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As Bases da Pesquisa
Módulo 1: Teoria, método e delineamento de uma pesquisa
Método científico
Várias questões aguçam nossa curiosidade sobre o mundo. Na Psicologia, existem muitas perguntas inquietantes, e o método científico busca respondê-las de forma eficaz e sistematizada. O planejamento de uma pesquisa científica requer que o pesquisador tenha conhecimentos acerca de uma série de fatores, para que os resultados sejam confiáveis e exequíveis pela comunidade. Com isso, neste conteúdo, abordaremos o método científico, bem como as especificações sobre delineamentos em pesquisa experimental.
O método científico é um conceito abstrato que se refere às maneiras como as perguntas são feitas e à lógica e métodos usados para obter respostas (SHAUGHNESSY; ZECHMEISTER; ZECHMEISTER, 2012, p. 23).
É permeado por duas características importantes:
Para que o estudante de Psicologia pense como pesquisador, é necessário que mantenha uma postura cética, ou seja, que questione evidências e hipóteses preestabelecidas. O método científico é diferente do senso comum, que é o conhecimento popular, sem comprovação científica.
Delineamento de pesquisa
O delineamento de pesquisa faz menção ao planejamento de um estudo, ou seja, a um desenho, a um plano ou a uma sinopse de como a pesquisa será guiada. De acordo com Gil (2008, p. 49), delineamento de pesquisa é o “planejamento da pesquisa em sua dimensão mais ampla, envolvendo tanto a sua diagramação quanto a previsão de análise e interpretação dos dados”.
Como vimos, o delineamento é a fase do estudo na qual o autor considera a aplicação de métodos sistemáticos para sua investigação. Ao fazer o delineamento de forma correta, o pesquisador garante maior fidedignidade ao estudo e evita contratempos, como o fato de o estudo tomar uma direção diferente da esperada. Traçar um delineamento de pesquisa também evita a realização de atividades desnecessárias, fazendo com que a metodologia seja executada com maior precisão. Algumas perguntas são elaboradas com o intuito de garantir um delineamento de pesquisa bem-elaborado, como:
· Qual o tipo de pesquisa será desenvolvido?
· Quais serão a amostra e o número de participantes?
· Qual será o local do estudo?
· Quais serão os instrumentos utilizados na coleta de dados?
· Esses instrumentos estão validados e padronizados?
· Quais serão os procedimentos adotados na coleta de dados?
· Quem serão os pesquisadores, ou a equipe de pesquisadores?
· Quais serão os procedimentos de análise e de interpretação dos dados?
O ingrediente mais importante para a identificação de um delineamento de pesquisa é o procedimento adotado para a coleta de dados. Então, vamos começar identificando o delineamento de pesquisa como transversal ou longitudinal.
Delineamento transversal e longitudinal
Em relação ao delineamento de pesquisa, a unidade de tempo de um estudo é um fator importante a ser definido antes de sua execução. A pesquisa pode ser, portanto, transversal ou longitudinal, como veremos a seguir.
Delineamento transversal -> Estudos transversais são também chamados de cross-sectional e descrevem uma situação ou um fenômeno em um momento específico do tempo. São como fotos tiradas em determinado momento, descrevendo a situação real, momentânea, daquela situação. Vamos supor que você queira saber quais são as características de uma população em vulnerabilidade social, que reside nas ruas. O interesse é conhecer a média de idade, o sexo, a escolaridade, a religião, entre outras características dessa população. Com isso, esse delineamento será transversal, já que considera uma descrição da realidade atual, daquele momento específico.
“Os desenhos transversais permitem que os pesquisadores descrevam as características de uma população ou as diferenças entre duas ou mais populações, e os dados correlacionais obtidos com os desenhos transversais permitem que os pesquisadores façam previsões” (SHAUGHNESSY; ZECHMEISTER; ZECHMEISTER, 2012, p. 165).
Delineamento longitudinal -> Agora, imagine que você, em outro momento, queira saber a eficácia da vacina X ou Y no contexto de uma pandemia. Alguns sujeitos tomarão a vacina X ou Y e serão acompanhados durante um ano, enquanto outros indivíduos tomarão o placebo (substância neutra) e terão esse acompanhamento. Nesse caso, a pesquisa em questão é longitudinal, já que existe um acompanhamento temporal. Ela se estabelece a longo prazo, incluindo a variável tempo. Os indivíduos, muitas vezes, recebem alguma intervenção, ou algum tratamento, e são acompanhados durante o tempo para checar se houve modificação causada pela intervenção aplicada. Estudos longitudinais são também chamados de follow-up e contam com uma sequência temporal previamente definida. A imagem a seguir representa uma ilustração de pesquisas longitudinais e transversais.
Comumente, as pesquisas longitudinais aproximam-se de estudos explicativos, como é o caso dos experimentos e dos quase experimentos, pois, frequentemente, há um acompanhamento durante o tempo.
Já as pesquisas transversais são mais próximas a objetivos exploratórios e descritivos, já que são realizadas a curto prazo.
Delineamentos intersujeitos e intrassujeitos
Pelo menos, dois grandes tipos de delineamento experimental convivem na ciência:
A escolha das duas modalidades de pesquisa depende do objetivo a ser alcançado por elas, como veremos a seguir.
Delineamento intersujeitos
Esse grupo também é denominado grupo de medidas separadas ou entre sujeitos.
Nesse tipo de delineamento, temos, no mínimo, dois grupos diferentes a serem comparados, por isso a denominação intersujeitos, ou entre grupos. Esses grupos separados são submetidos a condições experimentais diferenciadas, em que cada um recebe um tipo de ação específica.
Para entendermos melhor essa questão, vamos esclarecer os conceitos de grupo-controle e grupo experimental:
Vamos supor que iremos averiguar a eficácia da vacina X para a redução dos casos de gripe na população. O grupo experimental receberá a vacina da gripe propriamente dita, ou seja, a variável com a intervenção a ser testada. Já o grupo de controle receberá placebo, ou seja, uma substância neutra que não causa efeitos sobre os indivíduos.
O delineamento intersujeitos pode ser também ilustrado na imagem a seguir:
Os grupos intersujeitos têm a vantagem de conferir maior fidedignidade à relação entre causa e efeito, ou seja, estabelecem maior segurança para afirmar que uma variável modificou os resultados da outra variável.
Esses grupos exigem que a amostra de participantes seja maior, tendo em vista que serão separadas em pelo menos duas condições experimentais.
Os participantes de ambos os grupos são inocentes quanto ao propósito de estudo, isto é, eles não sabem se foram designados para o grupo experimental ou para o grupo-controle. Isso promove maior confiabilidade ao estudo, já que eles não poderão tentar “agradar o pesquisador”, o que reduz o viés de desejabilidade social.
Apesar de conferir maior confiabilidade ao estudo, esse delineamento possui algumas desvantagens, pois requer muitos indivíduos e a distribuição aleatória dos participantes para os grupos, a fim de que o estudo não seja enviesado por diferenças individuais.
Delineamento intrassujeitos
Nesse delineamento, os sujeitos que participarão do estudo são os mesmos indivíduos, porém farão parte da execução do estudo antes e após as intervenções. Esses delineamentos também são denominados delineamentos de sujeito único, medidas repetidas ou delineamentos de pré-teste e pós-teste.
✦ Exemplo: Vamos supor que você queira averiguar se uma intervenção em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é capaz de reduzir o estresse entre estudantes universitários. Assim, você seleciona cem indivíduos para compor a amostra, faz a testagem com instrumentos psicológicos, a fim de medir o estresse dos participantes (pré-teste), e logo após aplica a intervenção em TCC em todo o grupo. Após três meses, aplica novamente os instrumentos de pesquisa (pós-teste) para averiguar se o nível de estressemodificou após a intervenção realizada. Com isso, você terá desenvolvido uma pesquisa intrassujeitos, ou seja, com os mesmos sujeitos de pesquisa do início ao fim do estudo.
Esse delineamento é muito comum nos quase experimentos, já que nem sempre é possível separar a amostra em dois grupos diferentes.
Maiores detalhes sobre esse delineamento podem ser vistos na imagem a seguir: 
Assim como o delineamento intersujeitos, o delineamento intrassujeitos apresenta vantagens e desvantagens.
O método intrassujeitos tem a vantagem de ser mais fácil de operacionalizar, já que a amostra pode ser menor. Esses estudos também não necessitam de randomização, pois se referem a uma amostra única.
Como desvantagem, esse delineamento pode ocasionar o efeito de ordem, ou seja, os participantes tendem a decorar ou a lembrar os questionários anteriormente aplicados, e isso pode enviesar o estudo. O viés de desejabilidade social também pode estar presente, caso não seja controlado, pois todos os indivíduos participaram da intervenção e tendem a relatar resultados que “agradam” o pesquisador. Se comparado com o delineamento intersujeitos, esse tipo de estudo demonstra ter menor confiabilidade e menor validade interna, isto é, não se pode estabelecer uma relação de causa e efeito totalmente confiável com esse delineamento.
Apesar dessas questões, o delineamento intrassujeitos pode contribuir com a comunidade científica, tendo em vista a grande abrangência e a facilidade de operacionalização.
Questões
1) Para combater as Fakes News sobre a saúde, o Ministério da Saúde, de forma inovadora, está disponibilizando um número de WhatsApp para envio de mensagens da população. Vale destacar que o canal não será um SAC ou um tira-dúvidas dos usuários, mas um espaço exclusivo para receber informações virais, que serão apuradas pelas áreas técnicas e respondidas oficialmente se são verdade ou mentira (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2021). Na contemporaneidade, a utilização do método científico torna-se cada vez mais valiosa, tendo em vista a quantidade de matérias falsas, ou Fake News, que estão sendo disponibilizadas. Sobre as características do método científico, marque a alternativa correta entre as opções a seguir.
2) Tal como acontece com os medicamentos, todas as vacinas têm que passar por testes morosos e rigorosos, para garantir sua segurança antes de poderem ser introduzidas no programa de vacinação de um país. Cada vacina em desenvolvimento tem, em primeiro lugar, de ser submetida a exames e avaliações, para determinar qual antígeno deve ser usado para provocar uma resposta do sistema imunitário. Essa fase pré-clínica é feita sem testes em humanos. na vacina experimental é testada primeiro em animais, para avaliar sua segurança e o potencial para deter a doença (OMS, 2011).
Como vimos, o desenvolvimento de uma vacina passa por procedimentos importantes até sua disseminação, ou seja, um delineamento de pesquisa rigoroso é essencial para garantir a eficácia da vacinação. Um delineamento de pesquisa é um desenho, ou um planejamento prévio, que garante boa confiabilidade a um estudo. Sobre os delineamentos de pesquisa transversais e longitudinais, assinale a alternativa correta:
Módulo 2: Construção e testagem de uma teoria
Importância das teorias
As teorias representam um conjunto organizado e sistematizado de conhecimentos que explicam com eficiência fenômenos abrangentes da natureza. Dessa forma, não só permitem explicar como também fazer predições e até controlar fatos de nosso interesse. Mas, para que elas consigam funcionar de forma eficiente e válida, devemos seguir de modo sistematizado todo o processo que o método científico engloba.
Vejamos a seguir os elementos fundamentais para a construção e a testagem de uma teoria.
De acordo com Cozby (2003), as teorias têm duas funções importantes no aumento de nosso conhecimento sobre os indivíduos:
 
Hipóteses e predições
Nós, seres humanos, temos uma motivação intrínseca para realizar pesquisas científicas: nossa curiosidade a respeito do mundo. Mediante essa curiosidade natural, podemos estabelecer hipóteses e predições sobre vários conteúdos acerca de nossa existência. Sobre o método científico, um dos objetivos da ciência é a previsão de comportamentos, ou seja, as predições.
A predição consiste na habilidade de descrever o que ocorrerá quando as mesmas condições causais encontradas em um momento anterior se repetirem, ou seja, quando existir alguma regularidade entre o comportamento antecedente e o consequente.
“Tendo observado com alguma regularidade que dois eventos estão sistematicamente relacionados (por exemplo, maior credibilidade está associada com maior mudança de atitude), torna-se possível fazer previsões. Uma implicação daí decorrente é a possibilidade de antecipar eventos.” Cozby (2003, p. 21)
Sobre esse fato, a capacidade de prever nos auxilia na tomada de decisões em diversas áreas da Psicologia.
Como exemplo, se o paciente X diagnosticado com depressão obteve melhora clínica com a aplicação do protocolo de intervenções clínicas para essa psicopatologia, podemos fazer a predição de que outros pacientes com depressão também podem beneficiar-se desse protocolo. Se uma empresa específica obteve melhoras na produtividade dos funcionários aplicando um treinamento específico sobre habilidades sociais, por exemplo, podemos predizer que outros funcionários e outras empresas também serão beneficiados por esse treinamento.
· Mas o que é a hipótese de pesquisa?
Sobre o desenvolvimento das hipóteses, a maioria das pesquisas procura testar uma hipótese formulada pelo investigador.
Uma hipótese, na realidade, é um tipo de ideia ou afirmação de partida, que corresponde a uma lacuna no conhecimento. Ela afirma algo, que pode ser verdadeiro ou não. Uma hipótese, no entanto, é somente um questionamento ou uma ideia preliminar à espera de evidências favoráveis ou contrárias.
Uma hipótese também pode ser definida como uma declaração provisória sobre a possível relação entre duas ou mais variáveis. Por exemplo:
· Podemos supor que uma intervenção será eficaz para reduzir o uso de álcool em uma população, e isso é uma hipótese que deverá ser testada.
· Podemos supor que determinado tratamento será efetivo para o transtorno bipolar, e isso também pode ser uma hipótese.
· Podemos supor que a teoria de base lacaniana é mais consistente para definir o conceito de transferência em psicanálise, mas deve ser realizada uma pesquisa científica para confirmar ou não essa hipótese.
As hipóteses científicas, portanto, são as premissas em determinada teoria que podem ser validadas com base em um método científico, contribuindo, assim, para a formulação de novas hipóteses de pesquisa.
Indução e Dedução
A construção de teorias é um processo complexo e multifacetado, que envolve os métodos de indução e dedução.
O método de indução nos permite produzir generalizações teóricas que estão baseadas na evidência acerca de um conjunto de casos específicos. Uma razão para fazer pesquisa é a coleta dessa evidência. Já o método de dedução nos permite derivar predições específicas a partir dessas generalizações. E outra razão para fazer pesquisa é a testagem dessas predições. (BREAKWELL; HAMMOND; FIFE-SCHAW; SMITH, 2010, p. 28).
 
Princípio da Falseabilidade
Outro aspecto importante da ciência é o princípio da falseabilidade, que é a capacidade que tem uma teoria de ser refutada ou contestada.
Para que uma teoria seja verdadeira, ela tem de ter a capacidade de ser contestada. (POPPER, 2006)
Ou seja, uma teoria deve ser submetida a testes que a refutem, para assim ser possível provar sua veracidade. Caso uma teoria não possa ser contestada, podemos falar de dogmas, e não de teorias. Assim, a investigação empírica de uma teoria deve ser uma tentativa genuína de refutá-la.
Resumindo: Na verdade, não podemos provar com toda certeza de que uma teoria estará sempre certa sob todo o conjunto de contextos e circunstâncias a que estamos submetidos. Em vez disso, Popper propôs que deveríamos provarque uma teoria está errada, pois, demonstrando onde está seu erro, mostraríamos em quais partes ela deveria ser melhorada ou modificada, por isso a denominação falseabilidade. Uma boa teoria é aquela que permanece inalterada ao longo de muitas tentativas de refutação
Questões éticas em um planejamento de pesquisa
Sobre a construção e a testagem de uma teoria, é fundamental ter conhecimentos sobre a ética em pesquisa antes da operacionalização de um estudo.
Uma pesquisa pode apresentar todos os requisitos práticos para tornar-se exequível, porém pode não respeitar os princípios éticos, e isso deve ser averiguado pelos pesquisadores antes de fazer o planejamento.
No Brasil, os aspectos éticos para pesquisas em seres humanos são regulados pelas Diretrizes e Normas de Pesquisa em Seres Humanos, por meio da Resolução nº 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde (CNS) (BRASIL, 1996).
Podemos citar alguns princípios éticos a serem garantidos pelos pesquisadores.
· Princípio da não maleficência: O primeiro princípio a ser respeitado antes de planejar uma pesquisa, o qual significa que os indivíduos não podem ser expostos a danos físicos ou psicológicos. O pesquisador precisa velar pelo bem-estar das pessoas envolvidas na pesquisa, avaliando sempre os riscos e os custos de seus atos.
Vamos supor que a pesquisa que você queira desenvolver privará o indivíduo de sono ou de alimentação por um longo período. Logo esse estudo não pode ser realizado, tendo em vista que não respeitou o princípio da não maleficência, salvo alguns casos, que devem ser liberados anteriormente por um comitê de ética em pesquisa.
Outra questão é expor o indivíduo a danos psicológicos, como expor os sujeitos de pesquisa a situações vexatórias ou que piorem sua autoestima e sua saúde mental.
O risco ético de uma pesquisa deve basear-se no risco mínimo, o que corresponde a tarefas corriqueiras, como: conversar, alimentar-se, andar, entre outras.
· Princípio da beneficência: o pesquisador deve elaborar pesquisas que promovam o bem-estar da sociedade, que contribuam para políticas públicas eficazes e para o bem-estar dos indivíduos em uma comunidade.
· Princípio da autonomia: também deve ser respeitado, tendo em vista que os sujeitos poderão cancelar sua participação no estudo a qualquer momento e em qualquer etapa. Os direitos fundamentais do ser humano, sua autonomia, suas opiniões e suas convicções também devem ser garantidas. Portanto, segundo esse princípio, é fundamental que o pesquisador atue no sentido de preservar e respeitar a visão, as crenças e os pontos de vista dos sujeitos da pesquisa.
· Princípio da Justiça: o indivíduo deve ter seus direitos preservados, bem como a liberdade de expressão, em qualquer etapa do estudo. Uma questão importante é o indivíduo saber as características da pesquisa a que está sendo submetido, por isso a cilada (engano do participante) deve ser evitado.
Certa cilada é permitida em algumas pesquisas experimentais, como o fato de o indivíduo não saber se está fazendo parte de um grupo-controle ou experimental, por exemplo, porém, no momento da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), devem ser informados a ele os objetivos da pesquisa e todos os procedimentos aos quais será submetido.
· Mas o que é o TCLE?
É um documento de autorização que concede aos pesquisadores o poder de obter informações sobre o participante do estudo. Ele deve ser assinado pelos participantes da pesquisa e pelos pesquisadores responsáveis. Nesse termo, também deve conter o endereço dos pesquisadores para dúvidas ou contatos futuros.
O processo de consentimento informado deve fornecer informações detalhadas sobre o estudo, esclarecendo as etapas da pesquisa e os passos que serão tomados em todo o procedimento de coleta de dados. Esse documento também deve incluir os riscos e os desconfortos, bem como os benefícios e os procedimentos que serão executados. Sua redação deve ser adaptada, para que os participantes consigam interpretar o que está sendo esclarecido no termo.
Atenção: Outra questão importante do TCLE é a garantia de sigilo das informações. Toda informação coletada deve ser confidencial. Assim, nos questionários de aplicação dos instrumentos, os nomes dos sujeitos não deverão ser informados, e, sim, alternativas, como códigos ou siglas, para preservar seu anonimato. Se essa confidencialidade não puder ser garantida, o participante deve ser avisado disso antes que concorde em participar do estudo. Toda coleta de dados em uma pesquisa só deve ser iniciada após a aprovação do projeto em um comitê de ética, de acordo com a Resolução nº 196/1996 do CNS. O TCLE também deve ser aprovado por um comitê de ética em pesquisa antes de sua disseminação.
Questões
1) O filósofo anglo-austríaco Karl Popper (1902-1994) foi um cientista renomado no campo das ciências. Em parceria com outros grandes filósofos do século XX, como Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Kurt Godel, introduziu conceitos que delinearam não exatamente o que seria o método científico moderno, mas os limites do fazer científico, bem como as condições de criação e verificação das teorias. Na contemporaneidade, saber distinguir evidências científicas diante de outros achados não confiáveis tornou-se importante para o desenvolvimento da sociedade. Sobre o princípio da falseabilidade de Popper, assinale a alternativa correta:
2) De acordo com a Resolução CFP nº 016/2000, toda pesquisa em Psicologia com seres humanos deverá estar instruída de um protocolo, a ser submetido à apreciação de comitê de ética em pesquisa, reconhecido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), como determina sua Resolução nº 196/1996. Sobre a ética em pesquisa em Psicologia, assinale a alternativa correta:
Módulo 3: Principais Variáveis de uma pesquisa
Importância do estudo das variáveis
As variáveis são o foco principal da pesquisa na ciência. Uma variável é simplesmente algo que pode variar, isto é, que pode assumir valores ou categorias diferentes.
Como variável, podemos definir qualquer evento, situação ou comportamento que tenha pelo menos dois valores. Podemos citar como exemplos de variáveis: sexo, idade, gênero, peso, altura, entre outras. Exemplos de variáveis que os psicólogos podem investigar incluem mudança de atitudes, desempenho em tarefas cognitivas, inteligência, estresse, autoestima, sintomas depressivos, agressividade, uso de álcool, efeitos de intervenções, entre outras.
· Mas por que estamos interessados em medir variáveis?
Habitualmente, temos interesse em variáveis porque queremos entender o motivo de sua variação. Para compreender essa variação, devemos ter a capacidade de medir e registrar tais alterações.
Variável independente
Em um experimento, a variável manipulada é a variável independente, ou seja, ela é utilizada para modificar os valores da variável dependente, sendo manipulada para modificar os efeitos de um fenômeno.
Como exemplo, o pesquisador cria uma situação na qual coloca os participantes do estudo para assistir a um programa violento ou a um programa não violento, a fim de medir a agressividade dos indivíduos. Nesse contexto, a variável independente seria o programa violento ou não violento, e a variável dependente, a agressividade. Nessa situação, o vídeo é a variável manipulada. A variável independente, então, é a variável manipulada pelo experimentador, e a variável dependente é o comportamento medido, causado pela variável independente.
Suponha que você queira saber o resultado do uso de drogas lícitas e ilícitas no comportamento sexual de homens solteiros. A variável independente seria o uso de drogas lícitas e ilícitas, e a variável dependente, o comportamento sexual de homens solteiros, que seria modificado ou não pelo uso de drogas.
Você pode observar que, em algumas pesquisas, os pesquisadores focalizam basicamente a variável independente, estudando o efeito de uma única variável independente sobre numerosos comportamentos. Por exemplo, analisar o efeito da atividade física no estresse, na ansiedade, na depressão, naobesidade, entre outros.
Outros pesquisadores podem focalizar uma variável dependente específica e estudar como diversas variáveis independentes afetam esse comportamento. Por exemplo, avaliar quais variáveis estão agindo no fato de o indivíduo consumir maiores quantidades de bebidas alcoólicas.
Como variável independente, poderiam ser testadas a exposição aos gatilhos, a ansiedade, a influência parental, e como essas variáveis influenciariam o consumo de álcool, este último sendo a variável dependente.
Atenção! Na Psicologia, existem vários tipos de variáveis independentes e de variáveis dependentes. O mais importante é você saber que os efeitos da variável independente vai influenciar os resultados da variável dependente.
Variável dependente
A variável dependente, como o nome já diz, depende dos efeitos da variável independente, ou seja, é a que é afetada por esta. É sobre o efeito, o que é medido. Por exemplo, em um estudo de Psicologia, você deseja medir a quantidade de intervenções que os idosos precisam receber para aumentar os níveis de independência digital e o conhecimento em informática. Nesse caso, a variável independente seriam as intervenções, e as variáveis dependentes, a independência digital e o conhecimento em informática.
Outro exemplo possível na Psicologia experimental seria averiguar se a exposição a fotos de modelos magras influenciaria a autoestima de mulheres obesas. A variável independente, nesse caso, seriam as fotos de mulheres magras, e a variável dependente, a autoestima de mulheres obesas.
Note que, nos exemplos apresentados, a variável independente é a que o pesquisador manipula para modificar os efeitos de um fenômeno, que, nesse caso, é a variável dependente.
Variável interveniente
A variável interveniente também pode ser denominada variável estranha, confundidora, espúria ou viés de pesquisa. Esses nomes referem-se às variáveis que atrapalham os resultados de um experimento.
Em qualquer situação de pesquisa, em Psicologia, Física, Biologia, Medicina, entre outras áreas, deve-se levar em conta a influência dessas variáveis. Se elas forem negligenciadas, as conclusões obtidas do estudo poderão não ser confiáveis.
· O objetivo de um experimento é determinar até que ponto uma variável independente influencia os resultados de uma variável dependente.
Com isso, se as variáveis estranhas não forem devidamente controladas ou atenuadas, não teremos uma relação de causa e efeito bem-estabelecida, ou seja, não vamos poder afirmar que a variável independente causou a modificação na variável dependente.
Vamos supor que façamos um experimento sobre a influência das atividades físicas na diminuição do estresse em estudantes, sendo a atividade física a variável independente e o estresse em alunos a variável dependente. O método do estudo contará com dois grupos:
Que variáveis poderão confundir ou influenciar os resultados desse experimento?
No exemplo apresentado, diversas variáveis podem interferir no estudo, como:
Todos esses questionamentos devem ser realizados, a fim de atenuar os efeitos das variáveis intervenientes. E medidas para controlar esses vieses devem ser pensadas e organizadas no momento do planejamento da pesquisa.
Os principais tipos de variáveis intervenientes podem ser explicitados a seguir:
· Viés de história ou de contexto: São vieses que ocorrem de forma externa e que prejudicam os resultados do experimento, como: pandemias, guerras entre países, rompimento de barragens, desastres naturais, entre outros.
· Viés de maturação: São eventos ligados aos processos biológicos dos indivíduos, como envelhecimento ou adoecimento.
· Efeito de teste: Ao aplicar o mesmo teste em períodos diferentes, os participantes podem aprender a responder ao questionário, ou decorar algumas questões, e assim enviesarem a pesquisa.
· Efeitos dos instrumentos: Dependendo do tipo de instrumento utilizado, pode ser muito extenso ou de difícil entendimento, e isso pode causar cansaço ou falta de motivação por parte dos participantes. O instrumento também deve ser validado e adaptado para a população do estudo, pois, dependendo de sua complexidade, pode não ser entendido por parte dos entrevistados. Se o estudo demandar um alto número de instrumentos, recomenda-se trocar a ordem dos questionários no momento da aplicação, a fim de não enviesar o último teste em razão do cansaço dos participantes.
· Viés de mortalidade: Esse viés ocorre quando existe uma alta taxa de abandono por parte dos participantes; por exemplo, eles decidem não participar do estudo de forma voluntária, pela falta de tempo ou de interesse.
· Viés do pesquisador: Várias características do pesquisador podem alterar a motivação ou a disponibilidade do participante, como forma de abordagem, tom de voz, vestimenta, características pessoais, treinamentos diferentes dos pesquisadores, conduta, entre outras.
· Viés de desejabilidade social: Esse viés faz alusão ao desejo de “agradar” o pesquisador ou de não fornecer informações negativas sobre si mesmo; por exemplo, é mais difícil o entrevistado relatar que foi abusivo, agressor, que consome alguma substâncias, entre outras situações.
· Viés de teto: Esse viés fala da tendência dos entrevistados de fornecer respostas de escore mais alto, como concordo, muito satisfeito, entre outras.
· Viés de piso: É a forma contrária do viés de teto; configura-se como a tendência a fornecer respostas de escore mais baixo, como discordo totalmente, muito insatisfeito, entre outras.
Questões
1)Para Marconi e Lakatos (2003), uma variável pode ser considerada uma classificação ou uma medida, ou seja, um conceito operacional que apresenta valores, sendo passível de mensuração. Hoje, presenciamos diversas variáveis atuando em nosso cotidiano. As variáveis de pesquisa podem ser definidas como algo que varia. São observáveis e quantificáveis, como o preconceito, a aptidão física, a força, a habilidade motora, o sexo, a idade, entre outras. Nessa perspectiva, assinale a alternativa correta acerca das variáveis de pesquisa.
2) Atualmente, vários experimentos são conduzidos com o intuito de responder a questões importantes para a sociedade. Em um experimento, podem existir os vieses de pesquisa, ou variáveis estranhas, que são erros sistemáticos que afetam a validade das investigações científicas. Geralmente, é muito difícil ou mesmo impossível eliminar totalmente os vieses, mas cabe aos pesquisadores em Psicologia ter conhecimento sobre tais variáveis e buscar atenuar a interferência dessas questões na pesquisa experimental. Com isso, assinale a alternativa correta a respeito dos vieses de pesquisa.
Módulo 4: Psicologia como ciência
Experimento fidedigno
Os experimentos buscam estabelecer uma relação causal entre as variáveis independente e dependente. O principal ponto forte do método experimental é que ele é especialmente efetivo para estabelecer relações de causa e efeito.
O experimento fidedigno, ou experimento verdadeiro, ou simplesmente método experimental, consiste em três características principais:
· a manipulação das variáveis;
· o controle experimental;
· à randomização ou a aleatorização.
Muitas vezes, na área da saúde, como na Psicologia ou na Medicina, você verá a expressão “ensaio clínico randomizado e controlado” sendo utilizada. Isso significa que o estudo apresenta as características de randomização e de controle das variáveis estranhas, por isso essa terminologia também faz alusão a um experimento verdadeiro.
Manipulação das variáveis
Um experimento verdadeiro envolve a manipulação das variáveis, ou seja, envolve a manipulação de uma variável independente para que esta altere os efeitos de uma variável dependente.
· Para Cozby (2003), a manipulação de uma variável independente é relativamente um processo simples. É preciso definir operacionalmente uma variável, para que seja possível manipulá-la. Isto é, uma variável conceitual precisa ser transformada em um conjunto de operações, isto é, instruções específicas, eventos ou estímulos, que serão apresentados aosparticipantes da pesquisa.
Algumas variáveis independentes apresentam manipulações mais simples, como na apresentação de material verbal, escrito ou visual aos participantes.
· Exemplo: Um exemplo de pesquisa com manipulação simples de variáveis é apresentar um folheto explicativo em campanhas de saúde. Vamos supor que um grupo de mulheres que vão fazer o autoexame de mama seja submetido à apresentação de um folheto com textos e ilustrações, e que, para outro grupo de mulheres, não seja mostrado o folheto ilustrativo; essa manipulação, portanto, é simples e de fácil operacionalização.
Controle experimental
O controle experimental refere-se ao controle que os pesquisadores realizam para atenuar os efeitos das variáveis estranhas.
Diversas variáveis podem interferir nos resultados de um experimento, como o viés do pesquisador, o viés do participante, o viés de teto, o viés de mortalidade, entre outros. Com isso, são necessárias medidas para atenuar o efeito de tais variáveis e assim estabelecer uma melhor relação causal no experimento.
O controle experimental, portanto, permite que os pesquisadores façam a inferência causal de que a variável independente causou as mudanças na variável dependente.
O controle é o ingrediente essencial dos experimentos, sendo obtido por manipulação, mantendo as condições do experimento constantes e realizando o balanceamento.
As pesquisas realizadas em laboratório são bons exemplos de pesquisa experimental controlada, já que os vieses, nesse ambiente, são muito reduzidos. 
De forma contrária, as pesquisas em Psicologia em ambientes naturais são impactadas por várias formas de vieses, sendo importante que o pesquisador tenha conhecimento sobre essas variáveis e que tome medidas para atenuar seus efeitos.
Existem maneiras simples, e outras mais complexas, para atenuar os efeitos das variáveis estranhas.
Suponha que você vai testar se determinada intervenção é eficaz para reduzir os níveis de ansiedade entre 200 trabalhadores, sendo a variável independente a intervenção e a variável dependente o nível de ansiedade. Seria muito exaustivo se o mesmo pesquisador realizasse todas as intervenções, logo sendo necessária uma equipe de pesquisadores para conduzir esse experimento. Imagine se nessa intervenção cada pesquisador tiver uma abordagem diferente: a pesquisa estaria permeada por vários vieses, principalmente pelo viés do pesquisador.
Uma medida simples de controle experimental seria treinar todos os pesquisadores, para que fizessem a mesma intervenção, com a mesma abordagem, com vestimentas e tom de voz semelhantes, para assim diminuir esse tipo de viés.
Agora, imagine que, no mesmo exemplo apresentado anteriormente, os trabalhadores tenham passado por um período de demissão em massa na organização, o que aumentaria os níveis de ansiedade de forma natural.
Uma medida de controle experimental seria abordar os participantes em momentos diferentes, variados, a fim de diminuir a interferência do viés de contexto nessa pesquisa.
Os instrumentos utilizados também podem ser fontes de muitos vieses.
Vamos supor que, nessa pesquisa sobre ansiedade, sejam utilizados quatro questionários: A, B, C e D. Se eles forem aplicados sempre nessa mesma ordem, pode ser que o questionário D, aplicado por último, fique prejudicado pelo cansaço ou pela desmotivação dos participantes.
Com isso, sugere-se que a aplicação dos questionários seja realizada de forma variada, como: A, D, C, B; ou B, D, C, A; entre outras combinações. Tal técnica é denominada técnica dos quadrados latinos e apresenta-se efetiva para atenuar os vieses advindos dos instrumentos de pesquisa (COZBY, 2003).
O viés do participante também pode ocorrer, por exemplo, se algum deles, além da ansiedade, apresentar outros transtornos mentais, como comorbidades psiquiátricas (depressão, transtorno bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, entre outras). Isso pode alterar os resultados do experimento. Portanto, uma triagem, a fim de balancear esses participantes ou excluir tais dados ao final da pesquisa, pode auxiliar na diminuição dos vieses.
Outras características dos participantes podem também influenciar o resultado. Assim, é indicado que a amostra de um experimento tenha um número expressivo, a fim de atenuar os efeitos das variáveis individuais.
Randomização
Uma das premissas do estudo experimental é formar grupos comparáveis, ou seja, com características semelhantes, no começo do experimento. Os participantes de cada grupo devem ser comparáveis em termos de diversas características individuais, como sexo, idade, nível de escolaridade, personalidade, inteligência, e assim por diante. O objetivo da designação aleatória é estabelecer grupos equivalentes de sujeitos, balanceando ou calculando a média das diferenças individuais entre as condições.
A randomização, ou a aleatorização, é, portanto, um processo de seleção, em que cada participante do estudo tem a mesma probabilidade de ser sorteado para formar a amostra ou para ser alocado em um dos grupos de estudo (GIL, 2008). É um dos passos importantes em um estudo experimental, já que garante maior fidedignidade dos dados. A similaridade entre os grupos é uma segurança para os pesquisadores de que os sujeitos de ambos têm características semelhantes e que a intervenção será a única variável divergente a ser estudada.
Em um estudo em que não é realizada a randomização, os pesquisadores podem, mesmo que involuntariamente, alocar no grupo de intervenção os participantes mais colaborativos, ou os que aderem melhor à intervenção, o que poderia comprometer a validade dos resultados. A randomização contribui para que as características da amostra sejam homogêneas sobre várias questões estudadas.
Resumindo
No exemplo anterior sobre testar se uma intervenção é eficaz para reduzir os níveis de ansiedade entre 200 trabalhadores, é necessário que estes sejam sorteados para os grupos experimental e controle, pois, mediante o sorteio, as características dos participantes tendem a ser equilibradas entre os grupos. Quanto a esse sorteio, denominamos randomização ou aleatorização.
Vamos supor agora que, mesmo depois de o sorteio ter sido realizado, existam mais mulheres no grupo experimental do que no grupo-controle.
Além do sorteio, também será necessário fazer o balanceamento ou o emparelhamento dos participantes, tendo em vista que os grupos experimentais e controle devem sempre apresentar características homogêneas. 
Fazer o balanceamento significa manipular de forma proposital os participantes do grupo, a fim de garantir que as características de ambos sejam homogêneas.
Pesquisa quase experimental
Você já deve ter reparado que, na Psicologia, existem muitas opções de estudos. Há um universo muito variado de objetos de pesquisa. Nessa perspectiva, muitas vezes queremos trabalhar com variáveis que não podemos manipular diretamente.
Como exemplo fornecido pelos autores Dancey, Reidy e Rowe (2017), se quisermos comparar homens e mulheres de alguma forma, não poderemos manipular o grupo à qual cada participante pertencerá. Não é possível alocar aleatoriamente participantes às condições masculino e feminino, porque eles já são homens ou mulheres. Com isso, não podemos classificar essa pesquisa como experimental e, para classificar o fato de que tais projetos não são estritamente experimentais, eles são denominados delineamentos quase experimentais.
As características da pesquisa quase experimental são semelhantes às do experimento fidedigno; porém, o que difere nos dois delineamentos é que, na pesquisa experimental, existem uma randomização dos participantes e um rigoroso controle experimental sobre as variáveis intervenientes. Já no quase experimento, à randomização não é sempre possível de ser estabelecida, e o controle experimental nem sempre é rígido, ou seja, os quase experimentos são mais permeáveis às variáveis estranhas.
As pesquisas quase experimentais são muito utilizadas na Psicologia, pois lidamos com variáveis subjetivas, muitas vezes difíceis ou impossíveisde controlar na vida real. Variáveis como humor, autoestima, dependência de drogas, saúde mental, entre outras, requerem um esforço maior para atenuar os efeitos das variáveis estranhas. Assim, torna-se mais trabalhoso realizar um experimento fidedigno.
· Um dos problemas com os projetos quase experimentais é a alocação não aleatória das várias condições que constituem a variável independente.
Não podemos ter certeza de que a manipulação da variável independente, muitas vezes denominada “pseudomanipulação”, é a responsável pelas diferenças entre as várias condições. Assim, é mais difícil inferir relações de causalidade de projetos quase experimentais do que de projetos experimentais.
Os modelos quase experimentais, portanto, são úteis para testar a efetividade de uma intervenção e, além disso, são considerados os que mais se aproximam de cenários naturais. Esses desenhos de pesquisa são expostos a muitos ameaças às validades tanto interna quanto externa, o que pode diminuir a confiança de tais estudos. Em virtude do aumento do risco das variáveis estranhas e da confusão de estarem associadas a estudos quase experimentais, os estudos experimentais devem ser preferidos, sempre que possível.
Questões
1)Adriana é aluna do curso de Psicologia e na graduação propôs um projeto de pesquisa sobre a prática de exercícios físicos na diminuição do estresse. O objetivo era saber se o exercício físico iria diminuir os níveis de estresse e, consequentemente, a ansiedade. O estudo contou com 300 participantes, de ambos os sexos, que responderam a vários questionários, entre eles inventários de estresse e ansiedade validados e adaptados para a versão brasileira. Entre os respondentes, 150 participantes foram randomizados para o grupo experimental, que teve a prática guiada de atividades físicas, e 150, para o grupo-controle, que foi orientado a não praticar esportes. Os pesquisadores descreveram no método formas de controlar as variáveis estranhas; entre as medidas, eles foram treinados e utilizaram o mesmo procedimento no grupo experimental. Os questionários também foram aplicados de forma aleatória, a fim de diminuir os vieses da pesquisa. Com base no resumo apresentado, classifique o estudo, de acordo com seu delineamento de pesquisa:
2) A ciência não começa nem termina com os experimentos propriamente ditos, mas é um processo de descoberta, no qual usamos os melhores instrumentos e ferramentas para responder a nossas questões. Quando algumas características são inviáveis, podemos escolher entre ampla variedade de outras técnicas. A expressão “quase experimentos” abarca uma grande variedade de outros delineamentos de pesquisa, tendo se tornado conhecida pela primeira vez com Campbell e Riecken (1968). Tendo em vista a importância dos métodos experimentais em Psicologia, marque a assertiva correta.
Considerações finais
No conteúdo estudado, vimos os conceitos de método experimental e delineamentos de pesquisa. Em seguida, trabalhamos os conceitos de hipóteses e predições, bem como outras características para a construção e a testagem de uma teoria.
Também apresentamos as diferenças sobre os métodos indutivo e dedutivo, e suas contribuições para o fortalecimento do método científico. Posteriormente, foi relatada a importância da contestação das teorias, com o conceito de falseabilidade e os cuidados éticos que devemos tomar antes de formalizar um planejamento de pesquisa experimental. Foram abordadas as características das variáveis em relação à pesquisa experimental e as variáveis estranhas ou intervenientes, que podem confundir ou alterar o resultado de um experimento. Finalmente, vimos dois tipos de pesquisas possíveis no método experimental: o experimento verdadeiro e o quase experimento. Conhecer todos esses delineamentos facilita o planejamento, o entendimento e a visão crítica de pesquisa, assim como a escolha da metodologia adequada para explorar e analisar determinado fenômeno, a fim de alcançar a confiabilidade nos estudos experimentais e a construção da Psicologia como ciência.
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