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FACULDADE PRESIDENTE ANTÔNIO CARLOS DE TEOFILO OTONI CURSO TECNICO DE ENFERMAGEM FABIANA FERREIRA FLAVIA CARVALHO HERLENE FELIX JESSICA SANTOS JOÃO GABRIEL NAPOLITANIA GONÇALVES TECIDO MUSCULAR TEOFILO OTONI – MG 2023 FABIANA FERREIRA FLAVIA CARVALHO HERLENE FELIX JESSICA SANTOS JOÃO GABRIEL NAPOLITANIA GONÇALVES TECIDO MUSCULAR Trabalho apresentado ao curso técnico de enfermagem da Faculdade Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni como requisito para obtenção de notas nas disciplinas Filosofia e Microbiologia aplicada. Orientadores: Anne e Jorge. TEOFILO OTONI – MG 2023 SUMARIO 1 INTRODUÇÃO 4 2 TECIDO MUSCULAR 5 2.1 Tecido muscular estriado esqueletico 6 2.2 Tecido muscular estriado cardíaco 8 2.3 Tecido muscular liso 10 3 CONCLUSÃO 13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 14 Introdução O tecido muscular é especializado na transformação da energia química em mecânica, o que frequentemente implica em geração de movimento. Esse tecido é responsável por movimentos de grande porte e também por modificações no tamanho e forma de órgãos internos, graças à capacidade de suas células de diminuir uma de suas dimensões. Existem três tipos de músculo: estriado esquelético, estriado cardíaco e liso. Em todos os três tipos de músculo, a energia da hidrólise do ATP é transformada em energia mecânica. Todos os três tipos são constituídos de células alongadas chamadas de fibras musculares, especializadas na contração muscular. As fibras musculares são células cilíndricas e longas, as quais apresentam características específicas de acordo com o tipo de tecido muscular. Tecido muscular Tecido muscular é um tipo de tecido animal que apresenta como característica mais marcante sua capacidade de contração. Esse tecido é essencial para o funcionamento do nosso corpo, sendo ele o responsável por garantir, por exemplo, os nossos movimentos e o batimento do coração. É um tecido de fundamental importância para a estabilização do corpo, para a postura, e para a produção de calor. Aproximadamente 40% da massa corporal é constituída por tecidos musculares variados. Esses músculos se caracterizam por serem formados por células capazes de se contraírem e de se alongarem, ou seja, são fibras musculares contráteis. As fibras musculares também conhecidas como miócitos, são células alongadas, podendo ter um ou mais núcleos. Elas irão formar os tecidos musculares, que poderão ser de três tipos: muscular estriado esquelético, muscular estriado cardíaco ou muscular liso cada um possuindo características funcionais e morfológicas próprias. No entanto, estes tipos de fibras musculares possuem em comum a característica a capacidade de gerar movimento pela contração. Isso se deve à presença de proteínas contráteis, principalmente actina e miosina. As fibras musculares apresentam uma estrutura especial que é a base para a contração, as miofibrilas, as quais são constituídas por filamentos delgados (filamentos de actina) e os filamentos espessos (constituídos por miosina). Figura 01_ Fibras musculares e o seu conteúdo de miofibrilas. Fonte: Portal UFS. Fonte: Portal UFS. Esses filamentos ocupam a maior parte do citoplasma, que nas células musculares é também designado de sarcoplasma. Outros componentes das células musculares também receberam nomes especiais, a membrana plasmática é chamada de sarcolema e o retículo endoplasmático liso, de retículo sarcoplasmático. tecido Muscular estriado esqueletico O tecido muscular esquelético possui a maior massa no organismo e se organiza em unidades chamadas de músculos. Os músculos esqueléticos são responsáveis pela movimentação e estabilização do organismo devido ao fato de se inserirem nos ossos do esqueleto. Sua contração se dá de maneira rápida e voluntária, ou seja, dependem de comandos conscientes do indivíduo. Os músculos esqueléticos não são constituídos somente de tecido muscular, mas também de tecido conjuntivo com vários níveis de organização, além de vasos e nervos. O tecido muscular esquelético é envolto pelo epimísio, uma camada de tecido conjuntivo denso. O perimísio, oriundo do epimísio, circunda os feixes de células musculares e cada célula muscular é rodeada pelo endomísio, uma camada delgada de fibras reticulares e matriz extracelular intimamente associada a uma lâmina basal que envolve cada célula muscular. Figura 02_ Tecido conjuntivo de revestimento do tecido muscular. Fonte: Portal UFS. O tecido muscular esquelético é formado por feixes de células muito longas (até 30 cm), cilíndricas, multinucleadas e contendo muitas miofibrilas. As miofibrilas são estruturas cilíndricas medindo de 1 a 2 micrómetro de diâmetro, que se dispõem longitudinalmente e possuem o mesmo comprimento da fibra muscular. Quando vistas pelo microscópio óptico, as fibras musculares esqueléticas apresentam alternância de faixas claras e escuras que garante o padrão de estriações transversais. A faixa escura é chamada de banda A e é formada por filamentos finos (actina) e grossos (miosina II), enquanto a faixa clara recebe a denominação de banda I e é formada somente por filamentos finos. No centro de cada banda I, observa-se a presença de uma linha escura transversal, denominada de linha Z, que delimita o chamado sarcômero. A banda A apresenta uma região mais clara no centro, chamada banda H, que é formada apenas por filamentos grossos. Figura 03_ Estrutura de um sarcômero. Fonte: Brasil Escola. No músculo estriado esquelético, a contração se dá pela interação entre os dois filamentos de proteínas nos sarcômeros (actina e a miosina). A cabeça da miosina empurra os filamentos de actina, gerando a contração muscular. Em condições de relaxamento, ou seja, enquanto o músculo está descontraído, este ponto de conexão entre os filamentos está ocupado por uma terceira proteína denominada tropomiosina, que envolve filamentos de actina. Assim, para uma contração ocorrer, a tropomiosina deve liberar o ponto de ligação entre a actina e a miosina. Além disso, a cabeça da miosina deve apresentar um movimento para atingir o filamento de actina, e realizar o “empurrão”. Para a movimentação da cabeça da miosina ocorrer, é necessário hidrolisar ATP (adenosina trifosfato, uma molécula de transferência de energia da célula) geralmente ligada à miosina; esta hidrólise consiste na “quebra” de uma molécula de ATP em ADP (adenosina difosfato) e P (fosfato inorgânico; ATP -> ADP + P); Ciclos de “empurrões” da actina pela miosina consistem, portanto de: hidrólise de ATP e consequente movimentação da cabeça da miosina e ligação à actina, liberação de ADP e P na célula (cabeça da miosina permanece ligada à actina), ligação de uma nova molécula de ATP à miosina (que acarreta a mudança na cabeça da miosina para sua forma original; ou seja, distante do filamento de actina) e a liberação da ponte entre miosina e actina volta à condição original. Figura 04_ Filosofia da contração Muscular, Fonte: Passei Direto. O tecido muscular esquelético possui dois tipos de fibras: Fibras Vermelhas (Tipo I), Fibras Brancas (Tipo II). A diferença entre elas está na quantidade de mioglobina que estas possuem. A mioglobina é uma hemoproteína, que pode guardar oxigênio sendo muito necessária em músculos que tem alta atividade necessitando de grande consumo de oxigênio. A mioglobina, quando ligada ao oxigênio, possui uma coloração vermelho-escura, o que dá a cor característica de grande parte dos músculos. As Fibras Vermelhas ou do Tipo I, são ricas em mioglobina em seu sarcoplasma, isso lhes garante uma contração lenta, oxidativa e continua usando a glicose e ácidos graxos como fonte de energia. São fibras menores com numerosas mitocôndrias, o que garante um bom rendimento energético aeróbio. As Fibras Brancas do Tipo II são pobres em mioglobina, tendo sua coloração mais vermelho claro, isso lhes garante uma contração rápida, oxidativa e descontinua. As Fibras tipo II são divididas em duas subclasses: IIa, que são rápidas e resistentes a fadiga e IIb, que são rápidas,porem acumulam ácido lático muito rapidamente o que causa fadiga e dor muscular. TECIDO MUSCULAR ESTRIADO CARDÍACO O músculo cardíaco tem os mesmos tipos e o mesmo arranjo de filamentos contráteis (filamentos de miosina e actina) do músculo esquelético. Portanto, as células musculares cardíacas apresentam estriações transversais, mas ao contrário das fibras esqueléticas que são multinucleadas, as fibras cardíacas possuem apenas um ou dois núcleos centralmente localizados. Figura 08_ Tecido muscular estriado cardíaco. Fonte: InfoEscola. Uma característica exclusiva do músculo cardíaco é a presença de linhas transversais fortemente coráveis que aparecem em intervalos irregulares ao longo da célula. Estes discos intercalares são complexos juncionais encontrados na interface de células musculares adjacentes. Essas junções aparecem como linhas retas ou exibem um aspecto em escada. Nas partes em escada, distinguem-se duas regiões: a parte transversal que cruza a fibra em ângulo reto, e a parte lateral, caminhando paralelamente aos miofilamentos. Nos discos intercalares encontram-se três especializações juncionais principais: zônula de adesão, desmossomos e junções comunicantes. As zônulas de adesão representam a principal especialização da membrana da parte transversal do disco, estão presentes também nas partes laterais e servem para ancorar os filamentos de actina dos sarcômeros terminais. Os desmossomos unem as células musculares cardíacas, impedindo que elas se separem durante a atividade contrátil. Nas partes laterais dos discos encontram-se junções comunicantes responsáveis pela continuidade iônica entre células musculares vizinhas, o que se torna importante para que a contração passe como uma onda de uma célula para outra. Figura 09_ Junções que constituem os discos intercalares. Fonte: Portal UFS. A estrutura e função das proteínas contráteis das células musculares cardíacas são praticamente as mesmas descritas para o músculo esquelético. No entanto, no músculo cardíaco, o sistema T e o retículo sarcoplasmático não são tão organizados como no músculo esquelético. O músculo cardíaco contém numerosas mitocôndrias, que ocupam aproximadamente 40% do volume citoplasmático, o que reflete o intenso metabolismo aeróbio desse tecido. Em comparação no músculo esquelético as mitocôndrias ocupam apenas cerca de 2% do volume do citoplasma. No coração, existe uma rede de células musculares cardíacas modificadas, acopladas às outras células musculares do órgão, que têm papel importante na geração e condução do estímulo cardíaco, de tal modo que as contrações dos átrios e ventrículos ocorrem em determinada sequência, permitindo ao coração exercer com eficiência sua função de bombeamento do sangue. Tecido muscular liso É formado por células que não apresentam estriações, sendo essa uma característica que permite fácil diferenciação dos outros tipos de tecido. É formado pela associação de células longas, mais espessas no centro e afilando-se nas extremidades, com núcleo único e central. O tamanho da célula muscular lisa pode variar de 20 micrómetro na parede dos pequenos vasos sanguíneos até 500 micrómetro no útero grávido. Figura 05_ Tecido muscular liso. Fonte: Microscopia online. O tecido muscular liso é encontrado principalmente em estruturas ocas como o canal alimentar, vasos sanguíneos, trato geniturinário e respiratório. No entanto, esse tipo de músculo pode também ser encontrado na íris, escroto e na forma de fibras isoladas, em associação com os folículos pilosos. As fibras musculares lisas são revestidas por lâmina basal e mantidas unidas por uma rede de fibras reticulares. Essas fibras amarram as células musculares lisas umas às outras, de tal maneira que a contração simultânea de apenas alguma ou de muitas células se transforme na contração do músculo inteiro. O sarcolema dessas células apresenta grande quantidade de depressões com o aspecto e dimensões das vesículas de pinocitose, denominadas cavéolas, as quais contêm íons Ca2+ que serão utilizados para dar início ao processo de contração. As células musculares lisas são interligadas por junções de comunicação pelas quais pequenas moléculas e íons podem passar de uma célula para outra proporcionando elos de comunicação que regulam a contração de todo o feixe ou folheto de músculo liso. Figura 06_ Interligação das células musculares lisas por meio de junções comunicantes. Fonte: Portal UFS. Embora dependa do deslizamento de filamentos de actina e miosina, o mecanismo molecular de contração do músculo liso é diferente do observado nos músculos estriados esquelético e cardíaco. Existem no sarcoplasma das células musculares lisas filamentos de actina (filamentos finos) estabilizados pela combinação com tropomiosina, porém não existem sarcômeros nem troponina. Figura 07_ Etapas que levam ao início da contração do músculo liso. Fonte: Portal UFS. Sob o estímulo do sistema nervoso autônomo, íons Ca2+ migram do meio extracelular para o sarcoplasma através de canais da membrana plasmática. O cálcio forma um complexo com a calmodulina, uma proteína com afinidade para cálcio. O complexo calmodulina-Ca2+ ativa a enzima cinase de cadeia leve da miosina II. A enzima ativada fosforila as moléculas de miosina II que se distendem, tomando a forma filamentosa, deixam descobertos os sítios que têm atividade de ATPase e se combinam com a actina. Esta combinação libera energia do ATP que promove a deformação da cabeça da molécula de miosina II e o deslizamento dos filamentos de actina e de miosina II uns sobre os outros, como ocorre nos outros dois tipos de tecido muscular. Essas proteínas motoras (actina e miosina II) estão ligadas a filamentos intermediários de desmina e vimentina que, por sua vez, se prendem aos corpos densos da membrana da célula. Isto provoca a contração da célula como um todo. Conclusão O tecido muscular esquelético é formado por feixes de células muito longas (até 30 cm), cilíndricas, multinucleadas e contendo muitas miofibrilas. As miofibrilas em conjunto, possuem estriações transversais, as quais refletem a sequência de unidades idênticas que se repetem, os sarcômeros. Durante a contração muscular, a sobreposição dos filamentos de actina sobre os de miosina leva ao encurtamento do sarcômero. Dessa forma, o encurtamento simultâneo de todos os sarcômeros de uma miofibrila e também de todas as miofibrilas da célula leva ao encurtamento da própria fibra muscular. O músculo cardíaco tem os mesmos tipos e o mesmo arranjo de filamentos contráteis do músculo esquelético, no entanto, apresenta os discos intercalares. Nas partes laterais dos discos, existem junções comunicantes responsáveis pela continuidade iônica entre células musculares vizinhas, o que se torna importante para que a contração passe como uma onda de uma célula para outra. O músculo liso por sua vez, é formado pela associação de células longas, mais espessas no centro e afilando-se nas extremidades, com núcleo único e central. As células musculares lisas também são interligadas por junções, pelas quais pequenas moléculas e íons podem passar de uma célula para outra proporcionando elos de comunicação que regulam a contração de todo o feixe ou folheto de músculo liso. Referências bibliográficas BASTOS, Marlucia. Tecido Muscular. Portal UFS. Disponível em: < https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/10341628032012Histologia_Basica_Aula_7.pdf>. Acesso em: 06 set. 2023. COUTO, Rafaela. Fibra muscular. Infoescola. Disponível em: < https://www.infoescola.com/biologia/fibra-muscular/>. Acesso em: 07 set. 2023. GONÇALVES, Alaide. 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Portal UFS. < https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/10341628032012Histologia_Basica_Aula_7.pdf>. Acesso em: 06 set. 2023. Figura 03_ Estrutura de um sarcômero. Brasil Escola. < https://brasilescola.uol.com.br/biologia/tecido-muscular.htm>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 04_ Filosofia da contração Muscular. Passei Direto. < https://files.passeidireto.com/e324b280-2ccc-4c97-98f3-317aa521a6ab/bg2.png>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 05_ Tecido muscular liso. Microscopia online. < http://mol.icb.usp.br/wp-content/uploads/8-14-A.jpg>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 06_ Interligação das células musculares lisas por meio de junções comunicantes. Portal UFS. < https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/10341628032012Histologia_Basica_Aula_7.pdf>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 07_ Etapas que levam ao início da contração do músculo liso. Portal UFS. < https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/10341628032012Histologia_Basica_Aula_7.pdf>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 08_ Tecido muscular estriado cardíaco. InfoEscola. < https://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/03/musculo-cardiaco-185476910.jpg>. Acesso em: 07 set. 2023. Figura 09_ Junções que constituem os discos intercalares. Portal UFS. < https://cesad.ufs.br/ORBI/public/uploadCatalago/10341628032012Histologia_Basica_Aula_7.pdf>. Acesso em: 07 set. 2023. 2 image3.jpeg image4.jpeg image5.png image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image1.png image2.jpeg