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1º EDIÇÃO - 2019
SÃO PAULO - SP
DIRETO AMBIENTAL E 
LEGISLAÇÃO
ELISANGELA SZCARD
1º EDIÇÃO - 2019
SÃO PAULO - SP
DIRETO AMBIENTAL E 
LEGISLAÇÃO
Elisangela Szcard
DIRETO AMBIENTAL E 
LEGISLAÇÃO
EXPEDIENTE
COORDENAÇÃO GERAL
Nelson Boni
COORDENAÇÃO/ 
PROJETO GRÁFICO E CAPA
João Guedes
COORDENAÇÃO DE 
PROJETOS PEDAGÓGICOS
Hikaro Queiroz
COORDENAÇÃO DE 
REVISÃO ORTOGRÁFICA
Esthela Malacrida
AUTORA
Elisangela Szcard
DIAGRAMAÇÃO
João Antônio P. A. Lima
1º EDIÇÃO - 2019
SÃO PAULO - SP
 
Sumário
UNIDADE 1 – DIREITO AMBIENTAL E MEIO 
AMBIENTE ������������������������������������������������� 5
CAPÍTULO 1 – DIREITO AMBIENTAL �����������������������������6
CAPÍTULO 2 – CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O 
MEIO AMBIENTE ������������������������������������������������������28
UNIDADE 2 – POLITICA NACIONAL DO MEIO 
AMBIENTE E RESPONSABILIDADE POR 
DANOS AMBIENTAIS ����������������������������������� 55
CAPÍTULO 3 – POLITICA NACIONAL DO 
MEIO AMBIENTE ������������������������������������������������������56
CAPÍTULO 4 – RESPONSABILIDADE CIVIL 
POR DANOS AMBIENTAIS ����������������������������������������78
UNIDADE 3 – LICENCIAMENTO E CRIMES 
AMBIENTAIS ������������������������������������������� 100
CAPÍTULO 5 – LICENÇAS AMBIENTAIS ��������������������� 101
CAPÍTULO 6 – CRIMES AMBIENTAIS E LEGISLAÇÃO � 111
UNIDADE 4 – DIREITO AMBIENTAL E ECONÔMICO � 144
CAPÍTULO 7 – DESENVOLVIMENTO 
ECONÔMICO SUSTENTÁVEL E O DIREITO 
AMBIENTAL ECONÔMICO �������������������������������������� 145
CAPÍTULO 8 – INSTRUMENTOS DE 
POLÍTICAS PÚBLICAS AMBIENTAIS 
SUSTENTÁVEIS ������������������������������������������������������ 154
UNIDADE
1
DIREITO AMBIENTAL 
E MEIO AMBIENTE
CAPÍTULO
1DIREITO 
AMBIENTAL
–DIREITO AMBIENTAL–
7
O direito ambiental, ciência dotada de autonomia cien-
tífica, apesar de apresentar caráter interdisciplinar, obedece 
a princípios específicos, pois, de outra forma, dificilmente se 
obteria a proteção eficaz pretendida sobre o meio ambiente.
Nesse sentido, seus princípios caracterizadores têm 
como escopo fundamental orientar o desenvolvimento e a 
aplicação de políticas públicas que servem como instrumento 
fundamental de proteção ao meio ambiente e, consequente-
mente, à vida humana.
Direito ambiental é um ramo do Direito que estuda as 
relações jurídicas ambientais, observando a natureza cons-
titucional, difusa e transindividual dos direitos e interesses 
ambientais, buscando a sua proteção e efetividade.
Fundamenta-se em diversos princípios, tais como: aces-
so equitativo aos recursos naturais, prevenção, reparação, 
qualidade, participação popular e publicidade.
1.1 Princípios do Direito Ambiental
São princípios que permitem compreender a autonomia 
do Direito Ambiental em face dos outros ramos do Direito e 
que auxiliam no entendimento e na identificação da unidade 
e coerência existentes entre todas as normas jurídicas que 
compõem o sistema legislativo ambiental.
É dos princípios que se extraem as diretrizes básicas 
que permitem compreender a forma pela qual a proteção do 
meio ambiente é vista na sociedade e que servem de critério 
básico e inafastável para a exata inteligência e interpreta-
ção de todas as normas que compõem o sistema jurídico 
–DIREITO AMBIENTAL–
8
ambiental, condição indispensável para a boa aplicação do 
Direito nessa área. Podemos citar:
a) Princípio do acesso equitativo
Segundo o princípio do acesso equitativo aos recursos 
naturais, os bens ambientais devem ser utilizados de forma a 
satisfazer as necessidades comuns de todos os habitantes da 
Terra, orientando-se sempre pela igualdade de oportunidades 
na sua fruição. Além disso, devem ser explorados de tal modo 
que não haja risco de serem exauridos, resguardando-os para 
as futuras gerações.
b) Princípio da prevenção ou precaução
O princípio da prevenção ou precaução prescreve que 
as normas de direito ambiental devem sempre se orientar 
para o fato de que é necessário que o meio ambiente seja 
preservado e protegido como patrimônio público.
A prevenção aplica-se tanto a situações onde há certeza, 
quanto aos riscos de danos ambientais e também às situações 
onde existem dúvidas e incertezas.
A finalidade ou o objetivo final do princípio da pre-
venção é evitar que o dano possa chegar a produzir-se. Para 
tanto, necessário se faz adotar medidas preventivas.
A efetiva consolidação do princípio da precaução tem 
lugar a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o 
Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada no Rio de 
Janeiro em 1992.
–DIREITO AMBIENTAL–
9
Este princípio afirma que no caso de ausência da certeza 
científica formal, a existência do risco de um dano sério ou 
irreversível requer a implementação de medidas que possam 
prever, minimizar e/ou evitar este dano.
Assim, se, por exemplo, na permissão ou autorização 
de uma obra ou de um novo agrotóxico há incerteza sobre a 
existência ou probabilidade de danos à saúde pública ou à 
natureza, tal atividade, em observância ao princípio da pre-
caução, não deverá ser autorizada ou, pelo menos, deverão ser 
tomadas medidas preventivas que afastem os riscos. Enfim, 
prevenir é agir antecipadamente a fim de evitar danos graves 
e irreparáveis ao meio ambiente.
De outro lado, antes de ser colocada a questão “há cer-
teza quanto a possibilidade de dano?”, deve ser feita outra 
pergunta, mais importante que a primeira: “precisamos real-
mente desta atividade?”. Ou seja, deve ser questionado, antes 
de tudo, se a atividade atende ao bem comum e, apenas em 
caso afirmativo, questionar-se quanto aos impactos no meio 
ambiente e às formas de prevenção. O principal instrumento 
na aplicação deste princípio é o Estudo de Impacto Ambiental, 
analisado mais adiante.
Diante de tais constatações, é possível delinear uma 
nítida diferença entre o princípio da prevenção e o princípio 
da precaução. O princípio da prevenção é aplicado quando 
são conhecidos os males provocados ao meio ambiente decor-
rentes da atividade potencialmente predadora ou poluidora, 
possuindo elementos seguros para afirmar se a atividade é 
efetivamente perigosa (atividades sabidamente perigosas).
–DIREITO AMBIENTAL–
10
Como exemplo, temos as atividades de mineração, nas 
quais os impactos sobre o meio ambiente são notórios. Por 
outro lado, quando não se conhece o impacto de atividades 
potencialmente causadoras de degradação ambiental, deve 
se aplicar o princípio da precaução, ou seja, como não se 
tem certeza quanto aos possíveis efeitos negativos, por pre-
caução, impõem-se restrições ou impede-se a intervenção 
no meio ambiente até que se comprove que a atividade não 
acarreta efeitos adversos ao meio ambiente. Podemos citar, 
como exemplo, as discussões sobre os impactos, ainda des-
conhecidos, dos alimentos transgênicos (OGM-Organismos 
Geneticamente Modificados) e da radiofrequência das antenas 
de telefonia celular ao meio ambiente e à saúde humana.
c) Princípio da reparação
O princípio da reparação, decorrente do princípio da 
prevenção, orienta que aquele que causar lesão a bens am-
bientais deve ser responsabilizado por seus atos, reparando 
ou indenizando, de forma adequada, os danos causados.
Evitar a incidência de danos ambientais é melhor que 
remediá-los. Essa é a ideia chave dos princípios da preven-
ção e da precaução, já que as sequelas de um dano ao meio 
ambiente muitas vezes são graves e irreversíveis.
Tais princípios se caracterizam como dois dos mais im-
portantes em matéria ambiental, tendo em vista a tendência 
atual do direito internacional do meio ambiente, orientado 
mais no sentido da prevenção do que no da reparação.
–DIREITO AMBIENTAL–
11
d) Princípio da qualidade
O princípio da qualidade prescreve que as normas de 
direito ambiental devem se orientar para o fato de que o 
meio ambiente deve ter qualidade propícia a vida saudável 
e ecologicamente equilibrada.
e) Princípio da participação popular
O princípio da participação popular é também chamado 
de princípio democrático ou de princípioda gestão demo-
crática e deve ser aplicado tanto em relação aos três Poderes 
ou funções do Estado.
No que diz respeito ao Poder Executivo, esse princípio se 
manifesta por exemplo através da participação da sociedade 
civil nos Conselhos de Meio Ambiente e do controle social 
em relação a processos e procedimentos administrativos 
como o licenciamento ambiental e o estudo e relatório de 
impacto ambiental.
Em relação ao Poder Legislativo, esse princípio se mani-
festa por exemplo através de iniciativas populares, plebiscitos 
e referendos de caráter ambiental e da realização de audiên-
cias públicas que tenham o intuito de discutir projetos de lei 
relacionados ao meio ambiente.
No que concerne ao Poder Judiciário, esse princípio 
se manifesta por exemplo através da possibilidade dos ci-
dadãos individualmente, por meio de ação popular, e do 
Ministério Público, da organizações não governamentais, 
de sindicatos e de movimentos sociais de uma forma geral, 
por meio de ação civil pública ou de mandado de segurança 
–DIREITO AMBIENTAL–
12
coletivo, questionarem judicialmente as ações ou omissões 
do Poder Público ou de particulares que possam repercutir 
negativamente sobre o meio ambiente.
O princípio da gestão democrática, decorre da necessi-
dade de uma democracia participativa, bem como do fato de 
que cuidar do meio ambiente não é tarefa apenas do Estado, 
mas de toda a sociedade civil. Assim, é fundamental um es-
paço de diálogo e cooperação entre os diversos atores sociais, 
seja para a formulação e execução de uma política e de ações 
ambientais, seja para a solução de problemas. Como exemplo 
deste princípio temos as audiências públicas e os conselhos 
de recursos hídricos.
Diz respeito não apenas ao meio ambiente, mas a tudo 
o que for de interesse público. Na verdade, a democracia 
participativa também é consagrada por diversos dispositivos 
da Constituição Federal, como o parágrafo único do art. 1º, 
que dispõe que o poder é exercido por meio de representantes 
eleitos ou diretamente pelo povo.
Entretanto, no que diz respeito ao meio ambiente o prin-
cípio da gestão democrática é ainda mais importante, visto 
que se trata de um direito difuso que em regra não pertence 
a nenhuma pessoa ou grupo individualmente considerado.
A realidade tem mostrado que é praticamente impos-
sível que o Poder Público consiga acabar ou diminuir a de-
gradação ambiental sem a participação da sociedade civil.
Por sua vez, o princípio da publicidade ou da informação 
decorre do princípio da participação e visa assegurar sua efi-
cácia. Assim, toda a informação referente ao meio ambiente é 
–DIREITO AMBIENTAL–
13
pública, vale dizer, qualquer cidadão pode ter acesso a ela. A 
informação visa garantir ao cidadão a possibilidade de tomar 
posições ou intervir em determinada matéria, e refere-se 
tanto a documentos, como relatórios de impacto ambiental, 
até estudos realizados sobre o meio ambiente.
Estes princípios se especializam nos seguintes 
mandamentos:
I – Ação governamental na manutenção do equilíbrio 
ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimô-
nio público a ser necessariamente assegurado e protegido, 
tendo em vista o uso coletivo;
II – Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água 
e do ar;
III – Planejamento e fiscalização do uso dos recursos 
ambientais;
IV – Proteção dos ecossistemas, com a preservação de 
áreas representativas;
V – Controle e zoneamento das atividades, potencial 
ou efetivamente, poluidoras;
VI – Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologia 
orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos 
ambientais;
VII – Acompanhamento do estado da qualidade 
ambiental;
VIII – Recuperação de áreas degradadas;
IX – Proteção de áreas ameaçadas de degradação;
–DIREITO AMBIENTAL–
14
X – Educação ambiental a todos os níveis do ensino, 
inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la 
para a defesa ativa do meio ambiente.
Esses princípios estão consolidados no art. 225 e pará-
grafos da Constituição Federal e na Lei 6938/81, que esta-
belece os objetivos da Política Nacional de Meio Ambiente e 
tem sua execução regulamentada pelo Decreto 99.274/90.
f) Princípio do Poluidor-Pagador (PPP)
O objetivo do princípio do poluidor-pagador é forçar a 
iniciativa privada a internalizar os custos ambientais gerados 
pela produção e pelo consumo na forma de degradação e de 
escasseamento dos recursos ambientais.
Esse princípio estabelece que quem utiliza o recurso 
ambiental deve suportar seus custos, sem que essa cobrança 
resulte na imposição de taxas abusivas, de maneira que nem 
Poder Público nem terceiros sofram com tais custos.
Ao causar uma degradação ambiental, o indivíduo inva-
de a propriedade de todos os que respeitam o meio ambiente 
e afronta o direito alheio. O princípio do poluidor-paga-
dor foi introduzido pela Organização para a Cooperação e 
Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 26 de maio de 1972 
por meio da Recomendação C(72) 128 do Conselho Diretor, 
que trata da relação entre as políticas ambiental e econômica.
A segunda parte do inciso VII do art. 4º da Lei nº 
6.938/81 prevê o princípio do poluidor-pagador, ao deter-
minar que a Política Nacional do Meio Ambiente, visará 
–DIREITO AMBIENTAL–
15
à imposição ao usuário de contribuição pela utilização de 
recursos ambientais com fins econômicos.
A Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente 
e Desenvolvimento também dispôs sobre o princípio do po-
luidor-pagador ao estabelecer no Princípio 16 que “Tendo 
em vista que o poluidor deve, em princípio, arcar com o 
custo decorrente da poluição, as autoridades nacionais de-
vem procurar promover a internacionalização dos custos 
ambientais e o uso de instrumentos econômicos, levando na 
devida conta o interesse público, sem distorcer o comércio e 
os investimentos internacionais”.
Embora no Direito Ambiental vigore o Princípio da 
Responsabilidade Civil, não podemos reduzir o princípio do 
poluidor-pagador a um princípio de responsabilidade. Isso 
porque as sanções civis têm efeito preventivo que pressupõe a 
ocorrência de um dano ao meio ambiente e, principalmente, 
porque as atividades poluidoras se apresentam lucrativas, 
seja pela possibilidade de não pagamento, seja pelo lucro 
líquido auferido com a atividade, mesmo que seja obrigado 
a indenizar.
Contudo, o seu objetivo não é recuperar um bem lesado 
nem criminalizar uma conduta lesiva ao meio ambiente, e 
sim afastar o ônus econômico da coletividade e voltá-lo para 
a atividade econômica utilizadora de recursos ambientais.
O PPP parte da constatação de que os recursos am-
bientais são escassos e o seu uso na produção e no consumo 
acarretam a sua redução e degradação. Ora, se o custo da 
redução dos recursos naturais não for considerado no sistema 
–DIREITO AMBIENTAL–
16
de preços, o mercado não será capaz de refletir a escassez. 
Em assim sendo, são necessárias políticas públicas capazes 
de eliminar a falha de mercado, de forma a assegurar que os 
preços dos produtos reflitam os custos ambientais.
O princípio do poluidor-pagador visa a fazer com que 
o empreendedor inclua nos custos de sua atividade todos as 
despesas relativas à proteção ambiental.
A poluição dos recursos ambientais, de uma maneira 
geral, e especialmente em se tratando daqueles bens mais 
facilmente encontrados na natureza, como a água, o ar e o 
solo, por conta da natureza difusa, é normalmente custeada 
pelo Poder Público.
Em termos econômicos, esse custo é um subsídio à ati-
vidade econômica poluidora, já que não está sendo levado em 
conta os prejuízos sofridos pela sociedade que ocorrem tanto 
quando a coletividade sente os efeitos da poluição quando 
os cofres públicos deixam de aplicar seu dinheiro em outra 
finalidade para descontaminar uma determinada região ou 
um determinado recurso ambiental.
O objetivo do princípio do poluidor-pagador é evitar que 
ocorra a simples privatização dos lucros e a socialização dos 
prejuízos dentro de uma determinada atividadeeconômica.
Os recursos ambientais, de uma forma geral, e prin-
cipalmente aqueles encontrados em maior abundância na 
natureza, como a água (no caso de determinadas regiões 
do Brasil e do mundo), o ar e a areia, são historicamente 
degradados por determinados setores econômicos, que têm 
obtido o lucro à revelia do prejuízo sofrido pela coletividade.
–DIREITO AMBIENTAL–
17
Trata-se de uma espécie de privatização dos lucros 
e socialização dos prejuízos, o que significa um enriqueci-
mento ilícito, visto que, de acordo com o caput do art. 225 
da Constituição Federal, o meio ambiente é um “bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”.
O PPP leva em conta que os recursos ambientais são 
escassos, portanto, sua produção e consumo geram reflexos 
ora resultando sua degradação, ora resultando sua escassez.
Além do mais, ao utilizar gratuitamente um recurso 
ambiental, está se gerando um enriquecimento ilícito, pois 
como o meio ambiente é um bem que pertence a todos. Boa 
parte da comunidade nem utiliza um determinado recurso 
ou, se utiliza, o faz em menor escala.
g) Princípio da responsabilidade
O princípio da responsabilidade faz com que os respon-
sáveis pela degradação ao meio ambiente sejam obrigados a 
arcar com a responsabilidade e com os custos da reparação 
ou da compensação pelo dano causado.
A responsabilidade ambiental, ou seja, a responsabili-
dade pelos danos causados ao meio ambiente, tem expressa 
previsão constitucional, no parágrafo 3º do artigo 225, se-
gundo o qual as condutas e atividades consideradas lesivas 
ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou 
jurídicas, a sanções penais e administrativas, independente-
mente da obrigação de reparar os danos causados.
Deve ser implementada levando-se em conta os fa-
tores de singularidade dos bens ambientais atingidos, da 
–DIREITO AMBIENTAL–
18
impossibilidade ética de se quantificar o preço da vida e, 
sobretudo, que a responsabilidade ambiental deve ter um 
sentido pedagógico tanto para o poluidor como para a própria 
sociedade, de forma que todos possamos aprender a respeitar 
ao meio ambiente.
h) Princípio do limite
A expressão mais notável da aplicação do princípio do 
limite faz-se quando a Administração Pública estabelece pa-
drões de qualidade ambiental que se concretizam em limites 
de emissões de partículas, de limites aceitáveis de presença 
de determinados produtos na água etc.
A Administração Pública tem a obrigação de fixar limi-
tes máximos de emissões de matérias poluentes, de ruído, 
enfim, de tudo que possa implicar prejuízos para os recursos 
ambientais e à saúde humana. A violação dos limites fixados 
deve ser sancionada.
Há uma importante questão a ser examinada, que é a 
de saber qual o parâmetro a ser adotado quando da ocasião 
da fixação dos padrões. A fixação de parâmetros de forma 
que estes possam estimular o desenvolvimento tecnológico, 
com vistas ao alcance de índices mais baixos de emissão de 
partículas, mais elevados de pureza da água e do ar, é um 
importante elemento para que se alcance a modernização 
tecnológica e a ampliação dos investimentos em pesquisas 
de proteção ambiental.
–DIREITO AMBIENTAL–
19
i) Princípio do usuário pagador
O referido princípio exige uma forma de limitação do 
uso de recursos ambientais mediante a cobrança de contra-
prestação, de modo que a gratuidade possa ensejar o con-
sumo exacerbado do bem ambiental passível de escassez. 
Pretende-se que ao ser cobrado pelo consumo, o usuário seja 
incentivado a utilização com moderação para que não haja 
diminuição significativa do recurso natural ou sua escassez 
no futuro.
Esse princípio foi plenamente agasalhado pelo artigo 
19 da Lei 9.433/97, que, de forma didática, demonstram os 
objetivos da cobrança de recursos hídricos, in verbis:
Art. 19. A cobrança pelo uso de recursos hídricos 
objetiva:
I – reconhecer a água como bem econômico e dar ao 
usuário uma indicação de seu real valor;
II – incentivar a racionalização do uso da água;
III – obter recursos financeiros para o financiamento 
dos programas e intervenções contemplados nos planos de 
recursos hídricos.
j) Princípio do desenvolvimento sustentável
O princípio do desenvolvimento sustentável consiste 
na exploração do meio ambiente de forma a conservá-lo, 
procurando-se não esgotar os recursos naturais existentes, 
com vistas a sua manutenção em condições adequadas para 
o futuro.
–DIREITO AMBIENTAL–
20
A Constituição Federal possui um dispositivo que foi 
redigido com base na concepção de um meio ambiente sus-
tentável, qual seja, o art. 225, VII, que dispõe que devemos 
“proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práti-
cas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem 
a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”
O princípio do desenvolvimento sustentável, além de 
impregnado de caráter eminentemente constitucional, en-
contra suporte legitimador em compromissos internacionais 
assumidos pelo Estado brasileiro e representa fator de ob-
tenção do justo equilíbrio entre as exigências da economia e 
as da ecologia, subordinada, no entanto, a invocação desse 
postulado, quando ocorrente situação de conflito entre va-
lores constitucionais relevantes, a uma condição inafastável, 
cuja observância não comprometa nem esvazie o conteúdo 
essencial de um dos mais significativos direitos fundamen-
tais: o direito à preservação do meio ambiente, que traduz 
bem de uso comum da generalidade das pessoas, a ser res-
guardado em favor das presentes e futuras gerações (...). A 
atividade econômica não pode ser exercida em desarmonia 
com os princípios destinados a tornar efetiva a proteção ao 
meio ambiente.
k) Princípio da educação ambiental
Tendo em vista a demanda por preservação ambiental 
em face dos grandes fenômenos que têm atormentado a 
sociedade, é pertinente se ressaltar o desafio que se impõe 
acerca de uma educação ambiental crítica e inovadora, que 
–DIREITO AMBIENTAL–
21
compreenda ainda dois níveis o formal e o informal, como 
preceitua a lei n° 9.795/99 que dispõe sobre a educação 
ambiental e cria a Política Nacional de Educação Ambiental 
no Brasil. Educação ambiental como ato político capaz de 
promover a transformação social.
Contudo, entende-se a necessidade de uma ação que 
compreenda sociedade e meio ambiente como um todo in-
decomponível, já que os recursos naturais são bens que, de 
certa forma, se esgotam e que o homem é o principal consu-
midor dos mesmos e, ainda, o primeiro agente degradador.
Logo, educação ambiental é entendida mais como um 
instrumento a serviço do poder, da colonização da subjeti-
vidade e dos desejos humanos.
Mais precisamente, a educação ambiental, hoje, é re-
lacionada ao tema desenvolvimento sustentável e percebida 
como condição essencial para se modificar a estrutura econô-
mica global, além, é claro, de se garantirem ações favoráveis 
à redução do quadro de degradação ambiental.
Mas, insiste-se na premissa de que a educação ambien-
tal, no atual contexto social, não seja suficiente, já que essa 
se mostra, justamente, como uma ferramenta aplicada na 
mediação entre culturas, comportamentos e interesses de 
grupos sociais diversos, a fim de se constituir transformações 
sociais pré-definidas, favorecendo, certamente, a determina-
dos grupos políticos. No entanto, é oportuno que se ressaltem 
os princípios fundamentais da educação ambiental.
Educar, nesse sentido, implica oferecer métodos efi-
cazes e pertinentes ao desenvolvimento de práticas sociais 
–DIREITO AMBIENTAL–
22
centradas, essencialmente, no conceito de natureza, e não na 
lógica capitalista. Deve, ainda, a educação ambiental promo-
ver a reflexão sobre as dimensões do progresso humano, sobre 
o impacto que este causa ao meio ambiente em detrimento 
do desenvolvimento tecnológico, em especial.
Deve-se reconhecer a educação ambiental como um 
processo político dinâmico, em permanente construção, 
orientado por valores baseados na transformaçãosocial. 
Nesse sentido, a iniciativa das Nações Unidas de implementar 
a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável 
(2005-2014) e o de 2010 como o Ano Internacional da 
Biodiversidade, ano que reforçou mundialmente a susten-
tabilidade a partir da educação.
A educação ambiental deve ser uma concepção totali-
zadora de Educação e que é possível quando resulta de um 
projeto político-pedagógico orgânico, construído coletiva-
mente na interação escola e comunidade, e articulado com 
os movimentos populares organizados comprometidos com 
a preservação da vida em seu sentido mais profundo.
Seria, portanto, com o auxílio da escola, que a educa-
ção ambiental assumiria verdadeiramente a sua função, a 
de aprofundar conhecimentos sobre questões ambientais, 
como também criar espaços para a participação coletiva, 
ressaltando princípios e valores éticos que integrem o homem 
moderno à natureza.
A educação ambiental tem por escopo desenvolver a 
hegemonia popular, a transformação do contexto social, 
e não o reproduzir de modo a fazer os cidadãos máquinas 
–DIREITO AMBIENTAL–
23
destrutivas da natureza. Então, como componente de cida-
dania, a educação ambiental implica em novos métodos de 
ensino, novos saberes, que sejam proficientes e compreendam 
a complexa relação homem/natureza.
1.2 Estudos de Impactos Ambientais
O princípio da prevenção é o maior alicerce, por exem-
plo, do Estudo de Impacto Ambiental - E.IA. - (art. 225, 
parágrafo 1°, inciso IV, da Constituição de 1988) realizado 
pelos interessados antes de iniciada uma atividade poten-
cialmente degradadora do meio ambiente, dentre outras 
medidas preventivas a serem exigidas pelos órgãos públicos.
De acordo com a Associação Internacional para 
Avaliação de Impacto – IAIA (do inglês International 
Association for Impact Assessment), avaliação de impacto 
ambiental é o processo de identificar as consequências futuras 
de uma ação presente ou proposta. Trata-se de uma defini-
ção bastante concisa, mas já revela uma das características 
fundamentais da Avaliação de impacto Ambiental - AIA, que 
é avaliação prévia dos impactos de um projeto, visando evi-
tar ou prevenir a ocorrência de efeitos indesejáveis ao meio 
ambiente devido à implantação de um projeto.
Outras características importantes da AIA são:
• Trata-se de um processo sistemático de avaliação 
ambiental, que é composto por várias etapas caracte-
rísticas, ou seja, triagem; definição de conteúdo dos 
estudos; descrição do projeto; descrição do ambiente 
–DIREITO AMBIENTAL–
24
a ser afetado; identificação, previsão e avaliação dos 
impactos significativos e das medidas mitigadoras; 
apresentação dos resultados; processo de revisão 
dos estudos e tomada de decisão. A AIA deve ser 
um processo cíclico, com interações consideráveis 
entre os vários passos;
• A AIA é realizada para apoiar a tomada de decisão 
sobre a autorização ou licenciamento de um novo 
projeto, fornecendo aos tomadores de decisão infor-
mações sobre as prováveis consequências de suas 
ações;
• O processo de AIA prevê consulta e participação 
pública, isto é, o envolvimento público na realização 
dos estudos e na tomada de decisão.
A AIA é uma ferramenta de gestão ambiental antecipa-
tória e participativa, da qual o Estudo de Impacto Ambiental 
é apenas uma parte.
No Brasil, projetos de grande porte, financiados por 
organismos multilaterais, foram submetidos à Avaliação de 
Impacto Ambiental, como por exemplo, a Usina Hidrelétrica 
de Sobradinho, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí etc. Tais 
experiências promoveram a inclusão do AIA como um dos 
instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente, Lei 
nº 6938/81, em associação ao licenciamento das atividades 
utilizadoras dos recursos ambientais, consideradas efetiva 
ou potencialmente poluidoras.
Em 1986, foi editada a Resolução Conama 01/86, esta-
belecendo as definições, responsabilidades, critérios básicos 
–DIREITO AMBIENTAL–
25
e as diretrizes para o uso e implementação da avaliação de 
impacto ambiental, aplicado ao licenciamento ambiental de 
determinadas atividades modificadoras do meio ambiente. 
Entre os aspectos relevantes da citada resolução, podemos 
destacar:
• prevê que o estudo de impacto ambiental contemple 
alternativas tecnológicas e de localização do projeto 
(inciso I do art. 5º);
• define o conteúdo básico do Estudo de Impacto 
Ambiental, ou seja: diagnóstico, análise dos impac-
tos ambientais, definição de medidas mitigadoras, 
e proposição de programas de monitoramento e 
acompanhamento (Art. 6º);
• sugere a execução de audiência pública para infor-
mação sobre o projeto e seus impactos ambientais e 
discussão do RIMA (parágrafo segundo do artigo 11º).
No artigo 225 da Constituição Federal de 1988, dedicado 
ao meio ambiente, foi incluída a obrigação do Poder Público 
de exigir a elaboração de AIA para instalação de obra ou ati-
vidade potencialmente causadora de significativa degradação 
do meio ambiente.
Em 19 de dezembro de 1997, foi editada a Resolução do 
CONAMA nº 237, que regulamentou, em normas gerais, as 
competências para o licenciamento nas esferas federal, esta-
dual e distrital e as etapas do procedimento de licenciamento.
A Resolução CONAMA nº 237/97 conferiu ainda ao 
órgão ambiental a competência para a definição de outros 
estudos ambientais pertinentes ao processo de licenciamento, 
–DIREITO AMBIENTAL–
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em se verificando que o empreendimento não é potencial-
mente causador de significativa degradação ambiental.
1.2.1 Relevância ambiental e social
De acordo com o Banco Mundial, a avaliação de impacto 
ambiental permite identificar problemas na etapa inicial do 
ciclo de um projeto; introduz melhorias ambientais no pro-
jeto; evita, mitiga, e compensa os efeitos adversos do projeto.
Com base em estudo realizado na Dinamarca com es-
tudos de impacto ambiental realizados entre 1989 e 2004, 
a conclusão geral é que o EIA gera um número significativo 
de mudanças nos projetos. Em, aproximadamente, 50% dos 
casos estudados, modificações foram feitas antes da conclusão 
do estudo e sua apresentação ao órgão licenciador.
Durante o processo de avaliação, modificações foram 
feitas em mais de 90% dos casos, embora em grande parte se 
tratassem de mudanças de pouca significância. As mudanças 
mais significativas eram feitas em obras de infraestrutura. A 
Convenção da Biodiversidade reconhece a avaliação de impac-
to como uma ferramenta importante para garantir que o pla-
nejamento do empreendimento contemple a biodiversidade.
A avaliação de impactos sociais, que é geralmente rea-
lizada no âmbito dos estudos ambientais, aumenta a legiti-
midade do empreendimento, e pode facilitar o processo de 
implantação, removendo as incertezas do processo, tanto da 
comunidade como do empreendedor.
Além desses benefícios, de acordo com a Agência 
Canadense de Avaliação Ambiental (Canadian Enviromental 
–DIREITO AMBIENTAL–
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Assessment Agency), a avaliação de impacto permite uma 
melhor tomada de decisão sobre empreendimentos, com di-
versos benefícios, incluindo oportunidade para participação 
pública, maior proteção para a saúde humana, redução de 
riscos de danos ou desastres ambientais, etc.
1.2.2 AIA e a gestão ambiental
O objetivo da avaliação de impacto ambiental é assegu-
rar a realização de gestão ambiental efetiva dos projetos de 
desenvolvimento. Para tanto, devem ser previstas no processo 
de licenciamento ambiental, ferramentas de gestão capazes 
de garantir que as medidas mitigadoras e compensatórias 
previstas na fase de aprovação da viabilidade ambiental do 
projeto, sejam efetivamente implementadas durante a im-
plantação e operação do empreendimento.
A prática tem mostrado que, considerando o grande 
porte, o alto investimento e o grande número de trabalhado-
res envolvidos na execução e operação dos empreendimen-
tos licenciados com AIA, para se ter a eficácia pretendida, 
é necessário que tais medidas venham compor Programas 
Ambientais. Nestes Programas são contempladosos prin-
cípios de gestão ambiental, conforme a série ISO 14.000, 
ou seja, o planejamento, a definição de responsáveis, os 
procedimentos ambientalmente adequados; as formas de 
verificação e registros, incluindo as não conformidades, etc.

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