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O texto a seguir refere-se às questões de 1 a 4.
GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. In: PROENÇA FILHO, Domício (Org.). 
A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Aguilar, 1996. p. 651-652. (Fragmento).
 Nesta triste masmorra,
De um semivivo corpo sepultura,
 Inda, Marília, adoro
 A tua formosura.
Amor na minha ideia te retrata;
Busca, extremoso, que eu assim resista
À dor imensa, que me cerca e mata.
 Quando em meu mal pondero,
Então mais vivamente te diviso:
 Vejo o teu rosto e escuto
 A tua voz e riso.
Movo ligeiro para o vulto os passos:
Eu beijo a tíbia luz em vez de face,
E aperto sobre o peito em vão os braços.
 Conheço a ilusão minha;
A violência da mágoa não suporto;
 Foge-me a vista e caio
 Não sei se vivo ou morto.
Enternece-se Amor de estrago tanto;
Reclina-me no peito, e com mão terna
Me limpa os olhos do salgado pranto.
 1. Qual é o assunto desenvolvido na lira apre-
sentada?
As situações poéticas apresentadas em ff Marília 
de Dirceu guardam estreita relação com episó-
dios da vida de Tomás Antônio Gonzaga. Que 
semelhança existe entre a situação em que se 
encontra o pastor Dirceu e a vida do poeta? 
 2. Quais são os dois interlocutores a quem o eu 
lírico se dirige no poema?
a) O que ele diz a cada um deles?
b) Explique de que maneira o diálogo estabeleci-
do com esses interlocutores indica a retoma-
da de características da poesia de Camões. 
 3. Releia. 
 Depois que represento
Por largo espaço a imagem de um defunto,
 Movo os membros, suspiro,
 E onde estou pergunto.
Conheço então que Amor me tem consigo;
Ergo a cabeça, que inda mal sustento,
E com doente voz assim lhe digo:
 Se queres ser piedoso,
Procura o sítio em que Marília mora,
 Pinta-lhe o meu estrago,
 E vê, Amor, se chora.
Uma delas me traze sobre as penas,
E para alívio meu só isto basta.
Lira XIX
Preso, o eu lírico encontra conforto no seu amor 
por Marília e nas lembranças que guarda da amada.
“Busca, extremoso, que eu assim resista
À dor imensa, que me cerca e mata.
[...]
A violência da mágoa não suporto;”
a) O que esses versos sugerem sobre o estado de 
espírito do eu lírico?
b) Os sentimentos expressos condizem com as 
características normalmente encontradas na 
poesia árcade? Por quê?
c) Que outros elementos apresentados no poema 
rompem com o convencionalismo árcade? 
Explique. 
 4. Observe a linguagem utilizada no poema. Que 
elementos caracterizam a simplicidade formal 
pretendida pelos poetas árcades?
TEXTO PARA ANÁLISE
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 5. Na segunda estrofe, ocorre uma personificação do Amor. Como ele é 
apresentado?
Qual é a imagem utilizada na terceira estrofe pelo eu lírico para se ff
referir a esse Amor? Explique o uso dessa imagem.
 6. Quem é o interlocutor a quem o eu lírico se dirige na última estrofe? 
O que o eu lírico lhe diz?
 7. No soneto transcrito, o poeta evidencia uma forte característica de 
sua obra: a incorporação de elementos da paisagem local ao cenário 
árcade. Qual é o elemento local presente no texto?
Que relação o eu lírico estabelece, na primeira estrofe, entre esse ff
cenário e si mesmo? Explique.
 8. A apresentação do cenário é importante para o desenvolvimento do 
tema do soneto. Explique de que maneira o eu lírico relaciona o ce-
nário em que nasceu a esse tema. 
Destes penhascos fez a natureza
Nestes versos, a paisagem de Minas Gerais desempenha 
papel muito importante no desenvolvimento do soneto.
Destes penhascos fez a natureza
O berço em que nasci: oh! quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza.
Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara 
Contra o meu coração guerra tão rara, 
Que não me foi bastante a fortaleza.
Por mais que eu mesmo conhecesse o dano, 
A que dava ocasião minha brandura, 
Nunca pude fugir ao cego engano:
Vós, que ostentais a condição mais dura, 
Temei, penhas, temei, que Amor tirano, 
Onde há mais resistência, mais se apura.
 O texto a seguir refere-se às questões de 5 a 8.
COSTA, Cláudio Manuel da. In: PROENÇA FILHO, Domício (Org.). 
A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Aguilar, 1996. p. 95.
 Vista de Ouro Preto, 
Minas Gerais, 1999. Penhas: designação de um 
cenário rochoso, montanhas. 
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Busque Amor novas artes, novos engenhos
Neste soneto, o eu lírico apresenta um desafio ao seu interlocutor.
 9. O eu lírico apresenta um desafio ao Amor: en-
contrar novas formas para matá-lo. Sente-se 
seguro porque “não pode tirar-me as esperan-
ças, / Que mal me tirará o que eu não tenho”. 
Considere essas informações e discuta com 
seus colegas:
a) O eu lírico vence a “guerra” contra o Amor? 
Explique.
b) O comportamento do eu lírico, no poema de 
Camões, é semelhante ao do soneto de Cláudio 
Manuel da Costa? E o do Amor? Por quê?
c) Todo soneto desenvolve um raciocínio lógico. 
Camões procura demonstrar que o ser humano 
é incapaz de resistir ao amor. Essa conclusão é 
semelhante à do poema de Cláudio Manuel da 
Costa? Justifique.
Busque Amor novas artes, novo engenho,
Pera matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que na[s]ce não sei onde.
Vem não sei como, e dói não sei porquê.
 A seguir, leia o soneto de Luís de Camões para responder à questão 9.
Texto 3 
Jogo de ideias
Neste capítulo, você viu que os autores árcades promoveram um resgate de 
temas clássicos que expressam algumas filosofias de vida características do 
mundo antigo. Temas como o fugere urbem, o locus amoenus, o carpe diem, etc., 
retornam, nos textos árcades, com o objetivo de expressar o desejo por uma 
vida tranquila e harmoniosa. Embora apresentem uma filosofia de vida de tem-
pos passados, os princípios divulgados pelos autores árcades em seus poemas 
parecem ter “renascido” em nossa época. São comuns anúncios publicitários de 
condomínios residenciais, por exemplo, que utilizam, muitas vezes, como princi-
pal argumento para vender seu produto, as vantagens da vida fora dos grandes 
centros, em contato direto com a natureza. 
Para compreender melhor essa “atualização” dos temas árcades em textos 
publicitários, propomos que você selecione alguns anúncios em que seja possível 
identificar argumentos (utilizados para convencer o público-alvo do que é anunciado) 
que retomem alguns dos princípios de vida divulgados pelos poetas árcades em seus 
poemas. Para cumprir essa tarefa, você deverá seguir os seguintes passos:
selecionar (em jornais, revistas ou na internet) anúncios de imóveis, condomínios ff
residenciais, clubes, etc. que utilizem, como argumentos para persuadir os pro-
váveis futuros compradores, alguns dos temas árcades estudados no capítulo;
selecionar um poema árcade que apresente o mesmo princípio de vida utili-ff
zado como argumento persuasivo na peça publicitária escolhida;
apresentar os dois textos selecionados para os seus colegas, explicando, oral-ff
mente, a relação existente entre eles. Destacar, na apresentação, o tratamento 
dado ao tema árcade nos dois textos pertencentes a gêneros discursivos e 
épocas diferentes, refletindo sobre os motivos de os ideais resgatadospelos ár-
cades continuarem atuais e se mostrarem tão apelativos em nossa época. 
CAMÕES, Luís Vaz de. Obra completa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988. p. 273.
Material complementar 
Moderna PLUS 
http://www.modernaplus.com.br
Palavra de Mestre: Antonio 
Candido de Mello e Souza e 
José Aderaldo Castello.
Exercícios adicionais.
Conteúdo digital Moderna PLUS http://www.modernaplus.com.br
Tema animado: Arcadismo.
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