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Escolar
Princípios
e
de
Concepções
Gestão
Andréa Garcia Furtado
A
ndréa Garcia Furtado
DE
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6629-2
9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 9 2
Código Logístico
59373
Princípios e 
concepções de gestão 
escolar
Andréa Garcia Furtado
IESDE BRASIL
2020
© 2020 – IESDE BRASIL S/A. 
É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do 
detentor dos direitos autorais.
Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Envato Elements
Todos os direitos reservados.
IESDE BRASIL S/A. 
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 
Batel – Curitiba – PR 
0800 708 88 88 – www.iesde.com.br
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO 
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
F987p
Furtado, Andréa Garcia
Princípios e concepções de gestão escolar / Andréa Garcia Furtado. - 
1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 
82 p. : il.
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-387-6629-2
1. Escolas - Organização e administração. I. Título.
20-65066 CDD: 371.2
CDU: 37.07
Andréa Garcia Furtado Doutora e mestra em Educação pela Universidade 
Tuiuti do Paraná (UTP). Especialista em Psicopedagogia 
com magistério superior pelo Instituto Brasileiro de 
Pós-Graduação e Extensão (IBPEX). Licenciada em 
Pedagogia pela UTP. Professora no ensino superior, 
ministra as disciplinas de Organização Curricular 
da Educação Básica, Fundamentos dos Anos 
Iniciais do Ensino Fundamental, Educação Infantil: 
Concepções e Metodologias e Orientação de Trabalho 
de Conclusão de Curso (TCC). Atua na Secretaria 
Municipal da Educação de Curitiba como pedagoga no 
Departamento de Ensino Fundamental.
SUMÁRIO
Agora é possível acessar os vídeos do livro por 
meio de QR codes (códigos de barras) presentes 
no início de cada seção de capítulo.
Acesse os vídeos automaticamente, direcionando 
a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet 
para o QR code.
Em alguns dispositivos é necessário ter instalado 
um leitor de QR code, que pode ser adquirido 
gratuitamente em lojas de aplicativos.
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em QR code!
SUMÁRIO
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1 Ideias e conceitos sobre gestão escolar 9
1.1 Discussões acerca da gestão escolar 10
1.2 Organização escolar: concepções de gestão 15
1.3 Elementos que norteiam a gestão escolar democrática 18
2 Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 24
2.1 Principais leis que embasam a educação 24
2.2 Regimento escolar: o que é e para que serve 30
2.3 Recursos financeiros na escola 33
3 Gestor educacional na contemporaneidade 40
3.1 Perfil do gestor escolar democrático 40
3.2 Funções e desafios do gestor escolar 45
3.3 Cultura organizacional no cotidiano escolar 49
4 Possibilidades no contexto escolar 54
4.1 A educação como direito 55
4.2 Função social: a razão da escola 57
4.3 Projeto político-pedagógico como fio condutor do trabalho na 
 escola 60
4.4 Gestão escolar: órgãos colegiados 63
5 Avaliação e gestão democrática 69
5.1 Conceituando o que é avaliação em educação 69
5.2 Dimensões avaliativas 72
5.3 Gestão escolar e qualidade na educação 77
Este livro tem como objetivo fornecer subsídios teóricos 
e apresentar ações pertinentes para o aprimoramento das 
condições de organização dos processos educativos realizados 
na escola. Acreditamos que o estudo, a discussão e a reflexão 
sobre os fundamentos e os aspectos que perpassam a gestão 
escolar possibilitam que o trabalho realizado na instituição de 
ensino seja pautado em uma intencionalidade educativa que 
contribua para a garantia do direito à educação a todos.
Desse modo, abordamos os fundamentos e as formas 
de gestão escolar, reconhecendo as características de uma 
gestão escolar democrática. Tratamos dos aspectos legais e 
dos recursos financeiros que permeiam a tomada de decisões 
nas instituições de ensino, assim como da elaboração do 
regimento escolar, que orienta e normatiza as ações na escola. 
Compreendemos, também, as funções do gestor escolar e sua 
importância no desenvolvimento do projeto político-pedagógico 
e no fortalecimento do trabalho coletivo, apresentando as 
possibilidades de desenvolvimento de práticas democráticas 
com o objetivo de organizar e efetivar a gestão escolar.
A obra é estruturada em cinco capítulos. O primeiro aborda 
as concepções de organização de gestão escolar existentes, 
apresentando os conceitos de administração, administração 
escolar, gestão, gestão escolar e gestão escolar democrática, além 
dos elementos que compõem esta, visto que dispositivos legais 
preconizam que as instituições de ensino estejam organizadas 
em uma concepção de ensino democrático-participativa.
O segundo capítulo trata, especificamente, das legislações 
vigentes que perpassam o contexto educacional e do 
entendimento de como os recursos financeiros podem ser 
administrados em uma gestão escolar democrática.
No terceiro capítulo, são discutidas as funções do gestor 
escolar em uma perspectiva de possibilitar a participação 
da comunidade escolar na tomada de decisões, de modo a 
responsabilizar todos os envolvidos nos processos educativos. 
APRESENTAÇÃOVídeo
Para isso, é importante proporcionar nesse espaço educativo a reflexão sobre 
a cultura organizacional da escola, que perpassa a organização do trabalho 
realizado na instituição de ensino.
O quarto capítulo apresenta aspectos relacionados à compreensão de 
que a educação é um direito fundamental de todo cidadão brasileiro, sendo 
reconhecido e protegido legalmente. Diante desse contexto, destacamos 
algumas práticas pedagógicas que podem ser realizadas na escola a fim de 
contribuir para uma organização de gestão democrática.
Por fim, o quinto capítulo contempla os processos avaliativos educacionais 
que ocorrem por meio de uma gestão democrática, a qual objetiva proporcionar 
ações no contexto escolar que viabilizem melhorias nos processos educativos.
Com base nas discussões presentes neste livro, é possível desenvolver 
reflexões que permitam a compreensão e o fortalecimento da gestão escolar 
atualmente. É fundamental que a organização do trabalho pedagógico se 
efetive por meio de práticas que balizem o envolvimento, a responsabilidade e 
o compromisso pedagógico de todos os envolvidos nos processos educativos 
realizados na instituição de ensino.
Bons estudos! 
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 9
1
Ideias e conceitos sobre 
gestão escolar
Este capítulo aborda os fundamentos e as diferentes formas de 
gestão nas instituições de ensino, de modo a contribuir com as dis-
cussões e possibilidades de realização dos processos educacionais 
nas escolas públicas e privadas.
Serão apresentados conceitos que perpassam o entendimen-
to do que é administração, administração escolar, gestão, gestão 
escolar e gestão escolar democrática. Tal compreensão permite a 
apreensão de como as escolas estão organizadas e estruturadas 
atualmente para a realização dos processos educativos.
Assim, faz-se necessário apresentar as concepções de gestão, 
pois elas expressam os posicionamentos político-pedagógicos das 
instituições de ensino. Nesse sentido, a organização escolar se re-
fere ao conjunto de ações que envolvem questões administrativas, 
financeiras e humanas, que funcionam de acordo com a concep-
ção de gestão assumida pela escola.
Outra questão discutida neste capítulo refere-se aos elemen-
tos constitutivos da gestão escolar democrática. É imprescindível 
identificar esses elementos, pois eles definem como a gestão de-
mocrática será proposta nas instituições de ensino, de modo que 
aprática pedagógica esteja fundamentada em teorias que justifi-
quem as ações vinculadas à formação de um estudante crítico e re-
flexivo, consciente dos seus direitos e deveres enquanto cidadão.
10 Princípios e métodos de gestão escolar
1.1 Discussões acerca da gestão escolar 
Vídeo
A educação escolar é uma das principais formas de promover a for-
mação integral do cidadão, permitindo o desenvolvimento do estudan-
te em seus aspectos cognitivos, físicos, emocionais, sociais e culturais e 
oportunizando um olhar crítico e reflexivo acerca da sociedade na qual 
está inserido.
Em razão disso, cabe à escola gerir de maneira que as ações pro-
postas oportunizem condições reais de ensino e aprendizagem por 
meio de práticas educativas intencionais que perpassem os muros da 
escola. Nessa perspectiva, para que as situações do cotidiano escolar 
ocorram de maneira significativa, é necessário que aspectos teóricos 
sejam compreendidos e apreendidos pelos profissionais da educação. 
Libâneo (2010, p. 295) esclarece que:
a escola e seu modo de se organizar constituem um ambiente 
educativo, isto é, um espaço de formação e de aprendizagem 
construído por seus componentes, um lugar em que os profis-
sionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre 
a profissão. Acredita-se que não são apenas os professores que 
educam. Todas as pessoas que trabalham na escola realizam 
ações educativas, embora não tenham as mesmas responsabili-
dades nem atuem de forma igual.
Assim, tem-se a escola como um espaço de formação para a cidada-
nia. Portanto, questões referentes a como propiciar a organização do 
trabalho pedagógico precisam ser apreendidas por todos os envolvidos 
nos processos educativos realizados na instituição.
É importante considerar que essa discussão perpassa o contexto do 
regime democrático estabelecido no país desde a Constituição Federal 
de 1988. Entende-se, então, que a sociedade contemporânea é orien-
tada por princípios democráticos. Grigoli (2014, p. 114) esclarece que 
“democracia significa uma forma de governo na qual o povo governa e 
implica a criação de um Estado que trate o povo de forma igualitária”.
Conforme o que foi exposto pelo autor, é fundamental refletir so-
bre como a educação pode ser gerida nas escolas com base em uma 
gestão pautada na democracia. Porém, para compreender a gestão es-
colar democrática, é relevante salientar o conceito de administração, 
que pressupõe aspectos relacionados à gestão e à gestão democrática.
A Declaração Universal dos 
Direitos Humanos define 
os direitos do homem 
que compactuam com 
o regime de governo 
democrático. 
Disponível em: https://www.unicef.
org/brazil/declaracao-universal-
-dos-direitos-humanos. Acesso em: 
16 jun. 2020.
Documento
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 11
Para isso, podemos trazer os significados de administração e gestão, 
explicitados por Ferreira, Reis e Pereira (2002, p. 6): “ambas as palavras 
têm origem latina, ‘gerere’ e ‘administrare’. Gerere significa conduzir, dirigir 
ou governar. Administrare tem aplicação específica no sentido de ‘gerir 
um bem, defendendo os interesses de quem os possui’. Administrar se-
ria, portanto, a rigor, uma aplicação de gerir”.
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Pode-se dizer que ambas as palavras objetivam conduzir alguém 
a fazer algo. Todavia, administração está relacionada a planejamento, 
controle e direcionamento de recursos humanos e materiais; já gestão 
está voltada à mobilização de ações que incentivem a participação de 
todos para atingir um objetivo comum.
Entendido isso, observe o que Ferreira afirma sobre gestão:
gestão é o processo de coordenação da execução de uma con-
cepção em ação, que executa um plano. Gestão tem um conteú-
do que pode incluir aspectos emancipatórios como autonomia 
e cidadania, dependendo das políticas que lhe fornecem a di-
reção a ser dada e à forma de gestão. (FERREIRA, 2017, p. 111, 
grifo do original)
Compete enfatizar que o termo administração escolar se constituiu 
com base na extensão da administração geral, isto é, administração de 
empresas. Desse modo, ambas as definições direcionam a necessidade 
de viabilizar meios para administrar, coordenar, prever e propor estra-
tégias de como o trabalho precisa ser realizado no espaço e tempo do 
campo de atuação.
O programa Nós da 
Educação convidou Vitor 
Henrique Paro, professor 
titular da Faculdade de 
Educação da Universi-
dade de São Paulo, para 
abordar questões refe-
rentes a conceitos sobre 
administração, assim 
como a diferença entre 
administração escolar e 
empresarial. O vídeo é de 
2006 e foi produzido pela 
TV Paulo Freire.
Disponível em: https://www.youtu-
be.com/watch?v=CNOdKTmgd0s. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Vídeo
12 Princípios e métodos de gestão escolar
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Nessa linha de raciocínio, Félix (1985, p. 71) afirma que
enquanto a administração de empresas desenvolve as teorias 
sobre a organização do trabalho nas empresas capitalistas, a ad-
ministração escolar apresenta proposições teóricas sobre a orga-
nização do trabalho na escola e no sistema escolar. No entanto, 
a administração escolar não construiu um corpo teórico próprio 
e no seu conteúdo podem ser identificadas as diferentes esco-
las da administração de empresas, o que significa uma aplicação 
dessas teorias a uma atividade específica, neste caso, a educação.
Diante disso, a administração, de um modo geral, tem 
a finalidade de compreender como e com quais fins os 
recursos materiais e humanos serão utilizados para 
uma melhor execução do trabalho a ser realizado. Por 
meio dessa reflexão, observa-se que a administração 
escolar surgiu com o intuito de transpor o conceito do 
campo empresarial para o educacional, ou seja, coorde-
nar os processos educacionais das instituições de ensino 
com maior eficiência e efetividade, a fim de garantir a for-
mação para a cidadania.
Syda Productions/Shutterstock
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 13
É nesse contexto que a administração escolar está relacionada às 
transformações da sociedade como um todo, sendo preciso analisar, 
explorar e compreender o contexto escolar das instituições de ensino. 
Paro (2012) elucida a importância de considerar a realidade com o intuito 
de alcançar os fins educativos. Para o autor, “é na práxis administrativa 
escolar, enquanto ação humana transformadora adequada a objetivos 
educativos [...] que se encontrarão as formas de gestão mais adequadas 
a cada situação e momento histórico determinados” (PARO, 2012, p. 210).
Nessa perspectiva, destacam-se os processos de gestão, especifica-
mente a educacional e escolar. A gestão educacional está direcionada à 
organização dos sistemas de ensino em âmbito federal, estadual e muni-
cipal, assim como à definição de responsabilidades e deliberações legais 
que abrangem a educação nos setores públicos e privados. Acerca dessa 
reflexão, é possível remeter-se às palavras de Paro (1996, p. 151):
a possibilidade de uma administração democrática no sentido de 
sua articulação, na forma e conteúdo, com os interesses da socie-
dade como um todo, tem a ver com os fins e a natureza da coisa 
administrada. No caso da Administração Escolar, sua especifici-
dade deriva, pois: a) dos objetivos que se buscam alcançar com a 
escola; b) da natureza do processo que envolve essa busca. Esses 
dois aspectos não estão de modo nenhum desvinculados um do 
outro. A apropriação do saber e o desenvolvimento da consciên-
cia crítica, como objetivos de uma educação transformadora, 
determinam [...] a própria natureza peculiar do processo peda-
gógico escolar; ou seja, esse processo não se constitui em mera 
diferenciação do processo de produção material que tem lugar 
na empresa, mas deriva sua especificidade de objetivos (educa-
cionais) peculiares, objetivos estes articulados com os interesses 
sociais mais amplos e que são, por isso, antagônicos aos objeti-
vos de dominação subjacentes à atividade produtiva capitalista.A administração escolar vai além de lideranças e resultados finan-
ceiros da instituição de ensino; ela expressa a formação do homem que 
exerce os seus direitos e deveres numa sociedade organizada median-
te preceitos democráticos. Para isso, objetiva-se que a organização do 
trabalho educativo nas instituições de ensino se fundamente na demo-
cratização da educação.
Já a gestão escolar consiste em organizar o trabalho da escola como 
um todo, observando as necessidades e particularidades da institui-
ção de ensino nos aspectos humanos, administrativos e financeiros, de 
modo a garantir que os processos educativos promovam a garantia do 
direito à educação.
Por isso, é importante compreender o que é gestão democrática, 
conceito que expressa ações que propõem gerir uma instituição de ma-
neira participativa e transparente, ou seja, democrática.
Essa perspectiva de gestão escolar democrática está legalmente am-
parada pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional (LDB n. 9.394/1996), a qual preconiza a democracia 
como princípio estruturante na efetivação da educação no país.
A gestão escolar democrática permite que as ações da escola acon-
teçam numa perspectiva em que a comunidade escolar (equipe diretiva 
e pedagógica, professores, familiares e/ou responsáveis e demais pro-
fissionais da escola) esteja presente e participe de maneira efetiva das 
tomadas de decisões dos processos educativos, corroborando com a 
realidade na qual está inserida.
Desse modo, a gestão democrática na escola reestrutura a forma 
de gerir a administração, visto que ocorre uma descentralização de po-
der, na qual o diretor não é mais o único a tomar decisões, pois a co-
munidade escolar participa das decisões que envolvem a organização 
do trabalho. Para isso, momentos de escuta, diálogo e participação de 
todos precisam acontecer de modo a vislumbrar a representatividade 
da comunidade escolar.
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14 Princípios e métodos de gestão escolar
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 15
Essas reflexões sobre a gestão democrática são confirmadas por 
meio da afirmação de Veiga (1995, p. 18) de que
a gestão democrática exige a compreensão em profundidade 
dos problemas postos pela prática pedagógica. Ela visa romper 
com a separação entre concepção e execução, entre o pensar e o 
fazer, entre teoria e prática. Busca resgatar o controle do proces-
so e do produto do trabalho pelos educadores.
Para isso, é necessário que a gestão escolar oportunize situações e 
condições em que todos os envolvidos compreendam a importância da 
sua função e participação nas tomadas de decisões da escola, principal-
mente no que tange a propor ações que garantam o direito à educação.
1.2 Organização escolar: concepções de gestão 
Vídeo O processo de organização da gestão escolar está pautado na arti-
culação das condições administrativas e humanas que visem assegurar 
práticas pedagógicas do cotidiano escolar que promovam o direito à 
aprendizagem de todos.
A gestão e organização escolar considera tanto os espaços internos 
quanto externos das instituições de ensino como lócus da educação. 
Assim, as ações propostas precisam viabilizar condições e meios de 
realização do trabalho educativo.
Nos últimos anos, uma 
concepção de gestão que 
vem sendo abordada é a 
gestão de qualidade total 
(GQT). Trata-se de uma 
concepção de gestão em 
que as ações são pauta-
das em fatos reais e que 
vislumbra tomar decisões 
assertivas, a fim de au-
mentar a produtividade 
e o faturamento de uma 
empresa. No link a seguir, 
é possível conhecer 
um pouco mais sobre a 
origem dessa concepção 
de gestão. 
Disponível em: http://gestao-de-
-qualidade.info/qualidade-total.
html. Acesso em: 16 jun. 2020.
SiteOs gestores escolares devem propor formas de 
administrar as escolas com base em concepções de 
gestão inter-relacionadas com a concepção de educa-
ção, sociedade, homem, processo de ensino e apren-
dizagem de cada uma das instituições de ensino.
É necessário, ainda, apreender que o trabalho 
realizado na escola precisa apresentar intenciona-
lidade educacional. Schneckenberg (2007, p. 9) de-
fende que a “intencionalidade, definição das metas 
educacionais e posicionamento frente aos objeti-
vos educacionais, sociais e políticos [...]”, visa à for-
mação do estudante partícipe de uma sociedade 
democrática.
Portanto, a organização do trabalho pedagógico 
se estrutura com base na concepção de gestão es-
16 Princípios e métodos de gestão escolar
colar adotada pela instituição de ensino. A respeito dessa afirmação, 
Libâneo (2010, p. 325) esclarece que
as concepções de gestão escolar refletem diferentes posições 
políticas e pareceres acerca do papel das pessoas na sociedade. 
Portanto, o modo pelo qual uma escola se organiza e se estrutu-
ra tem dimensão pedagógica, pois tem que ver com os objetivos 
mais amplos da instituição relacionados a seu compromisso com 
a conservação ou com a transformação social.
Percebe-se, então, a importância de a escola compreender as con-
cepções de gestão escolar, visto que a estrutura e a organização do 
espaço educativo refletem os posicionamentos político-pedagógicos 
com relação à formação do estudante diante da sociedade. Essas con-
cepções podem ser apreendidas a partir da organização explicitada por 
Libâneo (2010), que estabelece as gestões técnico-científica, autoges-
tionária, interpretativa e democrático-participativa.
A concepção técnico-científica tende a seguir princípios e méto-
dos da administração empresarial e está balizada na hierarquia de car-
gos e funções, com foco na racionalização do trabalho, a fim de obter 
eficiência nas atividades realizadas na escola (LIBÂNEO, 2010). Nessa 
concepção, existe uma comunicação pautada em regras de cargos, ou 
seja, na escola, o diretor tem autonomia para tomar as decisões, e os 
demais profissionais precisam seguir as regras e normas estabelecidas 
por ele, sem questionar. Sendo assim, não proporciona participação da 
comunidade escolar nas tomadas de decisões. Na organização do es-
paço escolar existe uma divisão de tarefas para cada função exercida, 
em que se objetiva somente a eficiência do trabalho exercido.
A concepção autogestionária é acondicionada na responsabilidade 
coletiva, sem a presença de uma direção centralizada. Nesse contexto, 
ocorre a “participação direta e por igual de todos os membros da institui-
ção” (LIBÂNEO, 2010, p. 325). Essa forma de gerir dá ênfase às decisões 
coletivas, em que as condições de gestão permitem criar e instituir suas 
próprias regras, extinguindo práticas autoritárias, estando todos os en-
volvidos vinculados à responsabilidade coletiva do trabalho.
Assim, a autogestão permite que a comunidade escolar tenha auto-
nomia para gerenciar os recursos administrativos, financeiros e huma-
nos, bem como para buscar propostas de trabalho diferenciadas que 
viabilizem os processos educativos. Todavia, autogestão envolve ques-
tões que não condizem com a realidade da sociedade, visto que, para 
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 17
ocorrer essa prática de maneira efetiva, é necessário também repensar 
um projeto de transformação social.
A concepção interpretativa considera, nos processos de organiza-
ção e gestão, os significados subjetivos, as intenções e interações das 
pessoas do contexto em questão (LIBÂNEO, 2010). Essa concepção de 
gestão está focada em práticas que são construídas subjetivamente, 
sendo o espaço educativo uma realidade social que se constrói, ou seja, 
prioriza inter-relações que ocorrem na escola em lugar da execução de 
tarefas predefinidas, pois elas são definidas e estruturadas no dia a dia, 
com base nas relações que se estabelecem diante do trabalho realizado.
A concepção democrático-participativa se dá entre a equipe dire-
tiva, pedagógica e os demais profissionais da escola, incluindo familia-
res e/ou responsáveis dos estudantes, que visam coletivamente tomar 
decisõesque atendam aos objetivos comuns da instituição de ensino 
(LIBÂNEO, 2010). A organização e a gestão nessa concepção requerem 
o envolvimento de todos os profissionais da escola nas tomadas de de-
cisões administrativas, financeiras e pedagógicas, em que o diretor é o 
profissional responsável por promover ações que vislumbrem práticas 
democráticas.
Seguindo essa linha de pensamento, Dourado (2001, p. 23) explica 
que “para otimizar os resultados que a escola quer atingir, é importante 
estabelecermos coletivamente (com participação dos representantes dos 
vários segmentos das comunidades escolar e local) as finalidades e os 
objetivos almejados, assim como os procedimentos a serem adotados”.
Portanto, a participação é um elemento essencial para alcançar 
uma organização escolar com a premissa de que a tomada de deci-
sões coletiva valida todo o trabalho realizado na escola. Todavia, para 
que essa concepção se efetive de modo significativo, é necessário que 
cada profissional da escola assuma seu trabalho de maneira compro-
metida e ética e que sua prática pedagógica possa ser expressa no 
coletivo escolar.
Outra questão a destacar é que os processos educativos es-
tão constantemente sendo avaliados e (re)planejados diante de 
situações que acontecem no dia a dia da escola. Na concepção 
democrático-participativa de gestão, considera-se fundamental que 
haja questões que perpassem a organização do trabalho pedagógico 
– currículo, planejamento e avaliação –, visto que elas são de respon-
18 Princípios e métodos de gestão escolar
sabilidade do coletivo e do trabalho individual de cada profissional da 
escola, cujo objetivo é promover ações pedagógicas que garantam a 
todos o direito à educação.
Assim sendo, é possível considerar que as concepções de gestão ex-
pressam a organização do trabalho nas instituições de ensino. Contu-
do, é importante averiguar qual concepção está sendo realizada, com o 
intuito de compreender se o objetivo educacional é proporcionar uma 
educação conservadora ou uma educação que possibilite ações que 
visem a uma participação crítica e reflexiva na sociedade na qual o in-
divíduo está inserido.
A realidade escolar é complexa 
e, muitas vezes, a equipe gestora 
precisa amenizar situações que 
podem vir a prejudicar as 
práticas democráticas. Nessa 
perspectiva, o que a equipe 
gestora precisa propor para que 
as práticas pedagógicas estejam 
pautadas na concepção de ges-
tão estabelecida pela instituição 
de ensino?
Atividade 1
1.3 Elementos que norteiam a 
gestão escolar democrática 
Vídeo Para que os processos educativos na gestão escolar democrática 
coincidam, sobretudo, com as responsabilidades com relação à educa-
ção escolar, tais ações precisam perpassar os elementos constitutivos 
que embasam esse trabalho.
Assim, faz-se necessário que todos os envolvidos nos processos 
educativos conheçam e entendam os elementos constitutivos que nor-
teiam o trabalho realizado na escola, para que seja possível preconizar 
a democratização do ensino. A Figura 1 esboça os elementos constitu-
tivos da gestão escolar democrática.
Participação
Transparência
Autonomia
Pluralidade Gestão 
democrática
Figura 1
Elementos da gestão 
escolar democrática
Fonte: Elaborada pela autora.
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 19
Os elementos constitutivos se referem à participação, autonomia, 
transparência e pluralidade e, ao serem compreendidos e apreendidos 
pela comunidade escolar, concebem o exercício de vivenciar a gestão 
escolar democrática.
A participação é o elemento essencial para o exercício da gestão de-
mocrática. Esse elemento envolve a comunidade escolar, que terá vez 
e voz quanto às tomadas de decisões que preveem melhorias nos pro-
cessos educativos realizados na instituição de ensino. Dessa maneira, 
a participação possibilita dialogar, opinar, assim como promover cons-
cientização e reflexão sobre quais são e como as práticas pedagógicas 
são desenvolvidas nesse espaço educativo, a fim de assegurar melhores 
condições de garantia do direito à educação. A esse respeito, Dourado 
(2003, p. 21) afirma:
o processo de luta pela democratização da gestão escolar passa 
pela superação dos processos centralizados de decisão, pela 
defesa de uma administração colegiada, na qual as decisões 
nasçam das discussões articuladas com todos os segmentos en-
volvidos na escola, pela clareza do sentido político e pedagógico 
presente nessas práticas e da sua importância como fenômeno 
educativo a ser construído cotidianamente.
A gestão escolar democrática necessita planejar, organizar e mediar 
a participação da comunidade escolar para que as necessidades reais da 
escola sejam gradativamente supridas. Destacamos que, no setor públi-
co, a comunidade escolar é mais participativa nos processos educativos 
do que no setor privado. Nas instituições privadas, a gestão escolar é 
compartilhada, porém, é mais centrada na mantenedora da unidade de 
ensino e/ou no diretor, pois as propostas também são feitas para que o 
processo de ensino apresente bons resultados.
Considerando que a participação coletiva corresponde à práti-
ca pedagógica na gestão escolar democrática, é preciso compreen-
der a importância do elemento constitutivo transparência, pois ele 
visa à lisura de todos os processos educativos da escola. Marques 
(1990, p. 21) elucida que “a participação ampla assegura a transpa-
rência das decisões, fortalece as pressões para que sejam elas legíti-
mas, garante o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobretudo, 
contribui para que sejam contempladas questões que de outra forma 
não entrariam em cogitação”.
20 Princípios e métodos de gestão escolar
Portanto, para que haja transparência, é necessário também uma 
participação crítica na organização e no acompanhamento das propos-
tas pedagógicas da escola. A participação permite que a transparência 
da gestão ocorra na área administrativa, financeira e pedagógica, em 
que a difusão e, consequentemente, a democratização das informa-
ções possibilitam melhores condições de garantir o direito à educação.
Nessa linha de pensamento, a apreensão dos elementos constituti-
vos participação e transparência permite a responsabilização de todos 
na construção do trabalho coletivo, assim como proporcionar caracte-
rísticas próprias da instituição de ensino.
Nesse sentido, observa-se o elemento constitutivo autonomia, ex-
plicado por Barroso (1996, p. 17) como
um conceito relacional (somos sempre autónomos de alguém ou 
de alguma coisa) pelo que a sua acção se exerce sempre num 
contexto de interdependência e num sistema de relações. A au-
tonomia é também um conceito que exprime um certo grau de 
relatividade: somos mais, ou menos, autónomos; podemos ser 
autónomos em relação a umas coisas e não o ser em relação a 
outras. A autonomia é, por isso, uma maneira de gerir, orientar, 
as diversas dependências em que os indivíduos e os grupos se 
encontram no seu meio biológico ou social, de acordo com as 
suas próprias leis.
A autonomia no interior da escola está relacionada às formas de 
agir no dia a dia, que estão pautadas numa concepção de educação. 
Entender esse elemento constitutivo permite que ações e tomadas de 
decisões sejam organizadas e planejadas visando propiciar melhores 
condições de efetivação da proposta pedagógica no contexto em que a 
instituição de ensino estiver inserida.
Nas escolas, esse elemento é vislumbrado mediante a gestão esco-
lar democrática. No entanto, essa autonomia precisa ser compreendida 
como relativa, ou seja, de modo que a estrutura do trabalho educativo 
perpasse questões legais dispostas na Constituição Federal, na LDB 
n. 9.394/1996 e nas leis estaduais e municipais que corroboram para a 
garantia do direito à educação a todos os brasileiros. Trata-se aqui de 
elucidar as palavras de Libâneo (2010, p. 299):
não convém às escolas ignorar o papel do Estado, das Secreta-
rias da Educação e das normas do sistema nem simplesmente 
subjugar-se a suas determinações. Tambémé salutar precaver-se 
No contexto escolar, é 
importante propor práticas 
pedagógicas que desenvolvam e 
fortaleçam todos os envolvidos 
nos processos educativos, pois 
a autonomia da instituição de 
ensino é relativa. Cabe, então, 
compreender que ter autonomia 
significa respeitar as disposições 
legais, porém, com senso crítico 
e responsabilidade para ressigni-
ficar a ação no dia a dia escolar. 
Desse modo, como conquistar 
a autonomia na escola em uma 
perspectiva de propor práticas 
pedagógicas que visem à 
formação de um cidadão crítico, 
autônomo e participativo?
Atividade 2
contra algumas atitudes demasiado sonhadoras de professores 
que acham possível uma autonomia total das escolas, como se 
elas pudessem prescindir inteiramente de instrumentos norma-
tivos e operativos das instâncias superiores. A autonomia das es-
colas em face das várias instâncias será sempre relativa.
Assim, a escola usufrui da autonomia que lhe cabe de modo a con-
tribuir com práticas pedagógicas que viabilizem a formação de um ci-
dadão crítico, participativo, comprometido, responsável e autônomo 
das suas ações diárias dentro e fora da escola.
Para isso, é oportuno destacar o elemento constitutivo pluralidade. 
A educação no contexto escolar precisa considerar a pluralidade exis-
tente no dia a dia de cada cidadão nas práticas pedagógicas. De acor-
do com Casassus (2002, p. 29), “a educação não é algo que acontece 
num vazio social abstrato. Pelo contrário sua existência dá-se num con-
texto sociocultural concreto, o que é de suma importância”. Isto é, nos 
momentos de tomadas de decisões, a escola precisa incluir nos proces-
sos educativos como trabalhar coletivamente a pluralidade, sendo que 
a conscientização dessa temática é deflagrada com a Declaração Uni-
versal dos Direitos Humanos (DUDH), que tem como objetivo respeitar 
cada ser humano, considerando suas diferenças.
Portanto, a discussão sobre esse assunto perpassa o entendimento 
das diferenças presentes na sociedade, assim como a reflexão de como 
é possível construir sua identidade na sociedade contemporânea, de 
modo a respeitar a diversidade étnica, racial, sexual, cultural, religiosa 
e de gênero, presente no dia a dia.
Para saber mais sobre 
autonomia na escola 
pública, sugerimos a 
leitura do texto intitulado 
“Autonomia da escola 
pública: um enfoque 
operacional”, de autoria 
de Carmen Moreira de 
Castro Neves.
NEVES, C. M. de C. In: VEIGA, I. P. 
A. Projeto Político-Pedagógico da 
escola: uma construção possível. 7. 
ed. Campinas, SP: Papirus, 1998. 
Leitura
Os elementos constitutivos 
participação, autonomia, 
transparência e pluralidade 
embasam a gestão democrática 
escolar. Desse modo, quais ações 
podem ser realizadas no 
contexto escolar para que esses 
elementos se consolidem no dia 
a dia da escola?
Atividade 3
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Ideias e conceitos sobre gestão escolar 21
22 Princípios e métodos de gestão escolar
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contexto educacional brasileiro está organizado com base em um gover-
no democrático. De acordo com essa realidade, faz-se necessário compreen-
der e discutir temas que perpassam o cotidiano das instituições de ensino. 
Contudo, não basta apenas elucidar discussões acerca do que é gestão 
escolar, concepções de gestão e os elementos que constituem a gestão 
escolar democrática, é preciso apreender esses conceitos e colocar a teo-
ria em prática. É imprescindível considerar que todo o trabalho realizado 
na escola está impregnado de intencionalidade educativa, mas, principal-
mente, averiguar se essa intencionalidade contribui para a construção de 
uma sociedade mais justa e igualitária ou propõe uma educação em que as 
ações educativas elucidem a subordinação e a racionalização do trabalho, 
desconsiderando as diferenças presentes na formação do ser humano.
Para tanto, vale lembrar que a democracia visa a uma concepção de 
gestão democrático-participativa e, para que as práticas pedagógicas 
ocorram nessa perspectiva, é preciso discutir e debater o processo edu-
cativo no dia a dia, percebendo nas ações a relação entre teoria e prática. 
Quando essas questões que abordam o que é gestão escolar, as con-
cepções de gestão e os elementos que norteiam a gestão democrática 
são abordadas no contexto escolar, é possível ressignificar os processos 
educativos, considerando a formação integral do estudante, com base na 
democratização do ensino.
REFERÊNCIAS
BARROSO, J. O estudo da autonomia da escola: da autonomia decretada à autonomia 
construída. In: BARROSO, J. O estudo da escola. Porto: Porto, 1996.
CASASSUS, J. A escola e a desigualdade. Brasília: Plano Editorial, 2002.
DOURADO, L. F. Progestão: como promover, articular e envolver a ação das pessoas no 
processo de gestão escolar? Brasília: CONSED, 2001.
DOURADO, L. F. (org.). Gestão escolar democrática: a perspectiva dos dirigentes escolares 
da rede municipal de ensino de Goiânia-GO. Goiânia: Alternativa, 2003.
FERREIRA, A. A.; REIS, A. C. F.; PEREIRA, M. I. Gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias. 
São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002.
FERREIRA, N. S. C. Formação humana e gestão democrática da educação na atualidade. 
Curitiba: Appris, 2017.
FÉLIX, M. de F. C. Administração escolar: um problema educativo e empresarial. São Paulo: 
Cortez; Autores Associados, 1985.
GRIGOLI, J. de J. Quatro modelos normativos de democracia representativa: as versões 
elitista, liberal, pluralista, participativa e deliberativa. Pensamento Plural, Pelotas, Rio 
Grande do Sul, n. 14, p. 113-126, jan./jun. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpel.
edu.br/ojs2/index.php/pensamentoplural/article/view/3239. Acesso em: 16 jun. 2020.
Ideias e conceitos sobre gestão escolar 23
LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010.
MARQUES, M. O. Projeto pedagógico: a marca da escola. Revista Contexto e Educação, Ijuí, 
n. 18, p. 16-28, abr./jun. 1990.
PARO, V. H. Eleição de diretores: a escola pública experimenta a democracia. Campinas: 
Papirus, 1996.
PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 17. ed. rev. e ampl. São Paulo: 
Cortez, 2012.
SCHNECKENBERG, M. O princípio democrático na atuação do diretor de escola: um estudo 
comparativo entre diretores eleitos e reeleitos. Gestão em rede, n. 75, p. 8-14, mar. 2007.
VEIGA, I. P. A. (org.). Projeto político pedagógico da escola: uma construção possível. 
Campinas: Papirus, 1995.
GABARITO
1. A equipe gestora precisa propor a todos os envolvidos nos processos educativos mo-
mentos de estudos acerca da concepção de gestão estabelecida pela instituição escolar.
2. Para conquistar a autonomia que proporcione o direito a educação, é importante que 
a comunidade escolar compreenda primeiramente como essa autonomia acontece no 
contexto escolar democrático, para que então seja possível propor vivências e discus-
sões de como viabilizar esse direito de acordo com a realidade da escola.
3. Os princípios que embasam a gestão democrática escolar estão postos legalmente, 
mas quanto maior for o conhecimento com relação a esses pressupostos, maior será 
a probabilidade de compreender como os processos educativos precisam acontecer 
de modo a consolidar tal concepção de gestão. Portanto, sugerimos que a equipe 
gestora da escola organize momentos de estudos e discussões acerca dos princípios 
que embasam a gestão democrática, a fim de que as práticas pedagógicas ocorram no 
cotidiano escolar com base na teoria proposta.
24 Princípios e métodos de gestão escolar
2
Gestão democrática: aspectos 
legais e recursos financeiros
Neste capítulo, abordaremos as legislações vigentes que per-
passam o contexto educacional, devido a elas estarem diretamente 
interligadas às concepções de gestão que orientam o trabalho rea-
lizado nas instituições de ensino.
Discutiremos as principais leis que embasam a educação no 
Brasil com o intuito de compreender as relações educativas que 
ocorrem na escola para garantir os fins educacionais,isto é, a ga-
rantia do direito à educação a todos os brasileiros.
Estudaremos também o que é regimento escolar e sua legalida-
de no cotidiano das instituições de ensino, bem como a importân-
cia da gestão democrática escolar na administração dos recursos 
financeiros destinados às escolas.
2.1 Principais leis que embasam a educação 
Vídeo
Leis são princípios, preceitos e normas que estabelecem regras a 
serem seguidas e, em um regime de governo democrático, têm o obje-
tivo de promover a igualdade de direitos e deveres a todos os cidadãos.
As legislações nacionais existem para organizar ações com o intuito 
de construir uma sociedade justa e solidária, considerando o contexto 
histórico-econômico-político-étnico-racial apresentado na atualidade. 
As legislações educacionais, especificamente, são instituídas para or-
ganizar e estruturar o sistema de ensino brasileiro, de modo a garantir 
o direito à educação a todos. Cabe ressaltar que essas legislações são 
prescritas no âmbito da educação básica (educação infantil, ensino fun-
damental e ensino médio) e da educação superior (CURY, 2010).
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 25
As principais leis que determinam a educação brasileira são instituí-
das pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF) e 
pela Lei n. 9.394/1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB), além de decretos, resoluções, pareceres, portarias, instruções e 
atos que regulam e regulamentam a estrutura e o funcionamento do 
sistema de ensino.
A CF do Brasil foi aprovada em 22 de setembro de 1988 e pro-
mulgada em 5 de outubro do mesmo ano. Ela reconhece que to-
dos os cidadãos brasileiros, independentemente da condição 
socioeconômica-política-étnico-racial, têm direitos e deveres. Para que 
isso ocorra, todos os cidadãos precisam conhecer tais direitos e deve-
res, a fim de exigi-los e exercê-los (CURY, 2002).
Sendo assim, é por meio da compreensão de como a educação 
está disposta no Brasil, bem como do conhecimento das legislações 
vigentes, que a comunidade escolar poderá discutir e refletir sobre os 
dispositivos legais que embasam o trabalho educativo realizado nas 
instituições de ensino, de modo a mobilizar ações que visem à garantia 
dos direitos e deveres estabelecidos em lei nacional.
A educação é um direito social, assim instituído no Capítulo III, Se-
ção I da CF (BRASIL, 1988):
“Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da fa-
mília, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exer-
cício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
O artigo 205 estabelece que a educação é um direito de todos os 
cidadãos brasileiros e que ninguém poderá ser excluído desse direito. 
A educação deve proporcionar o desenvolvimento pleno do estudante, 
assim como a preparação para o exercício da cidadania e qualificação 
para o mercado de trabalho.
Entretanto, apesar de o direito ser assegurado em lei, ainda é preci-
so discutir formas em que o direito à educação não esteja relacionado 
apenas à oferta de vagas, mas também à permanência dos estudan-
tes na escola e à garantia da promoção do direito à aprendizagem. 
Para que a educação se efetive a todos os cidadãos, é preciso averi-
guar questões socioeconômicas que perpassam o contexto brasileiro e 
como os princípios podem ser efetivados em uma realidade que apre-
senta desigualdades sociais.
26 Princípios e métodos de gestão escolar
Nesse sentido, faz-se necessário demarcar os princípios que 
definem como deve ser a educação no Brasil. O artigo 206 da CF 
(BRASIL, 1988) institui que:
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes 
princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensa-
mento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexis-
tência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, 
na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente 
por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; 
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII – garantia de padrão de qualidade;
VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da 
educação escolar pública, nos termos de lei federal; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores 
considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação 
de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de car-
reira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Os princípios constitucionais embasam a educação e permitem aos 
profissionais das instituições de ensino que cumpram, com responsa-
bilidade e comprometimento, o que está disposto na CF de 1988, por 
meio de ações democráticas.
Os dispositivos legais que perpassam a educação nacional balizam 
a organização das instituições de ensino públicas e privadas, e a LDB 
n. 9.394/1996 regulamenta a educação básica e superior. O artigo 2º da 
LDB corrobora o artigo 205 da CF de 1988 quando define que: “Art. 2º 
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de 
liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o 
pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1996).
Tanto a CF do Brasil quanto a LDB n. 9.394/1996 preveem que a edu-
cação é dever da família e do Estado, porém, para que a educação con-
tribua efetivamente na formação do estudante e, consequentemente, 
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 27
na consolidação da cidadania, é preciso que o Estado garanta a todos 
os estudantes o acesso, a permanência e a garantia do direito à educa-
ção. À família, cabe o acompanhamento do estudante com relação aos 
processos educativos realizados na escola.
Para isso, é importante que a equipe de gestão da escola proponha 
ações de participação da família na instituição de ensino, assim como 
o Estado precisa instituir políticas públicas com a finalidade de sanar 
gradativamente as desigualdades sociais presentes também no contexto 
educacional, a fim de garantir melhores condições na formação do es-
tudante para o exercício da cidadania.
É importante, também, mencionar o artigo 3º da LDB n. 9.394/1996, 
que coaduna com o artigo 206 da CF:
Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes 
princípios:
I – igualdade de condições para o acesso e permanência na 
escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultu-
ra, o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância;
V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII – valorização do profissional da educação escolar;
VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e 
da legislação dos sistemas de ensino;
IX – garantia de padrão de qualidade;
X – valorização da experiência extraescolar;
XI – vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas 
sociais;
XII – consideração com a diversidade étnico-racial; 
XIII – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo 
da vida. (BRASIL, 1996) 
Os princípios dispostos constituem a organização do sistema edu-
cacional brasileiro no que se refere a questões administrativas, pe-
dagógicas, financeiras, à formação dos profissionais da educação, ao 
acesso e à permanência dos estudantes nas instituições de ensino, 
assim como à existência de práticas que intensificam o processo de 
ensinoe aprendizagem em uma perspectiva de promover a formação 
integral de todos os estudantes.
28 Princípios e métodos de gestão escolar
Diante da diversidade apresentada na sociedade brasileira, depreen-
demos a necessidade de as instituições de ensino realizarem ações 
educativas que vislumbrem a formação do cidadão, tendo como base 
encaminhamentos metodológicos que compreendam o processo de 
ensino e aprendizagem de maneira a contemplar os princípios estabe-
lecidos nas legislações educacionais, bem como o respeito à heteroge-
neidade e à individualidade de cada estudante. Essas ações precisam ser 
realizadas por todos os envolvidos no contexto escolar, de modo que a 
escola, por ser um local de formação do cidadão, possa gradativamente 
contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Após a publicação da LDB n. 9.394/1996, alguns decretos e portarias 
foram regulamentados em busca de melhorias no campo educacional. 
Nesse âmbito, destacamos o Plano Nacional de Educação (PNE), pro-
mulgado pela Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001, com vigência até 
2010. As diretrizes do PNE referem-se à articulação e ao desenvolvi-
mento do ensino, desde a erradicação do analfabetismo até a elevação 
humanística, científica e tecnológica dos cidadãos brasileiros. Esse pla-
no estabelece a concretização de diretrizes, metas e propostas para a 
política educacional brasileira em um período de dez anos.
As diretrizes, metas e propostas estabelecidas pelo PNE surgem da 
necessidade de alcançar objetivos educacionais que contemplem a di-
versidade social brasileira. Pautado em princípios democráticos, esse 
documento perpassa a educação em todos os níveis e modalidades de 
ensino, com base em objetivos a serem cumpridos a curto, médio e 
longo prazo.
Salientamos que a implementação do PNE precisa ser acompanha-
da por políticas públicas que corroborem as diretrizes estabelecidas 
nesse documento, de modo a contribuir com os demais envolvidos nos 
processos educacionais. Portanto, é preciso que todos os cidadãos, 
independentemente da condição socioeconômica-política-cultural, 
assumam a responsabilidade de colaborar para a construção de uma 
sociedade mais justa e igualitária a favor de todos.
Com relação ao acompanhamento da implementação do PNE, ficou 
estabelecido que:
Art. 3º A União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal, 
os municípios e a sociedade civil, procederá a avaliações periódi-
cas da implementação do Plano Nacional de Educação.
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 29
§ 2º A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência 
desta Lei, cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas 
legais decorrentes, com vistas à correção de deficiências e dis-
torções. (BRASIL, 2001)
No entanto, as avaliações do PNE não ocorreram no quarto ano 
(SAVIANI, 2009). Em resposta a essa situação, outra medida do Governo 
Federal foi a aprovação do Decreto n. 6.094, de 24 de abril de 2007, que 
estabelece o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, cujos 
objetivos são melhorar a qualidade da educação no Brasil e reduzir as 
desigualdades com relação às oportunidades educacionais, garantindo 
o direito à aprendizagem. Esse plano é estruturado em 40 programas, 
ações e medidas de natureza educacional.
Destacamos que ambos os planos objetivam a qualidade na educa-
ção. A diferença entre o PNE e o Plano de Desenvolvimento da Educação 
(PDE) é que o primeiro apresenta ações que objetivam o acesso ao ensino, 
avanços com relação à formação e valorização dos profissionais da edu-
cação e melhorias na gestão e no financiamento da educação; enquanto 
o PDE está mais voltado à oferta e à qualidade da educação em território 
nacional, diminuindo as desigualdades sociais por meio da equidade.
Desse modo, no fim do ano de 2010, considerando as dificuldades 
apresentadas na efetivação do PNE (2001-2011), foi encaminhada ao 
Congresso Nacional uma nova proposta do Plano Nacional de Educação 
(PNE 2011-2020). Porém, não foi aprovada, pois algumas reflexões a 
respeito da efetivação das diretrizes ainda precisavam ser discutidas a 
fim de efetivar a execução do próximo PNE. Somente em 25 de junho 
de 2014, a Lei n. 13.005 estabeleceu o novo PNE, válido de 2014 a 2024.
O PNE é estruturado em quatro blocos: o primeiro estabelece as 
metas de garantia ao direito à educação; o segundo, a redução das de-
sigualdades sociais; o terceiro trata da valorização dos profissionais da 
educação; e o quarto bloco destina-se ao ensino superior. Para cada 
meta, são sugeridas estratégias para o cumprimento do que foi estabe-
lecido (BRASIL, 2014).
Entre as ações propostas no documento, salientamos a criação de 
uma base comum curricular a todos os estudantes da educação bási-
ca, que já era prevista na CF do Brasil de 1988 e na LDB n. 9.394/1996. 
Essa base curricular tem por finalidade garantir a equidade na apren-
dizagem de todos os estudantes, tornando-se um referencial teórico 
Para que todos os cida-
dãos brasileiros possam 
acompanhar o Plano 
Nacional de Educação, foi 
criado o site Observatório 
do PNE (OPNE), no qual é 
possível monitorar as 20 
metas e 254 estratégias 
que foram estabelecidas, 
além de permitir análises 
de como estão ocorrendo 
as políticas educacio-
nais instituídas no PNE 
(2014-2024). 
Disponível em: https://www.
observatoriodopne.org.br/. Acesso 
em: 16 jun. 2020.
Site
30 Princípios e métodos de gestão escolar
obrigatório para a elaboração dos currículos escolares das instituições 
de ensino públicas e privadas.
A política de elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) 
teve início em 2014, com discussões e debates. O processo foi condu-
zido pelo Ministério da Educação (MEC), pelo Conselho Nacional de 
Secretários de Educação (Consed), pela União Nacional dos Dirigentes 
Municipais de Educação (Undime) e pelo Conselho Nacional de Educa-
ção (CNE). Consequentemente, a construção foi coletiva.
Em 2015, a primeira versão da BNCC foi disponibilizada on-line, para 
que os envolvidos no contexto educacional fizessem uma discussão 
preliminar desse documento. A segunda versão foi disponibilizada em 
2016, possibilitando a elaboração de pareceres. No ano de 2017, a ter-
ceira versão foi finalizada (BRASIL, 2017).
Diante dessa prerrogativa, o CNE apresentou a Resolução CNE/CP 
n. 2, de 22 de dezembro de 2017, e instituiu a implantação da Base 
Nacional Comum Curricular em todas as escolas do Brasil até o final do 
ano letivo de 2020.
Desse modo, a educação no Brasil está balizada em uma concepção 
de gestão democrático-participativa e vem buscando, nos últimos anos, 
adequar as políticas educacionais, a fim de atender à diversidade social 
e possibilitar o saber escolar, em uma perspectiva de atender a todos 
os cidadãos. Todavia, é necessário que os profissionais da educação 
tenham conhecimento de tais legislações e que o Governo Federal pro-
porcione subsídios para que a educação seja efetivada nos diversos 
contextos, isto é, as ideias propostas em lei devem ser coerentes com 
a realidade brasileira.
2.2 Regimento escolar: o que é e para que serve 
Vídeo
A concepção de gestão democrática escolar preconizada nos docu-
mentos legais oportuniza a participação da comunidade escolar nos 
processos educativos. Todavia, essa participação pressupõe a todos os 
envolvidos a responsabilidade e o comprometimento de organizar e 
realizar o trabalho escolar de acordo com os dispositivos legais.
Conheça os principais 
marcos do processo de 
elaboração da Base Na-
cional Comum Curricular, 
desde a Constituição 
Federativa do Brasil de 
1988 até a última versão.
Disponível em: http://basenacio-
nalcomum.mec.gov.br/implemen-
tacao/pro-bncc/material-de-apoio. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Site
Após o Decreto n. 6.094, 
documento no qual o 
governo estabeleceu o 
Plano de Metas Com-
promisso Todos pela Edu-
cação, o MEC publicou 
o livro intitulado O plano 
de desenvolvimento da 
educação: razões, princí-
pios e programas. A obraapresenta os princípios 
políticos, os fundamentos 
teóricos, os métodos edu-
cacionais e a organização 
administrativa da gestão 
que presidia o ministério 
no período em que o livro 
foi publicado (2007). 
Disponível em: http://portal.mec.
gov.br/arquivos/livro/livro.pdf. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Leitura
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 31
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Seguindo essa linha de pensamento, Paro (2001, p. 52) afirma que:
O local em que se realiza a educação sistematizada precisa ser 
o ambiente mais propício possível à prática da democracia. Por 
isso, na realização da educação escolar a coerência entre os 
meios e fins exige que tanto a estrutura didática quanto a or-
ganização do trabalho no interior da escola estejam dispostas 
de modo a favorecer relações democráticas. Esses são requisitos 
importantes para que uma gestão escolar pautada em princípios 
de cooperação humana e solidariedade possa concorrer tanto 
para a ética quanto para a liberdade, componentes imprescindí-
veis de uma educação de qualidade.
Nessa perspectiva, a gestão democrática escolar, legalmente ampara-
da pela LDB n. 9.394/1996, dá autonomia às instituições de ensino para 
que elaborem e organizem o funcionamento da escola conforme sua lo-
calização e realidade, desde que em consonância com a legislação educa-
cional de ordem nacional, estadual e municipal.
Azanha (1995, p. 144-145) expõe como a autonomia precisa aconte-
cer no contexto escolar:
A autonomia não é algo a ser implantado, mas, sim, a ser assu-
mido pela própria Escola. Não se pode confundir ou permitir que 
se confunda a autonomia da Escola com apenas a criação de de-
terminadas decisões administrativas e financeiras. A autonomia 
escolar não será uma situação efetiva se a própria Escola não 
assumir compromissos com a tarefa educativa.
Os dispositivos legais, como 
a Lei de Diretrizes e Bases da 
Educação n. 9.394/1996 (LDB), 
estabelecem a organização do 
trabalho educativo realizado na 
escola, assim como os princípios 
da educação no Brasil. Apresente 
quais são esses princípios 
e a finalidade da educação, 
conforme estabelecido nesse 
dispositivo legal. 
Atividade 1
32 Princípios e métodos de gestão escolar
Logo, a autonomia da escola é uma possibilidade de fazer escolhas 
que atendam ao contexto escolar, propiciando os processos educa-
tivos de maneira responsável e comprometida. O regimento escolar 
serve tanto para a documentação quanto para a organização dessas 
ações educativas.
O regimento escolar é um documento legal normatizador e orien-
tador do funcionamento e da organização do trabalho educativo rea-
lizado na escola pública e privada. Todas as ações do coletivo escolar 
estabelecidas no regimento precisam estar em consonância com as 
práticas realizadas nesse espaço educativo.
Essa organização da escola é respaldada legalmente pelo artigo 88 
da LDB n. 9.394/1996:
Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições 
desta Lei no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua 
publicação.
§ 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regi-
mentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sis-
temas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. (BRASIL, 1996)
Ressaltamos que o regimento escolar pode ser alterado conforme 
modificações ocorridas no contexto em que a instituição está inserida, 
assim como se ocorrerem mudanças na legislação vigente. É importante 
salientar também que esse documento expressa ainda questões pro-
postas no projeto político-pedagógico da escola, assim como as parti-
cularidades da instituição, de modo a estabelecer e legitimar as ações 
realizadas nesse espaço educativo. As normas estabelecidas precisam 
estar em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a 
realização dos processos educativos no Brasil.
Diante do exposto, Vasconcelos (2003, p. 39) esclarece que:
a educação escolar tem finalidades, metas, objetivos a serem al-
cançados; não é um processo aleatório. Entendemos que é um 
processo que está implícita uma diretividade, que não é, porém, 
estática, nem dogmática, sendo permeada pela interação entre 
os elementos participantes, que devem nele atuar como sujeitos.
O fazer pedagógico apresenta distintas situações e, ao entender as 
finalidades propostas no regimento escolar, as tomadas de decisões 
diante das singularidades apresentadas no dia a dia escolar serão fun-
A Secretaria de Estado 
da Educação do Paraná 
disponibiliza, no site do 
governo, um caderno de 
subsídios para a elabora-
ção do regimento escolar. 
Intitulado Fundamentação 
legal para a elaboração do 
regimento escolar da edu-
cação básica, o caderno 
apresenta uma diretriz 
para auxiliar na produção 
do documento.
Disponível em: http://www.
educacao.pr.gov.br/sites/
default/arquivos_restritos/files/
documento/2019-12/manual_re-
gimento2017.pdf. Acesso em: 
16 jun. 2020.
Leitura
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 33
damentadas em princípios educacionais respaldados legalmente por 
um documento oficial da instituição de ensino.
Por isso, ao elaborar o regimento escolar, é importante atentar aos 
itens que compõem esse documento, de modo a atender questões le-
gais e pontuais da instituição de ensino. Para que isso ocorra, as se-
cretarias de educação estaduais e municipais disponibilizam, para as 
escolas, um modelo oficial pautado em princípios democráticos. Assim, 
as particularidades de cada instituição são discutidas pelo coletivo da 
escola e propostas no regimento, que será aprovado pelo conselho 
escolar da instituição de ensino e pela Secretaria da Educação. Já nas 
escolas privadas o regimento é aprovado pela mantenedora e/ou pela 
direção da escola.
Por ser um dispositivo obrigatório e de caráter legal, a elaboração 
do texto é fundamentada em bases jurídicas. Os elementos que com-
põem os títulos e capítulos do regimento escolar se referem à identi-
ficação da instituição de ensino, aos princípios e fins da educação e às 
especificações sobre a estrutura física, administrativa e pedagógica da 
escola, entre outros itens.
Portanto, compreendemos que o regimento escolar é um documen-
to que possibilita a democratização do ensino. Cabe à equipe diretiva 
da escola propor a discussão e a reflexão sobre o conteúdo desse docu-
mento, bem como organizar ações educativas que coloquem em prática 
os compromissos assumidos coletivamente no regimento escolar.
O regimento escolar regulamen-
ta e normatiza todas as ações 
realizadas nas instituições de 
ensino. Nesse sentido, que ações 
a equipe diretiva da instituição 
de ensino pode oportunizar para 
que o disposto no regimento se 
efetive no cotidiano escolar?
Atividade 2
2.3 Recursos financeiros na escola 
Vídeo A gestão de recursos financeiros na escola demanda a administra-
ção do dinheiro que entra e sai da instituição de ensino. Em uma ges-
tão democrática, a transparência é de fundamental importância para 
legitimar e priorizar o uso do dinheiro destinado a essa instituição.
Os recursos financeiros precisam ser administrados tanto para a 
compra de materiais de consumo permanente quanto para a manu-
tenção da estrutura física e aquisição de recursos didático-pedagógicos 
necessários à promoção de espaço físico e ambiente propícios aos pro-
cessos educativos.
34 Princípios e métodos de gestão escolar
Para Moreira (1998, p. 169):
“A administração dos recursos financeiros, essencial para a manu-
tenção de um ensino de qualidade, é considerada uma atividade-meio, 
pois viabiliza o espaço e as condições materiais de desenvolvimento 
do processo de ensino-aprendizagem, embora não defina os objetivos 
educacionais”.
Consequentemente, é necessário haver um planejamento com re-
lação ao destino da verba a que a escola tem acesso, a fim de garantir 
o seu uso consciente. É fundamental fazer um levantamento das prio-
ridades da instituição de ensino, paraque seja possível traçar metas e 
realizar ações que contribuam com os processos educativos desenvol-
vidos. Resumidamente, a escola precisa ter planejamento, execução e 
controle dos recursos financeiros disponíveis.
Em uma escola com concepção de gestão democrático-participativa, 
é preciso fazer reuniões com a comunidade escolar para discutir e de-
cidir coletivamente a gestão do dinheiro em determinado período. 
Conforme dito anteriormente, a transparência é necessária e reside 
também no fato de que todos os gastos da escola precisam ser organi-
zados com as notas fiscais originais, ou seja, deve haver prestação de 
contas dos gastos realizados.
Para a organização dos recursos financeiros, sugerimos a utilização 
de recursos tecnológicos, como planilhas do Microsoft Office Excel, nas 
quais é possível desenvolver fórmulas para o cálculo automático e exa-
to do fluxo de entrada e saída do dinheiro na instituição de ensino.
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Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 35
No caso da escola pública, a utilização da verba precisa ainda estar em 
consonância com a Lei de Licitação e Registro de Preços (BRASIL, 2020a).
Os recursos financeiros são destinados à escola pública tanto de 
maneira centralizada quanto descentralizada. O uso da verba centrali-
zada é administrado pelo Poder Executivo (governador e prefeito), e a 
escola tem acesso às compras por intermédio do órgão executor (Se-
cretaria Estadual e Municipal da Educação), que a equipa com mesas, 
cadeiras, quadros etc. e faz o pagamento dos profissionais que traba-
lham na instituição de ensino.
Com relação à descentralização do uso da verba pública, a legis-
lação educacional prevê o envio de recursos financeiros à escola, de 
modo que a gestão escolar tenha autonomia para melhor aplicar o di-
nheiro recebido. Para isso, a LDB n. 9.394/1996 institui que: “Art. 15 Os 
sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de edu-
cação básica que os integram progressivos graus de autonomia peda-
gógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas 
gerais de direito financeiro público” (BRASIL, 1996).
A descentralização financeira permite à escola resolver situações 
em que é necessário agilizar a verba, visto que o dia a dia das institui-
ções de ensino é dinâmico e questões sobre como garantir as melhores 
condições de desenvolvimento dos processos educativos precisam ser 
discutidas constantemente pela comunidade escolar.
Diante dessa situação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvi-
mento da Educação (FNDE), o MEC criou o Programa Dinheiro Direto na 
Escola (PDDE), que encaminha os recursos financeiros às escolas públicas, 
viabilizando a autonomia escolar na administração das verbas recebidas.
O PDDE foi criado em 1995, com a finalidade de oferecer assistência 
financeira às escolas públicas, contribuindo com a manutenção e me-
lhoria da infraestrutura física e pedagógica da escola. Isso porque o re-
curso financeiro enviado pelo PDDE não pode ser destinado a compras 
já financiadas pelo FNDE, como livros didáticos e de literatura enviados 
para a escola por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) 
e do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) (BRASIL, 2020b).
A Resolução n. 18, de 21 de maio de 2013, dispõe o seguinte sobre a 
destinação dos recursos financeiros regulamentados no PDDE:
Art. 2º Os recursos financeiros de que trata o art. 1º serão libe-
rados em favor das escolas nele referidas que possuam Unidade 
Para o uso dos recursos 
financeiros, as esco-
las públicas precisam 
seguir os processos 
estabelecidos pela lei 
referente a licitações dos 
fornecedores, que busca 
evitar o favorecimento de 
determinadas empresas 
e o desvio das verbas 
públicas. Obtenha mais 
informações sobre a Lei 
de Licitações acessando o 
site a seguir.
Disponível em: https://www.
fnde.gov.br/index.php/acesso-
-a-informacao/fndegovernanca/
item/9784-licitacao-registro-pre-
cos-perguntas-frequentes. Acesso 
em: 16 jun. 2020.
Saiba mais
https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes
https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes
https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes
https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes
https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes
36 Princípios e métodos de gestão escolar
Executora Própria (UEx), devendo ser empregados na implemen-
tação de ações que propiciem condições favoráveis à melhoria 
da qualidade de ensino e à transição das escolas para a susten-
tabilidade socioambiental, considerando a gestão, o currículo 
e o espaço físico, de forma a tornarem-se espaços educadores 
sustentáveis.
§ 1º Para os fins desta Resolução, são considerados espaços 
educadores sustentáveis instituições de ensino que desenvol-
vem processos educativos permanentes e continuados, capazes 
de sensibilizar a comunidade escolar para a construção de uma 
sociedade de direitos, ambientalmente justa e sustentável, fo-
mentando ações que abranjam as dimensões currículo, gestão e 
espaço físico e compensem seus impactos ambientais com o de-
senvolvimento de tecnologias apropriadas, de modo a garantir 
qualidade de vida às presentes e futuras gerações, na intencio-
nalidade de educarem para a sustentabilidade socioambiental, 
tornando-se referência em seu território. (BRASIL, 2013)
Nessa perspectiva, a própria legislação indica a necessidade de uti-
lizar os recursos financeiros de modo a contribuir com os processos 
educativos, bem como a conscientizar a comunidade escolar sobre a 
sustentabilidade dos bens adquiridos, fomentando uma ação transfor-
madora que reverbere na formação do homem, possibilitando o exer-
cício da sua cidadania de maneira crítica e participativa.
Assim como nas demais instâncias, é fundamental que a comunida-
de escolar participe das decisões do uso da verba recebida pela escola, 
visto que essa participação está respaldada legalmente pela concep-
ção de gestão democrática escolar. As reuniões e tomadas de decisões 
precisam envolver ainda as instâncias colegiadas, como o Conselho de 
Escola e Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF) e/ou 
Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF).
Outra questão a destacar é o valor dos recursos financeiros que a 
escola pública recebe, o qual é regularizado de acordo com a localiza-
ção regional da instituição e a quantidade de estudantes matriculados. 
A Resolução n. 6, de 27 de fevereiro de 2018, estabelece que:
Art. 9 § 3º Os repasses de recursos de que tratam o caput 
dar-se-ão em duas parcelas anuais, devendo o pagamento da 
primeira parcela ser efetivado até 30 de abril e o da segunda par-
cela até 30 de setembro de cada exercício às EEx, UEx e EM que 
cumprirem os requisitos definidos no art. 12 até a data de efeti-
vação dos pagamentos. (BRASIL, 2018)
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 37
Nesse sentido, Perrenoud (2000, p. 103, grifos do original) afirma que:
Administrar os recursos de uma escola é fazer escolhas, ou seja, é 
tomar decisões coletivamente. Na ausência de projeto comum, 
uma coletividade utiliza os recursos que tem, esforçando-se, so-
bretudo, para preservar uma certa equidade na repartição dos 
recursos. Por essa razão, se não for posta a serviço de um proje-
to que proponha prioridades, a administração descentralizada 
dos recursos pode, sem benefício visível, criar tensões difíceis de 
vivenciar, com sentimentos de arbitrariedade ou de injustiça 
pouco propícios à cooperação.
Dessa forma, é importante retomar o projeto político-pedagógico 
e o regimento escolar, bem como averiguar os objetivos dainstituição 
de ensino, com a finalidade de elaborar e executar o planejamento 
financeiro de modo que a escola viabilize ações para garantir o direito 
à educação.
Nas escolas privadas, o uso dos recursos financeiros segue regula-
mentos aprovados nos estatutos e regimentos da instituição de ensino. 
Além disso, as instituições são submetidas às legislações dos governos 
federal, estadual e municipal quanto ao funcionamento e à utilização 
de recursos financeiros, sobre os quais também prestam contas ao po-
der público. Cabe destacar que, nas instituições privadas, a análise das 
necessidades da escola deve ser tão precisa quanto na pública, pois 
elas são mantidas por empresas privadas que também prestam contas.
Baú e Grisard (2010, p. 31) afirmam: “para que possamos traçar um 
diagnóstico fiel dos principais desafios que as equipes diretivas das 
instituições de ensino encontram no seu cotidiano, é necessário consi-
derarmos os riscos envolvidos na condução do negócio e as complexi-
dades deste ramo de atividade”. O planejamento financeiro, tanto nas 
instituições privadas quanto nas públicas, é tão importante quanto o 
planejamento das ações pedagógicas.
Sabemos que cada escola está inserida em um contexto específico 
e, por isso, é imprescindível o acompanhamento das ações propostas a 
fim de garantir o cumprimento legal das responsabilidades financeiras 
da escola, assim como da responsabilidade pedagógica, previstas nas 
legislações vigentes.
Com relação aos recursos 
financeiros disponíveis às 
instituições de ensino, quais 
ações são pertinentes para 
que a gestão da escola destine 
a verba de modo transparente?
Atividade 3
O Ministério da Educação 
é o órgão do Poder 
Executivo Federal res-
ponsável pela educação 
no Brasil. Entre os órgãos 
vinculados ao MEC, está 
o Conselho Nacional de 
Educação (CNE), órgão 
normativo que coordena 
a política nacional da edu-
cação e as demais políti-
cas públicas instituídas no 
Brasil, a fim de garantir a 
execução dos dispositivos 
legais estabelecidos às 
instituições de ensino 
públicas e privadas. Para 
mais informações, acesse 
o site a seguir.
Disponível em: http://portal.mec.
gov.br/conselho-nacional-de-e-
ducacao/apresentacao. Acesso em: 
16 jun. 2020.
Site
38 Princípios e métodos de gestão escolar
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os processos educativos realizados nas instituições de ensino têm 
como base as legislações vigentes, especialmente a Constituição Federa-
tiva do Brasil de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
n. 9.394/1996. O trabalho desenvolvido na escola, portanto, precisa ser ba-
lizado na concepção de gestão democrático-participativa preconizada nos 
dispositivos legais.
Para que isso ocorra, cada instituição de ensino possui um documento 
legal que regulamenta e normatiza todas as ações realizadas na escola: 
o regimento escolar. É fundamental que esse documento seja conhecido 
por toda a comunidade escolar, a fim de que todos tenham consciência 
dos seus direitos e deveres, oportunizando melhores condições de fun-
cionamento e organização dos processos educativos.
Com relação aos recursos financeiros da escola, é preciso planejamen-
to para que as verbas disponíveis priorizem e atendam às necessidades 
da instituição de ensino, de modo a contemplar os princípios e as finalida-
des educacionais. Além disso, é necessário o acompanhamento e o moni-
toramento das prestações de conta, que carecem estar em consonância 
com o elemento constitutivo transparência, ou seja, a comunidade escolar 
precisa ter conhecimento dos gastos realizados pela escola.
Conforme estudamos ao longo deste capítulo, o entendimento dos 
dispositivos legais é fundamental para que a gestão democrática escolar 
possa garantir o acesso à educação.
REFERÊNCIAS
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BAÚ, Á. L.; GRISARD, L. A. Gestão escolar integrada: uma proposta de diálogo financeiro e 
jurídico. Curitiba: Positivo, 2010.
BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 
5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.
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BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/
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BRASIL. Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, 
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BRASIL. Licitação e Registro de Preços. 2020a. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/
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perguntas-frequentes. Acesso em: 16 jun. 2020.
Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 39
BRASIL. Plano Nacional de Educação. OPNE, 2014. Disponível em: http://www.
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BRASIL. Resolução n. 6, de 27 de fevereiro de 2018. Brasília: Fundo Nacional De 
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BRASIL. Resolução n. 18, de 21 de maio de 2013. Brasília: Fundo Nacional De 
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CURY, C. R. J. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de 
Pesquisa, n. 116, p. 245-262, jun. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/
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MOREIRA, A. M. de A. A gestão dos recursos financeiros na escola. In: VEIGA, I. P. A.; 
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PARO, V. H. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. São Paulo: Xamã, 2001.
PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
SAVIANI, D. PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação: análise crítica da política do MEC. 
Campinas: Autores Associados, 2009.
VASCONCELOS, C. dos S. Para onde vai o professor? Resgate do professor como sujeito de 
transformação. São Paulo: Libertad, 2003.
GABARITO
1. A LDB n. 9.394/1996 estabelece que a educação precisa ser ofertada a partir dos 
princípios de liberdade e solidariedade humana, e tem como finalidade o desenvol-
vimento pleno do educando, o preparo para o exercício da cidadania e sua qualifi-
cação para o trabalho.
2. Disponibilizar e informar sobre o regimento escolar são ações que a equipe da gestão 
escolar precisa realizar na instituição de ensino, de modo que todos os envolvidos 
nos processos educativos conheçam esse documento e que ele esteja presente nas 
ações realizadas no dia a dia das escolas.
3. Propor reuniões com as instâncias colegiadas, o conselho da escola e a associação de 
pais, professores e funcionários, para que juntos possam elencar as prioridades de 
uso da verba na instituição de ensino, respeitando as legislações que destinam o seu 
fim, bem comorealizar a prestação de contas de modo que todos possam acompa-
nhar a entrada e a saída do dinheiro.
40 Princípios e métodos de gestão escolar
3
Gestor educacional na 
contemporaneidade
Neste capítulo, vamos elucidar e discutir a função do gestor 
no contexto escolar contemporâneo. Primeiramente, é importan-
te definir que a atribuição principal do gestor escolar é promover 
o engajamento de toda comunidade escolar, de maneira crítica e 
participativa, no dia a dia da instituição de ensino.
Para garantir que as ações educativas propostas pelo ges-
tor sejam coletivas e estejam pautadas numa intencionalidade 
educativa, é fundamental que todos conheçam a função desse 
profissional na instituição. Dessa forma, o gestor escolar poderá 
oportunizar ações em que o coletivo escolar participe ativamente 
dos processos educativos, responsabilizando todos os envolvidos 
no desenvolvimento das ações realizadas na escola.
Nessa perspectiva, compreender a cultura organizacional da 
escola é imprescindível para assegurar que a educação escolar 
cumpra a função de contribuir para a construção de uma sociedade 
mais justa e democrática.
3.1 Perfil do gestor escolar democrático
Vídeo A sociedade brasileira está inserida num contexto pautado em fun-
damentos de um regime de governo democrático. Portanto, é neces-
sário que os cidadãos conheçam os fundamentos estabelecidos na 
Constituição da República Federativa (CF) do Brasil de 1988, para que 
possam exercer seus direitos e deveres, bem como prestar suas contri-
buições à sociedade.
De acordo com a CF (BRASIL, 1988):
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indis-
solúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-
-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
V - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce 
por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos 
desta Constituição.
Essa Constituição preconiza, portanto, a construção de uma socie-
dade mais justa e igualitária, por meio do povo e de seus representan-
tes, o que requer que todos os cidadãos conheçam os fundamentos 
do regime de governo democrático e que as ações sejam respaldadas 
no respeito mútuo de um indivíduo para com o outro. Nesse sentido, 
o contexto escolar é propício para a compreensão e a prática desses 
fundamentos no dia a dia do cidadão.
De acordo com Vasconcellos (2003, p. 39):
para haver encontro educativo é necessário que as pessoas es-
tejam em busca de algo, objetivando alguma coisa e que recipro-
camente essas finalidades possam, de alguma forma, interagir, 
ter algo em comum. É neste ser intencional que se insere uma 
das dimensões políticas da educação, onde se expressa o com-
promisso, a paixão, o desejo de um homem novo e de uma so-
ciedade nova. É por aqui que passa a força maior que sustenta 
o trabalho: é só na medida em que temos uma perspectiva, um 
projeto, um desejo, uma esperança, é que continua-
mos na luta.
Tendo isso em vista, consideramos 
fundamental a participação de toda a 
comunidade escolar nas ações reali-
zadas nas instituições de ensino.
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Gestor educacional na contemporaneidade 41
42 Princípios e métodos de gestão escolar
Destacamos também o papel do gestor escolar que, daqui por dian-
te, entenderemos como o diretor da escola, afinal, o gestor é a pessoa 
responsável por conduzir a equipe escolar à realização do seu trabalho, 
contribuindo com a democratização do ensino.
O perfil do gestor escolar, tanto no setor público quanto no privado, 
é caracterizado pelo conhecimento dos aspectos legais, pedagógicos 
e administrativos que balizam a concepção de gestão democrática de 
modo a promover condições propícias para a realização e efetivação 
dos processos educativos desenvolvidos no espaço escolar. Para isso, 
Libâneo (2010, p. 332) esclarece que: “o diretor não pode se ater so-
mente às questões administrativas. Como dirigente, cabe-lhe ter uma 
visão de conjunto e uma atuação que apreenda a escola em seus as-
pectos pedagógicos, administrativos, financeiros e culturais”.
O gestor escolar precisa ser uma pessoa com autoridade teórica 
em âmbitos pedagógico e administrativo, para propor ao coletivo esco-
lar reflexões e discussões a respeito da temática. Mas, além da teoria, 
deve ter atitudes democráticas que vislumbrem os fundamentos dos 
dispositivos legais, caso contrário, o espaço educativo poderá se tor-
nar um local onde ações ocorram sem intencionalidade educativa e/ou 
deslocadas dos fundamentos democráticos.
Nessa perspectiva, Lück (2010, p. 103) esclarece que:
o exercício do poder está associado à tomada de decisão sobre 
como agir em relação à realidade escolar, isto porque ela se ma-
nifesta como um poder de influência, uma vez comprometida 
com as ações necessárias à sua implementação. Como a tomada 
de decisão em si é inócua e só se completa na ação, o poder é 
exercido não apenas por se tomar uma decisão, mas também 
por ser pôr em prática a decisão tomada.
É necessário que a pessoa que for gerir a escola assuma o com-
promisso de estar em constante processo de formação, de modo que 
esse desenvolvimento profissional ocorra tanto teoricamente quanto 
na prática, por meio do cotidiano escolar, de forma a considerar os 
princípios educacionais estabelecidos em dispositivos legais.
Portanto, as ações realizadas na instituição de ensino devem legiti-
mar os fundamentos estabelecidos na CF do Brasil de 1988 e na LDB 
n. 9.394/1996, afinal, a concretização e a consolidação de uma postura 
democrática se iniciam no espaço e no ambiente educativo estabeleci-
do na escola.
Gestor educacional na contemporaneidade 43
Nessa perspectiva, Vasconcellos (2019, p. 88) afirma que
uma das raízes do comportamento autoritário é a insegurança: 
por falta de fundamentação, de argumento, o indivíduo agride, 
usa seu poder de forma dominadora para tentar calar o outro. A 
direção deve se qualificar, buscar crescer, se fortalecer também 
no conhecimento, para enfrentar os conflitos do cotidiano de 
maneira mais qualificada e produtiva. É muito animador quando 
a direção, além do estudo próprio, incentiva a equipe a estudar, 
pesquisar, inclusive no tempo de trabalho na escola, rompendo 
paradigma, anacrônico e dicotômico, de que o horário de traba-
lho é tempo de “prática” e não de “teoria”.
Sendo assim, cabe ao gestor colocar em prática ações educativas 
integradas e interativas, gerando reflexões e discussões acerca da 
gestão democrática, em que as tomadas de decisões são coletivas, a 
fim de fortalecer a democratização do ensino no contexto da realida-
de brasileira.
Algumas ações possíveis são: organizar reuniões administrativas 
e pedagógicas para repasses de informações, incentivando e promo-
vendo a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões; 
organizar estudos acerca das concepções pedagógicas assumidas no 
contexto escolar; acompanhar o planejamento de ensino dos professo-
res; verificar e oportunizar melhores condições técnico-pedagógicas de 
realização dos processos educativos, em consonância com os disposi-
tivos legais; acompanhar os professores no atendimento às famílias e/
ou responsáveis dos estudantes; promover momentos de integração e 
valorização dos profissionais da escola, entre outras.
É fundamental que o gestor tenha um perfil de pesquisador, moti-
vador e articulador dos processos educativos, conduzindo o funciona-
mento da escola por meio do trabalho coletivo e propiciando o direito 
à aprendizagem a todos os envolvidos. Além disso, ressaltamos que 
esse saber deve ser propagado no cotidiano escolar, de modo que pos-
turas individualistas ou fragmentadas sobre o agir educacional não se 
sobressaiam aos processos educativos que envolvem a participação de 
todos na formação do estudante para o exercício da cidadania.
Ao tecer umpanorama sobre o perfil do gestor escolar, é impor-
tante lembrar que as escolas públicas, com base em dispositivos legais 
próprios dos estados e dos municípios, propõem a eleição de diretores. 
O processo eleitoral é uma forma de motivar a participação da comuni-
Quais ações o gestor escolar 
pode colocar em prática na insti-
tuição de ensino para possibilitar 
um trabalho educativo coletivo?
Atividade 1
O gestor escolar é o profissional 
da instituição de ensino que 
representa toda a comunidade 
escolar. Contudo, para ser o 
articulador do trabalho realizado 
na escola, o gestor precisa 
contribuir efetivamente e demo-
craticamente com os processos 
educativos desenvolvidos nesse 
espaço. Qual é o perfil que esse 
profissional precisa ter para 
desempenhar com êxito sua 
função?
Atividade 2
44 Princípios e métodos de gestão escolar
dade no momento de escolha do gestor, por meio de debates e de dis-
cussões acerca do plano de ação proposto pelo profissional da escola 
que almeja essa função.
Nessa perspectiva, é fundamental refletir e discutir sobre o que é 
gestão democrática escolar, uma vez que a organização do trabalho 
realizado na escola implica a efetivação dos processos educativos, e o 
gestor é o principal articulador das ações realizadas na instituição de 
ensino. Como esclarece Lück (2006, p. 77): “ao se promover a eleição 
de dirigentes, estar-se-ia delineando uma proposta de escola, um estilo 
de gestão e se firmando compromissos coletivos para levá-los a efeito 
de forma efetiva”.
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Diante do exposto, a gestão democrática se dá na instituição de en-
sino no momento em que ocorre o envolvimento de todos nas toma-
das decisões da escola, sendo que essa ação pode ser iniciada com a 
eleição de gestores.
Após a eleição de gestores, o profissional eleito pela comunidade 
escolar assume um compromisso político-pedagógico diante da co-
munidade que o elegeu, tonando-se corresponsável pela participação, 
discussão, reflexão e o acompanhamento dos processos educativos 
realizados. Dessa forma, a participação da comunidade escolar vai 
além do voto.
Gestor educacional na contemporaneidade 45
Libâneo (2010, p. 328) esclarece que:
a participação é o principal meio de assegurar a gestão demo-
crática, possibilitando o envolvimento de todos os integrantes da 
escola no processo de tomada de decisões e no funcionamento 
da organização escolar. A participação proporciona melhor co-
nhecimento dos objetivos e das metas da escola, de sua estru-
tura organizacional e de sua dinâmica, de suas relações com a 
comunidade, e propicia um clima de trabalho favorável a maior 
aproximação entre professores, alunos e pais.
Nesse contexto, o processo de eleição dos gestores precisa ser com-
preendido como uma ação que explicita a organização da escola em 
âmbito político-pedagógico, e não apenas como a eleição de uma pes-
soa que centralize as tomadas de decisões.
Sugerimos a leitura de 
uma pesquisa realizada 
pela revista Nova Escola 
que aponta questões 
relacionadas às principais 
formas de eleição de dire-
tores no país, revelando 
a falta de critérios para 
eleger esse profissional.
Disponível em: https://abrilfun-
dacaovictorcivita.files.wordpress.
com/2018/05/como-escolher-um-
-bom-gestor-escolar.pdf. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Leitura
3.2 Funções e desafios do gestor escolar 
Vídeo Conforme vimos, tanto a sociedade quanto as escolas brasileiras es-
tão inseridas num contexto democrático, portanto a gestão da instituição 
de ensino está atrelada a dispositivos legais e a concepções de ensino 
também democráticas. É necessário, então, que os profissionais da edu-
cação tenham reflexões teóricas e práticas pedagógicas que enfatizem a 
construção de uma escola democrática, com abrangência dos espaços e 
ambientes educativos e dos profissionais que trabalham na instituição de 
ensino, destacando, inclusive, a postura do gestor escolar na condução do 
trabalho realizado.
Discussões dessa natureza são elucidadas por Alonso (1988, p. 11), 
que afirma que:
repensar a escola como um espaço democrático de troca e pro-
dução de conhecimento é o grande desafio que os profissionais 
da educação, especificamente o Gestor Escolar, deverão enfren-
tar neste novo contexto educacional, pois o Gestor Escolar é o 
maior articulador deste processo e possui um papel fundamen-
tal na organização do processo de democratização escolar.
A escolha do gestor da escola pressupõe a intervenção e a trans-
formação da realidade social que está posta. O gestor precisa ser o 
articulador do que é possível fazer no tempo, nos espaços e nas ações 
que envolvem os profissionais da escola, visto que cada um possui uma 
formação acadêmica e uma história de vida, e ações precisam ser pen-
sadas de modo a contemplar a diversidade desse espaço democrático.
Sabemos que, em um espaço democrático, há opiniões e argumen-
tos diferentes, assim como conflitos. Diante disso, o gestor escolar 
precisa se fundamentar numa concepção de educação que incentive 
a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões, com 
respeito às pessoas ao seu redor e à diversidade de opiniões, oportu-
nizando o diálogo entre todos e mobilizando ações em que as pessoas 
aprendam a ouvir e a expor suas ideias com respeito às outras.
O gestor escolar precisa articular e intervir nas ideias levantadas, 
possibilitando um consenso sobre o que foi discutido, para que as to-
madas de decisões aconteçam coletivamente, de modo que a intencio-
nalidade educativa da instituição seja o objetivo final.
A direção da escola, além de uma das funções do processo orga-
nizacional, é um imperativo social. O significado do termo dire-
ção, no contexto escolar, difere de outros processos direcionais, 
especialmente os empresariais. Ele vai além da mobilização das 
pessoas para a realização eficaz das atividades, pois implica in-
tencionalidade, definição de um rumo educacional, tomada de 
posição ante a objetivos escolares sociais e políticos, em uma so-
ciedade concreta. A escola, ao cumprir sua função social de me-
diação, influi significativamente na formação da personalidade 
humana; por essa razão, são imprescindíveis os objetivos políti-
cos e pedagógicos. (LIBÂNEO, 2010, p. 330-331)
O Ministério da Educação 
(MEC) organizou uma 
série intitulada Fazendo 
escola, em que especialis-
tas discutem propostas 
referentes à gestão 
democrática, com base 
em documentários que 
expõem as experiências 
das escolas brasileiras. 
Sugerimos assistir ao 
vídeo Fazendo escola – 
função do diretor, publica-
do pelo canal Eddie Silva, 
em que se contextualiza a 
função do diretor escolar.
Disponível em: https://www.you-
tube.com/watch?v=i2G0JkMOi1c. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
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46 Princípios e métodos de gestão escolar
Gestor educacional na contemporaneidade 47
Delineia-se, então, a criação de um espaço reflexivo, em que a comu-
nidade escolar amplia o seu olhar sobre as práticas pedagógicas, favore-
cendo os processos educativos de modo coletivo. O trabalho educativo 
pode ser constantemente avaliado de maneira reflexiva, crítica e coleti-
va, em que o pensar e o fazer pedagógico cotidiano tornam-se práticas 
pedagógicas comprometidas com a garantia do direito à educação.
A função do gestor escolar é organizar a instituição de ensino de 
maneira administrativa e pedagógica, para que os processos educati-
vos realizados alcancem os objetivos educacionais estabelecidos nos 
documentos legais. Para Libâneo (2010, p. 332):
não se quer dizer com isso que o sucesso da escola reside uni-
camente na pessoa do diretor ou em uma estrutura administra-
tiva autocrítica – na qual ele centraliza as decisões. Ao contrário, 
trata-se de entender o papel do diretor como o de um líder coo-
perativo, o de alguém que consegue aglutinar as aspirações, os 
desejos, as expectativas da comunidade escolar e articula a ade-
são e a participação de todos os segmentos da escola em um 
projetocomum.
O esforço do gestor escolar em propor ações democráticas é um 
meio para se atingir os objetivos educacionais, mas não é um fim em 
si mesmo. É fundamental que todos os profissionais da escola sejam 
participativos e envolvidos com a educação, a fim de garantir a aprendi-
zagem de todos os estudantes, dentro e fora da escola. Nesse prisma, a 
educação, no contexto escolar, contribui com a formação do estudante 
para o exercício da cidadania no seu dia a dia.
Como elucida Vasconcelos (2019, p. 88, grifos do original), “a gran-
de tarefa da direção, numa perspectiva democrática, é fazer a escola 
funcionar pautada num projeto coletivo”. Nesse aspecto, a divisão de 
funções na escola se configura como uma organização do trabalho pe-
dagógico, em que é fundamental a troca de experiências e a colabora-
ção e o engajamento de todos na realização de práticas democráticas.
Nesse sentido, o trabalho educativo coletivo envolve questões como: 
compreender a realidade brasileira, a estrutura e o funcionamento do 
sistema educacional; conhecer o contexto socioeconômico da escola e 
a comunidade escolar e para quem se destinam os processos escola-
res. Para além dessas questões, é necessário propor soluções para as 
situações-problema existentes nesse espaço de formação do cidadão.
48 Princípios e métodos de gestão escolar
As condições objetivas precisam ser expostas na gestão da institui-
ção de ensino. Para isso, a gestão democrática escolar deve apresentar 
possibilidades e desafios que precisam ser enfrentados para que as 
práticas pedagógicas democráticas se consolidem gradativamente.
De acordo com Libâneo (2010, p. 382-383):
existem, assim, objetivos e processos de decisão compartilha-
dos, mas não há ausência de direção; ao contrário, admite-se a 
conveniência de canalizar a atividade das pessoas para objetivos 
e executar as decisões, considerando, de um lado, a necessidade 
de realizar com eficácia as tarefas, de cumprir os objetivos, de 
obter resultados, de fazer a organização funcionar e de realizar 
avaliações; e, de outro, a necessidade de coordenar o traba-
lho das pessoas, de assegurar um ótimo clima de trabalho, de 
enfrentar e superar os conflitos, de propiciar a participação de 
todos nas decisões, em discussão aberta e pública dos fatos, com 
confiança e respeito aos outros.
Portanto, numa concepção de gestão democrático-participativa, é 
fundamental que a comunidade escolar possa contribuir com respon-
sabilidade e comprometimento para a construção de uma sociedade 
mais justa e igualitária. Para isso, é necessário estabelecer coletivamen-
te diretrizes de trabalho, com o intuito de proporcionar condições e 
melhorias constantes para a realização das ações propostas na insti-
tuição de ensino.
Nessa linha de pensamento, é preciso averiguar constantemente as 
necessidades formativas dos profissionais da escola, assim como as in-
cumbências relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem dos 
estudantes. Daí decorre o dimensionamento da função do gestor, no 
momento que promove discussões no interior da escola. Essa ação vai 
além da participação, pois justifica aqui a necessidade de o gestor escolar, 
assim como os demais envolvidos na formação do estudante, conhecer 
os dispositivos legais e as concepções que embasam a educação numa 
perspectiva de gestão democrática, bem como de assumir coletivamente 
a responsabilidade de colaborar com processos educativos democráticos.
O modo como os processos educativos estão sendo efetivados no in-
terior da escola precisa ser amplamente divulgado, para que seja possí-
vel propor ações educativas que contemplem a todos os envolvidos. Com 
isso, objetiva-se transformar a escola num espaço educativo formativo 
não apenas para os estudantes, mas para toda a comunidade escolar.
Gestor educacional na contemporaneidade 49
O grande desafio do gestor escolar é fazer com que a concepção 
de gestão democrática participativa se materialize no cotidiano escolar 
sem fragmentar o processo educativo, buscando práticas pedagógicas 
que perpassem a intencionalidade pedagógica. O avanço para o traba-
lho coletivo está em reconhecer a responsabilidade e o comprometi-
mento de todos com relação à ação pedagógica democrática.
Considerando que a cultura 
organizacional da escola se 
constrói no dia a dia, qual 
é a concepção educativa 
que precisa estar atrelada à 
gestão da escola?
Atividade 3
3.3 Cultura organizacional no cotidiano escolar 
Vídeo A escola, para além da organização por meio de dispositivos le-
gais, apresenta particularidades em sua composição. A cultura orga-
nizacional da escola apresenta-se de acordo com as especificidades da 
realidade social que compõem a instituição de ensino e as políticas es-
tabelecidas nesse contexto.
Daí a importância de se entender como proceder no dimensiona-
mento do trabalho educativo realizado na escola, diante das diversida-
des socioeconômicas-culturais apresentadas nesse espaço educativo. 
Para Teixeira (2002, p. 41):
apesar de se estruturarem de modo semelhante, as escolas aca-
bam por diferenciar-se, constituindo identidades próprias, cul-
turas escolares nas quais os grupos vivenciam diferentemente 
códigos e sistemas de ação. A cultura interna das escolas varia 
como resultado da negociação que dentro delas se dá entre as 
normas de funcionamento determinadas pelo sistema e as per-
cepções, os valores, as crenças, as ideologias e os interesses ime-
diatos de administradores, professores, funcionários, alunos e 
pais de alunos.
Diante desse quadro, é fundamental que posicionamentos reflexivos 
e críticos sejam instaurados no espaço educativo a fim de compreen-
der suas especificidades, assim como para possibilitar a construção de 
uma proposta pedagógica e de processos educativos embasados numa 
concepção de gestão democrático-participativa.
Sabemos que a realidade social da escola pode ser mudada confor-
me as ações são realizadas em conjunto e, para isso, é preciso fortalecer 
o trabalho coletivo. Portanto, a construção de uma escola democrática 
é uma forma de contribuir com a construção de uma sociedade mais 
justa e democrática.
50 Princípios e métodos de gestão escolar
De acordo com Lück (2010, p. 30-31):
a participação em sentido pleno é caracterizada pela mobilização 
efetiva dos esforços individuais para a superação de atitudes de 
acomodação, de alienação, de marginalidade, e reversão desses 
aspectos pela eliminação de comportamentos individualistas, 
pela construção de espírito de equipe, visando a efetivação de 
objetivos sociais e institucionais que são adequadamente enten-
didos e assumidos por todos.
Assim, o conhecimento sobre a cultura organizacional da escola é 
marcado por concepções burocráticas e hierárquicas que precisam 
ser superadas com a concepção da gestão democrático-participativa. 
Nessa linha de pensamento, Paro (2012, p. 212) elucida que: “a ‘coor-
denação’ do esforço de funcionários, professores, pessoal técnico-
-pedagógico, alunos e pais, fundamentada na participação coletiva, é 
de extrema relevância na instalação de uma administração democráti-
ca no interior da escola”.
O gestor escolar precisa propor reuniões coletivas nas quais a 
comunidade escolar possa discutir, sugerir e apresentar situações 
emergenciais e propor ações a fim de garantir melhores condições de 
realização dos processos educativos. Conforme Paro (2012) nos alerta, 
é preciso que haja representatividade autêntica nesses processos, por 
isso a responsabilidade nas tomadas de decisões deve ser de todos, e 
não centralizada em uma única pessoa.
Nesse sentido, é preciso pensar na cultura organizacional do coti-
diano escolar, pois é um processo de construção que envolve aspec-
tos que atendam aos diferentes grupos que compõem a instituição de 
ensino. De acordo com Costa (1996, p. 81), “os indivíduos não são nem 
elementos mecânicos, nem sujeitos passivos, mas detêm interesses de 
ordem diversa – pessoais, profissionais e políticos – e procuram realizá-
-los através dasorganizações”.
Assim, a instituição de ensino, como um espaço social educativo, 
precisa reconhecer a necessidade de discussão sobre como a cultu-
ra organizacional da escola interfere nos processos educativos rea-
lizados nesse local e, consequentemente, na formação do cidadão. 
Isso pressupõe que discussões acerca da estruturação do trabalho 
pedagógico realizado na escola transpassem a cultura dos profis-
sionais da educação, bem como a cultura escolar presente nesse 
espaço educativo.
Gestor educacional na contemporaneidade 51
Para Dourado (2006, p. 59):
construir uma nova lógica de gestão, que conte com a partici-
pação da sociedade e dos atores diretamente envolvidos com a 
prática pedagógica, implica rever o modelo adotado pelos siste-
mas públicos, cuja estruturação e funcionamento vivem até hoje 
características de um modelo centralizador.
A educação escolar se desenvolveu em diferentes momentos histó-
ricos, e isso se reflete nos dias de hoje. Todavia, sabemos que a crítica 
elucida pensamentos e ações que precisam ser considerados nos pro-
cessos educativos desenvolvidos na escola.
Para Ferreira (2003, p. 37), é necessário:
repensar as estruturas de poder autoritário que permeiam as re-
lações sociais e as práticas educativas, a fim de construirmos co-
letivamente, na escola e na sociedade e em todos os espaços do 
mundo, uma nova ética mais humana e solidária. Uma nova ética 
que seja o princípio e o fim da gestão democrática da educação 
comprometida com a verdadeira formação para a cidadania.
Sabemos que a realidade social vinculada à escolar é complexa. 
A instituição de ensino tem o desafio de superar essa complexidade na 
medida em que os preceitos da concepção da gestão democrático-par-
ticipativa são trilhados de acordo com os dispositivos legais, a fim de 
garantir o direito à educação – exigência estabelecida nas políticas edu-
cacionais – e o exercício da cidadania para além dos muros da escola.
Portanto, cabe à escola promover a reflexão sobre ideias e con-
ceitos preestabelecidos em relação aos processos educativos, para, 
quando necessário, quebrar paradigmas. A construção de uma escola 
democrática se dá por meio de pesquisas, discussões, reflexões, crí-
ticas e diálogo, e as práticas pedagógicas podem se transformar gra-
dativamente, vislumbrando o respeito mútuo entre todos, diante da 
diversidade apresentada.
Estrela (2003, p. 57) esclarece que: “tornar a escola um espaço dia-
lógico de construção de identidades implica, como tem sido repetida-
mente notado, que a escola se torne uma organização democrática e 
participativa, aberta ao meio e dotada de um sentido de comunidade e 
da sua relação com a comunidade”.
A escola é um espaço social de formação do cidadão, em que os 
processos educativos envolvem as interações sociais na instituição de 
52 Princípios e métodos de gestão escolar
ensino. Quando essas relações são conscientes, podemos atingir uma 
perspectiva crítica de trabalho educativo, visto que o comportamento e 
as opiniões das pessoas contribuem para a formação cidadã.
Portanto, analisar o contexto institucional é fundamental para a 
compreensão do dimensionamento das mudanças que precisam acon-
tecer no espaço educativo. Rever a cultura organizacional da escola 
requer identificar e reconhecer as mudanças necessárias, a fim de pro-
porcionar melhores condições de funcionamento à instituição.
É preciso ter um posicionamento crítico e reflexivo para compreen-
der a diversidade presente no contexto escolar e propor os avanços 
necessários no campo educacional. As mudanças e as informações, na 
atualidade, ocorrem muito rapidamente e de forma significativa, per-
passando questões sociais, econômicas, políticas e culturais, por isso 
esse movimento de discussão precisa ser constante e coletivo. Conhe-
cer as particularidades da escola implica colocar em prática estratégias 
pedagógicas que atendam a determinada realidade escolar, fundamen-
tadas na concepção de ensino de gestão democrático-participativa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O contexto das escolas brasileiras é marcado por desigualdades 
sociopolítico-econômica-culturais. Todavia, o conhecimento oportuni-
zado na escola, por meio de ações pedagógicas intencionais, possibilita 
discutir essa situação com base nos fundamentos legais de um gover-
no democrático.
Para isso, é fundamental que todos os profissionais que compõem a 
instituição de ensino participem constantemente de cursos de formação 
continuada, com o intuito de ampliar seu repertório teórico e prático para 
o trabalho e a participação na tomada de decisões no contexto escolar. 
Constantes estudos, reflexões críticas, teóricas e práticas acerca da edu-
cação na atualidade são essenciais para propiciar a construção de uma 
escola democrática.
REFERÊNCIAS
ALONSO, M. O papel do diretor na administração escolar. Rio de Janeiro: Bertand Brasil, 
1988.
BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF,
5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.
htm. Acesso em: 20 mar. 2020.
Sugerimos assistir ao 
filme Duelo de Titãs, que 
retrata um contexto de 
preconceitos raciais entre 
jogadores de um time 
de uma escola de ensino 
médio, em Alexandria, 
no estado da Virgínia, 
Estados Unidos. Na 
história, a diretora da es-
cola é forçada a integrar 
adolescentes negros a 
um colégio só de bran-
cos. Para isso, contrata 
um técnico negro, que 
conquista o respeito de 
todos e se torna um gran-
de exemplo para o time 
e para a pequena cidade 
em que vive.
Direção: Boaz Yakin. EUA: Walt 
Disney Productions, 2000.
Filme
Gestor educacional na contemporaneidade 53
COSTA, J. A. Imagens organizacionais da escola. Lisboa: Asa Editores II, 1996.
DOURADO, L. F. Gestão da educação. Brasília: Universidade de Brasília, Centro de Educação 
a Distância, 2006.
ESTRELA, M. T. A formação contínua entre a teoria e a prática. In: FERREIRA, N. S. C. (org.). 
Formação continuada e gestão da educação. São Paulo: Cortez, 2003.
FERREIRA, N. S. C. Formação continuada e gestão da educação no contexto da “cultura 
globalizada”. In: FERREIRA, N. S. C. (org.). Formação continuada e gestão da educação. São 
Paulo: Cortez, 2003.
LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010.
LÜCK, H. A gestão participativa na escola. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
LÜCK, H. Gestão educacional: uma questão paradigmática. São Paulo: Vozes, 2006.
PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 17. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 
2012.
TEIXEIRA, L. H. G. Cultura organizacional e projeto de mudança em escolas públicas. São 
Paulo: Autores Associados, 2002.
VASCONCELLOS, C. dos S. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político 
pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 16. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2019.
VASCONCELLOS, C. dos S. Para onde vai o professor? Resgate do professor como sujeito de 
transformação. São Paulo: Libertad, 2003.
GABARITO
1. O gestor escolar precisa apresentar ações educativas que demonstrem ao coletivo 
escolar o domínio teórico da função que exerce. Além disso, é preciso despertar e 
contagiar a comunidade escolar com práticas pedagógicas que promovam um apren-
dizado constante, com base em desafios educacionais presentes na instituição de en-
sino, vislumbrando que o trabalho coletivo representa, direta e indiretamente, um 
agir democrático. Sendo assim, as ações podem estar relacionadas à organização de 
reuniões técnico-pedagógicas que possibilitem a participação da comunidade escolar 
nas tomadas de decisões, desenvolvendo o diálogo, a escuta e o respeito diante das 
opiniões contrárias das pessoas envolvidas; proporcionar momentos de interação e 
valorização entre os profissionais da escola; acompanhar os professores em reuniões 
específicas com os familiares e/ou responsáveis dos estudantes, entre outras ações 
educativas que visem à garantia do direito à educação.
2. O gestor escolarprecisa ser pesquisador, buscando alinhar os princípios que emba-
sam a gestão democrática escolar ao cotidiano escolar, além de ter consciência crítica 
da sua função, incentivando e motivando a participação de todos nas tomadas de de-
cisões, de modo que as escolhas ocorram em prol da garantia do direito à educação.
3. A cultura organizacional da escola precisa estar atrelada à concepção de gestão 
democrático-participativa, de modo que as ações atendam à especificidade da escola. 
O trabalho pedagógico deve ser realizado por meio da tomada de decisões coletiva, a 
fim de garantir o direito à educação mediante práticas democráticas.
54 Princípios e métodos de gestão escolar
4
Possibilidades no 
contexto escolar
Este capítulo tem como base a reflexão sobre o direito à edu-
cação e a função social da escola. Para tanto, inicialmente, é pre-
ciso destacar que é função da gestão escolar promover práticas 
pedagógicas que vislumbrem a formação e o exercício da cidada-
nia do estudante. Nesse sentido, veremos algumas possibilidades 
no contexto escolar.
Sabemos que a participação efetiva de todos os envolvidos 
nos processos educativos contribui para a organização do tra-
balho pedagógico alicerçado em uma concepção de gestão de-
mocrático-participativa. Portanto, uma das práticas democráticas 
que precisam realizadas na escola é a elaboração coletiva do pro-
jeto político-pedagógico (PPP), documento que norteia o trabalho 
educativo da instituição de ensino. Por isso, é fundamental que 
as ações educativas sejam realizadas com base em propostas 
estabelecidas coletivamente, assegurando que o PPP tenha fins 
pedagógicos, e não apenas burocráticos.
Outra possibilidade de prática pedagógica ocorre por meio da 
ação dos órgãos colegiados, que garantem a participação efetiva 
da comunidade escolar na tomada de decisões coletivas, vislum-
brando que os processos educativos ocorram na instituição de 
ensino, a fim de garantir e efetivar o direito à educação a todos, 
conforme estudaremos adiante.
Possibilidades no contexto escolar 55
4.1 A educação como direito 
Vídeo A educação é fundamental para o desenvolvimento do cidadão e 
é um direito assegurado pela Constituição Federativa (CF) do Brasil 
de 1988. Além de assegurar o acesso e a permanência do estudante 
na escola, a Constituição prevê o desenvolvimento integral dos indi-
víduos por meio da educação, para além dos muros da escola, pos-
sibilitando ao estudante poder viver de modo digno na sociedade na 
qual está inserido.
Ressaltamos que os direitos fundamentais são aqueles relacionados 
ao ser humano, cuja essência e razão são vislumbradas na Declaração 
Universal dos Direitos Humanos (DUDH). De acordo com a Organização 
das Nações Unidas (ONU, 2020):
os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres hu-
manos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, 
idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos huma-
nos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião 
e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e mui-
tos outros. Todos merecem esses direitos, sem discriminação.
Esses direitos foram elaborados com o intuito de promover a paz 
entre os seres humanos, vislumbrando o reconhecimento à proteção 
da dignidade humana, considerando as características particulares na-
cionais e regionais de cada país. É necessário discuti-los coletivamente, 
a fim de propor condições necessárias para que todo ser humano – 
todas as pessoas que compõem a sociedade – possa se desenvolver 
integralmente de maneira mais justa e igualitária.
O artigo 1º da DUDH estabelece que: “todos os seres humanos nas-
cem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e 
consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de 
fraternidade” (ONU, 2009, p. 4). A DUDH preconiza, ainda, que os ho-
mens e as mulheres precisam ser valorizados como seres humanos e 
que são iguais por natureza.
Nesse sentido, Bobbio (2004, p. 11) esclarece que os direitos preci-
sam ser assegurados e protegidos, e não apenas fundamentados, pois:
uma coisa é proclamar esse direito, outra é desfrutá-lo efeti-
vamente. A linguagem dos direitos tem indubitavelmente uma 
grande função prática, que é emprestar uma força particular às 
reivindicações dos movimentos que demandam para si e para os 
56 Princípios e métodos de gestão escolar
outros a satisfação de novos carecimentos materiais e morais; 
mas ela se torna enganadora se obscurecer ou ocultar a diferença 
entre o direito reivindicado e o direito reconhecido e protegido.
Portanto, para que os direitos humanos sejam garantidos, políticas 
públicas precisam ser propostas para que as desigualdades sociais 
sejam superadas gradativamente, de maneira que os esforços para a 
efetivação dessa garantia sejam coletivos. Entretanto, à medida que 
transformações ocorrem no contexto socioeconômico e político, situa-
ções específicas surgem, e novas políticas devem ser propostas para 
que tais direitos sejam supridos.
Com base nisso, refletiremos sobre a educação como um direito 
fundamental ao ser humano. De acordo com o artigo 26 da DUDH:
1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratui-
ta, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instru-
ção elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional 
será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta ba-
seada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento 
da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos 
direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução 
promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas 
as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as ativida-
des das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instru-
ção que será ministrada a seus filhos. (ONU, 2009, p. 14)
Assim, independentemente das condições socioeconômicas do ci-
dadão, a educação é um direito humano que precisa ser garantido e 
efetivado com oportunidade a todos, de acordo com o contexto his-
tórico vivenciado por cada indivíduo, promovendo a paz, o respeito à 
diversidade e à solidariedade.
Em nosso país, o direito à educação é reconhecido da seguinte for-
ma na CF do Brasil de 1988, capítulo 1º, artigo 205: “a educação, direito 
de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada 
com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento 
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação 
para o trabalho” (BRASIL, 1988).
Possibilidades no contexto escolar 57
Logo, cabe ao Estado viabilizar a educação, 
igualitariamente e equitativamente, a todos os 
cidadãos, não somente atendendo à sua obriga-
toriedade, mas averiguando as condições reais de 
como esse direito será efetivado no cotidiano esco-
lar e no contexto social de cada criança. Além disso, 
o Estado deve proporcionar o acesso, a permanência e 
a efetividade no processo de aprendizagem do estudante.
Jamil Cury (2014, p. 66) afirma:
o direito à educação parte do reconhecimento de que o saber 
sistemático é mais do que uma importante herança cultural. 
Como parte da herança cultural, o cidadão torna-se capaz de 
se apossar de padrões cognitivos e formativos pelos quais tem 
maiores possibilidades de participar dos destinos de sua socie-
dade e colaborar na sua transformação.
Consequentemente, o direito à educação também está relacionado 
à capacidade da instituição de ensino em investir no desenvolvimento 
pleno do estudante por meio do saber escolar, com práticas pedagógicas 
que estimulem a pensar e agir criticamente. A atual Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional (LDB) n. 9.394/1996, artigo 22, institui que: 
“a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegu-
rar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e 
fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” 
(BRASIL,1996).
Compreendemos, então, que a educação é um direito de todos e é 
dever do Estado e da família viabilizá-la. Desse modo, cabe ao Estado 
a responsabilidade e o comprometimento com a garantia dos direitos 
do ser humano, da formação do cidadão, provendo espaços educati-
vos adequados, equipamentos necessários e profissionais preparados 
para essa missão.
Rido/Shutterstock
4.2 Função social: a razão da escola 
Vídeo Paulo Freire (2000) afirma que a escola é um espaço privilegiado 
de formação do homem. Essa afirmação embasa o reconhecimento de 
que a função social da escola é promover a aquisição e a produção do 
conhecimento historicamente adquirido, bem como propiciar práticas 
pedagógicas que permitam ao estudante o exercício da cidadania 
na sociedade.
Para Sousa (2013, p. 154):
desse ponto de vista e tendo clareza da especificidade de sua 
proposta, a escola pode ousar rumo a perspectivas mais críticas 
e voltadas para a formação de um homem que, assumindo suas 
referências espaçotemporais, ou seja, sua historicidade, posicio-
na-se como agente transformador, capaz de imprimir um caráter 
humanizador às estruturas sociais.
Portanto, cabe à escola assumir a sua função social diante da so-
ciedade, propondo, intencionalmente, situações em que os estudantes 
vivenciem o agir democrático, oportunizando o exercício da escuta e 
atribuindo voz aos estudantes. Além disso, a escola existe para oportu-
nizar o acesso à cultura letrada a todos os homens, visto que a socie-
dade contemporânea considera a aquisição do código de escrita como 
condição mínima de exercício da cidadania.
De acordo com Saviani (2008, p. 15):
a escola existe, pois, para propiciar a aquisição dos instrumentos 
que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como 
o próprio acesso aos rudimentos desse saber. As atividades da 
escola básica devem se organizar a partir dessa questão. Se cha-
marmos isso de currículo, poderemos então afirmar que é a par-
tir do saber sistematizado que se estrutura o currículo da escola 
elementar. Ora, o saber sistematizado, a cultura erudita, é uma 
cultura letrada. Daí que a primeira exigência para o acesso a esse 
tipo de saber é aprender a ler e escrever. Além disso, é preciso 
também aprender a linguagem dos números, a linguagem da na-
tureza e a linguagem da sociedade. Está aí o conteúdo fundamen-
tal da escola elementar: ler, escrever, contar, os rudimentos das 
ciências naturais e das ciências sociais (história e geografia).
Para tanto, a gestão da escola precisa reali-
zar ações em que os processos educativos se 
deem por meio de situações contextualiza-
das significativas para os estudantes. Isso 
revela que é preciso reconhecer a reali-
dade, a diversidade, as particularidades 
e singularidades da própria instituição 
de ensino, fazendo com que o saber 
escolar atenda às diferentes fases e 
realidades da vida do estudante.
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58 Princípios e métodos de gestão escolar
Possibilidades no contexto escolar 59
A gestão deve propiciar a todos os envolvidos reflexões e análises 
sobre os processos educativos e a compreensão das diferenças pre-
sentes nesse espaço, realizando atividades que concebam a cidadania 
como direito de todos. É importante que os envolvidos nos processos 
educativos assumam coletivamente o compromisso pedagógico e a 
responsabilidade de formar um cidadão mais crítico e participativo, 
para que o direito à educação aconteça em uma perspectiva democrá-
tica e inclusiva.
Conforme Jamil Cury (2014, p. 66-67):
a educação escolar, ainda que imprescindível, participa dos 
sistemas sociais, mas ela não é o todo destes sistemas. As de-
sigualdades sociais que perpassam a escola são características 
de sistemas sociais excludentes. Estão nela, mas não nascem 
dela. Lutar pelo fim da desigualdade social e das discriminações 
de qualquer natureza não é exclusividade da educação escolar. 
Contudo, dentro de seus limites, a escola possibilita um espaço 
de transmissão de conhecimentos e de convivência social ten-
dentes a assinalar um projeto de sociedade menos desigual. Ela 
auxilia na eliminação das discriminações e, nesta medida, abre 
espaço para outras modalidades mais amplas de emancipação.
Com isso, é necessário que a escola seja espaço de constantes 
discussões e diálogos, com o intuito de fomentar análises críticas sobre 
o contexto sociopolítico e econômico do país, bem como sobre os proble-
mas ambientais, além de buscar alternativas para que os interesses educa-
cionais previstos em lei sejam concretizados. Nessa linha de pensamento, 
é preciso propor práticas pedagógicas que favoreçam a participação crítica 
e reflexiva dos estudantes no contexto em que eles estão inseridos.
As ações educativas devem favorecer a apreensão dos saberes es-
colares, vislumbrando as práticas sociais democráticas. Para isso, a es-
cola pode propor discussões com questionamentos sobre notícias da 
atualidade, gerando um debate em que os estudantes poderão expor 
seus conhecimentos e emitir suas opiniões, argumentando crítica e res-
peitosamente, de modo a viabilizar possíveis soluções com relação a 
determinado assunto.
Para que tudo isso ocorra, é fundamental que o gestor promova 
momentos coletivos de reflexão, com participação da comunidade es-
colar, sobre questões legais e teóricas que prenunciem avanços quanto 
à garantia do direito à educação.
A diversidade social está pre-
sente nas instituições de ensino. 
Com a compreensão de que 
todos os estudantes têm direito à 
educação, quais ações podem ser 
propostas na escola para que os 
processos educativos promovam 
a eles o direito de ser cidadão?
Atividade 1
60 Princípios e métodos de gestão escolar
De acordo com Veiga (2013, p. 11-12) :
a escola é o lugar de concepção, realização e avaliação de seu 
projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho 
pedagógico com base em seus alunos. Nessa perspectiva, é fun-
damental que ela assuma suas responsabilidades, sem esperar 
que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa, 
mas que lhe deem as condições necessárias para levá-la adiante.
Diante dessa premissa, refletimos mais uma vez sobre a importân-
cia da comunidade escolar na tomada de decisões relacionadas aos 
processos educativos. Sugestões, opiniões, intervenções pedagógicas, 
estratégias, encaminhamentos metodológicos, entre outros, devem 
ser propostos coletivamente, com o intuito de consolidar o direito à 
educação como direito humano, formando cidadãos que reconheçam 
e possam exigir seus direitos e deveres.
4.3 Projeto político-pedagógico como fio 
condutor do trabalho na escola 
Vídeo As orientações relacionadas à gestão democrática escolar, nos últi-
mos anos, são de que as práticas pedagógicas sejam definidas em dis-
cussões e decisões coletivas. Assim, é preciso compreender que toda 
prática pedagógica acontece com base em teorias que conduzem os 
processos educativos, com o objetivo de garantir o direito à educação.
Para isso, reflexões acerca dos processos educativos precisam acon-
tecer no interior da escola, com o propósito de que objetivos e metas 
educacionais sejam reconhecidos e todos assumam coletivamente a res-
ponsabilidade e o compromisso pedagógico com a formação do estudante.
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O filme Entre os muros 
da escola retrata a com-
plexidade da realidade 
escolar, possibilitando 
uma reflexão sobre como 
é possível agir pedagogi-
camente diante da diver-
sidade e dos problemas.
Direção: Laurent Cantet. França: 
Sony Pictures Classics/Imovision, 
2008. 
Filme
Possibilidades no contexto escolar 61
O projeto político-pedagógico (PPP) é o documento que rege a in-
tencionalidade educativa da instituição escolar e conduz a organização 
do trabalho pedagógico realizado na escola.
Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai além de um 
simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diver-
sas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arqui-
vado ou encaminhadoàs autoridades educacionais como prova 
de cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é construído e vi-
venciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o 
processo educativo da escola. (VEIGA, 2013, p. 12-13)
Isso evidencia a necessidade do envolvimento e comprometimento de 
todos na realização do trabalho pedagógico, em que a relação entre teoria 
e prática baliza as ações educacionais que estabelecem a identidade da 
escola; afinal, cada escola elabora o PPP de acordo com a sua realidade.
O PPP compreende as necessidades, as especificidades e a realida-
de do espaço educativo, determinando que as ações realizadas na es-
cola precisam ser pautadas na intencionalidade educativa definida no 
documento. O projeto político-pedagógico significa, portanto, a prática 
pedagógica com base nos pressupostos estabelecidos.
A elaboração do PPP precisa ser coletiva e participativa. A partici-
pação deve ocorrer, também, no dia a dia escolar, possibilitando que 
as teorias propostas nesse documento sejam realizadas no trabalho 
educativo que ocorre na instituição de ensino.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9.394/1996 institui que:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão de-
mocrática do ensino público na educação básica, de acordo com 
as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – par-
ticipação dos profissionais da educação na elaboração do projeto 
pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar 
e local em conselhos escolares ou equivalentes. (BRASIL, 1996)
O PPP perpassa questões pedagógicas e técnicas e, ao ser construí-
do coletivamente, reafirma o compromisso da escola com a formação 
do cidadão. Do mesmo modo, é essencial disponibilizar o PPP como 
fonte de consulta permanente, para que as propostas estabelecidas 
sejam integradas no cotidiano escolar.
62 Princípios e métodos de gestão escolar
Nessa perspectiva, Veiga (2013, p. 17) elucida que:
o projeto político-pedagógico, ao mesmo tempo em que exige 
dos educadores, funcionários, alunos e pais a definição clara 
do tipo de escola que intentam, requer definição de fins. Assim, 
todos deverão definir o tipo de sociedade e o tipo de cidadão que 
pretendem formar. As ações específicas para a obtenção desses 
fins são meios. Essa distinção clara entre fins e meios é essencial 
para a construção do projeto político-pedagógico.
Ainda no que diz respeito à elaboração do PPP, a escola tem auto-
nomia, com vistas a compreender a realidade na qual está inserida, 
contemplando os dispositivos legais e fundamentos teóricos da prática 
pedagógica realizada na escola, considerando que essa prática precisa 
acontecer em uma perspectiva de gestão democrática.
Diante dessa premissa, os envolvidos nos processos educativos pre-
cisam avaliar e reavaliar constantemente a proposta do PPP em relação 
às práticas realizadas na escola. Libâneo (2010, p. 361) elucida que:
todo projeto é, portanto, inconcluso, porque as escolas são insti-
tuições marcadas pela interação entre pessoas, por sua intencio-
nalidade, pela interligação com o que acontece em seu exterior 
(na comunidade, no país, no mundo), o que leva a concluir que 
elas não são iguais. As organizações são, pois, construídas e re-
construídas socialmente.
Como a escola é um espaço formativo, é fundamental que a gestão or-
ganize reuniões nas quais a discussão do PPP seja uma pauta permanente 
entre os envolvidos nos processos educativos. A participação de todos pre-
cisa ser mediada de modo a promover a conscientização do compromisso 
pedagógico diante do trabalho educativo realizado nesse espaço de forma-
ção do cidadão, possibilitando a efetivação do PPP no cotidiano escolar.
Destacamos que o PPP, quando integrado a uma concepção de ges-
tão democrático-participativa, permite mudanças graduais em relação 
à organização da gestão da escola, visto que todos, ao assumirem cole-
tivamente a responsabilidade pedagógica na realização dos processos 
educativos, contribuem para a consolidação da função social da escola.
A efetivação do PPP se estabelece conforme os autores desse docu-
mento compreendem a complexa realidade escolar na qual estão inse-
ridos e, ao consultarem constantemente esse documento, analisando e 
oferecendo subsídios teóricos e práticos para a realização das ativida-
des escolares, contribuem para a formação de um indivíduo crítico, par-
ticipativo e que exerce sua cidadania na sociedade na qual estiver inserido.
O projeto político-pedagó-
gico precisa ser elaborado 
coletivamente, visto que esse 
documento precisa contemplar 
a realidade da instituição de 
ensino e abordar questões 
que fundamentem teórica e 
legalmente a organização do 
trabalho pedagógico. Nesse 
sentido, por que esse documento 
precisa ser assumido como 
um compromisso pedagógico 
por todos os envolvidos nos 
processos educativos realizados 
na escola?
Atividade 2
Com a implementação 
da BNCC, o Ministério da 
Educação sugeriu que 
as escolas revissem seus 
projetos político-pedagó-
gicos. Para isso, disponibi-
lizou um arquivo no qual 
apresenta uma discussão 
sobre esse documento, 
intitulado Dia de discussão 
do projeto pedagógico.
Disponível em: http://basenacio-
nalcomum.mec.gov.br/images/
implementacao/dia_discus-
sao_projeto_pedagogico_v_prof.
pdf. Acesso em: 16 jun. 2020.
Saiba mais
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf
http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf
Possibilidades no contexto escolar 63
4.4 Gestão escolar: órgãos colegiados 
Vídeo A gestão democrática escolar permite às instituições de ensino que 
organizem e mobilizem formas de participação coletiva, de modo a dei-
xar o mais transparente possível a tomada de decisões, incentivando, 
inclusive, práticas pedagógicas democráticas.
Assim, uma gestão, ao considerar os elementos constitutivos fun-
damentais para a organização e efetivação dos processos educati-
vos em uma perspectiva democrática, possibilita o trabalho coletivo 
por meio de ações que reverberem a participação das pessoas en-
volvidas com a educação.
Gerir uma instituição de ensino coletivamente requer propor ações 
que garantam os direitos de todos. Para isso, existem os órgãos co-
legiados: espaços de representações dos segmentos das instituições 
de ensino que realizam reuniões com os docentes, discentes, funcio-
nários, familiares e/ou responsáveis, com a finalidade de legitimar a 
participação efetiva da comunidade na tomada de decisões da escola.
Abranches (2003, p. 54) esclarece que:
os órgãos colegiados têm possibilitado a implementação de 
novas formas de gestão por meio de um modelo de administra-
ção coletiva, em que todos participam dos processos decisórios 
e do acompanhamento, execução e avaliação das ações nas uni-
dades escolares, envolvendo as questões administrativas, finan-
ceiras e pedagógicas.
No contexto de gestão escolar democrática, a participação coleti-
va é essencial na organização do trabalho pedagógico, pois propicia 
a autonomia e a identidade das instituições de ensino. Todavia, essa 
participação implica, sobretudo, a tomada de decisões, e as ações esta-
belecidas coletivamente precisam ser acompanhadas e averiguadas, a 
fim de garantir a democratização do ensino. Para que isso funcione, a 
união dos envolvidos nos processos educativos precisa ser sustentada 
por meio de diálogo, respeito, comprometimento e responsabilidade 
com os desafios presentes na organização dos processos educativos.
A Figura 1 ilustra como os órgãos colegiados são organizados no 
interior das escolas.
64 Princípios e métodos de gestão escolar
Figura 1
Órgãos colegiadosÓRGÃOS 
COLEGIADOS
Conselho 
escolar
Conselho de 
classe
APMF/
APPF
Grêmio 
estudantil
Fonte: Elaborada pela autora.
Os instrumentos de participação da comunidade escolar legitimam a 
gestão escolar democrática e o que está disposto na LDB n. 9.394/1996, 
por isso a importância de mobilizar e ampliar a participação de todos 
nos órgãos colegiados.
O conselho escolar é o órgão colegiado máximo na tomada de de-
cisões da escola. A sua função é assegurar a gestão democrática, de 
modo que as decisões que perpassam o administrativo, o pedagógico 
e o financeiro sejam condizentes com a concepção do processo educa-
tivo da escola, definida no PPP.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os conselhos esco-
lares são:
órgãos colegiados compostos por representantes das comuni-
dades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre 
questões político-pedagógicas, administrativas, financeiras, no 
âmbito da escola. Cabe aos Conselhos, também, analisar as 
ações a empreender e os meios a utilizar para o cumprimento 
das finalidades da escola. Eles representam as comunidades es-
colar e local, atuando em conjunto e definindo caminhos para 
tomar as deliberações que são de sua responsabilidade. Repre-
sentam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço 
de discussão, negociação e encaminhamento das demandas 
Possibilidades no contexto escolar 65
educacionais, possibilitando a participação social e promovendo 
a gestão democrática. São, enfim, uma instância de discussão, 
acompanhamento e deliberação, na qual se busca incentivar 
uma cultura democrática, substituindo a cultura patrimonialista 
pela cultura participativa e cidadã. (BRASIL, 2004, p. 34-34)
Nessa perspectiva, é importante ressaltar que as ações realizadas 
na escola são respaldadas legalmente pelo Estatuto do Conselho Es-
colar. É o estatuto que normatiza a quantidade de membros para cada 
segmento, os chamados conselheiros. Nesse documento, também é 
definido como serão as reuniões, a tomada de decisões, entre outros 
assuntos de competência do órgão.
O órgão colegiado Associação de Pais, Mestres e Funcionários 
(APMF), ou Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF), é 
representado por pais, familiares e/ou responsáveis pelos estudantes 
matriculados na instituição de ensino e por todos os profissionais que 
trabalham no espaço educativo. Esse órgão objetiva discutir e propor 
soluções para situações-problemas que envolvem a formação cotidia-
na do estudante, garantindo que essas ações estejam articuladas com 
o projeto político-pedagógico da escola.
Para além dos objetivos pedagógicos, esse órgão é conhecido por 
estar presente no âmbito financeiro. É a APMF/APPF que garante que 
os recursos financeiros enviados pelos governos federal, estadual e/ou 
municipal sejam destinados exclusivamente para gastos da escola. As 
decisões tomadas por esse órgão colegiado devem garantir a legitimi-
dade das ações propostas, pois apenas a transparência permite a cons-
tituição de uma gestão democrática e participativa.
Outro importante órgão colegiado é o conselho de classe, que 
exerce função deliberativa e consultiva nos processos avaliativos dos 
docentes e discentes no espaço escolar. O conselho é um momento 
de discussão coletiva para que ações educativas possam ser ressigni-
ficadas de maneira a ampliar o processo de ensino e aprendizagem. 
É no conselho de classe que todo o trabalho educativo realizado na 
instituição de ensino é avaliado, com o intuito de averiguar como está 
ocorrendo esse processo do estudante.
Os representantes do conselho de classe são: diretor, vice-diretor, 
pedagogo, professor, funcionário da escola e estudante. Considera-se, 
então, que esse órgão colegiado contribui, também, para a consolida-
ção de uma gestão democrática.
Para mais informações 
sobre o que é o conselho 
escolar, sugerimos acesso 
ao site do Ministério da 
Educação, que disponibili-
za publicações referentes 
ao fortalecimento desse 
órgão nas instituições de 
ensino.
Disponível em: http://portal.mec.
gov.br/programa-nacional-de-
fortalecimento-dos-conselhos-
escolares/publicacoes. Acesso em: 
16 jun. 2020.
Saiba mais
http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes
http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes
http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes
http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes
66 Princípios e métodos de gestão escolar
Para Dalben (2004, p. 21):
o conselho de classe, como instância na organização do trabalho 
escolar, tem uma razão de ser analisada à luz de suas origens [...] 
repensar a organização do trabalho escolar é condição principal 
para a análise dos problemas vivenciados no interior da escola, 
que coletivamente se buscará alternativas para que conduzam 
ao sucesso do aluno no ensino aprendizagem.
Esse deve ser o momento em que se ampliam as possibilidades de 
mudanças no pensar e no agir individual e coletivo docente, discente 
e dos demais envolvidos nos processos educativos da escola; assim, 
discute-se o redimensionando da prática pedagógica, vislumbrando o 
compromisso e a responsabilidade de todos nesse processo educativo.
Há, também, a participação do estudante no órgão colegiado de-
nominado grêmio estudantil. Esse órgão representa os interesses dos 
estudantes e objetiva o trabalho relacionado às questões culturais, 
educacionais, cívicas, esportivas e sociais.
O grêmio estudantil tem autonomia para propor, organizar e sugerir 
melhorias referentes aos interesses dos estudantes. Todavia, precisa ter 
autorização da equipe diretiva, assim como do conselho escolar, para rea-
lizar determinadas atividades. Para organizar o grêmio na escola, é funda-
mental que a equipe de profissionais da escola incentive essa iniciativa, 
apontando a importância desse órgão colegiado na instituição de ensino.
As ações propostas no grêmio estudantil possibilitam aos estudan-
tes vivenciarem situações de tomada de decisões coletivas, em que o 
diálogo é necessário ao expressar opiniões, sugestões e anseios por 
propostas a serem desenvolvidas na escola. Desse modo, a participa-
ção do grêmio estudantil se torna um importante espaço de aprendi-
zagem, pois contribui na formação para a cidadania, além de fazer com 
que o estudante se sinta responsável pela instituição de ensino.
No momento em que essas ações são propostas, o estudante tem a 
oportunidade de desenvolver o protagonismo juvenil e, segundo Costa 
(2000, p. 126), é “uma forma de reconhecer que a participação dos ado-
lescentes pode gerar mudanças decisivas na realidade social, ambien-
tal, cultural e política em que estão inseridos”.
Para que isso ocorra, é necessário que os gestores das escolas pro-
ponham, no espaço educativo, situações em que o estudante exerça sua 
cidadania e lute por seus direitos e deveres, desenvolvendo sua autono-
mia de modo responsável e participando da sociedade com cidadania.
O grêmio estudantil foi 
proposto pelo Movi-
mento Estudantil, criado 
pela União Nacional dos 
Estudantes (UNE), em 22 
de dezembro de 1938, no 
Rio de Janeiro. Para saber 
mais sobre a UNE, acesse 
o link a seguir.
Disponível em: https://une.org.
br/a-une/. Acesso em: 16 jun. 2020.
Site
A gestão democrática prevê a 
participação da comunidade 
escolar nas tomadas de decisões 
relacionadas às ações a serem 
realizadas nas instituições de 
ensino. Para legitimar essa 
participação, existem os órgãos 
colegiados. Como é possível 
garantir a efetividade das ações 
desses órgãos no contexto 
escolar?
Atividade 3
Possibilidades no contexto escolar 67
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para assegurar a efetivação dos direitos humanos, bem como protegê-los, 
é preciso reconhecer-se como ser humano com direitos. Neste capítulo, 
tratamos do direito à educação. Estudamos também que a função social 
da escola na sociedade estádiretamente relacionada à intencionalidade 
educativa proposta no projeto político-pedagógico; por isso, a elaboração 
desse documento precisa ser crítica, coletiva e participativa, a fim de que as 
propostas possam contribuir efetivamente para a formação do estudante.
As práticas pedagógicas precisam estar pautadas em uma intenciona-
lidade educativa que objetiva a formação integral do estudante crítico e 
participativo, que exerça sua cidadania de maneira a garantir os seus de-
veres e direitos como ser humano. Nessa perspectiva, consideramos que 
a concepção de ensino estabelecida como gestão democrático-participativa 
é ideal para que as escolas organizem e mobilizem formas de participação 
coletiva em seus espaços educativos, incentivando práticas pedagógicas 
democráticas por meio dos órgãos colegiados: conselho escolar, associa-
ção de pais, mestres e funcionários e/ou associação de pais, professores 
e funcionários, conselho de classe e grêmio estudantil.
REFERÊNCIAS
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Cortez, 2003.
BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
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CURY, C. R. J. Educação e direito à educação no Brasil: um histórico pelas constituições. Belo 
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DALBEN, A. I. L. de F. Conselho de classe e avaliação: perspectivas na gestão pedagógica da 
escola. Campinas: Papirus, 2004.
FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: 
UNESP, 2000.
LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
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68 Princípios e métodos de gestão escolar
ONU – Organização das Nações Unidas. O que são direitos humanos? Disponível em: https://
nacoesunidas.org/direitoshumanos/. Acesso em: 16 jun. 2020.
ONU – Organização das Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos Humanos. UNIC/
Rio/005, jan. 2009. Disponível em: https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/declaracao/. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 10. ed. Campinas: Autores 
Associados, 2008.
SOUSA, J. V. de. Avanços e recuos na construção do projeto político-pedagógico em rede 
de ensino. In: VEIGA, I. P A.; REZENDE, L. M de. (org.). Escola: espaço do projeto político-
pedagógico. Campinas: Papirus, 2013. 
VEIGA, I. P. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva. VEIGA, I. P. 
(org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 29. ed. Campinas: 
Papirus, 2013.
GABARITO
1. Primeiramente, a escola precisa assumir e entender qual é a sua função social diante 
da construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, é preciso propor 
reuniões em que ações educativas com propostas equânimes atendam a todos os 
estudantes da escola, de modo a conceber a cidadania a todos como direito instituído 
em dispositivos legais.
2. É fundamental que todos os envolvidos assumam coletivamente o compromisso pe-
dagógico do PPP. Isso porque esse documento apresenta a intencionalidade educa-
tiva da instituição de ensino, em que as propostas estabelecidas foram definidas em 
comum acordo. Assim, as atividades realizadas na escola precisam estar presentes no 
dia a dia e pautadas teoricamente em uma concepção de gestão escolar democrática 
definida no PPP.
3. A gestão da escola precisa propor reuniões com os representantes dos órgãos colegia-
dos com a finalidade de discutir e refletir a importância da presença e da efetividade 
da participação dos segmentos na tomada de decisões dos processos educativos rea-
lizados na escola. Diante disso, a responsabilidade coletiva sobre a garantia do direito 
à educação torna-se o objetivo final da escola.
https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/
https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/
Avaliação e gestão democrática 69
5
Avaliação e gestão 
democrática
Este capítulo abordará os processos avaliativos educacionais, 
com o intuito de ressignificar as ações educativas realizadas nos 
espaços escolares. Para isso, apresentaremos questões relaciona-
das ao entendimento do que é avaliação no contexto educacional, 
assim como as dimensões avaliativas e os aspectos relevantes da 
gestão escolar em relação à qualidade da educação, a partir dos 
processos educativos realizados no espaço escolar.
5.1 Conceituando o que é avaliação em educação 
Vídeo As discussões e reflexões que perpassam a avaliação no contexto 
escolar se referem às ações educativas que envolvem a organização do 
trabalho pedagógico e que implicam em tomada de decisões relaciona-
das à garantia de melhores condições de oportunizar o direito à educação.
É preciso considerar Freire (1996, p. 38), quando afirma que “ensinar 
exige reflexão crítica sobre a prática”. Ou seja, a prática avaliativa precisa 
estar vinculada ao processo de ensino e aprendizagem, respeitando as 
especificidades dos conteúdos apresentados em cada componente curri-
cular e considerando as necessidades e potencialidades dos estudantes.
A prática 
pedagógica norteia 
a ação reflexiva
A ação reflexiva 
norteia a prática 
pedagógica
Ao partir dessa compreensão de que ação e reflexão são indissociá-
veis, é importante considerar que a avaliação está interligada ao plane-
jamento. Nesse sentido, Libâneo (2004, p. 149) afirma que: “o processo 
70 Princípios e métodos de gestão escolar
e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática, de 
modo a prever e programar as ações e os resultados desejados, consti-
tuindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões”.
Assim, é necessária a articulação da prática docente para a com-
preensão do que é currículo, avaliação e planejamento, movimento ne-
cessário para que os saberes escolares estejam vinculados a práticas 
sociais que propiciem a formação do cidadão.
Refletir sobre os processos educativos realizados na escola é enten-
der que a avaliação assume um caráter formador na proposição das 
práticas pedagógicas realizadas nas instituições de ensino. A avalia-
ção, quando realizada durante o processo de ensino e aprendizagem, 
contribui com a organização do trabalho pedagógico. Nesse contexto, 
Hoffmann (2018, p. 13) esclarece que:
o processo avaliativo está fundamentado em valores morais, em 
concepções de educação, de sociedade, de sujeito. Essas concep-
ções regem o fazer avaliativo e lhe dão sentido. É preciso pensar, 
em primeiro lugar, sobre as concepções vigentes entre os educa-
dores antes de se discutirem metodologias, instrumentos de tes-
tagem e formas de registro. Reconstruir as práticas avaliativas, 
sem levar em conta o que significa “avaliar”, é como preparar as 
malas sem saber o destino da viagem.
Desse modo, entendemos que o processo avaliativo propõe alcan-
çar uma prática pedagógica que subsidie a organização do trabalho pe-
dagógico. Ou seja, a avaliação permite verificar as ações da escola que 
precisam corroborar as concepções de educação, sociedadee homem 
estabelecidas no projeto político-pedagógico da instituição de ensino.
Nesse sentido, a avaliação contribui com as ações do gestor escolar 
em relação aos processos educativos, pois a prática avaliativa apresen-
ta a realidade da instituição de ensino. Assim, é de suma importância 
que as ações avaliativas realizadas na escola auxiliem na compreensão 
da complexidade que norteia o processo de formação do estudante e, 
consequentemente, do profissional da educação, que precisa planejar 
as ações educativas.
Nessa perspectiva, Fernandes e Freitas (2007, p. 20) esclarecem que:
a avaliação é uma das atividades que ocorre dentro do processo 
pedagógico. Este processo inclui outras ações que implicam na 
própria formulação dos objetivos da ação educativa, na defini-
ção de seus conteúdos e métodos, entre outros. A avaliação, 
Avaliação e gestão democrática 71
portanto, sendo parte de um processo maior, deve ser usada 
tanto no sentido de um acompanhamento do desenvolvimen-
to do estudante como no sentido de uma apreciação final sobre 
o que este estudante pôde obter em um determinado período, 
sempre com vistas a planejar ações educativas futuras.
Não se pode perder de vista que a prática pedagógica está pautada 
em um projeto político-pedagógico, que pode ser reestruturado confor-
me a realidade escolar. As reflexões sobre o trabalho realizado na escola 
permitem aos profissionais da educação reverem que o processo ava-
liativo é uma atividade instituída de intencionalidade educativa, e o que 
nos dá esse suporte teórico é o projeto político-pedagógico. Portanto, o 
compromisso e a responsabilidade de exercer o trabalho educativo de-
vem motivar situações dinâmicas, reflexivas, de produção, construção 
e reconstrução dos saberes escolares que considerem o contexto atual. 
Ademais, o ensinar e o aprender no cotidiano escolar acontecem por 
meio da avaliação, que precisa acontecer constantemente.
De acordo com Libâneo (2013, p. 216):
a avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do 
trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o pro-
cesso de ensino e aprendizagem. Por meio dela, os resultados 
que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do pro-
fessor e dos alunos são comparados com os objetivos propos-
tos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o 
trabalho para as correções necessárias. A avaliação é uma re-
flexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar tanto do 
professor como dos alunos.
Diante dessa questão, os processos educativos e avaliativos pro-
postos nas instituições de ensino devem proporcionar uma análise da 
cultura organizacional desse espaço, bem como a verificação, com base 
na intencionalidade da escola, em quais práticas pedagógicas precisam 
ser reorganizadas, a fim de garantir o direito à educação.
Além disso, a avaliação escolar precisa acontecer em uma pers-
pectiva crítica, em que a participação de todos os que estão envol-
vidos nos processos educativos propicie constantemente avanços 
em relação à garantia do direito à educação, de modo que a gestão 
democrático-participativa se efetive nos espaços educativos.
Portanto, para a organização dos processos avaliativos, é necessário 
planejamento. Isto é, a instituição de ensino precisa compreender aonde
72 Princípios e métodos de gestão escolar
quer chegar e quais serão os meios 
para alcançar esses objetivos. Quan-
do os objetivos educacionais estão 
bem delineados, torna-se natural pro-
por práticas avaliativas que contemplem 
efetivar ações que proporcionem melho-
rias nos processos educativos.
 Com relação a essa organização do trabalho pedagógico, Fernandes 
e Freitas (2007, p. 20) esclarecem que “é possível concebermos uma 
perspectiva de avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da in-
clusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da par-
ticipação, da construção da responsabilidade com o coletivo”. Para 
isso, é necessário que os profissionais da educação compreendam a 
concepção avaliativa de modo a ressignificar a prática educativa, que 
pauta-se em uma concepção de ensino democrático-participativa, em 
que a reflexão ocorre durante a formação do estudante, mas, também, 
no trabalho realizado pelo profissional da educação, com vistas a me-
lhorar os processos educativos.
A compreensão e o entendimento sobre a concepção avaliativa da 
instituição de ensino configuram-se na prática pedagógica, e os proble-
mas cotidianos podem ser vistos como pretextos para rever a organiza-
ção do trabalho tendo em vista a intencionalidade educativa proposta 
no projeto político-pedagógico.
5.2 Dimensões avaliativas 
Vídeo Como estudamos, a avaliação é uma prática pedagógica intrínseca 
aos processos educativos realizados na escola; sua função é investigar 
como está o processo de ensino e aprendizagem, além de permitir que 
os profissionais da educação possam intervir nas práticas educativas, 
a fim de aprimorá-las.
Discutir os processos educativos é, também, discutir os processos 
avaliativos, por isso é necessário compreender o que os dispositivos 
legais estabelecem sobre as práticas avaliativas no contexto demo-
crático. Com base nos dispositivos legais, é possível refletir sobre as 
propostas do projeto político-pedagógico, relacionando-as com o que 
está disposto no artigo 46 da Resolução n. 4, de 13 de julho de 2010, 
Rawpixel.com/Shutterstock
Avaliação e gestão democrática 73
o qual estabelece que: “Art. 46. A avaliação no ambiente educacional 
compreende 3 (três) dimensões básicas: I – avaliação da aprendizagem; 
II – avaliação institucional interna e externa; III – avaliação de redes de 
Educação Básica” (BRASIL, 2010).
Consequentemente, as dimensões da avaliação precisam ser com-
preendidas por todos os envolvidos nos processos educativos, visto 
que as informações fornecidas por essas avaliações proporcionam a 
busca por melhorias nas práticas pedagógicas do dia a dia escolar.
Nessa perspectiva, apresentaremos, primeiramente, a avaliação de 
aprendizagem, que está relacionada com o que o professor planeja 
e analisa quanto à sua prática em sala de aula. Luckesi (2011, p. 45) 
elucida que:
a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na me-
dida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu 
consequente projeto de ensino. A avaliação, tanto no geral quan-
to no caso específico da aprendizagem, não possui uma finalida-
de em si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um 
resultado previamente definido.
Em síntese, a avaliação da aprendizagem permite aos profissionais 
da educação tomarem decisões acerca de como os saberes escolares 
estão sendo apreendidos pelos estudantes. A todo momento, o pro-
fessor é colocado em situações nas quais precisa tomar decisões que 
envolvem a sua prática pedagógica, para que o objetivo educacional 
seja alcançado. Nessa perspectiva, a prática avaliativa se dá com base 
na realidade vivenciada no cotidiano escolar.
Nesse sentido, Haydt (2004) considera que a avaliação da aprendi-
zagem ocorre de três formas: avaliação diagnóstica, formativa e soma-
tiva, como mostra a figura a seguir.
Avaliação da 
aprendizagem
Avaliação
somativa
Avaliação
formativa
Avaliação
diagnóstica
Fonte: Elaborada pela autora.
Figura 1
Formas de avaliação de aprendizagem
74 Princípios e métodos de gestão escolar
É fundamental que os profissionais da educação compreendam 
essas três formas de conceber a avaliação de aprendizagem no con-
texto educacional, visto que a avaliação está relacionada a uma soma 
de fatores que visam contribuir na tomada de decisões referentes ao 
processo de ensino e aprendizagem no contexto escolar. O acompa-
nhamento pedagógico constante permite ao professor realizar modifi-
cações no planejamento, fazendo adequações metodológicas, a fim de 
tornar o aprendizado significativo para a formação do estudante.
É relevante, então, destacar a afirmação de Fernandes e Freitas 
(2007, p. 20):
quando a avaliação acontece ao longo do processo,com o ob-
jetivo de reorientá-lo, recebe o nome de avaliação formativa e 
quando ocorre ao final do processo, com a finalidade de apreciar 
o resultado deste, recebe o nome de avaliação somativa. Uma 
não é nem pior, nem melhor que a outra, elas apenas têm obje-
tivos diferenciados.
Logo, a avaliação permeia o processo de ensino e aprendizagem do 
estudante, do professor e, consequentemente, da escola, pois as ações 
de ressignificação do trabalho educativo apontam para a avaliação for-
mativa. Isto é, a avaliação formativa propicia aos envolvidos nos pro-
cessos pedagógicos a revisão da intencionalidade educativa.
Fernandes e Freitas (2007, p. 22) esclarecem o seguinte sobre a ava-
liação formativa:
continuamente, ela faz parte do cotidiano das tarefas propostas, 
das observações atentas do professor, das práticas de sala de 
aula. Por fim, podemos dizer que avaliação formativa é aquela que 
orienta os estudantes para a realização de seus trabalhos e de suas 
aprendizagens, ajudando-os a localizar suas dificuldades e suas po-
tencialidades, redirecionando-os em seus percursos. A avaliação 
formativa, assim, favorece os processos de autoavaliação, prática 
ainda não incorporada de maneira formal em nossas escolas.
Com base no que foi citado, a avaliação formativa propicia o alcance 
dos objetivos educacionais esperados. Para isso, cabe ressaltar que o 
planejamento contribui para as retomadas das práticas pedagógicas.
Entretanto, no decorrer do processo educativo, é a avaliação 
diagnóstica que permite a elaboração de atividades pedagógicas que 
indiquem as necessidades e potencialidades de aprendizagem dos es-
tudantes. Nesse sentido, Libâneo (2013, p. 218) afirma:
Avaliação e gestão democrática 75
a função diagnóstica permite identificar progressos e dificul-
dades dos alunos e a atuação do professor que, por sua vez, 
determinam modificações do processo de ensino para melhor 
cumprir as exigências dos objetivos. Na prática escolar cotidiana, 
a função de diagnóstico é mais importante porque é a que possi-
bilita a avaliação do cumprimento da função pedagógico-didática 
e a que dá sentido pedagógico à função de controle. A avaliação 
diagnóstica ocorre no início, durante e no final do desenvolvi-
mento das aulas ou unidades didáticas.
Desse modo, a avaliação diagnóstica permite identificar as possibi-
lidades e fragilidades das práticas pedagógicas realizadas ao longo do 
ano letivo, tendo em vista a reflexão e a ação de promover os saberes 
escolares de maneira efetiva na formação do estudante.
Portanto, a união da avaliação formativa com a diagnóstica forne-
ce informações para que o professor realize um trabalho pedagógico 
que oportunize mudar suas práticas. Afinal, essas avaliações fornecem 
subsídios para que as intervenções pedagógicas realizadas no decorrer 
do ano vislumbrem melhorias no processo de ensino e aprendizagem. 
O acompanhamento avaliativo do desenvolvimento do estudante em 
relação à construção dos saberes escolares permite promover uma for-
mação que propicie condições para o estudante exercer sua cidadania 
para além dos muros da escola.
Já avaliação de aprendizagem denominada somativa, tem como 
objetivo apresentar os resultados do processo de ensino e aprendiza-
gem alcançados ao longo do ano letivo. Para Romanowski e Wachowicz 
(2006, p. 124-125):
a avaliação somativa manifesta-se nas propostas de aborda-
gem tradicional, em que a condução do ensino está centrada no 
professor, baseia-se na verificação do desempenho dos alunos 
perante os objetivos de ensino estabelecidos no planejamento. 
Para examinar os resultados obtidos, são utilizados testes e pro-
vas, verificando quais objetivos foram atingidos considerando-se 
o padrão de aprendizagem desejável e, principalmente, fazendo 
o registro quantitativo do percentual deles.
Nesse sentido, a avaliação somativa avalia como os objetivos edu-
cacionais foram atingidos. Todavia, existem muitos fatores que precisam 
ser considerados para determinar o resultado da aprendizagem, por isso 
é necessário que, no decorrer do ano letivo, as avaliações diagnóstica e 
formativa aconteçam com frequência, a fim de propiciar intervenções
O Triunfo tem como base 
fatos da vida de Ron Clark 
(1994), um professor 
da Carolina do Norte 
(EUA). O enredo permite 
reflexões acerca do que 
é a avaliação diagnós-
tica, considerando a 
diversidade das famílias 
e o pré-julgamento dos 
estudantes.
Direção: Randa Haines. Estados 
Unidos, 2006. 
Filme
A avaliação de aprendizagem 
permite aos profissionais da 
educação refletirem sobre 
suas práticas avaliativas. Nesse 
sentido, quais são os tipos de 
avaliações que favorecem o pro-
cesso de ensino e aprendizagem 
do estudante e por quê?
Atividade 1
76 Princípios e métodos de gestão escolar
pedagógicas visando possibilidades de entendimento dos sabe-
res escolares pelos estudantes.
Agora que já vimos os três tipos de avaliação de aprendiza-
gem e o objetivo de cada uma delas, vamos apresentar o que é 
avaliação institucional.
A avaliação institucional precisa ser periódica, com o intui-
to de propiciar caráter diagnóstico e formativo, pois seu objetivo é 
avaliar a organização do trabalho pedagógico, permitindo o redimen-
sionamento dos processos educativos realizados no espaço educativo.
Fernandes e Freitas (2007, p. 35) esclarecem que:
a avaliação institucional é também uma forma de permitir a me-
lhor organização do coletivo da escola com vistas a uma gestão 
mais democrática e participativa que permita à coletividade enten-
der quais os pontos fortes e fracos daquela organização escolar, 
bem como mobilizar, criar e propor alternativas aos problemas.
Diante das palavras dos autores, é possível considerar a necessidade 
de elaborar um instrumento de avaliação que contemple aspectos pe-
dagógicos, administrativos e financeiros da instituição de ensino. Esse 
instrumento de avaliação pode ser elaborado pela escola, assim como 
pela mantenedora da instituição de ensino. Entretanto, é fundamental 
que toda a comunidade participe dessa avaliação, e os resultados ob-
tidos precisam ser discutidos para que se promova a legitimidade, a 
transparência e o objetivo desse instrumento. Após o levantamento das 
informações, é imprescindível que ocorra uma análise coletiva para ave-
riguar quais as necessidades e potencialidades da instituição de ensino, 
de modo a estabelecer metas e objetivos educacionais que propiciem a 
reestruturação da organização do trabalho pedagógico.
Por fim, a avaliação de redes da educação básica, também cha-
mada de avaliação de larga escala e/ou externa, é organizada pelo Sis-
tema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e permite realizar um 
diagnóstico da educação básica brasileira e de fatores que podem in-
terferir no desempenho do estudante (BRASIL, 2020).
Os resultados das avaliações de larga escala e/ou externas forne-
cem informações que ampliam as discussões sobre como melhorar o 
ensino ofertado no Brasil, propiciando, assim, um planejamento de po-
líticas públicas educacionais, visto que os resultados podem ser usados 
pelas escolas para análise do trabalho desenvolvido em determinado 
espaço educativo.
panitanphoto/Shutterstock
Sugerimos que acesse 
o site do Saeb para 
conhecer as matrizes 
de referência utilizadas 
para a elaboração das 
avaliações de larga escala 
e/ou externas. 
Disponível em: http://portal.inep.
gov.br/web/guest/educacao-
basica/saeb/matrizes-e-escalas. 
Acesso em: 16 jun. 2020.
Saiba mais
Avaliação e gestão democrática 77
Dessa forma, conhecer as dimensões da avaliação permite aos en-
volvidos nos processos educativos proporem reflexões na instituição 
de ensino acerca das práticas pedagógicas que estão sendo realizadas, 
tendo como base as concepções de avaliação de acordo com a realida-
de na qual a escola está inserida.
Como as avaliações de larga escala 
e/ou externa contribuem com a 
organização do trabalho pedagó-
gico realizado na escola?
Atividade 2
5.3 Gestão escolar e qualidade na educação 
VídeoConforme vimos ao longo desta obra, a educação brasileira con-
figura-se como um direito garantido pela Constituição Federativa do 
Brasil de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
n. 9.394/1996. Esses dispositivos legais estabelecem que um ensino de 
qualidade está pautado na garantia do direito à educação de modo a 
proporcionar o desenvolvimento pleno do estudante, possibilitando 
propostas educativas que permitam o exercício da cidadania e sua qua-
lificação para o trabalho.
Dito de outra forma, os processos educativos vinculados a uma 
concepção de educação que visa formar cidadãos com direitos iguais 
perante o Estado possibilitam que os espaços escolares desenvolvam 
um trabalho educativo com vistas à construção de uma sociedade mais 
justa e igualitária.
Para isso, é importante destacar o que significa um ensino de qua-
lidade. O termo qualidade é marcado por diversas interpretações, po-
rém, nesta obra, consideraremos a qualidade da educação em uma 
perspectiva de organização de gestão escolar democrática escolar que 
oportuniza aos estudantes os saberes escolares, por meio de práticas 
pedagógicas que permitam uma formação crítica, reflexiva e compro-
metida com o exercício da cidadania.
Nessa perspectiva, Libâneo (2013, p. 34) acrescenta que:
a escolarização tem, portanto, uma finalidade muito prática. Ao 
adquirirem um entendimento crítico da realidade por meio do 
estudo das matérias escolares e do domínio de métodos pelos 
quais desenvolvem suas capacidades cognoscitivas e formam ha-
bilidades para elaborar independentemente os conhecimentos, 
os alunos podem expressar de forma elaborada os conhecimen-
tos que correspondem aos interesses majoritários da sociedade 
e inserir-se ativamente nas lutas sociais.
78 Princípios e métodos de gestão escolar
Diante do exposto, convém, ainda, salientar que a qualidade na 
educação perpassa a organização do trabalho educativo, que envolve 
questões administrativas, pedagógicas e financeiras. Logo, as tomadas 
de decisões necessitam ser concebidas tendo em vista as bases teóri-
cas e legais que sustentam os processos educativos; ou seja, a intencio-
nalidade educacional que visa à formação do estudante.
É necessário compreender a realidade político-econômica-social, 
assim como conhecer o entorno da instituição de ensino. Esse co-
nhecimento permite que ações sejam propostas coletivamente e que 
mudanças educacionais necessárias sejam oportunizadas, com o pro-
pósito de garantir o direito à aprendizagem a todos os estudantes.
Reconhecendo as especificidades e a complexidade do trabalho 
educativo, Fernandes e Freitas (2007, p. 18) esclarecem:
se a escola é o lugar da construção da autonomia e da cidadania, a 
avaliação dos processos, sejam eles das aprendizagens, da dinâmica 
escolar ou da própria instituição, não deve ficar sob a responsabili-
dade apenas de um ou de outro profissional, é uma responsabilida-
de tanto da coletividade, como de cada um, em particular.
Desse modo, o gestor escolar que permite a participação de todos 
na tomada de decisões, responsabilizando e comprometendo peda-
gogicamente e coletivamente os envolvidos nos processos educativos, 
contribui para a construção de uma escola que oferta um ensino de 
qualidade, conforme garantia do direito à educação.
Nesse contexto, estudos e reflexões acerca do que é gestão escolar 
democrático-participativa oportunizam conduzir as práticas educativas 
e avaliativas de acordo com a intencionalidade educativa presente no 
cotidiano escolar.
Para Luckesi (2011, p. 227):
participar da gestão democrática da escola significa que todos se 
sentem e efetivamente são partícipes do sucesso ou do fracasso 
da escola em todos os seus aspectos: físico, educativo, cultural e 
político. Gestores administrando, educadores ensinando, estu-
dantes aprendendo. Afinal, todos aprendendo numa ‘escola que 
aprende’, cada um no seu lugar e papel, orquestrando o todo.
Não basta trabalhar em uma escola que tem uma organização de 
gestão democrático-participativa, é preciso aprender a vivenciar práti-
cas democráticas, com vistas a oportunizar a qualidade na educação. A 
Avaliação e gestão democrática 79
educação escolar contribui para a formação de uma sociedade demo-
crática quando as ações educativas vislumbram a vivência do pensa-
mento crítico e reflexivo no dia a dia da instituição de ensino.
Assim, compreender os fundamentos teórico-metodológicos esta-
belecidos na escola é fundamental para a articulação das atividades 
pedagógicas que instituem processos educativos que contribuem para 
a formação do estudante em suas formas de agir, ser, pensar e comu-
nicar no dia a dia.
Nessa perspectiva, Paro (2011, p. 114) afirma que “como toda ativida-
de humana, a educação não apenas é suscetível de avaliação, mas tem 
a avaliação como elemento necessário de sua constituição”. Portanto, se 
a educação visa formar um cidadão crítico e reflexivo, as práticas avalia-
tivas realizadas na escola precisam possibilitar melhorias educacionais.
De acordo com Libâneo (2010, p. 350):
a avaliação é função primordial do sistema de organização e de 
gestão. Ela supõe acompanhamento e controle das ações deci-
didas coletivamente, sendo este último a observação e a com-
provação dos objetivos e das tarefas, a fim de verificar o estado 
real do trabalho desenvolvido. A avaliação permite pôr em evi-
dência as dificuldades surgidas na prática diária, mediante con-
fronto entre o planejamento e o funcionamento real do trabalho. 
Visa ao melhoramento do trabalho escolar, pois, conhecendo a 
tempo as dificuldades, pode-se analisar suas causas e encontrar 
meios de sua superação.
Com base no que o autor expôs, consideramos fundamental que 
o gestor escolar, com os demais envolvidos nos processos educativos, 
apresente alternativas de melhorias na organização do trabalho reali-
zado na instituição de ensino, a fim de que a educação escolar ocorra 
objetivando a formação do cidadão.
Uma sugestão de melhoria na organização do trabalho pedagógico 
é organizar salas ambiente ou temáticas, estruturadas com base em 
cada componente curricular, onde sejam disponibilizados recursos 
didático-pedagógicos específicos para contribuir com o processo de 
ensino e aprendizagem. Nessa organização, os estudantes vão até a 
sala do professor, e não o professor até a sala.
Outra possibilidade de trabalho é a inclusão das tecnologias da in-
formação e da comunicação (TIC) nas práticas pedagógicas das institui-
ções de ensino. Para Kenski (2007, p. 40), “as TICs evoluem com muita 
80 Princípios e métodos de gestão escolar
rapidez. A todo instante surgem novos processos e produtos diferen-
ciados e sofisticados”. Por isso, os profissionais que trabalham nas es-
colas precisam acompanhar essas atualizações e utilizar os recursos 
tecnológicos com a intenção de aprimorar os encaminhamentos meto-
dológicos realizados nesses espaços educativos.
Partimos, então, da premissa de que a função social da escola pre-
cisa ser abordada constantemente nos espaços educativos para que 
as decisões de natureza pedagógica, administrativa e financeira acon-
teçam democraticamente, considerando os envolvidos nos processos 
educativos responsáveis pela execução da intencionalidade do projeto 
político-pedagógico estabelecido na instituição de ensino.
A gestão da escola que permite tais ações educativas demonstra 
conhecimento teórico acerca dos pressupostos que regem a educação 
brasileira, possibilitando, assim, que a comunidade escolar enfrente as 
condições existentes na escola, almejando a qualidade da educação.
É importante lembrar que as práticas avaliativas são imprescindí-
veis no processo de organização do trabalho educativo, como esclarece 
Luckesi (2011, p. 231):
a avaliação terá um papel fundamental nesse processo, constan-
do a qualidade dos resultados que estão sendo obtidos através 
da ação de todos subsidiando novas possibilidades de ação e 
aprendizagens também para todos. Afinal, essa é a possibilida-de da “escola que aprende”, de modo eficaz e consistente, onde 
todos respondem pelo sucesso; ou infelizmente, também ao fra-
casso, na medida em que o fracasso de um segmento da escola 
não é somente dele, mas de todos os segmentos.
Nesse sentido, a qualidade da educação necessita ser pautada em 
uma organização de gestão escolar que permita que os processos sejam 
constantemente avaliados, planejados e replanejados, para que a cons-
trução dos saberes escolares proporcionados na instituição de ensino 
seja de responsabilidade de todos.
Portanto, a qualidade da educação precisa ser concebida em uma 
gestão escolar em que a aprendizagem aconteça para todos; consti-
tuindo, assim, um espaço educativo que oportunize o desenvolvimento 
de posturas e práticas democráticas, intencionando a formação crítica 
e reflexiva de todos os envolvidos nos processos educativos, de estu-
dantes a profissionais da educação.
Para ampliar a discussão 
sobre a qualidade da 
educação, o Ministério da 
Educação, por meio do 
Instituto Nacional Anísio 
Teixeira (Inep), publicou 
um material intitulado A 
qualidade da educação: 
conceitos e definições.
Disponível em: http://
portal.inep.gov.br/
documents/186968/485287/
A+qualidade+da+educa%C
3%A7%C3%A3o+conceitos+
e+defini%C3%A7%C3%B5es
/8926ad76-ce32-4328-8a26-
5139ccedddb4?version=1.0. Acesso 
em: 16 jun. 2020.
Saiba mais
Diante do exposto, o que se 
entende sobre qualidade da 
educação no sistema de ensino 
brasileiro?
Atividade 3
Avaliação e gestão democrática 81
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo, abordamos alguns aspectos relacionados à concepção 
de avaliação que norteiam a prática pedagógica na escola. Consideramos 
que as práticas educativas alicerçadas em práticas avaliativas permitem 
que o processo de ensino e aprendizagem ocorram de acordo com a in-
tencionalidade educativa.
Para isso, faz-se necessária a compreensão das dimensões avaliativas 
estabelecidas em dispositivos legais e fundamentos teóricos, as quais for-
necem informações que subsidiam o entendimento dos dados levantados 
nas avaliações realizadas, oportunizando melhorias no processo de ensi-
no e aprendizagem realizado na escola.
Em suma, a avaliação no contexto de uma gestão democrática escolar 
propicia reflexões sobre os limites e as possibilidades da prática educativa 
de cada um, possibilitando a reorganização do trabalho pedagógico, com 
o objetivo de alcançar a qualidade da educação.
REFERÊNCIAS
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2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf. Acesso em: 
16 jun. 2020.
BRASIL. Ministério da Educação. Inep. Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). 
6 maio 2020. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/educacao-basica/saeb. Acesso em: 
16 jun. 2020.
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Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007.
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LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 
2004.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. São Paulo: 
Cortez, 2011.
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trabalho em aula. 6. ed. Joinvile: Univille, 2006. 
82 Princípios e métodos de gestão escolar
GABARITO
1. As avaliações que favorecem o processo de ensino e aprendizagem do estudante são 
a diagnóstica e a formativa, pois permitem ao professor acompanhar, por meio das 
atividades, o processo de desenvolvimento do estudante, possibilitando a realização 
de intervenções pedagógicas ao longo do ano letivo.
2. Os resultados obtidos mediante as avaliações de larga escala e/ou externa, quando 
analisados e discutidos com base na realidade da escola, permitem identificar e en-
tender as potencialidades e as fragilidades do trabalho realizado, propiciando um re-
planejamento da organização do trabalho pedagógico.
3. A qualidade da educação pautada nos dispositivos legais estabelece que todos os es-
tudantes têm o direito de se desenvolver plenamente, de modo que os saberes esco-
lares trabalhados na escola permitam o exercício da cidadania e o acesso ao mercado 
de trabalho.
Escolar
Princípios
e
de
Concepções
Gestão
Andréa Garcia Furtado
A
ndréa Garcia Furtado
DE
Fundação Biblioteca Nacional
ISBN 978-85-387-6629-2
9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 9 2
Código Logístico
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