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R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 448 U n id a d e E • R e p ro d u çã o e d e se n vo lv im e n to Na fase inicial da doença, a pessoa infectada não apresenta sintomas, mas a presença do HIV já pode ser detectada por exames de sangue, no qual aparecem an- ticorpos contra o vírus. Pessoas com anticorpos contra o HIV são chamadas de soropositivas e podem disseminar o vírus pelo ato sexual, se não for usada a camisinha. A evolução da doença leva à queda no número de linfócitos CD4 e a pessoa começa a manifestar os primeiros sintomas da aids: inchaço dos linfonodos, fraqueza, febre, emagrecimento, suores noturnos e diarreias infecciosas. No estágio avançado, aparecem problemas neurológicos e a pessoa é seriamente afetada pelas chamadas “infecções oportunistas”, que levam a pneumonias (frequentemente causadas pelo fungo Pneumocystis carinii) e a câncer de pele (o mais comum é o sarcoma de Kaposi, causado pelo vírus KSHV). A aids é transmitida pelo contato sexual com pes- soas infectadas e também pelo sangue, principalmente pelo compartilhamento de seringas no uso de drogas injetáveis ou por transfusões de sangue contami- nado. Recém-nascidos filhos de mães portadoras do HIV podem adquirir o vírus durante o parto ou ao ser amamentados com o leite materno. Embora ainda não haja cura para a aids, os tra- tamentos quimioterápicos, denominados terapias antirretrovirais, evoluíram muito. O uso combinado de diversas drogas antivirais, os chamados “coquetéis an- tivirais”, compostos por inibidores da síntese de ácidos nucleicos e de enzimas importantes para a formação das partículas virais, tem conseguido prolongar a vida de muitos doentes. Cancro mole Cancro mole (também chamado cancro venéreo simples ou “cavalo”) é uma DST causada pela bactéria Hemophilus ducreyi, transmitida exclusivamente por via sexual. Caracteriza-se por lesões, geralmente do- lorosas, nos órgãos genitais, sendo mais frequente no homem. O período de incubação da bactéria, durante o qual os sintomas ainda não se manifestam, geralmente é de três a cinco dias, mas pode durar até duas sema- nas. O tratamento é feito com antibióticos e a pessoa deve abster-se de relações sexuais até a doença estar completamente curada. Condiloma acuminado O condiloma acuminado (popularmente chamado de “crista de galo” ou de verruga genital) é uma DST causada pelo papilomavírus humano ou HPV (do inglês, human papilloma virus), transmitido por via sexual ou adquirido da mãe durante a gestação. Caracteriza-se pelo aparecimento, nos órgãos genitais, de lesões em forma de verrugas altas, que apresentam um “cume”, ou crista, bem pronunciado (daí o nome condiloma O HSV- * 1 é um vírus que ataca geralmente a mucosa da boca e não é transmitido por contato sexual. acuminado). Um grande problema do contágio pelo HPV é que ele pode causar também câncer nos órgãos genitais e no ânus. O tratamento consiste em remover as lesões condi- lomatosas (com o uso de substâncias químicas ou com cirurgia), mas ainda não se sabe como eliminar o vírus do organismo. Por causa disso, costuma haver recorrências depois da infecção primária. Gonorreia A gonorreia (também conhecida por blenorragia) é uma DST causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae (gonococo), transmitida exclusivamente por via sexual ou adquirida pelo recém-nascido na hora do parto. O diagnóstico da doença é fácil nos homens, que mani- festam sintomas como ardor ao urinar e produção de uma secreção uretral de cor amarelada, poucos dias após a infecção. Nas mulheres, porém, os sintomas são pouco evidentes, o que representa um grande risco de a infecção evoluir para o que se denomina DIP (doença inflamatória pélvica), com comprometimento das tubas uterinas. Em muitos casos, a inflamação das tubas pode levar à esterilidade. Nos bebês, a infecção gonocócica pode provocar cegueira. A gonorreia pode ser curada com antibióticos, que devem ser ingeridos, com acompanhamento médico, tão logo os sintomas se manifestem. É importante que um homem, ao perceber os sintomas iniciais da doença, abstenha-se imediatamente de relações sexuais e infor- me suas parceiras ou parceiros sobre o problema, para que eles também iniciem o tratamento com antibióticos. Esse alerta, aliás, é válido para qualquer tipo de DST. Herpes genital O herpes genital é uma DST causada pelo herpes- -vírus tipo 2 ou HSV-2 (do inglês, Herpes simplex virus type 2)*. Os sintomas são lesões nos órgãos genitais, no início caracterizadas por bolhas cheias de líquido que, depois, transformam-se em pequenas feridas. O período de incubação da doença é de 3 a 14 dias, no caso de ser a primeira infecção. Em muitos casos, o herpes é recorrente, isto é, volta a atacar a pessoa aparentemente curada. O tratamento consiste em limpar as lesões com solução fisiológica ou água boricada e aplicar pomadas antibióticas para evitar infecções secundárias, isto é, causadas por outros agentes infecciosos. A dor pode ser aliviada com analgésicos e anti-inflamatórios. Embora alguns medicamentos possam reduzir a duração e a frequência das infecções recorrentes, ainda não há cura definitiva para o herpes genital. Um dos riscos dessa DST é a contaminação dos bebês ainda no período de gesta- ção. O herpes pode ser grave nos recém-nascidos e nesses casos exige cuidados médicos especializados. R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 449 C a p ít u lo 1 7 • R e p ro d u çã o e c ic lo s d e v id a Linfogranuloma venéreo O linfogranuloma venéreo (conhecido popularmente por “mula”) é uma DST causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, que se transmite exclusivamente por via sexual. Os sintomas iniciais são pequenas bolhas ou feridas nos órgãos genitais, que geralmente de- saparecem logo. Mais tarde, após um período de incubação entre 3 e 30 dias, ocorre grande inchaço nos linfonodos das virilhas (bubão inguinal), mais frequente nos homens. Os principais sintomas do linfogranuloma venéreo são: febre, indisposição, dores no corpo, suores noturnos, perda de apetite e emagrecimento. Se não for tratada a tempo, a doença pode deixar sequelas como perfurações (fístulas) no reto e na vagina. O tratamen- to é feito à base de antibióticos, que melhoram rapidamente os sintomas, embora não revertam as fístulas. Figura 17.23 Micrografia da bactéria Treponema pallidum, causadora da sífilis (microscópio eletrônico de transmissão; colorização artificial; aumento 20.0003). Figura 17.24 Micrografia do protozoário Trichomonas vaginalis, causador da tricomoníase (microscópio eletrônico de varredura; colorização artificial; aumento 3.0003). sífilis A sífilis é uma DST causada pela bactéria Trepo- nema pallidum, transmitida exclusivamente por via sexual ou da mãe para o feto durante a gestação. A doença apresenta três estágios distintos, separados por períodos “latentes”. (Fig. 17.23) O primeiro estágio caracteriza-se pelo aparecimen- to do “cancro duro”, uma lesão nos órgãos genitais de consistência endurecida e pouco dolorosa. A lesão can- croide manifesta-se, em média, cerca de 20 dias após a contaminação. No homem, o cancro duro aparece com maior frequência na glande do pênis; na mulher, aparece nos lábios menores, nas paredes da vagina e no colo uterino. No segundo estágio, que geralmente ocorre cerca de seis a oito semanas após o cancro duro, surgem lesões escamosas na pele e nas mucosas. Lesões nas palmas das mãos e nas plantas dos pés são fortes indicativos de sífilis secundária. Outros sintomas são dores no corpo, febres, dores de cabeça e falta de disposição. No terceiro estágio, a sífilis pode afetar o sistema nervoso, causando problemas mentais, dificuldades de coordenação motora e cegueira. O tratamento é feitocom antibióticos, específicos para cada estágio da doença. Naturalmente, quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maior o êxito do tratamento e menores as sequelas. tricomoníase A tricomoníase é uma DST causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Na mulher, os sintomas são corri- mento vaginal e ardor ao urinar. No homem, pode haver ardor e corrimento uretral, mas a doença permanece assintomática em muitos casos. O tratamento consiste na administração de drogas que matam os protozoários. Como sempre, todos os parceiros sexuais também devem se tratar, para evitar recontaminação. (Fig. 17.24) ATIvIDADEsATIvIDADEs R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 450 U n id a d e E • R e p ro d u çã o e d e se n vo lv im e n to QUESTÕES PARA PENSAR E DISCUTIR Questões objetivas Considere as alternativas a seguir para responder às questões de 1 a 5. a) Endométrio. b) Folículo ovariano. c) Ovócito I. d) Ovócito II. e) Primeiro glóbulo polar. 1. Onde ocorre o processo de ovulogênese? 2. Qual é o nome da célula em que se inicia a primeira divisão da meiose, e que origina duas células de tamanho desigual? 3. Como se chama o revestimento interno do útero? 4. Quais são os produtos da divisão I da meiose de uma ovogônia? 5. Qual é o nome da célula correspondente ao gameta feminino e que, ao ser fecundada, dá continuidade à meiose? 6. “O óvulo humano estaciona na (1) da meiose e somente dá continuidade a esse processo de divisão se ocorrer (2).” Qual é a alternativa que substitui corretamente os números 1 e 2 entre os parênteses? a) 15 prófase I; 25 ovulação. b) 15 metáfase II; 25 ovulação. c) 15 prófase I; 25 fecundação. d) 15 metáfase II; 25 fecundação. 7. Durante a ovulogênese, a sequência de células que leva à formação do óvulo é a) ovócito I # ovócito II # ovogônia. b) primeiro glóbulo polar # ovócito I # ovócito II # ovogônia. c) ovogônia # primeiro glóbulo polar # ovócito II. d) ovogônia # ovócito I # ovócito II. 8. Na ovulação, o caminho natural do óvulo, após ser liberado pelo ovário, é penetrar a) na vagina. b) na tuba uterina. c) no colo uterino. d) no folículo ovariano. Considere as alternativas a seguir para responder às questões de 9 a 12. a) Espermátides. b) Espermatócitos I. c) Espermatócitos II. d) Espermatogônias. 9. Qual é o nome das duas células originadas pela divisão I da meiose masculina? 10. Como se denominam as células testiculares que, a partir da puberdade, multiplicam-se ativamente por mitose, e que dão origem aos espermatozoides? 11. Em que célula precursora dos espermatozoides ocorre a primeira divisão da meiose? 12. Como é chamada a célula originada pelo processo de meiose e que se diferenciará formando o espermatozoi- de? 13. Em cada ejaculação, o número médio de espermatozoides eliminado é da ordem de a) 350. b) 1.000. c) 200.000. d) 350.000.000.