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UNIDADE I 
Introdução 
Aqui estudaremos sobre o Projeto Político-Pedagógico (PPP) e a atuação da gestão em face da elaboração e 
da organização deste documento e projetos educacionais. Você já observou como a organização de uma 
escola envolve inúmeras atividades que vão além da administração e do aspecto didático-pedagógico? A 
complexidade própria da organização escolar deve ser totalmente planejada, prevendo reflexões e mudanças 
de rumos. Tudo isso aumenta ainda mais a complexidade da organização escolar e a responsabilidade dos 
gestores, não é mesmo? 
Então, você está convidado(a) a construir habilidades de formulação do Projeto Político-Pedagógico em suas 
orientações gestoras, políticas e culturais por meio dos estudos neste conteúdo. 
Vamos definir o que é o Projeto Político-Pedagógico e sua importância para a organização escolar com base 
na legislação que orienta para a gestão democrática. Foi a partir da redemocratização do país e com a 
promulgação da Constituição Federal que alcançamos a democratização escolar, com a orientação da 
autonomia na condução da administração e no processo didático-pedagógico. 
Para exercer essa autonomia, o Projeto Político-Pedagógico deve considerar todos os aspectos sociais, 
políticos, culturais e econômicos que envolvem a escola inserida em seu contexto comunitário, o que requer 
uma gestão democrática e participativa. Este aspecto se configura na atualidade como condição para 
enfrentar os processos da globalização e da sociedade do conhecimento, por isso a escola deve saber fazer 
acontecer a articulação com os elementos da realidade que interferem na escola, visando a uma educação de 
qualidade. 
O estudo da organização do Projeto Político-Pedagógico permite localizar as principais funções do gestor da 
escola democrática relacionadas à organização das formas de participação da comunidade, dos estudantes, 
dos professores, e orienta para a importância das parcerias com setores sociais, com o objetivo de 
implementar a educação de qualidade visando à formação de sujeitos críticos, participativos na sociedade. 
Além disso, vamos estudar três tópicos importantes sobre gestão de projetos. Estes três tópicos de estudo 
visam proporcionar o objetivo maior de organizar a gestão de projetos educacionais de acordo com a 
legislação vigente e demandas regionais. 
O primeiro tópico busca conceituar projeto por intermédio da ideia construída em órgão internacional (PMI) 
e estudo da nomenclatura brasileira, passando a correlacionar com os projetos da área de educação e sua 
possibilidade de contribuir para melhoria e/ou enfrentamento das problemáticas. 
O segundo momento do conteúdo é a caracterização dos projetos educacionais e seus levantamentos de 
dados oriundos do processo democrático da comunidade local e regional da escola, buscando a 
personalização dessas demandas para a qualidade da educação cidadã. E, ainda, a apresentação de órgãos 
que detêm bases de dados dos indicadores de qualidade da educação brasileira para subsídio da formulação 
dos projetos e respectivos planos de ação. 
Fecharemos com a visão macro do sistema de ensino brasileiro e como está organizado seguindo a 
legislação vigente e as orientações básicas, bem como visitando organismos internacionais que, de maneira 
direta ou indireta, influenciam nas decisões de implantação de novos programas de governo da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, que servem ainda como parceiros dentro da perspectiva de 
novos caminhos a serem explorados para uma educação de excelência. 
Bons estudos! 
Objetivos da Aprendizagem 
• Formular o Projeto Político-Pedagógico em suas orientações gestoras, políticas e culturais; 
• Definir o Projeto Político-Pedagógico e sua importância; 
• Explicar as orientações gestoras, políticas e culturais do Projeto Político - Pedagógico; 
• Propor organização do Projeto Político-Pedagógico que atenda à função gestora e cidadã da 
escola. 
• Organizar a gestão de projetos educacionais de acordo com a legislação vi- gente e demandas 
regionais. 
• Definir projetos educacionais e suas possibilidades. 
• Apontar as demandas regionais de projetos educacionais. 
• Identificar as necessidades da gestão escolar e construção de projetos educacionais na 
legislação brasileira atual. 
A Importância do Projeto Político-Pedagógico 
Para a Qualidade do Ensino 
Para iniciar nossos estudos sobre a importância do Projeto Político-Pedagógica (PPP), queremos relembrar 
um pouco da legislação que deu origem ao caráter democrático e participativo que rege a formulação deste 
importante documento organizador dos aspectos que envolvem todo o processo de ensino e aprendizagem 
das instituições escolares da educação básica brasileira. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996 estabelece no Art. 12 os 
fundamentos e as orientações para a elaboração do PPP: 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a 
incumbência de: 
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; 
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; 
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; 
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a 
escola; 
VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a 
execução de sua proposta pedagógica. 
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre 
a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; 
(Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) 
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo 
representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de 
cinquenta por cento do percentual permitido em lei; (Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001) 
IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, 
especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas; (Incluído pela Lei nº 13.663, de 
2018) 
X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. (Incluído pela Lei nº 13.663, de 
2018) 
(BRASIL, 1996) 
Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a 
incumbência de: 
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica; 
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros; 
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; 
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente; 
V - prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; 
VI - articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a 
escola; 
VII - informar os pais e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, bem como sobre a 
execução de sua proposta pedagógica. 
VII - informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for o caso, os responsáveis legais, sobre 
a frequência e rendimento dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica da escola; 
(Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009) 
VIII – notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente da Comarca e ao respectivo 
representante do Ministério Público a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima de 
cinquenta por cento do percentual permitido em lei; (Incluído pela Lei nº 10.287, de 2001) 
IX - promover medidas de conscientização, de prevenção e de combate a todos os tipos de violência, 
especialmente a intimidação sistemática (bullying), no âmbito das escolas; (Incluídopela Lei nº 13.663, de 
2018) 
X - estabelecer ações destinadas a promover a cultura de paz nas escolas. (Incluído pela Lei nº 13.663, de 
2018) 
(BRASIL, 1996) 
A elaboração da proposta pedagógica de cada escola diz respeito ao cumprimento de todos os incisos do Art. 
12, e do Art. 14 da LDB, [M N A1] uma vez que o Projeto Político-Pedagógico envolve o alicerce da 
organização escolar como um todo, constituindo cada escola como um microssistema de ensino. 
LDB Art.14 
+ 
Microssistema de ensino, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2017), se refere à condução da escola em 
seus aspectos políticos, administrativos e pedagógicos. A partir do entendimento da concepção democrática 
escolar, o documento Projeto Político-Pedagógico de cada instituição descreve os aspectos globais a serem 
considerados na sua elaboração, tais como: dados históricos contextualizando o que originou a fundação da 
escola, contexto sociocultural da comunidade que atende, do local onde está inserida, com seus aspectos 
geográficos e socioeconômicos. Percebemos, então, que o PPP deve retratar a realidade da escola no 
contexto social em que está inserida, e não pensar nessa premissa levaria a escola a se constituir em uma 
instituição apartada da problemática social que a cerca. 
O conhecimento dos aspectos socioculturais e econômicos da realidade da inserção escolar é considerado no 
PPP a partir de uma reflexão crítica para alcançar a consciência das contradições que eclodem no interior da 
escola, afetando sua organização e a qualidade do ensino. Nesse sentido, a gestão escolar deve garantir a 
concepção e operacionalização do Projeto Político-Pedagógico, tendo como centro de sua atuação a gestão 
democrática e participativa, conforme veremos no Tópico 5.3. 
A operacionalização do Projeto Político-Pedagógico diz respeito ao plano de trabalho que deve ser 
implementado para determinar os rumos a serem seguidos, prever revisões, enfim, evitar o improviso por 
meio da formulação de ações, metas a serem alcançadas, procedimentos para a execução do que foi 
projetado etc. Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2017, p. 470-471), 
LDB Art.14 Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática de ensino público na 
educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: I – participação 
dos profissionais da educação na elaboração do PPP da escola; II –participação das comunidades escolar e 
local em conselhos escolares ou equivalentes. 
É pedagógico porque formula objetivos sociais e políticos e meios formativos para dar uma direção ao 
processo educativo, indicando por que e como se ensina e, sobretudo, orientando o trabalho educativo para 
as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. 
É pedagógico porque formula objetivos sociais e políticos e meios formativos para dar uma direção ao 
processo educativo, indicando por que e como se ensina e, sobretudo, orientando o trabalho educativo para 
as finalidades sociais e políticas almejadas pelo grupo de educadores. 
Percebemos que o aspecto pedagógico se volta para o fazer no processo de ensino-aprendizagem, e junto 
com o fazer pedagógico está o currículo. 
O aspecto político remete à concretização da prática democrática nas escolas. Conforme preconizam a 
Constituição Federal de 1988 e a LDB, deve ser formulado com a participação dos professores, gestores, 
funcionários, frequentadores da escola, e também prevê a participação de setores sociais do entorno escolar, 
pois todos estão envolvidos com a educação na perspectiva do desenvolvimento social e cidadão. 
 
A elaboração do PPP, portanto, se constitui na formulação da prática dos elementos sociais e culturais para 
uma prática educativa emancipadora e formadora de cidadãos éticos e participativos, que se preocupem em 
promover transformações sociais dentro de uma perspectiva de atuação coletiva no interior da escola e na 
sociedade que os cerca. 
Para a discussão e elaboração do PPP são considerados os seguintes tópicos: a) princípios (pontos de partida 
comuns); b) objetivos (pontos de chegada comuns); c) sistema e práticas de gestão negociadas; d) unidade 
teórico-metodológica no trabalho pedagógico; e) sistema explícito e transparente de acompanhamento e 
avaliação do projeto e das atividades da escola. (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2017). 
Observamos então, que o Projeto Político-Pedagógico se constitui em processo político-administrativo-
educacional, portanto, não se encerra na formulação do documento a cada período letivo, pois deve ser 
constantemente discutido e revisto nas reuniões dos professores. 
Os questionamentos: “Como ensinar? Com o que ensinar? Para quem ensinar? E por que ensinar o que se 
propõe?” se constituem na fundamentação que deve orientar a formulação do Projeto Político-Pedagógico. 
Para isso, o envolvimento dos educadores é condição primordial para tomadas de decisões sobre como será 
realizada a prática escolar no cotidiano. 
Nesse sentido, conhecer os alunos é fundamental, e não somente saber quais são os seus conhecimentos 
advindos da escolarização que já tiveram, como também é condição fundamental conhecer os aspectos 
socioculturais que influenciarão na identidade da escola. Essas premissas colaboram para que sejam 
elaborados os planos de ensino, os planos de aula e a aplicação das sequências didáticas a cada aula do ano 
letivo. 
Percebemos que o Projeto Político-Pedagógico se constitui como o retrato histórico-social de cada 
instituição de ensino, por isso a necessidade do comprometimento de todos os setores escolares envolvidos, 
uma vez que nele devem estar contidas as expectativas da comunidade para seu desenvolvimento social por 
meio de uma educação de qualidade. 
Neste tópico, estudamos os conceitos fundamentais que envolvem o PPP, da sua concepção ao envolvimento 
dos atores escolares que trabalham na sua elaboração e na consecução de seus objetivos. Queremos destacar 
que este documento é elaborado e concretizado com o envolvimento de uma série de práticas, com a 
finalidade de alcançar a principal função da escola, que é o ensino e a aprendizagem. Assim, estudaremos a 
seguir o papel da equipe gestora para uma educação de qualidade. 
A Necessidade de Intervenção da Equipe 
Gestora Para Obtenção de Resultados 
Qualitativos 
Considerando que a escola é um lugar de educação formal que tem como perspectiva a formação de sujeitos 
éticos e conscientes da participação cidadã para a transformação da sociedade, o princípio da gestão 
democrática deve se fundamentar pela busca de uma educação de qualidade. 
A escola é o lugar de ensino e deve ser organizada dentro de um esquema eficiente para garantir os melhores 
resultados. A organização, em princípio, faz parte da gestão na liderança do bom andamento das condições 
do exercício profissional de todos e do bom desempenho das ações pedagógicas. A falta de conhecimento 
dos professores sobre os processos que envolvem as formulações pedagógicas resulta em movimentos 
escolares sem conexão entre eles, como se a responsabilidade sobre o aprendizado e as condições de ensino 
pertencessem somente ao trabalho do professor em sala de aula. Assim, temos que pensar nas diversas 
atribuições dos profissionais em uma relação de interdependência, pois o sucesso depende de todos. 
É importante ter em mente a palavra gestão enquanto equipe gestora, visto que é recorrente certa confusão 
na nomenclatura entre diretor e gestor. A figura do diretor de escola comumente está associada ao trabalho 
do diretor que se distancia dos demais profissionais, justificando suas atividades administrativas e 
burocráticas. Trata-se de uma visão tradicional e retrógrada, que perde a eficácia no atendimento das 
exigências educacionais da atualidade. 
 
Figura 2 - Equipe gestora responsável pela obtenção de resultados qualitativos 
Fonte: Plataforma Deduca (2022). 
Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2017,p. 481), as seguintes áreas de atuação da gestão escolar estão 
relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem: “o planejamento e o projeto pedagógico curricular; a 
organização e o desenvolvimento do currículo; a organização e o desenvolvimento do ensino; a avaliação 
institucional da aprendizagem”. 
Essas áreas de atuação da gestão não estão descoladas dos aspectos técnico-administrativos, entretanto, 
constituem-se como orientações para a consecução do êxito escolar diante das avaliações externas que 
servem para a reflexão sobre como o ensino está sendo conduzido na escola em face das necessidades de 
aprendizagem esperadas. 
No contexto da globalização e das relações pedagógicas, faz parte das atribuições do gestor propiciar 
condições para que o ensino e a organização escolar contribuam para a participação na sociedade do 
conhecimento, e esse trabalho pressupõe a formação de uma equipe gestora. Esta premissa remete a uma 
organização escolar que atue tanto nos processos políticos e administrativos como na busca da qualidade e 
dos resultados escolares, pois de nada adiantaria focar apenas no aspecto social se estes estiverem 
dissociados da objetivação da qualidade como resultado da aprendizagem. Segundo Lück (2013, p. 117), a 
gestão democrática, para ser plena: 
Necessita tanto de uma nova mentalidade e atitudes como também de conhecimentos e habilidades 
adequados à sua expressão, que tornam as pessoas capazes de agir. Isto é, há necessidade de competências 
técnicas para que a competência política seja efetiva. Ressalta-se que é a ação que transforma a realidade e 
não a contemplação, e que as ideias não têm valor por si próprias, mas por sua capacidade de impulsionar a 
ação para promover resultados desejados. 
Necessita tanto de uma nova mentalidade e atitudes como também de conhecimentos e habilidades 
adequados à sua expressão, que tornam as pessoas capazes de agir. Isto é, há necessidade de competências 
técnicas para que a competência política seja efetiva. Ressalta-se que é a ação que transforma a realidade e 
não a contemplação, e que as ideias não têm valor por si próprias, mas por sua capacidade de impulsionar a 
ação para promover resultados desejados. 
A intervenção da gestão pedagógica para a qualidade do ensino, portanto, pede a tomada de medidas que 
possibilitem uma vida com dignidade e ampliação das possibilidades de ação social. Essas premissas são 
obtidas por meio de inovações tecnológicas, mas sobretudo do fortalecimento da qualidade cognitiva que 
deve ser feita dentro da sala de aula pelos professores. Para que isso ocorra, a gestão escolar deve orientar 
para o aprendizado colaborativo, sociointeracionista, multidisciplinar. 
Para que tais práticas didático-pedagógicas ocorram, o plano de ensino deve ser elaborado, definido e 
exposto com clareza no Projeto Político-Pedagógico. A participação da gestão deve fomentar o trabalho 
coletivo dos professores para que sejam planejadas ações didáticas identificadoras da comunidade escolar, 
ao mesmo tempo que o grupo dos professores se sintam identificados com o que vão ensinar, pois de nada 
adianta planejar e não perceber o desenvolvimento do aluno diante do que está sendo compartilhado em sala 
de aula. Torna-se um trabalho sem consistência pedagógica. Trabalhar sem esta percepção leva ao fracasso 
escolar dos alunos e frustração aos professores. 
O trabalho da coordenação se volta para a orientação metodológica segura de apoio ao processo ensino-
aprendizagem, envolvendo assistência aos professores, elaboração de sistema de aprendizagem, bons 
materiais didáticos e multimeios, fomento aos estudos extraclasse etc. Vejamos as responsabilidades do 
ensino, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2017, p. 494-495): 
Ligação entre a cultura elaborada e a cultura experenciada dos alunos 
+ 
Uma pedagogia do pensar que promova o aprender e pensar e o aprender a aprenderma 
+ 
Uma pedagogia diferenciada 
+ 
Ensino e prática de valores e atitudes dentro e fora da sala de aula. 
+ 
O currículo escolar é parte integrante do Projeto Político-Pedagógico, porque é a partir de sua definição que 
os educadores traçam os rumos educativos. Isso quer dizer que, de acordo com a legislação proposta para o 
currículo, a escola deverá pôr em prática o currículo comum e escolher como aplicar a parte diversificada do 
currículo. 
A condução do currículo na escola é, portanto, um desdobramento do PPP de acordo com seus objetivos e 
estratégias de ensino. Percebemos então que, assim como as propostas devem ser revistas para corrigir 
rumos, avançar no desenvolvimento do processo educativo, o currículo deve ser estudado e analisado 
periodicamente de acordo com a realidade social imposta à escola. 
Apresentamos a você dados de uma pesquisa de mestrado realizada no ano de 2008, em que foram estudadas 
as transformações ocorridas em uma escola da rede pública estadual com o trabalho de uma gestora que 
modificou a realidade escolar e influenciou o entorno comunitário, na cidade de Santos-SP, iniciando com a 
fala de uma professora e em seguida com a fala de mãe de aluno: 
Os estudos dos documentos escolares evidenciaram a pessoa da diretora colocada na liderança democrática 
do conjunto dos educadores [...] a direção da escola era democrática, agregadora e tinha o pedagógico como 
prioridade, o que gerava um ambiente agradável, acolhedor, estimulante, motivador e, acima de tudo, fazia 
com que cada um, professores, alunos e funcionários, se sentisse responsável por aquele ambiente. As 
decisões eram sempre acompanhadas por todos, os alunos tinham voz dentro da escola e decidiam desde os 
combinados da escola até as cores e o logotipo da camiseta do uniforme. 
[...]. Ela sempre chamava os pais para tudo, e vinham sempre aqueles que gostavam de participar. A Zezé 
(diretora) era muito interativa, como dizer… Ela era completamente diferente. Os alunos respeitavam, eles 
tinham um respeito misturado com medo. Eles faziam tudo o que ela pedia sem que ela precisasse pedir 
muito, eles entendiam o que ela pretendia fazer, sempre. 
(SKITNEVSKY, 2008, p. 93-94) 
Os estudos dos documentos escolares evidenciaram a pessoa da diretora colocada na liderança democrática 
do conjunto dos educadores [...] a direção da escola era democrática, agregadora e tinha o pedagógico como 
prioridade, o que gerava um ambiente agradável, acolhedor, estimulante, motivador e, acima de tudo, fazia 
com que cada um, professores, alunos e funcionários, se sentisse responsável por aquele ambiente. As 
decisões eram sempre acompanhadas por todos, os alunos tinham voz dentro da escola e decidiam desde os 
combinados da escola até as cores e o logotipo da camiseta do uniforme. 
[...]. Ela sempre chamava os pais para tudo, e vinham sempre aqueles que gostavam de participar. A Zezé 
(diretora) era muito interativa, como dizer… Ela era completamente diferente. Os alunos respeitavam, eles 
tinham um respeito misturado com medo. Eles faziam tudo o que ela pedia sem que ela precisasse pedir 
muito, eles entendiam o que ela pretendia fazer, sempre. 
(SKITNEVSKY, 2008, p. 93-94) 
Os depoimentos apresentados revelam o papel da direção escolar em busca dos resultados qualitativos por 
meio da construção de uma instituição democrática e agregadora. A questão da intervenção da equipe 
gestora ficou bastante clara, visto que a gestão anterior mantinha uma postura tradicional, paternalista, 
assistencialista e controladora. Os resultados da pesquisa mostraram o salto na qualidade do ensino, a 
liderança da gestão e a construção de bases para a continuidade do trabalho das gestões seguintes, pois 
considerou as questões sociais e a necessidade da formação de cidadãos críticos e capazes de transformar a 
realidade. 
Percebemos que a intervenção da gestão para obtenção de resultados qualitativos também se dá pela 
responsabilização de todos quanto aos resultados das avaliações externas e internas ocorrendo emconsonância e no envolvimento do trabalho coletivo dos professores. 
 
A Organização do Projeto Político 
Pedagógico Como Reflexo de Uma Gestão 
Democrática 
Queremos iniciar este tópico relembrando o que apresentamos no Conteúdo 1 quanto à redemocratização do 
País e a formulação da legislação educacional, mais precisamente com a promulgação da Constituição da 
República de 1988, que, em seu Art. 205, preconiza: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da 
família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento 
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. 
Para relacionarmos a Carta Magna ao foco dos nossos estudos neste tópico, destacamos o Art. 206: 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
 I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
 II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; 
 III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e 
privadas de ensino; 
 IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
https://sereduc.blackboard.com/courses/1/10.8275.175674/content/_8920098_1/scormcontent/index.html#/lessons/pw0Ajp4TMkXNLFGP7KIFcw9eEpGmm_ub
https://sereduc.blackboard.com/courses/1/10.8275.175674/content/_8920098_1/scormcontent/index.html#/lessons/pw0Ajp4TMkXNLFGP7KIFcw9eEpGmm_ub
 V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o 
magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas 
e títulos; 
 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
 VII - garantia de padrão de qualidade. 
(BRASIL, 1988) 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
 I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
 II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; 
 III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e 
privadas de ensino; 
 IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
 V - valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o 
magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas 
e títulos; 
 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
 VII - garantia de padrão de qualidade. 
(BRASIL, 1988) 
Observamos, por meio da Lei, que pertencem ao gestor escolar atividades e procedimentos relativos às ações 
de funcionamento de organização. Não esqueçamos, no entanto, que a escola é um lugar de relações 
humanas, e o trabalho do gestor está relacionado ao processo de fortalecimento das relações sociais. 
Portanto, da gestão precede o diálogo na condução democrática da escola perante seus objetivos principais 
em negação a atitudes arbitrárias e sem compromisso com o desenvolvimento da instituição de ensino da 
qual faz parte, como veremos neste tópico. 
Vamos relacionar, então, as premissas acima à legislação, retomando o Art. 12 da LDB 9.394, quanto às 
incumbências da escola democrática. Fica claro o que se compreende no item “I” a questão da autonomia 
que cada escola deve empreender para elaborar seu próprio projeto com o emprego dos termos “sua 
proposta”: “I – elaborar e executar sua proposta pedagógica”. Tal redação também infere na construção de 
um microssistema de ensino em cada unidade escolar. 
Para compreender a organização do Projeto Político-Pedagógico como reflexo de uma gestão democrática 
na atualidade, devemos nos reportar ao processo de mudanças sociais que eclodem no interior das escolas e 
ao pressuposto da participação dos membros da comunidade escolar (da qual faz parte todos os segmentos 
do entorno escolar). Essa participação diz respeito a uma nova forma de acompanhar o que acontece na 
sociedade em função do processo de globalização e da sociedade do conhecimento, uma vez que tais fatores 
exercem uma tensão sobre a formação educacional no sentido de um preparo para atender às expectativas de 
uma sociedade de dimensões socioculturais e econômicas globalizada. 
 
Figura 3 - Gestão democrática 
Fonte: Plataforma Deduca (2022). 
Nesse sentido, a formulação do Projeto Político-Pedagógico deve articular os aspectos didáticos à formação 
cidadã para uma qualidade de vida e ao desenvolvimento humano dos indivíduos como pessoas e como 
cidadãos (LÜCK, 2013, p. 31). 
A gestão democrática deve considerar alguns aspectos que refletem na organização do PPP: questões 
políticas internas relacionadas ao plano didático-pedagógico e às questões externas voltadas para as 
parcerias sociais. Para a consecução do plano interno, a gestão deve intervir: 
a) na democratização do conhecimento sobre todas as dinâmicas pedagógicas requeridas pelas leis 
educacionais; 
b) na garantia as aplicação do Projeto Político-Pedagógico, considerando suas dinâmicas de ação-reflexão-
ação, ou seja: projetar, refletir sobre os resultados, rever os rumos e determinar novas ações; 
c) no funcionamento efetivo dos órgãos colegiados de participação da comunidade escolar; 
d) na participação da formação continuada dos professores por meio das reuniões pedagógicas e incentivo à 
participação nos projetos de capacitações; 
e) no acompanhamento da elaboração dos planos de ensino, de forma que reflitam a concepção de aplicação 
do currículo oficial coerente à realidade da escola; 
f) na orientação metodológica à coordenação pedagógica; 
g) no acompanhamento dos processos de avaliação e de recuperação da aprendizagem; 
h) na aplicação dos recursos de materiais e financeiros, de acordo com as decisões das necessidades 
elencadas pelos professores e comunidade; 
i) na participação na elaboração dos processos de avaliações internas e externas; 
j) em promover a avaliação de todos os aspectos pedagógicos e curriculares a cada ano letivo para corrigir 
falhas e traçar novos rumos (avaliação institucional). 
As questões externas, para além da responsabilização do governo, envolvem os interesses de todas as 
pessoas e setores da sociedade, e como comentamos anteriormente, acabam impactando nos acontecimentos 
escolares. 
 Para concretizar essa responsabilidade que a sociedade tem com a escola, cabe à gestão escolar, na 
formulação do Projeto Político-Pedagógico, buscar parcerias com o objetivo do fortalecimento educacional 
como contrapartida do que ela tem a oferecer para o desenvolvimento social. Segundo Lück (2013, p. 32), 
essa relação externa representa as: 
Essas atenções 
+ 
[...] demandas urgentes na escola, a fim de que esta garanta a formação competente de seus alunos, de modo 
que sejam capazes de enfrentar criativamente, com empreendedorismo e espírito crítico, os desafios cada 
vez mais complexos e instigantes da sociedade. Considerando essas questões, não basta a escola ensinar o 
aluno a preparar-se para níveis mais elevados da escolaridade, de modo que o ensino volte-se para as 
demandas internas da escola. 
[...] demandas urgentes na escola, a fim de que esta garanta a formação competente de seus alunos, de modo 
que sejam capazes de enfrentar criativamente, com empreendedorismo e espírito crítico, os desafios cada 
vez mais complexos e instigantes da sociedade. Considerando essas questões, não basta a escola ensinar o 
aluno a preparar-se para níveis mais elevados da escolaridade, de modo que o ensino volte-se para as 
demandas internas da escola. 
Essas questões requerem da gestão escolar democrática uma concepção processual que deve estar inscrita na 
organização do Projeto Político-Pedagógico com a criação de instrumentos de trabalho que envolvam o 
trabalho coletivo doseducadores e dos membros da comunidade, tendo em mente a formação de cidadãos 
críticos e participativos. 
Cabe, portanto, à gestão escolar, no âmbito do Projeto Político-Pedagógico, organizar a articulação da escola 
com os setores sociais e membros da comunidade, de forma a buscar apoio e cooperação que possibilitem o 
aprimoramento do processo educacional. A participação dos pais ou responsáveis, bem como dos membros 
da comunidade e setores sociais, como sociedade de melhoramentos dos bairros, empresas dentre outros 
prestadores de serviços, se dá de forma organizada por meio dos órgãos colegiados de participação 
democrática. Os órgãos colegiados devem funcionar com objetividade e clareza no interior da escola. Veja a 
seguir quais são os órgãos colegiados de participação da comunidade e suas atribuições na Secretaria de 
Educação do Estado de São Paulo (2018): 
Conselho de Escola 
+ 
Associação de Pais e Mestres – APM 
+ 
Grêmio Estudantil 
+ 
A organização da direção escolar e da coordenação, que se configura como a equipe gestora escolar, deve 
ser descrita no Projeto Político-Pedagógico com a elaboração do plano de acompanhamento do 
desenvolvimento dos trabalhos realizados em equipe e das incumbências de cada pessoa que trabalha na 
escola. Este plano deve ser descrito de maneira clara, para que o entendimento do público sobre as ações da 
gestão escolar seja facilitado. O plano de organização da gestão deve conter ainda orientações para o 
relacionamento interpessoal responsável e saudável, bem como a avaliação do desempenho do trabalho 
executado. 
Tais medidas devem constar no PPP, bem como a relação de todas as pessoas que trabalham na escola: 
pessoal administrativo e professores. Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 475), “Dirigir e 
coordenar significa assumir, no grupo, a responsabilidade por fazer a escola funcionar mediante o trabalho 
conjunto”. Vejamos a seguir a competência da gestão pedagógica que deve estar configurada no Plano 
Político-Pedagógico. 
Execução coordenada e integral de atividades dos setores e indivíduos da escola, conforme decisões coletivas 
anteriormente tomadas. 
Processo participativo de tomada de decisões, atentando, ao mesmo tempo, para que estas se convertam em medidas 
concretas efetivamente cumpridas pelo setor ou pelas pessoas em cujo trabalho são aplicadas. 
A articulação das relações interpessoais na escola e no âmbito em que o gestor desempenha suas funções. 
Quadro 1 - Competências da gestão democrática 
Fonte: Libâneo, Oliveira e Toschi (2017, p. 475). 
Cabe ainda à gestão escolar, na figura do diretor e do professor coordenador, garantir a discussão pública do 
andamento da escola com relação aos horários dos alunos e do pessoal, uniformes, materiais, alimentação, 
cronograma de atividades, avisos administrativos etc. Tais decisões e medidas devem aparecer no PPP. 
Com esses pressupostos, percebemos que a escola, na atualidade, nada tem a ver com a 
figura do diretor administrador da burocracia escolar e prestador de contas ao Estado 
controlador. Tampouco o Projeto Político-Pedagógico pode se assemelhar ao ensino 
tradicionalista e burocrático cumpridor de conteúdos academicistas, exames excludentes, 
relações pessoais e pedagógicas limitadas ao cumprimento de tarefas individualistas e 
apartadas dos problemas sociais que se refletem na escola. 
Projetos Educacionais e suas Possibilidades 
para a Educação de Qualidade 
O primeiro passo para entendermos e buscarmos as possibilidades de projetos dentro do contexto escolar é 
visualizar essa ferramenta no contexto macro, global, fazendo uma abordagem além dos muros físicos da 
escola. Pois a visão da comunidade escolar quanto a projetos desenvolvidos internamente é sempre 
simplista, oriunda de senso comum de que o bem ou serviço gerado por esta ação resultará em benefício 
apenas dos alunos, não acreditando, em primeiro momento, que pode alcançar a comunidade externa – 
município, estado, país e até o mundo –, dependendo de sua área de atuação. 
A construção de uma nova ideia sobre essa ferramenta inicia-se com a definição sobre projeto, que pode ser 
a apresentada pelo Project Management Institute (PMI, 2008) como um esforço temporário empreendido 
para criar um produto, serviço ou resultado exclusivo. A sua natureza temporária indica um início e um 
término definidos. O término é alcançado quando os objetivos (bens e/ou serviços) tiverem sido atingidos, 
concretizados por assim dizer, ou quando se concluir que esses objetivos não serão ou não podem ser 
atingidos e o projeto for encerrado, ou quando ele não for mais necessário. 
Há que se considerar na dimensão técnica a objetividade desse conceito, a busca pelo concreto, realizável, 
constatável, mas exigindo a consideração das variáveis subjetivas quando visto pelo lado dos recursos 
humanos e naturais que serão empenhados nesse empreendimento, já que essas variáveis estão em 
permanentes interações que favorecem mudanças superficiais ou profundas no projeto em desenvolvimento. 
Consultando a semântica da palavra “projeto”, temos uma visão sobre o termo em diversos contextos. 
Conforme o dicionário Aurélio online (2018, [s.p.]): 
projeto {Do lat. projectu, ‘lançado para diante’.}: 1 - Ideia que se forma de executar ou realizar algo, no 
futuro; plano, intento, desígnio. 2 - Empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema (p. ex.: 
Projetos arquitetônico, administrativos, educacionais etc.). 3 - Redação ou esboço preparatório ou provisório 
de um texto (p. ex.: Projeto de estatuto, tese, lei etc.). 4 - Esboço ou risco de obra a se realizar. 5 - Arquit. 
Plano geral de edificação. 
projeto {Do lat. projectu, ‘lançado para diante’.}: 1 - Ideia que se forma de executar ou realizar algo, no 
futuro; plano, intento, desígnio. 2 - Empreendimento a ser realizado dentro de determinado esquema (p. ex.: 
Projetos arquitetônico, administrativos, educacionais etc.). 3 - Redação ou esboço preparatório ou provisório 
de um texto (p. ex.: Projeto de estatuto, tese, lei etc.). 4 - Esboço ou risco de obra a se realizar. 5 - Arquit. 
Plano geral de edificação. 
Verificamos no cotidiano pessoal e profissional vários momentos em que nossas interações se dão com 
projetos de variadas áreas, como arquitetônico, acadêmico, pesquisa, financeiro, moda etc. Este conteúdo 
está voltada para os projetos educacionais, referindo-se aos empreendimentos de ordem interna e externa à 
escola, universidades, cursos e demais instituições representativas do sistema educacional brasileiro. 
De acordo com Demo (2011), ainda que a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDBEN) faça uma mistura com a nomenclatura sobre o sistema educacional, ora se referindo a ensino, ora 
se referindo a educação, o foco definido são Projetos Educacionais, que abordam todos os objetivos 
propostos no processo formativo, educativo e de ensino desenvolvidos pelas instituições educacionais e em 
níveis variados. 
Os projetos educacionais estão, pelo menos deveriam estar, sempre voltados para o apoio ou ampliação dos 
fins preestabelecidos para o sistema educacional, principalmente os que constam na LDBEN, progredindo 
assim para projetos com ações que favoreçam o alcance das metas do Projeto Político-Pedagógico da escola 
e seguindo a possibilidade de desenvolvimento de novas metas predefinidas nas assembleias, como a 
prevenção do uso de drogas, a identidade sexual e de gênero etc., porém sempre com respeito aos princípios 
do sistema educacional. 
Então, nesse contexto identifica-se que o projeto educacional pode ser desenvolvido dentro dos limites 
físicos da escola, como também além de suas instalações, pois a amplitude da definição do projeto 
educacional pode ser desenvolvida com metas voltadas para: 
Social 
+ 
Político 
+ 
Econômico 
+ 
Dentro das empresas 
+ 
As possibilidades de atuação com projetos educacionais são muito grandes e de vasto alcance,por isso o 
foco do projeto, mais conhecido como escopo, deve ser bem elaborado, baseado na coleta de 
dados/informações reais obtidos pelas ferramentas de reuniões, assembleias e até entrevistas informais com 
os membros da comunidade escolar. 
Partindo dessa sólida base, o projeto educacional estará justificado por variáveis que eclodiram das 
necessidades apresentadas, e não de imposições ou modismo, que não se conjugam com a gestão 
democrática, mas pela facilitação oportunizada pela gestão à comunidade escolar de participar efetivamente 
no desempenho das atividades educacionais da instituição. Se os dados surgem na área social, ali se atuará 
com maior multidisciplinaridade e detectando quais bens e/ou serviços serão contemplados no projeto a ser 
desenvolvido. 
Projetos Educacionais e Demandas 
Regionais 
Na etapa anterior desta subunidade, entendemos o que é projeto e sua variedade. Destacamos os projetos 
educacionais e o foco que estes devem desenvolver respaldados na legislação vigente, a LDBEN, e 
ressaltamos quão importante é que a demanda para construção do projeto venha da comunidade escolar, 
resultante da voz ativa e participativa das reuniões, assembleia e demais instrumentos de comunicação que 
coletam esses dados/informações para formação da base de justificativa para empreender na conquista do 
bem e/ou serviço demandado. 
Devemos dimensionar o projeto educacional, e, para isso, pode-se adotar uma análise quanto às atuações: 
Físico-geográfica: 
+ 
Pedagógica: 
+ 
Social: 
+ 
Saúde: 
+ 
Política: 
+ 
Na verdade, alguns projetos não terão como se manter em uma única dimensão diante da problemática a ser 
enfrentada ou diante do bem e/ou serviço a ser desenvolvido, mas o importante é que, além da base 
democrática e participativa da comunidade escolar, tenha o apoio dos indicadores de desenvolvimento das 
metas do sistema educacional brasileiro. E esses indicadores podem ser encontrados em estudos 
desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), nas 
Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, bem como em órgãos não governamentais especializados 
no apoio e acompanhamento de variáveis da educação (Unesco, PNUD etc.). 
O Inep disponibiliza estudos realizados em todos os níveis da educação básica e superior, tais como 
Provinha Brasil, Saeb, Censo Escolar, Enem, Encceja, Prova Docente, Enade e outros que podem subsidiar 
consistentemente o projeto educacional com indicadores em sua fase de justificativa e planejamento. 
Outro conjunto de indicadores muito utilizado é o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), 
ao qual a comissão ou equipe do projeto pode ter acesso com especificidade a indicadores de 
desenvolvimento humano oriundos do município, incluindo educacionais, onde está instalada a escola e de 
onde se desenrola sua rotina, seu cotidiano de formação para cidadania. 
Indicador 
+ A terminologia indicador já lhe sugere que é o dado estudado, pesquisado, coletado que lhe apoiará na 
argumentação e justificativa de um projeto com ação não prevista no PPP. Mas com demanda relevante 
na escola, seja de ordem social, política, cultural etc., sempre dará aporte formal e científico ao projeto 
educacional. 
Exemplos 
+ Alguns exemplos familiares são: indicador de temperatura (termômetro), indicador de velocidade 
(velocímetro), indicador de desempenho educacional (taxa de evasão escolar na educação básica), 
indicadores de crescimento populacional (taxas de crescimento de moradores de uma cidade), dentre 
outros. 
Em geral, as pesquisas realizadas por esses institutos nacionais publicam estudos com ranking da variável, 
resultante do índice identificado/constatado na análise dos dados, ou seja, se a escola precisa de indicadores 
voltados para melhoria da qualidade do processo de ensino e qualificação dos professores. Vale destacar que 
existem estudos com índices específicos que servirão para justificar o projeto desta área. 
Outro órgão respeitado e que deve sempre ser considerado no perfil dos indicadores da qualidade na 
educação é o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pois são disponibilizados desde 
quantitativo populacional a estudos socioeconômicos que influenciam diretamente na condição de vida da 
comunidade escolar. 
Diante desse contexto, partindo dos referenciais fornecidos pelos documentos publicados oficialmente pelos 
governos federal, estadual, municipal e distrital, o projeto compara com seus dados e consegue comprovar a 
necessidade de acompanhamento específico para tal item do processo de formação educacional, seja em qual 
for o nível – infantil, fundamental, médio ou superior – a ser apoiado pelo projeto, no âmbito interno e 
externo da escola. 
O Brasil é extenso e dotado de uma diversidade cultural, social, econômica e política que torna as demandas 
municipais e de suas respectivas escolas o âmago para o desenvolvimento da formação cidadã, necessitando 
do monitoramento situacional das variáveis de qualidade na educação dentro de uma periodicidade mínima 
de quatro anos, que coincidem com o período de gestão política externa e interna da escola. 
 
Figura 4 – Diversidade cultural, social, econômica e política 
Fonte: Plataforma Deduca (2022). 
As demandas mais encontradas em projetos educacionais nos municípios oriundos das escolas estão assim 
elencadas em Brito (2011, p. 22): 
• Ausência de contextualização e significado nos processos de ensino e aprendizagem 
no ambiente escolar. 
• Baixo aproveitamento dos alunos nos processos de ensino e aprendizagem nos 
programas de educação de jovens e adultos. 
• Carência de professores qualificados e capacitados nas áreas de ciências e sua
s tecnologias do ensino médio. 
• Aumento de várias formas de violência no ambiente escolar envolvendo 
professores e alunos. 
• Inadequação do material didático para o ensino de ciências e matemática na escola 
de nível fundamental. 
• Necessidade de introdução de novas tecnologias da informação e comunicação nos 
processos educativos escolares na educação básica 
• Necessidade de desenvolvimento de novas competências para ensinar, por parte 
dos professores, frente às demandas das novas tecnologias. 
• Necessidade de capacitação de professores da educação básica no desenvolvimento 
e aplicação de metodologias ativas de aprendizagem. 
• Necessidade de incentivar e orientar professores no processo de sua própria 
formação continuada. 
• Necessidade de melhoria dos processos de gestão escolar. 
• Ausência de metodologias de aprendizagem que favoreçam a formação de 
competências no contexto da educação profissional. 
• Posição precária do Brasil na classificação internacional de exame de proficiência 
em ciência e matemática. 
• Existência de grande volume de informações nos meios de comunicação cultural e 
científica, potencializando o processo de ensino e aprendizagem de conceitos de 
ciência e tecnologia (oportunidade). 
• Oportunidade de utilização das tecnologias da informação e comunicação nos 
processos de gestão do conhecimento nas escolas. 
Esta multiplicidade de demandas que surgem dentro das comunidades escolares de um país com a dimensão 
do Brasil torna a necessidade de customização das ações educacionais para formação cidadã prioritárias, já 
que as experiências tomadas como modelo de outras regiões podem se revelar, o que na sua grande maioria 
são inconciliáveis com as condições de onde se tenta implantar esses processos tidos como bem-sucedidos. 
O regionalismo em nosso país conciliado com a municipalização, que são ações decididas pela população 
local junto a sua câmara de vereadores e demais órgãos executores dos recursos públicos, fazem com que as 
análises se tornem projetos que se desdobrem em planos de ações, e estes tornem possível a participação dos 
integrantes da comunidade, favorecendo o processo de formação cidadã de nossos alunos e alunas 
brasileiras. 
A Organizaçãoe Administração do Sistema 
de Ensino: Seus Objetivos, Orientações 
Básicas, Novos Camin 
Considerando o sistema legislativo brasileiro, enquanto república federativa, encontramos a Constituição 
como pilar da base e da ordem legal, que trata especificamente da educação em seu Capítulo III, Seção I, 
Art. 205, e em seu artigo 211: 
Capítulo III, Seção I, Art. 205 
+ 
Artigo 211 
+ 
A Constituição Federal, em seu artigo 22, estabelece como competência da União legislar, ou seja, 
estabelecer leis compostas de princípios, ordem e suas diretrizes para determinados temas, incluindo em seu 
item XXIV sobre as diretrizes e bases da educação nacional. Navegaremos na ótica estrutural de 
organização e administração do sistema de ensino. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de nº 9.394/1996, alterada pela Lei ordinária 
11.274/2006, organiza a estrutura do sistema educacional compondo a Educação básica, a qual abrange: 
a) Educação infantil: 
+ 
b) Ensino fundamental: 
+ 
c) Ensino médio: 
+ 
d) Ensino superior: 
+ 
Esses são os componentes da estrutura do sistema de ensino brasileiro, ou seja, é como um prédio onde 
funciona o sistema. Visto isso, passaremos a explorar internamente, deixando claro quais são seus objetivos, 
orientações básicas e os novos caminhos vislumbrados por esse sistema dentro da ótica política da 
atualidade no Brasil. 
Os objetivos traçados para o sistema de ensino, segundo a LDBEN, PNE, Regimentos Estaduais, Municipais 
e Escolares (PPP), respeitam sempre os princípios preestabelecidos na Constituição Federal e seguem a 
hierarquia legislativa, segundo a qual a Lei não entra em contradição com a Constituição, nem o regimento 
municipal ou normas da escola entram em choque ou desalinhamento com os níveis superiores. 
Essa hierarquização facilita a unificação dos princípios do sistema educacional dentro de um país de grande 
extensão, ou seja, onde o prédio (sistema) educacional é tão grande e com tantos andares (níveis), e aos 
quais podemos subir de maneiras variadas (modalidades de ensino), mas sempre cumprindo regras bem 
definidas e aceitas de comum acordo entre os participantes da comunidade educacional maior – a União. 
 
Figura 5 – Organograma do Conselho Nacional de Educação 
Fonte: Ministério da Educação – Conselho Nacional de Educação (2018). 
Dentro do sistema existe o órgão máximo responsável pela implantação, execução, monitoramento e 
avaliação das metas educacionais do país. Ainda que cada unidade e subunidade tenham suas competências, 
mesmo assim precisarão apresentar seus relatórios de cumprimento das ações ao Ministério da Educação 
(MEC), que disponibiliza, além da LDBEN, outros documentos para essa árdua tarefa de regulação e 
monitoramento do sistema educacional e suas respectivas orientações básicas, dentre eles o Plano Nacional 
de Educação (PNE). 
O PNE foi promulgado por intermédio da Lei nº 13.005/2014, em que foram estabelecidas vinte metas para 
o sistema educacional; seguem-se ainda com os Planos de Educação dos sistemas educacionais distrital e 
estaduais correspondentes às suas competências e articulações com os respectivos municípios, resultantes do 
empenho da Rede de Assistência Técnica subsidiada pelo MEC, pelo Conselho Nacional de Secretários de 
Educação (Consed) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). 
A escola, representada pelos gestores, professores e demais profissionais da educação, de posse desses dados 
externos e internos da escola, passam à fase da mobilização para desenvolver o Regimento Escolar. 
Neste documento estarão contidas as orientações para realização dos planos de ações a serem empreendidos 
pela escola, inclusive a estratégia de elaboração do Projeto Político-Pedagógico (PPP) que está voltado 
estritamente para ação pedagógica escolar. Então, torna-se possível monitorar e avaliar a situação de cada 
uma das metas preestabelecidas para a escola, bem como interagir com a comunidade escolar interna e 
externa, desenvolvendo uma percepção macro do sistema do qual participa. 
Dentro desse contexto atual, a escola se confronta com desafios e vem adotando novas estratégias e 
metodologias, tais como: ações sociais pela saúde, projetos de interação com a comunidade para 
enfrentamento/prevenção das violências, cuidar de nossos idosos e muitas outras, para garantir a viabilidade 
de ações dos planos estabelecidos pela comunidade escolar. 
Os novos caminhos que eclodem do processo globalizado de educação para todos e com todo, resulta em 
grande parte do acesso à informação e comunicação por intermédio das novas tecnologias. Então, a escola 
não pode se eximir dessa interação global, mesmo que seus recursos sejam mínimos, mas suas 
possibilidades de parcerias, de busca pela melhoria, devem se tornar prioritárias na formação para cidadania, 
conclamando alunos, professores, gestores, comunidade, para participarem dessa transformação da 
realidade, dentro de uma cultura de paz, que prima por ações de respeito à diversidade, pluralidade e 
tolerância. 
Conclusão 
Finalizando este conteúdo, apresentamos a síntese do que estudamos, com a finalidade de propor a 
construção de habilidades para a formulação do Projeto Político-Pedagógico na escola democrática e 
autônoma. 
A navegação proposta neste conteúdo foi realizada e nos trouxe uma base consistente de informações com a 
qual construímos o conhecimento sobre projetos focados na educação cidadã dentro do sistema de ensino 
brasileiro. Uma realidade constatada com características diversificadas em suas múltiplas regiões e 
municípios, o que ora favorece e em outro momento dificulta o processo de desenvolvimento humano dos/ 
as alunos/as de nossas escolas. 
Vimos que a legislação preconiza a gestão democrática e participativa para o exercício da autonomia de cada 
instituição escolar. Além disso, que tal atuação gestora envolve uma complexidade que é própria de uma 
instituição social como a escolar e os principais meios de organização do Projeto Político-Pedagógico: 
• A democracia participativa bem como as orientações para a autonomia escolar 
foram previstas na Constituição Federal de 1988. 
• O PPP descreve os aspectos globais da escola, desde o histórico de sua fundação, 
contexto geográfico, histórico, cultural, econômico e social do local de inserção da 
instituição. 
• A gestão escolar deve garantir a concepção e operacionalização do PPP de acordo 
com os preceitos democráticos e da autonomia da organização escolar. 
• A equipe gestora deve exercer seu papel de liderança e intervir na elaboração do 
PPP de forma a envolver e responsabilizar todas as pessoas da escola para o 
alcance da qualidade do ensino e dos bons resultados. 
• O comprometimento dos professores na obtenção dos resultados perpassa a 
orientação da gestão para uma consecução do processo didático-pedagógico 
concebido no coletivo escolar. 
• Para a organização do PPP, a gestão escolar deve manter o diálogo com a 
comunidade por meio do funcionamento efetivo dos órgãos de participação 
democrática. 
• Todas as medidas administrativas de acompanhamento e avaliação do trabalho do 
pessoal da escola devem ser descritas no PPP. 
Além disso, sobre a gestão de projetos, vimos que o foco conceitual de projeto colhido junto ao PMI e a 
nomenclatura brasileira (Dicionário Aurélio) revelaram o caráter de ação temporária, não significando 
medida de tempo, mas de realização por intermédio das etapas começo, meio e fim de um bem e/ou serviço 
a ser implantado ou (re)produzido, aperfeiçoado, recondicionado para a melhoria da qualidade de vida da 
comunidade escolar, com prioridade ao ensino dos/as alunos/as, conforme a necessidade que eclodiu do 
exercício democrático no processo de gestão. E, ainda, a oportunidade de envolver todos para além do muro 
físico e político da escola em ações concretas para uma formação cidadã. 
Na etapa dos projetos educacionais dentro do contextodas regiões do Brasil continental, multi e 
pluricultural, identificamos órgão públicos de instância federal (MEC, Inep etc.), estadual, distrital e 
municipal (Secretarias de Educação, Conselhos etc.), e ainda organismos internacionais que apoiam o 
sistema de ensino com estudos e pesquisas para melhor instrumentalizar a gestão escolar com ferramentas 
que possibilitam a coleta de dados junto à comunidade interna e externa da real situação na busca pelo 
alcance das metas, aproximando e personalizando as ações educacionais em projetos e planos de ações 
possíveis na região. 
Conhecemos a estrutura organizacional do sistema de ensino brasileiro, simbolizado pela metáfora de 
“prédio” e como este funciona internamente com órgãos e legislação especializada para educação, 
apresentando níveis, modalidades e características educacionais padronizadas no âmbito macro do país, mas 
possibilitando aos estados, distrito e municípios a elaboração de suas orientações respeitando suas 
características na elaboração de documentos oficiais para regimento do processo de ensino. E finalizamos 
com o vislumbre dos novos rumos, como a possibilidade de desenvolvimento de parcerias na comunidade 
local, regional e até global para a formação cidadã atualizada e autêntica. 
 
UNIDADE IV 
Introdução 
Neste conteúdo, vamos estudar os parâmetros que confirmam a democracia na escola da educação básica 
brasileira. Com esses estudos, você saberá reunir a gestão da escola com os aspectos democráticos. Quando 
se fala em democracia, muitos aspectos políticos vêm à nossa mente, e em certa medida as definições de 
uma atuação democrática se tornam subjetivas. Você já imaginou se em uma escola da educação básica a 
democracia fosse aplicada somente pelo desejo dos gestores e frequentadores da escola? Poderia ser 
deflagrado um caos na organização da gestão, não é mesmo? 
Para conhecer como a democracia deve fazer parte da gestão escolar no contexto do regime democrático do 
país, vamos estudar as leis que regem a organização da escola democrática na perspectiva da função da 
gestão em implementar as concepções de participação na escola. 
Apresentaremos as concepções de gestão, perpassando a visão tradicional, a autogestionária e a concepção 
democrático-participativa com análises das formas de atuação. Abordaremos alguns problemas relacionados 
à gestão e, para superá- los, sugerimos uma proposta de atuação. 
Os elementos de participação democrática são abordados a partir do Conselho de Escola, com exemplos de 
atuação de uma experiência escolar, e veremos em que medida a legislação apoia este órgão de participação 
democrática. 
Vamos analisar a organização e seus objetivos na gestão escolar. No primeiro vagão (primeira subunidade) 
exploraremos o conceito de administração, visitando a origem da palavra e a visão de teóricos reconhecidos 
na literatura. Distinguirão organização e administração pela composição dos elementos nos respectivos 
processos, em especial atenção ao planejamento e previsão dentro da administração geral e na gestão 
educacional. 
Seguiremos os estudos para carregar o segundo vagão (segunda subunidade) com os saberes de liderança e 
assistência na execução da gestão escolar, diferenciando chefia de liderança por intermédio da conceituação, 
identificarão os tipos de liderança e caracterizarão a assistência e o assistencialismo do gestor para o alcance 
das metas preestabelecidas na escola de gestão democrática e participativa. 
No último tópico vamos compreender os saberes da estrutura organizacional administrativa escolar como 
resultado da gestão, em que constarão as premissas declaradas em legislação vigente sobre a estrutura 
mínima para que a escola funcione, como se dá o processo de construção e representação da organização 
escolar, o contexto de medir/verificar o desempenho da gestão e das ações segundo a teoria da 
administração. 
 Desejamos bons estudos! 
Objetivos da Aprendizagem 
• Reunir a gestão da escola com aspectos democráticos; 
• Apontar as intenções da escola democrática; 
• Erigir as orientações legais para a construção de uma escola democrática; 
• Formular possibilidades de gestão democrática da escola a partir de elementos democráticos. 
• Aplicar elementos da teoria da administração na gestão escolar. 
• Aplicar o passo do planejamento, previsão e organização na realidade escolar; 
• Empregar liderança e assistência à execução na gestão escolar; 
• Medir os resultados da gestão escolar na perspectiva da teoria da administração aplicada à escola. 
Concepção de Escola Democrático-
Participativa 
Os estudos deste conteúdo relacionados à educação básica brasileira na contemporaneidade apontam para os 
conceitos que envolvem a construção da escola democrática. Destacamos o termo construção, pois ele é 
inerente à democracia, pois este regime político se abre para as dinâmicas sociais em consonância com o 
desenvolvimento econômico e cultural das localidades e das pessoas, portanto, permanece em constante 
alteração. 
Vimos que a escola democrática está prevista na Constituição Federal, e a educação é regulamentada pela 
LDB 9.394/96. Dessa forma, tudo o que abordamos em termos escola democrático-participativa se 
depreende das orientações legislativas. 
A Escola democrática é construída com base na legislação, entretanto, a equipe gestora, dada a autonomia 
escolar, é quem organiza a forma de abordagem dessa concepção. Antes de iniciarmos nossa reflexão sobre 
a escola democrático-participativa, queremos relembrar algumas concepções que ainda assombram escolas 
brasileiras, desenvolvendo uma concepção burocrática e técnica de administração escolar. Tais concepções 
têm suas raízes no tradicionalismo arraigado da antiga LDB 5.691/71, que teve vigência no período da 
ditadura militar, com o intuito de assegurar o controle administrativo. Esse tipo de gestão pode ser 
identificado ainda hoje em escolas que têm na figura do diretor a autoridade escolar que centraliza as 
decisões de cima para baixo e fundamenta a hierarquia de cargos. 
Neste modelo de administração que foge às orientações democráticas, a autonomia serve apenas para o 
diretor da escola, pois é ele quem planeja as ações escolares, neutraliza a participação das pessoas na 
administração, que se torna racionalizada para alcançar resultados de eficiência ancorados na organização 
controladora. 
A escola democrática e participativa, por sua vez, pode ser construída com base em algumas concepções que 
deem suporte efetivo para a participação dos funcionários da escola, dos professores, dos alunos e da 
comunidade em geral. Para abordar tais concepções, baseamo-nos nos estudos de alguns pensadores da 
educação brasileira expostos em Libâneo, Oliveira e Toschi (2012). 
A escola democrático-participativa pode desenvolver uma concepção sociocrítica na organização quando 
procura agregar pessoas sistematicamente, intencionando estabelecer ações alicerçadas nas relações sociais 
que influenciem nas decisões escolares. As decisões são tomadas em um processo de colaboração entre 
todos. 
 Os estudos dos autores citados apontam para a identificação de quatro concepções de gestão escolar, a 
saber: a técnico-científica, que se refere àquela que citamos anteriormente e tem como base a neutralidade 
administrativa e o tradicionalismo; a concepção autogestionária, a interpretativa e a democrático-
participativa. Vejamos o quadro descritivo sintético dessas concepções e a seguir passaremos ao foco do 
nosso tópico, que é a escola democrático-participativa. 
 Concepção técnico-científica 
• hierarquia de cargos e funções; 
• regras e procedimentos administrativos; 
• racionalização do trabalho; 
• eficiência dos serviços escolares; 
• administração clássica e burocrática (versão 
conservadora); 
• gestão de qualidade total (moderna) se assemelha à 
gestão da administração empresarial; 
• não valorização do potencial das pessoas; 
• diminuição do graude autonomia . 
Concepção autogestionária 
• responsabilidade coletiva; 
• participação direta e por igual de todos os membros da 
instituição; 
• tende a recusar o exercício da autoridade; 
• tende a recusar as formas sistematizadas de gestão; 
• valorização dos elementos instituintes: criação e instituição 
das próprias normas e procedimentos. 
Concepção interpretativa 
• análise dos processos de organização e gestão; 
• análise dos significados subjetivos; 
• análise das intenções e das interações da pessoas. 
 Concepção democráti- co-participativa 
• baseia-se na relação orgânica entre a direção e a 
participação dos membros da equipe; 
• busca dos objetivos comuns assumidos por todos; 
• tomada de decisões coletivamente; 
• cada membro da equipe assume as responsabilidades de 
trabalho; 
• coordenação e avaliação dos trabalhos. 
Quadro 1 - Concepções de gestão escolar 
Fonte: Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 446). 
Observamos que as concepções pedagógicas empreendidas são em razão de posições políticas e visões sobre 
o papel das pessoas na sociedade. Dependendo da concepção assumida em uma escola, tem-se o reflexo no 
processo de ensino- aprendizagem, influenciando inclusive sobre os resultados que podem acompanhar ou 
não as demandas da transformação social. 
A gestão democrático-participativa, foco dos nossos estudos, é aquela que se esforça continuamente para 
manter a articulação social. A participação implica, portanto, tomada das decisões de forma que todos se 
responsabilizem objetivamente sobre as decisões, sobre o trabalho a ser desempenhado para a consecução 
dos objetivos, sobre a revisão das estratégias e sobre os resultados. O papel da gestão da escola democrático-
-participativa está em coordenar as ações, controlar o modo do desenvolvimento com avaliações dos 
resultados parciais e globais. Vejamos objetivamente como deve ser implementada a concepção 
democrático-participativa na escola. 
 
Figura 1 - Como implementar a concepção democrático-participativa na escola 
Fonte: Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 446). 
Essas premissas podem ser encontradas na escola democrático-participativa, mas podem conviver com 
outras dinâmicas, da mesma forma que, mesmo com o desejo de conceber uma gestão democrática, a equipe 
acabe por implementar determinadas ações da forma técnico-científica. Ou seja, com maior controle ou se 
utilizando de uma das dinâmicas próprias de outras concepções de gestão. 
Um dos problemas recorrentes na gestão escolar está ligado às ações desenvolvidas fora do contexto 
processual, são as ações episódicas, são ações imediatistas, geralmente realizadas por pressões internas ou 
externas e o famoso “apagar incêndio”. São realizadas em eventos, não contribuem para a resolução de 
problemas cotidianos e não conduzem a uma organização do todo do trabalho como um processo. (LÜCK, 
2013). 
Para superar esse tipo de problema na escola, é necessário que haja uma visão de conjunto em consonância 
ao projeto da escola, bem como seus valores e missão. Esse pressuposto colabora com a promoção da 
unidade e da continuidade das ações escolares. O sucesso da organização das ações está diretamente ligado à 
articulação entre as pessoas e à vocação para realização dos objetivos escolares, como é o caso da 
participação ativa no PPP. Segue um quadro elaborado pela autora para a superação das ações episódicas em 
busca da continuidade do processo. 
Orientação de ações por visão exclusivamente de curto 
prazo. 
Orientação de ações por visão de curto, médio e longo 
prazos. 
Ação motivada e impulsionada por circunstâncias e 
pressões do momento. 
Ação motivada e impulsionada por visão de futuro. 
Ações isoladas, localizadas e fechadas em si. 
Ações interligadas, associadas entre si e reforçando-se 
reciprocamente. 
Enfoque sobre objetivos operacionais, considerados como 
uma sequência de ações de caráter cumulativo. 
Ação orientada por objetivos formadores e expressos por 
objetivos operacionais, 
considerados como um conjunto interativo cujo significado 
emana dos objetivos formadores. 
Quadro 2 - Superação da ação episódica por eventos para o processo dinâmico, contínuo e global 
Fonte: Lück (2015, p. 85). 
Para finalizar este tópico, queremos relembrar que a participação remete ao conceito de autonomia, e a 
premissa da autonomia escolar tem sua relatividade mediante as normas e regulamentações previstas na 
legislação. Por esse motivo, a gestão corrobora sua liderança quando, ao expor as demandas governamentais, 
trabalha-as com os funcionários e professores mediante uma análise crítica de implementação das leis e 
normas de acordo com a realidade escolar. Por outro lado, quando a escola não exerce sua autonomia e faz 
da regulamentação oficial camisa de força, ela se isola do contexto social, deixa de exercer sua função 
participativa e promove internamente a fragmentação setorial. 
Neste tópico vimos como se pode construir uma escola democrático-participativa em função da autonomia 
garantida pela legislação. A seguir, estudaremos como as orientações democráticas estão inseridas na 
legislação educacional. 
Organização e Objetivo da Gestão Escolar 
Quando somos convidados a organizar algum evento (aniversário, almoço, inauguração etc.), imediatamente 
formulamos algumas perguntas: Quem vai fazer? Quem vai participar? Quantas pessoas serão convidadas ou 
virão? Onde vou realizar este evento? Caberá todo mundo? Precisarei de mesas, cadeiras, talheres, pratos 
etc.? E o som/música? Qual o cardápio? Terei de fazer as compras com muita antecedência ou no dia 
anterior? Que dia e hora será melhor para realização do evento? Qual a duração desse evento? Quanto vai 
custar tudo isso? São tantas perguntas que parece uma explosão dentro de nossa cabeça. 
Essa sensação é a de quem não racionaliza, de quem não organiza, planeja, define papéis a serem cumpridos 
no evento. A maioria das pessoas utilizam o senso comum e não o censo crítico, desesperam-se com tantas 
informações necessárias para realizar um evento. Mas se começam a refletir sobre O quê? Por quê? Como? 
Onde? Quando? Quem?, já se inicia uma organização e se passa a registrar as reflexões. Inicia-se, então, 
o planejar. 
Nesses processos de organização de algo ou de alguma coisa, você estará sempre sendo chamado a 
administrar, que é um verbo definido por Ferreira (1993) como o de exercer a administração de; dirigir 
superiormente; subministrar, conferir; ministrar, aplicar; organizar algo ou alguma coisa. Tornando as ações 
consequentes, com causas e efeitos, lógica, sentido para o fazer algo. 
Mas os estudiosos se aprofundaram além do significado da palavra, buscando padrões de organização – o 
administrar como ciência, senso científico – que apresentam características comuns, metodologia, técnicas. 
A organização sempre estará voltada para suprir necessidades humanas utilizando recursos físicos e 
financeiros, tecnologias e pelo conjunto de conhecimentos e de informações circulantes. 
Portanto, o administrar a organização se distingue do mero senso comum de que são iguais, pois o verbo 
administrar é sinônimo de várias ações e composto por outros significados, mas principalmente de que o ato 
só é possível com planejamento, organização, direção e controle, conforme fluxograma adaptado de 
Maximiano (2004), que traz a esses processos a perspectiva de interligações baseadas na abordagem 
funcional da administração. 
 
Figura 1 - Principais funções do processo administrativo 
Fonte: Elaborada pelo autor (2018). 
Vejamos outros conceitos apresentados na literatura sobre administração, como o afirmado por Paro (1996, 
p. 18): 
Em seu sentido geral, podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para 
realização de fins determinados. […] Os recursos […] envolvem, por um lado, os elementos materiais e 
conceituais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito; por outro, osesforços 
despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. […] A 
administração pode ser vista, assim, tanto na teoria como na prática, como dois amplos campos que se 
interpenetram: a “racionalização do trabalho” e a “coordenação do esforço humano coletivo. 
Em seu sentido geral, podemos afirmar que a administração é a utilização racional de recursos para 
realização de fins determinados. […] Os recursos […] envolvem, por um lado, os elementos materiais e 
conceituais que o homem coloca entre si e a natureza para dominá-la em seu proveito; por outro, os esforços 
despendidos pelos homens e que precisam ser coordenados com vistas a um propósito comum. […] A 
administração pode ser vista, assim, tanto na teoria como na prática, como dois amplos campos que se 
interpenetram: a “racionalização do trabalho” e a “coordenação do esforço humano coletivo. 
Ainda pelo ângulo dos processos desenvolvidos, temos o conceito apresentado por Maximiano (2004, p. 34): 
Administrar é um trabalho em que as pessoas buscam realizar seus objetivos próprios ou de terceiros 
(organizações) com a finalidade de alcançar as metas traçadas. Dessas metas fazem parte as decisões que 
formam a base do ato de administrar e que são as mais necessárias. Esse processo compreende cinco 
processos principais interligados: planejamento, organização, liderança, execução e controle. 
Administrar é um trabalho em que as pessoas buscam realizar seus objetivos próprios ou de terceiros 
(organizações) com a finalidade de alcançar as metas traçadas. Dessas metas fazem parte as decisões que 
formam a base do ato de administrar e que são as mais necessárias. Esse processo compreende cinco 
processos principais interligados: planejamento, organização, liderança, execução e controle. 
Já Chiavenato (2007, p. 3) diz que: “A Administração é o veículo pelo qual as organizações são alinhadas e 
conduzidas para alcançar excelência em suas ações e operações para chegar ao êxito no alcance de 
resultados”. 
A abordagem funcional tem o foco no desenvolvimento das ações/funções de cada etapa do processo que 
viabilizará o alcance das metas estabelecidas, aqui consideradas: organização, planejamento, direção 
(liderar e coordenar) e controle, apresentados no fluxograma da Figura 1. 
O processo é retroalimentado por subprocessos que se repetem interna e continuadamente: planejamento, 
organização, liderança, execução e controle. Aqui desenvolveremos o olhar sobre o planejar, prever e 
organizar, em uma aproximação e internalização das ações em ambientes educacionais, como escolas de 
todos os níveis, dentro do sistema de ensino brasileiro. 
Se planejar é “prever com antecipação os objetivos pretendidos, independentemente da área de atuação e dos 
meios que serão empregados para o alcance desses objetivos”, na realidade escolar esse subprocesso da 
administração precisa ser gerido, gestado, ou simplesmente colocado sob gestão de uma liderança e/ou 
chefia. 
Essa ação de gestão dentro do contexto escolar denomina-se “gestão escolar” e, no sistema nacional de 
ensino, é, obrigatoriamente, aplicada de forma democrática e participativa com os membros da comunidade 
educacional (professores, alunos, pais, demais colaboradores internos e externos), estabelecendo um diálogo 
permanente com a chefia (cargo) no desenvolvimento do plano (previsão de ações) resultante do exercício 
de liderança (articulação competente, carismática etc.) junto a essas pessoas e/ou instituições. 
 
Figura 2 - A comunidade escolar contribuindo na gestão escolar 
Fonte: Plataforma Deduca (2018). 
O planejamento buscará responder às questões essenciais, mais básicas da gestão: 
• bullet 
o que fazer? 
• bullet 
para que fazer? 
• bullet 
como fazer? 
• bullet 
com que recursos fazer? 
• bullet 
quando fazer? 
• bullet 
com quem fazer? 
Responder a essas perguntas é imergir no processo de planejamento e iniciar o subprocesso de PREVER as 
verdadeiras necessidades da escola, para que corresponda às metas de princípios e organização do sistema de 
ensino nacional, bem como a possibilidade de identificar demandas específicas da comunidade local, 
municipal ou estadual e gerar novas estratégias de ações. 
Nesse momento, a previsão é desenvolvida com base de um pensar produzido no Brasil pelas demandas 
capitalistas de produção, que tornou as escolas geradoras de mão de obra para o trabalho, mas mudanças 
pontuais vêm sendo implementadas no sistema de ensino educacional. Demo (2011, p. 68) discute sobre a 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), apresentando não apenas o capitalismo como 
vilão, mas também com concessões articuladas às demandas sociais e do mercado, tal como a gestão 
democrática e participativa na organização das instituições educacionais, consequentemente em suas 
administrações, desconstruindo a hierarquização militar e/ou clerical, voltando-se para a formação cidadã. 
O prever chama ao refletir, antever, olhar antecipadamente o que vai ser preciso em termos humanos e 
materiais, para que se alcance uma meta. É preciso, ainda, que se estabeleça essa visão com base em período 
com começo, meio e fim de atividades distribuídas em horas, dias, semanas, mês e ano. Mas sempre 
considerando o predefinido na legislação vigente, como o calendário escolar, a periodicidade orçamentária 
federal, estadual, distrital e municipal. 
O planejamento com previsão minuciosa é possível, mas nunca engessado, inflexível, pois existem muitos 
fatores que proporcionam mudanças nas ações, tais como: 
Dimensão humana 
+ 
Dimensão natural 
+ 
Todos esses processos e subprocessos precisam ser devidamente documentados, registrados oficialmente, 
pois, além da LDBEN, a escola se orienta pelo Plano de Desenvolvimento Educacional, Regimento Escolar 
estadual, distrital e municipal, de acordo com seu nível de atendimento, Projeto Político-Pedagógico da 
Escola, Lei Orçamentária e demais documentos que são produzidos pela esfera de comando superior, como 
decretos, medidas provisórias, leis e resoluções. 
Organizar essa instituição é complexo, pois envolve dimensões além da infraestrutura (prédio físico), tais 
como a política, a social, a pedagógica e a administrativo-financeira, das quais iremos tratar a partir de 
agora. Ressaltando que a organização da gestão escolar de instituições educacionais públicas adotam a 
gestão democrática e participativa dos membros, enquanto as particulares, por pertencerem a uma ou mais 
pessoas (sócias proprietárias), possuem poder decisório sobre suas ações, respeitados os princípios 
educacionais do sistema brasileiro estabelecido na legislação vigente. 
Nesse momento do processo de administrar, a organização, optando pela estratégia funcional, passa a 
estruturar de maneira a dar sentido de ordenamento e disposição às funções elencadas em cargos (postos) da 
escola, porém sempre observando as determinações legais, como corpo docente, gestor, zeladoria, 
orientação educacional, que são postos com competências predefinidas em resoluções e leis. 
Libâneo (2001, p. 4) demonstra graficamente, na forma de organograma, a representação da estrutura básica 
de uma escola: 
 
Figura 3 - Organização funcional básica da escola 
Fonte: Libâneo (2001, p. 4). 
Quando a gestão escolar define de forma clara as concepções organizacionais pautadas no trabalho coletivo, 
nas políticas educacionais, nas relações interpessoais sadias, dentre outros aspectos que considerem os 
aspectos históricos e contextuais da instituição escolar, tende a ter sucesso no alcance do objetivo principal 
da escola, que é o ensino e o aprendizado com o sucesso de todos os participantes do processo educativo. 
Elemento organizacional Atribuições 
Conselho de Escola 
Consultivas, deliberativas e fiscais em questões 
definidas na legislação e no regimento escolar. 
Direção 
Coordenação, organização e gerenciamento de todas as 
atividades da escola,auxiliada pelos demais elementos 
do corpo técnico-administrativo e do corpo de 
especialistas. 
Coordenação, organização e gerenciamento de todas as 
atividades da escola, auxiliada pelos demais elementos 
do corpo técnico-administrativo e do corpo de 
especialistas. 
Responde pelos meios de trabalho que asseguram o 
atendimento dos objetivos e das funções da escola e dos 
serviços auxiliares. 
Setor pedagógico 
Compreende as atividades de coordenação pedagógica e 
orientação educacional. Suas funções variam conforme a 
legislação. 
Instituições auxiliares ou órgãos de participação 
democrática 
Associação de Pais e Mestres (APM), grêmio estudantil 
e outros vinculados à APM. Cada um deles possui 
atribuições de participação nas decisões escolares. 
Corpo docente 
Conjunto dos professores em exercício na escola com a 
função básica de contribuir para o processo de ensino-
aprendizagem. 
Corpo discente 
Conjunto de alunos e suas instâncias de 
representatividade (grêmio estudantil). 
Quadro 1 - Atribuições dos elementos organizacionais da escola 
Fonte: Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 464-468). 
Organizar na gestão escolar é antes de tudo envolver, conquistar a participação democrática de toda 
comunidade que integra o processo de educar, formar para cidadania, indo além do letramento, do domínio 
técnico, do sucesso profissional, mas conquistando na prática o equilíbrio para um país de igualdade, 
equidade e respeito à sua própria diversidade. Lembrando sempre que acender o fogo é fácil, mas para 
mantê-lo aceso é preciso dedicação e cuidado permanente. 
O Papel de Liderança na Gestão Escolar 
Diferenciar liderança e chefia por meio de seus respectivos conceitos é o primeiro passo para entendermos a 
gestão bem-sucedida de algumas escolas e malsucedidas de outras. Chefiar é exercer, assumir um posto de 
comando, seja em qual for o nível, é um comando impositivo, nomeado, declarado pela chefia 
imediatamente superior que detém o poder para indicação, imposição dos seus subordinados, e que 
executarão os conjuntos de tarefas sob sua responsabilidade. Já liderança trata-se de influência, articulação, 
negociação, talento intra e interpessoal na relação com as pessoas, que mesmo sem estarem subordinadas 
(comandadas) optam por ouvir, obedecer, seguir as ideias, conselhos e orientações desta pessoa. 
 
Figura 4 - Liderança 
Fonte: Plataforma Deduca (2018). 
Vejamos alguns conceitos formais apresentados por estudiosos sobre liderança. Para Outhwaite e 
Bottomore (1996), liderança é a qualidade que permite a um indivíduo influenciar outros, o que implica 
relação mútua entre líder e liderado. 
Segundo Chiavenato (2004, p. 100): “O administrador precisa conhecer a natureza humana e saber conduzir 
as pessoas, isto é, liderar”. Ele torna a liderança imprescindível em todos os tipos de organização humana, 
nas empresas ou em cada um de seus departamentos. 
Dentre os estudiosos das teorias comportamentais, Barros (2013) apresenta três estilos de liderança em 
relação ao estilo de comportamento para liderar, a saber: 
Liderança liberal ou Laissez-faire 
+ 
Liderança democrático-participativa 
+ 
Portanto, o papel do gestor torna-se muito mais relevante dentro do processo de administração (gestão 
escolar), pois o perfil comportamental, técnico, social e político dessa pessoa (humana) se tornará modelo a 
ser seguido ou banido pelos membros integrantes direta ou indiretamente da escola. Torna-se articulador, 
mediador, ouvidor, enquanto no desempenho de suas funções estabelece um relacionamento entre “meios e 
fins” de atividades realizadas por pessoas (professores, orientadores, zeladores etc.) e para pessoas 
(alunos/alunas), respectivamente colaboradores e usuários de um sistema educacional com vínculos muito 
fortes ao tradicionalismo, conservadorismo e que dificultam o gerenciamento. 
Há que se considerar o trânsito realizado pelo gestor em todas as instâncias do processo de administração 
escolar, invariavelmente, liderando ou gerenciando essas atividades, quer sejam administrativas, financeiras, 
pedagógicas, políticas etc., sempre estará, de forma direta ou indireta, colaborando. E seu posicionamento 
enquanto líder influenciará todas as pessoas, e com a sua versatilidade e habilidade irá direcionar a 
qualidade e o desempenho não apenas dos colaboradores da escola, como também da comunidade externa, 
por intermédio de planos bem-sucedidos durante sua gestão na escola. 
A liderança tem um papel de assistência, colaboração, parceria no desenvolvimento das atividades com fins 
de formação de pessoas, mas não pode ser confundida com a prática do assistencialismo, quando a pessoa 
cria dependência da fonte de recursos – bens ou serviços –, inviabilizando o crescimento do grupo da 
comunidade escolar, mas gerando individualismo de benefícios a membros específicos. Daí a grande 
relevância do gestor de educação dentro da instituição e da comunidade para manter a imparcialidade e/ou 
neutralidade nos processos de decisão, assistindo os professores, técnicos e operacionais com subsídios de 
informações atualizadas para que possam adotar a melhor estratégia de ação formulando, analisando ou 
avaliando os planos escolares. 
A assistência direta é prestada pelo gestor e seus assessores especialistas, mas considera-se a possibilidade 
de a escola adotar assistência com parcerias que venham contribuir para a melhoria da gestão, como apoio 
à saúde coletiva, jurídico, assistência social, esportivo e muitos outros. Sempre com foco na realização das 
metas legais estabelecidas pela legislação vigente, inclusive quanto aos termos de construção dessas 
parcerias com outras instituições, quer sejam públicas ou privadas. 
O gestor precisa manter um clima organizacional democrático e participativo, ouvir, importar-se com os 
alunos e seus pares – pais, professores, técnicos e operacionais. A gestão centralizadora não será efetiva, 
podendo até ser eficiente e eficaz no período de sua gestão, mas a efetividade dos planos e suas respectivas 
ações estão na consistente construção de valores, o que perpassará um ou dois períodos de gerenciamento, 
mandato, mas alcançará a comunidade local, municipal e possivelmente nacional, dependendo da projeção. 
 
Figura 5 - Clima organizacional democrático e participativo 
Fonte: Plataforma Deduca (2018). 
Verificamos, assim, que gestão está intrinsecamente relacionada ao ato de embrionário de gestar, cuidar, 
monitorar, apoiar, quando se trata de uma instituição educacional como a escola e que tem como princípio 
nacional a formação para cidadania democrática. Exigindo, dessa forma, a dedicação não apenas dos 
professores, mas de todos, incluindo talvez muito mais dos gestores da educação em todas as instâncias, 
usando sempre a “didática” participativa com a comunidade envolvida, na dimensão micro e macro dos 
processos de formação educativos. 
Estrutura Organizacional Administrativa 
Escolar como Resultado Da Gestão 
Construímos o conhecimento sobre organização e administração, e também o de gestão voltado para o 
sistema educacional e suas instituições executoras – as escolas –, onde há uma estrutura mínima por 
exigência legal a ser desenvolvida com a comunidade que participa da gestão, pressuposta como 
democrática e participativa, já que a Constituição e a LDBEN assim estabelecem. 
Respeitando uma ordem hierárquica, preferencialmente por especialidades e não militar, apesar de o sistema 
de ensino do país “democrático” ainda permitir instituições do nível de educação básica com parâmetros 
militares. 
A premissa da Constituição Federal (1988) que estabelece o acesso à educação para todos em igualdade de 
condições é um permanente desafio ao nosso país com dimensões geográficas, culturais e políticas tão 
diversificadas. Mas, como unidade republicana, tem o dever de manter o monitoramento do cumprimento da 
regulação vigente sobre os sistemas de ensino estaduais e municipaisfederativos, ou seja, os regimentos 
escolares não podem contradizer ou entrar em choque com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDBEN). 
Considerando que a LDBEN 9.394/96, que regula o sistema de ensino, estabelece em seu artigo 14: 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação 
básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: 
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; 
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. 
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação 
básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: 
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; 
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. 
É necessária, na composição da instituição executora da formação escolar da educação básica, a 
consideração máxima sobre a designação nos itens I e II do artigo, quando evoca PARTICIPAÇÃO da 
comunidade escolar e local em conselhos e equivalentes, chamando ao dever não apenas os profissionais da 
educação, mas também pais, líderes, empresários, políticos e demais pessoas que influenciam direta ou 
indiretamente nas atividades escolares. 
Essas atividades são decisões, na gestão democrático-participativa, oriundas de votação nos Conselhos 
existentes na escola, segundo estabelece a LDBEN, mas que cabe ao gestor (diretor e vice-diretor) apoiar ou 
influenciar nas unidades representativas da estrutura organizacional escolar. Segundo Libâneo (2001, p. 2): 
Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a 
efeito nos últimos anos, é possível apresentar, de forma esquemática, três das concepções de organização e 
gestão: a técnico-científica (ou funcionalista), a autogestionária e a democrático-participativa. 
Com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar e nas experiências levadas a 
efeito nos últimos anos, é possível apresentar, de forma esquemática, três das concepções de organização e 
gestão: a técnico-científica (ou funcionalista), a autogestionária e a democrático-participativa. 
Aqui vamos nos deter à organização e gestão escolar democrático-participativa, quando esta concepção de 
organização está relacionada de forma orgânica com o pessoal da escola e seus membros funcionais (diretor, 
professores etc.), que reforça o comprometimento de todos com os projetos e planos estabelecidos na 
instituição. 
A representação dessa estrutura organizacional é realizada pelo organograma que na Teoria Geral da 
Administração apresenta regras para delimitar a funcionalidade e hierarquização dos componentes da 
instituição, empresa ou órgão, de maneira a facilitar a visualização das inter-relações entre os vários setores 
e funções da organização aqui em foco na escola. 
Como podemos observar na Figura 3, Libâneo (2001) apresenta uma estrutura organizacional básica, 
mínima, para que a escola desempenhe bem suas atividades, considerando as premissas legais vigentes em 
nosso país (CF, LDBEN, PNE, Regimentos Escolares Estaduais, Distrital e Municipais) e toda a diversidade 
geopolítica existente. 
Se há autonomia legal para que os estados, distritos e municípios do Brasil construam a organização escolar 
democrático-participativa com maior aporte funcional em grau de especialidades e amplitude de atuação, 
então o Projeto Político-Pedagógico e os demais refletirão essa estrutura organizacional, tanto quantitativa 
quanto qualitativamente na formação dos alunos para a cidadania. 
Nesse contexto, a Diretoria, composta por Diretor e Vice-diretor, precisa monitorar direta ou indiretamente 
(possuem poder de delegar representante legal do corpo funcional da escola para lhes representar) o 
desenvolvimento de todas as atividades dos projetos realizados na escola, considerando as metas a serem 
atingidas em quantidade e qualidade. 
Se o sistema educacional brasileiro está definido em alguns aspectos pela dimensão da qualidade, e em 
outros pela quantidade, na escola não é diferente, pois é a instituição de educação básica que constrói o 
alicerce de formação do cidadão, exigindo dos seus gestores domínio de informação das variáveis que 
compõem o conceito de educação de qualidade e as metas quantitativas preestabelecidas nos projetos da 
escola. 
O monitoramento dessas variáveis que compõem os projetos na escola (matrícula, evasão, desistência, 
qualificação dos docentes, estratégias de ensino, uso de novas tecnologias, infraestrutura predial, saúde 
escolar, Ideb Enem, Enade etc.) é complexo. Porém, é possível e absolutamente necessário para que o gestor 
posicione os Conselhos e a sua gestão sobre onde, como, quando, quanto está a progressão para o alcance ou 
realização das metas preestabelecidas. Detalhando ações específicas de cada variável por meio de 
instrumentos que buscam mensurar (materializar) quantitativamente por meio matemático (números, 
percentuais, tempo etc.) ou por meio de indicadores qualitativos na coleta de dados (entrevistas, roteiro 
observacional etc.) junto à comunidade escolar. 
Existem instrumentos validados por pesquisadores e/ou instituições especializadas em 
avaliação institucional das escolas, como bancos de dissertações e teses das 
universidades federais, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira (Inep), Unesco, PNUD, IBGE e muitos outros, que servirão diretamente ao gestor 
e à comunidade escolar no permanente monitoramento das variáveis que compõem as 
metas preestabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) e pelo Plano Estadual, 
Municipal ou Distrital de Educação, em que se faz abrangência mais específica da 
contribuição que a escola local dará ao sistema nacional de educação. 
Orientações Democráticas Presentes na 
Legislação Brasileira 
Durante todos os nossos estudos neste conteúdo vimos que a organização da educação, dos sistemas de 
ensino, das instituições escolares é regida mediante a concepção governamental do país. No Brasil, podemos 
destacar dois eixos políticos que influenciam diretamente na concepção educacional: o sistema político 
(democrático ou ditatorial, de acordo com as últimas experiências históricas) e os interesses governamentais. 
Estes atuam conforme o governo que está no poder e em função de seus interesses, o que implica mudanças 
legislativas para atender às demandas que refletem em políticas de governo em detrimento do 
estabelecimento de políticas de Estado. 
No Brasil democrático, vivemos sob a proteção da Constituição da República Federativa de 1988, da qual se 
origina a concepção democrática do ensino na educação. Veremos neste tópico quais são as principais 
orientações legais para a construção de uma escola democrática. 
O Estado brasileiro é regido pela Constituição promulgada em 1988, como resultado das medidas de 
estruturação de um país democrático. Entretanto, devemos entender que a democracia pressupõe uma 
revisão constante de suas formas de atuação, de maneira que atenda às mudanças ocorridas no seio da 
sociedade, e tais mudanças são contempladas por meio de emendas constitucionais. Assim, a legislação 
educacional passa pelas mesmas exigências devido à realidade que se impõe dinamicamente, sendo refletida 
no interior das escolas. Tenhamos em mente que tais preceitos são próprios do regime democrático e, 
conforme a Carta Magna no seu Art. 206, 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência deinstituições públicas e privadas de 
ensino; 
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
 V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com 
ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII - garantia de padrão de qualidade. 
 VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei 
federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). 
(BRASIL, 1988). 
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; 
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de 
ensino; 
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; 
 V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com 
ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada 
pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006) 
 VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; 
VII - garantia de padrão de qualidade. 
 VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei 
federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006). 
(BRASIL, 1988). 
Os princípios democráticos da educação definidos na Constituição são indeléveis para a condução da 
educação brasileira, e, como tal, a escola deve ter esses fundamentos como premissa básica para proceder à 
sua função primordial, que é a de ensinar para a construção da cidadania. 
 
Figura 6 - Democracia na escola 
Fonte: Plataforma Deduca (2018). 
A LDB 9.394/1996 define no Art. 2º da Constituição o caráter democrático da educação: 
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade 
humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade 
humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
Como já vimos anteriormente, o inciso VIII trata da prática democrática no interior de cada unidade 
educacional por meio da gestão: “gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação 
dos sistemas de ensino”. A gestão escolar é, então, responsável pela aplicação dos princípios democráticos 
no interior das diferentes escolas brasileiras. 
Conforme comentamos no início, as políticas educacionais passam por mudanças em virtude das demandas 
da realidade, em vista do desenvolvimento socioeconômico e cultural. Tais mudanças dizem respeito 
diretamente às formas de organização escolar, bem como à condução do processo educativo. As reformas 
educativas que vêm sendo implementadas constantemente na LDB resultam mais significativamente das 
mudanças ocorridas mundialmente no sistema capitalista. Segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 42), 
as mudanças decorrem dos sistemas de produção associados aos avanços científicos e tecnológicos no 
âmbito da mundialização econômica, globalização e sociedade do conhecimento que influenciam 
diretamente nas concepções de ensino. 
Tais exigências da contemporaneidade recaem sobre a educação com o objetivo do provimento do mercado 
de trabalho e formação de consumidores. Esse tipo de demanda tenta afastar a educação de seus objetivos 
primordiais da formação do sujeito ético, cidadão e preparado para o mundo do trabalho pelas competências 
que desenvolve, não para atender às exigências do mercado do trabalho. Nesse sentido, cabe à escola 
realizar uma educação que não seja excludente, segregadora da população em condições econômicas não 
favorecidas e que impeça a marginalização das camadas mais pobres da sociedade. Na perspectiva da escola 
democrática, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2012, p. 250): 
A educação deve ser concebida como um direito universal básico e como um bem social público, condição 
para a emancipação social. Deve ser concebida, portanto, no contexto de um amplo projeto de inclusão 
social, em que são contemplados os interesses da maioria da população, implicando a conquista da 
democracia e da qualidade social. 
A educação deve ser concebida como um direito universal básico e como um bem social público, condição 
para a emancipação social. Deve ser concebida, portanto, no contexto de um amplo projeto de inclusão 
social, em que são contemplados os interesses da maioria da população, implicando a conquista da 
democracia e da qualidade social. 
Diante disso, devemos pensar que a democracia escolar é realizada com a participação de todas as pessoas 
envolvidas no processo educacional, considerando funcionários escolares, professores, gestores, familiares 
dos alunos, os alunos, o entorno comunitário e os setores sociais que se interessam pela emancipação da 
população por meio do processo educacional. A participação democrática é, portanto, aberta à participação 
por meio da organização de projetos que se preocupem com o ensino sistematizado voltado para a qualidade 
do ensino que busque a formação de cidadãos críticos, éticos e transformadores da realidade em que vivem. 
Vimos as orientações legais para a construção de uma escola democrática quanto aos conceitos democráticos 
que regem a fundamentação da organização escolar. Vejamos a partir de agora quais são as orientações 
legais para o ensino na escola democrática. 
Orientações para a Construção de um Ensino 
Democrático na Educação Básica 
Os documentos oficiais para a educação, sobretudo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de 2017, 
estabelecem bases nacionais comuns para a educação básica e conferem elementos norteadores para que as 
diversas instituições educacionais formulem suas próprias práticas em conformidade às suas realidades 
locais. Dessa forma, discutir sobre a democratização educacional requer um olhar problematizador sobre os 
aspectos externos e internos à escola que envolvem o ato de educar. 
 
 
Figura 7 - Escola como espaço multicultural 
Fonte Plataforma Deduca (2018). 
Nesse sentido, as diretrizes preconizam uma educação que priorize as igualdades sociais e a inclusão: 
Para que se conquiste a inclusão social, a educação escolar deve fundamentar-se na ética e nos valores da 
liberdade, na justiça social, na pluralidade, na solidariedade e na sustentabilidade, cuja finalidade é o pleno 
desenvolvimento de seus sujeitos, nas dimensões individual e social de cidadãos conscientes de seus direitos 
e deveres, compromissados com a transformação social. Diante dessa concepção de educação, a escola é 
uma organização temporal, que deve ser menos rígida, segmentada e uniforme, a fim de que os estudantes, 
indistintamente, possam adequar seus tempos de aprendizagens de modo menos homogêneo e idealizado. 
(BRASIL, 2014, p. 16). 
Para que se conquiste a inclusão social, a educação escolar deve fundamentar-se na ética e nos valores da 
liberdade, na justiça social, na pluralidade, na solidariedade e na sustentabilidade, cuja finalidade é o pleno 
desenvolvimento de seus sujeitos, nas dimensões individual e social de cidadãos conscientes de seus direitos 
e deveres, compromissados com a transformação social. Diante dessa concepção de educação, a escola é 
uma organização temporal, que deve ser menos rígida, segmentada e uniforme, a fim de que os estudantes, 
indistintamente, possam adequar seus tempos de aprendizagensde modo menos homogêneo e idealizado. 
(BRASIL, 2014, p. 16). 
A escola é o espaço institucional em que eclodem as práticas sociais, morais, religiosas, culturais e 
familiares dos alunos. Também nela se exerce a solidariedade e o aprendizado de convívio com o diferente. 
Nesse sentido, para o enfrentamento dos preconceitos, da intolerância, da exclusão social, é necessário que 
os atores pedagógicos sejam dispostos à formação pessoal e profissional, à participação democrática, ao 
diálogo, para que os fazeres escolares de reconhecimento e inclusão do outro não permaneçam apenas no 
discurso. 
A permanência e o sucesso do aluno na escola dependem muito da sua identificação com o meio, mas a 
identidade social do aluno também pode ser construída por meio de um currículo que discuta os problemas 
detectados. 
 
Tais problemas podem ser da ordem das diversidades linguísticas, verificadas entre membros de populações indíge- nas; 
diversidade regional, devido à migração ou a membros de comunidades quilombolas, por exemplo. 
É preciso que as escolas abandonem o mito da unidade do português no Brasil e passem a reconhecer a verdadeira diversidade 
linguística em nosso país, para melhor planejarem suas políticas de ação junto à população amplamente marginalizada dos 
falantes da língua padrão. (BAGNO, 2004, p. 18). 
Segundo Bagno (2004, p. 16), diversidade linguística diz respeito à variedade e diversidade dos modos de 
falar a língua brasileira, seja por causa da grande extensão territorial do país, que gera diferenças regionais, 
seja em razão das desigualdades sociais, que explicam as variedades não padrão do português brasileiro 
(norma culta). 
A organização da escola como um organismo democrático recebe ênfase democrática explícita no art. 14, de 
acordo com os seguintes princípios: 
[...] participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; participação 
das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. 
 Com base nisso asseguram-se progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão 
financeira. 
(DEMO, 2011, p. 63). 
[...] participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; participação 
das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. 
 Com base nisso asseguram-se progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão 
financeira. 
(DEMO, 2011, p. 63). 
Sobre esses aspectos queremos relembrar aqui que a base fundamental da participação democrática, da 
melhoria da qualidade do ensino, e da permanência do aluno na escola se dá por meio da viabilização 
organizada pela gestão escolar. 
Escola Democrática 
+ 
Entretanto, como estamos comentando sobre as dinâmicas e mudanças que ocorrem na sociedade 
globalizada, temos de considerar que a questão da democrática no seio escolar se constitui em um assunto 
inesgotável, como se fosse um livro sem fim, pois trata-se de um processo de extrema complexidade, pois 
envolve também o relacionamento humano que se modifica ao caminhar de todo o restante do contexto do 
desenvolvimento da sociedade. 
 A atual LDB se configura, portanto, como pilar legal de orientação da escola democrática por meio da 
gestão escolar, expressa no Art. 15, que destaca os progressivos graus de autonomia pedagógica e 
administrativa. Segundo Lück (2013, p. 62), 
O conceito de autonomia da escola está relacionado a tendências mundiais de globalização e mudança de 
paradigma que têm repercussões significativas nas concepções de gestão educacional e nas ações dela 
decorrentes. Descentralização do poder, democratização do ensino, autogestão, instituição de parcerias, 
flexibilização de experiências, sistema de cooperativas, multidisciplinaridade são alguns dos conceitos 
relacionados a essa mudança. 
O conceito de autonomia da escola está relacionado a tendências mundiais de globalização e mudança de 
paradigma que têm repercussões significativas nas concepções de gestão educacional e nas ações dela 
decorrentes. Descentralização do poder, democratização do ensino, autogestão, instituição de parcerias, 
flexibilização de experiências, sistema de cooperativas, multidisciplinaridade são alguns dos conceitos 
relacionados a essa mudança. 
Percebemos que as orientações legais para a democracia escolar no contexto da sociedade contemporânea 
passam por reformulações constantemente, com o intuito de fazer a educação ser agente de transformações 
por meio da construção do conhecimento, sem, no entanto, perder de vista os valores humanos, tradicionais 
e históricos das populações, para que os cidadãos possam transformar a realidade dentro da perspectiva do 
progresso tecnológico e do processo produtivo com criticidade, autonomia e ética. 
Vimos neste tópico como a legislação prevê a escola democrática. A seguir estudaremos sobre a dimensão 
da participação nas escolas. 
A Dimensão da Participação dos Membros 
Escolares na Gestão Democrática 
Quando a gestão escolar se responsabiliza com a integração e articulação com todos os frequentadores da 
escola, segue rumo à democratização e à participação com o objetivo de elevar a qualidade do ensino e 
promover a participação da sociedade no mundo globalizado e o avanço da construção do conhecimento. 
Vimos que uma das atribuições da gestão democrática escolar na organização é a implementação dos órgãos 
colegiados de participação da comunidade. Vimos também quais são as finalidades de cada órgão colegiado. 
Dessa forma, neste capítulo estudaremos com um pouco mais de profundidade o que vem a ser um órgão 
colegiado como mecanismo da dimensão da participação dos membros escolares na gestão democrática. 
Veremos, também, quais são as novas perspectivas para o Conselho de Escola de acordo com as orientações 
oficiais. 
Na atual LDB, o Art. 14 preconiza que escolas definirão a forma da gestão democrática, assim como, 
especificamente relacionado ao estudo deste tópico, o inciso II – “participação das comunidades escolar e 
local em conselhos escolares ou equivalentes”. 
 
Figura 9 - Reuniões com os membros da comunidade na escola 
Fonte: Plataforma Deduca (2018). 
Para atender à lei, os sistemas de ensino criaram os órgãos colegiados de participação da comunidade 
escolar. Observamos que a legislação fala em conselhos escolares, mas constatamos nas instituições 
escolares a presença de outros órgãos colegiados, sendo os mais comuns: Associação de Pai e Mestres 
(APM), Conselho de Escola e Grêmio Estudantil. Como os sistemas de ensino são autônomos, podem ser 
encontrados em diversas regiões outros modelos de participação, como Colegiado Escolar, Associação 
Escola-Comunidade, Conselho Deliberativo. 
Um órgão colegiado, segundo Lück (2013, p. 66), 
Constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em 
todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para se alcançar o objetivo de ajudar o 
estabelecimento de ensino, em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo de pais, 
professores e funcionários. Em sua atuação, cabe-lhe resgatar valores e cultura, considerando aspectos 
socioeconômicos, de modo a contribuir para que os alunos sejam atendidos em suas necessidades 
educacionais, de forma global. 
Constitui-se em um mecanismo de gestão da escola que tem por objetivo auxiliar na tomada de decisão em 
todas as suas áreas de atuação, procurando diferentes meios para se alcançar o objetivo de ajudar o 
estabelecimento de ensino, em todos os seus aspectos, pela participação de modo interativo de pais, 
professores e funcionários. Em sua atuação, cabe-lhe resgatar valores e cultura, considerando aspectos 
socioeconômicos, de modo a contribuir para que os alunos sejam atendidos em suas necessidades 
educacionais, de forma global. 
A condição fundamental para o funcionamento do Conselho de Escola é a integração da escola à 
comunidadee da comunidade à escola, com o objetivo de que todos possam participar do processo de ensino 
para o alcance da melhoria da qualidade. O Conselho de Escola é composto pelo diretor da escola, 
professores, alunos, pais de alunos e funcionários. 
Como sugestão de funcionamento do Conselho de Escola, vamos nos basear em Lück (2013, p. 68), com 
objetivos propostos por pais e professores de uma escola do Paraná, no ano de 2001: 
Investimentos da Cia. Teresina 
Quanto à relação escola-comunidade 
1 – Garantir livre acesso da comunidade à escola, a partir de criação de espaços de atuação e participação. 
2 – Promover melhor convívio entre escola e comunidade. 
3 – Mobilizar a comunidade para participar de um movimento pela melhoria da qualidade do ensino e 
aprendizagem dos seus alunos, conscientizando-a da importância efetiva de sua participação na escola. 
4 – Promover a quebra de gelo na relação entre funcionários e comunidade. 
5 – Promover a integração entre escolas, realizando atividades de intercâmbio como campeonatos e atividades 
diversas. 
6 – Unir o grupo da terceira idade com crianças para resgate de artesanato, histórias locais e experiências de vida, 
dentre outras atividades. 
7 – Abrir a escola para a comunidade, tornando-a um centro de integração comunitária. 
Quadro 3 - Ações para o envolvimento dos pais e da comunidade escolar 
Fonte: Lück (2013, p. 68). 
A referida sugestão se estende em mais alguns quadros que compreendem reivindicações para o 
funcionamento do Conselho de Escola, incluindo temas para a participação das mães; conscientização dos 
pais a respeito do seu papel e da importância da educação; ações para o atendimento aos alunos com 
dificuldades especiais; apoio direto aos alunos em geral e à atuação com os alunos; ações para 
a organização da escola quanto à manutenção da escola; realização de atividades diversas em relação à 
gestão da escola e ao processo de comunicação; ações para o enriquecimento das experiências educacionais, 
do currículo escolar; realização de atividades sociais e culturais; ações para a operacionalização do Conselho 
de Escola. 
A iniciativa da escola citada revela o grau de envolvimento da comunidade com o objetivo primordial da 
escola, que é melhoria da qualidade do ensino, das funções sociais da escola, visto que ela não é apenas um 
prédio descolado da realidade escolar, muito pelo contrário, ela é parte integrante da sociedade. Portanto, 
deve exercer seu papel de acordo com as premissas que lhe são atribuídas pelos anseios dos membros da 
comunidade, assim como pelo que promulga a legislação para o funcionamento de uma instituição de 
atendimento social dentro de um regime democrático. 
Percebemos, assim, que a organização de atividades que asseguram a relação entre escola e comunidade são 
aquelas direcionadas para as relações externas que envolvem os “níveis superiores de gestão do sistema 
escola, os pais, as organizações políticas e comunitárias, a cidade e seu mobiliário”. (LIBÂNEO; 
OLIVEIRA; TOSCHI, 2012, p. 470). 
O Conselho de Escola no Plano de 
Desenvolvimento da Educação – PDE 
No Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) lançado em 2007, o governo federal contemplou o 
Decreto nº 6.094/07, que dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela 
Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com Municípios, Distrito Federal e Estados, e a 
participação das famílias e da comunidade, mediante programas e ações de assistência técnica e financeira, 
visando à mobilização social pela melhoria da qualidade da educação básica. Segundo o Decreto, 
Art. 2º A participação da União no Compromisso será pautada pela realização direta, quando couber, ou, nos demais casos, 
pelo incentivo e apoio à implementação, por Municípios, Distrito Federal, Estados e respectivos sistemas de ensino, das 
seguintes diretrizes: 
XIX - divulgar na escola e na comunidade os dados relativos à área da educação, com ênfase no Índice de Desenvolvimento 
da Educação Básica - IDEB, referido no art. 3º; 
XX - acompanhar e avaliar, com participação da comunidade e do Conselho de Educação, as políticas públicas na área de 
educação e garantir condições, sobretudo institucionais, de continuidade das ações efetivas, preservando a memória 
daquelas realizadas; 
XXI - zelar pela transparência da gestão pública na área da educação, garantindo o funcionamento efetivo, autônomo e 
articulado dos conselhos de controle social; 
XXII - promover a gestão participativa na rede de ensino; 
XXIII- elaborar plano de educação e instalar Conselho de Educação, quando inexistentes; 
XXIV - integrar os programas da área da educação com os de outras áreas como saúde, esporte, assistência social, cultura, 
dentre outras, com vista ao fortalecimento da identidade do educando com sua escola; 
XXV - fomentar e apoiar os conselhos escolares, envolvendo as famílias dos educandos, com as atribuições, dentre outras, 
de zelar pela manutenção da escola e pelo monitoramento das ações e consecução das metas do compromisso; 
XXVI - transformar a escola num espaço comunitário e manter ou recuperar aqueles espaços e equipamentos públicos da 
cidade que possam ser utilizados pela comunidade escolar; 
XXVII - firmar parcerias externas à comunidade escolar, visando à melhoria da infraestrutura da escola ou a promoção de 
projetos socioculturais e ações educativas; 
XXVIII - organizar um comitê local do Compromisso, com representantes das associações de empresários, trabalhadores, 
sociedade civil, Ministério Público, Conselho Tutelar e dirigentes do sistema educacional público, encarregado da 
mobilização da sociedade e do acompanhamento das metas de evolução do IDEB. 
(BRASIL, 2007). 
Art. 2º A participação da União no Compromisso será pautada pela realização direta, quando couber, ou, nos demais 
casos, pelo incentivo e apoio à implementação, por Municípios, Distrito Federal, Estados e respectivos sistemas de 
ensino, das seguintes diretrizes: 
XIX - divulgar na escola e na comunidade os dados relativos à área da educação, com ênfase no Índice de 
Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB, referido no art. 3º; 
XX - acompanhar e avaliar, com participação da comunidade e do Conselho de Educação, as políticas públicas na área 
de educação e garantir condições, sobretudo institucionais, de continuidade das ações efetivas, preservando a 
memória daquelas realizadas; 
XXI - zelar pela transparência da gestão pública na área da educação, garantindo o funcionamento efetivo, autônomo 
e articulado dos conselhos de controle social; 
XXII - promover a gestão participativa na rede de ensino; 
XXIII- elaborar plano de educação e instalar Conselho de Educação, quando inexistentes; 
XXIV - integrar os programas da área da educação com os de outras áreas como saúde, esporte, assistência social, 
cultura, dentre outras, com vista ao fortalecimento da identidade do educando com sua escola; 
XXV - fomentar e apoiar os conselhos escolares, envolvendo as famílias dos educandos, com as atribuições, dentre 
outras, de zelar pela manutenção da escola e pelo monitoramento das ações e consecução das metas do 
compromisso; 
XXVI - transformar a escola num espaço comunitário e manter ou recuperar aqueles espaços e equipamentos 
públicos da cidade que possam ser utilizados pela comunidade escolar; 
XXVII - firmar parcerias externas à comunidade escolar, visando à melhoria da infraestrutura da escola ou a 
promoção de projetos socioculturais e ações educativas; 
XXVIII - organizar um comitê local do Compromisso, com representantes das associações de empresários, 
trabalhadores, sociedade civil, Ministério Público, Conselho Tutelar e dirigentes do sistema educacional público, 
encarregado da mobilização da sociedade e do acompanhamento das metas de evolução do IDEB. 
(BRASIL, 2007). 
Com o PDE apresentado em 2007, as escolas se sentiram na obrigação de implementar o Conselho de Escola 
com regras e funções muito bem definidas,mas não se sabe exatamente em que medidas foram acatadas 
pelas gestões das escolas públicas brasileiras. De qualquer forma, seria muito interessante se fosse dado 
realmente à comunidade o direito ao conhecimento de seus direitos e deveres quanto à escola pública 
democrática e participativa. 
Conclusão 
Pudemos discutir um pouco mais sobre a escola democrática e sobre a atuação da gestão na implementação 
da concepção democrática escolar. 
As subunidades interligadas pela especificidade da gestão voltada para escola possibilitaram adquirirmos o 
conhecimento sobre administração escolar trilhando pela conceituação clássica de administração e aplicando 
o processo de planejamento, previsão e organização na realidade escolar. 
Trabalhamos os conceitos de liderança e chefia, diferenciando-os, para que organização e gestão escolar 
possam fluir conforme a orientação constante na legislação educacional vigente, que é o desenvolvimento de 
uma gestão democrática e participativa; apresentaram-se ainda os tipos de liderança para que o gestor 
(diretor da escola) construa um perfil de organização em que a comunidade participe efetivamente, 
diferenciando a assistência gerencial de assistencialismo individualista ou populista. 
Concluímos com a estrutura organizacional administrativa escolar como resultado da gestão, por intermédio 
da legislação vigente sobre a estrutura organizacional básica da escola, o processo de construção e 
representação da organização escolar por meio de organograma e o monitoramento do desempenho da 
gestão e das ações segundo a teoria da administração na práxis da gestão educacional. 
Vimos também quais são as leis que preconizam a escola democrática, assim como de que forma pode haver 
democracia na escola e quais são os elementos democráticos. Assim, entendemos que: 
• A equipe gestora de uma escola é responsável pelo modo de implementação da 
autonomia em uma escola da educação básica. 
• Embora a legislação preconize a democracia e a gestão escolar, ainda hoje algumas 
escolas mantêm um modelo de gestão centrado na figura do diretor e da 
neutralização da participação. 
• Segundo estudos de pensadores da educação, são comumente encontradas quatro 
concepções de gestão escolar: a técnico-científica (tradicionalista e bu- rocrática); a 
autogestionária; a interpretativa e a democrático-participativa. 
• As alterações na LDB, desde a sua promulgação em 1996, estão relacionadas às 
mudanças ocorridas mundialmente no sistema capitalista e ao desenvolvimento do 
processo de globalização. 
• As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica preconizam uma 
educação que se volte para a eliminação das desigualdades sociais e para a 
inclusão. 
• A orientação da LDB para a participação das comunidades na escola resultou na 
organização dos órgãos colegiados de participação democrática. 
• O Conselho de Escola é o órgão colegiado que mais atribuições tem na escola, tanto 
no sentido da participação como nas tomadas de decisão sobre todos os aspectos 
de uma unidade de ensino. 
O PDE, por meio do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, estabeleceu metas para a 
organização do Conselho de Escola, bem como definiu e ampliou seu papel na organização da escola 
pública.

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