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e-Tec Brasil101
Aula 17 - Inteligência emocional
Nesta aula, avançamos para a abordagem da inteligência emocional. Esta 
habilidade tem sido muito requisitada nos ambientes de trabalho, pois exige 
da pessoa alguns parâmetros que envolvem controle, motivação, paciência, 
empatia, sinergia entre outros aspectos. Pode-se afirmar que todos têm em 
diferentes níveis algum grau de inteligência emocional, mas isso não exime 
uma pessoa de cometer um ato agressivo ou de descontrole no trabalho. 
Sabe-se hoje que a inteligência emocional é tão importante quanto o grau de 
conhecimento técnico, tecnológico ou de fluência em idiomas. Vamos então 
conhecer melhor o que é a inteligência emocional? Boa aprendizagem!
17.1 Definição de perfil emocional
Se você já participou de um processo seletivo para a iniciativa privada ou para 
um concurso público já deve ter pensado sobre os critérios estabelecidos que 
são ponderados para selecionar pessoas. 
Há sempre as provas de conhecimento geral (matemática, português, lógi-
ca), as avaliações específicas (idiomas, informática ou alguma determinada 
habilidade para a função), e as tão temidas avaliações projetivas ou mesmo 
as dinâmicas de grupo. Estas duas últimas buscam investigar se o candidato 
apresenta perfil emocional para o cargo. 
Mas o que vem a ser: perfil emocional para um cargo? Não basta apresentar 
habilidades cognitivas e técnicas que demonstrem a eficácia do candidato 
para o cargo?
A resposta é não. Hoje os profissionais de Gestão de Pessoas compreendem 
que só é possível estabelecer um clima organizacional harmonioso mediante 
a capacidade de interação das pessoas. Esta capacidade é denominada de 
Inteligência Emocional (IE) ou Quociente Emocional.
O psicólogo americano Daniel Goleman (1995) descreve em seu livro algu-
mas formas das pessoas se tornarem “mais inteligentes emocionalmente”. 
Não se trata de nenhuma receita de medidas corretas para você se tornar um 
expert emocionalmente. 
Inteligência emocional é muito mais do que isso: é estabelecer a arte da boa 
convivência com o outro. 
Temos, então, uma situação complexa: como aceitar as diferenças do outro?
Opiniões, comportamentos, gostos musicais, entre tantas outras trocas que 
fazemos ao conviver com outras pessoas?
Qual o impacto que as emoções representam nos ambientes de trabalho? È 
possível separar o racional do emocional sem perder a sinergia?
Oliveira (1997) acredita que as organizações não podem estar à parte do univer-
so emocional. A frase da chefia: “deixe seus problemas em casa, não os traga 
para o trabalho”, ou “não misture sua vida particular com a profissional”. Estas 
são considerações feitas por gestores que pouco entendem do aspecto huma-
no, e de como este aspecto interfere negativamente quando não considerado. 
Para o autor (1997, p. 36),“é preciso lembrar que o aparecimento do fe-
nômeno humano se deu por uma transformação nas relações emocionais”. 
Não há como proibir por muito tempo que as emoções sejam expressas nos 
diferentes ambientes. 
Moscovici (1999, p. 13) lamenta que “o objetivo final da empresa ainda não é 
a felicidade do homem, mas o seu lucro maior”, com isso a autora quer dizer 
que, os aspectos técnicos e tecnológicos são considerados antes das pessoas 
e que muitos gestores não conseguem ponderar as emoções nos ambientes 
de trabalho por diversos motivos. Talvez, em decorrência deles mesmos não 
saberem lidar com este contexto, ou não há espaço na cultura organizacio-
nal, ou há dificuldades em aceitar mudanças.
Goleman (1995) afirma que a inteligência emocional é uma capacidade adqui-
rida, calcada nas emoções, e que resulta num desempenho eficaz no mercado, 
podendo também ser expresso como Competência Emocional, e para tal, su-
gere a necessidade de desenvolver algumas habilidades práticas fundamentais:
a) Auto-percepção ou auto-consciência: instinto, intuição, reflexão.
b) Autorregulação ou gerenciamento de emoções: auto-controle dos 
impulsos destrutivos; focona realidade. Aprender a dizer não e ser cons-
ciencioso.
e-Tec Brasil 102 Psicologia do Trabalho
e-Tec Brasil103Aula 17 - Inteligência emocional
c) Motivação: vontade de melhorar, de crescer, de evoluir ou de realizar 
algo.
d) Empatia: capacidade de sentir e perceber como as pessoas se sentem, 
colocar-se no lugar do outro, saber ouvir mais do que falar.
e) Habilidade social: aptidão natural para os relacionamentos, capacidade 
de resolver conflitos, habilidades de comunicação e persuasão, noção de 
equidade.
Não há como prescrever um roteiro ou padrão que ao ser seguido irá tornar 
o indivíduo mais equilibrado e, portanto, mais inteligente emocionalmente. O 
que o autor especifica é que as pessoas possuem duas mentes: uma que sen-
te, e outra que pensa. “A mente racional não decide que emoções devemos 
ter, o que ela pode fazer é controlar o curso dessas reações”. (GOLEMAN, 
1995, p. 105). De primeira instância o indivíduo sente a emoção através dos 
impulsos nervosos que levam os estímulos do meio externo ao cérebro. Ao 
processar a informação, o cérebro processa também as emoções. 
Nós temos memória emocional e não apenas cognitiva!
Quando a pessoa lembra fatos da infância, de alguns momentos bons que 
conviveu ao lodo de outro, é possível “voltar ao passado” de forma figura-
tiva e relembrar as emoções sentidas: medo, tristeza, raiva, ciúmes, alegria. 
Como muitas vezes as emoções são atemporais, o cérebro pode reviver uma 
emoção mesmo depois de muito tempo, e então é possível reagir no presente 
como se fosse passado. 
Já comentamos sobre a importância do aspecto afetivo no desenvolvimento 
humano. Então, é preciso reafirmar que o quociente intelectual (QI) é tão 
importante quanto o emocional (IE). 
Um não deve ser superior ao outro, mas estar em 
equilíbrio:mente e corpo.
O ser humano não pode ser dividido, como queria o filósofo e matemático 
francês René Descartes (1596 – 1650), em ser pensante (mente) e ser ex-
tensa (corpo), deve contemplar a afetividade, sentimentos e emoções, pois 
muito das relações interpessoais são ponderadas por este viés emocional. As 
duas mentes devem operar em estreita harmonia na maior parte do tempo, 
entrelaçando conhecimento e emoção, afeto e razão, indivíduo e coletivo. 
As pessoas que apresentam dificuldades para estabelecer equilíbrio em 
sua vida emocional acabam apresentando dificuldades na capacidade de 
concentração e atenção no trabalho. Há redução do raciocínio lógico, da 
percepção do todo, dificuldade de comunicação clara e objetiva porque o 
foco está direcionado para o emocional.
Gardner (1994) outro pesquisador americano dos processos cognitivos es-
pecifica que todos os indivíduos apresentam inteligências múltiplas, ou seja, 
cada um tem um potencial mais aprimorado do que outro. O autor (1994, p. 
46) descreve a inteligência como “competência intelectual humana que apre-
senta um conjunto de habilidades de resolução de problemas – capacitando 
o indivíduo a resolver problemas ou dificuldades genuínos que ele encontra 
e, quando adequado, a criar um produto eficaz – e deve também apresentar 
o potencial para encontrar ou criar problemas.”
As inteligências descritas por Gardner (1994) são: linguística, musical, lógica, 
matemática, espacial, corporal-cinestésica e pessoal. 
Figura 17.1: Teoria de Gardner
Fonte: http://www.pedagogiaaopedaletra.com/
Leia o livro de Daniel Goleman, 
Inteligência emocional, da Editora 
Objetiva. O livro é extenso, mas rico 
em exemplos e comentários voltados 
para o contexto pessoal e profissional.
http://www.sebodomessias.com.br/
loja/(S(xo2cnj55j0tzxu553b5k2n3m))/
detalheproduto.aspx?idItem=6932
Leia o artigo sobre o que é 
cartesianismo de Robson Stigar, 
disponível no site: http://www.
artigonal.com/ciencia-artigos/o-
que-e-cartesianismo-705720.html o 
texto explica a origem do termo e a 
influência que René Descartes teve 
para as ciências. A teoria das múltiplas 
inteligênciasde Gardner
Inteligência 
linguistica
Inteligência Visual 
e espacial
Inteligência 
musical
Inteligência 
lógica e 
musical
Inteligência 
Interpessoal
Inteligência 
Intrapessoal
Inteligência 
Cinestésica
Inteligência
Naturalista
Todas as pessoas apresentam todas elas, porém, conforme a necessidade ou 
dificuldade desenvolvem ou exploram algumas mais do que outras.
As teorias destes dois autores, Gardner e Goleman, se complementam, pois a 
inteligência emocional, também compõe as inteligências múltiplas. Intelecto 
e emoções podem ser compartilhados e assim fazer o diferencial competitivo 
no mercado de trabalho. 
e-Tec Brasil 104 Psicologia do Trabalho
e-Tec Brasil105
A gestão das relações humanas solicita dos profissionais que estão no mer-
cado de trabalho maior habilidade e conhecimento em “como lidar com as 
emoções nos ambientes organizacionais”. Isto não diz respeito somente aos 
gestores, mas a todos os cargos. Nas relações horizontais, ou seja, de mesmo 
grau hierárquico, a inteligência pode ser estabelecida por meio do respeito 
mútuo, comunicação não agressiva e empatia. 
Não há pessoas melhores ou piores profissionalmente. Há, somente, 
diferenças individuais que acabam, muitas vezes, atrapalhando o bom 
andamento no ambiente de trabalho.
Resumo
Nessa aula, aprendemos o conceito teórico da inteligência emocional e sua 
aplicabilidade. Evidenciamos as habilidades necessárias a serem desenvolvi-
das para ampliar o potencial da inteligência emocional e a relação direta dos 
fatores cognitivos, emocionais e físicos que os indivíduos apresentam. Defini-
mos o conceito das diferentes inteligências múltiplas, seus principais aspectos 
e a correlação que guardam entre si, bem como a necessidade de desenvolver 
as diferentes inteligências (múltiplas e emocional) nos ambientes de trabalho 
para gerar crescimento pessoal e profissional.
Anotações
Leia o texto disponível no site:
http://www.homemdemello.com.br/
psicologia/intelmult.html
O tema do texto é: A Teoria das 
inteligências múltiplas e suas 
implicações para a educação de 
Maria Clara S. Salgado Gama. Como 
os espaços empresariais também são 
apropriados para o desenvolvimento 
profissional, analisar as inteligências 
múltiplas sobre o prisma da educação 
é um viés instigante. Procure associar 
o conteúdo apresentado à situações 
vivenciadas em sua empresa.
Acesse o site da Associação Brasileira 
de Estudos das Inteligências 
Múltiplas e Emocional - ABRAE: 
http://www.abrae.com.br/acervo/index4.
htm
Você vai encontrar uma série de 
pequenos textos que abordam temas 
muito interessantes como: sono, 
depressão, Alzheimer, terceira idade... 
Veja qual deles mais lhe interessa e 
discuta com seus colegas os principais 
tópicos. 
Há, também, entrevistas com 
Piaget, Goleman, Gardner, Freud e 
outros pesquisadores na área do 
desenvolvimento das inteligências.
Aula 17 - Inteligência emocional

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