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Prof. Sérgio Rabelo11 Máquinas Ferramentas Ferramentas de Dobra e Repuxo 1 Prof. Sérgio Rabelo22 Ferramentas de Dobra Elementos de chapa dobrada tem grande aplicação em construção mecânica e produtos Exemplos: ferragens, painéis, caixas, conectores etc A execução destes perfis são utilizadas em máquinas chamadas de “dobradeiras”, porém também são utilizados estampos específicos trabalhando em prensas As operações de dobra visam conformar o objeto sem alterar a espessura da chapa, podem ser realizadas em várias etapas 2 Prof. Sérgio Rabelo3 Esquema da máquina Prof. Sérgio Rabelo4 Prof. Sérgio Rabelo4 Dobramento de perfis Prof. Sérgio Rabelo5 Dobramento seqüencial Braçadeira Prof. Sérgio Rabelo66 Parâmetros Principais de Projeto Para dimensionamento da ferramenta de dobra é necessário atentar quanto a certos parâmetros de projeto: Raios de curvatura Retorno Elástico da peça Comprimento desenvolvido da peça Prof. Sérgio Rabelo77 Raio de Curvatura Deve-se evitar a presença de cantos vivos nas peças, visto que raios muito menores que a espessura da peça podem solicitar as fibras externas da chapa e conseqüentemente nuclear trincas. Experimentalmente sugere-se que: Onde: Sut = tensão última a tração (kgf/mm2) e é o alogamento (%) (mm) 5.0.85.0 += utS k kr − leve material se 0.5)e,-(0.4 duro material se 3)e,-(4 macio material se ,)21( e r Regra Prática: (mm) 2 e 50 −= e k Aço inox Prof. Sérgio Rabelo88 Retorno Elástico (“Spring back”) Devido a elasticidade do material, após a operação de dobra a peça tende a adquirir a sua forma primitiva. A ferramenta portanto deve possuir ângulos de dobra mais fechados do que os da peça Não existem cálculo analíticos precisos sobre o fenômeno no entanto é possível boas aproximações com uso de ferramentas CAE Verificações experimentais sugerem que: . 5.0)5.0( ´ ´ k eerkr = −+= Onde k é uma porcentagem Função do raio do punção e da Espessura da peça https://youtu.be/EB4Pq1e_4_c Prof. Sérgio Rabelo99 Retorno Elástico Exemplo de cálculo Raio do punção = 5 mm Ângulo de dobra = 90º Espessura da chapa = 2 mm Material = Inox 301 Prof. Sérgio Rabelo1010 Retorno Elástico Exemplo de correção Prof. Sérgio Rabelo1111 Retorno Elástico Exemplo de correção Prof. Sérgio Rabelo12 Comprimento desenvolvido Para se obter o produto com um determinado comprimento é necessário cortar a chapa de origem com o tamanho correto. Na região dobrada, a chapa pode sofrer um alongamento ou encurtamento devido as tensões atuantes. Devemos portanto obter o comprimento correto da chapa na linha neutra É importante ressaltar que o linha neutra nem sempre está na metade da espessura Prof. Sérgio Rabelo13 Comprimento desenvolvido Fórmula de cálculo para o comprimento desenvolvido Onde: = ângulo de dobramento R = raio de dobramento e = espessura f = fator de espessura, obtido a partir da relação R/e ) 2 .(. 180 e fRLe += Prof. Sérgio Rabelo14 Comprimento desenvolvido Exemplo de cálculo b = 20 mm c = 40 mm d = 20 mm Material = Aço ABNT 1020 Sut = 450 MPa Deformação específica = 20 % Espessura = e = 3 mm Prof. Sérgio Rabelo1515 Forças de Dobramento Durante a operação de dobramento, surgem as seguintes forças atuantes Força de dobramento (Fd) Necessária para o processo de dobramento Força no prensa chapas (Fpc) Necessário para sujeitar a peça Força lateral (Flat) Ocorre na interface punção-matriz 15 Prof. Sérgio Rabelo16 Forças no dobramento O punção ao descer exerce a força de dobramento (Fd) sobre a parte em balanço da chapa, que começa a se deformar. Parte da força é transferida para a parede da matriz, à medida que a chapa se deforma Prof. Sérgio Rabelo17 Forças no dobramento Prof. Sérgio Rabelo18 Casos Dobramento em V Considera-se a peça a ser dobrada como uma viga biapoiada, com esforço centralizado concentrado Onde: l = abertura do V d = tensão de dobramento = resistência ao dobramento b = largura da peça e = espessura b l e F ddv .. 3 2 2 = Prof. Sérgio Rabelo19 Casos Dobramento em L Considera-se a peça a ser dobrada como uma viga engastada em balanço igual a e. beF ddl .. 6 1 = Prof. Sérgio Rabelo20 Casos Dobramento em L Prof. Sérgio Rabelo21 Casos Dobramento em U Pode-se considerar como duas dobras em L Necessário adicionar a força para movimentar o extrator. Neste caso deve estimar a força do extrator como 10% da força de dobramento beF ddu .. 3 1 = Prof. Sérgio Rabelo22 Casos Dobramento em U Prof. Sérgio Rabelo23 Força no prensa chapas Dobramento em U De 15 a 20 % da força de dobramento Dobramento em L Onde: a = distância do centro da mola até a face da matriz a eF F d pc . = a Prof. Sérgio Rabelo24 Força lateral e Tensão de Dobramento A força lateral pode ser estimada em metade da força de dobramento A resistência ao dobramento pode ser obtida por: Em casos onde l/e < 10, as tensões de dobra podem crescer muito (até 10 vezes a tensão última) utd S2= Prof. Sérgio Rabelo25 Exemplo de cálculo Calcule a força necessária para dobrar em U uma chapa de 1m de largura e 3 mm de espessura. Sabe-se que a tensão limite à tração é de 400 MPa e a ferramenta é dotada de um extrator. Prof. Sérgio Rabelo262626 Repuxamento O repuxo ou embutimento é uma operação de estampagem onde uma chapa plana é transformada em um corpo oco. Exemplos de peça embutidas são Panelas Itens de carroceria veículos (portas, paralamas etc) Caixas e painéis etc; Durante o processo o punção impele a chapa gradativamente para a matriz, preenchendo as paredes lateral 26 Prof. Sérgio Rabelo27 Esquema Sequência de embutimento (dupla ação) I – aproximação II – sujeição III – embutimento IV – afastamento Dupla guia (prensa chapa e punção) Prof. Sérgio Rabelo28 Esquema Sequência de embutimento (simples ação) Única guia https://youtu.be/y4N2iusS-30 Prof. Sérgio Rabelo29 Esquema Sequência de embutimento (contra repuxo) Melhor eficiência energética Posicionamento adequado da peca Prof. Sérgio Rabelo30 Esquema Sequência de embutimento (Reestampagem) https://youtu.be/mQlqfXFceo4 Prof. Sérgio Rabelo31 Forças atuantes Prof. Sérgio Rabelo32 Tensões atuantes Regiões 1 - Parte plana do fundo: praticamente não sofre deformações II – Raio do fundo: deformação: significativa deformação na espessura III – Raio da matriz: aumento de espessura IV – Paredes laterais: decréscimo gradual de espessura Prof. Sérgio Rabelo33 Parâmetros do embutimento Capacidade de embutimento do material Relação de repuxo Redução percentual O ferramental (punção e matriz) A velocidade de conformação Lubrificantes Força de repuxamento Prof. Sérgio Rabelo34 Capacidade de embutimento do material Severidade máxima de repuxo (0MAX) : medida da máxima capacidade de repuxo em uma única operação 0 = relação de repuxo = D/d Para aços: 50% 1/0MAX 70% Para aços inox: 0MAX = 2,15-0,001d/e Onde: d = diâmetro do punção e D = diâmetro do blank Se 0 0MAX → repuxo em um único estágio Se não → repuxo em + de um estágio Prof. Sérgio Rabelo35 Redução percentual Pode ser calculada pela equação: Onde: 40 – 60% (aço inox) 40 – 55% (aços ferríticos) A redução depende do raio da matriz (menor o raio, menor %R) Em geral a redução vai diminuindo a cada etapa de embutimento devido ao encruamento do material D dD R )(100 % − = Prof. Sérgio Rabelo36 Redução percentual Prof. Sérgio Rabelo37 Ferramental Recomendações de dimensões: Raio da matriz Folga entre punção e matriz Raio do punçãoedDRm ).(.8,0 −= ee 1007,0+= eRp ).52( = Aço inox Aço carbono Prof. Sérgio Rabelo38 Velocidade de conformação É um fator crítico, pois velocidades excessivas podem conduzir a fratura do material ou redução da espessura da parede. Sugere-se: V = 6 a 12 m/min (aço inox) V= 4 a 6 m/min (aços ferríticos) Prof. Sérgio Rabelo39 Lubrificantes Em geral, utiliza-se um lubrificante para evitar os contatos metal-metal que levam à adesão a frio entre eles. Com esta finalidade, o lubrificante deve ser aplicado uniformemente em toda a superfície metálica. Freqüentemente, à medida que se aumenta a efetividade de um lubrificante, aumenta também a dificuldade de sua remoção. Prof. Sérgio Rabelo40 Força no repuxo A força no repuxamento pode ser estimada por: Onde: s = fator de correção da severidade sSeedF utR ..)..( += − − = 1 1 .2,1 max0 0 s Prof. Sérgio Rabelo41 Força no repuxo Força no prensa chapas Onde: p = pressão específica no sujeitador Ac = área de atuação do prensa chapas cPC ApF .= 𝑝 = 0,0025 (𝛽0 − 1)2 + 0,5𝐷 100𝑒 . 𝑆𝑢𝑡 4 )( 22 dD Ac − = Prof. Sérgio Rabelo42 Cálculo do Blank para peças cilíndricas Sem aba Com aba Prof. Sérgio Rabelo43 Exemplo de cálculo Para a peça dada a seguir, pede-se: A peca pode ser estampada em uma única operação ? Qual o esforço de embutimento necessário (sem prensa chapas), adotando um coeficiente de segurança de 1,3. Dados: Material: aço inox e = 0,8 mm Sut = 500 MPa 50 1 0 0 Prof. Sérgio Rabelo44 Exercício A peça ilustrada é feita com aço inox 304 (Sut= 480 MPa), foi confeccionada por uma ferramenta progressiva de corte e repuxo. Nesta situação, pede-se: Determinar o diâmetro do blank Determinar número de operações necessárias de repuxamento Calcular o esforço total de embutimento para todos os estágios (considerando o prensa- chapa)