Prévia do material em texto
<p>74</p><p>Unidade III</p><p>Unidade III</p><p>7 GESTÃO DA EDUCAÇÃO DE TEMPO INTEGRAL</p><p>7.1 Trajetória da gestão escolar</p><p>Para compreender melhor as origens conceituais, políticas e práticas da gestão escolar, é necessário</p><p>retomar um pouco a história da educação, sem a intenção de abarcar todos os fatos, mas aproximar</p><p>você, futuro professor, de significados importantes para compreender a trajetória da gestão escolar.</p><p>Iniciaremos na Primeira República, de 1889 a 1930, período em que o ensino era elitista e</p><p>excludente, no qual a gestão escolar, conhecida como administração escolar, era alicerçada na</p><p>administração empresarial.</p><p>Nessa direção, devemos refletir sobre as formas de organização construídas pela sociedade ao longo</p><p>de sua história. Para isso, acionaremos as escolas de administração que refletem concepções, políticas e</p><p>formas de organização e gestão.</p><p>• A Escola Clássica ou Administração Científica é a primeira, representada por Henri Fayol e</p><p>Frederick W. Taylor. Este último é considerado o principal representante, pois criou métodos de</p><p>organização racional do trabalho. Já Taylor criou as linhas de montagem, visando a (re)produção</p><p>em massa, para que se pudesse aproveitar muito mais tempo e recursos humanos e materiais.</p><p>Com essa estratégia, minimizou consideravelmente gastos e, consequentemente, aumentou os</p><p>lucros. Prestes (1973) acredita que alguém será um bom administrador à medida que planejar</p><p>minuciosamente seus passos, organizar e coordenar racionalmente as atividades de seus</p><p>subordinados e souber comandar e controlar tais atividades.</p><p>• A Escola de Relações Humanas, representada por George Elton Mayo, se interessa pelos grupos</p><p>informais. Considera as pessoas além de um simples recurso humano de produção, no qual os</p><p>gestores/administradores precisavam levar em conta suas necessidades psicológicas e sociais. Em</p><p>síntese, visa tratar a organização sob o ponto de vista das pessoas.</p><p>• A Escola Behaviorista não vê a organização em sua estrutura formal, mas observa a organização</p><p>informal, ou seja, uma nova visão da Teoria Administrativa baseada no comportamento humano</p><p>nas organizações. Assim, a abordagem behaviorista ou, como também é conhecida, comportamental</p><p>da ciência administrativa propõe o abandono de posições normativas e descritivas e a adoção de</p><p>uma posição humanística e descritiva, mantida, portanto, a ênfase nas pessoas. Os principais</p><p>representantes desta escola são Herbert Simon, Chester Barnard, Elliott Jaques e Chris Argyris.</p><p>75</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>• A Escola Estruturalista, representada por Max Weber, Robert K. Merton, Alvin Gouldner e Amitai</p><p>Etzioni, é uma abordagem nas ciências sociais e na sociologia que objetiva analisar as estruturas</p><p>implícitas que influenciam o comportamento humano e a sociedade de modo geral. Entende que</p><p>a organização é um sistema aberto e em constante interação com o seu meio ambiente.</p><p>Retomando nossa jornada dentro da história da educação e da gestão, devemos acionar</p><p>Bartholomeu (2022), no que tange resgatar períodos importantes para entendermos como chegamos</p><p>ao modelo de gestão que se pretende estabelecer nas nossas escolas. Segundo a autora (apud Saviani,</p><p>2009), em 1835 foi inaugurada em Niterói a primeira Escola Normal do Brasil, cuja preocupação</p><p>estava no domínio de conhecimentos a serem transmitidos na escola de primeiras letras. Ou</p><p>seja, o que constava no currículo eram as matérias do ensino mútuo, deixando de lado o preparo</p><p>didático-pedagógico. Deveria ser administrada por um diretor que também exerceria o cargo de</p><p>professor, sendo o currículo composto pelas seguintes áreas: ler e escrever pelo método lancasteriano;</p><p>as quatro operações e proporções; língua nacional; elementos de geografia; e princípios de moral cristã.</p><p>Essa primeira escola normal teve um curto período de existência, formando apenas 14 alunos. Outras</p><p>escolas normais instaladas nas demais províncias também não obtiveram êxito por falta de procura,</p><p>talvez não apenas por causa de falhas didáticas, mas também devido à falta de interesse da população</p><p>pela profissão docente, que em termos financeiros nada agradava, sem contar a pouca visibilidade e a</p><p>consideração de que gozava, levando-se em conta os depoimentos da época.</p><p>Esse período também é marcado pela fase organizacional da administração educacional, em que</p><p>muitos movimentos em busca de reformas na administração do Estado e na administração escolar</p><p>foram deflagrados.</p><p>Observação</p><p>O Método Lancaster, também conhecido como Ensino Mútuo ou</p><p>Monitorial, teve como objetivo ensinar um maior número de alunos, usando</p><p>pouco recurso, em pouco tempo e com qualidade. Foi criado por Joseph</p><p>Lancaster, inglês que amparou seu método no ensino oral da repetição</p><p>e memorização, pois acreditava que essa dinâmica inibia a preguiça e a</p><p>ociosidade e aumentava o desejo pela quietude. Nessa metodologia, não se</p><p>esperava que os alunos tivessem “originalidade ou elucubração intelectual”</p><p>na atividade pedagógica, mas disciplinarização mental e física.</p><p>Entre os anos de 1868 e 1870, começou o movimento de valorização da docência e da educação</p><p>como um todo, no sentido ideológico, político e cultural, bem como reflexões acerca de popularização</p><p>do ensino. Com isso, a valorização da docência passou a assumir uma importância que até então não</p><p>existia, sendo, portanto, reclamada. A partir de então, de 1867 para 1883 o número de escolas normais</p><p>no país saltou de 4 para 22 (Bartholomeu, 2022).</p><p>76</p><p>Unidade III</p><p>Tais movimentos deram origem à efervescência intelectual que se concretizou no movimento da</p><p>Escola Nova e no Manifesto dos Pioneiros da Educação em 1932, contrários à educação tradicional,</p><p>pois esta não favorecia as ideias de expansão industrial que o país vivenciava naquele momento.</p><p>Essa movimentação contribuiu para a multiplicação de inúmeros trabalhos teóricos e empíricos sobre</p><p>a administração pública. Inclusive, o Manifesto mencionava que a ausência de reflexão filosófica e</p><p>científica na resolução de entraves da administração escolar era responsável pela desorganização da</p><p>estrutura escolar (Inep, 1984).</p><p>Com o aumento da oferta educativa no início do século XX, os afazeres administrativos dentro da</p><p>escola precisaram ser repensados e organizados. Assim, a administração educacional passou a se pautar</p><p>na organização de empresas e companhias, ou seja, na administração geral (empresarial), absorvendo</p><p>premissas como a desenvolvida pelo engenheiro Henri Fayol (1990): operações técnicas (distribuição,</p><p>produção, transformação); financeiras (rendimento do trabalho realizado); de segurança (proteção</p><p>patrimonial e das pessoas); operações de contabilidade (inventários, balanços); e administrativas</p><p>(organização, comando, direção, coordenação, colaboração).</p><p>Observação</p><p>Jules Henri Fayol foi um engenheiro de minas francês, formado pela</p><p>Ecole des Mines de Saint-Etienne e um dos teóricos clássicos da ciência</p><p>da administração, sendo o fundador da Teoria Clássica da Administração e</p><p>autor de Administração industrial e geral, editado em 1916.</p><p>A administração educacional absorve as premissas da administração geral, desenvolvida por Henri</p><p>Fayol com base nos seguintes argumentos, de acordo com Leão (1945):</p><p>• Operações técnicas (distribuição, produção, transformação).</p><p>• Operações financeiras (rendimento do trabalho efetuado).</p><p>• Operações de segurança (proteção dos bens e das pessoas).</p><p>• Operações de contabilidade (inventários, balanços, estatísticas).</p><p>• Operações administrativas propriamente ditas (previdência, organização, comando, coordenação,</p><p>colaboração, verificação).</p><p>A estrutura administrativa pensada segundo a teoria de Fayol passa a ser uma organização</p><p>alicerçada na hierarquia de funções, sendo do diretor o papel de dirigir o trabalho dentro do processo</p><p>escolar, da escola e da comunidade em que está inserido. Importante destacar que nessa concepção o</p><p>diretor escolar, além de ser um educador preocupado com assuntos pedagógicos, teria conhecimentos</p><p>de política educacional e saberes técnicos</p><p>da comunidade escolar que podem participar.</p><p>Os Conselhos Escolares tornam-se, nesse contexto, instrumentos</p><p>importantes para a desejada prática democrática. A escolha democrática</p><p>dos dirigentes escolares e a consolidação da autonomia das escolas</p><p>alinham-se aos colegiados com a finalidade de desvendar os espaços de</p><p>contradição gerados pelas novas formas de articulação dos interesses</p><p>sociais. A partir do conhecimento destes espaços, certamente presentes</p><p>102</p><p>Unidade III</p><p>no cotidiano da vida escolar e das comunidades, é que será possível ter</p><p>os elementos para a proposição e construção de um projeto educacional</p><p>inclusivo (Azevedo; Gracindo, 2005, p. 34).</p><p>À vista disso, o conselho de escola se torna instrumento fundamental para alicerçar a gestão</p><p>democrática quando funciona de forma coerente e efetiva, em sintonia com o diretor/gestor.</p><p>Importante destacar que é o diretor/gestor que responde, enquanto autoridade – que é diferente de</p><p>autoritarismo – por questões e responsabilidades burocráticas nas quais as decisões finais carregarão</p><p>sua assinatura. Porém, segundo Lück (2009, p. 23), deve-se ressaltar que</p><p>Não se recomenda, nem se justifica, a divisão de trabalho nas escolas,</p><p>como muitas vezes ocorre, delimitando-se para o diretor a responsabilidade</p><p>administrativa e para a equipe técnico-pedagógica a responsabilidade</p><p>pedagógica. Estes profissionais são participantes da liderança pedagógica</p><p>exercida pelo diretor, exercendo essa responsabilidade em regime de</p><p>coliderança. Ao diretor compete zelar pela escola como um todo, tendo</p><p>como foco de sua atuação em todas as ações e em todos os momentos a</p><p>aprendizagem e a formação dos alunos.</p><p>Não podemos esquecer que existe um educador no diretor, ou seja, não há possibilidade de exercer</p><p>o cargo de diretor sem ser educador, professor, pois, para desenvolver bem seu trabalho, deve ter a</p><p>habilidade e os conhecimentos que acionam teoria e prática educativa. A LDB (Brasil, 1996, p. 44),</p><p>art. 67, reconhece a experiência docente em qualquer função relacionada à educação:</p><p>Art. 67. Os sistemas de ensino promoverão a valorização dos profissionais</p><p>da educação, assegurando-lhes, inclusive nos termos dos estatutos e dos</p><p>planos de carreira do magistério. § 1º A experiência docente é pré-requisito</p><p>para o exercício profissional de quaisquer outras funções de magistério, nos</p><p>termos das normas de cada sistema de ensino.</p><p>Gomes (2003, p. 40) vem corroborar com nossa posição:</p><p>O diretor é, por identidade, um educador que, no papel de diretor, confere</p><p>dimensão mais ampla ao seu desempenho como educador de educadores</p><p>e, simultaneamente, que julgo inadequado e até um absurdo que alguém</p><p>possa ser diretor sem ter sido professor.</p><p>Dessa forma, os aspectos administrativos se integram aos pedagógicos, sendo ambos necessários para</p><p>o andamento positivo das atividades na escola, ou seja, o diretor precisa entender que o administrativo</p><p>serve ao pedagógico.</p><p>103</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Exemplo de aplicação</p><p>Pensando nessa postura, leia e analise o trecho a seguir:</p><p>Em uma escola primária, de determinada cidade do interior, surgiram conflitos entre dois grupos de</p><p>alunos durante o intervalo/recreio. Os desentendimentos iniciaram como pequenas discussões e logo</p><p>deram abertura para agressões físicas, empurrões e troca de insultos. Os professores tentaram interferir,</p><p>no sentido de acalmá-los, porém a situação parecia estar fora de controle.</p><p>Perante esse cenário, qual o papel do diretor/gestor que trabalha dentro da perspectiva da democracia</p><p>e participação?</p><p>Perante a situação, o diretor/gestor da escola desempenha um papel fundamental na resolução</p><p>do conflito e na manutenção de um ambiente seguro e acolhedor para todos os alunos. Em primeiro</p><p>lugar, o diretor/gestor deve agir rapidamente para acalmar a situação e garantir a segurança de todos</p><p>os envolvidos. Isso pode envolver a separação dos alunos em grupos menores e o encaminhamento</p><p>imediato de casos de agressão física para medidas disciplinares apropriadas.</p><p>O diretor também deve convocar uma reunião de emergência com os professores, funcionários e</p><p>pais para discutir a situação e elaborar estratégias para prevenir futuros conflitos. Isso pode incluir a</p><p>implementação de atividades de construção de equipe e resolução de conflitos, bem como a supervisão</p><p>mais rigorosa durante os intervalos.</p><p>Além de lidar com o conflito imediato, o diretor deve investigar e abordar as causas que são faíscas</p><p>do problema. Isso pode envolver a realização de uma investigação para entender melhor as dinâmicas</p><p>de grupo e identificar quaisquer questões de bullying ou exclusão social que possam estar contribuindo</p><p>para os conflitos.</p><p>Nessa direção, o diretor/gestor deve trabalhar em colaboração com os pais dos alunos envolvidos</p><p>e também com a comunidade em geral, para garantir que eles estejam cientes da situação e que suas</p><p>preocupações sejam ouvidas. Isso pode implicar reuniões individuais com os pais para colocar em pauta</p><p>o comportamento de seus filhos e desenvolver planos de ação para apoiar seu desenvolvimento social</p><p>e emocional.</p><p>Em síntese, o diretor/gestor da escola desempenha um papel central na resolução de conflitos</p><p>e na promoção de um ambiente escolar acolhedor e inclusivo, colaborando para a criação de uma</p><p>comunidade escolar em que todos os alunos se sintam seguros, respeitados e capazes de alcançar seu</p><p>pleno potencial acadêmico e pessoal.</p><p>Além disso, o diretor deve ser um profissional atuante no sentido de estimular, buscar e ampliar</p><p>conhecimentos. Essa movimentação atravessa sua equipe que nele busca apoio, segurança, respeito,</p><p>humildade e criatividade, tendo-o como exemplo.</p><p>104</p><p>Unidade III</p><p>Está além de ser líder e educador; é ser, antes de tudo, humano, exercer empatia e priorizar a</p><p>igualdade entre as pessoas. Esse é o sentido de uma gestão e de um gestor democrático, entendidos</p><p>como um trabalho executado de forma coletiva e que necessita da participação de todos que dão vida</p><p>à comunidade escolar.</p><p>Segundo Libâneo (2004), estar na posição de diretor/gestor é pôr em movimento, de forma integrada</p><p>e colaborativa, todos os elementos do processo organizacional (planejamento, organização, avaliação),</p><p>acionando atividades de mobilização, liderança, motivação etc.</p><p>Lück (2009) afirma que a gestão escolar pelo diretor se assenta, portanto, sobre sua competência</p><p>em liderar e compartilhar liderança, tanto dentro da escola como fora dela, guiada por uma visão de</p><p>conjunto do trabalho educacional e do funcionamento da escola no enfrentamento de seus desafios.</p><p>Essa capacidade passa pelo conflito de questões de relacionamento e comunicação, bem como por</p><p>tópicos relacionados ao exercício de poder e valores. Essa gestão apresenta uma dimensão abrangente</p><p>e complexa, de caráter eminentemente político, uma vez que dá às pessoas o poder de participar e de</p><p>opinar, legitimando a posição de pertencentes da comunidade escolar para, com ela, elaborar planos a</p><p>fim de superar os desafios comuns dentro da instituição.</p><p>105</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Resumo</p><p>Abordamos nesta unidade a evolução da gestão escolar, desde a</p><p>administração empresarial até a gestão democrática, destacando marcos</p><p>históricos como o Manifesto dos Pioneiros da Educação e a Constituição</p><p>Federal de 1988. Destaca-se a importância da participação da comunidade</p><p>escolar nas tomadas de decisão e no estabelecimento de objetivos. Além</p><p>disso, são delineadas as competências do gestor escolar em período integral,</p><p>enfatizando sua liderança, ética, conhecimento da legislação educacional e</p><p>promoção do trabalho em equipe. Em resumo, o texto destaca a importância</p><p>da gestão democrática a fim de promover uma educação de qualidade e a</p><p>formação integral dos alunos.</p><p>Pontuamos o valor da participação colegiada na gestão democrática das</p><p>instituições de ensino, destacando os órgãos colegiados como instrumentos</p><p>para implementar novas formas de administração coletiva. Esses órgãos</p><p>envolvem a participação de diversos segmentos</p><p>da comunidade escolar,</p><p>como docentes, alunos, funcionários, pais e membros da comunidade local.</p><p>O conselho escolar, amparado pela legislação educacional, é essencial nesse</p><p>processo, atuando como espaço de exercício da cidadania e contribuindo</p><p>para a democratização da gestão escolar. Suas funções incluem aspectos</p><p>deliberativos, consultivos, mobilizadores e pedagógicos.</p><p>Além disso, discutimos diferentes concepções de organização e gestão</p><p>escolar, destacando a técnico-científica, a autogestionária e a</p><p>democrático-participativa. Cada uma dessas concepções apresenta</p><p>características específicas relacionadas à estrutura organizacional, às</p><p>tomadas de decisão e ao papel dos indivíduos envolvidos na gestão escolar.</p><p>A estrutura organizacional de uma escola foi apresentada através de</p><p>um organograma, destacando diferentes setores como o conselho escolar,</p><p>direção, setor técnico-administrativo, setor pedagógico, APM, pais e</p><p>comunidade e corpo docente.</p><p>Por fim, foram abordadas as práticas administrativas e a postura do</p><p>diretor na gestão democrática, destacando a importância da integração</p><p>entre os aspectos administrativos e pedagógicos, bem como o papel do</p><p>diretor como líder educador e agente de mudança. A gestão democrática,</p><p>portanto, é vista como um processo abrangente e complexo, baseado na</p><p>participação e no compartilhamento de liderança, visando enfrentar os</p><p>desafios comuns do ambiente escolar.</p><p>106</p><p>Unidade III</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. Em relação aos princípios sobre os quais o ensino deve ser ministrado, conforme</p><p>estabelecido na Constituição brasileira de 1988, avalie os itens a seguir.</p><p>I – Igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.</p><p>II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.</p><p>III – Gestão democrática do ensino público.</p><p>IV – Garantia de padrão de qualidade.</p><p>V – Garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.</p><p>São itens presentes no art. 206 os acentuados em:</p><p>A) I, II, III e IV, apenas.</p><p>B) II, III, IV e V, apenas.</p><p>C) I, II, III, IV e V.</p><p>D) I, II, III e V, apenas.</p><p>E) II, IV e V, apenas.</p><p>Resposta correta: alternativa C.</p><p>Análise da questão</p><p>Veja, a seguir, o art. 206 da Constituição de 1988:</p><p>Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:</p><p>I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;</p><p>II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;</p><p>III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e</p><p>privadas de ensino;</p><p>107</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;</p><p>V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira,</p><p>com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;</p><p>VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;</p><p>VII – garantia de padrão de qualidade;</p><p>VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos</p><p>de lei federal;</p><p>IX – garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/yffrp4dk. Acesso em: 2 abr. 2024.</p><p>Questão 2. Leia o texto a seguir.</p><p>Gestão democrática</p><p>Amélia Hamze</p><p>“Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre si, mediatizados</p><p>pelo mundo”. Paulo Freire</p><p>Os artigos 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e 22 do Plano Nacional de Educação</p><p>(PNE) indicam que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público</p><p>na Educação Básica, obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da educação na</p><p>elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação das comunidades escolares e locais em</p><p>conselhos escolares. Devemos enfatizar que a democracia na escola por si só não tem significado. Ela só</p><p>faz sentido se estiver vinculada a uma percepção de democratização da sociedade.</p><p>Na gestão democrática, deve haver compreensão da administração escolar como atividade-meio</p><p>e reunião de esforços coletivos para o implemento dos fins da educação, assim como a compreensão e</p><p>a aceitação do princípio de que a educação é um processo de emancipação humana; que o plano</p><p>político-pedagógico (PPP) deve ser elaborado através de construção coletiva e que, além da formação,</p><p>deve haver o fortalecimento do Conselho Escolar.</p><p>A gestão democrática da educação está vinculada aos mecanismos legais e institucionais e à</p><p>coordenação de atitudes que propõem a participação social:</p><p>• no planejamento e na elaboração de políticas educacionais;</p><p>• na tomada de decisões;</p><p>108</p><p>Unidade III</p><p>• na escolha do uso de recursos e prioridades de aquisição;</p><p>• na execução das resoluções colegiadas;</p><p>• nos períodos de avaliação da escola e da política educacional.</p><p>Com a aplicação da política da universalização do ensino, devem-se estabelecer como prioridades</p><p>educacionais a democratização do ingresso e a permanência do aluno na escola, assim como a garantia</p><p>da qualidade social da educação.</p><p>As atitudes, os conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e competências na formação do</p><p>gestor da educação são tão importantes quanto a prática de ensino em sala de aula. Todavia, de nada</p><p>valem esses atributos se o gestor não se preocupar com o processo de ensino e aprendizagem na sua</p><p>escola. Os gestores devem também ter habilidades para diagnosticar e propor soluções assertivas às</p><p>causas geradoras de conflitos nas equipes de trabalho, ter habilidades e competências para a escolha</p><p>de ferramentas e técnicas que possibilitem a melhor administração do tempo, promovendo ganhos de</p><p>qualidade e melhorando a produtividade profissional. O gestor deve saber que a qualidade da escola é</p><p>global, devido à interação dos indivíduos e grupos que influenciam o seu funcionamento.</p><p>O gestor que pratica a gestão com liderança deve buscar combinar os vários estilos, por exemplo:</p><p>• estilo participativo, que é uma liderança relacional que se caracteriza por uma dinâmica de</p><p>relações recíprocas;</p><p>• estilo perceptivo/flexível, que é uma liderança situacional que se caracteriza por responder a</p><p>situações específicas;</p><p>• estilo participativo/negociador, que é uma liderança consensual que se caracteriza por estar</p><p>voltada a objetivos comuns, negociados;</p><p>• estilo inovador, que é uma liderança prospectiva que se caracteriza por estar direcionada à</p><p>oportunidade, isto é, à visão de futuro.</p><p>O gestor deve saber integrar objetivo, ação e resultado; assim, agrega à sua gestão colaboradores</p><p>empreendedores, que procuram o bem comum de uma coletividade.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/3atx9eek. Acesso em: 2 abr. 2024.</p><p>Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas:</p><p>I – Na gestão democrática, o projeto pedagógico da escola é elaborado pelos diversos representantes</p><p>das comunidades locais e pode conter algumas sugestões dos profissionais da educação responsáveis.</p><p>109</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>II – O gestor escolar deve apresentar habilidades e conhecimentos na área de gestão, sempre tendo</p><p>como foco as práticas educativas e a excelência do processo de ensino e de aprendizagem.</p><p>III – O gestor escolar deve aliar vários estilos à sua liderança, como os estilos participativo e inovador.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) I, apenas.</p><p>C) II, apenas.</p><p>D) II e III, apenas.</p><p>E) I e II, apenas.</p><p>Resposta correta: alternativa D.</p><p>Análise das afirmativas</p><p>I – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: segundo o texto, “os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática</p><p>do ensino público na Educação Básica obedecendo aos princípios da participação dos profissionais da</p><p>educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação das comunidades escolares</p><p>e locais em conselhos escolares”. Além disso, “a democracia na escola por si só não tem significado”, pois</p><p>“ela só faz sentido se estiver vinculada a uma percepção</p><p>de democratização da sociedade”.</p><p>II – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: segundo o texto, “as atitudes, os conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e</p><p>competências na formação do gestor da educação são tão importantes quanto a prática de ensino em</p><p>sala de aula”. Contudo, “de nada valem esses atributos se o gestor não se preocupar com o processo de</p><p>ensino e aprendizagem na sua escola”.</p><p>III – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: segundo o texto, “o gestor que pratica a gestão com liderança deve buscar combinar os</p><p>vários estilos, como o estilo participativo, o estilo perceptivo/flexível, o estilo participativo/negociador</p><p>e o estilo inovador”.</p><p>110</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Audiovisuais</p><p>ABRIL despedaçado. Direção: Walter Salles. Brasil; França; Suíça: Lumière Brasil, 2001. 105 min.</p><p>CONCEITO de Educação Integral. 2014. 1 vídeo (2 min). Publicado pelo canal Centro de Referências em</p><p>Educação Integral. Disponível em: https://tinyurl.com/yc5b9hjr. Acesso em: 21 maio 2024.</p><p>ENTREVISTA: Cláudia Valentina Assumpção Galian. 2016. 1 vídeo (23 min). Publicado pelo canal</p><p>Educação&Participação. Disponível em: https://tinyurl.com/6ahjt54m. Acesso em: 22 maio 2024.</p><p>NÓS da Educação – Gestão Democrática – Parte 1. 1 vídeo (18 min). Brasil: TV Paulo Freire, 2007.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/3ja43tj3. Acesso em: 22 maio 2024.</p><p>O QUE é educação integral? 2017. 1 vídeo (4 min). Publicado pelo canal Centro de Referências em</p><p>Educação Integral. Disponível em: https://tinyurl.com/3shnymhb. Acesso em: 21 maio 2024.</p><p>TEMPOS modernos. Direção: Charles Chaplin. Estados Unidos: United Artists, 1936. 86 min.</p><p>VIDA de inseto. Direção: John Lasseter; Andrew Stanton. Estados Unidos; Japão: Pixar Animation</p><p>Studios; Walt Disney Pictures, 1998. 95 min.</p><p>VIDEOCONFERÊNCIA: Orientações para a Elaboração da Política de Educação Integral em Tempo</p><p>Integral. 2023. 1 vídeo (100 min). Publicado pelo canal Conviva Educação. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/3t52d9s9. Acesso em: 22 maio 2024.</p><p>Textuais</p><p>ABBAGNANO, N. Dicionário de filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2007.</p><p>ABRANCHES, M. Colegiado escolar. São Paulo: Cortez, 2003.</p><p>ADMINISTRAÇÃO. In: DICIONÁRIO Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva; Instituto</p><p>Antônio Houaiss, 2009.</p><p>ARAÚJO, A. C. Gestão democrática da educação: a posição dos docentes. 2000. Dissertação (Mestrado</p><p>em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade de Brasília (PPGE/Unb), Brasília, 2000.</p><p>ARROYO, M. G. O direito a tempos-espaços de um justo e digno viver. In: MOLL, J. Caminhos da</p><p>educação integral no Brasil: direito a outros tempos e espaços educativos. Porto Alegre: Penso, 2012.</p><p>AZEVEDO, J. M. L. de; GRACINDO, R. V. Educação, sociedade e mudança. Brasília: CNTE, 2005.</p><p>111</p><p>BARTHOLOMEU, J. A. P. O discurso narrativo como recurso para os sujeitos-estudantes dos anos</p><p>iniciais expressarem sua subjetividade. 2018. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Faculdade de</p><p>Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2018.</p><p>BARTHOLOMEU, J. A. P. Sujeitos-professores e experiências com a escrita: memórias, marcas e</p><p>implicações na tessitura da prática pedagógica. 2022. Tese (Doutorado em Educação) – Faculdade</p><p>de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2022.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/yffrp4dk. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Constituição Politica do Imperio do Brazil, de 25 de março de 1824. Rio de Janeiro, 1824.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/bdety2xk. Acesso em: 4 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto n. 6.253, de 13 de novembro de 2007. Brasília, 2007a. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/3sdef6bu. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Decreto n. 7.083, de 27 de janeiro de 2010. Brasília, 2010a. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/3v3tz9fv. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Censo da Educação</p><p>Básica 2023: notas estatísticas. Brasília: Inep, 2024. Disponível em: https://tinyurl.com/2k22ddkb.</p><p>Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, 1990. Disponível em: https://tinyurl.com/ycxb82n4.</p><p>Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, 1996. Disponível em: https://tinyurl.com/yvjrymta.</p><p>Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Brasília, 2001. Disponível em: https://tinyurl.com/2r2sz3ah.</p><p>Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018a.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Cartilha Nacional da Alimentação Escolar. Brasília: MEC, 2014a.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/55u5rvbj. Acesso em: 8 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB n. 04/98, de 29 de</p><p>janeiro de 1998. Institui as diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental. Brasília, 1998.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CEB n. 11/2010,</p><p>de 7 de julho de 2010. Sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de</p><p>9 anos. Brasília: CNE/CEB, 2010b.</p><p>112</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Educação integral/educação integrada e(m) tempo integral: concepções</p><p>e práticas na educação brasileira. Brasília: MEC, 2010c. Disponível em: https://tinyurl.com/3enw4u92.</p><p>Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Manual Operacional de Educação Integral. Brasília: MEC, 2014b.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/3xhantzr. Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa Interministerial n. 17, de 24 de abril de 2007.</p><p>Brasília, 2007b. Disponível em: https://tinyurl.com/8ymd76ex. Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Programa de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Caderno 1</p><p>– Conselhos Escolares: democratização da escola e construção da cidadania. Brasília, 2004a.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Programa de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Conselhos</p><p>escolares: uma estratégia de gestão democrática da educação pública. Brasília, 2004b.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Educação: passo a passo. Brasília: MEC, 2011.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/5b8kap6e. Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Publicações – Novo Mais Educação. Brasília, 2018b. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/yc6vz8bc. Acesso em: 23 maio 2024.</p><p>BRASIL. Planejando a próxima década: conhecendo as 20 metas do Plano Nacional de Educação.</p><p>Brasília, 2014c. Disponível em: https://tinyurl.com/5872hkb9. Acesso em: 5 jun. 2024.</p><p>BRASIL. Portaria n. 1.145, de 10 de outubro de 2016. Brasília, 2016.</p><p>BRASIL. Resolução CNE/CEB n. 4, de 13 de julho de 2010. Brasília, 2010d. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/yc629ff7. Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>BRASIL. Resolução n. 2, de 22 de dezembro de 2017. Brasília, 2017.</p><p>BRASIL. Resolução n. 7, de 14 de dezembro de 2010. Brasília, 2010e. Disponível em: https://tinyurl.com/2k5tysre.</p><p>Acesso em: 5 abr. 2024.</p><p>CAVALIERE, A. M. Escolas de tempo integral versus alunos em tempo integral. Em Aberto, Brasília,</p><p>v. 22, n. 80, p. 51-63, abr. 2009.</p><p>CAVALIERE, A. M. Tempo de escola e qualidade na educação pública. Educ. Soc., Campinas, v. 28,</p><p>n. 100 – Especial, p. 1015-1035, out. 2007.</p><p>CAVALIERE, A. M. V. Educação integral: uma nova identidade para a escola brasileira? Educação &</p><p>Sociedade, Campinas, v. 23, n. 81, p. 247-270, dez. 2002.</p><p>113</p><p>COSTA, A. C. G. da. Pedagogia da presença. São Paulo: Global, 2022.</p><p>COUTINHO, C. N. Cultura e sociedade no Brasil. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.</p><p>DELORS, J. et al. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília: Unesco no Brasil, 2001.</p><p>FAYOL, H. Administração industrial e geral. 10. ed. São Paulo: Atlas, 1990.</p><p>FELICIO, H. M. S. Análise curricular da escola de tempo integral na perspectiva da Educação</p><p>Integral. Revista e Curriculum, v. 8, n.</p><p>1, p. 1-18, São Paulo, abr. 2012.</p><p>FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário Aurélio de língua portuguesa. Curitiba: Positivo, 2008.</p><p>GADOTTI, M. Educação integral no Brasil: inovações em processo. São Paulo: Ed,L, 2009.</p><p>(Educação Cidadã, 4)</p><p>GALIAN, C. V. A.; SAMPAIO, M. M. F. Educação em tempo integral: implicações para o currículo</p><p>da escola básica. Currículo sem Fronteiras, v. 12, n. 2, p. 403-422, maio/ago. 2012.</p><p>GOMES, D. M. Competências e habilidades do diretor. Campo Grande: UCDB, 2003.</p><p>GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram</p><p>Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2014.</p><p>GONÇALVES, A. S. Reflexões sobre educação integral e escola de tempo integral. Cadernos Cenpec,</p><p>n. 2, p. 1-10, 2º sem. 2006.</p><p>GOODSON, I. F. A construção social do currículo. Lisboa: Educa, 1997.</p><p>GOODSON, I. F. Currículo: teoria e história. Petrópolis: Vozes, 1995.</p><p>INEP. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 65,</p><p>n. 150, p. 407-425, maio/ago. 1984. Disponível em: https://tinyurl.com/2rpknsv5. Acesso em: 4 abr. 2024.</p><p>INSTITUTO UNIBANCO. Educação integral: tempo, qualidade, desafios e oportunidades. 2023.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/53hhw69v. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>LEÃO, A. C. Introdução à administração escolar. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1945.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Concepções e práticas de organização e gestão da escola: considerações introdutórias para um</p><p>exame crítico da discussão atual no Brasil. Revista Española de Educación Comparada, n. 13, Madri, 2007.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Democratização da escola pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. São Paulo:</p><p>Edições Loyola, 2002.</p><p>114</p><p>LIBÂNEO, J. C. Formação de professores e didática para desenvolvimento humano. Educação &</p><p>Realidade, v. 40, n. 2, 2015. Disponível em: https://tinyurl.com/2vndhdb5. Acesso em: 9 abr. 2024.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Goiânia: Alternativa, 2001.</p><p>LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004.</p><p>LOURENÇO FILHO, M. B. Introdução ao estudo da Escola Nova. São Paulo: Melhoramentos, 1974.</p><p>LÜCK, H. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Curitiba: Positivo, 2009.</p><p>LÜCK, H. Gestão educacional: uma questão paradigmática. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2008.</p><p>LÜCK, H. Liderança em gestão escolar. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2011.</p><p>MACHADO, A. S. Ampliação de tempo escolar e aprendizagens significativas: os diversos tempos da</p><p>educação integral. In: MOLL, J. Caminhos da educação integral no Brasil: direito a outros tempos e</p><p>espaços educativos. Porto Alegre: Penso, 2012.</p><p>MELO, J. História da educação no Brasil. 2. ed. Fortaleza: UAB/IFCE, 2012.</p><p>MENEZES, J. S. S. Educação em tempo integral: direito e financiamento. Educar em Revista, Curitiba,</p><p>Brasil, n. 45, p. 137-152, jul./set. 2012.</p><p>MOLL, J. Caminhos da educação integral no Brasil: direito a outros tempos e espaços educativos.</p><p>Porto Alegre: Penso, 2012.</p><p>MOREIRA, T. H. Os 4 pilares da educação. LinkedIn, 3 nov. 2019. Disponível em: https://tinyurl.com/2se96cnp.</p><p>Acesso em: 16 maio 2024.</p><p>MOURA, R. O que significa a palavra “Status”? Vozes das Comunidades, 29 jun. 2011. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/yp6xsbx5. Acesso em: 16 maio 2024.</p><p>ORGANIZAR. In: DICIONÁRIO Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva; Instituto</p><p>Antônio Houaiss, 2009.</p><p>PARANÁ. Documento orientador n. 01/2023. Paraná: DPEB/SEDUC/SEED, 2023. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/2p4nymyt. Acesso em: 21 maio 2024.</p><p>PARO, V. H. A gestão da educação ante as exigências de qualidade e produtividade da escola pública:</p><p>In: SILVA, L. H. (org.). A escola cidadã no contexto da globalização. Petrópolis: Vozes, 1998.</p><p>PARO, V. H. Administração escolar: introdução crítica. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2000.</p><p>115</p><p>PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.</p><p>PRÁTICA. In: DICIONÁRIO Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva; Instituto</p><p>Antônio Houaiss, 2009.</p><p>PRESTES, F. C. Teoria Geral da Administração: uma introdução. 7. ed. São Paulo: Pioneira, 1973.</p><p>PROVÍNCIA. In: DICIONÁRIO Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva; Instituto</p><p>Antônio Houaiss, 2009.</p><p>RIBEIRO, M. L. S. História da educação brasileira: a organização escolar. São Paulo: Moraes, 1984.</p><p>RIOS, T. A. Compreender e ensinar: por uma docência de melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2006.</p><p>SANTOS, I. S. F.; PRESTES, R. I.; VALE, A. M. Brasil, 1930 – 1961: Escola Nova, LDB e disputa entre escola</p><p>pública e escola privada. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n. 22, p. 131-149, jun. 2006. Disponível</p><p>em: https://tinyurl.com/2s3fu4r5. Acesso em: 21 maio 2024</p><p>SÃO PAULO (Estado). Cartilha conselho da escola. São Paulo: Secretaria da Educação do Estado de</p><p>São Paulo, 2014. Disponível em: https://tinyurl.com/377bb5d9. Acesso em: 11 abr. 2024.</p><p>SÃO PAULO (Estado). Modelo pedagógico de gestão do programa de ensino integral. São Paulo:</p><p>Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, 2021. Disponível em: https://tinyurl.com/28ffd6c5.</p><p>Acesso em: 22 maio 2024.</p><p>SAVIANI, D. A pedagogia no Brasil: história e teoria. Campinas: Autores Associados, 2008. (Coleção</p><p>Memória da Educação)</p><p>SAVIANI, D. Escola e democracia. 36. ed. Campinas: Autores Associados, 2008.</p><p>SAVIANI. D. Formação de professores: aspectos históricos e teóricos do problema no contexto</p><p>brasileiro. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro, v. 14, n. 40, jan./abr. 2009.</p><p>SAVIANI, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2011.</p><p>SAVIANI, D. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Campinas: Autores Associados, 2005.</p><p>SECO, A. P.; AMARAL, T. C. I. Marquês de Pombal e a reforma educacional brasileira. Revista HISTEDBR</p><p>On-line, 2006. Disponível em: https://tinyurl.com/55764k6e. Acesso em: 11 abr. 2024.</p><p>SILVA, B. (coord.). Dicionário de Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Fundação Getulio Vargas; Instituto de</p><p>Documentação, 1986.</p><p>116</p><p>SOUZA, A. R. de. Perfil da gestão escolar no Brasil. 2006. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de</p><p>Pós-Graduação em Educação, PUC – SP, São Paulo, 2006.</p><p>TEIXEIRA, A. O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos,</p><p>Brasília, v. 65, n. 150, p. 407-425, maio/ago. 1984. Disponível em: https://tinyurl.com/msjysj75. Acesso</p><p>em: 17 maio 2024.</p><p>VALERIEN, J. Gestão da escola fundamental. São Paulo: Cortez, 2005.</p><p>VEIGA, I. P. A. (org.). Projeto Político-Pedagógico da escola: uma construção possível. 7. ed.</p><p>Campinas: Papirus, 1998.</p><p>WATTERSON, B. Calvin e Haroldo: e foi assim que tudo começou. São Paulo: Conrad, 2010.</p><p>WEFFORT, H. F.; ANDRADE, J. P.; COSTA, N. G. Currículo e educação integral na prática: uma</p><p>referência para estados e municípios. São Paulo: Associação Cidade Escola Aprendiz, 2019.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/3de772z3. Acesso em: 21 maio 2024.</p><p>Informações:</p><p>www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000</p><p>administrativos e atuariais a fim de reproduzir a sua visão</p><p>administrativa educacional.</p><p>77</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Segundo Leão (1945, p. 167), o diretor de escola “não deixa de ser educador, mas sua atuação</p><p>amplia-se. Ele é o coordenador que faz funcionar todas as peças da máquina que dirige, o líder de seus</p><p>companheiros de trabalho, o impulsionador de esforços em benefício da educação da comunidade”.</p><p>Assume função importante dentro da comunidade escolar, colaborando na execução das premissas</p><p>determinadas no entendimento do diretor de educação.</p><p>Durante a década de 1970, as modificações na gestão escolar foram reflexo das mudanças nas teorias</p><p>e práticas de administração escolar. Houve expressivo interesse na capacitação profissional voltada para</p><p>atender ao mercado de trabalho.</p><p>Observação</p><p>Segundo o dicionário Houaiss (2009), administração é “ato, processo</p><p>ou efeito de administrar; governo ou gerência de negócios públicos ou</p><p>particulares; modo como se rege, governa, gere tais negócios; a direção de</p><p>um estabelecimento público ou particular; conjunto de normas e funções</p><p>que disciplinam os elementos de produção, submetem a produtividade a</p><p>um controle de qualidade, organizam a estrutura e o funcionamento de um</p><p>estabelecimento; a prática, a execução de tais normas e funções; qualquer</p><p>secretaria, repartição, divisão etc.”.</p><p>Já nos anos 1980, a população brasileira assistia à luta pela redemocratização e convivia com ela,</p><p>considerando o acesso e as práticas desenvolvidas na escola pública. Com a aprovação da Constituição</p><p>Federal de 1988, estudos sobre gestão democrática da escola pública começaram a surgir.</p><p>Nesses estudos, aparecem a distinção dos conceitos de gestão e administração, em que a gestão</p><p>supera as particularidades da administração, pois se “[...] assenta na mobilização do elemento humano,</p><p>coletivamente organizado, como condição básica e fundamental da qualidade do ensino e da</p><p>transformação da própria identidade das escolas” (Lück, 2008, p. 27).</p><p>No entanto, o conceito de administração não é apagado, mas ressignificado, sendo um dos</p><p>elementos que compõem a gestão. Nessa linha de raciocínio, é importante acionarmos Vitor Paro,</p><p>em seu livro Administração escolar: introdução crítica, que, ao discutir o conceito de administração</p><p>como fenômeno universal, o define como “a utilização racional de recursos para a realização de fins</p><p>determinados” (Paro, 2000, p. 18). Dessa forma, tanto os princípios quanto as funções da administração</p><p>estão ligados aos fins e à condição da organização social em qualquer realidade. Assim, entendemos</p><p>que os atributos da administração podem ser ressignificados dentro da escola, desde que considerem o</p><p>ambiente em que eles estão sendo acionados.</p><p>A crise colocada pelos estudiosos quanto ao modo de trabalho desenvolvido nas escolas, conservador</p><p>e autoritário, favoreceu o surgimento do conceito de gestão escolar. Sobre isso, veja o quadro a seguir:</p><p>78</p><p>Unidade III</p><p>Quadro 2 – Síntese das ideias sobre a direção e a gestão escolar no Brasil</p><p>Direção escolar Gestão escolar</p><p>Crítica à concepção do diretor como um</p><p>gerente, própria da administração capitalista</p><p>O diretor deve ser um educador, antes de tudo</p><p>O diretor como coordenador do trabalho</p><p>coletivo</p><p>Crítica aos modelos técnicos de administração escolar implantados</p><p>até então no país</p><p>Crítica aos pensadores brasileiros e estrangeiros pela linearidade entre</p><p>a administração escolar e a administração em geral</p><p>Crítica ao uso da administração científica na administração escolar.</p><p>Crítica à ideologização da teoria administrativa</p><p>Crítica à administração escolar que tem como principal papel garantir</p><p>ao Estado o controle sobre a educação</p><p>Críticas à naturalização da divisão social do trabalho</p><p>Crítica às teorias da administração por sua pretensa neutralidade</p><p>técnica</p><p>Crítica à administração conservadora pela negligência técnica em</p><p>favor de uma ação política conservadora: aplicação de um tecnicismo</p><p>vazio</p><p>Administração é o uso racional de recursos com vistas a determinados</p><p>fins</p><p>Administração como racionalização do trabalho e coordenação do</p><p>trabalho coletivo. Administração, em última análise, são métodos</p><p>Educação escolar é um fenômeno muito específico que demanda</p><p>tratamento específico. Percebe-se a dimensão política da</p><p>administração</p><p>A Administração Escolar deve estar articulada com os objetivos</p><p>escolares. Administração transformadora: percepção política e</p><p>intervenção técnica</p><p>Participação da sociedade na administração transformadora</p><p>Autogestão</p><p>Fonte: Souza (2006, p. 193).</p><p>Analisando o quadro, podemos apreender as reflexões dos teóricos críticos quanto à posição/ação do</p><p>diretor-geral e dos meios que abarcam a gestão escolar. Notam-se propriedades técnicas que aproximam</p><p>os trabalhos desenvolvidos na educação ao funcionamento de uma empresa com enfoque industrial.</p><p>Em relação ao termo gestão, que envolve sentidos e práticas amplas, permite em seu bojo elementos</p><p>culturais, políticos e pedagógicos do processo educativo, pois é orientado por princípios democráticos.</p><p>Assim, o uso do termo gestão democrática está dentro do que a sociedade brasileira vivia na década</p><p>de 1980: busca pela igualdade de acesso e oportunidades no que tange à educação numa tentativa de</p><p>superar o caráter técnico, baseado na centralização e no controle do poder e do trabalho que a palavra</p><p>administração carregava.</p><p>No fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, temos como marco a reformulação da organização</p><p>e gestão da educação brasileira. As reformas priorizavam a descentralização, a autonomia e a</p><p>democratização da administração. Em âmbito escolar, a democratização está associada à participação</p><p>de outros agentes escolares, incluindo pais de alunos, nas tomadas de decisão no que diz respeito ao</p><p>processo educativo. Aqui temos o surgimento da composição de instâncias colegiadas, como conselhos</p><p>escolares e grêmio estudantil, o que ajuda a descentralizar o poder do gestor/diretor.</p><p>79</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Quadro 3 – Síntese das ideias sobre a direção e a gestão escolar no Brasil</p><p>Direção escolar Gestão escolar</p><p>Pó</p><p>s-</p><p>19</p><p>87</p><p>Papel do diretor: articulador da</p><p>organização e gestão escolar</p><p>Preocupação central com as formas</p><p>de escolha da função de diretor</p><p>Na identificação do perfil do diretor,</p><p>a preocupação com as contradições</p><p>da função: representante do</p><p>poder público × representante</p><p>da comunidade escolar; função</p><p>administrativa × função pedagógica</p><p>O diretor no centro das relações de</p><p>poder</p><p>Gestão é um processo político</p><p>A democracia na escola</p><p>Gestão democrática</p><p>Conselhos de escola, junto com</p><p>a eleição de diretores, como as</p><p>expressões da gestão democrática</p><p>A gestão e as relações de poder na</p><p>escola</p><p>O projeto político-pedagógico como</p><p>uma ferramenta da organização e</p><p>gestão escolar</p><p>Autonomia na gestão escolar</p><p>Fonte: Souza (2006, p. 193).</p><p>Pode-se observar, pautados no quadro, que todos os que fazem parte da comunidade escolar passam</p><p>a ser protagonistas e, dessa forma, responsáveis, por meio do trabalho pedagógico, pelas tomadas de</p><p>decisões no que se refere ao caminhar pedagógico da escola. Nota-se que a centralidade de poder</p><p>perdeu força para o diálogo com o surgimento dos conselhos.</p><p>Atualmente, é colocado em crise o papel da gestão no âmbito escolar, que está presente nos debates</p><p>promovidos por governos, diretores e professores. As questões permeiam a possibilidade de ter uma</p><p>educação baseada nos princípios de democracia e de qualidade, pautados na formação cognitiva,</p><p>intelectual e social de forma integral.</p><p>8 CONCEPÇÃO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA</p><p>Vimos que a palavra gestão foi reformulada devido às modificações sofridas pela sociedade</p><p>brasileira. Antes chamada de administração, conotava sentido de centralização de poder, valorização de</p><p>produção com base tecnicista, controle, produtividade e eficiência, característicos do modo de produção</p><p>capitalista. Esses sentidos de administração não cabiam mais ao que o país estava almejando, sendo</p><p>necessário repensar e substituir o termo administração</p><p>por gestão escolar, pois esta última conseguia</p><p>sustentar o significado de participação, coletividade, pluralismo de ideias e autonomia, entre outros</p><p>aspectos que apontam para a participação de todos, ou seja, uma gestão democrática.</p><p>Com a promulgação da Constituição Federal em 5 de outubro de 1988, alguns avanços sociais</p><p>destacaram-se, como o acesso ao ensino público gratuito e obrigatório unido ao direito público</p><p>subjetivo; a gestão democrática do ensino público; e a vinculação de impostos à educação, em que é de</p><p>responsabilidade da União aplicar 18% aos estados e municípios e, ao Distrito Federal, 25%.</p><p>A Constituição Federal estabelece ainda no seu art. 206 os princípios sobre os quais o ensino deve</p><p>ser ministrado:</p><p>80</p><p>Unidade III</p><p>I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;</p><p>II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento,</p><p>a arte e o saber;</p><p>III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de</p><p>instituições públicas e privadas de ensino;</p><p>IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;</p><p>V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na</p><p>forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso</p><p>público de provas e títulos, aos das redes públicas;</p><p>VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;</p><p>VII – garantia de padrão de qualidade;</p><p>VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação</p><p>escolar pública, nos termos de lei federal (Brasil, 1988).</p><p>Entre os princípios, destacamos a gestão democrática do ensino público, na forma da lei.</p><p>A criação do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, sendo um espaço de discussão e</p><p>articulação em prol de uma educação cidadã, gratuita, de qualidade e democrática, foi fundamental</p><p>para elaborar um projeto de lei para a LDB da educação nacional. Após discussões e reformulações</p><p>do projeto em um congresso heterogêneo, com interesses e ideologias diferentes, foi aprovado o</p><p>redigido pelo senador e educador Darcy Ribeiro, com várias emendas impostas pela Câmara e novos</p><p>avanços em direção a uma educação democrática e gratuita, principalmente aquela que o Fórum</p><p>Nacional em Defesa da Escola Pública tinha como meta. A redação final da LDB – Lei n. 9.394/1996, de</p><p>20 de dezembro de 1996 – trazia:</p><p>• concepção ampla de educação, entendendo-a para além da educação escolar, para além da</p><p>escolarização;</p><p>• finalidade da educação como instrumento para o exercício da cidadania;</p><p>• educação como direito de todos e dever do Estado, garantia da universalização da Educação</p><p>Básica (Educação Infantil, Fundamental e Média);</p><p>• gratuidade do ensino público em todos os níveis, assegurada pela destinação de impostos</p><p>vinculados da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, repassados de dez em dez</p><p>dias ao órgão da educação;</p><p>81</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>• articulação entre os sistemas de ensino da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios;</p><p>• instituição do Conselho Nacional de Educação (CNE), garantindo a representação de setores</p><p>organizados da sociedade civil;</p><p>• gestão democrática nas instituições públicas.</p><p>Especificamente nos arts. 14 e 15, a LDB afirma:</p><p>Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do</p><p>ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e</p><p>conforme os seguintes princípios:</p><p>I – Participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto</p><p>pedagógico da escola;</p><p>II – Participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares</p><p>ou equivalentes.</p><p>Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas</p><p>de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia</p><p>pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas</p><p>gerais de direito financeiro público (Brasil, 1996).</p><p>A LDB ainda pontua que os estabelecimentos de ensino têm a responsabilidade de “articular-se com</p><p>as famílias e comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola” (art. 12, VI),</p><p>enquanto aos docentes cabe “colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a</p><p>comunidade” (art. 13, VI).</p><p>Pontua também a responsabilidade das escolas, inclusa no art. 12, na elaboração da proposta</p><p>pedagógica; já no art. 13, destaca a ampliação progressiva da autonomia pedagógica, administrativa</p><p>e da organização financeira das instituições. Esses conhecimentos são de extrema importância aos</p><p>diretores, dirigentes do processo democrático na escola.</p><p>Nessa linha de raciocínio, devemos acionar o Plano Nacional de Educação, Lei n. 13.005/2014, com</p><p>vigência até o ano de 2024, que anuncia a possibilidade de articulação e a reverberação de uma política</p><p>voltada à educação que se alicerça nos princípios de participação, desconstruindo práticas autoritárias</p><p>ainda presentes nas escolas públicas, em sua gestão.</p><p>Sendo a gestão democrática um princípio e um exercício, deve ser construída coletiva e</p><p>permanentemente. Nesse caminho, alguns desafios se materializam para efetivá-la no sistema de</p><p>ensino. Assim, tornou-se necessário implantar espaços de formação, discussão e participação dentro</p><p>das escolas em busca da descentralização das decisões para, com isso, nutrir o exercício da cidadania.</p><p>82</p><p>Unidade III</p><p>Isso posto, a busca por uma gestão democrática passa pela efetivação de alguns princípios</p><p>fundamentais, como:</p><p>• a participação política;</p><p>• a gratuidade do ensino;</p><p>• a universalização da Educação Básica;</p><p>• a coordenação, o planejamento e a descentralização de decisões e de como executá-las e o</p><p>fortalecimento das unidades escolares;</p><p>• a operação dos conselhos municipais de educação, enquanto instância de consulta, articulação</p><p>com a sociedade e deliberação em matérias educacionais;</p><p>• o financiamento da educação;</p><p>• a elaboração coletiva de diretrizes gerais, definindo uma base comum para a ação e a formação</p><p>dos trabalhadores em educação e a exigência de planos de carreira que propiciem condições</p><p>dignas de trabalho.</p><p>Podemos entender que a gestão democrática está pautada na organização de atitudes e ações que</p><p>promovam a participação da sociedade, ou seja, dos envolvidos direta e indiretamente com a educação</p><p>e com a escola, como professores, alunos, pais, direção, equipe pedagógica e outros funcionários,</p><p>considerados sujeitos ativos em toda a gestão, participando coletivamente das decisões da e na escola.</p><p>Nessa linha de pensamento, Paro (1997, p. 12, grifo nosso) comenta que:</p><p>Na medida em que se conseguir a participação de todos os setores da</p><p>escola – educadores, alunos, funcionários e pais – nas decisões sobre seus</p><p>objetivos e seu funcionamento, haverá melhores condições para pressionar</p><p>os escalões superiores a dotar a escola de autonomia e de recursos.</p><p>Por ser um processo, a construção da gestão democrática implica luta pela garantia da autonomia</p><p>da instituição escolar, participação efetiva de todos os envolvidos nas decisões, incluindo a</p><p>implementação de processos colegiados nas escolas (APM, conselhos de escola, grêmios estudantis)</p><p>e, ainda, financiamento pelo poder público, entre outros. Para isso, necessita de incentivos, pois não</p><p>ocorre espontaneamente. Em outras palavras, a equipe gestora, guiada pelos princípios da gestão</p><p>democrática, deve incentivar e respeitar a participação da comunidade e mostrar que todos podem</p><p>e devem opinar, desenvolvendo a confiança entre os segmentos, assegurando o cumprimento</p><p>das legislações educacionais vigentes e as normas (re)passadas pelo sistema estadual de ensino.</p><p>Essa movimentação se faz importante, pois a sociedade ainda apresenta influências do autoritarismo,</p><p>do poder altamente concentrado e da exclusão de pessoas, discussões e decisões – por isso grifamos a</p><p>palavra conseguir na citação.</p><p>83</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Observação</p><p>Tanto na Constituição Federal (CF) de 1988 quanto na Lei de Diretrizes</p><p>e Bases da Educação (LDB) de 1996 estão registrados os princípios da</p><p>educação</p><p>nacional, os quais passaram a ser alicerce para a efetivação</p><p>da gestão democrática. Consta no art. 206 da CF e no art. 3º da LDB que o</p><p>ensino público deve ser ministrado de acordo com os princípios da gestão</p><p>democrática que se sustenta na própria legislação brasileira.</p><p>Em se tratando de participação, no saber participar por parte dos cidadãos, entendemos que a escola</p><p>(e, de forma geral, a educação) tem a tarefa de formar o sujeito em sua integralidade, ou seja, uma</p><p>formação integral, pensada na formação do indivíduo, do cidadão e do profissional.</p><p>De acordo com Libâneo (2002), formar o cidadão e preparar o indivíduo para o convívio social e</p><p>para a convivência democrática implicam trabalhar o respeito pelos outros; desenvolver sentimento</p><p>de pertencimento e de responsabilidade dentro da sociedade; compreender o papel do governo no</p><p>desenvolvimento e promoção de todos; e entender que há direitos coletivos e direitos individuais.</p><p>Então, podemos concluir que não basta conhecer as legislações que alicerçam a gestão democrática</p><p>para que ela se efetive; a participação da comunidade escolar é que faz valer a oportunidade de conhecer</p><p>as necessidades da escola e a representação de cada setor na definição dos seus rumos.</p><p>Observação</p><p>De acordo com Ferreira (2008, p. 291), democracia significa “Governo do</p><p>povo; soberania popular”; já segundo Coutinho (2000, p. 20), democracia</p><p>é o “regime que assegura a igualdade, a participação coletiva de todos na</p><p>apropriação dos bens coletivamente criados”.</p><p>8.1 Dimensões da competência do gestor da escola em tempo integral</p><p>O gestor escolar de escola em período integral, baseado numa escuta ativa da comunidade escolar,</p><p>tem o papel de compreender e internalizar os melhores caminhos de investimento e gerenciamento</p><p>da escola, ou seja, atuar com caráter mais administrativo de modo a proporcionar condições materiais</p><p>para que o projeto político-pedagógico seja bem executado. Dessa forma, o gestor é um sujeito que</p><p>realiza, dentro da instituição, um posicionamento de liderança, no que tange ao desenvolvimento e</p><p>coordenação de atividades, colocando nesse processo todos os funcionários da escola. Percebe-se que</p><p>o diretor gestor desempenha uma função complexa e importante, pois precisa articular os processos</p><p>pedagógicos aos administrativos. Ou seja, o sucesso do processo pedagógico (atividades-fim) também</p><p>depende de como as atividades-meio (administrativas) estão sendo acionadas e pensadas.</p><p>84</p><p>Unidade III</p><p>Por outro lado, a gestão escolar, juntamente com a coordenação escolar, executa o compromisso</p><p>de fomentar o desenvolvimento do seu corpo docente, viabilizando um espaço aberto para apoiar os</p><p>professores no enfretamento dos desafios e da prática de uma gestão democrática que acolha toda a</p><p>comunidade escolar.</p><p>Espera-se que se saiba a importância de conhecer seus alunos, sua equipe de professores e funcionários,</p><p>orientando-os e proporcionando práticas que potencializem seus projetos de vida e incentivem a</p><p>formação de toda a equipe. O saber escutar é fundamental e deve ser ensinado a todos, visto que, por</p><p>meio de diálogos e devolutivas sobre suas atuações, os melhores resultados podem ser obtidos.</p><p>De acordo com Valerien (2005), existem diversos tipos de diretor, ou seja, diferentes formas de</p><p>compreender a gestão educacional. Colocamos aqui alguns:</p><p>• O gestor autocrático: aquele centralizador, que concentra todo poder em suas decisões, se</p><p>posicionando como sujeito autoritário que não dá abertura ou não permite questionamentos.</p><p>• O democrático: preconiza e valoriza a participação de todos que fazem parte de sua equipe,</p><p>permitindo e dando abertura para que todos participem de reuniões administrativas, opinem</p><p>e questionem.</p><p>• O laissez-faire: aquele que oferece liberdade a todos, se ocupando de assuntos administrativos</p><p>e fatos inesperados. Se posiciona como orientador nas decisões, porém permite que sujeitos que</p><p>fazem parte de sua equipe assumam decisões.</p><p>• O burocrático: se posiciona em relação ao seu trabalho de forma sistemática, prioriza a ordem,</p><p>enfatizando a importância de se cumprir prazos e execuções sem atrasos. Dá valor ao ambiente</p><p>bem organizado, no que resulta o bom funcionamento da escola, mantendo um clima de carisma</p><p>com o grupo de trabalho.</p><p>Analisando os tipos de diretor, podemos entender que ele pode assumir diferentes posturas de</p><p>atuação dentro das instituições escolares, dependendo de como o sujeito é atravessado pelos processos</p><p>de gerenciamento educativo. Libâneo (2004) vem contribuir – e nós podemos complementar – indicando</p><p>algumas atribuições do gestor educacional:</p><p>• supervisionar e atuar em atividades administrativas e pedagógicas, para que as atividades-meio</p><p>proporcionem a efetivação das atividades-fim;</p><p>• promover a integração entre escola e comunidade, sendo o fomentador dessa articulação;</p><p>• estudar e compreender a legislação educacional;</p><p>• buscar meios que favoreçam sua equipe.</p><p>85</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Figura 14</p><p>A imagem anterior vem ilustrar a importância do gestor escolar na articulação dos vários setores</p><p>da instituição, agindo, influenciando e coordenando ações, buscando o bom funcionamento –</p><p>administrativo e pedagógico – e possibilitando a concretização dos objetivos pensados por toda a</p><p>comunidade escolar. Lück (2008, p. 32) afirma:</p><p>É do diretor da escola a responsabilidade máxima quanto à consecução eficaz</p><p>da política educacional do sistema e desenvolvimento pleno dos objetivos</p><p>educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os esforços</p><p>nesse sentido e controlando todos os recursos para tal. Devido à sua posição</p><p>central na escola, o desempenho de seu papel exerce forte influência (tanto</p><p>positiva como negativa) sobre todos os setores pessoais da escola.</p><p>Saiba mais</p><p>O filme Vida de inseto deixa reverberar os sentidos de liderança. Fazer</p><p>perguntas reflexivas, ter escuta atenta, apoiar, desafiar a equipe na busca por</p><p>soluções dos problemas e aprender a ensinar com positividade são as práticas</p><p>fundamentais da liderança.</p><p>VIDA de inseto. Direção: John Lasseter; Andrew Stanton. EUA; Japão:</p><p>Pixar Animation Studios; Walt Disney Pictures, 1998. 95 min.</p><p>Cabe destacar a importância da liderança do gestor, característica essencial no trabalho conjunto</p><p>com outros atores que conhecem a educação e atuam nela. A equipe liderada pelo gestor deve garantir</p><p>que a missão, os objetivos e as metas da instituição estejam organizados, alinhados e, portanto, definidos</p><p>para que os resultados sejam alcançados. Assim, a gestão escolar precisa ser tomada como mediação na</p><p>busca dos objetivos da escola, não devendo estar articulada à dominação e centralização de poder ainda</p><p>vigente em nossa sociedade, sendo que, na escola básica, o caráter</p><p>86</p><p>Unidade III</p><p>mediador da administração deve dar-se de forma a que tanto as</p><p>atividades-meio (direção, serviços de secretaria, assistência ao escolar e</p><p>atividades complementares, como zeladoria, vigilância, atendimento de</p><p>alunos e pais) quanto a própria atividade-fim, representada pela relação</p><p>ensino-aprendizagem que se dá predominantemente (mas não só) em sala</p><p>de aula, estejam permanentemente impregnadas dos fins da educação</p><p>(Paro, 1998, p. 303).</p><p>Nessa direção, Lück (2011) contribui quando afirma que a liderança é uma característica importante</p><p>e fundamental para a gestão escolar numa escola em tempo integral. Afirma que, por meio dessa</p><p>competência, o gestor consegue organizar, orientar, mobilizar e coordenar o trabalho dentro da</p><p>instituição escolar (e isso se reflete fora dela), em que viabiliza a melhoria do ensino-aprendizagem.</p><p>Liderar é caminhar junto, é influenciar, é dar o exemplo; assim, não há gestão sem liderança.</p><p>Para Libâneo (2004), o gestor escolar, por assumir diferentes posturas dentro da instituição, apresenta</p><p>algumas atribuições: supervisionar atividades pedagógicas e administrativas; promover a aproximação</p><p>e a integração entre comunidade e escola; conhecer a legislação educacional vigente; proporcionar</p><p>caminhos para construir conhecimento na sua equipe; aprimorar seus saberes em relação a sua atuação;</p><p>entre outras.</p><p>Importante pontuar que ainda persiste no imaginário de muitas pessoas a ideia de que a função</p><p>do diretor é disciplinar, algo relacionado ao juízo de valor. Isso acontece pelo fato de que realmente,</p><p>por muitos anos, essa figura autoritária e disciplinadora era construída dentro das escolas. No entanto,</p><p>a função do diretor está além e transpassa o tal imaginário, agregando posicionamento responsável,</p><p>decisório, de autoridade e iniciativa.</p><p>Figura 15</p><p>Fonte: Watterson (2010, p. 10).</p><p>A ética, como ciência da conduta, também faz parte das competências do gestor escolar numa escola</p><p>em tempo integral e deve perpassar as relações entre todos os atores que atuam dentro da instituição</p><p>escolar, promovendo transformações em vários âmbitos, assim como o desenvolvimento pessoal e social</p><p>e o respeito às diferenças.</p><p>87</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Seguindo elencando competências, Lück (2008) afirma que a qualificação para o exercício</p><p>da função de gestor também pode ser vista sob o aspecto profissional e pessoal. No que tange ao</p><p>aspecto profissional, a competência é o conjunto de atributos necessários ao desempenho da atividade</p><p>profissional. Referente ao aspecto pessoal, a competência é o conjunto de habilidades, conhecimentos</p><p>e capacidades para movimentar o objeto da ação.</p><p>Lück (2008, p. 69) ainda destaca que o gestor escolar:</p><p>• Lidera e garante a atuação democrática efetiva e participativa do</p><p>Conselho Escolar ou órgão colegiado semelhante, do Conselho de</p><p>Classe, do Grêmio Estudantil e de outros colegiados escolares.</p><p>• Equilibra e integra as interfaces e diferentes áreas de ação da escola</p><p>e a interação entre as pessoas, em torno de um ideário educacional</p><p>comum, visão, missão e valores da escola.</p><p>• Lidera a atuação integrada e cooperativa de todos os participantes da</p><p>escola, na promoção de um ambiente educativo e de aprendizagem,</p><p>orientado por elevadas expectativas, estabelecidas coletivamente e</p><p>amplamente compartilhadas.</p><p>• Demonstra interesse genuíno pela atuação dos professores, dos</p><p>funcionários e dos alunos da escola, orientando o seu trabalho</p><p>em equipe, incentivando o compartilhamento de experiências e</p><p>agregando resultados coletivos.</p><p>• Estimula participantes de todos os segmentos da escola a</p><p>envolverem-se na realização dos projetos escolares, melhoria da</p><p>escola e promoção da aprendizagem e formação dos alunos, como</p><p>uma causa comum a todos, de modo a integrarem-se no conjunto do</p><p>trabalho realizado.</p><p>• Estimula e orienta a participação dos membros mais apáticos e</p><p>distantes, levando-os a apresentar suas contribuições e interesses</p><p>para o desenvolvimento conjunto e do seu próprio desenvolvimento.</p><p>• Mantém-se a par das questões da comunidade escolar e interpreta</p><p>construtivamente seus processos sociais, orientando o seu melhor</p><p>encaminhamento.</p><p>• Promove práticas de coliderança, compartilhando responsabilidades e</p><p>espaços de ação entre os participantes da comunidade escolar, como</p><p>condição para a promoção da gestão compartilhada e da construção</p><p>da identidade da escola.</p><p>88</p><p>Unidade III</p><p>• Promove a articulação e integração entre escola e comunidade</p><p>próxima, com o apoio e participação dos colegiados escolares,</p><p>mediante a realização de atividades de caráter pedagógico, científico,</p><p>social, cultural e esportivo.</p><p>Para que se possa ocorrer uma gestão democrática, se pensando em uma escola de tempo integral, a</p><p>atuação do diretor deve ser pautada em elementos que alicerçam essa forma de gestão. Esses elementos</p><p>por si são fundamentais, porém juntos possibilitam a dilatação da compreensão de como se articula e</p><p>se materializa a gestão democrática que leva em consideração a comunidade escolar como um todo:</p><p>• Participação: deve ser possibilitada a todos os sujeitos envolvidos no processo de ensino e</p><p>aprendizagem. A escola, entendida como uma instituição em que todos têm responsabilidade –</p><p>comunidade escolar –, promove a redução de evasão, a repetência de estudantes e, também,</p><p>do prédio em que a instituição está instalada. Observando tudo que foi elencado, entendemos</p><p>que a posição de diretor é desafiadora, pois deve ser um sujeito criativo a ponto de desenvolver</p><p>novos meios de participação dos sujeitos, trazendo-os para fazerem parte dela afirmando-a como</p><p>espaço de atuação dos cidadãos.</p><p>• Autonomia: segundo Veiga (1998), dentro desse conceito, temos quatro dimensões interligadas</p><p>e tomadas como fundamentais para a organização do trabalho educativo:</p><p>— Administrativa: tem relação com as questões administrativas, como administração de pessoal,</p><p>material, controle dos indicadores de desempenho e avaliação do trabalho.</p><p>— Financeira: organização e execução de planos e recursos financeiros de forma inteligente e</p><p>adequada, indo ao encontro aos fins educativos.</p><p>— Pedagógica: relacionada a questões pedagógicas, observando a função social da escola,</p><p>organização curricular e avaliação, que se consolida por meio de um processo em que</p><p>todos participam.</p><p>— Jurídica: diz respeito às leis e normas, às orientações produzidas pela escola, aos estatutos,</p><p>ao regimento e aos avisos. Esse elemento dá abertura a discussão e construção de ações que</p><p>devem ser elaboradas coletivamente.</p><p>• Transparência: alicerce de uma gestão democrática, tem relação com o acesso a toda informação</p><p>referente ao funcionamento da instituição. Logo, a comunidade escolar é acionada a participar de</p><p>toda e qualquer decisão ou ação tomada na escola.</p><p>• Pluralismo: acionamos Araújo (2000, p. 134), que afirma que o pluralismo que se alicerça como</p><p>postura de “reconhecimento da existência de diferenças de identidade e de interesses que</p><p>convivem no interior da escola e que sustentam, através do debate e do conflito de ideias, o</p><p>próprio processo democrático”. Nessa direção, é fundamental que se tenha respeito às diferenças</p><p>de pensar, de opiniões, de crenças e de ideologias para, em conjunto, alcançar as metas da escola</p><p>no que tange à formação e aprendizagem dos alunos.</p><p>89</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Você deve ter compreendido que esses quatro elementos são basilares na gestão democrática e</p><p>devem vislumbrar a prática da coletividade, da participação e do partilhamento de ideias. Participação,</p><p>autonomia, transparência e pluralidade como um quadripé da gestão democrática dão origem a</p><p>instâncias colegiadas, que são mecanismos que promovem e possibilitam a participação da comunidade.</p><p>Adiante, acionaremos e estudaremos essas instâncias.</p><p>Saiba mais</p><p>Realizado no ano de 2007, este episódio do programa Nós da Educação</p><p>traz o professor Ângelo Ricardo de Souza, doutor em Educação pela PUC-SP,</p><p>para discutir sobre a gestão democrática na escola pública, abordando a</p><p>possibilidade de uma escola democrática autônoma e o desenvolvimento das</p><p>políticas públicas na esfera educacional.</p><p>Assista em: NÓS da Educação – Gestão Democrática – Parte 1. 1 vídeo (18 min).</p><p>Brasil: TV Paulo Freire, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/3ja43tj3.</p><p>Acesso em: 22 maio 2024.</p><p>8.2 Ferramenta da gestão eficiente</p><p>A participação colegiada ou instâncias colegiadas são instrumentos para efetivar a gestão</p><p>democrática na instituição de ensino, possibilitando implantar novas formas de gestão por meio de</p><p>um modelo de administração coletiva. Assim, a efetivação da gestão democrática é condicionada</p><p>pela participação dos colegiados, associações e agremiações que podem ser compostos por docentes,</p><p>alunos, funcionários, pais e a comunidade em que a escola está inserida. Nessa direção, Abranches</p><p>(2003, p. 54) afirma que:</p><p>Os órgãos colegiados têm possibilitado a implementação de novas formas</p><p>de gestão por meio de um modelo de administração coletiva, em que todos</p><p>participam dos processos decisórios e do acompanhamento, execução</p><p>e avaliação das ações nas unidades escolares, envolvendo as questões</p><p>administrativas, financeiras e pedagógicas.</p><p>Isso posto, entendemos que participação tem execução complexa</p><p>e envolve várias maneiras e</p><p>possibilidades de organização. Em outros termos, não existe apenas uma forma ou lógica de participação,</p><p>mas várias dinâmicas se caracterizam por uma participação protegida e tutelada, restrita e funcional;</p><p>outras, por tornar permanente ações coletivas, inovadoras em relação à escolha e decisão.</p><p>O conselho escolar é uma ferramenta de participação da comunidade e aparece amparada pela LDB,</p><p>no inciso 2, art. 14, página 15, que afirma a necessidade de participação da comunidade escolar e local</p><p>em conselhos escolares ou equivalentes:</p><p>90</p><p>Unidade III</p><p>Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do</p><p>ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e</p><p>conforme os seguintes princípios:</p><p>I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto</p><p>pedagógico da escola;</p><p>II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou</p><p>equivalentes (Brasil, 1996).</p><p>Em 2004, a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, por meio da Coordenação</p><p>Geral de Articulação e Fortalecimento Institucional dos Sistemas de Ensino do Departamento de</p><p>Articulação e Desenvolvimento dos Sistemas de Ensino, iniciou o desenvolvimento de ações com o</p><p>objetivo de implantar o Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares. Segundo</p><p>o documento, o Programa se articulará em regime de colaboração com os sistemas de ensino,</p><p>visando fomentar a implantação e o fortalecimento de Conselhos Escolares nas escolas públicas de</p><p>educação básica (Brasil, 2004b, p. 9).</p><p>Ainda de acordo com o Programa de Fortalecimento dos Conselhos Escolares (2004b), tem</p><p>como objetivos:</p><p>• Ampliar a participação das comunidades escolar e local na gestão administrativa, financeira e</p><p>pedagógica das escolas públicas.</p><p>• Apoiar a implantação e o fortalecimento de conselhos escolares.</p><p>• Instituir, em regime de colaboração com os sistemas de ensino, políticas de implantação e</p><p>fortalecimento de conselhos escolares.</p><p>• Promover, em parceria com os sistemas de ensino, a capacitação de conselheiros escolares.</p><p>• Estimular a integração entre os conselhos escolares.</p><p>• Apoiar os conselhos escolares na construção coletiva de um projeto educacional no âmbito da</p><p>escola, em consonância com o processo de democratização da sociedade.</p><p>• Promover a cultura do monitoramento e avaliação no âmbito das escolas, para a garantia da</p><p>qualidade da educação.</p><p>Os conselhos escolares são estabelecidos nas escolas como espaço do exercício da cidadania e</p><p>acolhimento da comunidade cuja função é participar das tomadas de decisão, constituindo um dos</p><p>mais importantes mecanismos para democratizar a gestão escolar. São constituídos por pais, alunos</p><p>ou representantes de alunos, professores, funcionários, membros da comunidade e diretores de escola.</p><p>Cada instituição escolar deve definir regras claras e democráticas para eleger os membros do conselho.</p><p>91</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>É de responsabilidade do conselho, além de cuidar da manutenção da escola e supervisionar as</p><p>ações do gestor escolar a fim de garantir a qualidade de ensino, as funções deliberativas, consultivas,</p><p>mobilizadoras e pedagógicas, fundamentais para a consolidação da e para a gestão democrática,</p><p>resultando nos recursos necessários para fornecer melhorias no ensino-aprendizagem.</p><p>Importante pontuar, seguindo o que preconiza o Programa Nacional de Fortalecimento dos</p><p>Conselhos Escolares, que</p><p>Os Conselhos Escolares na educação básica, concebidos pela LDB como</p><p>uma das estratégias de gestão democrática da escola pública, têm como</p><p>pressuposto o exercício de poder, pela participação, das “comunidades</p><p>escolar e local” (LDB, art. 14). Sua atribuição é deliberar, nos casos de sua</p><p>competência, e aconselhar os dirigentes, no que julgar prudente, sobre as</p><p>ações a empreender e os meios a utilizar para o alcance dos fins da escola.</p><p>O conselho existe para dizer aos dirigentes o que a comunidade quer</p><p>da escola e, no âmbito de sua competência, o que deve ser feito. [...] Os</p><p>conselhos [...] não falam pelos dirigentes (governo), mas aos dirigentes em</p><p>nome da sociedade. Por isso, para poder falar ao governo (da escola) em</p><p>nome da comunidade (escolar e local), desde os diferentes pontos de vista,</p><p>a composição dos conselhos precisa representar a diversidade, a pluralidade</p><p>das vozes de sua comunidade (Brasil, 2004b, p. 36-37).</p><p>Para clarear e apreender sobre as funções e aspectos do conselho escolar, baseados na análise das</p><p>normas correntes dos conselhos de educação, elencamos a divisão das competências dos conselhos</p><p>escolares entre as principais: deliberativa, consultiva, fiscal, mobilizadora e pedagógica:</p><p>Quadro 4</p><p>Funções Aspectos</p><p>Deliberativa</p><p>Refere-se tanto às tomadas de decisões relativas às diretrizes</p><p>e linhas gerais das ações pedagógicas, administrativas e</p><p>financeiras quanto ao direcionamento das políticas públicas,</p><p>desenvolvidas no âmbito escolar</p><p>Consultiva</p><p>Refere-se não só à emissão de pareceres para dirimir as dúvidas</p><p>e tomar decisões como também às questões pedagógicas,</p><p>administrativas e financeiras, no âmbito de sua competência</p><p>Fiscalizadora</p><p>Refere-se ao acompanhamento e à fiscalização da gestão</p><p>pedagógica, administrativa e financeira da unidade escolar,</p><p>garantindo a legitimidade de suas ações</p><p>Mobilizadora</p><p>Refere-se ao apoio e ao estímulo às comunidades escolar e</p><p>local em busca da melhoria da qualidade do ensino, do acesso,</p><p>permanência e aprendizagem dos estudantes</p><p>Pedagógica</p><p>Refere-se ao acompanhamento sistemático das ações</p><p>educativas desenvolvidas pela unidade escolar, objetivando a</p><p>identificação de problemas e alternativas para melhoria de seu</p><p>desempenho, garantindo o cumprimento das normas da escola,</p><p>bem como a qualidade social da instituição escolar</p><p>Fonte: São Paulo (2014, p. 8).</p><p>92</p><p>Unidade III</p><p>Do que elencamos até o momento, podemos entender que os conselhos escolares são um</p><p>instrumento de tradução dos anseios da comunidade, e não de legitimação da voz da direção. Por</p><p>isso é importante que o conselho escolar tome para si o significado social da escola, para que possa</p><p>constituir-se a voz da pluralidade dos atores sociais a quem a escola pertence (Brasil, 2004a). Quanto</p><p>à função social da escola, o que isso significa?</p><p>A função social da escola é formar o cidadão, no sentido de construir conhecimentos, atitudes</p><p>e valores que tornem o estudante empático e solidário, crítico, ético e participativo. Para conseguir</p><p>isso, é fundamental socializar o saber sistematizado, historicamente acumulado pela sociedade,</p><p>como patrimônio universal da humanidade, fazendo com que esse saber seja criticamente apropriado</p><p>pelos estudantes, que já trazem consigo conhecimentos prévios, ou seja, o saber popular, o saber da</p><p>comunidade em que vivem e atuam. Levar em consideração saberes populares em prol da produção</p><p>de saberes escolares (científicos) é extremamente importante para a democratização da educação e</p><p>da escola. Assim, os conselhos escolares possuem papel fundamental na democratização, já que têm a</p><p>possibilidade de reunir diretores, professores, funcionários, estudantes, pais e outros representantes da</p><p>comunidade para discutir, definir e acompanhar o desenvolvimento do projeto político-pedagógico da</p><p>escola, que deve ser visto, debatido e analisado dentro do contexto nacional e internacional em que</p><p>vivemos (Brasil, 2004a).</p><p>8.3 As concepções de organização e gestão escolar</p><p>O ato de organizar é inerente a todas as instituições que almejam alcançar determinados objetivos.</p><p>Organizar, segundo o dicionário Houaiss, significa “dar determinada ordem a; dispor de forma ordenada;</p><p>arrumar, estruturar, planejar a realização de algo e prover o necessário”. Esses sentidos perpassam a</p><p>instituição escolar, pois também perseguem objetivos. Assim, pesquisas sobre como uma instituição</p><p>escolar precisa ser organizada e gestada não são recentes e remontam aos pioneiros da Educação Nova</p><p>na década de 1930.</p><p>Sabendo que há vários sentidos para a palavra</p><p>organização e, como já vimos neste livro-texto,</p><p>para gestão, adotaremos, seguindo Libâneo (2007), os sentidos em que organização é entendida como</p><p>unidade social que reúne pessoas que interagem entre si e que opera por meio de estruturas e processos</p><p>organizativos próprios, para alcançar os objetivos da escola e da comunidade escolar, e que gestão é</p><p>entendida como tomada de decisões e a direção e controle dessas decisões.</p><p>Pensando em organização da instituição escolar, devemos acionar o conjunto de normas, diretrizes,</p><p>estrutura organizacional, ações e procedimentos que garantam o bom funcionamento da escola e da</p><p>sala de aula, tendo como foco a aprendizagem e o desenvolvimento integral do aluno.</p><p>Segundo Libâneo (2015), um dos objetivos da escola é a formação científica e cultural dos alunos,</p><p>com vistas à preparação para a vida profissional e social; assim, são necessários procedimentos e</p><p>meios organizacionais. O objetivo de educar e ensinar, segundo o estudioso, se cumpre por meio da</p><p>organização das atividades pedagógicas, curriculares e docentes, sem esquecer que, nessas ações,</p><p>os sujeitos aprendem e trabalham juntos. Nas palavras de Libâneo (2015, p. 3), um dos sentidos de</p><p>organização e gestão da escola está</p><p>93</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>ligado à ideia de que a escola, enquanto instituição, é uma unidade social</p><p>em que pessoas trabalham juntas (lugar de interação, lugar de relações)</p><p>para alcançar determinados objetivos e, especificamente, o de promover</p><p>o ensino-aprendizagem dos alunos. Essa atividade conjunta precisa ser</p><p>estruturada, organizada e gerida. Ou seja, organização e a gestão da</p><p>escola dizem respeito à estrutura de funcionamento, às formas de</p><p>coordenação e gestão do trabalho, ao provimento e utilização dos recursos</p><p>materiais e financeiros, aos procedimentos administrativos, às formas de</p><p>relacionamento entre as pessoas.</p><p>Ou seja, ao se concretizar como uma instituição que trabalha em conjunto, no coletivo, a escola deve</p><p>organizar e assegurar a racionalização de uso de recursos humanos, materiais, financeiros e intelectuais,</p><p>além de acompanhar e coordenar o trabalho das pessoas em função de objetivos perseguidos, sem</p><p>perder de vista que se constitui num lugar de produção e disseminação de conhecimentos.</p><p>A organização tem, segundo Paro (1997), duas dimensões que se atravessam: a primeira é racionalizar</p><p>o trabalho, ou seja, organizá-lo de forma racional – pensada – a fim de obter o máximo de rendimento.</p><p>E a segunda, coordenar o trabalho das pessoas a fim de alcançar os objetivos determinados pela escola.</p><p>Essas dimensões criadas por Paro (1997) ajudam a entender a gestão como uma atividade que une</p><p>todos que fazem parte da instituição, além de organizar o trabalho para garantir o funcionamento dele.</p><p>A gestão é a responsável por coordenar as pessoas na equipe em suas respectivas tarefas, viabilizar</p><p>meios e modos de condições de trabalho e de decisões a fim de atingir objetivos.</p><p>Em vista disso, com base nos estudos existentes no Brasil sobre a organização e gestão escolar,</p><p>pautados em Libâneo (2001), elencamos três concepções de organização e gestão:</p><p>• Técnico-científica: pauta-se na hierarquia de cargos e funções visando a racionalização do</p><p>trabalho, a eficiência dos serviços escolares, seguindo princípios e metodologias da administração</p><p>empresarial. Segundo Libâneo (2007, p. 16)</p><p>a escola deve atender a um projeto social e político de preparação de</p><p>recursos humanos para o sistema produtivo, para o que formula conteúdos,</p><p>habilidades, valores considerados úteis e desejados pelo mundo do trabalho.</p><p>Uma derivação dessa abordagem é o currículo por competências, em que</p><p>a organização curricular resulta de objetivos assentados em habilidades e</p><p>destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação.</p><p>• Autogestionária: pauta-se na responsabilidade de todos os participantes, ausência de direção</p><p>centralizada e acentuada participação direta e igual de todos os membros da instituição. As decisões</p><p>são discutidas em assembleias, apagando formas de poder individualizado. Fundamenta-se na</p><p>auto-organização de um grupo de pessoas que fazem parte da instituição, por meio de eleições e</p><p>de rotatividade e alternância no exercício de funções, e na responsabilidade coletiva.</p><p>94</p><p>Unidade III</p><p>• Democrático-participativa: relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal</p><p>da escola. Acentua a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos, ou seja,</p><p>articulação, promovida pelo diretor, da proatividade e da participação dos agentes educacionais</p><p>que se relacionam com ele. Busca a participação de professores, funcionários, conselhos,</p><p>coordenadores, supervisores, pais e alunos, mediados pela direção. Para que essa movimentação</p><p>ganhe força, há valorização do planejamento, da organização, do processo avaliativo, das tomadas</p><p>de decisões dos agentes educacionais, buscando sucesso nos objetivos específicos da instituição</p><p>e principalmente no processo de ensino-aprendizagem.</p><p>Vejamos o quadro com as principais características de tais concepções:</p><p>Quadro 5</p><p>Técnico-científica Autogestionária Democrática</p><p>Prescrição detalhada de funções,</p><p>acentuando-se a divisão técnica do</p><p>trabalho escolar (tarefas especializadas)</p><p>Poder centralizado do diretor,</p><p>destacando-se as relações de</p><p>subordinação em que uns têm mais</p><p>autoridades do que outros</p><p>Ênfase na administração (sistema</p><p>de normas, regras, procedimentos</p><p>burocráticos de controle das atividades),</p><p>às vezes descuidando-se dos objetivos</p><p>específicos da instituição escolar</p><p>Comunicação linear (de cima para baixo),</p><p>baseada em normas e regras</p><p>Maior ênfase nas tarefas do que nas</p><p>pessoas. Atualmente, essa concepção</p><p>também é conhecida como gestão da</p><p>qualidade total</p><p>Ênfase nas inter-relações mais do que</p><p>nas tarefas</p><p>Decisões coletivas (assembleias,</p><p>reuniões), eliminação de todas as formas</p><p>de exercício de autoridade e poder</p><p>Vínculo das formas de gestão interna</p><p>com as formas de autogestão social</p><p>(poder coletivo na escola para preparar</p><p>formas de autogestão no plano político)</p><p>Ênfase na auto-organização do grupo de</p><p>pessoas da instituição, por meio de eleições</p><p>e alternância no exercício de funções</p><p>Recusa a normas e sistemas de controle,</p><p>acentuando-se a responsabilidade coletiva</p><p>Crença no poder instituinte da</p><p>instituição (vivência da experiência</p><p>democrática no seio da instituição para</p><p>expandi-la à sociedade) e recusa de todo</p><p>o poder instituído. O caráter instituinte</p><p>se dá pela prática da participação</p><p>e autogestão, modos pelos quais se</p><p>contesta o poder instituído</p><p>Definição explícita de objetos</p><p>sociopolíticos e pedagógicos da escola,</p><p>pela equipe escolar</p><p>Articulação entre a atividade de</p><p>direção e a iniciativa e participação</p><p>das pessoas da escola e das que se</p><p>relacionam com ela</p><p>A gestão é participativa, mas espera-se</p><p>também a gestão da participação</p><p>Qualificação e competência profissional</p><p>Busca de objetividade no trato das</p><p>questões da organização e gestão,</p><p>mediante coleta de informações reais</p><p>Acompanhamento e avaliação</p><p>sistemáticos com finalidade pedagógica:</p><p>diagnóstico, acompanhamento dos</p><p>trabalhos, reorientação dos rumos e</p><p>ações, tomada de decisões</p><p>Todos dirigem e são dirigidos, todos</p><p>avaliam e são avaliados</p><p>Fonte: Libâneo (2001, p. 2-3).</p><p>O modelo democrático-participativo vem sendo discutido por muitos estudiosos por se tratar</p><p>de uma concepção que toma a escola como espaço de cultura em cuja estrutura há abertura para</p><p>mensuração e na qual a objetividade dura e engessada é relativa e regulada. A movimentação da escola</p><p>depende de experiências subjetivas, das interações sociais, dos sentidos e significados que os sujeitos</p><p>atribuem às coisas. Isso não quer dizer que não pode haver espaço para a objetividade, muito pelo</p><p>contrário, elementos objetivos são valorizados e mantidos como intrínsecos ao processo organizacional.</p><p>Como elementos objetivos, temos o planejamento, a organização e a gestão, a direção, a avaliação, as</p><p>responsabilidades individuais de cada sujeito</p><p>que faz parte da equipe e a ação organizacional estruturada</p><p>e observada, visto que é necessário alcançar os objetivos políticos e sociais em relação à escolarização</p><p>da sociedade (Libâneo, 2001).</p><p>95</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Lembrete</p><p>É vital que o diretor saiba a importância de conhecer seus alunos, sua</p><p>equipe de professores e funcionários, sendo um estimulador de práticas</p><p>que potencializem seus projetos de vida e incentivem a formação de toda</p><p>a equipe. A escuta ativa é fundamental e deve ser ensinada a todos, visto</p><p>que, por meio de diálogos e devolutivas sobre suas atuações, os melhores</p><p>resultados podem ser obtidos.</p><p>Estrutura organizacional de uma escola</p><p>O estudo sobre a estrutura organizacional da escola não é novo. Ele remonta ao movimento dos</p><p>pioneiros da Escola Nova, como já estudamos neste livro-texto. Libâneo (2001) nos ensina que:</p><p>Esses estudos se deram no âmbito da Administração Escolar e, frequentemente,</p><p>estiveram marcados por uma concepção burocrática, funcionalista, aproximando</p><p>a organização escolar da organização empresarial. Tais estudos eram identificados</p><p>com o campo de conhecimentos denominado Administração e Organização</p><p>Escolar ou, simplesmente, Administração Escolar (Libâneo, 2001, p. 1).</p><p>O autor segue dizendo que, na década de 1980, quando se discutiam as reformas curriculares</p><p>do curso de Pedagogia e de outras licenciaturas, a disciplina Administração e Organização Escolar</p><p>ou Administração Escolar passou a ser nomeada, em muitos lugares, como Organização do Trabalho</p><p>Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar, carregando uma roupagem mais crítica e analisando a</p><p>escola dentro de uma organização do trabalho capitalista (Libâneo, 2001).</p><p>Uma escola precisa de uma estrutura organizada interna para funcionar. Importante entender que</p><p>há vários sentidos para a expressão estrutura, conforme o dicionário Houaiss:</p><p>1. organização, disposição e ordem dos elementos essenciais que compõem</p><p>um corpo (concreto ou abstrato); 2. aquilo que dá sustentação a alguma coisa;</p><p>armação, arcabouço; 3. objeto construído; 4. parte essencial de (fenômeno,</p><p>pensamento, ideia etc.) complexo e abstrato; 5. constituição emocional,</p><p>resistência psicológica; 6. tecido ou formação constituídos de partes diversas,</p><p>porém afins; 7. modo como as partes de uma construção são organizadas</p><p>entre si; 8. a parte de uma construção que lhe dá sustentação, solidez;</p><p>9. conjunto ou disposição dos diversos órgãos e partes que constituem um</p><p>organismo; 10. distribuição ordenada das células e tecidos em um organismo;</p><p>11. disposição dos átomos, moléculas ou íons nos compostos químicos;</p><p>12. aspecto morfológico das rochas; 13. condição ou posição das rochas como</p><p>estratificação, falhas sinclinais, anticlinais etc.; 14. rede de associações que se</p><p>constroem a partir de correlações e oposições entre os elementos linguísticos;</p><p>15. o conjunto das relações e inter-relações sociais de uma cultura, como</p><p>costumes, família, ordem jurídica etc.</p><p>96</p><p>Unidade III</p><p>Percebeu quantos sentidos a expressão carrega? No entanto, mesmo carregando essa multiplicidade,</p><p>notamos algo comum: organização, sustentação, condição e conjunto. Levando em conta tais</p><p>semelhanças, o sentido de estrutura que usaremos será o de ordenamento, de colocar em ordem, na</p><p>disposição correta das funções a fim de que seja garantido o bom funcionamento da escola como um</p><p>todo. Para mostrar como é a estrutura interna de uma escola básica brasileira (fica a critério de cada</p><p>sistema de ensino se sua estrutura será ampliada ou não); nos pautaremos num organograma, que é um</p><p>tipo de gráfico que mostra as relações e as inter-relações entre cada função e os vários setores.</p><p>Setor técnico-administrativo</p><p>Secretaria escolar</p><p>Setor pedagógico,</p><p>conselho de classe,</p><p>coordenação</p><p>Conselho de escola</p><p>Direção/Assistente de</p><p>direção ou coordenador</p><p>Professores e alunos</p><p>Pais e comunidade</p><p>APM</p><p>Organograma básico das escolas</p><p>Figura 16</p><p>Adaptada de: Libâneo (2001).</p><p>Conselho de escola</p><p>Para consolidar e alicerçar a gestão escolar democrática, são importantes alguns instrumentos que</p><p>nutram a participação da família, da comunidade, dos alunos, dos docentes e dos demais funcionários</p><p>da escola. Um desses mecanismos é o conselho de escola.</p><p>De acordo com a Cartilha Conselho de Escola, criada pela Secretaria Estadual de educação de São</p><p>Paulo (2014, p. 6) o conselho de escola</p><p>se configura como órgão colegiado fundamental, pois envolve representantes</p><p>de todos os segmentos da comunidade escolar, constituindo-se em espaço de</p><p>construção de novas maneiras de compartilhar o poder de decisão e a</p><p>corresponsabilidade da escola.</p><p>O documento ainda indica pontos positivos na criação do conselho de escola. Um deles é a</p><p>descentralização do poder de decidir, valorizando e priorizando o diálogo “horizontal”, ou seja, sem</p><p>hierarquização de funções e poder.</p><p>Um dos maiores desafios do conselho de escola é tornar os sujeitos importantes na composição, de</p><p>forma a fazer acontecer uma movimentação efetiva, considerando que:</p><p>• as decisões refletem a pluralidade de interesses e visões que existem entre os diversos</p><p>segmentos envolvidos;</p><p>97</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>• as ações têm um patamar de legitimidade mais elevado;</p><p>• há uma maior transparência nas decisões tomadas;</p><p>• garantem-se decisões efetivamente coletivas nas unidades escolares como espaço de cidadania.</p><p>Como já vimos, cabem ao conselho atribuições consultivas, deliberativas e fiscais em questões</p><p>definidas pela legislação. Essas questões envolvem aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros.</p><p>Em algumas regiões do Brasil, o conselho é formado no início do ano letivo. Cada escola deve</p><p>estabelecer regras transparentes e democráticas de eleição dos membros do conselho, que é composto</p><p>por docentes, funcionários e pais de alunos, respeitando a paridade dos integrantes da escola (50%) e</p><p>usuários (50%). O conselho, em alguns lugares, pode ser chamado de colegiado, cuja centralidade está</p><p>na democratização das relações de poder.</p><p>Direção</p><p>O sujeito na posição de diretor tem a função, segundo Libâneo (2001), de coordenar, organizar</p><p>e gerenciar todas as atividades da escola junto aos professores e funcionários, atendendo a leis,</p><p>regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino em que a escola está</p><p>inserida e na comunidade. O assistente de diretor ou vice-diretor desempenha as mesmas funções na</p><p>ausência do diretor.</p><p>Setor técnico-administrativo</p><p>Composto da secretaria escolar (que cuida da documentação da escola como um todo), docentes,</p><p>discentes e funcionários, zeladoria (manutenção e limpeza do prédio), vigilância (acompanhamento</p><p>de alunos nas dependências das escolas, atendimento aos professores quando solicitam materiais,</p><p>assistência ou encaminhamento de alunos) e atendimento organizado na biblioteca e em laboratórios.</p><p>Setor pedagógico</p><p>Compreende atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. O coordenador</p><p>pedagógico supervisiona, acompanha, assessora e avalia as atividades pedagógicas, além de desenvolver o</p><p>diálogo entre pais e escola. Ele articula ideias inovadoras, trabalha a formação continuada dos professores</p><p>e medeia conflitos, sendo considerado o perseguidor da qualidade de ensino na escola em que atua.</p><p>Orientador educacional</p><p>Cuida do atendimento aos alunos e do relacionamento entre escola, pais e comunidade. Essa função</p><p>não existe mais em alguns lugares.</p><p>Conselho de classe</p><p>Tem atribuição deliberativa em relação à avaliação escolar dos alunos, decidindo em conjunto tanto</p><p>aprovações e reprovações dos alunos quanto meios e caminhos para melhorar a qualidade de ensino e</p><p>o rendimento dos alunos.</p><p>98</p><p>Unidade III</p><p>APM, pais e comunidade</p><p>Esses mecanismos são as instituições auxiliares como a APM (Associação de Pais e Mestres), o</p><p>grêmio estudantil e outras vinculadas ao conselho de escola. A APM é uma maneira de os pais e a</p><p>comunidade participarem da vida e da comunidade escolar. Reúne os pais de alunos, o</p><p>pessoal docente</p><p>e técnico-administrativo e alunos maiores de 18 anos. Costuma funcionar mediante uma diretoria</p><p>executiva e um conselho deliberativo (Libâneo, 2001).</p><p>O grêmio estudantil é um órgão que representa os alunos, alicerçado pela Lei n. 7.398/1985, que lhe</p><p>confere autonomia para eles se organizarem em torno dos seus interesses, com finalidades educacionais,</p><p>culturais, cívicas e sociais. Ambas as instituições costumam ser regulamentadas no regime escolar,</p><p>variando sua composição e estrutura organizacional.</p><p>Corpo docente</p><p>Composto pelos professores atuantes da escola, tem como função o ensino. Os professores de todas as</p><p>disciplinas formam, junto com a direção e os especialistas, a equipe escolar. Têm como responsabilidade,</p><p>além das aulas e do processo ensino-aprendizagem dos alunos, participar da elaboração do projeto</p><p>político-pedagógico na realização das atividades da escola e nas decisões dos conselhos de escola e de</p><p>classe, das reuniões com os pais (especialmente na comunicação e interpretação da avaliação), da APM</p><p>e das demais atividades cívicas, culturais e recreativas da comunidade (Libâneo, 2001).</p><p>Exemplos de aplicação</p><p>Exemplo 1</p><p>(Cespe/Cebrasp 2024) A gestão democrática na escola tem como princípio:</p><p>A) A centralização das decisões nas regras e nos procedimentos administrativos, dando mais ênfase</p><p>às tarefas do que às pessoas.</p><p>B) O poder e a autoridade, exercidos unilateralmente, enfatizando as relações de subordinação,</p><p>retirando das pessoas o direito de pensar e decidir sobre seu trabalho.</p><p>C) A percepção do diretor como único responsável pelo êxito das ações do grupo sob seu comando</p><p>e do baixo grau de participação das pessoas.</p><p>D) A visão de que a escola é uma estrutura totalmente objetiva, neutra e independente das pessoas.</p><p>E) O pressuposto de que a escola é uma construção social composta pelas subjetividades dos</p><p>professores, alunos, pais, funcionários e integrantes da comunidade.</p><p>Resolução</p><p>A resposta correta é a alternativa E.</p><p>99</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Exemplo 2</p><p>(IFSP 2023, adaptada) Leia a tirinha a seguir:</p><p>Figura 17</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/rsufetxp. Acesso em: 5 ago. 2023.</p><p>Tendo em vista uma formação omnilateral, a escola deve preparar o educando para o convívio</p><p>em sociedade, para que, de forma consciente, ele tome decisões que influenciarão sua vida e a dos</p><p>outros, já que nas inter-relações nos construímos ao passo que influenciamos o meio em que vivemos.</p><p>Embora seja importante o ensino dos conhecimentos sistematizados, devemos dar igual importância à</p><p>democracia e à cidadania no contexto escolar, pois estas duas dimensões:</p><p>A) Precisam ser ensinadas em disciplinas específicas, devido a sua complexidade, subjetividade e</p><p>abstração. Nesse sentido, devem ser exploradas pelas disciplinas de filosofia e de sociologia.</p><p>B) São conceitos inter-relacionados que se integram em determinado ponto, constituindo modelos</p><p>de conduta ética. Contudo, para o educando, a democracia se aprende nas eleições dos conselhos de</p><p>escola e do grêmio estudantil.</p><p>C) Devem ser ensinados de forma distinta, pois a vivência da democracia envolve conhecimentos</p><p>sobre como escolher bons candidatos, ao passo que cidadania diz respeito à escolha de se fazer o bem</p><p>ou o mal ao próximo.</p><p>D) Estão inter-relacionadas, haja vista que, para que haja aprendizagem da cidadania, é condição</p><p>necessária vivenciar a democracia em seu cotidiano de forma crítica por meio de discussões regradas,</p><p>que permitam o pensamento conjunto – concordar ou discordar – no âmbito do jogo democrático.</p><p>E) Nenhuma das alternativas está correta.</p><p>Resolução</p><p>A resposta correta é a alternativa E.</p><p>100</p><p>Unidade III</p><p>Exemplo 3</p><p>(Enade 2011, adaptada) Um dos objetivos da gestão democrática participativa é a articulação entre</p><p>as políticas educacionais atuais e as demandas socioculturais. Considerando essa finalidade, avalie quais</p><p>das ações educacionais seguintes se relacionam a essa concepção.</p><p>I – Compartilhar valores em prol da própria escola, reconhecendo a impossibilidade de se incluir</p><p>ideais de justiça, solidariedade e ética humana, que transcendem os limites do processo educativo.</p><p>II – Utilizar os índices educacionais da escola como subsídios de gestão para aprimorar o processo</p><p>ensino-aprendizagem.</p><p>III – Elaborar coletivamente o projeto político-pedagógico que reflita a filosofia da escola e apresente</p><p>as bases teórico-metodológicas da prática pedagógica.</p><p>IV – Planejar ações descentralizando poderes, para realizar uma gestão focada nos diferentes aspectos</p><p>da aprendizagem e nas questões macroestruturais da sociedade.</p><p>É correto o que se afirma:</p><p>A) Somente em I e II.</p><p>B) Somente em I e IV.</p><p>C) Somente em I, II e III.</p><p>D) Somente em II, III e IV.</p><p>E) Somente em I.</p><p>Resolução</p><p>A resposta correta é a alternativa D.</p><p>8.4 As práticas administrativas e a postura do diretor na gestão democrática</p><p>Importante iniciar acionando os sentidos de práticas e posturas para compreender a movimentação</p><p>do diretor dentro de um ambiente escolar gestado democraticamente. No dicionário Houaiss, o termo</p><p>prática tem relação com “ação, execução e postura, remete ao modo de pensar, de proceder; o ponto de</p><p>vista, a opinião, o posicionamento”. Dessa forma, entendemos que a postura define a prática no sentido</p><p>de que o posicionamento direciona a ação, o bem fazer, ou seja, a postura e a prática de um diretor</p><p>são definidas por sua disposição que nasce de uma concepção: a democracia. Assim, acreditamos que</p><p>um diretor, atravessado pela concepção de gestão democrática, assume uma postura que permite criar</p><p>práticas que dialogam com essa condição.</p><p>101</p><p>EDUCAÇÃO INTEGRAL E GESTÃO ESCOLAR</p><p>Como já pontuamos, a partir da década de 1980, a compreensão sobre as funções do profissional</p><p>que ocupava o cargo de diretor educacional sofreu modificações. Nos anos de 1990, muitos estudos</p><p>reverberaram e apontaram para discussões sobre a importância da qualidade na educação, a qual estava</p><p>atrelada à gestão.</p><p>Segundo Lück (2009, p. 23), o diretor/gestor trabalha perseguindo</p><p>a realização das finalidades, princípios, diretrizes e objetivos educacionais</p><p>orientadores da promoção de ações educacionais com qualidade social,</p><p>isto é, atendendo bem a toda a população, respeitando e considerando as</p><p>diferenças de todos os seus alunos, promovendo o acesso e a construção do</p><p>conhecimento a partir de práticas educacionais participativas, que fornecem</p><p>condições para que o educando possa enfrentar criticamente os desafios de</p><p>se tornar um cidadão atuante e transformador da realidade sociocultural</p><p>e econômica vigente, e de dar continuidade permanente aos seus estudos.</p><p>O diretor, pensando em uma gestão democrática, tem como responsabilidade integrar os membros</p><p>da escola e da comunidade em que está inserido, conhecer a organização administrativa e pedagógica</p><p>e saber utilizar os resultados de avaliações realizadas na educação em prol da melhoria da qualidade de</p><p>ensino. Ou seja, quando se aciona gestão democrática, é acionada também a efetivação da participação,</p><p>sendo necessário trabalhar para articular as atividades-meio (administrativas) às atividades-fim</p><p>(objetivos pedagógicos), contribuindo para o alcance dos objetivos educacionais da escola. Dessa</p><p>maneira, o diretor é entendido como um representante do projeto político-social de educação, buscando</p><p>uma gestão democrática, voltada às necessidades de sua comunidade.</p><p>Lembrete</p><p>Ser democrático é respeitar as diferenças, os ritmos de trabalho e</p><p>também de aprendizagem, assim como ajudar a superar as dificuldades.</p><p>As propostas e as decisões não devem ser impositivas, mas discutidas,</p><p>construídas e reconstruídas com os sujeitos envolvidos.</p><p>A partir do que já estudamos até o momento relacionado à posição do diretor/gestor, percebemos</p><p>que apareceram novas demandas e, com elas, novas práticas reverberam, no sentido de assegurar a</p><p>gestão democrática. Uma delas é o entrelaçamento com o conselho de escola, grêmios estudantis e</p><p>outras formas colegiadas de sujeitos</p>