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Escolar Princípios e de Concepções Gestão Andréa Garcia Furtado A ndréa Garcia Furtado DE Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6629-2 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 9 2 Código Logístico 59373 Princípios e concepções de gestão escolar Andréa Garcia Furtado IESDE BRASIL 2020 © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Envato Elements Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ F987p Furtado, Andréa Garcia Princípios e concepções de gestão escolar / Andréa Garcia Furtado. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 82 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6629-2 1. Escolas - Organização e administração. I. Título. 20-65066 CDD: 371.2 CDU: 37.07 Andréa Garcia Furtado Doutora e mestra em Educação pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Especialista em Psicopedagogia com magistério superior pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX). Licenciada em Pedagogia pela UTP. Professora no ensino superior, ministra as disciplinas de Organização Curricular da Educação Básica, Fundamentos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Educação Infantil: Concepções e Metodologias e Orientação de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Atua na Secretaria Municipal da Educação de Curitiba como pedagoga no Departamento de Ensino Fundamental. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 Ideias e conceitos sobre gestão escolar 9 1.1 Discussões acerca da gestão escolar 10 1.2 Organização escolar: concepções de gestão 15 1.3 Elementos que norteiam a gestão escolar democrática 18 2 Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 24 2.1 Principais leis que embasam a educação 24 2.2 Regimento escolar: o que é e para que serve 30 2.3 Recursos financeiros na escola 33 3 Gestor educacional na contemporaneidade 40 3.1 Perfil do gestor escolar democrático 40 3.2 Funções e desafios do gestor escolar 45 3.3 Cultura organizacional no cotidiano escolar 49 4 Possibilidades no contexto escolar 54 4.1 A educação como direito 55 4.2 Função social: a razão da escola 57 4.3 Projeto político-pedagógico como fio condutor do trabalho na escola 60 4.4 Gestão escolar: órgãos colegiados 63 5 Avaliação e gestão democrática 69 5.1 Conceituando o que é avaliação em educação 69 5.2 Dimensões avaliativas 72 5.3 Gestão escolar e qualidade na educação 77 Este livro tem como objetivo fornecer subsídios teóricos e apresentar ações pertinentes para o aprimoramento das condições de organização dos processos educativos realizados na escola. Acreditamos que o estudo, a discussão e a reflexão sobre os fundamentos e os aspectos que perpassam a gestão escolar possibilitam que o trabalho realizado na instituição de ensino seja pautado em uma intencionalidade educativa que contribua para a garantia do direito à educação a todos. Desse modo, abordamos os fundamentos e as formas de gestão escolar, reconhecendo as características de uma gestão escolar democrática. Tratamos dos aspectos legais e dos recursos financeiros que permeiam a tomada de decisões nas instituições de ensino, assim como da elaboração do regimento escolar, que orienta e normatiza as ações na escola. Compreendemos, também, as funções do gestor escolar e sua importância no desenvolvimento do projeto político-pedagógico e no fortalecimento do trabalho coletivo, apresentando as possibilidades de desenvolvimento de práticas democráticas com o objetivo de organizar e efetivar a gestão escolar. A obra é estruturada em cinco capítulos. O primeiro aborda as concepções de organização de gestão escolar existentes, apresentando os conceitos de administração, administração escolar, gestão, gestão escolar e gestão escolar democrática, além dos elementos que compõem esta, visto que dispositivos legais preconizam que as instituições de ensino estejam organizadas em uma concepção de ensino democrático-participativa. O segundo capítulo trata, especificamente, das legislações vigentes que perpassam o contexto educacional e do entendimento de como os recursos financeiros podem ser administrados em uma gestão escolar democrática. No terceiro capítulo, são discutidas as funções do gestor escolar em uma perspectiva de possibilitar a participação da comunidade escolar na tomada de decisões, de modo a responsabilizar todos os envolvidos nos processos educativos. APRESENTAÇÃOVídeo Para isso, é importante proporcionar nesse espaço educativo a reflexão sobre a cultura organizacional da escola, que perpassa a organização do trabalho realizado na instituição de ensino. O quarto capítulo apresenta aspectos relacionados à compreensão de que a educação é um direito fundamental de todo cidadão brasileiro, sendo reconhecido e protegido legalmente. Diante desse contexto, destacamos algumas práticas pedagógicas que podem ser realizadas na escola a fim de contribuir para uma organização de gestão democrática. Por fim, o quinto capítulo contempla os processos avaliativos educacionais que ocorrem por meio de uma gestão democrática, a qual objetiva proporcionar ações no contexto escolar que viabilizem melhorias nos processos educativos. Com base nas discussões presentes neste livro, é possível desenvolver reflexões que permitam a compreensão e o fortalecimento da gestão escolar atualmente. É fundamental que a organização do trabalho pedagógico se efetive por meio de práticas que balizem o envolvimento, a responsabilidade e o compromisso pedagógico de todos os envolvidos nos processos educativos realizados na instituição de ensino. Bons estudos! Ideias e conceitos sobre gestão escolar 9 1 Ideias e conceitos sobre gestão escolar Este capítulo aborda os fundamentos e as diferentes formas de gestão nas instituições de ensino, de modo a contribuir com as dis- cussões e possibilidades de realização dos processos educacionais nas escolas públicas e privadas. Serão apresentados conceitos que perpassam o entendimen- to do que é administração, administração escolar, gestão, gestão escolar e gestão escolar democrática. Tal compreensão permite a apreensão de como as escolas estão organizadas e estruturadas atualmente para a realização dos processos educativos. Assim, faz-se necessário apresentar as concepções de gestão, pois elas expressam os posicionamentos político-pedagógicos das instituições de ensino. Nesse sentido, a organização escolar se re- fere ao conjunto de ações que envolvem questões administrativas, financeiras e humanas, que funcionam de acordo com a concep- ção de gestão assumida pela escola. Outra questão discutida neste capítulo refere-se aos elemen- tos constitutivos da gestão escolar democrática. É imprescindível identificar esses elementos, pois eles definem como a gestão de- mocrática será proposta nas instituições de ensino, de modo que aprática pedagógica esteja fundamentada em teorias que justifi- quem as ações vinculadas à formação de um estudante crítico e re- flexivo, consciente dos seus direitos e deveres enquanto cidadão. 10 Princípios e métodos de gestão escolar 1.1 Discussões acerca da gestão escolar Vídeo A educação escolar é uma das principais formas de promover a for- mação integral do cidadão, permitindo o desenvolvimento do estudan- te em seus aspectos cognitivos, físicos, emocionais, sociais e culturais e oportunizando um olhar crítico e reflexivo acerca da sociedade na qual está inserido. Em razão disso, cabe à escola gerir de maneira que as ações pro- postas oportunizem condições reais de ensino e aprendizagem por meio de práticas educativas intencionais que perpassem os muros da escola. Nessa perspectiva, para que as situações do cotidiano escolar ocorram de maneira significativa, é necessário que aspectos teóricos sejam compreendidos e apreendidos pelos profissionais da educação. Libâneo (2010, p. 295) esclarece que: a escola e seu modo de se organizar constituem um ambiente educativo, isto é, um espaço de formação e de aprendizagem construído por seus componentes, um lugar em que os profis- sionais podem decidir sobre seu trabalho e aprender mais sobre a profissão. Acredita-se que não são apenas os professores que educam. Todas as pessoas que trabalham na escola realizam ações educativas, embora não tenham as mesmas responsabili- dades nem atuem de forma igual. Assim, tem-se a escola como um espaço de formação para a cidada- nia. Portanto, questões referentes a como propiciar a organização do trabalho pedagógico precisam ser apreendidas por todos os envolvidos nos processos educativos realizados na instituição. É importante considerar que essa discussão perpassa o contexto do regime democrático estabelecido no país desde a Constituição Federal de 1988. Entende-se, então, que a sociedade contemporânea é orien- tada por princípios democráticos. Grigoli (2014, p. 114) esclarece que “democracia significa uma forma de governo na qual o povo governa e implica a criação de um Estado que trate o povo de forma igualitária”. Conforme o que foi exposto pelo autor, é fundamental refletir so- bre como a educação pode ser gerida nas escolas com base em uma gestão pautada na democracia. Porém, para compreender a gestão es- colar democrática, é relevante salientar o conceito de administração, que pressupõe aspectos relacionados à gestão e à gestão democrática. A Declaração Universal dos Direitos Humanos define os direitos do homem que compactuam com o regime de governo democrático. Disponível em: https://www.unicef. org/brazil/declaracao-universal- -dos-direitos-humanos. Acesso em: 16 jun. 2020. Documento Ideias e conceitos sobre gestão escolar 11 Para isso, podemos trazer os significados de administração e gestão, explicitados por Ferreira, Reis e Pereira (2002, p. 6): “ambas as palavras têm origem latina, ‘gerere’ e ‘administrare’. Gerere significa conduzir, dirigir ou governar. Administrare tem aplicação específica no sentido de ‘gerir um bem, defendendo os interesses de quem os possui’. Administrar se- ria, portanto, a rigor, uma aplicação de gerir”. SF IO C RA CH O/ Sh ut te rs to ck Pode-se dizer que ambas as palavras objetivam conduzir alguém a fazer algo. Todavia, administração está relacionada a planejamento, controle e direcionamento de recursos humanos e materiais; já gestão está voltada à mobilização de ações que incentivem a participação de todos para atingir um objetivo comum. Entendido isso, observe o que Ferreira afirma sobre gestão: gestão é o processo de coordenação da execução de uma con- cepção em ação, que executa um plano. Gestão tem um conteú- do que pode incluir aspectos emancipatórios como autonomia e cidadania, dependendo das políticas que lhe fornecem a di- reção a ser dada e à forma de gestão. (FERREIRA, 2017, p. 111, grifo do original) Compete enfatizar que o termo administração escolar se constituiu com base na extensão da administração geral, isto é, administração de empresas. Desse modo, ambas as definições direcionam a necessidade de viabilizar meios para administrar, coordenar, prever e propor estra- tégias de como o trabalho precisa ser realizado no espaço e tempo do campo de atuação. O programa Nós da Educação convidou Vitor Henrique Paro, professor titular da Faculdade de Educação da Universi- dade de São Paulo, para abordar questões refe- rentes a conceitos sobre administração, assim como a diferença entre administração escolar e empresarial. O vídeo é de 2006 e foi produzido pela TV Paulo Freire. Disponível em: https://www.youtu- be.com/watch?v=CNOdKTmgd0s. Acesso em: 16 jun. 2020. Vídeo 12 Princípios e métodos de gestão escolar Ra wp ixe l.c om /S hu tte rs to ck Nessa linha de raciocínio, Félix (1985, p. 71) afirma que enquanto a administração de empresas desenvolve as teorias sobre a organização do trabalho nas empresas capitalistas, a ad- ministração escolar apresenta proposições teóricas sobre a orga- nização do trabalho na escola e no sistema escolar. No entanto, a administração escolar não construiu um corpo teórico próprio e no seu conteúdo podem ser identificadas as diferentes esco- las da administração de empresas, o que significa uma aplicação dessas teorias a uma atividade específica, neste caso, a educação. Diante disso, a administração, de um modo geral, tem a finalidade de compreender como e com quais fins os recursos materiais e humanos serão utilizados para uma melhor execução do trabalho a ser realizado. Por meio dessa reflexão, observa-se que a administração escolar surgiu com o intuito de transpor o conceito do campo empresarial para o educacional, ou seja, coorde- nar os processos educacionais das instituições de ensino com maior eficiência e efetividade, a fim de garantir a for- mação para a cidadania. Syda Productions/Shutterstock Ideias e conceitos sobre gestão escolar 13 É nesse contexto que a administração escolar está relacionada às transformações da sociedade como um todo, sendo preciso analisar, explorar e compreender o contexto escolar das instituições de ensino. Paro (2012) elucida a importância de considerar a realidade com o intuito de alcançar os fins educativos. Para o autor, “é na práxis administrativa escolar, enquanto ação humana transformadora adequada a objetivos educativos [...] que se encontrarão as formas de gestão mais adequadas a cada situação e momento histórico determinados” (PARO, 2012, p. 210). Nessa perspectiva, destacam-se os processos de gestão, especifica- mente a educacional e escolar. A gestão educacional está direcionada à organização dos sistemas de ensino em âmbito federal, estadual e muni- cipal, assim como à definição de responsabilidades e deliberações legais que abrangem a educação nos setores públicos e privados. Acerca dessa reflexão, é possível remeter-se às palavras de Paro (1996, p. 151): a possibilidade de uma administração democrática no sentido de sua articulação, na forma e conteúdo, com os interesses da socie- dade como um todo, tem a ver com os fins e a natureza da coisa administrada. No caso da Administração Escolar, sua especifici- dade deriva, pois: a) dos objetivos que se buscam alcançar com a escola; b) da natureza do processo que envolve essa busca. Esses dois aspectos não estão de modo nenhum desvinculados um do outro. A apropriação do saber e o desenvolvimento da consciên- cia crítica, como objetivos de uma educação transformadora, determinam [...] a própria natureza peculiar do processo peda- gógico escolar; ou seja, esse processo não se constitui em mera diferenciação do processo de produção material que tem lugar na empresa, mas deriva sua especificidade de objetivos (educa- cionais) peculiares, objetivos estes articulados com os interesses sociais mais amplos e que são, por isso, antagônicos aos objeti- vos de dominação subjacentes à atividade produtiva capitalista.A administração escolar vai além de lideranças e resultados finan- ceiros da instituição de ensino; ela expressa a formação do homem que exerce os seus direitos e deveres numa sociedade organizada median- te preceitos democráticos. Para isso, objetiva-se que a organização do trabalho educativo nas instituições de ensino se fundamente na demo- cratização da educação. Já a gestão escolar consiste em organizar o trabalho da escola como um todo, observando as necessidades e particularidades da institui- ção de ensino nos aspectos humanos, administrativos e financeiros, de modo a garantir que os processos educativos promovam a garantia do direito à educação. Por isso, é importante compreender o que é gestão democrática, conceito que expressa ações que propõem gerir uma instituição de ma- neira participativa e transparente, ou seja, democrática. Essa perspectiva de gestão escolar democrática está legalmente am- parada pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB n. 9.394/1996), a qual preconiza a democracia como princípio estruturante na efetivação da educação no país. A gestão escolar democrática permite que as ações da escola acon- teçam numa perspectiva em que a comunidade escolar (equipe diretiva e pedagógica, professores, familiares e/ou responsáveis e demais pro- fissionais da escola) esteja presente e participe de maneira efetiva das tomadas de decisões dos processos educativos, corroborando com a realidade na qual está inserida. Desse modo, a gestão democrática na escola reestrutura a forma de gerir a administração, visto que ocorre uma descentralização de po- der, na qual o diretor não é mais o único a tomar decisões, pois a co- munidade escolar participa das decisões que envolvem a organização do trabalho. Para isso, momentos de escuta, diálogo e participação de todos precisam acontecer de modo a vislumbrar a representatividade da comunidade escolar. M on ke y B us si ne ss Im ag es /S hu tte rs to ck 14 Princípios e métodos de gestão escolar Ideias e conceitos sobre gestão escolar 15 Essas reflexões sobre a gestão democrática são confirmadas por meio da afirmação de Veiga (1995, p. 18) de que a gestão democrática exige a compreensão em profundidade dos problemas postos pela prática pedagógica. Ela visa romper com a separação entre concepção e execução, entre o pensar e o fazer, entre teoria e prática. Busca resgatar o controle do proces- so e do produto do trabalho pelos educadores. Para isso, é necessário que a gestão escolar oportunize situações e condições em que todos os envolvidos compreendam a importância da sua função e participação nas tomadas de decisões da escola, principal- mente no que tange a propor ações que garantam o direito à educação. 1.2 Organização escolar: concepções de gestão Vídeo O processo de organização da gestão escolar está pautado na arti- culação das condições administrativas e humanas que visem assegurar práticas pedagógicas do cotidiano escolar que promovam o direito à aprendizagem de todos. A gestão e organização escolar considera tanto os espaços internos quanto externos das instituições de ensino como lócus da educação. Assim, as ações propostas precisam viabilizar condições e meios de realização do trabalho educativo. Nos últimos anos, uma concepção de gestão que vem sendo abordada é a gestão de qualidade total (GQT). Trata-se de uma concepção de gestão em que as ações são pauta- das em fatos reais e que vislumbra tomar decisões assertivas, a fim de au- mentar a produtividade e o faturamento de uma empresa. No link a seguir, é possível conhecer um pouco mais sobre a origem dessa concepção de gestão. Disponível em: http://gestao-de- -qualidade.info/qualidade-total. html. Acesso em: 16 jun. 2020. SiteOs gestores escolares devem propor formas de administrar as escolas com base em concepções de gestão inter-relacionadas com a concepção de educa- ção, sociedade, homem, processo de ensino e apren- dizagem de cada uma das instituições de ensino. É necessário, ainda, apreender que o trabalho realizado na escola precisa apresentar intenciona- lidade educacional. Schneckenberg (2007, p. 9) de- fende que a “intencionalidade, definição das metas educacionais e posicionamento frente aos objeti- vos educacionais, sociais e políticos [...]”, visa à for- mação do estudante partícipe de uma sociedade democrática. Portanto, a organização do trabalho pedagógico se estrutura com base na concepção de gestão es- 16 Princípios e métodos de gestão escolar colar adotada pela instituição de ensino. A respeito dessa afirmação, Libâneo (2010, p. 325) esclarece que as concepções de gestão escolar refletem diferentes posições políticas e pareceres acerca do papel das pessoas na sociedade. Portanto, o modo pelo qual uma escola se organiza e se estrutu- ra tem dimensão pedagógica, pois tem que ver com os objetivos mais amplos da instituição relacionados a seu compromisso com a conservação ou com a transformação social. Percebe-se, então, a importância de a escola compreender as con- cepções de gestão escolar, visto que a estrutura e a organização do espaço educativo refletem os posicionamentos político-pedagógicos com relação à formação do estudante diante da sociedade. Essas con- cepções podem ser apreendidas a partir da organização explicitada por Libâneo (2010), que estabelece as gestões técnico-científica, autoges- tionária, interpretativa e democrático-participativa. A concepção técnico-científica tende a seguir princípios e méto- dos da administração empresarial e está balizada na hierarquia de car- gos e funções, com foco na racionalização do trabalho, a fim de obter eficiência nas atividades realizadas na escola (LIBÂNEO, 2010). Nessa concepção, existe uma comunicação pautada em regras de cargos, ou seja, na escola, o diretor tem autonomia para tomar as decisões, e os demais profissionais precisam seguir as regras e normas estabelecidas por ele, sem questionar. Sendo assim, não proporciona participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões. Na organização do es- paço escolar existe uma divisão de tarefas para cada função exercida, em que se objetiva somente a eficiência do trabalho exercido. A concepção autogestionária é acondicionada na responsabilidade coletiva, sem a presença de uma direção centralizada. Nesse contexto, ocorre a “participação direta e por igual de todos os membros da institui- ção” (LIBÂNEO, 2010, p. 325). Essa forma de gerir dá ênfase às decisões coletivas, em que as condições de gestão permitem criar e instituir suas próprias regras, extinguindo práticas autoritárias, estando todos os en- volvidos vinculados à responsabilidade coletiva do trabalho. Assim, a autogestão permite que a comunidade escolar tenha auto- nomia para gerenciar os recursos administrativos, financeiros e huma- nos, bem como para buscar propostas de trabalho diferenciadas que viabilizem os processos educativos. Todavia, autogestão envolve ques- tões que não condizem com a realidade da sociedade, visto que, para Ideias e conceitos sobre gestão escolar 17 ocorrer essa prática de maneira efetiva, é necessário também repensar um projeto de transformação social. A concepção interpretativa considera, nos processos de organiza- ção e gestão, os significados subjetivos, as intenções e interações das pessoas do contexto em questão (LIBÂNEO, 2010). Essa concepção de gestão está focada em práticas que são construídas subjetivamente, sendo o espaço educativo uma realidade social que se constrói, ou seja, prioriza inter-relações que ocorrem na escola em lugar da execução de tarefas predefinidas, pois elas são definidas e estruturadas no dia a dia, com base nas relações que se estabelecem diante do trabalho realizado. A concepção democrático-participativa se dá entre a equipe dire- tiva, pedagógica e os demais profissionais da escola, incluindo familia- res e/ou responsáveis dos estudantes, que visam coletivamente tomar decisõesque atendam aos objetivos comuns da instituição de ensino (LIBÂNEO, 2010). A organização e a gestão nessa concepção requerem o envolvimento de todos os profissionais da escola nas tomadas de de- cisões administrativas, financeiras e pedagógicas, em que o diretor é o profissional responsável por promover ações que vislumbrem práticas democráticas. Seguindo essa linha de pensamento, Dourado (2001, p. 23) explica que “para otimizar os resultados que a escola quer atingir, é importante estabelecermos coletivamente (com participação dos representantes dos vários segmentos das comunidades escolar e local) as finalidades e os objetivos almejados, assim como os procedimentos a serem adotados”. Portanto, a participação é um elemento essencial para alcançar uma organização escolar com a premissa de que a tomada de deci- sões coletiva valida todo o trabalho realizado na escola. Todavia, para que essa concepção se efetive de modo significativo, é necessário que cada profissional da escola assuma seu trabalho de maneira compro- metida e ética e que sua prática pedagógica possa ser expressa no coletivo escolar. Outra questão a destacar é que os processos educativos es- tão constantemente sendo avaliados e (re)planejados diante de situações que acontecem no dia a dia da escola. Na concepção democrático-participativa de gestão, considera-se fundamental que haja questões que perpassem a organização do trabalho pedagógico – currículo, planejamento e avaliação –, visto que elas são de respon- 18 Princípios e métodos de gestão escolar sabilidade do coletivo e do trabalho individual de cada profissional da escola, cujo objetivo é promover ações pedagógicas que garantam a todos o direito à educação. Assim sendo, é possível considerar que as concepções de gestão ex- pressam a organização do trabalho nas instituições de ensino. Contu- do, é importante averiguar qual concepção está sendo realizada, com o intuito de compreender se o objetivo educacional é proporcionar uma educação conservadora ou uma educação que possibilite ações que visem a uma participação crítica e reflexiva na sociedade na qual o in- divíduo está inserido. A realidade escolar é complexa e, muitas vezes, a equipe gestora precisa amenizar situações que podem vir a prejudicar as práticas democráticas. Nessa perspectiva, o que a equipe gestora precisa propor para que as práticas pedagógicas estejam pautadas na concepção de ges- tão estabelecida pela instituição de ensino? Atividade 1 1.3 Elementos que norteiam a gestão escolar democrática Vídeo Para que os processos educativos na gestão escolar democrática coincidam, sobretudo, com as responsabilidades com relação à educa- ção escolar, tais ações precisam perpassar os elementos constitutivos que embasam esse trabalho. Assim, faz-se necessário que todos os envolvidos nos processos educativos conheçam e entendam os elementos constitutivos que nor- teiam o trabalho realizado na escola, para que seja possível preconizar a democratização do ensino. A Figura 1 esboça os elementos constitu- tivos da gestão escolar democrática. Participação Transparência Autonomia Pluralidade Gestão democrática Figura 1 Elementos da gestão escolar democrática Fonte: Elaborada pela autora. Ideias e conceitos sobre gestão escolar 19 Os elementos constitutivos se referem à participação, autonomia, transparência e pluralidade e, ao serem compreendidos e apreendidos pela comunidade escolar, concebem o exercício de vivenciar a gestão escolar democrática. A participação é o elemento essencial para o exercício da gestão de- mocrática. Esse elemento envolve a comunidade escolar, que terá vez e voz quanto às tomadas de decisões que preveem melhorias nos pro- cessos educativos realizados na instituição de ensino. Dessa maneira, a participação possibilita dialogar, opinar, assim como promover cons- cientização e reflexão sobre quais são e como as práticas pedagógicas são desenvolvidas nesse espaço educativo, a fim de assegurar melhores condições de garantia do direito à educação. A esse respeito, Dourado (2003, p. 21) afirma: o processo de luta pela democratização da gestão escolar passa pela superação dos processos centralizados de decisão, pela defesa de uma administração colegiada, na qual as decisões nasçam das discussões articuladas com todos os segmentos en- volvidos na escola, pela clareza do sentido político e pedagógico presente nessas práticas e da sua importância como fenômeno educativo a ser construído cotidianamente. A gestão escolar democrática necessita planejar, organizar e mediar a participação da comunidade escolar para que as necessidades reais da escola sejam gradativamente supridas. Destacamos que, no setor públi- co, a comunidade escolar é mais participativa nos processos educativos do que no setor privado. Nas instituições privadas, a gestão escolar é compartilhada, porém, é mais centrada na mantenedora da unidade de ensino e/ou no diretor, pois as propostas também são feitas para que o processo de ensino apresente bons resultados. Considerando que a participação coletiva corresponde à práti- ca pedagógica na gestão escolar democrática, é preciso compreen- der a importância do elemento constitutivo transparência, pois ele visa à lisura de todos os processos educativos da escola. Marques (1990, p. 21) elucida que “a participação ampla assegura a transpa- rência das decisões, fortalece as pressões para que sejam elas legíti- mas, garante o controle sobre os acordos estabelecidos e, sobretudo, contribui para que sejam contempladas questões que de outra forma não entrariam em cogitação”. 20 Princípios e métodos de gestão escolar Portanto, para que haja transparência, é necessário também uma participação crítica na organização e no acompanhamento das propos- tas pedagógicas da escola. A participação permite que a transparência da gestão ocorra na área administrativa, financeira e pedagógica, em que a difusão e, consequentemente, a democratização das informa- ções possibilitam melhores condições de garantir o direito à educação. Nessa linha de pensamento, a apreensão dos elementos constituti- vos participação e transparência permite a responsabilização de todos na construção do trabalho coletivo, assim como proporcionar caracte- rísticas próprias da instituição de ensino. Nesse sentido, observa-se o elemento constitutivo autonomia, ex- plicado por Barroso (1996, p. 17) como um conceito relacional (somos sempre autónomos de alguém ou de alguma coisa) pelo que a sua acção se exerce sempre num contexto de interdependência e num sistema de relações. A au- tonomia é também um conceito que exprime um certo grau de relatividade: somos mais, ou menos, autónomos; podemos ser autónomos em relação a umas coisas e não o ser em relação a outras. A autonomia é, por isso, uma maneira de gerir, orientar, as diversas dependências em que os indivíduos e os grupos se encontram no seu meio biológico ou social, de acordo com as suas próprias leis. A autonomia no interior da escola está relacionada às formas de agir no dia a dia, que estão pautadas numa concepção de educação. Entender esse elemento constitutivo permite que ações e tomadas de decisões sejam organizadas e planejadas visando propiciar melhores condições de efetivação da proposta pedagógica no contexto em que a instituição de ensino estiver inserida. Nas escolas, esse elemento é vislumbrado mediante a gestão esco- lar democrática. No entanto, essa autonomia precisa ser compreendida como relativa, ou seja, de modo que a estrutura do trabalho educativo perpasse questões legais dispostas na Constituição Federal, na LDB n. 9.394/1996 e nas leis estaduais e municipais que corroboram para a garantia do direito à educação a todos os brasileiros. Trata-se aqui de elucidar as palavras de Libâneo (2010, p. 299): não convém às escolas ignorar o papel do Estado, das Secreta- rias da Educação e das normas do sistema nem simplesmente subjugar-se a suas determinações. Tambémé salutar precaver-se No contexto escolar, é importante propor práticas pedagógicas que desenvolvam e fortaleçam todos os envolvidos nos processos educativos, pois a autonomia da instituição de ensino é relativa. Cabe, então, compreender que ter autonomia significa respeitar as disposições legais, porém, com senso crítico e responsabilidade para ressigni- ficar a ação no dia a dia escolar. Desse modo, como conquistar a autonomia na escola em uma perspectiva de propor práticas pedagógicas que visem à formação de um cidadão crítico, autônomo e participativo? Atividade 2 contra algumas atitudes demasiado sonhadoras de professores que acham possível uma autonomia total das escolas, como se elas pudessem prescindir inteiramente de instrumentos norma- tivos e operativos das instâncias superiores. A autonomia das es- colas em face das várias instâncias será sempre relativa. Assim, a escola usufrui da autonomia que lhe cabe de modo a con- tribuir com práticas pedagógicas que viabilizem a formação de um ci- dadão crítico, participativo, comprometido, responsável e autônomo das suas ações diárias dentro e fora da escola. Para isso, é oportuno destacar o elemento constitutivo pluralidade. A educação no contexto escolar precisa considerar a pluralidade exis- tente no dia a dia de cada cidadão nas práticas pedagógicas. De acor- do com Casassus (2002, p. 29), “a educação não é algo que acontece num vazio social abstrato. Pelo contrário sua existência dá-se num con- texto sociocultural concreto, o que é de suma importância”. Isto é, nos momentos de tomadas de decisões, a escola precisa incluir nos proces- sos educativos como trabalhar coletivamente a pluralidade, sendo que a conscientização dessa temática é deflagrada com a Declaração Uni- versal dos Direitos Humanos (DUDH), que tem como objetivo respeitar cada ser humano, considerando suas diferenças. Portanto, a discussão sobre esse assunto perpassa o entendimento das diferenças presentes na sociedade, assim como a reflexão de como é possível construir sua identidade na sociedade contemporânea, de modo a respeitar a diversidade étnica, racial, sexual, cultural, religiosa e de gênero, presente no dia a dia. Para saber mais sobre autonomia na escola pública, sugerimos a leitura do texto intitulado “Autonomia da escola pública: um enfoque operacional”, de autoria de Carmen Moreira de Castro Neves. NEVES, C. M. de C. In: VEIGA, I. P. A. Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. 7. ed. Campinas, SP: Papirus, 1998. Leitura Os elementos constitutivos participação, autonomia, transparência e pluralidade embasam a gestão democrática escolar. Desse modo, quais ações podem ser realizadas no contexto escolar para que esses elementos se consolidem no dia a dia da escola? Atividade 3 Ri do /S hu tte rs to ck Ideias e conceitos sobre gestão escolar 21 22 Princípios e métodos de gestão escolar CONSIDERAÇÕES FINAIS O contexto educacional brasileiro está organizado com base em um gover- no democrático. De acordo com essa realidade, faz-se necessário compreen- der e discutir temas que perpassam o cotidiano das instituições de ensino. Contudo, não basta apenas elucidar discussões acerca do que é gestão escolar, concepções de gestão e os elementos que constituem a gestão escolar democrática, é preciso apreender esses conceitos e colocar a teo- ria em prática. É imprescindível considerar que todo o trabalho realizado na escola está impregnado de intencionalidade educativa, mas, principal- mente, averiguar se essa intencionalidade contribui para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária ou propõe uma educação em que as ações educativas elucidem a subordinação e a racionalização do trabalho, desconsiderando as diferenças presentes na formação do ser humano. Para tanto, vale lembrar que a democracia visa a uma concepção de gestão democrático-participativa e, para que as práticas pedagógicas ocorram nessa perspectiva, é preciso discutir e debater o processo edu- cativo no dia a dia, percebendo nas ações a relação entre teoria e prática. Quando essas questões que abordam o que é gestão escolar, as con- cepções de gestão e os elementos que norteiam a gestão democrática são abordadas no contexto escolar, é possível ressignificar os processos educativos, considerando a formação integral do estudante, com base na democratização do ensino. REFERÊNCIAS BARROSO, J. O estudo da autonomia da escola: da autonomia decretada à autonomia construída. In: BARROSO, J. O estudo da escola. Porto: Porto, 1996. CASASSUS, J. A escola e a desigualdade. Brasília: Plano Editorial, 2002. DOURADO, L. F. Progestão: como promover, articular e envolver a ação das pessoas no processo de gestão escolar? Brasília: CONSED, 2001. DOURADO, L. F. (org.). Gestão escolar democrática: a perspectiva dos dirigentes escolares da rede municipal de ensino de Goiânia-GO. Goiânia: Alternativa, 2003. FERREIRA, A. A.; REIS, A. C. F.; PEREIRA, M. I. Gestão empresarial: de Taylor aos nossos dias. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. FERREIRA, N. S. C. Formação humana e gestão democrática da educação na atualidade. Curitiba: Appris, 2017. FÉLIX, M. de F. C. Administração escolar: um problema educativo e empresarial. São Paulo: Cortez; Autores Associados, 1985. GRIGOLI, J. de J. Quatro modelos normativos de democracia representativa: as versões elitista, liberal, pluralista, participativa e deliberativa. Pensamento Plural, Pelotas, Rio Grande do Sul, n. 14, p. 113-126, jan./jun. 2014. Disponível em: https://periodicos.ufpel. edu.br/ojs2/index.php/pensamentoplural/article/view/3239. Acesso em: 16 jun. 2020. Ideias e conceitos sobre gestão escolar 23 LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010. MARQUES, M. O. Projeto pedagógico: a marca da escola. Revista Contexto e Educação, Ijuí, n. 18, p. 16-28, abr./jun. 1990. PARO, V. H. Eleição de diretores: a escola pública experimenta a democracia. Campinas: Papirus, 1996. PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 17. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2012. SCHNECKENBERG, M. O princípio democrático na atuação do diretor de escola: um estudo comparativo entre diretores eleitos e reeleitos. Gestão em rede, n. 75, p. 8-14, mar. 2007. VEIGA, I. P. A. (org.). Projeto político pedagógico da escola: uma construção possível. Campinas: Papirus, 1995. GABARITO 1. A equipe gestora precisa propor a todos os envolvidos nos processos educativos mo- mentos de estudos acerca da concepção de gestão estabelecida pela instituição escolar. 2. Para conquistar a autonomia que proporcione o direito a educação, é importante que a comunidade escolar compreenda primeiramente como essa autonomia acontece no contexto escolar democrático, para que então seja possível propor vivências e discus- sões de como viabilizar esse direito de acordo com a realidade da escola. 3. Os princípios que embasam a gestão democrática escolar estão postos legalmente, mas quanto maior for o conhecimento com relação a esses pressupostos, maior será a probabilidade de compreender como os processos educativos precisam acontecer de modo a consolidar tal concepção de gestão. Portanto, sugerimos que a equipe gestora da escola organize momentos de estudos e discussões acerca dos princípios que embasam a gestão democrática, a fim de que as práticas pedagógicas ocorram no cotidiano escolar com base na teoria proposta. 24 Princípios e métodos de gestão escolar 2 Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros Neste capítulo, abordaremos as legislações vigentes que per- passam o contexto educacional, devido a elas estarem diretamente interligadas às concepções de gestão que orientam o trabalho rea- lizado nas instituições de ensino. Discutiremos as principais leis que embasam a educação no Brasil com o intuito de compreender as relações educativas que ocorrem na escola para garantir os fins educacionais,isto é, a ga- rantia do direito à educação a todos os brasileiros. Estudaremos também o que é regimento escolar e sua legalida- de no cotidiano das instituições de ensino, bem como a importân- cia da gestão democrática escolar na administração dos recursos financeiros destinados às escolas. 2.1 Principais leis que embasam a educação Vídeo Leis são princípios, preceitos e normas que estabelecem regras a serem seguidas e, em um regime de governo democrático, têm o obje- tivo de promover a igualdade de direitos e deveres a todos os cidadãos. As legislações nacionais existem para organizar ações com o intuito de construir uma sociedade justa e solidária, considerando o contexto histórico-econômico-político-étnico-racial apresentado na atualidade. As legislações educacionais, especificamente, são instituídas para or- ganizar e estruturar o sistema de ensino brasileiro, de modo a garantir o direito à educação a todos. Cabe ressaltar que essas legislações são prescritas no âmbito da educação básica (educação infantil, ensino fun- damental e ensino médio) e da educação superior (CURY, 2010). Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 25 As principais leis que determinam a educação brasileira são instituí- das pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF) e pela Lei n. 9.394/1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), além de decretos, resoluções, pareceres, portarias, instruções e atos que regulam e regulamentam a estrutura e o funcionamento do sistema de ensino. A CF do Brasil foi aprovada em 22 de setembro de 1988 e pro- mulgada em 5 de outubro do mesmo ano. Ela reconhece que to- dos os cidadãos brasileiros, independentemente da condição socioeconômica-política-étnico-racial, têm direitos e deveres. Para que isso ocorra, todos os cidadãos precisam conhecer tais direitos e deve- res, a fim de exigi-los e exercê-los (CURY, 2002). Sendo assim, é por meio da compreensão de como a educação está disposta no Brasil, bem como do conhecimento das legislações vigentes, que a comunidade escolar poderá discutir e refletir sobre os dispositivos legais que embasam o trabalho educativo realizado nas instituições de ensino, de modo a mobilizar ações que visem à garantia dos direitos e deveres estabelecidos em lei nacional. A educação é um direito social, assim instituído no Capítulo III, Se- ção I da CF (BRASIL, 1988): “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da fa- mília, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exer- cício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. O artigo 205 estabelece que a educação é um direito de todos os cidadãos brasileiros e que ninguém poderá ser excluído desse direito. A educação deve proporcionar o desenvolvimento pleno do estudante, assim como a preparação para o exercício da cidadania e qualificação para o mercado de trabalho. Entretanto, apesar de o direito ser assegurado em lei, ainda é preci- so discutir formas em que o direito à educação não esteja relacionado apenas à oferta de vagas, mas também à permanência dos estudan- tes na escola e à garantia da promoção do direito à aprendizagem. Para que a educação se efetive a todos os cidadãos, é preciso averi- guar questões socioeconômicas que perpassam o contexto brasileiro e como os princípios podem ser efetivados em uma realidade que apre- senta desigualdades sociais. 26 Princípios e métodos de gestão escolar Nesse sentido, faz-se necessário demarcar os princípios que definem como deve ser a educação no Brasil. O artigo 206 da CF (BRASIL, 1988) institui que: Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensa- mento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexis- tência de instituições públicas e privadas de ensino; IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII – garantia de padrão de qualidade; VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de trabalhadores considerados profissionais da educação básica e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação de seus planos de car- reira, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) Os princípios constitucionais embasam a educação e permitem aos profissionais das instituições de ensino que cumpram, com responsa- bilidade e comprometimento, o que está disposto na CF de 1988, por meio de ações democráticas. Os dispositivos legais que perpassam a educação nacional balizam a organização das instituições de ensino públicas e privadas, e a LDB n. 9.394/1996 regulamenta a educação básica e superior. O artigo 2º da LDB corrobora o artigo 205 da CF de 1988 quando define que: “Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1996). Tanto a CF do Brasil quanto a LDB n. 9.394/1996 preveem que a edu- cação é dever da família e do Estado, porém, para que a educação con- tribua efetivamente na formação do estudante e, consequentemente, Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 27 na consolidação da cidadania, é preciso que o Estado garanta a todos os estudantes o acesso, a permanência e a garantia do direito à educa- ção. À família, cabe o acompanhamento do estudante com relação aos processos educativos realizados na escola. Para isso, é importante que a equipe de gestão da escola proponha ações de participação da família na instituição de ensino, assim como o Estado precisa instituir políticas públicas com a finalidade de sanar gradativamente as desigualdades sociais presentes também no contexto educacional, a fim de garantir melhores condições na formação do es- tudante para o exercício da cidadania. É importante, também, mencionar o artigo 3º da LDB n. 9.394/1996, que coaduna com o artigo 206 da CF: Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultu- ra, o pensamento, a arte e o saber; III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância; V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; VII – valorização do profissional da educação escolar; VIII – gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; IX – garantia de padrão de qualidade; X – valorização da experiência extraescolar; XI – vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; XII – consideração com a diversidade étnico-racial; XIII – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (BRASIL, 1996) Os princípios dispostos constituem a organização do sistema edu- cacional brasileiro no que se refere a questões administrativas, pe- dagógicas, financeiras, à formação dos profissionais da educação, ao acesso e à permanência dos estudantes nas instituições de ensino, assim como à existência de práticas que intensificam o processo de ensinoe aprendizagem em uma perspectiva de promover a formação integral de todos os estudantes. 28 Princípios e métodos de gestão escolar Diante da diversidade apresentada na sociedade brasileira, depreen- demos a necessidade de as instituições de ensino realizarem ações educativas que vislumbrem a formação do cidadão, tendo como base encaminhamentos metodológicos que compreendam o processo de ensino e aprendizagem de maneira a contemplar os princípios estabe- lecidos nas legislações educacionais, bem como o respeito à heteroge- neidade e à individualidade de cada estudante. Essas ações precisam ser realizadas por todos os envolvidos no contexto escolar, de modo que a escola, por ser um local de formação do cidadão, possa gradativamente contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Após a publicação da LDB n. 9.394/1996, alguns decretos e portarias foram regulamentados em busca de melhorias no campo educacional. Nesse âmbito, destacamos o Plano Nacional de Educação (PNE), pro- mulgado pela Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001, com vigência até 2010. As diretrizes do PNE referem-se à articulação e ao desenvolvi- mento do ensino, desde a erradicação do analfabetismo até a elevação humanística, científica e tecnológica dos cidadãos brasileiros. Esse pla- no estabelece a concretização de diretrizes, metas e propostas para a política educacional brasileira em um período de dez anos. As diretrizes, metas e propostas estabelecidas pelo PNE surgem da necessidade de alcançar objetivos educacionais que contemplem a di- versidade social brasileira. Pautado em princípios democráticos, esse documento perpassa a educação em todos os níveis e modalidades de ensino, com base em objetivos a serem cumpridos a curto, médio e longo prazo. Salientamos que a implementação do PNE precisa ser acompanha- da por políticas públicas que corroborem as diretrizes estabelecidas nesse documento, de modo a contribuir com os demais envolvidos nos processos educacionais. Portanto, é preciso que todos os cidadãos, independentemente da condição socioeconômica-política-cultural, assumam a responsabilidade de colaborar para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária a favor de todos. Com relação ao acompanhamento da implementação do PNE, ficou estabelecido que: Art. 3º A União, em articulação com os Estados, o Distrito Federal, os municípios e a sociedade civil, procederá a avaliações periódi- cas da implementação do Plano Nacional de Educação. Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 29 § 2º A primeira avaliação realizar-se-á no quarto ano de vigência desta Lei, cabendo ao Congresso Nacional aprovar as medidas legais decorrentes, com vistas à correção de deficiências e dis- torções. (BRASIL, 2001) No entanto, as avaliações do PNE não ocorreram no quarto ano (SAVIANI, 2009). Em resposta a essa situação, outra medida do Governo Federal foi a aprovação do Decreto n. 6.094, de 24 de abril de 2007, que estabelece o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, cujos objetivos são melhorar a qualidade da educação no Brasil e reduzir as desigualdades com relação às oportunidades educacionais, garantindo o direito à aprendizagem. Esse plano é estruturado em 40 programas, ações e medidas de natureza educacional. Destacamos que ambos os planos objetivam a qualidade na educa- ção. A diferença entre o PNE e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) é que o primeiro apresenta ações que objetivam o acesso ao ensino, avanços com relação à formação e valorização dos profissionais da edu- cação e melhorias na gestão e no financiamento da educação; enquanto o PDE está mais voltado à oferta e à qualidade da educação em território nacional, diminuindo as desigualdades sociais por meio da equidade. Desse modo, no fim do ano de 2010, considerando as dificuldades apresentadas na efetivação do PNE (2001-2011), foi encaminhada ao Congresso Nacional uma nova proposta do Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020). Porém, não foi aprovada, pois algumas reflexões a respeito da efetivação das diretrizes ainda precisavam ser discutidas a fim de efetivar a execução do próximo PNE. Somente em 25 de junho de 2014, a Lei n. 13.005 estabeleceu o novo PNE, válido de 2014 a 2024. O PNE é estruturado em quatro blocos: o primeiro estabelece as metas de garantia ao direito à educação; o segundo, a redução das de- sigualdades sociais; o terceiro trata da valorização dos profissionais da educação; e o quarto bloco destina-se ao ensino superior. Para cada meta, são sugeridas estratégias para o cumprimento do que foi estabe- lecido (BRASIL, 2014). Entre as ações propostas no documento, salientamos a criação de uma base comum curricular a todos os estudantes da educação bási- ca, que já era prevista na CF do Brasil de 1988 e na LDB n. 9.394/1996. Essa base curricular tem por finalidade garantir a equidade na apren- dizagem de todos os estudantes, tornando-se um referencial teórico Para que todos os cida- dãos brasileiros possam acompanhar o Plano Nacional de Educação, foi criado o site Observatório do PNE (OPNE), no qual é possível monitorar as 20 metas e 254 estratégias que foram estabelecidas, além de permitir análises de como estão ocorrendo as políticas educacio- nais instituídas no PNE (2014-2024). Disponível em: https://www. observatoriodopne.org.br/. Acesso em: 16 jun. 2020. Site 30 Princípios e métodos de gestão escolar obrigatório para a elaboração dos currículos escolares das instituições de ensino públicas e privadas. A política de elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) teve início em 2014, com discussões e debates. O processo foi condu- zido pelo Ministério da Educação (MEC), pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e pelo Conselho Nacional de Educa- ção (CNE). Consequentemente, a construção foi coletiva. Em 2015, a primeira versão da BNCC foi disponibilizada on-line, para que os envolvidos no contexto educacional fizessem uma discussão preliminar desse documento. A segunda versão foi disponibilizada em 2016, possibilitando a elaboração de pareceres. No ano de 2017, a ter- ceira versão foi finalizada (BRASIL, 2017). Diante dessa prerrogativa, o CNE apresentou a Resolução CNE/CP n. 2, de 22 de dezembro de 2017, e instituiu a implantação da Base Nacional Comum Curricular em todas as escolas do Brasil até o final do ano letivo de 2020. Desse modo, a educação no Brasil está balizada em uma concepção de gestão democrático-participativa e vem buscando, nos últimos anos, adequar as políticas educacionais, a fim de atender à diversidade social e possibilitar o saber escolar, em uma perspectiva de atender a todos os cidadãos. Todavia, é necessário que os profissionais da educação tenham conhecimento de tais legislações e que o Governo Federal pro- porcione subsídios para que a educação seja efetivada nos diversos contextos, isto é, as ideias propostas em lei devem ser coerentes com a realidade brasileira. 2.2 Regimento escolar: o que é e para que serve Vídeo A concepção de gestão democrática escolar preconizada nos docu- mentos legais oportuniza a participação da comunidade escolar nos processos educativos. Todavia, essa participação pressupõe a todos os envolvidos a responsabilidade e o comprometimento de organizar e realizar o trabalho escolar de acordo com os dispositivos legais. Conheça os principais marcos do processo de elaboração da Base Na- cional Comum Curricular, desde a Constituição Federativa do Brasil de 1988 até a última versão. Disponível em: http://basenacio- nalcomum.mec.gov.br/implemen- tacao/pro-bncc/material-de-apoio. Acesso em: 16 jun. 2020. Site Após o Decreto n. 6.094, documento no qual o governo estabeleceu o Plano de Metas Com- promisso Todos pela Edu- cação, o MEC publicou o livro intitulado O plano de desenvolvimento da educação: razões, princí- pios e programas. A obraapresenta os princípios políticos, os fundamentos teóricos, os métodos edu- cacionais e a organização administrativa da gestão que presidia o ministério no período em que o livro foi publicado (2007). Disponível em: http://portal.mec. gov.br/arquivos/livro/livro.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. Leitura Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 31 Ra wp ixe l.c om /S hu tte rs to ck Seguindo essa linha de pensamento, Paro (2001, p. 52) afirma que: O local em que se realiza a educação sistematizada precisa ser o ambiente mais propício possível à prática da democracia. Por isso, na realização da educação escolar a coerência entre os meios e fins exige que tanto a estrutura didática quanto a or- ganização do trabalho no interior da escola estejam dispostas de modo a favorecer relações democráticas. Esses são requisitos importantes para que uma gestão escolar pautada em princípios de cooperação humana e solidariedade possa concorrer tanto para a ética quanto para a liberdade, componentes imprescindí- veis de uma educação de qualidade. Nessa perspectiva, a gestão democrática escolar, legalmente ampara- da pela LDB n. 9.394/1996, dá autonomia às instituições de ensino para que elaborem e organizem o funcionamento da escola conforme sua lo- calização e realidade, desde que em consonância com a legislação educa- cional de ordem nacional, estadual e municipal. Azanha (1995, p. 144-145) expõe como a autonomia precisa aconte- cer no contexto escolar: A autonomia não é algo a ser implantado, mas, sim, a ser assu- mido pela própria Escola. Não se pode confundir ou permitir que se confunda a autonomia da Escola com apenas a criação de de- terminadas decisões administrativas e financeiras. A autonomia escolar não será uma situação efetiva se a própria Escola não assumir compromissos com a tarefa educativa. Os dispositivos legais, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9.394/1996 (LDB), estabelecem a organização do trabalho educativo realizado na escola, assim como os princípios da educação no Brasil. Apresente quais são esses princípios e a finalidade da educação, conforme estabelecido nesse dispositivo legal. Atividade 1 32 Princípios e métodos de gestão escolar Logo, a autonomia da escola é uma possibilidade de fazer escolhas que atendam ao contexto escolar, propiciando os processos educa- tivos de maneira responsável e comprometida. O regimento escolar serve tanto para a documentação quanto para a organização dessas ações educativas. O regimento escolar é um documento legal normatizador e orien- tador do funcionamento e da organização do trabalho educativo rea- lizado na escola pública e privada. Todas as ações do coletivo escolar estabelecidas no regimento precisam estar em consonância com as práticas realizadas nesse espaço educativo. Essa organização da escola é respaldada legalmente pelo artigo 88 da LDB n. 9.394/1996: Art. 88. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios adaptarão sua legislação educacional e de ensino às disposições desta Lei no prazo máximo de um ano, a partir da data de sua publicação. § 1º As instituições educacionais adaptarão seus estatutos e regi- mentos aos dispositivos desta Lei e às normas dos respectivos sis- temas de ensino, nos prazos por estes estabelecidos. (BRASIL, 1996) Ressaltamos que o regimento escolar pode ser alterado conforme modificações ocorridas no contexto em que a instituição está inserida, assim como se ocorrerem mudanças na legislação vigente. É importante salientar também que esse documento expressa ainda questões pro- postas no projeto político-pedagógico da escola, assim como as parti- cularidades da instituição, de modo a estabelecer e legitimar as ações realizadas nesse espaço educativo. As normas estabelecidas precisam estar em consonância com os dispositivos legais que regulamentam a realização dos processos educativos no Brasil. Diante do exposto, Vasconcelos (2003, p. 39) esclarece que: a educação escolar tem finalidades, metas, objetivos a serem al- cançados; não é um processo aleatório. Entendemos que é um processo que está implícita uma diretividade, que não é, porém, estática, nem dogmática, sendo permeada pela interação entre os elementos participantes, que devem nele atuar como sujeitos. O fazer pedagógico apresenta distintas situações e, ao entender as finalidades propostas no regimento escolar, as tomadas de decisões diante das singularidades apresentadas no dia a dia escolar serão fun- A Secretaria de Estado da Educação do Paraná disponibiliza, no site do governo, um caderno de subsídios para a elabora- ção do regimento escolar. Intitulado Fundamentação legal para a elaboração do regimento escolar da edu- cação básica, o caderno apresenta uma diretriz para auxiliar na produção do documento. Disponível em: http://www. educacao.pr.gov.br/sites/ default/arquivos_restritos/files/ documento/2019-12/manual_re- gimento2017.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. Leitura Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 33 damentadas em princípios educacionais respaldados legalmente por um documento oficial da instituição de ensino. Por isso, ao elaborar o regimento escolar, é importante atentar aos itens que compõem esse documento, de modo a atender questões le- gais e pontuais da instituição de ensino. Para que isso ocorra, as se- cretarias de educação estaduais e municipais disponibilizam, para as escolas, um modelo oficial pautado em princípios democráticos. Assim, as particularidades de cada instituição são discutidas pelo coletivo da escola e propostas no regimento, que será aprovado pelo conselho escolar da instituição de ensino e pela Secretaria da Educação. Já nas escolas privadas o regimento é aprovado pela mantenedora e/ou pela direção da escola. Por ser um dispositivo obrigatório e de caráter legal, a elaboração do texto é fundamentada em bases jurídicas. Os elementos que com- põem os títulos e capítulos do regimento escolar se referem à identi- ficação da instituição de ensino, aos princípios e fins da educação e às especificações sobre a estrutura física, administrativa e pedagógica da escola, entre outros itens. Portanto, compreendemos que o regimento escolar é um documen- to que possibilita a democratização do ensino. Cabe à equipe diretiva da escola propor a discussão e a reflexão sobre o conteúdo desse docu- mento, bem como organizar ações educativas que coloquem em prática os compromissos assumidos coletivamente no regimento escolar. O regimento escolar regulamen- ta e normatiza todas as ações realizadas nas instituições de ensino. Nesse sentido, que ações a equipe diretiva da instituição de ensino pode oportunizar para que o disposto no regimento se efetive no cotidiano escolar? Atividade 2 2.3 Recursos financeiros na escola Vídeo A gestão de recursos financeiros na escola demanda a administra- ção do dinheiro que entra e sai da instituição de ensino. Em uma ges- tão democrática, a transparência é de fundamental importância para legitimar e priorizar o uso do dinheiro destinado a essa instituição. Os recursos financeiros precisam ser administrados tanto para a compra de materiais de consumo permanente quanto para a manu- tenção da estrutura física e aquisição de recursos didático-pedagógicos necessários à promoção de espaço físico e ambiente propícios aos pro- cessos educativos. 34 Princípios e métodos de gestão escolar Para Moreira (1998, p. 169): “A administração dos recursos financeiros, essencial para a manu- tenção de um ensino de qualidade, é considerada uma atividade-meio, pois viabiliza o espaço e as condições materiais de desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, embora não defina os objetivos educacionais”. Consequentemente, é necessário haver um planejamento com re- lação ao destino da verba a que a escola tem acesso, a fim de garantir o seu uso consciente. É fundamental fazer um levantamento das prio- ridades da instituição de ensino, paraque seja possível traçar metas e realizar ações que contribuam com os processos educativos desenvol- vidos. Resumidamente, a escola precisa ter planejamento, execução e controle dos recursos financeiros disponíveis. Em uma escola com concepção de gestão democrático-participativa, é preciso fazer reuniões com a comunidade escolar para discutir e de- cidir coletivamente a gestão do dinheiro em determinado período. Conforme dito anteriormente, a transparência é necessária e reside também no fato de que todos os gastos da escola precisam ser organi- zados com as notas fiscais originais, ou seja, deve haver prestação de contas dos gastos realizados. Para a organização dos recursos financeiros, sugerimos a utilização de recursos tecnológicos, como planilhas do Microsoft Office Excel, nas quais é possível desenvolver fórmulas para o cálculo automático e exa- to do fluxo de entrada e saída do dinheiro na instituição de ensino. Ra wp ixe l.c om /S hu tte rs to ck Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 35 No caso da escola pública, a utilização da verba precisa ainda estar em consonância com a Lei de Licitação e Registro de Preços (BRASIL, 2020a). Os recursos financeiros são destinados à escola pública tanto de maneira centralizada quanto descentralizada. O uso da verba centrali- zada é administrado pelo Poder Executivo (governador e prefeito), e a escola tem acesso às compras por intermédio do órgão executor (Se- cretaria Estadual e Municipal da Educação), que a equipa com mesas, cadeiras, quadros etc. e faz o pagamento dos profissionais que traba- lham na instituição de ensino. Com relação à descentralização do uso da verba pública, a legis- lação educacional prevê o envio de recursos financeiros à escola, de modo que a gestão escolar tenha autonomia para melhor aplicar o di- nheiro recebido. Para isso, a LDB n. 9.394/1996 institui que: “Art. 15 Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de edu- cação básica que os integram progressivos graus de autonomia peda- gógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público” (BRASIL, 1996). A descentralização financeira permite à escola resolver situações em que é necessário agilizar a verba, visto que o dia a dia das institui- ções de ensino é dinâmico e questões sobre como garantir as melhores condições de desenvolvimento dos processos educativos precisam ser discutidas constantemente pela comunidade escolar. Diante dessa situação, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvi- mento da Educação (FNDE), o MEC criou o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que encaminha os recursos financeiros às escolas públicas, viabilizando a autonomia escolar na administração das verbas recebidas. O PDDE foi criado em 1995, com a finalidade de oferecer assistência financeira às escolas públicas, contribuindo com a manutenção e me- lhoria da infraestrutura física e pedagógica da escola. Isso porque o re- curso financeiro enviado pelo PDDE não pode ser destinado a compras já financiadas pelo FNDE, como livros didáticos e de literatura enviados para a escola por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) (BRASIL, 2020b). A Resolução n. 18, de 21 de maio de 2013, dispõe o seguinte sobre a destinação dos recursos financeiros regulamentados no PDDE: Art. 2º Os recursos financeiros de que trata o art. 1º serão libe- rados em favor das escolas nele referidas que possuam Unidade Para o uso dos recursos financeiros, as esco- las públicas precisam seguir os processos estabelecidos pela lei referente a licitações dos fornecedores, que busca evitar o favorecimento de determinadas empresas e o desvio das verbas públicas. Obtenha mais informações sobre a Lei de Licitações acessando o site a seguir. Disponível em: https://www. fnde.gov.br/index.php/acesso- -a-informacao/fndegovernanca/ item/9784-licitacao-registro-pre- cos-perguntas-frequentes. Acesso em: 16 jun. 2020. Saiba mais https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes https://www.fnde.gov.br/index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos-perguntas-frequentes 36 Princípios e métodos de gestão escolar Executora Própria (UEx), devendo ser empregados na implemen- tação de ações que propiciem condições favoráveis à melhoria da qualidade de ensino e à transição das escolas para a susten- tabilidade socioambiental, considerando a gestão, o currículo e o espaço físico, de forma a tornarem-se espaços educadores sustentáveis. § 1º Para os fins desta Resolução, são considerados espaços educadores sustentáveis instituições de ensino que desenvol- vem processos educativos permanentes e continuados, capazes de sensibilizar a comunidade escolar para a construção de uma sociedade de direitos, ambientalmente justa e sustentável, fo- mentando ações que abranjam as dimensões currículo, gestão e espaço físico e compensem seus impactos ambientais com o de- senvolvimento de tecnologias apropriadas, de modo a garantir qualidade de vida às presentes e futuras gerações, na intencio- nalidade de educarem para a sustentabilidade socioambiental, tornando-se referência em seu território. (BRASIL, 2013) Nessa perspectiva, a própria legislação indica a necessidade de uti- lizar os recursos financeiros de modo a contribuir com os processos educativos, bem como a conscientizar a comunidade escolar sobre a sustentabilidade dos bens adquiridos, fomentando uma ação transfor- madora que reverbere na formação do homem, possibilitando o exer- cício da sua cidadania de maneira crítica e participativa. Assim como nas demais instâncias, é fundamental que a comunida- de escolar participe das decisões do uso da verba recebida pela escola, visto que essa participação está respaldada legalmente pela concep- ção de gestão democrática escolar. As reuniões e tomadas de decisões precisam envolver ainda as instâncias colegiadas, como o Conselho de Escola e Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF) e/ou Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). Outra questão a destacar é o valor dos recursos financeiros que a escola pública recebe, o qual é regularizado de acordo com a localiza- ção regional da instituição e a quantidade de estudantes matriculados. A Resolução n. 6, de 27 de fevereiro de 2018, estabelece que: Art. 9 § 3º Os repasses de recursos de que tratam o caput dar-se-ão em duas parcelas anuais, devendo o pagamento da primeira parcela ser efetivado até 30 de abril e o da segunda par- cela até 30 de setembro de cada exercício às EEx, UEx e EM que cumprirem os requisitos definidos no art. 12 até a data de efeti- vação dos pagamentos. (BRASIL, 2018) Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 37 Nesse sentido, Perrenoud (2000, p. 103, grifos do original) afirma que: Administrar os recursos de uma escola é fazer escolhas, ou seja, é tomar decisões coletivamente. Na ausência de projeto comum, uma coletividade utiliza os recursos que tem, esforçando-se, so- bretudo, para preservar uma certa equidade na repartição dos recursos. Por essa razão, se não for posta a serviço de um proje- to que proponha prioridades, a administração descentralizada dos recursos pode, sem benefício visível, criar tensões difíceis de vivenciar, com sentimentos de arbitrariedade ou de injustiça pouco propícios à cooperação. Dessa forma, é importante retomar o projeto político-pedagógico e o regimento escolar, bem como averiguar os objetivos dainstituição de ensino, com a finalidade de elaborar e executar o planejamento financeiro de modo que a escola viabilize ações para garantir o direito à educação. Nas escolas privadas, o uso dos recursos financeiros segue regula- mentos aprovados nos estatutos e regimentos da instituição de ensino. Além disso, as instituições são submetidas às legislações dos governos federal, estadual e municipal quanto ao funcionamento e à utilização de recursos financeiros, sobre os quais também prestam contas ao po- der público. Cabe destacar que, nas instituições privadas, a análise das necessidades da escola deve ser tão precisa quanto na pública, pois elas são mantidas por empresas privadas que também prestam contas. Baú e Grisard (2010, p. 31) afirmam: “para que possamos traçar um diagnóstico fiel dos principais desafios que as equipes diretivas das instituições de ensino encontram no seu cotidiano, é necessário consi- derarmos os riscos envolvidos na condução do negócio e as complexi- dades deste ramo de atividade”. O planejamento financeiro, tanto nas instituições privadas quanto nas públicas, é tão importante quanto o planejamento das ações pedagógicas. Sabemos que cada escola está inserida em um contexto específico e, por isso, é imprescindível o acompanhamento das ações propostas a fim de garantir o cumprimento legal das responsabilidades financeiras da escola, assim como da responsabilidade pedagógica, previstas nas legislações vigentes. Com relação aos recursos financeiros disponíveis às instituições de ensino, quais ações são pertinentes para que a gestão da escola destine a verba de modo transparente? Atividade 3 O Ministério da Educação é o órgão do Poder Executivo Federal res- ponsável pela educação no Brasil. Entre os órgãos vinculados ao MEC, está o Conselho Nacional de Educação (CNE), órgão normativo que coordena a política nacional da edu- cação e as demais políti- cas públicas instituídas no Brasil, a fim de garantir a execução dos dispositivos legais estabelecidos às instituições de ensino públicas e privadas. Para mais informações, acesse o site a seguir. Disponível em: http://portal.mec. gov.br/conselho-nacional-de-e- ducacao/apresentacao. Acesso em: 16 jun. 2020. Site 38 Princípios e métodos de gestão escolar CONSIDERAÇÕES FINAIS Os processos educativos realizados nas instituições de ensino têm como base as legislações vigentes, especialmente a Constituição Federa- tiva do Brasil de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/1996. O trabalho desenvolvido na escola, portanto, precisa ser ba- lizado na concepção de gestão democrático-participativa preconizada nos dispositivos legais. Para que isso ocorra, cada instituição de ensino possui um documento legal que regulamenta e normatiza todas as ações realizadas na escola: o regimento escolar. É fundamental que esse documento seja conhecido por toda a comunidade escolar, a fim de que todos tenham consciência dos seus direitos e deveres, oportunizando melhores condições de fun- cionamento e organização dos processos educativos. Com relação aos recursos financeiros da escola, é preciso planejamen- to para que as verbas disponíveis priorizem e atendam às necessidades da instituição de ensino, de modo a contemplar os princípios e as finalida- des educacionais. Além disso, é necessário o acompanhamento e o moni- toramento das prestações de conta, que carecem estar em consonância com o elemento constitutivo transparência, ou seja, a comunidade escolar precisa ter conhecimento dos gastos realizados pela escola. Conforme estudamos ao longo deste capítulo, o entendimento dos dispositivos legais é fundamental para que a gestão democrática escolar possa garantir o acesso à educação. REFERÊNCIAS AZANHA, J. M. P. Educação: temas polêmicos. São Paulo: Martins Fontes, 1995. BAÚ, Á. L.; GRISARD, L. A. Gestão escolar integrada: uma proposta de diálogo financeiro e jurídico. Curitiba: Positivo, 2010. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/ id/529732/lei_de_diretrizes_e_bases_1ed.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 10 jan. 2001. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/ l10172.htm. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Licitação e Registro de Preços. 2020a. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/ index.php/acesso-a-informacao/fndegovernanca/item/9784-licitacao-registro-precos- perguntas-frequentes. Acesso em: 16 jun. 2020. Gestão democrática: aspectos legais e recursos financeiros 39 BRASIL. Plano Nacional de Educação. OPNE, 2014. Disponível em: http://www. observatoriodopne.org.br/uploads/reference/file/439/documento-referencia.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Programa Dinheiro Direto na Escola. 2020b. Disponível em: https://www.fnde.gov. br/index.php/programas/pdde. Acesso em: 25 mar. 2020. BRASIL. Resolução CNE/CP n. 2, de 22 de dezembro de 2017. Brasília: Conselho Nacional de Educação, 2017. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/docman/dezembro-2017- pdf/79631-rcp002-17-pdf/file. Acesso em: 12 abr. 2020. BRASIL. Resolução n. 6, de 27 de fevereiro de 2018. Brasília: Fundo Nacional De Desenvolvimento Da Educação, 2018. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/index. php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/11945-resolu%C3%A7%C3%A3o- n%C2%BA6,-de-27-de-fevereiro-de-2018. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Resolução n. 18, de 21 de maio de 2013. Brasília: Fundo Nacional De Desenvolvimento Da Educação, 2013. Disponível em: https://www.fnde.gov.br/index. php/acesso-a-informacao/institucional/legislacao/item/4542-resolu%C3%A7%C3%A3o-cd- fnde-n%C2%BA-18,-de-21-de-maio-de-2013. Acesso em: 16 jun. 2020. CURY, C. R. J. Direito à educação: direito à igualdade, direito à diferença. Cadernos de Pesquisa, n. 116, p. 245-262, jun. 2002. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cp/ n116/14405.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. CURY, C. R. J. Lei de Diretrizes e Bases – Cury, Parte 1. 2010. Disponível em: http://www. gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/video/showVideo.php?video=13089. Acesso em: 16 jun. 2020. MOREIRA, A. M. de A. A gestão dos recursos financeiros na escola. In: VEIGA, I. P. A.; RESENDE, L. M. G. de. (org.). Escola: espaço do projeto político-pedagógico. Campinas: Papirus, 1998. PARO, V. H. Qualidade do ensino: a contribuição dos pais. São Paulo: Xamã, 2001. PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. SAVIANI, D. PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação: análise crítica da política do MEC. Campinas: Autores Associados, 2009. VASCONCELOS, C. dos S. Para onde vai o professor? Resgate do professor como sujeito de transformação. São Paulo: Libertad, 2003. GABARITO 1. A LDB n. 9.394/1996 estabelece que a educação precisa ser ofertada a partir dos princípios de liberdade e solidariedade humana, e tem como finalidade o desenvol- vimento pleno do educando, o preparo para o exercício da cidadania e sua qualifi- cação para o trabalho. 2. Disponibilizar e informar sobre o regimento escolar são ações que a equipe da gestão escolar precisa realizar na instituição de ensino, de modo que todos os envolvidos nos processos educativos conheçam esse documento e que ele esteja presente nas ações realizadas no dia a dia das escolas. 3. Propor reuniões com as instâncias colegiadas, o conselho da escola e a associação de pais, professores e funcionários, para que juntos possam elencar as prioridades de uso da verba na instituição de ensino, respeitando as legislações que destinam o seu fim, bem comorealizar a prestação de contas de modo que todos possam acompa- nhar a entrada e a saída do dinheiro. 40 Princípios e métodos de gestão escolar 3 Gestor educacional na contemporaneidade Neste capítulo, vamos elucidar e discutir a função do gestor no contexto escolar contemporâneo. Primeiramente, é importan- te definir que a atribuição principal do gestor escolar é promover o engajamento de toda comunidade escolar, de maneira crítica e participativa, no dia a dia da instituição de ensino. Para garantir que as ações educativas propostas pelo ges- tor sejam coletivas e estejam pautadas numa intencionalidade educativa, é fundamental que todos conheçam a função desse profissional na instituição. Dessa forma, o gestor escolar poderá oportunizar ações em que o coletivo escolar participe ativamente dos processos educativos, responsabilizando todos os envolvidos no desenvolvimento das ações realizadas na escola. Nessa perspectiva, compreender a cultura organizacional da escola é imprescindível para assegurar que a educação escolar cumpra a função de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática. 3.1 Perfil do gestor escolar democrático Vídeo A sociedade brasileira está inserida num contexto pautado em fun- damentos de um regime de governo democrático. Portanto, é neces- sário que os cidadãos conheçam os fundamentos estabelecidos na Constituição da República Federativa (CF) do Brasil de 1988, para que possam exercer seus direitos e deveres, bem como prestar suas contri- buições à sociedade. De acordo com a CF (BRASIL, 1988): Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indis- solúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui- -se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; V - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Essa Constituição preconiza, portanto, a construção de uma socie- dade mais justa e igualitária, por meio do povo e de seus representan- tes, o que requer que todos os cidadãos conheçam os fundamentos do regime de governo democrático e que as ações sejam respaldadas no respeito mútuo de um indivíduo para com o outro. Nesse sentido, o contexto escolar é propício para a compreensão e a prática desses fundamentos no dia a dia do cidadão. De acordo com Vasconcellos (2003, p. 39): para haver encontro educativo é necessário que as pessoas es- tejam em busca de algo, objetivando alguma coisa e que recipro- camente essas finalidades possam, de alguma forma, interagir, ter algo em comum. É neste ser intencional que se insere uma das dimensões políticas da educação, onde se expressa o com- promisso, a paixão, o desejo de um homem novo e de uma so- ciedade nova. É por aqui que passa a força maior que sustenta o trabalho: é só na medida em que temos uma perspectiva, um projeto, um desejo, uma esperança, é que continua- mos na luta. Tendo isso em vista, consideramos fundamental a participação de toda a comunidade escolar nas ações reali- zadas nas instituições de ensino. nd 30 00 /S hu tte rs to ck Gestor educacional na contemporaneidade 41 42 Princípios e métodos de gestão escolar Destacamos também o papel do gestor escolar que, daqui por dian- te, entenderemos como o diretor da escola, afinal, o gestor é a pessoa responsável por conduzir a equipe escolar à realização do seu trabalho, contribuindo com a democratização do ensino. O perfil do gestor escolar, tanto no setor público quanto no privado, é caracterizado pelo conhecimento dos aspectos legais, pedagógicos e administrativos que balizam a concepção de gestão democrática de modo a promover condições propícias para a realização e efetivação dos processos educativos desenvolvidos no espaço escolar. Para isso, Libâneo (2010, p. 332) esclarece que: “o diretor não pode se ater so- mente às questões administrativas. Como dirigente, cabe-lhe ter uma visão de conjunto e uma atuação que apreenda a escola em seus as- pectos pedagógicos, administrativos, financeiros e culturais”. O gestor escolar precisa ser uma pessoa com autoridade teórica em âmbitos pedagógico e administrativo, para propor ao coletivo esco- lar reflexões e discussões a respeito da temática. Mas, além da teoria, deve ter atitudes democráticas que vislumbrem os fundamentos dos dispositivos legais, caso contrário, o espaço educativo poderá se tor- nar um local onde ações ocorram sem intencionalidade educativa e/ou deslocadas dos fundamentos democráticos. Nessa perspectiva, Lück (2010, p. 103) esclarece que: o exercício do poder está associado à tomada de decisão sobre como agir em relação à realidade escolar, isto porque ela se ma- nifesta como um poder de influência, uma vez comprometida com as ações necessárias à sua implementação. Como a tomada de decisão em si é inócua e só se completa na ação, o poder é exercido não apenas por se tomar uma decisão, mas também por ser pôr em prática a decisão tomada. É necessário que a pessoa que for gerir a escola assuma o com- promisso de estar em constante processo de formação, de modo que esse desenvolvimento profissional ocorra tanto teoricamente quanto na prática, por meio do cotidiano escolar, de forma a considerar os princípios educacionais estabelecidos em dispositivos legais. Portanto, as ações realizadas na instituição de ensino devem legiti- mar os fundamentos estabelecidos na CF do Brasil de 1988 e na LDB n. 9.394/1996, afinal, a concretização e a consolidação de uma postura democrática se iniciam no espaço e no ambiente educativo estabeleci- do na escola. Gestor educacional na contemporaneidade 43 Nessa perspectiva, Vasconcellos (2019, p. 88) afirma que uma das raízes do comportamento autoritário é a insegurança: por falta de fundamentação, de argumento, o indivíduo agride, usa seu poder de forma dominadora para tentar calar o outro. A direção deve se qualificar, buscar crescer, se fortalecer também no conhecimento, para enfrentar os conflitos do cotidiano de maneira mais qualificada e produtiva. É muito animador quando a direção, além do estudo próprio, incentiva a equipe a estudar, pesquisar, inclusive no tempo de trabalho na escola, rompendo paradigma, anacrônico e dicotômico, de que o horário de traba- lho é tempo de “prática” e não de “teoria”. Sendo assim, cabe ao gestor colocar em prática ações educativas integradas e interativas, gerando reflexões e discussões acerca da gestão democrática, em que as tomadas de decisões são coletivas, a fim de fortalecer a democratização do ensino no contexto da realida- de brasileira. Algumas ações possíveis são: organizar reuniões administrativas e pedagógicas para repasses de informações, incentivando e promo- vendo a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões; organizar estudos acerca das concepções pedagógicas assumidas no contexto escolar; acompanhar o planejamento de ensino dos professo- res; verificar e oportunizar melhores condições técnico-pedagógicas de realização dos processos educativos, em consonância com os disposi- tivos legais; acompanhar os professores no atendimento às famílias e/ ou responsáveis dos estudantes; promover momentos de integração e valorização dos profissionais da escola, entre outras. É fundamental que o gestor tenha um perfil de pesquisador, moti- vador e articulador dos processos educativos, conduzindo o funciona- mento da escola por meio do trabalho coletivo e propiciando o direito à aprendizagem a todos os envolvidos. Além disso, ressaltamos que esse saber deve ser propagado no cotidiano escolar, de modo que pos- turas individualistas ou fragmentadas sobre o agir educacional não se sobressaiam aos processos educativos que envolvem a participação de todos na formação do estudante para o exercício da cidadania. Ao tecer umpanorama sobre o perfil do gestor escolar, é impor- tante lembrar que as escolas públicas, com base em dispositivos legais próprios dos estados e dos municípios, propõem a eleição de diretores. O processo eleitoral é uma forma de motivar a participação da comuni- Quais ações o gestor escolar pode colocar em prática na insti- tuição de ensino para possibilitar um trabalho educativo coletivo? Atividade 1 O gestor escolar é o profissional da instituição de ensino que representa toda a comunidade escolar. Contudo, para ser o articulador do trabalho realizado na escola, o gestor precisa contribuir efetivamente e demo- craticamente com os processos educativos desenvolvidos nesse espaço. Qual é o perfil que esse profissional precisa ter para desempenhar com êxito sua função? Atividade 2 44 Princípios e métodos de gestão escolar dade no momento de escolha do gestor, por meio de debates e de dis- cussões acerca do plano de ação proposto pelo profissional da escola que almeja essa função. Nessa perspectiva, é fundamental refletir e discutir sobre o que é gestão democrática escolar, uma vez que a organização do trabalho realizado na escola implica a efetivação dos processos educativos, e o gestor é o principal articulador das ações realizadas na instituição de ensino. Como esclarece Lück (2006, p. 77): “ao se promover a eleição de dirigentes, estar-se-ia delineando uma proposta de escola, um estilo de gestão e se firmando compromissos coletivos para levá-los a efeito de forma efetiva”. Ne w Af ric a/ Sh ut te rs to ck Diante do exposto, a gestão democrática se dá na instituição de en- sino no momento em que ocorre o envolvimento de todos nas toma- das decisões da escola, sendo que essa ação pode ser iniciada com a eleição de gestores. Após a eleição de gestores, o profissional eleito pela comunidade escolar assume um compromisso político-pedagógico diante da co- munidade que o elegeu, tonando-se corresponsável pela participação, discussão, reflexão e o acompanhamento dos processos educativos realizados. Dessa forma, a participação da comunidade escolar vai além do voto. Gestor educacional na contemporaneidade 45 Libâneo (2010, p. 328) esclarece que: a participação é o principal meio de assegurar a gestão demo- crática, possibilitando o envolvimento de todos os integrantes da escola no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. A participação proporciona melhor co- nhecimento dos objetivos e das metas da escola, de sua estru- tura organizacional e de sua dinâmica, de suas relações com a comunidade, e propicia um clima de trabalho favorável a maior aproximação entre professores, alunos e pais. Nesse contexto, o processo de eleição dos gestores precisa ser com- preendido como uma ação que explicita a organização da escola em âmbito político-pedagógico, e não apenas como a eleição de uma pes- soa que centralize as tomadas de decisões. Sugerimos a leitura de uma pesquisa realizada pela revista Nova Escola que aponta questões relacionadas às principais formas de eleição de dire- tores no país, revelando a falta de critérios para eleger esse profissional. Disponível em: https://abrilfun- dacaovictorcivita.files.wordpress. com/2018/05/como-escolher-um- -bom-gestor-escolar.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. Leitura 3.2 Funções e desafios do gestor escolar Vídeo Conforme vimos, tanto a sociedade quanto as escolas brasileiras es- tão inseridas num contexto democrático, portanto a gestão da instituição de ensino está atrelada a dispositivos legais e a concepções de ensino também democráticas. É necessário, então, que os profissionais da edu- cação tenham reflexões teóricas e práticas pedagógicas que enfatizem a construção de uma escola democrática, com abrangência dos espaços e ambientes educativos e dos profissionais que trabalham na instituição de ensino, destacando, inclusive, a postura do gestor escolar na condução do trabalho realizado. Discussões dessa natureza são elucidadas por Alonso (1988, p. 11), que afirma que: repensar a escola como um espaço democrático de troca e pro- dução de conhecimento é o grande desafio que os profissionais da educação, especificamente o Gestor Escolar, deverão enfren- tar neste novo contexto educacional, pois o Gestor Escolar é o maior articulador deste processo e possui um papel fundamen- tal na organização do processo de democratização escolar. A escolha do gestor da escola pressupõe a intervenção e a trans- formação da realidade social que está posta. O gestor precisa ser o articulador do que é possível fazer no tempo, nos espaços e nas ações que envolvem os profissionais da escola, visto que cada um possui uma formação acadêmica e uma história de vida, e ações precisam ser pen- sadas de modo a contemplar a diversidade desse espaço democrático. Sabemos que, em um espaço democrático, há opiniões e argumen- tos diferentes, assim como conflitos. Diante disso, o gestor escolar precisa se fundamentar numa concepção de educação que incentive a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões, com respeito às pessoas ao seu redor e à diversidade de opiniões, oportu- nizando o diálogo entre todos e mobilizando ações em que as pessoas aprendam a ouvir e a expor suas ideias com respeito às outras. O gestor escolar precisa articular e intervir nas ideias levantadas, possibilitando um consenso sobre o que foi discutido, para que as to- madas de decisões aconteçam coletivamente, de modo que a intencio- nalidade educativa da instituição seja o objetivo final. A direção da escola, além de uma das funções do processo orga- nizacional, é um imperativo social. O significado do termo dire- ção, no contexto escolar, difere de outros processos direcionais, especialmente os empresariais. Ele vai além da mobilização das pessoas para a realização eficaz das atividades, pois implica in- tencionalidade, definição de um rumo educacional, tomada de posição ante a objetivos escolares sociais e políticos, em uma so- ciedade concreta. A escola, ao cumprir sua função social de me- diação, influi significativamente na formação da personalidade humana; por essa razão, são imprescindíveis os objetivos políti- cos e pedagógicos. (LIBÂNEO, 2010, p. 330-331) O Ministério da Educação (MEC) organizou uma série intitulada Fazendo escola, em que especialis- tas discutem propostas referentes à gestão democrática, com base em documentários que expõem as experiências das escolas brasileiras. Sugerimos assistir ao vídeo Fazendo escola – função do diretor, publica- do pelo canal Eddie Silva, em que se contextualiza a função do diretor escolar. Disponível em: https://www.you- tube.com/watch?v=i2G0JkMOi1c. Acesso em: 16 jun. 2020. Vídeo Ra wp ixe l.c om /S hu tte rs to ck 46 Princípios e métodos de gestão escolar Gestor educacional na contemporaneidade 47 Delineia-se, então, a criação de um espaço reflexivo, em que a comu- nidade escolar amplia o seu olhar sobre as práticas pedagógicas, favore- cendo os processos educativos de modo coletivo. O trabalho educativo pode ser constantemente avaliado de maneira reflexiva, crítica e coleti- va, em que o pensar e o fazer pedagógico cotidiano tornam-se práticas pedagógicas comprometidas com a garantia do direito à educação. A função do gestor escolar é organizar a instituição de ensino de maneira administrativa e pedagógica, para que os processos educati- vos realizados alcancem os objetivos educacionais estabelecidos nos documentos legais. Para Libâneo (2010, p. 332): não se quer dizer com isso que o sucesso da escola reside uni- camente na pessoa do diretor ou em uma estrutura administra- tiva autocrítica – na qual ele centraliza as decisões. Ao contrário, trata-se de entender o papel do diretor como o de um líder coo- perativo, o de alguém que consegue aglutinar as aspirações, os desejos, as expectativas da comunidade escolar e articula a ade- são e a participação de todos os segmentos da escola em um projetocomum. O esforço do gestor escolar em propor ações democráticas é um meio para se atingir os objetivos educacionais, mas não é um fim em si mesmo. É fundamental que todos os profissionais da escola sejam participativos e envolvidos com a educação, a fim de garantir a aprendi- zagem de todos os estudantes, dentro e fora da escola. Nesse prisma, a educação, no contexto escolar, contribui com a formação do estudante para o exercício da cidadania no seu dia a dia. Como elucida Vasconcelos (2019, p. 88, grifos do original), “a gran- de tarefa da direção, numa perspectiva democrática, é fazer a escola funcionar pautada num projeto coletivo”. Nesse aspecto, a divisão de funções na escola se configura como uma organização do trabalho pe- dagógico, em que é fundamental a troca de experiências e a colabora- ção e o engajamento de todos na realização de práticas democráticas. Nesse sentido, o trabalho educativo coletivo envolve questões como: compreender a realidade brasileira, a estrutura e o funcionamento do sistema educacional; conhecer o contexto socioeconômico da escola e a comunidade escolar e para quem se destinam os processos escola- res. Para além dessas questões, é necessário propor soluções para as situações-problema existentes nesse espaço de formação do cidadão. 48 Princípios e métodos de gestão escolar As condições objetivas precisam ser expostas na gestão da institui- ção de ensino. Para isso, a gestão democrática escolar deve apresentar possibilidades e desafios que precisam ser enfrentados para que as práticas pedagógicas democráticas se consolidem gradativamente. De acordo com Libâneo (2010, p. 382-383): existem, assim, objetivos e processos de decisão compartilha- dos, mas não há ausência de direção; ao contrário, admite-se a conveniência de canalizar a atividade das pessoas para objetivos e executar as decisões, considerando, de um lado, a necessidade de realizar com eficácia as tarefas, de cumprir os objetivos, de obter resultados, de fazer a organização funcionar e de realizar avaliações; e, de outro, a necessidade de coordenar o traba- lho das pessoas, de assegurar um ótimo clima de trabalho, de enfrentar e superar os conflitos, de propiciar a participação de todos nas decisões, em discussão aberta e pública dos fatos, com confiança e respeito aos outros. Portanto, numa concepção de gestão democrático-participativa, é fundamental que a comunidade escolar possa contribuir com respon- sabilidade e comprometimento para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, é necessário estabelecer coletivamen- te diretrizes de trabalho, com o intuito de proporcionar condições e melhorias constantes para a realização das ações propostas na insti- tuição de ensino. Nessa linha de pensamento, é preciso averiguar constantemente as necessidades formativas dos profissionais da escola, assim como as in- cumbências relacionadas ao processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. Daí decorre o dimensionamento da função do gestor, no momento que promove discussões no interior da escola. Essa ação vai além da participação, pois justifica aqui a necessidade de o gestor escolar, assim como os demais envolvidos na formação do estudante, conhecer os dispositivos legais e as concepções que embasam a educação numa perspectiva de gestão democrática, bem como de assumir coletivamente a responsabilidade de colaborar com processos educativos democráticos. O modo como os processos educativos estão sendo efetivados no in- terior da escola precisa ser amplamente divulgado, para que seja possí- vel propor ações educativas que contemplem a todos os envolvidos. Com isso, objetiva-se transformar a escola num espaço educativo formativo não apenas para os estudantes, mas para toda a comunidade escolar. Gestor educacional na contemporaneidade 49 O grande desafio do gestor escolar é fazer com que a concepção de gestão democrática participativa se materialize no cotidiano escolar sem fragmentar o processo educativo, buscando práticas pedagógicas que perpassem a intencionalidade pedagógica. O avanço para o traba- lho coletivo está em reconhecer a responsabilidade e o comprometi- mento de todos com relação à ação pedagógica democrática. Considerando que a cultura organizacional da escola se constrói no dia a dia, qual é a concepção educativa que precisa estar atrelada à gestão da escola? Atividade 3 3.3 Cultura organizacional no cotidiano escolar Vídeo A escola, para além da organização por meio de dispositivos le- gais, apresenta particularidades em sua composição. A cultura orga- nizacional da escola apresenta-se de acordo com as especificidades da realidade social que compõem a instituição de ensino e as políticas es- tabelecidas nesse contexto. Daí a importância de se entender como proceder no dimensiona- mento do trabalho educativo realizado na escola, diante das diversida- des socioeconômicas-culturais apresentadas nesse espaço educativo. Para Teixeira (2002, p. 41): apesar de se estruturarem de modo semelhante, as escolas aca- bam por diferenciar-se, constituindo identidades próprias, cul- turas escolares nas quais os grupos vivenciam diferentemente códigos e sistemas de ação. A cultura interna das escolas varia como resultado da negociação que dentro delas se dá entre as normas de funcionamento determinadas pelo sistema e as per- cepções, os valores, as crenças, as ideologias e os interesses ime- diatos de administradores, professores, funcionários, alunos e pais de alunos. Diante desse quadro, é fundamental que posicionamentos reflexivos e críticos sejam instaurados no espaço educativo a fim de compreen- der suas especificidades, assim como para possibilitar a construção de uma proposta pedagógica e de processos educativos embasados numa concepção de gestão democrático-participativa. Sabemos que a realidade social da escola pode ser mudada confor- me as ações são realizadas em conjunto e, para isso, é preciso fortalecer o trabalho coletivo. Portanto, a construção de uma escola democrática é uma forma de contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e democrática. 50 Princípios e métodos de gestão escolar De acordo com Lück (2010, p. 30-31): a participação em sentido pleno é caracterizada pela mobilização efetiva dos esforços individuais para a superação de atitudes de acomodação, de alienação, de marginalidade, e reversão desses aspectos pela eliminação de comportamentos individualistas, pela construção de espírito de equipe, visando a efetivação de objetivos sociais e institucionais que são adequadamente enten- didos e assumidos por todos. Assim, o conhecimento sobre a cultura organizacional da escola é marcado por concepções burocráticas e hierárquicas que precisam ser superadas com a concepção da gestão democrático-participativa. Nessa linha de pensamento, Paro (2012, p. 212) elucida que: “a ‘coor- denação’ do esforço de funcionários, professores, pessoal técnico- -pedagógico, alunos e pais, fundamentada na participação coletiva, é de extrema relevância na instalação de uma administração democráti- ca no interior da escola”. O gestor escolar precisa propor reuniões coletivas nas quais a comunidade escolar possa discutir, sugerir e apresentar situações emergenciais e propor ações a fim de garantir melhores condições de realização dos processos educativos. Conforme Paro (2012) nos alerta, é preciso que haja representatividade autêntica nesses processos, por isso a responsabilidade nas tomadas de decisões deve ser de todos, e não centralizada em uma única pessoa. Nesse sentido, é preciso pensar na cultura organizacional do coti- diano escolar, pois é um processo de construção que envolve aspec- tos que atendam aos diferentes grupos que compõem a instituição de ensino. De acordo com Costa (1996, p. 81), “os indivíduos não são nem elementos mecânicos, nem sujeitos passivos, mas detêm interesses de ordem diversa – pessoais, profissionais e políticos – e procuram realizá- -los através dasorganizações”. Assim, a instituição de ensino, como um espaço social educativo, precisa reconhecer a necessidade de discussão sobre como a cultu- ra organizacional da escola interfere nos processos educativos rea- lizados nesse local e, consequentemente, na formação do cidadão. Isso pressupõe que discussões acerca da estruturação do trabalho pedagógico realizado na escola transpassem a cultura dos profis- sionais da educação, bem como a cultura escolar presente nesse espaço educativo. Gestor educacional na contemporaneidade 51 Para Dourado (2006, p. 59): construir uma nova lógica de gestão, que conte com a partici- pação da sociedade e dos atores diretamente envolvidos com a prática pedagógica, implica rever o modelo adotado pelos siste- mas públicos, cuja estruturação e funcionamento vivem até hoje características de um modelo centralizador. A educação escolar se desenvolveu em diferentes momentos histó- ricos, e isso se reflete nos dias de hoje. Todavia, sabemos que a crítica elucida pensamentos e ações que precisam ser considerados nos pro- cessos educativos desenvolvidos na escola. Para Ferreira (2003, p. 37), é necessário: repensar as estruturas de poder autoritário que permeiam as re- lações sociais e as práticas educativas, a fim de construirmos co- letivamente, na escola e na sociedade e em todos os espaços do mundo, uma nova ética mais humana e solidária. Uma nova ética que seja o princípio e o fim da gestão democrática da educação comprometida com a verdadeira formação para a cidadania. Sabemos que a realidade social vinculada à escolar é complexa. A instituição de ensino tem o desafio de superar essa complexidade na medida em que os preceitos da concepção da gestão democrático-par- ticipativa são trilhados de acordo com os dispositivos legais, a fim de garantir o direito à educação – exigência estabelecida nas políticas edu- cacionais – e o exercício da cidadania para além dos muros da escola. Portanto, cabe à escola promover a reflexão sobre ideias e con- ceitos preestabelecidos em relação aos processos educativos, para, quando necessário, quebrar paradigmas. A construção de uma escola democrática se dá por meio de pesquisas, discussões, reflexões, crí- ticas e diálogo, e as práticas pedagógicas podem se transformar gra- dativamente, vislumbrando o respeito mútuo entre todos, diante da diversidade apresentada. Estrela (2003, p. 57) esclarece que: “tornar a escola um espaço dia- lógico de construção de identidades implica, como tem sido repetida- mente notado, que a escola se torne uma organização democrática e participativa, aberta ao meio e dotada de um sentido de comunidade e da sua relação com a comunidade”. A escola é um espaço social de formação do cidadão, em que os processos educativos envolvem as interações sociais na instituição de 52 Princípios e métodos de gestão escolar ensino. Quando essas relações são conscientes, podemos atingir uma perspectiva crítica de trabalho educativo, visto que o comportamento e as opiniões das pessoas contribuem para a formação cidadã. Portanto, analisar o contexto institucional é fundamental para a compreensão do dimensionamento das mudanças que precisam acon- tecer no espaço educativo. Rever a cultura organizacional da escola requer identificar e reconhecer as mudanças necessárias, a fim de pro- porcionar melhores condições de funcionamento à instituição. É preciso ter um posicionamento crítico e reflexivo para compreen- der a diversidade presente no contexto escolar e propor os avanços necessários no campo educacional. As mudanças e as informações, na atualidade, ocorrem muito rapidamente e de forma significativa, per- passando questões sociais, econômicas, políticas e culturais, por isso esse movimento de discussão precisa ser constante e coletivo. Conhe- cer as particularidades da escola implica colocar em prática estratégias pedagógicas que atendam a determinada realidade escolar, fundamen- tadas na concepção de ensino de gestão democrático-participativa. CONSIDERAÇÕES FINAIS O contexto das escolas brasileiras é marcado por desigualdades sociopolítico-econômica-culturais. Todavia, o conhecimento oportuni- zado na escola, por meio de ações pedagógicas intencionais, possibilita discutir essa situação com base nos fundamentos legais de um gover- no democrático. Para isso, é fundamental que todos os profissionais que compõem a instituição de ensino participem constantemente de cursos de formação continuada, com o intuito de ampliar seu repertório teórico e prático para o trabalho e a participação na tomada de decisões no contexto escolar. Constantes estudos, reflexões críticas, teóricas e práticas acerca da edu- cação na atualidade são essenciais para propiciar a construção de uma escola democrática. REFERÊNCIAS ALONSO, M. O papel do diretor na administração escolar. Rio de Janeiro: Bertand Brasil, 1988. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm. Acesso em: 20 mar. 2020. Sugerimos assistir ao filme Duelo de Titãs, que retrata um contexto de preconceitos raciais entre jogadores de um time de uma escola de ensino médio, em Alexandria, no estado da Virgínia, Estados Unidos. Na história, a diretora da es- cola é forçada a integrar adolescentes negros a um colégio só de bran- cos. Para isso, contrata um técnico negro, que conquista o respeito de todos e se torna um gran- de exemplo para o time e para a pequena cidade em que vive. Direção: Boaz Yakin. EUA: Walt Disney Productions, 2000. Filme Gestor educacional na contemporaneidade 53 COSTA, J. A. Imagens organizacionais da escola. Lisboa: Asa Editores II, 1996. DOURADO, L. F. Gestão da educação. Brasília: Universidade de Brasília, Centro de Educação a Distância, 2006. ESTRELA, M. T. A formação contínua entre a teoria e a prática. In: FERREIRA, N. S. C. (org.). Formação continuada e gestão da educação. São Paulo: Cortez, 2003. FERREIRA, N. S. C. Formação continuada e gestão da educação no contexto da “cultura globalizada”. In: FERREIRA, N. S. C. (org.). Formação continuada e gestão da educação. São Paulo: Cortez, 2003. LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010. LÜCK, H. A gestão participativa na escola. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2010. LÜCK, H. Gestão educacional: uma questão paradigmática. São Paulo: Vozes, 2006. PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 17. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2012. TEIXEIRA, L. H. G. Cultura organizacional e projeto de mudança em escolas públicas. São Paulo: Autores Associados, 2002. VASCONCELLOS, C. dos S. Coordenação do trabalho pedagógico: do projeto político pedagógico ao cotidiano da sala de aula. 16. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 2019. VASCONCELLOS, C. dos S. Para onde vai o professor? Resgate do professor como sujeito de transformação. São Paulo: Libertad, 2003. GABARITO 1. O gestor escolar precisa apresentar ações educativas que demonstrem ao coletivo escolar o domínio teórico da função que exerce. Além disso, é preciso despertar e contagiar a comunidade escolar com práticas pedagógicas que promovam um apren- dizado constante, com base em desafios educacionais presentes na instituição de en- sino, vislumbrando que o trabalho coletivo representa, direta e indiretamente, um agir democrático. Sendo assim, as ações podem estar relacionadas à organização de reuniões técnico-pedagógicas que possibilitem a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões, desenvolvendo o diálogo, a escuta e o respeito diante das opiniões contrárias das pessoas envolvidas; proporcionar momentos de interação e valorização entre os profissionais da escola; acompanhar os professores em reuniões específicas com os familiares e/ou responsáveis dos estudantes, entre outras ações educativas que visem à garantia do direito à educação. 2. O gestor escolarprecisa ser pesquisador, buscando alinhar os princípios que emba- sam a gestão democrática escolar ao cotidiano escolar, além de ter consciência crítica da sua função, incentivando e motivando a participação de todos nas tomadas de de- cisões, de modo que as escolhas ocorram em prol da garantia do direito à educação. 3. A cultura organizacional da escola precisa estar atrelada à concepção de gestão democrático-participativa, de modo que as ações atendam à especificidade da escola. O trabalho pedagógico deve ser realizado por meio da tomada de decisões coletiva, a fim de garantir o direito à educação mediante práticas democráticas. 54 Princípios e métodos de gestão escolar 4 Possibilidades no contexto escolar Este capítulo tem como base a reflexão sobre o direito à edu- cação e a função social da escola. Para tanto, inicialmente, é pre- ciso destacar que é função da gestão escolar promover práticas pedagógicas que vislumbrem a formação e o exercício da cidada- nia do estudante. Nesse sentido, veremos algumas possibilidades no contexto escolar. Sabemos que a participação efetiva de todos os envolvidos nos processos educativos contribui para a organização do tra- balho pedagógico alicerçado em uma concepção de gestão de- mocrático-participativa. Portanto, uma das práticas democráticas que precisam realizadas na escola é a elaboração coletiva do pro- jeto político-pedagógico (PPP), documento que norteia o trabalho educativo da instituição de ensino. Por isso, é fundamental que as ações educativas sejam realizadas com base em propostas estabelecidas coletivamente, assegurando que o PPP tenha fins pedagógicos, e não apenas burocráticos. Outra possibilidade de prática pedagógica ocorre por meio da ação dos órgãos colegiados, que garantem a participação efetiva da comunidade escolar na tomada de decisões coletivas, vislum- brando que os processos educativos ocorram na instituição de ensino, a fim de garantir e efetivar o direito à educação a todos, conforme estudaremos adiante. Possibilidades no contexto escolar 55 4.1 A educação como direito Vídeo A educação é fundamental para o desenvolvimento do cidadão e é um direito assegurado pela Constituição Federativa (CF) do Brasil de 1988. Além de assegurar o acesso e a permanência do estudante na escola, a Constituição prevê o desenvolvimento integral dos indi- víduos por meio da educação, para além dos muros da escola, pos- sibilitando ao estudante poder viver de modo digno na sociedade na qual está inserido. Ressaltamos que os direitos fundamentais são aqueles relacionados ao ser humano, cuja essência e razão são vislumbradas na Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU, 2020): os direitos humanos são direitos inerentes a todos os seres hu- manos, independentemente de raça, sexo, nacionalidade, etnia, idioma, religião ou qualquer outra condição. Os direitos huma- nos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, entre e mui- tos outros. Todos merecem esses direitos, sem discriminação. Esses direitos foram elaborados com o intuito de promover a paz entre os seres humanos, vislumbrando o reconhecimento à proteção da dignidade humana, considerando as características particulares na- cionais e regionais de cada país. É necessário discuti-los coletivamente, a fim de propor condições necessárias para que todo ser humano – todas as pessoas que compõem a sociedade – possa se desenvolver integralmente de maneira mais justa e igualitária. O artigo 1º da DUDH estabelece que: “todos os seres humanos nas- cem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade” (ONU, 2009, p. 4). A DUDH preconiza, ainda, que os ho- mens e as mulheres precisam ser valorizados como seres humanos e que são iguais por natureza. Nesse sentido, Bobbio (2004, p. 11) esclarece que os direitos preci- sam ser assegurados e protegidos, e não apenas fundamentados, pois: uma coisa é proclamar esse direito, outra é desfrutá-lo efeti- vamente. A linguagem dos direitos tem indubitavelmente uma grande função prática, que é emprestar uma força particular às reivindicações dos movimentos que demandam para si e para os 56 Princípios e métodos de gestão escolar outros a satisfação de novos carecimentos materiais e morais; mas ela se torna enganadora se obscurecer ou ocultar a diferença entre o direito reivindicado e o direito reconhecido e protegido. Portanto, para que os direitos humanos sejam garantidos, políticas públicas precisam ser propostas para que as desigualdades sociais sejam superadas gradativamente, de maneira que os esforços para a efetivação dessa garantia sejam coletivos. Entretanto, à medida que transformações ocorrem no contexto socioeconômico e político, situa- ções específicas surgem, e novas políticas devem ser propostas para que tais direitos sejam supridos. Com base nisso, refletiremos sobre a educação como um direito fundamental ao ser humano. De acordo com o artigo 26 da DUDH: 1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratui- ta, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instru- ção elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta ba- seada no mérito. 2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as ativida- des das Nações Unidas em prol da manutenção da paz. 3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instru- ção que será ministrada a seus filhos. (ONU, 2009, p. 14) Assim, independentemente das condições socioeconômicas do ci- dadão, a educação é um direito humano que precisa ser garantido e efetivado com oportunidade a todos, de acordo com o contexto his- tórico vivenciado por cada indivíduo, promovendo a paz, o respeito à diversidade e à solidariedade. Em nosso país, o direito à educação é reconhecido da seguinte for- ma na CF do Brasil de 1988, capítulo 1º, artigo 205: “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988). Possibilidades no contexto escolar 57 Logo, cabe ao Estado viabilizar a educação, igualitariamente e equitativamente, a todos os cidadãos, não somente atendendo à sua obriga- toriedade, mas averiguando as condições reais de como esse direito será efetivado no cotidiano esco- lar e no contexto social de cada criança. Além disso, o Estado deve proporcionar o acesso, a permanência e a efetividade no processo de aprendizagem do estudante. Jamil Cury (2014, p. 66) afirma: o direito à educação parte do reconhecimento de que o saber sistemático é mais do que uma importante herança cultural. Como parte da herança cultural, o cidadão torna-se capaz de se apossar de padrões cognitivos e formativos pelos quais tem maiores possibilidades de participar dos destinos de sua socie- dade e colaborar na sua transformação. Consequentemente, o direito à educação também está relacionado à capacidade da instituição de ensino em investir no desenvolvimento pleno do estudante por meio do saber escolar, com práticas pedagógicas que estimulem a pensar e agir criticamente. A atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. 9.394/1996, artigo 22, institui que: “a educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegu- rar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores” (BRASIL,1996). Compreendemos, então, que a educação é um direito de todos e é dever do Estado e da família viabilizá-la. Desse modo, cabe ao Estado a responsabilidade e o comprometimento com a garantia dos direitos do ser humano, da formação do cidadão, provendo espaços educati- vos adequados, equipamentos necessários e profissionais preparados para essa missão. Rido/Shutterstock 4.2 Função social: a razão da escola Vídeo Paulo Freire (2000) afirma que a escola é um espaço privilegiado de formação do homem. Essa afirmação embasa o reconhecimento de que a função social da escola é promover a aquisição e a produção do conhecimento historicamente adquirido, bem como propiciar práticas pedagógicas que permitam ao estudante o exercício da cidadania na sociedade. Para Sousa (2013, p. 154): desse ponto de vista e tendo clareza da especificidade de sua proposta, a escola pode ousar rumo a perspectivas mais críticas e voltadas para a formação de um homem que, assumindo suas referências espaçotemporais, ou seja, sua historicidade, posicio- na-se como agente transformador, capaz de imprimir um caráter humanizador às estruturas sociais. Portanto, cabe à escola assumir a sua função social diante da so- ciedade, propondo, intencionalmente, situações em que os estudantes vivenciem o agir democrático, oportunizando o exercício da escuta e atribuindo voz aos estudantes. Além disso, a escola existe para oportu- nizar o acesso à cultura letrada a todos os homens, visto que a socie- dade contemporânea considera a aquisição do código de escrita como condição mínima de exercício da cidadania. De acordo com Saviani (2008, p. 15): a escola existe, pois, para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber. As atividades da escola básica devem se organizar a partir dessa questão. Se cha- marmos isso de currículo, poderemos então afirmar que é a par- tir do saber sistematizado que se estrutura o currículo da escola elementar. Ora, o saber sistematizado, a cultura erudita, é uma cultura letrada. Daí que a primeira exigência para o acesso a esse tipo de saber é aprender a ler e escrever. Além disso, é preciso também aprender a linguagem dos números, a linguagem da na- tureza e a linguagem da sociedade. Está aí o conteúdo fundamen- tal da escola elementar: ler, escrever, contar, os rudimentos das ciências naturais e das ciências sociais (história e geografia). Para tanto, a gestão da escola precisa reali- zar ações em que os processos educativos se deem por meio de situações contextualiza- das significativas para os estudantes. Isso revela que é preciso reconhecer a reali- dade, a diversidade, as particularidades e singularidades da própria instituição de ensino, fazendo com que o saber escolar atenda às diferentes fases e realidades da vida do estudante. DGLimages/Shutterstock 58 Princípios e métodos de gestão escolar Possibilidades no contexto escolar 59 A gestão deve propiciar a todos os envolvidos reflexões e análises sobre os processos educativos e a compreensão das diferenças pre- sentes nesse espaço, realizando atividades que concebam a cidadania como direito de todos. É importante que os envolvidos nos processos educativos assumam coletivamente o compromisso pedagógico e a responsabilidade de formar um cidadão mais crítico e participativo, para que o direito à educação aconteça em uma perspectiva democrá- tica e inclusiva. Conforme Jamil Cury (2014, p. 66-67): a educação escolar, ainda que imprescindível, participa dos sistemas sociais, mas ela não é o todo destes sistemas. As de- sigualdades sociais que perpassam a escola são características de sistemas sociais excludentes. Estão nela, mas não nascem dela. Lutar pelo fim da desigualdade social e das discriminações de qualquer natureza não é exclusividade da educação escolar. Contudo, dentro de seus limites, a escola possibilita um espaço de transmissão de conhecimentos e de convivência social ten- dentes a assinalar um projeto de sociedade menos desigual. Ela auxilia na eliminação das discriminações e, nesta medida, abre espaço para outras modalidades mais amplas de emancipação. Com isso, é necessário que a escola seja espaço de constantes discussões e diálogos, com o intuito de fomentar análises críticas sobre o contexto sociopolítico e econômico do país, bem como sobre os proble- mas ambientais, além de buscar alternativas para que os interesses educa- cionais previstos em lei sejam concretizados. Nessa linha de pensamento, é preciso propor práticas pedagógicas que favoreçam a participação crítica e reflexiva dos estudantes no contexto em que eles estão inseridos. As ações educativas devem favorecer a apreensão dos saberes es- colares, vislumbrando as práticas sociais democráticas. Para isso, a es- cola pode propor discussões com questionamentos sobre notícias da atualidade, gerando um debate em que os estudantes poderão expor seus conhecimentos e emitir suas opiniões, argumentando crítica e res- peitosamente, de modo a viabilizar possíveis soluções com relação a determinado assunto. Para que tudo isso ocorra, é fundamental que o gestor promova momentos coletivos de reflexão, com participação da comunidade es- colar, sobre questões legais e teóricas que prenunciem avanços quanto à garantia do direito à educação. A diversidade social está pre- sente nas instituições de ensino. Com a compreensão de que todos os estudantes têm direito à educação, quais ações podem ser propostas na escola para que os processos educativos promovam a eles o direito de ser cidadão? Atividade 1 60 Princípios e métodos de gestão escolar De acordo com Veiga (2013, p. 11-12) : a escola é o lugar de concepção, realização e avaliação de seu projeto educativo, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com base em seus alunos. Nessa perspectiva, é fun- damental que ela assuma suas responsabilidades, sem esperar que as esferas administrativas superiores tomem essa iniciativa, mas que lhe deem as condições necessárias para levá-la adiante. Diante dessa premissa, refletimos mais uma vez sobre a importân- cia da comunidade escolar na tomada de decisões relacionadas aos processos educativos. Sugestões, opiniões, intervenções pedagógicas, estratégias, encaminhamentos metodológicos, entre outros, devem ser propostos coletivamente, com o intuito de consolidar o direito à educação como direito humano, formando cidadãos que reconheçam e possam exigir seus direitos e deveres. 4.3 Projeto político-pedagógico como fio condutor do trabalho na escola Vídeo As orientações relacionadas à gestão democrática escolar, nos últi- mos anos, são de que as práticas pedagógicas sejam definidas em dis- cussões e decisões coletivas. Assim, é preciso compreender que toda prática pedagógica acontece com base em teorias que conduzem os processos educativos, com o objetivo de garantir o direito à educação. Para isso, reflexões acerca dos processos educativos precisam acon- tecer no interior da escola, com o propósito de que objetivos e metas educacionais sejam reconhecidos e todos assumam coletivamente a res- ponsabilidade e o compromisso pedagógico com a formação do estudante. fi zk es /S hu tte rs to ck O filme Entre os muros da escola retrata a com- plexidade da realidade escolar, possibilitando uma reflexão sobre como é possível agir pedagogi- camente diante da diver- sidade e dos problemas. Direção: Laurent Cantet. França: Sony Pictures Classics/Imovision, 2008. Filme Possibilidades no contexto escolar 61 O projeto político-pedagógico (PPP) é o documento que rege a in- tencionalidade educativa da instituição escolar e conduz a organização do trabalho pedagógico realizado na escola. Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai além de um simples agrupamento de planos de ensino e de atividades diver- sas. O projeto não é algo que é construído e em seguida arqui- vado ou encaminhadoàs autoridades educacionais como prova de cumprimento de tarefas burocráticas. Ele é construído e vi- venciado em todos os momentos, por todos os envolvidos com o processo educativo da escola. (VEIGA, 2013, p. 12-13) Isso evidencia a necessidade do envolvimento e comprometimento de todos na realização do trabalho pedagógico, em que a relação entre teoria e prática baliza as ações educacionais que estabelecem a identidade da escola; afinal, cada escola elabora o PPP de acordo com a sua realidade. O PPP compreende as necessidades, as especificidades e a realida- de do espaço educativo, determinando que as ações realizadas na es- cola precisam ser pautadas na intencionalidade educativa definida no documento. O projeto político-pedagógico significa, portanto, a prática pedagógica com base nos pressupostos estabelecidos. A elaboração do PPP precisa ser coletiva e participativa. A partici- pação deve ocorrer, também, no dia a dia escolar, possibilitando que as teorias propostas nesse documento sejam realizadas no trabalho educativo que ocorre na instituição de ensino. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação n. 9.394/1996 institui que: Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de gestão de- mocrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – par- ticipação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. (BRASIL, 1996) O PPP perpassa questões pedagógicas e técnicas e, ao ser construí- do coletivamente, reafirma o compromisso da escola com a formação do cidadão. Do mesmo modo, é essencial disponibilizar o PPP como fonte de consulta permanente, para que as propostas estabelecidas sejam integradas no cotidiano escolar. 62 Princípios e métodos de gestão escolar Nessa perspectiva, Veiga (2013, p. 17) elucida que: o projeto político-pedagógico, ao mesmo tempo em que exige dos educadores, funcionários, alunos e pais a definição clara do tipo de escola que intentam, requer definição de fins. Assim, todos deverão definir o tipo de sociedade e o tipo de cidadão que pretendem formar. As ações específicas para a obtenção desses fins são meios. Essa distinção clara entre fins e meios é essencial para a construção do projeto político-pedagógico. Ainda no que diz respeito à elaboração do PPP, a escola tem auto- nomia, com vistas a compreender a realidade na qual está inserida, contemplando os dispositivos legais e fundamentos teóricos da prática pedagógica realizada na escola, considerando que essa prática precisa acontecer em uma perspectiva de gestão democrática. Diante dessa premissa, os envolvidos nos processos educativos pre- cisam avaliar e reavaliar constantemente a proposta do PPP em relação às práticas realizadas na escola. Libâneo (2010, p. 361) elucida que: todo projeto é, portanto, inconcluso, porque as escolas são insti- tuições marcadas pela interação entre pessoas, por sua intencio- nalidade, pela interligação com o que acontece em seu exterior (na comunidade, no país, no mundo), o que leva a concluir que elas não são iguais. As organizações são, pois, construídas e re- construídas socialmente. Como a escola é um espaço formativo, é fundamental que a gestão or- ganize reuniões nas quais a discussão do PPP seja uma pauta permanente entre os envolvidos nos processos educativos. A participação de todos pre- cisa ser mediada de modo a promover a conscientização do compromisso pedagógico diante do trabalho educativo realizado nesse espaço de forma- ção do cidadão, possibilitando a efetivação do PPP no cotidiano escolar. Destacamos que o PPP, quando integrado a uma concepção de ges- tão democrático-participativa, permite mudanças graduais em relação à organização da gestão da escola, visto que todos, ao assumirem cole- tivamente a responsabilidade pedagógica na realização dos processos educativos, contribuem para a consolidação da função social da escola. A efetivação do PPP se estabelece conforme os autores desse docu- mento compreendem a complexa realidade escolar na qual estão inse- ridos e, ao consultarem constantemente esse documento, analisando e oferecendo subsídios teóricos e práticos para a realização das ativida- des escolares, contribuem para a formação de um indivíduo crítico, par- ticipativo e que exerce sua cidadania na sociedade na qual estiver inserido. O projeto político-pedagó- gico precisa ser elaborado coletivamente, visto que esse documento precisa contemplar a realidade da instituição de ensino e abordar questões que fundamentem teórica e legalmente a organização do trabalho pedagógico. Nesse sentido, por que esse documento precisa ser assumido como um compromisso pedagógico por todos os envolvidos nos processos educativos realizados na escola? Atividade 2 Com a implementação da BNCC, o Ministério da Educação sugeriu que as escolas revissem seus projetos político-pedagó- gicos. Para isso, disponibi- lizou um arquivo no qual apresenta uma discussão sobre esse documento, intitulado Dia de discussão do projeto pedagógico. Disponível em: http://basenacio- nalcomum.mec.gov.br/images/ implementacao/dia_discus- sao_projeto_pedagogico_v_prof. pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. Saiba mais http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/implementacao/dia_discussao_projeto_pedagogico_v_prof.pdf Possibilidades no contexto escolar 63 4.4 Gestão escolar: órgãos colegiados Vídeo A gestão democrática escolar permite às instituições de ensino que organizem e mobilizem formas de participação coletiva, de modo a dei- xar o mais transparente possível a tomada de decisões, incentivando, inclusive, práticas pedagógicas democráticas. Assim, uma gestão, ao considerar os elementos constitutivos fun- damentais para a organização e efetivação dos processos educati- vos em uma perspectiva democrática, possibilita o trabalho coletivo por meio de ações que reverberem a participação das pessoas en- volvidas com a educação. Gerir uma instituição de ensino coletivamente requer propor ações que garantam os direitos de todos. Para isso, existem os órgãos co- legiados: espaços de representações dos segmentos das instituições de ensino que realizam reuniões com os docentes, discentes, funcio- nários, familiares e/ou responsáveis, com a finalidade de legitimar a participação efetiva da comunidade na tomada de decisões da escola. Abranches (2003, p. 54) esclarece que: os órgãos colegiados têm possibilitado a implementação de novas formas de gestão por meio de um modelo de administra- ção coletiva, em que todos participam dos processos decisórios e do acompanhamento, execução e avaliação das ações nas uni- dades escolares, envolvendo as questões administrativas, finan- ceiras e pedagógicas. No contexto de gestão escolar democrática, a participação coleti- va é essencial na organização do trabalho pedagógico, pois propicia a autonomia e a identidade das instituições de ensino. Todavia, essa participação implica, sobretudo, a tomada de decisões, e as ações esta- belecidas coletivamente precisam ser acompanhadas e averiguadas, a fim de garantir a democratização do ensino. Para que isso funcione, a união dos envolvidos nos processos educativos precisa ser sustentada por meio de diálogo, respeito, comprometimento e responsabilidade com os desafios presentes na organização dos processos educativos. A Figura 1 ilustra como os órgãos colegiados são organizados no interior das escolas. 64 Princípios e métodos de gestão escolar Figura 1 Órgãos colegiadosÓRGÃOS COLEGIADOS Conselho escolar Conselho de classe APMF/ APPF Grêmio estudantil Fonte: Elaborada pela autora. Os instrumentos de participação da comunidade escolar legitimam a gestão escolar democrática e o que está disposto na LDB n. 9.394/1996, por isso a importância de mobilizar e ampliar a participação de todos nos órgãos colegiados. O conselho escolar é o órgão colegiado máximo na tomada de de- cisões da escola. A sua função é assegurar a gestão democrática, de modo que as decisões que perpassam o administrativo, o pedagógico e o financeiro sejam condizentes com a concepção do processo educa- tivo da escola, definida no PPP. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os conselhos esco- lares são: órgãos colegiados compostos por representantes das comuni- dades escolar e local, que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas, financeiras, no âmbito da escola. Cabe aos Conselhos, também, analisar as ações a empreender e os meios a utilizar para o cumprimento das finalidades da escola. Eles representam as comunidades es- colar e local, atuando em conjunto e definindo caminhos para tomar as deliberações que são de sua responsabilidade. Repre- sentam, assim, um lugar de participação e decisão, um espaço de discussão, negociação e encaminhamento das demandas Possibilidades no contexto escolar 65 educacionais, possibilitando a participação social e promovendo a gestão democrática. São, enfim, uma instância de discussão, acompanhamento e deliberação, na qual se busca incentivar uma cultura democrática, substituindo a cultura patrimonialista pela cultura participativa e cidadã. (BRASIL, 2004, p. 34-34) Nessa perspectiva, é importante ressaltar que as ações realizadas na escola são respaldadas legalmente pelo Estatuto do Conselho Es- colar. É o estatuto que normatiza a quantidade de membros para cada segmento, os chamados conselheiros. Nesse documento, também é definido como serão as reuniões, a tomada de decisões, entre outros assuntos de competência do órgão. O órgão colegiado Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF), ou Associação de Pais, Professores e Funcionários (APPF), é representado por pais, familiares e/ou responsáveis pelos estudantes matriculados na instituição de ensino e por todos os profissionais que trabalham no espaço educativo. Esse órgão objetiva discutir e propor soluções para situações-problemas que envolvem a formação cotidia- na do estudante, garantindo que essas ações estejam articuladas com o projeto político-pedagógico da escola. Para além dos objetivos pedagógicos, esse órgão é conhecido por estar presente no âmbito financeiro. É a APMF/APPF que garante que os recursos financeiros enviados pelos governos federal, estadual e/ou municipal sejam destinados exclusivamente para gastos da escola. As decisões tomadas por esse órgão colegiado devem garantir a legitimi- dade das ações propostas, pois apenas a transparência permite a cons- tituição de uma gestão democrática e participativa. Outro importante órgão colegiado é o conselho de classe, que exerce função deliberativa e consultiva nos processos avaliativos dos docentes e discentes no espaço escolar. O conselho é um momento de discussão coletiva para que ações educativas possam ser ressigni- ficadas de maneira a ampliar o processo de ensino e aprendizagem. É no conselho de classe que todo o trabalho educativo realizado na instituição de ensino é avaliado, com o intuito de averiguar como está ocorrendo esse processo do estudante. Os representantes do conselho de classe são: diretor, vice-diretor, pedagogo, professor, funcionário da escola e estudante. Considera-se, então, que esse órgão colegiado contribui, também, para a consolida- ção de uma gestão democrática. Para mais informações sobre o que é o conselho escolar, sugerimos acesso ao site do Ministério da Educação, que disponibili- za publicações referentes ao fortalecimento desse órgão nas instituições de ensino. Disponível em: http://portal.mec. gov.br/programa-nacional-de- fortalecimento-dos-conselhos- escolares/publicacoes. Acesso em: 16 jun. 2020. Saiba mais http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes http://portal.mec.gov.br/programa-nacional-de-fortalecimento-dos-conselhos-escolares/publicacoes 66 Princípios e métodos de gestão escolar Para Dalben (2004, p. 21): o conselho de classe, como instância na organização do trabalho escolar, tem uma razão de ser analisada à luz de suas origens [...] repensar a organização do trabalho escolar é condição principal para a análise dos problemas vivenciados no interior da escola, que coletivamente se buscará alternativas para que conduzam ao sucesso do aluno no ensino aprendizagem. Esse deve ser o momento em que se ampliam as possibilidades de mudanças no pensar e no agir individual e coletivo docente, discente e dos demais envolvidos nos processos educativos da escola; assim, discute-se o redimensionando da prática pedagógica, vislumbrando o compromisso e a responsabilidade de todos nesse processo educativo. Há, também, a participação do estudante no órgão colegiado de- nominado grêmio estudantil. Esse órgão representa os interesses dos estudantes e objetiva o trabalho relacionado às questões culturais, educacionais, cívicas, esportivas e sociais. O grêmio estudantil tem autonomia para propor, organizar e sugerir melhorias referentes aos interesses dos estudantes. Todavia, precisa ter autorização da equipe diretiva, assim como do conselho escolar, para rea- lizar determinadas atividades. Para organizar o grêmio na escola, é funda- mental que a equipe de profissionais da escola incentive essa iniciativa, apontando a importância desse órgão colegiado na instituição de ensino. As ações propostas no grêmio estudantil possibilitam aos estudan- tes vivenciarem situações de tomada de decisões coletivas, em que o diálogo é necessário ao expressar opiniões, sugestões e anseios por propostas a serem desenvolvidas na escola. Desse modo, a participa- ção do grêmio estudantil se torna um importante espaço de aprendi- zagem, pois contribui na formação para a cidadania, além de fazer com que o estudante se sinta responsável pela instituição de ensino. No momento em que essas ações são propostas, o estudante tem a oportunidade de desenvolver o protagonismo juvenil e, segundo Costa (2000, p. 126), é “uma forma de reconhecer que a participação dos ado- lescentes pode gerar mudanças decisivas na realidade social, ambien- tal, cultural e política em que estão inseridos”. Para que isso ocorra, é necessário que os gestores das escolas pro- ponham, no espaço educativo, situações em que o estudante exerça sua cidadania e lute por seus direitos e deveres, desenvolvendo sua autono- mia de modo responsável e participando da sociedade com cidadania. O grêmio estudantil foi proposto pelo Movi- mento Estudantil, criado pela União Nacional dos Estudantes (UNE), em 22 de dezembro de 1938, no Rio de Janeiro. Para saber mais sobre a UNE, acesse o link a seguir. Disponível em: https://une.org. br/a-une/. Acesso em: 16 jun. 2020. Site A gestão democrática prevê a participação da comunidade escolar nas tomadas de decisões relacionadas às ações a serem realizadas nas instituições de ensino. Para legitimar essa participação, existem os órgãos colegiados. Como é possível garantir a efetividade das ações desses órgãos no contexto escolar? Atividade 3 Possibilidades no contexto escolar 67 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para assegurar a efetivação dos direitos humanos, bem como protegê-los, é preciso reconhecer-se como ser humano com direitos. Neste capítulo, tratamos do direito à educação. Estudamos também que a função social da escola na sociedade estádiretamente relacionada à intencionalidade educativa proposta no projeto político-pedagógico; por isso, a elaboração desse documento precisa ser crítica, coletiva e participativa, a fim de que as propostas possam contribuir efetivamente para a formação do estudante. As práticas pedagógicas precisam estar pautadas em uma intenciona- lidade educativa que objetiva a formação integral do estudante crítico e participativo, que exerça sua cidadania de maneira a garantir os seus de- veres e direitos como ser humano. Nessa perspectiva, consideramos que a concepção de ensino estabelecida como gestão democrático-participativa é ideal para que as escolas organizem e mobilizem formas de participação coletiva em seus espaços educativos, incentivando práticas pedagógicas democráticas por meio dos órgãos colegiados: conselho escolar, associa- ção de pais, mestres e funcionários e/ou associação de pais, professores e funcionários, conselho de classe e grêmio estudantil. REFERÊNCIAS ABRANCHES, M. Colegiado escolar: espaço de participação da comunidade. São Paulo: Cortez, 2003. BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. BRASIL. Constituição Federal (1988). Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 maio 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao. htm. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394. htm. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Conselhos escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Brasília, DF: MEC, SEB, 2004. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/ce_cad1.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. COSTA, A. C. G. Protagonismo juvenil: adolescência, educação e participação democrática. Salvador: Fundação Odebrecht, 2000. CURY, C. R. J. Educação e direito à educação no Brasil: um histórico pelas constituições. Belo Horizonte: Mazza Edições, 2014. DALBEN, A. I. L. de F. Conselho de classe e avaliação: perspectivas na gestão pedagógica da escola. Campinas: Papirus, 2004. FREIRE, P. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: UNESP, 2000. LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm 68 Princípios e métodos de gestão escolar ONU – Organização das Nações Unidas. O que são direitos humanos? Disponível em: https:// nacoesunidas.org/direitoshumanos/. Acesso em: 16 jun. 2020. ONU – Organização das Nações Unidas. Declaração Universal dos Direitos Humanos. UNIC/ Rio/005, jan. 2009. Disponível em: https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/declaracao/. Acesso em: 16 jun. 2020. SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 10. ed. Campinas: Autores Associados, 2008. SOUSA, J. V. de. Avanços e recuos na construção do projeto político-pedagógico em rede de ensino. In: VEIGA, I. P A.; REZENDE, L. M de. (org.). Escola: espaço do projeto político- pedagógico. Campinas: Papirus, 2013. VEIGA, I. P. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção coletiva. VEIGA, I. P. (org.). Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 29. ed. Campinas: Papirus, 2013. GABARITO 1. Primeiramente, a escola precisa assumir e entender qual é a sua função social diante da construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, é preciso propor reuniões em que ações educativas com propostas equânimes atendam a todos os estudantes da escola, de modo a conceber a cidadania a todos como direito instituído em dispositivos legais. 2. É fundamental que todos os envolvidos assumam coletivamente o compromisso pe- dagógico do PPP. Isso porque esse documento apresenta a intencionalidade educa- tiva da instituição de ensino, em que as propostas estabelecidas foram definidas em comum acordo. Assim, as atividades realizadas na escola precisam estar presentes no dia a dia e pautadas teoricamente em uma concepção de gestão escolar democrática definida no PPP. 3. A gestão da escola precisa propor reuniões com os representantes dos órgãos colegia- dos com a finalidade de discutir e refletir a importância da presença e da efetividade da participação dos segmentos na tomada de decisões dos processos educativos rea- lizados na escola. Diante disso, a responsabilidade coletiva sobre a garantia do direito à educação torna-se o objetivo final da escola. https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/ https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/ Avaliação e gestão democrática 69 5 Avaliação e gestão democrática Este capítulo abordará os processos avaliativos educacionais, com o intuito de ressignificar as ações educativas realizadas nos espaços escolares. Para isso, apresentaremos questões relaciona- das ao entendimento do que é avaliação no contexto educacional, assim como as dimensões avaliativas e os aspectos relevantes da gestão escolar em relação à qualidade da educação, a partir dos processos educativos realizados no espaço escolar. 5.1 Conceituando o que é avaliação em educação Vídeo As discussões e reflexões que perpassam a avaliação no contexto escolar se referem às ações educativas que envolvem a organização do trabalho pedagógico e que implicam em tomada de decisões relaciona- das à garantia de melhores condições de oportunizar o direito à educação. É preciso considerar Freire (1996, p. 38), quando afirma que “ensinar exige reflexão crítica sobre a prática”. Ou seja, a prática avaliativa precisa estar vinculada ao processo de ensino e aprendizagem, respeitando as especificidades dos conteúdos apresentados em cada componente curri- cular e considerando as necessidades e potencialidades dos estudantes. A prática pedagógica norteia a ação reflexiva A ação reflexiva norteia a prática pedagógica Ao partir dessa compreensão de que ação e reflexão são indissociá- veis, é importante considerar que a avaliação está interligada ao plane- jamento. Nesse sentido, Libâneo (2004, p. 149) afirma que: “o processo 70 Princípios e métodos de gestão escolar e o exercício de planejar referem-se a uma antecipação da prática, de modo a prever e programar as ações e os resultados desejados, consti- tuindo-se numa atividade necessária à tomada de decisões”. Assim, é necessária a articulação da prática docente para a com- preensão do que é currículo, avaliação e planejamento, movimento ne- cessário para que os saberes escolares estejam vinculados a práticas sociais que propiciem a formação do cidadão. Refletir sobre os processos educativos realizados na escola é enten- der que a avaliação assume um caráter formador na proposição das práticas pedagógicas realizadas nas instituições de ensino. A avalia- ção, quando realizada durante o processo de ensino e aprendizagem, contribui com a organização do trabalho pedagógico. Nesse contexto, Hoffmann (2018, p. 13) esclarece que: o processo avaliativo está fundamentado em valores morais, em concepções de educação, de sociedade, de sujeito. Essas concep- ções regem o fazer avaliativo e lhe dão sentido. É preciso pensar, em primeiro lugar, sobre as concepções vigentes entre os educa- dores antes de se discutirem metodologias, instrumentos de tes- tagem e formas de registro. Reconstruir as práticas avaliativas, sem levar em conta o que significa “avaliar”, é como preparar as malas sem saber o destino da viagem. Desse modo, entendemos que o processo avaliativo propõe alcan- çar uma prática pedagógica que subsidie a organização do trabalho pe- dagógico. Ou seja, a avaliação permite verificar as ações da escola que precisam corroborar as concepções de educação, sociedadee homem estabelecidas no projeto político-pedagógico da instituição de ensino. Nesse sentido, a avaliação contribui com as ações do gestor escolar em relação aos processos educativos, pois a prática avaliativa apresen- ta a realidade da instituição de ensino. Assim, é de suma importância que as ações avaliativas realizadas na escola auxiliem na compreensão da complexidade que norteia o processo de formação do estudante e, consequentemente, do profissional da educação, que precisa planejar as ações educativas. Nessa perspectiva, Fernandes e Freitas (2007, p. 20) esclarecem que: a avaliação é uma das atividades que ocorre dentro do processo pedagógico. Este processo inclui outras ações que implicam na própria formulação dos objetivos da ação educativa, na defini- ção de seus conteúdos e métodos, entre outros. A avaliação, Avaliação e gestão democrática 71 portanto, sendo parte de um processo maior, deve ser usada tanto no sentido de um acompanhamento do desenvolvimen- to do estudante como no sentido de uma apreciação final sobre o que este estudante pôde obter em um determinado período, sempre com vistas a planejar ações educativas futuras. Não se pode perder de vista que a prática pedagógica está pautada em um projeto político-pedagógico, que pode ser reestruturado confor- me a realidade escolar. As reflexões sobre o trabalho realizado na escola permitem aos profissionais da educação reverem que o processo ava- liativo é uma atividade instituída de intencionalidade educativa, e o que nos dá esse suporte teórico é o projeto político-pedagógico. Portanto, o compromisso e a responsabilidade de exercer o trabalho educativo de- vem motivar situações dinâmicas, reflexivas, de produção, construção e reconstrução dos saberes escolares que considerem o contexto atual. Ademais, o ensinar e o aprender no cotidiano escolar acontecem por meio da avaliação, que precisa acontecer constantemente. De acordo com Libâneo (2013, p. 216): a avaliação é uma tarefa didática necessária e permanente do trabalho docente, que deve acompanhar passo a passo o pro- cesso de ensino e aprendizagem. Por meio dela, os resultados que vão sendo obtidos no decorrer do trabalho conjunto do pro- fessor e dos alunos são comparados com os objetivos propos- tos, a fim de constatar progressos, dificuldades, e reorientar o trabalho para as correções necessárias. A avaliação é uma re- flexão sobre o nível de qualidade do trabalho escolar tanto do professor como dos alunos. Diante dessa questão, os processos educativos e avaliativos pro- postos nas instituições de ensino devem proporcionar uma análise da cultura organizacional desse espaço, bem como a verificação, com base na intencionalidade da escola, em quais práticas pedagógicas precisam ser reorganizadas, a fim de garantir o direito à educação. Além disso, a avaliação escolar precisa acontecer em uma pers- pectiva crítica, em que a participação de todos os que estão envol- vidos nos processos educativos propicie constantemente avanços em relação à garantia do direito à educação, de modo que a gestão democrático-participativa se efetive nos espaços educativos. Portanto, para a organização dos processos avaliativos, é necessário planejamento. Isto é, a instituição de ensino precisa compreender aonde 72 Princípios e métodos de gestão escolar quer chegar e quais serão os meios para alcançar esses objetivos. Quan- do os objetivos educacionais estão bem delineados, torna-se natural pro- por práticas avaliativas que contemplem efetivar ações que proporcionem melho- rias nos processos educativos. Com relação a essa organização do trabalho pedagógico, Fernandes e Freitas (2007, p. 20) esclarecem que “é possível concebermos uma perspectiva de avaliação cuja vivência seja marcada pela lógica da in- clusão, do diálogo, da construção da autonomia, da mediação, da par- ticipação, da construção da responsabilidade com o coletivo”. Para isso, é necessário que os profissionais da educação compreendam a concepção avaliativa de modo a ressignificar a prática educativa, que pauta-se em uma concepção de ensino democrático-participativa, em que a reflexão ocorre durante a formação do estudante, mas, também, no trabalho realizado pelo profissional da educação, com vistas a me- lhorar os processos educativos. A compreensão e o entendimento sobre a concepção avaliativa da instituição de ensino configuram-se na prática pedagógica, e os proble- mas cotidianos podem ser vistos como pretextos para rever a organiza- ção do trabalho tendo em vista a intencionalidade educativa proposta no projeto político-pedagógico. 5.2 Dimensões avaliativas Vídeo Como estudamos, a avaliação é uma prática pedagógica intrínseca aos processos educativos realizados na escola; sua função é investigar como está o processo de ensino e aprendizagem, além de permitir que os profissionais da educação possam intervir nas práticas educativas, a fim de aprimorá-las. Discutir os processos educativos é, também, discutir os processos avaliativos, por isso é necessário compreender o que os dispositivos legais estabelecem sobre as práticas avaliativas no contexto demo- crático. Com base nos dispositivos legais, é possível refletir sobre as propostas do projeto político-pedagógico, relacionando-as com o que está disposto no artigo 46 da Resolução n. 4, de 13 de julho de 2010, Rawpixel.com/Shutterstock Avaliação e gestão democrática 73 o qual estabelece que: “Art. 46. A avaliação no ambiente educacional compreende 3 (três) dimensões básicas: I – avaliação da aprendizagem; II – avaliação institucional interna e externa; III – avaliação de redes de Educação Básica” (BRASIL, 2010). Consequentemente, as dimensões da avaliação precisam ser com- preendidas por todos os envolvidos nos processos educativos, visto que as informações fornecidas por essas avaliações proporcionam a busca por melhorias nas práticas pedagógicas do dia a dia escolar. Nessa perspectiva, apresentaremos, primeiramente, a avaliação de aprendizagem, que está relacionada com o que o professor planeja e analisa quanto à sua prática em sala de aula. Luckesi (2011, p. 45) elucida que: a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na me- dida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu consequente projeto de ensino. A avaliação, tanto no geral quan- to no caso específico da aprendizagem, não possui uma finalida- de em si; ela subsidia um curso de ação que visa construir um resultado previamente definido. Em síntese, a avaliação da aprendizagem permite aos profissionais da educação tomarem decisões acerca de como os saberes escolares estão sendo apreendidos pelos estudantes. A todo momento, o pro- fessor é colocado em situações nas quais precisa tomar decisões que envolvem a sua prática pedagógica, para que o objetivo educacional seja alcançado. Nessa perspectiva, a prática avaliativa se dá com base na realidade vivenciada no cotidiano escolar. Nesse sentido, Haydt (2004) considera que a avaliação da aprendi- zagem ocorre de três formas: avaliação diagnóstica, formativa e soma- tiva, como mostra a figura a seguir. Avaliação da aprendizagem Avaliação somativa Avaliação formativa Avaliação diagnóstica Fonte: Elaborada pela autora. Figura 1 Formas de avaliação de aprendizagem 74 Princípios e métodos de gestão escolar É fundamental que os profissionais da educação compreendam essas três formas de conceber a avaliação de aprendizagem no con- texto educacional, visto que a avaliação está relacionada a uma soma de fatores que visam contribuir na tomada de decisões referentes ao processo de ensino e aprendizagem no contexto escolar. O acompa- nhamento pedagógico constante permite ao professor realizar modifi- cações no planejamento, fazendo adequações metodológicas, a fim de tornar o aprendizado significativo para a formação do estudante. É relevante, então, destacar a afirmação de Fernandes e Freitas (2007, p. 20): quando a avaliação acontece ao longo do processo,com o ob- jetivo de reorientá-lo, recebe o nome de avaliação formativa e quando ocorre ao final do processo, com a finalidade de apreciar o resultado deste, recebe o nome de avaliação somativa. Uma não é nem pior, nem melhor que a outra, elas apenas têm obje- tivos diferenciados. Logo, a avaliação permeia o processo de ensino e aprendizagem do estudante, do professor e, consequentemente, da escola, pois as ações de ressignificação do trabalho educativo apontam para a avaliação for- mativa. Isto é, a avaliação formativa propicia aos envolvidos nos pro- cessos pedagógicos a revisão da intencionalidade educativa. Fernandes e Freitas (2007, p. 22) esclarecem o seguinte sobre a ava- liação formativa: continuamente, ela faz parte do cotidiano das tarefas propostas, das observações atentas do professor, das práticas de sala de aula. Por fim, podemos dizer que avaliação formativa é aquela que orienta os estudantes para a realização de seus trabalhos e de suas aprendizagens, ajudando-os a localizar suas dificuldades e suas po- tencialidades, redirecionando-os em seus percursos. A avaliação formativa, assim, favorece os processos de autoavaliação, prática ainda não incorporada de maneira formal em nossas escolas. Com base no que foi citado, a avaliação formativa propicia o alcance dos objetivos educacionais esperados. Para isso, cabe ressaltar que o planejamento contribui para as retomadas das práticas pedagógicas. Entretanto, no decorrer do processo educativo, é a avaliação diagnóstica que permite a elaboração de atividades pedagógicas que indiquem as necessidades e potencialidades de aprendizagem dos es- tudantes. Nesse sentido, Libâneo (2013, p. 218) afirma: Avaliação e gestão democrática 75 a função diagnóstica permite identificar progressos e dificul- dades dos alunos e a atuação do professor que, por sua vez, determinam modificações do processo de ensino para melhor cumprir as exigências dos objetivos. Na prática escolar cotidiana, a função de diagnóstico é mais importante porque é a que possi- bilita a avaliação do cumprimento da função pedagógico-didática e a que dá sentido pedagógico à função de controle. A avaliação diagnóstica ocorre no início, durante e no final do desenvolvi- mento das aulas ou unidades didáticas. Desse modo, a avaliação diagnóstica permite identificar as possibi- lidades e fragilidades das práticas pedagógicas realizadas ao longo do ano letivo, tendo em vista a reflexão e a ação de promover os saberes escolares de maneira efetiva na formação do estudante. Portanto, a união da avaliação formativa com a diagnóstica forne- ce informações para que o professor realize um trabalho pedagógico que oportunize mudar suas práticas. Afinal, essas avaliações fornecem subsídios para que as intervenções pedagógicas realizadas no decorrer do ano vislumbrem melhorias no processo de ensino e aprendizagem. O acompanhamento avaliativo do desenvolvimento do estudante em relação à construção dos saberes escolares permite promover uma for- mação que propicie condições para o estudante exercer sua cidadania para além dos muros da escola. Já avaliação de aprendizagem denominada somativa, tem como objetivo apresentar os resultados do processo de ensino e aprendiza- gem alcançados ao longo do ano letivo. Para Romanowski e Wachowicz (2006, p. 124-125): a avaliação somativa manifesta-se nas propostas de aborda- gem tradicional, em que a condução do ensino está centrada no professor, baseia-se na verificação do desempenho dos alunos perante os objetivos de ensino estabelecidos no planejamento. Para examinar os resultados obtidos, são utilizados testes e pro- vas, verificando quais objetivos foram atingidos considerando-se o padrão de aprendizagem desejável e, principalmente, fazendo o registro quantitativo do percentual deles. Nesse sentido, a avaliação somativa avalia como os objetivos edu- cacionais foram atingidos. Todavia, existem muitos fatores que precisam ser considerados para determinar o resultado da aprendizagem, por isso é necessário que, no decorrer do ano letivo, as avaliações diagnóstica e formativa aconteçam com frequência, a fim de propiciar intervenções O Triunfo tem como base fatos da vida de Ron Clark (1994), um professor da Carolina do Norte (EUA). O enredo permite reflexões acerca do que é a avaliação diagnós- tica, considerando a diversidade das famílias e o pré-julgamento dos estudantes. Direção: Randa Haines. Estados Unidos, 2006. Filme A avaliação de aprendizagem permite aos profissionais da educação refletirem sobre suas práticas avaliativas. Nesse sentido, quais são os tipos de avaliações que favorecem o pro- cesso de ensino e aprendizagem do estudante e por quê? Atividade 1 76 Princípios e métodos de gestão escolar pedagógicas visando possibilidades de entendimento dos sabe- res escolares pelos estudantes. Agora que já vimos os três tipos de avaliação de aprendiza- gem e o objetivo de cada uma delas, vamos apresentar o que é avaliação institucional. A avaliação institucional precisa ser periódica, com o intui- to de propiciar caráter diagnóstico e formativo, pois seu objetivo é avaliar a organização do trabalho pedagógico, permitindo o redimen- sionamento dos processos educativos realizados no espaço educativo. Fernandes e Freitas (2007, p. 35) esclarecem que: a avaliação institucional é também uma forma de permitir a me- lhor organização do coletivo da escola com vistas a uma gestão mais democrática e participativa que permita à coletividade enten- der quais os pontos fortes e fracos daquela organização escolar, bem como mobilizar, criar e propor alternativas aos problemas. Diante das palavras dos autores, é possível considerar a necessidade de elaborar um instrumento de avaliação que contemple aspectos pe- dagógicos, administrativos e financeiros da instituição de ensino. Esse instrumento de avaliação pode ser elaborado pela escola, assim como pela mantenedora da instituição de ensino. Entretanto, é fundamental que toda a comunidade participe dessa avaliação, e os resultados ob- tidos precisam ser discutidos para que se promova a legitimidade, a transparência e o objetivo desse instrumento. Após o levantamento das informações, é imprescindível que ocorra uma análise coletiva para ave- riguar quais as necessidades e potencialidades da instituição de ensino, de modo a estabelecer metas e objetivos educacionais que propiciem a reestruturação da organização do trabalho pedagógico. Por fim, a avaliação de redes da educação básica, também cha- mada de avaliação de larga escala e/ou externa, é organizada pelo Sis- tema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e permite realizar um diagnóstico da educação básica brasileira e de fatores que podem in- terferir no desempenho do estudante (BRASIL, 2020). Os resultados das avaliações de larga escala e/ou externas forne- cem informações que ampliam as discussões sobre como melhorar o ensino ofertado no Brasil, propiciando, assim, um planejamento de po- líticas públicas educacionais, visto que os resultados podem ser usados pelas escolas para análise do trabalho desenvolvido em determinado espaço educativo. panitanphoto/Shutterstock Sugerimos que acesse o site do Saeb para conhecer as matrizes de referência utilizadas para a elaboração das avaliações de larga escala e/ou externas. Disponível em: http://portal.inep. gov.br/web/guest/educacao- basica/saeb/matrizes-e-escalas. Acesso em: 16 jun. 2020. Saiba mais Avaliação e gestão democrática 77 Dessa forma, conhecer as dimensões da avaliação permite aos en- volvidos nos processos educativos proporem reflexões na instituição de ensino acerca das práticas pedagógicas que estão sendo realizadas, tendo como base as concepções de avaliação de acordo com a realida- de na qual a escola está inserida. Como as avaliações de larga escala e/ou externa contribuem com a organização do trabalho pedagó- gico realizado na escola? Atividade 2 5.3 Gestão escolar e qualidade na educação VídeoConforme vimos ao longo desta obra, a educação brasileira con- figura-se como um direito garantido pela Constituição Federativa do Brasil de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394/1996. Esses dispositivos legais estabelecem que um ensino de qualidade está pautado na garantia do direito à educação de modo a proporcionar o desenvolvimento pleno do estudante, possibilitando propostas educativas que permitam o exercício da cidadania e sua qua- lificação para o trabalho. Dito de outra forma, os processos educativos vinculados a uma concepção de educação que visa formar cidadãos com direitos iguais perante o Estado possibilitam que os espaços escolares desenvolvam um trabalho educativo com vistas à construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Para isso, é importante destacar o que significa um ensino de qua- lidade. O termo qualidade é marcado por diversas interpretações, po- rém, nesta obra, consideraremos a qualidade da educação em uma perspectiva de organização de gestão escolar democrática escolar que oportuniza aos estudantes os saberes escolares, por meio de práticas pedagógicas que permitam uma formação crítica, reflexiva e compro- metida com o exercício da cidadania. Nessa perspectiva, Libâneo (2013, p. 34) acrescenta que: a escolarização tem, portanto, uma finalidade muito prática. Ao adquirirem um entendimento crítico da realidade por meio do estudo das matérias escolares e do domínio de métodos pelos quais desenvolvem suas capacidades cognoscitivas e formam ha- bilidades para elaborar independentemente os conhecimentos, os alunos podem expressar de forma elaborada os conhecimen- tos que correspondem aos interesses majoritários da sociedade e inserir-se ativamente nas lutas sociais. 78 Princípios e métodos de gestão escolar Diante do exposto, convém, ainda, salientar que a qualidade na educação perpassa a organização do trabalho educativo, que envolve questões administrativas, pedagógicas e financeiras. Logo, as tomadas de decisões necessitam ser concebidas tendo em vista as bases teóri- cas e legais que sustentam os processos educativos; ou seja, a intencio- nalidade educacional que visa à formação do estudante. É necessário compreender a realidade político-econômica-social, assim como conhecer o entorno da instituição de ensino. Esse co- nhecimento permite que ações sejam propostas coletivamente e que mudanças educacionais necessárias sejam oportunizadas, com o pro- pósito de garantir o direito à aprendizagem a todos os estudantes. Reconhecendo as especificidades e a complexidade do trabalho educativo, Fernandes e Freitas (2007, p. 18) esclarecem: se a escola é o lugar da construção da autonomia e da cidadania, a avaliação dos processos, sejam eles das aprendizagens, da dinâmica escolar ou da própria instituição, não deve ficar sob a responsabili- dade apenas de um ou de outro profissional, é uma responsabilida- de tanto da coletividade, como de cada um, em particular. Desse modo, o gestor escolar que permite a participação de todos na tomada de decisões, responsabilizando e comprometendo peda- gogicamente e coletivamente os envolvidos nos processos educativos, contribui para a construção de uma escola que oferta um ensino de qualidade, conforme garantia do direito à educação. Nesse contexto, estudos e reflexões acerca do que é gestão escolar democrático-participativa oportunizam conduzir as práticas educativas e avaliativas de acordo com a intencionalidade educativa presente no cotidiano escolar. Para Luckesi (2011, p. 227): participar da gestão democrática da escola significa que todos se sentem e efetivamente são partícipes do sucesso ou do fracasso da escola em todos os seus aspectos: físico, educativo, cultural e político. Gestores administrando, educadores ensinando, estu- dantes aprendendo. Afinal, todos aprendendo numa ‘escola que aprende’, cada um no seu lugar e papel, orquestrando o todo. Não basta trabalhar em uma escola que tem uma organização de gestão democrático-participativa, é preciso aprender a vivenciar práti- cas democráticas, com vistas a oportunizar a qualidade na educação. A Avaliação e gestão democrática 79 educação escolar contribui para a formação de uma sociedade demo- crática quando as ações educativas vislumbram a vivência do pensa- mento crítico e reflexivo no dia a dia da instituição de ensino. Assim, compreender os fundamentos teórico-metodológicos esta- belecidos na escola é fundamental para a articulação das atividades pedagógicas que instituem processos educativos que contribuem para a formação do estudante em suas formas de agir, ser, pensar e comu- nicar no dia a dia. Nessa perspectiva, Paro (2011, p. 114) afirma que “como toda ativida- de humana, a educação não apenas é suscetível de avaliação, mas tem a avaliação como elemento necessário de sua constituição”. Portanto, se a educação visa formar um cidadão crítico e reflexivo, as práticas avalia- tivas realizadas na escola precisam possibilitar melhorias educacionais. De acordo com Libâneo (2010, p. 350): a avaliação é função primordial do sistema de organização e de gestão. Ela supõe acompanhamento e controle das ações deci- didas coletivamente, sendo este último a observação e a com- provação dos objetivos e das tarefas, a fim de verificar o estado real do trabalho desenvolvido. A avaliação permite pôr em evi- dência as dificuldades surgidas na prática diária, mediante con- fronto entre o planejamento e o funcionamento real do trabalho. Visa ao melhoramento do trabalho escolar, pois, conhecendo a tempo as dificuldades, pode-se analisar suas causas e encontrar meios de sua superação. Com base no que o autor expôs, consideramos fundamental que o gestor escolar, com os demais envolvidos nos processos educativos, apresente alternativas de melhorias na organização do trabalho reali- zado na instituição de ensino, a fim de que a educação escolar ocorra objetivando a formação do cidadão. Uma sugestão de melhoria na organização do trabalho pedagógico é organizar salas ambiente ou temáticas, estruturadas com base em cada componente curricular, onde sejam disponibilizados recursos didático-pedagógicos específicos para contribuir com o processo de ensino e aprendizagem. Nessa organização, os estudantes vão até a sala do professor, e não o professor até a sala. Outra possibilidade de trabalho é a inclusão das tecnologias da in- formação e da comunicação (TIC) nas práticas pedagógicas das institui- ções de ensino. Para Kenski (2007, p. 40), “as TICs evoluem com muita 80 Princípios e métodos de gestão escolar rapidez. A todo instante surgem novos processos e produtos diferen- ciados e sofisticados”. Por isso, os profissionais que trabalham nas es- colas precisam acompanhar essas atualizações e utilizar os recursos tecnológicos com a intenção de aprimorar os encaminhamentos meto- dológicos realizados nesses espaços educativos. Partimos, então, da premissa de que a função social da escola pre- cisa ser abordada constantemente nos espaços educativos para que as decisões de natureza pedagógica, administrativa e financeira acon- teçam democraticamente, considerando os envolvidos nos processos educativos responsáveis pela execução da intencionalidade do projeto político-pedagógico estabelecido na instituição de ensino. A gestão da escola que permite tais ações educativas demonstra conhecimento teórico acerca dos pressupostos que regem a educação brasileira, possibilitando, assim, que a comunidade escolar enfrente as condições existentes na escola, almejando a qualidade da educação. É importante lembrar que as práticas avaliativas são imprescindí- veis no processo de organização do trabalho educativo, como esclarece Luckesi (2011, p. 231): a avaliação terá um papel fundamental nesse processo, constan- do a qualidade dos resultados que estão sendo obtidos através da ação de todos subsidiando novas possibilidades de ação e aprendizagens também para todos. Afinal, essa é a possibilida-de da “escola que aprende”, de modo eficaz e consistente, onde todos respondem pelo sucesso; ou infelizmente, também ao fra- casso, na medida em que o fracasso de um segmento da escola não é somente dele, mas de todos os segmentos. Nesse sentido, a qualidade da educação necessita ser pautada em uma organização de gestão escolar que permita que os processos sejam constantemente avaliados, planejados e replanejados, para que a cons- trução dos saberes escolares proporcionados na instituição de ensino seja de responsabilidade de todos. Portanto, a qualidade da educação precisa ser concebida em uma gestão escolar em que a aprendizagem aconteça para todos; consti- tuindo, assim, um espaço educativo que oportunize o desenvolvimento de posturas e práticas democráticas, intencionando a formação crítica e reflexiva de todos os envolvidos nos processos educativos, de estu- dantes a profissionais da educação. Para ampliar a discussão sobre a qualidade da educação, o Ministério da Educação, por meio do Instituto Nacional Anísio Teixeira (Inep), publicou um material intitulado A qualidade da educação: conceitos e definições. Disponível em: http:// portal.inep.gov.br/ documents/186968/485287/ A+qualidade+da+educa%C 3%A7%C3%A3o+conceitos+ e+defini%C3%A7%C3%B5es /8926ad76-ce32-4328-8a26- 5139ccedddb4?version=1.0. Acesso em: 16 jun. 2020. Saiba mais Diante do exposto, o que se entende sobre qualidade da educação no sistema de ensino brasileiro? Atividade 3 Avaliação e gestão democrática 81 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, abordamos alguns aspectos relacionados à concepção de avaliação que norteiam a prática pedagógica na escola. Consideramos que as práticas educativas alicerçadas em práticas avaliativas permitem que o processo de ensino e aprendizagem ocorram de acordo com a in- tencionalidade educativa. Para isso, faz-se necessária a compreensão das dimensões avaliativas estabelecidas em dispositivos legais e fundamentos teóricos, as quais for- necem informações que subsidiam o entendimento dos dados levantados nas avaliações realizadas, oportunizando melhorias no processo de ensi- no e aprendizagem realizado na escola. Em suma, a avaliação no contexto de uma gestão democrática escolar propicia reflexões sobre os limites e as possibilidades da prática educativa de cada um, possibilitando a reorganização do trabalho pedagógico, com o objetivo de alcançar a qualidade da educação. REFERÊNCIAS BRASIL. Resolução n. 4, de 13 de julho de 2010. Brasília: Conselho Nacional de Educação. 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf. Acesso em: 16 jun. 2020. BRASIL. Ministério da Educação. Inep. Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). 6 maio 2020. Disponível em: http://portal.inep.gov.br/educacao-basica/saeb. Acesso em: 16 jun. 2020. FERNANDES, C. de O.; FREITAS, L. C. de. Currículo e avaliação. In: BEAUCHAMP, J.; PAGEL, S. D.; NASCIMENTO, A. R. do N. (org.). Indagações sobre currículo: currículo e avaliação. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 34. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. HAYDT, R. C. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 2004. HOFFMANN, J. O jogo do contrário em avaliação. 10. ed. Porto Alegre: Mediação, 2018. KENSKI, V. M. Educação e tecnologias: o novo ritmo da informação. 5. ed. Campinas, SP: Papirus, 2007. LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013. LIBÂNEO, J. C. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2010. LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004. LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2011. PARO, V. H. Crítica da estrutura da escola. São Paulo: Cortez, 2011. ROMANOWSKI, J. P.; WACHOWICZ, L. A. Avaliação formativa no ensino superior: que resistências manifestam os professores e os alunos? In: ANASTASIOU, L. das G. C.; ALVES, L. P. (org.). Processos de ensinagem na universidade: pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. 6. ed. Joinvile: Univille, 2006. 82 Princípios e métodos de gestão escolar GABARITO 1. As avaliações que favorecem o processo de ensino e aprendizagem do estudante são a diagnóstica e a formativa, pois permitem ao professor acompanhar, por meio das atividades, o processo de desenvolvimento do estudante, possibilitando a realização de intervenções pedagógicas ao longo do ano letivo. 2. Os resultados obtidos mediante as avaliações de larga escala e/ou externa, quando analisados e discutidos com base na realidade da escola, permitem identificar e en- tender as potencialidades e as fragilidades do trabalho realizado, propiciando um re- planejamento da organização do trabalho pedagógico. 3. A qualidade da educação pautada nos dispositivos legais estabelece que todos os es- tudantes têm o direito de se desenvolver plenamente, de modo que os saberes esco- lares trabalhados na escola permitam o exercício da cidadania e o acesso ao mercado de trabalho. Escolar Princípios e de Concepções Gestão Andréa Garcia Furtado A ndréa Garcia Furtado DE Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6629-2 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 2 9 2 Código Logístico 59373 Página em branco Página em branco