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457 C a p ít u lo 2 1 • H id ro d in â m ic a 457 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Objetivos Relacionar pressão, nível e velocidade de um fluido escoando por uma canalização. Compreender o efeito Bernoulli. Explicar fenômenos cotidianos com base no efeito Bernoulli. Analisar a velocidade de escoamento de um líquido através de um furo feito no recipiente que o contém. Termos e conceitos • efeito Bernoulli • efeito Magnus • tubo de Venturi • tubo de Pitot Seção 21.2 Equação de Bernoulli Um fluido incompressível e não viscoso, de densidade d, escoa por uma canalização em regime estacionário (fig. 5). Sejam p1 e p2 as pressões nos pontos 1 e 2, cujas alturas, em relação a um plano horizontal a de referência, são h1 e h2, respectivamente. Sejam v1 e v2 as velocidades do fluido nos pontos 1 e 2 e g a aceleração da gravidade local. A equação de Bernoulli* estabelece que: p1 1 dgh1 1 dv2 1 ____ 2 p2 1 dgh2 1 dv2 2 ____ 2 v1 p1 1 h1 h2 v2 p2 2g α d Figura 5. p 1 dgh 1 dv2 ____ 2 é constante. Portanto, para qualquer ponto do fluido, p 1 dgh 1 dv2 ____ 2 é constante. Nessa equação, p 1 dgh é a chamada pressão estática, e dv2 ____ 2 , pressão dinâmica. Aplicando a equação de Bernoulli ao caso particular em que h1 h2 h (fig. 6), temos: p1 1 dv2 1 ____ 2 p2 1 dv2 2 ____ 2 A1 v1 A2 v2 h h 1 2 α Figura 6. h1 5 h2 5 h Observe que, sendo A2 A1, temos pela equação da continuidade que v2 v1. Pela equação de Bernoulli, resulta que p2 p1. Concluímos, então, que: No trecho em que a velocidade é maior, a pressão é menor. * Bernoulli, Daniel (1700-1782), nasceu em Groningen, na Holanda. Foi filósofo, fisiologista, médico e físico. Em Física, destacam-se suas contribuições no campo da Hidrodinâmica e no estudo da teoria cinética dos gases. Esse é o chamado efeito Bernoulli. V1_P3_UN_G_CAP_21.indd 457 31.07.09 18:24:52 458 U n id a d e G • Es tá ti ca . H id ro st át ic a . H id ro d in â m ic a 458 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Conhecendo o efeito Bernoulli, podemos explicar vários fenômenos. Veja alguns deles: Destelhamento Durante uma ventania, a passagem do ar faz com que a pressão na região logo acima do telhado de uma casa se torne menor do que a pressão do ar abaixo deste. Essa diferença de pressão produz uma força ascensional que pode levantar o telhado, se ele não estiver amarrado à estrutura da casa (fig. 8). Uma solução seria ventilar o espaço sob o telhado para que não haja diferença de pressão. Ar F p 1 (e xterna) p2 (interna) Figura 8. p1 , p2: a pressão do ar logo acima do telhado é menor, pois ali a velocidade do ar (ventania) é maior (F: força ascensional). Ar p1 p1 p2p2 p2 Figura 9. A pressão em torno da bola (p1) é menor do que a pressão do ambiente (p2), pois em torno da bola a velocidade do ar é maior. Vento rasante em uma janela Durante uma ventania, o ar que passa rente a uma janela origina uma diminuição da pressão, em relação ao ambiente interno. Como consequência, se a janela estiver aberta, uma cortina ali colocada desloca-se em direção à janela, como se estivesse sendo puxada para fora. Bola de pingue-pongue suspensa por um jato de ar Uma bola pode ficar suspensa por um jato de ar (fig. 9). A pressão do ar em movimento em torno da bola é menor do que a pressão do ambiente (pressão do ar parado). Assim, o resultado é uma força que tende a trazer a bola para o centro do jato, quando ela é desviada dessa posição. Se o fluido que escoa pela canalização for um líquido, ele atinge alturas diferentes nos tubos verticais A e B (fig. 7): no tubo A o nível do líquido é mais elevado, pois a pressão neste ponto é maior. A B 1 2 Figura 7. p1 . p2 Conteúdo digital Moderna PLUS http://www.modernaplus.com.br História da Física: Os Bernoulli Atividade experimental: Comprovando o efeito Bernoulli V1_P3_UN_G_CAP_21.indd 458 31.07.09 18:24:52 459 C a p ít u lo 2 1 • H id ro d in â m ic a 459 R ep ro d uç ão p ro ib id a. A rt .1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . vbola A B F C Figura 10. (A) Bola em translação. (B) Bola em rotação. (C) Bola transladando e girando ao mesmo tempo. Efeito Magnus Quando uma bola é lançada em rotação, observa-se uma dife rença de pressão do ar entre as diferentes regiões junto à bola. Nessas condições, aparece uma força resultante, de modo que a trajetória da bola é diferente daquela que seria descrita se ela não tivesse rotação. Esse é o efeito Magnus*. Observe, na figura 10A, a corrente de ar passando por uma bola que se desloca sem rotação, isto é, que realiza um movimento de trans lação. Na figura 10B, a bola está realizando somente um movimento de rotação, arrastando o ar ao seu redor. O movimento em que a bola translada e ao mesmo tempo gira (fig. 10C) é obtido pela superposição dos dois movimentos descritos anteriormente. Observe que, na parte superior da figura 10C, as correntes de ar das figuras 10A e 10B têm sentidos opostos, e na parte inferior têm o mesmo sentido. Portanto, a velocidade do ar é menor na parte superior e, pelo efeito Bernoulli, maior é a pressão, originando uma força resultante para baixo. * Magnus, Heinrich Gustav (1802-1870), físico e químico alemão. Realizou estudos em vários campos da Química e da Física, como por exemplo na eletrólise e na termodinâmica. Foi ele quem explicou a trajetória curva descrita por uma bola, quando lançada com um movimento rototranslatório. Note na figura 11 que a força resultante seria para cima se mudássemos o sentido de rotação da bola. Quanto mais lisa for a bola, menos ar ela arrasta e menos acentuado é o efeito Magnus. vbola A B F C Figura 11. Chute de Ronaldinho Gaúcho que resultou em gol, no jogo Brasil # Inglaterra, na Copa do Mundo de 2002. Em muitos jogos com bola, como o futebol, são comuns as jogadas em que o jogador “dá um efeito” na bola — na verdade, trata-se do efeito Magnus. Por exemplo, na cobrança de faltas, certos jogadores têm a capacidade de fazer com que a bola adquira uma trajetória totalmente inesperada, enganando o goleiro. V1_P3_UN_G_CAP_21.indd 459 31.07.09 18:24:56