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ISAURINO DO VALE ~ RUAS DE ITAÚNA

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ISAURINO DO VALE
 13:22 CHARLES AQUINO RUA NO COMMENTS 
 Lei Municipal 1286/76 / CEP 35680-071
Denomina logradouro público: Rua Isaurino do Vale / Bairro Vila Tavares
Pedreiro, arquiteto, cartógrafo, topógrafo, músico ...
Isaurino do Vale, vibrante personalidade humana e pioneiro do abastecimento d’agua potável em
Itaúna, era um cidadão que impressionava a todos pela sua bondade altruística, pela maneira oculta que
praticava a caridade.
Nasceu aos 21 de janeiro de 1899 em Queluz de Minas, hoje Conselheiro Lafaiete. Foram seus pais
o sr. Manoel do Vale e Dona Maria Petrina Menezes do Vale, possuindo quatro irmãos, com os quais se
entendia muito bem e com afinidades fraternais: José Miguel do Vale, Dolores do Vale Gomes, Augusto do
Vale e Maria do Vale.
Em 1925 a convite do então Prefeito Municipal, Dr. Dario Gonçalves de Souza, saiu de sua terra
natal para o município de Itaúna, com a importante missão de construir uma represa para captação
de um novo manancial de água potável para a cidade.
Firmara contrato com o engenheiro Dr. José da Silva Brandão, que recrutara o Dr. Miguel e este,
por sua vez, arrebatara daquelas encostas e ladeiras os irmãos Vale — Isaurino e Augusto, para que o
auxiliassem na missão da grande empreitada.
A comitiva instalara-se na Rua Direita, hoje, avenida Getúlio Vargas, no casarão azulado e antigo
do Vigário Pe. João Pereira, que o alugara para aqueles benfeitores. Dona Maria Petrina de Menezes, mãe
dos irmãos Vale, vinha como administradora do lar. Excelente “relações públicas”, logo fez um vasto
círculo de amizades na cidade, tornando-se muito admirada.
Daquela equipe fazia parte: pedreiros, cabouqueiros, um carroceiro, um ferreiro, além do carroção
que trouxeram para tração da represa. Formavam todos uma só família, obedecendo ordens e aos
comandos de Dona Maria Petrina Menezes Vale.
Com muitos sacrifícios até mesmo riscos de vida, iam edificando a represa, dinamitando a
pedreira, batendo brocas ferrando bigornas; material transportado à distância pela caravana.
Isaurino e Augusto eram pedreiros competentes. Isaurino chefiava a turma com grande
empenhado em um serviço rápido, mas, com segurança. Simpáticos, logo caíram nas graças do povo
itaunense, que os acolheram com grande hospitalidade. 
Durante o dia, prestavam serviços à represa. À noite, reunidos no solar antigo, encantavam os
moradores com seus instrumentos. Isaurino era exímio ao violão, violino e bandolim. Augusto era
17/05/2024, 23:20 ISAURINO DO VALE ~ RUAS DE ITAÚNA
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igualmente, dedilhava o violão. Um cunhado de ambos, que viera em visita à família ali permanecendo por
algum tempo, era clarinetista. Os demais cantavam inclusive Dona Petrina.
Assim, uma orquestra se formara naquela casa para embevecimento de seus vizinhos. Era corrente
afinar instrumentos e valsas que enchiam o ar com a harmonia. Modinhas eram ali revividas para alegria
geral dos coirmãos. As composições românticas deleitavam ouvidos e corações. Os chorinhos estridentes e
brejeiros, como “Sururu na cidade” e “Tico-Tico no Fubá”, eram igualmente interpretadas. Aqueles
homens que, durante o dia ofereciam as mãos às marretas, colheres de pedreiro, alavancas e brocas, à
noite dedilhavam instrumentos com sabedoria e sensibilidade.
Na luta do homem contra a natureza, conseguiram aproveitar da rocha o que desejavam —
perfurações foram obtidas através de explosões e alimentadas pelo grande açude, amparada pelos
“ladrões” mecânicos, avançando para as valas previamente abertas e para o paredão levantado. A represa
nascia consciente de sua maternal tarefa de alimentar com águas puras, a população da cidade. 
Isaurino, sempre atento no comando de seus homens, liderava ao mesmo tempo, dois grupos
diferentes — durante o dia a força física e o cérebro e a noite as emoções com sua música.
Desde o início de seu trabalho na represa fora admitido como funcionário da Prefeitura Municipal.
Terminados os trabalhos, não mais voltou a residir em Queluz de Minas. Permaneceu em Itaúna. Seu
irmão Augusto mudou-se para o Japão de Oliveira, hoje Carmópolis de Minas, onde casou-se e constituiu
família.
Isuarino continuava laborioso, nos quadros da Prefeitura. Era um urbanizador admirável.
Autodidata em engenharia. Sempre em ascensão em seus postos, prestava relevantes serviços à
comunidade com eficiência e brilhantismo.
Casara-se com Dona Raquel Nogueira do Vale filha de Antônio Esteves Gaio e de Dona Osória
Nogueira Soares, nascendo-lhes, apenas uma filha —Inês Antunes do Vale, professora primária, casada
com o sr. Walter Antunes, próspero comerciante e fazendeiro abastado, sendo filhas deste casal, Soraya
Antunes do Vale e Silvana Antunes do Vale.
Isaurino do Vale ocupou os mais expressivos cargos na Câmara Municipal de Itaúna:
Ø 1925 — Admitido como Encarregado dos Serviços de Abastecimento de Água e esgoto;
Ø 1928 — Assume a direção dos referidos serviços como administrador;
Ø 1937 — Legalizado para o exercício da profissão, caderneta nº 131;
Ø 1938 — Designado par servir como membro do Diretório Municipal de Geografia;
Ø 1940 — Designado para proceder à revisão da Carta Geográfica do Território do Município e
Auxiliar do Serviço de Recenseamento Geral do Brasil;
Ø 1941 —Designado para elaborar uma monografia do Município, no concurso instituído pelo
Conselho Nacional de Geografia. Concluído este trabalho e entregue para julgamento, foi aprovado ainda
no mesmo ano e foi designado para proceder ao Recenseamento com Base para Elaboração da Monografia
Histórico Corográfico do Município de Itaúna. Realizada a obra que deu entrada no Departamento
estadual de Estatística de Belo Horizonte. Foi muito felicitado pelo Diretor do Departamento;
Ø 1942 — Designado para as funções de Fiscal do Distrito da Cidade, pelo falecimento do antigo
ocupante do cargo. Também neste ano foi designado para chefiar os serviços de Estatística Municipal;
Ø 1944 — Volta a ocupar a chefia dos Serviços de Obras;
Ø 1945 — Designado por ordem do sr. Prefeito para auxiliar ao engenheiro topógrafo, no
levantamento da Planta Cadastral da cidade;
Ø 1946 — Assume o cargo de Chefe de Serviços de Obras, por haver concluído os trabalhos
designados por Portaria Oficial;
Ø 1954 — Aposenta-se de acordo com as leis vigentes na época.
17/05/2024, 23:20 ISAURINO DO VALE ~ RUAS DE ITAÚNA
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Isaurino do Vale foi um grande benemérito e Itaúna muito lhe deve. Um precursor do progresso
local, colocou todas as suas energias ao labor constante da edificação do município. Faleceu aos 3 de
outubro de 1969, em Belo Horizonte, havendo sido trasladado para Itaúna, onde foi sepultado segundo
seu desejo. A figura inesquecível do batalhador permanece — pedreiro, arquiteto, cartógrafo, topógrafo,
músico e funcionário público de inédito valor e de invulgar talento.
REFERÊNCIAS:
PAULA. Almênio José de. Figuras Notáveis de Minas Gerais, 1973, p.230,231.
Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.
Organização & Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural MariaCastro Nogueira
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna
Texto 1: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)
INFORMAÇÕES SOBRE O RESERVATÓRIO E BARRAGEM:
SOBRE O RESERVATÓRIO: Nos anos de 1925 e 1926 foi construído o primeiro reservatório da cidade,
localizado na antiga Rua das Viúvas, hoje Agripino Lima, esquina com Rua São Vicente. Os responsáveis
pela construção foram Isaurino do Vale e Dr. Alcindo Vieira. Pela Portaria nº 137 de 1928 o Sr. Isaurino do
Vale foi nomeado Fiscal de Obras Públicas Municipais. Além de trabalhar na Prefeitura o Sr. Isaurino fazia
projetos. Dezenas de casas em Itaúna, inclusive duas para meu pai, foram projetadas pelo mesmo.
Isaurino era sogro do Sr. Walter Antunes, proprietário da Granja Maçaranduba.
SOBRE A BARRAGEM: Logo acima do Bairro Nogueirinha, na estrada para o Córrego do Soldado, há
ainda hoje, os restos de uma pequena barragem que servia para captação das águas do Ribeirão do
Sumidouro donde vinha por gravidade, em grossos tubos de ferro até o Reservatório da Rua das Viúvas.
Pesquisa: Charles Aquino
Fonte: Arquivo Municipal Câmara de Itaúna
Revisão: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho
Texto 2: Juarez Nogueira Franco (In Memoriam)
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