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HIPNOANÁLISE 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
2 
Sumário 
 
INTRODUÇÃO................................................................................................. 4 
TÉCNICAS DE INDUÇÃO NA HIPNOSE ........................................................ 9 
De estímulo débil contínuo ou de fixação sensorial ................................... 11 
Estimulação Auditiva .................................................................................. 13 
Estimulações Sensoriais e de Outra Natureza ........................................... 13 
Ausência da Estimulação ........................................................................... 14 
TÉCNICAS FISIOLÓGICAS .......................................................................... 15 
Técnica de Estímulos Fortes, Súbitos e Intensos ...................................... 15 
Técnica de Estimulação de Zonas Corporais Hipnogênicas ...................... 15 
Indução Através da Hiperventilação Pulmonar .......................................... 16 
Indução Através de Agentes Farmacológicos ............................................ 17 
Indução Através do Sono Natural .............................................................. 18 
Outros Procedimentos de Indução por Agentes Fisiológicos ..................... 18 
TÉCNICAS PSICOLÓGICAS DE INDUÇÃO ................................................. 20 
Técnica Sugestiva Explícita ....................................................................... 20 
Técnica Da Visualização Cênica ................................................................ 22 
A Técnica da Transferência e do Manejo das Necessidades .................... 22 
Técnica da Sugestão Extra verbal, Intra-verbal e Implícita ........................ 23 
HIPNOANÁLISE ............................................................................................ 26 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................... 29 
REFERÊNCIAS ............................................................................................. 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
3 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
4 
INTRODUÇÃO 
 
Na atualidade não se pode negar que a hipnose está presente na vida cotidiana 
e em todas as suas atividades, pois estudos cada vez mais recentes asseguram que 
se vive constantemente em estado alterado de consciência, pela necessidade de se 
superar as barreiras impostas pelas neuroses, isto é, reduzindo as resistências e 
aumentando a pulsão. Todas as pessoas estão predispostas a neurose, afirma o 
Mestre Sigmund Freud, o pai da psicanálise: “Parece que sim, por conta de uma 
eventual fraqueza do EGO no que tange à função sexual... como se a oposição 
biológica entre a autopreservação e a preservação da espécie encontrasse aí uma 
expressão psicológica.” 
A psicanálise é um método de tratamento para perturbações ou distúrbios 
psíquicos, ou seja, provenientes da psique, cuja eficácia está no trazer para o 
consciente, conteúdos arquivados no inconsciente, resultantes das repressões 
impostas pelos desejos infantis não realizados, sem a devida compreensão, que na 
vida adulta se manifestarão no indivíduo, impondo uma inadequação ao convívio 
pessoal e social, sintomas característicos da neurose. 
O Doutor Freud em 1892 elaborou o método da livre associação de ideias, no 
qual o paciente deve esforçar-se a dizer tudo que lhe vier à mente consciente, 
principalmente aquilo que ele se sinta tentado a omitir devido à censura do superego. 
Para Laplanche e Pontalis, no seu vocabulário de psicanálise, “a livre associação de 
ideias é um método que consiste em exprimir indiscriminadamente todos os 
pensamentos que ocorrem ao espírito, quer a partir de um elemento dado (palavra, 
número, imagens de um sonho, qualquer representação), quer de forma espontânea.” 
No entanto, a ciência tem demonstrado que hipnose é um estado natural do 
comportamento humano que possui efeitos psicológicos, sociais e físicos. 
Não há mistérios ligados à hipnose e hipnotizador. Hipnose é uma técnica que 
possibilita ao indivíduo acessar suas experiências internas subjetivas (conteúdos 
reprimidos no inconsciente). Hipnose pode ser comparada ao estado de sonhar 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
5 
acordado envolvendo um estado mental ativo e intenso. Isto é, a pessoa em hipnose 
não está dormindo, muito pelo contrário, a pessoa está num intenso estado de 
concentração mental e pode falar, andar ou escrever. Normalmente, a pessoa 
hipnotizada fica totalmente consciente do que diz e faz, comportamento semelhante 
ao estado em que as pessoas experimentam durante a livre associação. 
Entre os conceitos já aceitos, está o de um “estado natural de consciência, 
diferente do estado de vigília”. Segundo o Aurélio, “estado mental semelhante ao 
sono, provocado artificialmente, e no qual o indivíduo continua capaz de obedecer às 
sugestões feitas pelo hipnotizador”. Segundo Milton Erickson, “suscetibilidade 
ampliada para a sugestão, tendo como efeito uma alteração das capacidades 
sensoriais e motoras para iniciar um comportamento apropriado”. O transe é um 
estado de sugestibilidade intensificado artificialmente e semelhante, mas não igual ao 
sono, no qual parece ocorrer uma dissociação dos elementos conscientes e 
inconscientes do psiquismo. 
A sugestão e a autossugestão fazem parte do transe. A sugestão seria uma 
comunicação associada a uma influência que assim provocaria a absorção da mente 
consciente, que fica focalizada em algum tipo de absorção sensorial e ideativa. Desta 
maneira, ocorre à oportunidade da mente inconsciente se manifestar, em diversos 
níveis, através dos fenômenos hipnóticos. As experiências com a hipnose existem 
desde a mais remota antiguidade. Na Caldéia, Índia e Egito faziam parte de uma 
ciência experimental, considerada secreta, à qual só tinham acesso, castas 
privilegiadas. 
Com o passar do tempo, os fenômenos psíquicos, que eram considerados 
sobrenaturais, passaram a ser visto sob a luz da razão, e estudados como poderes 
exercidos pelo próprio homem. No entanto, hoje em dia, parece que voltamos atrás, 
e muitos consideram a hipnose como algo mágico, até se surpreendendo pela forma 
como é realizada ou julgando que não foram "realmente" hipnotizados. Isso porque, 
atualmente, não é tão comum utilizar-se a hipnose inconsciente, ou seja, a pessoa 
parece que adormece e não recorda o que aconteceu ao voltar ao seu estado normal. 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
6 
Hoje, a hipnose é realizada com a pessoa totalmente consciente, sabendo tudo que 
está acontecendo ao seu redor. 
Na hipnose tradicional, observa-se que existem pessoas hipnotizáveis e outras 
que não conseguem entrar em transe, por mais que o hipnotizador se esforce. Isto sedá porque as pessoas não gostam de se sentir controladas. Geralmente, elas 
preferem sentir que não estão sendo forçados a nada ou que tem várias opções a 
escolher. Muitos psicanalistas, psicólogos e psiquiatras, estudaram os métodos de 
Erickson a fim de tentar descobrir um padrão que pudesse lançar alguma luz as suas 
curas aparentemente milagrosas. 
Quando se perguntava a ele sobre sua técnica terapêutica, ele geralmente 
respondia que não sabia explicar. Apenas se preocupava em observar o cliente e 
segui-lo, fazendo-o que não se desviasse do caminho. Foi a partir da observação de 
seu trabalho, que se pôde descobrir muita coisa de seu modo de fazer psicoterapia. 
A partir dessa observação, John Bandler e Richard Grinder, Gregory Bateson, William 
H. O'Hanlon, Ernest Rossi e outros, desenvolveram a Programação Neuro Linguística 
que é considerada uma entre as diversas tentativas de sistematização dos métodos 
de Erickson. 
O termo Hipnose "abrange qualquer procedimento que venha causar, por meio 
de sugestões, mudanças no estado físico e mental", podendo produzir alterações na 
percepção, nas sensações, no comportamento, nos sentimentos, no pensamento e 
na memória. Uma das críticas que se fez é de que a hipnose aumenta a erotização. 
No entanto ela aumenta qualquer coisa que seja policiada. A hipnose é um processo 
que se torna perigoso na medida da contratransferência, isto é do envolvimento dos 
conteúdos inconscientes do hipnoterapeuta. 
Neste ponto ela é tão perigosa quanto qualquer processo psicoterapêutico no 
qual a contratransferência desempenhe um papel. O aspecto fisiológico mais 
importante da hipnose é a inibição cortical e o aspecto psicodinâmico mais importante 
é a regressão, que se dá em todos os sentidos: Neurofisiológico - de estruturas mais 
evoluídas a menos evoluídas; Psicodinâmico - de um estado superior de raciocínio a 
 
 
 
 
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7 
um estágio inferior. No que diz respeito ao aspecto psicanalítico puro pode-se dizer 
que há diluição do ego, que é formado a partir dos influxos do id, em contato com a 
realidade consciente. 
A regressão é positiva na medida em que é interpretada. O que acontece é que 
a hipnose quebra a resistência que defende o indivíduo da regressão. O indivíduo 
resiste à hipnose por que tem medo de regredir. Esse fator é de extrema importância. 
A diluição do ego se processa em qualquer processo psicoterapêutico, mas na 
hipnose é mais rápido, inclusive no sentido neurofisiológico de esquema corporal. 
Assim, a resistência à hipnose é grande, por parte do paciente. O ego está 
intimamente relacionado ao esquema corporal. Este conceito não pode ser 
abandonado. O espírito existe em função do organismo que o suporta, não podemos 
esquecer isso. Desaparecendo o ego psíquico, desaparece o ego somático. Disto o 
indivíduo se defende com unhas e dentes. 
Não se deve esquecer também que a resistência é um fenômeno inconsciente. 
Caso o paciente fique angustiado durante o processo de relaxamento, percebendo 
angustia é de bom senso que o hipnoterapeuta converse e tranquilize o cliente. Como 
há muita resistência do paciente à hipnose, podemos chamá-la de relaxamento, mas, 
se mesmo assim houver resistência é melhor abandonar o método. Não temos direito 
de forçar alguém a qualquer coisa. Um perigo muito comum na hipnose é a natureza 
humana do hipnoterapeuta. Uma das falhas é a onipotência, outra é a displicência. 
Grande parte dos insucessos na hipnose deve-se ao fato do operador desconhecer 
os processos dinâmicos. 
A hipnose não é um processo apenas sugestivo, mas neurofisiológico, embora 
seja verdade que a sugestionabilidade aumenta e a censura diminui. A passagem da 
hipnose ao sono fisiológico é um mecanismo de defesa. Freud, que trabalhava com 
Charcot se incumbiu de promover o segundo enterro da hipnose. Não se sabe bem o 
porquê. Freud passou a trabalhar com Breuer e junto dele fez várias experiências, 
inclusive no caso de Ana O. Freud teria achado que a hipnose não era suficiente e 
que se a pessoa podia ter uma ab-reação, esta poderia ser provocada em estado 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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consciente, o que seria muito melhor. “As catarses mais profundas não se 
movimentam sob hipnose, mas podem se movimentar sob livre associação,” dizia ele. 
Assim Freud criou a psicanálise e sepultou a hipnose, como método psicoterápico. 
O conjunto dos elementos que haviam norteado Freud até então mudou de 
sentido. Com a noção de verdade, foi também a de cura que teve de ser modificada. 
Primeiro por ser perigosa, já que suscitava uma transferência afetiva descontrolada 
para a pessoa do analista. E segundo, porque a própria significação da cena 
terapêutica e da rememoração se havia modificado: “uma lembrança, por mais antiga 
e por mais carregada de afeto que fosse, podia ser uma mentira.” 
A análise já não podia ter como finalidade reavivar a lembrança de um 
acontecimento real, a fim de esvaziá-la de sua carga afetiva, mas levar a uma 
conscientização dos conflitos psíquicos que explicavam, sobretudo, a possibilidade 
dessas lembranças. “A lembrança era apenas o caminho para uma verdade cuja 
produção não podia efetuar uma verdade que somente a análise dos conflitos 
psíquicos que investissem a cena analítica, tal como investiam toda a vida do 
paciente, poderia advir”. 
No final da sua vida Freud falou da possibilidade de juntar o ouro da psicanálise 
ao bronze da sugestão hipnótica. O transe sonambúlico, que provocava amnésia e a 
vontade crescente do descobrimento dos caminhos do inconsciente fizeram Freud 
abandonar a hipnose e partir para a Livre Associação. Os mais devotados freudianos, 
nos dias de hoje, reconhecem o uso da hipnose, como uma importante ferramenta no 
processo psicanalítico, a partir de experiências clínicas observadas nas imagens das 
diversas áreas cerebrais, pois a amnésia colocada como obstáculo à ressignificação, 
isto é, trazer conteúdos inconscientes ao consciente e ter a devida compreensão de 
suas origens (lembrança e afeto), somente acontecerá se for devidamente 
estimulada, sugestionada, que caso ocorra a clínica perderá sua eficácia. 
Logo, o método Associação Livre, nada mais é do que um transe hipnótico, 
que permite a manifestação da transferência e consequentemente a redução da 
 
 
 
 
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resistência, aumentado, porém, a pulsão, o que oferece ao paciente bons resultados, 
em menor espaço de tempo.” 
 
TÉCNICAS DE INDUÇÃO NA HIPNOSE 
 
As técnicas de indução hipnótica são as mais variadas possíveis e podem ser 
aplicadas isoladas ou em conjunto com outros procedimentos médicos, odontológicos 
e psicológicos, o que faz a hipnose constituir-se em recurso terapêutico de grande 
valor. Dir-se-ia que existem tantas técnicas quantos são os hipnotistas, uma vez que 
cada um desenvolve a sua própria maneira de atuação, baseada em sua experiência 
clínica e profissional, bem como pelo seu conhecimento teórico do procedimento. 
 Sendo a hipnose um procedimento terapêutico que se imbrica, repercute e 
tem aplicação em quase todas as especialidades médicas, tem na Psiquiatria, 
Psicologia e na Medicina Psicossomática, o seu campo de ação mais exuberante. 
Sua grande vantagem reside no fato de que, seja qual for o seu modo de ação, reduz 
de forma considerável o tempo e a duração do tratamento, o que a faz constituir-se 
em valioso método de apoio psicoterápico e psicológico. Além disso, sua ação não 
se restringe ao campo psíquico ou fisiológico, pois atua indistintamente sobre ambos 
simultaneamente. A escolha da técnica de indução baseia-se, portanto, na orientação 
teórica e na experiência do hipnotista, o que faz com que a hipnose tenha múltiplos e 
variadas formas de ser induzida. 
A indução do procedimento hipnótico, ou seja, a introdução do paciente no 
estado de “transe” pode ser dividida em três etapas: 
Uma ETAPA PREPARATÓRIA na qual se estabelecee se reforça o 
relacionamento profissional-paciente, tecnicamente chamado de RAPPORT e que 
pode ser seguido da inclusão de alguns testes de sensibilidade. O objetivo desta 
etapa é criar um relacionamento de confiança no tratamento a que se propõe realizar, 
afastando-se os temores, as tensões e as preocupações do paciente. Visa ainda, 
 
 
 
 
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deixá-lo à vontade, colaborando desta maneira, para o sucesso do método que iremos 
aplicar. Recomenda-se proceder à explicação detalhada “do quê, como e para quê” 
se vai utilizar a hipnose no tratamento do caso apresentado pelo paciente. 
Terminada a explicação, é de bom alvitre proceder-se à execução-treino a fim 
de que possamos aquilatar se o paciente compreendeu bem a orientação que lhe 
fornecemos. Após o período de execução-treino, se o paciente compreendeu bem o 
que se pretende, podemos animá-lo com palavras de incentivo e apoio, período ao 
qual denominamos de animação. A explicação, a execução-treino e a animação 
fazem parte dos testes de verificação e são descritas com maiores detalhes no 
capítulo referente à Metodologia do Procedimento hipnótico. 
Seguindo-se às preliminares acima, adentra-se à indução propriamente dita, 
empregando-se o método indutor escolhido ou de procedimento habitual pelo 
hipnotista. Imbricada com a indução, portanto, de limites pouco precisos com esta, 
segue-se o processo com a manutenção e com o aprofundamento do transe, visando 
o relaxamento físico e mental do paciente. 
Nesta fase, poderemos utilizar os diversos recursos de que o método hipnótico 
dispõe, como, por exemplo, explorar material reprimido abaixo do limiar da 
consciência do paciente ou sugestioná-lo. Neste último caso, a sugestão feita em 
seguida, é denominada de sugestão pós-hipnótica, isto é, formulada para atuar após 
o término do procedimento. Seguem-se nesta etapa a superficialização do transe e a 
de hipnotização, também chamada impropriamente de acordar. Neste capítulo, nos 
ocuparemos exclusivamente da indução, citando a seguir alguns procedimentos mais 
comuns. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
11 
De estímulo débil contínuo ou de fixação sensorial 
 
Este procedimento, criado por James Braid, tem sido o método preferido por 
muitos hipnotistas, desde a sua divulgação, sendo universalmente conhecido. De 
início Braid preconizou a fixação do olhar em um pequeno objeto mantido fixo à 
pequena distância do paciente e, em posição tal, acima da linha do olhar, que provoca 
um duplo estrabismo convergente. O desvio para cima e para dentro dos globos 
oculares determina acentuada tensão muscular no aparelho visual e, mais 
precisamente nas pálpebras, que se tornam “pesadas”, produzindo cansaço visual 
que leva ao fechamento dos olhos. 
Sobre vem, então, em alguns minutos, o estado hipnótico. Para obter-se esse 
resultado, solicita-se ao paciente que olhe fixamente para o ponto, concentrando sua 
atenção sobre ele e solicitando-se que feche os olhos no momento em que sentir as 
pálpebras pesadas, mantendo-as fechadas até o final do procedimento. Enquanto o 
paciente olha fixamente o ponto, pode-se proceder à uma contagem pausada e entre 
cada número citado, sugestioná-lo de que cada vez mais os seus olhos estarão 
cansados, suas pálpebras pesadas, etc. 
Posteriormente Braid decidiu aumentar o espaço entre o paciente e o ponto de 
fixação do olhar. Em seguida, observou que a fixação visual não era necessária, pois 
o fator preponderante para a obtenção do “transe” hipnótico era a concentração sobre 
uma idéia ou objeto e concluiu que a estimulação sensorial era apenas um meio para 
obter a hipnose como finalidade. Cremos ser importante considerar que a primeira 
experiência de Braid, com o que mais tarde denominou de hipnotismo, ocorreu em 
um teatro onde se apresentava La Fontaine, mágico, prestidigitador e hipnotizador de 
palco. Este produzia o transe hipnótico no público, através de manobras nas quais 
incluía a fixação visual do participante em seus próprios olhos, aos quais atribuía 
grande poder e que estabeleceriam sobre o outro um estado de submissão, 
predispondo-o a cumprir as suas ordens. Braid observou que esta submissão era 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
12 
sugerida verbalmente no período em que a sua atenção estava fixa, com o espectador 
preocupado em manter os seus olhos fixados nos globos oculares do hipnotizador. 
Deste fato decorreu que Braid passou a valorizar a fixação da atenção sobre 
um objeto fixo e depois sobre objetos da ideação do paciente, mas os efeitos da 
estimulação verbal, contínua, débil, rítmica, monótona e persistente são muito 
importantes na obtenção do transe e em sua manutenção. Isto tem levado os 
estudiosos a valorizar os elementos que provocam fadiga sensorial, motora ou 
mental, bem como os que provocam tensão através da monotonia da estimulação, 
sua regularidade e seu ritmo (geralmente débil, monótono, persistente e repetitivo) 
como fatores facilitadores da entrada do paciente no estado hipnótico. 
Kretschemer desenvolveu a LEI DO TRI-TÔNUS ou Ciclo de Realimentação 
Progressiva, como fator de grande importância na indução e manutenção do transe. 
Assim, o fator que intervir em dos três tônus (muscular, psicoafetivo ou neuro –
vegetativo), intervém em seguida nos outros dois, estabelecendo um ciclo que pode 
ser assim representado: 
Em consequência desse fato, o procedimento de Braid, a fixação do olhar, 
desenvolveu-se até converter-se em um elevado número de estímulos que são 
usados por inúmeros profissionais. A fixação do “olho no olho” de La Fontaine, 
adaptado por Braid para a fixação em um ponto ou objeto, evoluiu para a espiral 
contínua e giratória, na areia que cai em uma ampulheta, para a bola de cristal, esfera 
oscilante, pêndulos, haste de metrônomo, etc., constituindo-se todos eles em meros 
artifícios usados para se obter a indução hipnótica, tão ao gosto dos hipnotizadores 
leigos ou de palco. 
Da estimulação visual simples, evoluiu-se para a estimulação sensorial 
combinada, quando se utiliza a combinação de luz, som, calor, estímulos elétricos 
intermitentes, etc. 
Muitas das técnicas, como a do procedimento do Pestanejamento Sincrônico 
se desenvolveram a partir do procedimento de Braid, quando se visa obter o transe 
 
 
 
 
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13 
solicitando que o paciente fique olhando um determinado ponto, abrindo e fechando 
as pálpebras enquanto se procede a uma contagem lenta e progressiva. 
 
Estimulação Auditiva 
O som, emitido de maneira débil rítmica, monótona e persistente é fator de 
grande importância na indução hipnótica. Assim, o tic-tac monótono de um relógio, o 
ritmo de um metrônomo, o ruído repetitivo de um diapasão, podem perfeitamente 
induzir o estado hipnótico. Porém, o estímulo sonoro mais utilizado é a palavra, 
pronunciada de forma cadenciada. Isto ocorre porque a palavra sendo som, tem 
altura, timbre e intensidade, além de ter objetivo, ritmo e semântica, podendo trazer 
à tona recordações da tenra infância, quando se ouvia as ternas canções de ninar, 
com os carinhos característicos do período em que nos colocávamos sob a proteção 
materna. 
Por outro lado, ouvir a própria respiração com determinado ritmo e cadência, 
pode induzir a hipnose. Há autores que utilizam estímulos combinados, como a 
palavra pronunciada em ambiente tranquilo ao mesmo tempo que utilizam músicas 
suaves de fundo para a obtenção do transe. 
 
Estimulações Sensoriais e de Outra Natureza 
Muitas das induções de Mesmer podem ser enquadradas aqui, uma vez que 
utilizava toques, passes, imposição das mãos, vibrações sonoras mecânicas (sillon 
vibratoire), etc. Alguns autores utilizaram a estimulação olfativa através de perfumes, 
outros o fizeram através do tato com aplicação de ondas de calor no corpo. Ainda em 
relação ao tato, era conhecido o “poder curativo” exercido pelos assim chamados 
“toques reais”na Idade Média. Os reis e imperadores praticavam a aposição das 
mãos sobre partes do corpo dos doentes, que atribuíam a esse gesto um poder 
curador. Isso gerou na época, a afirmação popular de que “o rei toca, o rei cura. Feret 
 
 
 
 
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14 
e Binnet relatam caso de estimulação gustativa, embora eles mesmos ponham em 
dúvida sua eficácia. 
 
Ausência da Estimulação 
Alguns autores têm questionado a indução hipnótica através da fixação 
sensorial em um único órgão do sentido, enquanto outros afirmam que apesar deste 
tipo de estimulação restringir os demais órgãos dos sentidos, também determinam 
um estreitamento da consciência através da localização da atenção em um único 
órgão. Lemesle criou sua “bandeaux hipnogène” com a finalidade de eliminar os 
estímulos visuais e auditivos. Bernhein afirmava que o simples ato de fechar 
manualmente as pálpebras de maneira simpositiva e suave, é suficiente para 
desencadear o estado hipnótico. Outros autores afirmam que, se estimularmos a 
indução através do órgão sensorial predominante do paciente, este entrará mais 
facilmente em hipnose. Teriam sido estes estudos que desencadearam a pesquisa 
no sentido de se identificar o órgão sensorial preponderante nas ações de cada cliente 
e que levaram ao estabelecimento de sua classificação em visual, auditivo, olfativo, 
gustativo e cinestésico, ponto de partida para o desenvolvimento da Programação 
Neuro – Linguística. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TÉCNICAS FISIOLÓGICAS 
Técnica de Estímulos Fortes, Súbitos e Intensos 
 
É o uso de estimulação súbita e violenta que produz uma reação estática do 
paciente, a partir da qual se adentra no procedimento hipnótico. Baseia-se no fato de 
que pessoas desprevenidas submetidas aos estímulos fortes inesperados, 
provenientes de um susto ou de um acontecimento traumático e repentino 
apresentam grande possibilidade de apresentar lipotimia ou um estado semelhante à 
“catalepsia” com tendência à perda momentânea da consciência. 
Foi utilizada na Escola de Paris, comandada por Jean Marie Charcot que usava 
estímulos fortes desencadeados por um gongo próximo ao paciente ou “flash” de 
magnésio das antigas máquinas fotográficas frente ao rosto do paciente. Tal 
procedimento induzia nas pacientes um “estado cataléptico” e segundo a Escola de 
Charcot, sua eficácia se reduzia a um pequeno grupo que denominava de “grandes 
histéricas”. Esta técnica caiu rapidamente em desuso e hoje nenhuma das técnicas 
que se relacionam aos estímulos fortes é utilizada. 
 
Técnica de Estimulação de Zonas Corporais Hipnogênicas 
 
A descrição de zonas corporais específicas, cuja estimulação produziria 
indução hipnótica, foi feita pela primeira vez em Paris por Antoine Pitré em 1891. A 
tais regiões, ele as denominou de “Zona Hipnogênicas” e referia que se forem 
ligeiramente estimuladas por pressão, determinariam a introdução do paciente no 
transe hipnótico. 
Sua descrição foi aceita pela Escola de Paris, no Hospital da Salpetrière, que 
chegou a admitir que o magnetismo animal e os imãs de Mésmer, bem como os 
banhos de imersão tépidos ou as aplicações de calor, acalmavam os pacientes e os 
induziam à hipnose graças à estimulação que produzia nessas zonas. Induz-se deste 
 
 
 
 
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fato, que além da existência das zonas hipnógenas, haveria necessidade de que o 
paciente fosse suficientemente sensível, sendo esta a razão de tal tipo de indução 
ocorrer com maior facilidade entre histéricos. 
Na época de Charcot, era comum a compressão do globo ocular e do “seio 
carotídeo” como estímulo para a indução ao transe hipnótico. Outros ainda, faziam 
compressão dos meatos auditivos externos ou dos pavilhões. No caso dos olhos e do 
seio carotídeo, corre-se o risco de obter-se hipotensão arterial, lipotimia, náuseas e 
vômitos por estimulação reflexa, havendo relatos de parada cardíaca produzida por 
estimulação frênica. 
No caso da compressão dos pavilões e meatos auditivos, o risco maior é a 
ocorrência de cinetoses rotatórias, lipotimia, náuseas, vômitos, mal estar e hipotensão 
ortostática. Apesar destes métodos estarem hoje completamente abandonados, têm 
sua importância histórica, pois este tipo de estímulo serviu na disputa científica 
existente na época entre as escolas de Paris e de Nancy. Os seguidores de Charcot, 
que usavam esta técnica, chamavam-na de “Grand Hypnotisme” em contraposição 
aos métodos sugestivos de Liebault e Bernheim, que denominavam de “Petit 
Hypnotisme”. 
Todavia, disputas à parte, só os métodos sugestivos hoje permanecem. Cabe 
ainda assinalar que, o contato com o corpo aquecido da mãe, bem como massagem 
carinhosa e suave, acalmam o bebê, induzindo-o ao sono natural. Todavia, resultado 
semelhante se obtém com palavras carinhosas e canções de ninar. 
 
Indução Através da Hiperventilação Pulmonar 
 
É outro método no qual se tem procurado através da hiperpnéia ou da 
respiração forçada ou em ambiente rico em oxigênio produzir alcalose sanguínea e 
cerebral, propiciar uma entrada mais rápida do paciente nos estágios iniciais do 
 
 
 
 
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procedimento hipnótico. Tanto este, como os demais métodos assinalados 
anteriormente, encontram poucos profissionais que se proponham a executar. 
 
Indução Através de Agentes Farmacológicos 
 
Assim Como a hipnose tem sido utilizada como agente indutor da anestesia ou 
redutor de anestésicos, estes têm sido usados na indução hipnótica. Assim, muitos 
foram os autores que procuraram nas drogas anestésicas o agente ideal para a 
obtenção do estado hipnótico. De há muito têm sido usados sedativos, analgésicos, 
tranquilizantes e anestésicos com a finalidade de induzir mais facilmente o paciente 
no transe hipnótico, quebrando resistências porventura encontradas. Chegou-se ao 
extremo de usar drogas entorpecentes e alucinógenas com a mesma finalidade, o 
que é formalmente contraindicado. 
Melhores resultados têm sido obtidos com a utilização de diazepínicos e 
correlatos, trazendo à tona o problema de se estipular a dosagem adequada para tal 
finalidade, pois muitas das drogas utilizadas, ao invés de facilitar a entrada do 
paciente em hipnose, tiram-no a consciência e promovem sono medicamentoso 
indesejável. Outro fato decorrente da utilização de drogas na narco-hipnose, 
relaciona-se ao eventual perigo de que se possam constituir. Entre algumas drogas 
de utilização mais recente, mas também não isentas de perigo, encontramos o 
Alprazolam, Cloxazolam, Diazepan, Flunitrazepan, Lorazepan, Halcinonida, 
Midazolam e o Zolpidem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Indução Através do Sono Natural 
 
Tem sido relatada de há muito o aproveitamento dos estágios de sono natural 
para a utilização de sugestões ou como meio de se induzir o estado hipnótico. O 
método mais comum é converter-se o sono natural em hipnose. Para tal, é necessário 
estabelecer-se um certo rapport que se observa quando, ao lado do indivíduo 
dormindo, se observa o ritmo respiratório e na mesma cadência pronuncia-se 
palavras de forma ritmada, de baixa intensidade sonora e altura, constituindo-se em 
estímulo débil, rítmico, monótono e persistente. 
Deve-se ainda observar o ritmo respiratório do paciente durante a indução. No 
momento em que esta se torna rítmica e suave, sem despertar o paciente, eleva-se 
gradualmente o tom de voz até alcançar o ritmo natural. Pode-se então dar sequência 
ao procedimento iniciado. Este tipo de indução tem sido utilizada nas sugestões 
noturnas para corrigir maus hábitos adquiridos pelas crianças, como a onicofagia, o 
bruxismo, os tiques e o uso de chupetas. 
 
Outros Procedimentos de Indução por Agentes Fisiológicos 
 
Baseado nos trabalhos de Isaac Newton e do Padre Maximilian Hell sobre a 
gravitação universal e terrestre, Mesmer desenvolveu sua tese “De Magnetu Influxu” 
comentandoa influência dos astros sobre o magnetismo terrestre e deste sobre a 
mente humana. Depois, baseado em suas observações desenvolveu a teoria da 
influência das forças magnéticas dos imãs e metais sobre os animais como forças 
curativas, evoluindo então para o “magnetismo animal”. Denominou o transe obtido 
com a manipulação destas forças de “sono magnético”, construindo o “baquet”, 
espécie de cuba onde existiam hastes mergulhadas em água, nas quais as pessoas 
seguravam. 
 
 
 
 
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Tocava uma das hastes “energizando” a cuba e as pessoas entravam em 
reações histéricas e convulsões que acreditava serem saneadoras das doenças que 
apresentavam. Esse método e outros, como o do Marquês de Puyseguir, seu 
discípulo, que “magnetizava” árvores não têm hoje outra conotação senão a histórica, 
sendo pela sua ineficácia completamente abandonados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TÉCNICAS PSICOLÓGICAS DE INDUÇÃO 
 
Técnica Sugestiva Explícita 
 
Em 1784, a Comissão Científica nomeada por Luiz XVI para investigar as 
atividades de Franz Anton Mésmer em Paris, advogou no sentido de que os imãs, 
“baquets” e o próprio magnetismo animal não passavam de meios através dos quais 
a sugestão desencadearia os “transes”. Seguiu-se o Abade José Custódio de Faria 
que reconheceu o papel da sugestão na indução e manutenção do estado hipnótico. 
Coube posteriormente a James Braid, Liebault e Bernheim chamar a atenção 
sobre o importante papel da sugestão no desencadeamento e desenrolar da hipnose. 
Por esta razão, os métodos sugestivos são até hoje considerados meios indutivos por 
excelência. 
Convém aqui definir o que se entende por SUGESTÃO: Para André 
Weitzenhoffer, seria uma afirmação ou gesto significativo realizado por um hipnotista 
e dirigido a outra pessoa, o paciente. Neste caso, o profissional é o agente 
sugestionador e o paciente o sugestionado e é tal a sua natureza que a ideia ou grupo 
de ideias que evoca desencadeia alterações nos processos mentais ou na conduta 
do sugestionado, sem participação voluntária e consciente. Tais reações não são 
inatas ou normais, mas adquiridas ante a afirmação ou gesto concebido como 
estímulo. 
A técnica sugestiva consiste em essência, em dizer de modo rítmico e contínuo 
ao indivíduo, que ele vai entrar em um estado de torpor agradável, semelhante ao 
sono (ou que vai dormir), com sugestões de que irá progressivamente se relaxando, 
sentindo-se sonolento e que os olhos estão fechados, com as pálpebras cada vez 
mais pesadas, fechadas, coladas, que a sonolência está cada vez maior, 
aprofundando, aprofundando, relaxando, dormindo, dormindo profundamente. 
 
 
 
 
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Na fase preparatória, explica-se ao paciente o que se pretende fazer, como se 
pretende obter o transe e quais as sensações que irá experimentar. Após a 
explicação, pode-se aqui fazer um treino demonstrativo com o paciente, a execução-
treino, antes de passar para a etapa seguinte. Na fase de execução ou de atuação, 
passa-se a efetuar o procedimento, com sugestões de relaxamento corporal, calma e 
bem-estar afirmando que as sensações propostas estão realmente ocorrendo. Na 
fase de sugestão reafirmamos de modo enfático as sugestões de relaxamento, calma, 
sonolência através de sugestões hipnóticas simples. 
Nesta fase, podemos também sugerir o sinal hipnógeno ou signo-sinal. No 
aprofundamento do transe, incluem-se a manutenção do estado hipnótico, a sugestão 
pós-hipnótica e a de hipnotização (acordar). Os métodos sugestivos atuais iniciam-se 
com maior facilidade através da visualização cênica e se aprofundam mais facilmente 
com a utilização da imaginação, fantasias e metáforas. Vários autores se utilizaram 
deste procedimento, podendo-se citar entre eles Wells, Schneck, Watkins, Adler, 
Rosen e Stokvis. 
Rosen denominou a essas técnicas de MÉTODO SENSOMOTOR, 
desenvolvendo um procedimento difícil de descrever nas formas mais simples. Ele 
procura fazer com que o paciente responda a uma ou a várias sugestões simples e 
assim como existe uma progressiva sensibilização com o decorrer do procedimento, 
há cada vez maior concentração da atenção à medida que se evolui em direção a um 
determinado objetivo. 
Nas formas mais complexas, oferecem-se sugestões de modo indireto, 
ocorrendo sua integração em diversos aspectos da conduta espontânea do paciente, 
que são utilizadas como parte da indução. Esta técnica, apesar de individual e de 
exigir muita habilidade do profissional, guarda certa relação com um caso descrito por 
Erickson e Kubie, onde a hipnose foi obtida de forma indireta. Os métodos citados 
são de grande utilidade nos casos de difícil tratamento através da hipnose. 
 
 
 
 
 
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Técnica Da Visualização Cênica 
 
Esta técnica, também chamada de concentração psíquica, consiste em levar o 
paciente a visualizar uma série de cenas ou acontecimentos e se fixar nelas. Acredita-
se que estas imagens desempenham um papel substitutivo dos objetos de fixação 
habitual, embora sua efetividade obedeça a outros fatores. Quando combinada com 
sugestões diretas é muito eficaz. Moraes Passos utilizava o próprio ambiente em que 
o paciente vive, reside, trabalha ou desempenha suas funções, utilizando a sua 
imaginação para que se sinta à vontade, obtendo assim um aprofundamento maior e 
uma indução mais rápida do estado hipnótico. São estas características que fizeram 
de seu método, um procedimento moderno e de grande eficiência. 
 
A Técnica da Transferência e do Manejo das Necessidades 
 
Trata-se na verdade de uma técnica complementar dos métodos de sugestão. 
Como a hipnose produz um estreitamento de consciência, é interessante observar 
que esse fato produz uma concentração da atenção que acaba centralizada no 
hipnotista e, depois, no estímulo indutor do procedimento, por exemplo, ao ritmo de 
voz utilizada. 
Esta concentração da atenção produz na indução o fenômeno da hipermnésia 
que permite acessar com maior facilidade os níveis mais profundos, situados abaixo 
do limiar da consciência. O material aflorado, por sua vez, pode ser manipulado em 
situação de transferência na qual se utilizam e se analisam as necessidades do 
paciente para fortalecer a indução. É importante frisar que a manipulação das 
necessidades não tenha necessariamente que coincidir com a manipulação das 
necessidades. 
No que diz respeito à transferência, a hipnose é útil até mesmo para auxiliar na 
sua dissolução. Na hipnoanálise, por exemplo, o paciente projeta de maneira 
 
 
 
 
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extremamente nítida os seus conflitos na pessoa do profissional, reavivando suas 
reações emocionais e sob o impacto dessas emoções, geralmente relembrando as 
suas origens. Na dissolução da transferência, a hipnose é eficaz quando auxilia o 
paciente a efetuar uma integração sem o sofrimento, sem o prolongado tempo e os 
desgastes que ocorrem em uma análise feita sem hipnose. 
Isto ocorre de uma forma rápida e eficiente, ajudando-o a promover a 
redistribuição de suas energias, de acordo com a orientação traçada pelo desenvolver 
da análise e não de acordo com aquelas que haviam desencadeado o quadro 
neurótico e que se comprovou serem significativamente patológicas. As situações 
afloradas podem ainda, ser manipuladas nas chamadas Técnicas Avançadas da 
Hipnoterapia, como por exemplo, Hipnoanálise, Hipnossíntese, Escrita Dissociada, Ïn 
and Out Method”, Distorção do Tempo (progressão e regressão), Hipnoplastia, etc. 
Esta prática exige muita habilidade do profissional e é muito útil em inúmeras 
situações com as quais nos defrontamos, pois representa considerável economia de 
tempo e um mínimo de sofrimento da parte do paciente. 
 
Técnica da Sugestão Extra verbal, Intra-verbal e Implícita 
 
A ação da sugestão sobre o hipnotizado ocorre mesmo que não seja verbale 
nem é necessário que ela seja direta ou explícita. A movimentação cadenciada do 
profissional, próximo ou ao redor do paciente, os trejeitos, as expressões e as 
inflexões de voz podem ser agentes desencadeantes do transe hipnótico. As reações 
“enfáticas” incluem elementos de sugestão e é provável que ocorra o mesmo em 
algumas formas de conduta imitativa. O emprego de elementos não verbais ou extra 
verbais que fazem parte intrínseca do meio ou dos agentes utilizados, constituem o 
que chamamos de sugestão implícita. 
Assim, pontos luminosos móveis e luzes que piscam, têm sido utilizadas na 
obtenção do estado hipnótico por cansaço palpebral pois acabam produzindo o 
 
 
 
 
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fechamento das pálpebras. Outros procedimentos como por exemplo, a fixação do 
olhar em uma ampulheta, acompanhando a queda da areia em seu interior, ou em um 
pêndulo móvel, ou ainda, na ponta da haste de um metrônomo, possivelmente 
obtenham os mesmos resultados, pois aqui também ocorre o cansaço palpebral e dos 
olhos, induzido pela fixação visual em um objeto ou ponto que se movimenta rítmica 
e continuamente. 
O uso de artifícios para que o paciente creia que certos atos que executa são 
resultados de uma indução iniciada, constituem os chamados métodos 
pseudosugestivos. Estão ente eles os testes utilizados pelos hipnotizadores de palco, 
como o balanceio, a fixação das mãos em uma parede, os dedos entrecruzados que 
se elevam acima da cabeça durante movimento em que a palma das mãos fica 
voltada para fora, a reversão do olhar para cima, causando cansaço visual e palpebral 
e a compressão do globo ocular e do seio carotídeo. Incluem-se entre estas técnicas, 
a hiperventilação respiratória produzida pela hiperpnéia. 
Dos procedimentos assinalados, contraindicamos formalmente a compressão 
dos globos oculares e do seio carotídeo, pelas implicações que podem desencadear. 
Na maioria dos casos, os métodos pseudo-sugestivos supõem um certo teor de 
sugestão efetiva e são de grande valor na obtenção da indução hipnótica. 
 
 
 
 
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HIPNOANÁLISE 
 
Segundo FERREIRA (2003), as manifestações da hipnose ocorrem na vida 
diária sem que a maioria das pessoas perceba. Quando assistimos a um filme no 
cinema ou na televisão e estamos realmente gostando, nós nos emocionamos com 
as cenas do filme. Podemos rir, chorar, ficar revoltados ou alegres com determinadas 
cenas. A frequência cardíaca pode aumentar em determinadas sequências do filme; 
em outras pode ocorrer sudorese nas mãos, redução do ritmo respiratório. Nesses 
momentos em que nossa atenção está focalizada nas cenas (sugestões visuais, 
verbais, extra verbais, subliminares), respondemos a elas segundo nossa 
imaginação, segundo o conteúdo das próprias cenas e segundo nossas experiências 
passadas (estamos hipnotizados). 
A hipnose Ericksoniana ou hipnose moderna foi desenvolvida pelo médico 
psiquiatra Milton Erickson, o mesmo não desenvolveu apenas mais uma teoria sobre 
a natureza da hipnose, mas uma abordagem diferente das existentes até então, 
desenvolveu uma hipnose baseada em um vasto conhecimento sobre a comunicação 
humana e em métodos indiretos de indução ao transe. Erickson fazia de metáforas e 
foi considerado um grande contador de histórias com excelentes resultados 
terapêuticos, foi um revolucionário da hipnologia no século XX. Sua abordagem é 
centrada no paciente, sua indução é indireta, interativa, partindo da observação do 
comportamento do paciente e de todas as reações. 
DE OLIVEIRA FILHO (2009) considera Milton Erickson como sendo o pai da 
hipnose moderna, Erickson introduziu a abordagem naturalista, permissiva e indireta, 
percebeu a natureza multidimensional do transe, que se modifica de pessoa a pessoa 
e que há uma indução especial e única para cada paciente, fazendo com que o 
paciente se torne seu próprio indutor, dentro de uma técnica bastante ágil. Este é o 
perfil do transe mais utilizado no atendimento a pacientes em todo o mundo até os 
dias de hoje. 
 
 
 
 
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Permanecemos em situações que prejudicam a nossa saúde física e mental 
pelo simples fato de que estarmos vendo o problema somente por um ângulo, 
Erickson dizia que vivemos em problemas não porque gostamos, mas porque não 
vislumbramos outras possibilidades. E o ter um novo enfoque sobre o mesmo 
problema é o que a Hipnose Ericksoniana proporciona. Não seria mascarar o 
problema e sim mudar o ângulo de visão, ao muda-lo, a sua perspectiva se transforma 
e diversas outras possibilidades de resolução daquele problema passam a surgir. 
Na prática clínica, a hipnose é um conjunto de técnicas psicológicas 
(hipnocomportamentais, hipnocognitivas, hipnoanalíticas e de hipnoanálise) que 
podem ser potencializadas e usadas com os diversos estados de transe hipnótico. 
Sendo que, a hipnose, é um estado de consciência expansiva no qual os poderosos 
recursos internos e o conhecimento que adquirimos durante toda a vida, e que 
usamos de forma inconsciente, tornam-se de repente disponíveis. Em hipnoterapia 
esses recursos podem ser “reprogramados” e direcionados para o equilíbrio e 
subsequente recuperação das mais diversas síndromas e patologias dos doentes 
(controle da dor, controle e gestão de estresse). A hipnose é uma interessante 
combinação de relaxamento físico e perspicácia mental (Lopes, 2012). 
Psicólogos, médicos e dentistas podem se utilizar desta interessante 
ferramenta e a partir daí trabalhar na promoção da mudança de determinados 
padrões de pensamento e de comportamento e da reprogramação inconsciente da 
percepção da patologia de seus pacientes. 
A Hipnose é uma ferramenta que ainda está em plena construção e a 
psicoterapia usando a hipnose é algo que está profundamente ligado à própria 
evolução do homem. Há uma busca incessante dos mecanismos de autocura de 
desajustes internos, e cada vez mais criamos sintomas difíceis de serem 
diagnosticados nos microscópios feitos com lentes de vidro. 
A Hipnose Ericksoniana não é apenas uma abordagem terapêutica, é um 
conhecimento eficaz tanto dentro do consultório quanto na rotina do dia a dia, todos 
nós temos o desejo de incentivar mudanças significativas em todos os âmbitos de 
 
 
 
 
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nossas vidas. É uma filosofia que ajuda os pacientes a superar obstáculos que a 
princípio acreditavam que eram insuperáveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Ao longo da história, a hipnose se mostrou uma ferramenta de suporte 
intimamente conectada com a medicina, psicologia e psicoterapia. Desde as 
aplicações históricas em templos com técnicas de incubação e meditação através de 
mantras religiosos, até o uso da hipnose em Charcot e Freud para a conclusão da 
existência de sintomas fisiológicos gerados por processos psicológicos. 
A hipnose afetou a formação de várias das técnicas psicoterapêuticas 
modernas, sendo essas a própria hipnoterapia, a psicanálise, a psicologia analítica e 
até a terapia cognitivo-comportamental. Outras também foram consideradas, apesar 
destas não serem mencionadas neste trabalho. 
A hipnose se mostra um amigo implícito em grande parte dos estudos 
psicológicos, lembrando sua definição por Braid. O transe pode se dar em qualquer 
situação desde que se cumpram duas condições. A fixação da visão e o foco da 
concentração do hipnotizado. Sendo assim, o autor vê a hipnose como um estudo de 
importância capital para a formação de um psicoterapeuta completo. 
Apesar de resultados discutíveis na parte da sugestão direta, a hipnose como 
componente ativo da terapia facilita a busca por informações do paciente, como um 
complemento a associação livre. Dessa forma, guiando o paciente a um local ou 
trauma específico da memória e o ajudando a focarem artefatos importantes da sua 
psique. 
A hipnose, por fim, não precisa nem ser utilizada. Seu estudo e conhecimento 
sem aplicação prática pelo analista, revela através das epifanias de seus praticantes 
conceitos importantes sobre o inconsciente e seus funcionamentos que o analista não 
teria de modo contrário. 
 
 
 
 
 
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Mesmo em tempos modernos, é importante voltarmos a visão ao passado. Um 
psicoterapeuta pleno com certeza só pode se afirmar o mesmo após o estudo extenso 
daqueles que o pré-datam, e a história da hipnose é, em si, a história da psicologia. 
Em suma, se pudermos comparar de um modo geral as diferenças que se 
apresentam entre a forma de experiência que aparece ao fim do século XIX e as 
experiências contemporâneas especificas que relatei veríamos que um deslocamento 
da experiência do transe como delimitadoras do funcionamento normal do indivíduo 
para a experiência do transe enquanto amplificadora das qualidades individuais da 
pessoa. Se antes a hipnose havia servido para reiterar valores dominantes, hoje 
parece-me que ela procura meio de realizar os objetivos que o conjunto possível 
destes valores prescreve. 
A hipnose em algumas formas predominantes de seu uso contemporâneo 
parece estar disposta a atingir a máxima dita por Bernheim, a de que homem deve se 
aperfeiçoar indefinidamente, e aqui seria importante ressaltar que este 
aperfeiçoamento, nesta modalidade especifica de praticar a hipnose, se dá tão 
somente jogo de possibilidades que esta imagem do homem inscreve, na sua relação 
com os objetivos predominantes de nossa sociedade e que são também um meio de 
uma prática com uma história de difícil estabilização institucional encontrar um espaço 
para se manter. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
 
AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Directory of the American 
Psychological Association. American Psychological Association, 1993. 
 
 
CARREIRO, Antônio Almeida. Hipnose e Psicoterapia: Etiologia e Praxis. Salvador: 
Editora Usina de Talentos, 2005. 
 
 
DE OLIVEIRA FILHO, João Baptista. Técnicas Modernas De Transe Hipnótico Autor: 
João Baptista de Oliveira Filho (CRP 05/32031). Ficha Catalográfica, p. 22, 2009. 
 
 
FERREIRA, Marlus Vinicius Costa. Hipnose na prática clínica. Atheneu, 2003. 
 
 
HOLANDA, A.B. Dicionário Aurélio on-line. 2014. 
http://www.apa.org/search.aspx?query=hipnosis – Acesso em 15/01/2020. 
 
 
LOPES, A. Manual de Hipnose Clínica e Hipnoanálise: hipnose clínica integrativa. 
Porto. Academia da Formação Dr. Alberto Lopes Press, 2017. 
 
 
LOPES, A; AMORIM, P. Efeito da Hipnose versus Analgesia Opióide sobre a dor e 
potenciais evocados em voluntários. Porto: Hospital Geral de Santo António, 2012. 
 
 
ZEVALLOS, J.Q. Hipnoterapia Ericksoniana,2011.

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