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(girafas, porcos, hipopótamos etc.)
E. caballus
(cavalo)
E. zebra
(zebra) (anta)
T. indicus
(tapir malaio)
R. unicornis
(rinoceronte de um chifre)
D. bicornis
(rinoceronte de dois chifres)
E. asinus
(asno)
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Figura 1.14 Relações de parentesco e classificação de alguns animais da ordem Perissodactyla, 
uma das muitas ordens incluídas na classe dos mamíferos (Mammalia).
Na figura 1.14 podemos observar as relações de parentesco evolutivo entre alguns representan-
tes de diferentes gêneros da ordem Perissodactyla, à qual pertencem cavalos, zebras, rinocerontes 
etc. Essa ordem é uma das muitas incluídas na classe dos mamíferos (Mammalia).
Observe, na parte superior esquerda da árvore, que asno, cavalo e zebra teriam como ancestral 
comum um representante do gênero Equus que viveu no passado e originou todas as espécies 
de equinos. Se “descermos” pela árvore filogenética a partir do ancestral equino, encontraremos 
sua relação de parentesco com outros animais da ordem Perissodactyla, que reúne também as 
antas (gênero Tapirus, família Tapiridae) e os rinocerontes (gêneros Rhinocerus e Dicerus, família 
Rhinocerotidae). Ao classificar cavalos, rinocerontes e antas na mesma ordem, indicamos que no 
passado eles compartilharam uma espécie ancestral comum. (Fig. 1.14)
Até alguns anos atrás, as classificações baseavam-se quase exclusivamente na comparação 
de características morfológicas dos seres vivos. Nos últimos anos, porém, a taxonomia tem 
sido revolucionada pelo emprego de técnicas avançadas de Biologia Molecular, que permitem 
comparar a composição química dos seres vivos, principalmente quanto a proteínas e ácidos 
nucleicos (DNA e RNA).
A comparação bioquímica é importante, uma vez que o DNA é o material hereditário, que 
compõe os genes; estes, expressando-se por meio dos RNAs e das proteínas, controlam todas 
as características estrututurais e fisiológicas dos organismos (relembre no volume 1 desta 
série). Portanto, a análise bioquímica, associada aos estudos de semelhança anatômica e 
funcional, pode fornecer pistas importantes sobre as relações de parentesco entre espécies 
de seres vivos.
Um caso recente em que evidências estruturais e bioquímicas se somaram foi o da classi-
ficação dos pandas-gigantes (Ailuropoda melanoleuca). Esses animais, nativos da China, foram 
descritos pela primeira vez em 1869 e classificados na família dos ursos (família Ursidae). Mais 
tarde, alguns biólogos questionaram essa classificação ao notar semelhanças estruturais entre 
o panda-gigante e o panda-vermelho (Ailurus fulgens), existente no Himalaia e nitidamente apa-
rentado aos racuns norte-americanos (família Procyonidae).
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Figura 1.15 Apesar de ambos se chamarem “panda” 
e de se alimentarem de bambu, o panda-gigante da 
China (A) é mais aparentado com os ursos do que com 
o panda-vermelho do Himalaia (B), mais próximo dos 
racuns. A árvore filogenética (C), elaborada com base em 
evidências anatômicas, funcionais e bioquímicas, sugere 
as relações de parentesco entre algumas espécies 
relacionadas aos pandas.
2 Sistemática moderna
Até agora, apresentamos um panorama geral da história da taxonomia e de como se desen-
volveram seus princípios gerais. Discutimos também algumas das diferentes abordagens dos 
cientistas na tentativa de conceituar espécie, considerada pela maioria dos biólogos uma impor-
tante entidade da natureza biológica e o táxon mais básico da classificação.
Como mencionamos no início do capítulo, a taxonomia faz parte da Sistemática, ramo da 
Biologia que estuda a biodiversidade, ou diversidade biológica. A biodiversidade compreende 
todos os tipos de variações existentes entre os seres vivos, nos diferentes níveis de organização 
biológica, desde o nível molecular até os ecossistemas.
Os principais objetivos da Sistemática são:
a) compreender os processos responsáveis pela existência da diversidade biológica; 
b) desenvolver critérios para organizar a diversidade, agrupando os seres vivos de acordo 
com características importantes;
c) descrever a diversidade biológica, desenvolvendo catálogos tão completos quanto possível 
das características típicas de cada espécie, além de “batizá-la” com um nome científico.
A
B
C
Após anos de debate, um detalhado estudo anatômico publicado em 1964 mostrou que o 
panda-gigante era realmente um ursídeo, o que foi confirmado pela análise do DNA. Algumas das 
características que o assemelhavam ao panda-vermelho surgiram devido à adaptação de ambos a 
uma dieta constituída quase exclusivamente de bambu, e não do parentesco evolutivo. (Fig. 1.15)
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A Sistemática integra todos os conhecimentos disponíveis sobre os seres vivos para com-
preender e evidenciar suas relações de parentesco evolutivo, traçando filogenias que procuram 
relacionar espécies atuais e espécies ancestrais já extintas. Assim, pode-se dizer que a Sistemá-
tica moderna iniciou-se após a consolidação da teoria evolucionista de Darwin, segundo a qual 
a origem da biodiversidade é a diversificação das espécies por evolução. 
A aplicação dos princípios evolucionistas à taxonomia tem possibilitado rever a distribuição 
hierárquica dos táxons nas classificações tradicionais. Hoje, o principal objetivo da classificação 
é estabelecer um sistema natural em que as espécies sejam organizadas com base em seu grau 
de parentesco evolutivo. É exatamente a adequação da taxonomia tradicional aos princípios da 
moderna Sistemática que tem levado a muitas polêmicas entre os cientistas quanto à classifi-
cação dos seres vivos, fazendo desse ramo um dos mais dinâmicos da Biologia; e, ao que tudo 
indica, as polêmicas ainda vão continuar por mais alguns anos.
Homologias e analogias
Um dos grandes desafios do biólogo sistemata é identificar nos organismos aspectos impor-
tantes para a classificação, sejam eles morfológicos, funcionais, cromossômicos ou moleculares. 
A ideia é encontrar padrões de semelhança entre diferentes espécies, partindo do seguinte prin-
cípio: espécies que compartilham estruturas correspondentes herdaram-nas de um ancestral 
comum que tiveram no passado.
Essas características comuns entre espécies, herdadas da mesma ancestralidade, são cha-
madas de homologias. Dizer que duas estruturas são homólogas implica dizer que as espécies 
que as possuem tiveram um ancestral comum, que também as apresentava.
Órgãos homólogos são estruturas corporais que se desenvolvem de modo semelhante em 
embriões de espécies diferentes que têm ancestralidade comum. Apesar da origem embrionária 
semelhante, órgãos homólogos podem ser morfologicamente diferentes e desempenhar funções 
distintas, como é o caso dos esqueletos das asas dos morcegos, adaptadas ao voo, e das nada-
deiras peitorais dos golfinhos, adaptadas à natação. (Fig. 1.16)
Figura 1.16 Exemplo de órgãos 
homólogos. Apesar de terem 
funções distintas, os membros 
anteriores de uma pessoa, de 
um golfinho, de um morcego 
e de uma ave apresentam 
esqueletos com o mesmo planoestrutural e com a mesma 
origem embrionária.
Úmero
Rádio
Ulna Metacarpos
Braço e mão 
humanos
Úmero
Rádio
Carpos Falanges
Ulna Metacarpos
Úmero
Rádio
Falanges
Ulna
Metacarpos
Úmero
Rádio
Ulna
Carpos e 
metacarpos
Nadadeira de
golfinho
Asa de
morcego
Asa de
ave
Falanges
Carpos
Falanges

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