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Teoria geral do processo eletrônico
Prof.ª Larissa Pochmann
Descrição
Apresentação do processo eletrônico à luz da teoria geral do processo.
Propósito
Compreender o processo eletrônico à luz da teoria do processo, com a
identificação da sua contribuição para a realização do acesso à Justiça,
da celeridade processual e da identificação do diálogo das fontes na
relação entre o princípio da publicidade processual e a previsão da Lei
Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Preparação
Antes de iniciar seus estudos, leia as disposições da Lei nº 11.419/2006
e os artigos 193 a 199 do Código de Processo Civil.
Objetivos
Módulo 1
Acesso à Justiça
Identificar a contribuição do processo eletrônico para o acesso à
Justiça.
Módulo 2
Celeridade processual
Analisar a celeridade processual na prática de atos por meio
eletrônico.
Módulo 3
Publicidade processual e proteção de dados
Reconhecer os desafios do princípio da publicidade processual diante
das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Introdução
O desenvolvimento e a regulamentação do processo eletrônico
no Brasil têm como perspectivas a facilitação do acesso à
Justiça e a libertação dos entraves formais e burocráticos que
consomem boa parte do tempo e da energia na tramitação de um
processo (GRECO, 2001, p. 77).
A prática dos atos por meio eletrônico é associada, em suas
origens, à Lei nº 9.800/1999, que permitiu às partes a utilização
de sistemas de transmissão de dados para prática de atos
processuais, exigindo, porém, a protocolização dos originais.
Houve, na sequência, leis que previram a prática de atos
processuais por meio eletrônico, como, por exemplo, a Lei do
Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), a Lei dos Juizados Especiais
Federais (Lei nº 10.259/2001), a Lei nº 11.280/2006, que inseriu o

parágrafo único ao artigo 154 do Código de Processo Civil de
1973, tratando da prática e da comunicação dos atos processuais
por meio eletrônico, e a Lei nº 11.382, de 6 de dezembro de 2006,
que, entre outras alterações na execução, incluiu o artigo 655-A
no Código de Processo Civil de 1973, possibilitando que o juiz
promovesse a penhora on-line.
Porém, foi a partir da Lei nº 11.419, de 19 de dezembro de 2006,
conhecida como Lei de Informatização do Judiciário, que o tema
teve nítido destaque. A referida legislação é dividida em quatro
capítulos: I - Da informatização do processo judicial; II - Da
comunicação eletrônica dos atos processuais; III - Do processo
eletrônico; IV - Disposições gerais e finais.
Entre as suas referências, merecem destaque:
O artigo 1º, que admite a possibilidade de tramitação dos
processos judiciais por meio eletrônico;
O artigo 3º, que dispõe que o ato processual praticado por
meio eletrônico será tempestivo se praticado dentro das 24
horas do dia;
Os artigos 4º e 5º, que tratam da comunicação dos atos
processuais por meio eletrônico;
O artigo 11, que versa sobre os documentos produzidos
eletronicamente e juntados aos processos eletrônicos.
No ano de 2013, a Resolução nº 185 do Conselho Nacional de
Justiça instituiu o sistema processual judicial eletrônico (PJe)
como sistema de informações e prática dos atos processuais,
estabelecendo os parâmetros para a sua implementação e
funcionamento. A relevância do processo eletrônico foi ainda
consagrada no Código de Processo Civil de 2015, em vigor desde
18 de março de 2016.
O diploma dedicou a Seção II do Capítulo I do Livro IV à prática
eletrônica dos atos processuais - mais precisamente, os artigos
193 a 199, sendo que o artigo 194 destaca que os sistemas
informatizados devem respeitar a publicidade dos atos e o
acesso e participação das partes e procuradores. Já o artigo 195
trata do registro do ato processual praticado por meio eletrônico,
enquanto o 197 se preocupa com a transparência e a
acessibilidade.
1 - Acesso à Justiça
Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car a contribuição do processo eletrônico
para o acesso à Justiça.
Ligando os pontos
O processo eletrônico proporciona uma grande contribuição para o
acesso à Justiça ao permitir a supressão de algumas etapas
meramente burocráticas do processo por meio da utilização de
sistemas automaticamente capazes, por exemplo, de certificar o
decurso do prazo processual, reduzindo a quantidade de recursos
humanos necessária. Além disso, a tramitação eletrônica dos autos
também reduz a quantidade de impressões realizadas pelo Poder
Judiciário e a circulação de documentos em meio físico.
Além do ingresso de processos já por meio eletrônico, os Tribunais
estão concentrando seus esforços para a digitalização dos autos físicos
a fim de que eles também possam tramitar eletronicamente. É certo que
a tramitação eletrônica dos autos possui desafios, como o acesso a
equipamentos de informática e uma boa conexão de internet, a
instabilidade do sistema dos Tribunais e o risco de ataque de hackers.
Essas questões se colocam como ponto de atenção, mas não reduzem
a relevância da contribuição do processo eletrônico para o acesso à
justiça.
Dito isso, nos autos em que a empresa XYZ discute uma indenização em
face da empresa ABC, devido à complexidade da questão tratada e da
quantidade de recursos interpostos e incidentes suscitados, o processo
tramita há mais de uma década no Judiciário: de início, fisicamente; em
seguida, digitalizados.
A digitalização foi considerada muito importante pelas partes e pelos
advogados, sobretudo pelo tempo que o processo já tramita. A partir
dela, seriam permitidas a supressão de algumas etapas cartorárias,
reduzindo a quantidade de atos e o tempo do processo no cartório.
Porém, em novembro de 2020, quando o processo já tramitava
eletronicamente no Superior Tribunal de Justiça e estava para inclusão
em pauta de julgamento, o Superior Tribunal de Justiça divulgou em seu
site que, em razão de ataque cibernético, funcionaria em regime de
plantão .
O ataque cibernético deixou o site dos Tribunais fora do ar por dias para
que o sistema e a segurança pudessem ser estabelecidos e para os
advogados refletissem sobre a contribuição e, ao mesmo tempo, sobre
os desafios do processo eletrônico para o acesso à Justiça.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Como visto no case supra, o processo eletrônico inegavelmente
possui uma importante contribuição para o acesso à Justiça.
Aponte uma dessas contribuições.
A
O processo eletrônico permite que sejam
suprimidos os pronunciamentos decisórios.
Parabéns! A alternativa B está correta.
O processo eletrônico não suprime os atos decisórios nem torna
desnecessária a assistência por advogado, apenas retirando as
chamadas fases mortas do processo. Ele ainda possui um custo
menor que o processo físico. Porém, apesar de mais célere, o
processo eletrônico não possui prioridade legal de tramitação
diante do processo físico.
Questão 2
Os desafios do processo eletrônico acabam sendo superados
diante da sua relevância para a promoção do acesso à Justiça.
Como operador do direito, assinale a alternativa que retrata um dos
desafios para o processo eletrônico.
B
O processo eletrônico permite a supressão de
algumas etapas cartorárias, reduzindo a quantidade
de atos e o tempo do processo no cartório.
C
O processo eletrônico torna desnecessária a
assistência das partes por advogado, permitindo
que elas mesmas possam praticar o ato processual.
D
O processo eletrônico possui os mesmos custos do
processo físico, apenas sendo mais ágil.
E
O processo eletrônico possui prioridade legal de
tramitação diante dos autos físicos.
A
A redução da quantidade de recursos materiais e
humanos.
B A otimização das fases processuais.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Todos os demais itens tratados se revelam, na verdade, como
contribuições do processo eletrônico para o acesso à Justiça,
sendo a exclusão digital o único desafio previsto na questão, pois a
dificuldade de acesso a computadorese a equipamentos
tecnológicos, além de um bom sinal de internet, pode alijar o
cidadão da prestação jurisdicional.
Questão 3
O processo eletrônico revela-se fundamental para a manutenção
da prestação jurisdicional e a realização do acesso à Justiça. No
entanto, ainda é possível destacar que certos entraves precisam
ser superados para que a tramitação dos autos pela forma
eletrônica possa se realizar de forma mais adequada. A partir do
case, você pode apontar e comentar esses desafios?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
Dessume-se do case que um dos desafios a superar
entraves do processo eletrônico é o risco de ataques
cibernéticos, havendo o necessário reforço da atenção com
a garantia da segurança da informação, do constante
acompanhamento dos sistemas tecnológicos para evitar
C A conservação dos documentos e provas.
D
A exclusão digital, que afasta muitos cidadãos do
acesso à prestação jurisdicional.
E A celeridade processual.
instabilidades e da realização de políticas públicas de
combate à exclusão digital.
A concepção de acesso à Justiça
O acesso à Justiça não é uma preocupação recente ao longo da história
(CARNEIRO, 2007, p. 3). Esse acesso significa tanto o sistema no qual
os cidadãos buscam assegurar seus direitos como o lugar em que eles
submetem seus conflitos ao Estado (CAPPELLETTI; GARTH, 2002, p. 6).
Alguns estudos acabaram se destacando sobre o tema. Um deles é o
Projeto Florença. O projeto de pesquisa resultou em um relatório
comparativo sobre o acesso à Justiça com escala mundial; preparado
em Florença, na Itália, a partir de 1973, ele envolveu 100 experts de 27
países. Coordenada por Mauro Cappelletti em colaboração com Bryant
Garth e Nicolò Trocker, a pesquisa foi publicada em quatro volumes a
partir de 1974/1975. Apenas o último volume, que apresenta as
conclusões dela, foi traduzido para o português.
As conclusões do projeto representaram uma importante transformação
na compreensão do acesso à Justiça, sendo detectadas barreiras para
sua efetividade. Cada uma dessas barreiras foi tratada como uma onda
renovatória do acesso a ela.
A primeira onda de acesso à Justiça envolveu os
hipossuficientes. Foi constatado na pesquisa que, na maioria dos
países, a representação por um advogado era essencial - em
alguns casos, até indispensável. Entretanto, a assistência
judiciária gratuita foi constada como insuficiente, porque os
advogados mais experientes tenderiam a concentrar seu tempo
e esforços em causas que receberiam honorários, sendo a
advocacia pro bono, em geral, realizada por profissionais menos
experientes (CAPPELLETTI; GARTH, 2002, p. 24).
A segunda onda renovatória versou sobre o problema da
representação dos interesses difusos. A concepção tradicional
do processo civil não deixava espaço para a proteção dos
direitos difusos e torna latente a preocupação com uma
representatividade adequada, já que não haveria participação
individual na demanda e a noção de coisa julgada necessitava
ser redimensionada (CAPPELLETTI; GARTH, 2002, p. 50). A
pesquisa constatou que, embora seja a principal forma de
proteção dos direitos difusos e coletivos, a atuação
governamental, especialmente nos países de common law, não
tinha sido capaz de fazê-lo (CAPPELLETTI; GARTH, 2002, p. 51).
Apesar de haver grupos tutelando o interesse coletivo por meio
de advogados privados, eles não eram bem organizados em
todos os setores, havendo uma razoável organização na área
trabalhista, mas não em matéria consumerista ou para a defesa
ambiental. As class actions reduziriam os custos estatais,
embora exigissem especialização, experiência e recursos em
áreas específicas que nem todos os grupos possuíam
(CAPPELLETTI; GARTH, 2002, p. 61). Organizações de fins não
lucrativos também se constituíam para essa defesa, porém a
pesquisa atentou para a responsabilidade pelos interesses que
representam e a viabilidade a longo prazo.
Primeira onda 
Segunda onda 
Terceira onda 
A terceira onda renovatória incluiu o conjunto geral de
instituições e mecanismos, pessoas e procedimentos utilizados
para processar e prevenir disputas. Esse enfoque encorajou uma
ampla variedade de reformas, como alterações no procedimento,
mudanças na estrutura dos Tribunais, o uso de pessoas leigas ou
profissionais, assim como as modificações no direito
substantivo a fim de prevenir litígios e a utilização de
mecanismos extrajudiciais de solução deles. Reconheceu-se
ainda a necessidade de adequar o processo civil ao tipo de
litígio.
O estudo realizado teve tanta relevância que, no Brasil, nas décadas
seguintes, outras obras se consagraram ao realizar uma releitura do
acesso à Justiça. Um dos destaques é a obra do professor Paulo Cezar
Pinheiro Carneiro (2007, p. 55), que trouxe quatro pilares fundamentais:
 Proporcionalidade
A escolha a ser feita pelo julgador quando existem
dois interesses em conflito.
 Operosidade
Todos os envolvidos na atividade judicial devem
atuar de forma que se atinja o efetivo acesso à
Justiça.
 Acessibilidade
A existência de sujeitos de direito capazes de estar
em juízo, utilizando-se adequadamente o
instrumental jurídico e possibilitando a efetivação
de direitos individuais e coletivos.
Outra contribuição que se destaca é a de Rodolfo de Camargo Mancuso
(2009), que interpretou condicionantes legítimas e ilegítimas ao acesso
à Justiça ao abordar a temática da crise numérica dos processos
judiciais, com as consequentes medidas adotadas no ordenamento
nacional para a redução desse número e sugestões para um Judiciário
renovado.
Também merece destaque a contribuição de Kazuo Watanabe (2019),
cuja leitura do acesso à Justiça a vê como um acesso à ordem jurídica
justa a partir das formas não mais consideradas alternativas, e sim
adequadas à solução de conflitos. Além disso, o autor aborda temas
pertinentes, como Juizados Especiais, assistência judiciária e processo
coletivo.
O tema “acesso à Justiça”, portanto, permanece atual, permitindo
reflexões sobre sua concepção e modos de aprimoramento do atual
estado da arte. O processo eletrônico é um dos temas que se soma a
esses desdobramentos das concepções de acesso à Justiça, revelando-
se a ela indissociável, como passaremos a demonstrar.
O processo eletrônico e o acesso à
Justiça
 Utilidade
Por utilidade, entende-se que o processo deve
assegurar o resultado da demanda com o menor
sacrifício para as partes. Na esfera da tutela
coletiva, ele é concretizado pelo alcance subjetivo
da coisa julgada, a qual, se julgada procedente,
pode beneficiar toda a coletividade, não se
restringindo ao panorama típico de demandas
individuais de efeitos limitados a autor e réu.

Benefícios do processo eletrônico
Neste vídeo, a professora trata do processo eletrônico e de como o
acesso à Justiça pode ser beneficiado por esse tipo de processo.
Na atualidade, considerando o cenário globalizado, não se pode tratar
de acesso à Justiça sem as novas tecnologias. A informatização do
Poder Judiciário contribui para a realização da primeira e da terceira
ondas renovatórias de acesso a ela.
Em relação à primeira onde renovatória, nota-se a redução dos custos
processuais. O processo eletrônico permite a diminuição da quantidade
de impressões realizadas pelo Poder Judiciário e a circulação de
documentos em meio físico, otimizando o uso de recursos materiais,
além de suprimir etapas meramente burocráticas do processo graças à
utilização de sistemas automaticamente capazes de, por exemplo,
certificar o decurso do prazo processual, reduzindo a quantidade de
recursos humanos necessária.
A título de exemplo, pode-se constatar, pela previsão do artigo 1.007,
§3º, do Código de Processo Civil, que os custos do processo eletrônico
acabam sendo menores que os do processo físico. Além disso, no
eletrônico, não há a necessidade de deslocamento até o fórum para
consulta aos autos.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, em 2021, o projeto
Justiça4.0 com o objetivo de promover o acesso à Justiça por meio de
ações e iniciativas desenvolvidas para o uso colaborativo de produtos
que empregam novas tecnologias e inteligência artificial. Como medida,
destaca-se a implantação do Juízo 100% Digital nos termos das
Resoluções nº 345/2020 e 378/2021.
Outra frente de trabalho é a implantação do Balcão Virtual,
regulamentado pela Resolução nº 372/2021 do Conselho Nacional de
Justiça, com a comunicação a distância. As sustentações orais
aumentaram muito a partir das sessões telepresenciais, justamente
porque se passou a poder sustentar de qualquer lugar, sem a
necessidade do deslocamento. Um advogado que esteja no interior não
precisa mais gastar horas de deslocamento para realizar uma
sustentação oral presencial no Tribunal. Do mesmo modo, o contato e o
atendimento, durante e depois do período de pandemia, poderiam ser
estabelecidos remotamente, facilitando o acesso e propiciando
economia para as partes e os profissionais envolvidos.
Além disso, a informatização permite a desburocratização do processo
com a racionalização de procedimentos, como a anexação de minutas
em bloco, a movimentação simultânea de blocos de processo e a
aposição de assinatura eletrônica. Os espaços eletrônicos possuem
ainda alta capacidade de armazenamento, liberando o espaço físico dos
fóruns e, ao mesmo tempo, conservando as informações e as provas.
Destaca Humberto Dalla Bernardina de Pinho que:
Há uma maior celeridade, na medida
em que os atos de cartório deixam
de tomar o tempo das varas; um
menor valor de custas ou impostos,
uma vez que o processo eletrônico é
mais barato e, principalmente,
celeridade na resolução dos
conflitos.
(PINHO, 2019, p. 415)
Não se pode esquecer também que, não obstante sua inegável
contribuição ao acesso à Justiça, o processo eletrônico é permeado de
desafios. Um deles é o da instabilidade do sistema, que, como todo e
qualquer programa informático, pode ter momentos de instabilidade.
Esses momentos, em geral, não costumam durar muito: dependendo do
tempo de duração, podem gerar a suspensão dos prazos processuais no
dia em que houve a instabilidade, de forma a não prejudicar o
jurisdicionado. Quando as instabilidades do sistema acabaram sendo
muito frequentes, durante o primeiro semestre de 2022, no Tribunal de
Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), a OABRJ anunciou que se
dirigiria ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na tentativa de reverter
as que ocorreram no sistema de peticionamento eletrônico a fim de
assegurar a realização da prestação jurisdicional.
Outro desafio refere-se à segurança dos atos praticados por meio
eletrônico e à autenticidade dos documentos apresentados, apesar de
esse tema ser acompanhado pelo Conselho Tribunal de Justiça e pelos
próprios Tribunais.
Exemplo
Alguns Tribunais pátrios já sofreram ataques de hackers. O site do
Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou alguns dias fora do ar a partir
de 4 de novembro de 2020. O Tribunal, porém, não deixou de realizar a
prestação jurisdicional por meio do regime de plantão (STJ, 2020). O
reforço da segurança de informações digitais precisa ser tratado como
prioridade, pois há muitas informações disponíveis eletronicamente. O
ataque cibernético, além de dificultar a realização da prestação
jurisdicional, pode deixar muitas informações relevantes expostas.
Por fim, mas não menos importante, não se pode esquecer da exclusão
digital, já que muitos jurisdicionados não possuem um computador ou
acesso à internet. Sobre o tema, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
editou a Resolução nº 101, de 2021, prevendo algumas medidas para a
garantia do acesso à Justiça aos excluídos digitais.
Entre tais medidas, destaca-se a recomendação aos Tribunais
brasileiros de disponibilizar em suas unidades físicas pelo menos um
servidor em regime de trabalho presencial durante o horário de
expediente regimental, ainda que acumulando funções, para o
atendimento aos excluídos digitais a fim de garantir o amplo acesso à
Justiça, efetuando o encaminhamento digital dos eventuais
requerimentos formulados.
Os desafios trazidos pelo processo eletrônico, em suma, apontam a
necessidade de reflexão sobre o tema, mas não reduzem a sua grande
relevância no acesso à Justiça.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O acesso à Justiça é uma das mais antigas preocupações da
humanidade, sendo objeto de constante e intenso debate no país.
Uma de suas obras mais lembradas é a intitulada Acesso à Justiça,
traduzido apenas em seu último volume, que apresenta a conclusão
das pesquisas para o português. A partir dos estudos
desenvolvidos no Brasil sobre o tema do acesso à Justiça, assinale
a alternativa correta.
A
Os estudos sobre o acesso à Justiça no Brasil
apenas começam a se refletir a partir do final da
década de 1990, estando concentrados na
insuficiência de um processo estritamente
individual.
B
A gratuidade de justiça foi o único tema objeto de
apreciação e acompanhamento para o acesso à
Parabéns! A alternativa C está correta.
A alternativa A está equivocada, pois os estudos de acesso à
Justiça já existiam antes no país, permanecendo aqui como uma
preocupação constante. Já a B está incorreta, porque a gratuidade
de justiça foi apenas uma das concepções, mas não a única. A D
está equivocada, pois passou-se a tratar não apenas de acesso à
Justiça como de acesso a uma ordem jurídica justa. Por fim, a E
está incorreta, pois o acesso à Justiça e à ordem jurídica justa e os
métodos adequados de solução de conflitos são objeto de estudo
do direito processual.
Questão 2
O processo eletrônico é um dos temas que se soma a esses
desdobramentos das concepções de acesso à Justiça. Sua
contribuição para o acesso a ela se revela mais latente sobretudo a
partir da primeira e da terceira ondas renovatórias identificadas no
Projeto Florença. Marque a alternativa que pode ser identificada
como uma das contribuições do processo eletrônico para o acesso
à Justiça.
Justiça.
C
O acesso à Justiça se mostrou como uma
preocupação constante também na realidade
brasileira, envolvendo a análise dos custos
processuais e da gratuidade de justiça, a
insuficiência de um processo estritamente individual
e as formas de solução de conflitos.
D
O procedimento judicial é uma preocupação do
acesso à Justiça, mas os métodos de solução de
conflitos, por serem alternativos à jurisdição,
acabaram alijados desse estudo.
E
O acesso à Justiça deve ser lido como sinônimo de
acesso ao Judiciário, sendo as demais um conflito
tratado à parte do estudo do direito processual.
Parabéns! A alternativa E está correta.
Apenas a alternativa E reflete a contribuição do processo eletrônico
para o acesso à Justiça. Na A, o equívoco está no fato de que o
processo eletrônico representa uma redução dos custos. Já as
alternativas B, C e D são desafios do processo eletrônico – e não
uma contribuição.
A
A existência de custos específicos
independentemente de seu valor, que pode ser até
mesmo maior que o do processo físico.
B O risco de instabilidade dos sistemas processuais.
C
A exigência de um bom sinal de internet e de
equipamentos de informática modernos.
D
A necessidade de segurança nos sistemas
eletrônicos para evitar o ataque de hackers.
E
A redução da quantidade de recursos materiais e
humanos.
2 - Celeridade processual
Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar a celeridade processual na prática de atos
por meio eletrônico.
Ligando os pontos
Em notícia vinculada no site do Tribunal de Justiça do Estado do
Amazonas, a desembargadora Célia Regina de Lima Pinheiro declarou o
seguinte: “Tenho convicção de que a Justiça Digital permite um
progressivo diálogo entre os ambientes real e virtual para a gestão da
governança e dos processos, fortalecendo a transparência do Poder
Judiciário e fomentando a aproximação para com o cidadão. Todas
essas conquistas exigem o comprometimentoainda maior de cada um
de nós para atingirmos o único objetivo: otimizar a prestação
jurisdicional à sociedade”.
Apresentação do trabalho realizado pelo Judiciário Estadual em relação ao programa do CNJ
Justiça 4.0.
O Tribunal de Justiça do Maranhão foi um dos primeiros do país a
implementar o Juízo 100% Digital nos termos das resoluções nº
345/2020 e 378/2021, uma opção do jurisdicionado que alia o processo
eletrônico a todos os atos processuais praticados exclusivamente por
meio eletrônico, inclusive as audiências. Com isso, a citação, a
notificação e a intimação poderão ser feitas por qualquer meio
eletrônico, enquanto as audiências e sessões de julgamento ocorrerão
exclusivamente por videoconferência, bem como o atendimento a
jurisdicionados e advogados, sem qualquer restrição de matéria.
É importante ressaltar que a prática dos atos processuais já era
contemplada em nosso ordenamento, sendo total ou parcialmente
regulamentada primariamente pelo Conselho Nacional de Justiça e
supletivamente pelos Tribunais, os quais ainda precisam manter
gratuitamente à disposição dos interessados os equipamentos
necessários tanto à prática de atos processuais quanto à consulta e ao
acesso ao sistema e aos documentos dele constantes.
O Juízo 100% Digital será um grande avanço para a tramitação dos
processos e vai propiciar mais celeridade por meio do uso da
tecnologia, evitando os atrasos decorrentes da prática de atos físicos ou
que exijam a presença das partes nos fóruns.
Diante disso, José, residente nos Estados Unidos, mas já com planos de
retorno ao Brasil diante de uma nova oportunidade de emprego, ajuíza
uma ação de guarda e visitação para que Maria, mãe que reside no
Maranhão com o menor J., absolutamente incapaz, não mais impeça a
visita dele ao incapaz após o retorno ao país. Apesar de José residir fora
do Brasil e de a genitora trabalhar durante todo o dia, não tendo tempo
de se deslocar ao fórum, as partes manifestaram desinteresse na
tramitação dos autos em um Juízo 100% Digital do Tribunal de Justiça
do Maranhão por desconhecerem do que se tratava.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Conquanto o processo 100% digital fosse ideal para as partes
processuais do case, pois, entre os seus benefícios, destacam-se o
acesso à Justiça e a celeridade processual, José e Maria recusaram
a tramitação dos autos em um Juízo 100% Digital do Tribunal de
Justiça do Maranhão. Diante disso, assinale a alternativa correta:
A
Onde estiver disponível o Juízo 100% Digital, sua
utilização será obrigatória.
B
Direito de família, direito previdenciário e questões
trabalhistas não podem tramitar em um Juízo 100%
Digital.
C
No Juízo 100% Digital, todos os atos serão
realizados de forma eletrônica e as audiências e
sessões de julgamento, por videoconferência.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Na alternativa A, trata-se de utilização não obrigatória, e sim fruto
da manifestação da vontade das partes. Na B, não há qualquer
vedação à tramitação em Juízos 100% Digitais. Na D, o atendimento
será feito também de forma eletrônica, assim como na alternativa E
a comunicação dos atos processuais se realizará de forma
eletrônica.
Questão 2
Sobre o advento e a prática dos atos processuais no Juízo 100%
Digital, assinale, a partir do case, a alternativa correta.
D
No juízo 100% Digital, o atendimento ao
jurisdicionado será exclusivamente presencial.
E
A comunicação dos atos processuais se realizará
presencialmente para assegurar a efetiva ciência.
A
O Juízo 100% Digital é uma iniciativa da presidência
de cada Tribunal, não sendo o tema tratado pelo
Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
B
O Juízo 100% Digital pode ter, quando necessário, a
prática de atos integralmente presenciais.
C
O Juízo 100% Digital é previsto nas resoluções nº
345/2020 e 378/2021 como uma opção do
jurisdicionado.
D
O Juízo 100% Digital foi a primeira disposição
brasileira sobre a prática dos atos processuais por
meio eletrônico.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A alternativa A está incorreta, porque o tema foi regulamentado
pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e está sendo
implementado por cada Tribunal. A B está errada, pois a prática dos
atos será por meio eletrônico. A D está incorreta por haver
disposições anteriores sobre processo eletrônico. Já a alternativa E
está equivocada, uma vez que a prática dos atos processuais
integralmente de forma eletrônica reduzirá ou eliminará etapas
meramente burocráticas do processo, contribuindo para a
celeridade processual.
Questão 3
A partir do caso envolvendo o direito de família no Tribunal de
Justiça do Estado do Maranhão, reflita sobre o que é o Juízo
100% Digital e responda como ele poderia contribuir com a
duração razoável do processo.
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, em 2021, o
projeto Justiça 4.0, cujo objetivo é promover o acesso à
Justiça por meio de ações e iniciativas desenvolvidas para
o uso colaborativo de produtos que empregam novas
tecnologias e inteligência artificial, sem qualquer restrição
de matéria. O propósito é que, como uma opção das partes,
os autos possam tramitar integralmente e ter todos os atos
processuais praticados por meio eletrônico. Deve ser,
portanto, trazida a perspectiva de que as novas tecnologias
reduzem o tempo de prática dos atos processuais,
suprimindo etapas antes meramente cartorárias e
proporcionando uma maior celeridade aos processos.
E O Juízo 100% Digital pode representar um
retrocesso para a celeridade processual.
A duração razoável do processo
A garantia fundamental da duração razoável do processo, insculpida, a
partir da Emenda nº 45/2004, no artigo 5º, inciso LXXVIII, da
Constituição Federal, se trata de um tema que não é recente nem
peculiar ao cenário brasileiro. Na verdade, ela assume uma inegável
relevância diante da vultosa atuação do Poder Judiciário para a tutela
dos direitos fundamentais e implementação de políticas públicas. Para
isso, primeiramente é preciso compreender o conteúdo da chamada
duração razoável do processo.
Em inúmeros julgamentos proferidos pelo Tribunal Europeu de Direitos
Humanos (TEDH) sobre o tema, foram estabelecidos alguns critérios
objetivos utilizados para a determinação da duração razoável do
processo, mediante o cotejo com as particularidades do caso concreto,
a fim de evitar dilações indevidas - notadamente, incidentes processuais
totalmente impertinentes e irrelevantes. Isso ocorreu, por exemplo, nos
seguintes casos: König, de 10/03/1980; Bucholz, de 06/05/1981; Eckle,
de 15/07/1982; Corigliano, de 10/12/1982; Pretto, de 08/12/1983;
Zimmermann-Steiner, de 13/07/1983; Lechner e Hess, de 23/04/1987;
Capuano, de 25/06/1987; Baggetta, de 25/06/1987; Milasi, de
25/06/1987; Sanders, de 07/07/1990; Moreiras de Azevedo, de
23/10/1990; e Vernillo, de 20/02/1991 (TUCCI, 1997, p. 68).
Os critérios estabelecidos pelo TEDH foram:
 A complexidade do litígio
A complexidade da causa a justificar um eventual
prolongamento do processo pode se dar nos casos
de pluralidade das partes em razão da cumulação
de pedidos, de litisconsórcios multitudinários, por
ser decorrente da produção probatória (critério
fático) ou em virtude da natureza da questão
debatida (critério jurídico) (BERALDO, 2010, p. 39-
40). Determinadas causas, a depender de sua
complexidade, exigem uma análise mais detida do
Poder Judiciário, isto é, um tempo maior para a
tramitação dos processos do que outras.
 A conduta pessoal da parte lesada
A conduta pessoal da parte lesada significa que as
próprias partes, por meio de uma atuação
protelatória, graças à provocação de incidentes
dilatórios ou com a interposição de sucessivos
recursos, bem como aquela que, por falta de
diligência, não contribuiu para o seu andamento
(GRECO, 2005, p. 242), podem comprometer a
duração razoável do processo.
 A condutadas autoridades envolvidas no
processo
Quanto ao critério da conduta das autoridades
competentes, cabe ao Estado organizar a estrutura
judiciária de forma a permitir uma duração razoável
dos processos. Verifica-se se as autoridades
tomaram medidas apropriadas para gerenciar
acúmulo temporário e imprevisível de processos.
Em caso positivo, o maior tempo de processamento
de alguns casos pode ser justificado.
O processo eletrônico e a duração
razoável do processo
A garantia da duração razoável
Neste vídeo, a professora discorre sobre como a garantia da duração
razoável do processo pode ser promovida pelo uso do processo
eletrônico.
O processo eletrônico já é uma realidade presente em todos os estados
do país e deve tornar-se, dentro de poucos anos, a principal porta de
acesso ao Poder Judiciário. Basta consultar que, segundo dados do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ) disponibilizados em 2020 (com
base no ano de 2019), neste último ano, 88% dos processos que
ingressaram no Judiciário brasileiro foram por intermédio da via
eletrônica (CNJ, 2020).
O processo eletrônico, por sua vez, se enquadra na terceira onda.
Demonstrando esse enquadramento, é possível observar que, em seus
 O interesse em jogo para o demandante da
indenização
Analisam-se também as peculiaridades do caso
concreto, uma vez que algumas questões
necessitam de uma prestação jurisdicional mais
célere, tais como aquelas que envolvem réu preso,
alimentos e saúde.

dispositivos, a Lei nº 11.419/2006 proporcionou ao processo, por meio
do procedimento eletrônico e de suas peculiaridades, um grande
avanço.
Os processos eletrônicos eliminam inúmeras tarefas processuais que
ainda são realizadas manualmente, diminuindo a morosidade e a
demora. Eles permitem que os atos processuais sejam gerados e
registrados automaticamente em ordem cronológica dos
acontecimentos do processo. Os documentos que integram o processo,
como a petição inicial, petições em geral, contestação, despachos,
decisões interlocutórias, sentenças e acórdãos, também são produzidos
eletronicamente e armazenados em um banco de dados desenvolvido
para essa finalidade.
As sessões por videoconferência permitem que a prestação jurisdicional
não pare, mesmo com a impossibilidade de deslocamento até o local do
julgamento. Assim, toda a tramitação do processo ocorre por meio
virtual, desde a distribuição até o cumprimento da sentença.
Ademais, o registro de ato processual eletrônico
deverá ser feito em padrões abertos, ou seja, o sistema
usado não pode ter custo ou forma de limitação ao
uso.
Essas possibilidades são reforçadas pela Lei nº 11.419/2006 (Lei do
Processo Eletrônico). O art. 3º, parágrafo único, permite o protocolo das
petições até as 24 horas do último dia do prazo. Segundo Humberto
Dalla Bernardina de Pinho, “com a nova sistemática os advogados não
ficam mais restritos ao horário de fechamento do setor de protocolo,
podendo aproveitar ao máximo o último dia de prazo” (PINHO, 2019, p.
410). No mesmo sentido, o art. 10 dessa lei permite a distribuição e o
protocolo automático nos autos do processo sem a intervenção do
cartorário e da secretaria judicial.
As citações, inclusive da Fazenda Pública, conforme artigo 6º da Lei nº
11.419, podem ocorrer de forma eletrônica, bem como as intimações,
segundo artigo 5º da mesma lei, e as cartas como atos de cooperação
entre juízos, de acordo com o artigo 7º. Não há a necessidade de
repositório físico dos autos, podendo o processamento da ação judicial
ter todo o seu processamento eletrônico, de forma mais célere, nos
termos do artigo 8º da Lei nº 11.419.
Às contribuições do processo eletrônico para a celeridade processual
somam-se a utilização da inteligência artificial, que aumenta a
produtividade dos Tribunais e reduz o tempo para que as decisões
judiciais sejam proferidas, e a jurimetria.
Em relação à inteligência artificial, merece especial destaque o
Programa Justiça 4.0, que objetiva a promoção do acesso à Justiça por
meio de ações e projetos desenvolvidos para o uso de inteligência
artificial e novas tecnologias.
O programa divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça se calca nas
seguintes ações e projetos:
Implantação do Juízo 100% Digital.
Projeto da Plataforma Digital do Poder Judiciário (PDPJ), com
possibilidade de ampliar o grau de automação do processo
judicial eletrônico e o uso de inteligência artificial (IA).
Auxílio aos Tribunais no processo de aprimoramento dos
registros processuais primários, consolidação, implantação,
tutoria, treinamento, higienização e publicização da Base de
Dados Processuais do Poder Judiciário (DataJud), visando a
contribuir com o cumprimento da Resolução CNJ nº 331/2020.
Colaboração para a implantação do sistema Codex, que tem
duas funções principais: alimentar o DataJud de forma
automatizada e transformar em texto puro decisões e petições
para que possa ser utilizado como insumo de modelo de
inteligência artificial.
Desenvolvimento de ferramenta de pesquisa e recuperação de
ativos (Sniper) para fornecer subsídios a magistrados e
servidores que favoreçam a diminuição do acervo e do
congestionamento processual na fase de execução, facilitando
a compreensão de crimes que envolvem sistemas financeiros
complexos, como corrupção e lavagem de dinheiro.
Desenvolvimento de um novo Sistema Nacional de Bens
Apreendidos (SNBA) que possibilite não apenas o
cadastramento dos bens, mas também sua gestão e
destinação pelo Poder Judiciário.
O programa é de extrema relevância para o Poder Judiciário. Sua
contribuição envolve:
Desenvolver e utilizar tecnologias disruptivas para aperfeiçoar os
serviços prestados à sociedade.
Inovação no Poder Judiciário 
Eficiência 
Automatizar atividades dos órgãos de Justiça, aproveitando
melhor os recursos humanos e materiais, fomentando a
produtividade, reduzindo despesas e agilizando a prestação de
serviços.
Extrair, gerenciar e armazenar dados de Tribunais de todo o país,
apoiando a implementação de políticas judiciais efetivas com
base em evidências.
Disponibilizar plataformas nacionais que os Tribunais podem
usar para compartilhar soluções tecnológicas, adaptá-las a suas
necessidades e evitar iniciativas duplicadas para as mesmas
demandas.
Consolidar uma política nacional para a gestão do processo
judicial eletrônico e viabilizar o compartilhamento de sistemas
entre os Tribunais.
Divulgar dados e informações em painéis completos, acessíveis
e fáceis de usar tanto pelos órgãos de Justiça como pela
sociedade como um todo.
Já a jurimetria é a estatística aplicada ao direito e pode ser brevemente
exposta a partir dos serviços de levantamento e processamento de
dados, operando nos escritórios de aplicativos e softwares que medem
a taxa de sucesso de uma demanda como suporte para as opções a
serem tomadas diante de conflitos. Esse serviço poderá ser muito útil
Inteligência 
Colaboração 
Integração 
Transparência 
para promover o incremento de soluções consensuais, evitando a
judicialização.
Consequentemente, temas sem chance de êxito sequer ingressariam no
Poder Judiciário, permitindo que a prestação jurisdicional pudesse se
concentrar de forma mais adequada aos casos ali existentes. Sintetiza
Humberto Dalla Bernardina de Pinho que o processo eletrônico:
É o processo compatível com o
princípio da celeridade a
informatização processual, não só
no ideal de acelerar as decisões
feitas, respeitando-se a duração
razoável do processo, mas também
em proveito da solução de ações
que se multiplicaram em razão de
novas tecnologias que geram novas
questões e novos direitos a serem
enfrentados pela sociedade como
um todo.
(PINHO, 2019, p. 407)
A implementação de novas tecnologias no Poder Judiciário pode trazer
uma contribuição ainda maior para a redução do tempo gasto na prática
dos atos processuais, além de retirar algumas fases cartorárias, que
passam a ser realizadas diretamente pelo sistema de forma mais célere.
Falta poucopara atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(Procuradoria Geral do Estado de Rondônia (PGE-RO) - procurador
do Estado - 2022) Com relação ao processo judicial eletrônico e às
normativas constantes na Lei nº 11.419/2006 e no Código de
Processo Civil de 2015, assinale a opção correta.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Na alternativa A, Fazenda Pública também pode ter a comunicação
dos atos pelo meio eletrônico. Na B, não se retira a competência
supletiva dos Tribunais; na C, não há inviabilidade. Na E, não ocorre
a vedação aos atos judiciais e administrativos.
Questão 2
A
No processo judicial eletrônico, todas as citações,
intimações e notificações, exceto as da Fazenda
Pública, deverão ser feitas por meio eletrônico, na
forma da lei.
B
A regulamentação dos atos processuais eletrônicos
fica a cargo do Conselho Nacional de Justiça,
retirando-se, assim, a competência supletiva dos
Tribunais para sua regulamentação.
C
A digitalização de documentos de grande volume
torna-se inviável às vezes; por isso, eles poderão ser
apresentados em cartório no prazo de 15 dias a
contar de envio de petição que comunique o fato.
D
A publicação eletrônica, desde que feita na forma da
lei, substitui outros meios de publicação oficial,
exceto os casos em que a lei exige intimação
pessoal.
E
Aos Tribunais é lícita a criação de um diário
eletrônico para a publicação de comunicações em
geral, sendo vedada a publicação de atos judiciais e
administrativos.
(Prefeitura Municipal de Bauru - procurador jurídico - 2018) O ato
processual pode assim ser definido como toda manifestação de
vontade praticada no processo, seja lá por qual participante da
relação jurídica processual (autor, réu, juiz, perito, escrevente etc.),
necessariamente previsto ou permitido pelo procedimento, sob o
qual corre determinada ação. O Código de Processo Civil de 2015
regulamenta a prática eletrônica dos atos processuais nos
seguintes termos:
Parabéns! A alternativa A está correta.
A alternativa B está incorreta, porque os atos podem ser praticados
total ou parcialmente de forma digital. A C está errada, pois os
padrões devem ser abertos, ou seja, o sistema usado não pode ter
custo ou forma de limitação ao uso. A D está incorreta, já que a
regulamentação primária é do Conselho Nacional de Justiça e
A
as unidades do Poder Judiciário deverão manter
gratuitamente, à disposição dos interessados,
equipamentos necessários à prática de atos
processuais e à consulta e ao acesso ao sistema e
aos documentos dele constantes.
B
Os atos processuais não podem ser realizados de
forma parcialmente digital.
C
O registro de ato processual eletrônico deverá ser
feito em padrões abertos ou fechados que
atenderão aos requisitos de autenticidade,
observada a infraestrutura de chaves públicas,
estadual ou regional.
D
Compete aos Tribunais, de forma primária,
regulamentar a prática e a comunicação oficial de
atos processuais por meio eletrônico.
E
As unidades do Poder Judiciário assegurarão aos
idosos acessibilidade à comunicação eletrônica dos
atos processuais.
supletiva dos Tribunais. Já a alternativa E prevê apenas idosos
quando a eles não se restringe.
3 - Publicidade processual e proteção de dados
Ao �m deste módulo, você será capaz de reconhecer os desa�os do princípio da publicidade
processual diante das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Ligando os pontos
Em seu artigo 93, inciso IX, a Constituição prevê como regra a
publicidade dos atos processuais. O segredo de justiça é medida
excepcional, sendo tratada, para os atos processuais civis, de acordo
com as seguintes hipóteses do artigo 189 do Código de Processo Civil:
que exigem o interesse público ou social; que versam sobre casamento,
separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação,
alimentos e guarda de crianças e adolescentes; em que constam dados
protegidos pelo direito constitucional à intimidade e que versam sobre
arbitragem, inclusive sobre o cumprimento de carta arbitral, desde que a
confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o
juízo.
Porém, com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), seria
necessário dispor que dados que constam do processo judicial e que
informações não devem ser expostas de forma desnecessária.
Lembrou-se a necessidade de decidir a partir de dados que merecem
proteção para preservação da intimidade de seu titular em um diálogo
das fontes à luz das disposições da Lei Geral de Proteção de Dados
(LGPD), não deixando expostos dados que pudessem causar
constrangimentos.
Nesse contexto, o condomínio do Edifício Vale Feliz, devidamente
representado por seu síndico, ajuizou ação em face de um de seus
condôminos em virtude de débitos condominiais. Devido à grande
quantidade de inadimplentes, o condomínio requereu a gratuidade de
justiça, vindo o juiz a proferir despacho determinando a documentação
comprobatória da hipossuficiência, já que ela não seria presumível no
caso.
A parte autora juntou extratos de conta corrente aos autos, além de
balanços do condomínio e a relação de condôminos inadimplentes, com
o valor das dívidas. Requereu ainda o segredo de justiça com base na
LGPD e no direito à privacidade para que fosse apreciada a gratuidade
de justiça. Fundamentou ela que, mesmo tratando-se de processo
eletrônico, seria possível a obtenção de senha com acesso a
informações que envolvem dados do condomínio e de terceiros.
A parte contrária imediatamente se manifestou contrariamente ao
segredo de justiça, vindo os autos para a conclusão do magistrado, que
precisou examinar tanto as disposições sobre o princípio da publicidade
e a excepcionalidade do segredo de justiça como as disposições da
LGPD para poder decidir a questão.
Em seu gabinete, o juiz precisa tomar uma decisão.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Vamos
ligar esses pontos?
Questão 1
Depois de ler o case, é legítimo o entretecer do caráter público dos
atos processuais e o direito à privacidade das partes. Nessa senda,
a Constituição prevê como regra a publicidade dos atos
processuais, contemplando o artigo 189 do Código de Processo
Civil hipóteses excepcionais em que os atos processuais serão
praticados em segredo de justiça. Sobre o tema, assinale a
alternativa correta.
A
Atos que versem sobre arbitragem, inclusive sobre
cumprimento de carta arbitral, desde que a
confidencialidade estipulada na arbitragem seja
comprovada perante o juízo.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Trata-se de previsão legal do artigo 189 do Código de Processo
Civil, que prevê como regra a publicidade dos atos processuais e a
exceção ser o segredo de justiça, sendo a alternativa A a única
hipótese contemplada nesse dispositivo - mais precisamente, no
artigo 189, inciso IV, do CPC. Os atos que envolvem o Poder Público,
como previsto na alternativa B, não necessariamente tramitarão em
segredo de justiça. A C é equivocada ao generalizar que todo
processo que tem como parte autora um incapaz tramitará em
segredo de justiça. A D também está errada, já que a execução
fiscal não é, por isso, uma hipótese de segredo de justiça. A
alternativa E está incorreta, porque não é qualquer situação que
envolva arbitragem, e sim caso a confidencialidade esteja
estipulada nela.
Questão 2
Em relação às disposições da Lei de Proteção de Dados e diante do
princípio da publicidade processual, você, como estudioso do
Direito, pode afirmar que:
B Todos os atos que estiverem envolvidos no setor
público.
C Todos os processos em que o incapaz for autor.
D Aqueles atos que versarem sobre execução fiscal.
E Qualquer situação que envolva a arbitragem.
A
a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trouxe o
segredo de justiça como regra no direito processual.
B
a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não se
aplica aos processos judiciais.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A partir da previsãoda LGPD, a publicidade continuou sendo a regra
e o segredo de justiça, excepcional, devendo-se, em um diálogo das
fontes, evitar a exposições de informações desnecessárias e que
possam comprometer/constranger a pessoa.
Questão 3
A partir do caso exposto, considere que a parte autora formulou
um requerimento em juízo para a concessão de segredo de
justiça, com base na previsão da Lei Geral de Proteção de Dados
(LGPD), alegando o direito à privacidade e à intimidade. O
requerimento foi realizado após a juntada de extratos de conta
corrente aos autos, além de balanços e listas com nomes de
devedores, para demonstrar que essa parte não possui condições
de arcar com as custas processuais.
Como o juiz deve decidir a concessão do segredo de justiça a
partir da juntada desses documentos diante das previsões da
LGPD?
Digite sua resposta aqui
Chave de resposta
C
o segredo de justiça deve ser considerado diante do
diálogo das fontes, tendo-se a cautela de não expor
informações desnecessárias e que possam
comprometer/constranger a pessoa.
D
a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trouxe a
previsão de que os dados das partes não devem
mais constar na petição inicial.
E
a partir da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD),
as hipóteses de segredo de justiça passarão a
abranger todas as informações dos autos.
Nesse caso, a regra deve ser a publicidade e a
excepcionalidade, o segredo de justiça, justamente a partir
de dados que merecem proteção para a preservação da
intimidade de seu titular em um diálogo das fontes à luz das
disposições da LGPD.
O princípio da publicidade processual
O princípio da publicidade processual tem sua previsão no artigo 10 da
Declaração Universal dos Direitos do Homem e no artigo 5º, inciso LX,
da Constituição, sendo que a última disposição prevê que a regra é a
publicidade e que a exceção ocorre nos casos em que o decoro, o zelo
pela privacidade ou o interesse social aconselhe que eles não sejam
divulgados, conforme dispõe o artigo 189, parágrafo único, do Código de
Processo Civil, bem como os artigos 483 e 792, §1º, do Código de
Processo Penal. Lembram Cândido Rangel Dinamarco, Gustavo Badaró
e Bruno Lopes:
O princípio da publicidade do
processo constitui uma preciosa
garantia do indivíduo no tocante ao
exercício da jurisdição. A presença
do público nas audiências e a
possibilidade do exame dos autos
por qualquer pessoa representam o
mais seguro instrumento de
fiscalização popular sobre a obra
dos magistrados, promotores
públicos e advogados. Em última
análise, o povo é o juiz dos juízes.
(DINAMARCO; BADARÓ; LOPES, 2020, p. 96)
No processo eletrônico, o artigo 4º da lei nº 11.419/2006 permitiu que
os tribunais criassem diários eletrônicos para a publicação de atos
judiciais e administrativos a fim de garantir a publicidade dos atos.
Porém, conforme previsão do parágrafo 1º, art. 12, da Lei 11.419/2006,
o sistema processual eletrônico deveria estar protegido do modo mais
eficaz, garantindo a sua integridade e a preservação da intimidade das
partes e dos dados ali expostos, principalmente nos casos de segredo
de justiça.
Inicialmente, destaca-se que, em um processo eletrônico, há um aspecto
importante:
O risco de invasão do sistema eletrônico por hackers,
possibilidade ainda mais presente quando já existe,
sobretudo a partir da Lei nº 13.709/2018, uma
preocupação com o estabelecimento de uma cultura
de privacidade e proteção de dados.
Nesse tema, é importante o reforço na segurança das informações
digitais para evitar que as bases de dados dos Tribunais possam estar
suscetíveis à atuação dos invasores e que, por consequência, os
serviços prestados para advogados e cidadãos tornem-se inacessíveis
por vários dias, atrasando e adiando a abordada celeridade do processo
judicial eletrônico.
Outro aspecto que merece destaque na publicidade processual no
processo eletrônico é o artigo 11, §6º, da Lei nº 11.419/2006. Em sua
redação original, o dispositivo previa que o acesso aos documentos
juntados por meio eletrônico somente estaria disponível às partes e ao
Ministério Público, respeitado o disposto em lei para as situações de
sigilo e de segredo de justiça.
Aqui surgiu o debate sobre a publicidade (PINHO, 2019, p. 423), já que,
como regra, há o conhecimento público dos atos praticados pelo Poder
Judiciário de forma mais ampla, sendo disponibilizadas todas as etapas
do processo. No entanto, o acesso aos documentos ficaria restrito às
partes, aos seus procuradores e ao Ministério Público, além, é claro, de
juízes e serventuários.
Atenção!
Em relação ao acesso do advogado, é importante destacar o que foi
definido no Procedimento de Controle Administrativo nº 0000547-
84.2011.2.00.0000 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a partir da
análise do Provimento nº 89/2010 do Tribunal Regional Federal da
Segunda Região: salvo em casos de sigilo ou segredo de justiça, os
advogados já credenciados no Tribunal devem ter acesso a quaisquer
autos que tramitem eletronicamente.
Em 2019, a Lei nº 13.793 modificou o §6º do artigo 11 da Lei nº
11.419/2006, além de acrescentar o §13 ao artigo 7º da Lei nº
8.906/1994 e o §5º ao artigo 107 do Código de Processo Civil para
permitir o acesso de qualquer advogado aos atos praticados em
processo eletrônico, ressalvados os casos de segredo de justiça, que só
podem ser consultados pelo advogado com procuração nos autos. Em
relação aos terceiros, o acesso aos autos que tramitem eletronicamente
é possível mediante requerimento. Isso é possível graças à criação de
uma chave para acesso a terceiros, que passariam, caso seja criada
essa chave, a visualizar o teor da documentação.
Sobre a redação do artigo 11, §6º, da Lei nº 11.419/2006, Humberto
Dalla Bernardina de Pinho defende que:
O que deve ser público são os atos,
as partes que compõem a lide, o
tipo de ação, para que surtam os
efeitos de fiscalização dos atos pela
sociedade, além de resguardar os
possíveis credores etc.
Quando há publicidade irrestrita das
peças que compõem os autos, viola-
se o direito do indivíduo de
resguarda documentos que digam
respeito à sua intimidade e vida
privada. Exemplificamos: o
contracheque, os exames médicos,
as ligações telefônicas numa
discussão sobre valores cobrados
excessivamente por determinada
operadora, entre tantos outros
documentos não muito difíceis de
enumerar no nosso cotidiano.
(PINHO, 2019, p. 423)
Ainda sobre essa disposição, complementa Oscar Valente Cardoso que
“buscava-se, com isso, evitar a exposição ampla de dados pessoais
(número de CPF, endereço, e-mail, número de telefone, íntegra do
contrato ou do processo administrativo, conteúdo do depoimento das
partes e de testemunhas, valor de honorários periciais etc.) na rede
mundial de computadores” (CARDOSO, 2021, p. 82).
Porém, quando se trata de publicidade processual, desde o ano de 2018
mencionam-se também as repercussões da Lei Geral de Proteção de
Dados (LGPD).
A Lei Geral de Proteção de Dados
(LGPD)
Publicidade do processo e proteção
de dados
Neste vídeo, a professora explica os impactos da proteção de dados
pessoais sobre a garantia constitucional da publicidade do processo.

Na publicidade como regra, o sigilo integral dos autos, quando exigido
para a proteção do interesse público, do interesse social ou da
intimidade, excepcionalmente impõe a vedação inclusive da divulgação
da existência do processo, da identificação das partes e de quaisquer
atos nele praticados ou o sigilo parcial dos autos apenas para um ou
alguns determinados atos do processo. A Lei Geral de Proteção de
Dados (LGPD), Lei nº 13.709/2018, acrescenta o sigilo parcial do ato
processual, ou seja, ainda que determinado ato seja público (por
exemplo, a sessão de julgamento) ou que não exista a decretação de
segredo de justiça total ou parcial, os dados pessoais sensíveis das
partes não podem ser divulgados.
Oscar Valente Cardoso exemplifica que:
Em um processo previdenciário de
auxílio-doença, a versão pública dasentença (na movimentação
processual, no site do tribunal ou
em outro mecanismo de pesquisa)
deve ocultar qualquer menção às
doenças alegadas pela parte autora,
referência ou eventual citação da
perícia judicial (e suas conclusões),
entre outros dados relacionados à
saúde da parte.
(CARDOSO, 2021, p. 87)
Dânton Zanetti (2021) inclusive relata que, desde a entrada em vigor da
Lei de Proteção de Dados (LGPD), os requerimentos de segredo de
justiça passaram a se amparar nessa legislação justamente a partir de
dados que, com base no artigo 5º, inciso I, da LGPD, merecem proteção
para a preservação da intimidade de seu titular sem que, para isso, eles
sejam requeridos apenas com base nos mais íntimos (MENDES, 2020, p.
381).
Sobre a proteção de dados, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
editou a Recomendação nº 73/2020, que recomenda aos órgãos do
Poder Judiciário brasileiro a adoção de medidas preparatórias e ações
iniciais para uma adequação às disposições contidas na LGPD, e a
Resolução nº 363/2021, que estabelece as medidas para o processo de
adequação à LGPD a serem adotadas pelos Tribunais. Desse modo,
“cada Tribunal deverá ter o cuidado de não expor informações
desnecessárias e que possam comprometer/constranger a pessoa,
mesmo que o processo não siga em segredo de justiça” (NERY; NERY,
2020, p. 19).
Essas medidas já estão sendo debatidas pelos Tribunais. O ponto
central é que "a legislação de proteção de dados não se destina, nem
poderia, a interferir, limitar ou retardar a atividade jurisdicional" (CUEVA,
2020, p. 207), mas, em qualquer receio iminente ou a ocorrência de
violação do direito à intimidade, deve ser apreciada a eventual lesão
reparada.
Destaca-se, por fim, mas não menos importante, que o Tema nº 1.141
da Repercussão Geral do Supremo Tribunal Federal (STF), oriundo da
tese fixada no Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR)
nº 16 do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, discute a
responsabilidade civil por disponibilização na internet de informações
processuais publicadas nos órgãos oficiais do Poder Judiciário sem
restrição de segredo de justiça ou obrigação jurídica de remoção. A
matéria foi afetada no dia 7 de maio de 2021, cuja controvérsia
compreende a divulgação de dados de um processo na internet que
gerou prejuízo à parte.
A tese firmada na origem é a seguinte:
É lícita a divulgação por provedor de aplicações de
internet de conteúdos de processos judiciais, em
andamento ou findos, que não tramitem em segredo de
justiça, e nem exista obrigação jurídica de removê-los
da rede mundial de computadores, bem como a
atividade realizada por provedor de buscas que remeta
aquele.
A análise da questão permitirá que, com eficácia vinculante para todo o
país, seja enfrentada a responsabilização civil de terceiros pela
divulgação de dados pessoais coletados em processos judiciais,
havendo o possível enfrentamento do tema diante da publicidade dos
atos processuais em um fundamental diálogo das fontes.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A partir da previsão da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD),
escolha a alternativa correta.
A
A LGPD trata do segredo total ou parcial que pode
ser concedido a qualquer documento
independentemente do seu teor, desde que
requerido pelas partes.
B
Os documentos juntados nos autos não se
submetem às disposições da LGPD.
C
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ainda não
possui a resolução da aplicação da LGPD nos
Tribunais.
D
Discute-se nos Tribunais a responsabilidade civil por
disponibilização na internet de informações
processuais publicadas nos órgãos oficiais do
Poder Judiciário.
E
A LGPD não tem sido utilizada para amparar os
requerimentos de segredo de justiça.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Trata-se do Tema nº 1.141, da Repercussão Geral do Supremo
Tribunal Federal (STF), oriundo da tese fixada no Incidente de
Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR) nº 16 do Tribunal de
Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. A alternativa A está
equivocada, porque não se trata de qualquer documento que terá o
segredo de justiça concedido, e sim apenas daqueles que possam
expor informações capazes de causar constrangimento. A
alternativa B tem seu equívoco ao desconsiderar o diálogo das
fontes. A C é incorreta por não prever a Recomendação nº 73/2020,
que recomenda aos órgãos do Poder Judiciário brasileiro a adoção
de medidas preparatórias e ações iniciais para adequação às
disposições contidas na LGPD, e a Resolução nº 363/2021, que
estabelece medidas para o processo de adequação à LGPD a serem
adotadas pelos Tribunais. A alternativa E, por fim, desconsidera a
prática processual após a entrada em vigor da LGPD.
Questão 2
A publicidade dos atos processuais é a regra; o segredo de justiça,
a situação excepcional. Sobre a publicidade no processo eletrônico,
assinale a alternativa correta.
A
A publicidade não se aplica ao processo eletrônico
em virtude da dificuldade de acesso aos autos por
terceiros.
B
A Lei de Proteção de Dados (LGPD) se aplica aos
dados que constam em processos eletrônicos, mas
não em processos físicos.
C
No processo eletrônico, somente as partes, seus
advogados e o membro do Ministério Público
podem ter acesso aos autos.
D
O acesso aos autos dos processos eletrônicos que
não tramitam em segredo de justiça não está
Parabéns! A alternativa D está correta.
A redação do §6º do artigo 11 da Lei nº 11.419/2006 veio a ser
modificada pela Lei nº 13.793 para permitir o acesso de qualquer
advogado aos atos praticados em processo eletrônico, ressalvados
os casos de segredo de justiça, que só podem ser consultados pelo
advogado com procuração nos autos. A alternativa A está incorreta,
porque o princípio da publicidade é aplicável ao processo
eletrônico. Já a B está errada, pois a LGPD se aplica tanto aos
processos físicos como aos eletrônicos. A C está incorreta, uma
vez que não se restringe ao advogado das partes caso os autos não
tramitem em segredo de justiça. Por fim, a alternativa E está errada,
já que o segredo de justiça aplica-se ao processo eletrônico.
Considerações �nais
Tratamos neste conteúdo dos processos eletrônicos, não limitando
nossa análise apenas às disposições legais sobre o tema e as novas
tecnologias processuais. Na verdade, realizamos principalmente uma
leitura do tema à luz de institutos fundamentais.
No primeiro momento, falamos do acesso à Justiça e de como o
processo eletrônico pode contribuir para a realização desse acesso,
sobretudo a partir da concepção da primeira e da terceira onda
renovatória de Mauro Cappelletti e Bryant Garth, por meio da redução
dos custos do processo e da otimização do uso de recursos materiais,
além de suprimir etapas meramente burocráticas do processo graças à
utilização de sistemas automaticamente capazes de, por exemplo,
certificar o decurso do prazo processual, reduzindo a quantidade de
recursos humanos necessária.
Em seguida, analisamos o processo eletrônico sob a ótica da duração
razoável do processo, buscando esclarecer o que seria uma duração
restrito ao advogado das partes, sendo possível a
qualquer advogado.
E
O segredo de justiça não se aplica ao processo
eletrônico, já que não é possível acessar sem senha.
razoável dele e como o processo eletrônico poderia contribuir para a
promoção de uma maior celeridade processual, dispensando algumas
etapas cartorárias, que passam a ser realizadas pelo próprio sistema
eletrônico.
Por fim, abordamos as disposições do processo eletrônico a partir da
regra da publicidade processual, sobretudo diante da previsão do artigo
11, §6º, da Lei nº 11.419/2006, segundo a qual terceiros dependeriam
de senha para ter acesso aos documentos dos autos que tramitam
eletronicamente, acessando sem senha somente a movimentação
processual. Ademais, com o advento da Lei Geral de Proteção de Dados
(LGPD), demonstrou-se a importância do diálogo dasfontes e a seguinte
análise: se os dados disponíveis no processo deveriam ou não ser
acobertados pelo segredo de justiça.
Podcast
Neste podcast, a professora discorre sobre a interação das garantias
fundamentais do processo com o processo eletrônico.

Explore +
Para se aprofundar sobre o assunto tratado neste conteúdo, sugerimos
que você:
Assista ao vídeo Processo judicial eletrônico, da Justiça do Trabalho,
disponível no Youtube.
Leia a tese de doutorado intitulada Acesso à Justiça e processo civil
eletrônico, de Cristiane Rodrigues Iwakura.
Leia o artigo Processo judicial eletrônico e os excluídos digitais:
perspectivas jurídicas a partir do ideal de acesso à Justiça, publicado
na Revista Humanidades e Inovação.
Leia o artigo Celeridade processual e a máxima da razoabilidade no
novo CPC (aspectos positivos e negativos do art. 4.º do novo CPC), de
Artur César de Souza.
Referências
CAPPELLETTI, M.; GARTH, B. Acesso à Justiça. Porto Alegre: Sergio
Antonio Fabris Editor, 2002.
CARDOSO, O. V. Proteção de dados pessoais e princípio da publicidade:
pesquisa de acórdãos e consulta processual. Revista da ESDM, v. 7, n.
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civil pública. Uma nova sistematização da teoria geral do processo. 2.
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repercussões do tempo na fenomenologia processual (civil e penal). São
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ZANETTI, D. Proteção de dados pessoais e publicidade processual: um
contrassenso?. Migalhas. Publicado em: 15 abr. 2021.
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