Prévia do material em texto
A atuação do Cirurgião-Dentista em ambiente hospitalar possibilita o tratamento odontológico para a resolução da queixa odontológica do paciente, para a remoção de focos de infecção dentários, diagnóstico das lesões orais e dos agravos bucais que acometem a cavidade oral durante a hospitalização. A assistência odontológica à beira leito proporciona que o tratamento possa ser realizado pelo Cirurgião-Dentista em qualquer lugar e condição clínica que o paciente se encontra durante a internação, trazendo acessibilidade do paciente ao tratamento odontológico A traqueostomia é um procedimento cirúrgico que consiste em uma abertura na traquéia, empregada para facilitar a respiração, em casos de obstrução da laringe, cirurgias oncológicas de cabeça e pescoço, bloqueio das vias aéreas superiores e entubação endotraqueal prolongada. Profissionais da saúde ao se depararem com pacientes traqueostomizados devem estar preparados para um atendimento adequado. Antes de iniciar qualquer procedimento odontológico, é crucial que o profissional de saúde tenha uma compreensão completa da condição do paciente traqueostomizado. Isso inclui conhecer a razão pela qual a traqueostomia foi realizada, as condições médicas subjacentes e quaisquer restrições ou precauções associadas. Por conta de dispositivos mantenedores de vida (sonda nasoenteral, traqueostomia, tubo orotraqueal) temos um aumento do risco de infecções respiratórias devido a disfagia e mudança da microbiota oral, sendo que a manutenção de uma boa saúde bucal está diretamente relacionada ao conforto oral e diminuição das intercorrências/ infecções hospitalares. A manutenção da saúde oral também proporciona melhora da resposta ao tratamento médico/ farmacológico/ reabilitador instituído A comunicação com pacientes traqueostomizados pode ser desafiadora, especialmente se eles dependem de dispositivos específicos para falar. O profissional de saúde deve ser paciente, claro e estar aberto a diferentes formas de comunicação, como a escrita A assistência odontológica à beira leito pode ser realizada através da avaliação clínica da cavidade oral do paciente, em que o profissional deve ter uma boa fonte de luz e experiência no manejo para a realização do exame clínico odontológico não convencional, assim como detalhar um plano de tratamento viável para a estrutura que o serviço de OH apresenta. O ambiente odontológico deve ser adaptado para acomodar as necessidades específicas do paciente. Isso pode incluir a presença de dispositivos médicos como ventiladores, monitores ou aspiradores, além de garantir espaço para a equipe que pode estar envolvida no cuidado do paciente Destaca-se também, a necessidade de realizar a proteção dos lábios, pois com a presença de sondas e tubo endotraqueal na cavidade oral do paciente crítico, o selamento labial fica dificultado, acarretando no seu ressecamento e secura. Uma solução profilática sugerida por CLAUSSEN, Marcella et al., em 2022, seria através da utilização de vaselina ou lanolina a cada duas horas nos lábios do paciente. A ausência de um equipo móvel ou portátil não é impeditivo do atendimento odontológico, mas causa algumas limitações, como por exemplo, a dificuldade para a realização de restaurações extensas, preparos protéticos, acessos endodônticos ou cirurgia orais complexas. Procedimentos odontológicos como condicionamento do meio bucal (escariação por meio de curetas de dentina e restaurações utilizando cimento de ionômero de vidro), exodontias simples, tratamento periodontal, contenção de sangramento, contenção de dentes, diagnósticos de lesões, fotobiomodulação, instalação de protetores bucais, entre outros, são procedimentos que são totalmente exequíveis à beira leito de internação. O planejamento odontológico deve ser realizado individualmente, considerando a patologia de base, discussão com a equipe multidisciplinar e momento oportuno para a realização. O grupo de intervenção odontológica deverá melhorar o cuidado da boca dos pacientes com ou sem ventilação mecânica, realizando a escovação dos dentes e da língua, além da aplicação de gluconato de clorexidina a 0,12% na mucosa, nos dentes, na gengiva e no palato e da umidificação dos lábios e da cavidade oral (SANTANA et al., 2012). Até agora, a clorexidina tem sido o agente com mais efetividade no controle do biofilme dental. Essa substância demonstra boa substantividade, pois fica aderida às superfícies orais e possui propriedade bacteriostática por até 12 horas depois da aplicação. A concentração recomendada é de 0,12%, pois proporciona retenção de mais de 30% da substância, através do bochecho, nos tecidos moles, aumentando o tempo de atividade antimicrobiana (SANTANA et al., 2012). É importante destacar que o atendimento odontológico do enfermo crítico favorece a prevenção de infecções hospitalares, especialmente as respiratórias, como a pneumonia nosocomial, que é uma das principais infecções em pacientes de UTI gerada pelos microrganismos que crescem na orofaringe. É preocupante a sua ocorrência, devido ao fato de ser muito comum entre pacientes hospitalizados, gerando um significativo número de mortes, estendendo a internação do indivíduo e exigindo um maior número de medicamentos e de cuidados. Portanto, quando realizados de maneira adequada, os cuidados orais diminuem bastante o surgimento de pneumonia associada ao uso de ventilação artificial em pacientes de UTI, devido às equipes de odontologia e de enfermagem atuarem nos cuidados da boca e nos focos primários de infecção (SANTANA et al., 2012). . Os dados encontrados na literatura pesquisada afirmam que as pneumonias associadas à ventilação mecânica (PAVM) que se desenvolvem dentro de até 72 horas após a intubação endotraqueal são geralmente causadas por micro-organismos de baixa resistência, destacando-se o Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Staphylococcus aureus sensível à oxacilina. Após este período, os casos relacionam-se a micro-organismos resistentes, principalmente o Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA), as enterobactérias e os bacilos Gram-negativos não fermentadores, destacando-se Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter sp”, explica Dra. Tereza Araujo (HFB/RJ) É importante fazer uma distinção entre os pacientes que estão internados, pois o nível de consciência do paciente, como, por exemplo, se está acordado, sedado, se respira sem ajuda de aparelhos, ou seja, seu estado clínico determina o protocolo de atendimento. “Genericamente, existem os pacientes que estão internados em situações críticas (geralmente no CTI), não críticas, em pós- -operatório (imediato, mediato, críticos ou não), os que baixam para realização de alguns exames ou investigação, os que são transferidos de outros Hospitais da Força e outras possibilidades. Por isso não é possível um protocolo padrão rígido para todos os pacientes acamados e os procedimentos de higiene bucal tem que ser adequados a cada situação” o acesso à cavidade bucal dos pacientes muitas vezes intubados, traqueostomizados, usualmente sedados ou pouco colaboradores, não é tarefa simples mesmo para os profissionais que conhecem tão bem a anatomia bucal. Por isso, faz-se necessário um aprendizado sólido desses aspectos para que o CD possa executar seus procedimentos com segurança e proficiência, além do profissional apresentar um ‘perfil’ para desempenho desse trabalho. Cursos de capacitação ou habilitação para atendimento aos pacientes das UTIs são indispensáveis para a atuação do CD nesses locais. Protocolo de Atendimento do Hospital das Clínicas de Bom Sucesso - RJ O alívio da dor e a adequação do meio bucal são as prioridades para o dentista. A partir dessa etapa, os procedimentos de aspiração das secreções bucais e orofaríngeas; - remoção de biofilme e debris, coágulos e outros através do uso de soluções enzimáticas aplicadas sobre as mucosas, dorso da língua; - escovaçãodentária, quando possível,; -descontaminação das superfícies bucais e do tubo endotraqueal com solução de clorexidina a 0,12%,; -hidratação e umidificação dos lábios e mucosa bucal com substitutos de saliva são realizados, de acordo com a possibilidade do paciente em receber esses cuidados; -Diariamente, um cirurgião l dentista realiza uma higiene bucal bem cuidadosa e um segundo procedimento, mais simples, é realizado pela equipe de enfermagem num segundo momento; - É solicitado que o paciente seja aspirado com frequência bem como a elevação da cabeceira entre 30 e 45º. Blue Dye Test Padronizar a análise da deglutição de saliva em pacientes traqueostomizados É feita por fonoaudiólogo Aplicar 4 gotas de anilina azul sobre o dorso da língua do paciente; Solicitar ao paciente para deglutir; Realizar aspiração endotraqueal após a deglutição, caso necessário; Observar a presença ou ausência imediata de secreção corada; Caso o teste Blue Dye dê resultado positivo (Presença de secreção corada de azul durante aspiração traqueal – indicativo de aspiração de saliva apresentando risco de broncoaspiração) , Executar planejamento terapêutico personalizado em relação à deglutição em conjunto com equipe multidisciplinar. PALMA A.B. O; ROSSI-BARBOSA LAR; SOUZA, RP; SANTA-ROSA, TTA; PAULA, Y; COSTA, SM. Necessidades odontológicas, fonoaudiológicas e fisioterápicas: Atenção integral a pessoa com deficiência. Revista Brasileira Ciências da Saúde, 2013; 11(37): 8-16. MONTENEGRO, FLB; MARCHINI L. Odontogeriatria: uma visão gerontológica. 2013, Elsevier Editora Ltda https://hconline.hc.fm.usp.br/images/n810/Aconteceu%20no%20HC/Acessibilidade% 20e%20assistencia%20odontol%C3%B3gica/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odo ntologica%20a%20beira%20leito%20hospitalar.pdf – acesso em 12 de novembro de 2023 https://hconline.hc.fm.usp.br/images/n810/Aconteceu%20no%20HC/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontol%C3%B3gica/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontologica%20a%20beira%20leito%20hospitalar.pdf https://hconline.hc.fm.usp.br/images/n810/Aconteceu%20no%20HC/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontol%C3%B3gica/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontologica%20a%20beira%20leito%20hospitalar.pdf https://hconline.hc.fm.usp.br/images/n810/Aconteceu%20no%20HC/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontol%C3%B3gica/Acessibilidade%20e%20assistencia%20odontologica%20a%20beira%20leito%20hospitalar.pdf