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Tabela 6.4 laboratório ou in situ podem ser apresentados no perfil ― a Tabela 6.4 mostra N valores que são o resultado de ensaios de SPT (Standard Penetration Test), descritos no Capítulo 7. As profundidades nas quais a água subterrânea foi encontrada e as mudanças subsequentes dos níveis, com a ocasião em que isso ocorreu, devem ser detalhadas. Exemplo de perfil de sondagem A descrição do solo deve estar baseada na distribuição granulométrica (tamanho das partículas) e na plasticidade, em geral, usando-se o procedimento rápido pelo qual essas características são avaliadas por inspeção visual e tato; as amostras deformadas costumam ser usadas com essa finalidade. A descrição deve incluir detalhes da cor do solo, da forma e da composição das partículas; se possível, a formação geológica e o tipo de depósito também devem ser fornecidos. As características estruturais da massa do solo também precisam estar descritas, mas isso requer um exame das amostras indeformadas ou do solo in situ (por exemplo, em um poço de inspeção). É necessário fornecer detalhes sobre a presença e o espaçamento de aspectos da estratificação, de fissuras e de outras características pertinentes. O grau de compacidade (ou compacidade relativa) das areias e a consistência das argilas (Tabela 1.3) devem ser indicados. 6.6 Ensaio de penetração de cone (CPT) O Penetrômetro de Cone é uma das ferramentas mais versáteis disponíveis para a exploração de solos (Lunne et al., 1997). Nesta seção, será apresentado o uso do CPT para identificar a estratificação e os materiais presentes no terreno. No entanto, a técnica também pode ser usada para determinar uma grande faixa de valores dos parâmetros geotécnicospadrão desses materiais, substituindo ou complementando os ensaios de laboratório resumidos na Seção 6.4. Isso será analisado no Capítulo 7. Além disso, em virtude da grande analogia entre o CPT e um pilar sujeito a um carregamento vertical, o primeiro também pode ser usado diretamente no projeto de fundações profundas (Capítulo 9). O penetrômetro consiste em um elemento cilíndrico curto, em cujo final há uma ponteira de formato cônico. O cone tem um ângulo de ápice de 60° e área de seção transversal de 100 mm2. Ele é empurrado verticalmente para o interior do terreno usando um equipamento de cravação, a uma velocidade constante de penetração de 20 mm/s (ISO, 2006). Para aplicações em terreno firme, o equipamento de cravação costuma ser composto de uma viatura CPT, que fornece uma massa de reação em consequência de seu peso próprio (em geral, 15–20 t). Uma carga de 20 t (200 kN) permitirá normalmente uma penetração aproximada de 30 m em areias densas ou argilas rijas (Lunne et al., 1997). Para investigações mais profundas nas quais se encontrem Figura 6.9 resistências à penetração maiores, a carga pode ser ainda mais aumentada ou o equipamento pode ser ancorado temporariamente no solo (Figura 6.9). À medida que o instrumento penetra, são colocadas hastes de cravação adicionais com o mesmo diâmetro dele para aumentar seu comprimento. Cabos que passam através do centro das hastes de cravação transportam dados dos instrumentos no interior do penetrômetro para a superfície. Em um cone elétrico-padrão (CPT), uma célula de carga entre ele e o corpo do instrumento registra, continuamente, a resistência à penetração do cone (resistência da ponta do cone qc), sendo usada uma luva de atrito para medir a resistência ao cisalhamento da interface (fs) ao longo do corpo cilíndrico do instrumento. Tipos diversos de solo exibirão proporções diferentes de atrito da luva para resistência final: por exemplo, os pedregulhos costumam ter fs baixo e qc alto, ao passo que as argilas têm alto fs e baixo qc. Examinando um banco de dados extenso com informações de ensaios CPT, Robertson (1990) propôs um gráfico que pode ser usado para identificar os tipos de solo com base em versões normalizadas desses parâmetros (Qt e Fr), o que é mostrado na Figura 6.10. Esquema do Ensaio de Penetração de Cone (CPT, Cone Penetrometer Test) mostrando a terminologia-padrão. Para um cone CPT-padrão, qt é aproximado de qc. No entanto, durante a penetração, o excesso de pressão neutra em torno do cone aumentará, em particular, em solos finos, que reduzem qc de forma artificial. Piezocones mais sofisticados (CPTU) incluem a medição localizada do excesso de pressões neutras em torno do cone que são induzidas pela penetração. Elas são medidas, em geral, logo atrás do cone (u2), embora também possam ser feitas medições no cone em si (u1) e/ou na outra extremidade da luva de atrito (u3), conforme ilustra a Figura 6.11. Quando tais medições são feitas, a resistência corrigida do cone qt é determinada por O parâmetro a é um fator de correção de área que depende do penetrômetro e, em geral, varia entre 0,5 e 0,9. Como antes, solos distintos apresentarão diferentes variações de pressão neutra durante a penetração: solos grossos (areias e pedregulhos) gerarão pouco excesso de pressão neutra graças à sua alta permeabilidade, ao passo que os solos finos, de permeabilidade mais baixa, exibirão valores maiores de u2. Se o solo estiver fortemente sobreadensado, u2 pode ser negativo. A medida da pressão neutra u2 fornece, portanto, um terceiro parâmetro contínuo que pode ser usado para identificar os tipos de solo por meio do gráfico mostrado na Figura 6.12 (Robertson, 1990). Se os dados de CPTU estiverem disponíveis, as Figuras 6.10 e 6.12 devem ser usadas para determinar o tipo de solo. Em alguns casos, os dois gráficos podem fornecer interpretações diferentes das condições do terreno. Nessas situações, é necessário bom senso para identificar qual é a interpretação adequada. As sondagens de CPT também podem ter dificuldade para identificar camadas de solo intercaladas (Lunne et al., 1997). Figura 6.10 Figura 6.11 Gráfico de classificação dos tipos de solos com base em dados normalizados de CPT (reproduzido de acordo com Robertson, 1990). Esquema do piezocone (CPTU). Como os dados são registrados continuamente com o aumento da profundidade durante uma sondagem CPT, a técnica pode ser usada para produzir um perfil do terreno que mostre a estratigrafia e a classificação, Figura 6.12 similar a um perfil de furo de sondagem. Um exemplo do uso dos gráficos de identificação precedentes é mostrado na Figura 6.13. O ensaio CPT é rápido, relativamente barato e tem a vantagem de não deixar um grande espaço vazio no terreno, como no caso de um furo de sondagem ou de um poço de inspeção. No entanto, tendo em vista as dificuldades de interpretação mencionadas anteriormente, os dados de CPT são mais eficientes para “preencher as lacunas” entre os furos de sondagem muito espaçados. Nessas condições, o uso dos gráficos de CPT(U) para identificação dos solos pode ser esclarecido pelas observações dos furos de sondagem. Os dados do CPT(U) fornecem, então, informações úteis sobre como variam os níveis de diferentes estratos de solo no local e podem identificar inclusões localizadas de material duro ou de vazios talvez omitidos pelos furos de sondagem. Gráfico de classificação dos tipos de comportamento de solo com base nos dados normalizados de CPTU. Figura 6.13 Exemplo mostrando o uso dos dados do CPTU para fornecer informações sobre o terreno. Em face da grande quantidade de dados gerados em uma sondagem contínua CPT e do fato de que os tipos de comportamento do solo (zonas 1–9 nas Figuras 6.10 e 6.12) se enquadram em intervalos definidos pela grandeza dos parâmetros medidos, a interpretação da estratigrafia do solo a partir dos dados do CPT tira grande proveito da automação/informatização. Pode-se verificar na Figura 6.10 que os limites entre as zonas 2–7 são aproximadamente arcos circulares, com uma origem em torno do canto superior esquerdo do gráfico. Robertson e Wride (1998) quantificaram o raio desses arcos por meio de um parâmetro Ic: em que Qt e Fr são a resistência de ponta normalizada e o coeficiente de atrito, conforme definido na Figura 6.10. A Figura 6.14 mostraas curvas Figura 6.14 desenhadas usando a Equação 6.3 para valores de Ic que representam da maneira mais fiel os limites do solo da Figura 6.10. Usar uma única equação para definir o tipo de comportamento do solo torna o processamento dos dados do CPT adequado para a análise automatizada que usa uma planilha, aplicando a Equação 6.3 a cada ponto de dado de ensaio. Uma ferramenta de planilha, CPTic_CSM8.xls, que implementa o método Ic pode ser encontrada no site da LTC Editora complementar a este livro. Deve-se tomar cuidado ao usar o método, porque ele não identificará de forma correta os tipos de solo 1, 8 e 9 (Figura 6.10); no entanto, para um uso mais frequente, o método Ic fornece uma ferramenta valiosa de interpretação das informações estratigráficas oriundas das sondagens CPT. Classificação do tipo de comportamento do solo usando o método Ic. 6.7 Métodos geofísicos Sob determinadas condições, os métodos geofísicos podem ser úteis na investigação do terreno, em especial, no estágio de reconhecimento. No entanto, não são apropriados para todas as condições do terreno, e há limitações para a informação que pode ser obtida; dessa forma, eles devem ser considerados, sobretudo, métodos suplementares. Só é possível encontrar limites dos estratos se as propriedades físicas dos materiais adjacentes forem significativamente diferentes. É sempre necessário comparar os resultados Tabela 6.5 com os dados obtidos por métodos diretos, como a sondagem de perfuração e o CPT. Os métodos geofísicos podem produzir resultados rápidos e econômicos, tornando-os úteis para o preenchimento de informações entre furos de sondagem muito espaçados ou para indicar onde podem ser necessários furos adicionais. Os métodos também podem ser eficientes para estimar a profundidade até o substrato rochoso ou o lençol freático ou, ainda, para localizar objetos metálicos enterrados (por exemplo, granadas de artilharia não explodidas) e espaços vazios. Eles podem ter particular utilidade na investigação de locais sensíveis contaminados, uma vez que esses não são métodos intrusivos ― ao contrário da sondagem e do CPT. Há diversas técnicas geofísicas, baseadas em princípios físicos diferentes. Três delas estão descritas a seguir. Refração sísmica O método de refração sísmica baseia-se no fato de que as ondas sísmicas têm velocidades diferentes em tipos diversos de solo (ou de rocha), conforme apresentado na Tabela 6.5; além disso, as ondas são refratadas quando cruzam o limite entre tipos diferentes de solo. O método permite que sejam determinados os tipos gerais do solo e as profundidades aproximadas até os limites dos estratos ou o substrato rochoso. Velocidades das ondas de cisalhamento de materiais geotécnicos comuns (de acordo com Borcherdt, 1994) Tipo de solo/rocha Velocidade da onda de cisalhamento, Vs (m/s) Rochas duras (por exemplo, metamórficas) 1400+ Rochas firmes a duras (por exemplo, ígneas, conglomerados, sedimentares competentes) 700–1400 Solos com pedregulhos e rochas macias (por exemplo, arenito, xisto, solos com > 20% de pedregulho) 375–700 Argilas rijas e solos arenosos 200–375 Solos moles (por exemplo, aterros soltos submersos e argilas moles) 100–200 Solos muito moles (por exemplo, solo pantanoso, solo recuperado) 50–100 As ondas são geradas pela detonação dos explosivos ou pelo golpe de um Parte 1 - Desenvolvimento de um modelo mecânico para o solo 6 Investigação do terreno 6.6 Ensaio de penetração de cone (CPT) 6.7 Métodos geofísicos