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Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 1 Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO DOENÇA HEMORROIDÁRIA O QUE É? O canal anal normal possui três almofadas de tecido submucoso, localizadas nas regiões lateral esquerda, posterior direita e anterior direita, contendo vênulas, arteríolas e tecido conjuntivo. Essas estruturas desempenham um papel na continência, favorecendo o fechamento completo do canal em repouso. O termo "hemorroida" é aplicado quando uma dessas almofadas se expande anormalmente, resultando em sintomas notáveis. FATORES DE RISCO FORTES Idade entre 45-65 anos Constipação Gestação ou lesão pélvica com efeito de massa FRACOS Insuficiência hepática Ascite Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 2 ETIOLOGIA PRIMÁRIA Esforço excessivo em decorrência da constipação ou diarreia crônica SECUNDÁRIA Gestação Ascite Presença de lesões com efeito de massa dentro da pelve CLASSIFICAÇÃO QUANTO À LOCALIZAÇÃO EXTERNAS 1. Dilatações vasculares do plexo hemorroidário inferior, localizadas abaixo da linha pectínea, recobertas por epitélio escamoso (anoderma) 2. Possuem inervação somática, ou seja, são sensíveis à dor, ao toque e à temperatura INTERNAS Dilatações vasculares do plexo hemorroidário superior, localizadas acima da linha pectínea, no espaço submucoso. Superiormente à linha pectínea, o canal anal apresenta inervação visceral, sendo sensível apenas à distensão CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO GRAU DE PROLAPSO DAS HEMORROIDAS INTERNAS GRAU I Sem prolapso, apenas com sangramento em gotejamento ou esguicho de sangue no vaso sanitário Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 3 GRAU II Prolapso com redução espontânea GRAU III Prolapso necessitando de redução digital GRAU IV Prolapso que não pode ser reduzido QUADRO CLÍNICO INTERNAS Sangramento: indolor, vermelho-vivo, “pinga” ou “esguicha” no vaso sanitário após a evacuação Prolapso Pequeno escape de fezes ou muco, provocando prurido EXTERNAS Não costumam provocar sintomas relevantes Desconforto e dificuldade na higiene da região anal Dor aguda associada às hemorroidas externas ocorre apenas na vigência de trombose hemorroidária TRATAMENTO DAS HEMORROIDAS INTERNAS GRAU I 1. Orientações dietéticas 2. Ligadura elástica ou Escleroterapia ou Fotocoagulação infravermelha GRAU II 1. Orientações dietéticas 2. Ligadura elástica Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 4 GRAU III 1. Orientações dietéticas 2. Tratamento cirúrgico. GRAU IV 1. Orientações dietéticas 2. Tratamento cirúrgico. HEMORROIDECTOMIA ABERTA OU MILLIGAN-MORGAN Mamilos hemorroidários são ressecados e as incisões são mantidas abertas e cicatrizam por segunda intenção HEMORROIDECTOMIA FECHADA OU FERGUSON Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 5 Mamilos hemorroidários são ressecados e a ferida é fechada com sutura contínua com fio absorvível FISSURA ANAL O QUE É? Úlcera linear no epitélio escamoso do canal anal, localizada entre a margem anal e a linha pectínea ETIOLOGIA Passagem de fezes endurecidas e volumosas, que geram trauma e ruptura da anoderme CLASSIFICAÇÃO AGUDA < 6 SEMANAS Úlcera linear superficial e friável CRÔNICA > 6 a 8 semanas Úlcera com bordas fibróticas + plicoma sentinela + papila hipertrófica LOCALIZAÇÃO 1. Linha média posterior: 90% 2. Linha média anterior: 10% 3. Outras localizações: devem levantar a possibilidade de doenças subjacentes Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 6 QUADRO CLÍNICO Dor: durante e após a evacuação Sangramento: vermelho-vivo, notado no papel higiênico CONDUTA AGUDA Medidas higienodietéticas + pomadas anestésicas locais (gel de lidocaína a 2%) CRÔNICA Medidas higienodietéticas + pomadas anestésicas locais (gel de lidocaína a 2%) + esfincterotomia química (pomada de nitroglicerina) e/ou esfincterotomia cirúrgica ABSCESSO ANORRETAL O QUE É? Acúmulo localizado de pus nos espaços perirretais ETIOLOGIA Infecção de origem nas glândulas anais (infecção criptoglandular) Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 7 CLASSIFICAÇÃO 1. Interesfincteriano 2. Perianal 3. Isquiorretal 4. Supraelevador QUADRO CLÍNICO 1. Dor anal aguda latejante 2. Febre 3. Presença de área endurada próxima à borda anal, extremamente dolorosa, com hiperemia da pele e aumento da temperatura local CONDUTA 1. Drenagem cirúrgica 2. Antibioticoterapia: apenas para imunocomprometidos, pacientes com sintomas sistêmicos e abscessos complicados COMPLICAÇÃO Síndrome de Fournier FÍSTULA ANAL Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 8 O QUE É? Infecção que se origina nas glândulas do canal anal, ou seja, de um abscesso anorretal criptoglandular, que após drenagem espontânea, ou até mesmo cirúrgica, forma um trajeto epitelizado, que conecta o ânus ou reto à pele da região perianal. CLASSIFICAÇÃO DE PARKS Leva em consideração o trajeto em relação ao complexo esfincteriano Interesfincterianas: 45% Transesfincterianas: 30% Supraesfincterianas: 20% Extraesfincterianas: 5% CLASSIFICAÇÃO SIMPLES Incluem os trajetos interesfincterianos e os transesfincterianos baixos COMPLEXA Fístulas que envolvem mais de 30% dos músculos do complexo esfincteriano Supraesfincterianas Extraesfincterianas Transesfincterianas altas Fístulas com múltiplos trajetos Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 9 Fístulas relacionadas à doença inflamatória intestinal, radiação ou malignidade Fístulas relacionadas a doenças infecciosas Mulheres com fístulas anteriores Fístulas em ferradura QUADRO CLÍNICO Drenagem espontânea e persistente de secreção, com odor desagradável, que suja as vestes íntimas Dor ou desconforto Prurido anal REGRA DE GOODSALL-SALMON Divide-se o canal anal em segmentos anterior e posterior por meio de uma linha transversal imaginária, traçada através da borda anal. Os tratos fistulosos com aberturas externas posteriores a essa linha tendem a seguir geralmente um curso curvilíneo até a cripta na linha média posterior. As fístulas anteriores tendem a fazer um trajeto em sentido radial internamente até a linha pectínea CONDUTA Doenças Orificiais - BEATRIZ TIANEZE DE CASTRO 10 SIMPLES Fistulotomia ou fistulectomia COMPLEXA Dedenho/séton Cola de fibrina Aplicação de plugs Avanço de retalho endoanal