles com maior renda se preocupam mais em cuidar dos filhos. Por fim, os homens estão mais motivados para buscar parceiros e as mulheres a reter parceiros. Conclui-se que os sistemas motivacionais podem ajudar a entender as diferenças individuais e as prioridades ao longo de nossas vidas, com diferentes estados motivacionais sendo priorizados em cada estágio do desenvolvimento, sexo e alguns deles influenciados pela condição socioeconômica. Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, diferenças individuais. 59 Abstract The fundamental social motives are mechanisms that were selected because they impact the survival and reproduction of our ancestors. Currently, these motives predict our behavior and are influenced by various factors, including individual differences. The aim of this study is to investigate how fundamental social motives are expressed and to identify the effect of individual differences on their expression. This study included adults aged 18 to 75 of both sexes residing in Brazil. A quasi-experimental design with non-randomparticipant allocation was used, and the sample consisted of 539 individuals who provided sociodemographic information and responded to the Fundamental Social Motives Inventory (FSM) through a self- administered online questionnaire. The results reveal that family care is the highest-rated motivation among Brazilians. Furthermore, we found that young adults are more motivated to seek affiliation (independence), avoid social exclusion, pursue status, and partners, while older individuals are motivated to retain their partners and to care for their children. Individuals with low income showed concern for self-protection and affiliation (independence), while those with higher income are more focused on caring for their children. Finally, men are more motivated to seek partners, and women to retain partners. In conclusion, motivational systems can help understand individual differences and priorities throughout our lives, with different motivational states being prioritized at each stage of development, gender, and some of them influenced by socioeconomic status. Keywords: Motivation, behavior evolution, individual differences. 60 Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil A motivação prediz o comportamento e o comportamento impacta o ambiente em que vivemos, assim como as outras pessoas e a nós mesmos. A pesquisa sobre a motivação humana é realizada em diversos campos, tendo sido propostas várias abordagens teóricas (Todorov & Moreira, 2005), incluindo uma abordagem evolucionista. A abordagem evolucionista busca compreender como surgiram os mecanismos que influenciam nosso comportamento. Dessa forma, a motivação não está apenas relacionada a necessidades e objetivos, mas também aos sistemas regulatórios que evoluíram em nossos ancestrais para facilitar a tomada de decisões em contextos específicos, impactando a reprodução (Schaller et al., 2017). Existem diversas propostas evolucionistas que investigam os motivos que impulsionam nossas ações. Uma delas foi elaborada por Bugental (2000), propondo cinco domínios para a motivação humana: apego, poder hierárquico, coalizões, reciprocidade e acasalamento. Cada domínio utiliza uma combinação particular de sistemas neuro-hormonais e respostas emocionais que são expressas ao longo do desenvolvimento. A segunda proposta foi elaborada por Bernard et al. (2005) e define a motivação como um comportamento proposital direcionado para o aumento da aptidão inclusiva. Para os autores, existem cinco motivos que embasam o comportamento humano: autoproteção, acasalamento, manutenção do relacionamento e cuidado parental, coalizão de grupos e o domínio do sistema cultural simbólico. A terceira é a de Aunger e Curtis (2013) que define a motivação com um estado de excitação de busca de metas e motivos individuais. Nesta proposição são indicadas quinze motivações: apetite sexual; fome; conforto; medo e nojo; atrair; amor; cuidado (nutrir); guardar recursos (tesouro escondido); criar (habitat e ferramentas); afiliação; status; justiça; curiosidade e brincar (Aunger & Curtis, 2013). Por fim, Kenrick et al. (2010) propuseram a teoria dos motivos sociais fundamentais, que realizou a releitura do modelo de motivação humana elaborado por Maslow. 61 A teoria dos motivos sociais fundamentais postula que nossos motivos têm suas origens em adaptações psicológicas relacionadas à sobrevivência e reprodução de nossos ancestrais. De acordo com esta teoria, existem sete motivos sociais fundamentais que influenciam o comportamento humano: (1) autoproteção, relacionado ao comportamento de estar atento a situações perigosas para a integridade física da pessoa; (2) evitação de doenças, consiste na evitação de pessoas ou situações que podem levar ao adoecimento; (3) status, atrelado à necessidade de ter um papel ou espaço de influência em alguma esfera da vida; (4) afiliação (grupo), vinculado à busca social de fazer alianças; (5) busca por parceiros, vinculado a busca de pessoas para fins reprodutivos; (6) retenção de parceiros, relacionado à manutenção de relacionamentos com fins reprodutivos; e (7) cuidado (família), associado ao cuidado de parentes e filhos (Griskevicius & Kenrick, 2013). Neel et al. (2016) desenvolveram uma escala para medir os motivos sociais fundamentais e detalharam os motivos de afiliação, retenção de parceiros e cuidado da família para melhor avaliar certos comportamentos. Além dos sete motivos iniciais, foram adicionados os seguintes: (8) afiliação (independência), a necessidade de se manter independente das pessoas; (9) afiliação (exclusão), relacionado a necessidade de não se sentir sozinho ou excluído; (10) preocupação com término, atrelado ao medo de perder o parceiro romântico; e (11) cuidado (filhos), vinculado exclusivamente à motivação das pessoas que têm filhos. A teoria dos motivos sociais fundamentais tem sido amplamente utilizada em pesquisas que sugerem que os comportamentos, os sentimentos e os estados emocionais variam conforme diferentes motivos sociais fundamentais são ativados, inclusive com a presença de variações entre as culturas (Pick et al., 2022a). Os motivos fundamentais podem ser influenciados por uma variedade de fatores, incluindo fatores ecológicos e sociais, bem como características individuais (Kenrick et al., 2010). Por exemplo, foi verificado que quanto maior é o índice de mortalidade infantil de um país, maior é a prevalência de estratégias reprodutivas monogâmicas devido à necessidade 62 maior do cuidado biparental (Schmitt, 2005). Pick et al. (2022a) realizaram uma análise dos motivos sociais fundamentais em 42 países e encontraram similaridade na expressão dos motivos entre o Brasil, Chile e Peru. Com relação a fatores sociais, descobriu-se que pessoas induzidas ao motivo autoproteção desenvolvem uma maior atenção e memória a rostos que consideram potencialmente perigosos (Becker et al., 2010). Além disso, Schaller (2018) encontrou que o motivo cuidado (família) prediz comportamentos de proteção, mas também pode influenciar a aversão ao risco e a formação de impressões (Schaller, 2018). Adicionalmente, características individuais como o sexo, idade e condição socioeconômica também influenciam a expressão dos motivos fundamentais. O sexo dos indivíduos afeta principalmente os motivos relacionados ao domínio reprodutivo e cuidado. Por exemplo, homens percebem rostos de mulheres atraentes como mais excitantes quando estão com o motivo busca por parceiros ativado (Maner et al., 2005). Também foi observado que homens apresentam maior motivação para busca por parceiros (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b), enquanto mulheres apresentam maior motivação para retenção de parceiros (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016). Além disso, as mulheres também demonstraram maiores pontuações em cuidado (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016; Schaller, 2018), evitação de doenças (Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b) e autoproteção (Neel et al., 2016). Estes achados sugerem que diferentes motivos sociais fundamentais são predominantes em homens e mulheres, o que está em consonância com as predições das teorias tradicionais que explicam o acasalamento humano (Kenrick et al., 1990). A idade exerce influência nos motivos relacionados ao status, afiliação, e o cuidado (família e filhos). De acordo com a teoria dos motivos sociais fundamentais, os jovens estão mais engajados em buscar amigos (afiliação) e competir por uma posição social elevada (status) do que em manter parceiros (Kenrick et al., 2010; Neel et al., 2016). Além disso, Neel et al. (2016) observaram que a busca por autoproteção é maior entre os jovens, enquanto o cuidado 63 é menos expressivo. Por outro lado, as pessoas mais velhas tendem a apresentar mais comportamentos de cuidado parental (Kenrick et al., 2010; Pick etal., 2022b). Essas variações nos motivos ao longo das diferentes faixas etárias revelam que desafios distintos predominam em cada etapa do desenvolvimento. Em relação a jovens e adolescentes, diferentes motivos também podem afetar o comportamento de risco. Pesquisas indicam que a busca por status está associada ao aumento do comportamento de risco, enquanto cuidado (família) está relacionado a diminuição desses comportamentos (Rodríguez et al., 2023). Estes achados apontam para a complexa interação entre os motivos sociais fundamentais e o comportamento ao longo do desenvolvimento humano, ressaltando a importância de considerar as motivações específicas de cada faixa etária para compreender melhor as decisões das pessoas em diferentes momentos da vida. Por fim, é importante ressaltar que a condição socioeconômica pode modular a expressão dos motivos sociais fundamentais. Estudos demonstraram que pessoas com alta renda apresentam maior motivação para afiliação (Neel et al., 2016) e cuidados com a família (Pick et al., 2022b). Além disso, foi observado que, à medida que a renda aumenta, as preocupações com autoproteção, preocupação com o término, e cuidado dos filhos tendem a diminuir (Neel et al., 2016). Apesar destes achados, são escassas as pesquisas que investigam a influência da condição socioeconômica na expressão dos motivos sociais fundamentais. Mais estudos são necessários para compreender como os fatores socioeconômicos podem interagir com as motivações humanas e como eles moldam nossos comportamentos em diferentes contextos. Em resumo, diferentes estados motivacionais podem levar a vieses de percepção, resultando em decisões comportamentais e reações emocionais distintas. Estas respostas podem ser adaptativas e até mesmo predominantes em determinadas fases do desenvolvimento. Compreender os fatores que permeiam os motivos por trás do comportamento é essencial para 64 entendermos a diversidade comportamental em nossa espécie e elucidar os desafios que enfrentamos ao longo do desenvolvimento. Contudo, não compreendemos completamente quais são os motivos predominantes e quais fatores influenciam na expressão destes motivos em adultos. Entender a intensidade dos motivos e como eles variam em função do sexo, idade ou renda em lugares diferentes, como no Brasil, é necessário para confirma algumas tendências ou trazer novas discussões sobre as diferenças individuais. Com base a teoria dos motivos sociais fundamentais (Kenrick et al., 2010), o objetivo deste estudo é investigar o efeito das diferenças individuais na expressão dos motivos sociais fundamentais. Hipotetizamos que os motivos sociais fundamentais se expressam em magnitudes diferentes, e que sofrem efeito da faixa etária, renda e sexo dos participantes. Baseados nos estudos existentes sobre faixa etária, esperamos que: (1) A menor faixa etária irá apresentar a pontuação mais elevada para os motivos afiliação (independência), afiliação (exclusão), status e busca por parceiros; (2) As faixas etárias maiores irão apresentar a maior pontuação da amostra para retenção de parceiros e cuidado (filhos). Tendo em vista a vulnerabilidade social causada por uma renda muito baixa: (3) pessoas com a menor renda apresentarão a maior pontuação da amostra em autoproteção e evitação de doenças. E (4) homens irão maior pontuação nos motivos de busca por parceiros do que mulheres, enquanto as mulheres irão apresentar maior pontuação nos motivos retenção de parceiros e cuidado (filhos) do que os homens, baseado nos estudos sobre diferenças individuais nas estratégias reprodutivas humanas. Método Procedimentos de amostragem Os participantes foram recrutados em redes sociais, onde a pesquisa foi brevemente introduzida e um link de acesso foi fornecido (APÊNDICE A). A pesquisa foi divulgada no perfil pessoal da pesquisadora, em aplicativos de mensagens instantâneas, em perfis de 65 laboratórios da universidade e e-mail institucional. A amostra foi por conveniência. O tamanho da amostra intencional (N=400) foi calculado para uma população heterogênea acima de 100 mil habitantes e a margem de erro desejada de 5% (Arkin & Colton, 1963, citado em Ventura et al., 2010). A amostra alcançada foi N=585. A coleta de dados ocorreu online utilizando a plataforma Google Forms de abril a novembro de 2022, com duração aproximada de 20 minutos. Todos os participantes foram voluntários e não receberam pagamento. Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos local, sob parecer número: 5.171.745 (ANEXO A). O consentimento para participação e publicação de dados resultantes da pesquisa foi obtido de todos os participantes incluídos no estudo, através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APENDICE B). Participantes Um total de 539 indivíduos (354 mulheres) com idade de 18 a 75 anos, de ambos os sexos, residentes no Brasil participaram do estudo. O critério de exclusão foi estar abaixo de 18 anos de idade e ter respondido algum dos instrumentos de forma incompleta. A média de idade dos participantes foi 34,97 (DP = 12,21) anos. Baseado no critério do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013) para classificação da cor da pele, a amostra consistiu em 59,74% de indivíduos brancos, 33,40% pardos, 5,19% pretos, 1,48% de descendentes asiáticos (japoneses, chineses e coreanos) e 0,19% indígenas. Com relação ao comportamento sexual, 76,99% se declararam exclusivamente heterossexual, 6,86% exclusivamente homossexual e 16,15% em outras categorias intermediárias. Em termos de escolaridade, 11,13% reportaram ter completado o ensino médio, 33,77% completaram o ensino superior e 55,10% completaram cursos de pós-graduação. Medidas e Instrumentos Nesta pesquisa, os participantes forneceram informações sociodemográficas e responderam o inventário de motivos sociais fundamentais. As informações socioeconômicas 66 foram sexo, idade, cor de pele, orientação sexual, estado civil, escolaridade, renda familiar em salários-mínimos (SM), meio de transporte e local de residência (APENDICE C). Para medir os motivos fundamentais foi utilizado o Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF), instrumento criado e validado por Neel et. al. (2016). Ele consiste em 66 itens, que mensuram os motivos sociais fundamentais (e suas subescalas) dos respondentes no momento da aplicação. Os motivos mensurados são: autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação (exclusão), status, busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos). Os participantes indicavam sua concordância com cada item com uma escala Likert de 7 pontos indo de “discordo fortemente” até “concordo fortemente” (ANEXO B). Participantes que não tinham filhos foram orientados a não pontuar os itens relacionados ao cuidado com os filhos; participantes que não estavam em relacionamento amoroso no momento da coleta de dados foram instruídos a não pontuar os itens relacionados a retenção de parceiros e preocupação com o término. Neste estudo, a pontuação total dos escores dos motivos sociais fundamentais de cada participante foi utilizada para o cálculo do percentual relativo dos pontos atribuídos a cada um dos motivos. O valor percentual de pontos atribuídos a cada um dos motivos permitiu a comparação entre os grupos e a avaliação da importância relativa dos motivos dentro de cada grupo. Neste estudo, a consistência interna de cada um dos motivos foi mensurada pelo coeficiente alfa de Cronbach: autoproteção com α = 0,81, evitação de doenças com α = 0,67, status com α = 0,74, afiliação (grupo) com α = 0,75, afiliação (independência) com α = 0,80, afiliação (exclusão) com α = 0,88, busca por parceiros com α = 0,77, retenção de parceiros com α = 0,62, preocupação com o términocom α = 0,88, cuidado (família) com α = 0,89 e cuidado (filhos) com α = 0,62. 67 Condição experimental Este estudo utilizou o delineamento quase-experimental com alocação não aleatória dos participantes. As variáveis independentes foram sexo (masculino e feminino), faixa etária e renda. Para a faixa etária, os participantes foram distribuídos em quatro grupos: 18-29 anos, com 213 participantes (39,52%); 30-39 anos, com 150 participantes (27,83%); 40-49 anos, com 101 participantes (18,74%); e 50+ (anos), com 75 participantes (13,91%). Quanto a renda, os participantes foram categorizados em cinco grupos: participantes com renda até 2 SM (salários- mínimos), 20,41%, participantes com renda de 2 a 4 SM (25,42%), participantes com renda de 4 a 10 SM (30,98%), participantes com renda de 10 a 20 SM (17,44%) e participantes com renda acima de 20 SM (5,75%). Procedimento Os participantes foram a unidade de investigação nesse estudo. A coleta de dados ocorreu online através de questionários usando a plataforma Google Forms. Os participantes foram recrutados por aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais e e-mail institucional. Após aceitar participar, os participantes leram e assinaram o TCLE e preencheram os questionários contendo os instrumentos. Finalizado o preenchimento dos questionários, os participantes foram agradecidos e dispensados. Análise de dados Esse estudo utilizou um Modelo Linear Geral (GLM) para investigar se grupos com diferentes faixa-etárias, rendas e sexo diferem quanto a expressão dos motivos sociais fundamentais. A variável independente dentre grupos foi motivos, com os seguintes níveis: autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação (exclusão), status, busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos); e as variáveis independentes entre participantes foram faixa-etária (18-29, 30-39, 40-49 e 50+), renda (Até 2SM, 2-4SM, 40-10SM, 10-20SM e 68 Acima20SM) e sexo (masculino e feminino). Nesta análise, a porcentagem relativa das pontuações dos motivos sociais fundamentais serviu como variável dependente. O modelo aplicado investigou o efeito simples das variáveis motivos, faixa-etária, renda e sexo, além das interações de motivos com faixa-etária, renda e sexo. O teste de Bonferroni foi utilizado nas análises post hoc que compararam os grupos das variáveis faixa-etária, renda e sexo para cada um dos motivos; o critério de significância foi 1%. Para determinar a importância dos motivos dentre os grupos com diferentes faixas etárias, renda e sexo, a pontuação percentual média de cada um dos motivos foi comparada com um valor de referência, utilizando testes t de uma amostra. O valor de referência utilizado nestas análises foi 9,09%, sendo obtido dividindo-se a porcentagem total (100%) atribuída aos motivos pelo número total de motivos investigados (11). Ou seja, se um indivíduo (ou um grupo de indivíduos) apresenta todos os motivos com igual pontuação, ele deve apresentar o valor igual a 9,09% em cada um de seus motivos. Nestas análises, o critério de significância foi ajustado para 0,1% para evitar Erro do Tipo 1. Os dados foram analisados por meio do software aplicativo IBM SPSS, versão 26. Resultados O efeito simples da variável motivos indica diferentes pontuações dentre os motivos (F(10, 5300) = 153,37; p < 0,001; η²parcial = 0,22 e poder = 1,00). As análises indicam os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência) e cuidado (família) apresentaram pontuação acima do valor de referência; que os motivos afiliação (exclusão) e status apresentaram pontuação igual ao valor de referência; e, por fim, os motivos busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término e cuidado (filhos) apresentaram pontuações abaixo do valor de referência (Tabela 1). Não foram encontradas diferenças para o efeito simples da idade (F(3, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 69 0,01 e poder < 0,01, renda (F(4, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 0,01 e poder < 0,01) ou sexo (F(1, 530) < 0,01; p > 0,999; η²parcial < 0,01 e poder < 0,01). Efeito da idade sobre os motivos sociais fundamentais Foi observado um efeito de interação entre motivos e faixa-etária (F(30, 5300) = 19,81; p < 0,001; η² parcial = 0,10 e poder = 1,00). A comparação entre as faixas etárias mostrou que os participantes da faixa etária 18-29 apresentaram maior pontuação para os motivos afiliação (independência), afiliação (exclusão), status e busca por parceiros; e menor pontuação para o motivo retenção de parceiros e cuidado (filhos). O motivo retenção de parceiros apresentou a maior pontuação na faixa etária 30-39 anos e o motivo cuidado (filhos) apresentou as maiores pontuações em pessoas com 40 anos ou mais (faixas etárias 40-49 e 50+). As faixas-etárias não diferiram para os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), preocupação com o término e cuidado (família) (Figura 1). Ao avaliar a pontuação dos motivos dentre cada uma das faixas etárias, verificamos que os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo) e cuidado (família) apresentaram pontuação acima do valor de referência em todas as faixas etárias, enquanto os motivos: busca por parceiros e preocupação término, apresentaram pontuação abaixo deste valor (Tabela 1). Além disso, os participantes na faixa-etária 18-29 apresentaram pontuação elevada para afiliação (independência), afiliação (exclusão) e status, e abaixo do valor de referência para retenção de parceiros e cuidado (filhos). Já os participantes da faixa-etária 30- 39 apresentaram pontuação alta para afiliação (independência) e igual ao valor de referência para afiliação (exclusão), status e retenção de parceiros, e pontuação abaixo do valor de referência para cuidado (filhos). Por sua vez, os participantes da faixa-etária 40-49 apresentaram pontuação igual ao valor de referência para afiliação (independência), status, retenção de parceiros e cuidado (filhos), bem como pontuação baixa para afiliação (exclusão). Por último, os participantes da faixa etária 50+ apresentaram pontuação igual ao valor de 70 referência para afiliação (independência), retenção de parceiros e cuidado (filhos) e pontuação abaixo do valor de referência para afiliação (exclusão) e status (Tabela 1). De forma geral, estes resultados sugerem que a busca por independência, a preocupação com a exclusão e a busca por status são maiores em adultos jovens e se reduzem em pessoas com idades mais avançadas, enquanto o investimento em retenção de parceiros e cuidado com os filhos é maior em pessoas mais velhas. 71 Tabela 1 Comparações da média percentual dos motivos sociais fundamentais com o valor de referência: avaliação geral, dentro de cada faixa etária, renda e sexo. Motivos por idade Motivos por renda Motivos por sexo Motivos 18-29 30-39 40-49 50+ Até 2 SM De 2-4 SM De 4-10 SM De 10-20 SM 21+ SM Feminino Masculino Autoproteção 11,75(2,97)a 12,55(2,80)a 11,60(2,80)a 10,81(3,12)a 11,07(3,01)a 12,76(3,11)a 12,08(2,77)a 11,84(2,73)a 10,58(3,05)a 9,82(2,36) 11,70(2,76)a 11,86(3,34)a Evitação de doenças 10,75(2,76)a 11,31(2,80)a 10,53(2,59)a 10,12(2,84)a 10,43(2,59)a 11,52(3,07)a 10,78(2,51)a 10,87(2,65)a 10,04(2,57)a 9,35(2,89) 10,81(2,60)a 10,63(3,04)a Afiliação (Grupo) 11,41(2,62)a 11,37(2,61)a 11,18(2,45)a 11,53(2,85)a 11,81(2,66)a 10,96(2,87)a 11,19(2,59)a 11,54(2,58)a 11,68(2,45)a 12,48(2,21)a 11,37(2,67)a 11,48(2,53)a Afiliação (Independência) 11,07(3,70)a 12,21(3,54)a 10,33(3,23)a 10,49(4,38) 10,07(3,19) 12,52(4,19)a 11,42(3,43)a 10,79(3,47)a 9,97(3,41) 9,15(3,05) 11,03(3,41)a 11,14(4,20)a Afiliação (Exclusão) 9,14(3,45) 10,85(3,58)a 8,59(2,80) 7,63(2,92)b 7,38(2,74)b 10,12(3,65) 9,41(3,73)8,78(3,21) 8,35(2,96) 8,74(3,41) 9,13(3,33) 9,14(3,68) Status 9,06(2,64) 9,96(2,59)a 8,72(2,54) 8,47(2,54) 7,94(2,35)b 9,50(2,67) 9,20(2,86) 8,84(2,39) 8,69(2,70) 9,15(2,54) 8,92(2,59) 9,32(2,72) Busca por parceiros 6,75(3,61)b 7,98(3,88)b 6,00(3,15)b 5,70(2,95)b 6,13(3,58)b 7,04(3,49)b 7,32(3,86)b 6,82(3,78)b 5,82(2,91)b 5,56(3,29)b 6,27(3,32)b 7,67(3,96)b Retenção de parceiros 8,18(5,95)b 6,60(6,57)b 9,86(5,17) 9,38(4,99) 7,69(5,56) 7,11(6,33) 8,03(6,31) 7,81(5,88) 9,53(5,05) 10,56(4,67) 8,77(5,82) 7,05(6,04)b Preocupação término 4,30(3,75)b 3,79(4,18)b 5,05(3,38)b 4,66(3,35)b 3,73(3,38)b 4,31(4,30)b 4,03(3,72)b 4,26(3,74)b 4,56(3,35)b 4,80(3,02)b 4,53(3,72)b 3,86(3,78)b Cuidado (Família) 12,95(3,04)a 12,79(3,32)a 12,96(2,84)a 12,65(2,96)a 13,77(2,53)a 11,87(3,65)a 13,07(2,75)a 13,48(2,97)a 13,03(2,64)a 13,07(2,47)a 13,01(3,16)a 12,83(2,79)a Cuidado (Filhos) 4,66(6,42)b 0,58(2,78)b 5,18(6,55)b 8,56(6,56) 9,97(5,92) 2,29(5,22)b 3,47(6,14)b 4,97(6,42)b 7,76(6,56) 7,34(6,56) 4,48(6,37)b 5,02(6,52)b Nota. O desvio padrão está nos parênteses após a média. Tamanho da amostra total = 539; Feminino = 354; Masculino = 185; 18-29 = 213; 30-39 = 150; 40-49 = 101; 50+ = 75; Abaixo de 2 salários-mínimos (SM) = 110; De 2 até 4 SM = 137; De 4 até 10 SM = 167; De 10 até 20 SM = 94 e Acima de 20 SM = 31. O valor de referência é 9,09%, calculado dividindo a porcentagem total (100%) pelo número de motivos (11). aMédia percentual acima do valor mediano de referência (p < 0,001). bMédia percentual abaixo do valor mediano de referência (p < 0,001). 72 Figura 1 Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a faixa-etária Nota. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença entre os grupos em cada um dos motivos. a a a a a a a b a a c a a a b b b b a a a b a a a ab b b b ab a a a a a a b b b b ab a a a 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Autoproteção Evitação de doenças Afiliação (Grupo) Afiliação (Independência) Afiliação (Exclusão) Status Busca por parceiros Retenção de parceiros Preocupação término Cuidado (Família) Cuidado (Filhos) P o rc en ta g em 18-29 30-39 40-49 50+ 73 Efeito da renda sobre os motivos sociais fundamentais Também foi observado efeito de interação entre motivos e renda (F(40, 5300) = 2,58; p < 0,001; η²parcial = 0,02 e poder = 1,00). A comparação entre os grupos com diferentes rendas mostrou que os participantes nos grupos de renda mais baixa mostraram maior pontuação nos motivos autoproteção e afiliação (independência) e menor pontuação para cuidado (família). Além disso, a análise descritiva dos dados sugere que uma queda na expressão do motivo evitação de doenças e um aumento para os motivos afiliação (grupo), retenção de parceiros e cuidado (filhos) com o aumento da renda (Figura 2). Estas análises descritivas devem ser interpretadas com cuidado, pois as análises post hoc não indicaram diferenças entre os grupos para estes motivos. Ao avaliar a pontuação dos motivos dentre cada grupo com diferentes rendas, verificamos que todos os grupos apresentaram os motivos afiliação (grupo) e cuidado (família) com pontuação acima do valor de referência, que os motivos afiliação exclusão, status e retenção de parceiros apresentaram valores percentuais iguais ao valor de referência e que os motivos: busca por parceiros e preocupação com o término, apresentaram valores abaixo do valor de referência (Tabela 1). Em adição, os grupos com renda de 10-20 SM e Acima de 20 SM apresentaram pontuação igual ao valor de referência para os motivos afiliação (independência) e cuidado (filhos), enquanto apenas os participantes do grupo cm renda acima de 20 SM apresentaram valores iguais ao valor de referência para autoproteção e evitação de doenças; os demais grupos com rendas mais baixas apresentaram pontuação acima do valor de referência nestes motivos (Tabela 1). De forma geral o efeito da renda sobre os motivos sugere que a motivação para autoproteção, evitar doenças e afiliação (independência) é menor para pessoas com renda elevada, enquanto o cuidado com os filhos aumenta. 74 Figura 2 Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com a renda Nota. SM significa salários-mínimos. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença entre os grupos em cada um dos motivos. a a a a a a a a a b a ab a a ab a a a a a ab a ab a a ab a a a a a a a b a a b a a a a a ab a b a a b a a a a a ab a 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Autoproteção Evitação de doenças Afiliação (Grupo) Afiliação (Independência) Afiliação (Exclusão) Status Busca por parceiros Retenção de parceiros Preocupação término Cuidado (Família) Cuidado (Filhos) P o rc en ta g em Abaixo de 2 SM De 2 até 4 SM De 4 até 10 SM De 10 até 20 SM Acima de 20 SM 75 Figura 3 Valor das médias percentuais e intervalos de confiança 95% para os motivos sociais fundamentais de acordo com o sexo Nota. As comparações foram realizadas aplicando o teste post hoc de Bonferroni, a de p < 0,01; letras iguais significam ausência de diferença entre os grupos em cada um dos motivos. a a a a a a b a a a a a a a a a a a b a a a 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Autoproteção Evitação de doenças Afiliação (Grupo) Afiliação (Independência) Afiliação (Exclusão) Status Busca por parceiros Retenção de parceiros Preocupação término Cuidado (Família) Cuidado (Filhos) P o rc en ta g em Feminino Masculino 76 Efeito do sexo sobre os motivos sociais fundamentais Encontramos um efeito de interação entre motivos e sexo (F(10, 5300) = 4,39; p < 0,001; η²parcial = 0,01 e poder = 1,00). O contraste entre os sexos para cada um dos motivos revelou que homens pontuaram mais que as mulheres para busca por parceiros, enquanto as mulheres pontuaram mais do que os Homens em retenção de parceiros. Não foram encontradas diferenças entre os demais motivos na comparação das médias entre os sexos (Figura 3). A análise da pontuação dos motivos dentre cada um dos sexos indicou que tanto homens quanto mulheres avaliaram os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo), afiliação (independência) e cuidado (família) com pontuação acima do valor de referência, que os motivos afiliação (exclusão) e status apresentaram valores iguais ao valor de referência, e que os motivos busca por parceiros, preocupação com o término e cuidado (filhos) foram pontuados abaixo do valor de referência. Foi observado também que as mulheres pontuaram igual ao valor de referência para o motivo retenção de parceiros, enquanto os homens pontuaram abaixo deste valor (Tabela 1). Discussão Este estudo investigou o efeito de características individuais nos motivos sociais fundamentais. A análise que investigou apenas os motivos revelou a maior pontuação para cuidado direcionado à família, seguido pelos motivos relacionados a coalizões de grupo (afiliação grupo e independência) e autopreservação (autoproteção e evitação de doenças). Resultados similares foram encontrados por Ko et al. (2020), sugerindo uma universalidade de prioridades específicas dos motivos sociais fundamentais, especialmente para o cuidado (família). Este motivo está relacionado ao conceito de aptidão abrangente, que aborda a direção de esforços para cuidar dos parentes. O cuidado familiar é tão central no comportamento humano que as pessoas utilizam para avaliar a confiabilidade de outras pessoas que acabaram de conhecer(Billet, 2023), além de estar associado ao bem-estar psicológico (Ko et al., 2020). 77 Com relação aos comportamentos de autopreservação, a literatura indica que autoproteção e evitação de doenças estão associadas, especialmente em pessoas que acreditam que o mundo é perigoso e que se consideram vulneráveis às doenças (Neuberg et al., 2011; Neel et al., 2016). Acreditamos que esses motivos apresentaram alta pontuação devido ao risco de morte associado à pandemia do Covid-19, uma vez que a coleta de dados ocorreu imediatamente após a terceira onda de contágio. Neste período, os brasileiros ainda estavam em estado de alerta, sob recomendações de uso das máscaras e regras de evitar espaços fechados e aglomerados. Estudos que comparam os motivos sociais fundamentais antes e durante a pandemia (em diversos países, incluindo o Brasil), encontraram um aumento significativo do motivo evitação de doenças devido a pandemia, bem como uma maior expressão do motivo de cuidado (família) (Pick et al., 2022b). Além disso, os motivos de afiliação grupo e independência representam duas necessidades concorrentes: o desejo de fazer parte de um grupo e o desejo de estar sozinho, respectivamente (Neel et al., 2016). Estes motivos também podem ter sido exacerbados simultaneamente pela pandemia, considerando as restrições sociais e a necessidade de equilibrar o convívio em grupo e o isolamento para evitar a disseminação do vírus. Por outro lado, constatamos que os motivos de busca por parceiros, preocupação com o término do relacionamento e cuidado com os filhos apresentaram baixa pontuação na análise geral. Estes motivos estão relacionados a desafios reprodutivos específicos de determinadas fases do desenvolvimento, o que se tornou evidente quando os motivos foram avaliados em diferentes faixas-etárias ou entre pessoas com diferentes rendas. Por exemplo, muitos jovens não possuem filhos, o que resultou na baixa pontuação geral do motivo cuidado (filhos). Além disso, as preocupações relacionadas à autopreservação em função da pandemia podem ter reduzido a expressão relativa dos motivos relacionados à busca e a retenção de parceiros (Pick et al., 2022b). 78 A idade influenciou a expressão dos motivos. Confirmamos a primeira hipótese de que a faixa etária mais jovem apresentou maior pontuação que as demais faixas etárias nos motivos afiliação (independência), afiliação (exclusão), status e busca por parceiros, sendo ainda que afiliação (exclusão) e busca por status apresentaram elevada pontuação frente aos demais motivos nesta faixa-etária. O motivo afiliação facilita a obtenção de outros objetivos sociais, como adquirir recursos, encontrar um companheiro e cuidar de parentes. Este motivo está geralmente associado à busca por status, que também é mais elevado em jovens, fase na qual muitos buscam independência e seu próprio sustento. Ao mesmo tempo, o medo da exclusão social é uma preocupação válida nos jovens, pois nesta fase se busca estabelecer posições sociais de liderança, obter respeito e boa reputação (Kenrick et al., 2010). Para o motivo busca por parceiro, um resultado semelhante foi encontrado por Pick et al. (2022b), que pessoas mais jovens são mais engajadas em comportamentos de busca por parceiros, destacando um achado bem estabelecido na literatura sobre estratégias reprodutivas. O motivo de busca de parceiro pode ser ativado por fatores externos, como as interações com pessoas consideradas desejáveis, ou internos, como hormônios, o que faz com que pessoas jovens sejam mais expostas à essas situações (Griskevicius & Kenrick, 2013). Frente às demais faixas-etárias, os adultos jovens apresentaram as mais baixas pontuações em retenção de parceiros e cuidado com os filhos. Este achado pode ser um subproduto da valorização das demais motivações, sendo estas últimas mais relevantes em pessoas com idade avançada (Neel et al., 2016). Ainda com relação a idade, os resultados a segunda hipótese ao mostrar que as faixas etárias mais velhas apresentam maior pontuação em retenção de parceiros e cuidado (filhos). Enquanto o motivo de retenção de parceiros foi predominante entre as pessoas de 30 até 39 anos, o motivo cuidado (filhos) recebeu maior avaliação nas pessoas com 40 anos ou mais. Neel et al. (2016), sugere que à medida que as pessoas envelhecem seus relacionamentos já existentes se tornam mais estáveis, o que reduz sua motivação para a busca de novos relacionamentos. 79 Além disso, espera-se que muitas conquistas sociais estejam consolidadas na idade mais avançada, o que as leva a pensar em ações voltadas aos mais próximos, resultando em maior motivação para cuidado de parentes (família e filhos) (Neel et al., 2016). De forma geral os achados sugerem que no início da vida adulta predominam motivos relacionados a busca por independência, pertencimento ao grupo, busca por status e parceiros para acasalamento, já o final da vida adulta é caracterizado por motivos relacionados à retenção dos parceiros e cuidado com os filhos. A renda também influenciou a expressão dos motivos sociais fundamentais, e a relação entre as diferentes rendas e a expressão dos motivos, sugere que ela modula a intensidade da expressão dos motivos. Hipotetizamos que, em contraste as pessoas com menor renda, apresentariam maior motivação para autoproteção e evitação de doenças. Ao comparar diretamente os grupos, verificamos que a autoproteção apresentou as maiores pontuações nas pessoas de baixa renda, e sua pontuação decresceu à medida que a renda aumenta. Ao contrastar os motivos, tanto autoproteção, quanto evitação de doenças apresentaram a maior pontuação nas pessoas com menor renda e a menor pontuação nas pessoas com as maiores rendas. A relação negativa de renda e autoproteção se justifica pelo fato de que a vulnerabilidade social e exposição aos riscos podem desencadear maior preocupação com o próprio bem-estar (Neel et al., 2016). Além disso, é possível argumentar que a pandemia pode ter reduzido as diferenças para evitação de doenças entre os grupos com diferentes rendas, atenuando o efeito previsto. Um resultado não esperado é que pessoas de renda mais baixa também diferiram com relação aos outros grupos com a maior média percentual em afiliação (independência). Neel et al. (2016) sugerem que alguns motivos, como afiliação (independência), podem exibir variabilidade considerável entre os indivíduos. Esta ideia pressupõe uma explicação por estratégias individuais, o que pode contrariar os resultados encontrados neste estudo. O fato de que pessoas de renda mais baixa estarem mais preocupadas com sua independência pode revelar 80 o quadro de vulnerabilidade social. No Brasil, pessoas que vivem com renda muito baixa, estão em vulnerabilidade social e, portanto, em risco social de não conseguir desenvolver adequadamente ou de não conseguir realizar suas potencialidades, comprometendo sua capacidade para independência social (Lorenzo, 2005). Ao mesmo tempo, há o enfrentamento da situação de insegurança gerada pela pobreza, sinalizando um comportamento resiliente (Lorenzo, 2005), que pode estar sendo expressa pela alta motivação para independência, Também foram observadas as menores expressões do motivo cuidado (filhos) nas pessoas com baixa renda, revelando mais uma fragilidade gerada pela instabilidade de uma renda muito baixa, o menor investimento parental. Por outro lado, as pessoas com as maiores rendas apresentaram maiores níveis de cuidado com os filhos. Neel et al. (2016) também encontraram os mesmos resultados quando investigou a relação entre a renda e o cuidado (filhos). Esses dados mostram que essas pessoas têm uma melhor estabilidade no seu ambiente atual, o que lhes permite investir de forma constante na criação dos filhos. Estudo sobre estratégias de história de vida, ou seja, sobre como as condições ecológicas podemalterar a forma que os animais de uma mesma espécie alocam energia de forma diferente, apontam que a estabilidade pode gerar um maior investimento na prole (Kenrick & Griskevicius, 2015). Acredita-se que os humanos ancestrais conviviam com diversas restrições ambientais, ora relacionadas a ameaças de sobrevivência, ora a oportunidades reprodutivas (Sacco et al., 2016). Uma análise geral do impacto da renda nos motivos fundamentais sugere que pessoas de baixa renda estão preocupadas com ameaças a sua integridade física (perigo) e oportunidades que impactam de forma positiva a qualidade de suas vidas (afiliação independência). Por outro lado, as pessoas de renda mais alta já possuem certo domínio sobre algumas ameaças ambientais, permitindo alocar seus esforços energéticos para as oportunidades ambientais como ter maiores níveis de investimento parental. 81 Detalhando o efeito do sexo, verificamos que os homens apresentaram maior pontuação por busca por parceiros e mulheres apresentam maior pontuação para retenção de parceiros, o que está em acordo com resultados esperados para diferenças entre os sexos (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016; Pick et al., 2022b). Este achado se justifica pela possibilidade de aumento de potencial reprodutivo do homem sempre que encontra uma nova parceira, o que não ocorre para mulheres, levando em conta os custos e tempo dispensados para a gravidez e lactação (Kerinck et al., 2010). Contudo, homens e mulheres apresentaram pontuação similar para o motivo de cuidado (filhos), contrariando a quarta hipótese. Ao contrário dos nossos achados, é esperado que mulheres apresentem maiores pontuações para essa motivação (Ko et al., 2020; Neel et al., 2016) devido ao maior investimento da mulher no cuidado parental, visando garantir seu sucesso reprodutivo com qualidade (Schaller, 2018). Esses achados podem expressar uma tendência social em direção à igualdade no cuidado entre os sexos (ou pelo menos uma preocupação para isso). Além disso, é possível considerar um efeito reduzido por sexo, influenciado pelo contexto da pandemia, com as pessoas predominantemente em casa e com seus outros papeis sociais reduzidos, resultando em comportamentos de cuidado equivalente entre os sexos. Nosso estudo apresenta limitações. A primeira é uma quantidade não balanceada de participantes nas faixas etárias. A subamostra de pessoas acima de 50 anos é menor que a das demais faixas-etárias, o que pode afetar a representatividade do grupo de pessoas idosas e reduzir a capacidade de generalização dos resultados para este grupo em específico. Além disso, não foram investigadas variáveis, como escolaridade, fatores da história de vida dos participantes ou outras diferenças individuais. Além disso, a amostra possui um nível de escolaridade alto, e por isso não foi possível considerar essa variável para avaliar possíveis diferenças. Estudos futuros podem incluir uma ampliação da amostra de pessoas mais velhas e outros níveis de escolaridade, bem como abordar mais variáveis que podem estar relacionadas 82 com os motivos sociais fundamentais. Também, é relevante repetir o estudo para verificar se as diferenças nas motivações ainda permanecem em um contexto não-pandêmico. Estudos futuros que explorem como os participantes podem se agrupar de acordo com a expressão das motivações podem trazer novos insights e aprofundar as investigações sobre o tema. O método utilizado para este estudo pode ser útil para replicação em outras regiões, visando investigar possíveis diferenças culturais. Por fim, acreditamos que a comparação das diferentes teorias evolucionistas sobre a motivação humana é válida e pode enriquecer a compreensão dessa área de estudo. Este estudo demonstrou consistência e correspondência com as poucas pesquisas que relacionam os motivos sociais fundamentais com variáveis sociodemográficas, contribuindo para a confirmação e estabelecimento de algumas tendências nas motivações sociais humanas. Nossos resultados apontam para duas tendências principais: o cuidado familiar é a motivação central na espécie humana e a influência da idade, da renda e do sexo nas diferenças encontradas entre os grupos. Os resultados revelam que adultos jovens estão mais motivados a buscar sua independência, evitar serem excluídos do grupo social, buscar status e parceiros para acasalamento. À medida que a idade avança, observou-se um aumento nas motivações relacionadas ao cuidado com os parceiros e filhos, ou seja, comportamentos voltados para os outros. A renda atua como variável moduladora, pois os resultados sugerem que quanto maior a renda menor são as preocupações com autoproteção e ser independente, e maior é o cuidado direcionado à família. Por último os dados encontraram as diferenças reprodutivas já bastante estudadas entre os sexos e previstas pela assimetria sexual no investimento parental. Além destes achados, os resultados obtidos na amostra estudada também sugerem que, em virtude da realidade social e da pandemia, alguns motivos podem estar expressos de forma específica, como é o caso da autoproteção, que se mostrou acima da média em todas as situações experimentais, e a ausência de diferenças encontradas para cuidado (filhos) entre os sexos. 83 Nossos dados reforçam a ideia de que os sistemas motivacionais promovem o gerenciamento da vida social e que diferentes motivações sociais fundamentais são priorizadas ao longo da vida. Além disso, este estudo destaca a importância de compreender como as diferenças individuais podem influenciar a expressão dos motivos sociais fundamentais, fornecendo subsídios para a compreensão da diversidade comportamental em nossa espécie. 84 Referências Anderson, C., Hildreth, J. A. D., & Howland, L. (2015). Is the desire for status a fundamental human motive? A review of the empirical literature. Psychological Bulletin, 141(3), 574–601. https://doi.org/10.1037/a0038781 Aunger, R., & Curtis, V. (2013). The Anatomy of Motivation: An Evolutionary-Ecological Approach. Biological Theory, 8(1), 49–63. https://doi.org/10.1007/s13752-013-0101-7 Becker, D. V., Anderson, U. S., Neuberg S. L., Maner, J. K., Shapiro J. R., Ackerman, J. M., Schaller, M., & Kenrick D. T. (2010). More Memory Bang for the Attentional Buck: Self-Protection Goals Enhance Encoding Efficiency for Potentially Threatening Males. Social Psychological and Personality Science. 1(2), 182-189. https://doi.org/10.1177/1948550609359202 Bernard, L. C., Mills, M., Swenson, L., Walsh, R. P. (2005). An Evolutionary Theory of Human Motivation. Genetic, Social, and General Psychology Monographs, 131(2), 129- 184. https://doi.org/10.3200/MONO.131.2.129-184 Billet, M. I., McCall, H. C., & Schaller, M. (2023). What Motives Do People Most Want to Know About When Meeting Another Person? An Investigation Into Prioritization of Information About Seven Fundamental Motives. Personality and Social Psychology Bulletin, 49(4), 495-509. https://doi.org/10.1177/01461672211069468 Bugental, D. B. (2000). Acquisition of the algorithms of social life: A domain-based approach. Psychological Bulletin, 126(2), 187–219. https://doi.org/10.1037/0033- 2909.126.2.187 Kenrick, D.T., Sadalla, E.K., Groth, G. & Trost, M.R. (1990). Evolution, Traits, and the Stages of Human Courtship: Qualifying the Parental Investment Model. Journal of Personality, 58(1), 97-116. https://doi.org/10.1111/j.1467-6494.1990.tb00909.x 85 Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. https://doi.org/10.1177/1745691610369469 Kenrick, D.T. & Griskevicius, V. (2015). Life history, fundamental motives, and sexual competition, Current Opinion in Psychology, 1, 40-44. https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2014.12.002Ko, A., Pick, C. M., Kwon, J. Y., Barlev, M., Krems, J. A., Varnum, M. E. W., Neel, R., Peysha, M., Boonyasiriwat, W., Brandstätter, E., Crispim, A. C., Cruz, J. E., David, D., David, O. A., DeFelipe, R. P., Fetvadjiev, V. H., Fischer, R., Galdi, S., Galindo, O., . . . Kenrick, D. T. (2020). Family matters: Rethinking the psychology of human social motivation. Perspectives on Psychological Science, 15(1), 173–201. https://doi.org/10.1177/1745691619872986 Hill K, Hurtado AM. (2009). Cooperative breeding in South American hunter-gatherers. Proceedings of the Royal Society Biological Sciences, 276, 3863-3870. https://doi.org/10.1098/rspb.2009.1061 Griskevicius, V., & Kenrick, D. T. (2013). Fundamental motives: How evolutionary needs influence consumer behavior. Journal of Consumer Psychology, 23(3), 372-386. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.03.003 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013). Características Étnico-raciais da População: classificações e identidades. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv63405.pdf Lorenzo, C. (2006). Vulnerabilidade em Saúde Pública: implicações para as políticas públicas. Revista Brasileira De Bioética, 2(3), 299–312. https://periodicos.unb.br/index.php/rbb/article/view/7986 86 Maner, J. K., Kenrick, D. T., Becker, D. V., Robertson, T. E., Hofer, B., Neuberg, S. L., Delton, A. W., Butner, J., & Schaller, M. (2005). Functional projection: How fundamental social motives can bias interpersonal perception. Journal of Personality and Social Psychology, 88(1), 63–78. https://doi.org/10.1037/0022-3514.88.1.63 MacDonald, G., & Leary, M. R. (2005). Why Does Social Exclusion Hurt? The Relationship Between Social and Physical Pain. Psychological Bulletin, 131(2), 202–223. https://doi.org/10.1037/0033-2909.131.2.202 Neel, R., Kenrick, D. T., White, A. E., & Neuberg, S. L. (2016). Individual differences in fundamental social motives. Journal of Personality and Social Psychology, 110(6), 887–907. https://doi.org/10.1037/pspp0000068 Nesse, R. M. (2005). Natural selection and the regulation of defenses: A signal detection analysis of the smoke detector principle. Evolution and Human Behavior, 26(1), 88– 105. https://doi.org/10.1016/j.evolhumbehav.2004.08.002 Neuberg, S. L., Kenrick, D. T., & Schaller M. (2011). Human threat management systems: self-protection and disease avoidance. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 35(4), 1042-1051. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2010.08.011 Pick, C. M., Ko, A., Wormley, A. S., Wiezel, A., Kenrick, D. T., Al-Shawaf, L., Barry, O., Bereby-Meyer, Y., Boonyasiriwat, W., Brandstätter, E., Crispim, A. C., Cruz, J. E., David, D., David, O. A., Defelipe, R. P., Elmas, P., Espinosa, A., Fernandez, A. M., Fetvadjiev, V. H., … Varnum, M. E. W. (2022a). Family still matters: Human social motivation across 42 countries during a global pandemic. Evolution and Human Behavior, 43(6), 527-535. https://doi.org/10.1016/j.evolhumbehav.2022.09.003 Pick, C., Ko, A., Kenrick, D. T., Wiezel, A., Wormley, A. S., Awad, E., Al-Shawaf, L., Barry, O., Bereby-Meyer, Y, Boonyasiriwat, W., Brandstätter, E., Ceylan-Batur, S., Choy, B. K.C., Crispim, A. C., Cruz, J. E., David, D., David, O. A., Defelipe, R. P., Elmas, … 87 Varnum, M. E. W. (2022b). Fundamental social motives measured across 42 cultures in two waves. Scientific Data, 9(499), 1-12. https://doi.org/10.1038/s41597-022-01579-w Rodríguez, J. S., Jacinto, L. G., Mendieta, I. H., Brunet, N. D. P., & Pereira, M. B. (2023). Motivated to compete but not to care: The fundamental social motives of risk-taking behaviors. Personality and Individual Differences, 205, 1-7. https://doi.org/10.1016/j.paid.2023.112093 Sacco, D. F., Brown, M., Lustgraaf, C. (2016). The relation between individual differences in Fundamental social motives and adaptive face perception. Human Ethology Bulletin, 31 (3), 25-33. https://doi.org/10.22330/heb/311/025033 Schmitt, D. (2005). Sociosexuality from Argentina to Zimbabwe: A 48-nation study of sex, culture, and strategies of human mating. Behavioral and Brain Sciences, 28(2), 247- 275. https://doi.org/10.1017/S0140525X05000051 Schaller, M., Kenrick, D.T., Neel, R., & Neuberg, S.L. (2017). Evolution and human motivation: A fundamental motives framework. Social and Personality Psychology Compass, 11(6), e12319. https://doi.org/10.1111/spc3.12319 Schaller, M. (2018). The parental care motivational system and why it matters (for everyone). Current Directions in Psychological Science. 27(5), 295–301. https://doi.org/10.1177/0963721418767873 Todorov, J. C., & Moreira, M. B. (2005). O Conceito de Motivação na Psicologia. Revista Brasileira De Terapia Comportamental E Cognitiva, 7(1), 119–132. https://doi.org/10.31505/rbtcc.v7i1.47 Ventura, K. S., Reis, L. F. R., & Takayanagui, A. M. M. (2010). Avaliação do gerenciamento de resíduos de serviços de saúde por meio de indicadores de desempenho. Engenharia Sanitária e Ambiental, 15(2), 167-176. https://doi.org/10.1590/S1413- 41522010000200009 88 Zamir, E. (2014). Loss Aversion: An Overview. In: Oxford University Press (ed.). Law, Psychology, and Morality: The Role of Loss Aversion (pp. 3-50). https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199972050.003.0001 89 Estudo 3 Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente Nivia de Araújo Lopes Felipe Nalon Castro Pós-graduação em Psicobiologia, Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Periódico: Journal of Personality and Social Psychology Classificação QUALIS: A1 Status da publicação: a ser submetido. 90 Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente Nivia de A. Lopes e Felipe N. Castro Departamento de fisiologia e comportamento, Universidade Federal do Rio Grande do Norte Nota do autor Nivia de Araújo Lopes https://orcid.org/0000-0003-4421-9533 Felipe N. Castro https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 Este estudo não foi pré-registrado. Todos os dados foram disponibilizados publicamente no Open Science Frameowork e podem ser acessados em [indicar aqui o endereço para acesso aos dados quando forem submetidos]. Este artigo é baseado na tese de doutorado de Lopes (2023). Não temos conflitos de interesse a divulgar. Agradecemos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001. Este estudo foi financiado pela CAPES e pelo Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Correspondência referente a este artigo deve ser endereçada a Felipe N. Castro, Laboratório de Evolução do Comportamento Humano, Departamento de Fisiologia e Comportamento, Centro de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil. E-mail: felipe.castro@ufrn.br https://orcid.org/0000-0002-6690-5182 91 Resumo O consumo consciente pode minimizar os efeitos nocivos dos impactos da ação humana no meio ambiente e a abordagem dos motivos sociais fundamentais pode ajudar a entender nossas tendências ao consumo. O objetivo deste estudo é analisar agrupamentos baseados em perfis motivacionais e características individuais e identificar diferenças no comportamento de consumo consciente. Participaram da pesquisa adultos com idade de 18 a 75 anos de ambos os sexos, residentes no Brasil. A amostra consistiu em 539 indivíduos que forneceram informações sociodemográficas e responderam o inventário de motivos sociais fundamentais e o questionário de consumo consciente. Os participantes foram agrupados em quatro perfis motivacionais que apresentam diferentes níveis de consumo consciente. Os resultados sugerem que pessoas motivadas ao cuidado dos filhos consomem de forma mais consciente; que as pessoasque buscam evitar doenças, que são preocupadas com sua integridade física e prezam por sua independência apresentam níveis moderados de consumo consciente; e que, tanto aquelas motivadas para a busca por status e parceiros amorosos, quanto as que buscam reter seus parceiros amorosos, apresentam os menores níveis de consumo consciente. São discutidas possíveis explicações para o comportamento de cada um dos grupos. Este estudo identificou e descreveu agrupamentos de pessoas com diferentes perfis motivacionais e contribuiu para indicar que as motivações evolucionistas podem ajudar a compreender o comportamento de consumo consciente. Palavras-chaves: motivação, evolução do comportamento, cuidado parental, status, estratégias reprodutivas, consumo parcimonioso. 92 Abstract Conscious consumption can minimize the harmful effects of human action on the environment, and the approach to fundamental social motives can help understand our consumption trends. The aim of this study is to exploratively investigate conscious consumption behavior based on fundamental social motivations. Adults aged 18 to 75 of both genders residing in Brazil participated in the research. The sample consisted of 539 individuals who provided sociodemographic information and responded to the inventory of fundamental social motives and the conscious consumption questionnaire. Participants were grouped into four motivational profiles that exhibit different levels of conscious consumption. The results suggest that individuals motivated by childcare consume more consciously; those seeking to avoid illness, concerned about their physical well-being, and valuing their independence show moderate levels of conscious consumption; and both those motivated by the pursuit of status and romantic partners and those seeking to retain their romantic partners exhibit the lowest levels of conscious consumption. Possible explanations for the behavior of each of the groups are discussed. This study identified and described clusters of individuals with different motivational profiles and contributed to indicating that evolutionary motivations can help understand conscious consumption behavior, expanding and generating a new field of study in the area. Keywords: motivation, behavior evolution, parental care, status, reproductive strategies, frugal consumption. 93 Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente Os comportamentos que promovem cuidados com o meio ambiente são investigados em diferentes áreas do conhecimento e muitos estão relacionados a compra de bens de consumo. Três conceitos amplamente utilizados para tratar do consumo que favorece o meio ambiente são o consumo verde, o consumo consciente e o consumo sustentável (Costa & Teodósio, 2011). De acordo com Silva et al. (2013), o consumo verde está estritamente relacionado a preservação ambiental, o consumo sustentável leva em consideração ações coletivas e o consciente considera ações individuais relacionadas ao consumo. O consumo verde envolve comportamentos de consumo que promovem a conservação do ambiente natural, como consumo de alimentos orgânicos e produtos que utilizam materiais reciclados (Portilho, 2005). Já o consumo sustentável considera ações coletivas, políticas, os impactos nas esferas pública e privada, bem como a visão de que problemas ambientais, econômicos e sociais estão relacionados. Os adeptos desta forma de consumo consideram que as ameaças originadas do modelo de consumo atual podem ser enfrentadas por ações locais e globais (Silva, 2012). Por sua vez, o consumo consciente é um conceito intermediário pois, além do consumo ligado à preservação ambiental, engloba preocupações relacionadas à cadeia produtiva, seus elementos sociais e impactos do consumo, mas se restringe a escolha individual. Este consumo considera a satisfação pessoal, ambiental e social nas escolhas de consumo. Por exemplo, na preocupação dos consumidores em conhecer particularidades das marcas, em como as empresas tratam seus funcionários e a origem dos produtos. Neste estudo, empregamos o conceito de consumo consciente, utilizado em estudos na área da Administração, Sociologia e Psicologia. O consumo consciente é um comportamento que explicita a preocupação com o uso parcimonioso dos recursos naturais. O consumo consciente considera o pré-uso, o uso e pós-uso dos produtos. Comportamentos relacionados ao pré-uso dos produtos envolvem o planejamento e a compra, 94 como a busca por produtos verdes, recicláveis, sem agrotóxicos e que apresentam identidade com causas ecológicas. O uso está ligado diretamente ao consumo, como reduzir desperdícios, otimizar o uso de energia e a manter os bens de consumo duráveis de forma adequada para ampliar sua vida útil. Por fim, o pós-uso é preocupação após do consumo, como a reciclagem e a reutilização do produto, bem como a eliminação segura dos resíduos (Ribeiro & Veiga, 2011). Como exemplos de comportamentos relacionados ao consumo consciente podemos citar: economia de energia e água, compra de produtos orgânicos, escolha de produtos em que há um processo de produção menos danoso, compra de mercadorias produzidas localmente, cuidado com o destino dos resíduos, economia no uso e conservação máxima de bens duráveis, e a reforma de bens para reutilização (Ribeiro & Veiga, 2011). Além disso, Ribeiro e Veiga (2011) apontam que o consumo consciente envolve a consciência ecológica, economia de recursos, reciclagem e frugalidade. A consciência ecológica pode ser identificada pelas atitudes que envolvem a busca serviços e produtos ecologicamente corretos. A economia de recursos envolve comportamentos de economia, racionalidade e aumento do tempo de vida útil dos bens. A reciclagem corresponde aos cuidados com o descarte, reuso e reaproveitamento dos produtos. Por último, a frugalidade, que se refere à comportamentos de alternativos de consumo, como compra de produtos usados, aluguel de produtos ao invés da compra, e sua reutilização. Diferenças individuais, como o sexo, a renda e a idade parecem influenciar o comportamento de consumo consciente, porém ainda não existe um consenso sobre seus efeitos. Diversos estudos verificaram que o sexo não influencia as preocupações ou valores ambientais (Gifford & Nilsson, 2014), alguns indicam atitudes e comportamentos pró-ambientais são predominantes nas mulheres (Gifford & Nilsson, 2014; Straughan & Roberts, 1999), enquanto outros encontram diferenças sexuais apenas em itens específicos dos instrumentos utilizados na coleta de dados (Rodrigues et al., 2013; Santos, 2021; Silva et al., 2012; Silva et al., 2015). 95 Algumas pesquisas sugerem que pessoas com maior renda apresentam maior preocupação pró- ambiental, já outras relatam que pessoas com menor renda estão mais preocupadas com o meio ambiente (Straughan & Roberts, 1999; Nawrotzki & Pampel, 2012). Apesar de aparentemente contraditórios, estes resultados podem ocorrer por motivos diferentes. Enquanto pessoas com alta renda apresentam recursos suficientes para investir em escolhas verdes, aquelas com baixa renda podem apresentar comportamentos pró-ambientais por depender diretamente do meio ambiente para seu sustento (Nawrotzki & Pampel, 2012). Além disso, Gifford e Nilsson (2014) observaram que pessoas com diferentes idades apresentam níveis similares de preocupação com o ambiente, contudo os comportamentos pró-ambientais seriam observados apenas nas mais velhas (Gifford & Nilsson, 2014). No Brasil, um estudo verificou que os comportamentos sustentáveis não variaram em função da idade, sexo ou classe social, mas foram identificadas barreiras (ex. percepção de impotência) e gatilhos (ex. percepção de economia) que influenciam na adoção destes comportamentos (Akatu, 2015). Os estudos que abordam as variáveis demográficas são importantes,pois permitem investigar algumas origens e causas dos comportamentos em favor do meio ambiente. Estas pesquisas se somam as que investigam normas, atitudes, opiniões, crenças, valores, emoções e os motivos que desencadeiam comportamentos ambientalmente relevantes (van Vugt et al., 2014). Investigar os motivos que antecedem o comportamento pode ampliar a compreensão a respeito do comportamento de consumo que favorece o meio ambiente. Neste sentido, a teoria dos motivos sociais fundamentais pode contribuir, pois ela é a amplamente utilizada para investigar nossas motivações relacionadas ao consumo. Os seus autores defendem a presença de sete motivos relacionados a aptidão humana que influenciam o nosso comportamento, sendo eles evitar doenças, autoproteção, afiliação, status, buscar parceiros, reter parceiros e cuidar da família (Kenrick et al., 2010). Neel et al. (2016), desenvolveu uma escala para medir os motivos sociais fundamentais e encontrou, além dos sete motivos, mais quatro subescalas, totalizando 96 onze fatores: autoproteção, evitar doenças; status; afiliação (grupo); afiliação (independência); afiliação (exclusão); busca por parceiros; retenção de parceiros; preocupação com o término; cuidado (família); e cuidado (filhos). Embora valores e atitudes possam explicar grande parte dos consumos benéficos para o meio ambiente (Max-Neef, 1991; Oliveira et al., 2019), há elementos implícitos, não conscientes para o indivíduo, que podem influenciar nossas ações, como as motivações. A abordagem dos motivos sociais fundamentais permite compreender algumas razões pelas quais pessoas com diferentes características sociodemográficas realizam o consumo consciente. Por exemplo, um estudo encontrou que o consumo de produtos considerados verdes e que são mais caros que os tradicionais, está relacionado ao motivo aquisição de status, sugerindo que o consumo consciente de produtos verdes de forma conspícua aumenta o status do indivíduo no grupo social (Griskevicius et al. 2010). Outro estudo evidenciou que a autoproteção induz a conformidade com o grupo (Griskevicius et al., 2006), o que pode ser favorável a comportamentos em prol da coletividade caso as pessoas percebam que esses comportamentos fazem parte de normas socialmente aceitas (Geiger & Brick, 2023). Um terceiro estudo analisou a motivação para reter parceiro e sua relação com comportamentos de caridade e o consumo de produtos luxuosos, foi observado que mulheres preocupadas em reter seus parceiros tenderam a gastar com causas úteis, mas apenas se estes comportamentos ocorriam de forma pública (Griskevicius et al., 2007). Estes achados destacam a importância de investigar os motivos que predizem o comportamento de consumo consciente. Considerar os fatores biológicos e evolutivos que embasam nosso comportamento pode resultar na compreensão mais completa das atividades ambientais humanas, ampliando expressão do consumo consciente ou mesmo a quantidade de pessoas que realizam esse comportamento (van Vugt et al., 2014). Devemos compreender a natureza humana para que possamos implementar práticas que gerem resultados válidos e de forma mais eficiente. 97 Investigar as causas últimas do comportamento pode contribuir com teorias ambientais consolidadas como a do quadro de valores (Shwartz, 1992, citado em van Vugt et al., 2014) ou a do valor-crença-norma do ambientalismo (Stern, 2000, citado em van Vugt et al., 2014), e tantas outras interessantes que atuam com causas próximas (van Vugt et al., 2014). Dessa forma é interessante investigar a relação que pode ser encontrada entre os motivos sociais fundamentais, com base na abordagem evolucionista, as diferenças individuas e se estes têm uma relação com o consumo consciente. O objetivo deste estudo foi analisar agrupamentos baseados em perfis motivacionais e características individuais e identificar diferenças no comportamento de consumo consciente. Método Procedimentos de amostragem Os participantes foram recrutados em redes sociais e por correio eletrônico, onde a pesquisa foi descrita e um link de acesso foi fornecido (APÊNDICE A). A pesquisa foi divulgada no perfil pessoal da pesquisadora, em perfis de laboratórios da universidade, e-mail institucional e em aplicativos de mensagens instantâneas. A amostra foi por conveniência. O tamanho da amostra intencional (N = 400) foi calculado para uma população heterogênea acima de 100 mil habitantes com margem de erro de 5% (Arkin & Colton, 1963, apud Ventura et al., 2010). A amostra alcançada foi N = 585. A coleta de dados ocorreu online na plataforma Google Forms de abril e novembro de 2022, com duração aproximada de 20 minutos. Todos os participantes foram voluntários e não receberam pagamento. Este estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos local, sob parecer número: 5.171.745 (ANEXO A). Todos os participantes incluídos no estudo consentiram em participar da pesquisa e com a publicação dos dados da pesquisa através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (APÊNDICE B). 98 Participantes Participaram deste estudo 539 indivíduos (354 mulheres) de ambos os sexos residentes no Brasil. O critério para exclusão foi estar abaixo de 18 anos de idade e ter respondido algum dos instrumentos de forma incompleta. A idade dos respondentes variou de 18 a 75 anos, com média de 34,97 (DP=12,21) anos. Conforme critério do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013) de classificação da cor da pele, a amostra consistiu em 59,74% de indivíduos brancos, 33,40% pardos, 5,19% pretos, 1,48% de descendentes asiáticos (japoneses, chineses e coreanos) e 0,19% indígenas. De acordo com a escolaridade, 11,13% afirmaram ter completado o ensino médio, 33,77% completaram o ensino superior e 55,10% completaram cursos de pós- graduação. Em termos da orientação sexual, 76,99% se declararam exclusivamente heterossexual, 6,86% exclusivamente homossexual e 16,15% em outras categorias intermediárias. Medidas e Instrumentos Os participantes forneceram informações sociodemográficas, responderam o inventário de motivos sociais fundamentais e o questionário de consumo consciente. As informações socioeconômicas foram sexo, idade, cor de pele, escolaridade, orientação sexual, status do relacionamento (com ou sem relacionamento amoroso), renda familiar em salários-mínimos (SM), local de residência e se possuem filhos (APÊNDICE C). O Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF) foi criado e validado por Neel et al. (2016) e consiste em 66 afirmativas que mensuram os sete motivos sociais fundamentais acrescidos de quatro subescalas dos participantes no momento da aplicação. Ao todo o instrumento mensura onze fatores: autoproteção, evitação de doenças, status, afiliação (grupo), afiliação (independência), afiliação (exclusão), busca por parceiros, retenção de parceiros, preocupação com o término, cuidado (família) e cuidado (filhos). Os participantes indicavam sua concordância com cada afirmativa por meio de uma escala tipo Likert de 7 pontos (indo de 99 “discordo fortemente” até “concordo fortemente”) (ANEXO B). Participantes que não possuíam filhos foram instruídos a não pontuar as afirmações relacionadas ao cuidado com os filhos, enquanto os participantes que não estavam em relacionamento amoroso foram instruídos a não pontuar as afirmações relacionadas a retenção de parceiros e preocupação com o término. A consistência interna de cada um dos motivos foi mensurada pelo coeficiente alfa de Cronbach: autoproteção com α = 0,81, evitação de doenças com α = 0,67, status com α = 0,74, afiliação (grupo) com α = 0,75, afiliação (independência) com α = 0,80, afiliação (exclusão) com α = 0,88, busca por parceiros com α = 0,77, retenção de parceiros com α = 0,62, preocupação com o término com α = 0,88, cuidado (família) com α = 0,89,cuidado (filhos) com α = 0,62. O Questionário de Consumo Consciente foi desenvolvido pelo instituto AKATU, uma organização não governamental sem fins lucrativos que avalia e incentiva o consumo consciente no Brasil. Por meio do questionário de consumo consciente, o instituto AKATU fornece resultados e sugestões para reduzir o impacto das escolhas de consumo dos brasileiros. Ele consiste em 55 afirmações que abordam atitudes e comportamentos relacionados ao consumo consciente. Por exemplo, a afirmação “Ter coisas em casa e não usá-las significa um desperdício de recursos da natureza como a água, energia e matérias-primas usadas na fabricação” representa uma atitude, enquanto a afirmação “No último ano, deixei de comprar produtos ou serviços de uma empresa por saber que ela prejudica seus empregados, a sociedade ou o meio ambiente” descreve um comportamento (ANEXO C). Os participantes indicaram a concordância com as afirmações por meio de uma escala Likert 7 pontos (indo de “discordo fortemente” até “concordo fortemente”). Neste estudo, as alternativas de resposta foram modificadas para permitir o cálculo do escore médio da avaliação das afirmações do questionário. A consistência interna mensurada pelo coeficiente alfa de Cronbach foi α = 0,89. 100 Procedimento Os participantes constituíram a unidade de investigação nessa investigação. A coleta de informações aconteceu por meio de questionários online empregando a plataforma Google Forms. Os participantes foram recrutados por aplicativos de mensagens instantâneas, redes sociais e e-mail institucional. Após lerem o TCLE e concordarem em participar, os participantes foram direcionados para uma página contendo os instrumentos de pesquisa. Ao fim do preenchimento dos questionários, os participantes foram agradecidos e dispensados. Análise de dados Conduzimos uma análise de Cluster para agrupar os participantes com base nas similaridades da expressão dos motivos sociais fundamentais, utilizando os itens do Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (Neel et al., 2016). Neste procedimento, o número ideal de grupos foi determinado ao agrupar os participantes (casos) de acordo com suas respostas do questionário utilizando o método Between groups linkage com a distância euclidiana quadrada. O número de grupos foi baseado no coeficiente de maior distância entre os grupos no arranjo de aglomeração (agglomeration schedule). Para descrever os grupos obtidos, verificamos a relação entre os grupos e as variáveis sexo (masculino e feminino), relacionamento amoroso (sem relacionamento e com relacionamento) e presença de filhos (não e sim) com testes qui- quadrado de independência. Comparamos diferenças entre os grupos para as variáveis idade e renda por meio de um Modelo Linear Geral (GLM) para medidas independentes (post hoc Bonferroni) e do teste H de Kruskal-Wallis (post hoc Tamhane), respectivamente. A influência dos grupos no consumo consciente foi investigada utilizando o teste GLM. A variável independente nesta análise foi os grupos originados a partir da análise de Cluster, enquanto a pontuação dos participantes obtida no Questionário de Consumo Consciente foi a variável dependente. A significância estatística foi 5% em todas as análises. Todos os dados foram analisados utilizando o IBM SPSS Statistics, Versão 26. 101 Resultados O modelo que mais se adequou à amostra identificou quatro grupos. Os testes de qui- quadrado de independência revelaram que alguns grupos apresentam diferentes composições de participantes de acordo com o sexo (χ²(3) = 15,639; p = 0,001), envolvimento em relacionamento amoroso (χ²(3) = 445,196; p < 0,001) e presença de filhos (χ²(3) = 526,027; p < 0,001). Além disso, os participantes nos grupos diferiram em função da idade (F(3,535) = 80,694; p < 0,001; η²Parcial = 0,312; Poder = 1,000) e da renda (H(3) = 49,993; p < 0,001); as análises post hoc indicaram que apenas o primeiro grupo diferiu dos demais por apresentar maior idade e renda (p < 0,001). A análise descritiva das médias das pontuações atribuídas aos motivos fundamentais, bem como as diferenças quanto a composição e características dos participantes foram utilizadas para descrever os grupos obtidos. O primeiro grupo consistiu em participantes com a maior pontuação em afiliação (independência), com pontuação elevada para os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação (grupo) e cuidado (família), e com baixa pontuação (ou mesmo inexistente) para os motivos retenção de parceiros, preocupação com o término e cuidado (filhos). Este grupo possui proporções esperadas semelhantes de homens e mulheres, com participantes em sua maioria sem relacionamento, sem filhos, com idade média de 30,389 (IC95%: 27,673 - 33,105) anos e com valores intermediários para renda (Posto médio = 226,75). Ele consiste em pessoas que valorizam sua independência e buscam manter suas alianças sociais. Além disso, prezam por sua integridade física e evitam contrair doenças. Quanto as relações sociais mais próximas, se preocupam com seus familiares em geral, uma vez que não possuem parceiros amorosos ou mesmo filhos. Devido as características que seus participantes possuem, este grupo foi denominado como independentes. O segundo grupo apresentou pontuação próxima ou levemente inferior à encontrada no segundo grupo (precavidos) para os motivos autoproteção, evitação de doenças, afiliação 102 (grupo) e cuidado (família). Seus participantes também não pontuaram em retenção de parceiros, preocupação com o término ou mesmo cuidado (filhos). Contudo, apresentaram os maiores escores para status, busca por parceiros e afiliação (exclusão). Este grupo possui maior proporção observada (do que esperada) de homens, com participantes em sua maioria sem relacionamento, sem filhos, com idade média de 29,333 (IC95%: 27,357 - 31,309) anos e com valores intermediários para renda (Posto médio = 232,73). Este grupo consiste em pessoas com uma proporção maior do que esperada de homens, que valorizam as alianças sociais, prezam por sua integridade física e evitam contrair doenças. Elas também se preocupam com seus familiares em geral; não possuem parceiros amorosos ou filhos. Um diferencial em relação aos outros grupos é que os seus integrantes se preocupam em serem excluídas do grupo social, buscam aumentar o seu status e estão motivados a atrair parceiros reprodutivos. Este grupo foi denominado como conquistadores. O terceiro grupo apresentou pontuação elevada para retenção de parceiros e preocupação com o término, e baixa pontuação para busca por parceiros e cuidado (filhos). Este grupo possui maior proporção observada (do que esperada) de mulheres, com todos os participantes em relacionamentos, e em sua maioria sem filhos, com idade média de 30,265 (IC95%: 28,840 - 31,691) anos e com valores intermediários para renda (Posto médio = 241,42). É um grupo constituído de pessoas (em grande proporção de mulheres) que estão envolvidas em relacionamento amoroso e se preocupam em manter este relacionamento. Este grupo foi denominado como enamorados. Por fim, o quarto grupo apresentou a maior pontuação para cuidado (filhos) e pontuação alta para retenção de parceiros, com baixa pontuação para preocupação com o término e busca por parceiros. Este grupo possui proporções esperadas semelhantes de homens e mulheres, com participantes predominantemente em relacionamentos e filhos, idade média de 44,299 (IC95%: 42,840 – 45,759) anos e com valores altos para renda (Posto médio = 332,77). Este grupo é 103 composto por pessoas mais velhas, com maior renda, em relacionamento e com filhos. Elas priorizam cuidar dos seus filhos e reter seus parceiros amorosos. Devido as características que seus participantes possuem, este grupo foi denominado como cuidadores. Tabela 1 Grupos Obtidos por Similaridade na Pontuação dos MotivosSociais Fundamentais Independentes (N=54) Conquistadores (N=102) Enamorados (N=196) Cuidadores (N=187) M (DP) M (DP) M (DP) M (DP) Status 9,58(3,05) 11,19(2,30) 9,10(2,31) 7,69 (2,16) Autoproteção 15,73(2,91) 13,17(2,52) 11,45(2,34) 10,15(2,34) Evitação de doenças 14,33(2,73) 11,74(2,41) 10,35(2,32) 9,59(2,30) Retenção de parceiros 0,11(0,79) 0,00(0,00) 12,79(2,05) 10,14(3,98) Preocupação com término 0,10(0,73) 0,00(0,00) 7,25(2,83) 4,75(2,73) Busca por parceiros 7,73(3,42) 11,61(3,07) 5,84(2,46) 4,77(2,20) Afiliação (grupo) 12,94(3,37) 13,05(2,18) 10,73(2,42) 10,79(2,21) Afiliação (independência) 16,92(3,20) 12,44(3,08) 10,52(2,95) 9,21(2,76) Afiliação (exclusão) 8,15(2,81) 12,85(3,12) 9,44(2,84) 7,07(2,49) Cuidado (filhos) 0,20(1,48) 0,00(0,00) 0,07(0,70) 13,31(1,75) Cuidado (família) 14,21(4,42) 13,95(3,36) 12,46(3,04) 12,55(1,97) Nota. M=média e DP=desvio padrão. Tabela 2 Frequências e Resultado dos Testes de Qui-quadrado para os Grupos Independentes Conquistadores Enamorados Cuidadores O(E) O(E) O(E) O(E) χ²(3) P Sexo Sexo Feminino 34(35,5) 55(67,0) 148(128,7) 117(122,8) 15,64 =0,001 Masculino 20(18,5) 47(35,0) 48(67,3) 70(64,2) Relacionamento Relacionamento Sem 52(17,5) 102(33,1) 0(63,6) 21(60,7) 445,20 <0,001 Com 2(36,5) 0(68,9) 196(132,4) 166(126,3) Filhos Filhos Não 53(35,0) 102(66,0) 194(126,9) 0(121,1) 526,03 <0,001 Sim 1(19,0) 0(36,0) 2(69,1) 187(65,9) Nota. Em negrito, as frequências observadas (O) maiores que as esperadas (E) nos grupos. 104 O modelo linear geral indicou um efeito dos grupos no consumo consciente (F(3, 535) = 3,873; p = 0,009; η²Parcial = 0,021; Poder = 0,824). O grupo “cuidadores” apresentou maior pontuação em consumo consciente (M = 5,293; IC95%: 5,203 - 5,383) comparado aos grupos “enamorados” (M = 5,117; IC95%:5,029-5,205) e “conquistadores” (M = 5,063; IC95%: 4,941 - 5,185) (p < 0,05). Os grupos “enamorados” e “conquistadores” apresentaram as menores pontuações. O grupo “independentes” apresentou pontuação intermediária e similar a todos os grupos (M = 5,160; IC95%: 4,992 - 5,327). Discussão Este estudo analisou agrupamentos baseados em perfis motivacionais, descreveu os agrupamentos por meio de suas características individuais, e identificou diferenças no comportamento de consumo consciente. Os participantes que apresentam estados motivacionais similares foram agrupados, caracterizados, e indicaram suas atitudes e comportamentos relacionados ao consumo consciente. Os resultados sugerem quatro diferentes perfis motivacionais com níveis decrescentes de orientação para o consumo consciente na seguinte ordem: cuidadores, precavidos, enamorados e conquistadores. Os achados indicam que algumas diferenças individuais e de perfis motivacionais demonstram que as pessoas pensam e agem de forma diferente quando avaliam o impacto de suas escolhas de consumo no meio-ambiente. Os cuidadores apresentaram a maior pontuação em consumo consciente. Este grupo é constituído pelas pessoas mais velhas da amostra, com renda mais elevada e motivadas para cuidar dos parceiros e dos filhos. Esse achado reforça evidências anteriores que indicam que o grupo de maior faixa etária nos estudos estão mais orientadas a comportamentos pró-ambientais (Straughan & Roberts, 1999; Gifford e Nilsson, 2014). Uma explicação para este achado é que, para muitas pessoas, a idade está comumente associada a ampliação das atividades sociais 105 decorrentes de estar envolvido em um relacionamento amoroso e com filhos, diversificando os comportamentos cooperativos que, por sua vez, fomentaria o consumo consciente (Roberts, 1996). A provável relação entre cuidado parental e consumo consciente se refere aos comportamentos que deram origem ao cuidado, ou seja, uma gama estímulos como vocalizações, características físicas e comportamentais (como a vulnerabilidade) em infantes humanos (e não humanos), que provocaram o desenvolvimento de sentimentos e comportamentos humanos como a compaixão e o altruísmo (Goetz et al., 2010; Scheller, 2018). Essas capacidades promovem o comportamento pró-social, como a generatividade, que seria uma preocupação com o bem-estar das gerações futuras (Scheller, 2018). Tapia-Fonllem et al. (2013) encontraram que os indivíduos que se envolvem em ações pró-ecológicas e frugais também são propensos a praticar comportamentos altruístas e equitativos. Além disso, o cuidado de parentes envolve comportamentos de doação e tempo gasto para manter o bem-estar e a saúde de filhos e parentes próximos, coerentes com a teoria da seleção por parentesco (Hamilton, 1963). Dessa forma, a preocupação com o cuidado com os filhos e parceiros pode predispor os indivíduos a atitudes de consumo consciente em virtude destes motivos estarem voltados para o cuidado do outro. Assim, cuidar dos mais próximos também promoveria o cuidado com o meio ambiente. Estes resultados também estão em conformidade com a teoria dos dilemas de valores sociais proposta por Schwartz (1992), que afirma que pessoas motivadas a autotranscedência demonstram maiores níveis de preocupação ambiental. Essas pessoas transcendem as preocupações egoístas para diligenciar o bem-estar dos outros e da natureza. Por meio desta explicação, o conjunto de atividades e atribuições inerentes a uma idade mais avançada afeta os estados motivacionais o que, por sua vez, tornam os indivíduos mais conscientes sobre suas escolhas de consumo. 106 Uma segunda explicação sugere que pessoas com alta renda apresentam maior preocupação com o meio ambiente. Os estudos sobre renda evidenciaram que os ambientalistas geralmente são pessoas de classe média ou média alta (Gifford e Nilsson, 2014). Além disso, pessoas que têm um maior bem-estar e riqueza mudam de valores materialistas para valores pós-materialistas, apresentando maior preocupação com causas coletivas (Inglehart, 1995). Em um estudo foi encontrado que defender valores pós-materialistas estava positivamente relacionado à preocupação ambiental (Oreg & Katz-Gerro, 2006). Neste sentido, os cuidadores apresentam maior consumo consciente por apresentar maior poder aquisitivo, comportamento que não estaria relacionado diretamente aos motivos fundamentais que indicam cuidado. Existem evidências de que o consumo de produtos verdes pode estrar atrelado a busca por status (Griskevicius et al., 2010), que ocorre quando os produtos são caros e o consumo é conspícuo. Todavia, esta explicação precisa ser testada, pois os cuidadores apresentaram menor motivação pela busca por status quando comparados aos demais grupos. Os independentes apresentaram níveis intermediários de consumo consciente quando comparados aos demais grupos. Eles buscam se proteger de perigos e doenças, ao mesmo tempo que prezam por sua independência. Em sua maioria, são pessoas jovens, sem relacionamento amoroso ou filhos e renda mais baixa que a dos cuidadores. É possível que estas pessoas se preocupem com mudanças sociais e ambientais que afetam diretamente suas condições de vida e sobrevivência, preocupações que podem ter sido amplificadas durante o evento da pandemia. A literatura indica uma relação positiva entre autoproteção e conformidade (Griskevicius et al., 2006), ou seja, em situações imprevisíveis muitas pessoas se comportam de acordo com os valores do grupo (Geiger & Brick, 2023). Podemos supor que elas estariam inclinadas ao consumo consciente à medida que seu comportamento de consumo promova condições que preservem sua saúde, a saúde de seus familiares e sua independência. Nesta explicação, o contexto para o consumo é específico,assim os precavidos não apresentariam atitudes e 107 comportamentos de consumo consciente de forma tão ativa quanto a observada nos cuidadores. Podemos supor os precavidos realizam o consumo consciente porque ele promove hábitos de vida saudáveis e reduz o impacto ambiental, prevenindo doenças crônicas não transmissíveis e doenças transmissíveis (Hanging et al., 2022; Prüs-Üstün & Corvalan, 2006). Por fim, os grupos com menores níveis de consumo consciente foram os enamorados e os conquistadores. Ambos os grupos englobam pessoas jovens, com renda menor que doa cuidadores e sem filhos, sendo que a principal diferença entre eles é a maior proporção de mulheres do que esperado nos enamorados e a maior proporção de homens do que esperado no grupo dos conquistadores. Enquanto os enamorados estão motivados a manter seus relacionamentos amorosos, os conquistadores buscam aumentar seu status e oportunidades de acasalamento. Diversos estudos indicam que o motivo de busca por status, aquisição de parceiros e retenção de parceiros estão associados ao consumo conspícuo. O consumo conspícuo é o consumo de produtos facilmente observáveis e que são caracterizados pela elevada quantidade de recursos necessários para sua obtenção, manutenção ou desenvolvimento (Veblen, 1899). O consumo conspícuo pode ser o resultado de motivos específicos e, em muitos casos, impacta de forma negativa o meio ambiente. Nos homens, o consumo conspícuo aumenta a atratividade como parceiro para acasalamento, enquanto nas mulheres as evidências sugerem que está relacionado a manutenção dos relacionamentos afetivos, principalmente quando esses relacionamentos estão sob ameaça (Hudders et al., 2014; Wang & Griskevicius, 2014). Homens que buscam relacionamentos de curto prazo competem exibindo produtos luxuosos como automóveis (Sundie et al., 2011) ou apartamentos (Dunn & Hill, 2014). Mulheres, por sua vez, consomem de forma conspícua para se tornarem mais atraentes aos seus parceiros (Wang & Griskevicius, 2014) ou para inibir rivais que estejam interessadas em seus parceiros (Griskevicius et al., 2007). A busca por status e parceiros, evidenciada no grupo dos 108 conquistadores, bem como a competição para manutenção dos relacionamentos amorosos, evidenciada nos enamorados, pode fomentar o consumo conspícuo. Muitos produtos conspícuos são bens luxuosos que demandam elevada quantidade de recursos e que podem gerar grande impacto ambiental. Este tipo de consumo parece ser oposto ao conceito de consumir de forma parcimoniosa (Keinan et al., 2020), como esperado no consumo consciente. Assim, uma possível explicação para os menores níveis de consumo consciente observados nos conquistadores e enamorados pode estar relacionada aos motivos fundamentais que caracterizam esses grupos. Estes motivos podem fomentar a indiferença quanto ao impacto do consumo no ambiente ou podem até mesmo promover o consumo deliberado de produtos que causam sérios impactos ambientais. Contudo, mais estudos são necessários para investigar os detalhes da relação entre os motivos fundamentais de busca por status, parceiros e manutenção o relacionamento com o consumo consciente. De uma forma geral, os resultados demonstram que as pessoas que apresentam maiores níveis de consumo consciente são aquelas que apresentam o comportamento de doação aos outros, consequência de uma forte motivação ao cuidado (Scheller, 2018) ou buscam se proteger de perigos e doenças, demonstrando uma preocupação com seu bem-estar (Brulle & Pellow, 2006), possivelmente evitando os riscos de um ambiente imprevisível (Geiger & Brick, 2023). Por outro lado, aquelas com motivos relacionados a status e motivos reprodutivos tiveram as menores pontuações no consumo consciente, podendo revelar possíveis comportamentos de consumo conspícuo (Veblen, 1899), incompatíveis com o consumo parcimonioso (Keinan et al., 2020). Estas pessoas apresentariam um perfil motivacional que as inclinaria a explorar os recursos ambientais a fim de adquirir, manter ou ampliar condições ou relacionamentos que são importantes em seu contexto ou fase do desenvolvimento. Além desses achados, verificamos também que todos os agrupamentos apresentaram elevada pontuação no motivo cuidado com a família, achado já descrito em outros estudos sobre os motivos sociais 109 fundamentais humanos (Ko et al., 2020; Pick et al., 2022). De forma geral, os resultados também sugerem que, na presença de relacionamentos, há uma preocupação com o parceiro, e na presença de filhos, o cuidado dos filhos predomina; contudo, o cuidado familiar é um traço que permanece constante a despeito das outras diferenças encontradas nos grupos. Como limitações, a amostra deste estudo apresenta um número maior de jovens, o que limita as comparações com pessoas idosas. Este estudo também não abordou outros aspectos do comportamento que podem influenciar o consumo, como fatores antecedentes da relação com o consumo pró-ambiente, como a confiança nas intenções da empresa, a percepção de justiça no preço, os afetos e valores, todos também positivamente correlacionados com as expectativas de consumo de um produto sustentável (Branco, 2019). Estudos futuros podem ser realizado para ampliar a amostra e garantir número maior de pessoas acima de 50 e 60 anos. Também pode ser avaliado se há diferença entre atitudes e comportamentos de consumo consciente, já que este estudo apresentou somente um escore geral. Novos estudos também podem incluir outras variáveis importantes como escolaridade e nível de altruísmo. Algo que pode ser investigado em detalhes é quais contextos ou fases do desenvolvimento inclinam os indivíduos a explorar os recursos ambientais e qual a relação entre o consumo conspícuo e o consumo consciente. Concluímos que existem pessoas com características e perfis motivacionais semelhantes, e que essas pessoas compartilham atitudes que impactam na preservação do meio ambiente. Identificamos que os cuidadores focam no cuidado dos filhos e parceiros; os precavidos buscam se proteger e manter sua independência; os conquistadores buscam ascender no ranque social, ao mesmo tempo que buscam oportunidades de acasalamento; e, por fim, os enamorados focam em reter seus parceiros. Verificamos que a idade parece ser o marcador importante, sinalizando que, quanto mais velho ficamos, mais pode-se impactar em uma maior possibilidade de ações que fomentam o consumo consciente. Também foram reveladas 110 tendências importantes nos motivos sociais fundamentais, como uma relação negativa entre a busca por status e a busca por parceiros em atitudes pró-ambientais, bem como relações positivas entre os motivos relacionados ao cuidado e proteção de perigos ou doenças e a preocupação com o meio ambiente. Este estudo amplia as perspectivas de desenvolvimento de estudos que investiguem as relações entre as motivações sociais fundamentais, comportamento de consumo, diferenças individuais e preservação do meio ambiente. 111 Referências Akatu (2015). Caminhos para estilos sustentáveis de vida: gatilhos e barreiras para a adoção de práticas sustentáveis. https://akatu.org.br/wp- content/uploads/2021/03/Caminhos_para_Estilos_Sustentaveis_Vida.pdf#new_tab Branco, H. V. (2019). Atitude do consumidor perante produtos verdes: antecedentes e consequentes [Dissertação de Mestrado, Universidade de Coimbra]. Repositório científico da Universidade de Coimbra. http://hdl.handle.net/10316/86649 Brulle, R. & Pellow, D. (2006). Environmental Justice: Human Health and Environmental Inequalities. Annual review of public health. 27 (1), 103-24. https://doi.org/0.1146/annurev.publhealth.27.021405.102124 Costa, D.V., Teodósio, A.S.S. (2011). Desenvolvimento sustentável, consumo e cidadania: um estudo sobre a (des)articulação da comunicação de organizações da sociedade civil, do estado edas empresas. RAM, Revista de Administração Mackenzie, 12(3), 114-145. https://doi.org/10.1590/S1678-69712011000300006 Dunlap, R.E. & Mertig, A.G. (1995). Global Concern for the Environment: Is Affluence a Prerequisite? Journal of Social Issues, 51(4), 121-137. https://doi.org/10.1111/j.1540- 4560.1995.tb01351.x Dunn, M. J., & Hill, A. (2014). Manipulated luxury-apartment ownership enhances oppositesex attraction in females but not males. Journal of Evolutionary Psychology, 12(1), 1–17. https://doi.org/10.1556/jep.12.2014.1.1 Geiger, N., Brick, C. (2023). Core social motives explain responses to collective action issues. Social and Personality Psychology Compass, 17(3), e12732. https://doi.org/10.1111/spc3.12732 112 Gifford, R., Nilsson, A. (2014). Personal and social factors that influence pro-environmental concern and behaviour: A review. International journal of psychology: Journal international de psychologie, 49(3), 141-157. https://doi.org/10.1002/ijop.12034 Goetz, J. L., Keltner, D., & Simon-Thomas, E. (2010). Compassion: an evolutionary analysis and empirical review. Psychological bulletin, 136(3), 351–374. https://doi.org/10.1037/a0018807 Griskevicius, V., Goldstein, N. J., Mortensen, C. R., Cialdini, R. B., & Kenrick, D. T. (2006). Going along versus going alone: When fundamental motives facilitate strategic (non)conformity. Journal of Personality and Social Psychology, 91(2), 281–294. https://doi.org/10.1037/0022-3514.91.2.281 Griskevicius, V., Tybur, J. M., Sundie, J. M., Cialdini, R. B., Miller, G. F., & Kenrick, D. T. (2007). Blatant benevolence and conspicuous consumption: When romantic motives elicit strategic costly signals. Journal of Personality and Social Psychology, 93(1), 85– 102. https://doi.org/10.1037/0022-3514.93.1.85 Griskevicius, V., Tybur, J. M., & Van den Bergh, B. (2010). Going green to be seen: status, reputation, and conspicuous conservation. Journal of personality and social psychology,98(3), 392-404. https://doi.org/10.1037/a0017346 Hamilton, W. D. (1963). The Evolution of Altruistic Behavior. The American Naturalist, 97(896), 354-346. http://www.jstor.org/stable/2458473 Hanqing X., Yang J., Zhendong S., Jiahui S., Qian S. L., Qunfang Z., & Guibin J. (2022). Environmental pollution, a hidden culprit for health issues. Eco-Environment & Health, 1(1), 31-45. https://doi.org/10.1016/j.eehl.2022.04.003 Hudders, L., De Backer, C., Fisher, M., & Vyncke, P. (2014). The rival wears Prada: Luxury consumption as a female competition strategy. Evolutionary Psychology, 12(3), 570- 587. https://doi.org/10.1177/147470491401200306 113 Inglehart, R. (1995). Public Support for Environmental Protection: Objective Problems and Subjective Values in 43 Societies. Political Science and Politics, 28(1), 57–72. https://doi.org/10.2307/420583 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2013). Características Étnico-raciais da População: classificações e identidades. https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv63405.pdf Keinan, A., Crener, S., & Goor, D. (2020) Luxury and Environmental Responsibility. In: Morhart F., Wilcox, K. & Czellar, S. (eds), Research Handbook on Luxury Branding. (pp. 300–322). Edward Elgar. https://doi.org/10.4337/9781786436351.00031 Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. https://doi.org/10.1177/1745691610369469 Ko, A., Pick, C. M., Kwon, J. Y., Barlev, M., Krems, J. A., Varnum, M. E. W., Neel, R., Peysha, M., Boonyasiriwat, W., Brandstätter, E., Crispim, A. C., Cruz, J. E., David, D., David, O. A., de Felipe, R. P., Fetvadjiev, V. H., Fischer, R., Galdi, S., Galindo, O., . . . Kenrick, D. T. (2020). Family matters: Rethinking the psychology of human social motivation. Perspectives on Psychological Science, 15(1), 173–201. https://doi.org/10.1177/1745691619872986 Max-Neef, M. E. (1991). Human-Scale Development: Conception, Application and Further Reflection. Apex Press. Nawrotzki, R. & Pampel, F. (2012). Cohort change and the diffusion of environmental concern: A cross-national analysis. Population and Environment. 35, 1-25. https://doi.org/10.1007/s11111-012-0182-4 114 Neel, R., Kenrick, D. T., White, A. E., & Neuberg, S. L. (2016). Individual differences in fundamental social motives. Journal of Personality and Social Psychology, 110(6), 887–907. https://doi.org/10.1037/pspp0000068 Oliveira, M. G., Akel, Z. Sobrinho, & Steiner, P. Neto. (2019). Uma escala para mensurar a percepção de benefícios conscientes de compra. PMKT – Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia (on-line), 12(3), 232-245. https://www.researchgate.net/profile/Maximiliano-Gonetecki-De- Oliveira/publication/342899028_Uma_Escala_para_ensurar_a_Percepcao_de_Beneficios_ Conscientes_de_Compra/links/5f0c7d34299bf1074452ecc2/Uma-Escala-para-Mensurar-a- Percepcao-de-Beneficios-Conscientes-de-Compra.pdf Oreg, S., & Katz-Gerro, T. (2006). Predicting Proenvironmental Behavior Cross-Nationally: Values, the Theory of Planned Behavior, and Value-Belief-Norm Theory. Environment and Behavior, 38(4), 462–483. https://doi.org/10.1177/0013916505286012 Pick, C. M., Ko, A., Wormley, A. S., Wiezel, A., Kenrick, D. T., Al-Shawaf, L., Barry, O., Bereby-Meyer, Y., Boonyasiriwat, W., Brandstätter, E., Crispim, A. C., Cruz, J. E., David, D., David, O. A., Defelipe, R. P., Elmas, P., Espinosa, A., Fernandez, A. M., Fetvadjiev, V. H., … Varnum, M. E. W. (2022). Family still matters: Human social motivation across 42 countries during a global pandemic. Evolution and Human Behavior, 43(6), 527-535. https://doi.org/10.1016/j.evolhumbehav.2022.09.003 Portilho, F. (2005). Sustentabilidade ambiental, consumo e cidadania. Cortez. Prüss-Üstün, A. & Corvalan, C.F. (2006). Preventing disease through healthy environments: towards an estimate of the environmental burden of disease. World Health Organization. https://apps.who.int/iris/handle/10665/43457 115 Ribeiro, J. A., Veiga, R. T. (2011). Proposição de uma escala de consumo sustentável. Revista de Administração da Universidade de São Paulo, 46(1), 45-60. https://www.revistas.usp.br/rausp/article/view/44524 Roberts, J. A. (1996). Green Consumers in the 1990s: Profile and Implications for Advertising. Journal of Business Research, 36(3), 217-231. http://dx.doi.org/10.1016/0148-2963(95)00150-6 Rodrigues, A. R. et al. (2013). Marketing Verde e Consumo Consciente: Segmentando o Mercado de Lavras/MG. Revista Espacios,34(4). https://www.revistaespacios.com/a13v34n04/13340413.html Santos, L. M. R. D. (2021). O comportamento de consumo da mulher: um estudo sobre a influência do consumo consciente. [Manuscrito, Universidade Federal de Ouro Preto] https://monografias.ufop.br/bitstream/35400000/3380/1/MONOGRAFIA_Comportame ntoConsumoMulher.pdf Schwartz, S. H. (1992). Universals in the Content and Structure of Values: Theoretical Advances and Empirical Tests in 20 Countries. Advances in Experimental Social Psychology, 25, 1-65. https://doi.org/10.1016/S0065-2601(08)60281-6 Schaller, M. (2018). The parental care motivational system and why it matters (for everyone). Current Directions in Psychological Science. 27(5), 295–301. https://doi.org/10.1177/0963721418767873 Silva, M. E. (2012). Perfil de Consumo Consciente por meio de atitudes e comportamentos individuais: Um estudo com a população do Recife/PE. PMKT: Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia, 10, p. 37-43. https://revistapmkt.com.br/wp- content/uploads/2012/10/PERFIL_DE_CONSUMO_CONSCIENTE_POR_MEIO_DE_ ATITUDES_E_COMPORTAMENTOS_INDIVIDUAIS_UM_ESTUDO_COM_A_PO PULACAO_DO_RECIFE-PE.pdf 116 Silva, M. E., Oliveira, A. P., Gómez, C. R. (2013). Indicadores de Consumo Consciente:uma avaliação do Recifense sob a ótica do consumo sustentável. RECADM - Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, 12(2), pp. 173-190. https://www.periodicosibepes.org.br/index.php/recadm/article/view/1397 Silva, M. E., Souza, N. M. O., Santos, J. G. (2015). Ser, ter ou estar? Uma análise do comportamento do recifense quanto à prática do consumo consciente. Revista De Administração Da UFSM, 8, 74–91. https://doi.org/10.5902/1983465916714 Straughan, R. D., & Roberts, J. A. (1999). Environmental segmentation alternatives: A look at green consumer behavior in the new millennium. Journal of Consumer Marketing, 16(6), 558–575. https://doi.org/10.1108/07363769910297506 Sundie, J. M., Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Tybur, J. M., Vohs, K. D., & Beal, D. J. (2011). Peacocks, Porsches, and Thorstein Veblen: Conspicuous consumption as a sexual signaling system. Journal of Personality and Social Psychology, 100(4), 664– 680. https://doi.org/10.1037/a0021669 Tapia-Fonllem, C., Corral-Verdugo, V., Fraijo-Sing, B., & Durón-Ramos, M. (2013). Assessing Sustainable Behavior and its Correlates: A Measure of Pro-Ecological, Frugal, Altruistic and Equitable Actions. Sustainability, 5(2), 711–723. http://dx.doi.org/10.3390/su5020711. van Vugt, M., Griskevicius, V. & Schultz, P.W. (2014). Naturally Green: Harnessing Stone Age Psychological Biases to Foster Environmental Behavior. Social Issues and Policy Review, 8(1), 1-32. https://doi.org/10.1111/sipr.12000 Veblen, T. (1899). Conspicuos Consumption. In: The Theory of the Leisure Class: An Economic Study of Institutions (68-101). The Macmillan Company. https://brocku.ca/MeadProject/Veblen/Veblen_1899/Veblen_1899_04.html 117 Ventura, K. S., Reis, L. F. R., & Takayanagui, A. M. M. (2010). Avaliação do gerenciamento de resíduos de serviços de saúde por meio de indicadores de desempenho. Engenharia Sanitária e Ambiental, 15(2), 167-176. https://doi.org/10.1590/S1413- 41522010000200009 Wang, Y., & Griskevicius, V. (2014). Conspicuous Consumption, Relationships, and Rivals: Women’s Luxury Products as Signals to Other Women. Journal of Consumer Research, 40(5), 834-854. https://doi.org/10.1086/673256 118 Discussão Geral O objetivo desta pesquisa foi investigar a relação entre os motivos sociais fundamentais e o consumo consciente, considerando algumas características sociodemográficas. Partimos de algumas perguntas de pesquisa: é possível estudar a influência de nossas motivações para o consumo consciente a partir da abordagem evolucionista? Podemos encontrar os mesmos resultados dos estudos sobre consumo ao investigar o consumo consciente das pessoas e de suas motivações? E considerando algumas características individuais (variáveis sociodemográficas), como essa relação se estabelece? O primeiro estudo (“Os comportamentos pro-ambientais e a abordagem evolucionista: caminhos possíveis”), buscou ampliar a discussão da relação da teoria evolucionista com os comportamentos pró-ambientais. O estudo abordou quatro possibilidades de interação das abordagens evolucionistas com os comportamentos ambientalmente amigáveis: normas sociais, dilemas morais, outros mecanismos da natureza humana e motivos sociais fundamentais. Como produto, se revela como aprofundamento e abertura para as possibilidades de pesquisa na área, podendo contribuir também para despertar o interesse para novos pesquisadores adentrarem no campo. O segundo estudo (“Diferenças individuais nos Motivos Sociais Fundamentais em uma amostra no Nordeste do Brasil”), priorizamos compreender os motivos sociais fundamentais da amostra e caracterizá-la. Encontramos resultados semelhantes com o reduzido número de pesquisas que investigam os motivos sociais fundamentais e variáveis sociodemográficas. O estudo contribuiu para confirma que o cuidado familiar é a motivação central na espécie humana e que a idade revela interesses diferentes: jovens estão mais motivados a buscar parceiros, amizades e status e mais preocupados com os perigos do ambiente; com o avanço da idade, há aumento nas motivações de cuidado familiar e com os parceiros, comportamentos voltados para os outros. A renda tem influência na motivação para cuidado dos filhos e pessoas de renda mais baixa estão mais atentas aos riscos de perigos do ambiente. A influência do sexo se destaca ao 119 identificar as diferenças nas estratégias reprodutivas de homens (mais buca de parceiros) e mulheres (mais retenção de parceiros). O estudo sugere influências específica por etapa do desenvolvimento e diferenças individuais, e ajudou na compreensão da influência da motivação na diversidade comportamental humana. O terceiro estudo: “Se exibir ou cuidar? Prioridades que interferem no consumo consciente”, procurou responder às perguntas específicas deste estudo sobre a relação entre os motivos sociais fundamentais e o comportamento de consumo consciente. Os resultados encontrados revelam que o consumo consciente tem uma relação positiva com os motivos para cuidado e autoproteção e uma relação negativa com pessoas mais motivadas para o status e as estratégias reprodutivas. Além disso, que essa relação pode ter influência de etapas específicas do desenvolvimento e da história de vida. Este estudo demonstrou um campo de estudo possível para compreender o comportamento de consumo que pode favorecer ou desfavorecer o meio ambiente. Apesar das limitações já expostas, como tamanho da amostra de pessoas mais velhas, ausências de análises de algumas variáveis demográficas e de história de vida, este estudo cumpriu seus objetivos e respondeu de forma satisfatória as suas perguntas de pesquisa. Foi possível confirmar que a abordagem evolucionista dos motivos sociais fundamentais ajuda na compreensão dos comportamentos favoráveis e desfavoráveis ao meio ambiente, bem como se assemelha aos resultados encontrados para o estudo do comportamento de consumo humano. Além disso, evidenciou que algumas diferenças individuais influenciam ou moderam esse comportamento. O estudo teórico, em conjunto comas discussões dos artigos experimentais, demonstram que a abordagem evolucionista pode dialogar com diversas áreas como as ciências sociais, a administração, a psicologia social e a psicologia ambiental. Observa-se que, para comportamentos complexos, como a motivação humana e os comportamentos pró-ambientais, 120 é preciso sempre estar aberto a conhecer e unir diferentes frentes de conhecimento. Dessa forma, fica evidente as diversas possibilidades de estudo, bem como de que o contexto de investigação (analisando diferenças culturais e individuais) é um elemento essencial a ser considerado para intervenções que objetivem mudanças no comportamento das pessoas no que toca as suas motivações e padrões de consumo. Concluímos que é importante investigar variáveis que antecedem o consumo consciente (como as motivações), as variáveis individuais e cada contexto que se deseje investigar para implementar comportamentos mais favoráveis ao meio ambiente. 121 Conclusão Geral Este trabalho traz contribuições específicas ao ampliar o pouco conhecimento existente entre diferenças individuais e os motivos sociais fundamentais, apresentado uma amostra exclusiva do Brasil, que até o momento não tinha sido investigada nesse formato. Além disso, trata de forma inédita a relação entre diferenças individuais e motivos sociais fundamentais e sua influência no comportamento de consumo consciente. Procuramos ainda, fomentar a discussão com outras áreas para além da abordagem evolucionista, buscando realizar um diálogo com abordagens sociais e de como os conhecimentos podem ser complementares. De uma forma geral, conclui-se que algumas motivações dos indivíduos podem ser entendidas, em parte, por necessidades e oportunidades do ambiente, variando a partir da idade, do sexo eda condição de renda. Além disso, que é preciso considerar as motivações prioritárias presentes nas pessoas para pensar estratégia de mudanças comportamentais, como é o caso de modificação dos padrões de consumo das pessoas. 122 Regras para submissão na revista Journal of Personality and Social Psychology ISSN: 0022-3514 Edited sections: Personality Processes and Individual Differences Prior to submission, please carefully read and follow the submission guidelines detailed below. Manuscripts that do not conform to the submission guidelines may be returned without review. General submission guidelines The editorial team of the Journal of Personality and Social Psychology is committed to both transparency and rigor in conducting and reporting research. We believe that science advances through a cyclical and recursive process that includes both (i) a theory-building, exploratory/descriptive phase and (ii) a theory-testing, confirmatory phase. Further, we recognize that replication efforts are the part and parcel of the science that is empirically valid and socially responsible. We therefore support and encourage research that is informed by both phases. Guided by this overarching philosophy, we set out some concrete submission standards. Transparency and openness APA endorses the Transparency and Openness Promotion (TOP) Guidelines by a community working group in conjunction with the Center for Open Science (Nosek et al. 2015). Effective July 1, 2021, empirical research, including meta-analyses, submitted to the Journal of Personality and Social Psychology must at least meet the “requirement” level (Level 2) for citation; data, code, and materials transparency; design and analysis transparency; and study and analysis plan preregistration. Authors should include a subsection in the method section titled “Transparency and Openness.” This subsection should detail the efforts the authors have made to comply with the TOP guidelines. For example: We report how we determined our sample size, all data exclusions (if any), all manipulations, and all measures in the study, and we follow JARS (Kazak, 2018). All data, analysis code, and research materials are available at [stable link to repository]. Data were analyzed using R, version 4.0.0 (R Core Team, 2020) and the package ggplot, version 3.2.1 (Wickham, 2016). This study’s design and its analysis were not pre-registered. Links to preregistrations and data, code, and materials should also be included in the author note. Data, materials, and code Authors must state whether data and study materials are available and where to access them. If they cannot be made available, authors must state the legal or ethical reasons why they are not available. Recommended repositories include APA’s repository on the Open Science Framework (OSF), or authors can access a full list of other recommended repositories. In both the Author Note and at the end of the method section, specify whether and where the data and materials are available or note the legal or ethical reasons for not doing so. For submissions with quantitative or simulation analytic methods, state whether the study analysis code is available, and, if so, where to access it (or the legal or ethical reason why it is not available). For example: All data have been made publicly available at the [repository name] and can be accessed at [persistent URL or DOI]. Materials and analysis code for this study are not available. The code behind this analysis/simulation has been made publicly available at the [repository name] and can be accessed at [persistent URL or DOI]. If you cannot make your data available on a public site, authors are required to follow current APA policy to make the materials and data used in a published study available in a timely manner to other researchers upon request. https://science.sciencemag.org/content/348/6242/1422.full https://osf.io/meetings/apa/ http://re3data.org/ 123 If an author has multiple studies, the repository landing page should clearly identify how to access the specific type of information for each study and the links. Download a quick guide on how to organize this information (PDF, 310KB) Disclosure of prior uses of data Upon submission of a manuscript, the authors must disclose any prior uses in published, accepted, or under review papers of data reported in the manuscript. The cover letter should include a complete reference list of these articles as well as a description of the extent and nature of any overlap between the present submission and the previous work. Citation standards Upon submission, all data sets, materials, and program code created by others must be appropriately cited in the text and listed in the reference section. Such materials should be recognized as original intellectual contributions and afforded recognition through citation. Where possible, references for data sets and program code should include a persistent identifier assigned by digital archives, such as a Digital Object Identifier (DOI). Data set citation example: Campbell, Angus, and Robert L. Kahn. American National Election Study, 1948. ICPSR07218v3. Ann Arbor, MI: Interuniversity Consortium for Political and Social Research [distributor], 1999.http://doi.org/10.3886/ICPSR07218.v3 Design and analysis transparency Authors must adhere to the Journal Article Reporting Standards (JARS) (PDF, 220KB). See also the specific section editorials and instructions on information to include in method and results sections. It is particularly important to provide justifiable power considerations and specific details related to sample characteristics. Preregistration of studies and analysis plans Preregistration of studies and specific hypotheses can be a useful tool for making strong theoretical claims. Likewise, preregistration of analysis plans can be useful for distinguishing confirmatory and exploratory analyses. Investigators may reregister prior to conducting the research (e.g., ClinicalTrials.gov or the Preregistration for Quantitative Research in Psychology template) via a publicly accessible registry system (e.g., OSF, ClinicalTrials.gov, or other trial registries in the WHO Registry Network). At the same time, we recognize that there may be good reasons to change a study or analysis plan after it has been preregistered, and thus encourage authors to do so when appropriate so long as all changes are clearly and transparently disclosed in the manuscript. The journal also acknowledges that preregistration may not always be appropriate, especially in the exploratory phases of a research project. If authors choose to preregister their research and analyses plans, all documents should be succinct, specific, and targeted, as well as anonymized to maintain double-blind peer review. Articles must state whether or not any work was preregistered and, if so, where to access the preregistration. Preregistrations must be available to reviewers; authors may submit a masked copy via stable link or supplemental material. Links in the method section and the author note should be replaced with an identifiable copy on acceptance. For example: This study’s design was preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. This study’s design and hypotheses were preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. This study’s analysis plan was preregistered; see [STABLE LINK OR DOI]. This study was not preregistered. Whether or not a study is preregistered, the Journal of Personality and Social Psychology stresses the importance of transparency in reporting and expects researchers to fully disclose in their manuscript all decisions that were data-dependent (e.g., deciding when to stop data collection, what observations to exclude, what covariates to include, and what analyses to conduct after rather than before seeingthe data). Replication and Registered Reports Journal of Personality and Social Psychology acknowledges the significance of replication in building a cumulative knowledge base in our field. We therefore encourage submissions that https://www.apa.org/pubs/journals/features/psp-quick-guide-osf.pdf https://www.apa.org/pubs/journals/releases/amp-amp0000191.pdf https://clinicaltrials.gov/ https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vlp5GN-HXrtrjCdjE28f_3tT6RiwhQO2vVeOZGOaFsQ/edit#gid=0 https://docs.google.com/spreadsheets/d/1vlp5GN-HXrtrjCdjE28f_3tT6RiwhQO2vVeOZGOaFsQ/edit#gid=0 https://osf.io/prereg/ 124 attempt to replicate important findings, especially research previously published in Journal of Personality and Social Psychology. Major criteria for publication of replication papers include (i) theoretical significance of the finding being replicated, (ii) statistical power of the study that is carried out, and (iii) the number and power of previous replications of the same finding. Other factors that would weigh in favor of a replication submission include: pre-registration of hypotheses, design, and analysis; submissions by researchers other than the authors of the original findings; and attempts to replicate more than one study of a multi-study original publication. Please note in the Manuscript Submission Portal that the submission is a replication article; submissions should include “A Replication of XX Study” in the subtitle of the manuscript as well as in the abstract. Replication manuscripts, if accepted, will be published online only and will be listed in the Table of Contents in the print journal. Papers that make a substantial novel conceptual contribution and also incorporate replications of previous findings continue to be welcome as regular submissions. Journal of Personality and Social Psychology will also publish Registered Reports. Such submissions will consist of a detailed research proposal, including an abstract, introduction, hypotheses, method, planned analyses, and implications of the expected results. We recommend that authors initially contact the editor before submitting a Registered Report. The proposed research will be reviewed and, if approved, should then be carried out in accordance with the proposed plan. For the Journal of Personality and Social Psychology: Attitudes and Social Cognition section, all manuscripts and preregistered reports/proposals should be submitted only through the portal and not via email to the editorial office. We cannot provide feedback based on emails to the office or the editor. Instead, the triage/ preliminary review is designed to make rapid determinations of fit for the journal. In addition, the sample manuscripts may be useful for potential authors who wish to determine the types of papers that might be appropriate for JPSP: ASC. To the extent that the study is judged to have been competently performed, the paper will be accepted (pending any necessary revisions) regardless of the outcome of the study. Section submission guidelines Submit manuscripts to the appropriate section editor. Section editors reserve the right to redirect papers as appropriate. When papers are judged as better suited for another section, editors ordinarily will return papers to authors and suggest resubmission to the more appropriate section. Rejection by one section editor is considered rejection by all; therefore a manuscript rejected by one section editor should not be submitted to another. All three sections of Journal of Personality and Social Psychology are now using a software system to screen submitted content for similarity with other published content. The system compares the initial version of each submitted manuscript against a database of 40+ million scholarly documents, as well as content appearing on the open web. This allows APA to check submissions for potential overlap with material previously published in scholarly journals (e.g., lifted or republished material). Attitudes and Social Cognition To submit to the editorial office of Dolores Albarracín, please submit manuscripts electronically through the Manuscript Submission Portal in Word Document format (.doc). Prepare manuscripts according to the Publication Manual of the American Psychological Association using the 7th edition. Manuscripts may be copyedited for bias-free language (see Chapter 5 of the Publication Manual). APA Style and Grammar Guidelines for the 7th edition are available. SUBMIT MANUSCRIPT TO PERSONALITY PROCESSES AND INDIVIDUAL DIFFERENCES SECTION Richard Lucas Department of Psychology Michigan State University East Lansing, MI 48824 https://apastyle.apa.org/style-grammar-guidelines?_ga=2.108621957.62505448.1611587229-1146984327.1584032077&_gac=1.60264799.1610575983.Cj0KCQiA0fr_BRDaARIsAABw4EvuRpQd5ff159C0LIBvKTktJUIeEjl7uMbrD1RjULX63J2Qc1bJoEIaAsdnEALw_wcB https://www.editorialmanager.com/pid/default1.aspx https://www.editorialmanager.com/pid/default1.aspx 125 General correspondence may be directed to the editor's office. Journal of Personality and Social Psychology: Personality Processes and Individual Differences now requires that a cover letter be submitted with all new submissions. The cover letters should: Include the author's postal address, e-mail address, telephone number, and fax number for future correspondence State that the manuscript is original, not previously published, and not under concurrent consideration elsewhere Indicate whether a previous version of the submitted manuscript was previously rejected from any section of Journal of Personality and Social Psychology; and if so, identify the action editor handling the previous submission, provide the prior manuscript #, and describe how the present article differs from the previously rejected one State that the data were collected in a manner consistent with ethical standards for the treatment of human subjects Inform the journal editor of the existence of any published work using the same data (in whole or in part) as was used in the present manuscript; if such publications exist, describe the extent and nature of any overlap between the present submission and the previously published work Mention any supplemental material being submitting for the online version of the article Authors are also required to embed tables and figures within the manuscript, instead of providing these after the references. Manuscript preparation Prepare manuscripts according to the Publication Manual of the American Psychological Association using the 7th edition. Manuscripts may be copyedited for bias-free language (see Chapter 5 of the Publication Manual). Review APA's Journal Manuscript Preparation Guidelines before submitting your article. Double-space all copy. Other formatting instructions, as well as instructions on preparing tables, figures, references, metrics, and abstracts, appear in the Manual. Additional guidance on APA Style is available on the APA Style website. Cumulative line numbers must be included with all submissions. Masked review policy The journal has adopted a policy of masked review for all submissions. The cover letter should include all authors' names and institutional affiliations. The first page of text should omit this information but should include the title of the manuscript and the date it is submitted. Every effort should be made to see that the manuscript itself contains no clues to the authors' identity, including grant numbers, names of institutions providing IRB approval, self-citations, and links to online repositories for data, materials, code, or preregistrations (e.g., Create a View-only Link for a Project). Word limits Although papers should be written as succinctly as possible, there is no formal word limit on submissions. Author contributions statements using CRediT The APA PublicationManual (7th ed.) stipulates that “authorship encompasses…not only persons who do the writing but also those who have made substantial scientific contributions to a study.” In the spirit of transparency and openness, the Journal of Personality and Social Psychology has adopted the Contributor Roles Taxonomy (CRediT) to describe each author's individual contributions to the work. CRediT offers authors the opportunity to share an accurate and detailed description of their diverse contributions to a manuscript. Submitting authors will be asked to identify the contributions of all authors at initial submission according to this taxonomy. If the manuscript is accepted for publication, the CRediT designations will be published as an author contributions statement in the author note of the final article. All authors should have reviewed and agreed to their individual contribution(s) before submission. CRediT includes 14 contributor roles, as described below: Conceptualization: Ideas; formulation or evolution of overarching research goals and aims. mailto:lucasri@msu.edu https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition https://www.apa.org/pubs/journals/resources/manuscript-submission-guidelines https://apastyle.apa.org/ https://help.osf.io/hc/en-us/articles/360019930333-Create-a-View-only-Link-for-a-Project https://help.osf.io/hc/en-us/articles/360019930333-Create-a-View-only-Link-for-a-Project https://apastyle.apa.org/products/publication-manual-7th-edition http://credit.niso.org/contributor-roles-defined/ 126 Data curation: Management activities to annotate (produce metadata), scrub data and maintain research data (including software code, where it is necessary for interpreting the data itself) for initial use and later reuse. Formal analysis: Application of statistical, mathematical, computational, or other formal techniques to analyze or synthesize study data. Funding acquisition: Acquisition of the financial support for the project leading to this publication. Investigation: Conducting a research and investigation process, specifically performing the experiments, or data/evidence collection. Methodology: Development or design of methodology; creation of models. Project administration: Management and coordination responsibility for the research activity planning and execution. Resources: Provision of study materials, reagents, materials, patients, laboratory samples, animals, instrumentation, computing resources, or other analysis tools. Software: Programming, software development; designing computer programs; implementation of the computer code and supporting algorithms; testing of existing code components. Supervision: Oversight and leadership responsibility for the research activity planning and execution, including mentorship external to the core team. Validation: Verification, whether as a part of the activity or separate, of the overall replication/reproducibility of results/experiments and other research outputs. Visualization: Preparation, creation and/or presentation of the published work, specifically visualization/data presentation. Writing—original draft: Preparation, creation and/or presentation of the published work, specifically writing the initial draft (including substantive translation). Writing—review and editing: Preparation, creation and/or presentation of the published work by those from the original research group, specifically critical review, commentary or revision— including pre- or post-publication stages. Authors can claim credit for more than one contributor role, and the same role can be attributed to more than one author. Abstract and keywords All manuscripts must include an abstract containing a maximum of 250 words typed on a separate page. After the abstract, please supply up to five keywords or brief phrases. References List references in alphabetical order. Each listed reference should be cited in text, and each text citation should be listed in the references section. Examples of basic reference formats: Journal article McCauley, S. M., & Christiansen, M. H. (2019). Language learning as language use: A cross- linguistic model of child language development. Psychological Review, 126(1), 1– 51. https://doi.org/10.1037/rev0000126 Authored book Brown, L. S. (2018). Feminist therapy (2nd ed.). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000092-000 Chapter in an edited book Balsam, K. F., Martell, C. R., Jones. K. P., & Safren, S. A. (2019). Affirmative cognitive behavior therapy with sexual and gender minority people. In G. Y. Iwamasa & P. A. Hays (Eds.), Culturally responsive cognitive behavior therapy: Practice and supervision (2nd ed., pp. 287–314). American Psychological Association. https://doi.org/10.1037/0000119-012 Data set citation Alegria, M., Jackson, J. S., Kessler, R. C., & Takeuchi, D. (2016). Collaborative Psychiatric Epidemiology Surveys (CPES), 2001–2003 [Data set]. Inter-university Consortium for Political and Social Research. https://doi.org/10.3886/ICPSR20240.v8 Software/Code citation https://doi.org/10.1037/rev0000126 https://doi.org/10.1037/0000092-000 https://doi.org/10.1037/0000119-012 https://doi.org/10.3886/ICPSR20240.v8 127 Viechtbauer, W. (2010). Conducting meta-analyses in R with the metafor package. Journal of Statistical Software, 36(3), 1–48. https://www.jstatsoft.org/v36/i03/ Wickham, H. et al., (2019). Welcome to the tidyverse. Journal of Open Source Software, 4(43), 1686, https://doi.org/10.21105/joss.01686 All data, program code, and other methods must be appropriately cited in the text and listed in the references section. Tables Use Word's insert table function when you create tables. Using spaces or tabs in your table will create problems when the table is typeset and may result in errors. Figures Preferred formats for graphics files are TIFF and JPG, and preferred format for vector-based files is EPS. Graphics downloaded or saved from web pages are not acceptable for publication. Multipanel figures (i.e., figures with parts labeled a, b, c, d, etc.) should be assembled into one file. When possible, please place symbol legends below the figure instead of to the side. Resolution All color line art and halftones: 300 DPI Black and white line tone and gray halftone images: 600 DPI Line weights Adobe Photoshop images Color (RGB, CMYK) images: 2 pixels Grayscale images: 4 pixels Adobe Illustrator Images Stroke weight: 0.5 points APA offers authors the option to publish their figures online in color without the costs associated with print publication of color figures. The same caption will appear on both the online (color) and print (black and white) versions. To ensure that the figure can be understood in both formats, authors should add alternative wording (e.g., “the red (dark gray) bars represent”) as needed. For authors who prefer their figures to be published in color both in print and online, original color figures can be printed in color at the editor's and publisher's discretion provided the author agrees to pay: $900 for one figure An additional $600 for the second figure An additional $450 for each subsequent figure Display equations We strongly encourage you to use MathType (third-party software) or Equation Editor 3.0 (built into pre-2007 versions of Word) to construct your equations, rather than the equation support that is built into Word 2007 and Word 2010. Equations composed with the built-in Word 2007/Word 2010 equation support are converted to low-resolution graphics when they enter the production process and must be rekeyed by the typesetter, which may introduce errors. To construct your equations with MathType or Equation Editor 3.0: Go to the Text section of the Insert tab and select Object. SelectMathType or Equation Editor 3.0 in the drop-down menu. If you have an equation that has already been produced using Microsoft Word 2007 or 2010 and you have access to the full version of MathType 6.5 or later, you can convert this equation to MathType by clicking on MathType Insert Equation. Copy the equation from Microsoft Word and paste it into the MathType box. Verify that your equation is correct, click File, and then click Update. Your equation has now been inserted into your Word file as a MathType Equation. Use Equation Editor 3.0 or MathType only for equations or for formulas that cannot be produced as Word text using the Times or Symbol font. Computer code Because altering computer code in any way (e.g., indents, line spacing, line breaks, page breaks) during the typesetting process could alter its meaning, we treat computer code differently from the rest of your article in our production process. To that end, we request separate files for computer code. https://www.jstatsoft.org/v36/i03/ https://doi.org/10.21105/joss.01686 128 In online supplemental materials We request that runnable source code be included as supplemental material to the article. For more information, visit Supplementing Your Article With Online Material. In the text of the article If you would like to include code in the text of your published manuscript, please submit a separate file with your code exactly as you want it to appear, using Courier New font with a type size of 8 points. We will make an image of each segment of code in your article that exceeds 40 characters in length. (Shorter snippets of code that appear in text will be typeset in Courier New and run in with the rest of the text.) If an appendix contains a mix of code and explanatory text, please submit a file that contains the entire appendix, with the code keyed in 8-point Courier New. Submitting supplemental materials APA can place supplemental materials online, available via the published article in the PsycArticles® database. Please see Supplementing Your Article With Online Material for more details. Permissions Authors of accepted papers must obtain and provide to the editor on final acceptance all necessary permissions to reproduce in print and electronic form any copyrighted work, including test materials (or portions thereof), photographs, and other graphic images (including those used as stimuli in experiments). On advice of counsel, APA may decline to publish any image whose copyright status is unknown. Download Permissions Alert Form (PDF, 13KB) Academic writing and English language editing services Authors who feel that their manuscript may benefit from additional academic writing or language editing support prior to submission are encouraged to seek out such services at their host institutions, engage with colleagues and subject matter experts, and/or consider several vendors that offer discounts to APA authors. Please note that APA does not endorse or take responsibility for the service providers listed. It is strictly a referral service. Use of such service is not mandatory for publication in an APA journal. Use of one or more of these services does not guarantee selection for peer review, manuscript acceptance, or preference for publication in any APA journal. Publication policies APA policy prohibits an author from submitting the same manuscript for concurrent consideration by two or more publications. See also APA Journals® Internet Posting Guidelines. APA requires authors to reveal any possible conflict of interest in the conduct and reporting of research (e.g., financial interests in a test or procedure, funding by pharmaceutical companies for drug research). Download Disclosure of Interests Form (PDF, 38KB) In light of changing patterns of scientific knowledge dissemination, APA requires authors to provide information on prior dissemination of the data and narrative interpretations of the data/research appearing in the manuscript (e.g., if some or all were presented at a conference or meeting, posted on a listserv, shared on a website, including academic social networks like ResearchGate, etc.). This information (2–4 sentences) must be provided as part of the author note. Authors of accepted manuscripts are required to transfer the copyright to APA. For manuscripts not funded by the Wellcome Trust or the Research Councils UK Publication Rights (Copyright Transfer) Form (PDF, 83KB) For manuscripts funded by the Wellcome Trust or the Research Councils UK Wellcome Trust or Research Councils UK Publication Rights Form (PDF, 34KB) Ethical Principles It is a violation of APA Ethical Principles to publish "as original data, data that have been previously published" (Standard 8.13). https://www.apa.org/pubs/journals/resources/supplemental-material https://www.apa.org/pubs/journals/resources/supplemental-material https://www.apa.org/pubs/authors/permissions-alert.pdf https://www.apa.org/pubs/journals/resources/editing-services https://www.apa.org/pubs/journals/resources/internet-posting-guidelines https://www.apa.org/pubs/authors/disclosure-of-interests.pdf https://www.apa.org/pubs/authors/publication-rights-form.pdf https://www.apa.org/pubs/authors/publication-rights-form-wellcome-rcuk.pdf 129 In addition, APA Ethical Principles specify that "after research results are published, psychologists do not withhold the data on which their conclusions are based from other competent professionals who seek to verify the substantive claims through reanalysis and who intend to use such data only for that purpose, provided that the confidentiality of the participants can be protected and unless legal rights concerning proprietary data preclude their release" (Standard 8.14). APA expects authors to adhere to these standards. Specifically, APA expects authors to have their data available throughout the editorial review process and for at least 5 years after the date of publication. Authors are required to state in writing that they have complied with APA ethical standards in the treatment of their sample, human or animal, or to describe the details of treatment. Download Certification of Compliance With APA Ethical Principles Form (PDF, 26KB) The APA Ethics Office provides the full Ethical Principles of Psychologists and Code of Conduct electronically on its website in HTML, PDF, and Word format. You may also request a copy by emailing or calling the APA Ethics Office (202-336-5930). You may also read "Ethical Principles," December 1992, American Psychologist, Vol. 47, pp. 1597–1611. Other information Visit the Journals Publishing Resource Center for more resources for writing, reviewing, and editing articles for publishing in APA journals. (APA, 2023, https://www.apa.org/pubs/journals/psp) https://www.apa.org/pubs/authors/ethics.pdf https://www.apa.org/ethics/code https://www.apa.org/ethics/code mailto:ethics@apa.org https://www.apa.org/pubs/journals/resources 130 Referências Andreoni, J. (1995). Cooperation in Public-Goods Experiments: Kindness or Confusion? The American Economic Review, 85(4), 891–904. http://www.jstor.org/stable/2118238 Andreoni, J., Harbaugh, W. T., & Vesterlund, L. (2018). Altruism in Experiments. In: The New Palgrave Dictionary of Economics (pp. 265-271). Palgrave Macmillan. https://doi.org/10.1057/978-1-349-95189-5_2789 APA (2023). Journal of Personality and Social Psychology, submission guidelines. https://www.apa.org/pubs/journals/psp Alexander, R. D. (1985). A biological interpretation of moral systems. Zygon, 20(1), 3-20. https://doi.org/10.1111/j.1467-9744.1985.tb00574.x Aunger, R., & Curtis, V. (2013). The Anatomy of Motivation: An Evolutionary-Ecological Approach. Biological Theory, 8(1), 49–63. https://doi.org/10.1007/s13752-013-0101-7 Bernard, L. C., Mills, M., Swenson, L., Walsh, R. P.(2005). An Evolutionary Theory of Human Motivation. Genetic, Social, and General Psychology Monographs, 131(2), 129- 184. https://doi.org/10.3200/MONO.131.2.129-184 Bugental, D. B. (2000). Acquisition of the algorithms of social life: A domain-based approach. Psychological Bulletin, 126(2), 187–219. https://doi.org/10.1037/0033- 2909.126.2.187 Corral Verdugo, V. (2006). Contribuciones del análisis de la conducta a la investigación del comportamiento pro-ecológico. Revista Mexicana de Análisis de la Conducta, 32 (2), 111- 127. https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=59332203 De Young, R. (1999). New ways to promote proenvironmental behavior: expanding and evaluating motives for environmentally responsible behavior. Journal of Social Issues, 56(3), 509–526. http/doi.org/10.1111/0022-4537.00181 131 Diniz, R. & Pinheiro, J. (2017). O Compromisso Pró-Ecológico nas Palavras de Seus Praticantes. Paidéia (Ribeirão Preto), 27, 395-403. https://doi.org/10.1590/1982- 432727s1201704 Durante, K. M., & Griskevicius, V. (2016). Evolution and consumer behavior. Current Opinion in Psychology, 10, 27–32. https://doi.org/10.1016/j.copsyc.2015.10.025 Fabi, M. J. S., Lourenço, C. D. S., & Silva, S. S. (2010). Consumo consciente: a atitude do cliente perante o comportamento sócio-ambiental empresarial. In IV Encontro de marketing da ANPAD (pp. 1-17). https://arquivo.anpad.org.br/eventos.php?cod_ evento=&cod_evento_edicao=52&cod_edicao_subsecao=581&cod_edicao_trabalho=1134 4 FONTENELLE, I. A. (2014). O Estatuto do Consumo na Compreensão da Lógica e das Mutações do Capitalismo. Lua Nova Revista de cultura e política, I(92), 207-240. https://doi.org/10.1590/S0102-64452014000200008 Fontenelle, I. A. (2010). O fetiche do eu autônomo: consumo responsável, excesso e redenção como mercadoria. Psicologia & Sociedade, 22(2), 215–224. https://doi.org/10.1590/S0102-71822010000200002 Gonçalves-Dias, S. L. F., & Teodósio, A. S. S. (2012). Controvérsias em torno do consumo e da sustentabilidade: uma análise exploratória da literatura. AOS - Amazônia, Organizações e Sustentabilidade, 1(2), 61-77. http://www.unama.br/seer/index.php/aos/article/view/37/pdf Grinde, B. (2004). Darwinian happiness: Can the evolutionary perspective on well-being help us improve society? World futures the journal of general evolution, 60(4), 317-329. https://doi.org/10.1080/026040290500598 Griskevicius, V., Goldstein, N. J., Mortensen, C. R., Cialdini, R. B., & Kenrick, D. T. (2006). Going along versus going alone: When fundamental motives facilitate strategic 132 (non)conformity. Journal of Personality and Social Psychology, 91(2), 281–294. https://doi.org/10.1037/0022-3514.91.2.281 Griskevicius, V. & Kenrick, D. T. (2013). Fundamental motives: How evolutionary needs influence consumer behavior. Journal of Consumer Psychology, 23(3), 372-386. https://doi.org/10.1016/j.jcps.2013.03.003 Hamilton, W. D. (1963). The Evolution of Altruistic Behavior. The American Naturalist, 97(896), 354-346. http://www.jstor.org/stable/2458473 Hardin, G. (1968). The Tragedy of the Commons. Science, 162 (3859), 1243-1248. http://www.jstor.org/stable/1724745 Hattori, W.T., & Yamamoto, M.E. (2012). Evolução do comportamento humano: Psicologia evolucionista. Estudos de Biologia, 34(83), 101-112. https://biblat.unam.mx/hevila/Estudosdebiologia/2012/vol34/no83/1.pdf Iredale, W., & van Vugt, M. (2011). Altruism as showing off: a signalling perspective on promoting green behaviour and acts of kindness In: S.C. Roberts SC (ed.), Applied Evolutionary Psychology (pp.173-185). Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199586073.001.0001 Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Neuberg, S. L., & Schaller, M. (2010). Renovating the Pyramid of Needs: Contemporary Extensions Built Upon Ancient Foundations. Perspectives on Psychological Science, 5(3), 292–314. https://doi.org/10.1177/1745691610369469 Lencastre, M. P. A. (2010). Bondade, Altruísmo e Cooperação: Considerações evolutivas para a educação e a ética ambiental. Revista Lusófona de Educação, 15, 113-124. http://hdl.handle.net/10437/1778 Miller, G. (2012). Darwin vai as compras. Best Bussiness. 133 Neuberg, S. L., Kenrick, D. T., & Schaller M. (2011). Human threat management systems: self-protection and disease avoidance. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 35(4), 1042-1051. https://doi.org/10.1016/j.neubiorev.2010.08.011 Nowak, M. A. (2006). Five rules for the evolution of cooperation. Science, 314, 1560–1563. https://doi.org/10.1126/science.1133755 Nowak M.A., Sigmund K. (1998). Evolution of indirect reciprocity by image scoring. Nature, 393(6685), 573-7. https://doi.org/10.1038/31225 Oliveira, M. G., Akel, Z. Sobrinho, & Steiner, P. Neto. (2019). Uma escala para mensurar a percepção de benefícios conscientes de compra. PMKT – Revista Brasileira de Pesquisas de Marketing, Opinião e Mídia (on-line), 12(3), 232-245. https://www.researchgate.net/profile/Maximiliano-Gonetecki-De- Oliveira/publication/342899028_Uma_Escala_para_ensurar_a_Percepcao_de_Beneficios_ Conscientes_de_Compra/links/5f0c7d34299bf1074452ecc2/Uma-Escala-para-Mensurar-a- Percepcao-de-Beneficios-Conscientes-de-Compra.pdf Pinheiro, JQ (1997). Psicologia Ambiental: a busca de um ambiente melhor. Estudos de Psicologia, 2 (2), 377–398. https://doi.org/10.1590/S1413-294X1997000200011 Rubin, P., & Capra, C. M. (2011). The evolutionary psychology of economics. In: S.C. Roberts SC (ed.), Applied Evolutionary Psychology (pp.7-15). Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780199586073.001.0001 Saad, G., & Gill, T. (2000). Applications of Evolutionary Psychology in Marketing. Psychology & Marketing, 17(12), 1005-1034. https://doi.org/10.1002/1520- 6793(200012)17:12<1005::AID-MAR1>3.0.CO;2-H Schaller, M., Kenrick, D.T., Neel, R., & Neuberg, S.L. (2017). Evolution and human motivation: A fundamental motives framework. Social and Personality Psychology Compass, 11(6), e12319. https://doi.org/10.1111/spc3.12319 134 Silva, M., Oliveira, A., & Gómez, C. (2013). Indicadores de consumo consciente: uma avaliação do recifense sob a ótica do consumo sustentável. Revista Eletrônica de Ciência Administrativa, 12(2), 173-190. https://doi.org/ 10.5329/RECADM.2013012 Steg, L., & Vlek, C. (2009). Encouraging pro-environmental behaviour: An integrative review and research agenda. Journal of Environmental Psychology, 29(3), 309– 317. https://doi.org/10.1016/j.jenvp.2008.10.004 Sundie, J. M., Kenrick, D. T., Griskevicius, V., Tybur, J. M., Vohs, K. D., & Beal, D. J. (2011). Peacocks, Porsches, and Thorstein Veblen: Conspicuous consumption as a sexual signaling system. Journal of Personality and Social Psychology, 100(4), 664– 680. https://doi.org/10.1037/a0021669 Trivers, R.L. (1971). The evolution of reciprocal altruism. The quarterly review of Biology, 46(1), 35-57. http://www.jstor.org/stable/2822435 van Vugt, M. (2001). Community Identification Moderating the Impact of Financial Incentives in a Natural Social Dilemma: Water Conservation. Personality and Social Psychology Bulletin, 27(11), 1440–1449. https://doi.org/10.1177/01461672012711005 https://doi.org/10.1016/j.jenvp.2008.10.004 135 Apêndices A- Convite de recrutamento/ cartaz de divulgação aos participantes 136 B- TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Biociências Departamento de Fisiologia e Comportamento (DFS) Laboratório de Evolução do Comportamento Humano TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE Esclarecimentos Este é um convite para você participar da pesquisa: Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano, que tem como pesquisadores responsáveis a estudante de doutorado Nivia de Araújo Lopese o professor Felipe Nalon Castro. Esta pesquisa pretende investigar a relação entre as motivações básicas e o consumo consciente, considerando atitudes e comportamento de consumo atual dos sujeitos, algumas características pessoais e socioeconômicas e percepção de bem-estar subjetivo. Este estudo é voltado para adultos de 18 a 70 anos. A motivação para a realização deste estudo é poder trazer informações que complementem os conhecimentos teóricos já estabelecidos e que ajude a sociedade e as pessoas individualmente a entender de forma mais completa seus comportamentos de consumo que beneficiem o meio ambiente e fatores que o influenciam. Caso decida participar deste estudo, você responderá, em uma única etapa, quatro instrumentos de coleta de informações, sendo: 1. Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF), identifica as motivações fundamentais mais presentes no indivíduo no momento da aplicação; 2. Questionário de consumo consciente, que investiga atitudes e comportamentos de consumo consciente do indivíduo; 3. Escala de felicidade Subjetiva (EFS), que avalia a percepção pessoal do estado geral de bem-estar do indivíduo com relação à própria vida; e 4. Coleta de algumas informações pessoais e socioeconômicas. O tempo para responder os 4 instrumentos é, em média, 20 minutos. É importante ressaltar que esta é uma pesquisa anônima, não será necessário informar seu nome. Esta pesquisa apresenta riscos mínimos aos participantes, mas é importante informar que algumas questões poderão trazer lembranças que gerem algum desconforto, ocasionando pensamentos e sentimentos negativos. Você poderá optar por interromper a sua participação 137 nesta pesquisa em qualquer momento. Caso você perceba que necessita de alguma intervenção profissional causada por desconforto em participar desta pesquisa, terá acesso a atendimento psicológico gratuito com a responsável desta pesquisa, Nivia de Araújo Lopes, CRP 17/1161, que fará o atendimento inicial e todos os encaminhamentos necessários de assistência à saúde. Participando deste estudo, você irá colaborar na compreensão da relação entre os motivos fundamentais humanos e o consumo consciente, associados ao bem-estar individual e coletivo que os consumo consciente pode proporcionar. Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para Nivia de Araújo Lopes pelo número (84) 988048268, ou pelo e-mail:nivialopes@yahoo.com.br. Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você. A suas respostas ao questionário serão confidenciais e os dados decorrentes deste estudo serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, sempre de forma anônima, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar. Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de 5 anos. No intuito de compartilhar os frutos deste estudo com a comunidade científica e com o público em geral, os resultados serão apresentados em congressos e publicação de artigo com acesso livre a todos, e divulgados na página do grupo de pesquisa no Instagram: @lech_ufrn. Para responder este questionário, através da plataforma Google forms, você precisará ter um celular, computador ou tablet com acesso à internet. Esta plataforma garante o anonimato, e, por este motivo, em caso de problemas com energia ou internet durante a sua participação, não será possível continuar a responder o questionário de onde havia parado, e será necessário começar do início novamente. Se você tiver, eventualmente, algum gasto pela sua participação comprovadamente decorrente desta pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você. Caso ocorra algum dano decorrente desta pesquisa, o participante terá direito à indenização. Qualquer dúvida sobre a ética dessa pesquisa você deverá ligar para o Comitê de Ética em Pesquisa UFRN - Lagoa Nova Campus Central (CEP Central/UFRN) – instituição que avalia a ética das pesquisas antes que elas comecem e fornece proteção aos participantes das mesmas – da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, nos telefones (84) 3215-3135 ou (84) 9.9193-6266, e-mail cepufrn@reitoria.ufrn.br. Você ainda pode ir pessoalmente à sede do CEP, de segunda a sexta, das 08h00min às 12h00min e das 14h00min às 18h00min, na Rua das Artes, s/n. Campus Central UFRN. Lagoa Nova. Natal/RN. CEP: 59075-000. 138 Prezado participante, ficamos agradecidos com sua disponibilidade em participar de nossa pesquisa. Caso ocorra algum problema técnico (queda de energia ou queda de rede, por exemplo) durante o preenchimento de seus dados, pedimos um pouco de paciência. O Google forms, visando a proteção de sua identidade e a privacidade de suas informações, não permite a recuperação de dados. Como sua participação é muito importante para nós, pedimos que reinicie o processo de preenchimento. Consentimento livre e esclarecido Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará, clique abaixo em: ( ) Aceito participar desta pesquisa e autorizo o uso das informações coletadas para fins científicos, desde que nenhum dado possa me identificar. ( ) Não aceito participar desta pesquisa. Declaração do pesquisador responsável Como pesquisador responsável pelo estudo: Motivação e consumo consciente: contribuições das teorias evolucionistas aplicadas ao comportamento humano, declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo. Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido infringirei as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano. Natal, ___ de ________ de 20__. Nívia de Araújo Lopes. Assinatura do(a) pesquisador(a) responsável 139 C- Informações pessoais e socioeconômicas 1. Eu me identifico como: ( ) Mulher ( ) Homem ( ) Outro 2. Idade (em anos completos): _____ 3. Qual a sua escolaridade (formação)? ( ) Alfabetizado ( ) Fundamental ( ) Ensino Médio ( ) Ensino Superior ( ) Pós-graduação 4. Qual é a cidade na qual você mora? (Ex: Natal...) 5. Eu me autodeclaro: ( ) Branco (a) ( ) Preto (a) ( ) Amarelo (a) ( ) Pardo (a) ( ) Indígena 6. Atualmente você está: ( ) Solteiro(a) ( ) Namorando ( ) Casado(a) 140 ( ) Viúvo(a) ( ) Divorciado(a) ( ) Outro, qual?_________________ 7. Qual é seu comportamento sexual: ( ) Exclusivamente heterossexual ( ) Predominantemente heterossexual ou eventualmente homossexual ( ) Predominantemente heterossexual, mas com mais do que eventuais contatos homossexuais ( ) Igualmente heterossexual e homossexual ( ) Predominantemente homossexual, embora homossexual com frequência ( ) Predominantemente homossexual ou eventualmente heterossexual ( ) Exclusivamente homossexual 8. Qual meio de transporte você mais utiliza? ( ) Automóvel próprio ( ) Motocicleta própria ( ) Pego carona / Alguém me leva ( ) Transporte público ( ) Aplicativo (Uber, 99...) ou Táxi ( ) Bicicleta ( ) Outro 9. Qual a renda familiar (valor total das pessoas que moram com você)? ( ) Até 2 salários mínimos ( ) De 2 a 4 salários mínimos ( ) De 4 a 10 salários mínimos ( ) De 10 a 20 salários mínimos ( ) Acima de 20 salários mínimos 141 Anexos A- parecer deaprovação do projeto 142 143 144 145 146 147 148 149 B- Inventário de Motivos Sociais Fundamentais (IMSF) Por favor, responda o quão bem essas questões se aplicam à sua vida atualmente. Para cada questão, pense o quanto você concorda ou discorda com cada afirmativa e assinale o número escolhido (1 = discordo plenamente, 7 = concordo plenamente). 1. Eu não gosto de estar na parte inferior da hierarquia. 1 2 3 4 5 6 7 2. Eu não me importo de estar perto de pessoas que estão doentes. 1 2 3 4 5 6 7 3. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Eu ajudo a cuidar dos meus filhos(as). 1 2 3 4 5 6 7 4. Eu não me preocupo em me manter seguro(a) de outras pessoas. 1 2 3 4 5 6 7 5. Eu gosto de ficar sozinho(a). 1 2 3 4 5 6 7 6. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) É importante para mim que meu(minha) parceiro(a) seja emocionalmente leal a mim. 1 2 3 4 5 6 7 7. Raramente eu penso sobre encontrar um(a) parceiro(a) romântico(a) ou sexual. 1 2 3 4 5 6 7 8. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Me preocupa que meu parceiro(a) possa me deixar. 1 2 3 4 5 6 7 9. Geralmente trabalhar em grupo é mais problemático do que vantajoso. 1 2 3 4 5 6 7 10. Eu ficaria extremamente chateado(a) se um(a) amigo(a) me excluísse. 1 2 3 4 5 6 7 11. Eu prefiro não passar tempo com meus familiares. 1 2 3 4 5 6 7 150 12. Quando estou em grupo, eu faço coisas para ajudar a manter o grupo junto. 1 2 3 4 5 6 7 13. Eu me preocupo em ser rejeitado(a). 1 2 3 4 5 6 7 14. Eu prefiro passar tempo sozinho(a) do que cercado(a) por outras pessoas. 1 2 3 4 5 6 7 15. Eu gostaria de achar um parceiro(a) romântico(a)/sexual logo. 1 2 3 4 5 6 7 16. Estar perto dos meus familiares é extremamente importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 17. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Eu não gasto muito tempo ou energia fazendo coisas para manter meu parceiro(a) interessado na nossa relação. 1 2 3 4 5 6 7 18. Eu estou motivado(a) a me manter protegido de pessoas perigosas. 1 2 3 4 5 6 7 19. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Eu me preocupo que outras pessoas possam roubar meu parceiro(a) romântico(a)/sexual. 1 2 3 4 5 6 7 20. É importante para mim que os outros respeitem meu ranking ou posição. 1 2 3 4 5 6 7 21. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Suprir as necessidades dos meus filhos(as) é importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 22. Eu não me preocupo muito em pegar germes/bactérias dos outros. 1 2 3 4 5 6 7 23. Me incomoda quando grupos de pessoas que conheço fazem coisas sem mim. 1 2 3 4 5 6 7 151 24. Eu me preocupo em pegar gripes e resfriados devido a muito contato com outras pessoas. 1 2 3 4 5 6 7 25. Começar uma nova relação romântica/sexual não é minha maior prioridade. 1 2 3 4 5 6 7 26. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Estou preocupado(a) se eu e meu(minha) parceiro(a) vamos terminar. 1 2 3 4 5 6 7 27. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Não teria muita importância para mim se eu e meu parceiro(a) terminássemos. 1 2 3 4 5 6 7 28. Ter um tempo sozinho(a) é extremamente importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 29. Me dar bem com pessoas ao meu redor é uma prioridade. 1 2 3 4 5 6 7 30. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Frequentemente eu penso em como eu poderia fazer para que coisas ruins parassem de acontecer com meus filhos(as). 1 2 3 4 5 6 7 31. Eu penso em como me proteger de pessoas perigosas. 1 2 3 4 5 6 7 32. Eu faço coisas para garantir que eu não perca meu status. 1 2 3 4 5 6 7 33. É extremamente importante para mim ter boas relações com meus familiares. 1 2 3 4 5 6 7 34. Cuidar dos meus familiares é importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 35. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) É importante para mim que meu 1 2 3 4 5 6 7 152 parceiro(a) seja sexualmente leal a mim. 36. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Raramente eu penso sobre proteger meus filhos(as). 1 2 3 4 5 6 7 37. Eu passo muito tempo pensando sobre formas de conhecer possíveis parceiros(as) para namorar. 1 2 3 4 5 6 7 38. Eu não me importo muito em perder status. 1 2 3 4 5 6 7 39. Eu evito pessoas que possam ter alguma doença contagiosa. 1 2 3 4 5 6 7 40. Ser parte de um grupo é importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 41. Eu me preocupo com pessoas perigosas. 1 2 3 4 5 6 7 42. Frequentemente eu penso se outras pessoas me aceitam. 1 2 3 4 5 6 7 43. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Me preocupa que outras pessoas estejam interessadas em meu(minha) parceiro(a) romântico(a)/sexual. 1 2 3 4 5 6 7 44. Eu não me importo em ficar sozinho(a) por longos períodos de tempo. 1 2 3 4 5 6 7 45. Eu estou motivado(a) a me manter seguro(a) dos outros. 1 2 3 4 5 6 7 46. Eu estou interessado(a) em achar um(a) novo(a) parceiro(a) romântico(a)/sexual. 1 2 3 4 5 6 7 47. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Frequentemente eu penso se meu parceiro(a) vai me deixar. 1 2 3 4 5 6 7 153 48. Eu evito lugares e pessoas que possam ter doenças. 1 2 3 4 5 6 7 49. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Se outras pessoas estivessem romanticamente interessadas em meu(minha) parceiro(a), isso não me incomodaria tanto. 1 2 3 4 5 6 7 50. Frequentemente eu imagino se estou sendo excluído(a). 1 2 3 4 5 6 7 51. Eu não tenho muito interesse em ajudar meus familiares. 1 2 3 4 5 6 7 52. Eu quero estar em uma posição de liderança. 1 2 3 4 5 6 7 53. Eu gosto de fazer parte de um time. 1 2 3 4 5 6 7 54. Não me incomoda estar longe dos meus amigos por períodos longos de tempo. 1 2 3 4 5 6 7 55. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Cuidar dos meus filhos(as) não é uma prioridade para mim agora. 1 2 3 4 5 6 7 56. Ter laços estreitos com a minha família não é muito importante para mim. 1 2 3 4 5 6 7 57. Eu me divirto trabalhando com um grupo para alcançar um objetivo. 1 2 3 4 5 6 7 58. Seria um grande problema para mim se um grupo me excluísse. 1 2 3 4 5 6 7 59. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Se meu(minha) parceiro(a) estivesse tendo relações românticasou sexuais com outros(as), eu estaria OK com isso. 1 2 3 4 5 6 7 60. Não me incomoda muito quando alguém próximo fica doente. 1 2 3 4 5 6 7 154 61. Eu não estou interessado(a) em conhecer pessoas para flertar ou ir a encontros. 1 2 3 4 5 6 7 62. Eu gosto de estar sozinho(a) mesmo que eu perca alguns amigos por isso. 1 2 3 4 5 6 7 63. Eu penso bastante sobre como me manter seguro(a) de pessoas perigosas. 1 2 3 4 5 6 7 64. É importante para mim que outras pessoas me admirem. 1 2 3 4 5 6 7 65. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ TIVER FILHOS) Eu gosto de passar tempo com meus filhos(as). 1 2 3 4 5 6 7 66. (RESPONDA SOMENTE SE VOCÊ ESTIVER EM UM RELACIONAMENTO) Eu me pergunto se meu parceiro(a) vai me deixar por outra pessoa. 1 2 3 4 5 6 7 155 C- Questionário de Consumo consciente (adaptado de: Instituto Akatu) Agora gostaríamos de saber ações com relação ao seu comportamento de consumo consciente. Por favor, responda o quão bem essas questões se aplicam à sua vida atualmente. Para cada questão, pense o quanto a mesma reflete os seus comportamentos (1= nunca, 7= sempre) e atitudes (1 = discordo plenamente, 7 = concordo plenamente), assinalando o número escolhido. 1. No último ano, deixei de comprar produtos ou serviços de uma empresa por saber que ela prejudica seus empregados, a sociedade ou o meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 2. Para se deslocar pela cidade, é melhor usar um veículo próprio do que o transporte público ou compartilhado. 1 2 3 4 5 6 7 3. Em minha casa, separo o lixo para a reciclagem (ou, mesmo não havendo coleta seletiva, procuro encaminhar para a reciclagem tudo o que for possível). 1 2 3 4 5 6 7 4. Costumo pedir nota fiscal quando vou às compras, mesmo que o fornecedor não a ofereça espontaneamente. 1 2 3 4 5 6 7 5. Costumo planejar as compras de alimentos. 1 2 3 4 5 6 7 6. Ter coisas em casa e não usá-las significa um desperdício de recursos da natureza como a água, energia e matérias-primas usadas na fabricação. 1 2 3 4 5 6 7 7. Quando possível, utilizo também o verso das folhas de papel. 1 2 3 4 5 6 7 8. Evito deixar lâmpadas acesas em ambientes desocupados. 1 2 3 4 5 6 7 9. A propaganda deveria ser mais controlada, pois tem o poder de influenciar muito o comportamento de consumo das pessoas. 1 2 3 4 5 6 7 10. Procuro passar ao maior número possível de pessoas as informações que aprendo sobre empresas e produtos. 1 2 3 4 5 6 7 11. Comprei produtos orgânicos nos últimos 6 meses. 1 2 3 4 5 6 7 12. Espero os alimentos esfriarem antes de guardá-los na geladeira. 1 2 3 4 5 6 7 156 13. Costumo ler atentamente os rótulos antes de decidir uma compra. 1 2 3 4 5 6 7 14. Costumo planejar a compra de roupas. 1 2 3 4 5 6 7 15. Só vale a pena abastecer o carro com álcool em vez de gasolina quando o preço compensa. 1 2 3 4 5 6 7 16. Apenas as classes mais altas podem escolher produtos e serviços mais sustentáveis, ou seja, aqueles que geram consequências mais positivas do que negativas à sociedade e ao meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 17. Costumo fechar a torneira enquanto escovo os dentes. 18. Comprei produtos feitos com material reciclado nos últimos 6 meses. 1 2 3 4 5 6 7 19. Frutas e verduras da época são, na maioria das vezes, mais saudáveis para você e para o meio ambiente, pois exigem um menor uso de agrotóxicos e fertilizantes. 1 2 3 4 5 6 7 20. Em casa, eu estimulo a minha família ou as pessoas com quem moro a comerem reunidas. 1 2 3 4 5 6 7 21. Participo de ações, movimentos, campanhas ou redes relacionadas a questões do consumo ou do meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 22. Deixo de comprar um produto novo enquanto o que tenho ainda pode ser utilizado ou consertado. 1 2 3 4 5 6 7 23. Cuido de áreas verdes em praças, parques, quintais ou outros locais, próximos de onde vivo. 1 2 3 4 5 6 7 24. Desligo aparelhos eletrônicos quando não estou usando-os. 1 2 3 4 5 6 7 25. Hoje, uma pessoa se define por aquilo que ela compra ou usa, e não há nada de errado nisso. 1 2 3 4 5 6 7 26. Mesmo grandes empresas podem enfrentar problemas caso não se adaptem rapidamente às mudanças de desejos dos consumidores por produtos e serviços mais sustentáveis, que contribuam mais para a sociedade e o meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 157 27. A humanidade hoje já usa mais recursos naturais do que o planeta é capaz de oferecer, colocando em risco a existência desses recursos e da vida no futuro. 1 2 3 4 5 6 7 28. Incentivo outras pessoas a comprarem de empresas que ofereçam produtos e serviços mais sustentáveis, ou seja, aqueles que geram consequências mais positivas do que negativas à sociedade e ao meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 29. Utilizo os selos de certificação (por exemplo: PROCEL, FSC, INMETRO, IBD e outros) encontrados em alguns produtos para realizar melhores escolhas de compra. 1 2 3 4 5 6 7 30. Quando escolho produtos produzidos mais perto de onde estou, colaboro para diminuir a liberação de gases que poluem o meio ambiente e prejudicam a minha saúde. 1 2 3 4 5 6 7 31. Saber como foi produzido o que consumimos, como afetou o meio ambiente e a sociedade, nos possibilita fazer melhores escolhas de compra. 1 2 3 4 5 6 7 32. Incentivo meus amigos e familiares a participarem de movimentos, campanhas e organizações ligados ao meio ambiente ou ao consumo consciente. 1 2 3 4 5 6 7 33. Imprimo fotos, textos ou documentos em vez de vê-los em um computador ou tablet. 1 2 3 4 5 6 7 34. Escolho locais de compras, lazer, estudo e trabalho que estejam próximos de onde eu vivo, evitando assim grandes deslocamentos pela cidade. 1 2 3 4 5 6 7 35. É necessário que os rótulos e embalagens tragam informações mais detalhadas sobre os produtos, como a composição, origem, instruções de como usá-los e jogá-los fora - e até características das empresas que os fabricam. 1 2 3 4 5 6 7 36. Escolho comprar produtos (alimentos, roupas, etc) que são 1 2 3 4 5 6 7 158 produzidos localmente em vez daqueles que vêm de outras regiões ou países. 37. Apesar de vivermos todos em um mesmo planeta, é exagero dizer que o que cada um faz afeta todos. 1 2 3 4 5 6 7 38. Prefiro comprar produtos que sejam baratos e fáceis de trocar por novos quando quebram ou ficam ultrapassados, em vez de comprar produtos mais caros que durem mais e que possam ser atualizados ou consertados. 1 2 3 4 5 67 39. As empresas devem contribuir para a construção de um mundo mais sustentável, que tenha recursos como alimentos, água, e matérias-primas suficientes para sustentar a vida em todo o planeta, hoje e no futuro. 1 2 3 4 5 6 7 40. Levo sacolas reutilizáveis quando vou às compras. 1 2 3 4 5 6 7 41. Compro alimentos mais saudáveis, buscando mais saúde e bem-estar para mim e minha família. 1 2 3 4 5 6 7 42. Ter saúde depende mais do acesso a postos de saúde, hospitais e remédios do que da forma como vivemos no dia a dia (alimentação, atividades físicas e lazer). 1 2 3 4 5 6 7 43. Somente o Governo tem condições de garantir o equilíbrio da sociedade e direcionar questões como a diminuição da desigualdade e a preservação do meio ambiente. 1 2 3 4 5 6 7 44. Nos últimos 6 meses, manifestei-me contra alguma propaganda por considerá-la imprópria ou enganosa. 1 2 3 4 5 6 7 45. Escolho como e onde investir o meu dinheiro levando em consideração quais os efeitos positivos e negativos que isso pode causar ao meio ambiente e à sociedade. 1 2 3 4 5 6 7 46. Escolho ir a pé ou de bicicleta em vez de usar um veículo motorizado sempre que a distância me permite. 1 2 3 4 5 6 7 47. Ao ver colegas ou amigos com coisas novas ou que estão na moda, fico com tanta vontade que também acabo comprando. 1 2 3 4 5 6 7 159 48. Jogar comida fora representa o desperdício de muitos recursos, como água, energia, adubo, fertilizantes e trabalho. 1 2 3 4 5 6 7 49. Recorro a um órgão de defesa do consumidor quando tenho problemas com um produto ou serviço, e não consigo uma solução com a empresa que o vendeu. 1 2 3 4 5 6 7 50. Ajudo outras pessoas a pensar se elas realmente precisam daquilo que vão comprar ou se é apenas um desejo passageiro. 1 2 3 4 5 6 7 51. É fundamental que todos frequentem e se manifestem sobre o quão importantes são os espaços públicos como praças, parques, calçadões ou terrenos transformados em lugares de convívio da comunidade, pois melhoram a qualidade de vida nos bairros. 1 2 3 4 5 6 7 52. Acabo comprando muito mais do que preciso. 1 2 3 4 5 6 7 53. No meu tempo livre, prefiro ir a uma praça, parque ou fazer atividades ao ar livre a passear no shopping ou fazer compras. 1 2 3 4 5 6 7 54. Antes de jogar fora um produto que não quero mais, seja ele um brinquedo, vestimenta, eletroeletrônico, ou qualquer outro, procuro doar ou mesmo trocar com alguém que tenha interesse. 1 2 3 4 5 6 7 55. Prefiro alugar ou pegar emprestadas as coisas que uso com pouca frequência em vez de comprá-las para tê-las em casa, mesmo que eu as use raramente. 1 2 3 4 5 6 7